E andamos nós a pagar isto!
Lisboa vs Porto
Ontem saiu no Observador um artigo que, admito, não percebi.
Para além do estilo de carta aberta que não aprecio, a meu ver trata-se de um texto proclamatório em que não se descortina o argumento subjacente, nem sequer a quem se dirige a prosa.
A falha pode ser minha, mas tirando declarações de amor à cidade, considerações retóricas diversas e memórias de um glorioso passado, mais próximo ou longínquo, apenas encontrei uma ideia concreta que é a de reivindicar “que Lisboa nos tem de dar o que é nosso”.
O articulista começa o seu escrito na primeira pessoa do singular, mas acaba fazendo revindicações e manifestando desejos na primeira pessoa do plural, quase transformando-se repentinamente em porta-voz de algum colectivo.
É verdade que o autor atribui a culpa do que descreve ser a falta de vigor e ambição da cidade às suas próprias gentes, mas correndo o risco de ser minha má interpretação, parece-me que Luís Reis cai nos mesmos erros do que supostamente critica.
Ou seja:
1) entende que cabe à Câmara Municipal o papel principal de fomentar o dinamismo da cidade;
2) sente que a Cidade tem sido injustiçada por Lisboa;
3) defende que o Porto tem direito a ter a sua própria Corte.
Ora, esta não é para mim a ideia de uma cidade Liberal.
Não é Lisboa que esvazia o Porto, é o Estado (central ou local) que impede a livre iniciativa e atrofia a criatividade dos indivíduos.
No Porto ou em qualquer lugar.

Quando estarão reunidas as circunstâncias para que isto seja tratado como um problema?
Mais Moralesta do que o Morales
A CGTP, num daqueles seus típicos comunicados onde gosta de mostrar o desprezo pela liberdade e democracia e mostrar orgulhosamente a sua defesa dos trapaceiros e de quem pretende perpetuar-se no poder contra a vontade do povo, escreve esta frase que nem sequer Evo Morales seria capaz de assinar : «Exige-se do governo Português que se posicione no sentido de defender a liberdade e a democracia expressa pelo voto popular nas eleições de 20 de Outubro (…)`*».
Sendo reconhecido que as eleições foram uma grosseira trapaça, que o próprio eterno candidato Evo Morales aceitou a conclusão da Auditoria que tinha encomendado, de que as eleições foram uma falsificação, a CGTP vem exigir o «respeito» pelo resultado trapaceiro e exige «respeito» pela fraude!.
o assalto final
António Costa prepara o assalto final aos portugueses que ainda trabalham e produzem alguma coisa nesta chafarica: o orçamento de estado de 2020 englobará as rendas de imóveis e de capital (juros, acções, etc.) no IRS, de modo a aumentar os escalões de quem paga impostos e a agravar os que incidem já sobre esses rendimentos. Alguns bonzos que por aí andam dizem, em defesa desta verdadeira (nova) vigarice, que as rendas dos imóveis são rendimentos como os outros, logo, não devem ter tratamento autónomo. Só que os outros, que já pagam muito, não pagam IMI, não pagam IMT, não pagam o infame “imposto Mortágua”. A atitude revela um evidente desespero de tesouraria, e só pode ser causada pela urgente necessidade de obter receita para segurar a falência do estado, disfarçada, nos últimos anos, pelo “Ronaldo das finanças”, cuja única coisa que soube fazer foi aumentar impostos e cativar despesa. Porque, a não ser assim, seria uma medida de uma idiotia profunda, e Costa, por defeitos que tenha, o de idiota não terá. É que, de uma assentada só, o governo rebentará com o sector da construção e do imobiliário, ao qual se deve a modesta recuperação económica recente do país, e com a banca. Na verdade, que pateta investirá num sector onde os seus rendimentos serão taxados em dobro de um ano para o outro, por uma simples decisão governamental? E quem estará disposto a pôr o dinheiro em produtos de bancos portugueses para aumentar o seu escalão de IRS e pagar, com isso, mais impostos ao estado? Não se julgue, contudo, que António Costa enlouqueceu: ele tem é o estado falido e precisa de sacar mais e mais dinheiro aos contribuintes para tentar tapar um buraco sem fundo, que ele agravou nos seus anos de governo. Já agora, no meio disto, onde andam o PSD e o CDS? Quem defende os contribuintes portugueses?

Reconciliação para crimes violentos
Ministra da Justiça visita mãe que abandonou bebé no lixo.
Isto está ligado à polémica medida nr.1081 do PAN que propunha uma sessão semanal obrigatória com vítimas para criminosos com o objetivo de promover reconciliação?
O que revelam as agressões nas escolas
Deixei a docência em 1994 altura em que, devido à precariedade laboral dos professores, tive de optar pelo privado. Nesse tempo já havia turmas e alunos difíceis. Recordo inclusivamente de colegas brincarem comigo dizendo: “oh ! coitada! calharam-te as piores turmas da escola!” Lembro do susto que foi entrar na sala do 8º F da escola de Ponte de Lima (a pior que tive) e ter ficado quase 15 minutos a olhar para aquele cenário de miúdos barulhentos a ignorarem a presença do professor sem saber por que pontas lhe pegar. Mas de tudo o que vivi e vi naquela época nada mas mesmo nada se compara ao que encontrei passado 25 anos do meu regresso ao ensino. Estou em estado de choque!
Já sabia que o ensino público se tinha degradado mas estava longe, muito longe de imaginar que tivesse batido no fundo. Logo no primeiro dia percebi o trabalho hercúleo que iria ter pela frente para conseguir dar uma aula: crianças que não param de gritar por tudo e nada, que não obedecem, que não respeitam nem o professor nem os colegas, que não param de correr, que agridem. Estão a ver a ala de um manicómio? Senti que estava num. Lembrei-me do que fizera nos anos 90 em que consegui um “acordo” com as turmas “mais excitadas” de conceder uns minutos para “descomprimir” antes de começar a lição entre outras estratégias para os disciplinar. E resultou brilhantemente. Mas há uma diferença muito grande: naquela época os miúdos ainda traziam valores de casa e os professores ainda tinham autoridade. Hoje não.
Esta semana fui surpreendida com outras duas situações inéditas: um menino do nada baixou a as calças e andou a mostrar o sexo pela sala; outro menino – que soube entretanto que os pais estavam em processo litigioso de divórcio – reage violentamente contra uma colega provocando o pânico na sala enquanto o tentava imobilizar para o acalmar e retirar dali.
Nas minhas aulas – que agora mais parecem terapia de grupo – ando a analisá-los e ouvi-los. Vejo meninos com carências afectivas e défice de atenção profundas, revoltados, com raiva oprimida, sentimento de abandono. Outros ultra mimados sem qualquer noção de limites, pequenos ditadores habituados a reinar. O que provocou tudo isto?
Em primeiro lugar está a desestruturação da família, o principal pilar da sociedade. Dos anos 90 para cá houve uma aceleração da degradação do meio familiar. De 12,9% de divórcios por cada 100 casamentos passamos para 64,2% até 2017 (fonte PORDATA) em que os agregados monoparentais femininos passaram de 174.036 para 400.782 até 2018 (fonte PORDATA). Num estudo de Edyleine Bellini Peroni Benczik (Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), é dito que: “(…) a partir de um estudo de caso clínico e de uma rigorosa revisão da literatura, relacionada à importância da figura paterna na vida dos filhos, Eizirik e Bergamann afirmam que a ausência paterna tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento. (…) Segundo Muza, crianças que não convivem com o pai acabam tendo problemas de identificação sexual, dificuldades de reconhecer limites e de aprender regras de convivência social. Diz ainda: “(…) desde o útero, a criança já escuta e discrimina a voz dos pais devido à diferença de tonalidade. Portanto, o vínculo do bebê com a figura paterna se inicia ainda no útero”. Uma família feliz faz seres felizes, seguros e capazes de enfrentar adversidades. A falta de um modelo na educação, masculino ou feminino, implica quase sempre um desequilíbrio nos filhos.
Por muitas teorias que inventemos para nos sentirmos melhor com as nossas consciências de adultos egoístas, a verdade é que a falta de um pai no dia a dia da criança tem consequências no seu crescimento. Se juntarmos a isto a implementação do feminismo radical que elimina, ridiculariza, oprime e castra o pai dos seus direitos, temos o caldo ideal para uma sociedade disfuncional. Não menos importante é o aumento dos casamentos de pessoas do mesmo sexo, que não substituem a família tradicional, mas que a ideologia de género quer normalizar com direito a procriação in-vitro alegando ser igual em todos os aspectos e por isso deve ser incentivada nas escolas. Porém, os filhos dessas uniões nunca foram ouvidos nem tidos em conta sobre essa experiência como se pode ver neste testemunho de uma mulher que foi criada com duas mães. Ser criado por dois adultos do mesmo sexo é uma alternativa ao abandono infantil mas nunca será igual a um lar tradicional. São factos.
Depois vem a falta de transmissão de valores judaico-cristãos. A nossa civilização ocidental resultou desses valores que foram sendo destruídos um a um: liberdade, família e fé. Neste estudo é dito: “(…) no modelo judaico-cristão a dignidade humana se encontra no núcleo central do estado democrático de direito. (…) Para o direito e para a tradição religiosa judaico-cristã o ser humano não está valorado por etnias, classe económica ou orientação sexual, antes seu conceito é estabelecido no próprio valor da vida humana. (…) A influência da moral judaico-cristã no direito se reflecte na busca por uma sociedade mais humana, justa, fraterna e, portanto, mais digna.” A verdade, por muito que doa é que continua a ser a Igreja quem mais se preocupa com os desfavorecidos e o Estado laico quem mais os a despreza e abandona.
Segue-se as pedagogias “modernas” que impedem os pais de exercer a sua autoridade de forma clara impondo métodos de desculpabilização e vitimização onde a criança acaba por tomar o controlo da situação por falta de liderança firme dos pais. Já não se pode frustrar as crianças porque tudo traumatiza permitindo o abuso de poder dos petizes sobre os pais.
As novas tecnologias vieram depois substituir os pais e as brincadeiras na infância tornando-os seres fechados, anti-sociais e solitários. As lacunas afectivas cresceram exponencialmente. Nunca os miúdos tiveram acesso a tanta coisa e ao mesmo tempo com falta de tudo o que o dinheiro não compra: atenção e afecto.
Por fim as políticas de Esquerda do BE, PCP e PS que promovem implicitamente a desconstrução social – pela imposição da doutrinação nas escolas do ensino da ideologia de género com guiões escritos por feministas radicais que defendem o fim do patriarcado – e o laxismo no ensino com a eliminação de exames e chumbos até ao 9º ano.
Descompensados, com falhas graves de afectos, atenção, transmissão de valores, desmotivados, solitários e frustrados, os miúdos chegam às escolas em estado selvagem onde se exige que seja o professor a “domesticá-los” e ainda a ensinar-lhes as matérias para a sua vida profissional futura. O mesmo professor a quem a sociedade das pedagogias “modernas” retirou todo o poder, toda a autoridade e ainda o culpabiliza pela falta aprendizagem e de educação dos jovens em vez de responsabilizar um Estado que quer tomar o lugar das famílias com demagogias e populismo, só para criar cidadãos imbecis que votarão neles.
Esta sociedade doente está a criar pequenos monstrinhos sem se dar conta. Vimos isso a toda a hora com agressões a professores por alunos e pais de alunos; agressões a pais pelos filhos e a filhos pelos pais; agressões entre casais; agressões entre alunos. Agressões que por vezes acabam em mortes. Porquê tanta surpresa com a desumanização da sociedade se fomos nós que deixamos que ela se deteriorasse com a nossa apatia e falta de intervenção parental e cívica?
A mudança far-se-á no dia em que todos tomarmos consciência da IMPORTÂNCIA do nosso papel como pais nessa mudança, do nosso poder de alterar o rumo desta civilização através dos nossos ensinamentos aos filhos (que são nossos e não do Estado) e começarmos a exigir atitude aos governos pela reposição no ensino público de todos os valores sociais perdidos e que faziam desta sociedade um lugar apetecível.
Reveja aqui aluna que agride professora por causa de telemóvel:
Como a criança vê o pai:
Saiba mais sobre filhos pequenos ditadores:
Tapada das Necessidades
A CML que nos mói a cabeça se pretendemos fazer obras, os activistas disto e daquilo, os defensores da treta agora calam-se?
A filha da segunda figura do estado…
Não vão pensar que são fake news, aqui vai a fonte da foto da filha da segunda figura do estado Português: https://www.instagram.com/p/B41pgRlFEmo/

O JN pode explicar o que é o “traje muçulmano”? Obrigada.
E política com amor ao dinheiro dos outros é o quê?…
Lido no Observador: ‘Joacine Katar Moreira fala agora para defender que “não se pode falar de salário mínimo nacional sem se falar de amor” porque “política sem amor é comércio”…
E política com amor ao dinheiro dos outros é o quê? Roubo, talvez?…
Começou

Basquetebol Muçulmana de 13 anos impedida de jogar por recusar mostrar braços
Pronto aí temos o que já se esperava: a muçulmana que é impedida de fazer algo pro causa de ser muçulmana, neste caso jogar basquetebol e a questão colocada de forma armadilhada desde o início.
Fatima Habib não foi impedida de jogar por ser muçulmana. Ela foi impedidade de jogar por não respeitar o equipamento. E ponto. Não interessa se é muçulmana ou ateia; hindu ou evangélica. O que interessa é que existe um equipamento que as pessoas aceitam vestir quando integram o clube.
Um pequeno conto que seria bonito se não fosse um adeus
Na lareira crepita o carvalho insuficientemente seco para a combustão silenciosa. Na cama estralejam as falanges pelas gretas que enfeitam as artroses apensas ao velho. Padece de uma enfermidade incurável: vai morrer. Foi poupado ao conhecimento da maleita mortal pela inocência da infância, mas desde os nove que sabe que morrer é o seu destino. É duro viver uma vida completa sabendo que o destino é a morte; todavia, muitos têm sobrevivido inteiras décadas com a degeneração constante do corpo e da mente. Deve ser a alma que os manteve, dia após dia, ano após ano, década após década, até ao fim, até à conclusão do milagre que, durante um desprezável instante cósmico, do pó da Terra gerou vida.
Entra o filho: diz que é liberal. Com ele, entra um doutor que traz consigo a injecção letal. Com um afago na testa enquanto elabora a estratégia para tirar as velhas alianças de ouro dos dedos grossos pela artrite, suspira: “vou ter tantas saudades suas, paizinho”. O velho, que assinou o papel que o filho lhe trouxera sem perceber que do pedido de extermínio-digno-e-em-máxima-condição-de-higiene se tratava, pergunta: “vais matar-me?”
— O paizinho disse que chegou a altura de morrer.
— Pois chegou.
— Então?
— Então, não tenho pressa.
— Para quê adiar?
— Tens razão, meu filho.
Nisto, o velho saca da pistola que escondia na mão debaixo do cobertor. Pum, pum, pum. Três tiros. O doutor precisou do segundo para a simetria de miolos na porta da sala. Suspira e admite em voz alta para si próprio: “realmente, para quê adiar?”
.., Ou será que médico de família não há, a urgência está fechada, os exames são para o ano que vem, as maternidades não têm anestesistas mas o “médico da eutanásia” está sempre de serviço?
Num dia todos nós comprendemos que uma mulher mate o marido que a agredia e que é despropositado mantê-la presa. No outro somos capazes de alinhar trẽs arugumentos para explicar que outra mulher certamente muito transtornada tenha um filho na rua e o deixe num caixote e que há que apelar ao coração da justiça que a deve libertar imediatamente. No outro explode-se em fúrias porque um marido agrediu a mulher e não ficou logo preso ou porque uma mulher que deitou um cão recém-nascido ao lixo não foi constituía arguida.
É isto a justiça dos afectos: não há razoabilidade nem distãncia. No fim acaba-se na justiça popular. Aviso apenas que as primeiras pedras caem em cima dos seus mais particulares entusiastas.
Assassinos
Este país prepara-se para legalizar, sancionar e enaltecer que pessoas que perderam o instinto, a determinação e a esperança para mais dias de vida sejam legalmente assassinadas por funcionário do estado. Para efeitos legais, é o reconhecimento oficial da ocupação de carrasco. Para os outros efeitos, é o reconhecimento do fim da linha para a ética como pilar do estado de direito. Para os doentes é uma declaração de falta de interesse, empatia e o reconhecimento que são dispensáveis. Dizem que é liberal. Assim sendo, ainda bem que não sofro desse distúrbio.
Do lado errado da história (como sempre) e ao lado da fraude
Cronologia de um «golpe»

2006 – Evo Morales é eleito presidente da Bolívia
2008 – Evo Morales consegue uma revisão da Constituição pela qual s presidente passa a ter mandato de 5 anos e pode ser reeleito. É expressamente indicado que o seu mandato seria considerado o primeiro para efeitos de reeleição.
2009 – Evo Morales alega que como a Constituição cria um novo país, uma refundação, os mandatos presidenciais começam do zero.
2010 e 2014 – Evo Morales é reeleito
2016 – Referendo para que deixasse de haver limitação no número de mandatos consecutivos do Presidente. Proposta é chumbada pelo povo.
2017 – Evo Morales recorre para o Tribunal Constitucional alegando que a limitação de mandatos é uma violação dos seus direitos humanos. Tribunal Constitucional aprova.
2019 – Evo Morales é novamente candidato. Quando estão contados 83% dos votos, EM encontra-se um primeiro lugar, mas com uma margem inferior aos 10% necessários para ser declarado vencedor na primeira volta. Contagem é interrompida sem ser apontada qualquer razão. No dia seguinte a contagem é retomada com 95% dos escrutínios apurados e Evo Morales tem uma vantagem superior aos 10%. Declarou-se vencedor.
Início da contestação por parte da oposição e por parte de grande parte da população com milhões nas ruas. Crescente contestação levou forças policiais a abandonarem seguir o governo com receio de terem ordens para atacar população e recusam-se a obedecer. Manifestações populares diárias de centenas de milhar de cidadãos.
Evo Morales aceita intermediação da Organização de Estados Americano – OEA para a realização de uma Auditoria ao processo eleitoral. Relatório de Auditoria revela que houve fraude eleitoral generalizada e recomenda anulação das eleições marcação de novas quando for assegurada independência do Tribunal Eleitoral. Evo Morales aceita as conclusões e anuncia repetição das eleições e nomeação de novos membros para tribunal eleitoral. Contestação prossegue. Procurador Geral da República anuncia inquérito ás fraude eleitorais e manda deter presidente e vice-presidente do tribunal eleitoral. Chefe das Forças Armadas afirma ser melhor o presidente afastar-se para ultrapassar crise política.
De forma concertada, Evo Morales, o seu vice.-presidente, o presidente do Senado (3º na linha sucessória) e o presidente do Congresso ((4ª), todos do partido de Evo Morales, demitem-se. Em principio a presidência interina será assegurada pela 2ª vice-presidente do Senado, Jeanine Ãnez.
Saudade, Silêncio e Sombra
Vamos mesmo falar de populismo
Marcelo Rebelo de Sousa apoia a defesa da mãe sem-abrigo que abandonou recém-nascido A embaixada de Cabo Verde em Portugal vai recolher mais informações sobre a cidadã que abandonou recém-nascido. Marcelo entende que a ação da mãe foi motivada pelo “desespero total”.
Populismo é o PR interferir nos outros poderes e condicioná-los a partir de umas declarações aparentemente bondosas. Muitas, provavelmente a maioria das pessoas que são julgadas e condenadas praticam crimes em “desespero total” e não é por isso que deixam de ser julgadas. Qualquer um de nós sobretudo se for mulher e tiver tido um filho consegue perceber o dramatismo inerente à situação vivida por aquela mulher e espera-se que isso seja ponderado na decisão das autoridades. Mas ver o PR a tratar o assunto como se ainda estivesse sentado nos estúdios de televisão não dá sossego a ninguém. Se isto não é populismo digam-me o que é populismo?
Um último momento Avante! antes de seguirmos com as nossas vidas
To see and to act in advance, to follow new ways, is always the concern only of the few, the leaders.
— in “Socialism: an Economic and Sociological Analysis”, Ludwig von Mises, 1951 [trad. J. Kahane B.Sc. (Econ.)]
Ontem, com a publicação do texto “Da Direita e das direitas” de Jaime Nogueira Pinto, os pequenos circuitos de opinião de onde tenho assistido a tudo oscilaram entre a admiração sem reservas e a crítica à forma como os liberais foram caracterizados, em particular pela utilização de termos como “ultraliberais”, considerando-o uma assimilação do cânone lexical esquerdista com todos os perigos daí decorrentes para subsequentes conclusões.
Ler mais…Eu se fosse aos independentistas catalães não ia por aí
“democracia representativa”
Ontem decorreram as eleições para a Comissão Politica Distrital de Lisboa do PSD
Trata-se de um importantíssimo órgão partidário, porque por ele passa, entre outras coisas importantes, a designação dos candidatos a 11 câmaras municipais do distrito de Lisboa, a composição da lista dos deputados eleitos por esse círculo eleitoral (48), onde o partido elegeu, nas últimas eleições legislativas, em baixo de forma, 12 deputados. Ou seja, boa parte do poder e da influência política do nosso país passa por Lisboa, contribuindo para os definir a importante Comissão Política Distrital do Partido Social-Democrata.
Numa eleição onde se discute e decide tanto poder, seria natural encontrarmos alguns milhares de pessoas a participarem nela. Lida, contudo, esta notícia, ficamos a saber que o número total de votantes foi de 1.888, menos de duas mil pessoas, sendo que a lista vencedora arrecadou a “expressiva” votação de 1.448 eleitores, nem 1.500 dos 10 milhões de portugueses residentes no país.
É este, portanto, o número de pessoas que elege o pequeno grupo que decidirá quem vai candidatar-se àqueles cargos, sendo que muitos dos escolhidos os virão a ocupar. E é a isto que se chama, em Portugal, “democracia representativa”.
Deixem Passos Coelho em sossego
Web Summit de baunilha
O sucesso da Web Summit, uma evolução natural das tradicionais feiras de gado, começa a ser questionado fora dos grupos de reaccionários criados por esta horda de revolucionários fofinhos. Aparentemente, depois das SCUT que gerariam retorno de quintiquilhões de euros só em eixos de ligação de turistas entre Castelo do Neiva e Salreu, ficou mais difícil convencer os ímpios da necessidade em desbaratar largos milhares de euros (sou um optimista) para que os maluquinhos do empreendedorismo “da net” possam, por dois dias, engatar uma tontinha influencer. Vai dai, entra a artilharia.
O professor Marcelo, que nos intervalos disponíveis entre aparições como imitador de Triboulet também é presidente disto a que chamam república, apareceu para o encerramento do certame prometendo que este se repetirá pelo menos durante mais nove longas humilhações. A cereja em cima da tarte da animada sessão de encerramento foi a declaração “não temos medo do futuro”. É que não se imagina nada mais acagaçante do que a ideia de não ter medo do futuro.
Esta é aquela noite


Lembrem-se que as depressões não serão toleradas
Há três motivos pelo qual Portugal é e continuará a ser um país jacobino, independentemente das novas forças partidárias no parlamento ou até por causa delas, ao demonstrarem uma aptidão para a ruptura.
Degradação irreversível das instituições
Do primeiro-ministro, que nem falar sabe, à oposição centrada na forma como deve o estado endividar-se, não no repensar do papel que este deve ter e num plano exequível para o atingir. Os velhos partidos, vistos pelos novos como ancien régime – quer pelos que trazem a redução do número de deputados à baila, quer pelos que se lamentam que a distribuição de deputados favorece a tirania de uma classe política em que não se revêem por se auto-catalogarem como virtuosos num sistema corrupto – não têm capacidade de regenerar os seus quadros, limitando-se a reciclar o velho modelo de “uma indignação por dia dá saúde e alegria” que reforça, através do reconhecimento, que não há nada que possam oferecer para mitigar a degradação das instituições.
Mensagem nova é a mensagem velha de virtude (ou do Homem Novo)
Da culpa decorrente do pecado original – num ambiente laico terá sempre que ser um new-ageísmo qualquer como a culpa do tetravó do bisavô por ter possuído um escravo – à proclamação de políticos virtuosos contra os degenerados que pretendem determinar todos os aspectos da vida das pessoas. Conquanto o caso do escravo é meramente tropical e facilmente adaptável a novas modas sem esforço, o da virtude é uma reciclagem ideológica das velhas lutas do IIIº Estado com a aristocracia e o clero que, desde 1789, têm atazanado – se não destruído – a vida dos simples habitantes dos lugares subjugados a mais um período de -ísmos rumo ao Homem Novo e suas variações.
Inexistência de uma elite cultural com relevo e independente do poder executivo
A saída profissional do intelectual é a nomeação política, a subserviência à agenda do jornal (ou publicação) perante uma abismal falta de público, a aquisição – ou supressão – partidária quer na academia, quer na imprensa, ou a total obscuridade que um sistema centralista origina. Como tal, são uma e uma só família num circuito de realimentação que não permite dissidência punida com esquecimento e desemprego. A ligeira abertura que foi permitida com o advento da comunicação digital em massa pelo cidadão interessado rapidamente foi obliterada com os brutais monopólios que são as redes sociais, estruturas que fragmentam a comunidade em castas estanques de auto-validação e providenciam doses de dopamina em forma de métricas de likes, uma substituição de tabaco para os tempos do politicamente saudável.
Se o leitor tem aversão ao marasmo, tenha paciência: nada do que aqui mudar será por intervenção local. Contudo, pode sempre manter a fé na possibilidade das coisas correrem mal lá fora, pelo que deve manter a esperança de que a sua vida pode sempre tornar-se pior. Importante é não desistir.
Dias de glória | 30 anos (5)

Uma artesã de uma freguesia de Lisboa tb serve?
Para justificarem os estapafúrdios 700 euros que cobram pela camisolinha de lã os organizadores da da Web Summit dizem que a mesma é tricotada por “artesãs locais no Condado de Donegal, na Irlanda.” Isto é assim por esse preço começo a tricotar hoje. O modelito é fácil, pelo que vejo não há cós duplos, nem combinações de cores. Mandem para este blogue a especificação da lã.
Orações, milhares delas
Há imensas imagens daquele dia lindo, o mais belo de todos os dias belos a que assisti via televisão. Nenhuma dessas imagens expressa inequivocamente a beleza plena que emana da experiência que é assistir a tudo a directo, e muito menos do que deve ter sido a sensação arrebatadora em cada reacção nos braços da marreta a esmigalhar a edificação do Mal erigido em betão nos precisos momentos do embate. Ora et labora de São Bento de Núrsia, em que cada abalo do muro por força de martelo é uma assombrosa oração em si própria.
Foi no dia 9 de Novembro de 1989 que descobri que a fé não é a crença em divindades e sim a manifestação do real espírito humano. Foi o dia em que, com 15 anos de idade, chorei a ver televisão.

Dias de vergonha
Isabel Moreira, deputada PS: “É um golpe mortal na nossa memória europeia fingir que não se percebe o seguinte: o comunismo é uma ideologia, com carácter utópico, como todas, que visa um objetivo de transformação social e económico “bondoso”. Almejar uma “sociedade sem classes”, do ponto de vista utópico”, não é antidemocrático. “
Dias de glória | 30 anos (4)

Wolfgang Rattay
Um homem de saia no Parlamento
Não foi acaso nenhum. Nem sequer foi uma escolha inocente. A indumentária do assessor de Joacine Katar foi pensada do mesmo jeito que Rui Tavares pensou na Joacine para cabeça de lista do Livre: estratégia.
O Livre, que não ganhava nada com seu líder apostou na diferença – digamos que muito original – para chamar eleitorado, criando a ideia de ser extremamente inclusivo com os “desfavorecidos”. Já havia negras na política mas negras gagas, muito gagas, feministas radicais era revolucionário. Quem se lembraria de tal?
Ora, se com a primeira fase da estratégia funcionou às mil maravilhas e com isso elegeu um deputado, a segunda foi ainda melhor: colocar as pessoas todas a criticar o “pobre” transgénero” mostrando que somos um povo “mesquinho” e “conservador” adverso à diferença e assim claramente dizer ao país ao que vinha e porque era necessário uma pessoa como ela, Joacine, no Parlamento: acabar “radicalmente” com o preconceito e a discriminação das minorias. Como? Apresentando-se no primeiro dia ao Parlamento com um assessor de… saia. Foi perfeito!
Quase todas as pessoas caíram na “armadilha” e foram apanhadas a falar do óbvio, sem discriminação, mas foi o bastante para que toda a ala esquerda conseguisse passar a mensagem do Livre: “estão a ver como eles são “intolerantes” às minorias? Percebem agora porque o Livre faz tanta falta na Assembleia da República?”.
O ridículo das justificações para a saia do assessor não teve limites. Desde alegar que Afonso Henriques também as usou, a comparar com o traje tradicional dos escoceses, tudo serviu. Só faltou falar sobre os romanos e egípcios mas deve ter sido só por mero esquecimento.
Ao contrário da maioria, desde o primeiro minuto desconfiei daquela indumentária e por isso não reagi de imediato. Preferi aguardar para ver se o tempo me mostrava a verdade por detrás daquela imagem que me intrigava e eis que me enviam esta foto: Alexandria Ocasio-Cortez com um apresentador activista LGBTQ no Congresso americano.

Dirão que são meras coincidências. Eu digo, são construções. É recorrer ao choque social para mostrar que são “diferentes” no tratamento das minorias.
Mas isso é falso. Se há grupo que menos importância dá às minorias são precisamente os radicais de esquerda. Eles não se preocupam com eles. Usam-nos. Mas não todos: as minorias pobres, brancas ou heterossexuais, não interessam para nada; os idosos e crianças abandonadas (ou traficadas) não lhes interessam para nada; os deficientes também são ignorados; os cristãos perseguidos e assassinados menos ainda. Na agenda só gente de outras raças (menos brancos) e LGBTQ. Precisamente os grupos que eles sabem que criam fissuras na sociedade porque esse é o objectivo.
Se as esquerdas radicais quisessem mesmo lutar pelas minorias não fariam nada para criar atritos com as maiorias, como é óbvio. Sendo o objectivo a inclusão, não faz sentido nenhum provocar o desentendimento entre grupos, instigar ódios, impor agendas que privilegiam descaradamente e de forma completamente injusta uns em detrimento de outros.
Incluir pressupõe que haja aceitação e para haver aceitação de um grupo em relação a outro não pode haver luta entre eles. Tem de se baixar as barreiras que os separam de forma natural e sem recurso à violência nem por imposição da lei. O problema é que no dia em que as esquerdas radicais pararem de instigar a luta das minorias contra as maiorias, perdem voz, perdem poder, perdem as causas pelas quais dizem “lutar” e “morrem” politicamente.
Por essa razão, isto não passa de show-off. O assessor de Joacine sabia que ir de saia no dia da apresentação dos deputados no Parlamento iria pôr o país a falar dele. Sabia que não era a vestimenta apropriada para aquele evento. Que tal como numa discoteca, num casino, numa gala, numa igreja e tantos outros locais e eventos, onde não se entra como queremos e bem nos apetece, esse não é o “dress code” apropriado na casa da Nação. Mas o objectivo foi mesmo esse: quebrar o protocolo e criar histeria. A prova veio nos dias seguintes: foi à tomada de posse do Governo de fato (muito bem) mas foi ao programa da Cristina de calças quando, naquele contexto descontraído, podia ter ido de saias. E não, não foi por medo das críticas.
Portugal é um país muito tolerante e amigo dos estrangeiros. Por isso temos uma sociedade colorida por quase toda a parte até ao próprio Parlamento. Evocar racismo e descriminação é útil para os partidos políticos continuarem a capitalizar votos à conta dele.
Metam uma coisa na cabeça: esta esquerda radical, onde se inclui o LIVRE, nunca dá ponto sem nó. Com saias ou sem elas.
Dias de glória | 30 anos (3)

Anthony Suau/Time
Podemos portanto concluir que ainda não chegou a Alfândega da Fé a notícia do fim da escravatura?
Lendo estas notícias somos levados a concluir que e que os alfandeguenses em vez de contratarem trabalhadores os sequestram.
2019. Duas pessoas foram acusadas de explorar um pastor durante sete anos em Alfândega da Fé. O pastor não tinha suporte familiar e vivia numa divisão adjunta a uma pocilga, em Alfândega da Fé. Era pago com um pão com chouriço e água, sem nunca receber um euro pelo trabalho.
2019. Julgado por angariar sem-abrigo por 50 euros para trabalho escravo. Nas ruas do Porto e de Gondomar, abordava sem-abrigo, toxicodependentes e mesmo pessoas com deficiência para os convencer a aceitar um emprego supostamente bem remunerado na agricultura, em Espanha. Mas na realidade era um angariador de mão-de-obra escrava, que recebia 50 euros por cada ser humano traficado. O indivíduo, de 47 anos, atualmente na cadeia por outros crimes, está agora a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, no Porto, onde também respondem dois casais, um deles dono de empresas de exploração agrícola, acusados de escravizar as vítimas no país vizinho. Serviam de intermediários com os proprietários agrícolas espanhóis, ficando com o dinheiro das vítimas.
2014. Treze condenados no maior processo de escravatura em Portugal. Esperavam-se 48 arguidos no maior processo de escravatura em Portugal, mas na sala do Tribunal de São João Novo, Porto, não estiveram todos presentes: eram pouco mais de 30. Dois dos condenados – José Manuel, a seis anos de prisão, Maria Helena Seixas, a cinco anos e seis meses – estão a ser investigados por outros crimes de escravatura, acusados de terem subjugado um casal, Manuel e Fátima Résio, durante “mais de 20 anos”.
RDA um mês antes da queda do Muro de Berlim

Cidadonas e cidadões,
Dirijo-me a vós neste 3 de Rajab de 1441 para gentilmente aclarar qualquer dúvida que subsista por reminiscência de narrativa dolosa proveniente do vil ultraje que foi a pérfida e abracadabrante acusação sobre a honra deste vosso servo pelo antigo regime.
Onerado pelo povo para a prestação de serviço cívico para a restauração da virtude, compete-me exercer, na melhor da minhas capacidades e em plena representação da república, a função pedagógica que permitirá a devolução da moral à ordem pública, afastando de vez a ignomínia que o pérfido regime judicialista tentou, em vão, instaurar através da traição ao seu mais que fiel dignatário, este vosso concidadão.
A ganância e a cobiça do regime antigo permitiu que acusações ocas sobre a proveniência de dinheiro que na altura possuía colhessem efeitos em proditórios inimigos da república. Abjurando as responsabilidades cidadãs da justiça fraterna e dos valores superiores da liberdade e igualdade, o sistema judicial do antigo regime ousou inferir ilicitude sem oportunidade de defesa para alguns pequenos gastos de sobrevivência como se de corrupta ostentação se tratassem. Foi, por isso, com a certeza da reposição da Justiça, que todos os cidadãos dignos da Causa revolucionária festejaram a execução de traidores como Yves de la Rose. A bem da Causa e para que a história seja escrita por homens de bem, republicanos, revolucionários e lutadores pela virtude, passarei a esclarecer a proveniência de todo o dinheiro que, na altura, possuía.
Numa tarde primaveril de Sábado, quando era novo, a caminho da escola ouvindo os golos de Eusébio, fui sobressaltado pela visão da mais bela figura feminina que possais imaginar. Radiando um brilho de Hedonê num corpo de Bastet, aproximou-se de mim e disse: “pequenito, serás visitado por Algos; segue o outro caminho”. Não tendo dado atenção a esta visão por ainda não ter tido oportunidade de estudar o classicismo na Sorbonne por via do meu copista Domingos Farinho, foi necessária uma segunda visão, anos mais tarde, para que compreendesse. Esta segunda visão ocorreu numa manhã primaveril de Domingo, quando realizei o meu exame de inglês comercial: um lenhador muito bonito, envergando vestes de jornal, aproximou-se, abanou os voluptuosos seios, e por entre guinchos afirmou: “vai a Chelas, que há lá um gajo que te pode sodomizar”. Fui, e, de facto, havia em Chelas muitos gajos que podiam ir ao cu, mas, antes que cedesse às tentações carnais que desvirtuam o Homem, apareceu um bode com uma capa feita de estrelas, que, entre vários mées, me indicou ser no topo da montanha que encontraria o ouro dos incas que me estava destinado.
Sem saber qual era a montanha, duas horas depois, acabei por voltar a casa. Aí, ao ver um documentário da BBC Vida Selvagem, apareceu um monte que identifiquei imediatamente como sendo o pico de Carrauntoohil. Sem nada que fazer, fui para a Irlanda, onde, em Kenmare, encontrei um primo que andava no Tae-Kwon-Do e que me disse que devia fazer um retiro no Afeganistão antes de subir montes à procura de ouro de duendes.
Como sempre valorizei a família, liguei à minha mãe e pedi para que me tirasse uns 3 ou 4 milhões – não me recordo a quantia exacta – de um cofre que nós tínhamos para lá a incomodar num canto, passei por Lisboa e dirigi-me para Talocan, que é um sítio muito aprazível da província de Takhar. Aí, enquanto lia o “Código de DaVinci” do Dan Brown, o José Rodrigues dos Santos estrangeiro, apercebi-me que se autorizasse certas e determinadas coisas como ministro do ambiente, escusava de andar em aventuras pelo mundo em busca de dinheiro. Não coisas inúteis, só coisas de grande valor.
Assim foi, e, de repente, dei por mim a cair na tentação da corrupção. Porém, quando estava prestes a aceitar algumas luvas, a virtude revolucionária tomou conta de mim num acto de puro civismo e aí renunciei para sempre a qualquer bem material. Nisto, vim tomar café num sítio em Alvalade onde me encontrava às vezes com um senhor de Chelas, e, numa esquina, apareceu o homem da Regisconta, que me entregou uma mala. No interior, além de uns items pessoais como escova de dentes e muda de roupa interior, havia uma carta datilografada que explicava existir uma conta em meu nome na Suíça. Deixei o senhor de Chelas pendurado – Artur, se me estás a ouvir, liga-me; vamos conversar – e dirigi-me para a Suíça, onde me explicaram que, de quinhentos em quinhentos anos, o planeta Terra escolhe um habitante e concede-lhe cem milhões de euros, mais coisa menos coisa, para minimizar a pegada ecológica, mas, que desta vez, só poderia receber uns oitenta e tal já que o resto estaria reservado para os pais da Greta. Não podendo rejeitar a oferta sob risco de umas coisas legais do sistema suíço, dei por mim com algumas posses, que sempre geri com parcimónia, dedicação e ética republicana.
Que, perante esta história, o antigo regime tenha decidido lançar suspeitas sobre mim, só revela o quão a IIIª República não passava da continuidade do Estado Novo. Agora, que a verdade foi reposta e os traidores à revolução afastados da sociedade, é com o fulgor revolucionário que vos saúdo, concidadãos, nesta nova jornada rumo ao Homem virtuoso. Avé Portugal! Avé Comité de Salvação Pública! Hurra!



