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Até os doentes devem ser livres

10 Janeiro, 2014

Ferreira Fernandes, no seu blogue em papel, decide que pessoas como eu são doentes. Um diagnóstico, portanto. Isto causa-me alguma aflição porque, sinceramente, não sabia que estava doente. Em muitos casos, viver com a doença é simplesmente aceitá-la, algo que é desnecessário se a maleita não causar sintomas incomodativos ao paciente, situação em que o indivíduo até vive melhor se nem se aperceber que a tem. Como o doutor não prescreve qualquer alteração dietética ou comprimidos para aliviar os sintomas que desconhecia ter, não vejo qualquer utilidade em diagnosticar um não-queixoso. Mas pronto, está feito, está feito. Agora que sei que sou doente, exijo a devida atenção do SNS já que, afinal, o acesso à saúde é um direito inalienável, universal e gratuito. Agora que me chamou a atenção para a doença, sei que me sentiria melhor tendo acesso a alguns meios de tratamento, por exemplo, a oportunidade de relatar a minha vivência com a doença numa coluna no mesmo blogue em papel.

SUV

Já vi algumas reacções despropositadas com o post de Ferreira Fernandes. Parece-me excessivo: o autor apenas expressa a sua opinião, outro direito inalienável, aliás, apenas existente graças à inevitável derrota das forças revolucionárias como a “Soldados Unidos Vencerão”. Graças a esta derrota, não só Ferreira Fernandes pode expressar-se como eu também posso, o que, admito, pode gerar diagnósticos. Isto nem sequer é uma crítica a Ferreira Fernandes e aos restantes revolucionários dos idos de 75: se há algo que se pode concluir é que as pessoas evoluem, deixando de apoiar regimes sanguinários para simplesmente passarem a apoiar idiotas. E quem sou eu para julgar os revolucionários? Quem nunca plantou bombas em sedes de partidos nos quais se acaba a votar que atire a primeira pedra.

Brindemos então a Ferreira Fernandes – que já pode mostrar a cara -, ao hebefrénico – que também a mostra -, e à liberdade de expressão que nos permite dizer o que quisermos sobre o menino de ouro e sobre o de diamante também.

Cinema Londres tão relevante como o Cinema Bratislava

9 Janeiro, 2014

Paulo Leite, sobre a indignação cultural do dia:

não seria mal perguntar aos comerciantes revoltados qual foi a última vez que algum deles foi ver um filme ao Cinema Londres, porque suspeito que quase nenhuma das pessoas agora indignadas, tenha, um ano antes da tal indignação, contribuído para a boa saúde financeira daquela sala. Aliás, suspeito que uma vasta parte das pessoas que se insurgem contra o fim destes velhos cinemas não vão ao cinema mais do que duas vezes por ano – isto tendo em conta os dados publicados todos os anos, em vários países, onde as características dos públicos são bem medidas e analisadas.

Leia o resto.

Loffada de frescura

9 Janeiro, 2014
titleHélio Pestana, um dos inúmeros construtores da nação Loffiana.

Manuel Loff é historiador, que é como quem diz escriba do que a história poderia ter sido para justificar o que agora deveria ser. A propósito de Eusébio, Loff dogmatiza que “todas as comunidades humanas que acreditam ser nações – se construíram sobre identidades definidas nos últimos 200 anos”. Esqueçam D. Afonso Henriques, Camões, D. João II, Infante D. Henrique, Marquês de Pombal, Vasco da Gama, Santo António de Lisboa, Padre António Vieira, Fernão de Magalhães, D. João I, Afonso de Albuquerque, D. Manuel I, Rainha Santa Isabel, Pedro Álvares Cabral, a Padeira de Aljubarrota, Bocage, Gil Vicente, Fernão Mendes Pinto e Pedro Hispano. A nação portuguesa construiu-se (o termo é Loffiano) por Salazar, Álvaro Cunhal, Salgueiro Maia, Mário Soares, Amália Rodrigues, Eusébio, Jorge Pinto da Costa, Fernando Nobre, José Hermano Saraiva, Aníbal Cavaco Silva, Luís Figo, José Saramago, Catarina Eufémia, Carlos Paredes, José Sócrates, Ruy de Carvalho, Alberto João Jardim, Mariza, Rosa Mota, Vítor Baía, Otelo Saraiva de Carvalho, Herman José, Ricardo Araújo Pereira, Hélio Pestana, Jorge Sampaio, Irmã Lúcia e Maria João Pires.1 Ler mais…

O polo cultural

9 Janeiro, 2014

Indignados com a passagem das instalações do antigo cinema Londres a loja propriedade de cidadãos chineses vários cidadãos lançaram duas petições. Segundo a TSF “Para evitar que os chineses se instalem, estão a decorrer uma petição e um abaixo-assinado. O MaisLisboa – núcleo lisboeta da associação cívica Mais Democracia – propõe uma cooperativa de particulares e entidades públicas, para criar uma espécie de centro comunitário para acontecimentos culturais e actividades cívicas. O abaixo-assinado do MaisLisboa já tem mais de 300 assinaturas.”

Deixando de lado a fineza daquele Para evitar que os chineses se instalem – aliás na zona existem há largos anos lojas de produtos orientais. Muito antes de se falar de lojas de chineses já na avenida de Roma se vendiam  numa dessas lojas artigos muito diversificados a preços muito interessantes – confesso que não há paciência para esta gente que vive em tremeliques pela cultura e que da cultura frequentemente tem uma perspectiva do vou se me mandarem convite. Note-se que nada impede estas 300 pessoas de constituir a tal cooperativa com o dinheiro delas tal como nada as impediu de ir ao cinema no Londres antes dele encerrar.

O fascínio pela mentirinha

8 Janeiro, 2014
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Há fantasmas do passado que estão sempre a assaltar-nos, e não falo de saber o que fez o excelso na tarde de sábado de 23 de Julho de 1966. Isso é-me irrelevante. Tal como a doentia propensão para a efabulação, tema que não me tomaria um segundo. O fantasma de que falo é outro: é o da capacidade para deslocar o centro da discussão, para criar factos acessórios, reais ou imaginados, mas capazes de colocar todos a discutir se havia ou não aulas à tarde nas escolas primárias da Covilhã em 1966 apenas para que todos se esqueçam de quem foi que inventou mais uma historieta sem qualquer importância a não ser a de confirmar que há criaturas como uma irreprimível vocação para a efabulação. O fantasma de que falo é a crendice de certas criaturas – incluindo alguns jornalistas –, sempre prontas a aceitar a “verdade” revelada pela corte do novo filósofo, mesmo quando essa “verdade” contraria o mais elementar bom senso.

Para acabar de vez com as dúvidas, vamos lá a factos que eu próprio, nascido no mesmo ano do excelso, posso testemunhar. É verdade que nesse tempo havia aulas ao sábado, mas só ao sábado de manhã. Nunca tive aulas ao sábado à tarde nem me recordo que algum amigo meu as tivesse. Aulas ou qualquer outra actividade escolar, nomeadamente actividades dirigidas a crianças da 3ª classe, pois era na 3ª classe que eu andava em 1966 e o “menino de ouro” também.

As férias escolares eram grandes e duravam vários meses – eram as “férias grandes”. As aulas acabavam por regra ainda em Junho e depois seguia-se o período de exames. Em 1966 os exames da 4ª classe foram a 1 de Julho e, nessa altura, já os alunos das outras classes, que não tinham exames, estavam de férias. Era assim em todo o país e não se consegue imaginar o que levaria uma criança da 3ª classe a seguir para a escola numa tarde de um sábado, altura em que não tinha aulas, num mês em que já não havia aulas por todo o país  e num dia em que Portugal parou, literalmente, e os portugueses se amontoaram em redor dos pequenos televisores a preto e branco da época.

Como disse, nasci no mesmo ano de 1957 que o excelso e tenho da tarde desse dia uma memória muito viva, sobre a qual até já escrevi num pequeno prefácio a um livro editado pelos 40 anos do Mundial de 1966. Admito que nem todos os miúdos da minha idade se recordem de como viveram aquele dia, mas só uma tendência quase mórbida para frequentar estabelecimentos de ensino ao fim-de-semana levaria alguém a efabular sobre uma ida disciplinada para a escola na tarde de 23 de Julho de 1966 por entre vivas de populares. Mas se esta doença é conhecida, mais preocupantes, repito, foram os sintomas exibidos um pouco por todo o lado de uma outra doença mais teimosa e disseminada, a do fascínio pela mentirinha.

 

Notícia seria avisar que trabalham

8 Janeiro, 2014

Metro de Lisboa pára a partir da noite de quarta-feira

Entendamo-nos

8 Janeiro, 2014

Não é possível querer ter uma casa junto ao mar, uma esplanada junto ao mar ou um bar junto ao mar e querer também que se construa não sei o quê para evitar que as ondas os destruam ou danifiquem.

Aulas depois dos exames

8 Janeiro, 2014

Já pouco importa qual o motivo para não se ver um jogo da selecção em 1966, mesmo sendo a primeira vez que o país participa na que é já a 8ª edição da competição. É muito mais giro observar as justificações para um pequeno faux pas do Querido Líder. As teorias que já encontrei são as seguintes:

  • Havia mesmo aulas aos Sábados de tarde em Julho;
  • Havia actividades da Mocidade Portuguesa, que não eram aulas, nas tardes em Julho;
  • Testemunhas de Jeová aproveitam os Sábados para ir de porta-em-porta;
  • A culpa é do Passos Coelho;
  • A culpa é do Cavaco;
  • Podiam ser aulas de inglês técnico;

Se havia mesmo aulas aos Sábados de tarde em Julho eram um bocado ridículas já que os exames realizaram-se a partir de 20 de Junho. Mas isso não interessa nada; o que interessa mesmo é que com crenças religiosas não se discute.

Fundação Mário Soares

Fundação Mário Soares

“Actividades escolares”

8 Janeiro, 2014

Nesta história do Sábado à tarde tendo a dar o benefício da dúvida a Sócrates a aceitar a explicação do Domingos Amaral: ao Sábado à tarde havia, não aulas, mas “actividades escolares”. Deixo para o Correio da Manhã a investigação sobre que actividades seriam essas.

mocidade

Trabalhava-se mais

8 Janeiro, 2014

Domingos Amaral salienta que os professores antigamente trabalhavam a dar aulas não só ao Sábado à tarde como bem até ao fim de Julho. Ainda há quem diga que agora as condições de trabalho nas escolas não se aguentam.

Não se podem tirar conclusões precipitadas

7 Janeiro, 2014

As pessoas partem logo do princípio que Sócrates mente, embelezando uma historieta para animar papalvos. Mas não podemos presumir que Sócrates mentiu: é perfeitamente plausível que num Sábado de Julho o petiz se deslocasse para as aulas de ballet, dança jazz, teatro ou até de inglês. É importante que as crianças possam explorar actividades nos tempos livres favoráveis ao seu desenvolvimento.

Entretanto

7 Janeiro, 2014

em França e no meio do silêncio geral da imprensa europeia estão sequestrados dois administradores de uma empresa: Deux dirigeants de Goodyear d’Amiens-Nord séquestrés O secretário geral da Force ouvrière, Jean-Claude Mailly, declara que sequestrar patrões não é nenhum drama Aliás o sequestro de administradores de empresas está em vias de integrar a excepção cultural francesa. 

Diariamente a França vai dando mais uns passos na sua marcha para a venezuelização: enquanto um dos responsáveis pela segurança interna fez um retrato impressionante sobre o que está a acontecer em matéria de criminalidade em França, o governo aprova legislação e os tribunais decidem como se estivessem de facto na Venezuela  ,  os maires e ministros andam afanosamente a proibir os espectáculos de Dieudonné (sim, em matéria de anti-semitismo o homem é tudo o que se diz e ainda algo mais mas este espectáculo dos maires transformados em organizadores de eventos deu agora nesta coisa ridícula dos maires que eram muito activistas das causas a desmarcarem os espectáculos do  Dieudonné)  e a esquadrinhar os gestos do jogador Anelka procurando perceber se ele apoia ou não o Dieudonné…. enfim uma maluqueira de um país que se julga  Bonaparte. Mais uns meses e aindos garantem ao mundo que estão no Floreal

Três parágrafos sobre Kant

7 Janeiro, 2014

Quando morre uma figura pública de grande escala acontecem três coisas: 1) reportagens infindáveis com inevitáveis talking heads que devem demonstrar publicamente o luto de forma mais expressiva que o que falou anteriormente; 2) mobilização dos que não são talking heads naturais (vulgo anónimos) para demonstrarem que sofrem tão ou mais que os televisionáveis, amplificada pela falsa sensação de importância obtida nas redes sociais; 3) e culminando no ímpeto baptista de mudança de nome de tudo quanto existe para o nome do defunto, eventualmente ignorando que o nome da praça/estádio/aeroporto/rotunda já tem o nome de um defunto originado por ímpeto já esquecido.

Recordo as conversas que tantas vezes tive sobre isto tudo quando fazia o trajecto a pé da velha estação de Contumil ao Estádio das Antas e daí até à Praça de Velásquez; ou quando subia a Rua de Santo António para ir ao cinema Águia D’Ouro onde vi o meu primeiro filme na grande tela.

Trasladar Eusébio para a Igreja Eusébio, o panteão nacional da República Eusébio, custa umas centenas de milhar de euros ou alguns milhões dos novos Eusébios desvalorizados, disse Assunção Eusébio, a presidente da Assembleia Eusébio. Não fosse o tuga desconfiar, e com razão, de alertas despesistas oriundos da Assembleia Eusébio, conhecida casa de “deixem-me gastar”, repararia em algo fundamentalmente kantiano e/ou zen na atitude de Assunção Eusébio: se um notável morre no rectângulo e ninguém consegue angariar fundos suficientes para a sua transferência para o panteão, será mesmo um notável quem morreu?

Eusébio

7 Janeiro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no DE: Como todos os portugueses nascidos na década de 60 eu sabia quem era Eusébio. Mas a verdade é que como alguns (poucos) portugueses nascidos ou não na década de 60 o futebol não me interessava. O que fui descobrindo de Eusébio nas imagens de arquivo não me tornou menos ignorante nem menos alheia ao universo dos jogos propriamente ditos – se houvesse uma versão condensada em cinco minutos só com golos até que mudaria de opinião! – mas ensinou-me muito sobre os portugueses e Portugal. Porque progressivamente Eusébio deixou de ser o melhor jogador do mundo para se tornar num símbolo dos portugueses. Daqueles portugueses, que somos quase todos, agradáveis mas com “pouca cultura” como disse Mário Soares. Ou se quisermos daqueles portugueses que, independentemente do que dizem os seus cultíssimos governantes e pensadores, vão sabiamente vivendo com tolerância e fazendo o melhor que sabem, mesmo que isso seja interpretado pelas elites como sinal de pouca cultura. Pensem só no que teria sido se Eusébio em vez de ter sido como foi tivesse optado por desenvolver o discurso do ressentimento que os cultíssimos dirigentes da Pátria tantas vezes promovem.

Soares, o único imortal

6 Janeiro, 2014

É perfeitamente natural que Mário Soares tenha necessidade de referir a baixa instrução de Eusébio no dia da sua morte. Eusébio foi um ídolo acarinhado pelos portugueses durante o Estado Novo. Mário Soares também é um figura do Estado Novo, criado e engrandecido precisamente pela oposição ao regime. Sem Estado Novo não haveria Mário Soares.

No panteão da “luta anti-fascista” de Soares, só há lugar para ele próprio. Depreciar culturalmente pessoas que originavam alegria antes do 25 de Abril é apenas a forma que Soares tem para perpetuar o mito de que antes dele o país era só o degredo.

Adenda: Pelos vistos foi ainda pior do que “baixa cultura”. Soares garante que Eusébio “bebia muito whisky”.

“Devia ter-se começado pela reforma do Estado”

4 Janeiro, 2014

“Devia ter-se começado pela reforma do Estado” era uma frase muito em voga há 6 meses atrás. Entretanto o Tribunal Constitucional chumbou dois elementos fundamentais de qualquer reforma do Estado, a mobilidade com perda substancial de rendimento e possibilidade de despedimento, e a convergência de pensões entre a CGA e a Segurança Social. O primeiro chumbo aponta claramente para a impossibilidade de serem despedidos funcionários públicos com contratos anteriores a 2009 de forma unilateral. O segundo chumbo mostra que os juízes do TC não aceitam que o governo faça reformas sem o consentimento do PS. Ou seja, se o governo tivesse caído na armadilha de começar pela reforma do Estado ter-se-ia enredado num novelo engonhante sobre o qual não tem qualquer controlo.

O roubo legal e protegido (ou: oxalá não haja vento este ano)

3 Janeiro, 2014

Nas justificações da ERSE para o aumento do preço da energia, nenhuma delas diz respeito a qualquer racionalidade económica. Todas são o resultado de decisões políticas de protecção de interesses de produtores de energia e em prejuízo para os consumidores. O papel da ERSE é a de um organismo público que vela exclusivamente pelo interesse cooperativo em detrimento da verdade de mercado.

Um dos pontos invocados para o aumento do preço é mesmo totalmente falso: «A descida observada na procura global da eletricidade....». Na verdade, «o consumo da eletricidade aumentou 0,2% em 2013, após dois anos consecutivos em queda»…..

Mas o mais caricato e ridículo é o seguinte ponto «justificativo» para o aumento do preço da eletricidade:

«Custos da Produção em Regime Especial (PRE)
A PRE, ao abrigo da legislação específica, inclui para além da produção de energia elétrica a  partir de fontes renováveis e resíduos, a produção em processos de cogeração de energias  elétrica e térmica e microprodução. A PRE tem beneficiado de um conjunto de incentivos económicos.  O peso deste tipo de produção tem vindo a aumentar ao longo do tempo no preço de energia  elétrica devido por um lado, ao facto das entregas desta energia elétrica à rede terem  aumentado nos últimos anos e, por outro, pelo facto de, em termos médios, o custo de produção  da PRE ser superior ao das tecnologias convencionais.  Importa referir, pelo seu caráter excecional, o crescimento da produção em regime especial que se observou no primeiro semestre de 2013, particularmente de origem eólica e hídrica, devido a condições meteorológicas favoráveis para estas fontes de energia, o que teve reflexo no sobrecusto da PRE a repercutir no presente cálculo tarifário.»

Traduzindo:  1) a produção de energia de fontes renováveis/residuos/cogeração/microdução «em termos médios» é superior ao das tecnologias convencionais. 2) Apesar disso, esse tipo de produção tem vindo a aumentar nos últimos anos fruto  de  «incentivos económicos» pagos pelos contribuintes e consumidores. 3) a produção de origem eólica e hídrica no primeiro semestre de 2013 foi excepcional devido às condições meterológicas, pelo que sendo altamente subsidadas, quanto mais se produziu mais aumentaram os custos dos subsídios a pagar pelos consumidores.

Ou seja, verifica-se o escandaloso caso em que se utilizam tecnologias de produção economicamente ineficientes que apenas existem por serem subsidiadas pelos contribuintes, a que se acrescenta que quanto  mais produzem, mais caro fica ao consumidor, o que  evidencia bem toda a irracionalidade e imoralidade do esquema vigente.

O esquema é legal, existe em beneficio de uma pequena casta de parasitas que dispõem de um organismo estatal que assegura as suas rendas. À custa dos consumidores/contribuintes.  Como sempre.

O mundo não está assim tão mal, e Portugal também não

3 Janeiro, 2014
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Houve um debate na blogosfera que não chegou às páginas dos jornais. Foi sobre as consequências sociais da austeridade, suscitado por um post de Pedro Magalhães. Parto desse tema para a minha crónica desta semana no Público: 

Em causa estiveram várias análises comparadas envolvendo seis países (Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Chipre): a evolução do risco de pobreza e de exclusão social, a evolução do número de pessoas a viverem em condições de grave privação material e a evolução da desigualdade social. Todos os gráficos apontaram para uma mesma conclusão: enquanto na generalidade dos outros países todos os indicadores sociais se degradaram muito depressa e de forma muito acentuada, isso não estava a acontecer em Portugal pelo menos até 2012, o último ano com dados estatísticos publicados. Daí a perplexidade de Pedro Magalhães: “O que explica que Portugal tenha, pelo menos à luz destes indicadores, escapado ao mesmo grau de aumento da pobreza e da privação material que se verificou nos restantes países, ou que as consequências em termos de desigualdade de rendimentos tenham sido mais graves em Espanha, Grécia ou até Itália?” Será que “as nossas políticas de austeridade foram mais ‘targeted’ de forma não afectar tanto os segmentos mais desfavorecidos, em comparação com os outros países da ‘austeridade’?”

 

Afinal há uma solução para a crise

3 Janeiro, 2014

A insustentável leveza da leveza insustentável

3 Janeiro, 2014

No dia 3 de Janeiro, há precisamente 52 anos, Fidel Castro era excomungado pelo Papa. Meio século depois, os revolucionários-peticionários citam as exortações apostólicas do sucessor de São Pedro.

O que mudou? Nada: se não os podes vencer, junta-te a eles (e forma mais um partido).

Aqui também não, ali nem pensar, acolá é fascismo

2 Janeiro, 2014

Não fechem isto. Não privatizem aquilo. Não transfiram isto para acolá. Não podemos perder isto. Ai de nós se perdermos aquilo. Isto é uma jóia da coroa. Aquilo é nosso. É um direito, pá. Eu, velho do Restelo? É preciso mudar de forma a que tudo fique na mesma.

Governo aumenta descontos da ADSE e alarga taxa de solidariedade.

Encontrado o multiplicador entre o défice e a dívida

2 Janeiro, 2014

Luís Reis Ribeiro merece destaque por meter esta idiotice por escrito da forma mais directa e idiota, revelando ainda que teve trabalho e fez contas para chegar a uma conclusão idiota:

Por cada euro a menos no défice, dívida sobe 1,1 euros

O período do ajustamento da troika, entre 2011 e 2014, será claramente marcado por uma redução do défice feita à custa de um aumento da dívida pública.

O bebé do ano nasce sempre ali ao lado

2 Janeiro, 2014
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O JN decidiu que o bebé do ano nasceu convenientemente na Maternidade Alfredo da Costa.
Já a TVI optou por decidir que o bebé do ano pode nascer fora de Lisboa e, desta vez, escolheu Viseu.

Segundo o Centro Hospitalar de Lisboa Central, o número de partos na MAC foram 5244 (2009), 5328 (2010) e 5583 (2011).

Ano Total de Nascimentos Partos na MAC % de nascimentos na MAC
2009 99.491 5.244 5,27
2010 101.381 5.328 5,25
2011 96.856 5.583 5,76

(Fontes: CHLC e Pordata)

Fascinante como uma maternidade onde nascem em média 5,4% dos bebés consegue obter o record absoluto de bebés do ano:

Ano Bebé do Ano é MAC? Fonte
2006 SIM JN, DN
2007 SIM JN
2008 ?
2009 SIM JN
2010 SIM JN,
2011 NÃO DN
2012 SIM JN
2013 SIM e NÃO JN jura que sim, TVI jura que não

Qual é a probabilidade de 1 de 5,4% dos bebés nascidos num dado ano acontecer no dia 1 de Janeiro entre as 0h00 e as 0h05, em Lisboa e na Maternidade Alfredo da Costa? Segundo o galardão bebé do ano, 75%. Encerrar a MAC parece ser uma má decisão para este prestigiado galardão.

Feliz 2014

1 Janeiro, 2014

E boas leituras para começar o ano.

nota: o link está certo. A LOE 2014 (que já está em vigor) é que não está acessível no site do Diário da República. Uma versão que não faz fé pode ser consultada aqui.

Feliz Ano Novo!

31 Dezembro, 2013

feliz-ano-novo-2014

2013 in review

31 Dezembro, 2013
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The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

About 1,000,000 people visit the Seattle Space Needle every year. This blog was viewed about 3,600,000 times in 2013. If it were the Space Needle, it would take about 4 years for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Na iminência da revolução energética?

30 Dezembro, 2013
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A revolução já estará a ocorrer nos Estados Unidos, de forma algo silenciosa. Pode daqui emergir um novo e longo ciclo de crescimento em que a América volta a ser a locomotiva e a Europa corre o risco de se tornar um permanente laggard. Seja por escassez de recursos, por rigidez das normas ambientais ou por indisponibilidade imediata da tecnologia de fracturação. Pode no entanto vir a beneficiar do excesso de petróleo e gás que países da OPEP (e não só) oferecerão a preços tendencialmente mais baixos. Mas a necessidade de manter níveis mínimos de independência energética, forçará novas políticas que poderão passar pelo reforço da energia nuclear com os verdes, principalmente os alemães, a terem de engolir muitos sapos, cobras e lagartos.

Uma coisa é certa, nada ficará como dantes. O que é normal no mundo da energia.

2013: assim chegámos ao fim

30 Dezembro, 2013

Balanço do ano. Tema do meu artigo no DE:

Perigo de queda. António Costa espera que Seguro caia; José Sócrates espera que António Costa se decida caso Seguro caia. Rui Rio espera que Passos caia. Marcelo Rebelo de Sousa espera que Passos caia para saber se Rio avança e se ele próprio avança também. Moral da História: quem vive à espera das quedas alheias pode, de tanto olhar para cima tornar-se um bom ornitólogo mas nunca conseguirá ver a oportunidade política que está à sua frente.

Os amigos. Em tempos que já lá vão, existiu em Portugal um grupo vocal do mesmo nome cujas canções faziam rimar mão com pão e explicavam às criancinhas a amizade que os operários lhes votavam. O resultado foi alguma discografia péssima mas perfeitamente actual. Basta substituirmos os operários e os lenhadores da canção pelos protagonistas da presente situação e constataremos que os amigos estão aí para as ocasiões. É apenas necessário saber aproveitá-las como soube Passos Coelho em 2013. O PM contou em 2013 com a forte amizade de Paulo Portas, Arménio Carlos e do Tribunal Constitucional. Portas proporcionou-lhe o pano de fundo de uma crise para aparecer como um imperturbável homem de Estado. Quanto a Arménio Carlos é óbvio: de cada vez que o líder da CGTP aparece na televisão – e aparece muito – Passos Coelho não ganha votos, mas passa a contar com o apoio tácito do silêncio. Afinal face à violenta irrealidade que sobressai das palavras de Arménio Carlos torna-se claro que nada deve ser pior que ficar nas mãos da turba ululante que vive de ser sindicalista profissional. Além do mais a turba não parece saber negociar com os credores e o povo pode ser “povinho”, mas de contas sabe bem mais do que se pensa. Por fim o Tribunal Constitucional deu a Passos o argumentário perfeito: se as coisas correm, mal correm mal por causa do TC. E se correrem bem, correm bem apesar do TC. Mais cedo ou mais tarde, o actual estatuto do TC será alterado, pois a transformação do TC numa espécie de parlamento não eleito, mas com poderes de veto, levará a que os futuros governos façam ao TC aquilo que noutros tempos os políticos fizeram aos militares: garantiram-lhes a fanfarra e as medalhas e arrumaram-nos no seu espaço.

O amigo secreto. Isolado entre os jornalistas e ainda mais isolado entre os socialistas visíveis, o maior e talvez único amigo de António José Seguro é Cavaco Silva. Cavaco é no plano social genuinamente social-democrata e toda a sua vida foi funcionário público (ou, numa designação mais próxima do seu imaginário, servidor do Estado). Não andasse a actual liderança do PS obcecada com a gerontocracia que se reuniu na Ala Magna – desde as reuniões do desaparecido Politburo da também desaparecida URSS que não se via uma similar aglomeração de anciãos furiosos com o mundo e com o povo – e Seguro teria feito do PR um seu aliado na luta contra o Governo. Ainda vai a tempo.

E também quem em 2013 foi A Fénix Renascida.  Ou teve A  Derrota política auto-inflingida. 

Por fim dois mistérios deste ano que agora finda: “Ah, poder ser tu, sendo eu! Ter a tua alegre inconsciência, E a consciência disso!”  E a conversão súbita ao Papa Francisco que leva a que peça Deus nos livre dos prosélitos

Brinde ao fracasso

30 Dezembro, 2013
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Sobre o mais relevante de 2013, várias pessoas apontarão o facto x ou y, a morte de sicrano ou beltrano, a estatística preferida para o preconceito que pretendem validar ou uma série de produtos de entretenimento. Para mim, nada disso é particularmente relevante em relação à subserviência que o português demonstrou pelo fracasso.

Efectivamente, em 2013, tudo o que ficou de capas de jornais, programas de televisão e intervenções de “especialistas” foi o sabor ácido de um povo que anseia pelo seu próprio fracasso. Isto tem duas vantagens: a primeira é que, em caso de “fracasso do fracasso”, não é necessário considerá-lo um “sucesso”; em segundo, permite desvalorizar qualquer esforço efectuado perante a perspectiva de promessa antecipada de um sucesso que todos sabem não passar de um fracasso.

É bastante cómico, se visto de fora.

Brindemos então ao nosso fracasso, ao nosso eclipse civilizacional e à nossa regressão à idade média. Brindemos à nossa extinção, à destruição do país e ao fim derradeiro de qualquer noção vaga de conforto, substituindo-o pelo fétido esgoto da desumanização pela vil austeridade. Só não mexam na pensão do Bagão Félix.

Ver o que se deseja

29 Dezembro, 2013

É sempre assim. Passada  a fase  de entusiasmo com a Primaver árabe – agora podem morrer e matar-se à vontade que ainda falta tempo para que os jornalistas-activistas voltem à fase da exaltação mística com as varreduras na Praça Tahir – tivemos o arrebatamento com o comunicado da ETA. A Rádio Renascença noticia com trombeta angelical: Etarras detidos pedem desculpa.  A TSFanuncia que O coletivo de presos da ETA reconheceu pela primeira vez o «sofrimento e os danos» causados com os seus ataques terroristas durante 40 anos de violência.  E o Expresso garante que Presos da ETA assumem culpa Infelizmente nada disso é verdade. Em parte alguma do comunicado os etarras pedem desculpa ou sequer referem a palavra terrorismo. O máximo que concedem é isto : Reconocemos con toda sinceridad el sufrimiento y daño multilateral generados como consecuencia del conflicto.

Esta frase é clara: reconhecem o dano multilateral causado pelo conflito. Ou seja reconhecem que o outro lado tb sofreu. E ponto. Não há desculpas e muito menos se assumem culpas. Como frequentemente aqui escrevi os terroristas raramente mentem. (Revejam mais uma vez a entrevista de Pedro J Ramirez a Soares Gamboa seu antigo colega de escola que se tornou etarra e o tentou assassinar) Mas há quem se queira iludir e leia nas suas palavras o que não está lá. Ou seja estamos perante uma organização terrorista que foi derrotada e que agora luta pela sua sobrevivência dentro do estado democrático. Mas que nunca pediu desculpa pelo que fez. Que anunciou o abandono das armas mas não as entregou. Que sob a capa do multilateral pretende colocar-se em plano de igualdade com o Estado espanhol e com as vítimas do terrorismo. É apesar de tudo opção estratégica que representa um avanço na luta contra a barbárie: à garantia de que não acontecem mais atentados – o que é claramente positivo para a sociedade espanhola no seu todo – junta-se agora uma outra garantia: os presos podem negociar individualmente os seus processos: «Estamos dispuestos, dentro de un plan de actuación global, a estudiar y tratar la posibilidad de que el proceso que culmine con nuestra vuelta a casa se efectúe de manera escalonada, mediante compromisos individuales y en tiempo prudencial. » Esta alteração, a maior anunciada neste comunicado, é muito importante para os membros da ETA pois estes acabam reféns da organização. Embora esse lado raramente seja referido as organizações terroristas exercem um controlo férreo sobre os seus membros, executando-os quando entendem necessário e chantageando-os a eles e às suas famílias quando são presos. Ou seja estamos perante um comunicado que revela a dificuldade crescente da ETA em controlar os seus membros presos. Quanto ao resto nada de novo: não pedem desculpa e não entregam as armas. Não fazem mais atentados mas mantêm a capacidade para tal e também porque a guerrilha do Direito a par da kale borroka – agora sob  a patine dos indignados – lhes garante melhores resultados.   
Por fim convém que ninguém ponha na boca de um terrorista as palavras que se querem ouvir pois esse é um engano que se costuma pagar com cadáveres.

O herói e o vilão

28 Dezembro, 2013

A indústria do entretenimento da crise tem o vilão, o primeiro-ministro, mas, para construir a sua narrativa, necessita de um herói. A Merkel, o BCE, o euro… tudo personagens secundárias demasiado distantes. O herói é um durão capaz de livrar as criancinhas do terror e os suores frios das mães envoltas nos trapos que envergam enquanto amamentam as crianças da vizinha subnutridas pela putrefação da austeridade. A imagem é só ligeiramente apimentada em relação ao que por aí se diz.

tumblr_m13sgo6EEL1rnseozo1_1280 Alguém tem que fazer alguma coisa. Isto é um trabalho para um politólogo.

O herói é o previsivelmente improvável burguês, atirado para uma situação moral além do seu controlo, uma espécie de Gandhi que abraça a sua condição de salvador com as suas petições e os seus movimentos com nomes oriundos do marketing. O gajo bom, o herói pelas circunstâncias que, apesar dos seus defeitos pessoais, é charmoso na sua arrogância boçal. O herói assume diferentes formas, sob a máscara de comentador da desgraça, a que não se aguenta. Está todos os dias nas televisões que transmitem 24 horas por dia, 7 dias por semana; conhece sempre alguém a passar pela pior das misérias mas nunca troca o seu tempo de antena pelo testemunho de um destes desgraçados que lhe ofuscaria a ribalta. O herói olha-se ao espelho e prepara o seu desempenho heróico perante o segundo espelho, o da câmera de televisão, reflectido nos ecrãs das vítimas, as que o herói vai salvar, via manifesto, pela televisão. O herói pode ter dois ou três nomes, sendo que no último caso indica uma proveniência mais deliberadamente aristocrática na hierarquia do entretenimento da crise.

O vilão é também o eleitor que parece ter votado no governo. É o traidor, o “não-povo”. É facilmente personificado em pessoas que dizem coisas óbvias, fazem trabalho meritório com quem precisa, empregam milhares e facultam variedade na escolha de bens de consumo… Qualquer um que estrague a narrativa do entretenimento da crise, do “isto não se aguenta”, efectivamente aguentando em vez de mostrar (também aguentando mas isso não importa) que isto não aguenta.

A indústria do entretenimento da crise faz crer que “o povo” é governado por déspotas que, apesar de todos os esforços e milhares de mártires, não podem ser vencidos sem a intervenção do herói, via manifesto, que gerará a indignação tal que transformará a sociedade como a conhecemos. Nada disto é novo; a única novidade é que alguém descobriu ser mais barato produzir informação em canais 24/7 que filmes de acção.

Esmiuçando as razões do Tribunal Constitucional

28 Dezembro, 2013
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Toda a esquerda aplaudiu a decisão dos juízes do TC apesar de está sacrificar um princípio solidário, a equidade, por um conservador, a segurança. Será que a esquerda é de esquerda?

Este é um dos temas do meu artigo desta semana, sobre o acórdão do Tribunal Constitucional.

O Euro, essa moeda moribunda…

27 Dezembro, 2013
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Euro sobe mais de 1% e aproxima-se de 1,39 dólares

Já foi objecto de múltiplos epitáfios, principalmente por parte de economistas americanos com o Nobel Krugman à cabeça. Certo é que a sua resiliência tem sido notável e o ajustamento não inflaccionário das contas externas feito em moeda forte pelos países sob resgate, está a pôr em causa as teorias tradicionais. Continuamos em recessão e com elevado desemprego? Sem dúvida, mas a economia já inverteu e poderá entrar numa nova fase de crescimento sustentado. E quiçá num patamar superior de especialização, produzindo bens e serviços com maior valor acrescentado, o que nos fará entrar num novo paradigma de competitividade, suportado mais no valor do que no preço.

Daqui a alguns anos veremos se a política do BCE, mais virada para o longo prazo, é ou não preferível ao imediatismo do FED. Assim se mantenha o rumo e não haja asneiras e cedências ao facilitismo por parte da nossa política interna.

Passem Marco Paulo

27 Dezembro, 2013

Em tempos contei esta história num comentário. Visitando jornais ou blogues e, por azar, caindo ao engano nas caixas de comentários, a relevância da história torna-se evidente: daí que mereça um post próprio.

Era eu miúdo, brincava no corredor da casa, enquanto o rádio, sempre ligado, passava um daqueles programas de discos pedidos. Muitos fados, fadunchos e, sobretudo, canções portuguesas, a chamada “música ligeira” anterior à revolução Chico Fininho.

Um senhor ligou, disse a frase publicitária da praxe e, antes de fazer o pedido, indignou-se, como agora é frequente, não com a compra exagerada de fritadeiras Rowenta, sim com a programação da estação. “Vocês só metem chungaria”, dizia, num tom Catarina Martins com timbre másculo. “Eu não quero ouvir essas coisas chungas que vocês passam; eu quero ouvir Marco Paulo”. Após uma breve explicação do apresentador sobre critérios editoriais, algo sobre escolherem canções que acreditam ser as que melhor fomentam a fidelidade dos ouvintes, perguntou qual era o disco que pretendia ouvir; a resposta foi “Marco Paulo, quero ouvir Marco Paulo, não quero ouvir essas chungarias que vocês passam”. Por breves momentos, dois a três minutos, o mundo fez sentido para aquele senhor que, graças a um telefonema com declamação de frase publicitária – ó vil capitalismo – se permitiu ouvir Marco Paulo, versão canção indiscriminada, desde que Marco Paulo e não a chungaria habitual.

Não sei se a atitude do ouvinte serviu para alguma coisa. Não creio que a estação passasse a emitir quase só Marco Paulo depois disso; no entanto, o homem zangado, o indignado, lá fez o protesto, ciente do serviço público prestado à sociedade em nome da sua própria noção de bom gosto.

Esta história ocorre-me sempre que encontro o homem zangado com o que alguém escreve, por este escrever sobre histórias radiofónicas dos anos 80 em vez de escrever sobre o Marco Paulo que o zangado quer, neste preciso momento, não só ouvir como pretender que os outros também ouçam.

Sem link é publicidade ineficaz

27 Dezembro, 2013

mistério-desvendadoApesar de ainda não ter tido oportunidade de ver (que é como quem diz: se para uns a oportunidade faz o homem, para outros o homem faz a oportunidade), disseram-me que Pacheco Pereira já conhece a nova linha de T-shirts da Grande Loja Blasfema.

Infelizmente, e talvez por esquecimento, como não referiu o link para o Blasfémias, não será possível oferecermos uma (é uma transferência inaceitável do círculo grande para o círculo pequeno). No entanto, prometemos que se na próxima Quadratura do Círculo colocar um ursinho Hayek na mesa, a T-shirt será devidamente entregue.

Regime semi-constitucionalista

26 Dezembro, 2013

O movimento extremamente democrático que exige a demissão do Presidente da República (vulgarmente conhecido por “ala socrática”) tem novo fôlego, graças ao comportamento expectável deste oriundo das suas não-funções executivas no que diz respeito ao orçamento.

Duas coisas interessantes decorrem:

  • Socráticos não gostam da Constituição e preferem um regime presidencial;
  • A Constituição é boa e para respeitar excepto nas partes que não se gosta, como as funções presidenciais.

Existirão, eventualmente, muitos motivos de crítica ao Presidente da República: porém, nenhum deles será o desrespeito deste pela Constituição; e isto é particularmente giro vindo de quem vem.

24 Dezembro, 2013
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Feliz Natal!

24 Dezembro, 2013

Feliz-Natal-2013

Cartoon do Tugas (1)

23 Dezembro, 2013
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Tugas 1

Um ícone da crise

22 Dezembro, 2013

Não se fala de outra coisa nas redes sociais. O icónico gráfico do Pacheco Pereira está a ter um profundo impacto na nossa percepção da crise.

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Há muita especulação sobre o que terá inspirado Pacheco Pereira a fazer esta representação. Existem várias pistas e diversas teorias. Há quem ache que Pacheco Pereira foi influenciado pela sua passagem por Bruxelas, quando esteve no Parlamento Europeu:

atomium

Outros vêem influências da banda desenhada de Moebius:
déesse

do movimento de arqutectura e planeamento urbano “Garden Cities”:

howards garden city detail

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nos tripods da Guerra dos Mundos:

tripods_guerrra_dos_mundos

O gráfico de Pacheco Pereira está a ser profundamente influente tendo já dado origem a uma linha de massajadores:

massajadores

ao conceito de “árvore artificial”:

tree_buildings

a uma nova visão sobre os bancos centrais:

fed

a teorias sobre um golo anulado ao Sporting:

sporting

e até a uma nova teoria sobre os círculos nos campos de trigo (provavelmente é o Pacheco Pereira que os anda a fazer):
crop_circles