Saltar para o conteúdo

A concessão

27 Agosto, 2012

A Constituição obriga o Estado a assegurar a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão, num artigo, algo paradoxalmente, denominado “liberdade de imprensa e meios de comunicação social“.

A Constituição não obriga o Estado a ser “dono” de empresas de rádio ou de televisão.

A RTP não assegura (ou não tem o dever de assegurar) o tal “serviço público” por ser uma “empresa pública” (sob a forma de sociedade anónima detida a 100% pelo Estado), mas por ter celebrado com o Estado um contrato de concessão do serviço público de televisão. Portanto, a RTP é, já hoje, “concessionária” do serviço público, pelo que a concessão do serviço público de televisão exigido constitucionalmente está longe de ser uma novidade.

Nos termos da Lei da Televisão (artigo 52.º), os contratos de concessão do serviço público são celebrados por 16 anos, sendo revistos obrigatoriamente de 4 em 4. O contrato em vigor termina em Setembro de 2019.

Salvo melhor opinião, a titularidade das acções da RTP pouco ou nada influencia o referido contrato de concessão. Em teoria, a privatização pura e simples da RTP, S.A.,  através da venda das respectivas acções, nem sequer implicaria necessariamente o fim imediato do referido contrato de concessão, que poderia manter-se até ao final do prazo e – caso a redacção do artigo 38.º da Constituição se mantivesse como está – poder-se-ia então abrir um concurso para nova concessão do serviço publico, a que poderiam concorrer outras empresas.

Dito isto,

Ler mais…

A nossa anacrónica e desmesurada circunstância

27 Agosto, 2012

Da bizarra relação que a classe política e os jornalistas mantêm com a RTP resultam vários paradoxos. Um deles – o mais recente – é o circo mediático montado em torno do futuro daquela empresa. Fecham-se linhas de comboio, privatizou-se a  EDP, a TAP vai ser privatizada… mas  polémica é a RTP. Isto só não espanta se se tiver em conta que Ramiro Valadão, que fora presidente da RTP, foi provavelmente o único titular de cargos de nomeação a ser julgado após o 25 de Abril. Controlar a RTP foi um objectivo militar – 25 de Abril e 25 de Novembro – e tornou-se na democracia num objectivo político para governos e oposições.  Quando dentro de dez anos ou nem tanto olharmos para o alvoroço  que neste Agosto de 2012 está instalado no país com o futuro da RTP sentiremos a mesma estranheza que agora experimentamos ao olhar para o Verão de 2001 e percebermos o tumulto que então se viveu em torno dos touros de morte em Barrancos.

Impressões

26 Agosto, 2012
by

Televisão

O modelo agora apresentado não é o ideal. Tem uma boa ideia a reter – gestão privada.

Ler mais…

Ou a RTP e o governo fazem as pazes

26 Agosto, 2012

ou se isto continuar assim o Curiosity mandar-nos-á imagens da página on line da RTP como o caso do estranho país em que um líder político com uma escassa representação eleitoral tem uma fantástica cobertura mediática:

Concessão da RTP é “uma privatização”, diz Francisco Louçã

Um ano depois da troika, o país está pior, diz Louçã

 

RTP

25 Agosto, 2012
by

Ouçam-os bem. Fixem-lhes as caras e os nomes, descodifiquem o seu ardoroso discurso pró-serviço público, a sua extraordinária defesa de que a gestão da RTP não dá prejuízo e sempre correu pelo melhor ao contribuinte português. Apreciem a retórica de sentido lógico invertido que tenta pateticamente assegurar que a imparcialidade de um grupo de comunicação social só existe em plena titularidade e gestão públicas em contraste com a dos privados – precisamente o contrário do que, até há pouco, era consensualmente entendido. Tentem não se rir (muito) quando alguns “especialistas” compararem a RTP com a BBC. Perscrutem, ainda, os putativos ‘pais’ e os donos arvorados da Constituição a jurar que o espírito prevalecente para o serviço público de televisão nos idos de 1975/76 ficou para sempre gravado na pedra do Sinai da sua exclusiva interpretação constitucional.

Poderíamos estar a falar dos Estaleiros de Viana. Ou da TAP. Ou, apenas, a escutar os ecos rarefeitos de 1989 quando sectores importantes da economia portuguesa se abriram aos privados. Mas é mais do que isso: estamos a repristinar a discussão antiga com muitos dos mesmos protagonistas e alguns outros que mudaram de campo quando os seus próprios interesses pessoais foram postos em causa. Convém lembrar que se os conservadores graníticos, quer os novos quer os usados, aqueles que juram que tudo deve ficar como está com argumentos miméticos aos de agora, tivessem tido ganho de causa quando se quis abrir o sector da televisão aos privados, hoje não existiria a SIC nem a TVI. E, provavelmente, o cabo teria tido muitas mais dificuldades para vingar.

O plano do Governo para a privatização da RTP ainda não é conhecido (e claro que António Borges deveria ter tido mais cuidado com o que disse!). Contudo, já todos estamos a ser bombardeados pela artilharia do “contra”, das razões escatológico-legais-ideológicas-patrioteiras que apenas querem garantir que a RTP fique como está e que os contribuintes portugueses continuem a sustentar, indirectamente, as televisões privadas através das limitações à publicidade e das indemnizações compensatórias.

Vamos esperar até conhecer o que o Governo tem a dizer por quem de direito. Até lá, repito, ouçam-os, fixem-lhes as caras e os nomes: eles dirão incessantemente o mesmo sobre qualquer mudança – porque a sua existência dependerá sempre da manutenção dos múltiplos charcos de águas paradas onde indefinidamente vivificaram…

O que pensa João Semedo disto?

25 Agosto, 2012

«Todo o argumento que tenta estabelecer uma distinção moral entre animais humanos e não humanos, tenta retirar aos últimos o direito a ter direitos somente por pertencerem a uma espécie diferente da nossa.» – Nesse caso é tão válido a nossa espécie retirar direitos como dá-los porque os animais per si são alheios a essa visão humanizada da sua vida. Por este caminhar as águias ainda são obrigadas  a optar pelo vegetarianismo   e o BE ainda vai exigir um canal do  serviço público de televisão para vacas e RSI para as ratazanas altruístas.

Da série grandes títulos

25 Agosto, 2012

O título é uma arma

Contradição entre os termos

24 Agosto, 2012

O PÚBLICO faz hoje um título que é uma contradição em si mesmo  «Beneficiários de RSI vão poder ser forçados a trabalhar em troca de nada» – Ora se é em troca de nada não são beneficiários de nada logo não recebem RSI.

Pichagens e chichi dos cães

24 Agosto, 2012
by

 

Aqui há uns dias, dois dirigentes do Bloco de Esquerda escreveram no Público um texto a defender o direito de pichar indiscriminadamente as paredes, os monumentos, os comboios, os autocarros. Hoje Alexandre Delgado, compositor e crítico, responde certeiramente a estes “desvarios a que conduz a obsessão politicamente correta”:

“Com o país a ser desfeado e conspurcado diariamente, numa vandalização que destroi o espaço público e horroriza os visitantes, dois sociólogos bem pensantes vêm defender angelicalmente o “direito à expressão” dos pobres marginais armados com sprays de tinta. Não se confunda tags com graffitis artísticos: estes últimos são raros e não é neles que está o problema. Quem faz graffitis de arte geralmente escolhe os locais próprios e contribui para enriquecer o espaço público. Até “mensagens poéticas” são aceitáveis, quando feitas em edifícios devolutos. Os rabiscadores de tags não respeitam nada disso: eles são os primeiros a vandalizar graffitis artísticos (…). Não contribuem com nada, a não ser os excrementos do seu ego invasor. (…) Qualquer prédio ou monumento lhes serve, de preferência antigo e belo. Deixam a sua assinatura não como “forma de expressão” mas sim como marcação do terreno (equivalente de facto ao chichi dos cães, só que muito pior), numa luta agressiva de gangs, entre si e contra a sociedade. (…)  Com a legislação atual, nem vale a pena fazer queixa à polícia. O Ministério da Administração Interna quer simplesmente fazer aquilo que já se devia ter feito há muito tempo: adequar a lei e criminalizar essa forma de vandalização do espaço público. É razão para aplaudir entusiasticamente. Aqui ficam duas sugestões: que a punição dos culpados inclua obrigatoriamente raspar e pintar aquilo que vandalizaram, pois nada seria mais dissuasor e educativo; e que se crie um imposto extraordinário sobre sprays de tinta, destinado a limpar as pichagens que tantos lucros geram a fabricantes e vendedores e que tantos prejuízos causam a proprietários, instituições e cidadãos em geral. Esta não é uma causa de esquerda ou de direita: é uma causa da civilização contra a barbárie.”

Subscrevo.

 

Hoje, no Público

23 Agosto, 2012
by

Uma desenvolvida reportagem, da autoria de António Melo, sobre a reabilitação parlamentar do Capitão Artur Barros Basto (expulso do Exército em 1937 por ser judeu e não o esconder), processo em que tive um papel de que muito me orgulho.

Métodos antigos

23 Agosto, 2012
by

A criatura, pelos vistos, é reincidente.

Quando os lobos uivam.

Não estar do lado certo dá muito trabalho e algumas arrelias

22 Agosto, 2012

“Seis meses antes de o Estado Português da Índia ser tomado pelo Exército indiano, Salazar foi a Goa no voo inaugural da carreira de ligação a Lisboa. Não suspeitava do que iria acontecer” – Esta  legenda incluída num livro sobre os anos 60 editado pela Visão/Expresso é um exemplo da fantasia que vigora em torno do Estado Novo. Mas não só. Estas fantasias são o fruto de uma regra mais ou menos implícita para quem se aventura nestes campos: pode fantasear-se à vontade sobre o Estado Novo desde que se esteja do lado certo.  Como é óbvio a História de Portugal coordenada por Rui Ramos não é atacada por erros mas sim porque existe. Escrevesse o Rui Ramos o que quer que fosse e ele teria de ser sempre vítima duma infâmia pois não é suposto que se questione a narrativa oficiosa sobre o Estado Novo e a I República. Ainda por cima ele não vive escondido e tem sucesso editorial. Se o Rui Ramos fizesse como muito bom historiador de esquerda uma profissão de fé sobre Hitler-Salazar podia em seguida escrever tolices quejandas às desta legenda ou sobretudo deixar transparecer aquela espécie de fascínio por Salazar que se encontra em muita obra de alguns historiadores que para sua felicidade fazem parte do povo de esquerda. Se o Loff quiser ir por aí material não lhe falta.

Rui Ramos responde a artigo difamatório

21 Agosto, 2012
by

Um caso de difamação

“Publicou o jornal PÚBLICO, nos números de 2 e 16 de Agosto, dois artigos de um seu colunista quinzenal a acusar-me de ter dito, na História de Portugal de que sou autor com Bernardo de Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro, que a ditadura de Salazar não era uma ditadura, mas um regime democrático e pluralista, e que a melhor solução política para o Portugal de hoje é uma ditadura fascista como a de Salazar (há obviamente uma contradição nestas duas acusações, que parece ter escapado ao autor delas).

Para “provar” tais calúnias, são-me atribuídos argumentos que nunca defendi e deturpado o sentido de frases e de pedaços de texto, grosseiramente mutilados e manipulados. Darei alguns exemplos. É dito ter eu afirmado que Salazar não era uma “personagem ditatorial”, no sentido em que não era um ditador e o seu regime não era uma ditadura. Nunca, como é óbvio, disse isso: o que eu digo, a p. 639, é que Henri Massis, ao visitar Salazar em 1938, notou que “nada tinha de uma personagem ditatorial” (a expressão não é minha, mas de Massis), no sentido em que projectava uma presença muito diferente do ditador típico da época, como Mussolini, o que não quer dizer que Salazar não fosse um ditador (como até Massis o considera, aliás). De resto, chamo por todo o lado ao Estado Novo uma “ditadura”. Ler mais…

Notícias dos sítios do costume

21 Agosto, 2012

*O Sindicato da Construção Civil exige obra pública para evitar que os trabalhadores do sector se revoltem

Em Lisboa, por exemplo, as habituais agremiações de manifestantes nem sequer convocaram uma concentração junto à embaixada da África do Sul. Não houve um comunicado. Nem uma declaração. Nem uma frase a exigir justiça ao Presidente Jacob Zuma. O rastilho da indignação fácil vira-se agora para Londres, onde Julian Assange está refugiado na embaixada do Equador, país que lhe garantiu “asilo político”.» Delito de Opinião  (Que Nossa Senhora de Quinche,  Padroeira do Equador, se apiede do pessoal da embaixada daquele país em Londres porque ter de aturar o senhor Assange fechadinho entre quatro paredes não deve ser fácil.)

Às portas da emigração (actualizado)

21 Agosto, 2012

O ministro que tem a tutela dos emigrantes é… Paulo Portas. Não o encontrámos em nenhuma das muitas festas de emigrantes que se realizaram neste últimos fins de semana. Talvez não goste de emigrantes. Talvez nem ele próprio saiba que é o ministro da área.

Notícias

20 Agosto, 2012
by

Um arzinho de silly season noticiosa

Inovação? Qual inovação?

20 Agosto, 2012

Bastou Louçã apresentar como solução inovadora a liderança bicéfala de um homem e uma mulher para o BE para tal coisa passar a inovadora. Digamos que esta solução não tem dada de inovador antes representa um regresso às origens da extrema esquerda  pois lideranças bicéfalas de um homem e uma mulher não são de modo algum inovação na extrema esquerda portuguesa. E são sobejamento conhecidos os resultados a que essa bicefalia conduziu. Ou já se esqueceram do POUS da Carmelinda Pereira/Aires Rodriges e do PRP de Isabel do Carmo/ Carlos Antunes?

Isabel do Carmo e Carlos Antunes

(imagem tirada daqui)

Impressões

19 Agosto, 2012
by

Tourada

Mundivisões diferentes – tradição vs direitos dos animais. A solução poderá ser um referendo nacional.

Ler mais…

O compilador

18 Agosto, 2012

A propósito da má fé de Loff em relação a Rui Ramos e da sua fúria por a História coordenada por Rui Ramos estar a ser distribuída com o EXPRESSO creio que melhor explicação para este tipo de fenómenos  é a que foi dada por Eça na resposta a Pinheiro Chagas. Chagas  indignara-se com o facto de  Eça  usar a História de Portugal, de Oliveira Martins, e não a dele Pinheiro Chagas. Ao que Eça concluiu fazendo um retrato de Chagas que cabe que nem uma luva em Loff: «Eu compreendo o furor dum historiador que tem História com tabuleta e porta para a rua, ao ver o freguês ir alegremente fornecer-se de ciência à História do vizinho e do rival: são momentos esses que bastam para depor numa alma de compilador ou de lojista insondáveis camadas de fel.» Como as ideias de Loff não triunfaram neste país a edição é livre. Logo Loff tem bom remédio: pode comçar a fazer um outra História de Portugal.

Um é apenas intelectualmente desonesto; os outros nem sei classificar

18 Agosto, 2012
by

Manuel Loff, um historiador menor que é mais conhecido pela sua adesão ao ideário do Partido Comunista, resolveu insultar nas páginas do Público Rui Ramos a propósito da História de Portugal que este coordenou. O seu esforço canhestro, baseado em mentiras descaradas e em citações tiradas do contexto – por vezes citações de autores que o autor cita e não representam, naturalmente, as suas opiniões –, tem um só objectivo: combater um historiador que não apresenta do Estado Novo o retrato maniqueísta e ideológico que, durante décadas, o PCP e os intelectuais afiliados foram construindo do salazarismo. Esse retrato, baseado na identificação plena do autoritarismo salazarista com o fascismo italiano e com o nazismo alemão, há muito que está desacreditado entre os historiadores sérios, sejam eles mais à esquerda ou mais à direita. Manuel Loff é que, infelizmente, não é um historiador sério. Basta recordar que titulou um dos seus livros com uma frase que atribui a Salazar – “O nosso século é fascista”, assim, entre aspas – que Salazar nunca pronunciou. É antes um ideólogo que, por exemplo, acha que aquilo a que alguns chamam a ordem “demo-capitalista” – as nossas democracias – se assemelha à (velha) “Nova Ordem” nazi-fascista, como defende no último capítulo desse mesmo livro. Por tudo isto, e porque entre os historiadores ninguém lhe dá real crédito, os seus textos deviam ser ignorados como simples infâmias mal-intencionadas, obras de alguém intelectualmente desonesto que sustenta a sua tese em factos que qualquer leitor desta História de Portugal sabe serem falsos (por exemplo: Loff dá a entender que Ramos ignora ou desvaloriza o aparelho repressivo do Estado Novo, quando há várias páginas dedicadas à censura, à PIDE ou aos métodos de tortura; Loff também chega ao ponto da difamação ao dizer que Ramos não classifica como ditadura o regime salazarista, quando isso é feito de forma muito clara).

Não por acaso, essa História de Portugal foi muito elogiada, mesmo por pessoas que não são suspeitas de terem as mesmas inclinações políticas de Rui Ramos. José Mattoso, por exemplo, escreveu em 2010 Ler mais…

Grotesco

18 Agosto, 2012

*Em 2009 uns banhistas ignorando a sinalização resolvem colocar-se junto a umas arribas. Morrem cinco deles. Três anos depois – Maria Luísa: famílias pedem 900 mil euros

*Numa conferência de imprensa em Quito na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Ricardo Patiño, anunciou que o seu país concedeu asilo político a Assange principalmente porque os direitos de defesa não são respeitados na Suécia.

*2009 Presidente Zuma celebra vitória cantando um dos hinos do ANC   Please bring my machine gun  2012 O resultado desta cultura em que os líderes cantam  Please bring my machine gun   está à vista nos recentes acontecimentos da Àfrica do Sul

Bendito Luisão*

18 Agosto, 2012
by

Os juros da dívida pública caíram, esta semana, novamente.

Estão em causa os juros a 10 anos que desceram pela quinta vez consecutiva.

São, sem dúvida, boas notícias, dirão alguns. Os mercados recomeçam a acreditar em Portugal e, estando em causa a dívida pública a 10 anos, tal significa que há um crédito de confiança(zinha) na nossa recuperação. Mas, de todo o modo, essa performance já não tem sido tão impressiva no que respeita à dívida pública a curto prazo.

Ler mais…

Às Portas da emigração

17 Agosto, 2012

O ministro que tem a tulela dos emigrantes é… Paulo Portas. Esperamos vê-lo em breve numa das muitas festas de emigrantes que se realizam neste fim de semana.

um raciocínio diícil de entender

17 Agosto, 2012
by

No mesmo discurso, Pedro Passos Coelho anuncia que 2013 será o “ano de inversão na situação da economia em Portugal” e que o orçamento de estado para esse ano incluirá mais uma medida suplementar  para o equilibrar, ou seja, mais impostos. Francamente, há neste raciocínio uma contradição qualquer que me escapa…

Só visto

17 Agosto, 2012

“O Pontal do nosso desapontamento”   Será que em algum momento Maria de Belém pensou que o discurso de Passos no Pontal não ia desapontar?

A barbárie do capitalismo  Alguém pode explicar ao Sérgio Lavos que o ANC partido do governo da África do Sul é socialista?

acabou

17 Agosto, 2012
by

O Estado Social português acabou. Da pior maneira, por implosão do modelo social que manteve utopicamente durante décadas, e que devia e podia ter sido paulatinamente reformado enquanto havia dinheiro e tempo para isso. Agora, sem dinheiro para coisa nenhuma nem sítio para o ir buscar, o Estado Social vai-se decompondo e desmoronando com violência inaudita sobre centenas de milhares de pessoas que nunca conheceram outro modo de vida e a quem foi vendida a ilusão de que o governo e o estado podiam substituí-las na responsabilidade individual pelas suas existências. Estas pessoas a quem hoje falta emprego, saúde, educação, reformas, dinheiro, esperança, em suma, o indispensável para se poder ter uma vida digna, foram vítimas de políticos trapaceiros, de economistas inescrupulosos, de vendedores de ilusões que, ao longo de décadas, lhes foram prometendo o céu na terra, em troca dos seus votos e dos benefícios e privilégios que a política e o poder lhes foram dando. Esta crise tem, portanto, nomes e responsáveis, e só terá saída se as suas vítimas perceberem que foram enganadas e que não é possível viver como lhes foi prometido.

O tempo esse grande mestre

17 Agosto, 2012

Depois disto White House Honey Ale creio ter chegado a hora de se rever a chacota sobre  a quinta de Maria Antonieta e as galinhas de Salazar em São Bento.

Ps. A propósito acham que se corre o risco de Mitt Romney reabrir Guantanamo caso seja eleito?

Notícias da Pagolândia, a terra onde o contribunte paga o que existe, o que não existe e o que pode vir a existir

16 Agosto, 2012

PÚBLICO «Após a greve nacional de médicos de 11 e 12 de Julho, Paulo Macedo assumiu o compromisso, perante os responsáveis dos sindicatos, que “as alterações às listas de utentes em curso seriam suspensas e o processo submetido a negociação sindical e ao respeito pela legislação”. (…)  No entanto, segundo uma carta que o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) enviou ao ministro da Saúde, a ARS continua a avançar com o projecto e não dá qualquer resposta aos pedidos de explicação dos sindicatos. (…)  Uma fonte da ARS de Lisboa garantiu, no entanto, que o projecto está mesmo suspenso. Até ao momento, o projecto avançou em nove dos 22 ACES que integram a ARSLVT, mas só em quatro foi concluído. Este novo sistema permitiu “uma diminuição de 278.930 utentes sem médicos” desde o início do ano até 31 de Maio. Resumidamente, este projecto explica-se da seguinte forma: os utentes que não tenham tido qualquer contacto com o seu centro de saúde durante um período de três anos passam a surgir no Sinus – o sistema informático das unidades de saúde – com o tipo de inscrição “não frequentador”, mas continuam a pertencer à lista do respectivo médico de família. E por cada utente que é considerado “não frequentador” entra um utente sem médico, que passará a integrar essa lista. E é precisamente aqui que, para os sindicatos, reside o problema, pois o acordo colectivo de trabalho em vigor estipula que “o número de utentes inscritos em lista nominativa não pode ser superior a 1550” para cada médico. E com este projecto o rácio de utentes por médico de família passa a ser superior, violando assim o estipulado

Relendo

16 Agosto, 2012

Agora que a troca e a reutilização dos manuais escolares se tornaram uma causa consensual não deixa de ser interessante ler o que se escreveu na caixa de comentários do Blasfemia sobre este assunto em Julho de 2008Setembro de 2008 ; Outubro de 2008; Junho de 2011Outubro de 2011  

Não entendo

16 Agosto, 2012

desaparecimento de documentos é em Portugal e não sei se noutras paragens uma prática ou uma acusação recebida com uma tolerância vedadeiramente surpreendente.

 

a virtude da coisa pública

15 Agosto, 2012
by

Uma das presunções fatais do indígena lusitano, inculcadas por anos e anos de estatismo e centralismo, é a virtude da coisa pública e a natural perversidade da privada. Descontando o facto de a coisa dita pública não alimentar ningém, a não ser os poucos indivíduos (clientes privados) que vivem à custa dela, é preciso considerar que ela só se torna verdadeiramente pública porque é sustentada pela totalidade dos cidadãos contribuintes. É a partir desta virtuosa permissa que a legislação portuguesa sobre o financiamento partidário tem praticamente proíbido, desde o começo do ciclo democrático instaurado no 25-A, o financiamento privado dos partidos e tem, em contrapartida, consagrado o público, isto é, o que sai do orçamento do estado e do nosso dinheiro cobrado compulsivamente por via fiscal. Ora, a mim, por exemplo, não me satisfaz sustentar coladores de cartazes, a produção de outdoors e tempos de antena, menos ainda contribuir para o rendimento mensal dos jotinhas de serviço nas sedes dos partidos. Considero a política profissional um vício não muito diferente do jogo de casino e preferia, assim, que fossem os directos interessados nessa actividade a sustentá-la.

ai jacinto, jacinto…

15 Agosto, 2012
by

A tradicional hipocrisia portuguesa, que presume que as faraónicas campanhas dos partidos políticos se pagam com donativos de militantes de base, com os subsídios do estado e com ar e vento, resulta em situações nebulosas como esta. É mais do que óbvio que este é um problema que atinge horizontalmente todos os grandes partidos políticos e protagonistas do regime (sim, sim, com os candidatos presidenciais incluídos…), mas os dirigentes preferem recorrer a este género de artifícios sempre muito mal explicados, em vez de, pura e simplesmente, promoverem a liberalização integral da lei do financiamento partidário, obrigando-se à simples emissão de um recibo e à declaração anual de rendimentos para os devidos efeitos fiscais. As coisas seriam muito mais limpas e transparentes do que têm sido nestes quase quarenta anos de freeports, macaus, sacos azuis, submarinos e outros jacintos leite capelo rego de ocasião. E os contribuintes poupariam muito dinheiro com as eternas investigações do Ministério Público cujos resultados já todos somos capazes de antecipar.

dia 14 de janeiro de 2013, às cinco da tarde

14 Agosto, 2012
by

Vai acabar a recessão em 2013, afirmou Passos Coelho, no Pontal do costume. Este género de previsões, que pressupõem um domínio quase astrológico da economia, não auguram nada de bom e costumam ter um resultado exactamente inverso do anunciado. Já estamos habituados a elas desde há muito, pelo menos desde os tempos em que António Guterres via na sobrelotação pascal do Algarve uma evidência de prosperidade económica. Depois, pouco antes de desertar para Bruxelas, Barroso também nos anunciou que a crise terminaria após um breve, mas necessário, período de reajuste a cargo da Dra. Manuela Ferreira Leite, que nunca lhe perdoou esse protagonismo. Santana e Portas chegaram a anunciar o seu fim consumado, e Sócrates nunca deixou de tranquilizar-nos com os estupendos resultados da sua governação. Com Passos, apesar de alguma moralização da coisa pública, que finalmente começa a antever-se, ao fim de um ano de governo, subsiste uma dúvida pertinente: como relançar a economia num país com empresas e empresários falidos, sem capitais próprios para investir, nem a possibilidade de os ir buscar ao crédito? É que não é certamente com o entusiasmo do primeiro-ministro que se criam empresas e postos de trabalho. Sócrates e a sucessão de keynesianos que nos governam de há muito não têm feito outra coisa que não seja injectar confiança, optimismo e dinheiro na economia. Com os excelentes resultados que agora todos estamos a viver.

Merecida retribuição

14 Agosto, 2012

Escreve-se no Corporações: «PPC e os aprendizes de feiticeiros do spin político que tomaram conta do PSD e do Governo utilizam de forma descarada e intencional a família e a esfera privada para efeitos de marketing político. À medida que exageram começam a ter a merecida retribuição.  O problema é quando a retribuição atinge terceiros absolutamente inocentes; nesse caso já não é um problema político é, fundamentalmente, um problema moral. Como é evidente PPC não leu nenhum dos autores que afirmou ter lido numa entrevista ou se os leu não compreendeu nada do que leu. Porque se tivesse compreendido alguma coisa do que disse que leu nunca se teria exposto a situações como a que este título descreve: “Protesto assusta filha do primeiro-ministro“.»  

Ou seja  a rua, a praia, os sítiios públicos ficam por conta dos ‘vasconcelos’ da comissão de utentes/BE… e os políticos democraticamente eleitos passam a viver como foragidos para não terem aquilo que o Corporaçõe  define como  “merecida retribuição.”Na prática o primeiro ministro fazia férias sozinho para não exibir  a família e sobretudo fazia-as em local secreto  para não provocar o Vasconcelos. Talvez num forte no Estoril ou no Pine Cliff. Num barco próprio ou levava a família para o estrangeiro. Ou para a ilha dos amigos.  É melhor o Corporações pensar que o PS ainda há-de ser governo, o Vasconcelos ainda estará na comissão de utentes e que o PM socialista há-de ter família e talvez não goste, não possa ou não queira fechar-se num resort de luxo e como tal terá todo o direito a fazer férias em paz e sossego na praia como todos nós.

O que pensam João Semedo e Louçã do comportamento de João Vasconcelos?

14 Agosto, 2012

Já se sabe que uma democracia burguesa se caracteriza por ser o regime em que são respeitadissimos os líderes dos partidos que mais a criticam e que bem instalados na vida mantêm  a retórica e às vezes as práticas das pretéritas barricadas . Assim partidos como o BE e o PCP que exigem para si o maior respeito institucional não hesitam em adoptar comportamentos de milícia extremista: há anos que andam a apelar aos tumultos e que lhes brilham os olhinhos em qualquer situação que possa degenerar em violência. Para seu azar nada disso tem acontecido. Na ausência dos ditos tumultos populares passaram alguns dos seus quadros a ter de os protagonizar de forma directa: Carlos Bicho encenou uma revolta popular diante de Álvaro Santos PereiraJoão Vasconcelos coordenador distrital do Bloco de Esquerda  na qualidade na qualidade de porta-voz da comissão da A22 resolveu fazer umas performances de protesto junto ao local onde Passos Coelho passa férias.

A performance já de si muito questionável estando Passos Coelho não numa visita oficial mas sim de férias com a família foi muito além do que devia. Tão além que segundo o JN gerou protestos entre aqueles que assistiram. O BE não pode controlar o que fazem os seus militantes mas não pode escondê-lo e. Afinal    o BE concorda ou não com o comportamento de João Vasconcelos? Ou por outras palavras acharia bem o BE que um grupo de sete pessoas andasse atrás de Louçã e da sua família durante as férias? E se esse grupo fosse liderado por um militante doutro partido não teria o BE já exigido explicações?   Felizmente para ele Louçã, a sua mulher e a sua filha fazem férias em absoluta tranquilidade  E caso tal não acontecesse alguém ia ter de lhes pedir desculpa.

O PS e a agenda dos milagres

13 Agosto, 2012

PS espera que Passos anuncie amanhã medidas para o crescimento

Sendo que isto não quer dizer rigorosamente nada cabe perguntar porque tendo o PS esta fé milagreira nunca apresentou  essa agenda enquanto foi governo e antes pelo contrário se obstinou numa agenda que nos tornou a todos mais pobres.

 

Coisas lindas para chamar a um ditador caso seja de esquerda

13 Agosto, 2012

líder histórico

histórico líder

ex-Presidente

homem que liderou

(…)

Impressões

12 Agosto, 2012
by

Urinar na piscina

Talvez sejam sinais dos tempos. Em todo o caso, há pessoas com as quais não gostaria de partilhar a mesma piscina.

Ler mais…

O utente João Vasconcelos

12 Agosto, 2012
by

Talvez seja por falta de notícias em Agosto, mas os telejornais encheram-se hoje de notícias de uma carta que a denominada “comissão de utentes da A22” quis entregar na praia da Coelha e na Manta Rota a dois portugueses em férias. Nada a dizer. Mas custaria muito um dia explicar como se constitui uma “comissão de utentes”? Quem a escolhe? Quem elege os seus dirigentes? Tem assembleias-gerais? Ou são apenas comissões ad-hoc formadas por meia dúzia de activistas, sem representatividade real? E o João Vasconcelos, o eterno porta-voz da comissão da A22 (a Via do Infante) o que é que faz além de ser o coordenador distrital do Bloco de Esquerda? Era só para ficarmos a saber o que é espontâneo e o que é encenação mediática. De passagem também nos podiam esclarecer se os manifestantes eram mesmo só sete. É que essa informação é omitida na maior parte das reportagens.

Palavras claras

12 Agosto, 2012
by

Paul Ryan, a escolha de Mitt Romney para candidate à vice-presidência, escreveu em Junho um artigo para o Financial Times que vale a pena ler. Que pena não haver mais gente com um discurso tão claro:

The highest barrier to a new economic boom is the defeatism of those seeking to manage the west’s decline. Millions of Europeans and Americans alike are now enduring the painful consequences of empty promises becoming broken promises, after politicians pushed government spending and debt to unsustainable levels and spread cronyism instead of entrepreneurial dynamism.

In November Americans will choose between two visions of our future. If we make the right choice, it is not too late to chart a course to renewed prosperity. If we make the wrong choice, the US will succumb to European sclerosis, with painful consequences for the free world.

Ler mais…