Precisamos de um novo Salazar?

Precisamos de um novo Salazar? É uma pergunta interessante, que merece resposta. Quais os ingredientes de um novo Salazar – não confundir com um Homem Novo – que seriam desejáveis para que um novo Salazar pudesse ser considerado um Salazar novo?
Ser heterossexual
Isto é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que apregoam a igualdade de género, que isso é tudo malta que gosta de molhar o pincel ou ser a lata de tinta, como, afinal, todos os bichinhos, isto apesar de usarem mais os genitais que o género para a obtenção de satisfação. A igualdade de género é aquela série de clichés que batem as tradicionais linhas de engate como “és tão bonita” ou “buraco és tu”.
Ser branco
Isto também é fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar que não sejam pretos. Exclui-se o Mamadou Ba, ficam os restantes.
Ter um certo gosto por corporações controláveis
Felizmente, é muito fácil. Basta pegar em todos os candidatos a novo Salazar distribuídos por todos os reguladores como a ERC, a… momento, melhor por ordem alfabética: a ERA, a ERB, a ERC, a ERD, a ERE, a ERF, …, a ERZ, a ERAA, a ERAB, a ERAC…
Manter o país afastado de uma guerra mundial
Aqui é mais difícil. Só me ocorre o doutor Azeredo Lopes, que pode ou não enviar tropas que podem ou não voltar sem sabermos se chegaram sequer a alguma vez existirem tropas portuguesas.
Manter uma relação amorosa com servente (ou rumor disso)
Olha, o Sócrates. Ou o Marx. Ou aquelas pessoas que escrevem no Expresso. Ou até o Manuel Alegre, que é homem para as deslumbrar com um poema de leitura escolar obrigatória a 8,80€.
Ter uma visão para o país
Qualquer português ou indivíduo que habite no território nacional e ultramarino da língua portuguesa. Começar pelo Facebook.
Manter máquina de censura
Começaria pelos que escrevem no Expresso, depois da devida autorização do professor Louçã. Se quiser um autêntico bacanal de censura, convida-se também todos os que andaram a criminalizar o piropo e a legalizar o aborto, como se não fossem coisas contraditórias.
Ser sério
Aqui está a grande dificuldade. Alguma sugestão?
uma mentalidade
Miguel Macedo e mais vinte pessoas foram, há cerca de quatro anos, acusados de quarenta e sete crimes supostamente praticados no âmbito de funções públicas. Com excepção de quatro dos arguidos, todos foram absolvidos. Os que foram condenados ficaram com penas suspensas, o que denota a pouca gravidade dos actos ilícitos por eles eventualmente praticados. Macedo era e deixou de ser ministro, ao tempo em que rebentou o escândalo e devido a ele. Tinha uma carreira política que ficou desfeita e, muito provavelmente, a sua via profissional não terá ficado melhor. No fim de contas, ninguém gosta de ser defendido por um advogado que é um presuntivo criminoso. As outras pessoas terão também, imagino, padecido graves consequências nas suas vidas profissionais e pessoais.
Em face deste vergonhoso resultado, o Ministério Público assobia para o ar. De nada vale a presunção de inocência de pessoas sobre as quais, como resulta da própria acusação, existem reduzidas provas sobre os indícios dos crimes que o Ministério Público imaginou terem acontecido. O procurador (ou procuradores) que tratou do caso, que investigou vinte e uma pessoas e contra elas deduziu acusação ficará na mesma, prosseguindo tranquilamente a sua vidinha, continuando a receber o seu cheque no fim do mês. Bem vistas as coisas, nem sequer sabemos quem ele é, ou são. Nenhuma responsabilidade lhe será assacada por ter acusado mal, com falta de prova sustentável, vinte e uma pessoas a quem desfez as vidas.
O problema não estaria, como é óbvio, neste caso e neste processo, fosse ele apenas um caso único sem, ou com reduzido, exemplo. Ele tem a ver com a chamada «criminalidade económica» e é muito mais profundo, porque se instalou, entre nós, há muitos anos, uma mentalidade miserável segundo a qual «onde há dinheiro há crime». É uma exploração da baixa sentimentalidade das ruas (o tal «populismo», de que muitos falam mas que quase todos se recusam a reconhecer nas suas verdadeiras fontes), acompanhada por uma comunicação social absolutamente incompetente e famélica, que vai sempre atrás de qualquer escandalozinho para ganhar audiências e uns dinheiritos. A criminalização de qualquer dever tributário para com o estado, os super-poderes dados ao fisco, a devassa de contas bancárias e da vida privada-económica dos cidadãos, o ataque político às actividades lucrativas, como o Alojamento Local, a perseguição a medidas governativas inteligentes e bem-sucedidas, como os «vistos Gold», não poderia dar outro resultado que não fosse criar um país policiesco, cheio de pequeninos pides sempre prontos a perseguir e a acusar quem tem algum sucesso.
Esta é a consequência bem visível de uma mentalidade de extrema-esquerda, que vê no lucro a fonte de todos os pecados, que reina, infelizmente, entre nós. A origem dessa tragédia – as infiltrações dessa “antiga” extrema-esquerda nas altas instâncias e nas cúpulas do estado e da justiça, e os interesses político-partidários e financeiros de muitas das prestimosas agremiações partidárias de beneméritos do povo – daria pano para muitas mangas. Mas esse é assunto que já não interessa a ninguém…
O verdadeiro problema de Marques Lopes
Chamar o Mário Machado a um programa de qualidade duvidosa, apresentado por uma figura representante da nacional piroseira, não representa qualquer perigo para a democracia dos Marques Lopes, esta modorra anestesiante ensopada num caldo socialista com tendências totalitárias. A pergunta do programa, sobre se precisamos de outro Salazar, é obviamente intencional no sentido de tentar ligar um arruaceiro a um estadista, tendo este, com defeitos e qualidades, o seu lugar na história, enquanto o primeiro é pouco mais do que um indigente. Ora, o que mete realmente medo aos democratas Marques Lopes é que se discuta a sério o salazarismo e que se convide para esse efeito intelectuais de vários quadrantes que pelo menos façam um contraponto à tese oficial de que a abrilada foi uma coisa maravilhosa. Pois, está claro que não foi. Assim como a longa noite negra do fascismo é uma história muito mal contada. Dito isto, não sou nem de perto nem de longe um admirador de Salazar nem do estado novo, nem vejo que um liberal o possa ser, mas isso não passa de uma breve declaração de interesses. O que sou, sobretudo, é um tipo pouco dado a consensos democráticos dos cortesãos e seus peões de brega. Nesse sentido, Portugal é o que já era no tempo do Eça. Uma choldra.
Buraco sois vós
Para falar do assunto “Mário Machado na TVI” é necessário um longuíssimo preâmbulo em que nos distanciamos das opiniões do fulano, mesmo que estas nos sejam conhecidas apenas pelo disse-que-disse de quem não sente grande necessidade de ouvir opiniões que considera parvas só por existirem, se é que existem. Depois, é necessário dizer que a liberdade de expressão é um valor absoluto, principalmente para indivíduos que querem dizer coisas que não gostamos de ouvir. Por fim, é necessário assegurar que nenhuma daquelas opiniões possui fundamentos de verdade, pelo que permitir que indivíduos idiotas se expressem é a única forma de, de facto, identificar os idiotas.
Não farei nada disso. Não ousarei escrever que o direito de alguém falar depende da minha ou da concessão de outro qualquer. Poderia mencionar a quantidade de imbecis que gracejam boçalidade nas rádios e televisões do país adornados pelo manto da impunidade subletrada que títulos académicos conferem, mas isso seria sublinhar o quão um Pacheco Pereira ou uma Mariana Mortágua se assemelham ao astrólogo Paulo Cardoso, cujo livro “Astrologia e Guia do Amor – Previsões Para 2019” está no top de vendas da FNAC, semelhança que é sobejamente conhecida pelos leitores deste blogue e cuja piada inerente reside, exactamente, em omitir a explicação que estraga qualquer anedota.
Uma televisão decide convidar um tipo para falar, esse assunto não me deveria interessar. No entanto, como há sempre um bando de coninhas que salta a correr para os braços do papá ERC a queixar-se de que o maninho disse coisas feias, cá estou eu a dizer coisas óbvias. Façam-se homens e mulheres, deixem de ser pirralhos mimados: aprendam a usar o comando ou, melhor ainda, tirem-o do canal onde aguardam que vos estimule por vazamento das pilhas. A obsessão do português pelo tirano que cala outros por sensação de conforto que o inexistente direito a não ser ofendido por opiniões alheias é do domínio sexual: não é de admirar que toda a gente passe mais tempo a tentar entrar em bailes de debutantes da corte do que a assegurar descendência que subsidie a subsistência futura do velho ranzinza quezilento que o adolescente bexigoso das redes sociais de hoje é.
Buraco sois vós.
Compre já antes que esgote!

a convenção de todas as liberdades
Pensava eu que o PSD, o CDS e a ALIANÇA eram partidos onde só existiam conservadores e onde o liberalismo não entrava. Afinal, constato agora que, muito sensatamente, a Iniciativa Liberal comparecerá nesta cimeira de liberais portugueses, que terá como parceiros representantes, ao mais alto nível, dessas agremiações partidárias: Marques Mendes, Ribeiro e Castro, Paulo Portas, Assunção Cristas, Pedro Duarte e Santana Lopes, entre outros. Francisco Assis, pelos liberais socialistas, comparecerá e falou-se mesmo na presença, infelizmente não confirmada, desse ícone de todas as liberdades que é António José Seguro. Finalmente, os liberais portugueses reúnem-se em cimeira pré-eleitoral para debaterem os destinos da Pátria. Podemos ter esperança, portugueses!
A emenda é melhor que o soneto
Alguns comentadores explicaram-me, como parece ser hábito de comentadores que gostam de explicar, que não é necessário comprar os livros de leitura obrigatória como a bela obra que referi aqui ontem. As razões apontadas são as seguintes:
- A biblioteca da escola tem disponível umas 125 cópias de cada livro obrigatório para disponibilizar a 5 turmas de um dado ano;
- A leitura obrigatória consiste no professor dirigir-se para a sala e ler ele o livro para que os desgraçados possam dormir (uma espécie de audiobook sem que se possa fazer pause, uma leitura obrigatória sem necessidade de ser confrontado com coisas chatas como letras);
- A gente (o professor, o encarregado de educação, o dealer, outro qualquer) arranja uma versão mitrada em PDF para aculturar a criança com formas de assegurar a gratuitidade do sistema.
Assim sendo, retiro o que disse no post. As emendas explicativas são todas melhores que o soneto (literalmente).
Substância espessa e doce, amarelada ou acastanhada: mel.
Nas últimas semanas vários amigos referiram nas redes sociais que o MEL-Movimento Europa e Liberdade é “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Eu, parolinho como sou, até fiquei envergonhado de quase nada saber sobre a instituição… Lembrava-me de há tempos me ter parecido que a coisa estava associada a uma espécie de “vaga de fundo” que se estaria a criar para promover Santana Lopes e de ter associado um jornal recentemente criado. Mas a minha memória era apenas difusa e sem quaisquer certezas, pelo que me dediquei a uma rápida light due dilligence sobre a coisa.
O website do MEL nada diz, tendo apenas publicado o programa da sua próxima convenção. Na sua página no Facebook pouco mais tem. Recorri, portanto, a fontes públicas sem sair do sofá e verifiquei que o MEL foi constituído em Novembro de 2018. Ou seja, mal nasceu, tornou-se “um dos think tanks mais prestigiados do país”. Notável!
Pensei eu: de certeza que tem histórico e acções desenvolvidas no passado. Fui ver. Tem.
Salvo melhor e mais completa informação que possa existir, aquilo de que me apercebi é que tudo tem origem em 2009 sob a liderança de Daniel Proença de Carvalho com o Projecto Farol. Tratou-se de uma iniciativa a que esteve associada grande parte da nomenclatura lusa habitual e que foi formalizada em Fevereiro de 2013 tendo como sócio fundador único o grupo Delloite Consultores S.A.
Em Maio desse ano (2013), o Projecto Farol cria uma espécie de spin-off. Um outro think-tank, desta vez chamado Missão Crescimento. Nesta versão, além da Delloite/Projecto Farol, associam-se a Associação Comercial do Porto (na altura ainda dirigida por Rui Moreira), as Ordens dos Engenheiros e dos Economistas e o Fórum de Administradores de Empresas. A rebaptizada organização tinha por objectivo “encontrar, ao nível da política económica, respostas capazes de atenuar o impacto recessivo do acordo de reajustamento assinado por Portugal com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário internacional, no âmbito do programa de assistência financeira.”
Finalmente, em 21 de Novembro de 2018, pela mão das mesmas pessoas que foram impulsionadoras e estiveram na origem das anteriores versões do think-tank, chegamos ao MEL, formalmente constituído por Paulo Carmona e João Costa e cujo objecto é este:
Feito o levantamento histórico de enquadramento, gostaria de comentar o programa anunciado da sua primeira Convenção.
Desde logo, Jorge Marrão (Delloite e dirigente do MEL), diz que o think-tank é formado por liberais de direita e de esquerda, mas olhando para alguns dos nomes com maior notoriedade que participarão no evento, interrogo-me qual será o mais liberal: Marques Mendes, Paulo Trigo Pereira, Pedro Duarte, Luís Amado, Paulo Portas ou António José Seguro?
Curioso é também notar que no painel dedicado ao tema do combate aos interesses instalados um dos oradores é José Miguel Júdice.
Registo também que a Pedro Santana Lopes é dada honra de “Convidado de Abertura” de trabalhos, ficando por exemplo o presidente da Iniciativa Liberal, nesse mesmo dia, apenas a coordenar um dos painéis.
Depois, ainda hei de perguntar pessoalmente ao Carlos Guimarães Pinto que ideia foi a dele em convidar para key-note speaker sobre “Novas Ameaças à Liberdade” o socrático Carlos Magno.
Assunção Cristas, quiçá outra liberal, é Convidada de Encerramento.
Os promotores do MEL lá terminam com mais uma vassalagem ao poder, convidando o já insuportável Marcelo – presidente famoso pelas suas cuecas – para o fecho da sessão. Marcelo, fino, ainda nem sequer lhes confirmou a presença.
Para quem se diz farto de ver o estado capturado pelos interesses instalados, este programa é uma salgalhada incompreensível, com os mesmos protagonistas de sempre e um conjunto de companhias muito estranha para meu gosto.
Não tenho de facto paciência nenhuma para convénios urbano-progressistas da capital.
Sr. Presidente, não era a descrispação?
Greves de hoje: HOJE OS ENFERMEIROS NÃO ESTÃO EM GREVE. OS COMBOIOS TAMBÉM NÃO. CONSOANTE O PONTO DE VISTA AS EMPRESAS RODOVIÁRIAS ORA VÃO TRABALHANDO ORA VÃO FAZENDO GREVE: HOJE A GREVE É EM Leiria e Santarém)
Estivadores entregam novo pré-aviso de greve de seis meses OS ESTIVADORES JÁ VÃO NAS GREVES POR CAUSA DAS LUTAS ENTRE SINDICATOS
Professores vão hoje a São Bento dizer a Costa que estão prontos para voltar a negociar. Luta pelo cumprimento do horário de trabalho semanal de 35 horas também volta hoje às escola DEUS SEJA LOUVADO: VÃO RECOMEÇAR AS NEGOCIAÇÕES PELAS 35 HORAS, MAIS OS DESCONGELAMENTOS…
Oficiais de Justiça em greve parcial durante dez meses AGORA AS GREVES SÃO LOGO AOS MESES. COMO OS PRAZOS DA JUSTIÇA TB SE CONTAM PELAS DEZENAS DE ANOS, AS GREVES NA JUSTIÇA DEVEM DURAR PELO MENOS UMA DEZENA DE MESES
Um grupo de reclusos ameaça fazer greve ao trabalho a partir de 06 de janeiro, se os guardas prisionais prolongarem a paralisação, JÁ VAMOS NAS GREVES DENTRO DAS GREVES. O CONCEITO AGRADA-ME E ACHO QUE SENDO NÓS TODOS RECLUSOS DO FISCO DEVEMOS FAZER UMA GREVE AOS IMPOSTOS
Se fizer um décimo daquilo a que se propõe já será imenso…
Tens falta de dinheiro? Torna-te em “leitura obrigatória”
Acabei de comprar um livro com 16 páginas (inclui as “intencionalmente deixadas em branco”). Custou 8,80€, ou, em linguagem de saloio, 1.47% do novo salário mínimo nacional (o equivalente, em linguagem de gente, a oito cheesburgers no McDonalds e um café). Trata-se da 15ª edição de uma obra que diz na capa “leitura obrigatória” e “6º ano”. Fora a capa, a contra-capa e a biografia dos — ahem — autores, possui, no seu corpo de texto, exactamente 852 palavras, pelo que cada uma delas tem, naturalmente, para mim, o custo de 1,033 cêntimos.
Não sei quantos alunos frequentam o 6º ano. Vou supor que o número de alunos em 2017 se distribuem uniformemente do primeiro ao nono ano, originando então uns 95 mil a frequentarem o 6º. Vou supor que a 15ª edição da obra foi vendida 50 mil alunos durante os 15 anos em que eventualmente foi “obrigatória”, orginando, então, um total de vendas de 750 mil unidades a 8,80€ ou seja, 6,6 milhões de euros. Isto dá 7746€ por cada palavra da obra até ao momento, um lucro de aproximadamente 7500% por palavra.
Obrigado, Leya. Obrigado Ministério da Educação. O Manuel Alegre e o filho também têm direito a uma renda. E assim se aprende, em “As Naus de Verde Pinho”, para não mais esquecer, o quão a viagem de Bartolomeu Dias foi uma valente asneira (mas lucrativa).
num país perto de si
Imagine-se que, graças a uma extraordinária conjugação astral favorável e ao irresistível carisma telegénico do seu presidente, um novo Partido Liberal Português dos Verdadeiros Portugueses Liberais (PLPVPL) obtinha a vitória nas eleições legislativas deste ano. Em razão disso, o presidente Marcelo convidava o chefe do partido a formar governo, o que este conseguia, ao fim de uns dias de negociação com o CDS, de modo a garantir uma maioria parlamentar firme. Uma vez no poder, o que faria essa coligação? Provavelmente, para além de gerir a conta e o passivo do estado, pouco mais. Revia umas decisões do governo anterior, cortava nuns impostos mas seria obrigada a aumentar outros (as regras do euro não consentem veleidades), continuava a gerir a escola pública, o Serviço Nacional de Saúde (que abriria, timidamente, à iniciativa privada, sob o coro de protestos dos partidos de esquerda, dos sindicatos e da opinião publicada), por pressão do CDS evitava chatices com o dr. Balsemão à conta da RTP e inventava, para a coisa, um qualquer «conselho orientador» saído da mais genuína «sociedade civil», reduzia simbolicamente o funcionalismo público (onde se perdem e ganham eleições), mas empregava devidamente os seus em bons postos da administração do estado, num momento de arrojado atrevimento, o líder ameaçava privatizar a Universidade de Coimbra, mas era de imediato chamado ao presidente para levar um puxão de orelhas e deixar-se de tolices. Por fim, no termo da legislatura, que poderia nem durar quatro anos, a probabilidade de perder eleições seria elevada e, com a derrota e o mais do que seguro abandono do líder, a «aventura liberal» ficaria esquecida durante muito tempo.
Este é um cenário de ficção que, porém, não está muito distante da realidade que aconteceu em Portugal, entre 2011 e 2014. Lembro, para quem não o tiver presente, que Pedro Passos Coelho surgiu como candidato a líder do PSD como um «liberal». Eu próprio, convicto de que ele estaria muito próximo de o ser (e ainda hoje acredito nisso) dei um modestíssimo contributo para um blogue de campanha para a sua eleição interna no PSD, para o que fui convidado, não pela minha condição de militante desse partido – que não era (nem sou) -, mas pelo facto de ser uma das poucas avis raras que, neste pequeno país, se diziam pertencer a essa estranha espécie.
O que resultou dessa experiência governativa, malgrado as dificuldades que lhe foram impostas pelas circunstâncias que são de todos conhecidas, foi o que se viu: Passos foi responsabilizado pelas poucas medidas liberalizadoras que tomou (e às quais devemos hoje boa parte da modesta recuperação do país, como as modificações no arrendamento e a legislação sobre o turismo) e condenado pelo seu excessivo «neoliberalismo», com o qual – horror dos horrores! – pretendeu ir além da troika.
A verdade das coisas é que nem Passos Coelho nem o seu PSD estavam minimamente preparados para governar Portugal. Não o estavam, seguramente, numa tão difícil conjuntura, mas onde, apesar disso, contaram com o apoio e a pressão das instituições internacionais credoras, mas também não o estariam em condições de normalidade económico-financeira. Para, por exemplo, se entenderem com o CDS de Portas sobre um conjunto de políticas elementares, consta que foram consumidos meses de governação, e que só com a crise do «irrevogável» a coisa encarreirou.
Em suma, PSD e o CDS não têm – talvez nunca tenham tido – uma verdadeira ideia sobre o país, nunca prepararam um projecto de direita, que fosse simultaneamente liberal e razoavelmente conservador, para o aplicar quando chegassem ao governo, e tão-pouco as têm sobre questões sectoriais fundamentais, como a educação, a saúde ou a justiça. Em quarenta e quatro anos de democracia, nunca a direita partidária portuguesa se preparou para ser poder e a pensar no que isso pudesse ter de significado e de exigência. A seguir ao 25 de Abril, os alemães da Konrad Adenauer ainda cá vieram buscar uns mancebos para lhes darem alguma formação política e económica, mas os resultados foram muito rudimentares, como todos podemos constatar. O CDS, com Francisco Lucas Pires, organizou um think-tank que produziu algumas coisas com interesse, o «Grupo de Ofir», mas a coisa esvaiu-se assim que conquistaram o poder no partido. No PSD e no CDS sobram, nos dias que correm, o Instituto Francisco Sá Carneiro e o Instituto Amaro da Costa. Alguém conhece, nos últimos anos, uma linha saída desses interessantes conventículos que mereça ser, já não digo citada, mas ao menos lida? Por fim, a Universidade de Verão do PSD, onde ex-líderes e outras figuras fulgurantes dessa e doutras agremiações partidárias explicam aos promissores jovens que os escutam como é que eles progrediram na política e no estado.
Assistindo, nos últimos tempos, ao lançamento de um número elevado de projectos partidários de cariz assumidamente liberal que quer ir a votos em eleições nacionais, seria oportuno perceber o que têm essas novas agremiações a oferecer aos indígenas a quem pedem que votem neles. No fim de contas, o que fariam com o poder se, por milagre ou talento próprio, este lhe caísse no regaço.
liberalismo à portuguesa
Em quarenta e dois anos de democracia espanhola, a direita democrática agregou-se sempre em torno de um partido nuclear com vocação de poder: primeiro, de 1977 a 1983, a UCD (União de Centro Democrático), quase sempre liderada por Adolfo Suárez; simultaneamente, ainda que com pouca expressão eleitoral, e, depois, herdando parte do que fora a UCD, de 1976 a 1989, a Aliança Popular/Coligação Popular, partido fundado e dirigido por um ex-ministro reformista de Franco, Manuel Fraga Iribarne, que deu, naquele último ano, origem ao Partido Popular. Este último, por sua vez, foi liderado, durante quase trinta anos, por apenas três presidentes: José Maria Aznar, Mariano Rajoy e, de há uns meses para cá, Pablo Casado. A direita espanhola foi governo na transição do franquismo para a democracia, a ela se devendo, em boa parte, o sucesso pacífico desse processo de extrema complexidade, voltando a sê-lo, depois de anos de socialismo, entre 1996 e 2004, com Aznar, regressando à Moncloa com Rajoy, de 2011 a 2018. Em todos estes períodos, a Espanha sentiu muito bem a diferença entre um governo de direita liberal e conservadora e os governos do PSOE. Em todos esses governos, até mesmo no de Rajoy, a ideologia nunca foi desconsiderada, e a direita espanhola ora se afirmou mais liberal, com Aznar e Casado, ora foi mais conservadora, com Rajoy e Suárez, mas corporizou sempre um projecto político ideologicamente claro.
Em quarenta e quatro anos de democracia portuguesa, a direita do regime dividiu-se em dois partidos, o PPD/PSD e o CDS. Durante esses anos, o PSD teve dezoito, repito, dezoito líderes, enquanto que o CDS se ficou por uns modestos sete presidentes. Esteve no poder em dez governos, que chefiou, e esteve presente em mais um (1983-1985, do Bloco Central), governando por cerca de vinte e um anos. Se pensarmos em medidas reformistas marcantes dos governos da direita portuguesa, esquecendo o brevíssimo e promissor ano de Francisco Sá Carneiro, teremos as privatizações de Cavaco Silva, de resto, indispensáveis para a adesão plena à CEE, os anos de ajustamento de Passos Coelho e por aí nos ficamos. Um ponto é absolutamente comum à direita partidária portuguesa: a absoluta ausência de um pensamento político e de uma ideologia identificáveis. Mais ainda: sempre que houve o “atrevimento” de enunciar alguns princípios, uma vez no poder os governos da direita portuguesa fizeram o completo oposto do que proclamavam na oposição. Basta rememorarmos o que foi o tristíssimo governo de Durão Barroso para demonstrarmos esta afirmação. Presentemente, não se lhes consegue apanhar uma única ideia inteligível.
Vêm estes dois parágrafos a propósito de uma polémica que mantenho há muitos anos com alguns liberais que querem formar partidos onomasticamente assim denominados e levá-los a votos. Não vou entrar na vexata quaestio de saber se um partido com vocação de poder pode ser verdadeiramente liberal ou se o liberalismo deve ser transversal a diversos partidos, por ser um peditório para o qual já não me apetece mais contribuir. Vou apenas salientar que, enquanto em Espanha a UCD e o PP sempre foram projectos partidários com ideologia identificável e compreensível, formada em think tanks conservadores e liberais, ancorados na Konrad Adenauer e em organizações nacionais (actualmente, só para se perceber a importância da coisa, José Maria Aznar é o presidente da FAES – Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales, que se define como «una fundación privada sin ánimo de lucro que trabaja en el ámbito de las ideas», em Portugal, nos emergentes movimentos partidários liberais, quase ninguém pensa coisa nenhuma, e há até quem considere que «essa coisa das ideias é uma espécie de masturbação intelectual», sendo que o que interessa é «ir a votos» e «passar à acção». Pois bem, que mais não fosse, o recente exemplo do Instituto Mises–Brasil e a sua contribuição para parte do que poderá ser o governo que hoje tomou posse nesse país, deveria fazer pensar os que julgam que o liberalismo se deve plasmar em projectos de acção partidária, sem mais. Mas parece que nem esse exemplo lhes é útil. Por mim, que conheço razoavelmente a história do liberalismo português, não tenho dúvidas que, por esse caminho, passaremos mais quarenta e quatro anos sem o privilégio de sermos bafejados pela governação de tão enormes talentos. Felizmente, no fim de mais esse período, já cá não estarei para me condoer com mais essas décadas de merecido socialismo. Cada um tem o que merece e nós não merecemos mais do que o que temos tido.
O Reino Unido sai da Europa?
Pode um Presidente da República dizer em mensagem oficial televisionada e transcrita na íntegra no website da Presidência que a “Europa fica mais pobre com a partida do Reino Unido“?
Pode, mas não devia dizê-lo, até porque não é verdade.
Com o Brexit o Reino Unido sai da União Europeia.
A Europa e a União Europeia são coisas bem diferentes!
Eu acho que o Expresso devia vir num saco de palha
O Expresso vai mudar. Saco de plástico substituído por saco de papel
Como é que se substitui o plástico por papel ao mesmo tempo que se diabolizam as plantações de eucalipto?
Vá lá, pesquisem um bocadinho
Vá lá antes que comece a noite da passagem de ano em França com aquele cortejo de “voitures brulees paris nouvel an” seria interessante os jornalistas portugueses interromperem a sua fixação trumpiana e pesquisarem “Alexandre Benalla”.
Um outro género de jornalismo: o activista
Maravilhas para 2019
Se nesta época festiva posso formular um desejo, então que seja o de voltarmos a admirar as maravilhas da cooperação voluntária e da ordem espontânea.
Que se compreenda um pouco melhor o mundo em que vivemos e se dê espaço à liberdade individual.
Votos de Feliz Ano Novo!
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Nunca pior para 2019
Com a aproximação do fim do ano pensei em enumerar as grandes ações destrutivas do doutor Costa e da sua extravagante Geringonça. Contudo, reflectindo sobre o que a oposição fez ao longo do ano, conclui que o melhor mesmo é esperar que os próximos anos sejam apenas tão maus como estes, não piores. Assim sendo, que Deus nos mantenha o doutor Costa no governo. Nunca pior.
Entretanto, na Nicarágua…
Após meses de repressão de manifestações que se saldaram em mais de 400 mortos e centenas de presos políticos, a 12 de Outubro a Assembleia Nacional da Nicarágua retirou, de forma ilegal, a personalidade jurídica a 7 organizações de defesa dos direitos humanos. No dia seguinte a principal dessas organizações, o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) foi invadido pela polícia e teve as suas instalações parcialmente destruídas e apreendidos o seu material. Também o regime expulsou duas missões internacionais de observação dos Direitos Humanos, já depois de ter expulso uma missão do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a qual acusa o regime de «execuções extrajudiciais, torturas, negação de assistência médica, detenções arbitrárias, sequestros e violência sexual».
A 14 de Dezembro, a polícia do regime de Daniel Ortega e de sua mulher Rosario Murillo invadiu as instalações das revistas Confidencial e Niú onde também eram produzidos os programas de televisão Esta Semana e Esta Noche, agredindo o seu director e vários jornalistas ali presentes, apreendendo material e destruindo parcialmente as instalações.
A 21, foi a vez do canal de televisão 100% Notícias ver as suas instalações invadidas sem qualquer mandato judicial, dois dos seus directores foram presos. Uma outra directora foi raptada pela policia desconhecendo-se o seu paradeiro. Foi roubado material da emissora, a qual foi proibida de continuar as suas emissões.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) reunida de emergência face aos acontecimentos, ameaçou de expulsão aquele país, por violação da sua Carta Democrática, ao que Daniel Ortega respondeu acusando a OEA de apoiar a «desestabilização e golpes de Estado». O mesmo sucedeu com os bispos da Nicarágua que apelaram ao diálogo na sociedade ao que o presidente respondeu que eles tem «mentalidade terrorista e criminosa» acusando-os igualmente de apoiarem insurreição e golpes de estado.
Aquilo vai descambar ainda mais e acabar mal. Ah, é verdade: quase nada disto vem publicado nos jornais portugueses. E o PCP claro que apoia a ditadura Ortega/Murillo
O ano do Processo de Degradação em Curso (PDC)
Este homem tem um parafuso fora do sítio
António Anselmo, presidente da Câmara Municipal de Borba, disse estar orgulhoso do Estado por o Governo ter anunciado que vai avançar com o pagamento de indemnizações às vítimas da queda da estrada 255 em Borba
à vista de todos
Depois de atacar os seus parceiros da coligação que o mantém há três anos no poder, afirmando, taxativamente, que não levará nenhum deles para o governo, António Costa iniciou um discurso de antecipação de dificuldades, que certamente não serão subscritas pelo Bloco e pelo PC. Numa altura em que Costa cai nas sondagens e o PS parece estar cada vez mais distante da maioria absoluta, estará o líder do PS a precipitar-se para o abismo, revelando instintos suicidas que contrastam com o seu proverbial «optimismo irritante»? Talvez. Mas há outra hipótese muito mais plausível do que essa: o primeiro-ministro está, novamente, a cuidar do seu futuro político e a preparar os argumentos que poderão justificar um bloco central com o PSD: os seus anteriores parceiros são irresponsáveis, a crise internacional vem aí e é necessário salvar o país, logo… Para isso falta-lhe apenas um elemento: que Rui Rio consiga um resultado eleitoral que não seja péssimo e lhe dê forças para se manter à frente do partido. O resto já aí está à vista de todos.
Cultura: o que fazer com a “maldição” de Manuel Maria Carrilho
Eu era dos que dizia “Feliz Natal”, mas a Fernanda Câncio motivou-me a dizer “Santo Natal”
“Reformar o sistema” é uma daquelas expressões de auto-ajuda recorrentes, que temos que gramar sempre que alguém percebe que há uma certa insatisfação mais aparente do que real com o regime. Consiste em formar grupos de trabalho que tentarão construir manifestos compostos de frases com o menor significado possível e que permitem a obtenção de caloroso conforto ao comunicar à plebe que o regime é reformável ou, mais propriamente, recorrentemente reformável.
Há especialistas consagrados nessa área de dinâmica dos fluidos e há a liga dos pequeninos, uma espécie de distrital que ambiciona chegar a um estatuto de estrela, competindo para alcançar a pretigiada Taça Garoupa ou o Trofeu Aguiar-Conraria, para mencionar apenas dois da longa bicha ministeriável. Parêntesis: nós cá no norte também sabemos dizer “fila”, mas “bicha” é mais eloquente, como tudo que parte das raízes minhotas e transmontanas. Hoje encontrei mais uma dessas equipas, via mensagem de amigo.

Com a disponibilização de reflexões de um “Doutorado em Economia da Felicidade” [sic], de um “activista da felicidade” [sic] e até de um “Neo-Generalista em Florescimento Humano” [sic], o leitor poderá passar um Santo Natal entretido a pensar sobre a tragédia que foi Jesus Cristo vir por vontade de Deus à Terra para morrer pela salvação da humanidade. Se precisar de mais provas de que Deus também toma más decisões, visite Portugal. Melhor ainda, enfie um colete amarelo e vá para a rua lamentar-se da existência, mas, por favor, e porque é Natal, diga logo ao que vai em vez de perder energia a massacrar os outros desgraçados conformados com a fortuna de não terem que viver numa das esterqueiras socialistas bem piores que esta.
Um Santo Natal para todos.
A minha mensagem de Feliz Natal e Bom Ano Novo

Paz e amor para todos!
Saúdinha!
Poupai o que conseguirdes.
Cuidai-vos e diverti-vos.
Blasfemai muito!
uma vergonha

Os nossos conspiradores da extrema-direita-nazi-fascista são de péssima qualidade! Uma vergonha para um mundo onde as «extremas» obtêm sucessos extraordinários e conquistam presidências, governos e as ruas das capitais. Steve Bannon, esse tenebroso Joseph Goebbels da era contemporânea, está desolado e já ameaçou desistir da Península Ibérica, para desespero do VOX, que se precipitou a telefonar-lhe, hoje de manhã, dizendo «pero Steve, los portugueses son mui sueltos, una trampa, Aljubarrota fue una mala suerte, mas nosotros los tenemos en su sitio! no lo hagas eso, hombre!». A vergonha que se abateu hoje sobre nós não pode, todavia, limitar-se ao insucesso das manifestações. Ela é-o, sobretudo, pela estupidez latente em conspiradores que marcam revoluções para sextas-feiras natalícias chuvosas, sem qualquer pretexto evidente. É muita incompetência para tanta presunção!
Gás lacrimogénio para disfarçar o fedor
Rui Ramos diz-nos hoje que “aos nossos oligarcas dava certamente jeito um bocado de gás lacrimogénio para disfarçar o fedor“.

Eu vendo as imagens de ontem da sessão de apresentação de cumprimentos de Natal ao PR acho que seriam precisos também uns colossais canhões de água para limpeza do ambiente fétido.
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Marcelo comenta morte de Manuel Nascimento de Tondela
| Fim de comentário.
Recordar é viver
a responsabilidade da direita
O país está a cair aos pedaços, fruto de políticas que não fomentaram o investimento em Portugal. Um governo integrado por comunistas e extremistas, que orientou a sua política pela hostilidade – latente e expressa – à iniciativa privada, que reverteu privatizações e impediu que outras se fizessem em empresas públicas falidas, que atacou as escolas privadas, que quer acabar com as parcerias público-privadas em hospitais de referência, que castigou a propriedade imobiliária criando novos impostos e aumentando os existentes, que fez do Alojamento Local, com o que se reavivaram cidades e conquistaram turistas, um inimigo a abater, que fez subir o preço dos combustíveis e de cada novo orçamento um momento de temor de novas tributações, o que se poderia esperar? Que o capital acorresse ao país? Que as pessoas investissem em novos negócios e criassem emprego? Que as empresas prosperassem? E o que se ganhou com isto? Algumas dezenas de euros a mais nas pensões e reformas, devoradas pelo aumento dos preços dos bens essenciais? A expectativa da progressão – sempre adiada ou insuficiente – das carreiras dos funcionários públicos? A manutenção de companhias falidas no sector público, como a CP, que ameaça desmoronar-se a qualquer momento? A degradação, por todos visível, do Serviço Nacional de Saúde, dos Tribunais e da Justiça, da Escola Pública (e Privada), das Polícias e Serviços de Segurança, dos Municípios, sem dinheiro para manter o que têm de gerir? Poderemos sempre dizer que a decadência da economia portuguesa não nasceu com este governo. É, em parte, verdade. Mas só em parte, porque, após um duro período de ajustamento imposto pelos nossos credores da massa falida que era Portugal em 2011, a economia começou a reanimar, graças a meia-dúzia de medidas tomadas com a finalidade de atrair investidores e capital. Depois disso, era necessário fazer mais. Muito mais. Era preciso dar sinais claros de que Portugal aprendera com os erros do passado e que estava, agora, receptivo a modernizar a sua economia e a deixar criar empresas privadas e riqueza. Mas foi o contrário que foi feito, e os indicadores de que estávamos a sair da crise estão todos, agora, a reverter-se.
Nestas circunstâncias, quando entramos no último ano de mandato de um governo desnorteado pela insatisfação das pessoas que viram frustradas as promessas do «fim da austeridade», fustigado por greves sem fim, causadas por esse descontentamento e pela pressão dos partidos extremistas que querem tirar ao PS a hipótese da maioria absoluta, para continuarem a ser imprescindíveis nos próximos quatro anos de governação, onde está uma alternativa clara a este socialismo de miséria a que parece estarmos condenados? Não está.
O PSD, de Rui Rio, continua preso a uma politiquice de estilo dito institucional, onde se limita a fazer de conta que a oposição tem de ser «responsável», não aceitando que as coisas têm de mudar profundamente e que o próximo governo precisa de uma agenda profundamente reformadora do atraso que tivemos nos últimos três anos.
Por conseguinte, não podemos contar com nada de diferente de quem nos tem governado, nem acreditar que haja uma oposição que possa fazer diferente do que tem sido feito. Esta é uma responsabilidade que tem de ser assacada a um PSD, que tem meia-dúzia de meses para nos convencer de que é capaz de ser uma alternativa real ao descalabro que se anuncia abater sobre nós.
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Somos o que comemos
A extrema-direita está aí. Disseram tantas vezes que a extrema-direita vinha a caminho que ela acabou por chegar. Pouco importa se é extrema-direita ou, mais formalmente, uma mera representação da extrema-esquerda que habita em cada um dos portugueses tolerantes à existência de partidos como o PAN, o que importa é que chegou. E chegou porque foi criada pela própria extrema-esquerda: de tanto se chamar fascista a toda e qualquer pessoa menos convergente, não é de surpreender que tenham acreditado. Não acreditam na etiqueta, acreditam no que ela acarreta, que é bem pior.
Como se costuma dizer, somos o que comemos.
A patranha
” BE desafia partidos a assumir boas práticas nas redes sociais” A cada jogada do BE logo os demais são obrigados a participar. A coisa chega sempre envolta naquela linguagem infantil-moralista que caracteriza o pensamento totalitário. Repare-se o BE desafia os outros como quem convida para um jogo de roda. Os outros, quais meninos que não querem jogar, é que passam para o lado aborrecido da coisa. Depois chega o “desafio”: assumir boas práticas nas redes sociais” Ora que lindeza. isto quer dizer que aqueles que não responderem ao simpático desafio do BE estão automaticamente a favor das más práticas.
Entre as más prática que o BE quer desafiar os outros a deixarem conta-se o recurso ao discurso do ódio: “o discurso de ódio e a violência verbal não serão admitidos e a intervenção dos seus autores será bloqueada“. Sem que tal coisa os tenha inquietado o discurso do ódio é praticado desde sempre pelo BE. Aliás é a par do PCP um dos partidos que tem o seu discurso assente no ódio: ódio de classe, ódio ao capital, ódio aos EUA ou aos republicanos, ódio a quem não lhes presta vassalagem. Boa parte da propaganda que fazem destila esse ódio.
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Como é óbvio o BE sente-se acossado neste momento. Quer controlar as redes sociais. E os jornalistas vão a correr faze-lhe notícias simpáticas sobre os desafios. De qualquer modo, eu desafio o BE a bloquear o seu deputado João Vasconcelos que se destacou por levar um Verão acompanhado de uns tocadores de bombo à porta da casa onde o então primeiro-ministro fazia férias. Chamava então o BE a isto, que agora seria discurso de ódio, direito à resistência.

A Catarina e as manas Mortágua estão a imaginar-se com umas férias assim? Tipo a malta à porta a fazer um xinfrim? E a aturarem isto sem chiliques nem tremeliques com o ódio e não sei quê mais?
Boas Festas a todos!
Há bastante tempo que não leio notícias nem vejo televisão… vou lendo o que aparece no meu thread do Facebook, e raramente passo do cabeçalho… reparei, nos últimos 2 ou 3 dias, que temos uma ministra da saúde… é recente? Não sabia da saída do anterior…
Vamos ao que interessa: a senhora ministra só diz disparates, certo? É o que me parece… nada de novo!… Permitam-me uma sugestão para 2019: deixem de ler jornais Portugueses e desliguem esse horror que é a chamada ‘televisão por cabo’… substituam isto tudo por ler livros, passear um cão, pintar a casa… garanto que a qualidade de vida melhora exponencialmente!
Em 2019 escreverei um pouco mais aqui no Blasfémias… nos últimos meses tenho tido outros afazeres de escrita, os quais me fizeram desligar do mundo… espero voltar à realidade em breve! Desejo-vos, bem como aos meus colegas Blasfemos, um Santo Natal!
Vamos fazer conta que este senhor se chama Trump e depois falamos sobre como é possível ele manter-se em funções
Como é bela a vida num país sem populismo
Terça-feira, 11. O tiroteio voltou a eclodir e a matar.
Avante, camarada!
O PÚBLICO anuncia em estado místico: “É desta: Reino Unido livra-se de anúncios publicitários sexistas. A entidade reguladora da publicidade britânica quer combater a forma sexista como as mulheres e os homens são representados nos anúncios. Depois de vários avanços e recuos nos últimos anos, a medida entra em vigor em Junho de 2019. O marido que não sabe trocar fraldas e que não ajuda na lida da casa, enquanto a mulher lava, arruma, cozinha e ainda trata dos filhos. A jovem que não consegue mudar um pneu de um carro, o rapaz que não sabe cozinhar. São estes alguns dos tipos de cenários que vão deixar de existir no universo publicitário do Reino Unido.”
E o PÚBLICO lança aleluias: «O público poderá também denunciar campanhas ao regulador se sentirem que não estão dentro dos novos padrões que vão ser aplicados. (…) Campanhas publicitárias que sugiram que uma determinada actividade é específica apenas para rapazes e não para raparigas (ou o oposto) ou que julguem um determinado tipo de corpo também não vão ser permitidas.»
Como se pode observar o melhor é adoptarmos desde já a propagamnda maoista que passa com distinção nestes novos critérios
Quando os cristãos forem minoria
Os cidadãos europeus ainda não acordaram para a realidade. Anestesiados pelos discursos globalistas (globalismo não é o mesmo que globalização) e pelas boas intenções multiculturalistas dos governantes e líderes da UE, acreditam que é evolução social defender nações sem fronteiras, por onde passam livremente grandes massas de indivíduos jovens, sem documentos e sob o falso estatuto de refugiados. Acreditam nisso porque a lavagem cerebral dos meios de comunicação é tão agressiva que deixam de pensar por si próprios. Trata-se de uma espécie de coma induzido à sociedade civil que, se não for combatido, poderá ser tarde demais para a nossa civilização ocidental.
Comecemos por nos questionar: por que razão condenamos todo tipo de crítica (factual) ao Islã, se é mais do que sabido que se trata de uma ideologia que defende abertamente e sem tabus a pedofilia, crimes de honra, a bigamia, oprime as mulheres, persegue homossexuais e todas as outras religiões, rotulando esses corajosos de “islamofóbicos”, enquanto ignoramos por completo o massacre e as perseguições do Islã aos cristãos e judeus? Por que não designamos os muçulmanos radicais de “cristianofóbicos”, por exemplo, em vez de os proteger?
Outra questão pertinente: se 77% da população muçulmana é moderada, mas receptiva à aplicação da Sharia, como se vê por toda a Europa, onde já existem partidos políticos muçulmanos na Bélgica e na Holanda que a querem implementar, isso significa que apenas 23% são indivíduos capazes de se integrar realmente na sociedade ocidental, ou seja, uma minoria. Mesmo dentro desta, há quem defenda o Hamas (veja aqui esta estudante nos EUA). O que vai acontecer à sociedade ocidental quando a população muçulmana se tornar maioria? Já pensou nisso?
Mais: se o Islã é uma religião de paz, como se explica que, nos países 100% islâmicos, se verifique um atraso civilizacional gigantesco, constantemente em conflitos e banhados de sangue, quando comparado com todos os países fortemente desenvolvidos e pacíficos onde predominam outras religiões? Alguém se lembra do que aconteceu ao Líbano, maioritariamente cristão, depois de invadido pelos islâmicos? Vá até o Google, descubra as preciosas diferenças e veja se aquilo se parece com o paraíso.
Por muito que custe a assimilar, há culturas que, se não forem travadas e mantidas em minoria, matam pouco a pouco a cultura dominante. Quando a população muçulmana se mantém abaixo de 2%, ela é vista pelo país receptor como uma minoria amante da paz, sem oferecer qualquer ameaça aos outros cidadãos. Quando a população ultrapassa 2% e chega a 5%, começa a tentativa de conversão ao Islã entre as minorias revoltadas e descontentes. Com mais de 5% de população muçulmana, começam a impor alimentos “limpos” de acordo com os preceitos islâmicos, fazendo pressões sobre supermercados e escolas, além da eliminação de símbolos e tradições cristãs. Aqui, tentarão legalizar a Sharia para aplicar nos seus guetos. Quando a população chega a 10%, aumentam a anarquia e as queixas sobre as condições de vida, vitimizando-se e exigindo mudanças na lei e nos costumes para poderem viver no Ocidente de acordo com o Islã. Nesse ponto, começa o apelo à tolerância dos europeus, ironicamente, sobre os intolerantes que não aceitam a civilização ocidental e tentam islamizar o país que os acolheu.
De acordo com um estudo do instituto americano de pesquisa Pew Research Center, “a população muçulmana em alguns países europeus e no continente em geral pode triplicar até 2050”. O estudo diz ainda que, “sob a hipótese irreal de que toda a migração à Europa cessasse hoje, chamada pelos pesquisadores de projeção ‘zero’, a percentagem de muçulmanos na Europa quase dobraria — de 4,9% em 2016 para 7,4% em 2050. Na Alemanha, alcançaria quase a marca de 9% em 2050, o que corresponde à percentagem atual na França. Mesmo que todos os atuais 28 Estados-membros da União Europeia (UE), mais Noruega e Suíça, fechassem completamente suas fronteiras aos migrantes, a população muçulmana continuaria crescendo devido a diferenças na estrutura etária e na taxa de fertilidade entre muçulmanos e não muçulmanos”. Isso quer dizer que, mesmo parando a migração agora, a população duplicará.
Ora, para que servem então os dois pactos assinados esta semana para uma migração regular e ordenada nos países da ONU, que prevêem a entrada massiva e sem constrangimentos de 159 milhões de pessoas só na UE? Repor a natalidade não é, de certeza, porque essa já está mais do que garantida com os atuais migrantes. Fato. Eles estão a mentir-nos.
A França sofreu um novo atentado (mais um para a coleção) em Estrasburgo, num mercado de Natal (que coincidência), mesmo ao lado do Parlamento Europeu, protagonizado pelos intolerantes de sempre. Mortos, feridos graves, pânico, desespero e revolta, de novo, na ordem do dia. Dizem que devemos nos habituar. Que é a vida. Como se nós, que já estamos aqui há mais de meio século, não soubéssemos que este tipo de acontecimentos só eram notícia no Oriente Médio, mas hoje fazem parte do nosso dia a dia. Entretanto, as elites que assinaram os Pactos suicidas para as migrações da UE, em Nova Iorque e Marrocos, fazem um minuto de silêncio hipócrita pelas vítimas — que deveriam ter sido eles mesmos — mas estão aí ilesos para continuar a “matar” o mundo ocidental.
O intolerante já foi abatido. Dizem que estava sinalizado e era autor de 27 crimes. Por isso, andava aí livre, à espera de aplicar a Sura 2.106, que revoga e torna obsoletos os versos pacíficos do Corão após a morte do profeta Maomé.
Dizem-nos que estes são uma minoria irrelevante, sem perceberem que, ao dizer isso, estão também a diminuir a importância da “minoria” inocente, que perde a vida devido a uma tolerância criminosa que tudo faz para não ofender a religião protegida.
Se já é assim agora, que somos maioria, como será quando formos minoria?



