Depois de se ter esforçado o mais possível para não ser confundido com um crítico a António Costa, Francisco Assis descobriu a sua vocação: fazer campanha no Brasil.
aqui fika o link para a entrevista de um preso polútico venezuelano: “Juan Manuel Santos, el Nobel de la Paz, me secuestró y me entregó a Nicolás Maduro”
O boato era a arma da reacção. Agora são as fake news.
As crianças vão ser assassinadas para servirem de adubo
Virtude. Virtude por todo o lado. Imensa gente com necessidade de dizer que ama os passarinhos, as crianças, as flores que brotam numa contagiante tarde de Primavera, os pés dos outros no Instagram e a democracia, a verdadeira, a de Lula e Dilma, a de Maduro, a de Costa e Catarina e Jerónimo, a de Galamba, a de Sócrates. É tanto amor pela humanidade, pela empatia, pela ternura do hálito do velho com chagas que, com o fim da austeridade, deixou de morrer sozinho nos corredores dos hospitais. É andar a cavalo em África, sentir-se fresca, sentir-se Evax®, com vontade de jogar ténis e de ir para a piscina porque, com a virtude, uma pessoa pode fazer tudo e a ovulação deixa de ser incomodativa para se tornar numa exultação da liberdade de julgar os outros, os passivos, os que se limitam a viver a vida sem fingirem que esta se assemelha a um anúncio de tampões.
Todas as Marias e Maneis sentiram a necessidade de dizer em quem os brasileiros deveriam votar, talvez porque não terem nada para fazer, talvez por ainda crerem terem algo a dizer sobre o destino da colónia. Aquilo ainda é nosso! Das novelas ao financiamento dos nossos média, Portugal está mesmo em todo o lado, da irrelevância no rumo da Europa à irrelevância dos portugueses para a aristocracia azeiteira que manda nisto.
Quem não vota Haddad não é boa gente. É só fascistas. Logo, lá vai tudo, em bicos de pés, assegurar que o “eu fragmentado” da solitária angústia em patológica existência nacional não é, ele próprio, o fascista. Do #MeToo para o #EleNão, as serigaitas (que são aves que trepam) asseguram ao circuito do baile de debutantes que prefeririam votar em Lula (acho que usa outro nome, Haddad, que significa “luto” em árabe, e que, infelizmente, não é Polvo) do que no tipo que vai vencer as eleições.
Feitas as contas, o mundo lá continua indiferente a nossa opinião. Deve ser isto, a tal de condição humana.
Descubra as diferenças
Esta capa do Expresso reflecte uma deriva daquele jornal. Não apenas por aquilo que mostra – um posicionamento maniqueísta em relação às eleições no Brasil. Não está em causa que se apoie um candidato , é até bem mais honesto que se tome essa opção em vez dessa hipocrisia da fala independência mas porque de facto não se trata de igual modo os diversos candidatos. Mas sobretudo esta capa do Expresso (e de muita da nossa comunicação social) contém um posicionamento perante a realidade política portuguesa: ela praticamente não existe.
O estardalhaço com as eleições no Brasil ocupa o espaço das não notícias sobre Portugal.
A título de exemplo ficam aqui algumas páginas do Expresso (e não só) aquando das eleições na Venezuela em 2012, provavelmente falseadas a favor de Hugo Chávez
Caro cronista do ECO…
Caro cronista, como leitora assídua do Observador, permita-me umas palavras acerca deste seu texto:
É desonesta, sua comparação de Bolsonaro a Chávez porque as suas alegações são exactamente o que Haddad promete no seu programa eleitoral: controlo dos média pelo Estado; aumento de impostos sobre propriedade privada; desmilitarização das forças policiais; penas mais leves para criminosos; reforma do sistema judicial de forma a reduzir o poder de investigação do ministério público federal; novo processo de constituinte para aumentar o poder do Estado. Quem é o anti-democrático, afinal? Quem é que camufladamente quer implantar uma ditadura? Sabia que o socialismo é apenas um meio para atingir o comunismo? Pois. Bem me parecia…
Em contrapartida, Bolsonaro promete um país livre, sem diferenças entre as pessoas, com liberdade de imprensa, combate aos criminosos e corruptos agravando-lhes as penas, mercado livre, respeito pela propriedade privada, fim do marxismo cultural, fim da ideologia de género nas escolas, mais policiais na luta contra o crime, mais segurança, defesa dos valores e cultura ocidental, separação total dos poderes, justiça sem interferência governamental. Onde está o tal discurso “mais anti-democrático” nisto? Se os viu escritos por aí, então é porque também foi vítima das manipulações dos nossos média que cortam frases fora do contexto para propagandear uma agenda claramente esquerdista/marxista e assim construir uma imagem falsa do candidato de direita. Quando ele disse, referindo-se aos corruptos criminosos do PT: “essa turma se quiser ficar vai ter de se colocar sob a lei de todos nós ou vão para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria”, escreveu a imprensa, que ele iria prender todos os opositores de esquerda. Meias verdades não são verdades. São fake news. Nem a actual Constituição brasileira permitiria tal. Mas claro, isso não convém dizer.
Neste vídeo que lhe recomendo, e deixo o link aqui https://www.youtube.com/watch?v=7fxTF48Z52E ele diz textualmente: “Qual a diferença minha pra negro? Ele é inferior a mim? Obama chegou lá como? Mérito! Se querem democracia é assim, artigo 5º da Constituição. Todos nós somos iguais, ponto final! Quanto a negros serei daltónico: todos terão a mesma cor. Vocês (imprensa) é que foram pervertidos ao dizer que direitos humanos é defender minoria. Não é. Devemos brigar por minorias? Não! Nós temos de brigar para que TODOS sejam iguais perante a lei”. Isto é ser homofóbico? Isto é discurso de ditador? E os deputados do PSL, já olhou bem para eles? Quer mais multiculturalismo que isso? E o eleitorado, cheio de mulheres, gays, negros, de todas as culturas e raças, jovens e séniores, mais e menos formados, mais e menos ricos, mais de 50 milhões! Quer mais diversidade votante que isto? Não brinque com coisas sérias.
Se o discurso de Bolsonaro não é justificável como pode justificar seu discurso a favor de Haddad, que de forma aberta venera e apoia a ditadura de Maduro e de Cuba? Os discursos de extremistas marxistas agora são bons? Quem é aqui o candidato amante e apoiante de ditadores? Foi ou não foi o PT que além de apoiar ditaduras, financiou-as?
Acusa alguns dos cronistas do Observador de espalhar ódio com as suas opiniões. Mas agora pensar diferente, argumentando seus pontos de vista, é espalhar ódio? Que fundamentalismo vem a ser este? Estamos em ditadura?
Sim, a disputa é mesmo entre a liberdade de um mercado livre, numa sociedade igualmente livre, na figura de Bolsonaro, contra a servidão a um regime onde o Estado concentra em si toda a economia e controlo da sociedade, representada e defendida por Haddad, debaixo do comando do presidiário Lula da Silva que controla o partido a partir da cadeia. Está tudo explicadinho nos programas eleitorais de cada um. Vá ler!
Dizer que não é uma escolha contra a corrupção, porque só Lula foi preso, Dilma ainda não, Haddad não foi acusado de corrupção e o partido não é todo corrupto, é ainda mais desonesto. Não meu caro, Lula não roubou um país inteiro sozinho. É do conhecimento público que o PT transformou-se numa organização criminosa gigantesca onde poucos escapam; Dilma ainda não é acusada porque beneficiou de imunidade parlamentar e Haddad sua opção “democrática” está sim acusado de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro (fonte DN). Anda só distraído ou é mesmo má fé?
Mas tem razão quando cita que “ uma sociedade aberta não pode tolerar o intolerável, sob pena de se fechar definitivamente”. Só não entendo porque defende o intolerável na pessoa de Haddad e tudo o que ele representa quando a História já nos ensinou a todos que o socialismo mata a democracia. Quando o legado do PT no Brasil já demonstrou isso inegavelmente.
A responsabilidade da comunicação social é não fazer juízos de valor a um povo que decide nas urnas, democraticamente, aquilo que entende ser o melhor para si. Nem ser fundamentalista, muito menos parcial. A comunicação social tem o dever de informar com isenção e respeitar os cidadãos nas suas escolhas, sem rótulos e frases ou adjectivos tendenciosos. Já agora onde estava você quando o povo da Venezuela escolheu Chavez? Porque não se insurgiu alertando para a ameaça duma ditadura etc. etc e tal?
O que distinguiu o Observador até hoje foi o facto de nunca vedar qualquer opinião dos seus cronistas mostrando que em democracia todas as opiniões são válidas, todos os pontos de vista interessam mesmo divergentes. Porque o que mata um jornal e afasta leitores é sentir que o mesmo só serve um grupo de pensadores, todos em sintonia. Não é assim que se contribui para uma saudável construção de opiniões. Quem foi que disse que há opiniões mais válidas que outras? Isso não é liberdade de expressão, é censura, castração do pensamento.
É precisamente essa liberdade que o Observador dá que faz dele a minha referência jornalística. Porque assim posso exercer a minha liberdade de escolher quem quero ler e não ter de ler apenas o que é escolhido para mim. E é nas diversidades de opiniões que formo a minha.
No dia em que o Observador se deixar manietar por estas críticas de pequenos ditadores de pensamento único, morre.
A direita tuga…
A direita tuga é isto: ‘Eu, tal como ele, se tivesse de votar nas presidenciais brasileiras, fecharia os olhos e votaria Haddad.’ (comentário de Alexandre Homem Cristo, no Facebook, ao artigo de David Dinis a cuspir no Observador)
A pergunta que se impõe é: e entre Bolsonaro e Maduro?… pera aí: já responderam à pergunta…
Evolução das explicações do heterónimo de Maria Leal sobre o desaparecimento/aparecimento das armas de Tancos
26 de Outubro de 2018. Tancos. Costa diz que desconhece memorando sobre furto de material militar. Costa “acha” que não foi enganado por ex-ministro
25 de Outubro de 2018. Tancos. Costa pede responsabilização de “eventuais cúmplices e encobridores” no caso de Tancos
5 de Outubro de 2018. Tancos. Costa: “Falta muita coisa esclarecer”
11 de Setembro de 2018 Tancos é um assunto ‘arrumado’ para António Costa
10 de Setembro de 2018. Tancos. Costa diz que Governo fez o que lhe competia
20 de Outubro de 2017 Tancos: António Costa felicita trabalho da PJM e GNR
29 de Setembro de 2017. Tancos. António Costa: Se houve roubo em Tancos a responsabilidade política não é do Governo, no entender de António Costa. Em entrevista à TSF, o primeiro-ministro lamentou que o oficial de dia não tenha assumido as responsabilidades, ilibando assim Azeredo Lopes.
12 de Julho de 2017: Tancos. Costa. “Obviamente que não demito o ministro da Defesa Nacional. Tudo aquilo que qualquer uma das minhas ministras ou dos meus ministros fizer, será sempre responsabilidade minha.”
Evolução do activismo progre
1992: Sinead O’Connor rasgava diante das câmaras de televisão uma fotografia do Papa João Paulo II enquanto afirmava “Fight the real enemy”

2018: Sinead O’Connor converte-se ao islão. cobre a cabeça, não contesta nada no mundo muçulmano, não rasga fotografias.

Fui assaltado!

Assim. Tal e qual. Sem mais, nem menos.
Estava eu profundamente concentrado nos meus afazeres profissionais, revolvendo algumas notas passadas a papel e ao mesmo tempo tentando não confundir as linhas do excel projectado no monitor de computador diante de mim quando, subitamente, escuto um sonoro sinal de alerta.
Era o ViaCtt.
Receoso do que aí viria e antecipadamente acabrunhado, lá fui abrir a mensagem de email.
Era uma multa. Fiscal.
Detive-me na análise da missiva que me era dirigida tendo verificado tratar-se de mais nada senão do que uma mera notificação de coima. O caso não pareceu de imediato desesperante já que me era magnanimamente lembrada a possibilidade de apresentação de defesa nos dez dias seguintes, facultando-se até a opção de tal oposição ao processo ser feita por escrito ou oralmente.
Todavia, decidi realizar a minha defesa oral de imediato em voz alta e firme, mas julgo que o signatário da correspondência não me terá ouvido ou, se ouvisse, duvido que entendesse as minhas palavras como uma deferência cerimonial ou saudação pela sua acérrima defesa do interesse nacional em sacar dinheiro a quem produz riqueza.
Cuido que me terei esquecido de fazer uma das tranches de pagamento do IRC. Ou melhor, do Pagamento por Conta.
Portanto, a dívida que me atribui a autoridade tributária não diz respeito a lucros apurados em fim de exercício, mas sim a um lucro estimado e presumido pela agência fiscal que eu venha a ter até ao final do ano. É por isso um pagamento antecipado que me é exigido, independentemente do resultado que a empresa efectivamente venha a registar até 31 de Dezembro.
Para quem como eu considera que imposto é roubo, imaginem a minha opinião sobre os dons de adivinhação que as Finanças têm acerca do meu próprio negócio.
Foi-me dito que estas coimas não são perdoadas e aconselhado a proceder ao pagamento não só da dita como do valor da prestação tributária em falta, pois a continuar a falta de pagamento, os serviços do estado aumentariam o montante da multa para o seu máximo que é igual ao valor do “imposto” previsto.
Assim, a multa foi só de 30%.
Tecnicamente explicaram-me que o pagamento por conta é calculado como 85% do IRC do ano anterior dividido em 3 prestações iguais.
Para pequenas empresas com volumes de facturação e lucro tipicamente muito variáveis esta mecânica tributária vem mesmo a calhar para a gestão de tesouraria…
É que num ano (n) de forte lucro, terá por consequência IRC correspondente, e, no ano seguinte (n+1) 85% desse IRC deverá ser entregue como adiantamento. O IRC por conta é sempre reembolsado ou tido em conta no IRC devido no fecho do exercício. Mas, entretanto, os pequenos negócios e as PME financiam o estado em prejuízo da sua actividade.
Não confundir coisa diferente que é o Pagamento Especial por Conta, este calculado como 1% da facturação e abatido da soma dos IRC por conta de n-1, com um mínimo de 800 Euros e dividido em 2 prestações, obrigatórias e não reembolsáveis e que apenas são tidas em conta no IRC devido no fecho do exercício. No entanto, se não houver IRC devido suficiente, este imposto por conta é perdido caso não seja deduzido ao fim de 5 anos. Ou seja, este Especial por Conta passa a ser o mínimo a pagar mesmo em caso de prejuízos.
Para facilitar, ao “Por Conta” e ao “Especial por Conta” dou o mesmo nome próprio: Esbulho.
O apelido é Socialismo.
*
Van Dunem azeredou
«Relativamente àquele tribunal, todas as condições de segurança estavam criadas. Havia segurança passiva suficiente e segurança activa, e isso funcionou» , disse a Ministra da Justiça Van Dunem.
Para um leigo em matéria de segurança de tribunais fica desde logo a questão de saber como é que a coisa «funcionou» como diz a ministra mas ao mesmo tempo 3 reclusos escaparam.
Após tão contraditória sentença, a ministra recua e afirma que é «um caso que está em investigação. Vamos aguardar os resultados. Não nos precipitemos com antecipações de cenários». Muito bem, é melhor mesmo esperar pelas conclusões e evitar declarações do tipo que «havia condições de segurança» e que tal «funcionou».
Mas, em vez de terminar por ali, ainda acrescenta «Vamos aguardar o resultado da averiguação que está a ser feita e vamos perceber, em concreto, o que é que falhou, se é que alguma coisa falhou, para aquelas três pessoas terem fugido».
Aqui a Francisca Van Dunem deu uma de Azeredo Lopes: «…se é que alguma coisa falhou, para aquelas três pessoas terem fugido». Como é que é? Coloca a hipótese de terem fugido sem ter havido falhas de segurança? Explique lá isso. É que só faltou mesmo acrescentar como o outro: «se é que fugiram….»
consequências? qual quê!
Tudo na vida e na política são consequências. Mas é preciso ter em atenção que…o “mensalão” nunca aconteceu; a Petrobrás não faliu; Marcelo Odebrecht não existe; e Emílio Odebrecht não é seu pai; que Alberto Youssef é um homem sério; e Lula da Silva também (não há nenhuma, mas nenhuma prova contra ele!!!); que José Dirceu é o guerreiro do povo brasileiro; Moro é corrupto; a Lava-Jato é uma trama da CIA; a Camargo Corrêa é nome de uma empresa de pastéis de Belém; que Haddad não é Lula e Lula não é Haddad; que a violência está controlada e nos serviços públicos não falta nada; e o Ciro é um democrata; e o Lulinha não é rico; que o Palocci é um mentiroso compulsivo; que a «presidenta» é amada pelo povo; que o Eike Batista é um empresário próspero; que a Máfia dos Vampiros é o nome de um romance gótico; que a Varig foi bem vendida pelo Teixeira; que nunca saiu dinheiro do BNDES para políticos amigos; que a Erenice Guerra é uma querida; que o Pixuleco foi apenas uma operação de mkt do Vaccari. Enfim, tudo está bem, correu tudo bem, e, quando está tudo bem, só pode acabar ainda melhor.
Já chamaram os do Guinness?
Já toda a gente criticou o livro de Cavaco Silva, o segundo volume de “Quinta-feira e outros dias”. Com isso se conclui que um livro de 534 demora 24 horas a ler. Às tantas tem muitas figuras (mas eu não sei, eu tendo a demorar mais tempo a ler).
Alguém sabe explicar?
Porque é que o assassínio de Luís Grilo não é apresentado como um caso de violência de género?
Os socialistas estão tão enlevados com Marcelo que agora também comentam livros que não lêem
Que os socialistes estão convictos que Cavaco Silva devia ser proibido de falar não é novidade. Que achem que todos lhe devem subserviência faz parte da vida dos portugueses. Outra coisa é darem provas de tanta palermice: o político cujo retrato é mais cruel no livro de Cavaco Silva é Paulo Portas. Sobre os socialistas Cavaco conta factos. Muitos deles, aliás, do conhecimento de todos. Que os socialistas não gostem de ser ao espelho esse é outro problema. Já sobre Paulo Portas as palavras de Cavaco têm a frieza de um bisturi.
Centralista e liberal?
Ainda a propósito de um dos temas que foi discutido na mais recente tertúlia da Oficina da Liberdade, o Manuel Pinheiro apresenta o seu argumento sobre a Regionalização.
Destaco abaixo breves excertos, sendo que o texto completo pode ser lido aqui.
O que importa não é saber se o Estado é melhor gerido a partir de Lisboa ou de cada Concelho. O Estado desenvolve actividades muito díspares. Portanto, o que importa é perceber de que forma o Estado se deve organizar para melhor servir os cidadãos em cada uma das áreas de intervenção.
Desengane-se quem acha que o Porto é menos centralista do que Lisboa ou que Guimarães é ainda menos do que o Porto. Todos os são: a única diferença é que Lisboa anda há 850 anos a apanhar porrada e aprendeu a moderar-se.
Não subscrevo as soluções do costume que partem sempre por colocar o Estado no Interior. O que o Interior precisa é de actividade económica, que gera emprego, que gera necessidade de serviços públicos e não o oposto.
Academia LGBTI

Pensava que as universidades e institutos de ensino superior eram ambientes privilegiados para discutir ideias. Parece que não. Agora discutem-se identidades.
Recentemente, a Universidade Europeia, o IADE-UE, o IPAM Lisboa e IPAM Porto “celebraram” o Coming Out Day. Organizaram seminários “para falar sobre a temática do orgulho LGBTI” e “dar formação sobre inclusividade”. Abordaram questões como “o que é o ser transexual, transgénero e intersexo” e “o que significa orgulho”.
No Porto, por exemplo, adiaram-se ou atrasaram-se aulas de unidades curriculares no IPAM para permitir que os alunos assistissem à intervenção da coordenadora do “GIS – Centro de Respostas à População LGBT.”
A narrativa é a de sempre: o mundo está contra a “comunidade” LGBT. A “comunidade” é vítima. A “comunidade” tem de combater um inimigo sem face.
Não basta defender e lutar para que todas as pessoas sejam tratadas de forma igual perante a Lei. A “comunidade” tornou-se um lobby para implementação de políticas em seu benefício. Além de serem também uma estética camuflada de modernismo e cosmopolitismo são ainda movimentos que se opõem à discussão e troca de ideias e que renegam a liberdade e a autonomia de pensamento dos indivíduos.
Resolve-se e reduz-se qualquer debate sobre aspectos que interessam à vida quotidiana das pessoas a argumentos do nós (“comunidade”) contra eles (mundo). O confronto de opiniões e a troca de informações ficam simplificados quando não se tornam totalmente irrelevantes para o caso que estiver em apreço. A substância pouco importa, basta enquadrar o interlocutor em estereótipos de grupo e atribuir-lhe intenções maléficas para a contenda ser ganha (pela “comunidade”).
Não sei se esta é uma tendência inexorável na sociedade dos nossos dias. Espero que de uma forma ou de outra este marxismo cultural possa ser travado. Mas tenho infelizmente a certeza que nas nossas escolas e academia se fabricarão mais crianças e jovens como o retratado acima.
*
Uma sociedade lobotomizada
O Parlamento discute esta quarta-feira um projeto-lei do PAN que pretende proibir a prescrição e administração de medicamentos para a hiperatividade e défice de atenção em crianças com menos de seis anos. Também no Parlamento será debatido esta quarta-feira um projeto de resolução do Bloco de Esquerda que defende a prevenção de consumos excessivos de estimulantes do sistema nervoso central para tratamento da perturbação de hiperatividade com défice de atenção.
A simples possibilidade de os deputados passarem a decidir sobre tratamentos médicos dá conta da anomia dos nossos dias. Para mais como isto vem com a chancela da esquerda os autores de tal proposta e a dita proposta são tratados não são colocados no devido sítio: o dos trauliteiros ignorantes.
O PAN propõe até que “Nos casos em que crianças com menos de seis anos já se encontrem a tomar medicamentos com metilfenidato e atomoxetina, o PAN propõe que interrompam o tratamento, em termos a definir pelo médico.” O parlamento a decidir a interrupção de tratamentos médicos? Isto chama-se totalitarismo.
Sobre os considerandos do PAN de que estes casos “devem ser tratados sem medicamentos e antes através de intervenção psicológica” aconselho que se tente perceber o que acontece em França, país onde a psicanálise se tornou uma espécie de remédio para tudo.
Embora por cá ninguém leia francês e até façam de conta que a França não existe – só assim se explica que na mesma semana os insultos a uma passageira num avião tenham tido cobertura em todos os meios e a pistola apontada à cabeça de uma professora em França tenham sido quase ignorados – devem os leitores conseguir perceber que a psicanalização dos casos de autismo levou em França a que a vida de muitas das famílias com crianças com estes problemas se tornasse um inferno. Invariavelmente acusadas de serem más mães várias mulheres viram e vêem os serviços sociais retirar-lhe os filhos e colocá-los em instituições. Outras optam por não procurar ajuda porque receiam ver-se acusadas de negligência pois nesta perspectiva as crianças são apenas mal educadas, estão traumatizadas…
Presumo que a medicação não seja indicada para todos os casos. É evidente que existem abusos de medicação mas a simples hipótese de ser um parlamento a decidir sobre tratamentos médicos é sinal de que a lobotomia anda ser praticada por aí.
Que mais terão escutado os turcos?
Erdogan: “Temos certeza de que Khashoggi foi assassinado no consulado saudita”
Até agora a Turquia está a ganhar aos pontos à Arábia Saudita neste caso. De caminho Erdogan está a aproveitar a barbárie dos sauditas para lavar a sua imagem de cruel perseguidor dos seus opositores. Contudo há algo que não percebo: estando o consulado da Arábia Saudita sujeito a escutas pelos turcos (não vamos acreditar que só fizeram escutas no dia do assassinato de Khashoggi, pois não?) será que nos dias anteriores os turcos não ouviram nada que os levasse a suspeitar daquilo que os sauditas estavam a tramar? Podiam ou não os turcos ter prevenido Khashoggi com quem tinham canais de comunicação directos através de um dos conselheiros do presidente turco?
um trauma insuperável
Carlos César acaba de redenominar os livros de memórias dos políticos. Segundo ele, passarão a chamar-se «delações políticas». O PS parece não conseguir ultrapassar o trauma que Cavaco lhes causou por os ter arredado uma década inteira da mesa do orçamento.
Não se enerve dr. César ou levará os próximos anos em estado de fúria: há muitos livros de memórias que lhe vão certamente reservar mais umas linhas
Texto e imagem roubados ao João Gonçalves:
“É preciso recuar ao primeiro volume das memórias presidenciais de Cavaco para entender a insolência da criatura. A página que reproduzo respeita ao desfecho do lamentável episódio do estatuto açoriano que César tratou sem pinga de sentido de Estado, como se fosse mais uma indicação familiar para cargos públicos. Entre Cavaco e César, alguém intelectualmente sério pode hesitar?”

Quem tem cães percebe de finanças públicas
Ninguém que considere ter sentido de humor o pode afirmar, sob risco de chacota, sem que esse sentido de humor tenha sido testado como dono de um cão. Nenhum outro animal serve de teste: só um cão é capaz de comer galhos, folhas, pneus e – com tempo suficiente – um tractor inteiro com o focinho sério de quem não está a fazer mais do que o que dita a mais elementar etiqueta. As cabras também comem tudo, incluindo latas de salsichas, com ou sem elas no interior, mas não o fazem com a ingenuidade de um cão. O cão come primeiro, enjoa depois e, finalmente, recupera (ou não) para comer novamente uma bicicleta. Há pessoas convencidas que os cães aprendem ao longo do tempo. Tal não é verdade: o que acontece é que o cão simplesmente deixa de tentar, ficando mais sofisticado na sua arte de pouco fazer. O cão doméstico não sai do sofá por dá-cá-aquela-palha.
O meu cão comeu uma torneira. Também comeu uma tapete. Há quem diga que isso não é comer, que é roer, mas essas pessoas já não terão dedos se assim roerem as unhas. Digamos desta forma: havia uma dada massa de torneira, agora resta menos massa; como na Natureza nada se cria, tudo se transforma, a massa em falta transformou-se em bolo digestivo. Portanto, comeu.
É por ter um cão que consigo deixar passar o orçamento de estado (maiúsculas porquê?) sem comentário. Como tenho um sentido de humor mais que comprovado por adoptar e manter um cão, limito-me a fazer o possível por tirar tapetes e torneiras do espaço onde está o Primeiro-Ministro. Quanto menos ele tiver para comer, menos estraga.
dr. jekyll e mr. hyde
Todos sabemos que o heróico governo da Geringonça venceu a austeridade, em Portugal, e demonstrou que «havia outro caminho», para além das desumanas políticas de Passos, Gaspar e Maria Luís. Para esse glorioso destino foram fundamentais, o primeiro-ministro Costa e o «Ronaldinho das finanças», mas também o apoio patriótico às novas políticas dado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda.
Assim, é quase impossível acreditar que o mesmo ministro das finanças anti-austeritário seja a mesma pessoa capaz de proferir estas insensíveis palavras sobre um governo da UE – o italiano – que mais não está a fazer do que combater a mesmíssima austeridade: “Depois de termos tornado a área do euro uma área económica e monetária resiliente ficaria muito surpreendido que um Orçamento de um Estado pudesse causar um drama dentro da área do euro e que as instituições não conseguissem gerir este evento”.
Ou seja: as “instituições” da União Europeia devem sobrepor-se à vontade dos povos e ao seu combate contra a austeridade que os mercados criminosos e os interesses da alta finança alemã lhes estão a tentar impor.
Um bizarro caso de dupla personalidade, este do Ronaldinho do Euro, que não poderá deixar de ter uma vigorosa resposta de António Costa, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e, sobretudo, de Mário Centeno. Aguardemos.
Ecogan

Erdogan aprova a nomeação feita por Erdogan de Erdogan como presidente do Fundo Soberano Turco no valor de 40 mil milhões de dólares. Acto ratificado por…Erdogan
(Nota: o comentário é verdadeiro, de facto assim aconteceu, mas a imagem é uma simples paródia, não real)
Não são fake news… aconteceu mesmo
Eleições regionais em Itália: Liga vence e M5S sai derrotado
Ps. Fazer de conta que não aconteceu não resolve o caso
O teatrinho
Catarina Martins não deve ter sido grande actriz mas ficou com aqueles tiques de linguagem do teatro infantil: o mundo divide-se entre a fada boazinha e os duendes maus, aquilo que a fada faz embora pareça igual à obra dos duendes não é obra dos duendes: “O que negociámos com o Governo não foi daquelas medidas a que a direita nos habituou, muitas vezes, em que tirava de um sítio para por noutro.” Isto é uma história de gigantes, bruxas, fadas… Depois como quem fala para uma plateia de criancinhas faz aqueles perguntas vocativas muito explicadas que metem o mais santo à beira de um ataque de nervos: “O BE propôs várias vezes e ainda no ano passado aumentar a ação social escolar. Sabem o que fez o CDS?” A seguir Catarina muito didáctica vai explicar…
Esta linguagem e esta sintaxe infantilizantes tendem agravar-se quando as contradições se tornam evidentes. É constrangedor.
A angústia dos materiais no momento da nomeação

Nos últimos dias quase ninguém resistiu a comentar, muitas vezes de uma forma trocista, a nomeação de João Galamba para a Secretaria de Estado da Energia. Inicialmente, por causa do perigo de retaliação, que poderia materializar-se num corte de luz, considerei essa atitude imprudente. No entanto, depois de olhar com atenção para as facturas da electricidade cá de casa, passei a olhar para as velas, lamparinas, arcas salgadeiras e fogões a lenha com outro carinho. Assim sendo, relativizado o risco, também me vou aventurar nessa análise política.
Alguns apoiantes do Governo, defendendo a escolha de António Costa, afirmam que não é necessário ter conhecimentos na área da energia para se desempenhar com excelência as funções, eminentemente políticas, de Secretário de Estado da Energia; simultaneamente, numa manobra de flic-flac intelectual, aproveitam para elogiar a vasta experiência de Francisco Ramos na área da saúde e sublinham a enorme mais-valia dessa experiência para o desempenho do cargo de Secretário de Estado da Saúde. Já alguns dos opositores, funcionando como espelho, garantem que a ignorância técnica de João Galamba é fatal naquele lugar, ao mesmo tempo que asseguram, com igual convicção, que a sabedoria de Francisco Ramos não é motivo bastante para que fiquemos descansados.
Percebemos desta forma que a avaliação curricular, o método mais utilizado em todo o mundo, não é adequada às singularidades da política portuguesa, pois se uma pessoa pertencer ao partido certo, ter ido ao Corte Inglés de Vigo é habilitação suficiente para assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros; pertencendo ao errado, até um híbrido português de Talleyrand com Metternich será alvo de fortes críticas se ambicionar mais do que a portaria do Palácio das Necessidades.
Cercados por este contexto altamente polarizado, talvez seja então mais justo que julguemos o trabalho de João Galamba de acordo com os critérios que ele utiliza para julgar o trabalho dos outros. E nesse caso, infelizmente, as notícias não são famosas. Se o ex-deputado, há uma semana, comentando a descida do rating português em 2011, realçava que esta tinha ocorrido uns dias depois da substituição de José Sócrates por Passos Coelho, temos a obrigação de lhe lembrar que, já depois da sua ida para a Energia, havia milhares de pessoas sem electricidade na Região Centro e postes de alta tensão dobrados sobre si próprios num estado de angústia extrema. Em 44 anos de democracia nunca se tinha visto o equipamento tão triste com uma nomeação. E, como bem sabemos, o material tem sempre razão.
E é aqui que estamos
Outubro de 2018. Liceu Edouard-Branly, Créteil França. Um aluno aponta uma arma à professora e exige que ela marque “Absent” Mais precisamente a criatura ordena: « Tu me mets absent » . Depois percebe o erro e diz: « Tu me mets présent ». Entretanto a turma está em estado festivo….
Posteriormente apurou-se que arma era de ar comprimido e os menores reconheceram os factos mas não os acham muito graves. Resumindo nous sommes en marche pour l’abîme
pimenta, um democrata dos costados todos
Vejam como se comove o rapaz Pimenta Lopes com as eleições brasileiras e o «fascismo» que está a caminho desse país. E, depois, lembrem-se que foi o mesmíssimo rapazola que escrevinhou aquele verdadeiro escarro lançado, no Avante, sobre o povo venezuelano oprimido, perseguido e assassinado por Nicolas Maduro. Um enorme democrata, este Pimenta.
o fascismo e os fascistas que já cá estão
Na eleição venezuelana que reelegeu o pequeno e dócil Nicolas Maduro, podia ler-se esta prosa inspirada no Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, parceiro da geringonça governativa: “Este resultado é, simultaneamente, uma expressão de que o povo venezuelano não quer abrir mão do processo que se iniciou em 1998 com a eleição de Hugo Chávez. As forças progressistas e revolucionárias na Venezuela têm agora grandes desafios na tarefa de responder, de forma firme, à difícil situação económica e social para onde foram empurrados. Simultaneamente encontram-se em melhores condições para resistir e superar a pressão, chantagem e agressão que EUA e UE estão a impor, e ao que pode ser o anúncio do agravamento de sanções” (cortesia do leitos “licas”).
Com «o resultado» da obra do camarada Maduro bem à vista de todos, o que disse, até agora, o PCP? Nada, obviamente. No fim de contas, eles estão convencidos que o homem é, bom, casto e puro, porque, plagiando o santo Padre Américo, não há revolucionários esquerdistas maus. A culpa dele andar a chacinar opositores e a matar o seu povo à fome é da «pressão, chantagem e agressão que os EUA e a UE» estão a impor à Venezuela. Como sempre acontece com os socialismos que correm mal. Em compensação, estes grandes democratas do PCP estão no governo de Portugal e toda a gente que se preocupa com o Trump e o Bolsonaro acha muito bem. Uns grandes democratas!
Todas as news são fake news
Andaram anos com manchetes de idosos que morrem sozinhos em casa com a austeridade, com relatos pungentes de miúdos ranhosos saídos do universo de Dickens que desmaiam com fome nas escolas, com reverência por líbios sanguinários que acampam em Cascais enquanto atiram com o epíteto de extrema-direita a cada tipo que diz que a justiça é morosa ou que não é justo que certas e determinadas etnias possam exceder as duas visitas hospitalares e agora estão preocupados com “fake news”? Já não é dado adquirido para toda a gente que se é news é porque é fake?
Agora amanhem-se. Quem não quer ser palhaço que não pinte a cara. Já é tarde. Votaria Bolsonaro? Sim. E teria sempre como desculpa, caso corresse mal, que foram os jornais que me motivaram a esse voto.
O casamento do ministro e a união de facto do Governo
o fascismo que aí vem e o fascismo que aí está
Muito preocupados com os «fascismos» que aí vêm, os de Trump e Bolsonaro, os auto-proclamados «anti-fascistas» lusitanos e brasileiros parecem não estar minimamente apreensivos com o fascismo que já aí está: o de Nicolas Maduro, que se abateu sobre o infeliz povo venezuelano. Não digo a horrível situação de miséria em que o povo desse país maioritariamente vive, porque isso, é claro, é culpa do imperialismo americano e de Donald Trump, mas as prisões políticas de centenas de opositores ao regime, o ataque e encerramento violento do parlamento do país, o «suicídio» involuntário de Fernando Albán, da janela dessa ascorosa entidade que é o Serviço Bolivariano de Inteligência, a polícia política do regime, os assassinatos de Ricardo Campos ou de Óscar Perez. Não conheço a nenhum desses «antifascistas» uma única linha de crítica ou de ataque, vá lá, de exigência democrática contra o regime fascista da Venezuela, mas lembro-me até de ler, a muitos deles, encómios e elogios ao prócere venezuelano anterior, o enorme democrata Hugo Chávez, como se Maduro tivesse nascido por geração espontânea. Não lhes li uma linha, não lhes ouvi uma declaração, não lhes conheço um abaixo-assinado contra o ditador de Caracas. E este «antifascismo» selectivo desqualifica quem o faz e permite pensar o pior dos seus sentimentos «democráticos».
Adenda: Falamos na Venezuela de Maduro, mas também poderemos conversar sobre a Nicarágua de Ortega, se vos der mais jeito…
O presidente das cuecas mente ou esconde?
Num artigo de hoje no ECO, David Dinis faz perguntas pertinentes sobre o caso de Tancos e chamusca (trocadilho intencional) Marcelo Rebelo de Sousa, com todo o acerto, a propósito da gestão desta pestilenta novela.
Destaco a seguinte passagem:

O Gabriel já aqui também hoje escreveu sobre os procedimentos sui generis seguidos na “resignação” de Rovisco Duarte.
Mas, quando dúvidas existem sobre o comportamento do próprio Presidente da República e se sente uma vontade generalizada e encontros de vários interesses em que nada se esclareça, quem sobra para defender o “regular funcionamento das instituições democráticas”?
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O monstro da Educação para a Cidadania
O que está a acontecer no ensino básico é ainda mais grave e silenciado que os dislates de um professor universitário por muito amalucado que o dito seja. Se lermos o comunicado da APAIS EB Francisco Torrinha a propósito da ficha sobre o namoro de crianças de 9 anos constatamos que a disciplina de Educação para a Cidadania se tornou de tal forma o palco de uma doutrinação nas teorias do género e similares que nem sequer é leccionada pelos professores da escola. No caso da Francisco Torrinha foi a “Associação Plano i“ a contratada para leccionar essa disciplina.
Este franchising da Educação para a Cidadania não só é legal como incentivado: segundo se lê no comunicado da APAIS EB Francisco Torrinha: “na “Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, na página 16 é afirmado “É desejável que as escolas, para o desenvolvimento da sua estratégia de Educação para a Cidadania, estabeleçam parcerias com entidades externas a escola”.
E assim numa disciplina que lida com conteúdos tão sensíveis as aulas não são de facto responsabilidade da escola. O que leva a que a sua frequência devesse ser opcional. Acrescento ainda que apenas se soube do despropósito daquela ficha porque uma mãe que manifestara previamente reservas em relação àquela aula foi convidada a assistir à mesma e acabou a ser confrontada com a ficha e a fotografá-la.
Beijar os avós é violência?
Eu não quero saber o que um professor universitário faz na cama, só com um ou vários parceiros ao mesmo tempo, com cordas ou sem cordas. Eu não quero saber se gosta de mulheres, homens ou outros espécimes. Não quero saber nem tenho nada que saber, porque não me diz respeito.
Mas quero saber e devem-me uma explicação, sobre o que faz um indivíduo destes doutrinar crianças, jovens ou adultos, de acordo com a sua ideologia, sem o conhecimento nem consentimento dos pais. Porque eu posso amar quem e como eu quiser, mas não posso impingir os meus gostos nem a minha visão da vida, como agora estes pseudo intelectuais o fazem, num lugar público, com responsabilidades públicas, com a maior desfaçatez possível. Ponto. A pergunta que todos os pais deveriam estar a formular neste momento, é: “Como chegamos até aqui?” porque é exactamente nesta resposta que temos a chave do “mistério” e da solução.
Não foi por acaso que numa ficha socio-demográfica distribuída às crianças do 5º ano, com 9/10 anos, numa escola pública, se pedia que dissessem por quem se sentiam atraídos: meninos, meninas ou outros. Há um ano que no nosso país, arrancou um projecto piloto do ensino da Teoria da Ideologia de Género nas escolas, que pretendem tornar obrigatório (veja aqui). É nesse projecto que se materializa o ensino de coisas tão estapafúrdias como, beijar os avós é violência ou ninguém nasce menino ou menina porque é uma construção meramente social. Surpreendido? Não esteja. Você está a ser formatado pela ideologia que inventou esta asneirada toda, durante anos: o marxismo cultural. Quer saber como?
Quando António Gramsci, um filósofo italiano marxista, descobriu que a teoria de Marx, que defendia que o proletariado iria provocar naturalmente o conflito entre as classes e consequentemente destruir a sociedade capitalista, era um fiasco, analisou o fenómeno e logo percebeu que, para fazer vingar o marxismo, era preciso usar outra estratégia. Percebeu que as pessoas presavam mais Deus, o amor à família e nação do que davam importância à solidariedade de classes. Aí, deu-se a alteração da táctica: a revolução já não seria entre classes mas sim, uma revolução cultural através da qual se dominaria a mente, levando os indivíduos a subverter os valores e tradições que são a base da sociedade ocidental, desconstruindo-a até à sua destruição total. Com isto, cria uma geração de idiotas úteis, burrificados, escravos voluntários, que amam a sua servidão ao Estado sem o questionar. E assim, de forma pacífica, implantaria uma sociedade marxista sem verter um pingo de sangue, como sucedeu sempre, em todo o Mundo, com golpes de Estado, para impor o marxismo.
Para que esta transformação social fosse possível, foi necessário colonizar devagarinho as instituições culturais. Entrar por dentro da educação, da Igreja, dos jornais e revistas, da literatura, da música, arte visual e por aí em diante, de modo a alcançar o controlo absoluto do pensamento e imaginação humana. Digam lá se isto não é brilhante?
Para tal, o processo passou por várias etapas. Primeiro infiltrou-se na Igreja onde os discursos politicamente motivados dão ênfase à justiça social e igualdade com base nas doutrinas milenares mas “modernizadas” segundo o padrão de “valores” marxistas. O actual Papa é disso exemplo. Depois, substituir a educação rigorosa e de excelência com base no esforço e mérito, por currículos escolares estupidificantes e politicamente correctos, com docentes de baixa qualidade académica. Segue os órgãos de comunicação social, que são usados como instrumentos de manipulação e descrédito das instituições tradicionais. Depois, a perseguição à moralidade e valores do passado, que são literalmente ridicularizados. Por fim, atacam-se todos os membros da sociedade que são tradicionais e conservadores classificando-os de fascistas, homofóbicos, racistas , por aí fora.
Assim, a cultura passa a ser um meio de destruição de ideias e não o suporte da herança nacional. Por isso, vemos o ataque cerrado à nossa História onde a tentam reescrever demonizando os actos heróicos dos nossos antepassados, que conotam de racistas, sexistas e hediondos, para transformar em heróis modernos, as estrelas de Rock ou do cinema que denunciam estes “factos” na História. É a substituição da cultura tradicional cristã, que dizem ser repressora, pelo multiculturalismo “libertador” que acolhe todo o tipo de culturas, até daquelas que, pela sua natureza, não se integram, mas antes combatem o cristianismo e cultura ocidental, para ser esse o novo modelo de sociedade. Isto é-lhe familiar?
Esta ideologia medonha entrou no nosso Parlamento em 10 de Outubro de 1999 quando o Bloco de Esquerda, com 132000 votos, conseguiu eleger 2 deputados “intelectuais”: Manuel Fazenda e Francisco Louçã. Foi aqui, nesse preciso momento, que Portugal abriu a “Caixa de Pandora”. Aqui começou todo um assalto ao pensamento e à palavra que permitiu que hoje, estivéssemos a ser confrontados com esta destruição social que já chegou ao nosso ensino pré-escolar, às nossas crianças, sem que nos déssemos conta.
Aprenda de uma vez, que o marxismo é o veneno que se administra aos cidadãos fazendo crer que é remédio, só porque na posologia está descrito que cura a desigualdade, a injustiça, traz mais liberdade, menos opressão, mais direitos, sem nunca referir, que os efeitos secundários são o efeito contrário da medicação, ou seja, a morte da sociedade livre.
No combate, só há um antídoto: resistência. E com ele, nós educadores, tomarmos o poder na educação dos nossos filhos, transmitindo os valores e amor à nossa herança cultural, enquanto exigimos aos nossos políticos, uma atitude clara contra a estratégia Gramsciana de subversão cultural, com a promessa de os banir do Parlamento caso se recusem.
Beijar os avós é violência? Sim, se não for acompanhado de um grande abraço, seguido de um “gosto muito de ti avô e avó” ao ouvido.


