Aliança das Civilizações
De todos aqueles que não há muito tempo achavam que se devia dialogar com a Al-Qaeda e com os fundamentalistas não há nenhum que se voluntarie para ir a Tombuctu salvar o que ainda pode ser salvo?
Coisas que se vão sabendo
O salário de um enfermeiro não especializado é de cerca de 4€/hora.
O Estado está a contratar serviços de enfermagem em vez de enfermeiros.
Os enfermeiros têm uma ordem e o respectivo bastonário.
Há licenciaturas em enfermagem de 4 anos.
E mestrados.
Em 2011 a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa tinha 300 vagas e a média foi de 14,4
A Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto tinha 270 vagas e média de entrada de 15,9
A Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra tinha 320 vagas e média de entrada de 15,0
Minho, 80 vagas, média 15,9
Aveiro, 70 vagas, 14,2
Algarve, 25 vagas, 14,5
Açores, 80 vagas em 2 escolas diferentes
Madeira 35 vagas
Vila Real, 72
Bragança, 40; Évora 30; Beja, 35; Castelo Branco 35; Guarda 40; Leiria 48; Portalegre 80; Santarém45
Mais Setúbal, Viana, Viseu
(estas vagas enchem todas com médias quase sempre acima de 14)
Aposto que este ano vai ser a mesma coisa
Agora é unir os pontos e tirar conclusões.
29.11.2008 – Centro de arte africana contemporânea é aposta estratégica do Governo
10.12.2008 África.cont Uma “extraordinária praça” para a arte africana vai nascer em Lisboa
04/02/2009“Vamos ter recursos como nunca tivemos para o património”, assegura ministro da Cultura
09.05.2009 Uma cidade milagreira e multicultural A Lisboa de António Costa
04 DEZ – 05 DEZ 2009 Encontro AFRICA.CONT – Objectivos e Modelos de Programação
07.01.2011 Africa.cont ainda não saiu do papel e já custou 570 mil euros
28 Jun 2012 Africa.cont. Câmara de Lisboa abandona projecto que custou meio milhão
Impressões
Cada um tem a sua Marinha Grande
Os galões estão ganhos. Agora, está na hora de tomar a iniciativa – tal como bater-se pela diminuição drástica das mais-valias no imobiliário para estimular o sector.
Dou as boas vindas aos novíssimos críticos da ERC
(Este texto deveria ter saído sexta-feira no Público, mas ficou de fora por falta de espaço)
Não me surpreendeu a decisão da ERC sobre o caso Relvas. Surpreender-me-ia é que fosse outra. Sobre essa entidade nunca tive ilusões. Há um ano, num livrinho que escrevi – Liberdade e Informação, Fundação Francisco Manuel dos Santos – lembrei que “depois de uma Alta Autoridade para a Comunicação Social que havia sido muitas vezes contestada pela sua proximidade ao poder político, a ERC distinguiu-se por uma proximidade ainda maior, sendo raras ou quase inexistentes as vezes em que condenou acções do poder político do momento”. Nessa altura ainda estavam em função dos membros do Conselho Regulador escolhidos no tempo da anterior maioria. Só um deles se tinha demitido. Porque, como escreveu ao renunciar ao cargo, sempre que “estava em causa o poder político”, “ocorreram verdadeiras entorses às mais elementares normas e procedimentos”. Para esse vogal “a ERC é um órgão sem independência do poder político e que atingiu um ponto sem retorno”.
Mundo insólito
Um dos problemas do jornalismo de causas é a realidade. Sobretudo se a realidade questiona a causa ou a crença que anima os jornalistas como sucedeu mais uma vez ontem nas manifestações convocadas pelo Movimento Sem emprego. Este tipo de movimentos goza de uma simpatia imensa nas redacções. Simpatia a que se junta uma repetição dormente dos telexes da LUSA. O resultado foi uma estranha cobertura de umas manifestações que a terem sido convocadas por forças menos queridas redacções seriam logo rotuladas como fracasso.
DN: Movimento Sem Emprego exige medidas de apoio
JN: Movimento Sem Emprego exigem medidas de apoio a quem está sem trabalho
SIC: Primeiro movimento de desempregados em Portugal manifesta-se em Lisboa, Porto e Coimbra;
Expresso: Coelho, Gaspar, ai, assim você me mata“.Manifestantes pelo direito ao emprego percorreram o centro de Lisboa, pedindo medidas de apoio para os desempregados, junto do Parlamento. Veja os momentos mais marcantes da manifestação.
TVI: Protestos por trabalho em quatro pontos do país (E como correram os protestos no POrto, em Braga e Coimbra?)
Pese o título épico Lisboa e no Porto Diferentes gerações juntam-se em manifestações contra o desemprego o PÚBLICO é o único onde se percebe o que aconteceu nas manifestações de Lisboa e do Porto.
Este desfasamento entre a realidade e aquilo que os jornalistas acham que deveria acontecer não se esgota de modo algum na secção política. A sua concepção sobre a fauna selvagem está um bocadinho ao nível do desenho animado. Só essa infantilização explica que o JN se coloque na secção Mundo Insólito um video de tubarões a comer uma baleia. Mas o que é insólito? Aqueles tubarões reais são carnívoros e não convém confundi-los com a personagem do “Em busca de Nemo”. Mas enfim é o que temos.
Vemos ouvimos e lemos… mas pouco
Por isso aqui fica uma sugestão vão ao Malomil e vejam Spomenik. Já agora passem os olhos por outro post que fala de um assunto que há muito, muito tempo era o principal problema do mundo e leiam Figura d’urso e se ainda tiverem tempo sigam este link como ali se sugere: “Why Did I Have to Be a Girl?”
Ajustamento
Como é que se explica a queda das importações, do consumo e do PIB entre o 1º trimestre de 2011 e o 1º trimestre de 2012? Duas teorias outra vez:
1ª teoria: Isto é um exemplo do que acontece quando se aumentam os impostos. Se em vez de aumentar os impostos o governo tivesse cortado o défice em 6 mil milhões de euros apenas do lado da despesa as importações e o consumo continuariam aos níveis anteriores à chegada da troika. Aliás, Portugal não tem nem um problema de excesso de consumo sustentado pelo endividamento externo nem um problema de défice externo. Tudo o que é preciso é cortar a despesa pública em 6 mil milhões de euros e isso não vai afectar nem o consumo, nem as importações nem as receitas fiscais que se obtêm sobre o consumo e as importações.
2ª teoria: Antes da chegada da troika, os níveis de PIB, consumo e de importações eram artificialmente alimentados por um défice de 12 mil milhões de euros. Quando o Estado optou por cortar 6 mil milhões de euros ao défice este valor foi retirado à procura interna e o PIB, o consumo e as importações entraram em colapso. Note-se que o efeito agregado na procura interna de um corte no défice é sempre 6 mil milhões de euros. Se o corte for feito do lado da receita, os contribuintes perdem 6 mil milhões de euros e são forçados a baixar o consumo. Se o corte for feito do lado da despesa, o funcionários públicos, os pensionistas e os fornecedores do Estado perdem 6 mil milhões de euros e são forçados a baixar o consumo. Em qualquer dos caso, num ajustamento é inevitável que ocorra uma queda do PIB, do consumo e das importações. E se o consumo e as importações caem as receitas do Estado têm que cair.
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Você decide.
Agressões e desventuras
O editorial do PÚBLICO de hoje intitula-se “A inútil desventura do ministro Álvaro” e estabelece o paralelo entre as agressões a Mário Soares e a Álvaro Santos Pereira. Para o editorialista MS “Foi, como se sabe, agredido por sindicalistas e manifestantes ligados ao PCP” enquanto Álvaro Santos Pereira «experimentou os efeitos da ira popular». No fim Álvaro Santos Pereira além de ter experimentado a “ira popular” e de segundo quem assina o editorial ter ouvido um militante do PSD a elogiar Vasco Gonçalves (a ironia da frase escapa ao editorialista) ainda acaba protagonista duma desventura inútil. Em resumo os socialistas são agredidos. Os outros têm desventuras. E inúteis ainda por cima. Mas o melhor é ler:
«A inútil desventura do ministro Álvaro. Foi já há um quarto de século, mas muitos reterão ainda na memória as imagens da conturbada viagem de Mário Soares, então candidato à Presidência, à Marinha Grande. Foi, como se sabe, agredido por sindicalistas e manifestantes ligados ao PCP. Resultado: em lugar de descer nas sondagens, subiu. E tornou-se Presidente da República. Ontem, na Covilhã, o ministro da Economia, Álvaro dos Santos Pereira, experimentou os efeitos da ira popular e teve que ouvir, inclusive, da boca do autarca local (por sinal, do PSD) que, “para algumas pessoas, o único Governo que se preocupou com os trabalhadores foi, em 1975, o Governo de Vasco Gonçalves”. O ministro ainda tentou dialogar, sem êxito: foi insultado e um dos manifestantes atirou-se para cima do carro onde seguia. Isto garantiu-lhe escolta da GNR, desistindo da cerimónia. Mas foi, na verdade, uma desventura inútil: quer para os manifestantes, quer para o Governo, que não subirá nas sondagens por causa disso.»
Obs. A propósito da “ira popular” veja-se este video com Carlos Bicho que será o mais irado popular desta desventura inútil: Saltei para cima do capot para me defender»
Laffer ou Schumpeter?
O gráfico mostra a variação homóloga entre trimestres do PIB do sector da construção. Entre o 1º trimestre de 2011 e o 1º trimestre de 2012 o PIB do sector da construção caiu 9,8%. Há duas teorias que podem explicar estes dados:
Teoria lafferiana: o governo aumentou os impostos pelo que as pessoas deixaram de comprar casas, ou as empresas de construção deixaram de ter lucro em produzir obras e abandonaram a actividade, ou passaram para a economia paralela ou uma mistura destes 3 efeitos. No fundo, existe necessidade premente de mais construção em Portugal mas são os impostos que estão a impedir o desenvolvimento deste importante sector.
Teoria schumpeteriana: Há muito que as necessidades de habitação e de obras públicas se encontram mais ou menos satisfeitas. A economia portuguesa precisa de se reestruturar e têm que passar recursos deste sector para novos sectores que a própria economia terá que inventar. O sector da construção tem-se mantido sobredimensionado à custa da procura pública e do crédito artificialmente barato pelo que só após a bancarrota do Estado é que o sector entrou em colapso.
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Acho que é mais ou menos óbvio qual é a teoria correcta.
Eles querem um “futuro decente”. Mas não lá muito honrado
António Hespanha é uma pessoa muito observadora. Soubemo-lo no último Prós e Contras. Quando vai a um supermercado e olha para os carrinhos de compras dos outros clientes, acha que as suas escolhas não são racionais. Não sei o que o douto professor conhecerá da vida das outras pessoas para fazer essa avaliação, mas se calhar não necessita de saber muito. Ele faz parte daquela elite que julga conhecer as nossas necessidades mesmo quando são apenas nossas. É também dos que acham que os que pensam diferente sofrem de uma irremediável “impiedade” que faz deles monstros em potência. Até porque é um dos subscritores do manifesto “por um futuro decente”, que junta gente que, como ele, só pensa no bem do próximo – desde que o próximo aceite que sejam eles a dizerem o que é o seu bem.
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Somos todos rãs!*
(…) É claro que a solução do problema orçamental, nesta fase, já não passa por cortar mais “patas”. Se nos obrigam, a todos, a servir de “rã”, tenhamos, ao menos, “cientistas” simultaneamente realistas e imaginosos: amputar mais “patas”, já não é solução! Texto Integral: aqui
* Grande Porto, Opinião, hoje (29.06.12)
Manifestante profissional
Portugal tem algumas centenas de manifestantes profissionais vulgarmente designados como sindicalistas. Alguns como é o caso de Luís Garra, o coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP, que hoje coordenou a manifestação que aguardava o ministro da Economia,é coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco da CGTP desde 1979. Digamos que tem uma carreira como manifestante profissional. E assim a manifestar-se mantém-se naquele posto de trabalho há 33 anos. Naquele longínquo tempo em que Mota Pinto foi sucedido por Maria de Lurdes Pintasilgo em S. Bento e o Presidente da República era Ramalho Eanes.
Reforma do Governo Local
Hoje, às 21.30h, estarei em Coimbra, no Hotel D. Inês, para debater a Reforma a convite da Comissão Política Regional da JSD da Distrital de Coimbra.
O título com que muitos exultam
Merkel cede em toda a linha a Espanha e Itália
Aparentemente, a solução encontrada permite o endividamento sem fim. Será que Ângela Merkel e a Alemanha já disseram a última palavra? Ou será que só pode quem deve?
Sociologia a gosto
Há muito, muito tempo quando o socialismo na versão comunista era o fim inevitável das sociedades havia umas princesas nórdicas que interrompiam essa espécie de evolucionismo político. A Suécia a Dinamarca e a Noruega com os seus socialismos democráticos levavam a que se questionasse sobre a razão de ser das estratégias totalitárias dos comunistas. Afinal naqueles países a liberdade, o pluralismo e o socialismo pareciam compatíveis. Mas havia o problema dos suicídios. Jornais, manuais escolares e homílias várias explicavam que aquelas sociedades pareciam perfeitas mas não eram como bem se via pelo elevado número de suicídios que ali se registavam. O suicídio era a resposta desses povo às sociedades da abundância onde não se tinha de lutar por nada e não havia ideais. Escusado será dizer que na URSS e afins não havia suicídios.Os anos passaram e os suicídios passaram a ser o resultado da troika e da crise. Cada suicidio na Grécia tornou-se a prova viva de que a austeridade não pode ser o caminho.
Parece que Monti e Rajoy só assinam o pacto de crescimento com “medidas anti-spread”. É uma retinta sacanice que estão a fazer ao Holande, ao Mário Soares e ao Tó Zé, mas convenhamos que revelam um grande pragmatismo. Sabem que esse pacto não passa de areia para os olhos da populaça, é mais despesa – em que teriam de comparticipar – para reincidir em algo que já os escaldou (renováveis e afins) e eles estão é ávidos por mais receita. Sendo difícil aumentar a extorsão fiscal a uma população crescentemente desempregada, resta a fuga para a frente do endividamento. Cortar na despesa é que não!
No fundo, estamos perante 2 aristocratas insolventes que pretendem continuar a financiar-se (ad eternum, de preferência) a taxas de Triplo A. Querem estar sob resgate permanente, mas que ninguém saiba e assim possam manter o status e a petulância de ricos. O FEEF é o Santo Graal escolhido para lhes custear os caprichos de forma perene.
Há apenas um pequeno problema. O FEEF não é nenhum Cresus e não tem um chavo de seu. Todos os biliões que aplicasse em dívida espanhola e italiana em taxas baixinhas, terão de ser tomados previamente de empréstimo a taxas ainda mais baixas, dado o rating máximo de que goza. Mas este rating decorre das garantias que a Merkel der ao FEEF e se ela alinha nesta espiral louca de endividamento, em breve será a Alemanha a perder o seu Triplo A.
As nuvens estão carregadas e anunciam tempestade. A Ângela já deve estar cansada de aturar aqueles marqueses falidos, há mais de 1 ano sob pressão dos mercados e que ainda não mostraram a mínima contenção de gastos. Deveria berrar-lhes pela enésima vez: são os défices e as dívidas, estúpidos!!!
Mas talvez se canse de os aturar, bata com a porta e abandone o Euro. O que daria uma trabalheira aos “artistas” do photoshop, a terem agora de inventar expressões de choro e raiva para 16…
Versão simplificada da crise
Compramos uma galinha a crédito. Comprometemo-nos a pagar 30 dúzias de ovos por ano ao antigo dono da galinha, mas a galinha só põe 28 e nós comemos 4 dúzias de ovos por ano. Tínhamos especulado que a galinha iria produzir 40 dúzias por ano e até estávamos a planear entrar no negócio dos ovos de avestruz. Descobrimos agora que temos um défice de 30+4-28= 6 dúzias. Como resolver este problema?
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Solução Keynesiana: Alimentar a galinha com 10 dúzias de ovos por ano na esperança que ela produza mais ovos. Um factor crítico para esta solução é que o multiplicador ovário tem que ser superior a 1. Por cada dúzia de ovos que a galinha come ela tem que produzir mais de uma dúzia acima das 28 que habitualmente produz. Portanto, estamos plenamente convictos que se a galinha comer 10 dúzias de ovos por ano (investimento) ela passará a produzir um total de mais de 28+10=38 dúzias por ano.
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Solução poedeira de último recurso: uma poedeira de último recurso é usada para redefinir o conceito de “dúzia”, que a partir de agora passa a ter 8 unidades. A nossa galinha passa a pôr 42 dúzias, e como nós só devemos 30 ainda nos sobram 12.
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Solução ovobonds: Junta-se a nossa galinha com a do vizinho alemão. Como a galinha do vizinho alemão põe 32 dúzias por ano e só deve 22, sobram dúzias suficientes para pagar as nossas dívidas e ainda podemos aumentar o consumo de ovos. A parte mais difícil desta solução é convencer o alemão de que se nós comermos mais ovos (os ovos dele) isso é bom para ele.
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Solução troika estrangeira: Os vizinhos (uma alemão, um francês e um finlandês) juntam-se para nos emprestar os ovos que faltam, mas em contrapartida obrigam-nos a comer menos ovos. Como isso não chega, vão submeter a galinha a um programa de exercício e dieta na esperança que passe a pôr tantos ovos como a galinha do alemão.
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.Infelizmente este problema da galinha é generalizado. Andou toda a gente a prometer mais ovos que aqueles que todas as galinhas do mundo podem produzir. A galinha do alemão não põe ovos suficientes para cobrir as dívidas da galinha espanhola e da galinha italiana. Isto vai-nos obrigar a todos a comer menos ovos durante muito tempo. Ainda assim será necessário redefinir a dúzia como um conjunto de 10.
Prémio para o título mais preconceituoso do dia
Nos EUA a liberdade individual ainda está acima do direito aos serviços de saúde
Ainda? Mas não é suposto a liberdade individual ser o nosso direito mais sagrado? Pelos vistos não é isso que pensa quem fez este título…
Encontrado no iPad** da Kátia Vanessa*
Por interposto país
Deixando de lado a futebolística questão Portugal é desde há algum tempo alvo de uma peculiar cobertura na imprensa espanhola. Como os espanhóis estão na fase daquelas declarações épicas sobre o resgate que, afirmam, nunca pedirão passaram a descrever a vida dos países sob resgate como uma descida aos infernos. Texto como este do El Mundo: ¿Quién rescata al portugués sin dinero para ir al médico? passaram a proliferar. Enfim, o costume num país habituado a ser pretexto para propagandas alheias:
Leituras recomendadas
Alguns textos que vale a pena ler para perceber melhor a Europa (e ver para além das lentes distorcidas que fazem lei na maioria da imprensa portuguesa).
A cimeira europeia desta semana deverá aprovar um pacote dito de 130 mil milhões de euros para “o relançamento do crescimento”, já saudado domesticamente como uma reviravolta no caminho da Europa. A Spiegel explica aqui como esse pacote não passa de um balão cheio de ar quente:
Window Dressing for Hollande: The Empty Promise of Europe’s ‘Growth Pact’
A propósito fa França de Hollande, a The Economist continua a ser muito cruel:
E mais esta leitura complementar:
France Is Main Obstacle to a Euro Solution
O primeiro-ministro italiano tem sido apresentado como um campeão do europeísmo e um homem capaz de conciliar as reformas com o crescimento. Este texto do Wall Street Journal leva-nos até ao universo kafkiano da legislação do trabalho na Itália. Assusta mesmo um português:
Employment, Italian Style: The rules and burdens that explain Europe’s economic crisis.
As mudanças em curso, mesmo sendo positivas, não parecem suficientes mesmo quando…
Italy Official Seeks Culture Shift in New Law
Todos os que estiverem optimistas relativamente à cimeira de amanhã devem passar os olhos pela elucidativa descrição feita pela Spiegel da forma como os líderes europeus se comportaram durente a cimeira do G20. Ficará também a perceber que há poucas esperanças de conciliar as visões da Europa do Norte com as da Europa do Sul. O título assusta mas é verdadeiro:
Euro Crisis Threatens European Way of Life
Boas leituras.
Queremos mais mesada!
No âmbito dessa complicada diplomacia da Tríplice FRonteira da esquerda portuguesa – BE, ala esquerda do PS e numa península muito sua o PCP – veremos multiplicarem-se iniciativas frentistas como esta – “Resgatar Portugal para um futuro decente” – O título é um símbolo ideológico de quem já não tem empresas para nacionalizar nem grandes fortunas para confiscar. Perdido o imaginário da nacionalização-divisão desistiram de prometer um futuro revolucionariamente melhor. Agora querem apenas que seja decente. Ou seja que se mantenha o tipo de sociedade que oficialmente tanto contestaram. Por isso agora a ideologia limita-se a isto: a Merkel paga a mesada e nós vivemos decentemente.
Laffer?
PCP quer medidas de emergência para travar “colapso” do setor da construção civil
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Construção: hecatombe no setor arrasta outras empresas
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25% dos desempregados vêm da construção
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Um desafio ao Joaquim Sá Couto: explicar este fenómeno de colapso generalizado da construção civil com o aumento de impostos.
Curva de Laffer
Compensações
O que foi fazer o SEF para o TagusPark? Para que servem as moções de censura? Perguntas que formulei ontem na Tvi. Como aí referi o PCP e o BE têm hoje metade dos deputados que PCP conseguiu em 1979. Na verdade a esquerda radical vem há décadas perdendo apoios nas urnas. Compensa-se no mediatismo. Mas o resultado é um discurso tão mais megalómanos quanto mais fraca é a sua capacidade de mobilização.
PPP: o fim das renegociações II
Já que esgotou a possibilidade da renegociação, o governo deverá agora extinguir as parcerias. Deve proceder à expropriação por utilidade pública dos equipamentos ou até, em alternativa, modificar o modelo de contrato.
Ler mais…
Primaveras
Primavera europeia versão catástrofe anunciadíssima: Bruxelas discute proposta que permitiria alterar orçamentos nacionais
Primavera árabe versão uma coisa maravilhosa que agora não interessa nada saber como está a correr: Tunisia Court Upholds Cartoon Blasphemy Conviction
Primavera desportiva versão ‘duelo ibérico’ no chamado jornalismo de referência: Cristiano Ronaldo, una bestia con sed de venganza
Empresas e crédito
Há uma queixa recorrente de que não há crédito para as empresas. Pressupõe-se que o estado natural da economia é a existência permanente e fácil de crédito. Ora, há momentos em que o crédito escasseia pelo simples facto de que a poupança tem que ser usada para tapar os buracos deixados após um período de euforia e de concessão de crédito sem poupança. Pressupõe ainda que num período de queda na procura uma empresa sobre-endividada precisa de mais crédito. Na verdade precisa de menos. Precisa de se reestruturar e de pagar dívidas. Estes queixumes de falta de crédito, muitas vezes feitos por lóbis à cata de crédito subsidiado, são mais a expressão de um desejo de regresso ao crédito fácil e uma demonstração de que determinados empresários não se querem adaptar à nova realidade.
“Inutilidades”
Depois de António Saraiva (CIP), há uns tempos atrás, se ter referido à actual Adc, dizendo tratar-se de uma “inutilidade”*, surgem, agora e novamente, da parte de Carlos Barbosa e do ACP, críticas à (in)acção da mesma Adc
* Note-se: essa qualificação começa a estar bastante “desvalorizada” no mundo das “Reguladoras”…
“Medicina Normalizada”
Nota sobre a “Medicina Normalizada”, texto publicado na página online do jornal Sol.
Das conclusões: “Em conclusão, enquanto que a evolução deveria ser de uma forma anacrónica de “paternalismo médico” para uma “Medicina centrada no doente”, na qual grande parte das decisões deveriam competir a este último, vem agora o Estado tentar impor uma “Medicina Normalizada” – a qual poderá representar um passo no sentido errado, uma vez que se baseia em princípios que podemos qualificar como controversos. Para W.E. Deming, “In God we trust, all others must bring data”. Está por provar que esta reforma, apresentada no contexto de um quase colapso financeiro, na verdade leve a qualquer tipo de contenção de gastos, aguardando-se também dados relativos aos resultados clínicos e ao impacto geral sobre o sistema de saúde.”
A propósito dos sonhos do Bloco Central
que animam boas almas do PS e do PSD leia-se esta entrevista recente de Murteira Nabo ao SOL: Murteira Nabo: ‘Defendo um Governo de salvação nacional’ e compare-se com esta outra dada em Outubro de 2009 a essa interessantissima publicação do ponto de vista ideológico conhecida como Tempo Livre .
Ai, o consumo …
Num país em que o consumo e as importações têm sido empolados pelos mais diversos estímulos é bom sinal que estejam a ocorrer os fenómenos seguintes:
– aumento das exportações
– diminuição das importações
– diminuição do consumo
Quanto mais bem sucedida for a política de corte no acelerador keyneasiano mais rápido será o ajustamento. Este ajustamento tem uma consequência para a arrecadação fiscal, ceteris paribus, os impostos sobre o consumo e importações tenderão a descer. Este fenómeno é já visível na execução fiscal até Maio. Os impostos que mais descem sao o IRC (desce 15,5%, normal quando a economia está a desalavancar) e os impostos sobre o consumo (IVA desce 2,8%). Entre os impostos sobre consumo, os que mais caem são os relacionados com o consumo de importações (ISP desce 8,4% e imposto sobre veículos desce 47,7%).
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O que está a acontecer na economia portuguesa é a tão desejada mudança de paradígma económico. É também óbvio que ninguém deseja essa mudança e que ela está a ser imposta pelas circunstâncias. Até os liberais suspiram por mais consumo e por receitas fiscais maiores sobre o consumo.
Coisas a não esquecer por quem vive num estado ‘pêesse’
a) Se Arnaut fosse PS passava a ser tratado por pai da REN. Como é PSD trata-se de promiscuidade político-partidária.
b) A única forma que o PSD tem de não ser acusado de “promiscuidade político-partidária” é renomear os socialistas para estes cargos. Ou seja manter neles os socialistas que o PS anteriormente nomeou ou escolher outros socialistas. Quando os socialistas são nomeados ninguém protesta porque se o PS está no governo isso é tido como obviamente natural e se o PS está na oposição isso é tido como sinal de independência por parte dos sociais -democratas. Uma espécie de intermezzo inteligente na sua congénita cupidez.
c) A presença de socialistas nestes cargos chama-se defesa do Estado e do serviço público. A presença de não socialistas chama-se “promiscuidade político-partidária” e o PS naturalmente protesta para que a ordem natural da vida política em Portugal seja reposta e os socialistas voltem rapidamente a ocupar os lugares que lhes pertencem por direito republicano.
Em resumo: este triste estado de coisas talvez explique porque precisamos de menos estado e sobretudo de um estado que faça o que deve e deixe os negócios para os privados. Enquanto tal não acontecer o discurso sobre o poder será naturalmente do PS. Naquilo em que outros estão em falta «, o PS está no seu terreno. É só isso que distingue os Arnaut uns dos outros.
“Não há cantinas escolares grátis!”*
O Tribunal de Contas divulgou um relatório sobre a “Parque Escolar”, apontando vários excessos e ilegalidades, afetando diretamente o erário público. Um caso, entre muitos, indiciador de algumas causas explicativas da situação de emergência financeira em que nos encontramos. Claro está que não são apenas os casos tipo “Parque Escolar” que justificam tudo (quer dizer, o desequilíbrio orçamental e financeiro do Estado). No entanto, muitos casos desses, terão, sem dúvida, contribuído para o mau estado do Estado e para a necessidade de austeridade que, talvez, bem vistas as coisas, em algumas situações mais não será do que o regresso a um padrão de rigor e de normalidade, exigível na gestão da res pública.
Política de crescimento
Impressões
10.000 euros/mês
Muita gente pode acabar a pensar – que está na profissão errada. Nos dias que correm, a greve pode parecer, cada vez mais, um luxo para ricos.
Hoje vamos passear
Eufemismo
Vitor Gaspar diz que “a execução orçamental ficou aquém do previsto”. Ou seja, enganou-se nas previsões.
Sugestão
Parece que há dinheiro para 3 pontes e 1 túnel entre Gaia e Porto. Paguem as dívidas das câmaras e do Metro do Porto primeiro.



