Que lindo tecido que aí tens
O burkini. Não é bem um bikini, nem sequer um trikini, é mais um N-kini com N a tender para todo e qualquer milímetro quadrado da área exterior que esconde o volume de quem o enverga. No fundo, umas calças, camisola e lenço, tão adequados para a praia como uma gabardina que só mostra os tornozelos à porta da escola primária.
Deve ser permitido? Não sei. Antes disso, de uma conclusão, será preciso definir o que é, exactamente, um burkini. É um símbolo religioso que representa a opressão das mulheres? Se sim, nada como colocar polícias a obrigarem mulheres a despir roupa em excesso: isso vai acabar com a opressão das mulheres num instante. Será apenas uma peça de vestuário para oprimidas mais emancipadas ao ponto de mostrarem os pés? Se é, porque nos incomoda?
Vai-se a ver, toda a discussão do burkini é uma simples máscara para o problema: falhou o multiculturalismo, impõe-se um código de vestuário para a praia. Creio que toda a discussão fora disso é inconsequente. Estas pessoas entraram no ocidente com a premissa de que poderíamos viver em harmonia, burkinistas e nudistas. Assim, o que se torna evidente é a necessidade de revisão dessa premissa demonstrada errada.
O idoso
Para efeitos de multas e atendimento prioritário é-se idoso a partir dos 60 anos. Dada a elevadíssima percentagem de idosos em algumas zonas (e não, não é preciso ir a Penamacor basta ir ao supermercado em algumas zonas de Lisboa) ou se criam filas para não idosos ou a minoria dos não prioritários deixa de poder comprar frescos e congelados pois haverá sempre um idoso a passar-lhe à frente.
E como se entra para a Comissão de Utentes?
sem título
Fui hoje passear pela cidade de Anadia. Fiz a estrada interior que liga essa cidade ao Luso, um dos sítios mais encantadores de Portugal, onde o tempo felizmente não passa, e onde, há anos, várias vezes me cruzei com o general António de Spínola, no Grande Hotel. Era um homem cabisbaixo e taciturno, de poucas ou nenhumas palavras, visivelmente marcado pela vida. Do Luso tomámos a estrada que leva a Monsarros, que passa por Vale de Avim e, um pouco mais adiante, por Vale do Boi, até chegar novamente ao ponto de partida. Não esperava ver o que vi. Praticamente ao longo de toda a jornada de quase 30 km, de um e do outro lado da estrada, milhares de árvores queimadas, centenas de hectares destruídos, o chão preto de terra em cinzas, aqui e ali ainda fumegante. A única sensação que tive foi a de total insegurança. Com excepção de alguns poucos homens notáveis que ainda se dispõem a arriscar a vida para combater os incêndios, Portugal – os governos e os poderes públicos – pouco ou nada faz pela segurança dos cidadãos e da propriedade privada e pública. É perante coisas destas que percebemos a nossa imensa vulnerabilidade, enquanto país e comunidade. Que não dispomos de recursos para coisa nenhuma, nem sequer para defender o que é nosso e nos defendermos a nós mesmos. Que é assim há muitos anos e assim continuará a ser. A treta infindável dos governos e governantes – que vão tomar medidas e que, para o ano, é que vai ser – devia envergonha-nos a todos: porque é mentira, porque eles e nós sabemos que é mentira e porque, ainda assim, continuamos a deixar que nos enganem. A verdade dos factos é que Portugal não dispõe de meios de prevenção necessários e suficientes para evitar ou debelar qualquer tragédia que nos aconteça. Somos um país falido e sem recursos, que vive da clemência do estrangeiro. Por isso, sempre que um governante volte a dizer-lhe que as coisas não estão assim tão más e que até vão melhorar, mande-o passear a Anadia. Ele, provavelmente, não terá vergonha. Mas você certamente que terá por viver num país assim.
Lançamento de “Manual Modernista para a Modernidade”
Convido os leitores do Blasfémias – incluindo os críticos sem tendências homicidas – a visitarem a Feira do Livro do Porto no dia 6 de Setembro às 18h00, para que possam ouvir a apresentação que o Carlos Guimarães Pinto fará no lançamento do meu livro “Manual Modernista para a Modernidade”, editado pela Ideia-Fixa. Estarei disponível para sorrir e cumprimentar todos – mesmo bloquistas – assim como pronto para assinar todos os livros que mandei o meu amigo rico comprar os meus amigos decidirem livremente adquirir.
Sinopse
Está tudo mal. A sociedade nem percebe os graves problemas que tem. É um mistério termos chegado ao século XXI com uma civilização tão quebrada e desprovida de um sentido claro de direcção. É necessário rasgar com o passado. O nosso futuro é inadiável: temos direitos e queremos exigi-los já, todos ao mesmo tempo, incluíndo os que se contradizem entre si. Tanto nos indigna a queda de uma ponte como os milhares de pessoas impossibilitadas de viver em felicidade por lhes ser vedado o casamento com árvores. Há gente que se ri de nós, das nossas causas, da nossa vontade em proporcionar-lhes um mundo melhor, quer o queiram, quer não. Ainda vemos a espécie humana como binária, composta por dois géneros. O fascismo bate-nos à porta e atendemos com simpatia. Precisamos que o Estado resolva os nossos problemas, ora pela força, ora pela mudança de mentalidades que a dispensa. Este manual permite que compreenda os problemas prementes da humanidade para que se torne num Moderno contestatário, capaz de exercer a sua superioridade perante o resto da sociedade rumo à plena igualdade.
Cuidado com as ideias que parecem excelentes
Há anos que os franceses andam em guerra com o Facebook e a Google. O resultado não podia ser pior: é dificílimo encontrar conteúdos em francês. Mesmo pesquisando em francês. Aliás boa parte do que acontece em França só é notícia quando chega aos sites ingleses. Em parte porque os jornalistas não sabem francês. Mas não só.
Já entrevistaram o professor Boaventura?
Vice-ministro do interior da Bolívia foi “brutalmente assassinado”
Este é o momento para entrevistar o professor Boaventura, essa extraordinária figura que se multiplica por observatórios disto e daquilo. Há largos anos que o professor Boaventura justifica actos como aquele que agora puseram fim à vida deste ministro boliviano. Chama-lhe justiça indígena e segundo o professor Boaventura levará a uma transformação pluralista, descolonizadora e democratizadora da sociedade. É certo que os anteriores executados não faziam parte de um governo tido como amigo pelo professor Boaventura mas tb por isso será importante ouvir o professor Boaventura, grande divulgador da justiça comunitária.

«Cosa Nostra»: associação criada na Sicília, no século XIX, expandida nos EUA a partir dos primórdios do século XX, conhecida como «la honorata societa», com o fim de garantir a segurança dos cidadãos e a administração da justiça. É «cosa nostra», dos sicilianos.
Algumas das actividades a que se dedica: gestão de casinos, jogo, prostituição, tabaco, álcool, droga (nem todas as famílias), influência política e sindical.
Recursos financeiros: pizzo (contribuição involuntária dos cidadãos sob a sua alçada).
Modelo de gestão: concorrência entre diversas empresas designadas «famílias».
Forma de resolução de conflitos: guerra e assassinatos, por princípio, em escala limitada aos seus membros.
Grau de ingerência na vida privada: limitado aos seus negócios.
Resultados da actividade: superávites anuais.
Consequências de má gestão: prisão ou morte dos infractores.
«Nostra» Coisa: também conhecida por «estado» moderno, foi criado a seguir ao Renascimento com o fim de garantir a segurança dos cidadãos e a administração da justiça. Dizem que é de todos, mas sabemos todos que é só de alguns.
Algumas das actividades a que se dedica: licenciamento de casinos, jogo, tabaco, álcool, prostituição e droga (nem todos os estados), influência política e sindical (actividade principal).
Recursos financeiros: impostos e taxas (contribuições involuntárias dos cidadãos sob a sua alçada).
Modelo de gestão: concorrência entre diversas empresas designadas «estados».
Forma de resolução de conflitos: guerra e assassinatos de largo espectro.
Grau de ingerência na vida privada: ilimitado; todos os negócios são (também) seus.
Resultados da actividade: défices anuais.
Consequência de má gestão: uma comenda no 10 de Junho.
Quais serão os requisitos para que um ataque dos fundamentalistas islâmicos seja considerado um ataque dos fundamentalistas islâmicos?
Na Austrália, um turista francês matou uma cidadã britânica. Enquanto a esfaqueava gritava Allahu Akbar (Alá é grande). Dois outros homens ficaram gravemente feridos. Preso, o homem continuava a fazer profissão da sua fé. Mas eis que as autoridades australianas concluem que o caso nada teve a ver com terrorismo pois feitas análises concluiu-se que o atacante tinha consumido drogas.
Não se percebe se as autoridades australianas consideram incompatível o consumo de drogas com os ataques dos fundamentalistas mas é caso para dizer que Alá será grande mas o juízo dos homens é bem pequeno.
Quem sentarão desta vez no banco do réus?
Quando Aquila tremeu em vez de se tomarem medidas para minorar as consequências dos sismos os italianos preferiram julgar os geólogos por estes não terem previsto o tremor de terra.
Agora a terra tremeu de novo e os edifícios tornaram-se armadilhas. Quem sentarão desta vez os italianos no banco do réus?
Fábrica de medalhas
Agora que o exemplo inglês de investir para ter medalhas mostrou o seu potencial é oportuno ler este texto de João César das Neves: O desporto faz mal à saúde (…) numa idade ainda jovem o atleta vê-se de repente desqualificado e, em geral, incapaz de começar uma nova vida com significado. É ainda muito novo para se reformar, muito velho para aprender outra profissão e incapaz de continuar na sua. Os mais famosos, como Phelps, ainda podem viver da imagem, mas logo o segundo classificado cai no anonimato uns meses depois da medalha. A verdade é que o desporto de alta competição é uma máquina de triturar jovens. Tal como no caso dos top models e afins, trata-se de uma forma de escravatura dourada enquanto dura, em que o escravizador é o próprio escravo, seguido pela mais profunda vacuidade.
Deixem lá o burkini em paz e reparem mas é nisto
Un camp d’été «décolonial» interdit aux blancs
Ce «camp d’été décolonial» se présente comme une «formation à l’antiracisme politique». Une forme d’antiracisme très spéciale, puisqu’elle exclut les personnes blanches. En effet, est-il précisé sur le site: «Le camp d’été est réservé uniquement aux personnes subissant à titre personnel le racisme d’État en contexte français, nous accepterons cependant quelques inscriptions de personnes subissant le racisme d’État mais vivants dans d’autres pays.» Une précision qui exclut de facto les personnes blanches, qui ne souffrent pas selon les organisateurs de «racisme structurel».
Da memória
Em 2008, o Parlamento Europeu aprovou a criação do Dia Europeu da Memória das Vítimas do Estalinismo e do Nazismo, coincidindo com a data de 23 de Agosto por nesse dia ter sido assinado em 1939 o Pacto entre a Alemanha e a União Soviética, pacto esse que teve consequências funestas e trágicas para os povos europeus durante 50 anos, até 1989. A subsequente e imediata invasão conjunta e repartição da Polónia foi apenas o começo.
“A paridade pura”- Novos nomes para o intervencionismo
Governo quer quotas por sexo no sector público e nas empresas da Bolsa
Ps. Já agora a paridade pura vai ser extensível aos sindicatos?
O outro lado da geringonça
Descubra onde está notícia
A minha candidatura à administração da Caixa
PSD-ML
Desabafo
Tenho andado ausente do blogue por dois motivos. O primeiro, férias, nunca me impediu de escrever, muito menos sobre quão trágica é a vida dos portugueses em relação a outros povos com apetências para cornudos, excepto este ano, que parece mais turvo que os anteriores. O segundo, mais pessoal, foi e tem sido o mais determinante.
Despedir alguém é doloroso. Particularmente, é mais doloroso quando sentimos que providenciamos várias oportunidades de redenção que saíram goradas, acentuando o problema, marcando em definitivo que a linha óptima para o divórcio pacífico fora ultrapassada enquanto rolávamos os olhos em descontentamento.
Andar em frente, não olhar para trás. Qualquer palavra agora é demais, arriscando que os vários arranhões se unam numa infecção geral. Não me surpreende que tantos prefiram ser assalariados perante a perspectiva de assalariarem. Surpreende-me, sim, que os primeiros a defender “os direitos dos trabalhadores” sejam os primeiros a desprezar os nunca mencionados deveres de zelo. Mas, se assim não fosse, não haveria lugar para os António Costa desta vida. Por isso, siga a marinha.
CDS-ML
Como tudo seria fácil se o problema fosse Passos Coelho…
Erros imobiliários
As senhoras enxerguem-se pf
PÚBLICO: Este não é o ano para pedir uma mulher à frente da ONU. É o ano para que o melhor dos 11 candidatos seja escolhido. Homem ou mulher.
As pedras da calçada até choram. Como é possível que o senhor Ban Ki-moon tenha declarado “Já é altura.” de a ONU ser chefiada por uma mulher? Ao que eu até acrescentaria que ainda faltam todas aquelas prineiras vezes de género que tanto inebriam o nosso querido PÚBLICO (e não só) : o primeiro transexual, o primeiro homossexual, o primeiro assexuado…
Olha que realmente como foi possível o senhor Ban Ki-moon vir com essa conversa da primeia mulher à grente da ONU? Não sabe o senhor Ban Ki-moon que existe um candidato chamado Guterres? Ora está bem de ver que nessas circunstâncias as senhoras têm de esperar e perceber como nosso querido PÚBLICO explica que “Este não é o ano para pedir uma mulher à frente da ONU.”
Coitadinho do Obama o Bush levou as chaves de Guantanamo
Coisas que dão que pensar
Aquando das últimas presidenciais causou grande escândalo que Maria de Belém tivesse direito a subvenção vitalícia. Note-se que nunca a recebeu. Agora ficámos a saber que o santo dos santos Guterres a recebe e nem um passarinho se ouviu e creio que se acabar candidato a PR, caso falhe a sua eleição para outros tronos, até parecerá mal pagar-se-lhe tão pouco.
Ainda a propósito de Maria de Belém suponham que tinha sido eleita e uma vez eleita andava por aí a dar afectos, abracinhos e beijinhos em festas, calamidades ou a simples passeantes?… Pois é!
Outra vez?
A tentação é grande. Depois de Marcelo ter chegado a Belém com os “afectos” outros se perfilam para lá chegar pela mesma via televisiva. Marques Mendes é um deles. Vamos pagar tudo isto muito caro,
Coisas que se dizem para fazer chamadas de capa
Governo quer incendiários a pagar custos do combate
Mas quais incendiários? Perante o desastre deste Verão o governo desdobra-se em declaraçoes de um populismo bolivariano. A ministra Constança vem agoara defender que os incendiários paguem os custos dos incêndios.Quais incendiários? A senhora sabe o que diz? Basta atentar no perfil habitual do incendiário para constatar que ou não sabe ou não quer saber
A tratos de polé
O Rui identifica-a como o bordel do regime. Foi-o e sê-lo-á sem dúvida, mas justificar-se-ia um pouco mais de pudor da parte do representante dos donos compulsivos.
É difícil imaginar um folhetim mais patético e caricato do que este que se tem vivido há meses, com a CGD vítima dos piores tratos de polé, impensáveis de ministrar, mesmo à mais refinada rameira, por alguém com um pingo de humanidade. É um autêntico manual de como desvalorizar uma Instituição, de como quebrar aquilo que é vital para o sector em que se insere, a relação de confiança com os seus stakeholders. A perda de depósitos ocorrida no último trimestre – na Caixa, pasme-se, desde sempre considerada como o refúgio mais seguro – é sintomática.
Tem sido de facto confrangedor a todos os títulos o amadorismo revelado pelo Ministério das Finanças. Seja ao anunciar necessidades de capitalização na ordem dos 5 bi, em divulgar de forma alarmista “desvios no plano de negócios” de 3 bi, ou no processo rocambolesco da nova administração, que já deveria ter tomado posse há mais de meio ano e cujos nomes foram lançados a conta-gotas para a imprensa ao longo de meses, numa metodologia impensável a este nível e muito ao estilo das “guerras de comadres” das estruturas partidárias.
Teve de ser o BCE a pôr cobro à balbúrdia no bordel. E não deu “luz verde”, como se anuncia neste spin, mas impôs várias alterações decorrentes da recusa do modelo de governação proposto (suprema vergonha) que levarão a reduzir para quase metade a administração anteriormente proposta, a nomear um Chairman que não António Domingues e a “desconvidar” vários nomes que haviam sido “soprados” pelas fontes, certamente governamentais. Sem surpresas, de resto. O BCE já havia alertado para potenciais conflitos de interesse e obviamente que recusou na administração responsáveis de empresas e instituições financiadas pela CGD. Sem surpresas também a extrema bonomia com que estes temas são noticiados, de forma totalmente acrítica e quiçá uma mera transcrição de um comunicado da Central de spin do governo. Assaz risível o penúltimo parágrafo da notícia, com o protagonismo totalmente despropositado que se pretende dar a Elisa Ferreira
O passo seguinte será a aprovação do processo de capitalização e admito que Bruxelas e o BCE venham a forçar uma privatização parcial da CGD, a única forma de não incrementar défice ou dívida (sim, wishfull thinking) A acontecer tal, será o início de uma alteração profunda no nosso sistema bancário que as Instituições da UE já vêm pensando. No fundo, Bruxelas pretende imunizar a Banca ao risco soberano (sabendo que o nosso está de novo em crescendo) e isso passa por quebrar a eterna promiscuidade com o poder político e corporativo, que o modelo proposto para a CGD só acentuava. E passa pela mudança dos centros de decisão para fora (o BPI será o estreante) por muito que isso custe ao Nicolaço.
Não teremos bancos portugueses? Paciência, pusemo-nos a jeito para tal. Mas teremos certamente bancos a operar de forma mais saudável e não com uma “cultura de bordel”.
A mim até me parece que a ministra não apaga incêndios logo ter ido ou não à festa é irrelevante mas a Catarininha era rapariga para montar arraial à porta do ministério se o governo fosse outro. Vá lá Catarina indigne-se só um bocadinho, vá lá só para não nos esquecermos de si muito indignada com os governos…
Ler
Henrique Pereira dos Santos (Público) Há cerca de dez anos, era o senhor primeiro-ministro o ministro da Administração Interna, que é quem manda no sistema de protecção civil.
15 dias de vento Leste bem rijo (em rigor, 14 dias, porque num dos dias o vento rodou 90 graus, e depois voltou a rodar para Leste, o que tornou tudo ainda mais difícil) em 2003 tinham levado a uma área ardida de mais de 400 mil hectares, uma oportunidade de ouro para um ataque cerrado ao governo de então, à desorganização dos bombeiros e trinta por uma linha.
Dois anos depois, em 2005, mais de 200 mil hectares ardidos, umas eleições e aí temos reunida a vontade política para resolver o problema dos fogos.
Foi assim que se criou o Fundo Florestal Permanente, alimentado com uma taxinha nos combustíveis, foi assim que se fez a tal reorganização da protecção civil de que fala agora o senhor primeiro-ministro e foi assim que foram chamados técnicos reconhecidos para fazer um Plano Nacional da Defesa da Floresta contra Incêndios, com muita prevenção prevista e centrada no problema da gestão do território, a montante do combate.
Um território bem ordenado é um bem comum que interessa aos comuns, era a justificação central para a colecta de recursos.
Depois de garantido o apoio político para a revolução na gestão do problema apoiou a aliança entre protecção civil e poder autárquico na luta pelos recursos existentes e a captar, deixando os reais donos do problema, isto é, os gestores do território, essencialmente na mesma. Uma luta diária que deixou uma escola muito enraizada na protecção civil, prolongando-se muito depois da saída do ministro que vergou o então ministro da Agricultura nas opções sobre fogos florestais e destruiu por completo o Plano Nacional de Defesa das Florestas contra Incêndios. Veja-se o recente despacho N.º 9473/2016 de 25 Julho: o tal Fundo Florestal Permanente, o que iria financiar a prestação de serviços ambientais que o mercado não remunera, como a limpeza de matos pelo pastoreio, transfere para a GNR 3,6 milhões de euros para pagar a vigilantes.
O Estado reconhece que na base do problema dos fogos está uma falha de mercado (que não remunera os serviços ambientais prestados no âmbito de actividades económicas pouco competitivas), o Estado decide colectar coercivamente recursos para remunerar adequadamente os serviços prestados pelos donos e gestores do território e do problema e, quando tudo isso está feito, desvia os recursos para se financiar a si próprio.
Primeiro, mansamente, autarquias locais e centros de investigação e, progressivamente, chegando ao coração do Estado: as forças de segurança.
O custo do dispositivo de combate aos fogos passou de 30 milhões anuais para 100 milhões anuais, mas os resultados são, essencialmente os mesmos – embora obtidos com muito mais estilo – porque os donos do problema continuam sem meios para o resolver e porque o dinheiro atirado para cima do problema serviu, nos anos menos maus, para disfarçar a loucura de querer gerir fogos florestais com água e a partir do ar.
E foi por isto, só por isto, que ao ouvir o senhor primeiro-ministro levei instintivamente a mão à carteira, quando percebi que o plano era o mesmo de há dez anos.
Depois relaxei e fui almoçar um cabrito, é o máximo que está ao meu alcance directo para ajudar a resolver o problema do fogo.
Em vão
Fogo de vista
Do crime de recebimento indevido de vantagem
…a aceitação ou solicitação de vantagem, sem que a mesma seja devida, constitui, por si só, a colocação em perigo da referida autonomia intencional do Estado.
A punibilidade da corrupção tem assim, nesta construção legal, uma tipologia assente na solicitação ou aceitação de vantagem, patrimonial ou não patrimonial, não devida a funcionário pelo exercício das funções. Afasta-se, de forma inequívoca, a exigência de verificação de um nexo causal entre a vantagem e o acto ou omissão do funcionário, antecedente ou subsequente; dito de outro modo, esclarece-se que a censura ético-social recai sobre a solicitação ou aceitação de vantagem não devida, relevando aqui a perigosidade inerente à criação de condições que possam conduzir ao cometimento do favor, lícito ou ilícito. Deste modo, a vantagem não necessita de estar referida a uma determinada actuação funcional, mas apenas ao exercício de funções em geral.
Do Projecto de Lei 220/XI apresentado pelo Partido Socialista em 2010 e que alterou o Código Penal prevendo o crime de «Recebimento de vantagem indevida».
No caso presente de vantagens indevidas atribuidas a secretários de estado, deputados e autarcas, aguarda-se com curiosidade que acção ou omissão terá a PGR.
Para memória futura

Desilusão
Fofa – eu trato-te por fofa para que me reconheças: sou o teu contacto pilapequena42 do Tinder -, se não querias a minha atenção, porque te inscreveste na aplicação? Já devias saber que somos todos uns casados frustrados com mulheres relutantes em experimentar as acrobacias rectais que só uma sociedade hetropatriarcal pode reprimir. Como já falamos pelos nossos iPhones, não é vergonha nenhuma experimentarmos sensações fora do vulgar para o comum reprimido sexual, como a excitação uretral do homem pelo resquício peniano da mulher emancipada. Pensei que estávamos a falar em privado, no domínio da intimidade que só a tecnologia do século XXI permite. Desculpa se interpretei as tuas fotos no Meco, aquelas em que cobrias as glândulas com a conchinhas das palmas das mãos, como um convite à contemplação das longas falanges, as que sempre quis no meu interior emancipado de homem descomplexado. Sabia que não te teria só para mim, como nessa instituição retrógrada que é o casamento, sempre permitindo que fosses livre para te deleitar com identidades de género à tua escolha. Não me surpreende que 1000 homens te desejem, entre um “hoje saio mais tarde do trabalho, querida” e um “quero comer-te os joanetes como um venezuelano esfomeado”. Surpreende-me, sim, que te queixes assim, anonimamente, sem referires como alguns de nós são pessoas especiais, respeitosos e hetropatriarcadamente emancipados. Vou-te desamigar do meu Tinder e não mais meterei as fotos artísticas que tínhamos agendadas naquele site dos russos.
Tiago Brandão Rodrigues e a sua assessora, Rita Roque, foram abordados no final da tarde de sábado, 5, em plena rua, por dois assaltantes que, depois de lhes retirarem alguns dos objectos que transportavam, acabaram por se pôr em fuga devido à ação pronta de populares que vieram em auxílio dos dois portugueses. (…) Os pormenores do assalto contado pelo próprio Tiago Brandão Rodrigues: “Aconteceu tudo de uma forma muito natural e muito rápida. Ao chegar ao hotel, depois de assistir à prova de ciclismo, em Copacabana, fui abordado na rua, numa zona muito movimentada, por dois indivíduos que, com uma arma branca na mão, pediram dinheiro e nos tiraram os pertences. Acontece que as pessoas nas imediações reagiram e eles tiveram que fugir e, na fuga, largaram tudo o que nos tinham tirado. Como um dos assaltantes foi logo capturado pela polícia, ainda na rua, nós tivemos que ir falar com as autoridades sobre o que tinha acontecido.
Traduzindo:
Retirar alguns objectos: expressão politicamente correcta para roubar
Acção pronta de populares: perseguição ou retalição que no continente europeu se chama justiça pelas próprias mãos e é fortemente condenada quer pelas autoridades quer pelos jornalistas.
as pessoas nas imediações reagiram e eles tiveram que fugir: a saber, nós que não somos pessoas nas imediações mas sim gente com ideias avançadas que vão mudar o mundo, achamos tudo muito natural e reagimos natural e sossegadamente. As pessoas das imediações é que reagiram e eles por causa das raecções (dos reaccionários, claro) tiveram de fugir
Como um dos assaltantes foi logo capturado pela polícia, ainda na rua, nós tivemos que ir falar com as autoridades sobre o que tinha acontecido.: nós somos pessoqas avançadas e portanto só muito contrariados nos queixamos à polícia. Não tivesse a polícia capturado o assaltante desinquietado pelas pessoas das imediações e as pessoas progressistas que nós somos até teriam ficado a trocar umas ideias sobre a manifestação da naturalidade em contexto de retirada de pertences.





