Boa solução
O governo optou por contornar a decisão do TC mantendo os cortes na Função Pública, mexendo pouco no rendimento global do sector privado e aproveitando para reforçar a desvalorização interna. Os trabalhadores do sector privado saíram a perder, mas a constituição obriga a repartir sacrifícios.
Mais do mesmo!
Isto é horrível! É continuar na senda de tapar os buracos com aumentos de receita, continuar a contrair a economia privada para sustentar o despesismo público. Só pode acentuar ainda mais a recessão.
O socialismo continua
Esta gente não consegue mesmo cortar despesa, está visto.
É melhor desistir de pensar que alguma vez o farão.
Já produzimos mais do que consumimos!!!
Estamos a produzir menos, mas de forma mais sustentada, já que também consumimos muito menos. Algo que não acontecia desde os tempos da II Guerra, em que o volfrâmio impulsionou então o último excedente comercial que registámos.
Agora não temos volfrâmio nem guerra, mas temos a tão diabolizada austeridade que começa a mostrar os seus efeitos virtuosos. Foi ela que nos obrigou a racionalizar hábitos, a desistir de extravagâncias, a fazer melhores contas à vida.
Terminou o leasing da viatura? Óptimo, conclui o Silva, menos um encargo mensal, fica-se com ela pelo valor residual, que dura à vontade outros 3 anitos; mais a mais, agora utiliza-se menos, que combustíveis e portagens até queimam. Fins de semana na Pousada? Já eram. Talvez para o ano, se o cunhado emprestar o apartamento da praia, na ida ou no regresso de férias se vá almoçar a uma das que ainda falta conhecer. Ir ao restaurante com a família? Quiçá por alturas da Páscoa, se houver algum de sobra. Agora restaurantes, nem à semana, que aquele “investimento” que se fez nos tupperwares tem óptimo retorno. Leva-se o almocinho para o serviço cozinhado na véspera e, entre o casal, poupa-se à vontade 10 euritos por dia; já dá para financiar o aumento do passe dos miúdos e ainda sobra. E em boa hora a patroa se lembrou de fazer compotas ao fim de semana, que estão a sair muito bem por toda a vizinhança. Um dinheirito extra e sem impostos que dá um jeitaço, vai todo para o banco, que o emprego dela está por um fio, a construtora onde trabalha deve fechar portas nos próximos meses. Talvez seja de plantar mais algumas árvores de fruto no terreno da sogra na aldeia. Se a firma da patroa falir, há que fazer crescer o negócio da compota; portanto, tratemos desde já de garantir o acréscimo de fornecimento (quase) gratuito da matéria prima.
Os dramas abundam, sendo o desemprego o maior de todos, mas há muita gente a arregaçar as mangas e a tentar dar a volta como os Silvas. Há muitos hábitos/vícios consumistas que estão a ficar para trás, há muita gente a ansiar libertar-se dos leasings, rentings e de todas as “Cofidis” que lhe comem grande parte do rendimento mensal. De resto, não é necessário (excepto para ostentar perante o vizinho, mas ele também já anda a tinir) trocar de carro, mobília ou aparelhagem Hi-fi a cada 3 ou 4 anos ou trocar de vestimenta em cada estação. Quaisquer daqueles bens podem perfeitamente durar o dobro ou o triplo, sem que daí decorra uma perda substancial de qualidade de vida.
Ter uma vida mais austera não significa pois que se viva pior. E em termos macro, uma alteração neste sentido dos padrões de consumo irá obstar no futuro a que a procura interna cresça a ritmos superiores ao produto. E é desta forma que se criam as bases de um crescimento económico sustentado: consumir de acordo com as possibilidades e produzir algo que terceiros apreciem e paguem para ter, sejam compotas, sapatos ou outros bens e serviços transaccionáveis.
Austeridade?
Segredo de Estado bem guardado:
Os horários escolares.
O que impressiona mais? – Sondagem
Ranking de uns tipos com salários chorudos:
1. Samuel Etoo (Anzhi) – 20 Milhões/ano
2. Ibrahimovic (Paris Saint-Germain) – 14,5
3. Wayne Rooney (Manchester United) – 13,8
4. Yaya Touré (Manchester City) – 13
5. Kun Aguero (Manchester City) – 12,5
6. Didier Drogba (Shanghai) – 12
7. Hulk (Zenit) – 11,8
8. Fernando Torres (Chelsea) – 10,8
9. Conca (Guangzhou) – 10,6
10. Lionel Messi (Barcelona) – 10,5
11. Cristiano Ronaldo (Real Madrid) – 10
O que o impressiona mais nesta lista? Responda no inquérito abaixo:
a justiça social corre-lhe nas veias
“Seria um erro, de todos os pontos de vista, tentar desmantelar o Estado social, tentar desmantelar os nossos modelos sociais”, afirma o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, social-democrata inveterado e eterno militante das causas nobres da humanidade. Foi pena não ter ficado por cá para ajudar a cumprir esse elevado desígnio e para poder assistir, como chefe do governo, ao sucesso das reformas do estado que iniciou, principalmente a da administração pública, confiada ao seu velho amigo-inimigo golfista profissional e ministro nas horas vagas Professor João de Deus Pinheiro.
não há terceira via
Não há terceira via, como bem referia Mises, mas apenas duas alternativas possíveis para uma economia nacional: ou o mercado ou o socialismo. Pela primeira entende-se a livre troca de bens e serviços estabelecida directamente pelos interessados, sem coacção nem dirigismo público e político. No modelo socialista, a livre-troca, o mesmo é dizer, a liberdade individual, é condicionada e progressivamente substituída pela decisão pública, seja fixando limites directos à escolha individual ou objectivos e preços, seja condicionando os direitos de propriedade, por exemplo, por via do aumento progressivo das cargas tributárias. Cada medida tomada pela soberania ou segue no caminho do primeiro modelo (coisa naturalmente rara) ou no caminho do socialismo (tendência predominante). Por outro lado, a socialização da economia tende a provocar a sua própria aceleração, em virtude das ineficiências e dos altos custos que gera: mais intervenção gera mais custos e custos geridos politica e não empresarialmente, logo, mais elevados do que os custos de mercado; mais custos geram mais impostos e mais impostos provocam menos economia, logo, menos receita fiscal num prazo curto, ao que poderes públicos autistas respondem com mais impostos ainda. Portugal tem sido, nas últimas duas décadas, um bom exemplo de que socialismo gera mais socialismo. O mesmo é dizer, mais pobreza.
.
Por isso, caro Luís, embora compreendendo o sentido irónico do teu post, queria reforçar a ideia de que não existem “neo-socialistas”, mas apenas socialistas, como esse cavalheiro da foto com que ilustraste o teu texto. É gente que tem o fraco vício de dispor daquilo que não lhe pertence, como se fosse seu, sempre em nome de altos e abnegados interesses. Frequentemente, os deles.
Neo-socialismo?
A nossa progressividade fiscal ainda é baixa, portanto há que aumentá-la, de acordo com este socialista que, apesar de “neo”, tresanda a mofo e retoma ideias velhas e requentadas.
A cartilha está lá toda: lançar o estigma da culpa sobre quem aufere altos rendimentos, com os habituais epítetos que geram palmas fáceis da populaça, mas jamais equacionando eventuais méritos dos visados. Ganhar bem já constitui, por si só, libelo acusatório e culpa formada e os “réus” devem inclusivamente ser sujeitos a dupla ou tripla tributação, que é o que defende quando clama pelo Imposto sobre o Património.
Especialmente sintomática a sua expressão “…há muita gente a não dar aquilo que pode“. Não se pede que paguem mais, mas que dêem. O “neo-socialismo” não pretende apenas reforçar a aberração da progressividade. Pretende que as respectivas vítimas não tenham qualquer retorno em termos de serviços do Estado, pagarão apenas os que forem prestados a outrém. À esquerda e à direita, não faltam aplausos alarves a propostas acéfalas no sentido de vedar aos “ricos” os serviços de saúde, de educação, transportes públicos, etc. Eles têm de os pagar com língua de palmo, mas que nem sonhem em utilizá-los.
Nunca ocorre a estas luminárias que, perante tal discriminação, as “vítimas” podem questionar-se por que pagam impostos. E que a última alternativa que lhes resta é votarem com os pés e irem contribuir para regimes fiscais menos vorazes. E quando os “privilegiados”, os “muito privilegiados” e os “tubarões” decidirem sair em massa, quanto cairá a receita de IRS? 40, 50, 60%? É que menos de 15% dos contribuintes já são hoje responsáveis por 85% do IRS colectado. Um nível de progressividade que, para o neo-socialismo, é assaz insuficiente.
não as empandeirem, não – 2
Estado já emprestou 1,7 mil milhões de euros a cinco empresas públicas desde o início do ano.
Renascido das cinzas
O sector português do calçado. Há pouco mais de 3 anos fizeram-se-lhe inúmeros epitáfios quando algumas multinacionais, então as maiores empresas, começaram a encerrar as operações em Portugal. Os custos de produção, designadamente salariais, seriam proibitivos e inviabilizadores do negócio.
Em pouco tempo, ter-se-á operado uma revolução no sector, a tal ponto que é hoje o 2º mais caro do mundo, tendo ultrapassado a “requintada” França e perdendo apenas para Itália, outro potentado da moda e do bom gosto (vd. aqui, pág 12, quadro The Big Players).
Mais relevante porém, é o facto de esta inversão ter ocorrido com tecnologia, inovação e marketing basicamente portugueses e à revelia dos “cânones tradicionais”, cuja via para o aumento de competitividade deste sector (e não só), teria de passar fatalmente pelo esmagamento dos custos.
Tudo indica que os nossos industriais privilegiaram o valor e as margens unitárias em detrimento do volume. Não aparentam competir pelos custos, pois o sector é dos poucos em que os salários têm subido de forma consistente e significativa nos últimos anos. Denotam um claro objectivo de diferenciação pela qualidade, a melhor forma de obter preços de venda elevados. Bem elucidativo disto é a repartição das nossas exportações por tipo de produto (mesmo relatório, pág. 17), com quase 80% dos 65 milhões de pares exportados concentrados nas fileiras de maior preço (Couro e Outros). De realçar ainda que o preço médio do par português foi dos que mais subiu em 2011: 23,6%, que compara muito favoravelmente com os normais 14,7% de Itália, os surpreendentes 14,2% da China e os modestos 6,6% da França raffinée.
A subida dos nossos preços médios tem-se verificado de forma consistente nos últimos anos (em 2010 “só” fomos o 3º mais caro), o que tem constituído o principal driver da retoma das exportações, que estarão no entanto ainda longe de atingir o volume de pares exportados em 2001 (mais de 100 milhões). O saldo comercial tem melhorado significativamente (30% desde 2009), mas irá previsivelmente plafonar no corrente ano, muito por força da desvalorização do euro face ao dólar. O que só atesta que a qualidade rende mais se vendida em moeda forte.
Eis um bom exemplo de um sector tradicional que soube reestruturar-se da melhor forma. O crescimento económico sustentado passa por emular este tipo de estratégia, baseada na qualidade e no valor e não nos baixos salários. E oremos para que os políticos não se intrometam…
Vice-Versa
O velho namoro da maioria da imprensa com o Bloco
A notícia do Público começa assim:
Imaginem agora por um momento que, em vez de estarmos a falar do Bloco, estávamos a falar do PSD, do PS ou do CDS. Que se escrevia que um órgão de topo de qualquer desses partidos tinha “fechado” a questão da liderança meses antes da realização de um congresso. Que se admitia que essa questão, apesar de dividir um desses partidos, ia ser meramente “formalizada” no Congresso. Não só é impensável que um qualquer jornal português pudesse apresentar tais factos tão pouco naturais com a naturalidade com que está escrito este texto, como já teria caído o Carmo e a Trindade e Ler mais…
Antes assim…
PSD e CDS falham acordo para alterar lei eleitoral autárquica
É que seria pior a emenda que o soneto. A actual lei eleitoral peca pela aberração de se elegerem vereações pelo método de Hondt. Mas tem a grande virtude de eleger o executivo (a vereação) e o deliberativo (a Assembleia Municipal) em separado, algo que deve ser mantido pois permite, apesar de tudo, um maior controlo. A proposta em discussão previa eleger apenas a Assembleia Municipal, sendo a vereação escolhida apenas de entre os seus membros. Para além de representar um reforço dos “aparelhismos”, vedando desde logo a possibilidade de candidaturas independentes às Câmaras, tinha a incongruência de definir à partida como Presidente o cabeça da lista mais votada que formaria um executivo monocolor, que poderia estar em minoria na AM face a eventuais coligações formadas por partidos opositores. Ora, isto representa uma perversão de um sistema em que se pretende reforçar a vertente parlamentar.
A actual lei eleitoral só necessitava de dois pequenos retoques: eleger o Presidente da Câmara numa base uninominal, a 2 voltas se necessário, e permitir candidaturas de independentes. A vereação deveria ser uma escolha exclusiva do Presidente, com a capacidade de fazer as substituições que entendesse. A nível autárquico, o presidencialismo é algo há muito interiorizado pelos eleitores, que votam mais numa figura que num partido. A lei eleitoral deve ir ao encontro desse sentir do eleitorado e não dos interesses partidários.
O equilíbrio entre a personalização e a representação partidária deveria ser obtido pelo diálogo e negociação entre 2 órgãos eleitoralmente legitimados, independentemente de as respectivas cores políticas coincidirem ou não. Diplomas fundamentais (vg., o orçamento municipal), teriam de ser aprovados pela Assembleia, devendo ficar consagrada tal obrigatoriedade, sob pena de os serviços municipais encerrarem. Isto forçaria a negociação e o controlo e implicaria uma maior responsabilização de ambos os órgãos.
Admito inclusivamente que o sistema presidencialista deveria ser adoptado a nível nacional. A personalização também acontece a esse nível e a legislação eleitoral deve ser consequente com a forma de ser e de estar do eleitorado.
regra de ouro
«Brasil tem o maior ciclo de PIB fraco desde o Plano Real. Há oito trimestres país não supera crescimento de 1%. Apesar da série de medidas de estímulos adoptadas pelo governo, a economia brasileira teve fraca reação e cresceu apenas 0,4% no segundo trimestre (…). Alvo prioritário das medidas de estímulo, a indústria teve queda de 2,5%, a pior em três anos. (…) Entre as grandes economias, o desempenho do Brasil só superou o de países em crise na Europa», segundo a Folha de S. Paulo de ontem. Que explicação para isto terá Paul Krugman?
Impressões
Ja agora a programação deve ser feita em comissão parlamentar
RTP: Comissão de Trabalhadores quer administração nomeada pelo Parlamento
… e o alinhamento editorial dos noticiários deve ser submetido a um grupo de trabalho com representantes dos partidos e da concertação social
O corte cego
Os indignados com os cortes a que chamam cegos são os mesmos que defenderam e defendem que se gaste cegamente. Dirão os ingénuos que é tudo uma questão de cegueira. Eu diria que antes pelo contrário é ter alcance de vista.
Porque hoje é domingo
QUERO ANDAR A PÉ! POSSO? um blogue a visitar
Unir os pontos
Os números são o que um homem quiser
Se bem percebo dos milhares de professores existentes em Portugal só restam nas escolas 15% pois avisa o Diário Económico que Mais de 85% de professores sem colocação e há um grupo que avisa o PÚBLICO não tem um único professor: Grupo de EVT sem qualquer professor colocado
O tal Canal…*
Estamos em semana de avaliação.
Tal como um estudante em época de exames, Portugal deveria sentir-se expectante (já nem digo nervoso, pois isso dependerá, em concreto, da personalidade de cada estudante). Na realidade, esta é uma das semanas mais importantes para o país. Está em curso a 5ª avaliação da “troika”. Avaliação esta que não só será a última antes da elaboração do Orçamento para 2013, como irá deparar com a já assumida derrapagem orçamental, ocorrida este ano.
francamente, não estava à espera
«Primeiros números dao ampla maioria ao MPLA». E se o pessoal do Expresso fosse gozar com outro?
Queremos uma RTP intocável como uma “vaca sagrada”? Ou apenas um bom serviço público?
Hoje, no Público, defendi que não fazer nada e continuar apenas a “gerir bem” a RTP não é opção. Nos últimos dez anos isso custou 4 mil milhões de euros
Não há nada como os problemas baterem à nossa porta para mudarmos de opinião. Até há uma semana não havia jornalista que não fosse contra as “corporações” e não se manifestasse indignado com as “rendas”. Desde que começou a ser discutido o futuro da RTP percebemos que, afinal, as corporações que os indignavam eram as outras e as rendas que os amofinam são aquelas de que não são beneficiários. E o pior é que muitos parecem estar a reagir como uma tribo, sem sequer pensar.
não a empandeirem, não…
A tal empresa “muito lucrativa” nos últimos anos, que suscita a volúpia e a ganância dos “privados”, quer 80 milhões de euros do estado, em 2013, a título de indemnização compensatória. Compensação de quê, já agora?
.
Adenda: Leitura imprescindível do artigo de João Miguel Tavares, no Correio da Manhã, Oh, não! O que será do país se a RTP acabar. Não recomendável a algumas almas mais sensíveis que comentam no Blasfémias.
We own this country … politicians are employees of ours
Decadência
O Forte Apache que tem feito um trabalho regular de acompanhamento de Guimarães Capital Europeia da Cultura chama agora a atenção para uma obra cuja consta de «um galinheiro amplificado, na Horta Pedagógica, em Guimarães, composto por um teclado musical suspenso e coberto de milho. O esgravatar das galinhas e dos galos e o som que produzem ao comer o milho nas teclas do piano, dão forma ao laboratório vivo de sonoridades.”
Como é hábito nestas coisas os jornalistas cumprem o seu papel de envolver em prosa poético-cultural estes exercícios de chico-espertice: «O escultor sonoro João Oliveira exibe “5ª Sound”, uma instalação com galinhas e um teclado musical, e ainda uma performance com chávenas, nas esplanadas do centro histórico de Guimarães (…) Com a ajuda de parafusos, porcas e anilhas, os objectos são adaptados e trabalhados para a construção do som, aquilo a que chama, a “construsom”, um trocadilho que utiliza com frequência. “Há o entusiasmo, há o objecto e há a criação de diálogos entre esse objecto, e a partir daí começa a construção, desconstrução, mutação, rotação”, explica o artista. O processo criativo da escultura sonora contempla três fases: a parabólica, o “observador observado”, ou seja, a observação do objecto; a macrobióptica – fazer zoom ao objecto; e por fim, a captura imediatista do objecto, através da Polaroid que depois é levada para o laboratório para dar início ao trabalho. É um processo “ouver”, ver, ouvir, ouvir, ver, explica João Oliveira.»
Os contribintes pagam. Os contratados da Capital da cultura dizem que isto é cultura. E lá no fundo ouve-se um som escarninho. Talvez sejam as galinhas. Os romanos que ouviam certamente melhor que nós diriam que eram os bárbaros.
Sentença de morte
A decisão tomada pelo Governo de privatizar a ANA em bloco, é a assinatura da sentença de morte do aeroporto Sá Carneiro. Será uma morte lenta por definhamento, que começará a partir de agora.
Em bom rigor, não é nada que o Porto e o Norte não mereçam. É o preço que pagam pela sua passividade, pela abulia da sua sociedade civil, pela gritante falta de líderes que saibam corporizar os verdadeiros interesses da região.
Infelizmente, isto não ficará por aqui. Em breve, a gestão de Leixões será telecomandada de Lisboa.
Lifting editorial: a poligamia virou poliafeição
Aos costumes disse nada
Manuel Loff escreve hoje no PÚBLICO um texto para cumprir com a obrigação de responder a Rui Ramos. O texto é uma manobra de diversão para desviar as atenções das falsidades que escreveu. Mas Loff pode muito bem ter aberto uma caixa de Pandora com este seu exercício. Pois há gente que se lembra do que Loff tem escrito. E faz de conta que não escreveu.
O Provedor Já Respondeu
O Provedor do Telespectador da RTP, Rádio e Televisão de Portugal, detentora dos contratos de concessão do serviço público de rádio e TV, já respondeu ao comentário que ontem deixei na sua página do Facebook, referente a uma “notícia” publicada no site da RTP.
.
A RTP, que garbosamente nos informa que entre as Missões, Objectivos e Obrigações de Serviço Público se inclui “proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada”, “assegurar o pluralismo, o rigor e a objectividade da informação e da programação”.
.
A RTP que tem um Código de Ética onde realça a missão do serviço publico de media e onde se compromete a ter uma “informação plural, rigorosa, isenta e independente” e onde afirma textualmente que “pratica uma informação que respeita rigorosamente a realidade dos factos não apresentando uma visão parcial dos mesmos, confirmando toda a informação antes de a apresentar, no respeito pelas fontes”.
.
A RTP que nas suas normas de conduta nos garante que os colaboradores da RTP “observam o princípio da neutralidade, isenção e independência face a correntes políticas, económicas, sociais ou religiosas”.
.
A RTP que também nos informa que “a violação ou inobservância das normas de conduta do Código de Ética”, “constitui falta grave, susceptível do procedimento julgado adequado”.
.
Ora, perante uma notícia disparatada onde que se apresentam dados inventados, em que citam fontes respeitáveis mas cujo conteúdo não confirma o teor do artigo, perante uma notícia falsa em que o jornalista quebra radicalmente com todos os nobres compromissos acima descritos, perante uma notícia que não é nem isenta, nem independente, nem factual, nem verdadeira, a chamada de atenção ao Provedor pareceu-me bastante adequada. E o Provedor respondeu, prontamente, diga-se.
.
Respondeu que não tem nada a ver com isso. Ele é mais TV.
Notícias não relacionadas
“Desapareceram” 135 mil filhos das declarações de IRS em dois anos.
Transportes perderam 134 mil passageiros por dia no segundo trimestre.
Para ajudar a compreender os números (ou, pelo menos, parte deles), vale a pena ver alguns dados: População residente: total e por grupo etário. De 2008 e 2011, a população entre 15 e 24 anos diminuiu em quase 80.000 indivíduos.
Uma Questão de ADN?
(publicado no página do Provedor do Telespectador da RTP).
.
—
Acabei de passar por um artigo publicado no site da RTP, assinado pelo jornalista António Louçã.
.
O artigo é este. Que grande absurdo.
.
Como se pode comparar desta maneira défices da balança comercial de diferentes países? A Itália, por exemplo, tinha um défice da balança comercial mínimo, da ordem de 1%. Já Portugal andava pelos 10%. Para o autor, passar de 10% para 5% seria um falhanço, quando comparado com uma redução de 1% para 0%. Como é óbvio, neste caso, a única comparação possível era em valor absoluta da queda.
.
Custava a acreditar que o Financial Times tivesse comparado percentagens de queda de défice – o jornal costuma ser bastante criterioso nas análises que publica ou, neste caso, que cita. Por esse motivo, procurei a fonte.
.
É este o estudo citado (http://t.co/BZgOPILW) e, surpresa das surpresas, não tem nada a ver com o artigo publicado pelo jornalista António Louçã. Ler mais…
Portugal, país de eventos
«A Câmara Municipal de Leiria, liderada pelo socialista Raul Castro, informou, em 24-8-2012, que vai violar a Lei dos Compromissos (Lei n.º 8/2012, de 21 de fevereiro), um ato que presumo irá ser seguido por outras, e não só as governadas pelo Partido Comunista e Partido Comunista… A Lei dos Compromissos «impede as entidades públicas de assumirem despesas para as quais não tenham receita prevista nos três meses seguintes». A Câmara de Leiria invoca que só assim pode contratar o fornecimento de transportes e refeições aos alunos do concelho. O argumento das refeições e transportes escolares é um argumento demagógico: não é para isso que falta dinheiro à Câmara de Leiria. Falta dinheiro é para as obras e eventos que quer mostrar ao povo em ano eleitoral, como é este de 2012, e que a nova lei impede que as câmaras contratem se não tiverem fundos» Do Portugal Profundo
Obs. Como vamos entrar em ano de eleições autárquicas recomenda-se vivamente a suspensão de todas as revistas, agendas culturais, para seniores, para a juventude…, folhetos e desdobráveis que as autarquias e juntas de freguesia fazem questão de oferecer aos seus munícipes. Não só não têm qualquer interesse editorial como são materiais de propaganda política.
O seu a seu dono
Critiquei aqui Pedro Rolo Duarte por ter dado crédito e publicidade às calúnias de Manuel Loff sem sequer ter lido a História de Portugal de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro. Agora que a foi ler, veio pedir desculpa pelo que então escreveu. Em Portugal é raro alguém admitir publicamente que se enganou, pelo que não posso deixar de me congratular e de saudar o gesto de Pedro Rolo Duarte.
um marco histórico
Há algo de muito representativo do país que temos sido nesta atitude de tentar “salvar”, a qualquer custo, das “garras dos “privados”, a RTP, a televisão fundada no Estado Novo e docemente acalentada por todos os regimes que se lhe seguiram.
.
Falamos de uma empresa que, em tempos de crise grave e de sacrifícios impostos sem fim à vista, acumula prejuízos anuais de milhões de euros, em troca da prestação de um serviço que em nada se distingue dos seus concorrentes, a SIC e a TVI, o que autoriza presumir que qualquer outro privado que a assuma não irá fazer muito diferente do que hoje lá é feito. Por outro lado, as ingerências e intromissões do poder público na informação da RTP têm sido uma constante ao longo dos anos, sejam quais forem os governos que a tutelem. O valor de uma comunicação televisiva isenta e independente, que os privados supostamente não garantem por serem privados, só pode ser, no caso da RTP, uma brincadeira de mau gosto. Desde 1957, quando começou a emitir, até aos dias de hoje, uma única constante atravessou a sua já longa existência pública, isto é, à custa de todos nós: servir incondicionalmente o poder, seja ele qual for, tenha que tonalidade tiver.
.
De que “património” se fala, então, quando agora se quer evitar, a tudo o custo e sob toda a espécie de ameaças, a venda da RTP? Serão os milhões de prejuízos acumulados ao longo dos anos, suportados pelos contribuintes? Será a televisão obsoleta e quase sem audiências em que ela se transformou desde que foi exposta à concorrência? Ou a conta-corrente deficitária e sem inversão que a mantém? Ou os canais temáticos, por cabo, sem espectadores? Ou, ainda, os recursos humanos desaproveitados e muitos deles arrumados em prateleiras douradas com consideráveis reformas?
.
Queira-se ou não, a RTP transformou-se num marco incontornável do regime: ou há coragem para lhe mudar o destino e para a transformar em algo sustentável e sustentado por quem a utilizar e consumir, ou ficará para sempre como o símbolo do imobilismo português e da impossibilidade do país se reformar e vencer os atavismos que o conduziram aos negros dias de hoje.
.
O governo português tem aqui uma oportunidade única para mostrar o que vale. E se deixar tudo como está bem pode começar a fazer as malas.
Corporações
Cada noticiário da RTP tornou-se uma espécie de manifesto ilustrado em defesa dos seus interesses profissionais e pontos de vista. Enfim é um espectáculo ao vivo e em directo do que não deve ser um serviço público.
A propósito da RTP
Algumas das minhas opiniões sobre o actual debate a propósito do futuro da RTP.
