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C’orror

22 Dezembro, 2011

Portugal é um país de corrores e de coisas corrorosas. Uma coisa corrorosa é algo que sabemos verdadeiro mas não podemos dizer publicamente pq aí passamos à categoria de corrorosos o que implica que durante dias se diz que afirmámos uma coisa corrorosa. Quando a coisa corrorosa não pode mais ser iludida passa a verdade absoluta e então os mais prosélitos da nova verdade são aqueles que até esse dia gritavam corror  com mais entusiasmo. O arrendamento é um exemplo típico desta forma de não fazer nada por medo do corror. Desde meados do século passado que se tornou evidente que  a legislação sobre o arrendamento era uma catástrofe. Mas sempre que alguém abria a boca e propunha a liberalização do mercado de arrendamento começava o coro do corror. Não podia ser porque os inquilinos não podiam pagar as rendas, não podia ser porque se tinha de fazer primeiro habitação social, não podia ser porque se tinham de inventar cooperativas de habitação, não podia ser porque nunca tinha sido, não podia ser porque era uma mudança muito radical, não podia ser porque primeiro se tinha de promover uma rede de empresas municipas vocacionadas para o problema da habitação… Entretanto os portugueses amarravam-se a hipotecas para pagar casas. Num país minúsculo ficámos com a mobilidade de um acamado. Mas dizê-lo era corroroso e só uma pessoa deveras corrorosa podia dizer uma coisa dessas. Agora depois de décadas perdidas a lei vai mudar. Podia e devia ter mudado há mais de 50 anos. O Estado Novo não o fez – um desgraçado de um deputado que nos anos 70, na AN defendeu uma ligeira liberalização do mercado de arrendamento teve de explicar e justificar tal o escândalo que causou – e a democracia também não. Vamos mudar agora perante a evidência do desastre e por pressão estrangeira. O coro do corror mudou-se para outros assuntos que esses sim agora são corrorosos. Daqui a décadas outra troika imporá que se mude.

Governo aumenta deficite….

21 Dezembro, 2011

…priveligiando um grupo profissional ao colocar os contribuintes a pagar-lhes parte dos custos.

«Pesados terão descontos nas antigas SCUT»

Desregulação radical, pois claro

21 Dezembro, 2011
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Um grupo de 16 economistas de outros tantos países da União Europeia, um deles o português André Azevedo Alves, da Universidade de Aveiro e da Universidade Católica Portuguesa, escreveram um curto manifesto que foi publicado como carta aberta no The Telegraph: Without radical deregulation, EU markets will never thrive. Por ser radicalmente contra o politicamente correcto nacional, não vi ainda uma linha escrita num órgão de informação português. Se fosse a enésima banalidade-igual-à-anterior de algum dos bonzos do regime, com o dr. Soares à cabeça, já teria sido citada à exaustão…

A mesma conversa estafada de sempre e ninguém lhes pede para, ao menos, terem um bocado de vergonha

21 Dezembro, 2011
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Vai fazer agora três anos que, na sua mensagem de Natal de 2008 (já depois de se conhecer a crise internacional), José Sócrates veio garantir que o Governo estaria cá para reforçar o investimento, apoiar a economia e o emprego e aumentar a protecção social. Durante o ano de 2009 cumpriu essa promessa (era ano de eleições) e o défice saltou a barreira dos 10 por cento. O “reforço do investimento” e os “apoios à economia e ao emprego” tiveram os resultados conhecidos. Mesmo assim há alminhas que  não sabem falar de outra coisa senão de “medidas para incentivar o crescimento e o emprego”. E o pior é que a generalidade dos jornalistas e dos comentadores acha que esse é realmente o problema. Ninguém será capaz de lhes dizer que “brincar com os portugueses” é insistir nas mesmas receitas fracassadas do passado?

E depois da Troika? Mais socialismo, claro

21 Dezembro, 2011

A justificação para as medidas que estão a ser tomadas é a sua inclusão no acordo formado com a troika. A contestação a essas medidas por parte do PS passa por denuncar que essas medidas não fazem parte do acordo da troika. O que pressupõe que por nossa vontade e capacidade de análise nunca tomariamos medida alguma. E sobretudo anuncia que uma vez terminado o acordo voltamos à vidinha do costume, com muitos programas de apoio para isto e para aquilo, com muitos funcionários e muitas agências, institutos e fundações…. Como o governo se limita a anunciar que toma as medidas pq estão previstas no acordo com a troika o  modelo socialista continua como o paradigma da bondade e do bom governo, tendo sido foi apenas interrompido para que uns contabilistas ponham as contas em ordem. Quando tal acontecer os contabilistas serão corridos sobretudo pelos seus que fartinhos de não poderem competir com o discurso socialista do dar tentarão ser anda mais socialistas do que os socialistas. O que objectivamente nos traz outra troika para daqui a uns anos.

Ou o espaço não socialista se assume ideologicamente ou nunca terá legitimidade política, limitando-se a gerir crises como faz Passos Coelho e só o faz pq tem atrás de si a troika, ou voltam a funcionar como uma máquina de trucidar líderes, andando à procura do seu D. Sebastião em novas versões de Sá Carneiro ou Cavaco Silva. O socialismo continua o discurso natural do poder em Portugal (e não só). A única coisa que quebra esse estado de graça são os cofres absolutamente vazios (mas mesmo absolutamente pq se existir lá uma moeda as promessas do dar e do dividir funcionam) e gravíssimos escândalos pessoais. Ora tudo isto é transitório. Logo daqui a um tempo eles aí estarão prometendo almofadas, folgas… enfim uma sociedade acolchoada. E não haverá um discurso sustentado para desmontar tanta promessa e sobretudo legitimar que não se queira viver assim. Enfim resta-nos a demografia para explicar que o socialismo é inviável.

Truques p’rá Troika

21 Dezembro, 2011

“O aumento anunciado das taxas moderadoras nas urgências hospitalares é uma medida injusta, incoerente e inútil. O governo parece preferir beneficiar empresários ricos em detrimento dos pobres dos doentes.”
Ontem, no Correio da Manhã.

Da emigração II

20 Dezembro, 2011

A figura mostra a percentagem de residentes em cada estado americano  que nasceu nesse estado. É curioso que muitos dos que pedem mais integração da economia europeia olhem para o Primeiro Ministro português como alguém que tem que suprir todas as necessidades de emprego dos nascidos em Portugal.

Estranha-se –> entranha-se

20 Dezembro, 2011

1º dia: Alguém diz uma coisa óbvia mas desconfortável

2º dia: onda de indignação

3º dia:  ele até tem uma certa razão

4º dia:  jornais publicam dicas para emigrar

 

Isto é normal num país em que as pessoas não sabem raciocinar com frieza.

Da emigração

20 Dezembro, 2011

Se o mundo não entra em Portugal, Portugal tem que sair para o mundo.

Durante anos as mais diversas corporações procuraram manter o país isolado de qualquer tipo de concorrência. Os médicos foram contra novas escolas de medicina, contra a medicina privada (com excepção da que eles controlam), contra os médicos estrangeiros. Os farmacêuticos foram contra a abertura de novas farmácias, contra a concentração de farmácias no mesmo dono e até contra a propriedade de farmácias por não farmacêuticos. Os grupos económicos foram contra a venda de centros de decisão ao estrangeiro (excepto aqueles que eles próprios venderam a bom preço) e a comunicação social foi contra a concentração de órgãos de comunicação e contra a aertura de novas cadeias de televisão.  Toda esta gente está agora num beco sem saída. De uma forma ou de outra, ou saem da respectiva zona de conforto ou tornam-se irrelevantes. Ou emigram, ou vendem as empresas ao estrangeiro, ou vendem serviços ao estrangeiro ou vendem produtos ao estrangeiro ou estabelecem redes com parceiros estrangeiros.

Atendendo ao historial de avisos do dr. Vítor Constâncio podemos concluir que o euro vai mesmo colapsar

19 Dezembro, 2011

Colapso da Zona Euro é impensável, diz Vítor Constâncio

Apenas para recordar…

19 Dezembro, 2011
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…o que já pesaram as remessas dos emigrantes na nossa economia:

 

Coitadinha da diáspora

19 Dezembro, 2011

Este país adora ser enganado. Irrita-se quando alguém diz o óbvio. Mesmo agora que vivemos do que nos emprestam continuamos a cultivar a alienação. Passos Coelho, segundo Marcelo Rebelo de Sousa,  Ia borrando a pintura porque disse o óbvio: muitos professores sem lugar para serem professores em Portugal têm possibilidades de trabalho nos países que falam português. Décadas de conversa redonda viciaram-nos no gosto pelo engano. Se passos Coelho tivesse dito Vamos desenvolver de sinergias no espaço da lusofonia com particular destaque nas novas gerações de professores ou  vamos lançar um programa de mobilidade de quadros potencializando as dinâmicas no âmbito do mundo de língua portuguesa  ou mais poeticamente a nossa aposta é na língua que é de facto a nossa pátria. E esse espaço da pátria língua que nos liberta da geografia é um imenso mundo de oportunidades para os jovens professores ninguém se tinha indignado.

Mas para lá desta questão da linguagem temos ainda um outro paradoxo: há séculos que os portugueses emigram para terras onde são o que for preciso. Todos os dias parte agora gente para Angola. Há anos que os governos de Portugal mandam os empresários investir em novos mercados e em novas terras. Durante décadas as remessas dos emigrantes (ou da diáspora termo que sempre dá um mais cultural à emigração) foram fundamentais para que o país vivesse melhor. E de repente causa estranheza a António José Seguro, Mário Nogueira e Marcelo Rebelo de Sousa que um PM diga que os professores que não têm lugar em Portugal podem trabalhar nos países que falam português? Ele há sinergias muito irritantes.

Privatizações

19 Dezembro, 2011
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Palpita-me que o governo se irá meter num rico sarilho com a privatização da EDP. E o mesmo acontecerá com todas as outras que se lhe seguirem. Dificilmente deixará de haver protestos dos concorrentes preteridos e as habituais acusações de favoritismo ou falta de transparência, reacções habituais e inevitáveis quando se está perante uma escolha discricionária.

Tudo isto decorre de uma mentalidade intervencionista que pretende levar a decisão política até à escolha do comprador. Esta lógica intervencionista não é apenas exclusiva do governo. A própria Secção Portuguesa da Transparency International não consegue sair do “paradigma regulamentador” e vem propôr a criação de “organismos de acompanhamento”, “bolsas de avaliadores”, “bases de dados” e outros acréscimos de gastos públicos, que só validam uma lógica perversa e que tem muito pouco de transparente (vd. este documento da TIAC, páginas 14 e 15).

A vertente política deve esgotar-se na decisão de privatizar ou não esta ou aquela empresa. Tomada a decisão de vender, não faz qualquer sentido que o vendedor fixe requisitos qualitativos a quem a comprar, como a natureza do “projecto industrial“, a fixação de períodos de indisponibilidade das acções ou a obrigatoriedade de manter o hub em Lisboa, como se pretende exigir na venda da TAP. O efeito prático disto é a desvalorização dos activos a alienar.

A transparência destes processos obtém-se numa venda em mercado aberto, a realizar em sessão especial de bolsa e em leilão competitivo e com lotes máximos por investidor. Não é nada que não se tenha já feito no passado, incluindo com a própria EDP. Impede a venda de um bloco por inteiro? Claro, mas fica o capital disperso. Não maximiza a receita para o Estado? Talvez, mas a receita para o País não seria muito diferente. Qualquer investidor estrangeiro que pretendesse uma posição de relevo, que a comprasse posteriormente no mercado, lançando uma OPA, se necessário. Os pequenos investidores agradeceriam.

O processo que está a ser seguido gera suspeições de toda a ordem e acaba por se tornar um negócio entre Estados. Diz-se por aí que Ângela Merkel já terá pressionado Passos Coelho, tentando “impingir” a E.ON; a “camarada” Dilma já pressiona às escâncaras, os chineses serão mais discretos mas não estarão certamente quietos.

No final de tudo isto, nada garante que a venda “ao melhor preço” não tenha implícitas contrapartidas da parte do Estado português, ao nível de benefícios fiscais ou outras benesses. E o governo sofrerá um desgaste perfeitamente evitável. Só que estão certamente em causa razões (e interesses!!!) que a razão desconhece…

Triste país este

18 Dezembro, 2011

que não se distingue de quem o governa. A anexação de Goa tem sido motivo para coisas estapafúrdias como este livro que se apresenta como uma  “come­mo­ra­ção das bodas de ouro da sepa­ra­ção entre Goa e Por­tu­gal”, mar­cando os “50 anos de inde­pen­dên­cia de Goa” (sendo óbvio que Goa não se tornou independente) e sobretudo para a salazarologia: O dia em que atiraram ao mar de Goa o retrato de Salazar 

Quantos anos mais levaremos a libertar-nos de Salazar? Todos os dias temos o passado explicado e reduzido a Salazar mais o que Salazar fez e não fez. Até a redução dos feriados remete para Salazar  É um enjoo mas parece-me que não conseguem viver sem o invocar. Mas sobretudo não entendo como se reduz o país e os seus interesses à circunstância transitória de quem o governa. Na I Guerra o problema era República. Em Goa o problema era o Salazar. Em Angola idem…   Triste país este cujos interesses e História acabam capturados pela identidade de quem o governa. Triste país este cujos mortos e heróis nunca são honrados como heróis nacionais mas sim como homens de um regime.   É nestes dias que se experimenta uma imensa inveja dos ingleses e dos americanos.

Conferência sobre Reabilitação Urbana – Competitividade e Dinâmica das Cidades

18 Dezembro, 2011
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Amanhã, pelas 15h, na Assembleia da República será analisada a proposta do Governo de alteração do regime de reabilitação urbana.  Serão oradores, Luís Montenegro, Helena Roseta, Luís Gomes, Mário Lopes, Rui Quelhas, Manuel Reis Campos, António Prôa e eu próprio.

Choques e indignações

18 Dezembro, 2011
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Estes “vidrinhos de cheiro” indignam-se e chocam-se com a realidade. Recusam-se a encará-la ou a aceitá-la, para eles não existem a regressão demográfica nem as restrições orçamentais. Acham que o emprego é um direito a ser garantido pelo Estado, não concebem que isso acabou em definitivo e que hoje o trabalho tem de ser procurado onde exista ou criado pelo próprio. Nem tão pouco interiorizaram que um mundo globalizado requer um nível de mobilidade algo superior à deslocação quotidiana para o concelho vizinho.

Ou então estão conscientes disto tudo, mas a sua linguagem não vai além do “politiquês”, “sindicalês” ou “aparelhês”. Foram toda a vida formatados para garantir, prometer, oferecer, jamais a sugerir esforço ou assumpção de riscos.

Tradição e Regionalização*

18 Dezembro, 2011
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A tradição, em muitas coisas, não tem sido o que era. Este ano – seguramente, em consequência da crise – o espírito natalício que costuma pairar nesta época, também não me parece que seja o habitual….

* Grande Porto, 16.11.12, Opinião.

Quebrar o tabu: tempo de discutir o possível fim do euro

17 Dezembro, 2011
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Quando, na madrugada de 14 de Abril de 1912 o Titanic chocou com um iceberg nas águas geladas do Atlântico Norte isso deveu-se a um conjunto de erros só possíveis devido à arrogância dos que tinham concebido e dirigido o navio “inafundável”. Agora que estamos quase a comemorar o centenário do desastre, não falta quem compare essa trágica viagem ao caminho que a Europa do euro está a percorrer. E até quem suspire de alívios por estar de fora: “O isolamento do Reino Unido – escreveu-se este fim-de-semana no rescaldo da cimeira de Bruxelas – é tão preocupante como o do passageiro que não chegou a tempo de embarcar no Titanic e ficou em terra”…

Menos de uma semana passada sobre o conclave europeu já começa a especular-se se o veto britânico – inevitável conhecendo as saudáveis tradições políticas do país que possui o mais antigo Parlamento democrático do mundo – não será apenas uma nota de rodapé quando recapitularmos o caminho seguido pela Europa para o abismo. O gesto dramático de David Cameron, que tinha chegado a Bruxelas com reais intenções de negociar mas que não poderia sair da cimeira de mãos totalmente vazias, resultou da intransigência da dupla franco-alemã, tão atarefada em construir uma Europa à sua medida que não hesitou em empurrar borda fora o passageiro recalcitrante. O primeiro-ministro britânico teve, felizmente para nós todos, a coragem de fazer aquilo que muitos outros líderes naquela sala gostariam de também ter podido fazer: dizer não.

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Procurados para quê?

16 Dezembro, 2011

«O proprietário da ourivesaria Costa & Vitor, situada na Azinhaga das Galinheiras, foi hoje às 18.30 morto a tiro durante um assalto. O crime foi cometido por três homens encapuzados que usaram uma caçadeira de canos serrados. Segundo fonte da PSP adiantou ao DN, os indivíduos fugiram do local após o homicídio e são neste momento procurados.» 

Mas procurados para quê? Para depois se concluir que certo, certo só os mortos como nestes casos? Ou as polícias deitam a mão ao primeiro desgraçado que vêem e Portugal é um país de inocentes no tribunal e culpados lá longe ou então devemos ter as mais bizarras leis do mundo. De ambas as hipóteses não sei qual será a pior.

Fantástico

16 Dezembro, 2011

Viena abriga a primeira escola de sexo do mundo

Primeira escola de “sexualidade aplicada” abre em Viena

Yes, there are practical lessons: World’s first sex school opens in Austria

… Afinal não passava de um chamariz para falarem doutro assunto igualmente importante. O quê?

leia-se La fausse «école du sexe» des jeunes industriels autrichiens. Moral da história: os jornais devem sempre confirmar as histórias e sobretudo  La politique ne doit plus être comme notre école du sexe: beaucoup de bruit pour rien, un joli emballage, mais rien derrièr

Ante-estreia nacional….

16 Dezembro, 2011

O draft do Rompuy de que se fala….

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.Projecto de Tratado que institui uma União Económica Reforçada

Europa dá sinais de grave doença degenerativa

16 Dezembro, 2011
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Uma selecção de algumas notícias de hoje:

Ties That Bound Europe Now Fraying (Wall Street Journal)

Clegg calls France’s attack ‘unacceptable’ (Financial Times)

Rififi trans-Manche sur l’état des économies britannique et française (Le Monde)

More Problems than Answers: The Pitfalls of the Merkozy Fiscal Pact (Spiegel)

«Acordo a 26» que não é acordo nenhum

16 Dezembro, 2011

Com que então há pessoas que acham que a cimeira europeia foi um sucesso. E acham mesmo que as decisões são para aplicar.
Nada de mais enganador.
O Sarkozy deixa-se enganar a si mesmo e fala do nascimento de uma «Nova Europa»: «c’est une autre Europe qui est en train de naître»(*). E curiosamente,, ele acha mesmo que em 15 dias conseguem fazer o novo tratado e tê-lo aprovado até Março, a tempo das eleições presidenciais francesas de Maio.
Pois se há uma coisa que já se sabe é que precisamente a França não terá na sua constituição a limitação de deficite que exige para os outros (*).
Na Irlanda, como é habitual, terá de haver um referendo. Pelo menos um. Até dar o resultado «certo»… Mas não será a tempo das presidenciais francesas certamente.
Ficou também acordado que passará a haver «sanções automáticas» em caso de ultrapassagem dos 3% de deficite.  A sério?  Não. Não são bem automáticas: «salvo decisão em contrário dos Estados-Membros da área do euro, deliberando por maioria qualificada». Portanto, nas maiorias qualificadas, basta um país de dimensão média (da Espanha para cima) se opor para que a coisa já não avance. Na prática esses países tem direito de veto sobre sanções sobre si mesmos. A haver automatismo será só para os países pequenos. Tudo muito lindo…. Ler mais…

Um erro

16 Dezembro, 2011

Paulo Portas: “Impor na Constituição limite ao valor do défice é elementar”

Passos insiste no limite ao défice na Constuição

Nascida sob a tutela de um pacto entre o MFA e os partidos em que o PCP procurava salvaguardar o seu controlo do aparelho do Estado das veleidades do eleitorado, a constituição portuguesa tem detalhes de programa de governo e está cheia de tralha socialista. A constituição portuguesa precisa de ser expurgada não de ser adornada. O valor do défice não precisa nem deve ser inscrito na constituição quanto mais não fosse porque a partir desse momento passará a funcionar como o valor indicativo do défice que sempre teremos. Mas também porque a constituição não é o lugar para tal e sobretudo porque cabe aos partidos políticos clarificarem o seu discurso nesta matéria e apresentarem nos seus programas propostas ideologicamente coerentes.

Fantástico, não é?

16 Dezembro, 2011

Talk of ‘nuclear default’ sums up Left’s anger at EU dictates

CAIPiras

15 Dezembro, 2011

Na eletricidade: Custos de Interesse Económico Geral?
Não.
Custos Acrescidos de Interesses Parasitários.
Uma herança socialista


Fonte : ERSE

A prova do algodão

15 Dezembro, 2011
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Ana Benavente está furiosa com a reforma curricular. Num artigo no Público (sem link, mas com citação aqui) protetou contra o “cheiro a ranço”, a “politiquice dominando sempre a Política”, “as disciplinas separadas umas das outras, ritualizadas e isoladas”, “o deslumbramento por escolas americanas, produtoras de exclusão e violência”, “a nostalgia do passado”, os alunos “formatados” e “soldadinhos de chumbo”,  etc., etc., etc.

Ana Benavente está igualmente furiosa com um despacho de Nuno Crato que põe fim à vigência do documento Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais. Nesse despacho o ministro escreve que ao erigir a categoria de “competências como orientadora de todo o ensino, [o documento revogado] menorizou o papel do conhecimento e da transmissão e conhecimentos, que é essencial a todo o ensino”. Para desmontar o eduquês, Nuno Crato acrescenta que “é decisivo que, no futuro, não se desvie a atenção dos elementos essenciais, isto é, os conteúdos, e que estes se centrem nos aspectos fundamentais”. O que enfurece a antiga secretária de Estado de Guterres, para quem “há quem queira uma escola centrada nos programas, nós queremos uma escola centrada nas aprendizagens. Foi esse o objectivo do documento das competências essenciais”, o tal que acaba de ser revogado.

Fiquei tranquilo. As reacções de  Ana Benavente, uma das principais responsáveis pelo estado a que o eduquês conduzir a Educação, são como a prova do algodão: Nuno Crato está no bom caminho.

todo o cuidado é pouco

15 Dezembro, 2011
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A inanidade das declarações deste fulano, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, acerca das responsabilidades de Portugal perante os seus credores estrangeiros, demonstra bem o tipo de gente ignorante e perigosa a quem está confiada a nossa política. As consequências possíveis dos actos de pessoas deste calibre, que, infelizmente, não faltam na política portuguesa, podem repercutir-se sobre todos nós, estejam eles na oposição, estejam eles no governo. Isto demonstra bem a enorme perigosidade da soberania e do governo, que dispõem sobre as nossas vidas e o que é nosso, e evidencia também que, num país e numa sociedade civilizadas, um governo será tanto melhor quanto menos poder tiver. É que, por absurdo que pareça, esta gente pode mesmo, um dia, mandar em nós.

Agenda

15 Dezembro, 2011
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No próximo sábado, pelas 11,00 horas, na Universidade Lusófona do Porto, falar-se-á de Transportes na óptica do utilizador. Intervenção a cargo de quem sabe da poda.

Reforma do Poder Local

15 Dezembro, 2011
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Hoje, pelas 21h, estarei num debate sobre a Reforma em Arruda dos Vinhos, no Auditório Municipal (Palácio do Morgado).

“Os banqueiros alemães até tremem”

15 Dezembro, 2011

Ao contrário de boa parte do país achei que Sócrates não quis dizer que não se devia pagar a dívida. Explicou-se mal e como entretanto perdeu a gravitas do poder  a coisa resultou anedótica e Sócrates acabou a ter de se justificar e aí sim entrou nas fantasias do costume, dizendo que se referia ao pagamento integral da dívida num ano, coisa que de facto ninguém à excepção dele mesmo colocou. Enfim, esta prestação de Sócrates ajudou o governo e sobretudo António José Seguro que, pelo menos durante uns dias, teve a alegria de ver Sócrates a dizer e desdizer-se na televisão.

Mas já este senhor propõe de facto que não se pague a dívida e até acha que os banqueiros alemães vão tremer se lhes dissermos que não pagamos. Como a alminha não é da Ruptura/FER mas sim vice-presidente da bancada parlamentar do PS espera-se que os socialistas se pronunciem sobre a proposta deste seu vice-presidente de bancada que diz estar a marimbar-se para que os chamem irresponsáveis.  Parafraseando o deputado Pedro Nuno Santos ou Seguro se  põe fino ou com um grupo parlamentar destes não sei se lhe tremem as pernas mas certamente que acaba com o partido e os nervos em fanicos.

Há dias muito parvos

15 Dezembro, 2011

Nao sei se foi por causa disto, ou disto ou por causa doutra coisa qualquer mas dei por mim a imaginar histórias demasiado rocambolescas. Não pode ser.

Desaparecidos das notícias

15 Dezembro, 2011

O que foi feito dos espiões? Durante semanas foi aquela azáfama com o espião que espiava este e aquele. E agora os espiões sumiram-se. Nem uma notícia. Nada. Onde é que estão?

uma “manif” e já está!

14 Dezembro, 2011
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A Ministra da Justiça apresentou uma auditoria feita à conta dos serviços prestados ao estado pelos advogados estagiários, na qual supostamente se detectaram 17 mil irregularidades. Ainda que desconhecedor do referido relatório e apesar da enormidade dos números, quero crer que o mesmo se encontra devidamente circunstanciado e documentado, e que não se terá ficado por simples afirmações sem a necessária fundamentação factual. Ora, a cada uma destas acusações, como responderam os advogados visados? Com a contestação das mesmas, demonstrando, assim, a sua inocência e a inépcia, ligeireza, até, eventualmente, a pusilanimidade persecutória da Ministra? Não, nada disso. Certamente inspirados pelo condottieri que os pastoreia, responderam com uma “manif” marcada para o Terreiro do Paço, à porta do ministério, para exigirem a cabeça da titular da pasta. Um bom método a adoptar para o futuro da profissão: sempre que tiverem que defender um cliente, é fazer uma “manif” e já está.

Jornalismo de causas

14 Dezembro, 2011

Ministra das Finanças australiana foi “pai” de uma menina  – Estamos no domínio da gracinha: a ministra foi pai.

A ministra australiana das Finanças, Penny Wong, assumidamente lésbica, e a sua companheira Sophie Allouache foram mães pela primeira vez graças a um tratamento de inseminação artificial, noticiou a imprensa local. – Agora a ministra e a sua companheira foram ambas mães. Não há pai.

Allouache deu à luz Alexandra no domingo num hospital em Adelaide, no sul da Austrália. “É maravilhosa”, disse a ministra australiana, que será reconhecida como a outra mãe de Alexandra e terá os direitos de um pai biológico segundo as leis aprovadas durante o anterior governo trabalhista de Kevin Rudd. – Baralha e torna a dar: Sophie  Allouache foi mãe, a ministra que é definida como “a outra mãe da criança” terá os direitos de um pai biológico. Mas se a ministra é a outra mãe como pode ter direitos de pai biológico? E já agora que direitos tem o pai biológico?

Penny Wong disse que o pai biológico da sua filha, que é amigo do casal, conhecerá Alexandra, mas não dará a conhecer a sua identidade, segundo o diário The Australian. – Ficámos esclarecidos: o pai biológico não reivindica os seus direitos. Ou melhor dizendo «não dará a conhecer a sua identidade» Mas não dará a conhecer a sua identidade a quem? Aos jornalistas ou à filha? Note-se que esta fantasia familiar exclui o direito da criança  a conhecer o pai – voltou modernizado o outrora odioso pai incógnito desde que a grávida seja lésbica – e mais bizarramente ainda parece ler-se na notícia que o pai conviverá com a criança sem se dar a conhecer enquanto pai.  Ou seja entre os direitos do casal de lésbicas a brincar às mães e aos pais mais o direito do pai biológico a não se assumir enquanto tal parte-se do princípio que a criança não tem direito a saber quem é o seu pai. Quanto a quem vai desempenhar esses papel junto dela presume-se que seja a ministra que também é mãe mas tem direitos de pai biológico.  Enfim, esperemos que a criança seja de facto maarvilhosa e que um dia não lhes pergunte se alguma vez pensaram nela.

Jornalismo de referência

14 Dezembro, 2011

Título do EXPRESSO: «Polícia trama DSK em novo escândalo sexual: Ligação do ex-diretor do FMI a uma rede de proxenetismo e de prostituição ainda decorre, mas Dominique Strauss-Kahn foi de novo entalado:» – As polícias não investigam. As polícias tramam umas pessoas que por via dessas tramas ficam entaladas. Perfeito, não é?

Tá-se bem!

14 Dezembro, 2011

“os governos tiveram-se a marimbar para isso. E nem sequer preparam a 125“.- declaração de João Cravinho ao DE publicação que a avaliar por esta frase tb não distingue a oralidade da escrita. Mas em boa verdade a frase percebe-se melhor assim. Porque nós não estamos. Nós tamos. Vós tais e eles tão. Fartinhos de não nos podermos marimbar e termos de pagar o que não tinha custo. Como as SCUT. Ou aquilo cujos custos não foram explicados como sucedeu nas negociações com os pilotos em 1999. Momentos em que João Cravinho teve. Era certamente melhor que ele e muitos outros governantes tivesse estado com sentido de estar e de Estado porque agora não taríamos como  tamos e ainda a ter de ouvir coisas como «os governos “também são responsáveis por este tipo de violência que vai ocorrendo no Algarve” da boca de quem, como é o caso de João Cravinho, tem essa extraordinária capacidade de passar entre os pingos da chuva.

Cadastro é currículo

14 Dezembro, 2011

Armando Vara, Dias Loureiro ou Jorge Coelho concluem as suas carreiras políticas como empresários de sucesso. E ricos. Poderiam eles ser administradores em empresas de referência de países desenvolvidos? Obviamente que não. Ler mais…

Só se perdem as que caem no chão

13 Dezembro, 2011
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Magnífico o texto de Pedro Lomba no Público de hoje:

“Numa entrevista que deu há semanas a este jornal, a Dra. Assunção deixou alguns comentários reveladores do espírito auto-protector com que vê o Parlamento: ‘Os deputados sabem que podem contar comigo para defender a imagem a que temos direito, que é uma imagem de dignidade. E é uma dignidade acrescida pelo sentido de entrega que é superior ao do cidadão comum, à das pessoas que estão habituadas às suas vidinhas’. Está a Dra. Assunção a dizer que a “dignidade” de um deputado é “acrescida” face ao cidadão comum? Que a “entrega” de um deputado é “superior” ao do cidadão comum que aguenta há décadas em silêncio os vexames de uma democracia partidária de videirinhos? Quer maior “entrega” do que essa? E ainda fala das ‘pessoas habituadas às suas vidinhas’?  Ler mais…

Não escrevam, façam.

13 Dezembro, 2011

Pretender inscrever na Constituição algo como «O Orçamento de Estado não pode ter um deficite superior a 0,5% do PIB» é tão programático e inútil como o actual artº66 (entre tantos outros) que reza assim: «Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.»

Ter-se-ia sempre de prever excepções, na prática esvaziando de conteúdo tal disposição. Ora, para vacuidades já a CRP está bem nutrida.
E se o PSD e o PP entendem assim tão importante tal disposição, tem bom remédio: apresentem um OE rectificativo com deficit de 0,5% já para 2012. A gente agradecia o acto e dispensa a retórica.