Tema do meu artigo de hoje no DE: «O que até agora em momentos semelhantes ao actual foi visto como um problema entre Balsemão e Cavaco ou Soares e Freitas do Amaral acabou a transformar-se numa matéria convertível em milhões de euros de prejuízo a ser pago por todos. Ou seja para azar dos políticos as crises deixaram de ser um assunto que lhes fique entregue exclusivamente. E por isso nem sempre o vencedor nos gabinetes pode ser o vencedor na rua como, no Domingo, Paulo Portas terá constatado quando na nave dos Jerónimos ouviu Passos ser brindado com uma ovação. Para lá de poder ter contribuído para dar de Passos uma imagem de estadista sereno, Paulo Portas, o líder que levou o CDS do táxi a integrar governos, o melhor orador da política portuguesa actual, deu também um forte contributo para que nos próximos tempos o Bloco Central volte a ser olhado em Portugal como uma alternativa não só credível mas também preferível, quer para o PSD quer para o PS.»
Papel do consumo na Super Bock School of Economics
Durante anos o consumo em Portugal foi empolado por subidas dos salários e pensões acima da produtividade. A maior parte deste crescimento de salários e pensões foi induzido pela despesa pública e pelo défice. O crescimento do consumo acima da produtividade só pode ser sustentado por um aumento do endividamenteo externo para pagar importações.
Desde 2011 que este problema está a ser corrigido, quer através da redução da despesa do Estado quer (a partir de 2013) com o aumento de impostos sobre rendimento. Por isso as importações caíram e as exportações aumentaram. Redução do consumo em Portugal, colocando-o ao nível da produtividade do país leva ao equilíbrio da balança comercial e à eliminação das necessidades de financiamento externo. Este ajustamento é condição necessária para o crescimento futuro porque só travando as necessidades de financiamento externo é possível começar a reduzir os custos da dívida (pública e privada).
A moção de Pires de Lima ao congresso do CDS propõe agora que se aumente o consumo para gerar crescimento económico. Para a Super Bock School of Economics o aumento de rendimento não é um resultado do crescimento, mas a sua causa. Ignoram que aumentos de rendimento sem o respectivo aumento da produtividade só são possíveis com aumento de endividamento e de importações, revertendo tudo o que foi conseguido nos últimos 2 anos. Pretendem minorar o efeito do aumento de consumo nas importações através da promoção dos produtos nacionais e da substituição de importações. Não percebem que o défice da balança externa é um problema de produtividade e não um problema de marketing do produto nacional junto do consumidor.
Suspense
Cavaco disse há cerca de uma semana que não será ele a derrubar governos com maioria parlamentar. Está desde então a ponderar se derruba ou não um governo com maioria parlamentar. A doutrina presidencial é muito instável.
Bullying ideológico
O mais impressionante, como mostra o próprio autor, é o poder de inversão dos fatos por parte da esquerda, tudo na maior cara-de-pau. Os maiores praticantes de bullying ideológico acusam os demais de fazerem exatamente aquilo que eles mesmos fazem. São alunos de Lênin: aprenderam a acusar o inimigo diante de um espelho. E o pior é que costuma colar.
Leia mais aqui.
O pessimismo de Vargas Llosa
Devemos ter cuidado para não exagerar na dose do pessimismo, idealizando um passado inexistente. Como mostram Jerônimo e Coutinho, nem tudo é espetáculo na atualidade. Há coisas muito boas, decentes, refinadas, sofisticadas, sendo produzidas por aí, que apenas não ganham as manchetes e capas de jornais.
Leia mais aqui.
Há um clima estranho no ar
Há. Há mesmo. É o cheiro a enxofre dos que se esforçam para se justificarem como despesa cujo único propósito é, como despesa que são, justificar a despesa que pretendem aumentar. Há, de facto, um clima no ar, um clima de impaciência, um clima de gamela suspensa, um clima de povo que não se eleva para que eles, os puros, os alvos, os geniais amigos do povo possam decidir a melhor forma de os agrilhoar ao progresso de dívida, dívida esta que não se compadece com a supremacia elitista de despesa de estado que são os seus salários.
Há, há um clima no ar.
A propósito do “Programa cautelar”
Bruxelas prepara o “pós – «troika»” para Portugal e também Irlanda. Um sistema de garantia de empréstimos – “programa cautelar” – para ajudar o “regresso aos mercados”.
A tempo
Cerca de 12 mil alunos do 4.º ano em risco de chumbar Não se estes números são reais mas da minha experiência como professora guardo a certeza que teria sido muito melhor para inúmeros alunos terem ficado mais um ano no chamado ensino primário. Era desesperante ver alunos do 9º ao 12º a reprovar por falhas que dificilmente seriam recuperáveis naquele nível de ensino. A alguns pais que me perguntaram se deviam procurar explicadores para os filhos só me apetecia responder sim mas se a explicação for dada por um professor do ensino primário. Aqueles que melhor que ninguém sabem ensinar a ler e a escrever.
Sondagem aborrecida para a causa
O blogue i está com dificuldades em passar a sua mensagem de défices cronystas financiados. Publicam uma sondagem Pitagórica com ênfase na pergunta secundária, ignorando as questões principais e as respostas aborrecidas. Decidem que “os portugueses querem PS e PSD de mãos dadas no governo” usando o valor de 17%, ignorando que 30,2% não sabem ou não querem responder à pergunta.
Assim sendo, cá ficam os resultados relevantes:
- As eleições legislativas devem ser já ou no período normal? Período normal: 65,5%;
- Se a actual coligação PSD/CDS tiver mau resultado nas autárquicas, o governo deve demitir-se? Não sabem: metade acha que sim, outra metade acha que não;
- Uma coligação PS/BE/PCP seria viável? Não: 59%;
- Uma coligação PS/BE/PCP seria capaz de responder aos desafios que estamos a viver? Não: 56,5%;
- Havendo eleições, que coligação poderia governar o país? Não sei: 30,2%;
- Quando a troika sair daqui estamos melhor ou pior do que quando começou o plano de resgate? Melhor: 37,1%.
Fonte: resultados da sondagem
Santos Pereira – um ministro injustiçado?
O que se pede a um Ministro da Economia? Depende. Desde logo, em situação de normalidade, de saudável normalidade, pedir-se-ia que não existisse. Em parte, tenho, para mim, que um Ministério que cuide direta e transversalmente da economia (ou seja, de tudo e de um par de botas) não fará muito sentido, desde que o quadro institucional político e económico do país funcione e funcione calibradamente – ou seja, não constituindo um fator de complicação, de atrapalhação da livre iniciativa económica e superando, incisiva e excecionalmente, as naturais “falhas” de mercado (para quem entenda o mercado numa perspetiva essencialmente institucional). Medidas de incentivo significam, quer se queira, quer não, uma intervenção dirigista na liberdade e auto conformação económicas e, em princípio, um elemento de distorção, sempre e em alguma medida, da natural liberdade e racionalidade económicas.
Coisas que não entendo
a) O que levará um país pobre como a Bolívia a ter um avião presidencial?
b) O que distingue algumas manifestações em Portugal de uma reunião de condóminos ou do casamento de Carolina Patrocínio?
c) O significado do adjectivo irrevogável?
Passos Coelho é o único vencedor
Após Maria de Lourdes Pintasilgo, Portugal volta a ter como Primeiro-Ministro uma mulher, Maria Luís Albuquerque. A primeira, não eleita, usufruiu do cargo, de facto, por três meses (mais coisa, menos coisa); a segunda ficar-se-á pelo poder do cargo mas sem título oficial, ainda com probabilidade baixa de ultrapassar em tempo os três meses da primeira.
Passos Coelho libertou-se do ónus das reformas de estado, passando a pasta para Paulo Portas, que acumulará a responsabilidade do insucesso com a penalização eleitoral do seu partido nas próximas eleições. O orçamento de 2014 será espectacular no mesmo sentido em que um maremoto causa uma sensação de estupefacção pelo rasto de destruição: ora por ter que fingir apostar no crescimento, ora pelo estado permanente de inconstitucionalidade de qualquer medida racional.
Seguro continua a ver navios, parecendo mais preocupado em assegurar que o Presidente não volta a ser eleito (spoiler: não volta mesmo a ser eleito) do que em… bem… deixar de ver navios. Ou seja, nem vai perceber quando deixar de ser Primeiro-Ministro (sê-lo só não acontecerá se, em estilo desenho animado, uma bigorna lhe cair – não metaforicamente – em cima).
A ala socrática continua a dançar, Gangnam Style, ainda sem perceber ter passado de moda, como acontece com o tio ridículo e os seus colarinhos da camisa de 1973. Quero agradecer à RTP o saudosismo, quer aos Domingos, quer quando convidam Silva Pereira para este nos dizer o que pensa o dos Domingos quando não é Domingo (spoiler: envolve PEC IV e ver navios).
Comunistas e ganzo-comunistas continuam a fingir que a queda do muro de Berlim foi devida a um fenómeno climatérico, sendo que o que os distingue é a probabilidade de bigode dos seus militantes.
Em suma, depois do espectáculo, continuam a mandar as corporações.
apito final
Histerismo total nas hostes: Paulinho marca um golo decisivo nos minutos finais de compensação. Passos ajoelha e deita as mãos à cabeça em sinal de desespero: tinham-lhe dado o campeonato como certo e perde-o no último minuto. Chovem objectos em cima dos jogadores. Álvaro, a caminho da enfermaria com as canelas rebentadas por uma entrada assassina de Paulinho, ainda é atingido na testa por uma garrafa de Super Bock. Tozé, o árbitro assistente, recorre ao árbitro Silva e pede a anulação do jogo. Silva pondera, mas não se pronuncia. A assistência assobia o árbitro. As três equipas recolhem aos balneários sob apupos gerais. Promete-se desforra de parte a parte, e os comentadores juram que o jogo ainda não terminou e que o próximo ano trará um campeonato cheio de emoções. É a magia da bola!
Se bem percebo
Passos demitiu-se. Ou seja deixa para Portas a reforma do Estado, as negociações com a troika e a coordenação económica. O PSD mantém as áreas da Justiça, Educação, Saúde, Ambiente… onde a vida não lhe correrá mal. Depois temos um terceiro elemento, Maria Luís Albuquerque, a fazer de primeiro-ministro perante o governo de facto liderado pelo CDS.
sobre o «fracasso» do capitalismo
Maílson da Nóbrega, na Veja de hoje: «Na época de Adam Smith, 90% dos europeus ocidentais eram pobres. Actualmente, são apenas 10%».
os resultados
o achaque
É a segunda vez na sua vida política, que Paulo Portas tem um achaque nervoso em público, de grandes consequências. O primeiro foi o do «não tem emenda», quando ele se demitiu do CDS, jurando que não mais voltaria, por Monteiro lhe sabotar a eleição de líder do grupo parlamentar. O segundo foi agora este, o do «irrevogável», no qual se prepara, também, para dar o dito por não dito. As consequências de um e outro achaques foram enormemente desproporcionais, já que o primeiro provocou meros danos partidários, enquanto o segundo causou prejuízos enormes no bolso dos portugueses. O Dr. Portas é uma alma sensível, com um sistema nervoso delicado, a quem o país está a pagar as alterações do estado de humor. Devia cuidar melhor dos nervos. Meditação zen ou aulas de yoga eram capazes de lhe fazer bem.
Os “momentos inesquecíveis da revolução”
Renegociar a quimioterapia
Estava a ler o Pacheco Pereira e lembrei-me outra vez disto. Desde a entrada no euro que a atitude das elites portuguesas perante as metas impostas pela União Europeia tem sido sempre a mesma: pedir para renegociar e relaxar metas. Parecem não entender que os orçamentos equilibrados são do nosso interesse. Fora isso, a UE já deu provas de que não dá borlas a ninguém e que as consequências do endividamento e do descontrolo orçamental cairão sobre os países que não se sabem gerir. Neste momento é do nosso interesse reduzir o défice o mais depressa possível, não só porque é necessário travar o crescimento da dívida como também porque as condições de financiamento da economia privada portuguesa estão dependentes do rating do Estado. Pedidos de renegociação das metas e de adiamento dos cortes apenas servem para nos prejudicar. São equivalentes aos pedidos de um doente de cancro para renegociar a quimioterapia. Um reflexo de uma mentalidade que apenas se foca nos ganhos de curto prazo.
Eu já fiz mais de 100.000 autópsias

Eu bou-me imbora… ’tá bem, num bou.
Implacáveis
Aí está o escrutínio implacável dos mercados que aqui referi. A confiança que estava há 2 anos a ser paulatinamente reconquistada, esfumou-se num dia. E não vale a pena diabolizar as agências de rating, os investidores confiam mais nelas do que nos políticos e actuam em consonância. E ainda bem, pois serão os mercados que travarão as tentações de políticos demagogos, por muito que isso custe aos Soares e Portas cá do burgo.
Mudar de vida ou capitular, não por esta ordem
O LR já escreveu tudo, direitinho, certinho, sem margem para dúvidas e sem espinhas que distraem o palato. O que não disse de forma tão clara (mas disse) é o porquê da aparente vontade da população em embarcar nas guerrilhas em nome destas elites. Ler mais…
Um País suicidário e sem emenda
Pois é, são as elites que temos, não apenas agora, mas desde a revolução dita liberal de 1820. Existem apenas em função do Estado, a que estão umbilicalmente ligadas e a ameaça de corte do cordão é, naturalmente, uma questão de vida ou de morte. Por isso resistirão, agora e sempre, a qualquer mudança que ponha em causa o status quo. Ler mais…
O peixe – rêmora e o comensalismo incompreendido.*
O peixe-rêmora é pequeno, incapaz de, por si só, desenvolver uma atividade predadora. Associa-se, por imperativos de sobrevivência, ao tubarão, aproveitando as presas deste – melhor, os restos dessas presas. Este peixe liga-se, através de uma espécie de ventosa, ao ventre do tubarão, aguardando pacientemente a sua hora, ou seja, a oportunidade de comer aquilo que o tubarão pescou e já não quis ou não conseguiu deglutir. Após a refeição, procura um outro tubarão para uma nova associação, uma vez que, no fundo, só consegue (sobre)viver, mas também prosperar, assim, aconchegando-se e aproveitando a posição de um peixe maior. Normalmente, para o tubarão e a não ser que estejamos perante uma rêmora infetada, a relação será neutra (não o deverá prejudicar)….
dois nomes
Tenho, para mim, há muito tempo, que qualquer razoável empreendimento humano nunca se enfrenta, com sucesso, sozinho. Invariavelmente, as pessoas com responsabilidades exercem-nas quase sempre em parceria com outra, sendo que uma assume o protagonismo principal e a outra um papel aparentemente secundário, mas não menos importante. É aquilo a que designo pelo paradigma «Laurel and Hardy» e, ao longo da vida, tenho-o sempre presenciado em todas as organizações e acontecimentos que conheci e testemunhei.
Nesta leitura das coisas, ficam mais claras as razões da instabilidade pessoal de Portas e Passos, que, em última análise, conduziram o governo e o país ao estado de impasse em que ele se encontra. Qual a diferença entre o Portas ponderado e tranquilo do governo de Durão Barroso e o Portas actual, e do Passos de há uns meses e do momento presente? Dois nomes: Luís Nobre Guedes e Miguel Relvas.
A Constituição quer défice zero
Esclarecendo alguns comentadores, explico-me dizendo que a culpa não é da Constituição e muito menos do Tribunal Constitucional. Aliás, pelo contrário, a Constituição é um documento fenomenal que deve ser cumprido na íntegra até o resultado final que é a República Popular Socialista de Portugal Continental, Madeira e Açores. Nenhuma revisão constitucional deve ser efectuada excepto para conceder direitos a gays e/ou transgéneros.
A culpa é de quem tenta ignorar a Constituição, o que nos desvia do rumo traçado, com tentativas fúteis de resgate. Avizinha-se um quarto resgate, tudo por culpa de gente escrava das contas. As pessoas não são números. Nós, cumprindo a Constituição de forma militar, conseguiremos muito mais rapidamente o objectivo de défice zero.
O problema do país são os privados, que insistem em tentar trabalhar e transaccionar sem o crivo directo do Estado, como se isso fosse sequer natural. Para quê modelos com aritmética quando o modelo antropo-ISCTE-sociológico está provado e validado em todo o universo?
A solução, camaradas fraternos, está no crescimento e essas coisas fixes que se conseguem obter apenas quando todos formos assalariados directos do Estado ou emigrantes saudosistas.
Deixem a Constituição em paz. Respeitem-a e poderemos ser o orgulho da Europa, a força motriz do desenvolvimento humano através da nossa cultura humanista e veia poética antropo-filo-teatro-de-revista-sociológica.
Deixem a democracia funcionar e toca a abolir qualquer referência à direita de má memória. O povo e as corporações são soberanas. Mostremos aos alemães como deve ser feito. Um Mário Nogueira nas finanças é o que este país precisa, tal como de pão para a boca ou Audis para grupos parlamentares.
Elites tontas e ignorantes e a demissão de Portas
“Não podemos fazer eleições e ninguém tinha percebido isso”. Esta frase faz algum sentido e é natural que deputados do CDS a digam. Afinal nos últimos meses só se ouviu senadores, ex-dirigentes do PSD, ex-ministros, ex-secretários de estado, autarcas e comentadores em geral a pedir eleições e a informar o povo que não se aguenta tanta austeridade, que a austeridade é a causa do problema e que mal o Vítor Gaspar se vá embora vem aí o crescimento e a prosperidade. Afinal o que precisamos é de mais défice e de menos dívida e ninguém tem grande noção de como as duas se relacionam. Qualquer pessoa que diga o contrário é um estrangeirado e um traidor a mando da troika, um ultra-nedo-liberal. Ora, podia Paulo Portas pensar diferente disto? Claro que não. Portas não olha para os números nem os sabe ler, nem percebe a lógica do financiamento público nem a relação entre variáveis macroeconómicas. Os membros das nossas elites emprenham de ouvido uns com os outros, por isso, é natural que depois dos factos nos venham dizer, “ah, ninguém tinha percebido”.
Não creio. Ao contrário do que sucedeu no governo com Durão Barroso desta vez Paulo Portas não levou para o executivo ninguém de peso do CDS. No caso dos secretários de Estado apostou mesmo em nomes tão estapafúrdios quanto Daniel Campelo ou sem qualquer vocação para o cargo como Cecília Meireles. Disse na época em comentário na TVI que não compreendia os nomes propostos pelo CDS. Agora compreendi: Portas nunca deixou de pensar em fazer cair esse governo. Esqueceu-se simplesmente que os tempos agora eram outros e que agora tudo isso se traduz em juros, dívida… Como dizem estes deputados do CDS que parecem a ceifeira de Pessoa no que à consciência respeita: “todos odiavam o Japão, mas depois da bomba atómica o mundo ficou solidário com os japoneses. Ninguém sabia realmente os efeitos e foram terríveis. Os mercados e a Europa deram um sinal claro e ninguém tinha até ontem a verdadeira noção de que a democracia nos países sob resgate está limitada”. “nem Paulo Portas tinha ideia das reacções que surgiriam e que inviabilizam um cenário de eleições. Não podemos fazer eleições e ninguém tinha percebido isso”.
Diz agora que estava cansado, farto e sentia-se de esquerda. Exactamente. Não há melhor definição. Sentia-se de esquerda. Tão de esquerda que ignorou as contas.
Cheio de razão
Santana Lopes: Se há conversa que me enerva é a de que “por muito menos, Sampaio mandou embora o seu Governo” ou, no mesmo sentido, “comparar isto com o seu Governo…”. Ainda por cima, dizem isto à espera de que eu agradeça a generosidade.
E quando amigos mandam SMS informando que Ricardo Costa, ou alguém do meio, acabara de afirmar que me devia um pedido de desculpas como se levassem a sério essa retórica e como se me aquecesse ou arrefecesse essa retórica de circunstância.
Enerva-me por uma razão muito simples: não tem comparação. Pondo de lado quaisquer comparações de ordem pessoal, qualquer juízo sobre as capacidades dos diferentes protagonistas, objetivamente não existe comparação. Basta um motivo: em 2004 não houve qualquer dissonância, em expressões públicas, entre responsáveis e partidos da coligação. Uma única exceção: Paulo Portas não foi à sessão de encerramento de um Congresso do PSD porque alguns congressistas fizeram intervenções críticas para a coligação. Ler mais…
Carta aberta ao presidente
Bom dia, senhor Presidente.
E agora, já podemos acabar com o Tribunal Constitucional e chamar o doutor Gaspar para governar o país ou ainda é cedo para uma solução séria?
Respeitosamente,
Um Contribuinte
o estabilizador
Vitor Gaspar era o verdadeiro estabilizador deste governo e desta maioria. No dia imediatamente seguinte ao da sua saída do governo, a garotada desatou aos tabefes, aos chutos e pontapés, e a fazer queixinhas uns dos outros aos meninos mais velhos. Também não é para admirar. Vitor Gaspar não se fez nas jotas partidárias, nem nas coscuvilhices e sacanices da política portuguesa. Tem vida própria, um percurso profissional respeitado, nunca tinha estado pendurado na política, e isso provoca sensações misturadas de temor e rancor aos toxicodependentes da politiquice. Era ele quem, por impor respeito à garotada, a ia conseguindo, naturalmente, pôr a recato. Agora que foi à vida, a canalhada está novamente por conta própria, com dois anos de raivinhas acumuladas. Não vai ficar pedra sobre pedra.
O Partido Sou Eu
Manifestações na era digital
já basta!
Ninguém tinha percebido isso?! ?!
“Um deputado do CDS – PP, contactado pelo Porto Canal, comparou mesmo a situação que vivemos com o clíma da 2ª Guerra Mundial, «todos odiavam o Japão, mas depois da bomba atómica o mundo ficou solidário com os japoneses. Ninguém sabia realmente os efeitos e foram terríveis»”.
O deputado, considera que “nem Paulo Portas tinha ideia das reacções que surgiriam e que inviabilizam um cenário de eleições. “Não podemos fazer eleições e ninguém tinha percebido isso”.
a “fórmula”
Depois de consultados inúmeros homens de Ciência, Passos comunicou ao Presidente da República que “foi encontrada uma fórmula de manter a estabilidade do governo”. Ei-la:

Passos já escolheu novo ministro das finanças
quase no fim da segunda parte
Aos guinchos histéricos de «Paulinho, Paulinho», o reduzido mas barulhento número de apoiantes do conhecido avançado-centro viu-o regressar ao campo de jogo donde tinha saído, aparentemente de forma irrevogável, após uma lesão provocada por um pontapé que lhe atingiu as partes baixas. De regresso ao campo, Paulinho reforçou a sua liderança na equipa, marcou três golos e ainda retribuiu o pontapé sofrido com um violento chuto nas canelas de Álvaro, o defesa-central da equipa contrária, que o levou, a este irrevogavelmente, para fora das quatro linhas, com uma fractura exposta e em grande sofrimento. Um jogo muito violento, que ainda não chegou ao fim, no qual o árbitro Cavaco não exibiu, até agora, qualquer cartão aos jogadores, para estranheza da assistência. Os patrocinadores de ambas equipas já anunciaram que não pretendem continuar a financiá-las, dada a falta de qualidade e a violência do jogo, sendo incalculáveis os prejuízos. O árbitro adjunto Tozé regressou após o intervalo, com as faces mais coradas, praticamente recomposto de um súbito mal-estar do qual se aliviou nos balneários durante os quinze minutos de interrupção.
A irrevogável leveza do gás carbónico
Esqueçam as exportações. O negócio agora é importar festivais de Verão patrocinados pela Super Bock. Não sei como Portas não se lembrou disto antes: agradecíamos a bebedeira logo no início do ano.


