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E nós olhando para o outro lado

8 Agosto, 2016

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Estranho país este

8 Agosto, 2016

que se indigna com o facto de a  GALP ter pago a viagem de uns governantes ao futebol e acha natural que os contribuintes paguem viagens de ministros e assessores para que estes assistam aos jogos olímpicos. Ao certo o que vai o ministro da Educação fazer aos Jogos Olímpicos?

 

Trump é um tipo bestial

7 Agosto, 2016

Trump deve ser um tipo bestial. Inicialmente pensei que fosse só mais um palhaço daqueles que se candidatam à presidência, como o Bernie Sanders ou, no caso português, o Sampaio da Nóvoa, porém, ao ver tudo o que a auto-designada elite pensante diz do homem, tenho que constatar que deve mesmo ser um indivíduo bestial.

Não faço ideia se Trump fará bem, mal ou, como se espera, nada de especial aos Estados Unidos; sei sim que enquanto carantonhas assustadoras das que até encontram a inteligência e argúcia de António Costa bradarem advertências da calamidade que aí vem com Trump, este candidato só consegue mesmo parecer um tipo bestial.

Nunca vi uma campanha tão boa para tornar um tipo em tipo bestial. Bestial.

O Necessário é Impossível

6 Agosto, 2016
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Escreve o Luís Aguiar-Conraria neste artigo do Observador:

lac“A renegociação das PPP foi uma área onde o governo anterior falhou, ficando muito aquém do que era necessário. “

Esta ideia do Luís, tão generalizada na opinião pública portuguesa, é errada.

E é errada porque o necessário é impossível. O necessário seria não ter assinado tantos contratos ao longo de mais de uma década com pagamentos postecipados para um futuro que parecia longínquo mas que para nós, pagadores de impostos em anos de crise, se tornou presente. A ideia das PPPs, tão acarinhadas por alguns governos mas principalmente pelo de José Sócrates, era simples, nas mentes de políticos de vistas curtas. As PPPs eram obras públicas pagas com dívida que não ficava registada nas contas do estado mas sim nas contas do parceiro privado. Nós fazemos a festa antes das eleições, quem vier depois de nós que pague a conta. Publica-se um défice razoável e enganador porque a verdade ficou escondida nos livros de contabilidade de uma sociedade veículo qualquer. Compramos votos hoje a pagar com impostos futuros.

Mas, apesar dessa desvirtuação feita a um tipo de acordos muito desejáveis, os contratos das PPP são, quer se queira quer não, contratos legítimos assinados por governos legítimos em plenitude de funções, na sequência de concursos públicos internacionais que, com raras excepções, pareceram transparentes.

Renegociar estes contratos não é porque um homem quer. It takes two for tango. Para renegociar é necessário que ambas as partes estejam de acordo. E um acordo só se consegue se as duas partes encontrarem vantagens nesse acordo.

Porque razão é que a parte privada iria aceitar uma diminuição da sua posição contratual sem nada em troca? A parte privada não é apenas uma empresa de construção, um ACE, uma SPV com um qualquer nome de ocasião e um conjunto de caras conhecidas como “accionistas de referência”. Por trás desses consórcios que dão a cara há poderosos sindicatos bancários que têm que validar as alterações, que detestam ter que analisar processos complexos, que cobram waivers de milhões só para reabrir os dossiers e que só aceitarão uma alteração, por mínima que seja, se sentirem que o seu nível de garantias não é minimamente beliscado. Dizer não custa zero e eles gostam sempre de dizer não.

Assim sendo, não pode haver poupanças significativas no estado sem existirem simultaneamente ganhos nos consórcios das PPP. O estado tem que dar algo em troca. Podem ser menores obrigações contratuais – por exemplo, menos manutenção – mais anos de contrato, benefícios fiscais futuros, alterações mais ou menos claras nas fórmulas de remuneração, ou, o pior, promessas vagas não escritas de uma qualquer benesse que algum dia poderá vir de forma mais ou menos disfarçada.

A renegociação feita pelo anterior governo, por muito curta que nos pareça, só foi possível porque a introdução de portagens permitiu uma pequena alavanca financeira, mas foi evidentemente muito limitada porque o lado privado pouco tinha a ganhar.

Dizer que o governo falhou porque não conseguiu o impossível é tremendamente injusto. Se é fácil, peça-se ao governo socialista que faça melhor. Não nos esqueçamos que foram eles, os mesmos que nos governam hoje, que assinaram a maior parte dos contratos.

in dubio pro zé

5 Agosto, 2016
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Com o Sócrates é que não havia problema em saber quem pagava o quê: era sempre o amigo.

Aceitar um convite da GALP para ir ver a bola ao pé do que aqui está escrito é uma história de crianças

4 Agosto, 2016

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(tirado daqui)

Segundo se pode concluir desta notícia membros do Governo informaram a redacção do JN sobre os colégios que os filhos do juiz em causa frequentavam. Perceberam?

Obs. Sobre os convites da GALP a questão é claramente posta pelo Paulo Ferreira: convidados nas suas funções já depende da consciência de cada um. «Qual é a surpresa sobre os convites frequentes de grandes empresas a membros do governos, deputados, autarcas, outros políticos, jornalistas, comentadores, empresários, gestores, académicos e ao quem-é-quem mediático? Convites para jogos de futebol fora ou dentro do país (muitas empresas têm camarotes permanentes alugados nos principais estádios), ténis, automobilismo, regatas, festivais de música, concertos e outros eventos. E toda a gente sabe que, por regra, esses convites são aceites. »

Código de conduta para membros do governo do PS

4 Agosto, 2016

Artigo único

  1. Perante uma oferta/convite de uma entidade privada, antes de aceitar, o membro do governo deve pensar e escrever num papel o que faria ou diria se o PS estivesse na oposição, o titular do cargo fosse de um partido da direita e este aceitasse o convite ou o presente.
  2. Se no papel estiver escrito “nada”, pode aceitar o convite ou presente. Nos restantes casos, deve recusá-lo.

 

Honestidade automática

4 Agosto, 2016

Não há qualquer escândalo com Rocha Andrade. Repito: não há qualquer escândalo com Rocha Andrade. O homem não vive em Massamá, não vai para a Manta Rota e é óbvio que dá presentes de Natal – vales de combustível? – aos filhos. As pessoas são maldosas e acham que Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Oliveira não têm nada que andar a dormir festejar com empresas que tutelam ou com quem estão em contencioso.

A austeridade acabou e disso ninguém fala. É a mesquinhez do português, que queria ir ver jogos da selecção e não teve o vizinho com quem tem o contencioso da localização do muro a pagar que está a falar mais alto neste caso. E se ainda não vos convenci que nada disto tem mal, resta-me acrescentar a prova infalível de bonomia desta gente: são do PS.

Espero que com isto se encerre esta campanha negra.

no mises

3 Agosto, 2016
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Uma carta sobre a eutanásia.

Um pouco de história: dar com uma mão e tirar com a outra

3 Agosto, 2016

O Governo baixou a taxa máxima de IMI para os prédios urbanos de 0,5% para 0,45%, com excepção dos municípios abrangidos por programas de saneamento financeiro (que podem manter o limite máximo anterior). Esta medida, porém, não se traduz directamente numa descida daquele imposto, já que a taxa aplicável em cada concelho é definida pelos próprios municípios, num intervalo entre o,3 e o limite máximo. São poucos os concelhos com uma taxa superior ao novo máximo legal (32 concelhos no ano em curso, sendo que grande parte deles está abrangida pelo regime de excepção).

As novas regras para o cálculo do valor dos prédios (valor que serve de base ao cálculo do IMI) estavam já previstas no OE 2016 (autorização legislativa para “Equiparar os coeficientes de qualidade e conforto relativos à localização e operacionalidade relativas dos prédios destinados à habitação aos utilizados nos prédios de comércio, indústria e serviços“), mas terão passado mais ou menos despercebidas, sendo certo que “localização e operacionalidade relativas” não significam o mesmo para prédios habitacionais e para prédios urbanos não habitacionais.

Nos extremos da tabela, a avaliação de acordo com as novas regras pode levar a um aumento de 15% ou a uma diminuição de 5% do valor dos prédios para efeitos fiscais. Em princípio, serão mais frequentes os aumentos do que as descidas e aqueles tenderão a ser maiores do que estas.

Na prática, o novo limite máximo só terá impacto no IMI a pagar em 2018. Mas as novas regras de avaliação aplicam-se imediatamente aos prédios que sejam avaliados a partir da entrada em vigor da Lei.

De qualquer modo, qual o impacto prático das duas alterações?

Imagine-se um prédio avaliado em € 100.000,00, já contabilizando o máximo de majoração para a “localização e operacionalidade relativas” (5% na lei anterior), localizado num concelho com a taxa máxima de IMI. Paga, actualmente, € 500,00 de imposto. Com as novas regras, o valor do  prédio subirá para € 115.000,00 e, admitindo que o município não está sujeito a um plano de saneamento financeiro, passará a pagar € 517,50 de IMI.

Se o mesmo prédio estiver localizado num concelho que aplica a taxa mínima, as diferenças serão maiores: actualmente paga € 300,00, com as novas regras passará a pagar € 345,00.

Em contrapartida, um prédio com o mesmo valor actual, mas com a minoração máxima para aquele factor de avaliação (uma semi-cave, voltada a norte, sem terraço, com vista para as paredes de uma ETAR, que criam sobra adicional…), verá o seu valor descer para € 95.000,00 e o imposto baixar € 72,50 num concelho com a taxa máxima ou €15,00 num concelho com a taxa mínima.

Em termos globais, é provável que a receita de IMI não se altere significativamente. As variações ficarão dependentes, sobretudo, das taxas que os municípios vierem a fixar, por um lado, e do ritmo a que venham a ser feitas novas avaliações, por outro. Baralhar para ficar tudo na mesma, portanto, gerando porém incerteza e imprevisibilidade no sistema fiscal e aumentando o risco de contencioso (multiplicado pela possibilidade de os municípios impugnarem as avaliações), pela valorização significativa de um dos elementos mais subjectivos da avaliação.

Na verdade, as consequências das novas regras terão mais impacto noutros impostos, designadamente no IMT (em que o valor do imposto é calculado com base no valor para efeitos de IMI, sempre que este seja maior do que o valor declarado pelas partes) e, sobretudo, no imposto sucessório, que provavelmente será reintroduzido durante a legislatura (ainda que com outro nome), já que constava dos programas do PS, PCP e Bloco.

Dizem que é “justiça social”.

justiça fiscal a peso

3 Agosto, 2016
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O senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais interrompeu ontem as suas merecidas férias para vir explicar aos filhos da pátria a verdade, apenas a verdade e nada mais do que a verdade sobre as novas regras do IMI, a respeito das quais pessoas mal formadas (“das redes sociais”, como nos disse) andam a lançar calúnias e infâmias. Começou por nos garantir, o nosso ilustre governante, que “não foi introduzido nenhum critério novo na avaliação dos imóveis», mas que a única coisa que se fez foi «alterar o peso» de alguns desses critérios já previstos na lei. Ora, saber-se que um imposto poderá ser agravado em função do «peso» seja do que for, vindo deste Secretário de Estado, só pode soar como ameaça. E ameaça para levar a sério. Depois, para nos tranquilizar ainda mais, acrescentou que esta benemérita reponderação do «peso» dos critérios até poderá fazer baixar o valor do IMI. Como? É simples: através da reavaliação dos imóveis, a cargo dos proprietários, sobretudo por aqueles que nutram simpatias congénitas por práticas sado-masoquistas de tendência passiva (que gostem de apanhar porrada, leia-se), ou se promovida por essas amáveis agremiações que são os municípios. «Se o município não pedir reavaliações, o único efeito deste diploma só pode ser o de baixar os valores tributários», concluiu. Hélas, senhor Secretário de Estado! Como os municípios não farão semelhante maldade aos seus munícipes, não haverá, por esse país fora, qualquer caça desenfreada ao IMI para construir rotundas e fontanários, nem para pagar festas animadas pela família Carreira. Podemos, portanto, dormir todos em paz e o senhor Secretário de Estado voltar sossegadamente para a praia. Pelo menos enquanto o sol das praias não for tributado pelo «peso» dos utentes. Nessa altura, Sua Excelência poderá confrontar-se com um sério problema.

Salazar, 48 anos depois

3 Agosto, 2016

Tema do meu artigo no Observador: Os nossos líderes quiseram acreditar que bastava dizerem-se anti-salazarista para serem melhores portugueses e saberem o que era melhor para Portugal. Não bastava, como se viu e como se vê. Salazar morreu oficialmente há 46 anos, a 27 de Julho de 1970. Mas a sua morte política teve lugar dois anos antes quando, no dia 3 de Agosto de 1968, caiu no Forte de Santo António. Quarenta e oito anos depois de Salazar ter saído de cena onde estamos? A quem viveu o PREC basta fazer as contas e perceber que levamos sem Salazar aquele número mágico dos 48 anos que, em 1974, tudo explicavam: era a longa noite dos 48 anos do fascismo, os 48 anos de opressão, os 48 anos de miséria… num crescendo em que os 48 anos pareciam um século.

Extracto de um episódio de vida selvagem no National Geographic

3 Agosto, 2016

No seu habitat natural, o português assume diferentes papéis consoante a cor do português-rainha. Quando a rainha é seleccionada pelo método natural entre a espécie, o português queixa-se dos brutais aumentos de impostos, saindo do casulo e enchendo os trilhos da monumental construção tribal com ruidosos zumbidos de protesto. Porém, quando a rainha se impõe através do método bárbaro de golpe na corte, o português regressa ao casulo perante os brutais aumentos de impostos, aceitando a inevitável inferioridade numérica de presas face aos predadores. Este tipo de sociedade animal não se encontra normalmente em espécies vertebradas, como o irlandês ou o espanhol, apenas em espécies rastejantes, insectos e outras desprovidas de espinha dorsal. A sub-espécie de português dotada de plumas, o português-académico-comentador, nesta circunstância de oscilar de opinião consoante a obediência ao português-rainha, consegue a rara metamorfose que ocorre na espécie, apenas entre plumosos, de transformar as plumas em maquiagem, criando belos espécimes de portugueses-palhaços.

E depois deles terem invadido a pista do aeroporto entregaram-lhes as malinhas com as lâminas de barbear lá dentro?

2 Agosto, 2016

«Os quatro argelinos que invadiram a pista do Aeroporto de Lisboa na semana passada não serão por enquanto expulsos e ficarão sob tutela do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. (…)  “Vieram em situação precária e estão desesperados. Eles não têm maneira de subsistir. Não têm onde dormir, não têm o que comer. Querem ter uma vida normal como nós e não querem voltar para a Argélia”, descreveu a advogada. (…) Um deles ter-se-á mesmo “mutilado com lâminas de barbear” que trazia na mala.»

 

 

 

A casa perfeita do ponto de vista fiscal

2 Agosto, 2016

Problemas escusados

2 Agosto, 2016

Um juiz do Tribunal de Coimbra decidiu sobre providências cautelares interpostas por colégios privados. Num deles estuda a filha. O Ministério da Educação pediu três vezes a sua escusa. Não conseguiu

Assim sendo os juízes não podem decidir em casos

a) envolvendo o SNS porque os seus familiares podem ser utentes desse serviço

b) que impliquem alterações às pensões e reformas porque serão pensionistas

c) que alterem os subsistemas de saúde porque têm um

d) que afectem o seu clube de futebol

e) que impliquem com membros da sua fé

f) que versem questões de arrendamento pois não só os juízes podem ser inquilinos ou senhorios como algum dos seus familiares ter essa qualidade

g) que versem questões de compra e venda de casas pois não só os juízes podem proprietários ou vendedores  como algum dos seus familiares ter essa qualidade

….

Em resumo no caso dos governos PS deve criar-se uma junta ou comité de avaliação dos casos que nos outros governos vão para os tribunais. Este comité terá como presidente de honra Manuel Alegre.

Casa económica para geringonças

2 Agosto, 2016

O dono prometeu fechar aquelas duas janelitas, que aquilo só dá despesa.

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O trogloditismo, nosso amanhã

2 Agosto, 2016
«Exposição solar adequada»: a exposição à luz solar de edifício que disponha de cobertura em terraço ou de cobertura inclinada com água, cuja normal esteja orientada numa gama de azimutes de 90° entre sudeste e sudoeste, não sombreada por obstáculos significativos no período que se inicia diariamente duas horas depois do nascer do Sol e termina duas horas antes do ocaso;
Ora depois de anos e anos de regulamentos a imporem-nos a «Exposição solar adequada» vamos recuperar a a cave que antes era insalubre, o quartinho interior símbolo da pobreza do ‘facismo’ e a vivência nas furnas que passará a experiência multicultural
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Impostos sobre a luz e sobre o ar

2 Agosto, 2016

No final do séc. XVII, foi criado no Reino Unido o chamado imposto sobre as janelas. Tratava-se de um imposto sobre a propriedade, tanto mais alto quanto maior o número de janelas num edifício.

Tratou-se de uma forma indirecta de taxar o rendimento (ou, pelo menos, a riqueza), numa época em que os impostos sobre o rendimento eram considerados demasiado inaceitáveis por se considerar permitirem ao Governo devassar a vida privada dos contribuintes (ao passo que o número de janelas estava à vista de todos). Tanto assim foi que só quase 50 anos mais tarde foi criado o primeiro imposto sobre o rendimento na Inglaterra.

O imposto sobre as janelas foi duramente criticado por sem um exemplo precoce de um conjunto de impostos sobre “light and air“, de que as novas regras do IMI são o mais recente exemplo.

Na Inglaterra, o imposto teve um impacto considerável na arquitectura (e na saúde dos ingleses): muitos proprietários taparam as janelas com tijolos, para escaparem ao imposto, com graves consequências na ventilação e iluminação de muitas habitações.

Será interessante ver o que sucederá por cá, com a agravante de os critérios de determinação do que sejam a “localização e operacionalidade relativas” serem consideravelmente mais subjectivos do que o número de janelas.

Julgavam que o sol era a última fronteira?

2 Agosto, 2016
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Enganaram-se! Segundo fontes bem informadas, o orçamento de estado de 2018 agravará o IMI nas casas com boa exposição lunar. Nada mais justo, de acordo com o deputado João Galamba, devido ao aumento de valor romântico-patrimonial que um banho de lua confere a qualquer habitação. E Estado Social não pode aliar-se desta valorização da propriedade, tributando-a necessariamente as suas mais-valias, e criando, desse modo, mais justiça social.

lobisomen

Lobisomem português a pôr-se a andar para um país mais werewolf friendly

Ó senhores lede esta prosa que fé assim já nem nos boletins da paróquias!

1 Agosto, 2016

Leiam, imprimam e colem na parede este texto do PÚBLICO. Quando estiverem deprimidos voltem a ler. Isto não é um texto mas sim uma terapêutica para a depressão.
«A ideia de que o mundo pode ser melhor cabe numa tenda. Tinham 15 e 17 anos quando participaram pela primeira vez no Liberdade, o acampamento de jovens do Bloco de Esquerda. A experiência foi tão marcante que não voltaram a ser os mesmos, a ver o mundo da mesma forma. Hoje, com 21 e 23 anos, Ana Rosa e Ricardo Gouveia, já militantes e uns dos organizadores do encontro, continuam a acreditar no mesmo: que naqueles dias estão a construir um mundo “livre de opressões”.

“No acampamento construímos um pouco a realidade que queremos no mundo – uma realidade alternativa, livre de opressões. É um pouco isso que ensaiamos no acampamento. Temos um programa com uma série de actividades, em que o objectivo geral é mesmo construir a liberdade que queremos ver no mundo”, diz Ana Rosa, que estudou Ciência Política e Relações Internacionais e se prepara para um mestrado em Antropologia. Ricardo Gouveia, estudante de Arquitectura, acrescenta: “Sai-se do Liberdade com a certeza de que é possível um mundo diferente.”

Embora o BE não tenha juventude partidária, este acampamento acontece há 13 anos. Desta vez, vai ser de 3 a 8 de Agosto no Parque de Campismo de São Gião, em Oliveira do Hospital, e são esperados 250 participantes. Não é preciso ser militante do BE. Há, no entanto, algumas regras: não se permite sexismo, homofobia, ou racismo, por exemplo. Depois há questões de funcionamento que implicam partilha de tarefas como limpeza ou segurança.

O acampamento tem uma filosofia. E uma ideologia. É um acampamento que se assume anticapitalista. E são cinco dias em que os participantes vivem o mundo que gostariam que existisse lá fora. De tal forma que, “quando se regressa do Liberdade, há quase um choque, de regressar à realidade”, descreve Ana Rosa. “Mas é também esse choque que é importante. Construímos ali uma zona e um espaço seguros, onde nos podemos abrir muito mais. E vamos trazendo muitas coisas que depois vamos incutindo na nossa vida”, acrescenta a militante, de voz serena mas segura, e uns olhos castanhos rasgados.

A política também passa pelo WC

Mas como seria esse mundo ideal? “Seria construído e partilhado colectivamente. Livre de hierarquias – procuramos erradicá-las ao máximo no acampamento – e em que tudo seja partilhado. Acima de tudo, livre de opressões, de constrangimentos, sexismo, machismo, homofobia, transfobia, racismo, xenofobia”, descreve Ana Rosa.

Conseguem mesmo construir esse mundo, ou já tiveram de lidar com situações adversas? Sim, já tiveram. Ricardo Gouveia recorda que, numa das edições, experimentaram tornar as casas-de-banho e os balneários mistos. Não correu bem, voltaram às casas-de-banho separadas, mas ainda não desistiram da ideia.
“Tivemos uma situação em que uma rapariga se sentiu desconfortável com rapazes que usaram esta experiência para olhar para elas. Voltámos às casas-de-banho separadas, mas continuamos a ter no nosso horizonte chegar um dia e poder dizer que vamos tornar isto misto, porque queremos mesmo desafiar os limites do género e os papéis de género e os pudores”, explica Ricardo Gouveia. Ana Rosa subscreve: “Para nós, não faz sentido ter casas-de-banho binárias. A separação homem/mulher é extremamente redutora.” Ler mais…

Coincidências

1 Agosto, 2016

Estou na mesma casa onde estava quando Paulo Portas anunciou a sua demissão irrevogável. Na altura, graças à RTP Play, liguei-me ao mundo lusitano, muito mais afastado do que o que o mapa mostra, neste cantinho de Mediterrâneo (nota para o comentador Arlindo: Há muito mais praias e cantinhos pouco tocados pelo homem em Espanha que em Portugal, por muito que julgue toda a costa por Benidorm, uma pequena aberração no grande esquema das coisas).

Na altura, sabia que o governo cairia. Não caiu graças a um homem, o tão odiado na escala de Cavaco, Pedro Passos Coelho. Houve asneiras nesse governo, claro. Talvez não tantas em 4 anos como com este em 4 meses, mas houve. Nessa altura percebi que quando há vontade, ela prevalece, pelo que tem que ser, pelo que tem muita força. Daí que o meu desejo seja mesmo o da prevalência de Costa, pessoa que considero bastante imbecil e que, quando parece difícil que reforce essa percepção, nunca decepciona. Porém, seja António Costa tão homem quanto o outro foi e teremos geringonça por mais 4 anos. Porque também é assim que se separam os homens dos homenzinhos, mostrando que sabem lidar com as birras da miudagem. E miudagem a circundar Costa não falta.

Se é colar cartazes, isso eu faço

31 Julho, 2016

Ontem, a caminho de férias, passei no centro de Madrid às 4 da manhã espanholas. Há muitos anos que não vou a Madrid, só passo a cidade pelos túneis que ligam a A–6 à A–3, rumo a um habitual cantinho do Mediterrâneo ibérico. Saltou à vista o cartaz “refugees welcome” no Palacio Cibeles. Porque haveria alguém de desejar receber refugiados? A existência de refugiados não significa que estas pessoas escapam a alguma coisa? E, se escapam a alguma coisa, porque haveriam de suportar o sentimento racista dos que cá estão, preparado para demonstrar o quão bom nós somos por os recebermos, colocando um pindérico cartaz num edifício icónico e lavando as mãos com a chegada dos que consideramos pobres coitados – cá está o racismo – por não terem onde cair mortos?

Colocar cartazes é fácil. Mais difícil é oferecer a piscina pública e voluntárias para sexo consensual, para combater as violações. Mais difícil é escalar a frequência de locais públicos entre os agradecidos pelos refugiados e os desconfiados, para que o certificado maluco que se rebentar só matar pessoas que acham o risco aceitável. Mais difícil é proibir saias acima do joelho para pessoas – algumas dessas desgraçadas às vezes até usam crucifixos – das que não entendem que isso é um convite a um pobre refugiado a enfiar a mão num dia em que não lhe apetece enfiar outra coisa. Mais chato é arranjar voluntários homossexuais para serem apedrejados até à morte para que respeitemos a cultura deles, que isto de culturas inferiores não há, é tudo bom e ritualisticamente aceitável.

Eu estou disponível para pendurar um cartaz desses. Arranjem-me só os voluntários necessários do parágrafo interior e terão em mim um aliado do “refugees welcome”.

Deve ser distracção minha

31 Julho, 2016

ou quiçá da grande ocupação em que tenho andado mas não dei ainda por manifestação, cordão humano ou simples tentativa de oferecer florinhas aos funcionários da embaixada da Turquia. Mas certamente que já houve qualquer coisa não houve?

A saber

31 Julho, 2016

Os turistas descaracterizam a cidade. Os turistas expulsam os habirantes dos bairros tradicionais. Os turistas assim e assado… Mas construir ciclovias porque é crescente o número de turistas que querem andar de biciclete isso sim é óptimo. Quanto aos nativos devem ser milhares os habitantes tradicionais dos bairros tradicionais Lisboa ou que tendo sido expulsos par a periferia por causa do turismo  se deslocarão de biciclete do Cacém (que só agora com o turismo se encheu de gente) para Lisboa nestes dias de Agosto com temperaturas acima dos 30.

 

 

Grande concurso blasfemo

28 Julho, 2016

Está aberto, nos comentários a este post, o grande concurso ADIVINHE O TÍTULO DO PRÓXIMO LIVRO DO SÓCRATES. O concurso terminará mal seja divulgado o nome da obra. O prémio para os participantes será não serem obrigados a ler a coisa, quando publicada; o castigo para o vencedor será a oferta de um exemplar. Participe as vezes que quiser!

Eis as minhas tentativas:

  • Compêndio de inglês técnico
  • A minha luta
  • Decoração de interiores para apartamentos
  • Os melhores restaurantes em Paris
  • Este livro foi mesmo eu que o escrevi-o
  • Nomes de mulheres: de A a G
  • Libertem o Willy! Eu libertei-o sempre que pude
  • As minhas memórias de ver o Eusébio jogar
  • Construção civil para emigrantes
  • Alfabetização: precedendo a betagamização
  • Saber delegar
  • Desconfiança no sistema bancário
  • Guia para uma amizade feliz

o novo herói português

27 Julho, 2016
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919955Como era previsível, a União Europeia não aplicou quaisquer sanções a Portugal. Resmungou, fez cara feia, ameaçou, mas, no fim de contas, todos sabemos que não se tira o oxigénio a um moribundo, sob pena de o matarmos antes do tempo, com a comoção e hostilidade gerais, sentimentos de que ninguém precisa e de que todos prescindimos. No caso, a União e o governo português irmanaram-se tacticamente, desde o começo, em todo este bizarro processo, com evidentes proveitos recíprocos. O governo capitalizou, para consumo interno, com o discurso de que não cederia a Bruxelas, e Costa, o homem que bravamente enfrentou, nos jornais portugueses, a Comissão Europeia, é o novo herói português: demonstrou que as pernas dos banqueiros alemães tremem, quando um socialista português lhes fala grosso. Cai quem quer, mas não faltará quem queira, como as próximas sondagens certamente revelarão. Já a Comissão Europeia justificará a condescendência pelo mau estado geral de conservação do cadáver, garantido à Alemanha e aos países do norte que para o ano é que vai ser. Promessa que, de resto, o governo português aproveitará para nos ir aos bolsos em 2017 e para pôr em sentido os seus parceiros de coligação. Enfim, tudo está bem quando acaba bem. Honra e glória aos heróis da pátria!

Paz, amor e concórdia! É possível! Ligue já! Só 9,99€.

27 Julho, 2016

O Islão é uma religião de paz. Desde que não sejam publicados cartoons, se acabe com missas, se fechem as esplanadas, sejam abolidos concertos, acabem com aglomerados de gente no geral e se integrem os estrangeiros no maior respeito multicultural determinado pela interpretação de cada um da Sharia através do extermínio de todos os que nela não se identificam, haverá paz, tranquilidade e amor. A primeira medida do ocidente para a paz deverá ser acabar com o discurso de ódio, deixando que cada comunidade resolva os seus próprios problemas através de inevitáveis homicídios de honra. Mulheres que mostrem o cabelo deverão ser assassinadas em tranquilidade pelo seus pais e irmãos, sem interferências pestilentas e colonizadoras dos países de acolhimento. Humanistas locais deverão providenciar a sua sensibilidade homossexual para homens oriundos dessas culturas, partilhando o amor ecuménico que transforma violações em consentimento, consentimento em gula, gula em SIDA. Senhoras que choram nos jornais poderão fornecer sevícias sexuais que mantenham a sensibilidade cultural e o nível de testosterona bélica controlada, originando alegria a todos, mesmo os que não querem malucos estrangeiros nos seus países, assim como da comunidade de pornógrafos do género “arab male white female”. Pequenos crimes como degolar obsoletos padres deverão ter o destaque que merecem, depois das notícias referentes à selecção nacional de halterofilismo e da nova tendência em tatuagens. Aconteça o que acontecer, não votem em populistas demagogos que propõem soluções, nem que tontas, para o problema. Votar é em patriotas multiculturais que combatem as regras da União Europeia com a mão direita enquanto a esquerda continua estendida para a esmola. Tudo correrá bem, se ouvirmos as pessoas que sempre nos trouxeram à necessidade extrema de ouvir pessoas que nos trazem à necessidade extrema.

Pergunta o Observador

27 Julho, 2016

E se António Costa processar mesmo Bruxelas?
Ora, ora se António Costa processar mesmo Bruxelas nós pagamos o advogado

A monomania terrorista

27 Julho, 2016

A avaliar pelo número de autores de atentados terroristas que são rapidamente apresentados como casos de psiquiatria temos de admitir que vindas não se sabe donde legiões de doentes mentais, enquanto gritam “Allah Akbar” (Alá é grande), desataram a degolar, mutilar, alvejar ou atropelar aqueles que têm o azar de se cruzar com eles. No passado os loucos queriam lavar-nos os vidros do carro na avenida do Brasil, subir ao zimbório da Estrela porque achavam que eram ágeis como os macacos ou mais prosaicamente tinham aquilo que o povo designava com ataques

Eu estava errado, como tantas vezes antes

26 Julho, 2016

A execução orçamental do primeiro semestre é maravilhosa. O governo – que sempre considerei mais perigoso de que uma praga de gafanhotos – demonstra ser de uma sagacidade nunca vista no cargo executivo nacional. Eu estava errado, admito. É mesmo verdade: as vacas voaram e o muro de Berlim foi derrubado. Perante resultados tão avassaladores, é imperativo combatermos as tentativas de derrube desta estrutura a que carinhosamente chamamos de “geringonça”, tudo fazendo para que concluam a legislatura na normalidade democrática que asseguraram aquando da vitória da democracia parlamentar sobre a tradição castradora do bi-partidarismo. A geringonça é prova cabal que o homosocialismo polipartidário gera os afectos que levam a consensos e que elevam o país ao patamar tão almejado de desenvolvimento económico, social e moral. Se, perante o risco de sanções e a inerente desconfiança dos mercados conseguimos este tipo de resultados, para 2017, ao serem confrontadas as instituições com a constatação da mudança, só podemos esperar mais daquilo que nós gostamos e não conseguimos através de anos duros com a austeridade que mata. O cinismo de uma certa direita irresponsável do “quanto pior, melhor” poderá forçar eleições através de hipnose que leve o dr. António Costa a demitir-se sem querer e sem motivo. É importante não permitirmos que estas jogadas palacianas originem resultados.

Viva a geringonça! Viva António Costa! Viva Portugal!

Homem morreu, coitado

25 Julho, 2016

Homem morreu – paz à sua alma – porque a bomba que transportava e fez detonar acabou por explodir, ceifando a vida deste inocente e de outro palerma qualquer que agora não interessa para nada. 

(Via @joaops)

Ainda bem…

25 Julho, 2016

…que foi uma explosão que matou em vez de um assassino vítima de salvamento do afogamento certo num bote no Mediterrâneo. 

São coisas que acontecem

24 Julho, 2016

Calma aí com os julgamentos precipitados. Só porque um senhor sírio aparece de machete na rua não significa que o amor não deva prevalecer perante o ódio. O mais certo é ter sido um senhor sírio refugiado e portador de machete de extrema-direita a comemorar os 5 anos do atentado do norueguês nazi. Até porque ninguém comemora os atentados do Che excepto em t-shirts giras. Se a mulher morta o tivesse amado, poderia ainda ter uma cabeça para nos alertar do perigo de não amar preventivamente. Esta mulher foi vítima do seu próprio preconceito à posteriori. Se calhar nem estava grávida. Talvez tenha sido um senhor sírio refugiado portador de machete que é maluco, como o de ontem e o de segunda-feira. Toda a gente sabe que não faltam malucos à solta. Quais as probabilidades de um maluco ser um refugiado sírio portador de machete? Como diz a Helena Araújo, são só coisas que acontecem.

Vou-te às trombas, Maria Bruxelas

24 Julho, 2016

Maria, vai lavar a louça. Vai lá e despacha-te que eu estou entesoado e preciso que venhas rápido para a cama. Vais ter sorte. Anda lá, avança com isso. Queres levar um murro na fronha? Dói-te a cabeça? Não te pusesses a ouvir aquela trampa em estrangeiro. O bebé não pára de chorar. Já não aguento mais. Vai lá ler-lhe uma história pungente da Helena Araújo para ela adormecer multicultural. Estás a ficar com as pernas rechonchudas para skinny jeans, Maria. Traz os chinelos. Traz o carregador do MacBook. Dá-me carinho, Maria. Cheiras mal dos pés. Vai-te lavar. Este bebé não se cala, dá-lhe um abanão. Anda cá, não me sanciones; dá-me carinho, Maria.

Admito processar-te se não pinarmos imediatamente.

Consequências lógicas não referidas pela Helena Araújo

23 Julho, 2016

 (link)
Conclui-se que:

  1. O homem do machado equipara-se a Deus no julgamento dos justos;
  2. O homem do machado concluiu existir pelo menos um não-justo na carruagem chacinada;
  3. Devemos amar o homem do machado como a nós próprios. 

Toma um balão, pequeno palhacito

23 Julho, 2016

Há uma série de palhaços que, perante a matança de Munique, salientaram o quão ridículo é a Europa falar de sanções enquanto acontecem estas coisas, muito mais graves que umas décimas de défice. Numa meta-crítica – já que estes palhaços falaram eles próprios de sanções durante a ocorrência de algo muito mais grave que umas décimas de défice -, articulada com o gabinete de lubrificação da geringonça, indicam três coisas: 1) os socialistas querem sanções não simbólicas; 2) os socialistas querem eleições; 3) os socialistas querem um motivo para eleições.

O motivo vai ser sempre difícil de arranjar. Mas, é por isso que temos palhaços, não é? Para vos tratar como criancinhas. Toma lá mais um balão, petiz.

escusam de se preocupar

22 Julho, 2016
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daesh19n-2-webTodas as guerras ofensivas têm um fim e o fim de todas as guerras ofensivas é sempre derrotar um inimigo para lhes conquistar alguma coisa. A recente vaga de terrorismo islâmico demonstra que há uma guerra a decorrer no meio de nós, que apenas o nosso receio natural nos leva a relativizar ou mesmo a fazer de conta que não está a acontecer. Contudo, a Europa está em estado de guerra, os EUA estão em estado de guerra, a Turquia está em estado de guerra, e muitos outros países, vítimas do terrorismo islâmico, estão em estado de guerra. Porquê? Ainda por causa do Iraque? Mas o que têm a Tunísia, a Costa do Marfim, a Indonésia ou o Brasil a ver com isso? São alvos estrangeiros, turistas ou nacionais de países europeus, que são visados nesses ataques? Talvez. E isso justifica que os ataques sejam feitos nesses países? Provavelmente sim, mas só se for para passar a mensagem de que já estamos a viver uma guerra global, a primeira verdadeira guerra mundial de sempre, onde nenhum país ou lugar podem considerar-se seguros, e todos eles podem transformar-se, de um momento para o outro, em teatros de guerra. Ainda assim, fica a pergunta principal por responder: o que quer o inimigo com isto? Se é para vingar o Iraque, por que é que nunca houve atentados terroristas no Irão, que teve uma guerra com esse país ainda mais violenta do que a invasão americana? Por fanatismo religioso? Choque de culturas e de civilizações? Sem dúvida que a esmagadora maioria daqueles que perpetram os ataques deve acreditar que está a cumprir um desígnio de Deus, do seu Deus, contra ímpios e infiéis. Mas tudo isto parece curto para justificar um plano tão bem orquestrado e executado como aquele a que estamos, quase impávidos, a assistir. Até porque um esforço de guerra ofensiva visa sempre objectivos muito claros e bem delineados. A pergunta inicial volta, então, a colocar-se: o que pretende, quem ataca, com esta guerra? Provavelmente, se levarmos a sério as anunciadas intenções do Daesh, teremos a resposta: retomar a fatah de Maomé e do Império Árabe, recuperando o que lhe pertenceu e acrescentando-lhe o que for possível. Para tanto, começa-se por desmoralizar e desorientar o inimigo, abalando-lhe severamente o seu modo de vida e os seus valores civilizacionais, ficando à espera que ele cometa alguma imprudência. Depois, continuar a guerra e abrir novas frentes. Há tempo: não se trata de uma guerra para demorar poucos anos, como não o foi a expansão muçulmana, que durou séculos, e a progressão do terror islâmico tem sido constante. Neste cenário, como é habitual na hipocrisia ocidental, há quem procure desvalorizar os acontecimentos, sempre a tentar encontrar outras razões para os factos que não o terrorismo («pode não ser um atentado?», perguntava, ainda há pouco, uma locutora da RTP1). E há até mesmo quem, fazendo humor negro em circunstâncias tão sérias, se diga muito apreensivo com uma possível guerra que possa resultar da eleição do exótico Donald Trump. Mas escusam de se preocupar com isso: nós já estamos no meio de uma.

 

Está um indivíduo na SICN…

22 Julho, 2016

…a dizer que é preciso combater a islamofobia. Por algum motivo que me escapa, está a dizer isso aos telespectadores em vez de o dizer aos muçulmanos que amigavelmente se rebentam nas esplanadas. 

uma vergonha?

20 Julho, 2016
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O senhor ex-ministro Correia de Campos tinha supostamente garantida, por negociação entre PS e PSD, a sua eleição para o cargo de presidente do Conselho Económico e Social (CES). Posta a coisa a votação na Assembleia da República, alguns dos votos necessários para a maioria que o elegeria não se verificaram e Sua Excelência ficou sem a sinecura o cargo que lhe tinham prometido. Vai daí, um alto dirigente do PS considerou o caso «uma vergonha», porque o PSD teria falhado a votação a que se «comprometera»

Ora, salvo melhor opinião, «uma vergonha» é tratar os deputados como gado sem vontade própria, nem autonomia em relação aos directórios dos seus partidos em questões tão elementares como a eleição do titular de um cargo político. Por qualquer razão que ignoro, alguns deputados terão considerado que Correia de Campos não era a pessoa adequada para o exercício de tal cargo e não lhe deram o voto recomendado pelo partido a que pertencem. Isto, que em qualquer parte do mundo democrático seria visto como uma normal decorrência da liberdade de consciência de deputados eleitos pelo povo, foi considerado um acto desonroso por não obedecer à disciplina partidária. Uma vergonha, de facto, é que haja por cá quem assim pense.