Culturas
Fazendo desde já a ressalva que o caso pode ter factos que desconheço o caso da «Família portuguesa em Inglaterra ficou sem os cinco filhos por “risco futuro de dano emocional”» (obs. o caso teve entretanto mais desenvolvimentos: Casal de portugueses a quem retiraram os filhos em Inglaterra foi detido) é muito revelador das diferenças culturais na educação: os cinco filhos, e repito segundo se relata na notícia mas podem existir outros dados, foram retirados a esta família porque um deles se queixou que o pai lhe tinha batido. Presumo que o choque das autoridades britâncias perante um pai que bate num filho deve ser similar aos que muitos latinos exprimentam quando de viagem por essas e outras mais nórdicas paragens se confrontam com bebés sozinhos na rua dentro dos seus carrinhos enquanto os seus pais fazem compras ou tomam café numa loja próxima ou deixam os filhos a dormir sozinhos enquanto jantam num restaurante (o facto do casal McCan ter feito isto tornou-os culpados de algo aos olhos da opinião pública portuguesa).
E num registo bem menos dramático se atentarem nas imagens abaixo de um livro norueguês sobre jardins de infância poderão observar várias cenas que em Portugal causariam enorme consternação e indignação. Para eles o problema seria não haver homens a trabalhar com as crianças e não escrevo educadores de infância porque nessas outras e tão abastadas paragens a questão da formação de boa parte dos trabalhadores não se coloca nesses termos:
A ouvir tb
A ler e ouvir
Bagão Félix explica
Quando se fala de reestruturação da dívida – entenda-se: não pagar parte da dívida -, se isso acontecer, o FMI e os outros credores preferenciais não se sujeitam a este corte a menos que haja acordo. E quem iria apanhar sobretudo o corte se eventualmente houvesse acordo? Quem pagaria isso seriam os bancos portugueses. E, apanhando os bancos portugueses um corte desses, quem apanhava era a própria capacidade de solvabilidade dos bancos e, por tabela, os depositantes. Por isso falar de reestruturação da dívida fora do contexto efectivo de quem são os detentores dessa dívida, parece-me relativamente imprudente.
Bagão Félix (via Delito de Opinião)
read my lips
“As contas públicas portuguesas não o permitem”.
E, já agora, Óscar, importa-se de nos esclarecer quem as pôs assim?
O bisavô dos jarretas
Eu sei
que o Blasfémias é um blogue muito sério e patati patata mas graças ao JCD cheguei a este site e para provar como as hemerotecas são um dos locais mais perigosos da terra aqui deixo uma sugestão para que vejam esta série de anúncios: 16 anúncios vintage de cuecas que vão te dar pesadelos
À atenção dos jurados
Exhibit A
Abstract
We replicate Reinhart and Rogoff (2010a and 2010b) and find that coding errors, selective exclusion of available data, and unconventional weighting of summary statistics lead to serious errors that inaccurately represent the relationship between public debt and GDP growth among 20 advanced economies in the post-war period. Our finding is that when properly calculated, the average real GDP growth rate for countries carrying a public-debt-to-GDP ratio of over 90 percent is actually 2.2 percent, not −0.1 percent as published in Reinhart and Rogoff. That is, contrary to RR, average GDP growth at public debt/GDP ratios over 90 percent is not dramatically different than when debt/GDP ratios are lower.
We also show how the relationship between public debt and GDP growth varies significantly by time period and country. Overall, the evidence we review contradicts Reinhart and Rogoff’s claim to have identified an important stylized fact, that public debt loads greater than 90 percent of GDP consistently reduce GDP growth.
Prescrições
Afinal parece haver um tema consensual entre os partidos do governo e da oposição: “é preciso apurar responsabilidades” e “as coisas não podem continuar assim” em matéria de prescrição da responsabilidade criminal e contra-ordenacional. Sempre que se gera um consenso deste tipo, a consequência é sempre a mesma: entre grandes proclamações a propósito da justiça, da igualdade ou do Estado de Direito, muda-se a Lei.
No entanto… Ler mais…
Voz popular desinteressada
Tenho uma proposta para os leitores do Blasfémias que consiste em completar uma frase recorrendo aos comentários. Para o efeito podem usar 10 palavras. Todos os comentários que não sejam completar a frase ou que ultrapassem as 10 palavras serão apagados. A frase é:
Eu acho oportuno e concordo com o manifesto dos 74 porque…
Este assunto tem de ser discutido com seriedade
Milhares de crianças com deficiência com apoio em risco Desconheço os termos da alteração legislativa actualmente em causa tanto mais que boa parte das notícias não explica nada de nada. Sei apenas que como antiga professoras, mãe e membro que fui de associações de pais me confrontei com situações grotescas neste domínio. Situações houve em que alunos eram logo à partida e por atacado considerados NEE’s (Necessidades Educativas Especiais). Aliás a percentagem de crianças com NEE atingiu em algumas zonas e escolas valores completamente absurdos. A própria concepção de NEE levou a que a dado momento dificilmente alguma criança não fosse NEE. Vi pais e mães que viam no estatuto NEE uma forma de os filhos obterem melhores resultados e terem explicações de borla. Há alguns anos que ouço histórias de escolas que tentam afastar os alunos realmente com NEE porque temem que estes prejudiquem o rendimento escolar dos colegas e as façam descer no rankig e de escolas que rotulam a torto e a direito como NEE. Esta é uma matéria em que as pessoas cheias de certezas se transformam num perigo.
Parar de escavar
Alguns movimentos de independência na Europa
- Albânia
- Épiro do Norte
- Bélgica
- Flandres
- Valónia
- República Checa
- Morávia
- Dinamarca
- Ilhas Faroé
- Bornholm
- Finlândia
- Åland
- Sápmi
- França
- País Basco
- Bretanha
- Córsega
- Nice
- Saboia
- Occitânia
- Alsácia
- Normandia
- Alemanha
- Baviera
- Itália
- Tirol do sul ou integração na Áustria
- Veneto
- Sardenha
- Holanda
- Frísia
- Polónia
- Alta Silésia
- Portugal
- Açores (ver PDA)
- Hungria
- Székelyföld
- Espanha
- Canárias
- Andaluzia
- Aragão
- Astúrias
- Ilhas Baleares
- País Basco
- Cantábria
- Catalunha
- Castela e País Leonês
- Galiza
- Reino Unido
- Escócia
- Cornualha
- Inglaterra
- Mércia
- Wessex
- Yorkshire
- Ulster
- Orkney e Shetland
- Hébridas Exteriores
- País de Gales
- Ilhas do Canal
- Jersey
- Isle of Man
- Gibraltar
O que leva pessoas encantadas com ideias chanfradas como mutualização da dívida a não perceberem a ironia de um post como este, que avança uma ideia mirabolante de fusão de parte da Galiza com Portugal? Nas últimas semanas não faltaram referências à independência da Escócia ou ainda, em pequena escala, notícias sobre o referendo pela independência de Veneto. Houve um referendo na Crimeia pela integração na Rússia; as fronteiras, como as conhecemos, são sempre passíveis de mudar. Aliás, a estabilidade fronteiriça é a excepção e não a norma histórica na Europa, por muito que custe a compreender em países de fronteiras estáveis como Portugal.
Não faltam ideias de independência em várias regiões. Só a Espanha tem vários movimentos, incluindo os que dão o tom de alguma credibilidade à sátira do post. O Acción Galega agrega 5 partidos nacionalistas e o BNG – Bloque Nacionalista Galego, apesar da queda de votos nas últimas eleições municipais, conseguiu obter 16,52% dos votos.
O que une a maioria dos movimentos independentistas é, exactamente, a antítese da ideia mutualista de dívida pública: através da independência procuram a liberdade económica perdida no centralismo das respectivas capitais.
Que os movimentos de independência europeus têm diferentes lastros e dimensões que vão da insignificância à realização efectiva de referendos e organização em partidos com expressão não marginal, isso é dado adquirido; que representam a ideia de canalizarem os seus impostos para causa própria, também o é. Que as propostas dos jarretas e de Seguro funcionam como catalisadores de reacção anti-centralista, só não vê quem apenas frequenta pastelarias lisboetas.
Notável Sequência de Disparate
Na sequência de um ´post´no Facebook, chamo também aqui a atenção para uma notável sequência imparável de disparates desta “entrevista” de Raquel Varela à SIC-N. Algumas pérolas da Raquel:
“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”
Este argumento é mesmo de quem não percebe nadinha do que está a dizer e cai, uma vez mais, na habitual falácia de confundir fluxo com stock. Na escala da Raquel, produzimos 100 num ano, 200 em dois, trezentos em 3, 1000 em 10. E a dívida é 130.
“Nós neste momento já não temos filas de miseráveis que colapsam por ausência de emprego”.
Quando é que tivemos?
“suspender o pagamento de dívida pública, que aliás aconteceu na Irlanda.”
Aconteceu o quê, na Irlanda? A Raquel não para. Há uma atração para o abismo que se apodera dela e, do meio das roupas de marca e dos gadgets capitalistas de que a Raquel tanto gosta, brota um verdadeiro concentrado de palermice. Ler mais…
Leituras
Tu não te desgraces
Alguns malucos em Vigo consideram a união à República Portuguesa como estado-cidade federada.
Como visitante assíduo de Vigo e península do Morrazo, agradecia que parassem de tentar estragar a Galiza.
será que rima?
Insanável com irrevogável?
Não se chama manifesto dos jarretas por acaso
Pacheco Pereira (65 anos) diz que “cada vez mais se generaliza em Portugal a idade como insulto, diminuição, culpa, e [que] todos são ‘velhos’ por associação“. Não se entende: um país que de 5 em 5 anos – isto em períodos de abundância – precisa arranjar estratagemas para a sustentabilidade da segurança social (sempre por mais 20 anos, até à próxima reforma dentro de 5) andar a preocupar-se com a idade das pessoas que reivindicam tolices.
Qual o relevo de analisar idades de pessoas que querem calote à dívida que eles próprios ajudaram a criar se, daqui a 20 anos, não estão cá para pagar os custos desse calote? É uma pergunta retórica.

Falar, falar, todos devem poder. Até parece que nunca se ouviu o “auditoria à dívida”, “não pagamos” e outros floreados típicos de acampamento com plantação de rabanetes no Rossio. De Pacheco Pereira já se espera a defesa de tudo e do seu contrário. Porém, a melhor resposta a Pacheco Pereira sobre os deméritos do manifesto é dada pelo próprio Pacheco Pereira:
O pequeno e imenso problema é o “ruído” do mundo. As acções humanas, sejam na economia, na sociedade, na cultura, na política, estão cheias de “ruído”, que gera um enorme fosso entre as intenções proclamadas e os resultados obtidos. Quase que se pode dizer que a regra é os resultados serem muito diferentes das intenções. É a regra que Weber lembrava aos políticos de que a maioria das suas acções tem resultados exactamente opostos ao pretendido. Aplica-se também aos economistas a fazer política. – Pacheco Pereira, Março 2012
Atrevo-me até à acrescentar: aplica-se também aos políticos que vão na onda dos economistas que fazem política.
não deixa de ser divertido
A saloice do nosso politicamente correcto esquerdista, capitaneada por Mário Soares nos seus quilométricos artigos do Diário de Notícias, anda entusiasmadíssima com o Papa Francisco, sobre quem opina que está a “mudar a Igreja”, certamente no sentido do que eles, quase todos ateus, acham que a Igreja deve ser.
A coisa funciona, nestas mentes altamente bafejadas, do seguinte modo: a Igreja Católica tem sido, nas últimas décadas, um antro de conservadorismo bafiento, um coio de pedófilos protegidos ao mais alto nível do Vaticano, um centro de interesses políticos e financeiros mafiosos, em conclusão, uma verdadeira seita que se afastou da pureza original da mensagem de Cristo, o primeiro verdadeiro socialista da humanidade. Neste panorama, João Paulo I foi o Papa assassinado por querer enfrentar o polvo, João Paulo II, o seu sucessor, o ícone maior do conservadorismo bota-de-elástico e um protetor de pedófilos, e Bento XVI, apesar de ser um homem inegavelmente inteligente e culto, não deixou de ser o guardião de uma ortodoxia retrógada que afastou a Igreja da modernidade.
E eis que surge Francisco, vindo da América Latina dos pobres e desfavorecidos, jesuíta transformado em franciscano, pregador dos fracos e humilhados, crítico do estado de um mundo capitalista em vias de extinção, tal e qual eles juram há mais de duzentos anos que irá suceder. O sucesso do novo Papa é tal, que hoje mesmo ele operou o seu maior milagre: acabou de converter Mário Soares, que deixou de ser ateu para nos elucidar que os pobres são “todos são filhos de Deus”.
Acontece que o Papa Francisco não “mudou” a Igreja, pelo menos no sentido que este seu novo séquito de admiradores gostaria que mudasse. Mexeu nuns cardeais, imprimiu um estilo próprio – o seu, obviamente – ao papado, manifestou, como sempre o fazem os altos dignitários da instituição, a preferência desta pelos mais pobres e necessitados, disse umas coisas, habituais no discurso católico, sobre a ganância dos ricos e a cupidez dos poderosos, e por aí se ficou. Isto é uma mudança de vulto na Igreja Católica? Não é, nem poderia ser, porque a Igreja, por definição, é dogmática e conservadora nos seus princípios, e se os andasse a mudar ao sabor da opinião pública passaria a ser outra coisa qualquer.
Mas houve, de facto, algo que efetivamente o Papa Francisco conseguiu mudar: a percepção dos críticos sobre a sua instituição, que passaram a elogiar como se fosse coisa muito diferente da que eles abominavam, quando se mantém exatamente igual a si própria e ao que sempre foi. Não deixa de ser divertido.
Deus dá, o governo tira
Mediante o seu objecto de fé, pode, no título, substituir “Deus” por “Estado” ou até, numa referência memofante a Elisa Ferreira, pela suprema divindade nacional, o “Partido Socialista”. Repare-se na subtileza deste título do JN (podia ser outro jornal, hoje toca a este): as pessoas perdem algo, implicando a sua posse prévia, um direito de propriedade adquirido (usucapião?) fruto da bondade supra-humana que só o Bem pode permitir. É indiferente que benefícios fiscais sejam distorções para colmatar outras distorções, também estás provocadas por “o Senhor dá”, tornando indiscutível a bonomia do novelo-de-lã fiscal sobre aquilo que seria por demais evidente, a vantagem de um sistema escorreito sem mais excepções do que regras.
Não é de surpreender que Seguro anuncie, com razão, existir uma “divergência insanável entre o PS e o governo”. Não é com este governo, é com qualquer governo: o PS tem divergências insanáveis com o acto de governar pelo simples facto de a sua vocação ser dar para que outros tenham que tirar.
Coadjuvado pelos poetas partidários e pela proliferação de cursos de letras (“é para fugir à matemática no 10º ano”), é fácil ser líder da oposição em Portugal: nós damos, os outros tiram. É tudo uma questão de percepção mas, se o placebo funciona com a “geração mais bem preparada de sempre”, porquê esperar? É avançar já com todas as medidas ansiosamente aguardadas, as que verdadeiramente interessam, as “eu vou dar” do comedor de brioches que se segue.
O país visto da pastelaria Versailles
Tema do meu artigo de hoje no DE: Estou em crer que caso Cravinho e Bagão Félix tivessem escolhido um daqueles restaurantes suburbanos que agora propõem pratos de pataniscas, mão de vaca com grão ou massada de delícias do mar, mais sopa, vinho e café por 5 euros e meio outro teria sido o teor do manifesto dos 70. Afinal a crise vista diante de um croquete na Versailles é coisa bem diversa da perspectiva obtida face a uma dose de cozido que dá para três num restaurante da Buraca (que ainda oferece uma caixa para se levarem os restos para casa).
Obs. Versailles ficou Versalles (pode pronunciar-se com sotaque castelhano para ter mais graça) mas os croquetes continuam muito razoáveis
Temos de derrotar ESTA política de austeridade! Qual?
BE, PCP e PEV querem voto de protesto contra austeridade
Deixando de lado o BE que para o caso pouco conta cabe perguntar ao PCP/Verdes se esta sua fixação na luta contra a austeridade também engloba esta Política de austeridade
1 – Torna-se necessário definir e executar uma política de austeridade imediatamente pelas seguintes razões:
a) Limitação do agravamento tendencial de desequilíbrio da balança de pagamentos, cuja continuação acentuará o grau de dependência da economia portuguesa de tal modo que poderá tornar impossível a construção da sociedade socialista;
b) Eliminação progressiva de padrões de consumo típicos das sociedades burguesas desadaptados às possibilidades materiais da economia portuguesa; Ler mais…
Até um cheque assinaria, pá!
O que é o pós-troika?
Para pessoas com juízo é a altura a partir da qual a mediação com os credores deixa de ser feita por uma entidade avaliadora ad hoc, perigando a credibilidade e possibilidade de financiamento do país de acordo com a loucura dos políticos.
Para a oposição (inclui parte substancial do PSD e CDS) é a oportunidade para iniciar o processo que levará ao 4º resgate.
Para os restantes portugueses é a oportunidade de se irem queixando enquanto estrangeiros vão forçando as reformas necessárias em troca do financiamento que lhes dá energia para o folclore manifestativo.
Impossível, para o que eles contam gastar
As condições apresentadas no prefácio do Cavaco Silva para se cumprir o Pacto Orçamental são as seguintes:
1- excedente primário anual de cerca de 3% do PIB
2- crescimento nominal de 4%
Cada uma destas condições têm sido quase unanimente considerada impossível de atingir.
Note-se que um superavit primário de 3% implica um défice de 1,5% no início do período de corte de dívida e de 3,75% quando a dívida atingir os 60%. Ou seja, o sonho desta malta toda continua a ser viver permanentemente com défices elevados. 1,5% não chega. Parece que nem 3% lhes chega. Quanto ao crescimento nominal de 4%, corresponde a um crescimento real de 2% se a inflação for próxima do valor de referência do BCE (2%). Também é impossível, claro, até porque eles não imaginam crescimento sem endividamento galopante.
Sócrates “Teria assinado o manifesto, seguramente”
Daniel Oliveira 2011 versus Daniel Oliveira 2014
Em 2011 Daniel Oliveira criticava as agências de rating por baixarem o rating português sem motivo.
Em 2014 Daniel Oliveira diz que a dívida portuguesa é impagável.
Isto começa ser muito cansativo
Os trabalhadores da Valorsul fazem greve porque não concordam com a privatização da empresa. devidamente coligados com os presidentes dos munícipios que tb são contra a privatização actuam como se fossem proprietários da empresa: «Sabemos que, pelo menos, o município de Loures e da Amadora, através dos seus presidentes, já declararam que não vão enviar viaturas para a Valorsul. Estamos à espera que a Câmara de Lisboa tenha o mesmo posicionamento. Se eventualmente a Câmara de Lisboa entender enviar os carros aqui para a central ou para o sanitário de Mato da Cruz (Alverca), iremos trabalhar com o piquete para que não entre nenhum carro na Valorsul», sublinhou o dirigente sindical.»
Entretanto os munícipes são intimados a guardar o lixo em casa e a pagar a taxa de resíduos. Na verdade o tratamento dos lixos já está privatizado: trata-se de uma espécie de coutada dos sindicalistas e dos presidentes dos munícipios. Aos munícipes resta ficar grato nos dias em que fazem a mercê de recolher o lixo e pagar.
Pequeno glossário para o mês de Março
Nojo: Palavra sempre presente na caracterização de ideia, opinião ou decisão contrária à nossa convicção, a única que transcende a individualidade para o açambarcamento de toda a antropomorfia do Bem.
Bem: Plenitude com o que é justo socialmente.
Dignidade: Palavra sempre presente na identificação de ideia, opinião ou decisão contrária à passível de ser caracterizada por “nojo”.
Insustentável: Modo de algo que dava jeito que fosse de outra forma; ligeiro desconforto.
Dívida: Palavra que caracteriza uma obrigação não solicitada criada unilateralmente através de opressão pelo alegado credor contra a vontade do devedor.
Aguentar: Verbo que indica preferência por acção antagónica.
a última oportunidade
António José Seguro parece ter finalmente aceitado falar com Passos Coelho e com o governo sobre o futuro do país pós-troika.
Fez muito bem. Até agora, ele tem andado a reboque do que os barões do PS querem que ele faça, convencido que assim lhes agradava e que o deixariam em paz. Enganou-se redondamente, como é óbvio, e, com a desconsideração de não ter estado presente na homenagem da passada semana a Mário Soares, que reuniu todos os históricos do partido e todos os seus inimigos declarados, ele terá finalmente compreendido – espera-se – que esta gente o vê apenas como um regente temporário dos seus interesses, enquanto o não substituem por outro, a poucos meses das legislativas.
Para além do mais, esta estratégia de conflitualidade radical e permanente, não credibilizou Seguro aos olhos dos portugueses mais atentos. É que enquanto os barões do partido que o empurraram para isto podem dizer toda a sorte de disparates, de António José Seguro, possível chefe do próximo governo, os portugueses esperam ver e ouvir muito mais, e até agora praticamente nada ouviram ou viram, a não ser um senhorito com um ar muito enfadado a dizer que não fala com o governo.
Assim, se Seguro quiser firmar-se como líder do PS e verdadeira alternativa política, não lhe resta senão arrumar, de vez, com a velha canga socialista, responsável, aliás, pelo estado lastimável em que o país se encontra, e começar a trilhar o seu próprio caminho. Falar com Passos Coelho é, embora tardio, um bom começo. E talvez seja mesmo a última oportunidade para que ele se torne no verdadeiro líder socialista.
Outros referendos
«Venice prepares for referendum on secession from Italy» (via Carlos Novais)
Deve ser isto a que se chama nosso fado
Supõe-se a indignação e a exigência de pedidos de desculpa se esta cena fosse ao contrário?
Já se esqueceu da vacina?
Kissinger não via com maus olhos um Portugal cubanizado e transformado na vacina contra o comunismo da Europa. Otelo que segundo o PÚBLICO defende a democracia directa, popular, podia ter explicado como a norte do Tejo se tomaram à letra os conceitos de directo e popular, tornando de facto inviável que a 25 de Novembro de 1975 a esquerda radical mesmo provocando um banho de sangue fosse capaz de ir além de Lisboa e do Alentejo. Não foram os americanos que obrigaram Otelo a recolher ao palácio de Belém no dia 25 de Novembro.Foi a realidade.
Finalmente uma alternativa ao ajustamento
O que é que tocou esta corda hipersensível de governantes, jornalistas da imprensa económica, homens da banca, alguns empresários e os seus agentes na ideologia “orgânica” do “ajustamento”? Primeiro, voltar ao bom senso e deixar os revolucionarismos de “mudar Portugal”, mostrar que há uma política alternativa, que pode ser difícil, mas é muito mais realista do que a política actual, ou seja, que há alternativas. Pacheco Pereira sobre o Manifesto dos 70
Finalmente, ao fim de 3 anos, Pacheco Pereira identificou uma alternativa à política de ajustamento e austeridade. E a alternativa é … não pagar a dívida. Muitas sinapses se devem ter queimado para chegar aqui. E, perante esta alternativa, tão longamente esperada, o que fez Pacheco Pereira quando foi convidado a subscrever o manifesto? Não respondeu.
não tendo assinado o manifesto apenas por incúria minha em responder a tempo ao convite que me foi feito.
o fim da cadeia alimentar
No seu artigo do Público desta semana, a pretexto das reações provocadas pelo panfleto assinado por setenta reformados políticos portugueses, Pacheco Pereira considera a blogosfera o “fim da cadeia alimentar” da política portuguesa. Vão longe os tempos em que a soberba de Pacheco o levava a dizer que tinha mais poder e influência a escrever diariamente no seu Abrupto, do que sentado em qualquer cadeira ministerial. Vão longe esses tempos, na verdade. E as audiências do Abrupto também.
Já pediram desculpa à Moody’s?
O economista José Reis pedia em 2011 um inquérito às agências de rating. Uma das razões para o inquérito era a possibilidade de as agências estarem a dar ratings demasiado baixos sem qualquer fundamento.
Os economistas consideram ainda que as agências podem incorrer no crime de inside trading (informação privilegiada), além de porem em causa a “racionalidade” do quadro económico que está por detrás das constantes revisões em baixa dos ratings, nomeadamente de Portugal.
Em particular, José Reis considerou injustificado o corte de rating da Moody’s para lixo:
O professor José Reis, um dos economistas que apresentou queixa contra as agências de rating, entende que é impossível perceber a decisão da Moody’s de cortar o rating a Portugal para o nível de lixo.
Ouvido pela TSF, este professor da Universidade de Coimbra qualificou de «incompreensível como sempre, incoerente e não justificada» este decisão e considerou que «ninguém a entende» esta «lógica insaciável e cega».
José Reis é um dos subscritores do Manifesto dos 70. Vem agora dizer que a dívida portuguesa é insustentável.
O socialismo deixou de ser uma ideologia para se tornar num argumentário para que outros paguem as nossas contas
Depois desta proposta em 2013 – O líder socialista propõe que a partir de 2021 exista uma “mutualização europeia do pagamento dos subsídios de desemprego” quando a taxa ultrapassar a média europeia no ano passado temos agora outra proposta: – O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu esta sexta-feira, em Coimbra, a mutualização dos subsídios de desemprego na zona euro, como estratégia para a criação de emprego. Concretamente, estabelecendo “um nível de referência” – 7%, exemplificou – a partir do qual o pagamento dos subsídios deixe de ser competência de cada país, para passar a ser responsabilidade do conjunto da União Europeia. “O que eu quero não é o subdsídio de desemprego, mas políticas económicas que promovam o emprego. (…) Se os países que têm taxas de desemprego razoáveis – se é que há taxas de desemprego razoáveis – fossem chamados a contribuir, podem ter a certeza de que dariam mais atenção à construção de uma política económica robusta”, explicitou, ao intervir em Coimbra, no evento “Relançar a Europa”.
Não só o nível de ingerência que os países “que têm taxas de desemprego razoáveis” passariam a ter nos países com desemprego acima dos 7% escavacaria a UE em pouco tempo – ou alguém acha que os contribuintes desses países pagariam esses subsídios sem questionar? – como ter desemprego acima dos 7% seria o objectivo de todos os países. Qual seria o país masoquista que iria ter desemprego a 5 ou 6% que o obrigaria a pagar os subsídios dos outros quando se o tivesse a 7,1% passaria de pagador a recebedor?
Enfim a melhor ilustração para aquilo a que nos conduzirá este e outros delírios é este diálogo
02:13:40 (Robert) “Climb… climb… climb… climb…”
02:13:40 (Bonin) “But I’ve had the stick back the whole time!”
02:13:42 (Dubois) “No, no, no… Don’t climb… no, no.”
02:13:43 (Robert) “Descend… Give me the controls… Give me the controls!”
02:14:23 (Robert) “Damn it, we’re going to crash… This can’t be happening!”
02:14:25 (Bonin) “But what’s going on?”
The captain, now acutely aware of the aircraft’s pitch, has the final word:
Uma nota sobre votações
Ao contrário do ex-deputado Miguel Vale de Almeida, que decidiu dar os parabéns a quem votou a favor da lei da co-adopção, eu queria dar os parabéns aos deputados que votaram a favor, que votaram contra e que se abstiveram.
Quer querem? Sou um democrata.
E saber perder?
Circula por aí um argumento irritado com o chumbo da co-adopção no parlamento que consiste em afirmar que o/a deputado/a X, Y e Z, como homossexual, não pode/deve votar contra.
Desconheço se X, Y e Z são homossexuais (daí não referir os nomes) mas, não entendo porque esse facto, a ser verdade, teria qualquer relação com dever de voto num determinado sentido sobre uma matéria que envolve crianças. Quando muito seria relevante se estivesse em votação uma lei para a criminalização da homossexualidade.
Muitas piadas sobre Sócrates acabaram de ser validadas. Por outro lado, é interessante ver que, na derrota, o que está em causa são outra vez os direitos de homossexuais e já não os supremos interesses das crianças. É na derrota que se vê quem nunca saberia ganhar.
Via TSF (2011).
Caiu mais um mito “austeritário”
Passámos os últimos anos a ouvir proclamar que uma das principais consequências da austeridade é que esta fazia aumentar as desigualdades. Várias vezes contestei essa aparente evidência, mas ainda há bem pouco houve quem ficasse genuinamente surpreendido por descobrir que a realidade, afinal, não encaixava no discurso dominante de que “os ricos estão a ficar cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”.
Ora o FMI acaba de publicar um conjunto de estudos sobre a evolução da desigualdade e a sua relação com as políticas de consolidação orçamental que, no caso de Portugal, desmentem cabalmente essa espécie de “mito urbano” que tanto jeito dava a certos activistas.
As evidências são tão gritantes que até o Público reconhecia em título que a “austeridade retirou 10% do rendimento aos mais ricos e 5% aos pobres“. Isto é, que a “austeridade em Portugal cortou aos mais ricos o dobro do que tirou aos mais pobres”, como se escrevia no Jornal de Negócios.
O caso português contrasta mesmo com o de outros países quando consideramos o impacto das medidas de consolidação orçamental no período 2008-2012, como resulta evidente deste quadro. Talvez seja por isso altura de algumas pessoas que se precipitaram a insultar Fernando Ulrich quando este foi recentemente à SIC dizer que “as pessoas que mais ganham, tiveram cortes – seja pela via dos cortes, seja pela via da carga fiscal – muito maiores do que as pessoas que ganham menos. Com esta dimensão, talvez só em 75” reconhecerem, no mínimo, que se enganaram (aqui fica apenas um exemplo)
PS. Bem sei que este estudo só vai até 2012, e por isso antevejo o seu rápido desmerecimento por alguns comentadores. Porém, se nos recordarmos da principal medida de austeridade de 2013 – o brutal aumento do IRS – facilmente podemos antever que quando o FMI colocar esse ano na sua base de dados vai, provavelmente, reforçar ainda mais as conclusões deste estudo.




