Casta?
O General Rovisco Duarte entendeu apresentar a sua carta de «resignação» ao Presidente da _República. Bem sabendo que com isso violava a lei, pois que deveria tê-lo feito ao Ministro da Defesa, seu superior hierárquico. Tal desrespeito mostra bem como o próprio se sente um ser à parte. Provavelmente não será o único. Na dita carta terá invocado «razões pessoais» para a dita «resignação».
Mas terá igualmente escrito uma mensagem aos «militares e civis do exército», a quem afirma que «A todos vós, e unicamente a vós, devo uma explicação». Aquele «unicamente» demonstra que ele não compreendeu de todo o papel e cargo que desempenhou. E desta vez afirma que se demitiu porque «as circunstâncias políticas assim o exigiram».
Todo este comportamento enviesado, duplicidade demonstrada e falta de frontalidade parece um sinal de que o ex-comandante do Exército entende que a sua lealdade e serviço é apenas para com os seus subordinados e não para com o país e a sua forma de organização politica. Já alguns dos seus subordinados, agora arguidos no caso de Tancos haviam invocado a violação da lei e a prática de crimes sob o pretexto de ser do «interesse nacional». Parece existir uma cultura de casta naquele corpo das Forças Armadas, como que a pretender situar-se fora do ordenamento instituído.
Desde o primeiro patético comunicado a relatar o roubo em Tancos que parecia que este comandante estava desajustado do seu lugar. Sucedeu que Azeredo Lopes, portador de um perfil igualmente desadequado, se lhe juntou em sucessivas declarações também elas patéticas, mantendo-se aquela dupla em funções muito para lá do que era razoável face ao que foi ocorrendo e sendo conhecido. E de forma incompreensível, apenas sustentados pela mão do primeiro-ministro até terem mesmo de serem corridos porta fora.
P.S. o General Xavier Matias, presidente do IASFA já entregou a «lista discriminada das fracções em regime económico e em renda livre» das propriedades pertencentes àquele instituto público?
Sorteio para quê?
Se o juiz Carlos Alexandre teve intervenção processual na fase de inquérito, e sendo a fase de instrução destinada a avaliar se há indícios suficientes para levar uma pessoa acusada de um crime a julgamento, isto é, verificar se a decisão tomada pelo Ministério Público no fim da fase de inquérito foi ou não adequada, então porque há-de de ser o mesmo juiz a intervir em duas fases tão distintas e em que a segunda pretende avaliar o realizado na primeira? Aconselha a prudência e o bom senso que sejam juízes diferentes. É certo que a lei permite que seja o mesmo, mas não evitaria uma natural suspeição se tal viesse a ocorrer.
Por estranho que pareça naquele tribunal apenas existem dois juízes. O «Tribunal Central de Instrução Criminal» é um tribunal especializado, localizado, (como não podia deixar de ser), em Lisboa, «com competência para a instrução criminal de processos cuja actividade criminosa grave ou altamente organizada decorra em Comarcas integradas em áreas de jurisdição de diferentes Tribunais da Relação, tendo jurisdição sobre todo o Território Nacional». Para tão vasta e aparente complexa função, apenas dispõe ao serviço de dois juízes, o que nos leva a supor que, ou há pouco que fazer ( e então porquê existir tal tribunal) ou não se pretende dar meios ao mesmo. Adiante.
Carlos Alexandre na sua mais recente entrevista mais parece querer reivindicar um «direito natural» a ser ele a prosseguir à frente do processo, não se coibindo de levantar suspeitas – em tudo iguais ás que os arguidos levantaram anteriormente contra si. Parece uma cisma pessoal, como se fosse um predestinado a tal tarefa. Se aos arguidos é compreensível que tudo façam para tentar torpedear o processo, não se compreende que Carlos Alexandre se lhes junte nesse esforço.
as paixões do engenheiro
O primeiro tema da primeira campanha de António Guterres para as legislativas, já lá vão uns bons anos, foi o célebre «paixão pela educação». Havia, na altura, umas massas valentes da União Europeia para o sector, e o novel governo do engenheiro logo as tratou de gastar. Fizeram-se escolas superiores públicas em cada esquina, umas a seguir às outras, com cursos e áreas científicas que se repetiam sem critério. A única regra, na verdade, era mesmo gastar o que vinha de fora, e aumentar exponencialmente o sector público do ensino superior, procurando reduzir o sector privado (“que, sacrilégio!, só procura o lucro!”) a um mínimo residual.
Como quase todas as paixões, também esta deu para o torto, como qualquer pessoa sensata já na altura poderia antever. A pirâmide etária inverteu-se, passando a ter uma base muito estreita e um vértice alargado, as massas da União Europeia para estes fins acabaram, algum ensino superior privado resistiu ao ataque e até cresceu, e hoje, da paixão do engenheiro, sobram muitas escolas vazias, cursos às moscas e professores desesperados. Nada que certamente o angustie muito, ele que anda agora pela ONU, até porque, como costumava dizer perante as adversidades, “é a vida”.
oktoberfest

As eleições no Estado da Baviera, Alemanha foram muito curiosas. É que a expectativa era que a CSU tivesse de tal modo uma derrota avassaladora que iria colocar em causa a aliança que detém com a CDU de Merkel a nível federal. Estavam também os jornais preparados para muitas análises sobre a incrível subida da extrema-direita da AfD.
Mas não foi isso que se passou? Nem por isso. A CSU, partido democrata-cristão (um dos últimos ainda existentes na Europa), que optou por um discurso um bocadinho mais agressivo face aos imigrantes, tentando conter perdas para a AfP teve de facto uma queda, passando de 47% para 37%. Na verdade perdeu 600 mil eleitores, mas mantêm votação de mais de 5 milhões.
O outro parceiro da coligação federal, o SPD esse sim, teve uma derrota avassaladora e perda eleitoral, passando de 20% para 9,5%. Uma queda de 50% de votantes, com uma perda de mais de um milhão de votos, quedando-se nuns modestos um milhão e trezentos mil votantes. Passou de segunda força mais votada em 2013 para uma humilhante quinta posição .
Do lado dos vencedores, dá-se a entrada directa da AfD com mais de um milhão e trezentos mil votantes, correspondendo a 10% dos votantes. E os Verdes, que mais que duplicam os votos, obtendo 17,5%. De destacar ainda os liberais do FDP que regressam ao parlamento assegurando (à justa) os necessários 5% de votos.
Em suma, a CSU mantêm-se no poder, agora em aliança com o FW, um partido centrista local. E tal resultado não deve mexer significativamente na aliança federal. Pelo contrário, a pesada derrota do SPD poderá implicar uma mudança de liderança e provavelmente uma reavaliação da permanência na coligação federal. O SPD é um partido que não sabe o que fazer. Ou melhor, faça o que fizer (permanecer na coligação federal ou sair), sabe que em qualquer caso perderá votos e tenderá a ser irrelevante no futuro próximo. Essa é que a novidade destas eleições.
Mélenchon: “La République, c’est moi !”
Apesar do desinteresse nacional pela França venho lembrar que o senhor Jean-Luc Mélenchon, líder radical de esquerda, reagiu furiosamente à investigação judicial da sede do seu partido La France insoumise e da sua casa. Em causa estão as contas da sua candidatura.
Acham que se ue escrever que isto aconteceu na casa e na sede de candidatura da le Pen fazem umas breves sobre o assunto?
Filosofia da política orçamental em relação à identidade de género: não sair do armário

Há uma certa celeuma por aquele maricas do poliamor ter dito ontem, no Prós e Contras, que é uma violência (admito que não domino a terminologia dos chanfrados, pode ser outro o termo) quando os pais mandam os filhos beijar os avós. Em primeiro, e porque agora todo o cuidado é pouco, quero deixar claro que “maricas” não significa homossexual, que o que não falta são homossexuais que de maricas nada têm; maricas é aquele tipo que vai para a ópera assoar o nariz, por causa de mariquices como os fenos, perturbando toda a gente com um fagote bem maricas em público enquanto que em casa se limitaria a engolir o muco. Isso é que é um maricas.
Celeumas à parte, porque cada um se indigna com o que quer, o indivíduo tem uma certa razão. Por exemplo, se por um acaso de experimentação poliamorosa com uma sopeira desgraçada pela cegueira de infância e/ou eleitora do PS originasse uma gravidez, não creio que este novo ser fosse capaz de exigir à sua própria descendência que beijasse o avô. Ou a avó, porque, admito, não vi o peculiar humano explicitar o seu pronome de eleição e, consequentemente, a filiação pretendida para seus descendentes.
Por outro lado, e apesar da ressalva do parágrafo anterior, é difícil determinar a autoridade que alguém sem predisposição psiquiátrica para ter filhos possui para botar faladura sobre como se deve educar crianças. É mais ou menos como um padre a opinar sobre as vantagens da mecânica da posição vulgarmente denominada (no cinema especializado) por reverse cow girl sobre a posição do relógio (eu tenho um Kama Sutra no quarto, que me dá muito jeito porque a cama tem uma perna mais curta). E daí, talvez não, que há aí padres com cara de quem percebe mais do assunto do que estes académicos da ficção erótica.
E se já referi dois lados, e porque três é a conta que Deus fez, cá vai mais um: a selecção natural é uma coisa muito bonita. Foi mesmo para isso que se legalizou o aborto.
O que é Portugal?

A mais recente tertúlia da Oficina da Liberdade foi rica em conteúdo e permitiu transformar diversas amizades facebookianas em agradáveis e sãos encontros entre gente que se estima e respeita intelectualmente. Neste particular, lembrou o espírito da primeira edição destes eventos na já longínqua data de 20 de Abril de 2017.
Aproveito, todavia, para fazer uma breve sinopse dos comentários e crónicas que alguns dos participantes tiveram já oportunidade de partilhar aqui.
Gastão Taveira
O OE discute como distribuir umas franjas da despesa, normalmente as que aumentam. São essas que são objecto de discussão entre os partidos. Não há respeito por quem alimenta a máquina. Os contribuintes são esmifrados. Muitos já não querem saber de como é feita a distribuição, mas apenas de quanto vão ter de pagar.
Luiz Rocha
Começámos por pagar impostos para custear as funções de soberania (bons tempos!), depois houve que financiar as políticas desenvolvimentistas (o Estado a meter-se na economia) e agora pesam sobretudo as funções sociais (a descarada “compra de votos”), cujo contínuo aumento monopoliza hoje as discussões de mercearia de cada orçamento.
José Meireles Graça
E conclui-se – eu concluo – que a direita democrática, com todas as suas capelas, não tem a mania da superioridade moral nem integra nas suas fileiras quem tenha como propósito político inventar mais maneiras de dependurar no Estado novas resmas de dependentes.
Rosário Coimbra
Lamentei que para o Camilo Lourenço a regionalização seja uma questão geográfica e não um modelo de governação.
Sirvo-me deste último comentário da Rosário para registar o entusiasmo com que o tema da regionalização foi tratado no encontro da passada sexta-feira no Porto e destacar a propósito uma passagem de um artigo de hoje no Jornal Económico de um dos faltosos a esta reunião, o Bruno Alves:
Por muito negativa que essa centralização seja (para os lisboetas e para todos os outros) não será um conjunto de decretos governamentais a eliminá-la. A descentralização que se prepara, e as “descentralizações” de que por aí se falam, não descentralizarão nada, nem o pretendem fazer. O seu único propósito e resultado é dar aos vários poderes locais – suportes dos (e suportados pelos) partidos do poder nacional – alguns meios adicionais de compra de votos, locais e nacionais, nas respectivas terras. O resto é apenas vã conversa para preencher aquilo a que por cá erroneamente se chama de “debate político”.
Com toda a certeza o Carlos Novais e o Carlos Guimarães Pinto não deixarão de partilhar também neste mesmo local as suas opiniões sobre o assunto. Um numa perspectiva mais municipalista-libertária, o outro num pendor mais liberal-descentralizador.
Enquanto aguardamos os seus contributos, deixo-lhes aqui como estímulo um áudio de onze segundos com a forma como Daniel Bessa nos caracterizou nessa noite o que é Portugal:
# Adenda | 17Out @ 19h10: Os textos do Carlos Novais e do Carlos Guimarães Pinto já estão disponíveis online aqui.
Liberdade e bafio
No passado dia 12 de Outubro, no Porto, a Casa do Vinho Verde encheu-se para mais uma tertúlia liberal, organizada pela Oficina da Liberdade (http://oficinadaliberdade.com/). Num país anestesiado, infantilizado e imbecilizado, as intervenções dos oradores, Daniel Bessa e Camilo Lourenço, assim como a fantástica participação da assistência com “statements” uns atrás dos outros, representaram uma lufada de ar fresco que contrastou com o bafio da choldra em que vivemos. Ali se falou que é preciso (meu resumo) devolver a liberdade aos indivíduos, objectivo que jamais será conseguido enquanto o orçamento de estado se centrar na função redistributiva, por natureza bastante susceptível à barganha de interesses e votos. Por isso, por momentos vi-me transportado para um país com remédio, ao ouvir os ilustres e os menos ilustres tocarem nos pontos fundamentais que representam a minha visão de sociedade livre. De facto, se há um programa de acção que deveria unir os liberais, ele passa exactamente pela ideia contra-natura de (des)fazer. Desfazer despesa pública e desfazer impostos.
Entretanto, o meu delírio durou pouco. Hoje, li num jornal económico que o orçamento para 2019 DARÁ mil milhões às famílias. Foi o regresso ao bafio, de que nem a comunicação social de cariz económico escapa.
Interrogatórios que correm mal: uns indignam, outros omitem-se
Jamal Khashoggi e Fernando Albán morreram durante interrogatórios efectuados por funcionários dos respectivos países, dentro de instalações custodiadas por esses mesmos países: um consulado no caso de Jamal Khashoggi e o edifício dos serviços de informação no caso de Fernando Albán .
A pressão internacional é essencial para que a verdade seja apurada. Mas enquanto que todos os dias temos notícias sobre o acontecido a Jamal Khashoggi o esquecimento cai sobre Fernando Albán. E assim enquanto que Autoridades sauditas irão admitir que jornalista Jamal Khashoggi morreu num interrogatório que correu mal. na Venezuela, como de costume, temos duas teses e responsabilidades para ninguém; Tese da oposição é que autópsia detetou água nos pulmões, mas que os resultados foram alterados a pedido do governo de Nicólas Maduro. Tese oficial é que opositor se suicidou nos serviços secretos.
Amizades de Costa
O novo ministro da Economia toma posse, acumulando com a pasta de Adjunto do PM que já tinha, bem sabendo que o Tribunal certamente o demitirá, mais dia menos dia desta ultima pasta por acumulação indevida de funções privadas já enquanto ministro. A sua nomeação para novo cargo deve ser apenas uma forma de evitar ser corrido forçadamente do Governo. É certo que se manterá a questão das suas falsas declarações, pois que ele invoca ter renunciado a 15/12/17 à gestão da empresa por si criada um dia antes de tomar posse pela primeira vez como ministro, mas uma semana depois (21/12/17), entregou declaração no TC onde afirmava ser ainda gerente. Uma das duas declarações é falsa.
Curioso para ver o que sucederá ao que agora o spin socialista tenta forçada e infundadamente designar por «super-ministro». É de notar ainda que o seu ministério perde a pasta da Energia para o ministério do Ambiente. Não por qualquer razão política, de reorganização dos serviços, de opção programática. Mas apenas simplesmente por questão pessoal, pois que o actual ministro declarou-se impedido por razões profisssionais de lidar com assuntos dessa área. É portanto uma remodelação caseirinha, onde se dá um jeitinho na orgânica do governo para enquadrar a pessoa, o poder ao serviço do sujeito embora devesse ser o contrário….
Curioso e preocupante ainda o assalto partidário por parte do PS ao sector energético. É uma chefe de gabinete e um deputado na «entidade independente» ERSE, é um comissário politico, líder do spin mais básico como secretário de estado da energia. O que quer o PS dali? Não se diga depois que o fizeram às escondidas, é mesmo em frente de toda a gente.
A falta de motivação e de senso
Como é que ao fim de umas horas se conclui que “ o individuo não agiu com motivações de caráter terrorista.“? Ao contrário do que acontece com o alcool e as drogas não existe um teste para as motivações de caráter terrorista.. Perguntaram ao senhor se ele tinha essa motivação e ele disse que não? Olharam para a cara dele e disseram “Não parece terrorista”?…
À atenção dos comissários do racismo e do género
Lendo a notícia da Lusa (ver abaixo) constatamos que os homens correm mais depressa que as mulheres e que os nem um branquelas, asiático ou indiano conseguiu subir ao podium.
Não acham que deviam ser criadas umas quotas para não etíopes e não quenianos nestas provas?
Os atletas etíopes Limenih Getachew, em masculinos, com um novo recorde da prova, em 2:07.24 horas, e Kuftu Dediso, em femininos, venceram este domingo a edição 2018 da Maratona de Lisboa. A prova acabou por ter um bom nível, já que as condições atmosféricas ajudaram, com nove atletas, todos africanos, a fecharem em menos de 2:10 horas. O 10.º classificado e melhor não africano, foi o português Hermano Ferreira, atleta do Benfica, que, depois de passar por muitas dificuldades físicas, terminou em 2:10.11.
Na prova feminina, Dediso esteve sempre na frente e ganhou com um novo recorde pessoal de 2:24.56, superando claramente a queniana Monica Jepkoech, segunda, com 2:27.35, e a também etíope Tigist Memuye, terceira, com 2:28.35. A melhor portuguesa foi Rosa Madureira, do Penafiel, que terminou no sexto lugar, em 2:47.17
o “fardo do homem branco” já não é o que era
Tenho lido toneladas de artigos publicados em Portugal e ouvido inúmeras opiniões sobre o resultado da primeira volta das eleições brasileiras, e o que será a provável vitória de Bolsonaro na segunda. Em nenhuma delas vi uma tentativa útil e séria de procurar as razões que levaram a que um político menor, completamente desbocado, que anda no activo há vinte e sete anos tenha obtido 50 milhões, repito, 50 milhões de votos na primeira volta das eleições.
Uma eleição onde ele não foi um último recurso, porque nela figuraram treze candidatos. Desses, muitos são de direita ou do centro-direita e são pessoas com competência política demonstrada, como o Senador Álvaro Dias, o Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles. Por mim, se fosse brasileiro, Alckmin teria o meu voto: é razoavelmente honesto (até hoje, só se viu envolvido em suspeições de financiamento partidário ilegal, o que é o “pai-nosso de cada dia” no Brasil) e foi um excelente gestor público em todos os cargos que exerceu ao longo da sua longa vida política. Todavia, no Estado de São Paulo, que Alckmin governou durante muitos anos, Bolsonaro teve 53% dos votos, enquanto Geraldo obteve uns humilhantes 9,53%.
A intelligentsia portuguesa, de forma displicente e sobranceira, como quem vai ensinar aos brasileiros o que eles devem fazer, inventa todo o tipo de teorias e não vê o óbvio. Ou melhor, isto é, ou pior, faz de conta que não o vê. Ainda há dois dias, na noite televisiva de um canal qualquer, um fulano que andou, por décadas, a rabiscar nos jornais conseguiu dizer esta coisa absolutamente patética, sem se rir: «os brasileiros vão eleger o Bolsonaro sem sequer lhe conhecerem as ideias, porque ele se está a furtar aos debates com o Haddad». Ora, se há coisa que os brasileiros conhecem bem sãos as “ideias” de Bolsonaro, por sinal muito simples de entender, porque ele as proclama aos sete ventos, há muitas décadas. Outros “inteligentes” afirmam que o povo brasileiro votou sem maturidade, que está a ser enganado, e que não tem discernimento para eleger quem merece. Bom, então chegaremos exactamente ao mesmo resultado do que acusam que Bolsonaro pretende: o povo não está preparado para a democracia, logo, tirem-lha!
Não vale a pena procurarmos dar lições de superioridade democrática a pessoas e a países onde não vivemos. No caso do Brasil, as coisas chegaram a um ponto tal, graças à corrupção generalizada que o PT praticou e permitiu durante 13 anos consecutivos e à violência desenfreada que por lá se vive, que quase metade dos eleitores brasileiros disseram o que as boas consciência indígenas se recusam a perceber: querem um regime musculado, que trate a violência com violência e a corrupção com intransigência. Foi exactamente isso que disseram na primeira volta das eleições e que repetirão, provavelmente de modo ainda mais enfático, na segunda. Vai ser bom? Vai ser mau? A ver vamos. Mas, em qualquer cenário, fica-nos mal tratar os brasileiros com a mesma sobranceria que o antigo colono europeu utilizava em África para tomar conta de uns “pobres infelizes” que não se sabiam governar.
Em 2017 foram mortos, em homicídios violentos e voluntários, 63 mil brasileiros. Mais de 15% de todos os homicídios registados no mundo durante esse período. Enquanto isso, a classe política dirigente banqueteava-se com os impostos do povo e as riquezas do país, e saía diariamente nas primeiras páginas dos jornais com contas cheias de dólares na Suíça. Não é necessário ser um génio para compreender o que se está a passar no Brasil.
Podiam até fazer o telejornal na sala de jantar
Não há melhor pessoa para a direcção de informação da RTP do que a prima do António Costa, Maria Flor Pedroso. Normalmente, um director de informação tem que passar pelos trâmites protocolares para verificar uma acção de propagan… quer dizer, de elevado valor político e económico para a sociedade. Assim, poupa-se a trabalheira: uma pessoa até pode discutir a estratégia de informação da televisão pública durante a ceia de Natal.
Viva a televisão pública!
iniciativa liberal

Em dia de ciclópica tempestade ciclónica, o Carlos Guimarães Pinto foi eleito presidente da Iniciativa Liberal.
É uma boa notícia, porque o Carlos é um sujeito brilhante, com enorme capacidade, e que está ainda naquela fase da vida em que se podem fazer algumas coisas, porque se tem a ilusão de Arquimedes de que, com uma alavanca e um ponto de apoio, se consegue levantar o mundo. O Carlos conquistou ontem, por mérito próprio, o dito ponto. Aguardemos, agora, para ver como manejará a alavanca.
Espero, no entanto, que as novas responsabilidades não o façam aligeirar aquela em que me parece ser mais útil, e na qual se tem notabilizado e conquistado inúmeros admiradores, que é a de escrever, opinar e publicar. Seria uma péssima troca, se isso acontecesse, mas acredito que o Carlos Guimarães Pinto continuará a distinguir o essencial do acessório.
Parabéns e boa-sorte!
P.S.: Parabéns, também, ao Miguel Ferreira da Silva, que foi um bom presidente da IL, até porque fez sempre o que tinha de ser feito. Não deixará, certamente, de intervir politicamente como bem entender, até porque está agora livre de responsabilidades institucionais.
Regionalizando-me
Um dos temas que se discutiu na tertúlia realizada ontem foi o da regionalização. Admito que o tema me dá um bocado de urticária — posso até o demonstrar com uma fotografia. Mesmo assim, dotado de pápulas vermelhas, admito que há bons argumentos contra e a favor, desde que considerados no plano académico. Quando os começamos a considerar no plano da portugalidade, os argumentos a favor caem todos por terra. Ora veja lá: considere o poder central; qual é a figura do governo que lhe apraz considerar como pessoa de seriedade a toda a prova, de uma magnificência na competência de gestão do dinheiro dos outros e com quem casaria a sua filha herdeira do colar de pérolas da bisavó? Nenhum, não é? Agora desça um bocadinho na hierarquia do estado: qual o autarca que apresentaria à sua avó como fiel depositário da herdade da família? Não vale nomear o seu primo, estamos a falar de pessoas eleitas, não os que nos tocam na rifa.
A regionalização é o primeiro passo para que o Estádio Avelino Ferreira Torres, além de ser servido pela Avenida Avelino Ferreira Torres, passe a ter acesso pela Autoestrada Avelino Ferreira Torres no troço delimitado pela Fronteira Avelino Ferreira Torres com a Alameda Fátima Felgueiras, a que leva à Praça Fátima Felgueiras, onde há o Coreto Fátima Felgueiras e o Gimnodesportivo Fátima Felgueiras. Tudo isto perante a galhardia do Forte Isaltino Morais, situado na cidade murada Isaltino Morais. Podia ser diferente? Podia, mas, para isso, as pessoas teriam que ser diferentes, o que é, aliás, o que defendem os comunistas como condição necessária para a manutenção do comunismo: o Homem Novo.
Para quem prefere o Homem Velho, nada como saber como funciona o velhaco que há em cada um de nós quando o dinheiro não nos sai do bolso.
(Texto enviado do Centro Tecnológico Valentim Loureiro).
já vai tarde. muito tarde
É lastimável que o cidadão que até há poucas horas exerceu o cargo de Ministro da Defesa não tenha saído de cena há um ano, pelo seu próprio pé, quando ficou demonstrado que efectivamente não controlava o ministério onde, em má hora, o puseram. Se, nessa altura, o tivesse feito, teria saído com dignidade, e ficado apenas com responsabilidades políticas, que a demissão sanaria, porque, obviamente, não lhe podiam ser pessoalmente assacadas quaisquer outras. Infelizmente – para ele, claro – andou mais de um ano a fazer tristes e lamentáveis figuras, tentando justificar o injustificável, enredando-se em espertalhonices e ironias sobranceiras e deprimentes, saindo, agora, pela porta dos fundos, quando Vasco Brazão, farto de estar preso provavelmente por conta doutrem, deu a entender que está disposto a falar. Diga, este último, o que vier a dizer, ficará sempre a suspeição de que o ex-ministro sabia de tudo, que terá sido, no mínimo, conivente com a “solução” ensaiada, ou até mesmo agente activo em defesa própria. Para todos os efeitos, qualquer que venha a ser o desenlace deste caso, de uma coisa poderá o ex-ministro estar certo: agora que caiu, António Costa não torcerá um dedo para o defender, mesmo que boa parte da desdita que se abateu sobre o zeloso ex-chefe de gabinete de Rui Moreira possa ter sido culpa sua.

Adenda: Nem na hora da saída, em que certamente arrumou a sua carreira política, o ex-ministre se retira com dignidade. Em vez de dizer a verdade, o que só lhe ficava bem, que saía porque a sua posição já não era sustentável e não queria prejudicar o governo e as forças armadas, serviu-nos mais uma parlapatice, a de que sai para «proteger as Forças Armadas de ataque político» que lhe estão a fazer. Que falta de tino, Azeredo!
A indignação com a violação depende do perfil do agressor e não da solidariedade com a vítima
Assim se explica que destes casos não só não se fale como até se tem medo de falar
O azar de Cristiano Ronaldo
Não, não vou fazer como a maioria que se antecipa sobre o processo judicial contra Cristiano Ronaldo. Acompanharei a evolução do caso com expectativa, esperando que a verdade, acima de tudo, se revele. Doa a quem doer.
Sem saber ainda da culpabilidade de cada interveniente, não deixo porém de me preocupar com um fenómeno, cada vez mais evidente, do perigo que é hoje ser homem, principalmente se for bem sucedido, multimilionário, jovem e bonito. Como pode um homem, muito mais nestas circunstâncias, proteger-se das armadilhas sexuais? Sim, porque não podemos negar que elas existem. Será no futuro, com contrato assinado e reconhecido no notário, antes de qualquer demonstração de interesse por uma desconhecida? É que, digam o que disserem, a maldade e ganância humana não tem limites e uma vez lançada a rede sobre a vítima, este crime é tão hediondo que destrói primeiro, sem qualquer hipótese de ser travado, muito antes de se apurar o que realmente aconteceu. Para depois, muitas vezes, se verificar que era falso. E é exactamente o que estamos a assistir: a vida de Ronaldo já está toda a desmoronar, com cancelamento de patrocínios, queda abrupta das acções do Juventus e jamais voltará a ser igual, mesmo que seja absolvido. Isto é assustador.
Os danos são irreversíveis numa sociedade que hoje, rapidamente vitimiza a mulher partindo logo do princípio que ela nunca mente, porque ninguém mente sobre um caso monstruoso destes. Uma sociedade que agora, abomina e bem, a violência sobre as mulheres. Mas pergunto: serão as mulheres sempre vítimas sexuais? Serão os homens sempre os predadores? A resposta é tão simples: não. E esse é o problema.
No entanto, a devastação ciclónica, cai agora, em cima da vida dos homens. Porque a dúvida, quando se instala, é corrosiva e se antes pesava sobre a mulher, hoje pesa só sobre o homem. Não era suposto a sociedade evoluir e acabar com estas injustiças? Estamos a fazer aos homens o que os homens fizeram connosco, porquê? É isto a luta pela igualdade de género? Tirem-me deste filme porque sou mãe de um menino, caramba!
Depois vem os conceitos de “violação”. O que ontem não passava de uma mera persistência/desejo entre casal em que um, sugere de forma mais entusiasmada vontade, hoje é tido como uma “violação” no pior sentido da palavra. Agora pergunto novamente: quantos casais, não se “violaram” ao abrigo deste novo conceito? Saberiam eles que estavam perante uma forma “cruel de violação” e por isso não exigiram seus direitos ou simplesmente não viram de todo nisso uma violação? É claro que um não é sempre um não. Mas há nãos que, durante o acto, são apenas “nims” porque simplesmente acabamos por deixar acontecer, sem nos levantar e sair dali imediatamente. Logo, mesmo não gostando muito do menu, anuímos ao continuar ali. Todas sabemos isto.
Mais: porque razão são sempre homens com muito dinheiro os maiores alvos deste tipo de processos? Não há carteiros, motoristas, pedreiros ou empregados de mesa abusadores? Que relação tem o poder e o dinheiro nesta equação elevada de denúncias de abuso sexual? É que, sendo os homens remediados em maioria, não se entende porque não há ocorrências destas todos os dias. E as mentiras que já conhecemos de mulheres desmascaradas anos mais tarde de supostas violações, não deviam obrigar a prudência na hora de acusar? E se fosse proibido revelar a identidade dos acusados até concluir o processo, haveria tantas denúncias sobre famosos?
Não, não estou a desculpar ninguém. Muito pelo contrário. Estou a levantar questões para reflexão porque urge parar para pensar. Serão os nossos filhos amanhã a passar por isto. Serão eles as próximas vítimas. Banalizar a violência sexual é regredir na luta contra estes crimes. Se a forma como se trata estes crimes não for alterada, protegendo a identidade do arguido até provar sua culpabilidade, terei como mãe de ensinar meu filho a proteger-se de um modo que jamais equacionaria num mundo civilizado. Mas infelizmente, esse será o caminho.
Porque quer queiramos admitir ou não, as dúvidas são imensas neste processo de acusação a Ronaldo. E algumas saltam à vista. Não se entende por exemplo: o que faz uma mulher, casada nesse mesmo mês e ano da violação, completamente descontraída sem complexos, claramente a seduzir um homem, à vista de todos, numa discoteca em Las Vegas; o que a faz subir depois à suite, repito, sem qualquer problema de ser vista, podendo comprometer seu casamento; como foi possível consumar o dito acto durante 7 minutos consecutivos, se basta que a mulher se recuse veemente e se erga de imediato, para interromper ou para afastar a possibilidade de penetração que por si, já não é fácil. Violência física? Mas essa não deixa marcas visíveis? E nessa luta não há objectos partidos ou gritos? Houve? E as três pessoas presentes não deram por essa agressividade? E o tal documento? Foi por via do que foi referido ou depois de consumado o acto consentido, uma chantagem para conseguir dinheiro que resultou num acordo de confidencialidade?
O azar de Ronaldo foi e é, ser o homem mais cobiçado e invejado do Planeta, por homens e mulheres. O suficiente para haver quem lhe queira ver a vida arruinada.
Perante isto, aguardemos que a justiça responda de forma célere a todas estas dúvidas e que sejam punidos os que aqui faltam à verdade pelo bem da credibilidade da luta contra a violência sexual.
A teia
Lembram-se dos manuais escolares portugueses que terão de ser adaptados para transmitirem a versão politicamente corrcta dos Descobrimentos que também não podem ser designados como Descobrimentos? Pois o relatório foi elaborado sem que os seus autores tivessem aberto um único manual. Um sequer. Umas ONG disseram o que lhes parecia e o relatório nasceu. O MALOMIL conta a história: a revista SÁBADO questionou a ECRI, que confessou não ter lido um único manual de História vigente em Portugal. Um único. Nada. «A ECRI não avaliou directamente o conteúdo dos livros». Como? Então o que fez a ECRI? O «ensino da História nos manuais foi apontado por algumas ONG como um motivo de preocupação». Quais ONG’s?, perguntou a SÁBADO. A ECRI declinou responder, devido a «regras de confidencialidade». Como??? Então onde está a transparência de procedimentos, o direito dos cidadãos a serem informados? Como podemos indagar da credibilidade das organizações ouvidas, da sua representatividade?
Há dias que mais vale não ler o email…
Caiu-me isto na inbox: http://www.ver.pt/e-agora-ou-nunca-estamos-a-ficar-sem-tempo/
já esta semana tive o azar de me cruzar com um grupo de tolinh@s que propõe uma solução para este disparate das alterações climáticas: querem os ditos que deixemos de comer carne…
Já não há paciência…
A esquerda caviar já fez todos os negócios que tinha projectado?
Bairro Alto, Madragoa, Castelo, Alfama, Mouraria. Câmara suspende novos alojamentos locais Com base em falácias como A pressão turística no centro histórico de Lisboa traduzida por números: 34% das casas já são ocupadas por turistas. (quantas destas casas estavam devolutas antes de terem sido transformadas em alojamento local?…) o Estado está a intervir no mercado de arrendamento. O que vai acontecer é mais ou menos o que acontece com os táxis: mercado negro para as autorizações já dada; desvalorização do património imobiliário nos bairros agora vedados ao alojamento local…
A ficha não estava errada: a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é activismo puro
A ficha distribuída aos alunos da escola Francisco Torrinha, no Porto, durante uma aula de Cidadania e Desenvolvimento, no âmbito do tema Igualdade de Género, não estava errada. Esta disciplina é que é um erro do princípio ao fim e quem a lecciona ou faz proselitismo da religião do activismo jacobino ou não cumpre o programa.
Coisas que a história silenciou…
A ler: http://historiasdelahistoria.com/2018/10/10/esclavas-sexuales-en-alemania-italia-y-japon-durante-la-segunda-guerra-mundial
depois não se queixem
Ninguém certamente acredita que um director da Polícia Judiciária Militar e um oficial de alta patente seu adjunto tenham inventado, sozinhos, uma aldrabice, para supostamente ilibarem ladrões seus amigos, e, depois, tenham feito disso um memorando e dado conhecimento ao chefe de gabinete do ministro da tutela. Como também ninguém imagina que este último ficasse com essa batata quente na mão e não a fizesse imediatamente chegar ao seu superior hierárquico, o ministro, a quem reporta. E quanto ao ministro, pobre homem!, saído do doce e macio remanso da burocracia camarária, antecedido por uma sinecura no lápis azul do regime, quem se atreverá a fazer dele um frio e solitário conspirador, qual personagem saída de um romance de Le Carré, para salvar a sua pele e a do governo a que pertence?
A verdade é que o caso das armas de Tancos estava a embaraçar – e a ameaçar – o governo, como apenas o caso dos incêndios – e mortos – de Pedrogão o fez. António Costa, que governa para os «sound-bites» da comunicação social e para a maioria absoluta no próximo ano, não podia deixar a situação apodrecer eternamente. E, em estado de desespero, acontecem os actos desesperados. E estúpidos, com a esperança de que ninguém perceba, que ninguém dê conta. Aldrabar o próximo e não assumir as consequências de actos e factos impopulares é o caminho certo para a ruptura da confiança mínima entre eleitor e eleito, em que se baseia qualquer regime democrático.
O que nos separa do Brasil é, apesar de tudo e ainda bem, a violência. Quanto a corrupção, à nossa pequenina escala, não pedimos meças a ninguém. Não se admirem, por isso, que um dia destes não apareça por aí um Bolsonaro. Bem o começamos a merecer. Depois venham dizer – como por lá dizem também – que não percebem o que se passa, e que os problemas se podem resolver por quem os tem vindo a criar.
Se pesquisar por “enviesamento” dará alguma coisa?

Zero é a resposta no site da Amnistia para Fernando Albán o político venezuelano “suicidado”. Por contraste pesquise-se Marielle Franco
Ps. Será possível que nenhum partido tenha apresentado no parlamento português um voto de pesar pela morte de Fernando Albán? Recordo que este morreu dentro das instalações policiais. Tendo em conta a comoção que tomou a AR aquando da morte de Marielle Franco é extraordinário este silêncio.
Em busca do Mapplethorpe português

Estou curioso sobre os critérios e fundamentos que se irão apresentar para as escolhas das obras que o estado irá adquirir.
Não se compra arte. O PS compra o silêncio de uma pacóvia minoria com influência mediática lambuzando os “artistas” mendigos com uma esmola.
O contribuinte paga.
Pode ser que se descubra o Mapplethorpe português. Todos ficarão radiantes. Pelo menos todos os que frequentam o Bairro Alto, circulam em festas privadas da capital, experimentam dos gostos certos, possuem a dose de urbanidade necessária para parecer bem e têm mundo. Eis a nossa cultura.
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Jovem, já andaste a brincar com os genitais dos teus amigos?
Não há um único contexto em que se possa perguntar a uma criança de 9 anos se se sente mais atraída por rapazes, por raparigas ou por ambos. Tentei encontrar algumas possibilidades legítimas para a questão, mas acabei sempre com a imagem de um indivíduo de gabardina ou de uma mulher gorda tatuada a analisar os resultados com um esgar mefítico, e bloqueei o resto do filme mental antes que o cérebro acabasse apreendido pela polícia por obscenidade.
Numa era em que um mamilo pode despertar a ira do Instagram ou uma sobrevivente de cancro da mama pode ser acusada de obscenidade no Facebook por sugerir mamografias regulares, estou condicionado para esperar o pior quando alguém acredita que não gerará qualquer sururu ao perguntar a pré-púberes se se conseguem imaginar na cama com alguém.
Eu sou pai de pré-púberes e nunca me ocorreu fazer uma pergunta tão estúpida, apesar da quantidade de perguntas estúpidas que faço, como “o que estás a fazer?”. Agora que falo nisto, estou a ter um desejo incontrolável de me ir lavar. Vou ignorar porque, decerto, amanhã já o assunto estará esquecido. Tenho mesmo que me habituar a não me deixar afectar pela modernidade da escola pública. Graças a Deus não foi uma pergunta grave, como “acreditas no Pai Natal?” ou “um crucifixo ali na parede ofende-te?”
Até porque se tu, jovem, já andaste a brincar com os genitais dos teus amigos, nós aqui, na escolinha, queremos que saibas que não estás a fazer nada de errado e deves até experimentar com meninos do(s) sexo(s) contrário(s) ao que já experimentaste. Isto da escola servir para o método científico, por via do incentivo à experimentação, é outra fruta.
mas como poderia s.ª ex.ª saber?

– Estou sim, fala do Ministério da Defesa?
– Não, aqui fala do Ministério do Ataque, eheh!
– Como?
– Não ligue, que era brincadeira, dizem que «a melhor defesa é o ataque», por isso…
– Ah, já percebi. Adiante. O Senhor Ministro está?
– Não, não. Saiu. Está em manobras?
– De Exército?
– Do Exército? Qual quê, está a manobrar o novo BM 750 do ministério. É que ele gosta de conduzir carros potentes, mas ainda não se habituou ao novo.
– Muito bem. É que eu queria mandar entregar uns documentos ao Senhor Ministro, mas tem de ser pessoal. Coisa muito importante.
– Muito importante? Um convite para uma festa na Quinta da Marinha?
– Não, não. Coisa séria. Como é que faço?
– Passe por aqui e deixe na recepção. Entregamos ao ministro, quando voltar, ou ao chefe de gabinete se ele demorar muito.
– Ok. Mas não se esquecem, pois não?
– Não se preocupe, que isto aqui é tudo gente competente. Nunca falhamos. E se o ministro não aparecer, leio eu, que estou na portaria há mais de quarenta anos, quando ainda havia Ultramar.
Da Arquitectura

Acreditando na opinião de consagrados politólogos portugueses, o momento decisivo para a vitória de Mário Soares nas eleições presidenciais de 1986 foi a paulada que levou na Marinha Grande durante a campanha eleitoral. O candidato tinha entrado na corrida com péssimas sondagens, desgastado pela forte austeridade que aplicou enquanto primeiro-ministro, mas o incidente marinhense, aproveitado com inteligência pelo socialista, virou tudo do avesso. Claro que há quem desvalorize este episódio e que, enveredando pela complexificação, defenda a vitória de Soares como fruto de múltiplos e intrincados factores. A esses, que gostam de puxar pela cabeça, sugiro que vão ler Joyce ou Proust, pois aqui, por motivos filosófico-preguiçosos, nunca se percorrem caminhos difíceis quando existem atalhos à disposição.
É por isso que Fernando Haddad, em vez de complicar a sua própria vida visitando presidiários de quem os brasileiros estão manifestamente fartos, devia era tratar de apanhar uns calduços com a maior brevidade possível. A minha sugestão é que organize esse evento no Recife, a cidade pernambucana que abrigou no séc. XVII a primeira fábrica de vidros do país. Essa inovação artesanal, trazida pelos colonizadores holandeses da época do príncipe Maurício de Nassau, faz do Recife o local do Brasil com mais pontos em comum com a Marinha Grande, ou seja, o sítio indicado para aplicar a estratégia política do “quanto mais me bates, mais votam em mim”. Acredito que Haddad, um professor universitário de ciência política, considere a táctica da cacetada demasiado primitiva para os seus pergaminhos académicos. No entanto, julgo que qualquer acção, incluindo apanhar na cara, demonstra mais sofisticação intelectual do que fazer de porta-voz de Lula da Silva numa altura em que tenta obter os votos dos que se sentem vítimas de Lula da Silva.
Em 1986, após a primeira volta das eleições presidenciais portuguesas, Álvaro Cunhal pediu aos comunistas para taparem a cara de Mário Soares no boletim de voto com uma mão e votarem nele com a outra. E os comunistas acataram a solicitação, engolindo um sapo bem bochechudo, porque o candidato socialista abandonou as provocações ao PCP e foi ao encontro dos seus militantes. Se os assessores de Haddad tivessem feito parte do MASP I, teriam certamente aconselhado Soares a fazer um comício na Fonte Luminosa e a viajar até Moscovo para fazer xixi no Mausoléu de Lenine. Infelizmente para Freitas do Amaral, não fizeram.
Por vezes, quando é bem conseguida, a arquitectura ensina-nos coisas. Na época em que se iniciou a construção da cidade de Brasília, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, os responsáveis máximos pela Nova Capital, fizeram da Praça dos Três Poderes o espaço mais nobre do país. Inspirados por Montesquieu, nela incluíram três edifícios monumentais, destinando cada um deles a cada um dos poderes da República. Assim, o poder legislativo, o poder executivo e o poder judicial poderiam ser harmoniosos vizinhos no mesmo bairro, mas não correriam o risco de viver em promiscuidade na mesma casa. Fernando Haddad, olhando para o que o rodeia, devia perceber uma evidência: se as ideias do PT tivessem alguma lógica, Lúcio Costa e Niemeyer teriam metido o Supremo Tribunal Federal na cave do Palácio do Planalto.
O Orçamento em que estado nos deixa?

Esta sexta-feira, no Porto, realiza-se mais uma tertúlia promovida pela Oficina da Liberdade. O blasfemo Alexandre Mota estimulará a conversa entre os convidados Daniel Bessa, Camilo Lourenço e todos os presentes no evento.
Eventualmente será abordado o caso Ronaldo… das Finanças.
A entrada é gratuita e decorre no que é considerada uma das mais bonitas casas da cidade.
Então, até sexta-feira!
*
O parlamento português vai pronunciar-se?
Vamos!
Há aquele momento em que nos sentimos na obrigação de dizer que Beltrano e Sicrano são nossos amigos e, dessa forma, desculpamo-nos de afirmarmos, logo de seguida, que concordamos com algo que disseram. É uma forma de protecção do cinismo, aquele que está pronto para nos acusar de concordarmos porque foi o nosso amigo que o disse. Eu não vou fazer isso. A entrevista do Miguel Morgado ao Expresso desta semana é notável, mas não é notável por ele ser meu amigo, é notável apesar disso. E é notável porque elabora impecavelmente a frase que o jornal, e bem, decidiu escolher para título: “é preciso romper o consenso entre PS e PSD em questões europeias”.
Enquanto o país se diverte no saudosismo de um africanismo ultrapassado, numa realidade alternativa que nunca foi a do país, quer pela importação de modas ideológicas de outras andanças, quer na pequenez de quem se sente embaraçado com a pertença física ao Velho Continente numa azeiteirada cosmopolita de comicidade hollywoodesca que só serve para empregar filhos do regime como antes um sapateiro poderia assegurar ofício a imberbe aprendiz, alguém tem, finalmente, a audácia de trazer para a discussão a necessidade de Portugal querer mais da Europa que o subsídio à carreira de jogral. Não admira que exemplares da classe, como Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes, mostrem preocupação: todo o seu rendimento advém de massajar estúpidos e/ou incautos.
Vamos lá, então? Vamos abanar a árvore onde a macacada se instalou? Eu estou pronto. Vamos fazer o que ainda não foi feito.
Nobel da economia
Vale a pena ler este post noutro sítio: https://economicsociology.org/2018/10/08/nobel-winner-paul-romer-economists-use-math-to-mislead/
Isto não bate certo
“Hoje, domingo, 07 de outubro, o secretariado geral da Interpol em Lyon, em França, recebeu a demissão de Meng Hongwei, na qualidade de presidente da Interpol, com efeito imediato”, refere um comunicado divulgado no Twitter, algumas horas após a mulher do dirigente chinês ter afirmado perante os media em Lyon que o seu marido estava “em perigo” na China.” SE eng Hongwei ESTÁ PRESO COMO APRESENTA A DEMISSÃO? COMO SE PODE SABER QUE a demissão É VOLUNTÁRIA? E É VERDADEIRA? QUEM FEZ CHEGAR A DEMISSÃO À INTERPOL?
Um homem um voto mas o homem tem de votar como deve ser
Tendo em conta a irritação que por aí vai com o sentido de voto dos emigrantes brasileiros deve estar a ser criado um movimento para que o voto seja restrito aos seguintes brasileiros:
a) amigos e conhecidos dos jornalistas portugueses que como se sabe e viu apenas conhecem brasileiros que não votam em Bolsonaro;
b) professores universitários, artistas, escritores
Todos os outros brasileiros devem trocar o direito de voto por sessões de esclarecimento organizadas por pessoas esclarecidas e progressistas.

