Sem fronteiras: a verdade da mentira
Mais dois ataques com facas, um em Londres outro em Haia, vieram-nos lembrar que o terrorismo vive silenciosamente no meio de nós e somos alvos muito fáceis ao contrário do que nos querem fazer crer. Estes assassinos não precisam de armas compradas em lojas. Com facas e explosivos de fabrico artesanal matam e fazem-se explodir apenas por motivações ideológicas. E nós, nem com medidas de segurança sofisticadas estamos a salvo. Essa é a triste realidade.
Sou do tempo em que na Europa, quando se falava de terrorismo, ou era a ETA ou o IRA cujo o alvo eram membros dos governos ou juízes. Ataques com facas e homens suicidas no meio de multidões de civis só mesmo no médio oriente. Como é que importamos isto?
A resposta podemos encontrá-la num magnífico documentário – Borderless – da jornalista canadiana Lauren Southern. Infiltrada durante 4 meses, entrevistou traficantes, migrantes e responsáveis por estas passagens para a Europa. Um trabalho jornalístico de alto risco mas muito revelador do tráfico humano, um negócio milionário.
A crise das migrações deu-se em 2010 com a Primavera árabe e o fim dos ditadores que trouxe uma onda de deslocados para a Turquia, Líbano, e Jordânia com muitas incompatibilidades culturais pelo meio. Em Ayvalik na Turquia a jornalista falou com locais que revelaram que “esta rota abriu em 2013 para a Grécia e que desde então as mulheres da região já não podiam ir para os campos sozinhas; que por ali passam milhares de seres humanos por dia; que os traficantes agem como uma máfia e estão armados com AK47; a população vive com medo. O preço da passagem para Lesbos e outros destinos são 1000, 2000, 3000, 4000 dólares. Não são refugiados porque esses não têm meios económicos, nem são pobres nem crianças. E também não é trabalho humanitário”. Outra travessia deste “negócio” dá-se por Marrocos para Espanha. Os passaportes e documentação são propositadamente destruídos para que não sejam deportados.
Em Lesbos são colocados num campo para 3000 pessoas mas que já excedeu os 11000 “refugiados”. Nele há assassínios, violações, estupros. É um lugar perigoso onde matam enquanto dormem porque está cheio de grupos étnicos diferentes que não se toleram. Os migrantes não se sentem seguros e muitos dizem-se arrependidos.
Alguns denunciam à jornalista subornos pedidos por médicos gregos do Governo para conseguirem a legalização – “os Papeis” – que é um pedido médico atestando que aquela pessoa tem um problema grave de saúde e tem de ser transferida urgentemente para Atenas ficando assim automaticamente “legal”. Denunciam ainda que o ISIS está no meio deles disfarçados de refugiados. Dizem que há no campo 2000 ou mais de ISIS que fugiram do Iraque e Síria porque foram derrubados nos seus países e atacam com facas ateus, cristãos, judeus, jazidis e curdos no acampamento. Chegam a pedir câmaras de vigilância às autoridades para os protegerem mas ninguém se importa com isso.
Estes “refugiados” têm o suporte do Departamento Europeu do Conselho dos Direitos Humanos da ONU que vão aos campos fazer entrevistas para rastreios. De 2015 a 2016, dos 80% dos pedidos de asilo de sírios e 20% de outras nacionalidades, só 3% foram rejeitados.
A jornalista fez uma gravação de uma entrevista a uma CEO da ONG “Advocates Abroad” que faz assessoria aos migrantes – Ariel Riker – onde ela explica que os ensina a mentir aos guardas costeiros, como ajuda a criar um falso perfil fazendo-os passar por cristãos, encenando uma narrativa credível junto dos representantes da ACNUR. A gravação saiu nos média. Você ouviu alguma coisa? Houve consequências? Pois.
Os repórteres também se infiltraram nos barcos das ONG e entrevistaram um comandante que afirmou que apenas “salva vidas” e que não lavou a quantia de dinheiro de que era acusado. “No máximo 500 mil, muito menos que outras ONG´s” – disse seu advogado. Provou-se que o que alimenta este “humanitarismo” são os milhões que o sustentam. Milhões! Nada mais. Consequências? Zero. A “missão” prossegue.
Esta imigração ilegal financiada custa cerca de 200 biliões de euros por ano aos 27 países da UE. Não é sustentável. Toda a imigração que vai além das necessidades de cada país, provoca sérias dificuldades económicas e muita pobreza não só aos nativos como aos que chegam. Mas isso não parece preocupar ninguém. Muito menos UE e ONU. Esquisito.
A jornalista quis saber o que era feito daqueles que se aventuraram a sair dos seus países e se tinha valido a pena. Em Paris um migrante do Mali, a viver debaixo de uma ponte, conta que foi um erro. Que esperava ser legalizado, trabalhar e mandar dinheiro para a família. Sente-se traído.
Foi saber de outros que entretanto conseguiram asilo na Irlanda. Uma refugiada política do Zimbabué por oposição a Mugabe, outra da África do Sul por perseguição à sua integridade física por suspeita de ser lésbica, explicam que são gratas ao povo que as recebeu e compreendem a animosidade dos irlandeses que não os vêem com agrado porque têm receios, compreensíveis, pelo seu futuro.
Na verdade a Irlanda nem nos piores momentos económicos do país teve sem abrigos a viver na rua mas agora o cenário é devastador. Os escassos recursos estão a sair para estrangeiros. Deixar entrar o 3º mundo, sem quotas, para colocar os nativos em dificuldades, por dinheiro, é desumano e dão uma visão negativa da imigração. Não se pode ter fronteiras escancaradas quando não se tem condições para cuidar do próprio povo que trabalhou e descontou para ter uma vida digna. Mostrar insatisfação pela situação é considerado “racismo e fascismo”, a arma de silenciamento preferida dos que vivem à custa desta exploração da miséria sem nenhuma preocupação com o destino que estes têm depois de entrarem na Europa.
Não são todos invasores, assassinos, nem tão pouco são todos fugitivos de guerra. São pessoas, a maioria migrantes económicos que venderam tudo o que tinham para pagar uma travessia onde lhes prometeram acesso fácil ao “paraíso social”. Estas pessoas compraram uma mentira por muitos milhares de dólares. Um crime ironicamente “abençoado” pela UE e ONU. Porquê?
Veja aqui o documentário completo:
A praga dos Domingos Farinhos
De acordo com a ITV, vários académicos recorreram à ferramenta de piar para expressar o apoio às colegas Dr Amy Ludlow e Dr Ruth Armstrong, as duas cientistas sociais responsáveis pelo programa “Learning Together: being, belonging, becoming”, talvez traduzível por “aprendendo juntos: ser, pertencer, tornar-se (terrorista?)”.
https://twitter.com/MendoncaPen/status/1200396637845295104
Incrivelmente, nenhum jornal nacional pegou na notícia que consiste em enaltecer o meritório trabalho de umas senhoras que foram à selva buscar o King Kong e o levaram para o circo da auto-ajuda que faz académicos sentirem-se profetas da virtude de reabilitação de bichos para a civilização — trabalho este devidamente recompensado com uma das criaturas a matar desgraçados numa ponte no mesmo dia em que se exibe como reabilitado à turba de idiotas universitários (quem sabe se os mesmos que se ajoelham perante a Santa Gretinha, como certos e determinados políticos oportunisticamente azeiteiros).
Tal como sucede com mais que conhecidas fraudes académicas — por exemplo, o senhor professor doutor Domingos Farinho, que admitindo a fraude de escrita de tese para outrem foi, no ano passado, devidamente recompensado com a integração no quadro com o título de professor auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa), a doutora Amy Ludlow e a doutora Ruth Armstrong não têm culpa de nada. Decerto continuarão no lugar, contribuindo com mais experiências de grande valor social (sugiro agora um estudo comportamental de alguns crocodilos espalhados numa creche) e continuarão a progredir na promissora carreira de beatificar gente boa que nos livre de ímpios aleatórios. Como na historieta do sapo e do escorpião, é uma questão de natureza do ser.
Viver no mundo moderno ocidental é muito mais excitante do que antes. A malta sai à rua e nem sabe se regressa a casa após a experiência científica-social dos cientistas. Nem sabe ele, nem sabem os outros, porque, naturalmente, não foi para noticiar as coisas que se fizeram os jornais.
O meu cão
Apesar de toda a gente me ter dito que o husky siberiano já tinha morto dois bebés, achei que era um fofo, pelo que tinha mesmo que o ter. Os cães, já se sabe, precisam de treino para não cometerem algumas excentricidades desagradáveis. Agora, ainda por cima que estaria mais por casa com o nascimento da minha filha, seria particularmente agradável contar com a companhia de um animal simpático a quem também pudesse chamar de filho. “Deodora, tens aqui um maninho” — exclamei quando mo trouxeram.
A chegada do Genghis Khan foi uma alegria. A forma como primeiro desfez as cortinas evidenciava uma alma doce aprisionada num turbilhão emocional de hormonas rebeldes na ânsia de, através do amor e empatia que lhe daríamos, preencher os nossos corações com júbilo. Quando comecei a educar o Genghis, e fora aquele incidente em que esventrou a gatinha Chuchu e a sua ninhada de doze, revelou ser um aluno capaz, empenhado e, sobretudo, plenamente integrado com a família. A forma como nos lambia era mais eloquente que qualquer latido emitido entre o tempo passado a rosnar de dentes cerrados como um vulgar fascista da direita a olhar para a ordem de pagamento do IMI.
Após pouco mais de duas semanas, Genghis Khan estava plenamente integrado na pastoral vida que levo a observar a natureza e a recitar Emily Dickinson aos pássaros que se alimentam da velha figueira.
Nisto, eis que um dia vem a minha irmã visitar-nos sem grande aviso, só um telefonema uma semana antes. Nesse dia, feito burra, entrou pelo portão sem tocar só porque estava aberto. O idiota do seu filho (não me lembro o nome), já com quase três anos de idade (acho), bem que escusava de ter entrado a correr por ali fora como se fosse uma bailarina travesti, mas aquilo é gente sem grande educação. Grande palerma. Bem, o Genghis Kahn, que estava ali tranquilo, a roer a carcaça de um bisonte em plena paz, assustou-se com o meu sobrinho rabeta e — como, aliás, qualquer animal normal faria — saltou sobressaltado arrancando-lhe metade da cara com uma só dentada.
A minha irmã desatou a gritar, a estúpida, enquanto me dirigi a ela com um passo ligeiramente mais acelerado que o normal para a reprimir. Entretanto, Genghis lá arranca a primeira perna ao moço. Ainda lhe disse: “calma, Genghis, olha que estragas o teu apetite assim a comer gorduras antes do jantar”, mas o animal já tinha começado o processo de terminar com o suplício ao pequeno Rui (ou é Jorge?).
Bem, para tornar uma história longa em curta, o Estado agora quer executar o Genghis Kahn por o considerar — e passo a citar — “perigoso”. Ando eu a reabilitar um cão, dando-lhe amor e felicidade, algo que nunca teve lá no canil, e vem agora o Estado opressor através de agentes criminosos anunciar a extinção desta vida tão promissora. Ainda por cima, foi por queixa da minha irmã, essa vaca. Vamos ver como é que o caso vai correr em tribunal, mas tenho a plena convicção que o Genghis se safará. É que, no fundo, se pensarmos bem, aquilo que o Genghis fez ao seboso do meu sobrinho foi um favor à minha irmã. A grande estúpida.
Para quem quiser seguir o resto do caso, aqui e aqui há mais.
Roubar sai bem mais barato
A 20 de Novembro, a GNR de Gouveia, dia 20 de Novembro, apreendeu 2,7 toneladas de pinhas de pinheiro manso. De acordo com o estabelecido na lei, é proibida a colheita só podia começar a 1 de Dezembro de 2019 a 31 de Março de 2020. O proprietário das pinhas e repito o proprietário das pinhas incorre numa coima que pode atingir os 3.500 euros
Ora em Fevereiro deste ano a mesma Guarda Nacional Republicana, deteve três homens, em Montemor-o-Novo que foram apanhados em flagrante, a furtar pinhas numa propriedade florestal privada.
Aos detidos após terem sido presentes ao Tribunal Judicial de Montemor-o-Novo foi aplicada a pena de cumprimento de 80 horas de trabalho comunitário ou o pagamento de uma multa a favor dos Bombeiros Voluntários daquela localidade.
Anualmente são furtadas cerca de cinco mil toneladas de pinhas em todo o País.
Louvor liberal à greve climática de Greta
Espantoso como a nova IL de Cotrim Figueiredo se associa ao louvor pela greve climática de Stª Greta, numa iniciativa do Partido Socialista.
Entre outras coisas os liberais pós-Carlos Guimarães Pinto parecem ser entusiastas de “greve às aulas a cada sexta-feira”, pretendem “travar as alterações climáticas”, são favoráveis a “descarbonizar a sociedade”, acham bem a “declaração do estado de emergência climática” e assumem “o compromisso de tomar as medidas necessárias para travar essa emergência”.
Muito me contam…

A auto-defesa que nos é permitida
Saudades dos carros que explodem
Quando a ETA fazia explodir um carro tinha como objectivo um alvo específico. O sucesso da operação consistia em eliminar o indivíduo a quem tinha sido decretada a pena de morte pelos revolucionários, tornando a morte deste em simbólica de alguma coisa, ordenando o absurdo da carnificina no absurdo de um fim último. Havia mortes colaterais de civis, sendo que civis eram todos aqueles que não constavam na lista dos civis a abater. Era vil, horrível e macabro, mas tinha uma lógica, por muito distorcida que fosse, baseada no errado princípio revolucionário de que os fins justificam os meios.
Agora não temos nada disso. Agora, os alvos são os primeiros que aparecem à frente. Não são os desgraçados que, por destino ou azar, passaram à porta do ministério onde se encontrava o alvo; são, sim, os primeiros que, numa espécie de jogo de computador, se cruzam com o assassino quando este inicia o nível do jogo.
Não consigo defender a pena de morte em nenhuma circunstância, mas estaria disposto a abrir uma excepção a indivíduos que me fazem sentir que entre eles e a ETA escolheria o regresso dos terroristas bascos. O que é verdadeiramente injusto para mim e para outros como eu é permitirmos que se chegue ao ponto em que é possível afirmar isto sem parecermos um desses bandidos.
A proibição das facas é para quando?
Efeméride liberal
George Harrison morreu faz hoje 18 anos. Foi também hoje que paguei o IMI, pelo que não consegui tirar esta canção da cabeça o dia todo.
Let me tell you how it will be
There’s one for you, nineteen for me
’Cause I’m the taxman, yeah, I’m the taxman
O Homem está a mais na natureza?
Apontei há tempos algumas contradições dos jovens que dizem que o capitalismo não é verde e procurei explicar por que razão o socialismo polui fazendo referência a alguns dados normalmente esquecidos.
Hoje, no Observador, à pergunta “o Homem está a mais na natureza?” respondo:
Ressurgem agora teorias acerca da necessidade de controlar ou mesmo reduzir a população mundial, mas ou bem que nos preocupamos com as gerações futuras, ou bem que promovemos a extinção do homem.
O meu texto completo pode ser lido aqui.

A “greve climática” é o black friday dos activistas
Há uma semana teve lugar no Terreiro do Paço uma manifestação pelo mundo rural. Segundo a Rádio Renascença terão estado «centenas de pessoas. Talvez um milhar. Mas certamente eram suficientes homens e mulheres ligadas à terra, para encher um quarto da Praça do Comércio, como fizeram esta sexta-feira numa mobilização pelo “mundo rural”. »
AS notícias sobre a convocatória da manifestação foram quase nulas e sobre a própria manifestação foram escassas. As tentativas de explicação das suas razões ainda menos. Compare-se esSe desinteresse com o activismo noticioso em torno da manifestação que terá lugar hoje designada como greve climática
DN: Greve Climática. Estudantes voltam à rua na véspera da Cimeira do Clima
EXPRESSO: Greve climática: “A Greta, sozinha, não consegue mudar nada. Temos mesmo de sair à rua”
SIC: Quarta greve climática em 157 países, incluindo Portugal
PUBLICO: A 29 de Novembro há nova Greve Climática Estudantil — para inaugurar a “época de ouro do activismo”
OBSERVADOR: Greve climática volta esta sexta-feira às ruas em Portugal e envolve 157 países
Portanto, a primeira coisa a fazer é acabar com o impacto ambiental de um parlamento que se divide entre Bruxelas e Estrasburgo
Parlamento Europeu declara emergência climática
O Parlamento Europeu tem a sede em Estrasburgo. Os períodos de sessão adicionais têm lugar em Bruxelas. O Secretariado do Parlamento e os seus serviços de apoio continuam no Luxemburgo. As comissões parlamentares reúnem-se em Bruxelas e também em Estrasburgo: por exemplo, a Comissão do Controlo Orçamental reuniu hoje, 28 de Novembro, em Estrasburgo mas a 4 de Dezembro já está em Bruxelas.
Toda esta dispersão isto custa entre 110 a 190 milhões de euros por ano e tem um óbvio impacto ambiental. Portanto os eurodeputados vão deixar-se de tolices e começar por dar o exemplo na sua casa. Até lá podem ir pregar no deserto.
Os amantes da guilhotina
Há gente que nunca muda. Note-se contudo como nesta espécie de decálogo ambientalista que por aí circula a guilhotina vem depois da sexta-feira sem carne e antes da reciclagem. Está bem, depois de um dia a alfaces e sumos a besta que há dentro de cada um de nós está pronta para soltar a lâmina da guilhotina. Depois, claro, há que dar destino aos despojos da matança. Há algo de serial killer nesta gente.

Traz um amigo também
Enquanto decorre a novela “Joacine Katar-Moreira destrói o Livre, graças a Deus”, as pessoas encontram-se sem energia para noticiar o lançamento do livro “Linhas Direitas. Cultura e Política à Direita” coordenado por Miguel Morgado e Rui Ramos e publicado pela D. Quixote/Leya. Por “as pessoas” refiro-me ao jornal Observador. Reunindo mais de 80 autores, entre os quais cinco ilustres desta casa (melhor: quatro ilustres e eu), vários colunistas dos mais lidos da praça e pessoas famosas por conseguirem usar as duas partes do cérebro ao mesmo tempo, parece-me uma omissão tão mais estranha quão a referência de Outubro ao thriller de João Tordo, “A Noite em que o Verão Acabou”, em particular porque toda a gente sabe que a noite em que o Verão acabou foi a noite de Domingo, dia 22 de Setembro. (Correndo o risco de spoiler para o próximo livro de João Tordo, adianto já que a noite em que o Inverno vai acabar será a de quinta-feira, dia 19 de Março de 2020).
Hoje há lançamento no Porto, pelo que não há qualquer motivo para que quem estiver algures do raio Santiago de Compostela-Salamanca-Mafra deixe de comparecer.

Galizamos
É certo que faz parte da normalidade económica restaurantes mal geridos fecharem, não tem nada de mais. O que é que distingue este caso de outros? Nada de verdadeiramente muito especial. A gerência do restaurante, manifestamente incompetente, acumulou dívidas de 1,8 milhões de euros e pretendia de forma desonesta fechar o restaurante à sucapa dos trabalhadores, pela calada da noite e roubando o seu recheio. Felizmente os trabalhadores descobriram a coisa e forçaram manter o restaurante aberto com uma comissão de 3 trabalhadores a gerir apenas a caixa do dia de forma a pagar os seus salários em atraso, a eletricidade para manter a coisa em funcionamento e aos fornecedores de matérias-primas. A luta de quem foi roubado por tentar recuperar o que é seu parece-me muito justa e digna de ser apoiada. E creio que é isso mesmo que muita gente na cidade, incluindo os seus vereadores tem feito: ir lá almoçar/jantar para que os trabalhadores sejam pagos do lhes devem. O resto, a viabilidade futura do restaurante obviamente já cai fora desse âmbito pois a incompetência ou fraude foi de tal forma elevada que dificilmente aquilo será recuperável. Mas que ao menos que quem dá corpo ao manifesto todos os dias, que veja receber o que é seu.
A mim parece-me que o homem das saias é quem realmente manda
À medida que a novela Joacine prossegue há uma personagem que me parece ser crucial. Trata-se do assessor de Joacine, Rafael Esteves Martins, o próprio que se apresentou de saias no parlamento. Para lá de falar torrencialmente o que contrasta vivamente com a incapacidade de se expressar da deputada, Rafael Esteves Martins não só diz coisas espantosas como a “cultura de trabalho” de Joacine Katar Moreira é uma “cultura de descanso, no sentido intelectual do termo”, como no meio do destrambelho configura-se cada vez mais como uma personagem central nesta história. Como foi ele escolhido? É uma escolha directa de Joacine? Foi lá colocado pelo Livre?…
A nacionalização das vítimas de violência doméstica
Para lá das crianças e animais colocados ao mesmo nível e da transformação em subsídio daquilo que deve ser um apoio quando e se necessário tenho muitas dúvidas sobre a suspensão do regime de visitas e do do exercício das responsabilidades parentais
Furos na parede…
A fraude dos salvadores do planeta
Henrique Pereira Dos Santos «A viagem de Greta Thundberg dos EUA para a Europa, se descrita como ela tem sido pela imprensa, de forma generalizada, seria a maior defesa do transporte aéreo que poderia ter sido imaginada pelas companhias de aviação, mesmo que felizmente, e por puro acaso, a tempestade Sebastian se tenha deslocado para Leste, poupando os tripulantes do barco aos seus efeitos directos.
Não sei o suficiente de navegação para saber quanto da viagem tem sido feita sem apoio de energias fósseis e completamente à vela, mas pelo que percebi, o motor terá sido usado para gerir os efeitos da ondulação e dos ventos fortes, acabando por minimizar a diferença que teria havido entre usar um avião ou meter-se nesta maluquice.
Aliás, em rigor, o avião viajar com dois lugares vazios ou cheios não altera as emissões (bastava-lhe escolher um horário em que o avião viajasse mais vazio), já o facto de um barco, que não ia atravessar o atlântico, passar três semanas no mar, com cinco pessoas e um bebé a bordo, a jogar ao gato e ao rato com a ondulação, isso sim, aumenta as emissões.
Eu detesto esta mania pop de tentar justificar decisões erradas pelo seu valor simbólico: problemas complexos precisam de estudo, dinheiro, persistência e bom senso para serem geridos, não precisam de gestos dramáticos e simbólicos que supostamente educam terceiros ou, pior, que marcam a fronteira entre os puros e os vendidos aos interesses que deveriam arder nas chamas do inferno.»
Ver também: Greta Thunberg y los empresarios eco-pijos están ‘helados’ y desesperados por llegar a España
Se querem salvar a cervejaria Galiza vão lá comer e beber.
Como os representantes de todos os partidos e movimentos estiveram de acordo neste apelo à viabilização da Cervejaria Galiza não vai ser difícil salvá-la: fazem uma conta conjunta com o dinheiro próprio e compram-na. Não vejo outra possibilidade. Aliás ficam todos com bela ocupação para o momento em que deixarem a actividade política: gerir a Cervejaria Galiza.
Os agentes da ditadura
A ler
Tão bonito
Quando, em Março de 2011, como deputado ao parlamento europeu, Rui Tavares votou contra os colegas de partido Marisa Matias e Miguel Portas acerca da emenda de zona de exclusão aérea na resolução do parlamento europeu sobre a Líbia, traçou o seu destino no partido. Dois ou três meses mais tarde, a propósito de uma patetice acerca da fundação do Bloco, Francisco Louçã tratou de lhe fazer a caminha e Tavares, diligentemente, passou a deputado independente ao parlamento europeu.
Quando, em Novembro de 2019, Joacine Katar-Moreira decide “votar contra si própria” com abstenção no voto de condenação “à agressão israelita a Gaza” (é mesmo assim que os malucos falam), tratou de completar o programa de embalsamento e exposição sobre a lareira da cabeça de Rui Tavares iniciado por Louçã em 2011.
É poético e extremamente belo. É que nisto da maluquice há sempre um maluco que é mais maluco do que nós, Rui Tavares.
Afinal, para que é que se fez o 25 de Novembro ?

Talvez seja mas convenhamos que mais estranho ainda é termos tido um governo em que nenhum ministro, secretário de estado, amigo, amiga ou colega de partido percebeu que o PM era corrupto e levava uma vida que não tinha meios para sustentar.
À atenção dos Malucos do Riso
No mesmo comunicado, a deputada do Livre saudou todos os partidos que apoiam a causa palestiniana e dirigiu um pedido de “desculpa a todas as pessoas palestinianas e todas as outras que se sentiram lesadas e defraudadas”.
Um horror isto de um deputado vir discursar aos manifestantes
Teorema da impossibilidade do comunismo
O Miguel Granja diz-nos hoje na coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador que “não são os homens que esperam o Fim da História, como pensam, dialécticos, os comunistas. É a História que não tem fim porque tem de esperar pelos homens“.
É um texto muito bem escrito e muito bem pensado que recomendo a leitura.
Quando o governo é de esquerda toda a contestação é de extrema-direita
O Serviço Nacional Socialista
Os corruptos-mistério do Expresso ou a arte de branquear socialistas
O EXPRESSO faz este título «Conhecidas as sentenças do maior caso de corrupção já julgado em Espanha. Vox já respondeu – e continua a capitalizar» Convenhamos que é esquisito, refere-se o maior caso de corrupção já julgado em Espanha mas não se diz quem são os condenados e em seguida conclui-se que o partido Vox « já respondeu – e continua a capitalizar»
Leia-se então a notícia para resolver o enigma: Não foi na Andaluzia que o Vox nasceu mas foi lá que começou a fazer história – muito ajudado pela desconfiança crónica que muitos habitantes sentem em relação aos partidos do sistema. O maior escandâlo de corrupção em Espanha, o caso dos ERE, ainda não chegou ao fim, porque ainda há recursos, mas a um fim: os juizes atribuíram sentenças de prisão efetiva e de impossibilidade de acesso a cargos publicos a 21 pessoas»
NADA. Vox para aqui, Vox para ali mas não sendo este ur atigo sobre a história do Vox mas sim sobre um julgamento por corrupção porque não começar simplesmente por dizer quem foi condenado e já agora em que consistia essa corrupção? Até que linhas abaixo surge a indicação assim caída do céu: «Foi um longo e danoso processo judicial para o Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis (PSOE) mas também para toda a Espanha, um país que, nas sondagens, coloca quase sempre a corrupção no pódio das suas prioridades. Esta terça-feira, o Tribunal de Sevilha condenou o ex-presidente da Andaluzia José Antonio Griñán a seis anos de prisão por peculato e prevaricação no caso ERE, enquanto ao seu antecessor, Manuel Chaves, impôs uma sentença de impedimento de acesso a cargos públicos durante nove anos. Ao todo são 21 nomes condenados neste processo FINALMENTE mas não directamente: «Foi um longo e danoso processo judicial para o Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis (PSOE) Ficamos felizes por saber que o PSOE sofreu com este processo mas a não ser que se esteja por dentro do caso é um pouco difícil perceber o que se quer dizer com isso tanto mais que não se explica que eram dirigentes socialistas os condenados. A notícia lá prossegue nesta estranheza. No total escreve-se VOX cinco vezes e PSOE duas. Depois vêm queixar-se que os jornais perdem leitores.
Ai a liberdade, a liberdade
A liberdade é uma coisa tramada: tanto permite que se louve, em bucólicas odes — que, de tão pastorais, conseguem replicar até o cheiro da bosta —, como permite que se defenda tudo e mais alguma coisa que a limite. Vem isto a propósito da morte de José Mário Branco, visto por uns como “lutador pela liberdade” e por outros como um bandido defensor de ideologias sanguinárias.
Chamava-se arte degenerada — entartete Kunst — a tudo o que não correspondesse à concepção artística dos nacionais-socialistas. Gaugin, Klee, Kandinsky, Picasso, toda a escola Bauhaus, dadaístas, enfim, tudo que não fosse o misticismo do Homem Novo nazi (eles chamavam-lhe outra coisa, mas o cheiro é o mesmo).
Para lá da Cortina de Ferro, o princípio era o mesmo: arte serve para a causa, para “servir o povo” (ó triste ironia) ou seria para eliminar.
Assim, só em liberdade se pode publicar apologias à tirania. Portanto, sempre que se perde um autor, seja comunista, seja liberal, seja conservador ou seja revolucionário, também morre um bocadinho da liberdade. Qualquer outra visão, a começar pelo mantra “este senhor diz coisas de que não gosto”, é uma participação directa no neo-fascismo dos justiceiros sociais. O que este país mais precisa é de artistas. Artistas para todos os gostos, para todas as ideias, para todas as ideologias. Não gosta deste ou daquele? Óptimo: ponha na borda do prato.
E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.
Os meus sentimentos à família e amigos do José Mário Branco.
E ao minuto 25.55 a pergunta a que Evo Morales não responde: Por que não foi para Venezuela em vez de vir para o México?
BBC News – Por que não foi à Venezuela em vez de vir ao México?
Evo Morales – Por que Venezuela, me diga, por que insinua isso?
BBC News – Porque é seu aliado mais próximo na região.
Evo Morales – Tenho muitos aliados: Rússia e China, países na Europa, que nos admiram bastante, França, Espanha…
BBC News – Mas a Venezuela foi um aliado mais próximo.
“Los hijos del taxista”
Arturo Pérez-Reverte: Uno de los pulsos más difíciles, sigue contando el taxista, se lo echan sus hijos cuando les pide que bajen a comprar algo al súper de la esquina: «Si se lo digo a ella, inevitablemente escucharé una de estas tres preguntas: ¿Cómo voy a ir si he quedado con una amiga? ¿Qué me pongo para bajar? o ¿Cómo voy a ir si no tengo ropa?… Pero si se lo digo al chico, el diálogo será el siguiente:
-Baja al súper, hijo.
-Vale.
-¿Así vas a ir a la calle?
-Sí, ¿qué pasa?
-Arréglate un poco, ¿no?
-Paso, papá.
Y cuando ya creo –continúa el taxista– que se ha ido al súper, vuelve y me dice que su hermana le ha quitado la camiseta».
Otro de los momentos estelares, sigue contando, es cuando se atreve a entrar en sus cuartos: «Si ella se dispone a salir estará encerrada con pestillo, tendrá veinte prendas de ropa distintas sobre la cama y se las estará probando todas. En cuanto al chico, lo normal es que se le haya olvidado cerrar bien la puerta, tenga el ordenador encendido y se esté haciendo una paja… Le juro a usted que si no los mato es porque no tengo tiempo».
«La vida del taxista es dura», intento consolarlo mientras le pago la carrera, pues hemos llegado al fin del trayecto. Y entonces él me dirige por el retrovisor una mirada de resignación, suelta una risita sardónica y responde: «¿Dura, dice usted?… Para duro lo que tengo yo en casa”
Filhos deitados ao lixo
Não há desculpas para matar a menos que seja em legítima defesa. A sociedade nunca pode desculpar actos desumanos seja contra recém-nascidos, crianças, mulheres, homens, idosos, homossexuais, deficientes, independentemente da religião, raça ou etnia. Nunca. Porque atenuantes há sempre. Sempre. Ninguém é mau sem uma razão. Todos são o resultado de algo que não funcionou por isso, todos são “vítimas”. Sem excepção.
Ficamos em choque com a notícia da mãe de um recém-nascido que foi propositadamente colocado no eco-ponto para morrer como se pôde ler no acórdão do Supremo Tribunal onde se refere que houve intenção premeditada de matar ao colocar o bebé num saco plástico e ter voltado ao local horas mais tarde para assegurar que já estava sem vida e não para o salvar.
Dizer-se que um caso é mais “aceitável” que outro atendendo às “atenuantes”, sim, até podemos. Mas nunca ao ponto de servir para eliminar o castigo. Porque isto abre precedentes muito graves na mensagem que se se deve dar num Estado de direito.
Sara era uma jovem que vivia na rua, é certo, mas não estava completamente desamparada. Tinha companheiro a quem podia pedir conselho e teve várias abordagens de organizações humanitárias a oferecer ajuda quando perceberam que algo se passava. Apesar de viver na rua, tinha a quem recorrer. Não estava sozinha mesmo “afastada” da família que tinha cá a residir. Bastava ter dito assim que foi questionada por ONG’s que estava grávida, desesperada, com medo e sem saber o que fazer e a partir daí teria tido todo o acompanhamento necessário. Mas não. Desde o primeiro momento em que soube que tinha um ser vivo no ventre, planeou o único cenário que lhe convinha: desembaraçar-se da criança de forma definitiva. Porque a verdade, por muito que doa, era que Sara não queria aquele ser na vida dela.
Foi curioso ver a onda de solidariedade que se levantou em apoio da jovem mãe e quase nenhuma em relação ao bebé rejeitado, felizmente resgatado por sem abrigos – que ninguém visitou e que seguramente vai ter de lidar com este fardo a vida toda – deixado à morte lenta e dolorosa no ecoponto sujeito a ser triturado vivo. Compreendo que por ser uma “menina” de 22 anos, estrangeira e sem abrigo, emocione. Mas daí a ter direito a visita da Ministra da Justiça, e até intromissão do Presidente da República alegando “razões fortes da mãe”, como se não houvesse em Portugal tantos outros casos semelhantes, é demais. O bom senso manda que se deixe a Justiça funcionar como efeito dissuasor e não ao contrário. Que mensagem queremos nós passar às gerações mais jovens? Que podem matar desde que tenham atenuantes suficientes que o justifique? Ou pelo contrário, que percebam que independentemente dos seus motivos serem “válidos”, o castigo, maior ou menor, estará lá sempre como forma de lembrança do que não pode ser feito por razão nenhuma.
Vou lembrar aqui que esta desvalorização da vida humana de bebés no útero ou recém-nascidos que leva a estas mortes, não acontece por acaso. Não tem nada a ver com pobreza. Não tem a ver com solidão ou desamparo. No tempo dos meus pais – e ainda no meu – as famílias eram pobres e numerosas e só morriam os que por infelicidade eram apanhados por doenças prematuras. Era impensável a uma família de bem, com valores morais, matar seus próprios filhos. No pior dos cenários eram abandonados em instituições religiosas – na roda dos enjeitados – ou dados à adopção. Nunca mortos como animais.
Esta sociedade doente, que expliquei na minha crónica anterior, “O que revelam as agressões nas escolas”, para além de destruir as bases sociais, inverteu também os valores: hoje toda a gente se choca com os maus tratos e morte de cachorrinhos, gatinhos etc. condenando severamente quem o faz, exigindo até justiça popular sobre os infractores, mas desculpou toda a mulher que mata seus filhos, seja ainda no ventre seja recém nascido, ao legalizar o aborto como um direito inalienável da mulher emancipada. Tratar a vida uterina como se fosse uma coisa e não um ser vivo, deu nisto. Quando até as escolas nos seus guiões do 3º ciclo do ensino básico e secundário da Ideologia de Género apontam o aborto como alternativa, está tudo dito. Como querem que as jovens sintam a maternidade como uma responsabilidade por uma vida gerada, uma bênção, se até a escola ensina a desfazer-se do “erro”?
Veja aqui a partir do 3º ciclo já há ensino sobre a interrupção da gravidez:

E depois no secundário:

Não estou aqui para julgar ninguém como é óbvio. Esse papel compete aos Tribunais. O que pretendo é uma reflexão profunda sobre uma sociedade dita civilizada que em nome do progressismo está a transformar a Humanidade em seres frios, vazios, sem valores, sem objectivos, sem esperança.
A família é o pilar de uma sociedade equilibrada e justa. E é no seio dela que se formam os cidadãos de amanhã. O futuro das gerações vindouras depende deles e eles dependem do núcleo familiar para serem Homens de bem, seguros e felizes, capazes de enfrentar todas as adversidades por muito duras que sejam.
Não perceber isto é condenar toda a Humanidade ao fracasso.
A regressão
Três mortos na A42. GNR e condutor de reboque que respondiam a outro acidente entre as vítimas
A degradação do estado não está apenas nos hospitais que não funcionam, nos transportes que não andam ou nas escolas transformadas em fantochada.
Depois de anos e de diferentes governos terem encarado a sinistralidade rodoviária
como um problema, António Costa olha para o lado e os compagnons calam e consentem: estamos a regredir – em 2017 o número de mortos na estrada deixou de baixar como acontecia há anos e anos e em 2018 voltou a subir. 2019 ainda não acabou mas o número de acidentes está a aumentar. Longe vão os tempos em que a ACA-M – Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados abria noticiários e o seu presidente, Manuel João Ramos, era ouvido dia sim dia sim. No pasa nada é a palavra de ordem. Mas fora de Portugal a degradação das condições de segurança nas estradas portuguesas dá que falar e o retrato é este:
Las muertes en accidentes de tráfico aumentaron un 12 % en Portugal en 2018
e este






