Perfeitamente claro

Pequena transcrição da entrevista concedida ao Público.
Como sabe nós temos um sistema deeee… nós temos um sistema deeee… de pensões que sofre deeee distrorções êeeee estruturais êeee grandes, fruto deeee êeee uuoooee uma parte importante da população êeeee não… ter carreiras… contributivas curtas, êeeeeeeeee e êeeee de baixo… e fundadas em salários muito… muito muito baixos. E ter-se êeee êee generalizado esta idéia, que num é currecta, que todas as pensões mínimas [som de ambulância no fundo aumenta substancialmente] são necessariamente, correspondem necessariamente a baixos… a baixos… a baixos… a baixos rendimentos. E êee…
A sério? E o PM disse isto e não está já convocada uma manifestação-cerco para o Palácio de Belém?
O primeiro-ministro diz que concorda com a introdução de regras à atribuição de pensões mínimas, mas não agora. Estudo diz que só 31% dos beneficiários é considerado pobre.
Recordo que 2014 o PS achou por bem pedir a fiscalização ao TC dos cortes nas pensões de sobrevivência para os viúvos cuja pensão somada à de sobrevivência resultasse num valor superior a 2.000 euros. O que se previa em 2014 era do mais elementar bom senso.
O discurso dos cortes, da miséria e da troika e disto e daquilo triunfo. O TC chumbou tudo e mais alguma coisa. Que agora António Costa venha dizer que concorda com a introdução de regras à atribuição de pensões mínimas (já não são sequer as de sobrevivência/viuvez são as mínimas!) é espantoso. Aliás só não se percebe porque não avança já com a medida. Porque concorda mas não agora? Vale a pena aliás ver o video da entrevista porque é evidente que Costa arrasta as respostas, não está à vontade e claramente espera que o jornalista passe para outro assunto.
2014
| Valor das pensões sobrevivência paga pela CGA | Até aqui | De futuro |
| Entre 2.000 e 2.250 euros | 50% | 44% |
| entre 2.250 e 2.500 euros | 50% | 43% |
| entre 2.500 e 2.750 euros | 50% | 40% |
| entre 2.750 e 3.000 euros | 50% | 38% |
| entre 3.000 e 4.000 euros | 50% | 34% |
| superior a 4.000 euros | 50% | 33% |
| Valor das pensões de sobrevivência paga pela Segurança Social | Até aqui | De futuro |
| Entre 2.000 e 2.250 euros | 60% | 54% |
| entre 2.250 e 2.500 euros | 60% | 51% |
| entre 2.500 e 2.750 euros | 60% | 48% |
| entre 2.750 e 3.000 euros | 60% | 45% |
| entre 3.000 e 4.000 euros | 60% | 41% |
| superior a 4.000 euros | 60% | 39% |
Vamos ver isto no largo do Rato?
Em Portugal tivemos ontem a saga dos barões do PSOE contra Sanchez. Valha a verdade que os barões do PSOE até agora chamavam-se históricos mas desde que homens como Gonzalez se manifestaram contra uma aliança do PSOE com o Podemos o histórico desapareceu e nasceu o barão.
E assim chegámos ao dia em que os barões estiveram contra o líder Sanchez apoiado pelos bons militantes. Vale a pena perceber quem eram esses militante que se dirigiram para a calle Ferraz para causar o maior estardalhaço e se posssível impedir que o PSOE deliberasse.
Alguns deles como este senhor que se apresenta como “activista sin techo en defensa de los derechos humanos, Educador y Aprendiz en la Universidad La Calle. Gay, rumano, gitano, ateo, vagabundo, okupa que viaja sin destino” é um conhecido simpatizante do Podemos. Em Sanchez, os radicais viram o homem que os levaria ao poder. Cá como será quando e se o PS reagir à liderança de Costa?


Os ricos, nossos amigos
Brilhante golpe publicitário
Fernanda Câncio, pessoa conhecida por escrever num jornal, quer retirar do mercado o livro de José António Saraiva, “Eu e os políticos”, noticia o Correio da Manhã. Esta ideia é tão estapafúrdia que custa a acreditar. Porque haveria Fernanda Câncio, pessoa que parece não gostar do autor, pretender promover este livro em particular? Sim, porque tentar retirar um livro de circulação só o torna mais apetecível, daí que, das duas uma, ou é burrice, ou é uma acção combinada com José António Saraiva e com a Gradiva para vender o livro como se este fosse refresco no Sahara.
Vai daí, fui ler o livro – como já expliquei, tentar retirar um livro de circulação é a melhor publicidade que este pode ter – para tentar perceber o motivo. A certa altura, não muito entusiasmado com o que estava a ler, lá chegou uma passagem em que Fernanda Câncio é referida. Não vou dizer sobre o que é – estou de acordo com esta brilhante estratégia de marketing -, mas posso afirmar que compreendo que Fernanda Câncio queira chamar a atenção ao maior número de portugueses para que tenham a oportunidade de ler: não é muito o meu estilo, mas compreendo que não somos todos iguais, que há quem goste. Por mim, tudo bem, até acho artístico.
Que o livro vai vender como refresco no Sahara, isso vai. Melhor que retirar um livro do mercado só mesmo uma fatwa. Felizmente, essa também já está em curso.
PÚBLICO,: “Em termos de organização há um outro traço peculiar na LUAR. É o facto de, desde o seu início, ter optado pelo autofinanciamento, de modo a evitar a dependência de movimentos internacionais, de partidos estrangeiros, de outros países e de serviços secretos. Foi esse o motivo pelo qual a LUAR se estreou com o Assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, a 17 de Maio de 1967″
Portanto acabaram-se os problemas do fim do mês. Vamos daqui assaltamos o engenheiro Belmiro e quando alguém nos pretender acusar por roubo explicamos que estamos a seguir o modelo de autofinanciamento descoberto pelo seu jornal.
Porque recordar é viver, e porque o orçamento está aí a bater à porta
Retirado do Manifesto Eleitoral do Bloco de Esquerda, 2015. Para referência.

O mundo em Setembro de 2016
Pela primeira vez Playboy publica foto de muçulmana com hijab
Em 2020 já devemos ir na burka.
A caminho da República Socialista do Cada Um É Mais Pobre Que o Outro
Esqueceu-se que eram usados (ou ainda, “compraria um carro em segunda mão a este homem?”)
Turistas e gays a mais
Uma das ideias que por aí circula é a possibilidade de cidades como Lisboa terem “turistas a mais”. Vamos pensar nas implicações desta noção: se há turistas a mais, também há turistas a menos; se pode ser definido um limite a partir do qual o número de turistas é excedentário, existe também um intervalo para um número deficitário de turistas; a função de bem-estar por número de turistas terá uma assimptota horizontal que define o número óptimo de turistas; em suma, existe uma curva de Laffer para o número de turistas.

Sendo commumente aceite que poderão existir “turistas a mais”, talvez possamos alargar o leque de variáveis “a mais” a outras caracterizações. Por exemplo, “gays a mais”. Haverá “gays a mais” em Lisboa? Qual o número óptimo de gays em Lisboa? Ainda estaremos no nível deficitário de gays em Lisboa? Ou ainda, por exemplo, “abortos a mais”. Tem Lisboa excesso de abortos? Tem abortos a menos? O número de abortos é óptimo? E excesso de “comentadores do tipo Adão e Silva a mais”? Temos défice de Adões? Temos excesso? Há um número óptimo de Adões e Silvass?

Dois galos, zero galinhas
O critério para “turistas a mais” nunca foi definido. Será o número máximo de turistas que se conseguem albergar num dado momento? Se assim for, estranho que venham pessoas de avião, barco ou veículo próprio para depois dormirem no passeio. Será o critério mais subjectivo, como, por exemplo, o número de turistas a partir do qual começa a maçar as pessoas que se costumavam queixar de turistas a menos? Ou ainda, o número de turistas a partir do qual não nos apetece receber mais turistas? Neste último caso, adaptando ao caso gay, podemos definir um número de gays a partir do qual não nos apetece aturar mais gays? Ou, no primeiro critério subjectivo, definir o número de gays a partir do qual nos sentimos maçados por terem aparecido gays a mais? Podemos limitar os Adões e Silvass? Campanhas do tipo “ide antes escrever livros sobre a festa da educação/design de interiores”? E ainda, termos turistas gays “a mais”? Isto pode estar tudo ligado. Frase que ainda não ouvi na televisão: “Temos turistas gays a mais que fazem abortos a menos gerando excesso de Adões e Silvass nos telejornais”.
Quotas para turistas parece fazer sentido para os defensores do “turistas a mais”. Não percebo porque não definimos quotas para gays. “Já chega, maricas, tendes que ir pinar as bifas”. Podemos ter aqui a chave da sustentabilidade da Segurança Social, é só necessário continuar a pensar no bem-estar dos nossos cidadãos.
Lola rennt
Isto não vai abrir os telejornais, como no tempo em que era tudo tão mau e merecia o título de “pior início de ano lectivo de sempre”. Por outro lado, tomando em consideração que nutrição e educação física fazem parte do programa, é giro ver a secretária de estado a evitar enfartes futuros de BMW. Lá no Colégio Alemão, onde estão os filhos da senhora, aposto que se aprende bem uma língua estrangeira. Corre, Lola, corre.
Melhor não violarem ninguém
Recebi, nos últimos dias, algumas mensagens acerca da minha misoginia, brutalidade, bestialidade e grunhideira. O habitual, previsível como um chá a meio da tarde, algo que nos reconforta para o resto do dia. Porém, um anónimo “ya, eu sou de esquerda, yo” sugeriu que eu fiz um apelo à violação da Mariana Mortágua. Primeiro ri: é altamente implausível por todos os motivos imagináveis, incluindo alguém desgraçar a vida só porque eu o teria – eventualmente – sugerido, achar que a Mariana tem fetiche por assaltos na rua por gajos espadaúdos que não sejam como os xoninhas que apoiam o Bloco é o mesmo que um apelo à violação. Se há coisa que parece evidente é que os desejos de Mariana não são concretizáveis, incluíndo esse, caso seja mesmo real. Depois, sorri ao pensar que isso era um pretexto para poder evidenciar – mais uma vez – o quão a esquerda revolucionária está sempre preparada para dar pancada, mas nunca preparada para a receber. Depois, ainda, achei piada quando fui ver que essa micro-indignação é sobre aquilo que acham o máximo na rádio pública sob a batuta da dupla Quadros e Nogueira. Mais à frente, fui ler o que escrevi e constatei que intui um desejo de Mortágua de uma rua mais musculosa, daquele tipo de rua que é boa para a revolução e depois, quando começa a incomodar, é transformada em carnificina pelos dirigentes revolucionários. Depois, deixei de perceber a acusação: então a deputada propõe roubar proprietários e não está disposta a ser assaltada ela própria? E a igualdade? E a justa distribuição de riqueza? E a torre de marfim que a esquerda impoluta inventa para si própria para justificar as suas atrocidades? E a imbecilidade dos dirigentes do Bloco que, deixando queimar a ex-estrelinha da sorte Mortágua, fazem um favor aos socialistas, os que nem têm que anunciar nada excepto, nas entrelinhas, o rumo ao colapso da tesouraria? A forma como Mariana se expôs é que é anormal. Não é acusando-me de misóginia, brutalidade, bestialidade e grunhideira – o meu pequeno-almoço – que apagam a vossa própria inépcia para estarem no lado da governação. Vocês são o protesto, não são o governo. Cinjam-se ao que sabem fazer, que é cantar “Grândola, Vila Morena” a meio de apresentações em teatros com quartos-de-banho unissexo com o charro no bolso.
Ah! E agora um apelo formal: por favor, não violem a Mariana Mortágua, OK? Não violem ninguém. Isso é mau. Já agora, não assaltem ninguém, OK? Isso é mau. E, para a próxima, acho que deviam – mesmo – escolher um alvo que se incomode com o que se diz dele.
A armadilha
Carta aberta a Mariana Mortágua
Sr.a Deputada,
Continuo a ter dificuldade em perceber o que será o imposto que V. Ex.a vem defendendo nos últimos dias. Pelas suas declarações percebi apenas que se trata de um imposto cuja receita será do Estado e não dos Municípios, já que uma das medidas em que a receita adicional poderia ser aplicada seria o “aumento de pensões”.
Neste momento, os prédios urbanos destinados a habitação de valor superior a um milhão de Euros já pagam dois impostos anuais: o IMI, que é receita dos Municípios, com taxas que variam entre 0,3 e 0,45% e, desde 2012, também o Imposto de Selo, cuja taxa é de 1% para os prédios destinados a habitação, sendo que este imposto constitui receita do Estado central.
A Lei de 2012 foi aprovada com os votos favoráveis do PSD e CDS, mas também do PS (com excepção de Basílio Horta e de Isabel Moreira) e com a abstenção do Bloco de Esquerda.
Os então deputados do Bloco de Esquerda apresentaram a seguinte declaração de voto:
Por outro lado, as alterações ao imposto de selo apresentadas são, claramente, uma tentativa de mimetizar o comportamento do IMI, sem que o destino dessa receita seja os municípios, como acontece com o IMI.
Assim, a lei prevê o pagamento, em duas prestações anuais, de uma taxa sobre o património imobiliário acima de 1 milhão de euros, mas com a receita a ser desviada dos municípios.
Por estes motivos, o Bloco de Esquerda absteve-se na votação final global da proposta de lei, considerando que era possível ter-se alcançado uma lei mais justa e equilibrada.
Aparentemente, em 2012, o Bloco só não terá votado a favor da Lei porque a receita do novo imposto não ia para os Municípios mas para o Estado. Agora, porém, surge V. Ex.a a defender um novo(?) imposto que também não reverterá para os Municípios. Que imposto será esse? Um terceiro imposto, a somar aos dois já existentes? Um aumento da taxa do imposto de selo? O alargamento da taxa a prédios não habitacionais? Ou o alargamento do Imposto de selo a patrimónios imobiliários globais de valor superior a 1M de Euros (e já não, como actualmente, a prédios de valor superior a tal limiar)?
Já agora, porque é que em 2012 um imposto sobre o imobiliário que não fosse Municipal não era justo e equilibrado e em 2016 já o é?
Uma clarificação, pelo menos destas questões, reduziria, estou certo, o ruído que se tem gerado. É essa clarificação que, humildemente, lhe venho solicitar.
Com os melhores cumprimentos,
Anúncios
As páginas dos pequenos anúncios são uma das minhas perdições. No caso dos jornais espanhóis as páginas dos obituários contam histórias pessoais, falam de política e de História. Sobre as “esquelas” escrevi para o Observador.

Esta sairá durante décadas e décadas pois Manuel Martínez Calderón deixou vinte milhões de euros para que ela seja publicada. Temos obituários vingativos como o de dona Soledad que tratou de identificar “os familiares que a abandonaram quando mais deles precisou”

Há quem depois demorto apele ao voto em Zapatero e como não podia deixar de ser há a guerra civil.
Choro por ti, Lisboa
Ontem estive em Lisboa. Como rústico grosseiro e ultramontano que sou – como qualquer pessoa que me lê pode instantaneamente aferir – fiquei chocado com o estado de depauperação da capital. Não se pode andar nas ruas, há turistas por todo o lado, alguns até a fotografarem coisas que eu, como português, considero minhas, e sem qualquer pedido de autorização prévio ao Senhor Presidente da Câmara Municipal mediante pagamento da taxa fotográfica. Há gente a falar estrangeiro nas ruas. Nos estabelecimentos comerciais vê-se gente a falar em Inglês, uma língua que já nem devia ser usada após auto-remoção do Reino Unido da União Europeia. Vi gente, inclusivamente, que comia pasteis de nata servidos sem a indicação dos ingredientes, aferição calórica e código de cores para doses diárias recomendadas de proteínas, lípidos e E621. Como é possível vender assim produtos alimentares, sem caixa, celofane, código de barras e sugestão para contactar o médico em caso de engasgamento? Algumas mulheres envergavam vestidos e outras peças colonialistas que lhes expunham as pernas e, em alguns casos, até os próprios joelhos. É isto que queremos para a capital? Que pareça uma cidade europeia sem decoro, tradição e genuinidade de um povo analfabeto residente em barracos com rendas controladas? Um atentado ao cosmopolitismo verdadeiro e à assimilação cultural dos refugiados. Não faria muito mais sentido, como a Maria João Marques nos confidenciou ontem num necessário evento de educação da população portuguesa, que todas as portuguesas vestissem burka para acolher respeitosamente os oito refugiados que imaginaram que Portugal tinha fronteira com a Noruega?

Imagem que ilustra a falta de decoro de mulheres lisboetas. Não admira a quebra da natalidade. Quem acha esta falta de vergonha agradável à vista merece bem o que está a acontecer à cidade.
O Porto está a ficar assim, cheio de gente que vem para aqui gastar dinheiro. Uma ostentação incompatível com a humildade das gentes locais, com honra e ordeira, como o doutor Salazar soube, tão bem, caracterizar. Onde estão as cestas de vime com listas de cores onde se transporta o lanche do verdadeiro português, a feijoada, para comer à beira-rio com os filhos deslumbrados por verem o mar pela primeira vez logo ali na Praça do Comércio*? E o trânsito? Que faz tanta gente em carros em dia de descanso? Vão ver o quê? Exposições, teatro, filmes, parques e outras manifestações contra-natura de um capitalismo condenado?
Lisboa não vai longe. Depois deste hedonismo todo, que restará? Depois das filas, encontrões, riso e momentos de prazer efémero, vem sempre a depressão. Ou instauramos imediatamente quotas para turistas na rua ou arriscamo-nos a cruzar constantemente com gente desprovida de ideologia e que não acrescenta nada – só retira – às nossas necessidades sócio-culturais. Não é esta a sociedade que queremos. Queremos “uma sociedade onde cada um contribui para o bem comum de acordo com as suas capacidades, e cada um recebe de acordo com as suas necessidades”, como tão bem disse o nosso Querido Primeiro. Ou Lisboa acaba com os turistas, ou os turistas acabam com a nossa memória de como Lisboa era mais bonita quando cheirava a urina.
* Eu sei que da Praça do Comércio não é bem o mar que se vê, mas, repito, para quem nunca viu o mar, já é uma aproximação razoável. Água é água.
Lisboetas, acabou o sofrimento – estou a caminho
Com apresentação de Maria João Marques (O Insurgente, Observador, pessoa que irrita o tipo de personalidade “faxismo nunca mais” referindo-se ao período 2011-2015), acontecerá amanhã, dia 24 de Setembro, o evento do milénio, também conhecido pelo livro que mudará para sempre a temática das letras de rap do prof. Boaventura Sousa Santos. E quem não for é faxista.
O homem urina de pé, em posição dominante, de forma completamente displicente por tampos de sanita onde a mulher se senta. A mulher, abaixando-se – ou colocando-se de cócoras quando na natureza – em repleto contraste pela hirteza masculina, a que, de cima olha para baixo com o desdém inerente, sempre em posição superior à da mulher, a que se abaixa, a que se fica. Uma mulher de cócoras coloca o seu cérebro à altura do pénis de um homem médio: total submissão à patriarcal ordem que, sorvendo da paciência feminina para a opressão, persiste em aplicar à micção a mesma postura insolente com que corrói a sociedade com ideias regressivas, conservadoras, anteriores ao pós-estruturalismo.
Morreu a Dona Elvira
A Dona Elvira é esquizofrénica. Foi diagnosticada em 1952, quando foi internada por reagir violentamente quando a impediram de matar a filha recém-nascida. Gritou que “é o Diabo, é o Diabo!”, justificando a necessidade de matar a criança.
Em 1976, quando foi ao baptizado do meu primo Carlos, consta que disse: “preocupa-me pensar que estou a dizer coisas que as pessoas não entendem”.
Morreu ontem, aos 92 anos, de doença prolongada. Paz à sua alma.

dr. jekyll e mr. hyde
De dia, António Costa veste o seu melhor fato europeísta e manda o seu ministro das finanças pedir dinheiro a Bruxelas. Se esse dinheiro falhar, ameaça, será impossível «implementar o Programa Nacional de Reformas». À noite, Costa escolhe a sua melhor boina cubana e vai vibrar com os discursos anti-capitalistas da sua outra ministra das finanças, a camarada Mortágua. Sem acabar com este maldito sistema financeiro que nos escraviza, afirma ela, o socialismo será impossível. Costa e os seus camaradas de partido aplaudem entusiasticamente.
Ora, sucede que as «reformas» que o ministro Centeno garante querer fazer com o dinheiro que pertence a alemães, franceses e suecos, entre outros, passa precisamente pela implementação das medidas financeiras que Mortágua e Costa vituperam. Que aquilo que alemães, franceses, suecos esperam que o governo que ele dirige faça está nos antípodas daquilo que Mortágua gostaria de fazer. E é nessa ambiguidade que surge a ameaça da suspensão dos fundos estruturais.
É que esta, ao contrário da multa que não foi aplicada, há uns meses, a Portugal, não serve para penalizar o que não foi feito, mas o que se adivinha que não será feito. As multas castigam as reformas que não aconteceram. A suspensão de fundos precavê as reformas que se percebe que não irão acontecer. Se isto acontecer, serão prejudicados muitos milhares de portugueses e toda a economia nacional. Nisso Centeno não se enganou. Só se esqueceu de dizer de quem será a culpa.
Donde, o Dr. António Costa tem que se decidir, por uma vez: ou quer continuar a no poder a qualquer preço, nomeadamente pelo preço que o Bloco lhe cobra diariamente, ou começa a governar pelo interesse dos portugueses. Com os dois em simultâneo será impossível.
Kapitalisme ca not promisse a betta laife anymó
o que disse, afinal, a menina mortágua e o ps aplaudiu vibrantemente?
O que disse, afinal, a menina Mortágua, na sua já célebre intervenção num fórum socialista de Coimbra. Pois bem, seguem as suas palavras, ipsis verbis, proferidas entre os minutos 12’45’’ e 15’30’’ (o resto é igual ao litro):
«Três conclusões sobre esta intensa análise. A primeira é: as desigualdades vêm necessariamente do próprio funcionamento do sistema capitalista como ele está desenhado hoje. É o sistema a funcionar, é a economia a funcionar, que gera as desigualdades que, por sua vez, geram crises. E, portanto, a primeira questão é acabar com as desigualdades. Não é apenas uma questão de justiça social. É claro que é uma questão de justiça social para qualquer pessoa de esquerda, mas acabar com as desigualdades é uma questão de política económica de estabilização macroeconómica. Porque enquanto persistirem desigualdades na distribuição de rendimentos há potencial para desequilíbrios macroeconómicos. E, portanto, quando eu estou a defender políticas de distribuição de rendimentos eu não estou a fazê-lo apenas porque eu acho que as pessoas têm que ter rendimentos aproximados. Eu estou a fazê-lo porque eu não quero ter crises económicas. É um mecanismo de estabilização de economias. A segunda questão, muito breve, é que há medidas de política social que podem ajudar a reduzir a pobreza e podem ajudar a diminuir as desigualdades, mas elas não vão resolver o problema na sua base. E não vão resolver o problema na sua base porque o problema está no funcionamento do sistema económico. Eu posso encontrar medidas que me permitam, através do Estado Social, redistribuir alguma riqueza, posso encontrar medidas que, através do Estado Social, mitigar alguma pobreza, mas eu não vou conseguir acabar com as desigualdades se eu não mexer no sistema que produz as desigualdades. E eu penso que esta é uma reflexão que não está tão desenvolvida como nós gostaríamos. E, por isso, termino agora, do ponto de vista prático, a primeira coisa que acho que temos que fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro. Quando estamos a apresentar taxas sobre grandes patrimónios ou grandes rendimentos estamos a fazê-lo porque queremos diminuir as desigualdades, mas também porque dizemos que uma sociedade estável não é uma sociedade que permita a acumulação brutal de capital nos 1% do topo. E, portanto, não devemos ter vergonha de uma política social deste género. Em segundo lugar, e este é o desafio que deixo ao PS (aplausos vibrantes…), em último lugar é o desafio que deixo ao PS, a Ana Catarina dizia há bocado que quem desiste de pensar acaba por cair no pragmatismo, e eu concordo, eu acho que cabe ao PS, acho eu e com toda a humildade, se quer pensar as desigualdades pensar também o que é que pensa do sistema económico hoje em dia, do capitalismo financeirizado hoje em dia e até onde é que está disposto a ir para encontrar uma alternativa a esse sistema capitalista (aplausos vibrantes)».
A questão de fundo desta intervenção – tão aplaudida pelos socialistas presentes – não foi a intenção anunciada de taxar os «ricos», novidade que, no Bloco, verdadeiramente o não é, mas a de desafiar o Partido Socialista a abandonar o modelo de Estado Social, e que foi tão vibrantemente aplaudida. É isso que significa a frase «eu não vou conseguir acabar com as desigualdades se eu não mexer no sistema que produz as desigualdades». As medidas do Estado Social, o tal que era património genético do PS supostamente desde sempre, mitigam, mas não permitem acabar com as desigualdades sociais, pelo que é necessário ir mais além. Foi para isso que Mariana Mortágua desafiou o PS a esclarecer «até onde é que está disposto a ir para encontrar uma alternativa». Uma alternativa ao Estado Social.
Para garantir a sobrevivência do governo e a liderança de António Costa, o PS compactua com isto. Por quanto tempo mais e com que custos para o país?
Muito obrigado
O meu último post originou algumas tentativas de insulto nos comentários, algo que muito me apraz – sempre que um fã da Mariana Mortágua se ofende ao ponto de se dar ao trabalho de comentar, sinto uma realização pessoal e um ligeiro progresso na alfabetização do país. Ao contrário das pessoas que acham – e eu fui uma delas – que os comentários nos blogues e jornais, como esgotos a céu aberto que são, devem ser controlados no seu teor, considero agora que um esgoto a céu aberto é menos perigoso que um esgoto não canalizado e infiltrado, escondido da vista pública. Assim, posso afirmar que estamos bem enquanto tentarem insultar quem quiserem: bem sei que no modelo que defendem não há lugar a insultos, a divergências de opinião ou sequer a oposição mas, para já, enquanto há, cá vou manifestando o que entendo para os senhores se indignarem. Neste caso, a minha opinião é apenas que a Mariana Mortágua é uma abécula. Noutros casos é que o António Costa é um imbecil. Não há nada como ter opiniões validadas em factos através do zelo dos seus fãs. A estes, o meu muito obrigado.
um país de bandidos
A filosofia do governo da geringonça consiste numa ideia muito simples: as coisas não correm bem porque há um bando de tratantes que foge ao fisco e que se esconde por trás do sigilo bancário. Isto tem sido dito, à boca cheia, pela menina Mortágua, o que até se compreende, e foi sacramentado por António Costa num discurso deste fim de semana, onde ele disse que o estado tem o direito de não se deixar enganar por estes malandros, pelo que lhes terá que ir às contas bancárias. A diabolização do inimigo é, em política, uma técnica muito velha, conhecida e tratada pelos clássicos, de Maquivel a Carl Schmitt e Julien Freund. Ela tem várias finalidades, entre as quais a de dar coesão ao grupo, de o desresponsabilizar pelos erros cometidos e, principalmente, de justificar um ataque violento aos que estão de fora. No caso das contas acima de mais de 50 mil euros, o governo prepara-se para lançar uma suspeição generalizada sobre todos os portugueses nessas circunstâncias e agir em conformidade. Passaremos a ser todos possíveis criminosos, até prova em contrário. E é isto feito por razões de «justiça fiscal»? Vão brincar com outro!
indigência mental
Uma das frases mais reveladoras da indigência mental a que chegou boa parte da sociedade portuguesa é essa coisa de que «quem não deve não teme». Repetida até à exaustão, como se de um mantra se tratasse, tem-nos enchido particularmente os ouvidos desde que o governo PS apresentou, irresponsavelmente, a intenção de permitir a devassa das contas bancárias com depósitos superiores a 50 mil euros. Logo uma turba de camelos apareceu por aí a repetir, ad nauseam, que «quem não deve não teme». A questão é, obviamente, outra. Não está em dever ou deixar de dever, em temer ou deixar de temer, mas em que nada legitima que seja quem for, um funcionário das Finanças ou um agente da Pide, possa mexer no que não lhe pertence sem ter uma boa razão para isso. A razão é a suspeita de fuga ao fisco? Então, já existe uma lei para resolver essa dúvida. De acordo com ela, o sigilo fiscal cairá se houver essa suspeita em relação a um contribuinte. A competência para levantar o sigilo bancário é do Director-Geral da Autoridade Tributária, que a poderá delegar nos Directores das repartições de Finanças. Se esta possibilidade já existe, serve, então, para quê, esta lei que autoriza o fisco a espiolhar as contas com depósitos acima de 50 mil euros? Obviamente, para dar satisfação ao repto da menina Mortágua, que quer ir buscar o dinheiro a quem o está a economizar, para o gastar onde bem lhe apetecer. «Quem não deve não teme?». Estou a ver um garboso agente da extinta PIDE/DGS a repetir a frase, antes de desempenhar mais uma diligência a Bem da Nação. E, já agora, se «quem não deve não teme», o que receia José Sócrates do desfecho do seu processo?
Como diz que não disse?
Neste momento corre que Mariana Mortágua não disse o que disse e que o PS não aplaudiu o que ela não disse.
Por outras palavras isto nunca aconteceu

A propósito do parolo de Mação… e não só dele

Vergonha? Disse vergonha?
Da série só o juiz parolo de Mação dá entrevistas (3)
Da série só o juiz parolo de Mação dá entrevistas (2)
Da série só o juiz parolo de Mação dá entrevistas
É uma tristeza, é o que é

Ultimamente, não consigo escrever um texto bom no Blasfémias. Digo-o com toda a sinceridade. Os imbecis que nos governam, os toscos que os apoiam, o rol de idiotas chapados com formação académica que os aclamam e os média, que os tratam sem insultarem as respectivas mães – culpadas, certamente, por amamentarem estas criaturas até ao doutoramento -, geram uma tristeza tão contagiosa, açambarcadora e deprimente que suga qualquer hipótese de humor sobre toda a tragédia que é o Portugal do século XXI.
Nestas alturas, só regressando ao país real, longe do Porto, longe de Lisboa – ou a 30 km, que já é suficiente para arejar -, posso encontrar o português honrado, aquele que não aparece a comentar esta corja toda com paninhos quentes relativistas, o filtro descrito por Taleb no artigo “The Intellectual Yet Idiot”. No país real também há ladrões, também há putas, também há violadores: só não são é aceites e justificados perante a comunidade como pertencendo ao rol da gente de honra.
Para já, esses estão calados. Se continuarem a ser provocados, com ameaças ao espólio de décadas de árduo trabalho, a honra virá ao de cima. É que, se o pai da Mariana Mortágua podia disparar uns tiros a inocentes e ainda assim ser condecorado por Sampaio, estes acabarão condecorados pela comunidade real. E, para que conste, Mariana, essa motorizada é sul-coreana, sua burra, não é norte-coreana. É de uma empresa de capitalistas daqueles que empregam uma dezena de milhar de pessoas. É uma motorizada fabricada por um dos teus alvos a abater, abécula.
Intimidade revelada
Só me ocorre uma razão para o destrambelhamento de permitir que a doida varrida de Mariana Mortágua diga em público aquelas palermices de tirar dinheiro a quem o poupa – dar voz aos desejos mais íntimos de uma mulher solitária que anseia ser assaltada na rua por brutamontes cheios de testosterona que contrastem com os xoninhas com que lida diariamente.
Update 29/09/2016: Agradeço as ameaças de morte (é sempre reconfortante saber que palavras vos irritam). Porém, já está demonstrado que o que se pode dizer de Maria Luís Albuquerque, Cavaco Silva, Passos Coelho, Angela Merkel e muitos outros não pode ser dito de pessoas mesmo boas, como as esganiçadas. Quod erat demonstrandum. Agora, 12 dias depois, fecho os comentários. Obrigado pela preferência.
Tripas, parte 4
O Chuck Palahniuk publicou, na revista Playboy, em 2004, uma conto intitulado “Guts” (“Tripas”, em Português). Em pouco mais de 3000 palavras são contadas três histórias de masturbação que correm de forma terrível. A última do grupo, a história do próprio narrador, é a célebre narrativa do miúdo que, usando o ralo de sucção para circulação da água da piscina de forma auto-erótica, originou um gigantesco prolapso intestinal intensificado pela necessidade de evitar o afogamento.
A quarta história, não incluída no conto original, seria esta, de João Lemos Esteves. Nestas coisas de afogar o ganso, é sempre possível ser mais audaz na vida real que na ficção.
Ataques à classe média
Novo imposto sobre património é “ataque à classe média”, diz a APEMIP
Catarina Martins: mexer na progressividade do IRS “não é atacar a classe média”
O “ataque à classe média” é uma das bengalas da política nacional, pois toda a população se identifica como de classe média e todos os partidos dizem defender a classe média. Mas o que seria um ataque à classe média no presente contexto, após 15 anos de estagnação e 1 bancarrota?
Deixar falir o país de novo ou criar condições para que nos aproximemos dessa situação seria um ataque à classe média, porque como é evidente os custos seriam pagos essencialmente pela classe média.
15 anos de estagnação só são possíveis porque o país ficou à margem dos fluxos de capital da globalização. Portanto, qualquer medida que penalize o investimento estrangeiro em Portugal é um ataque à classe média. Por exemplo, capitalizar a Caixa Geral de Depósitos com dinheiro dos impostos da classe média quando ela podia ser capitalizada com dinheiro estrangeiro, servindo para atrair investidores externos, é também um ataque à classe média. Cancelar as concessões dos transportes urbanos e rever a privatização da TAP são também ataques à classe média.
É est imposto sobre o património que o governo quer criar um ataque à classe média? É. É porque ataca investidores que de boa fé apostaram na economia portuguesa num momento em que niguém queria apostar. A esquerda não esconde que um os alvos desta medida são os estrangeiros que cá compraram casa. Esse ataque aos investidores é um ataque à classe média, que é quem beneficia de uma economia saudável que a entrada de capital estrangeiro permite.
a falácia do imposto sobre o património dos «ricos»
O governo da geringonça vai criar um novo imposto sobre as «fortunas» imobiliárias. O que é que você julga que vê (e que o governo vai propagandear):
- Maior Justiça fiscal, porque os mais ricos pagam mais;
- Melhor distribuição de rendimentos, porque quem tem muito fica com um pouco menos e quem nada tem fica com alguma coisa;
- Desenvolvimento do país, porque ter mais rendimento nos bolsos dos mais pobres e nos cofres do estado permite mais consumo, mais investimento público e o crescimento das empresas.
O que realmente acontece (e que todos sentiremos, a prazo curto ou médio, de uma forma ou de outra):
- O imposto incidirá sobre bens imóveis de valores inflacionados pelas avaliações das finanças, sem qualquer correspondência com a realidade do mercado;
- Se você quiser vender os seu imóveis ninguém lhos comprará, porque nem eles valem o que dizem as finanças, nem as pessoas estão para comprar bens que serão altamente tributados;
- Os rendimentos assim colhidos não irão para o bolso dos pobres. Eles terão como destino o pagamento das medidas que sustentam os rentistas apoiantes deste governo (os sindicatos da função pública), os caprichos ideológicos de alguns ministros (a «gratuitidade» dos manuais escolares), o sector empresarial-ideológico do estado (RTP) e, claro está, os buracos da Caixa Geral de Depósitos, gerados com medidas verdadeiramente criminosas de anteriores governos.
- Os proprietários ficarão cada vez com menos dinheiro e sem expectativas de realizar lucros com o seu património, pelo que terão de cuidar pior daquilo que é seu.
- Assim, o património imobiliário urbano vai degradar-se e os terrenos agrícolas e florestais vão ficar por limpar.
- Donde, os incêndios aumentarão e o estado vai ter de dispor de mais recursos para os combater. O pais ficará mais pobre em recursos naturais.
- Os investidores estrangeiros deslocarão os seus capitais e investimentos para países mais amigos do património e com estabilidade fiscal. Portugal terá menos capital, menos investidores, menos empresas e mais desemprego.
- Com menos dinheiro, os portugueses investirão e consumirão menos. Agravar-se-á o estado da economia nacional, de acordo com os próprios postulados desenvolvimentistas do costismo.
- Sem capital e com uma economia cada vez mais frágil, o estado terá que gastar mais para socorrer aos desempregados e em medidas assistenciais, com receita tendencialmente crescente. O défice das contas públicas agravar-se-á. A falência do estado e um próximo resgate serão inevitáveis. Centeno sabia do que falava.


