Peso da agricultura numa economia moderna
Agricultura: 1.2%
Indústria: 22.1%
Serviços: 76.7%
Bem-vindos ao mundo moderno
Os portugueses ficaram surpreendidos quando descobriram que numa economia moderna o valor acrescentado da distribuição é muitas vezes superior ao da produção. Mas é fácil perceber porquê: produzir uma alface é mais fácil do que colocar uma alface onde eu a quero comprar, com o aspecto que eu quero, no dia e na hora a que eu quero e a um preço que eu esteja disposto a pagar.
A República fiscal
Mas porque se insiste em tentar que estas criaturas fiquem detidas por causa disto ou disto? Por favor peçam-lhes a declaração do IRS: Mentir no IRS vai passar a dar prisão
Esquerda unida jamais será vencida
A luta de classes está ao rubro, mas os defensores do proletariado produtor estão unidos contra a classe exploradora de distribuidores:
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BE quer acabar com ‘a ditadura da grande distribuição’
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Pingo Doce: Ministra da Agricultura admite necessidade de legislar contratos com produtores
Uma lóbista no governo II
Manuel Castelo-Branco tenta justificar o trabalho de lóbi de Assunção Cristas alegando que ao longo de 20 anos os produtores não foram capazes de se modernizar. Chegaram aqui sem capacidade negocial, sem capacidade de impor marcas, sem capacidade de criar canais de distriibuição alternativos, sem capacidade de diferenciar produtos, criar marcar ou de conseguir escala. Enquanto isso, os distriibuidores souberam ganhar escala, modernizaram as operações e os métodos de gestão, internacionalizaram-se e criaram marcas próprias. Por tudo isto, o Manuel Castelo-Branco acha que o governo deve intervir para beneficiar os produtores (que não se modernizaram e não inovaram) e penalizar os distribuidores (que souberam inovar). O governo tem que intervir porque o resultado do jogo de mercado penalizou quem não se adaptou à realidade.
deng xiao ping não vai aos saldos do pingo doce
Tenho grande admiração histórica pelas reformas económicas e sociais promovidas por Deng Xiao Ping, apesar de Tiananmen. Se hoje a China e os chineses (e, em parte, todos nós, no Ocidente, graças a eles) vivem melhor do que no paraíso comunista de Mao e no feudalismo ainda recente do Império do Meio devem-no à clarividência e à coragem de um homem que, apesar de vítima da Revolução Cultural, não se imaginava que pudesse encaminhar a China no sentido da iniciativa e da responsabilidade individual, da liberdade de comércio, da propriedade privada e do lucro, no fim de contas, dos valores estruturantes do capitalismo e da nossa civilização ocidental. Mas, a verdade é que, contra todas as expectativas, Deng Xiao Ping o fez. Apesar de Tiananmen, repita-se.
Pois, sendo eu um admirador da obra de Deng (sobre quem conto escrever mais desenvolvidamente por um destes dias), sempre que faço o elogio do capitalismo (selvagem, naturalmente) nunca me atiram com o «carrasco de Tiananmen» às faces. Em contrapartida, o General Augusto Pinochet não falha uma. Agora, até nesta ridícula polémica sobre as promoções do Pingo Doce e de Soares dos Santos (sim, o homem gozou com as vacas sagradas do regime, e depois?…), o Generalíssimo marcou presença, entrando, desta vez, não pelos canais habituais da extrema-esquerda, mas da direita civilizada-e-não-liberal-radical-e-moderadíssima. Ele há dias felizes!
Uma lóbista no governo
Assunção Cristas prossegue o seu trabalho de lóbi junto do governo, defendendo o interesse dos produtores agrícolas contra o resto da população. Todas as intervenções sobre a grande distribuição apontam no mesmo sentido. Assunção Cristas quer interferir nos contratos livremente estabelicdos no mercado para favorecer os produtores portugueses perante os distribuidores. Para isso ameaça com novas taxas e nova legislação. A intenção pode nem ser aplicar as taxas e a legislação mas forçar cedências da parte dos distribuidores. Pouco adianta ao resto do governo andar a falar em libertar a economia do peso do Estado e da burocracia. Tempo perdido. Ninguém acredita. Note-se que Assunção Cristas controla várias questões cruciais para a reforma da eonomia portuguesa: agricultura, pescas, rendas de casa e uma série empresas e institutos inúteis. Em todos eles Cristas é uma força conservadora que impede ou retarda as reformas necessárias.
«En contra de todos los sondeos, el politólogo de la universidad París II predice una victoria ajustada del presidente francés por el 50,2% frente a un 49,8% de Hollande» (*) (via Pedro Adão e Silva no twitter)
Então vamos lá trocar umas ideias sobre crescimento
Lendo os jornais e vendo as televisões, fica-se sem dúvidas: em Portugal, e na Europa, há dois tipos de políticos. Uns são pela austeridade. Os outros são pelo “crescimento e pelo emprego”. Não é dito, mas está subentendido, que os primeiros devem ser ou sádicos (gostam de fazer mal às pessoas) ou masoquistas (gostam de perder eleições). Os outros, naturalmente, não só são intrinsecamente bons, como visionários. Esta dicotomia devia ser demasiado ridícula para ser levada a sério, mas a verdade é que é. Chega-se até ao ponto de justificar esta estranha situação por Angela Merkel (a alma danada por detrás de tudo o que de mal nos acontece) ter nascido na Alemanha “do Leste” e, pecado ainda maior, ser “protestante”. Não têm de resto faltado comentadores e outras figures ilustres a desfilar pelas televisões para nos ungirem com tão douta explicação.
Nada disto faz sentido – mais exactamente, nada disto faz sentido a não ser como propaganda muito primária. Nenhum político com um mínimo de sentido de sobrevivência prefere a austeridade ao crescimento. O que existe, isso sim, são diferentes visões sobre como estimular o crescimento da economia. E era por aí que as discussões deviam começar.
Vão para o raio que os parta
Não os posso ouvir falar do povo. Do povo que eles dizem ignorante, boçal e pouco culto. Vão para o raio que os parta. Levaram o século XX a sonhar com aquilo que o povo devia fazer. Se fosse culto, se fosse educado, se fosse qualquer coisa que passava inevitavelmente por ser o que eles queriam. Eles mandaram o povo ser monárquico e depois republicano. Depois começaram a lutar entre si e escavacaram ainda mais a vida do povo. Levaram anos e anos em golpes e contra golpes que acabavam inevitavelmente com eles a abraçarem-se uns aos aos outros e a gritar Viva a República. O país empobrecia e o povo emigrava e eles achavam que o povo devia ficar a labutar nas suas courelas para ajudar o país. Das Europas e das Américas o povo mandava remessas que equilibravam as contas do país mas eles tinham vergonha desse povo emigrante que eles diziam e dizem não percebe nada de política e cometeu o pecado capital de querer viver melhor pelos seus meios e não graças à aplicação do decálogo do momento das élites do seu país. O povo ia rezar a Fátima e eles tremiam de horror porque o povo não devia rezar. Ou não devia rezar ali mas sim ficar a reflectir nos seus centros católicos sobre a superioridade moral das encíclicas papais. Eles mandaram os filhos do povo para a Flandres e para África e depois disseram-lhes que tudo tinha sido um engano. O povo pegou nas coisas e apenas deixou por essas terras os cadáveres dos filhos do povo que por lá tinham morrido. Quando chegaram encontraram no poder a maior parte daqueles que anos e meses antes lhes falavam de dever e da pátria. A única diferença entre o momento da partida e o da chegada é que os militares tinham sido promovidos. O povo quis televisão e praia e eles ficaram horrorizados com a falta de tipicismo das aldeias e quiseram banir o turismo de massas. O povo trocou as feiras pelos supermercados e eles que antes não suportavam as romarias populares passaram a defender os tempos em que o povo trocava galinhas por tecidos na feira da vila. O povo sentou-se à mesa dos restaurantes e eles quiseram proibir as cadeias de comida barata enquanto enfastiados se abasteciam nas lojas gourmet. O povo não larga o carro e eles sentados nos seus topos de gama e nas suas bicicletas que custam uma fortuna desataram a diabolizar o automóvel e anunciaram o fim do mundo como resultado das alterações climáticas. Eles quiseram que fossemos um estado corporativo e o povo viveu com os grémios. Depois os grémios passaram a cooperativas e o povo continuou a suportar-lhe os regulamentos. Eles disseram que o país estava orgulhosamente só e depois, às vezes os mesmos, garantiram-lhe que estava orgulhosamente acompanhado e que o povo se devia orgulhar por isso. E o povo orgulhou-se. Do Estado Novo ao socialismo à portuguesa do PREC eles disseram ao povo que Portugal era uma excepção e o povo suportou os custos dessa excepcionalidade. Eles disseram que lhes deram casas – quem as terá pago? – através duma fundação chamada Salazar em bairros que depois passaram a ser 25 de Abril e o povo continuou a bater palmas aos senhores que diziam que lhes davam casas. E eles contentes diziam que ainda iam dar mais. Volta e meia dizem ao povo que o país está em crise. Nunca por culpa deles mas sim por culpa do mundo e sobretudo por culpa do povo. Que trabalha pouco, gasta muito, é pouco culto e não tem formação. E o povo a quem apresentaram como uma conquista sua a legislação laboral, a quem disseram que poupar era coisa do passado e que paga e frequenta obrigatoriamente uma escola que o deveria fazer mais culto cerra os dentes e dispõe-se a trabalhar mais, ganhar menos, pagar mais impostos e fazer mais um sacrifício em nome do país. E todos os dias mas todos sem excepção lá estão eles a dizer mal do povo. Porque o povo não faz a revolução. Porque o povo ri. Porque o povo é alienado. Porque o povo quer comprar mais e pagar menos. Porque o povo… Não acredito na bondade natural do povo mas tenho a certeza que a nossa vida teria sido bem pior caso o povo tivesse cumprido os sonhos das suas élites.
“One Shot”: Saldos e bolas fora…*
O “Pingo Doce” resolveu assinalar o feriado do 1º de Maio com uma acção de “marketing”, dita “one – shot”. Uma mega promoção de um dia só que provocou uma mega correria às lojas daquele supermercado do Grupo Jerónimo Martins. Vou deixar de lado as questões técnico-jurídicas que, eventualmente, possam envolver-se naquela acção. (…) Concentremo-nos em algumas notas de observação de carácter político:
* Grande Porto, 04.05.12.
não tem limites
A insolência aristocrática da esquerda, a fazer lembrar a célebre tirada da malograda Maria Antonieta quando mandou a populaça, neste caso os “zombies”, comer brioches para matar a fome. Leia-se, a propósito, este excelente post do Rui Botelho Rodrigues.
Vale a pena
Hoje, ao fim da tarde, moderei com a Graça Franco um debate na Universidade Católica com o ministro Vitor Gaspar. Organizado pelo Instituto de Estudos Políticos e pela Renascença, teve como comentadores o André Azevedo Alves e o João Pereira Coutinho. E um auditório cheio. Sou parte interessada, mas quem quiser ouvir o debate, que foi muito interessante, pode fazê-lo através do site de Renascença, aqui.
das boas intenções…
“Afinal estamos ou não estamos perante um governo neo-comunista”, pergunta um leitor mais atiçado, em comentário ao meu post anterior. Na verdade, se considerarmos que o fim derradeiro do paraíso comunista é a extinção da propriedade privada, qualquer governo que retire dos bolsos dos seus cidadãos metade, ou mais de metade, dos seus rendimentos de trabalho (e isto considerando somente os tributos directos sobre o trabalho…), merece, no mínimo, o epíteto de neo-comunista utilizado pelo nosso leitor. Um governo assim está, sem dúvida, a meio caminho da terra prometida por Marx, e isto independentemente das boas intenções, mais ou menos liberais, mais ou menos socialistas, com que fundamenta a roubalheira. De resto, cheio de boas intenções está, como bem sabemos, este inferno em que vivemos há muitos anos.
imprudências
O ministro Vitor Gastar esclareceu hoje a pátria que anunciar descidas de impostos para 2015 ou 2016 (daqui por três ou quatro anos) seria uma “imprudência que não seria compreendida pelos portugueses e pelos parceiros internacionais”. Por mim, enquanto português, imprudente é continuar a asfixiar a economia por causa da bandalheira das contas públicas, sendo certo que estas só poderão sobreviver à conta da primeira. O ministro Gaspar repete, assim, o que antes dele disseram os seus antecessores, com os resultados que estão à vista de todos. Donde não é difícil concluir que, por este caminho de servidão, não estaremos em 2016 muito diferentes do que estamos, agora, em 2012.
sobre a concorrência
Todas as leis que protegem a concorrência são sempre leis que protegem, apenas e só, alguns concorrentes.
Proposta Legislativa:
Artigo Único: procede-se à extinção do Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares (OMAIAA) mediante a revoção integral da Lei nº11/97 de 21/05
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Motivos: Analfabetismo económico, alarme social infundado, difusão de informação errada, nulidade do objecto social; funções do Estado não comportam a existência de departamentos governamentais de «observação»; desperdicio de fundos públicos dos contribuintes;
Escândalo do dia
Na república socialista há um escândalo por dia. O de hoje é sobre a repartição de margens nos produtos alimentares. Existe um tal Observatório dos Mercados Agrícolas que anda entretido em contabilizar as margens que cada elemento da cadeia de fornecimento tem. E parece que as margens dos hipermercados chegam aos 80% em produtos como a alface e aos 60% nas maçãs. E exige-se que as margens sejam iguais entre produtores e distribuidores, como se existisse algum direito universal à igualdade de margens numa economia de mercado. Estão aqui estão a fixar margens por decreto. Recomenda-se aos membros do observatório (constituído por políticos, produtores e sindicalistas) que saiam mais e leiam mais, ou então que abram uma frutaria, já que as margens são tão boas.
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PS- Não é por acaso que nestas notícias são referidos sobretudo produtos perecíveis. É que estes têm custos de transporte, conservação e controlo de qualidade superiores e uma taxa de perdas elevada ao longo do processamento até chegarem à caixa do supermercado. As margens citadas pelo observatório não dizem nada sobre o lucro real do hipermercado que é obviamente muito menor que aquele que é citado.
Os meus descontos e os dos outros
Pedro Santos Guerreiro responde num comentário no Insurgente ao que escrevi ontem sobre o seu editorial. Alega que o desconto de 100% no Jornal de Negócios é um caso especial porque a edição é paga pelo anunciante.
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Mas, claro, todos os negócios são especiais à sua maneira, e espera-se que o director de um jornal económico perceba isso. O Pedro Santos Guerreiro vende jornais a zero e diz que eles são pagos com publicidade. Já o Pingo Doce vende alegadamente com prejuízo, mas aí já não interessa contabilizar o valor publicitário da promoção. Ora, se o valor publicitário for contabilizado nos 2 casos deixa de haver qualquer diferença relevante entre eles.
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No fundo o Pedro Santos Guerreiro avalia o seu negócio por uns critérios e o negócio dos outros por outros. Como se o negócio da distribuição não fosse mais complexo do que o simples comprar a X e vender a X+y. Há vários factores adicionais que têm que ser levados em conta na acção do Pingo Doce, incluindo escala das vendas nesse dia, valor publicitário, redução de stocks, aproveitamento da infraestrutura, redução de perdas em produtos em fim de vida, obtenção de cash e redução de custos de tesouraria. O que se esperaria de um director de um jornal económico era que fizesse, precisamente, uma análise económica destes factores em vez de cair na banalidade “vendeu abaixo do custo é anticoncorrencial”.
Lembram-se quando o fado era fascista e o futebol um espectáculo alienante? Pois mas isso foi há muito tempo. Mais precisamente aconteceu quando eram jovens aquele que agora rasgam as vestes perante a desfaçatez do povo que foi a correr para o Pingo Doce. Esta oligarquia que em Portugal define o que é bom e o que é mau nunca reflecte sobre a intolerância que os caracteriza. Perante o despropósito do passado sorriem com ternura e saudades de si mesmos e tal como há vinte ou trinta anos continuam a lançar os seus anátemas sobre a alienação do povinho. Mas como o tempo nunca pára e eles nunca mudam – apenas envelhecem – daqui a vinte anos evocarão com saudade e nostalgia as promoções do 1º de Maio do Pingo Doce, exigirão aos gestores dessa empresa que retomem aquelas promoções que fazem parte da tradição do Dia do Trabalhador e mostrar-se-ão muito chocados por o povinho preferir outra coisa quaquer. Não sei se será possivel dentro de 20 anos encontrar este post mas se alguém o ler em 2030 verão que eu tinha razão.
Evento para ganhar dinheiro
A promoção do Pingo Doce está ser vista como uma acção promocional que deu prejuízo mas que tinha como principal objectivo obter lucros futuros. Mas tendo em conta a dimensão do evento (volume de vendas 5 vezes superior ao normal) é plausível que o objectivo tenha sido ganhar dinheiro com o evento. Como se ganha dinheiro com um desconto de 50%? Coordenando a promoção com os fornecedores. O aumento brutal do volume permite a todos, retalhista e fornecedores, reduzir as margens e ainda assim ganhar mais dinheiro que o habitual.
Cenas da imprensa económica
Quinta Feira, 26 de Abril de 2012: Jornal de Negócios é distribuído gratuitamente (desconto de 100%)
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Quarta-Feira, 2 de Maio de 2012: Director do Jornal de Negócios está indignado com desconto de 50% do Pingo Doce
Porquê?
Uma afronta aos nossos valores
Uma cedência ao consumismo
Um aviltamento de um dos dias mais importantes na vida de milhões de portugueses
Uma tentativa de desviar as pessoas dos caminhos da autenticidade para os atalhos do capital
Se o Insurgente é, nós também
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Partindo do pressuposto que a informação é fidedigna (pois, salvo erro, Pedro Sales é assessor parlamentar do BE), teremos então uma novidade assombrosa: a Assembleia da República tem um filtro para acesso à internet.
E em consequência, ficam as dúvidas legítimas: quem controla tal filtro? Quem decide o que é impedido de ser consultado? Quem classifica os sites? Que outras categorias (para além de «ódio») existem e que sites constam? A restrição de acesso é geral (para todos quantos acedem por intermédio dos servidores do parlamento) ou trata-se apenas de uma restrição/classificação realizada no interior do grupo parlamentar do BE? Os deputados sabem que existe tais restrições? Os deputados conformam-se por terem alguém que decide o que eles podem ou não aceder? Os deputados aceitam a classificação dos sites que se encontram proibidos de consultar? Os deputados são livres?
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Quanto ao impedimento/classificação (aparentemente temporário, o que não retira as questões acima), pessoalmente, fico ciumento. Sendo o Insurgente e o Blasfémias dois blogs que tem como essência a defesa da liberdade, já há longos anos, em liberal concorrência, camaradagem e tantas vezes recíproca complementariedade e saudáveis divergências, não sei o que me é mais desagradável: a censura ou o desprezo.
Cegueira ideológica – II
A da ministra Cristas: «Supermercados: Ministra tem planos para evitar promoções inesperadas»
Cegueira ideológica
Há muitos anos que o 1º de Maio é uma celebração corporativa afecta ao PCP e a que o PS quando está na oposição dá importância. É um direito que lhes assiste mas que se pudessem transformavam num dever para todos. Todos os anos é a mesma ladaínha: foi pouca gente porque fazia chuva. Foi pouca gente porque fazia sol. Os jornais, rádiso e televisões enchem-se com os discursos dos dirigentes sindicais e de umas pessoas com ar de reformadas e pronto cumpre-se o ritual com os desfiles cada vez mais rarefeitos e as bandeiras a tapar as clareiras. Ao contrário da Igreja que averigua, estuda e não esconde que está a perder fiéis, a perda de influência dos sindicatos é um tabu: não se pode dizer que não representam quase ninguém e que o 1º de Maio é apenas um dia em que não se trabalha.
Com a crise enfiou-se na cabeça destas almas que as massas desfilariam atrás das suas bandeiras. Há meses que aparecem uns profetas do apocalipse anunciando barricadas, tumultos e montras partidas. E claro um 1º de Maio de luta. Pois aí tiveram a luta por que andavam a reclamar: as massas acorreram ao Pingo Doce. Não para o escavacar mas sim para aproveitar uma promoção que só pode ser menosprezada por aqueles que têm emprego garantido para toda a vida ou grandes contas bancárias.
Os sindicalistas com promoções automáticas na função pública e os jornalistas que pagam o triplo do preço pelos produtos nas lojas ditas tradicionais estão para o mundo do trabalho como as senhoras da Obra das Mães estavam para as famílias numerosas: defendem um modelo de sociedade que só existe na cabeça deles. As senhoras da Obra das Mães após as incursões pelos bairros operários a exaltar a virtuda das famílias numerosas regressavam às suas casas onde as esperavam as suas pequenas famílias que isso de ter muitos filhos não se lhes aplicava. Já esta espécie de frente de esquerda que hoje se escandaliza por as massas terem acorrido a fazer compras ao Pingo Doce estaria exultante se uma montra tivesse sido partida numa manifestação dita contra a crise. Um extremistas de direita e de esquerda que atiraram pedras uns aos outros foram tratados com mais respeito pela comunicação social do que as pessoas que encheram carrinhos com as compras a metade do preço. Para a nossa comunicação social atirar pedras é ideologicamente coerente. Comprar o mais barato possível é coisa de bimbos.
Enfim, por cegueira ideológica os jornalistas-filhos de Boaventura Sousa Santos ficam desconcertados com a realidade e os sindicatos estão a perder influência. Defender os trabalhadores e os mais pobres passava por ontem ter defendido esta iniciativa do Pingo Doce e ter perguntado porque não fazem os outros supermercado o mesmo. Eo resto é conversa.
1º de Maio subversivo (II)
Tal como a cultura é – ou pode ser – um excelente negócio, também a política pode propiciar excelentes campanhas de marketing, das quais decorrem, naturalmente, proveitosos negócios.
Alexandre Soares dos Santos (esse malvado que mudou a sede da holding para o “paraíso fiscal” holandês, lembram-se?…) e a sua cadeia Pingo Doce fizeram um apelo ao trabalho no dia do trabalhador. Os sindicatos não gostaram e apelaram ao boicote por parte dos consumidores. Estes – que serão maioritariamente trabalhadores – mandaram-nos às malvas, marimbaram-se para as “manifs” (o “fascista” do S. Pedro também mostrou mais uma vez que está feito com o grande capital…) e plantaram-se às entradas dos supermercados Pingo Doce em longas filas, suportando estoicamente a intempérie para beneficiar de descontos nunca vistos. Numa vergonhosa traição à classe, numa cedência inadmissível à alienação consumista e ajudando o infame capitalismo a mostrar que é possível a confluência de interesses entre classes ditas antagónicas.
Não sei se estaremos perante a verdadeira concertação social, mas isto é de facto hilariante.
Crescimento III
Não havia necessidade….
… de fustigar as empresas e os cidadãos com tantos sacrifícios.
Hoje no Correio da Manhã.
1º de Maio subversivo
PALHAÇADAS
Por muito que a gente veja, ainda há momentos em ficamos surpreendidos.
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Um dirigente de um clube não paga salários há meses aos seus jogadores. Um caso de polícia, pois não pagar salário devido é objectivamente roubo. Os jogadores, como é de bom tom, fartaram-se de ser explorados e foram-se embora, com justa causa. O dito dirigente, em vez de andar envergonhado, ou tentar mostrar que tudo tem tentado para cumprir as mais básicas obrigações, ainda insulta e ameaça os seus ex-trabalhadores: «Esses jogadores são desertores. Os tribunais vão funcionar. Tudo o que fizeram é ilegal, ninguém podia faltar ao jogo de hoje». E numa espantosa inversão de papéis – tal é o seu estado alienado e de pertubação mental – ainda os ameaça: «há dois casos em que vão existir arrestos de bens com providências cautelares» (*)
Obviamente, tal pertubação discursiva, ou falta de vergonha chapada, não é caso isolado e apenas se poderá tentar entender num clima social/empresarial de impunidade e inversão de valores, a coberto da protecção da entidade que supervisiona aquela actividade económica. Esta, ao invés de pugnar pelo cumprimento das mais elementares regras de funcionamento, de sã concorrência e mesmo de imagem e prestigio da actividade que organiza, parece comprazer-se em acrescentar ao mau, o péssimo, pois que o seu presidente, podendo ter ido ao estádio exigir que se cumpra a lei e os regulamentos e colocar um pouco de ordem na imagem da actividade que dirige, antes optou por criticar os ex-trabalhadores que não recebem há meses dizendo «Alguém vai ter de me explicar o que ganharam os jogadores da União de Leiria pelo facto de terem faltado ao jogo» (*). Já que não percebe, melhor será fazerem-lhe um desenho….
A acrescentar a tudo isto, esse já celebre Bartolomeu diz que andava com malas cheias de dinheiro e acusa um seu funcionário de o ter roubado. Este prontamente retorquiu dizendo que o dito Bartolomeu está a mentir. E hoje ficamos a saber que esse mesmo jogador «renovou» contrato com a União de Leiria! Do melhor!
Uma novela emocionante! Terá entregue a mala? A mala existia? E tinha papéis ou dinheiro? O roubo foi ou não mentira? Afinal não era mentira ou confirma-se a «inverdade»? A não perder os próximos capítulos.
O crescimento II
O crescimento
É uma cena típica do comentário político português: a dada altura o comentador diz que só há solução com “políticas de crescimento” ou se fizermos uma “aposta no crescimento”. É uma sarna universal, que afecta todos, desde a extrema esquerda à extrema direita. Nenhum dos proponentes desta via passa 5 minutos a pensar o que é o crescimento económico, quais as suas causas ou porque é que há mais de 10 anos que o país não cresce decentemente. Muito menos nos consegue explicar como é que uma economia que não cresceu durante mais de 10 anos vai subitamente começar a crescer apenas porque passamos a ter uma política de crescimento. E antes não tínhamos, é?
Impressões
Remodelação
Há pelo menos uma pasta que poderia beneficiar com uma mudança. O problema que se coloca é que quem entrasse agora teria que conseguir aguentar três anos. Ler mais…
campeões
Preferia que o Futebol Clube do Porto não tivesse ganho o campeonato por falta de comparência do adversário nem num dia em que uma equipa jogou com 8 jogadores (sem que a culpa fosse da arbitragem), mas não se pode ter tudo.
Novo dicionário da língua de pau
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Língua de pau |
Tradução |
| Austeridade
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Ter défices superiores a 5% |
| Moderar a austeridade
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Permitir que o défice seja de 8% |
| Política de crescimento | Contrair dívida para despesa corrente ou projectos inúteis
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| Política imposta por Merkel | Merkel não salva países irresponsáveis sem contrapartidas
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| Rendas excessivas | Custo dos maus investimentos do Estado em projectos inviáveis
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| Política monetária orientada para o emprego | Meter a impressora do BCE a funcionar
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| Fazer chegar o crédito às empresas | Manter a economia da dívida a funcionar
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| Falta de sensibilidade social | Tendência para não desbaratar dinheiro público
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| Motivos ideológicos | Motivos não socialistas
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Hollande e a reforma aos 60 anos
Porque é que Merkel quer orçamentos equilibrados?
Não há donos do regime nem pais da pátria*
O que significa interrogarmo-nos sobre se é necessário um novo 25 de Abril? Significa o mesmo que perguntarmos se é preciso um novo Salazar. Por trás de ambas as interrogações está a mesma pulsão antidemocrática, a mesma recusa dos naturais defeitos dos regimes democráticos e o mesmo desejo de impor uma determinada via política sem respeitar as escolhas dos portugueses.
Já sei que muitos vão ficar indignados com a comparação, mas ela tem, do ponto de vista do respeito pelos princípios da democracia, toda a pertinência. Por uma razão simples: ou consideramos que o 25 de Abril foi uma revolução democrática, que devolveu a voz ao povo português, ou consideramos que ele foi mais do isso, que foi também um projecto político com um programa específico, independente da vontade desse mesmo povo português. Aparentemente é isso que pensam os que, por estes dias, proclamaram que “o poder político que actualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores”. Mas que ideais? E que valores? Os do Estado de direito democrático? Não, não é essa a acusação. A acusação não tem a ver com atentados à liberdade ou abusos de poder que façam perigar as regras da democracia. A acusação refere-se antes a políticas concretas – às políticas com que não concordam aqueles que se têm por donos do “espírito do 25 de Abril”.




