Ivo Rosa, o Juiz “Arquivador”

Há meses foi-me dito em mensagem privada, que o Juiz Carlos Alexandre e a Procuradora Joana Marques Vidal iriam ser afastados dos processos que envolvem Sócrates e outros. Nessa altura, como o faço sempre, coloquei em dúvida essa possibilidade pela importância que estes processos têm e que, ao mudar de mãos, sem justificação plausível, iria destruir por completo a credibilidade da justiça portuguesa aos olhos da sociedade nacional e internacional. Ontem, ficamos a saber que afinal havia mesmo um plano e a última peça do xadrez foi jogada para xeque-mate! Tiro o chapéu!
O afastamento de Joana Marques Vidal foi por culpa do Presidente da República que jamais imaginaria ver colocar os interesses da Nação no caixote do lixo ao aliar-se a Costa nesta decisão. Agora, para a nomeação de um novo juiz, foi um sorteio electrónico para duas pessoas apenas, completamente viciado, onde só à quarta tentativa deixou de dar “erro”. É claro que o português comum e pouco informado não deu pela pirataria. Não sabe que basta colocar um algoritmo que rejeite o nome que não se pretende, sinalizando-o como “erro”, para assegurar o resultado pretendido. Não entende que não foram erros mas sim 4 tentativas para obter o que desejavam. O que eles não previram foi que por TRÊS VEZES o computador escolhesse o nome de Carlos Alexandre e por isso houve uma sucessão escandalosa de “erros” que não o foram e com os quais ficaram desmascarados. Este programa informático devia ser imediatamente investigado sem demoras! Ficou clarinho a movimentação tentacular que já vem de trás para safar o peixe graúdo entalado e bem, nas malhas da justiça.
Que nos espera então esta nomeação de um juiz que por ironia tem o apelido “rosa”? Bem, não é preciso pesquisar muito para saber. Este senhor já vem com um largo currículo de “safanços” de suspeitos de corrupção. Pois é. Conhecido por não gostar de apoiar as teses incriminatórias do MP sobretudo quando dizem respeito a caça grossa, Ivo Rosa ilibou 18 dos arguidos da “Operação Zeus”, processo relacionado com a corrupção nas messes da Força Aérea. No caso EDP retirou a Manuel Pinho o estatuto de arguido mesmo com todas as evidências e suspeitas impedindo ainda que a PJ fizesse buscas nas suas casas e ainda tivesse acesso às suas contas e movimentos bancários, por entender não haver indícios mínimos de corrupção sem no entanto permitir a investigação esmiuçada para tirar as dúvidas. Ainda no caso das rendas da EDP, foi este mesmo juiz que impediu também o acesso às contas bancárias de António Mexia e Manso Neto, o que levou procuradores a pedir o seu afastamento do processo acusando-o de parcialidade. Mas não ficamos por aqui: Ivo Rosa num processo em que a TAP era suspeita de lavar dinheiro de figuras da elite angolana, decidiu não levar nenhum dos suspeitos a julgamento destruindo todo um trabalho de investigação do DCIAP. Mas calma, ainda há mais: este juiz, no caso do Gangue do Multibanco, um grupo de violentos criminosos responsáveis por mais de 100 assaltos e outros crimes graves, libertou 11 dos 12 membros. Valeu-nos o recurso do MP para um tribunal superior que reverteu por completo esta decisão e onde todos os arguidos acabaram por ser condenados a duras penas.
Por isso os advogados de Sócrates batem palmas! Por isso figuras do PS estão em êxtase! O juiz que mais safou gente ficou com o Processo Marquês. Dúvidas?
Eu não, não tenho depois do que vi ontem. Só certezas. A certeza que vamos regredir aos tempos de Pinto Monteiro e Cândida Almeida, que não viam corrupção em Portugal só “bons rapazes”.
fuja da media markt: não compre lá nada

Não costumo expor casos pessoais no espaço público, tão-pouco no Blasfémias, mas, dado o que considero ser a pertinência pública do que vou em seguida contar, resolvi abrir uma excepção. O caso é o seguinte:
Sem selfie

Clap!
*
Sai Marques Vidal, entra em cena Sócrates
Foi interessante assistir à rentrée do desaparecido Sócrates exactamente depois de conhecida a saída da actual PGR. Coincidência? Nem um pouco. Era exactamente o momento esperado para iniciar novas “conferências” da treta, já com peito mais cheio e mais confiante sobre aquilo que ele mais bem conhece e até é expert: a corrupção e o Processo “Operação Marquês”. Reparam no ar de satisfação com que se referia à saída de Joana Marques Vidal? Reparam como ele insistiu em salientar a importância deste momento para a “democracia”? Pois bem. Se repararam é porque viram o inevitável: Sócrates sabe o quanto esta saída o vai beneficiar. Simples.
Ninguém ficaria feliz com uma substituição, ainda por cima por alguém de quem não se conhece ainda o trabalho, de quem não se sabe como vai conduzir todos os processos em que ele próprio está implicado, se não tivesse tido uma garantia que ela, a nova PGR, vinha para solucionar o imbróglio em que está metido. Ninguém! Como pode ele ter a certeza que isto lhe vai correr de feição para já estar a festejar! Ela até pode ser mais dura e inflexível que a Dra. Joana Marques Vidal, ou não? Pois. É só reflectir um poucochinho…
Porque na verdade, teoricamente, não sabemos ainda como é a nova eleita. Nem fazemos ideia se ela será mais sagaz a capturar corruptos! Não sabemos! Ou será que só nós, cidadãos é que não sabemos o que vem aí?
Mas há mais: a ex-namorada não resistiu também em manifestar sua grande satisfação com esta substituição ao mandar um “tweet”. Porquê? O que traz de tão bom assim a nova PGR para todos se regozijarem desta maneira? Isto é normal? Não me parece.
Não deixa de ser curioso também, ver estes dois a bater palmas à saída da ilustre PGR demissionária numa altura em que sai notícia sobre uma investigação da PJ à corrupção no Parque Escolar. Lembram-se do projecto megalómano de Sócrates onde havia dinheiro para tudo e um par de botas, sem transparência, com valores abismais, descontrolo total, com derrapagens colossais, obras sobrevalorizadas, outras com luxos inimagináveis, outras que nem sequer viram investidos um parafuso numa porta? Pois é. Irá este caso como tantos outros em que o mestre Sócrates está envolvido por corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada, no quadro da Operação Marquês, acabar como o Freeport e todas as pessoas que o levaram a tribunal, silenciadas?
Será o futuro a responder a todas estas dúvidas. E nós não podemos deixar de estar atentos e exigir que a justiça, que não nos perdoa quando ficamos a dever uns míseros euros, com penhoras e cadeia, deixe escapar quem lesou com milhões a Nação. Não podemos!
De que ri Sócrates? O tempo logo dirá.
Ainda acabamos todos em tribunal por termos comido uma bifana no pão

Em França chegou a vez dos talhos: umas criaturas acampam diante dos talhos e perseguem as pessoas que aí trabalham. Por cá o senhor do PAN todos os dias inventa mais uma penalização. Agora temos os maus-tratos psicológicos
Resumo da semana: “Clérigos revisited” de Robert Mapplethorpe

Crime passional ou violência de género?
Alguém sabe ao certo porque falam hoje os jornais de crime passional e não de crime de violência de género?
Já teve tempo na agenda para comentar?
Boas notícias
Contagem decrescente
Quantos dias faltam para a primeira acusação por assédio na vida intra-uterina?
Isso não é para mim
Houve uma série de posts acerca do regresso de Passos Coelho. Regressar a onde? Durante uns anos, o regime permitiu que o homem governasse, mas agora ninguém precisa dele. Poderá precisar, quando o badocha deixar de estar disponível para venezuelizar aqui o charco, até por imposição do patrão lá de fora, mas, para já, está tudo tão bem assim como está, para quê complicar?
Se alguém em que confie estiver disposto a tirar a carcaça de Rio dali, que aquilo dá um bocado de mau aspecto, que me chame e conte comigo para o que for necessário. Até lá, não me chateiem com novelas, Iniciativas Liberais e desvariadas à procura de sugar daddy. Estou velho, dói-me o joelho, e vem aí a época da chuva: vou mas é dormir um bocadinho.
Pergunta retórica

Estes senhores ainda continuam no Circo?
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De contratos a mantras
Qualquer contrato – prestação de serviços, aluguer – está transformado numa espécie de ladainha sobre a protecção de dados mais isto e aquilo.
Só após proferidos os mantras se chega ao que interessa. Isto não é possível. Não são contratos. São espelhos de uma sociedade com medo.
Socialismo via fiscal
O fisco é agora o instrumento da nova luta de classes: os estatistas versus os privados
BE quer que empresas com mais de 10 trabalhadores passem a divulgar as assimetrias salariais.A ideia é fixar um leque entre salários mais baixos e os mais altos e penalizar empresas que não cumpram.
Marcelo está lélé da cuca?

O “Diabo” tem hoje a manchete ilustrada acima.
Esta direita ainda não percebeu que Marcelo está lúcido e consciente.
Por isso mesmo é que pode e deve ser responsabilizado pelas decisões que toma.
Ademais, sei que ainda falta muito tempo, mas se MRS decidir se recandidatar, será curioso perceber se CDS e PSD lhe darão apoio político.
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também eu fui censurado!
No facebook, que me removeu o post que tinha editado no Blasfémias, por estar ilustrado com uma bela peça de arte do Mestre Robert Mapplethorpe. Segundo a nota que me foi enviada pelo facebook, o post «não respeita os nossos Padrões da Comunidade». E truflas!, cortaram-mo!
Sinto-me, agora, uma vítima tão ou maior do que João Ribas, já que, pelo menos, ninguém gasta dinheiro do estado para manter a minha página do facebook e não tenho que prestar contas a ninguém. Uma perseguição que, espero, promova na sociedade culta nacional idêntica indignação à suscitada pelos censores do Ribas.
censuraram o menino joão
O menino João fez birra porque não lhe mandaram tirar, de uma exposição em Serralves que promoveu, meia-dúzia de fotografias indecentotas de um «grande» artista americano, e, vai daí, demitiu-se. «Censura!», logo gritaram umas dúzias de génios incompreendidos das «artes»: «demita-se o Conselho de Administração, já!», e regresse o artista puro e casto que é o menino João, pediu-se. A tremer das pernas, o Conselho de Administração, por onde paira essa eminência parda da Alta Cultura lusitana que é o dr. Pacheco, logo veio dizer que não, que o «Joãozinho tinha exposto o que quisera», e que os tinha era tratado muito mal, sem consideração pelas suas elevadas pessoas. Pois bem, é este, exactamente, o problema desta estória de faca e alguidar. Porque é inexplicável que uma Fundação instituída com dinheiros públicos não disponha de um conselho de curadores para o seu museu e entregue a responsabilidade das exposições a um fedelho que amua por não o deixarem expor fotografias de marmanjos musculados com rabanetes, ou coisa que o valha, enfiados no traseiro.

Obra de arte do mestre Mapplethorpe.
Não se pode ter filhos na escola em Portugal
Eu não consigo compreender como é que um país que arranca a ferros tantos impostos ao orçamento familiar que ainda por cima é baixo por causa dos salários miseráveis, colocando-o a par dos países que mais impostos cobram, não distribui em todas as escolas públicas, livros e material a todos os alunos, em vez de obrigar os pais a desembolsar pequenas fortunas para dar educação aos seus descendentes. Afinal para que servem os impostos?
Até aos 12 anos meus pais nunca souberam o que era pagar para me ter a estudar na escola pública. No Canadá, era o Estado que distribuía no início das aulas, livros, cadernos e todo o restante material escolar necessário para o ano lectivo. Nada tinha de ser adquirido. No final do ano, a professora recolhia os livros, as tesouras, os marcadores entre outros materiais reutilizáveis, que serviam depois para os anos seguintes. Mas não era só. Tínhamos ainda escolas espaçosas, bem equipadas, grandes bibliotecas, salas amplas, mobiliário ergonómico e de qualidade. Não faltava rigorosamente nada. Mais: a manutenção era primorosa e não deixavam degradar um edifício escolar ou outro, até a cair de podre para depois reconstruir de raiz gastando milhões como se vê neste mal governado país. Cuidavam com esmero do património.
Nos hospitais acontecia exactamente o mesmo. Com 5 anos tive de ficar internada, sozinha por via de uma cirurgia às amígdalas. Fiquei num quarto que nada lembrava um hospital, onde até tinha telefone e casa banho privada. O telefone que me servi para ligar aos meus pais, a chorar para me virem buscar e através do qual meu pai me sossegava prometendo uma barbie, se me portasse como uma mulherzinha corajosa. Um botão para chamar a enfermeira que usei a noite toda porque tinha dores e elas, com o maior carinho e compreensão, a virem acalmar meus medos, sempre sorridentes, sempre amigas. A saúde e educação eram de excelência e além disso “gratuitas” para os contribuintes.
A pergunta urgente que se põe nesta altura do campeonato é a seguinte: se nós descontamos como “mouros” porque razão temos uma porcaria de serviços públicos? Mais: se o dinheiro dos impostos não vai para aquilo a que em princípio se destina, isto não é um crime, não é roubar?
A mim parece-me óbvio que sim. É um roubo legal . Os impostos em Portugal não servem para aplicar no bem estar e qualidade de vida dos utentes. Serve os interesses dos seus governantes que por serem gulosos e terem uma oligarquia gigantesca para alimentar, nunca o dinheiro chega a quem precisa porque fica a meio do caminho e não sobra. Pior: falta. Como não prestam contas, nem ninguém os obriga verdadeiramente a isso, fazem de conta que o problema não é porque eles andam a roubar nossos impostos, mas sim, porque não são suficientes. Então nós, os burros do costume, vamos continuando a aceitar esta roubalheira sem contestar, sem exigir, enquanto ainda aumentam mais a carga fiscal. Somos mesmos tansos!
Esta semana recebi um pedido de ajuda de uma mãe desesperada que não tinha como fazer face às despesas do arranque escolar. A viver sozinha, com duas meninas, uma delas com problemas de saúde grave, era impossível ficar indiferente. O Movimento que lidero, entrou imediatamente em acção e ajudou esta mãe. Mas pergunto: porque razão é que os contribuintes têm de passar por isto?
Uma semana depois, e já com as aulas a decorrer, outra denúncia de um leitor: uma escola do Agrupamento de Santiago abre as portas atropelando completamente a legislação ao compactar em 2 turmas alunos que, por alguns terem necessidades educativas especiais, deveriam estar em 3 turmas! Os pais indignados com esta situação que prejudica seriamente a aprendizagem destes meninos, denunciou o caso à DGEstE e DSRC, sem qualquer resultado prático. Porém a legislação é clara no artº 4º do Despacho Normativo 10-A/2018:
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nº 1- que as turmas do 1.º ano de escolaridade são constituídas por 24 alunos e nos demais anos do 1.º ciclo do ensino básico são constituídas por 26 alunos;
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nº 4 – que sempre que existem dois níveis de aprendizagem a turma deve ficar reduzida a 22 elementos;
- nº 5 – que qualquer turma que possua no máximo 2 alunos com NEE deve ficar numa turma de 20 alunos, desde que nos relatórios técnico-pedagógicos dos alunos seja identificada esta medida de acesso à aprendizagem e à inclusão;
- nº 6 – que a redução de turmas prevista, fica dependente do acompanhamento e permanência destes alunos na turma em pelo menos 60% do seu tempo curricular.
Ora, tendo estas 2 turmas todos estes atropelos à lei, pergunta-se porque a escola, tendo condições físicas (existe uma sala livre para o efeito) para constituir mais um turma do 4º ano, se nega a fazê-lo? Mas afinal, vivemos numa república das bananas quando é o Estado a cumprir a lei? é isso?
O Estado que deveria dar o exemplo, infringe ele próprio a legislação por ele criada (que irónico!) para poupar na criação de uma turma extra essencial para dar qualidade de ensino a estes meninos, mas é capaz de gastar milhões em despesa fútil, como candeeiros de Siza Vieira ou torneiras de 500€ cada uma em balneários escolares!
Porque infelizmente é mais importante neste país corrupto, encher o bolso dos empreiteiros com luvas a políticos, em projectos escolares megalómanos, do que servir bem a população. É a porcaria de educação que temos.
Passos Coelho voltaria para quê?
Passos Coelho deve voltar?

Segundo se retira do relato magistral que o José Meireles Graça fez de uma recente intervenção pública de Vasco Pulido Valente, este considera que Pedro Passos Coelho continua a ser o “líder natural da Direita”.
Agora que o PSD parece estar em vias de implosão e que a “liderança” de Rui Rio é diariamente criticada e (quase) desafiada, muitos tenderão a olhar para Passos como “a” solução e terão esperança de que volte às lides partidárias num futuro que gostariam tão breve quanto possível. O recente artigo de PPC no Observador sobre a não recondução da Procuradora-Geral da República talvez lhes tenha até dado alento adicional.
Antevendo o que hoje se assiste no partido que ganhou as últimas eleições legislativas, o Rui Albuquerque dizia que é de Pedro Passos Coelho que pode vir uma verdadeira alternativa ao que está.
Mas a pergunta da Helena Matos faz todo o sentido: “Passos Coelho voltaria para quê?”.
De facto, com a degradação do regime e entregues a uma cultura socialista absolutamente dominante, que resultado teria um novo exercício de funções governativas por Pedro Passos Coelho?
Certamente estancaria derivas totalitárias e, com sorte, conseguiria travar a perda de graus de liberdade que cada um de nós sofre com o avançar da interferência do estado nas nossas vidas. Mas, não teria o mesmo fim que teve em Outubro de 2015?
É que, como diz o Alberto Gonçalves, os portugueses “simplesmente não querem saber. Os portugueses querem levar a vidinha sem sobressaltos, maçadas e vergonha na cara”. E ao contrário da fé que o Paulo Milheiro da Costa parece ter nos novos movimentos e partidos ditos liberais, não creio que seja por via de máquinas de acesso ao poder nem pela via legislativa que se altera uma cultura socialista intrínseca ao portugueses.
Por benéfico que possa ser para o país, o que Pedro Passos Coelho fez enquanto primeiro-ministro merece todavia o nosso respeito não colocando nele pressão moral para o seu regresso.
O “interesse nacional” não deve obrigar um indivíduo a lidar com esterco uma segunda vez.
Por isso, apesar de contra minha vontade, paradoxalmente espero e desejo que Pedro Passos Coelho não volte.
Andam a gozar com o povo de Vila Facaia
Já não bastava esta gente ter sido vítima dos maiores incêndios mortais de que há memória neste país. Já não bastava muitos deles terem sucumbido na tragédia, deixando pais e filhos órfãos. Já não bastava também, e para cúmulo, terem sido roubados nos donativos que lhes foram doados para ajudas à reconstrução das suas casas e negócios, depois dos grandes fogos! Não! Tinham, também, de lhes arrancar o pouco que ficou de pé e lhes vai dando alguma dignidade – se é que isso é possível a quem tudo perde na vida – à sua pobre velhice: o Centro de Dia de Vila Facaia!
É inacreditável! Depois de ver fracassado o seu pedido de doação daquele edifício pela Junta de Freguesia, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, de forma unilateral e sem aviso prévio, ordenou o encerramento imediato daquele espaço e transferência dos idosos para a Graça, a 5,5 kms, alegando que o Centro dá despesa! Mas desde quando é que a assistência a idosos tem por base o lucro? Para que serve o dito Estado Social? Para que raio se desconta e paga impostos neste país?
Acontece que esse edifício foi erguido com donativos da população em materiais, equipamentos e mão de obra há mais de 20 anos. O terreno foi comprado pela Junta de freguesia, presidida à época por José Vaz, aos populares. Todos na terra sabem disso. Foi com o esforço e vontade dessa gente que se criou aquele espaço indispensável à pequena população muito envelhecida de Vila Facaia. Com que direito, então, a Santa Casa da Misericórdia se tenta apropriar do que não é seu? Com que base legal este Provedor dá início, mesmo assim, a este processo tendo até, tentado proceder à desmontagem dos corrimões na zona de banho dos idosos? Algo aqui não bate certo.
Mas o mais bizarro ainda foi a actuação do Presidente da Junta que, depois de uma emigrante, Manuela Henriques, a residir a 2200kms do país, ter tomado conhecimento do plano do Provedor, e ter pressionado com fervorosa insistência para que impedisse o prosseguimento do processo, a menos de uma semana da data de fecho da unidade, ter colocado um edital anunciando o encerramento consumado do Centro de Dia no próximo dia 30/09! Como é possível a Junta de Freguesia não se ter insurgido contra esta acção, levada a cabo pelo Provedor da Santa Casa, que tudo leva a crer ser uma acção muito pouco transparente? Como pode o Presidente ceder tão facilmente à intenção do Provedor sem luta atempada pelos interesses da população de Vila Facaia, vindo apenas uma semana antes da data de encerramento, num edital, comunicar o mesmo, justificando não ser da sua responsabilidade. Foi apanhado também de surpresa? Só tomou conhecimento da situação no momento em que agiu? Isto não faz sentido.
Este Centro, que tem também apoio domiciliário, é muito mais do que um local onde os idosos passam os seus dias. É uma família. A única maneira de alguns terem companhia e apoio em momentos de aflição quando é por de mais sabido que o interior está completamente abandonado e entregue à sua sorte.
Há aqui qualquer coisa que cheira mal… Aliás, há muitas coisas que “cheiram mal”: seguramente os portugueses merecem melhor: sejam eles do interior, do litoral, do norte, do sul, do centro…ou emigrados: somos portugueses. Merecemos respeito, transparência, honra e dignidade. Compete-nos, a todos e a cada um, exigir o que merecemos. Ou o fazemos, ou somos cúmplices de um qualquer sistema que se foi instalando mas que temos conhecimento que existe: logo, a indiferença não pode ser a desculpa e a inércia não será, seguramente, a solução.
Por isso, já que aqueles que têm o poder fecham os olhos – falta saber porquê – às populações, nós, e em nome do Movimento Cívico que represento, mais uma vez Não Nos Calamos e sairemos em defesa desta gente denunciando, exigindo que a justiça seja reposta indo até onde for necessário para impedir tamanha crueldade contra indefesos.
Serralves? Fui lá uma vez… chegou…
Eu sei, eu sei… há quem goste muito de dar um ar intelectual a todo e qualquer assunto, por mais pedestre que o mesmo seja. Para tudo há certamente uma teoria, um sociólogo pronto a debitar palavras ligadas por algo sem nexo absolutamente nenhum, um filósofo para nos recordar que há quem viva para perder tempo e, claro, um artista.
O que se passa em Serralves não tem nada a ver com aquilo que vos querem fazer acreditar. Não se trata de liberdade de expressão, muito menos de arte. O ‘artista’ em causa dedicou-se a fotogafar os genitais de crianças. Tanto assim é, que dificilmente as encontram no google… Isto é: a única teoria que explica o comportamento ordinário do tal dito artista é a que trata de caracterizar pedófilos. Nada mais! Tudo o resto é diletantismo. Esteve mal (mas muito mal mesmo) a administração por deixar que se organizasse um festival de pornografia num museu. Aquilo é pornografia, parte dela infantil. Nada mais! A adminsitração devia ter demitido o indivíduo em causa na hora em que aquele lhes apresentou a ideia de organizar uma exposição de fotografias feitas por um fulaninho que toda a gente sabe se dedicou a fotografar genitais de crianças. Tudo o resto em torno deste assunto é discussão para gente mentalmente perturbada! Não há ali nada, muito menos arte: há mau gosto, pornografia, nojeira, sinais claros de perturbação mental séria e, não menos grave, exploração de crianças. O resto, como dizia o outro, é fado e de muito má qualidade! E viva a liberdade de expressão 😉
Táxis vs Uber

Nesta história das reivindicações dos taxistas já quase tudo foi dito e comentado sobre o assunto.
Todavia, para mim o tema é ainda mais degradante e triste porquanto a experiência que tenho de contacto com os motoristas da Uber ao longo dos últimos dois anos tem sido a de verificar que eles próprios acham muito bem que o governo coloque “ordem” no mercado, concordam com contingentes de entrada de novas viaturas, são favoráveis à obrigatoriedade de novas taxas e licenças, entre muitas outras e variadas questões de “regulação”.
Tenho-me deslocado em carro próprio e vou passar a andar mais a pé na cidade.
*
ÚNICO
O que garante ou oferece melhores condições para a independência de um PGR?
Ter um mandato único ou a possibilidade de renovação?
Creio que é a primeira opção.
Não tem pressão adicional para agradar a ninguém, nem receios acrescidos por eventualmente desagradar.
A nomeação de um PGR é politica (indicado pelo pm, nomeado pelo PR). Fosse qual fosse o resultado na possibilidade de um novo mandato, mancharia logo a sua independência: se renovado, era porque «agradou» aos poderes instituídos, o que seria mau sinal; se não renovado o mandato, seria porque incomodou tais poderes ou incompetência. Em qualquer caso, a sua independência seria sempre questionada ou ficaria sob suspeita.
Com mandato único, faz o que tem a fazer, é avaliado por isso, mas não depende em nada de tal avaliação nem de ninguém. A meu ver, é mais livre. E isso é sempre bom.
nunca falha
Pessoal da ADSE é aproveitar que ides todos ser operados em hospitais privados e de borla.

também irá fazer um partido?
Parece que os desejos do Dr. Rui Rio se estão a materializar. É como dizia o outro, «be careful what you wish for, it might just come true». Aí vamos nós para mais quatro anos de geringonça…
A vichyssoise de letras do chef Marcelo

nem todos são analfabetos
Há dois dias, a 19 de Setembro, em comunicado da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa anunciava que o PR «nunca manifestou, nem pública nem privadamente» qualquer posição sobre a nomeação do PGR.
No dia seguinte de manhã, ontem, 20, dizia, aos jornalistas que lhe perguntavam se conhecia os nomes que lhe seriam propostos pelo primeiro-ministro na reunião de sexta-feira, o seguinte: «Ah, isso eu não posso imaginar, pois se eu estive aqui fechado, como sabem, neste momento particularmente importante da minha vida. Portanto, não tenho a mínima ideia. Veremos».
No mesmo dia de ontem, mas mais lá para o fim da tarde, é anunciado o nome da nova PGR, obviamente já nomeado pela PR.
Moral da história?
Marcelo Presidente nunca mais!!
Conseguiram tudo. Primeiro com a reversão dos resultados eleitorais que deram ao PS uma estrondosa derrota. Lembram-se? A PAF acabava de obter uma maioria relativa, quando António Costa puxou de um acordo com as extremas esquerdas para governar. Agora, retiram do caminho aquela PGR que, ao contrário de Pinto Monteiro, demonstrou que não misturava a justiça com política. Se dúvidas houvesse sobre os objectivos desta “família socialista”, hoje ficaram todas esclarecidas.
Ninguém mexe em equipa vencedora. Ninguém! A menos claro, que se pretenda um final diferente. E que final é esse? Safar Sócrates, Vara, Manuel Pinho, Ricardo Salgado, Luis Filipe Vieira, Valdemar Alves e por aí fora. A “família” acima de tudo, acima do país. Não importa o quão criminosos foram. Importa fazê-los escapar, pelas malhas largas da lei , para os corruptos de colarinho branco, como tem sido tradição neste país.
Ainda vieram com a conversa para “boi dormir” de um “mandato único e longo”, para justificar a decisão tomada, já desde que assaltaram o poder (sim, salvar a pele deles foi uma das razões para assaltar o governo). Como se nós não soubéssemos que, o que eles mais defendem com unhas e dentes, são lugares vitalícios desde que sejam da “família socialista”. Quantos deles já “nasceram” no Parlamento e arrastam-se até hoje como múmias? Quantos deles têm também familiares a “fazer carreira” na Assembleia da República, onde já fazem parte do mobiliário? Quantos deles até já “criaram raízes” agarrados ao sistema durante décadas? Mas que grande banhada de gozo com que esta gente nos presenteia!
Para não dar nas vistas e parecer uma decisão ponderada e séria, foram buscar uma mulher que, até ao momento, não fazia parte da lista proposta por Costa. Uma estratégia pensada ao pormenor no intuito de acalmar os ânimos. Ora, quem não vai ficar sensibilizado com o facto de a substituta ser outra mulher? Logo, os menos atentos até pensarão que por ser mulher, estará à altura da anterior apenas por associação de género. Boa táctica não haja dúvida. Este PS não brinca em serviço quando se trata de mascarar o cenário.
Acontece que, mesmo sendo uma mulher e mesmo sem pôr em causa suas capacidades profissionais, esta magistrada quase não tem experiência na área criminal onde precisamente faz muita falta e basta um pequeno erro para deitar por terra os processos complexos que envolvem ex-governantes e banqueiros. Investigou casos como o das viagens fantasma dos deputados que deu no que deu: nada. Trabalhou com a actual ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, na procuradoria-geral distrital de Lisboa. É ainda casada com Carlos Gago, que fez parte da PJ no tempo de Fernando Negrão e Luis Bonina, e que foi um importante membro do PCTP/MRPP.
Enquanto nos distraiam com “fake news” sobre a orientação sexual dos bonecos da Rua Sésamo no Jornal de Notícias ou a falsa recondução quase confirmada de Joana Marques Vidal pelo Presidente no Expresso, a panelinha ia sendo feita para apanhar todos de surpresa. Assim, não tivemos tempo de respirar nem de barafustar. Logo que anunciaram na TV, já a decisão estava consumada e colocada no site da Presidência da República. Exactamente ao estilo Nicolás Maduro na Venezuela. Bravo! Esta foi de mestre!
O Presidente da República tinha todo o poder nas mãos para interromper este regime ditatorial do Costa, que insiste em pisar as regras democráticas, tratando o país como se fosse propriedade sua. Mas não. Mesmo podendo à luz da nossa Constituição reconduzir a mulher que notavelmente trouxe de novo prestígio e confiança à nossa justiça doente, assinou a sua saída. Também ele a justificar que o mandato deverá ser limitado em homenagem à vitalidade da democracia (cof, cof, cof). Quanto apostam que se esta nova PGR se “portar bem” e na altura da renovação estiver o PS e um “Marcelo” no governo, a reconduzem alegando que um “bom trabalho” não deve ser interrompido? Lamento mas por muito que se esforcem em esconder, esta foi uma decisão política por ser a que mais convinha aos dois intervenientes: Costa e Marcelo ambos com amigos entalados. Se assim não fosse, teriam deixado Joana Marques Vidal seguir seu excelente trabalho, doesse a quem doesse.
Acreditei sempre que o Presidente, apesar das muitas falhas a reboque de um populismo irritante, nos momentos cruciais do país, não falharia com seu dever de isenção pelo interesse superior da Nação que ele representa. Que saberia ser árbitro nos intervalos dos banhos no rio ou dos passeios pelas tascas. Enganei-me redondamente. E não me perdoo por ter contribuído mais uma vez, para a desgraça que vem aí.
Para mim, Marcelo Presidente, nunca mais!
nunca falha

um pobre clown
No último dia de aulas de Marcelo, o último erro político de Marcelo. Se já desconfiávamos que o homem era um boneco de palha nas mãos do líder do segundo partido português, ele fez-nos hoje o favor de o confirmar sonoramente. Marcelo é um pobre clown da política portuguesa. Não conta para nada, não risca nada. Mais lhe valia ficar-se pela Universidade por onde andou quarenta e seis anos.

Isto está a ficar soviético
Joana Marques Vidal e a reeleição de Marcelo
Assunção Cristas e o PSD que conta já vieram dizer que apoiam a recondução de Joana Marques Vidal. Não existindo mandato único, como deveria, e havendo disponibilidade para a recondução, como há, essa deveria ser a única hipótese em cima da mesa. Há apenas uma ala política que discorda: a ala socretina, representada por António Costa. Esta é a altura dos partidos à direita do PS se imporem e garantirem a Marcelo que não apoiarão a sua reeleição caso ele resolva fazer o favor à ala socretina. Eu certamente nunca mais votarei num partido que se una em torno de Marcelo se ele rejeitar a recondução.
O poder do matriarcado

António Costa aterrou em Angola de calças de ganga e milhões de portugueses desataram, de modo obsessivo, a debater questões protocolares e o respectivo dress code. Não é certamente todos os dias que João Carlos Espada se orgulha dos seus compatriotas, mas fontes bem informadas já relataram que o ilustre académico não consegue tirar, desde segunda-feira, o sorriso dos lábios e o brilhozinho dos olhos. Alguns amigos já pensaram em chamar o Batman, mas desconfiam que, à semelhança do ocorrido no filme de Tim Burton, não será uma queda do topo de uma torre da Universidade de Oxford a resolver o problema.
A indumentária do primeiro-ministro, à semelhança da indumentária dos homens em geral, deve ser sempre analisada à luz das decisivas e poderosas influências externas inerentes à mesma. Traduzindo: mulheres. O espécimen do género masculino, como é do conhecimento de toda a gente, veste-se de acordo com o gosto da mãe, da mulher e das filhas. E esse processo não ocorre por substituição mas sim por acumulação: não é por a filha começar a dar uns palpites que a mulher se abstém de participar, assim como não foi a cerimónia matrimonial a conseguir interromper a acção materna. Neste campo particular, Versalhes nunca acabou, e o acto de trajar continua a ser um ritual colectivo.
Não é por isso de estranhar o que aconteceu em Angola. Quem leu a entrevista que Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, deu ao jornal Sol este fim-de-semana, percebe imediatamente quem fez a mala ao chefe do Governo. Queixando-se da atitude subserviente de Lisboa em relação a Luanda, Maria Antónia Palla atacou o agachamento nacional e caracterizou a nossa estratégia diplomática como “política de lambe-botas“.
Em situações normais as mães obrigam os filhos, mesmo debaixo de protestos, a vestir-se adequadamente. Neste caso, pelo contrário, podemos perfeitamente imaginar o seguinte raspanete à saída para o aeroporto: “António, meu filho, aonde é que o menino pensa que vai tão limpo e arranjadinho? Já para o quarto mudar de roupa e que isto não volte a acontecer”.

