Isso é uma pergunta à Correio da Manhã
… responderá o incendiário apanhado em flagrante delito (obviamente exigirá ser tratado como alegado incendiário) caso algum jornalista lhe pergunte o que fazia no meio de uma zona florestal com fósforos, acendalhas, pavios e outro material inflamável.
Da instrumentalização e das coincidências
Este Sócrates super-vilão aque agora se agarra o PS e aqueles que rodeavam o antigo primeiro-ministro é a bóia de salvação dos cúmplices.
A diferença entre os auto-denominados instrumentalizados e as pessoas que se assumem como responsáveis e dão a cara pelo que fazem está bem expressa no afastamento de Luís Campos e Cunha cuja carta de demissão se encontrou na casa de Sócrates.
«Nessa carta de demissão, que é citada no processo, Luís Campos e Cunha, queixa-se de sofrer da parte de José Sócrates uma “pressão sistemática relativa à substituição da Administração da CGD” e refere que uma ascensão de Armando Vara ao Conselho de Administração do banco público “é contrária às reformas de que este Grupo necessita”. “Recuso-me a alterar pessoas sem uma estratégia”, acrescentou Luís Campos e Cunha.» ESTA PRESSÃO SISTEMÁTICA NÃO AFECTOU MAIS NINGUÉM?
«Em janeiro deste ano, Luís Campos e Cunha quebrou o silêncio quando foi chamado a depor numa sessão parlamentar de inquérito à gestão da CGD. “Desde o início, como ministro das Finanças, fui pressionado pelo primeiro-ministro [José Sócrates] para demitir o presidente da CGD e a administração da CGD”, disse, a 6 de janeiro de 2017.» NINGUÉM ESTRANHOU?
«No mesmo dia, José Sócrates reagiu em comunicado, defendendo que as declarações de Luís Campos e Cunha “são falsas e sem nenhuma correspondência com a verdade”. “Nunca fiz qualquer pressão para demitir a administração daquele banco”, garantia naquela nota enviada às redações, dizendo ainda que o ministro das Finanças é que tinha “vontade de substituir a referida administração” porque “na altura considerava que não estava à altura da missão do banco”. “Quanto às razões da sua exoneração do cargo de ministro das Finanças, eu e todo o Governo da altura as conhecemos”, rematou Sócrates.» REPARE-SE NESTE: “Quanto às razões da sua exoneração do cargo de ministro das Finanças, eu e todo o Governo da altura as conhecemos”, rematou Sócrates. O QUE PRETENDIA SÓCRATES DIZER COM ISTO? NENHUM DOS INSTRUMENTALIZADOS TEM ALGO A DIZER OU A CONTAR? RECORDO QUE AQUANDO DA SAÍDA DE CAMPOS E CUNHA SURGIRAM UMAS NOTÍCIAS SOBRE O EX MINISTRO CUJA FONTE SERIA INTERESSANTE CONHECER. NUMA DESSAS NOTÍCIAS ATÉ SE REFERIA O NÚMERO DE PACOTES DE AÇṸCAR QUE CAMPOS E CUNHA USAVA COMO SINAL EVIDENTE DO SEU CANSAÇO
Luís Campos e Cunha foi sucedido no cargo de ministro das Finanças por Fernando Teixeira dos Santos, que desempenhou esse cargo até ao fim do segundo e último mandato de José Sócrates, em 2011. Fernando Teixeira dos Santos tomou posse a 21 de Julho de 2005. A 1 de Agosto a administração da CGD foi demitida. Armando Vara tornou-se vice-presidente. Teixeira dos Santos declarou em 2017 que se tratou de uma coincidência.
Os instrumentalizados
Independentes, ma non troppo
Mário Centeno garantiu hoje que
“Os trabalhadores independentes, tal como todos os trabalhadores em Portugal, vão pagar menos IRS”. (aqui)
O Ministro das Finanças esqueceu-se, porém, de referir que a Proposta de OE 2018 altera radicalmente o modo de cálculo do rendimento tributável para efeitos de IRS de grande parte destes trabalhadores, aumentando artificialmente o rendimento sujeito a imposto, o que, mesmo com os novos escalões, dificilmente significará “pagar menos IRS”.
Eis o “esquema” encontrado pelo Governo, sem qualquer aviso ou discussão prévios:
Do tempo dos videntes ao da Igreja
Depois de ter levado boa parte deste ano a investigar e trabalhar material de arquivo sobre Fátima cheguei à conclusão que para entender as aparições é crucial o ano de 1917. Mas para perceber Fátima é necessário viajar até 1921. O ano em que a Igreja chegou a Fátima e a vida de Lúcia se torna um segredo. Foi sobre isso que escrevi para o Observador “A menina agora muda de nome. Fica a chamar-se Maria das Dores. Se lhe perguntarem de que terra é, diz apenas que é de perto de Lisboa e nada mais.” Estas são as ordens que Lúcia ouve no dia 17 de Junho de 1921. Lúcia saíra na véspera de Fátima. Viajou até ao Porto. O seu destino é o Asilo do Vilar onde entra a 17 de Junho. O tempo dos videntes acabava em Fátima. Ia começar o da Igreja.
Será de concluir que os instrumentalizados ou são tontos ou cúmplices. Sejam eles uma coisa ou outra não podem continuar em cargos políticos, pois não?
Escreve a TSF: “A maioria das decisões que, segundo a acusação do Ministério Público, levaram José Sócrates a alegadamente receber 34 milhões de euros entre 2006 e 2015, sobretudo até 2011 quando liderou o governo, não dependiam diretamente do primeiro-ministro. No entanto, Sócrates é o único político entre os 28 acusados.
Parece um paradoxo, mas a acusação de 4 mil páginas, ainda a ser lida pela TSF, explica a determinada altura porquê. Ao falar sobre os favorecimentos do primeiro-ministro ao grupo Lena, o Ministério Público argumenta que Sócrates “instrumentalizou” vários ministros e secretários de Estado na área das obras públicas, mas também das finanças.
Entre eles são citados várias vezes os nomes dos ex-ministros Mário Lino e António Mendonça, mas também os secretários de Estado Ana Paula Vitorino e Carlos Fonseca.
Foi com estes argumentos que Sócrates terá, alegadamente, levado outros decisores a praticarem actos que favoreciam financeiramente, com milhões de euros, o grupo Lena.
Aliás, com frequência o primeiro-ministro “sobrepunha-se” aos poderes delegados nos ministros ou secretários de Estado, contactando administradores das empresas públicas RAVE e REFER ou membros do júri dos concursos.
Na prática, para o Ministério Público, José Sócrates era informado pelo amigo Carlos Santos Silva dos interesses do grupo Lena e depois instrumentalizava toda a hierarquia do Estado abaixo do primeiro-ministro.
No período crítico deste processo, em 2009, Sócrates fazia questão de saber como andava o concurso do TGV tendo chegado a forçar uma decisão do júri para que produzisse um relatório com “fundamento suficiente para suportar uma decisão de adjudicação”, apesar dos vários riscos para as contas públicas.
Uma pressão feita depois do alegado acordo secreto com o Grupo Lena, que acabou com uma adjudicação que o Ministério Público garante ser ilegal ao consórcio Elos, depois de uma “indicação” do chefe do governo aos ministros de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, e das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça.
Depois disso, Sócrates voltou a alegadamente “instrumentalizar” o ministro e secretário de Estado das Obras Públicas para pressionarem o Tribunal de Contas a dar rapidamente, apesar das dúvidas levantadas, um visto favorável ao negócio.”
Não, não é para a Segurança Social. É para espatifar
13 de outubro de 2017: Segurança Social recebe parte das receitas do IRC. O Governo vai consignar o equivalente a 2 pontos de receita de IRC ao Fundo de Estabilização da Segurança Social, um fundo de reserva para pagar pensões
Recordo que aquando da apresentação do FNRE o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes declarou que o FNRE tem “rentabilidades garantidas e um risco muito, muito baixo” de insustentabilidade. De facto com o poder de cobrar mais impostos tudo é sustentável, não é?
O um dividiu-se em três: tese, antítese e síntese em tons de cinza

Carlos Andrade: Boa noite, bem-vindos a mais uma Quadratura do Círculo, esta semana sem as presenças de Lobo Xavier e de Jorge Coelho, e onde se vai debater o futuro do PSD e as respectivas implicações na política nacional. Começo com José, a quem pergunto como interpreta as últimas movimentações na família laranja.
José: Carlos, eu vejo isto tudo com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, o PSD foi invadido por uma deriva radical de direita, liberal e anti-estatista, contrária à história do partido e às ideias dos seus fundadores, que, veja bem, até tentaram entrar na Internacional Socialista.
Carlos Andrade: Pacheco, concorda com a análise de José?
Pacheco: Carlos, eu vejo a análise do José com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, é o socialismo em que vivemos impregnados, e que hoje se chama “estado-providência“, ou “modelo social europeu”, que nos condena à mediocridade e à gestão no fio da navalha da cada vez menos riqueza produzida. Nós precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial.
Carlos Andrade: Pereira, como se situa face aos comentários de José e de Pacheco?
Pereira: Carlos, eu vejo os comentários do José e do Pacheco com uma enorme preocupação. Tal como tenho tido oportunidade de dizer por diversas vezes, o problema está no enorme simplismo e na dicotomia com que se fala de política em Portugal. Ou é a preto ou é a branco. E todo o meu eu, como qualquer um pode ver, é cinzento.
José: Você está é a deitar água na fervura, o que se passou nos últimos anos foi totalmente negro. A versão nacional da alt-right americana dedicou-se a destruir o elevador social que desde o 25 de Abril existia, mesmo que imperfeitamente na sociedade portuguesa, baseado no crescimento dos serviços públicos e do Estado Social e na criação de uma “classe média” ligada ao Estado.
Pacheco: É exactamente o contrário! O Estado é uma poderosa máquina de geração e manutenção da mediocridade e pesa sobre todos, distribuindo os mínimos e castrando o mérito e a diferença, favorecendo a dependência subsidiada. Afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar.
José: Essa conversa é deplorável. Esse ataque pessoal vil contra os “mais velhos” retoma um dos temas dos anos do ajustamento, a guerra geracional, que se encontra nessa fórmula sinistra de “justiça geracional” criada pela JSD.
Carlos Andrade: Calma, meus senhores, gostava de ouvir o Pereira, que ainda não aprofundou o seu raciocínio.
Pereira: Desculpe, Carlos, distraí-me. Estava aqui a ver o Guia Pantone, mas estou com algumas dúvidas entre o Cool Gray 10 XGC e o Warm Gray 11 UP. Isto não é nada fácil, dava jeito era uma mulher aqui no programa para ajudar. Temos de pensar nisso.
Pacheco: A mim interessam-me as reformas, mas sei que tudo está organizado para que não se façam. Partidos, sindicatos, corporações não querem que se mexa nem um átomo nos seus pequenos poderes. E os governos preferem ter este Estado, com os seus inúmeros cordelinhos e fios de poder, e não querem perder nem um só deles.
José: Isso é a teoria da “oligarquia”, alimentada pelo Observador e por outros extremistas de igual calibre.
Pacheco: Posso continuar, posso continuar? Falo desses cordelinhos e fios de poder, dessa interpenetração da decisão política na decisão económica, a miscigenação dos negócios com os gabinetes ministeriais e as grandes empresas que são conduzidas politicamente pelos governos.
José: O que você não quer é que o PSD olhe de novo, com uma visão reformista, para os problemas sociais da sociedade portuguesa. O controlo dos grupos económicos e a subordinação do poder económico ao poder político é vital.
Pacheco: Seu comuna!
José: Facho!
Carlos Andrade: Meus senhores, controlem-se, por favor! Pereira, gostaria ainda de acrescentar algo a este tema?
Pereira: Alguém leu o Fifty Shades of Grey? Tenho quase a certeza que, entre as algemas e as chibatas, deve andar por lá o tom de cinza que procuro…
Eureka! Temos Acusação! E agora?
Por muito que custe admitir se Passos Coelho não tivesse provocado a queda do Império de Salgado, e não tivéssemos um Juiz Carlos Alexandre, um Procurador Rosário Teixeira e uma Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República, jamais teríamos este desfecho. Foi graças à coragem desmesurada destes, de fazer frente ao poder instituído de um regime claramente manipulador e com tentáculos no sistema, que a viragem se deu. Quem não se lembra do caso Freeport onde se denunciava em vídeo corrupção activa do poder político e que tranquilamente foi arquivado? Quem não se lembra das escutas destruídas por Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento? Quem não viu Cândida Almeida sistematicamente a afirmar que Portugal não era um país corrupto? Pois é.
A acusação chegou em 4000 folhas para nos revelar de forma bem sustentada que o ex-primeiro ministro era acusado de 31 crimes! T-R-I-N-T-A-E-U-M! Nunca Portugal viu algo assim. Pior: estes são apenas em relação ao Processo Marquês porque continuam outras investigações. Atrás dele, Santos Silva o amigo generoso que emprestava carradas de milhões de euros; Armando Vara esse administrador simpático que emprestou carradas de milhões da CGD a pedido de Sócrates; Granadeiro e Zeinal esses generosos administradores da PT que desviaram carradas de milhões para distribuir pelos comparsas; Bataglia, Barroca, o primo José Paulo, a ex-mulher Sofia Fava, entre outros que generosamente ofereceram suas contas para lavagem de dinheiro; e Ricardo Salgado esse banqueiro “de sucesso” que apenas usou e abusou do seu poder de DDT para “dormir” com o poder político e obter negócios milionários.
Ironicamente foi graças à transposição das regras comunitárias ao combate do branqueamento de capitais em 2005 pelo governo de Sócrates, que foi possível dar início a este mega processo que mais parece um polvo siciliano sem fim à vista. Sim, porque isto é só a pontinha do iceberg. A ver se chegamos a ver o fundo.
Porque o filme já começou e promete. Os advogados de Sócrates, coitaditos já se queixam das 4000 folhas que juram ser para lhes complicar a vida. É verdade! Tiveram mesmo a lata de dizer isto em conferência de imprensa. Logo aqui já se vê a matéria de que são feitos. Como se fosse possível acusar estes tipos todos com estes complexos crimes só numa página A4. Estão a gozar? O mais interessante foi vê-los a chamar “romance” ao processo, afirmando não o terem lido mas já saberem que não há prova factual contra seu cliente (???). Pois claro que não sabem que recebeu luvas de 34.143.715,34€ comprovadas por extractos bancários, que nas escutas recebia “vinho em envelopes colados com fita cola”, que gastava 8 meses de salário num fato e 6 meses do mesmo em férias o que lhe impossibilitava de comprar sequer umas peúgas mais se vivesse só do seu ordenado. Isto é gente séria? Claro que não. Mas também convenhamos: só mesmo este tipo de gente é capaz de defender alguém como Sócrates. Por falar em defender… se além de ser muito “pobre” tem tudo arrestado, se nem sequer o amigo lhe pode agora valer, quem paga a peso de ouro estes advogados geringonços para o defender? Humm…
Ficamos assim a saber que desde que se tornou primeiro ministro Sócrates trabalhou arduamente para nos roubar descaradamente e partilhar o fruto desse roubo com um bando de gente sem escrúpulos, enquanto o país definhava, para mais tarde nos presentear a todos, com uma belíssima bancarrota. Depois, bem… veio a tal austeridade que ELE NOS IMPÔS (não , não foi Passos, lamento) quando nos anunciou cortes de salários(veja aqui), aumento de impostos(veja aqui), congelamento de carreiras(veja aqui), congelamento de pensões(veja aqui), aumento de IVA(veja aqui). E como tudo isto não bastou (o défice e dívida bateram recordes) presenteou-nos AINDA com a vinda da Troika (veja aqui) para que nos resgatasse com dinheiro porque o Estado já só tinha liquidez para apenas mais um mês, e com a qual se comprometeu com SEVERAS MEDIDAS DE AUSTERIDADE assinadas por ele no Memorando de Entendimento(veja aqui). Sim, foi ele e não Passos Coelho. Já agora façam o favor de ler aqui o Memorando e vejam se não estão lá as vendas, mais cortes, mais impostos e outras tantas medidas desgraçadamente impopulares mas que rotularam SÓ quem as pôs em prática e não quem as negociou com a Troika. Não vale a pena continuarem a difundir verdades alternativas.
É claro que nada disto teria sido possível sem a conivência de todos aqueles que com ele privavam e que agora todos eles no governo se fingem de cegos, surdos, mudos, estúpidos e burros. Sabemos bem que isso é impossível. Não passou sequer despercebido aquele boicote à Comissão de Inquérito à CGD. Sabemos bem porque o PS, PCP e BE quiseram silenciar o caso. Agora, já não há dúvidas que se estiveram disponíveis para o ajudar agora, sempre o farão se isso for possível. A menos claro, que sejam corridos da (des)governação.
E agora? Temos pela frente uma árdua tarefa pela condenação deste bando para que a justiça seja feita. Por todos os portugueses lesados por décadas nesta e futuras gerações. Mas lembre-se em 2019 de ajudar a justiça para que este cenário se concretize dizendo BASTA aos que de forma activa ou passiva contribuíram para este Mega Processo Marquês. E vote CONTRA a corrupção!
O Carlos Cruz até chorou
Há três fases para figuras públicas que vêm a ser consideradas culpadas de crimes. As duas primeiras decorrem sem que estas tenham grande controlo: a mediatização das suspeitas e a acusação. Porventura como forma de tentarem assumir controlo sobre algo que nunca poderiam ter, todas estas pessoas acabam invariavelmente na terceira fase: a entrevista televisiva para reafirmar inocência tentando capitalizar na imagem que julgam ser a que o público tem delas.
José Sócrates vai dar entrevista à RTP hoje — que é sexta-feira, 13 — às 21h00. Se é culpado ou não, logo se verá; contudo, o cliché já ninguém lhe tira.
do que mais precisa?
A acusação a José Sócrates é uma evidente vergonha para o PS e para todos quantos cegamente seguiram o antigo primeiro-ministro, sem manifestarem estranheza com o seu modo luxuoso de vida depois de abandonar o poder. Para os que eram ministros quando se deu a vigarice da frustração da OPA da SONAE, que lesou imensamente a PT e o país. Para os que eram ministros sem terem estranhado a prodigalidade do especialíssimo programa de repatriamento de capitais. Para os que aplaudiram sempre acriticamente José Sócrates, em troca de umas migalhas de poder, mesmo depois do «Pinóquio» do Freeport. Para os que nada disseram quando José Sócrates moveu influências perversas para silenciar a TVI. Para os que acharam normal que os amigos de Sócrates saltassem da administração da Caixa Geral de Depósitos para a administração do Banco Comercial Português. Tudo isso é um desconforto para o PS, mas, obviamente, não para todo o PS, porque no PS há gente muito séria; para a comunicação social que se deixou objectivamente amansar, ou comprar, pelo poder socrático; para os comentadeiros arregimentados do regime, que presumem sempre a inocência dos compadres e a culpabilidade dos inimigos. Há, todavia, um aspecto muito mais significativo e incomodativo em toda esta história. Ele é o modo como as elites políticas de divorciaram do país e das pessoas que governam, dispondo do património do estado e do património dos outros, como se lhes pertencesse. Na forma mentis que leva a este tipo de atitude, onde o que «o que é teu é nosso», não há grande diferença entre o que terão feito José Sócrates e, por exemplo, no Brasil, Lula da Silva (por sinal, com argumentos defensivos exactamente iguais) ou o que Mariana Mortágua anuncia que gostaria de fazer quando despudoradamente diz que «é preciso ir buscar o dinheiro onde ele está». O que isto significa é que esta gente perdeu respeito a quem os lá pôs, e considera o património do estado e das pessoas como coisa sua, de que podem dispor como se lhes aprouver, para o que lhes apetecer. Se isto não é uma crise de regime, hão-de dizer-me do que precisa mais o regime para entrar em crise.
Isaltino é um caso de crianças ao pé do que nos pode acontecer dentro de anos: uma candidatura de Sócrates
Para lá da fúria com o ministério público deve ser intolerável para Sócrates ver aqueles que o adulavam e temiam fazendo agora de de conta que mal o conhecem.
Aliás a batalha que se trava neste momento não é entre Sócrates e o ministério público mas sim entre Sócrates e o PS.
Mas deixando o presente o que conta é saber daqui a quantos anos se pode Sócrates candidatar de novo.
Henrique Pereira dos Santos pergunta a propósito de Sócrates (e pergunta com a autoridade de quem trabalhou na área do Ambiente e se confrontou com as consequências de dizer não ao então menino de ouro do PS: «como é possível que quem tenha estado ao lado, dia a dia, não tenha dado por nada? Não falo da corrupção e do circuito do dinheiro, como é evidente, isso é muito difícil de ver (mesmo tendo indícios claros de desfasamento entre rendimentos e padrão de vida, não é fácil ter a certeza de que exista alguma coisa de ilegítimo nesse desfasamento, normalmente explicado com base em histórias fabulosas em que todos gostamos de acreditar, quando queremos desesperadamente afastar o incómodo de reconhecer que as pessoas de quem gostamos não são perfeitas e, provavelmente, são ainda mais imperfeitas do que queremos admitir).
O que falo é do mesmo que já falava no post que cito: como é que não deram pelos métodos de actuação? Como nunca viram a prepotência? Como nunca viram as entorses aos procedimentos? Como nunca sentiram a clássica ilegitimidade da norma geral de governação das nossas elites: “proteger os amigos, perseguir os inimigos e aplicar a lei aos restantes”, classificando-se como inimigos todos os que simplesmente não eram por ele?
Não falo dos mais próximos dos próximos (“when your heart is on fire, smoke gets in your eyes” diriam os Platters) mas sim dos que têm por profissão e obrigação perguntar, investigar, ir à procura para lá das aparências.»
o país das oportunidades
Dizem que os EUA são o país das oportunidades. Será que são? Duvido. Ora vejam:
- Em Junho de 2014, Isaltino de Morais sai da penitenciária onde estivera detido por largos meses, por ter sido condenado por andar a gamar a Câmara Municipal de Oeiras, de que tinha sido presidente. Três anos depois, em 2017, Isaltino de Morais regressa à presidência da Câmara Municipal de Oeiras;
- Em 2015, António Costa, líder do PS, perde as eleições legislativas com o seu partido, que ficou em segundo lugar. Semanas depois é indigitado primeiro-ministro de Portugal, lugar que ainda hoje ocupa;
- Em 2013, Miguel Relvas sai do governo de que era ministro e afasta-se do partido onde era a eminência parda. Quatro anos depois volta a ser considerado como um dos social-democratas mais influentes na escolha do novo líder do partido;
- Num discurso à pátria, o cidadão Aníbal Cavaco Silva repetiu, por duas vezes, a palavra «cidadões». O cidadão Aníbal Cavaco Silva exercia, por essa altura, o cargo de Presidente da República do seu país. Onde permaneceu por mais uns anos;
- Em ano ainda recente, mas indeterminado, a actriz amadora Catarina Martins inscreve-se num pequeno partido sem expressão política nacional. Meia-dúzia de anos depois é uma das personagens mais influentes da política do governo em funções. A actriz amadora Catarina Martins tem tanta vocação para a economia como para Shakespeare;
- Em 2005, Pedro Santana Lopes é demitido de um governo de curta duração a que acidentalmente presidira, depois de uma série de tropelias dificilmente imagináveis. Doze anos mais tarde, o mesmo Santana Lopes candidata-se a líder do mesmo partido que o levara ao governo e – surpresa! – tem algumas possibilidades de ser eleito;
- A ministra Constança Urbano de Sousa tem o país a arder, desde Maio a Outubro. Seis meses seguidos, portanto. Num desses incêndios morrem 65 pessoas. A ministra Constança é ministra da Administração Interna e continua alegremente no seu posto, a demitir quem lhe levanta objecções ao modo como «exerce» o seu mandato;
- O ministro Azeredo Lopes vê ser roubado de um paiol militar à guarda do seu ministério um verdadeiro arsenal militar. O ministro Azeredo debocha do sucedido em diversas circunstâncias. O ministro Azeredo permanece alegremente no seu posto;
- Um burlão desconhecido, que pairava pelos congressos e reuniões do PS, convence um director-adjunto de um grande semanário dos seus dotes de «economista». Dá-lhe uma entrevista a dizer banalidades e é elogiado como sapientíssimo na matéria. O director-adjunto não só permanece, hoje, no seu posto, como continua a emitir sentenças sobre a ciência que tanto admirou ao ilustre aldrabão;
- Rui Rio andou vinte anos a dizer que se candidatava à liderança do PSD e nunca consumou a promessa. Vinte anos depois, o lugar continua à sua espera.

Aos 4m 50s um retrato de Portugal
Um momento que ilustra não o que Sócrates fez ou deixou de fazer mas por que o conseguiu fazer. Agora acusam-no de dezenas de crimes. Os tribunais decidirão. Mas a verdade é que pela gente que enchia a sala do Altis naquele dia de 2011 podia ter feito muito mais. Em 2011 o descreveu assim esse momento;
«A sala do hotel, composta pelo núcleo duro de dirigentes e militantes socratistas, comporta-se como uma chusma de rua, aclamando o chefe, gritando “Não! Não! Não” quando ele anuncia demitir-se e vaiando jornalistas. (…) Durante o longo discurso (17m), Sócrates faz a gestão das palmas e aclamações como um profissional, com a mesma atitude “eu não mereço” que Amália Rodrigues exprimia tão bem. Ele apenas faz o gesto, estudado, de pedir que não o aplaudam ou aclamem, enquanto deixa que o aplaudam e o aclamem. Tal como o seu antecessor mediático e governativo, Sócrates avisa que andará por aí. Que só não terá cargos políticos “nos tempos mais próximos”. “Mas”, entretanto, “estará sempre na vida política”.
No final do discurso, entregam-lhe um papel e ele afirma: “Parece que há jornalistas que me querem fazer umas perguntas”. A estranha formulação da frase sugere que não deveria haver perguntas; que os jornalistas não devem colocar perguntas; que isso de lhe colocarem perguntas é tão invulgar que ele até duvida (“parece que…”). E assim é. Dos seis jornalistas com autorização para o questionar, quatro são vaiados ou assobiados pela chusma na sala (RTP, SIC, Antena 1, Renascença). Só Carla Moita, TVI, e Bárbara Baldaia, TSF, escapam ao charivari. Sócrates deixa os furiosos dirigentes e militantes vaiarem os jornalistas, mas para si mesmo pede que o deixem falar.
A pergunta mais vaiada, de Susana Martins, da Renascença, petrifica-o: “Receia que esta derrota eleitoral abra caminho a novos processos judiciais ou que acelere processos judiciais em curso?” Ele diz que “compreendia” a vaia e pede à jornalista que repita a pergunta inesperada. A resposta não estava no teleponto nem memorizada. Responde ao género Disneylândia – em Portugal, “a justiça nada tem a ver com a política” – e passa à frente: “É melhor passarmos a outra pergunta”. A jornalista da RDP diz então “Vamos ver se eu não recebo uma vaia também”, mas o núcleo duro do PS não a poupa à gritaria. Só uma hora passara desde as previsões das 20h00, e já o último discurso de Sócrates trazia a zizânia de volta ao país.»
Um governo de totós
É a conclusão a que se chega após tomar-se conhecimento da acusação a José Sócrates. Não viram nada, não perceberam nada, não suspeitaram de nada. Um conjunto de totós, certo?
E ele acha-se um protagonista credível para qualquer negociação?
Puigdemont declarou a independência
Puigdemont suspendeu a independência
Puigdemont diz que declarou e suspendeu a independência para negociar
Haverá alguém que negoceie com tal parvidade?
Mas que raio de problema
esse da Madonna não encontrar casa. Assim de relance vejo várias casas para vender junto ao bairro 6 de Maio na Damaia. Umas antigas vivendas que sobram do tempo em que a Amadora era uma zona de veraneio. Certamente que lhas venderiam e lhe serviriam de inspiração.
Missão conhecida
Nova lei de estrangeiros já legaliza cadastrados violentos – escreve o DN.
Por mim sempre que aparece Constança Urbano de Sousa

mudo para os Thunderbirds. Aquele ar robótico não explica tudo mas ajuda muito
Tenda dos milagres
Todos os dias somos informados que o governo vai aliviar impostos, pagar mais ordenados, aumentar pensões… Ou seja vai arrecadar menos impostos e fazer mais despesa. É uma maravilha tão maravilhosa que nem se percebe como não é adoptada esta receita pelos outros países do mundo.
Paz, pão, povo, liberdade e nódoas negras

Pedro Passos Coelho vai abandonar a cena e, sobre esse acto de retirada, a maioria das vozes que se vão ouvindo são provenientes de dois grupos: o daqueles que nunca votaram nem nunca irão votar no PSD, e o dos que, sendo eleitores do partido, andavam zangados com o seu presidente. Uns e outros partilham a mesma convicção: o líder laranja afastou-se da matriz fundadora do Partido Social Democrata e traiu os ideais dos seus antecessores. Considerando que muitos dos elementos do primeiro grupo ocuparam uma larga parte das suas vidas a apelidar Sá Carneiro e Cavaco Silva de fascistas, imagino pretenderem elogiar Passos Coelho com tal juízo. Em relação ao segundo grupo a análise é mais complexa. Pensemos, por exemplo, em Pacheco Pereira. No mesmo dia em que era anunciada a decisão de não recandidatura, o cronista analisava no Público a situação do partido e dava orientações sobre o caminho que deveria ser seguido pelos seus militantes. Recuando no tempo, começa por informar os leitores das características históricas do antigo PPD, características essas que, pelos vistos, fazem muita falta ao actual. São elas a social-democracia, a defesa de uma forte redistribuição por via fiscal, o iliberalismo económico, o posicionamento no centro ou no centro-esquerda e nunca na direita.
Dado não ser militante, não vou poder participar na reflexão interna que se aproxima. Tal como diziam muitos brasileiros entre 1964 e 1985, não gosto de militar. De qualquer forma, de um modo totalmente gratuito, gostaria de deixar uma sugestão aos que militam: se é para acompanhar o raciocínio de Pacheco Pereira, a sigla PSD deveria passar a significar “Partido Socialista Dois”. Ou então, mais adequado ainda, “Partido Socialista Duplo”. Tal como acontece em Hollywood, tenho a certeza que o PS não se importaria de ter um substituto permanente para as cenas difíceis e arriscadas da gestão política nacional. Uma organização com as mesmas ideias e aparência, mas disponível para servir de saco de pancada em momentos de aperto. Os socialistas principais ficariam com a fama e com os beijinhos da audiência e os duplos tratariam de arriscar a pele nas inevitáveis ocasiões de perigo, tais como dar saltos de comboios em andamento, seguidos de cambalhota à frente, resgate financeiro e recuperação de bancarrota.
O Mergulho do PCP e Bloco Esquerda
Eles queriam dar um salto. Achavam que estavam a fazer um brilharete espectacular ao lado do Costa. Estavam excitados como miúdos pequeninos que acabavam de receber a sua primeira Playstation no Natal. E foi caso para isso. Ambos sabiam que com 8 e 10% miseráveis nunca na vida chegariam ao poder para pôr boys na máquina do Estado (vejam onde colocaram o Louçã com ajuda do Costa). Entretanto, claro, no meio de umas reivindicações tiveram de comer camiões de sapos, ora cozidos ora crus, empurrados pela ganância do poder. Mas, azar! Sem saberem estavam a condenar à extinção os próprios partidos dando, isso sim, um valente mergulho. Que chatice.
Com efeito, o eleitorado não perdoou esta traição. Os partidos que eram da oposição e prometiam justiça social, fim da austeridade, fim dos privilégios dos políticos (lembram-se que aprovaram as subvenções vitalícias?) e fim dos aumentos de impostos estavam sem espinha dorsal ao som da bitola do Costa que, enquanto repunha uns tostões, carregava a fundo em todos os impostos indirectos e criava mais alguns com a ajuda da Mariana, essa economista trambolha que nem a vida sabe governar (todos sabemos que vive da caridade de uma amiga). Não há perdão para hipócritas.
A Mariana na noite eleitoral, nem conseguiu disfarçar a tremenda desilusão que trazia. Afinal a menina “brilhante” do BE não convenceu sequer um minuto com seus “dotes excepcionais” nas finanças com sugestão de impostos sobre tudo e mais alguma coisa que mexe. A Catarina com propostas de mudança de sexos aos 16, homens a engravidar, transportes só para mulheres, legalização de imigrantes ilegais só com promessa de contrato de trabalho, ataque ao turismo e alojamento local, também não encantou. Afinal que se passa?
É claro que comunista que se preze nunca admite derrotas. Mesmo que esteja a afogar-se nelas. As desculpas cairão sempre sobre outros. Assim, Jerónimo culpou os portugueses por essa opção errada afirmando que se iriam arrepender. E mais, ainda justificou essa derrota alegando uma campanha sistemática de ataque anti-comunista. Não terá antes sido ao contrário? Não terá sido por abertamente ter apoiado o regime da Coreia do Norte, da Venezuela ou Angola? Por ter candidatos que afinal são iguais aos outros e também são corruptos? É que o comunista português diz-se comunista mas na verdade não o é. É uma “espécie de comunista que pensa como socialista-democrata”. Ou seja um ser que mistura ideologias, porque não sabe a origem delas, desconhecem quem foi Marx ou o que é “O Capital”, apenas PENSA que ser comunista é ser o mais à esquerda que os outros, logo PENSA serem os mais “amiguinhos dos pobres”. Mas depois, quando lhe vão ao bolso, quando percebem que apoiam ditaduras, quando os vêem a roubar tanto como aqueles que condenam, já não se revêm no apoio a esses regimes extremistas. E facilmente fogem para o PS… social-democrata (sim, o nosso PS é social-democrata).
Porque se em vez de adulterar a História se ensinasse a verdade. Se ao invés de esconder que Hitler era um socialista do partido Nacional-Socialista que levou a sua doutrina ao limite do genocídio humano; que Estaline matou à fome, fuzilados, em campos de trabalho forçado ainda mais que Hitler; que Mao Tsé-Tung matou ainda mais pelas mesmas razões que estes dois e ainda conseguiu pôr o povo a comer seus próprios filhos; que Che Guevara não é um herói cubano mas o ” carniceiro de La Cabana que se vangloriava do prazer de matar a sangue frio; que Fidel foi outro assassino que deixou morrer à fome seu povo para viver como um capitalista; que Chavez e Maduro são ditadores socialistas sem escrúpulos que põem o povo a comer do lixo; que Coreia do Norte é liderada por um comunista que leva ao extremo a ideologia marxista trazendo miséria, fome, medo; que o socialismo trouxe miséria na Alemanha dividida enquanto do outro lado do muro, se prosperava; que o comunismo foi banido dos países onde o povo sofreu às suas mãos, como foi na Ucrânia e está em extinção absoluta no Mundo; que comunismo até hoje só trouxe miséria e fome, NINGUÉM, mesmo ninguém, quereria jamais apoiar um regime desta natureza.
Mas se ele ainda persiste (falta saber até quando) é porque o marxismo cultural (aquele que sucedeu ao marxismo do proletariado que fracassou redondamente) com a ajuda do multimilionário Soros que financia estes miseráveis partidos, se infiltrou nas nossas universidades.
E só por isso, ainda não se extinguiram. Mas a História encarregar-se-á de fazê-lo. Seguramente.
Liderança do PSD – Sondagem
Camarada Presidente, quando acaba isso da independência?
O vitimismo
Entre os lugares comuns que por aí se reproduzem está a repressão da língua catalã no tempo do franquismo. Na verdade o catalão não era língua oficial mas era falado e escrito como lembrou a escritora catalã Mercedes Salisachs. Existiam aliás prémios para obras escritas em catalão. Vale a pena ler o que se escreve aqui sobre este assunto. Ou melhor ainda consultar a página oficial do Departamento de Cultura da Generalitat Institució de les Lletres Catalanes e pesquisar obras entre 1939 – ano em que se afiança foi proibido falar catalão – e 1975, ano em que Franco morreu e se terá podido voltar a falar catalão. Escreveu-se e publicou-se em catalão durante todo o século XX em Espanha.
Para já deixo aqui a lista dos prémios atribuídos a obras e autores catalães durante o tempo em que “era proibido falara catalão”
Premio de Honor de las Letras Catalanas
◦ 1969 Jordi Rubió i Balaguer (historiógrafo y bibliólogo).
◦ 1970 Joan Oliver (Pere Quart, escritor).
◦ 1971 Francesc de Borja Moll i Casasnovas (filólogo y editor).
◦ 1972 Salvador Espriu i Castelló (escritor).
◦ 1973 Josep Vicenç Foix (escritor).
◦ 1974 Manuel Sanchis i Guarner (filólogo e historiador).
◦ 1975 Joan Fuster i Ortells (escritor).
Premio Joaquim Ruyra de narrativa juvenil
◦ 1963 Josep Vallverdú, por L‘abisme de Pyramos.
◦ 1964 Carles Macià, por Un paracaigudista sobre la Vall Ferrera.
◦ 1965 Desierto.
◦ 1966 Robert Saladrigas, por Entre juliol i setembre.
◦ 1967 Emili Teixidor, por Les rates malaltes.
Premio Josep Pla
◦ 1968 Terenci Moix, por Onades sobre una roca deserta.
◦ 1969 Baltasar Porcel, por Difunts sota els ametllers en flor.
◦ 1970 Teresa Pàmies, por El testament de Praga.
◦ 1971 Gabriel Janer, por Els alicorns.
◦ 1972 Alexandre Cirici, por El temps barrat.
◦ 1973 Llorenç Villalonga, por Andrea Victrix.
◦ 1974 Marià Manent, por El vel de Maia.
◦ 1975 Enric Jardí, por Historia del cercle artistic de Sant Lluc.
Premio Prudenci Bertrana
◦ 1968 Manuel de Pedrolo, por Estat d’excepció.
◦ 1969 Avel•lí Artís-Gener, por Prohibida l’evasió.
◦ 1970 Vicenç Riera Llorca, por Amb permís de l’enterramorts.
◦ 1971 Terenci Moix, por Siro o la increada consciència de la raça.
◦ 1972 Oriol Pi de Cabanyes, por Oferiu flors als rebels que fracassaren.
◦ 1973 Biel Mesquida, por L’adolescent de sal.
◦ 1974 Desierto.
◦ 1975 Baltasar Porcel, por Cavalls cap a la fosca.
Como acabará o governo de António Costa?
Mas não, não é isso. Ou não é apenas isso. Independentemente do final do governo de António Costa passar por estes ou outros cenários, a realidade é muito mais complexa e leva-nos a uma pergunta que nunca tem uma resposta tranquilizadora: como é que a extrema-esquerda vai deixar o poder?
Como sairemos disto? Provavelmente com uma fuga em frente. Uma fuga que a precipitada saída de Passos veio tornar possível. Que fuga é essa? A regionalização.
Cheira a enxofre
Os últimos dias têm sido um fartote de artigos sobre o que o PSD precisa. Fosse eu um extraterrestre a observar isto de um sítio seguro — mais ou menos como a esquerda tresloucada vê o suicídio assistido dos espanhóis com azar de viverem na Catalunha — também acharia divertido ver qual dos jarretas (e alguns têm menos de 30 anos) proporia mais socialismo chamando-lhe “o futuro da Direita”.
Uns falam do Sá Carneiro, outros da doutrina social da Igreja, outros da esperança que Assunção Cristas representa para a tal de Direita (em particular a Direita avessa a ar condicionado) e, assim, nessa variedade poética da filosofia de autocarro, fico indeciso sobre qual me parece o menos maluquinho. Não é que Passos Coelho fosse a grande esperança da Direita: a grande virtude do homem era, no meio deste lamaçal, parecer um tipo normal, sem pretensão a napoleónicos anúncios de candidaturas e pífias “vitórias” eleitorais de 20% em autárquicas para a capital transformadas em “agora é que é”.
Consigo até compreender que haja gente a vaticinar que o PSD só volta ao poder sendo igual ao PS, mas, como a vasta maioria dos portugueses, sou pessoa para preferir originais às fotocópias (na acepção tradicional da palavra, não na acepção introduzida por José Sócrates, “o líder que a Direita gostaria de ter”, a julgar pela catrafilada de artigos pachecopereiristas e similares, mesmo que em sentido diametralmente oposto, que enchem os jornais).
Ao contrário de muitos dos meus amigos, estou bastante optimista: o meu estado natural é o de não votar em partidos, pelo que, reconheço, o ter feito uma cruz nas duas últimas legislativas é que constituiu desvio à norma. Só posso agradecer a todos os políticos e colunistas (com parcas excepções) o valente esforço para me devolver à normalidade da abstenção ou voto em branco (resisto estoicamente à tentação do nulo).
Pôncio Pilatos foi um grande democrata: nem precisou escrever artigos sobre o futuro da Direita para dar ao povo o Barrabás escolhido.
Posicionamento político do PSD – Sondagem
Um canal ao serviço dos radicais
Parece a televisão do Hamas mas não é. Isto é a programação infantil na Catalunha
E do outro lado eram neo-estalinistas?
Escreve o PÚBLICO: Estátua do padre António Vieira guardada por “neonazis”
Protesto contra a estátua do Padre António Vieira foi impedido por grupo de extrema-direita, diz activista.
O PÚBLICO não esteve no local. O PÚBLICO falou pelo telefone com Mamadou Ba uma das pessoas que tinha convocado a manifestação “Descolonizando Padre António Vieira” e que segundo declarou ao PÚBLICO: A manifestação, marcada para as 15 horas (…) Mas quando os integrantes do protesto chegaram ao local foram surpreendidos, adiantou Mamadou Ba. «A estátua estava já cercada com elementos dos hammerskins [um dos grupos mais violentos da extrema-direita]», disse o activista ao PÚBLICO, ao fim da tarde, por telefone.
O PÚBLICO adoptou como válida a identificação das pessoas que estavam ao pé da estátua como neonazis. Porquê neonazis? “numa fotografia colocada num comentário a um post de Mamadou Ba, no Facebook, identificam-se cerca de uma dezena de pessoas à frente da estátua com várias bandeiras de Portugal. Pelo menos um dos homens tinha uma t-shirt com o símbolo dos hammerskins. No chão, tinha sido colocada uma fita com a mensagem “Portugueses primeiro!” e o símbolo da cruz de malta entre as duas palavras.”
Mas admitamos que as criaturas são neonazis. Fascistas. O que se quiser. O que não se entende é a neutralidade ideológica com que é apresentado Mamadou Ba cuja relação com a História é a de um comissário estalinista.
O que leva a que Mamadou Ba seja apresentado como activista e as pessoas do outro grupo como neo-nazis? Eles não são activistas? Pelos vistos activam tanto quanto o senhor Mamadou Ba. É que isto de uns serem activistas e outros neo-nazis já começa a cansar.
Obrigada Pedro!
O sonho molhado de Costa, da velharada do PSD, da Catarina e Jerónimo aconteceu. Finalmente! Com o anúncio de Passos que deixava a liderança do partido, desaparecia a maior ameaça à festa socialista do “gastanço” com o dinheiro outros sem responsabilidade. Mas que grande taluda! Há tipos de facto que nascem com o rabo virado para a lua: o Costa nem precisou de vencer legislativas (lembram-se? foi derrotado com quase maioria absoluta pelo Passos em 2015) para se sentar na cadeira de Primeiro-ministro. Os outros dois nem precisaram de mais de 8% e 10% para mandar e legislar nesta terra de incautos. E agora, o maior PREDADOR de parasitas oportunistas demite-se! Querem mais sorte que isto?
Assisti atónita à decisão de Passos. Jamais esperaria que com resultados destas autárquicas ele se demitiria. No máximo esperaria pelas legislativas, pensava eu. Mas não. Apesar destas eleições terem derrotado TODOS os partidos, uns mais outros menos (sim, foram TODOS penalizados!), Passos assumia sozinho a responsabilidade de uma derrota (mesmo que poucochinha) que não passou de erro de casting nos candidatos de Lisboa e Porto. Não foi escrutínio aos líderes mas mesmo assim, decidiu avançar.
Na verdade as autárquicas revelaram algo inédito: o PCP ao perder quase todas as câmaras e BE não ter ganho uma sequer, o PS ao perder a maioria em Lisboa com resultados PIORES que no tempo de José Seguro, demonstrou claramente que o povo não apreciou de todo esta combinação de comunistas com PS. Nem o eleitorado comunista nem o eleitorado socialista. E isto, mesmo que o tentem disfarçar com fake news com ajuda da comunicação social comprada a falar numa grande vitória (ah! ah! ah!), o certo é que doeu para caraças descobrirem que todas aquelas políticas populistas para ganhar votos, e os sapos gordos engolidos durante quase dois anos, não lhes devolveu senão um resultado pindérico. PSD com 1 milhão e 800 mil votos e PS com 1 milhão e 980 mil, praticamente mantiveram os resultados de 2013. Logo, só o desaparecimento de Passos lhes devolveria alguma esperança para as legislativas, essas sim, implacáveis na avaliação dos líderes.
Ora, estando o “Parque jurássico do PSD” todo empenhado na derrota do seu próprio líder desde o primeiro dia da sua eleição, não foi difícil ao Costa, que já andava a namorar a velharada (recorde aqui) para fazer o próximo Bloco Central nas legislativas (sim! ele quer livrar-se do BE e PCP porque sabe que o prejudica em votos), conseguir apoio para sacudir o adversário temido (porque é o único que não lhe dá hipóteses às clientelas), com promessas no escurinho de tachos e tachinhos, coisa que ele tão bem sabe negociar. Porque Costa é um camaleão. É da cor que for preciso desde que garanta o poder, seu único interesse neste jogo político.
Entendo a posição de Passos e aceito-a apenas por saber que por detrás desta saída está uma razão muito mais forte e válida para querer fazer um interregno nesta palhaçada que os “esqueletos mumificados do seu partido” há anos protagonizam. Entendo (e de que maneira) que às vezes é preferível lançar aos leões aqueles que se julgam os DDT partidários em vez de resistir. Tácticas políticas que eu, por não as saber jogar, também não julgo. Porque se fosse comigo, jamais Costa teria sequer hipótese de me derrubar até às legislativas. Jamais lhe poria esse sorrizinho parvo nos lábios nem que fosse por um segundo. Aliás, saberia reinventar-me nos discursos e na atitude em vez de desistir e dar lugar a alguém capaz de negociar seja o que for com Costa. Porque nunca se viu um morto político tão vivo diariamente no discurso da esquerda à direita. Nunca se viu tanto desespero por ele não vergar. Nunca se sentiu tanto medo a um líder. Só isto era o suficiente para nunca mas nunca deixar o lugar até ao próximo escrutínio popular.
Perdemos um estadista. O único que enfrentou e derrubou o DDT Ricardo Salgado. O único que corajosamente agarrou o país completamente falido pelo Sócrates e o fez renascer das cinzas. Um estadista que não tendo AINDA governado de acordo com suas políticas mas apenas cumprido o Memorando de Entendimento que PS assinou comprometendo-se com elevados cortes, aumentos de impostos, reestruturação do sector público onde se incluía a venda de grandes empresas públicas (sim! estava no memorando, não foi ideia de Passos, veja aqui), fazia adivinhar uma reestruturação profunda do país. O maior temor das esquerdas (e dos socialistas disfarçados de PSD).
Por isso, embora desiludida por não ter colocado a vontade das pessoas (em que algumas sem nunca votarem no PSD, o fizeram só por ele por acreditarem na sua capacidade de liderança), à frente dos interesses do partido, digo “Obrigada Pedro” por tudo o que fizeste por esta Nação.
Mesmo que não voltes, este país, de gente como eu, ser-te-á eternamente grato!
O golpe de Puigdemont
Alfonso Guerra braço direito de Felipe Gonzalez deu uma entrevista ondo deixa claro que vários pontos. O primeiro e mais notório é que ao senhor Puigdemont não lhe sobraria um cabelinho na cabeça caso tivesse pela frente o velho PSOE. O que está a acontecer em Espanha só é possivel porque o PSOE se entregou nas mãos dos que gostavam de ser o Podemos. Assim a ETA foi vencida graças ao Pacto de Ermua que uniu socialistas e populares no combate aos terroristas e agora não conseguem uma estratégia comum para tratar da Catalunha.
O que está a acontecer na Catalunha como refere Guerra é um golpe de Estado. Não questiono o direito dos catalães a decidirem o seu destino – repito que para Portugal uma Catalunha independente não é uma boa notícia mas enquyanto portugueses temos de nos adaptar ao que ali for decidido – mas não é isso que está a acontecer: numa Catalunha em que os radicais ficaram senhores da agenda está a ter lugar um golpe de Estado. Se Puigdemont conseguir impor o que chama “direito a decidir” na Catalunha por largo tempo teremos simulacros de decisão.
Quem se mete com a geringonça leva
Ministra demite diretora do SEF
Constança Urbano de Sousa ministra que tem o saldo mais desastroso à frente da respectiva pasta demite agora a diretora do SEF.
Costa não tem estrutura para ser contestado e o PCP e o BE querem contrapartidas pelo preço poltico que estão a pagar. A direcção do SEF não se adaptou ao admirável mundo novo dando um parecer desfavorável às alteraçõe slegais na legislação sobre emigração e pagou por isso. Quem se mete com a geringonça leva.
Em que ficamos?
«O Bloco de Esquerda vai entregar esta semana no Parlamento uma proposta para passar a classificar como Alojamento Local apenas as casas que recebam exclusivamente turistas durante, no máximo, 90 dias por ano. “A distinção fundamental é essa: o alojamento local, no seu conceito original, era a partilha de casa. São casas de pessoas, que vivem nessas casas, mas que a partilham com quem a visita”, explicara Ricardo Robles ao ECO. Na prática, continuou, “o alojamento local passa a ser efetivamente isto: quem vive na casa e a partilha com outros. Depois, temos de criar uma outra categoria, podemos chamar-lhe o turismo habitacional, onde as casas são transformadas e utilizadas a 100% no turismo, e isso é a prestação de um serviço de turismo. Devemos separar estas águas”.
Se tivermos em conta que segundo o BE explicou ao CM Mariana Mortágua vive “em casa de uma amiga de infância”, num segundo andar de num prédio de três pisos em Campolide, Lisboa – e dado o número de vezes que Mariana Mortágua faz capa de revista ao lado da sua mota tem de estar em Lisboa mais de 90 dias por ano – a casa da amiga de infância onde vive sem pagar renda (esta coisa dos amigos que ora pagam férias ora cedem gratuitamente casas é uma idiossincrasia nacional, não é?) passa certamente a turismo habitacional.
Livro de estilo
Se bem percebo
quando alguém dispara, degola, ataca com ácido, atropela … aqueles que têm o azar de se cruzar com ele estamos perante um caso de psiquiatria caso o atacante por qualquer razão possa ter sido motivado por razões compreendidas pela esquerda. A reacção possível é chorarmos muito, acendermos velinhas e caso o ataque tenha sido perpetrado com armas a transferência da discussão para a necessidade de restringir o acesso às armas. ( Espantosamente na Europa os ataques estão a ter lugar com ácido e ninguém parece preocupar-se com isso)
Já se o atacante estiver no campo da direita estamos perante um nazi fascista. Temos manifestações de repúdio e os tidos como próximos das ideias do atacante são confrontados com as consequências das suas ideias. Os psiquiatras não são chamados ao assunto.
Assim se fabricam boas notícias
Hoje temos a boa notícia (todos os dias terão a sua boa notícia) : Proprietários que adiram a rendas acessíveis vão ter isenção fiscal. Arrendamento acessível em habitação permanente, casas para os mais carenciados, incluindo para responder a catástrofes. Reabilitação urbana fecha os três pilares da nova política de habitação que é aprovada esta quarta-feira
Ao PÚBLICO e ao Negócios foi dado acesso ao conteúdo do programa “Nova Geração de Políticas da Habitação”. Os outros jornais replicaram e repicam os sinos na pátria.
Como irá funcionar esse programa antecipadamente bendito não se sabe. Nem ninguém quis saber. As únicas certezas são as mais valias dos títulos fofuchos de hoje e o crescimento do emprego público para gerir a burocracia inerente a isto:
«A orientação do Governo para estabelecer o valor da renda acessível é que a redução seja de 20% do valor do mercado (…) O estabelecimento de rendas terá como padrão, além da redução em relação ao valor do mercado, o princípio de que cada inquilino deve pagar pela renda apenas 30% do seu rendimento. A gestão do programa será monitorizada pelo Estado, através das autarquias. Está prevista a criação de um índice de preços.»
É preciso novo pombo de barro para o Tiro ao Cavaco
E pronto, agora que sabemos que Passos Coelho não é candidato a novo termo como líder do PSD, temos que começar a pensar em assuntos importantes como determinar quem é o próximo Cavaco para o desporto nacional de Tiro ao Cavaco. Desde a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para a presidência disto, Passos Coelho tem aguentado solitariamente o papel de pombo de barro para o Tiro ao Cavaco, o entretenimento da esquerda e, muito peculiarmente, dos seus camaradas de partido (nota: decidi não colocar aspas em “camaradas” por estrito rigor cultural).
Agora, sem Cavaco e sem Passos, seja quem for o seu sucessor no PSD, resta à esquerda a esperança de uns minutos no saco-cama da Madame de Pompadour das Baleares e o triste desígnio de terem que andar aos tiros a quem calhar. Com alguma sorte e rigor histórico, será uns aos outros.
esquerda e direita
Artigo hoje publicado no Delito de Opinião, a amável convite do Pedro Correia: esquerda e direita.