agora é que a austeridade acaba mesmo
A austeridade, que vinha sendo diminuída desde que o governo da geringonça assumiu funções, vai ser agora definitivamente eliminada com o orçamento de 2017. Como é sabido, a melhor forma de a mensurar é o valor mais ou menos elevado da tributação, porque ele permite retirar mais ou menos rendimento às pessoas e obrigá-las a viver com maiores ou menores dificuldades. Foi, aliás, a partir do «brutal aumento de impostos» de Vitor Gaspar, que a austeridade tomou definitivamente conta do país no governo de Passos Coelho. Com o de António Costa é tudo diferente, porque ele prometeu devolver os rendimentos aos portugueses e, naturalmente, pelo menos, não aumentar impostos, e palavra dada é palavra honrada. Por isso, o próximo orçamento tem previsto, pelo menos, o aumento dos impostos sobre a gasolina e produtos petrolíferos, os carros e o crédito, tudo coisas que obviamente não afectarão em nada a vida dos portugueses. E, também já se sabe, será criado um novo imposto que incidirá sobre o património imobiliário de cada cidadão, o que também será coisa sem importância nenhuma. Este novo imposto é, aliás, muito bem-vindo numa altura em que os próprios génios da geringonça reconhecem que o país não tem capital e que precisa urgentemente de investimento e de investidores. Isto vai mas é dar um enormíssimo estoiro!
Vamos ver um jogo, Centeno
Hoje, dia chuvoso, podia ler-se que Augusto Santos Silva, Rocha Andrade e o Secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, resolvem toda a problemática decorrente de irem ver jogos à pala da Galp com deixarem de tomar decisões sobre a Galp. Lindo: isto permite-me convidar Centeno a vir comigo ver o jogo de futebol que ele quiser, onde ele quiser, bastando, para isso, que deixe de tomar decisões sobre confiscos aos meus rendimentos. É simples, eficaz e, a partir de hoje, já tem precedente.
Não foi por muito menos que isto que mataram o Rei D. Carlos?
o sentido do resgate e o resgate do sentido
Mário Centeno, ministro das finanças do governo da República, falou na necessidade de, com o seu trabalho, evitar um novo resgate das finanças públicas portuguesas. Não disse que essa era uma hipótese iminente, não disse que ia acontecer, mas, ao dizer que o objectivo da sua actuação, enquanto ministro, era principalmente esse, não só reconheceu essa possibilidade, como lhe atribuiu uma importância destacada sobre qualquer outro assunto que esteja no âmbito das suas funções.
Dois ou três dias depois dessas declarações serem do domínio público, tendo alarmado os portugueses, como é compreensível, António Costa, primeiro-ministro do mesmo governo, apareceu, com o ar descontraído e blasé do costume, que já alguém qualificou de «irritante», a desvalorizar as declarações do seu ministro e a garantir que «não faz o menor sentido falar de qualquer resgate». E ainda teve tempo para, no exercício do seu excelente humor de caserna, mandar o líder da oposição «caçar pokémons».
Sobre isto, apenas dois comentários.
Primeiro, que não é de um «qualquer resgate» que os portugueses têm receio, mas do das contas do estado português, que eles terão de pagar, caso aconteça, como estão a pagar as do resgate pedido em 2011 pelo anterior governo do Partido Socialista. O assunto merece, portanto, alguma circunspecção e, seguramente, muito menos leviandade no trato, sobretudo depois das declarações feitas pelo ministro que tem a responsabilidade de o «evitar».
Segundo, que um primeiro-ministro que responde a um líder da oposição da forma que António Costa fez poderá, até, de não ter de resgatar as contas públicas. Mas precisará, pelo menos, de resgatar o bom senso.
Vai estudar, ó Costa
Os militares não são deste tempo?
Bonifácio vs Eastwood (ou o pussy que cai no engodo)
João Bonifácio, cronista do Público, achando que escrevia um texto inteligente sobre Clint Eastwood, acabou a demonstrar que é, ele próprio, um exemplo perfeito da pussy generation, como caracteriza o realizador. Em muitos aspectos, é interessante esta meta-identificação: lança-se o isco, um Bonifácio fisga-o, com a devida distância cómica de nenhum leitor saber, no momento em que se senta para ver Sully (2016), quem é o tal de Bonifácio.
Optando por declarações de pessoas tão ideologicamente isentas como Daniel Oliveira, homem que passou anos a defender Louçã e a escrever ridículos manifestos prontamente engavetados no momento em que Tsipras bate de trombas com a realidade, Bonifácio demonstra-nos que é um pussy ao publicar o ex-bloquista a afirmar que “ele [Eastwood] já apoiou tudo o que há de mau”. Só um pussy se esqueceria de perguntar a Oliveira se mantém sobre a Geringonça o que escreveu em 2005 ou se também já dá por si a apoiar tudo o que há de mau:
Voltemos ao básico: antes das eleições, Sócrates disse que não aumentaria os impostos. Agora, Sócrates não tem legitimidade democrática para os aumentar. A democracia é isto: diz-se ao que se vem, recebem-se os votos e cumpre-se. Não faltam alternativas, por exemplo, na saúde, principal responsável pela derrapagem orçamental. Porque se o programa de governo fosse inevitável, mais valia pôr Vítor Constâncio como primeiro-ministro. É verdade que descobre tudo em momentos muito convenientes. Mas, pelo menos, tem sempre o mesmo programa de governo, seja qual for o governo. Só lhe faltam mesmo os votos. Um pormenor.
in (extinto e apagado) Arrastão
Mas Bonifácio é um pussy, sobretudo, por, dando voz a mais uma declaração de Oliveira, não perceber que o seu artigo será lido por todos como parte da agenda azeite-progressista do Público, com “Gran Torino é um filme sobre o preconceito mas em que há uma aproximação entre as duas partes. Mas essa aproximação não é igualitária: é o miúdo que se americaniza”. O artigo de Bonifácio a criticar Eastwood até seria boa ideia, mas a abordagem não parte de uma base intelectual igualitária: é Bonifácio quem se pussyfica.
Contribuintes preparai-vos
Esta fotografia consta da capa do PÚBLICO. Segundo a legenda “Bairro de Molenbeek, em Bruxelas; contra a radicalização, regenerar as periferias europeias.” No título da mesma foto temos “Cimeira Europeias Costa vai defender alternativas à austeridade”
Ao certo o que precisa de ser regenerado aqui? Isto em Lisboa passa por luxo. E o que tem a regeneração das belas das casunchas a ver com a austeridade?

«entrevista» para quê?
João Miguel Tavares estranha hoje no Público a entrevista feita pela SIC ao juiz Carlos Alexandre. Com toda a razão. Não se compreende de facto porque foi feita e porque o mesmo aceitou fazê-la.
Dada a situação processual ainda em curso, nunca Carlos Alexandre iria aceitar falar sobre o caso. E se não era sobre o caso processual, qual o interesse mesmo da coisa? Traçar um perfil pessoal? Mas o juiz é candidato à Câmara de Mação? O que interessa o seu percurso pessoal, o que pensa sobre o sistema de arrrependidos, se o seu salário é-lhe suficiente par ao seu estilo de vida ou não e outras tretas? Em termos de opinião pública, o único interesse público de uma entrevista a Carlos Alexandre era ele falar em concreto sobre algum dos casos mais relevantes (e foram bastantes) que lhe passaram pelas mãos. Tudo o mais, é fait-diver sem ponta de interesse. Pelo que fica a questão: porque raio deu ele esta entrevista?
Agradecimento público
Lendo a nota da direção [sic] do Expresso, só me resta agradecer ao anónimo Oficial do Exército que telefonou/visitou/limpou-a-poeira-da-lapela ao ministro Azeredo Lopes, fazendo com que este mudasse subitamente de ideias em relação ao curso de Comandos.
Muito obrigado.
Um dó li tá…
Jerónimo de Sousa: “não viria mal ao mundo” se os impostos aumentassem para os grandes grupos económicos e financeiros.
Mário Centeno: não haverá aumento dos impostos diretos
Caldeira Cabral: Próximo ano será de “diminuição da carga fiscal” para todos
Que fazer?
uma dúvida libertária
O Alexandre Mota, um liberal arguto e atento, mordeu o anzol que eu intencionalmente deixara no meu último post sobre a «liberdade», que era esta coisa – intencionalmente lamechas – de dizer que valeria a pena redistribuir propriedade se ela chegasse, efectivamente e com utilidade, a quem dela possa necessitar. As coisas não são inteiramente assim, até porque subsidiar a carência poderá ter o efeito pernicioso de não haver incentivo para a abandonar, embora, obviamente, também daqui se não possa retirar um princípio geral. Mas o Alexandre tocou no ponto essencial: e se eu não quiser ser sensível aos problemas dos outros, uma sociedade liberal deverá obrigar-me a sê-lo?
A resposta é obviamente negativa. Para bom entendedor: numa sociedade liberal ninguém pode ser obrigado a nada, muito menos a fazer aquilo que não quer. Mas isso deixa outra questão: a da dita sociedade liberal não querer conviver com quem não queira aceitar as suas regras estruturantes, por exemplo, a de todos contribuírem para reduzir a pobreza. Nessa medida, aplicando o velho princípio da secessão ao limite máximo do indivíduo, enunciado por Mises e exaltado pelos anarco-capitalistas, eu posso recusar-me a agir contra a minha vontade; mas a comunidade onde vivo não aceita que eu beneficie de tudo o que construiu e de que usufruem aqueles que lá vivem, sem a obediência às suas regras estruturantes e a outras consideradas fundamentais. Então, eu poderei, livremente, abandonar aquela comunidade e ir em busca de outra, até encontrar alguma que me aceite como sou, ou eu próprio empreender esforço e recursos para construir a minha. A propriedade de mim mesmo não se impõe à propriedade dos outros, nem à comunidade de que um conjunto de indivíduos se arroga proprietário dela: my place, my rules, certo?
Então isto levanta a questão democrática: como se criam essas normas fundamentais?; e quem as determina e aprova? A resposta tradicional libertária será a que, quanto menor o espaço comunitário de decisão, maior a probabilidade de unanimidade. Só a unanimidade legítima, para Spooner e Rothbard, a imposição de uma norma. Mas nós não ignoramos que vivemos em enormes cidades, onde as unanimidades são impossíveis. Ou que, mesmo em pequenas comunidades, 10 decisores podiam hoje acordar no que fosse e, amanhã de manhã, um deles querer o exacto oposto do dia anterior. Julgo que o cooperativismo normativo (ideia, aliás, muito socialista…) esbarra, salvo melhor opinião, na impossibilidade de eu, condutor numa estrada movimentada, parar o meu carro para perguntar aos outros condutores se eles conduzem pela esquerda ou pela direita, para não me arriscar a levar com um nas trombas. Isto leva-nos, então, à necessidade da existência de normas jurídicas, o mesmo é dizer, de regras coativas, que, em certas circunstâncias, se impõem mesmo contra a vontade daqueles a quem se aplicam.
Como resolve o Alexandre este problema para salvar o seu libertário peregrino, que não quer ser generoso em terra onde todos os outros determinaram que fosse? Eu tenho uma solução. Mas só a revelo depois do Alexandre me dizer a sua.
Marcelo: espelho, espelho meu há alguém mais popular do que eu?
Uma história de mamas
A propósito da suspensão imposta pelo Facebook à página do Blasfémias pela publicação desta imagem, decidi escrever uma pequena história.
Foi em 1987 que decidiram: no ano seguinte iriam a Benidorm, como os Silva fizeram no ano passado. Última quinzena do Verão de 1988, Ambrósio e os pais entram, às cinco da manhã, na camioneta que os levará, após dois longos dias e uma noite em Madrid, à província de Alicante. A meio do segundo dia, logo após o almoço em La Roda, Albacete, um carro arde na berma da A–31, antes da bifurcação desta para a A–30. Anos mais tarde recordei este incidente quando eu próprio parei o Opel uns quilómetros a sul de Hellín, na A–30, por uma ruptura de tubo de refrigeração do motor, tendo andado a fazer transbordo de tachos e almofadas do taxi que nos levou ao parque de estacionamento do aeroporto de San Javier, onde aguardei por um carro de substituição. “Felizmente não se incendiou” veio-me à memória.
Ficaram no hotel Sol y Sombra, na Calle de Florida, a 800 metros da praia Poniente, não na mais badalada Levante, já na altura frequentada por europeus de países considerados mais abastados, como ingleses e alemães. Pior é o caminho da praia para o hotel, a subir a Av del Rey Jaime I, que a descer todos os santos ajudam. Ainda hoje, a piscina do hotel fica do lado aposto da rua. O revestimento azul da piscina, áspero, compreendia-se pela quantidade de areia depositada no fundo. Toda a gente a usava como lava-pés entre a praia e o quarto enquanto as sevilhanas gorduchas ensaiavam grotescas interpretações de canções para a soirée no bar que, certamente, inspiraram Almodóvar uns anos antes.
Ambrósio corou com a quantidade de mamas na praia. Eram grandes e pequenas, firmes e gelatinosas, orgulhosamente irreverentes e caoticamente bamboleantes, de todas as cores e variados graus de dureza de mamilos, ora apontando em estéreo para o longínquo horizonte, ora, nos casos das senhoras com cara de mãe de alguém, apontando no ângulo de 60 graus que cria a hipotenusa do triângulo rectângulo formado pela areia e a caminhante figura maternal. Ambrósio nunca tinha visto tal coisa. A quantidade de gente que se passeava de mamas ao léu, como se fosse normal, como se houvesse disso na Praia da Aguda, onde costumava ir com os pais, queimava-lhe o cérebro pequenino de português deslumbrado. Os postais! Ai os postais, com mulheres nuas espalhados pelos mostruários. Em Portugal nunca haveria disso: vivia-se o cavaquismo em todo o seu esplendor, a era da obscuridade que, só com Guterres e depois com Sócrates iria libertar as mulheres das amarras domésticas para a necessária defesa ferrenha do uso de burka, como fazem as modernaças que frequentam, elas próprias, as praias de biquini opcional de Formentera.
Ambrósio deixou de ter treze anos em 1989. Agora, nos quarentas, é coleccionador de postais. Não pode publicá-los no Facebook – é proibido. Daí que os publique eu, aqui, no Blasfémias. No Facebook fica só o link.
Temos direito a uma explicação
Na reportagem que a RTP dedicou aos refugiados que foram para Penela vê-se alguém (admitamos que uma mulher) com uma burka ou niqab.Admitamos também que é a mesma que aterrou em Lisboa em Novembro do ano passado nesse preparo
Anda na rua nesta figura? Vai às lojas? Se estiver em idade disso vai à escola? E às consultas médicas?… Tal como me parece que o burkini é uma opção a respeitar também me parece indiscutível que a burka e o niqab não podem ser tolerados. Na cultura a que esta jovem se acolheu falar com outro de cara tapada é uma falta de respeito.


Morrer também pode dar esperança
A suspensão temporária do curso de comandos, anunciada pelo ministro da defesa, Azeredo Lopes, em virtude da trágica morte de um indivíduo, parece-me algo muito positivo e motivador de grande esperança. Dá-me alento que alguém morra acidentalmente no ministério das finanças. Pode ser que também suspendam toda esta loucura.
o que é a liberdade
A liberdade significa ausência de coação. Somos tanto mais livres quanto mais autónoma for a nossa vontade. Evidentemente que a liberdade absoluta é uma impossibilidade absoluta, porque a nossa autonomia da vontade tem infindáveis limitações. Desde logo, a nossa própria natureza, finita, frágil e muito limitada. Os recursos disponíveis, sempre escassos. Mas também, e sobretudo, os outros e as nossas circunstâncias. Não havendo dificuldades intransponíveis, é evidente que a nossa capacidade de decidir é maior ou menor consoante nasçamos ricos ou pobres, saudáveis ou enfermos, mais ou menos aptos para enfrentar as agruras da existência, etc.. Todavia, existe uma condição sine qua non a liberdade é impossível: o direito de propriedade. Muitas vezes incompreendido, a propriedade é o direito mais elementar de todos e o que, por isso, mais deve ser respeitado: começa com o reconhecimento ao direito a nós mesmos, ao nosso corpo, à nossa inteligência e àquilo que com eles conseguirmos obter pelo esforço e trabalho. A propriedade é o direito a nós mesmos e àquilo que connosco conseguimos alcançar. É, obviamente, pela sua natureza, um direito absolutamente privado e individual. Tudo que limite a propriedade é, por conseguinte, uma limitação séria à nossa liberdade individual. A teoria política desenvolveu, contudo, a ideia de que é legítimo limitar a liberdade dos indivíduos, não propriamente quando eles arrisquem a liberdade alheia, mas porque todos temos a obrigação de contribuir para a criação de condições de igualdade entre todos. Ainda que isto fosse viável e justo, não seria por isso que seria legítimo, se contrário a vontade de cada um a quem se aplica. Apesar das boas razões e dos bons motivos, não deixaria de ser uma redução objectiva da liberdade. Mas quem se incomodaria por ver a sua propriedade reduzida, se as condições de vida dos outros melhorassem, proporcionalmente, com isso? Só alguém absoluta e imoralmente insensível. O problema é que os resultados obtidos são exactamente os contrários dos anunciados: a redução da propriedade, para efeitos supostamente redistributivos, gera mais pobreza do que abundância. Basta olharmos à nossa volta para o percebermos. Porque a gestão dos recursos assim obtidos é feita por políticos, e a racionalidade da sua aplicação é política e, em democracia, frequentemente eleitoral e não empresarial, no sentido de obter os melhores resultados da aplicação dos recursos (escassos) existentes. Porque o desperdício é enorme. Porque os governos mudam e as políticas, isto é, o destino dos nossos recursos, muda também, tornando frequentemente inútil quase tudo o que se gastou para trás. Porque, quanto mais reduzida for a propriedade e o rendimento que resulta do nosso esforço, menor será o incentivo para produzirmos e o capital disponível para investirmos, empobrecendo-nos a todos. Convém não esquecer que a URSS, onde a propriedade privada quase inexistia, implodiu por razões essencialmente económicas, por falta de produção e riqueza.
Não vivemos, em Portugal, por enquanto, num país soviético. Mas vivemos num país onde a maioria da classe média começa a trabalhar, para si, a partir do mês de Julho de cada ano. Ou seja, trabalhamos, pelo menos, seis meses para o estado, em nome dos melhores princípios, sem dúvida, mas, objectivamente, com os piores resultados: três falências, em trinta e cinco anos, de um estado que cobra e gasta, pelo menos, metade dos recursos anualmente produzidos pelos seus cidadãos. E a pobreza dos nossos semelhantes a aumentar exponencialmente, como não poderia deixar de ser. A nossa liberdade está, por isso, seriamente ameaçada.
Se as mulheres levassem burkini outro seria o impacto desta notícia
revolta no bordel

Há fúria no bordel do regime: afinal, os lucros da actividade da coisa não serão obrigatoriamente distribuídos pelos trabalhadores. Estes estão, naturalmente, em pé de guerra. Para apaziguar os ânimos deixo, então, uma sugestão alternativa: que sejam devolvidos aos contribuintes que vão pagar os vários mil milhões de euros que o lupanar precisa para não cerrar imediatamente as portas. Isto se alguém conseguir perceber como é que uma empresa falida pode ter lucros. Mas essa é já outra questão.
Arménio, o homem que quer uma coisa e o seu contrário
Portanto vamos lá perceber, Arménio Carlos é contra o Tratado Orçamental porque diz este asfixia a capacidade quer de investimento público quer de resposta às necessidades dos trabalhadores; mas por outro lado lado Arménio quer a renegociação da dívida no que respeita aos prazos, montantes e juros, porque não é possível Portugal estar a pagar só de encargos com juros, como vai acontecer em 2016, cerca de 8,5 mil milhões de euros, mais do que aquilo que está previsto para a Saúde ou para a Educação.
O dinheiro para o investimento público e para aquilo que Arménio designa como resposta às necessidades dos trabalhadores vem donde? O camarada Putin paga? É que se o camarada Putin não paga – e ao Tsipras não pagou – só nos resta ir bater à porta daqueles com quem Arménio quer renegociar a dívida e contesta pagar só de encargos com juros, como vai acontecer em 2016, cerca de 8,5 mil milhões de euros, mais do que aquilo que está previsto para a Saúde ou para a Educação.
O camarada Arménio Carlos é aquele vizinho de condomínio que contesta a prestação, impugna reunião atrás de reunião, não paga enquanto não se fizer isto e aquilo e ameça o condomínio com processos porque o condomínio não faz obras.
Para aqueles que acham que os comunistas mudaram
Ps. Só não percebo se o PCP autoriza ou não os seus militantes a serrem tratados na Fundação criada por alguém que segundo aquele partido “acumulou uma fortuna colossal assente nas benesses do Estado, na brutal exploração do povo português e dos povos das colónias à custa de negócios obscuros, de um dos monopolistas que foi esteio do regime fascista”
Filhos e bastardos
Há uns dias, a minha filha S., de dois anos, tropeçou enquanto corria atrás do irmão. Em plena calçada de granito, o tropeção originou uma dilatação espaço-temporal que tornou a distância dos meus braços superior a cinco metros e o tempo de queda superior a cinco segundos. Foi como se o filme que se projectava no meu cérebro passasse a espaçar cada frame, explicitando fotograficamente cada movimento rumo ao solo enquanto tornava a minha tentativa de a agarrar num patético esticar lento de braços incapaz de se aproximar da cena.
A DBRS pode cortar o rating da república na próxima avaliação. Costa saltita, alegremente, perseguindo o mano Maduro e o primo Hoxha. Eu observo, à distância, como que em câmara lenta, incapaz de me aproximar do gordo para lhe pregar a rasteira necessária.
É isto, o amor de pai: saber separar os que queremos agarrar dos que queremos empurrar. No fundo, é o conhecimento que permite separar os que são família dos que são os bastardos.
A metalurgia
A propósito da subvenção vitalícia usufruída por Jerónimo de Sousa ficámos a saber que o PCP é contra as subvenções mas pede-as e usufui-as. Numa prática que certamente levará a um inquérito e a indignações várias fomos esclarecidos sobre os procedimentos atravás dos quais os comunistas entregam estas subvenções ao partido. Enfim, toma do Estado entrega ao patrão similar ao daqueles estagiários que entregam parte do subsídio do IEFP à entidade patronal.
Para lá deste enredo temos o recorrente imaginário de Jerónimo de Sousa metalúrgico. Jerónimo nasceu em 1947. Começou a trabalhar como afinador de máquinas, em 1961. Em 1973 já está na Direcção do Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa. Tornou-se deputado em 1975. Mas Jerónimo político profissional e profissional da política (não vejo mal algum nisso) continua a ser apresentado como metalúrgico.
A saudade e o arrependimento por impedir que baixasse as calças
O tipo de humor progressista é maravilhoso. Podemos achar questionável que uma estação pública opte por contratar pessoas que acham engraçado chamar “vaca”, “puta” ou “bicha bêbada” a alguém, porém, não faz sentido achar que um burgesso que se ria com isto é desprovido de razão ao considerar que há algo engraçado no meio deste bucolismo azeiteiro.
Eu tinha um tio – que já faleceu – que era conhecido por baixar as calças nos casamentos da família. Como vivia fora do país, optei por não o convidar para o meu, há 15 anos, algo que o ofendeu profundamente. Pesando os prós e os contras de o convidar, particularmente naquela idade dos vinte-e-qualquer-coisa, achei mais importante que ninguém baixasse as calças no meu casamento do que os sentimentos de um homem que não escolheu ser meu tio. Posteriormente arrependi-me, mas era tarde demais para repetir a festa. Falhei como sobrinho, rejeitando um tio – num momento propício à felicidade que só vinho à descrição permite – em prol da sanidade mental dos restantes convidados, pouco habituados a tios excêntricos que baixam as calças em casamentos.
O João Quadros não tem piada, é um bronco que acaba por fazer rir da mesma forma que o trambolhão de um cego na paragem de autocarro faz: pelo nervosismo de quem assiste. Como em tudo na vida, devemos tentar perceber os sentimentos dos outros. E se fosse eu, que a tentar ser engraçado só conseguisse ser como o João Quadros? E se fosse eu, que por cegueira, caísse na paragem do autocarro? Por isso, por achar que o meu tio merecia ter ido ao meu casamento, fico satisfeito por contratarem o João para a Antena 3. Baixe as calças, João, em memória do meu tio. Um homem disposto a baixar as calças num casamento é um homem que merece mais um copinho. Ao menos, a boda é paga por todos os contribuintes, sorte que o meu tio – que Deus o tenha – não teve.
Aquecimento global ou arrefecimento localizado
Num post anterior gerou-se uma certa animosidade de comentário acerca de aquecimento arrefecimento global mudanças climatéricas. Há quem afirme que não há mudanças climatéricas, mas essas pessoas estão erradas e eu tenho a prova: na semana passada, debaixo da minha figueira mais frondosa, existiam dezenas de figos caídos antes de atingirem a maturidade. O senhor do campo de milho que ladeia o meu terreno diz que foi do calor, e eu acredito. O aquecimento arrefecimento global As mudanças climatéricas existem e estão a prejudicar-me, assim como à minha família (excepto o que não gosta de figos), amigos e vizinhos. Se for necessário apresentar prova, logo tiro uma fotografia e fica resolvido o assunto.
As uvas vão no bom caminho, porém. Atribuo isso ao laissez-faire, já que nem tratei das videiras este ano. A hera trepadeira que estava a dar cabo da laranjeira, a que julgava devidamente exterminada, essa está a começar a trepar novamente. Aqui será necessário algum intervencionismo da minha parte, prova de que não sou nada fundamentalista nestas questões políticas. Tirando isso, mesmo que haja algum aquecimento global, os jardins do Palácio de Cristal, no Porto, são muito fresquinhos. Assim, convido-os a debaterem estas questões fundamentais para se entender o que é a direita, a esquerda e os perigos do socialismo de forma mais plácida, sem necessidade de ar condicionado (que deve ser mau para o ambiente, já que tudo o mais é) amanhã, nesse local, às 18h00.
Os invisíveis
Cidadãos de origem asiática manifestaram-se aos milhares este Domingo em Paris. Dizem-se vítimas de agressões, assaltos e abusos. As associações ditas anti-racistas não se interessam por eles. Os jornalistas ainda menos.
À Paris, la communauté chinoise crie sa colère
Na China, o presidente dos EUA saiu pela porta pequena do avião
mas se isto – “Obama mais perto de entregar exilado turco a Erdoğan” – se traduzir em algoo mais que palavras o próximo presidente dos EUA arrisca-se a ser convidado a estender ele mesmo o tapete. Para os presidentes de países realmente importantes, claro.
Desastre anunciado
Dado o que se anuncia para o arrendamento e que na prática se traduz por inviabilizar o despejo dos inquilinos que não pagam as rendas proponho que o PS, o PCP e o BE transformem o seu património imobiliário em casas de habitação e as coloquem no mercado. A legislação que se lhes aplica é a mesma que aprovarem para os demais senhorios. Ou, melhor ainda, naquela parte em que prevêem que se deve “facilitar o encaminhamento dos moradores em iminência de despejo para um atendimento de proximidade que possa ajudar a encontrar alternativas” (presumindo-se que até que a alternativa apareça o senhorio continue a albergar os inquilinos faltosos,a pagar o IMI, o condomínio, o seguro…) o PS, o PCP e o BE albergam-nos. Certamente que o PS resolveria o seu problema de tesouraria, o PCP rentabilizava o patrimonio que tem pelo país todo e o BE que até conseguiu por bom preço um palacete no centro de Lisboa ia dedicar-se ao alolamento residencial numa zona em que toda a gente quer alugar a turistas
O que não deixa de ser espantoso é que as medidas preconizadas pelo Governo e que vão destruir o mercado de arrendamento continuam a ser apresentadas pelos jornalistas como de defesa dos inquilinos.PS, BE e PCP acertam agulhas para salvaguardar inquilinos. Alojamento local também deverá sofrer nova regulação para beneficiar alojamento duradouro – Vejam se entendem: enquanto quem não paga renda continuar sem poder ser despejado não há mercado. Se o Governo quiser dê o dinheiro a quem não pode pagar a renda mas não imponha aos senhorios esse papel. Pura e simplesmente eles deixam de alugar as casas.
Dado o entusiasmo televisivo com as famílias que se dedicam ao crime
Já pensaram que têm aqui mesmo ao pé as famílias que se dedicam a angariar pessoas em evidente situação de fragilidade para em seguida as levar para Espanha onde as mantêm sequestradas e forçam a trabalhar?
Operação Resgate
Pacheco Pereira escreve no PÚBLICO: “Marcelo aceita a “geringonça”, mas pensa que ela é inerentemente instável, nem que seja pela Europa, e quer ter uma solução alternativa. Essa solução, que claramente prefere, é uma aliança entre PS e PSD. Ele sabe que ela hoje não é possível, não tanto por causa de Costa, mas por causa de Passos Coelho. Por isso, aponta para uma possível saída de Passos depois de um mau resultado autárquico, e daí o prazo que definiu para umas hipotéticas eleições, que foi erradamente interpretado como sendo para o Governo PS, quando o é para Passos. Marcelo sabe que Costa se pode entender bem com outro líder do PSD, Rio por exemplo, mas não com Passos.”
Se bem percebo nesta estratégia António Costa mantinha-se na liderança e o PSD mandava o líder embora para o substituir por outro. Note-se que o novo líder seria necessariamente mais fraco porque Passos não só já foi primeiro-ministro como ganhou as legislativas. Mas para lá deste ponto óbvio – Rio não tem a legitimidade de Passos e já agora a sua prestação enquanto potencial candidato presidencial revelou grandes fragilidades – temos o seguinte: se bem percebo o raciocínio de Pacheco Pereira, Costa manter-se-ia à frente do PS. Portanto o PSD trocava de líder, Costa mantinha-se à frente do PS e, porque então seria possível a tal aliança que Pacheco Pereira agora não acha possível “não tanto por causa de Costa, mas por causa de Passos Coelho” (será interessante perceber em que se baseia Pacheco Pereira para escrever isto). Chegados à aliança resta saber qual seria o papel reservado a Rui Rio nesse governo de aliança? Vice primeiro-ministro?
Digamos que isto não seria uma “uma aliança entre PS e PSD” mas sim um resgate do PSD a António Costa. Não ao PS mas sim a António Costa.
A ler
PÚBLICO: O convite chegou em pleno Agosto. Alex Tsipras, primeiro-ministro grego, queria reunir em Atenas os líderes dos países do Sul da Europa, para todos poderem conversar sobre os desafios com que o bloco comunitário se debate. Um a um, os governantes do Chipre, de Espanha, de Itália, de França e de Malta foram dizendo que sim ao repto de Tsipras, recusando a ideia de que a Grécia estava cada vez mais isolada na Europa. Do lado de Portugal, também António Costa marcou viagem para participar na reunião. E, como o próprio confirmou ao PÚBLICO, leva na bagagem uma proposta. A ideia que o primeiro-ministro levará a este grupo dos sete resume-se numa frase: apoiar o “investimento na regeneração urbana contra o terrorismo”, (…) “Há uma tarefa fundamental para travar esta radicalização, que é haver políticas públicas para periferias urbanas e também políticas de integração”, defende o primeiro-ministro português que insiste na ideia de que “a população islâmica tem de ser bem integrada”. António Costa vai apresentar uma proposta sobre como essa integração deve ser feita: “Passa pela regeneração física dos bairros periféricos” em várias cidades europeias que alojam parte substancial das comunidades islâmicas, sendo que “muitos desses bairros terão de ser refeitos de raiz”, explica.
Portanto o terrorismo islâmico radica num problema de habitação. Certamente que António Costa nunca viu bem as fotos dos locais onde vivem os terroristas franceses.Esperemos que o nosso primeiro-ministro explique como vai fazer “de raiz” esses bairros.
Usariam burkini?
Vamos debater o heliocentrismo
Ultimamente, agora que a geringonça vai enferrujando o caminho para o próximo ai-quem-nos-vai-acudir dos funcionários públicos e restante empeno burocrático-estatal, tem surgido uma série de comentadores anódinos que, pela sensação de inteligência decorrente de encontrarem um nim para nada dizer, criticam o que denominam de claques entre os partidos do poder. Estes relativistas, habituados aos meandros da curiosa academia que tanto valoriza a descoberta de uma vacina para o cancro como o “eu fragmentado” na literatura pós-género de travestis subsaharianos sob efeito de mescalina, estão habituados a, como enguias, movimentarem-se sem fricção por entre as frinchas da alternância de poder recorrendo ao visgo segregado por gula de reconhecimento intelectual. São disfarces, claro, não são mesmo enguias. Não é fisicamente possível ser, em simultâneo, inteligente e desprovido de opinião vincada sobre o modelo a seguir.
Os relativistas não encontram o Bem ou o Mal, limitam-se a sugerir que devemos dialogar, numa espécie de ecumenismo entre Deus e o Diabo, como se a civilização ocidental se apoiasse em pilares relativistas e ignorando todos aqueles que, contra o poder vigente, afirmaram factos tão triviais hoje como o heliocentrismo. Não se trata, Nuno Garoupa, de “raízes profundas e lógicas para que o debate político seja cada vez mais um concurso de beleza encenado para as claques, onde predomina essa diabolização do adversário, em detrimento de ideias, modelos e programas”. Trata-se, sim, de um dos lados desse não-debate estar permanentemente a ser provado errado nos vários cantos do globo com azar suficiente para serem amaldiçoados com governos de Geringonças.
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Contributo para os encontros de short stories
- A Comissão Europeia concluiu que a Irlanda atribuiu ilegalmente benefícios fiscais à empresa norte-americana Apple, equivalentes a cerca de 13 mil milhões de euros, valor esse que terá agora de ser cobrado pela Irlanda à Apple.
- Governo da Irlanda já anunciou que não concorda com a decisão e vai recorrer. Não para ganhar mais, mas para não receber estes milhares de milhões em impostos
- Portugal vai averiguar se decisão sobre Apple pode dar origem a liquidação de impostos
Educação: incompetência estrutural
- professores são colocados a poucos dias do início das aulas, apesar de o ano lectivo ter terminado já há 2 meses.
- alunos e famílias desconhecem a duas semanas do início do ano lectivo, os horários e professores que terão, apesar de terem terminado as aulas em Junho e se terem inscrito no mês de Julho.
- «Mais de 1.500 professores dos quadros estão em situação de horário-zero, ou seja, sem turma atribuída», portanto, no concurso ontem conhecido foram colocados professores a mais, o que revela caótica gestão de recursos humanos e elevado desperdício financeiro.
O senhor secretário de Estado está a gozar, não é verdade?
«“Governo cria incentivos para senhorios terem estatuto de “cariz social”. Ministério quer convencer privados a praticar rendas acessíveis às classes média e média baixa, mais atingidas pela crise, revela o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes.»
Terrorismo não-islâmico prontamente neutralizado
Há gente capaz de tudo. Ora assaltam, ora assassinam, ora violam, ora piropeiam, ora vendem bolas de Berlim de forma ilegal. Felizmente, a Polícia Marítima, sempre atenta, conseguiu evitar mais um massacre. Este iria ser cometido por indivíduo sinistro, portador de 210 bolas de Berlim distribuídas por 7 cestos (os meus cálculos apontam para 30 bolas de Berlim por cesto). Na Praia de São João poderia ter acontecido uma tragédia: poderiam ter sido vendidas ilegalmente 210 bolas de Berlim. Graças a Deus, evitou-se o mal antes da carnificina ocorrer.
A Polícia Marítima da Costa da Caparica reporta também que não foi necessário despir o burkini a qualquer mulher.
Não percebo
Estas Selvagens onde o PR Marcelo foi para gaudio da pátria são as mesmas Selvagens a que o então o PR Cavaco foi gerando uma viva indignação no país?
