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a triste fábula de um animal feroz

28 Abril, 2013
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Aquele cujo nome não se pronuncia e que tomou posse de um lugar que não lhe pertence parece ter arrumado, por agora, com as pretensões de mando de um certo animal feroz. Aquele cujo nome não se pronuncia conseguiu que as principais figuretas que anteriormente circundavam o animal feroz o abandonassem em troca de poleiro, e deixou desabrigadas duas ou três sem qualquer expressão, que não entenderam o que se passou nos últimos dias. Semelhante desautorização nunca tinha sido feita ao animal feroz. Nem sequer por aquele cujo nome todos sabemos qual é, e que, de momento, é o único ponto de convergência dos ódios do animal feroz e das renovadas tropas daquele cujo nome não se pronuncia. Provavelmente por pouco tempo, porque aquele cujo nome não se pronuncia carece das boas graças daquele cujo nome todos sabemos qual é para chegar aonde quer. O animal feroz, que recentemente regressara, impante, às luzes da ribalta, arrisca a transformar-se num protagonista solitário, a recitar monólogos ressentidos na sua prédica dominical, vazios de sentido, de objectivos e, progressivamente, de audiências. Aquele cujo nome não se pronuncia tirou o tapete debaixo dos pés do animal feroz, no exacto momento em que ele o voltara a pisar. O tapete da porta de entrada da sua casa. Da toca do animal feroz, que deve, também por isso, estar agora ferocíssimo. A vingança será terrível.

Esquecendo Sócrates

28 Abril, 2013

António José Seguro, ao propor a criação de um fundo de redenção que obrigaria a Europa a assumir a dívida dos países acima dos 60% do PIB, está – discretamente – a pedir para que se volte a 2005, renegando a herança do governo de José Sócrates.

Esquecendo Sócrates

É compreensível: António José Seguro não é, nem de perto nem de longe, o único que gostaria esquecer o período de 2005 a 2011.

Veja (e note) as diferenças

28 Abril, 2013
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Sexta-feira a RTP emitiu uma pequena reportagem sobe uma fotografia do meu amigo Alfredo Cunha tirada há 28 anos, numa altura em que o FMI também estava em Portugal.

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A reportagem tenta passar a ideia de que entre o que se passava (e como se vivia) nessa altura e o que se passa hoje não há quaisquer diferenças. A fotografia é, no entanto, elucidativa. O que aquela mãe recorda, também. Hoje os dias são difíceis – mas mesmo nestes dias difíceis nada é realmente comparável ao que era Portugal nesses dias, nesses anos. Basta olhar com atenção para a fotografia, e para o seu dramatismo quase bíblico. Pena é que memória seja curta e a vontade de tornar tudo ainda mais negro muito grande. Pena é, também, que quem então pensava que “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”, hoje entenda que “nunca houve tanta pobreza, tanta miséria e tanto desespero por parte da população”. Nunca? Nunca digas nunca…

Passos Coelho e a promessa de não aumentar impostos

28 Abril, 2013

Após o chumbo do corte de salários e pensões pelo Tribunal Constitucional, Passos Coelho prometeu que as medidas chumbadas não seriam substituídas por um aumento de impostos. Mas até agora não cumpriu. Para que a promessa seja cumprida são necessárias 2 condições: que não se aumentem as taxas de impostos e que não se crie défice (condição necessária para que os impostos não aumentem no futuro). O governo parece com vontade de cumprir a primeira condição, mas tudo indica que não está interessado em cumprir a segunda. Mais impostos no futuro são por isso uma certeza.

No 1-X-2 do Totobola, é mesmo o XIX

28 Abril, 2013

Tenho assistido, pela televisão, ao XIX Congresso do Partido Socialista. Alguém, mais habilitado a interpretações de Dante e tropelias da personagem à entrada do Inferno, poderá, com algum engenho, e em espiral expansiva de faustosa imaginação, encontrar substância por descobrir em novas semânticas seculares da dualidade entre lugares comuns e esperanças pueris; infelizmente, tal não será o caso para pessoas que originam oscilações sobre os apoios partidários basais, as que levam à vitória de um ou outro partido em eleições. Decididamente, a narrativa deste congresso parece ser a obtenção de aplauso de groupies – o que é, por natureza, fútil; groupies tanto aplaudem o “mata” como o “esfola”, desde que o artista seja o alvo da paixão.

O resumo, até ao momento, será algo muito parecido com:

Deseja ser rico ou levar um tiro na cabeça?

Porque é que baixar impostos gera crescimento?

27 Abril, 2013

A defesa de uma baixa de impostos como meio para aumentar o crescimento económico é comum (por exemplo, aqui). Já é difícil encontrar uma boa explicação do mecanismo que faz com que descidas de impostos gerem crescimento. Em particular, como é que uma baixa de impostos em Portugal, que é o caso que nos interessa, pode contribuir para aumentar o crescimento? Gostaria de lembrar alguns factos, os quais talvez permitam limitar o debate às descidas de impostos que realmente valem a pena:

1. A economia portuguesa deixou de crescer no final dos anos 90, quando tinha taxas de impostos bastante mais baixas.

2. Durante o período 2000-2010, a economia portuguesa teve um excesso de procura em relação à oferta de cerca de 10% do PIB, e não cresceu.

3. Entre 2011 e 2013, nem as empresas privadas, nem os particulares nem o Estado estão a ser capazes de se financiar no mercado a taxas próximas das taxas médias europeias.

4. Nos últimos 20 anos a despesa pública, isto é, aquilo que o Estado compra à economia privada, cresceu acima da capacidade produtiva da economia privada (algo que é evidente quando se olha para o défice externo permanente).

5. Até 2010, os estímulos do lado da procura revelaram-se totalmente incapazes de promover o crescimento. A capacidade produtiva instalada era incapaz de responder à procura, o que gerava aumento das importações.

6. Até 2008 tivemos uma bolha imobiliária (ainda que limitada), mais um sinal de que excesso de procura na economia não gerava aumento da capacidade produtiva mas sim inflação nos bens que funcionam como reserva de valor.

Estes factos excluem à partida um dos possíveis mecanismos e limitam as condições em que uma descida de impostos gera crescimento. Se a procura em Portugal já está saturada, baixar os impostos para aumentar a procura apenas contribuirá para aumentar as importações. É, aliás, inevitável que uma parte da descida de impostos seja canalizada para um aumento do consumo. A crença de que a economia cresce quando se baixam impostos porque as pessoas consomem mais é keynesianismo de direita. Tal como o de esquerda, não funciona.

Nas presentes condições, sem que se consolide o ajustamento macroeconómico, uma descida de impostos não gerará crescimento. Uma descida de impostos, sem consolidação orçamental, com um défice de 6%, não é uma política credível uma vez que o risco de os impostos voltarem a subir é elevado. Um défice é sempre uma garantia que haverá impostos no futuro. Nem os agentes económicos internos acreditam numa descida de impostos permanente, nem os credores internacionais estão dispostos a financiar uma economia esquizofrénica que baixa impostos estando no limiar da bancarrota. Por tudo isto, é evidente que para haver crescimento sustentado primeiro tem que haver uma descida sustentada do défice e só depois um corte de impostos.

não há outro

27 Abril, 2013
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Um chefe de estado eleito em sufrágio universal nunca será um «presidente de todos os portugueses». Um chefe de estado eleito em sufrágio restrito, por um colégio de raiz parlamentar e de representatividade regional, pouco ou nada mandará e será inevitavelmente um fraco produto de acordos entre oligarquias. Qualquer um deles terá sempre uma opinião política que nunca será consensual e que em momentos de crise optará necessariamente pela opinião de uns em detrimento da opinião dos outros: tem que decidir e decidir é escolher. Se a ideia é ter um chefe de estado politicamente neutro, inibido de ter opiniões políticas, e que seja um puro símbolo de unidade nacional, porque constitucionalmente impedido de agir politicamente e de tomar decisões, então, a solução é evidente: um rei constitucional. Não há outro.

Novidades do partido dos contribuintes

27 Abril, 2013

Portas continua a lutar contra cortes na despesa.

Há presidentes e há Presidentes

26 Abril, 2013

O então Presidente da República Jorge Sampaio, a propósito da decisão em empossar novo governo com o quadro parlamentar existente, por consequência da demissão do governo de Durão Barroso, comunicava ao país em Junho de 2004 (destaques meus):

Sei bem que muitos portugueses e seus representantes políticos propunham que tomasse outra decisão. Considerei e considero inteiramente compreensíveis e legítimas as suas posições. Estou certo de que, mau grado a minha diferente opção, entenderão os argumentos que me levaram a escolher o caminho da indigitação de um novo Primeiro-Ministro.

Não tomei esta decisão de ânimo leve. Ponderei profundamente as consequências de ambas as decisões. Procurei ser fiel ao meu passado, às minhas convicções políticas e ao programa com que duas vezes me apresentei ao eleitorado. Decidi apoiado numa longa experiência política e no profundo conhecimento do país que hoje tenho. Pesei, com rigor, os caminhos que melhor servem Portugal, nas circunstâncias concretas em que ele se encontra.

Não posso ignorar que as exigências da nossa situação económica e financeira, com uma retoma ainda incipiente, uma consolidação orçamental longe de estar garantida e uma situação social particularmente gravosa, me aconselham também este caminho.

E, assim, por convicção e coerência, decidi.

Ontem, dia 25 de Abril de 2013, declarou o líder parlamentar do Partido Socialista, Carlos Zorrinho (destaques meu):

O senhor Presidente da República fez um discurso de cariz claramente partidário e apadrinhou a política de austeridade do Governo. Essa é a principal conclusão da sua intervenção.

Esse caminho do Governo tem conduzido a mais desemprego, maiores problemas na economia e a uma espiral recessiva. Tudo isso foi reconhecido [pelo Presidente da República], mas ao mesmo tempo também foi apadrinhado.

Há presidentes da república e há Presidentes da República de Todos os Portugueses.

Reciclagem legislativa

26 Abril, 2013

Diz o Público:

As empresas, entidades públicas e os profissionais liberais vão passar a pagar uma taxa de juro de mora quando pagarem facturas em atraso. Se a decisão aprovada nesta sexta-feira em Conselho de Ministros entrasse agora em vigor, essa taxa de juro de mora seria de 8,75%.

Na verdade, a lei já prevê que assim seja há mais de 10 anos. A grande novidade é, agora, a possibilidade de acrescentar aos juros os custos administrativos e internos de cobrança. De qualquer maneira, o Governo está apenas a transpor, com quase dois meses de atraso, uma Directiva comunitária de 2011.

Os Presidentes de Todos os Portugueses

26 Abril, 2013
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Presidentes de Todos os Portugueses

Ramalho Eanes, no seu segundo mandato, patrocinou a criação de um partido político da oposição ao governo de Mário Soares, partido esse que mais tarde fez cair o primeiro governo de Cavaco Silva.

Mário Soares, assim que conseguiu a reeleição, transformou-se no líder da oposição ao governo de Cavaco Silva, ao lado do PS.

Jorge Sampaio demitiu um governo suportado por uma maioria parlamentar para entregar o poder a um governo do seu partido que acabaria por nos levar à bancarrota.

Que saudades dos anteriores presidentes de todos os portugueses.

“Onde é que você está”, depois do 25 A?*

26 Abril, 2013
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Há uns anos atrás, Baptista Bastos ficou célebre com a questão “onde é que você estava no 25 de Abril”? O jornalista, autor e, sobretudo, naquele contexto, o entrevistador, ter-se-á inspirado em algumas justificações defensivas de algumas personagens da nossa (e, por conseguinte, da do 25 de Abril) História recente. Recordo-me de alguém que chegou, no período conturbado do PREC, a ser Presidente da República, dizer que, naquela noite, estava numa urgência hospitalar, acompanhando um familiar, justificando, dessa forma, o facto de não ter sido notada a sua presença no palco lisboeta das operações.

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“Lamento que os assentos à minha esquerda não sejam confortáveis”

26 Abril, 2013

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um abril vitorioso

26 Abril, 2013
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Estou cansado da mesmice das lutas de Abril! De descer a avenida de cravo na mão a protestar antes do crónico almoço de confraternização das vitórias do passado. Eu quero celebrar as vitórias do presente, porque a hidra do fásssismo não pára de crescer, com as suas monstruosas cabeças que nos sugam o tutano. Há que revolucionar a revolução!

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Por isso, hoje celebrei um Abril diferente. Um novo Abril cheio de energia e vigor. Aliei-me aos povos indígenas explorados da América do Sul e juntos, como verdadeiros irmãos revolucionários, fomo-nos aos répteis do capital, dominando uma troika de feras. Primeiro, espezinhamos uma temível anaconda, que nos fez lembrar o «escurinho» do FMI. O nosso ímpeto não poderia ter sido mais feroz. Depois, avançamos aos cânticos do «Grândola» para uma gibóia vermelha (os traidores da luta). Vitória absoluta! A seguir, a nossa justa ira incidiu sobre uma gibóia albina, que era igualzinha ao careca mais reptilíneo do sinistro triunvirato. Por último, para que não haja «lágrimas de crocodilo» pelo fásssismo, apanhámos o próprio! A reacção não vencerá!

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Assim, triunfámos sobre o grande capital e o fásssismo, numa união perfeita entre explorados da troika europeia e explorados do capitalismo da América do Sul. Sem simbolismos, sem concessões. E, com alívio, sem citar Habermas. Foi um Abril vitorioso!

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Dominando os inimigos do povo

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Esganando o grande capital

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Capturando a hidra fásssista

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Vitória total sobre a reacção.

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Não haverá légrimas de crocodilo

Não haverá lágrimas de crocodilo

É importante não esquecer algumas mudanças importantes com o 25 de Abril

25 Abril, 2013

É preciso crescimento, dirá… qualquer pessoa. É a panaceia para se manter a ideia do “espírito de Abril”, permitindo perpetuar a ideia vaga de existência de uma alternativa ao que grosseiramente se decidiu chamar “austeridade”. Austeridade, de acordo com o dicionário e com o uso comum fora do jargão contestatário, significa “com rigor, com rigidez, com pouca ou nenhuma flexibilidade”.

No jargão contesto-inconformado, o significado dado à palavra “austeridade”, é o de “constrangimento”, que de acordo com o dicionário, tem acepção como “violência que tira liberdade de acção”.

Reparando numa certa incongruência linguística entre acepções formais e acepções populares, e sendo hoje 25 de Abril, dia da liberdade, peguei em dados disponíveis a qualquer pessoa, via Pordata, e elaborei estes dois gráficos, que eventualmente poderão ser maçadores para quem prefere que “o povo é quem mais ordena” seja extensível ao dicionário da Língua Portuguesa, consoante o partido no poder.

Crescimento do PIB per capita (1961-1973)

Crescimento do PIB per capita (1974-2011)

Agora, sim; gostaria de falar sobre a semântica inerente à narrativa austeritária, o crescimento e a dívida; dívida que alguns considerarão irrelevante para tudo isto, eufemismo para “não a quero pagar”.

Não me interpretem mal: estamos melhor que em 1974; só não se percebe qual é o crescimento que nos salva do “constrangimento” da acepção contesto-inconformada de “austeridade”; e sobretudo, onde encaixa a patologia dos Órgãos de Soberania identificada por deputados da Nação em discussões sobre Abril.

“E tu, onde estavas no 25 de Abril?”

25 Abril, 2013

Eu estava dentro de um útero. Curiosamente, como viria a nascer em Outubro, teria à volta de 12 semanas no 25 de Abril, o que daria à minha mãe – houvesse Lei da interrupção voluntária da gravidez – o poder de decidir se eu era ou não era; portanto, se estava ou não em algum sítio. É muito confuso: quem sabe, nessas circunstâncias legais, se eu chegaria alguma vez a ser? E se não chegasse, teria alguma vez sequer ter sido? Não vou perguntar à minha mãe: correria o risco de desenvolver mais um estigma, a acrescer aos que já tenho, como o de ser caracterizado como “um direitolas”.
 
“Um direitolas” é um ser, como se sabe, e por definição dos inventores do termo, uma coisa que repudia o 25 de Abril – o que é muito aborrecido porque não é o meu caso. Torna-se enfadonho tentar explicar aos que afirmam desejar derrubar preconceitos, que muito frequentemente eles próprios me preconceitizam(*). Por outro lado, quem sou eu para repudiar etiquetas que me colocam? Tatuem-me lá a coisa no pulso e siga-se para bingo: é que também tenho a desfaçatez de considerar que um dos importantes intervenientes para o fim do Estado Novo é deliberadamente omitido na discussão sobre o 25 de Abril – emigrantes de meios rurais.
 
Prosperidade. Muitos, nos anos 60 e 70 do século passado, rumaram com valises, da napa ao cartão, para as Franças, Bélgicas, Alemanhas, Luxemburgos, Suíças e outros, em busca de prosperidade. Sem Ryanairs ou Schengans, sem apoios fora do núcleo familiar ou da sua comunidade. Acreditem que não existia um “Gabinete de Apoio Estatal à Pessoa Humana em Busca de Uma Saída Profissional Institucionalizada”, era mesmo graças ao que alguns poderiam chamar de caridadezinha. O que lá encontraram, nessas Franças e afins, exportaram de forma inconsciente para a psique de uma nação: oportunidade de trabalho e pertença a um mundo além fronteiras, não isolado, não orgulhosamente sós, muito mais orgânico, mais livre, mais próspero. Um mundo com problemas, problemas enfrentáveis, problemas ultrapassáveis com esforço e determinação pessoal para a conceptualização de sucesso individual. Sobretudo, e sem pensarem no assunto, sem desenharem uma estratégia ou recorrerem a uma política ministerial ou agenda, iniciaram uma revolução: povão a viajar por esta Europa fora.
 
O 25 de Abril ocorreria em qualquer data, com ou sem tanques, com ou sem cravos. Era uma questão de tempo. Muitos falarão – e bem – do papel essencial da Guerra Colonial. Leiam e ouçam-os com atenção: muitos explicarão isso melhor que eu. Eu falo hoje para os pequeninos, já que uma característica do “direitolas”, pelo que percebo, é o populismo rural; não quero desapontar já no primeiro post.
 
Os emigrantes desempenharam um papel passivo, mas de grande importância. Todos conhecemos ou temos familiares que foram (ou são) emigrantes dos anos 60 e 70. Todos recordamos a época áurea dos meses de Agosto, os melodramáticos anos 80, cravejados de emigrantes divididos entre a ingénua ostentação de carros “bomba” e uma imagem do mundo que parecia tardar a Portugal, mesmo anos após o 25 de Novembro. Arraiais, mais ou menos proto-pimba, com odor a fritos e a promessa de regresso num dia longínquo, isto enquanto depositavam poupanças na Caixa Geral de Depósitos.
 
Os humanos – termo não “direitolas” seria “a pessoa humana” – buscam a prosperidade, anseiam-a. O 25 de Abril representou uma promessa, a de liberdade e prosperidade sucessivamente adiada. Adiada no singular: as duas estão demasiado interligadas, não podem ser separadas. Prosperidade implica liberdade; liberdade é o único caminho para a prosperidade. Por tudo isto, o 25 de Abril foi apetecível para a trupe revolucionária de filiações mais ou menos sino-soviéticas, mais ou menos dispostas a tornarem-se os depositários dessa liberdade. Muitos ainda aí andam, agora institucionalizados, conformados ao darwinismo político.
 
Para mim e para muitos portugueses nascidos em 1974, o 25 de Abril celebra um folclore libertador, a génese anunciada da mitologia democrática de um novo regime. Inversamente, o 25 de Novembro não é romântico: é a promessa de liberdade propriamente dita, a concretização mais ou menos conseguida da mitologia, a sua materialização pragmática. Pode festejar-se o 25 de Abril. Aliás, deve festejar-se: no dia 25 ainda não explodiam bombas nos sítios dos inconvenientes, ainda não se expropriava propriedade privada, ainda não se desenhava o país a régua, ainda não havia reforma agrária, ainda não se invertera o insulto “facholas“. O dia 25 foi a festa. A mitologia não pertence à esquerda ou à direita; por definição, pertence a todos. Rejubilemos, pois!
 
É dia de cravos, dois ou três foguetes, um discurso e umas cervejas com os “pás” do bairro. Podemos usar a data para recordarmos o que é uma revolução: a substituição de sangue, suor e lágrimas por mais sangue, suor e lágrimas. Devemos celebrar o emigrante: o português que não esteve com tretas e criou um pouco de Portugal onde ele não existia, sem cravos nem tanques, sem discursos enfadonhos ou indultos a bombistas. Depois de toda esta festa, devemos festejar o 25 de Novembro. Esta sim, festa com toda a pompa e circunstância, com cantigas de louvor ou até com os palavrões que quisermos; com blasfémias ou reverências; com salamaleques ou bonecos; com crítica e contestação fundamentada ou com “troika fora daqui, qu’eu é que tenho razão“. Porque graças a esse dia, ali, no taciturno Outono de 1975, conquistaram-nos verdadeiramente o direito de fazermos o que nos apetece, para o bem e para o mal. Este texto foi mesmo escrito ao abrigo do 25 de Novembro.
 
Já repararam, hoje em dia, que não faltam vozes do regime sugerindo saída do euro, exigindo o fim da austeridade, culpando líderes e povos estrangeiros, ansiando a hiper-inflação que os sustentará, como agentes regimentados supra-povo que são; este irónico deslize ao situacionismo do antigo regime, exigindo encarceramento ao “orgulhosamente sós” materializado nos “nós não somos a Alemanha” e “que se lixe a Troika”, é o ADN fascista que se refugia nos bradares aos “princípios de Abril”. Não emigrem. Não produzam. Não lutem, não olhem o espelho. Não “batam punho” – “eles” têm que nos resolver isto. Sempre o “eles” e sempre o “nós” passivo, inocente; sempre o “o mundo está a oprimir-me”; sempre o “dêem-nos as nossas vidas”. A terminologia imperialista, bélica, orgulhosa, nacionalista, socializante, desesperadamente oca. A inverdade. O newspeak orwelliano, a narrativa.
 
Afinal devo ser mesmo um “direitolas”: aceitei com muita honra o amável convite deste grupo de pessoas que escrevem num espaço de liberdade e estou agradecido pela oportunidade. Um não-”direitolas” nunca agradece: tira e usufrui o que considera seu por direito. Pior ainda, escrevi um texto que vos convida a celebrarem a mitologia do 25 de Abril, que como mitologia, se assemelha à festa nada laica da Natividade regimental, o quasi-milagre do caminho socializante em preâmbulo constitutivo.
 
Hoje, em dia de celebração, os meus foguetes são atirados para que se avance com a verdadeira (r)evolução, aquela que consiste em terminar a revolução que dura há exactamente 39 anos. Estou pronto, como qualquer “direitolas”, para o 26 de Abril.
 


(*) preconceitinizar: não é um termo menos válido que direitolas.

Ninguém tira o sarcasmo ao Manuel Parreira

24 Abril, 2013
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O novo colaborador do Blasfémias chama-se Vitor Cunha, mas é mais conhecido por Manuel Parreira, autor do Macambúzio. É o grande educador da classe Tweetária. É o @manuelparreira.

Bem vindo ao mundo Blasfemo.

Cunha na (R)evolução Blasfema

24 Abril, 2013
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Não é costume, mas de vez em quando também temos de falar um pouco de nós próprios. Com toda a frieza que nos caracteriza, não deixamos de ter aquela vertente narcísica própria dos pecadores. Injustificada, sabemos disso, que exceptuando a cara bonita e charmosa da Helena, o aspecto de todos os outros não se recomenda minimamente.

Certo é que a idade vai-nos mudando e moldando. Sem ainda termos chegado à lamechice da 3ª idade, fase em que se tende a hiper valorizar as minudências, já começamos a dar mais atenção ao etéreo e ao simbólico, à estética e à imagem, a tal ponto que me questiono se não estaremos a sofrer uma anestesiante e preocupante viragem à esquerda. Cruzes, canhoto, temos de estar alerta e manter a vigilância (r)evolucionária.

Dizem para aí que ela é quando um homem quiser. Tretas! É como a gente quiser, que a (R)evolução não tem dono nem modelo, é sim uma forma de estar. A gente tem a nossa que pode ir (r)evoluindo, mas numa firme continuidade e consistência. Daí que defendamos políticas de ajustamento graduais e sem grandes rupturas – excepto no corte da despesa, que deve ser abrupto, por muito que custe ao JPP & quejandos.

Mas pequenas mudanças, mesmo que não se afigurem necessárias, dão outra dinâmica. E como subsistem muitos a olhar para a forma antes do conteúdo, vamo-nos adaptando aos gostos e caprichos do mercado que saberá sempre mais do que nós. Daí a pequena alteração no nosso visual, um new look mais modernaço, a substituição do fundo laranja algo démodée por um tom mais distinto, mais de acordo com a assertividade blasfema.

E como se fala tanto em renovação, nós tratamos de a praticar, aproveitando para nos reforçar. E aqui retornamos ao espírito fundacional, em que prevalece o conteúdo sobre a forma. Este blogue começou sem craques, com ilustres desconhecidos assaz individualistas e que se conseguiu impôr como um dos colectivos mais eficazes da blogosfera. Os craques vieram depois e ajudaram a consolidar a nossa posição na Premier League.

Mas como os craques que por aí andam se estão a esgotar e nós estamos em contenção, deslocámos os nossos “olheiros” para as camadas jovens onde se “compra” barato e com maior potencial.

E a nossa  (R)evolução também se comemora desta forma, com uma nova contratação, Vítor Cunha de seu nome, um desconhecido que ainda não é ilustre mas reúne todas as condições para lá chegar. Engenheiro electrotécnico de formação, programador de profissão, um peixe no oceano das novas tecnologias já com alguma experiência internacional e digam lá se não temos feeling para a “modernidade”. Melhor do que isso, é liberal (condição sine qua non), azul e branco na cor (uma opção a que subjaz espírito ganhador) e sabe escrever, a sério e a brincar, sempre rico em conteúdo.

Ainda imberbe, na verdura dos seus 38 anos, tem o mundo à sua frente e tempo para outras (R)evoluções, marcando o início da transição geracional desta Loja. Bem vindo Vítor, contigo começa o Grande Salto em Frente. Avante Camarada, toca a blasfemar!

Vitor quem?

24 Abril, 2013
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Vitor Cunha? Quem é esse?

Atirar dinheiro aos problemas

24 Abril, 2013
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Declarações ontem no PortoCanal sobre o “Plano de Fomento” e o folhetim dos swaps:

http://videos.sapo.pt/YHyvRcbtlTeMkoPC0dDt

Blasfémias está com a Revolução

24 Abril, 2013

Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!

Confundir o sintoma com o a doença

24 Abril, 2013

Um dos problemas do Plano de Álvaro Santos Pereira para o crescimento é a confusão entre sintomas da falta de crescimento com causas subjacentes da falta de crescimento. Uma situação típica de Culto da Carga. Um exemplo mais flagrante é a forma como o problema do crédito é encarado. Não há crédito na economia, diz-se. Mas isso é apenas um sintoma de problemas mais profundos. Do lado da oferta de crédito, é um sintoma um sistema bancário a sofrer as consequências dos erros cometidos no passado. Os bancos não dão crédito porque eles próprios não são credíveis e não têm acesso fácil a crédito. Do lado da procura de crédito, não há projectos suficientemente bons para que valha a pena arriscar emprestar dinheiro. Não há projectos suficientemente bons porque a procura por bens e serviços não transaccionáveis implodiu e a economia ainda não se reestruturou para se adaptar à procura de bens transaccionáveis.  Os empresários que pedem mais crédito são os da antiga economia não transaccionavel. O que o plano de Álvaro Santos Pereira faz é tratar a doença disfarçando o sintoma. Há falta de crédito? Então injecta-se crédito forçando a banca a arriscar em projectos  pouco interessantes. Contribui-se desta forma para agravar a credibilidade da banca e para promover projectos inviáveis.

Princípios do Álvaro para o crescimento

24 Abril, 2013

Álvaro Santos Pereira divulgou um documento chamado “Estratégia para o crescimento, emprego e fomento industrial”. Este documento marca o regresso do país ao lero-lero crescimentista que marcou os 10 anos que precederam a bancarrota. Com base nesse documento é possível reconstituir as ideias base em que o Álvaro acredita:

1. Preço do crédito tabelado é bom para a economia;

2. Fixação de quantidade de crédito pelo ministro é positivo para a economia;

3. A banca é  uma actividade sem risco ao serviço da economia;

4. Os preços dos serviços portuários podem ser tabelados que isso não tem efeitos adversos;

5. O combate à burocracia é consistente com planos de comando e controlo dirigidos a promover o crescimento e que criam uma multiplicidade de programas, subsídios e excepções;

6. A burocracia combate-se criando excepções para determinados agentes económicos;

7. O Estado pode promover o crescimento com medidas voluntaristas e de microgestão;

8. Construir linhas de comboio cria procura por comboios (build it and they will come).

9. O crescimento promove-se colocando as agências do governo a decidir quais são os projectos em que vale a pena investir;

10. A concorrência promove-se criando-se subsídios e crédito facilitado para os agentes económicos escolhidos pelas agências do governo.

Uma pequena grande medida

24 Abril, 2013

Novo programa de Matemática aposta na memorização como um dos motores de aprendizagem. Ontem, em conferência de imprensa, o ministro Nuno Crato afirmou que “o ensino deve ser exigente e ter objectivos claros”.

A que não falta o tribunal do costume: Professores admitem apresentar providência contra revogação de programa de matemática

De quem foi a ideia?

23 Abril, 2013

Isto deve ser um golpe das Caldas! De quem foi a ideia de mudar a coluna dos links???? A equidade com os canhotos deve ter orientado esta mudança. Espero que o autor desta mudança acabe a viver aqui e a interrogar-se todos os dias se o seu apartamento fica do lado direito ou esquerdo.

Ensinamentos de 39 anos de democracia

23 Abril, 2013

Melhor discurso político.  Melhor investimento político. Melhor aposta política. Melhor destino político. Melhor partido para governar Portugal.  – Temas do meu artigo de hoje no DE

Mas que ideia!…

23 Abril, 2013
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Decididamente, a crise toca a todos e está também a mexer connosco. Ainda não percebi os acrescentos que os digníssimos Administradores desta Loja andam por aqui a fazer. Novas Blasfémias??? Essa terminologia tresanda a “novas oportunidades”, prefigura uma nítida colagem aos ditames do establishment, tem cariz muito pouco blasfemo, a colidir frontalmente com o nosso espírito fundacional. E para compôr o ramalhete, anunciam-nas para uma data que remete para a beatitude mais rançosa.

Não há que ver, a Blasfémia corre o risco de aburguesamento e de cedências ao status quo, há que saber reagir e dar o Grande Salto em Frente.

As propostas da Intersindical

22 Abril, 2013

Talvez influenciado pelo espírito da época e apesar da demagogia de propostas que, em larga medida, não dependem do Governo (como esperar que o BCE financie a recompra de mais de 90 mil milhões de dívida de longo prazo à taxa de curtíssimo prazo de 0,75%), não posso deixar de assinalar que esta proposta da CGTP-IN constitui um exemplo do que poderia ser uma oposição com ideias (mesmo que más ou inexequíveis, são ideias, que podem ser debatidas) para o país.

os dilemas de um conservador

22 Abril, 2013
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Isto de se anunciarem revoluções no Blasfémias agrada-me pouco. Sou um espírito conservador e estes ímpetos dos meus colegas, ainda que mascarados de (r)evolução na continuidade, bulem-me com os nervos. Ainda por cima, anuncia-se que só faltam três dias para as comemorações. Já há muito que suspeitava estar entre jacobinos, mas agora tenho a certeza. Embora não saiba bem do que se trata, por mim, passo…

A estratégia dos independentes

22 Abril, 2013

Com Sócrates entregue a um exercício particular de ódio – perante o confrangedor exercício em Junho o programa chegará ao fim graças a uma desculpa qualquer – o ataque de Costa a Seguro prossegue: «Um grupo de destacados socialistas próximos de António Costa, insatisfeito com o rumo das coisas no partido, decidiu “fazer alguma coisa” para por travão à crescente falta de confiança dos cidadãos nos partidos. O resultado foi uma carta aberta ao secretário-geral do PS onde, entre outras propostas “arrojadas”, os subscritores propõem eleições diretas abertas a não-militantes para a escolha do secretário-geral do PS.  (…) Domingos Farinha e Tiago Antunes, dois independentes, docentes da Faculdade de Direito de Lisboa que trabalharam com José Almeida Ribeiro (ex-secretário adjunto de Sócrates) no último Governo PS, engrossam a lista de subscritores.» Com independências destas é melhor que Seguro se cuide. E já agora António Costa também porque na verdade aquele os promotores desta iniciativa têm por melhor líder ainda é Sócrates. 

Impressões

21 Abril, 2013
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Despachados

Parece que vão ser cortados alguns milhões – ninguém parece saber bem como. De momento, foi tudo despachado.
Solidariedade
Para com o povo norte-americano. Espera-se que a América se mantenha “Land of the free”.
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A sério?

21 Abril, 2013

Pilar implacável com “censura” – Se Pilar fosse implacável com “censura” teria de ser implacável com José Saramago. Os casais literários são uma canseira e uma estranha forma de vida.

De facto não somos todos gregos

21 Abril, 2013

Tiroteados en Grecia una veintena de trabajadores extranjeros
La otra tragedia griega

2 notícias

20 Abril, 2013

Deputados do PS admitem perdão de dívida e reestruturação com perdas para os credores

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Schäuble: Resgate ao Chipre deve ser modelo para o futuro
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É bom ver os os deputados do PS de acordo com o ministro das finanças alemão. Ambos concordam que devem existir perdas para os credores, pena os deputados do PS serem lentos a perceber quem são os credores.

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”

20 Abril, 2013

despesa_uk

Evolução do peso da despesa pública na economia nos primeiros anos de Margaret Thatcher.

You turn if you want to

20 Abril, 2013

Quando se pede para Passos Coelho afastar Vitor Gaspar e mudar de política económica, na prática o que se está a pedir é o célebre “U turn”. Depois de ter pago um elevado preço político por uma política de austeridade absolutamente necessária, pede-se agora que o governo obtenha um pequeno ganho de popularidade tornando-se despesista. Seria muito estúpido.

O ano em que Thatcher subiu os impostos

20 Abril, 2013

Foi em 1981, e a história é contada aqui. Porque o fez? Porque achou que combater a inflação era mais importante que sair da recessão. Fê-lo contra metade do seu governo, contra 75% da opinião pública e contra 364 economistas.

de sarjeta

19 Abril, 2013
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Este título do Público, sobre os dois assassinos de Boston: “Os irmãos Tsarnaev: um pugilista sem amigos americanos e um jovem “com coração de ouro””. Dito de outro modo: um inadaptado, que não tinha um único amigo americano, e um jovem encantador desviado pela revolta do irmão mais velho. É pena que o pasquim não tenha dedicado igual ternura às vítimas mortais dos dois incompreendidos irmãos, entre elas duas crianças. O fardo do homem ocidental é uma desgraça. Jornalismo de sarjeta!

Balas e cravos, com a “troika” a ver…*

19 Abril, 2013
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Aproxima-se o 39º aniversário do 25 de Abril. Na próxima semana, mais uma vez, relembrar-se-á a “revolução dos cravos” e a mudança de regime que ocorreu há quase 40 anos. Na prática, quatro décadas de democracia – quase tanto tempo como o da vigência do Estado Novo e de ausência de liberdade. Bem vistas as coisas, quase quatro décadas de democracia, convivendo, de tempos a tempos, com a intervenção do FMI nas nossas finanças públicas. Agora e de vez, com uma intervenção na nossa ideia (romântica e utópica) de soberania. Se dúvidas ainda restassem, foi esclarecedor o que se passou esta semana. A “troika” não se inibiu de, alto e em bom som, declarar que queria que se mantivesse, entre nós, um clima de entendimento político, de consensualidade entre o governo e a oposição. O governo, de imediato, convidou o PS para uma reunião e este, uma semana depois de ter apresentado uma moção de censura (ao governo), de forma não definitivamente segura, lá acabou por se reunir….ainda que dizendo, a posteriori, que a dita reunião não mudou nada.

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Demos graças

19 Abril, 2013

por na Casa Branca estar Obama. Caso a esquerda europeia  não tivesse entrado em delírio com o actual presidente dos EUA estaríamos agora mergulhados na problemática do ódio e em teorias da conspiração várias.