Encontrado o homem de Meixomil

O homem da bomba de Meixomil foi encontrado!
Parece que escreve sob nome artístico num jornal online. Dizem-me que é adepto de contorcionismo e flexibilidade de opinião, nunca colocando em causa, muito menos de forma directa, certos caudilhos.
Para ele e outros tanto se esforçarem a tentar puxar a discussão para certos temas e causas, com toda a certeza são outras as opiniões e denúncias que os incomodam verdadeiramente.
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Como meninos a medirem pilinhas
A esquerda pediu, a direita anuiu: ninguém discute nada além da infantilidade do que é ser direita aceitável por oposição a outras direitas, a direita-que-está-ao-serviço-da-esquerda, a direita-bronca, a direita-conservadora, a direita-liberal, a direita-gin-tónico, a direita-haddad, enfim, uma miríade de gente pouco recomendável de acordo com o conjunto de gente pouco recomendável que trouxe o assunto à baila.
O problema deste exercício pueril é que a direita está a permitir que a esquerda decida a latitude admissível do seu discurso da mesma forma que qualquer idiota pode decidir impedir um discurso por ser “vítima de ódio” só porque se sentiu ofendido com as palavras de outro.
O mundo não quer saber dessa discussão. Tanto que não quer saber que decide votar, precisamente, em que se recusa a entrar por questões deste calibre de infantilidade, preferindo sempre quem se dispõe a perceber os problemas que realmente interessam às pessoas. Foi assim com Trump, foi assim com Bolsonaro, e assim será sempre, desde que alguém apareça com um discurso para a realidade e não para as angústias existenciais e manifestamente homoeróticas da esquerda com o chamado centro.
Podeis parar com isso, é demasiado maricas. Por outro lado, se quereis mesmo, podeis continuar: esta sensação de ser pária em todos os terrenos dá-me uma certa sensação de bem-estar.
Na bomba de Meixomil
Um amigo calhou estar hoje para os lados de Paços de Ferreira mas teve a imprudência de sair de casa com o depósito do seu carro já na reserva.
Mal chegou a Meixomil dirigiu-se à bomba mais próxima para atestar de gasóleo a viatura. Havia apenas dois dispensadores de combustível e ambos estavam na altura ocupados. Aproveitou e meteu conversa com a pessoa que estava à sua frente que depois de comentários iniciais de circunstância ficou a saber viver na zona.
O homem era simpático e o meu amigo sentiu estar diante de alguém com quem valia a pena dar duas de letra. Perguntou-lhe o que achava do assalto que estava ali mesmo a ocorrer diante dos olhos dos dois, ao terem de pagar mais de imposto do que de carburante.
O Pacense respondeu-lhe dizendo que o que o preocupava mesmo era a deriva autoritária da Direita e os extremismos proto-fascistas, assim como a superioridade moral da Esquerda e a sua condescendência para com regimes totalitários.
Entretanto vagou o posto. O meu amigo meteu gasóleo e pagou.
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Ele não sabia, mas, às tantas, foi mesmo por isso
O meu avô materno esteve na guerra. Não a lutar “pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões”. Não. Esteve na guerra porque o mandaram ir.
Mas, obrigado pela preocupação presidencial em fingir que os motivos foram de ordem tonto-filosófica.
É tão giro ver nos intelectuais da esquerda à direita, comentadores e comunicação social, uma preocupação obsessiva com a nomeação do Juiz Sérgio Moro para ministro da justiça brasileira, lalegando que põe em causa o princípio da separação de poderes. Bem, eu devo ser realmente muito ignorante por ver exactamente o oposto. Porque este medo não é normal num país cuja Ministra da Justiça veio do TCIAP e é juíza do Supremo Tribunal de Justiça. A pergunta é: que “confissão” deu Van Dunem ao aceitar o cargo no ministério ou isto passou ao lado destes comentadores?
Não compreendo como é que um país, que além disto, tem um PGR nomeado por governos, uma eleição de juízes por via electrónica, se acha com superioridade moral para opinar sobre outros países que, por muito que lhes custe admitir, estão a fazer melhor que nós na área da justiça. Ou já se esqueceram que no Brasil os corruptos já estão na cadeia a cumprir pena (e mais irão), os processos são céleres e nós, além de os ter todos soltos e a viver bem – alguns até já condenados – não se prevê que sejam julgados ou presos tão cedo. E mais: há o risco de “prescrição” de uns e o habitual arquivamento por “falta de provas”, de outros.
Por isso, é preciso ter muita falta de vergonha para certos indivíduos virem para as televisões e jornais criticar o Brasil, com um país como o nosso que protege os corruptos descaradamente. Quem não assistiu à substituição desnecessária, pelo governo, da PGR Joana Marques Vidal, com a ajuda do Presidente da República e que estava a fazer um trabalho brilhante no combate aos crimes de colarinho Branco? Quem não viu um sorteio para a escolha de um juiz da Operação Marquês, a ser seleccionado à quarta vez, colocando de fora Carlos Alexandre que conduziu de forma também brilhante o processo, por outro com currículo vasto em arquivamentos e queixas do ministério público? Quem não viu no passado, Cândida Almeida, Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro a arquivar tudo o que implicava o arguido Sócrates, onde até se recortou literalmente provas do processo? E andam estes a fingir estarem preocupados com a separação de poderes. Francamente.
Nós como país somos a prova que não há nem nunca houve separação de poderes. Só de fachada. Porque na verdade temos um sistema promíscuo em que o poder político tem tentáculos em todos os sectores. E movimenta-se livre, de forma escancarada, porque já se sabe que aqui, neste rectângulo, só vai preso quem está fora do sistema. E não há, nem nunca houve, vontade de mudar isto. Mas disso, os comentadores do regime não falam. Muito menos a comunicação social.
Sérgio Moro de facto é um “perigo” no Ministério da Justiça brasileira, não pelo que o acusam mas pelo trabalho sério, honesto e principalmente competente que vai fazer de imediato. Porque ele conhece bem os meandros da justiça brasileira. Sabe por experiência o que funciona bem e mal, para corrigir tudo aquilo que durante anos contribuiu para a escapatória dos corruptos nas malhas da lei. E sabe como ninguém, o que é que o sistema judiciário precisa melhorar para limpar a corrupção do país. Porque ninguém melhor que um profissional da área para fazer o que tem de ser feito e bem. Ora, se isto é assustador? Claro que sim, mas só para aqueles que viveram à custa do sistema corrupto do país.
É o caso de alguns políticos e empresários em Portugal. As ligações da Lava Jato têm tentáculos até nós. Um “super juiz” que já demonstrou ser incorruptível, íntegro e implacável no combate à corrupção, só pode deixar muita gente sem dormir do lado de cá. Porque de repente perceberam, que apesar de terem mudado o Juiz Carlos Alexandre, apesar de terem corrido com Joana Marques Vidal, a ameaça continua do outro lado do atlântico com o Processo Marquês e Monte Branco, ligado ao Lava Jato. Mas que ao contrário daqui, não podem mais controlar. O PT foi corrido.
Por isso diz-se “inverdades” sobre Moro e esconde-se as verdades. E as verdades são: que a Lava Jato teve seu início em 2014 sem que nada fizesse prever que alguma vez Bolsonaro chegasse à presidência; que essas investigações foram levadas a cabo pela Polícia Federal sendo que Moro só as autorizou; que Lula viu sua pena ser aceite e aumentada pelo TRF4 e não por Moro; que Lula viu sua candidatura ser rejeitada pelo TSE e não por Moro; que Lula teve seus inúmeros recursos negados pelo STF e STJ e não por Moro. Portanto, a “culpa” não foi de Moro mas dos tribunais das instâncias superiores. Logo, a teoria da perseguição política é falsa.
Enquanto por cá se tenta ensinar os outros países a se governarem, nós escolhemos os ministros e secretários de acordo com os laços familiares, amizades e interesses, mesmo sem qualquer experiência, mesmo com licenciaturas falsas, mesmo sem sequer serem da área para que são nomeados. Que o diga Galamba que até conseguiu uma nomeação para secretário da pasta da… energia. Foi escolhido por saber ligar interruptores?
Num país que não privilegia o saber, a experiência como factor fundamental para uma nomeação, jamais terá a eficiência dos ministérios de Bolsonaro. E isso dá medo a quem não interessa que se prove que sem políticos a fazer política num governo, o país prospera.
Tancos: Jogos de Poder

A propósito da novela de Tancos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa repudiam ambos que as Forças Armadas sejam usadas para “jogos de poder” (aqui e aqui).
Se nenhum dos dois vier esclarecer rapidamente de que habilidades políticas se tratam e quem em concreto está por detrás de tais manobras palacianas, será legítimo concluir que os únicos jogadores em questão serão eles próprios.
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O Cristo das Trincheiras

Este Cristo com as pernas decepadas, uma mão arrancada e o peito perfurado foi a imagem com que a 9 de Abril de 1918, após horas de intenso tiroteio se confrontaram os soldados portugueses que combatiam na Bélgica, junto à ribeira de La Lys.
O número de soldados portugueses mortos e desaparecidos nesse dia 9 de Abril de 1918 ainda hoje é incerto. Mas para lá do sabor amargo da derrota, das muitas baixas, dos milhares de homens feitos prisioneiros e da desmoralização das tropas, nesse Abril de 1918, os membros do Corpo Expedicionário Português confrontaram-se em La Lys com uma paisagem que na sua completa devastação mostrava o horror da guerra e para muitos deles o mistério da fé: só esse Cristo decepado sobrara do que outrora fora uma bucólica paisagem rural com as suas casas típicas e o seu cruzeiro no caminho que ligava Neuve-Chapelle a La Couture. Soldados de diferentes países, aliados e inimigos, tinham-se feito fotografar aos pés do cruzeiro de Neuve Chapelle. Combate após combate os soldados viam como o cruzeiro permanecia de pé.
Até que chegou esse 9 de Abril de 1918 que para o Corpo Expedicionário Português ficou conhecido como Desastre da La Lys e em que o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle se tornou na mais impressionante imagem da guerra: um Cristo mutilado.

Ao recuarem levando os seus mortos e feridos os homens do Corpo Expedicionário Português carregaram também com o Cristo do cruzeiro de Neuve Chapelle agora designado Cristo das Trincheiras.
Na lama da Flandres, Cristo sofria e morria nas trincheiras tal como acontecia aos filhos dos camponeses de Portugal.
Quarenta anos depois, em 1958, o Cristo das Trincheiras seria entregue a Portugal e levado para o Mosteiro da Batalha.

Conversa da treta

No desfile militar Marcelo disse aquelas coisas que se repetem há anos nestas situações e inventou um passado: “Esses heróis lutaram pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões.” Excluindo a parte heróica dos soldados, que obviamente não cabe discutir, esta transposição da forma como Marcelo vê o mundo em 2018 para as trincheiras de 1918 é um exercício de grande imaginação.
Igualmente interessante é que nem no discurso presidencial nem em muito daquilo que por aí se disse e escreveu sobre a participação de Portugal na I Guerra tenha sido referida a irresponsabilidade criminosa de quem então dirigia o país. Irresponsabilidade essa que atirou mal preparados e sem meios milhares de portugueses para o conflito. A operação de branqueamento das élites da época mantém-se cem anos depois. E já agora a participação portuguesa nesta guerra foi justificada pela necessidade de defender o império e defendida por aqueles que se reivindicavam depositários do verdadeiro espírito colonial. Que anos depois a agremiação se tenha dito anti-colonialista é outra conversa. Fiada.
All Along the Watchtower
Said the joker to the thief
There’s too much confusion
I can’t get no relief
Business men, they drink my wine
Plowman dig my earth
None were level on the mind
Nobody up at his word
Hey, hey
No reason to get excited
The thief he kindly spoke
There are many here among us
Who feel that life is but a joke
But, uh, but you and I, we’ve been through that
And this is not our fate
So let us stop talkin’ falsely now
The hour’s getting late, hey
All along the watchtower
Princes kept the view
While all the women came and went
Barefoot servants, too
Outside in the cold distance
A wildcat did growl
Two riders were approaching
And the wind began to howl
Compositor: Bob Dylan. Novembro 1967.
Cover: Jimi Hendrix. Janeiro 1968.
Portugal: perdidos, achados & oportunidades
Costa e Marcelo são de Barcelona
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Democracia é soltar Barrabás
Eu escrevo para a minha família e para os meus amigos. Sobretudo, escrevo para mim próprio na esperança de cativar aqueles de quem gosto a pensarem sobre os mesmos assuntos. Por isso, perco muito pouco tempo a usar o “eu” excepto quando me dá jeito dar azo a sarcasmo. O meu uso do “eu” é quase sempre irónico e desejo que assim seja interpretado, tenha eu o engenho para o conseguir transmitir (repararam?). Contudo, não é assim nos média: o uso do “eu” nos média é uma lembrança indelével de que o colunista é uma autoridade no assunto, que habitualmente significa “todos os assuntos”. Essa autoridade é, quase sempre, auto-atribuída, tornando tudo numa espécie de freak show à moda antiga, daqueles onde se pode ver a mulher barbuda, o bebé demónio ou a galinha de três patas. A diferença fundamental das colunas de opinião para o circo de horrores é que, nos média, os espécimes em exibição somos nós.

É verdade que Francisco Louçã escreveu mais um artigo indigente, daqueles que apenas a mente de um catedrático português conseguiria engendrar. Deve ser lido? Deve, particularmente se lido em conjunto com o seu complemento, o “A grande guerra da direita” de David Dinis. Separados por apenas três dias, como da morte à ressureição de Cristo, ambos os artigos são dedicados a dizer que você, caro leitor, é um mero estúpido que anseia por um Botas qualquer, por um Pinochet mais camp, uma versão Eurovisão de um Hitler para satisfação das fantasias homoeróticas de dominação aliadas a fetiche por couro. Devem ser levados a sério? Devem: afinal, estas pessoas são autoridades, certo? As mesmas pessoas que não conseguiram prever a inevitável vitória de Trump, que pintam a democracia húngara como se estivessem a reescrever o guião para o Rocky IV e que encontram moderação na ausência de discurso (é de admirar como Nuno Garoupa, citado por David Dinis, nunca escreveu episódios de uma telenovela de 600 episódios onde algo está prestes a acontecer desde o episódio 1 e ainda não aconteceu ao episódio 589).
Foi muito ’Allo ’Allo! nos inicio dos anos 90. Muitas fantasias com o Tenente Gruber e o seu tanquezinho. Onde Diabo encontram estes tipos “[o] entusiasmo que lhes falta em ideias para copiar”? Diz-nos, David Dinis, que no julgamento de José Sócrates. Respeitinho! A verdadeira democracia está em países que não conseguem levar governantes à barra do tribunal. A moderação é saber aceitar uns pecaditos de ex-PM desde que este seja simpático para com os média dos amigos do regime. Ou, às tantas, estou a ver mal as coisas: às tantas é nos tais países moderados, nos bastiões de democracia, que os suspeitos de corrupção vivem as reformas em tranquilidade, sem essa maçada que é responder pelos seus crimes. Pelo menos, na imprensa, assim parece ser.
Democracia e moderação deve ser mesmo tratar por fascistas e desejosos por ditaduras musculadas quem deseja que a corrupção seja punida. O “eu” é mesmo um problema se usado sem ironia.
Guião para a esquerda do Sr. Louçã
Eu sei que para um burguês caviar que sempre viveu como um capitalista, encostado ao Estado, docente universitário (pois…), deputado (ora…) e acabando por integrar o Conselho Consultivo do Banco de Portugal e Conselho de Estado ( meu Deus que belo exemplo de marxista ), é difícil compreender o fenómeno Bolsonaro ou Trump. Eu também, se vivesse numa redoma de luxos e cargos inacessíveis ao comum mortal, provavelmente também não.
Mas eu, ao contrário de Louçã, sou do povo. Nasci e vivi no meio do povo. Meus avós eram agricultores e pescadores. Meus pais foram emigrantes. Meu percurso pessoal, académico e profissional está recheado de superações a adversidades. Uma vida cheia de fracassos que se transformaram em sucessos por teimosia, resiliência e muita coragem. Sozinha. Claro que não sabe o que isso é. Porque partir unhas e fazer calos (as minhas mãos não são de princesa), conquistar só por mérito, não é a vossa cena. Sois parasitas.
Eu sei que para gente que vive alapada ao Estado, gente do povo que emerge no meio político, assusta para caraças e por isso é preciso desacreditar fazendo crer que “esta vida” não é para gente, vá lá, “menos inteligente” – isto para não dizer burra – pois só vós os “ilustres” intelectualóides tendes capacidade para tal. Deve ser por isso que em 44 anos de uma democracia adulterada, a esquerda deste país levou 3 vezes o país à falência e AGORA com Bloco de Empreendimentos e PCP, nesta aliança governativa, darão mais um contributo precioso na 4 falência que se avizinha. O que prova que ter intelectualóides a governar, é bancarrota na certa.
Sabemos muito bem que Bolsonaro já andava na política há 30 anos. Mas é precisamente aí que reside a mais valia: a política não o corrompeu nem enriqueceu. Pode dizer o mesmo de si e seus companheiros de luta? Claro que não. Político medíocre? Bem, para quem vê em Lula um político de excelência e Dilma uma referência, não preciso de acrescentar mais nada a esta sua classificação infeliz que diz tudo sobre si.
A direita meu caro, não precisa do seu guião para nada porque graças a vós e só a vós, conseguimos provar SEM ESFORÇO que o vosso marxismo, quando implementado numa sociedade, é mais destrutivo que um vírus. Só temos de dar tempo ao tempo para que as pessoas, acordem da letargia com doutrinas estrategicamente propagandeadas nas escolas, universidades e comunicação social. Pessoas que infelizmente, só quando chegam ao ponto rebuçado amargo do Brasil ou Venezuela, acordam para a crua realidade dos factos: o marxismo só traz miséria, colapso social e financeiro. Facto.
Também não precisamos de inventar fake news. Basta-nos relatar com rigor a verdade sobre vós. E a verdade é que são um bando de mentirosos: que dizem combater a especulação mas são especuladores-mor do mais elevado grau jamais visto; que jamais se submeteriam à ditadura de Bruxelas mas curvam-se a a eles até se vos ver as cuecas; que nunca mais aprovariam um cêntimo para bancos ou empresas privadas e aprovam orçamentos com milhões para a banca, perdões fiscais para os gurus do capital; que dizem que só aprovariam OE2019 se houvesse dinheiro para contagem tempo de serviço dos professores, mas mesmo sem isso, assinaram; que dizem ter posto termo à austeridade de Passos e desde que fizeram aliança com PS, ainda não pararam de aprovar orçamentos com aumentos brutais de impostos, tendo ultrapassado já o período da Troika; que dizem baixar o IRS às famílias mas na realidade, aumentaram; que iam exigir baixar a luz, mas só baixou o IVA do aluguer do contador que são uns míseros trocos; que dizem ter aumentado rendimento das famílias mas aumentaram o custo de vida de forma tão brutal, que anulou umas pindéricas reposições. E fico por aqui senão vai parecer um livro e não um texto. Aprenda: as maçãs podres caem sozinhas.
Já do vosso lado, só com Fake News conseguem fazer valer vossa ideologia fracassada, quando teimam em dizer que os cortes nos salários, os aumentos de impostos, a austeridade severa e as privatizações foram obra do Passos. Uma mentira repetida até à exaustão quando é factual que foi SÓCRATES o AUTOR dessas medidas, aplicadas ainda em governo e depois transitadas para o Memorando de Entendimento que ELE assinou com a Troika e que QUALQUER executivo que se seguisse, teria de cumprir à risca! Vá ler o Memorando! Uma mentira colossal muito mais pejorativa e que se manteve ATÉ HOJE, do que aquela patetice do relógio da Catarinocas que só meia dúzia de distraídos engoliu. Ou a eterna falácia dos subornos a Portas nos submarinos que obrigou Ana Gomes a pedir desculpas a Cecília Meireles que a desmascarou. Ou ainda a patranha de chamar FASCISTAS a gente de direita quando essa é uma corrente ideológica, revisionista do marxismo, que nasceu com o filósofo socialista italiano Giovanni Gentile e que foi seguida por outro nacional socialista, Mussolini, que desavindo com o partido, criou outro cujo o símbolo era o fasces. Daí o nome fascistas aos militantes. Celebrizou a frase: tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. Assim como a invenção perpetuada por vós de que Hitler era de direita quando na verdade era outro nacional socialista. Vá estudar!
Meu guião para vocês é que parem de mentir sobre adversários fingindo que são assassinos de minorias, perseguidores de opositores, violadores de liberdades, invocadores de ódios, organizadores de milícias. Que parem de vender uma porcaria de ideologia assassina de democracias como sendo um produto da liberdade e prosperidade. Porque enquanto não REPUSEREM essa verdade, serão desmascarados e depois arrasados por todos os “Bolsonaros” que hão de vir provar, que gente séria, do povo, que sabe trabalhar e liderar, é capaz de criar desenvolvimento económico e qualidade de vida, sem por em causa as liberdades individuais e colectivas, com muita mais competência, demonstrando assim, que o marxismo é um fiasco.
Não estão certamente a pensar em cestos à cabeça, pois não?
Enquanto não aparece outro candidato para ocupar o lugar deixado vago por Bolsonaro, o combate ao plástico vai entretendo as energias dos eternos cruzados. E assim os saquinhos de papel transformaram-se no símbolo do ecologicamente correcto.
Acontece que os mesmos cruzados também declararam guerra ao eucalipto e sem eucalipto não há pasta de celulose e sem pasta de celulose não há papel, logo não há saquinhos de papel.
O mais curioso…

… é que não acho que a Direita se tenha de definir, encontrar um caminho ou sequer um programa.
Agrada-me a ideia inorgânica, do pequeno grupo, do indivíduo.
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A direita que votaria no marxista Haddad
Respirem fundo. Bolsonaro não vai implantar uma ditadura. Não vai matar opositores. Não vai perseguir homossexuais. Não vai provocar desigualdades entre mulheres e homens. Não vai perseguir nem matar negros. Tudo o que ouviu dos média em campanha foi uma construção falsa contra um candidato, a favor de outro, e contra o qual milhões de brasileiros lutavam. Endeusaram Haddad, um bandido com várias dezenas de processos judiciais activos por corrupção e branqueamento de capitais, com programa eleitoral claramente ditatorial, e demonizaram Bolsonaro truncando entrevistas, vídeos, alguns com quase 30 anos e citações fora dos contextos para servir uma agenda política aos globalistas apoiantes de uma nova ordem mundial. Foi feita uma clara campanha a FAVOR DO MARXISMO por parte da classe intelectual e dos média. Coisa jamais imaginável em pleno século XXI onde muitos países já viram e ainda vêem a face negra do comunismo. É exactamente por isto que o povo, que quer queiram quer não, é quem mais ordena (ironicamente são os comunistas que o afirmam) e democraticamente nas urnas, há de banir o comunismo e agendas globalistas do planeta. Temos pena.
Entretanto, preparem-se porque os perdedores, “defensores da democracia, tolerantes, pacíficos e sem ódio”, vão começar os motins e ataques violentos a civis para depois virem vitimizar-se, quando a polícia intervir, alegando que estão a ser oprimidos na “luta” pela “reposição da democracia” (curiosamente ganha nas urnas ah! ah! ah!) e contra o “ódio” e contra a perseguição de não sei do quê, nem por quem, mas que servirá para espalhar o terror sob a bandeira hipócrita da defesa pela liberdade. Mas qual liberdade? Aquela que querem usurpar? Agora são eles que escolhem quem vence e não o povo? Mas isso não é ditadura?
Da esquerda tudo espero porque tem sido assim sempre que perdem eleições democráticas, mesmo que totalmente viciadas e manipuladas por eles com a ajuda dos média. Agora a grande surpresa foi descobrir que existe uma #DireitaHaddad!!! Sim, ouviu bem. Uma direita capaz de, como li, votar em consciência sem hesitar em Haddad ou outros que o fariam depois de fechar os olhos. A sério??????? Então votariam, se fossem brasileiros, num marxista puro, que não escondeu ao que vinha com programa eleitoral claramente ditador castrador das liberdades individuais e colectivas, para se perpetuar no governo e soltar os criminosos petistas da cadeia???? Desculpem mas isto é assustador.
O pior pesadelo que me poderia assombrar neste momento é saber que na ala liberal há marxistas vestidos de direita. Sim marxistas. Porque só marxistas votam em marxistas. Escusam de estrebuchar. Porque existe o voto em branco. Existe opção para os objectores de consciência. Se não fazem uso a esse direito, são como eles. Não há volta a dar.
Alegam as criaturas que foi por via de um discurso de “ódio, machista, racista e homofóbico” inspirados em vídeos com quase 30 anos. Quem é capaz de me afirmar aqui que suas opiniões, hoje, são as mesmas que há décadas atrás seja sobre homossexualidade, migrantes, sobre a actualidade do seu país ou qualquer outro tema? A forma como hoje resolveriam problemas nacionais seriam iguais há 10, 20, 30 anos? Não precisam de responder. Todos nós vamos crescendo nas nossas visões sobre o que nos rodeia. Que o digam por cá os agora PSD que eram PCTP-MRPP por exemplo. Eu sou do tempo em que a homossexualidade era tabu e quando apareceu a sida – que inicialmente era atribuída a esse grupo e se acreditava ser contagiosa pelo toque – tínhamos medo do contágio e dos homossexuais!!! Claro que hoje, depois de muita informação, a sociedade progrediu e são naturalmente aceites sem qualquer problema. Assim foi com Bolsonaro que disse explicitamente em entrevista recente que TODOS são iguais perante a lei e devem ser por isso respeitados ao abrigo da Constituição.
Ele de facto usa muitos eufemismos excessivos quando quer transmitir uma ideia. Curiosamente, o povo entende-o bem porque no dia a dia fala como ele, de forma emotiva e exagerada. Bolsonaro é um ex-militar, pai de família, católico devoto, homem do povo, simples, genuíno e de pavio curto. Precisamente por isso, o povo não só entendeu a mensagem, como não o teme. Já os intelectuais deste país, que não se misturam com o povo, estão perplexos e “assustados”. Sosseguem. Porque a bolsa já disparou; os investidores estrangeiros já estão de olho no Brasil; os ministros escolhidos são de topo (veja-se o ministro da ciência e tecnologia se tem alguma comparação curricular com os medíocres dos ministros portugueses) e se cumprir com todo o programa, em pouco mais de 2 anos, o país estará a “bombar” economicamente tal como Trump, sobre quem agora todos silenciam. Tudo isto, sem cortar liberdades nem matar a democracia.
Mas curiosamente, a #direita Haddad não sentiu medo dos discursos de ódio espalhados pelas esquerdas em campanhas eleitorais no Brasil: “Brasil será incendiado por greves e ocupações“– MTST; “É preciso derramar sangue” – Benedita da Silva do PT; “Vamos fazer uma guerra civil” – CUT; “Vamos fuzilar” – Mauro Iasi do PCB; “Vai ter de matar gente” – Gleisi do PT; “Eles vão apanhar nas ruas e nas urnas” José Dirceu do PT. Ou seja, o ódio da esquerda é fofinha e não aterroriza ninguém… da #direita Haddad. Pois.
Para mim esta eleição foi um abre olhos. Percebi que há entre nós indivíduos perigosos que se dissimulam de direita. Que por viverem numa redoma de glamour e purpurinas da “socialite chique”, não percebem o que é viver todos os dias a desviar-se das balas sempre que se vai para a rua trabalhar, que não sabem o que é temer que os filhos morram no regresso da escola, que não sabem sequer o que é viver em dificuldades extremas. Não sabem nem querem saber. Mas sabem com firmeza que votariam Haddad, do mesmo PT que transformou Brasil numa gigantesca organização criminosa de onde se foge para sobreviver!
a expiação dos pecados mortais da direita portuguesa
Reunião de pessoas da direita portuguesa profundamente democrática e liberal, logo, imensamente anti-bolsonarista, expiando os pecados da direita portuguesa anti-democrática e iliberal, logo, imensamente bolsonarista. Na foto podem ver-se alguns rostos e costas conhecidos.

Uma peça jornalística verdadeira mesmo
Porque hoje é o meu aniversário, peço especial abébia pela eventual comiseração causada quer pelo teor, quer pela extensão do texto que de seguinda reproduzo. Muito obrigado.
Há uns anos, quando um grupo de jovens decidiu acampar no Rossio para acabar com a austeridade (e plantar rabanetes), decidi seguir o evento com grande atenção por o ter considerado tão interessante quanto a multiplicação de partidos com foices e martelos em 1975. Sabia que seria algo que duraria três ou quatro dias, independentemente dos resistentes (ou, mais propriamente, inconscientes) que ficariam perante a extinção da chama revolucionária. Eis o relato.
Dia 1 – Manhã
O ambiente é de festa. Montam-se tendas, partilham-se croissants, tofu e os primeiros charros. Toda a gente emana uma alegria contagiante, de quem sabe que vai mudar a história do país e, inclusivamente, do mundo com a resistência passiva de Gandhi nos seus tapetes de ioga da Primark. Os discursos sucedem-se, anarquicos: todas as vozes são necessárias e não há ninguém cuja contribuição seja dispensável. Alguém propõe homeschooling, o cluster estratégico da marijuana e o amor livre em festivais pop como forma de combate à austeridade. Outro, calçando umas sapatilhas Nike, sugere que festivais pop têm que ser gratuitos para os jovens e financiados compulsivamente pelo grande capital; terminou a intervenção com uma foto da assembleia com o seu iPhone. O discurso seguinte é de um pacifista que defende que a paz que todos desejam só pode ser obtida prendendo os fascistas. Toda a gente dá as mãos.
Dia 1 – Tarde
Dada a dificuldade em atribuir uma ordem justa para as intervenções políticas, é criada uma mesa para gerir as inscrições para discurso. Para que todos possam contribuir equitativamente, as intervenções são limitadas as dez minutos. Alguém usando blusão de couro comprado em 1983 na Roménia — e que não é bem couro mas uma napa muito resistente (apenas em teoria) — sugere efusivamente que os porcos capitalistas devem ser pendurados nos candeeiros da cidade. A intervenção é interrompida com o alegre convivência entre aplausos e apupos. O recém-eleito presidente da mesa recebe do auto-nomeado vogal o microfone para intervir, exigindo que os discursos sejam pautados pelo máximo respeito pelos valores humanistas de Marx, Lenine e, antes que dissesse Estaline, é interrompido pela assembleia que grita: “Trotsky”. Não é permitido ao jovem cinquentão de napa que termine a intervenção e são apagadas as fotos do seu inflamado discurso dos iPhones de registo oficial do comité organizador do evento espontâneo. Entretanto, chega uma delegação oficial de um partido com representação parlamentar e, antes que o mais proeminente membro dessa delegação suba ao palco para falar na vez de todos os previamente inscritos, tiram-se selfies. A RTP está lá, pronta para cumprir a sua função de assessoria ao partido.
Dia 2 – Manhã
Após a noite na calçada fria, os ânimos estão redobrados. Algumas activistas pedem para que os trabalhos comecem mais tarde de forma a poderem ir à farmácia comprar pílulas do dia seguinte para “quem precisar”. A mesa anuncia que foram criadas três comissões independentes: a comissão de planeamento de acção política, a comissão de intervenção no planeamento social e a comissão de gestão de intervenções livres de quem quiser intervir. São afixadas as regras de participação no debate, que cabem em apenas três cartolinas A3. Alguns activistas, impelidos pela necessidade de uma resposta mais musculada em relação à simples plantação de rabanetes, criam uma mesa independente, livre de censura, onde todas as pessoas que subscrevem os valores da revolução armada podem intervir. O acampamento divide-se em dois.
Dia 2 – Tarde
Após o almoço comunal de cada uma das nove facções criadas entre a última intervenção da mesa original, duas delas por criação espontânea de dois transeundes turistas oriundos da Finlândia num voo Ryanair, são criadas mais trinta e sete facções. A facção humanista entra em conflito com a facção bélica da facção pacifista da mesa rebelde criada após a primeira cisão com a mesa original (num desenho percebem-se melhor as relações). São atiradas pedras da calçada e é necessária a intervenção das forças dos que vestem de preto e não têm cabelo com chocas. Uma cabra da facção hindu é atingida e morre. O representante que ficou toda a noite do partido com representação parlamentar abandona o local, não por divergências e sim porque “já tinha trabalho parlamentar agendado para hoje”, confima a RTP.
Dia 3 – Manhã
A Liga Feminista de Intervenção Social criada durante a noite decide banir do recinto todos os resquicios do heteropatriarcado. Sete senhoras participam num acção teatral que consiste na defecação irónica na fotografia de Angela Merkel. A forte presença de metano no recinto afasta a Facção Lenhadora Que Também Canta Céline Dion. A Comissão Para A Igualdade De Género Trans e Hipertrans, criada da cisão entre a Comissão Para a Passarinha e a Comissão para o Dildo de Silicone passa uma moção que considera sexo vaginal uma aberração opressora cuja finalidade única é a reprodução para um planeta judaico-cristão, um acto que consiste em destruir a liberdade de crianças ao serem sujeitas a nascer sem consentimento prévio para um mundo podre pelo capitalismo.
Dia 3 – Tarde
A ameaça de chuva e dos cabeças rapadas da Facção Hitlariana pela Liberdade Universal faz com que um número significativo de activistas abandone o recinto. Não levam as tendas porque estas foram ocupadas pela Facção Okupa – Uma Casa Para Todos. Na mesa do canto (penso que é a Mesa Verdadeira Da Revolução Verdadeira Versão 8.2) é aprovada uma moção de desmobilização.
Dia 4 – Manhã
A polícia retira os últimos drogados do local sem que estes se apercebam.
E assim termina o relato da Direita portuguesa. Podia ser pior: podia ser igual à esquerda.
A ver e ler
Pouco ou nada comentada esta entrevista de Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Conselho Directivo do Forum para a Competitividade, merece ser ouvida. Em Espanha os empresários começam a verbalizar o seu cansaço com o maniqueísmo que apresenta o sector público como virtuoso e o privado como um mal.
O Estado da Noção

“empresas e empresos”
Nenhum pequeno ou médio empresário se pode hoje dar ao luxo de ter um discurso como Juan Roig, homem-forte do grupo Mercadona. Juan Roig é muito rico e velho, dois factores para que diga o que pensa sem temer pelo futuro. Ou até para fazer humor ao falar de “empresas e empresos”.
Iluministas
Nos próximos dias a chuva, o sol, o vento e tudo o que de mau possa acontecer será por culpa do Bolsonaro. O fascista de ontem já foi. Agora é Bolsonaro. Se espirra. O que diz. A catástrofe. O horror… Até que outra criatura vai ser o boneco vudu destas élites a quem o despotismo esclarecido surge cada vez como mais tentador.
#DireitaHaddad

O hashtag #DireitaHaddad tem sido utilizado por diversas pessoas penso que não com intuito insultuoso ou desrespeitoso, mas em jeito de síntese sobre a perplexidade com que no campo não socialista muitos tomaram conhecimento da declaração de voto no candidato do PT (caso fossem eleitores brasileiros) por parte de vários liberais.
Tem servido também para aplicação a casos de pessoas na Direita portuguesa que não deixaram claro que, tendo de optar apenas entre os dois únicos participantes na contenda presidencial, nunca e em circunstância alguma votariam Haddad.
O assunto fica contextualizado ainda por uma série de artigos de opinião publicados em diversos media e nas redes sociais por autores da nossa Direita defendendo a necessidade de retirar do debate político a carga moral com que normalmente são tratados os temas da sociedade, nomeadamente os mais polémicos.
Totalmente de acordo se por isto se quer dizer que um indivíduo não deve arrogar-se moralmente superior a outro indivíduo numa discussão. Isso não! Julgamentos de carácter, dispenso.
Agora, para quem como eu tem argumentado que “Imposto é roubo!” ou que “O estado-social é imoral“, é absolutamente central isto:
Desculpem a presunção de citar a mim próprio deste artigo no Observador, mas é só mais prático para deixar claro que não deixarei de ter como referência uma Autoridade nem esquecerei a existência de Direitos Naturais do indivíduo.
Nem tudo é relativo. Há Moral.
*
anjos exterminadores
Nas minhas intermináveis leituras sobre a Revolução Francesa (perdoem-me o pretensiosismo, mas, de facto, passei anos a ler sobre o tema), quando chegava aos massacres de Setembro de 1792, instigados por um psicopata chamado Marat e fomentados por boa parte dos Cordeliers, a historiografia apologética do Terror arranjava sempre um excelente argumento para justificar o injustificável: «a fúria purificadora do povo», que, qual anjo exterminador, dizimara quem o tinha explorado. Pois muito me espanta agora não ver esse mesmo entusiasmo, por parte de alguma esquerda lusitana, pelo facto do povo brasileiro, num exercício de soberania castigadora de quem o andou a roubar ao longo de anos, ter dizimado o PT. Sem que tenha havido massacres e mortos, que não meramente eleitorais e políticos. Eu, por mim, acho que essa esquerda se anda a afastar do povo soberano.
Foi lapso, senhor, foi lapso
Li por aí tanto apelo a que se denuncie tudo o que nos pode levar a tempos mais tenebrosos e colocar em causa a liberdade, que resolvi aderir a tão nobre causa. Eis portanto o meu primeiro contributo:
«Margarida Martins é Presidente da Junta de Freguesia de Arroios e deputada na Assembleia Municipal de Lisboa, onde integra a 5ª, 6ª e 7ª Comissões Permanentes.» Fonte: Grupo Municipal do PS Lisboa
Fazendo contas
*Helena Roseta: a uma candidatura presidencial de frente de esquerda
*Paulo Portas: a um regresso
Jair e voltar
Jair Messias Bolsonaro é um chapado idiota e um tipo sem preparação alguma para a função. Mas não é original, vários como ele também tiveram sucesso. Politicamente conseguiu cavalgar a onda que varreu o Brasil nos últimos tempos, conseguindo agregar todo o sentimento anti-petista que grassa no país. Milhões de brasileiros que votaram PT nas últimas 4 eleições parecem ter-se fartado e preferem qualquer coisa, nem que seja Bolsonaro, a terem de viver novamente sob o governo do PT. Bolsonaro conseguiu cilindrar todos os partidos e candidaturas dos ditos partidos moderados mediante um discurso agressivo, violento, insultuoso, populista. Todos os outros perderam o pé porque a população os vê, juntamente com o PT, como parte de um mesmo polvo de corrupção e de inacção que se tem espalhado em todos os níveis da sociedade e do Estado.
Obviamente ele não é um fascista. Para isso teria de ser um colectivista, um revolucionário, um líder de massas, um defensor do corporativismo, um estatista. O que não é. As esquerdas insistem em desvalorizar o verdadeiro fascismo colocando tal rotulo em todos os que se afastem ligeiramente das suas próprias ideias. Um mau serviço que prestam à democracia e à liberdade, e que as impede de ver o fascismo onde ele de facto acontece.
Bolsonaro insere-se nas correntes militaristas, autoritárias e caceteiras de cariz conservador tipicamente sul-americanas, cujas práticas foram aplicadas em tantas ditaduras repressivas nas décadas de 70 e 80 do século passado em quase todos os países da América Latina.
Mas não é o sujeito perigoso? Certamente. Eu sou dos que acho que quem diz certas coisas em campanha é bem capaz de as tentar cumprir quando chega ao poder. O que seria uma tragédia para os brasileiros. Que no entanto parecem acreditar nas suas instituições e desvalorizam (pelos testemunhos que a imprensa/tv nos mostram) aquilo que apenas entendem como «excessos de linguagem na campanha». Não estou tão certo disso. Com gente daquele estilo, militarão, cobardola e de verbo fácil, é aconselhável leva-los a sério e estar prevenido quando chegam a pôr as mãos no poder. Mas de facto parece haver à partida mais confiança nas instituições democráticas e no Estado de Direito nos adeptos bolsoranistas do que nos petetistas. Não sei de momento quem terá razão. É verdade que o sistema politico e jurisdicional brasileiro foi capaz de absorver sem violência e com maturidade a destituição de uma presidente e o julgamento, condenação e prisão de um outro presidente, o que pode indiciar estarem as instituições prontas a resistir na defesa do Estado de Direito. Quem na altura colocou em causa o Estado de Direito recusando os veredictos, as provas, os julgadores e as instituições, ameaçando não as respeitar foram os petistas.
Mas resistirá o Estado de Direito às iniciativas de Bolsonaro, se o mesmo levar por diante todas as suas ameaças que proferiu em campanha? É bastante incerto. Até porque por vezes iniciando-se um processo, o mesmo pode escapar de qualquer controle se o líder for um incapaz ou inábil e ser tomado directamente em mãos pelos seus apoiantes de forma caótica e totalmente à margem da lei. E aí é difícil de voltar ao lugar, em especial se as instituições do Estado forem coniventes, pela acção ou inacção. Que é na verdade o que falta mesmo saber: se, apesar de toda a corrupção endémica e estrutural brasileira, a liberdade, democracia e o Estado de Direito são suficientemente fortes no Brasil para aguentarem o embate com as promessas do novo presidente e com as reacções dos seus opositores.
Propostas para uma verdadeira democracia. Ou uma democracia-manicure
*O voto dos imigrantes passa a ser feito pelo representante da comunidade. O senhor Mamadou Ba é nomeado presidente da comissão de avaliação dos representantes das comunidades.
*Nas eleições cujos resultados não correspondam aos anseios dos activistas, jornalistas e intelectuais a vitória é atribuída a quem ficar em segundo.
*Blogues, comentários e opiniões que não sigam a linha justa passarão a ser automaticamente criminalizados
*Depois desse momento libertador em que se viu a deputada Isabel Moreira a pintar as unhas das mãos devemos unir esforços para a senhora deputada passe a pintar as unhas dos pés. A depilação pode ficar para a próxima legislatura.
Uma democracia em que o povo vota dá sempre mau resultado…
… a não ser que vá para o governo quem fica em segundo lugar.
Mas o mundo continua perigoso porque consta que a direita inorgânica de Portugal elegeu um fascista no Brasil.
*
E agora para onde parte a brigada da salvação do governo português?
Agora que o Bolsonaro foi eleito, o Trump tb, o Salvini idem (e já agora tb houve eleiçºoes na Alemanha), o Brexit anda por aí… alguém sabe qual a campanha eleitoral que vai ocupar as energias dos apoiantes do governo português?
Reparo tb que já está em curso a passagem do pior que pior não podia haver a menos mau: Trump já vai a assim assim. Bolsonaro é agora o pior pior. Nesta escala só não sei onde colocar Maduro.
O melhor programa de comentário destas eleições brasileiras
Por razões que o pensamento não alcança a TVI optou por constituir um painel de cómicos para comentar as eleições brasileiras.
Ali pelas 22h 27 um dos convidados explicava “Isto é um problema sexual, entendeu? O fascismo é um problema sexual. As pessoas são simultaneamete possibilidades masculinas e possibilidades femininas. Toda a vez que o homem tenta eliminar nele tudo o que há de feminino nele ele passa a ter ódio do feminino e ao ter ódio do feminino ele se junta a um poder masculino. Esse homem, Messias, ele catalizou a insatisfação do homem brasileiro e propôs ao homem brasileiro uma potência que śo interessa ao impotente.”…
Depois do sexo passaram para os algoritmos, as redes sociais e o dinheiro que, afiançavam aquelas mentes, tal como a religião é uma fantasia. Um dos tais cómicos que se fazia passar por editor de política internacional da TVI após uma performance de apelo às massas passou para as teorias da conspiração… Enfim, um programa para a história.
fascistas aos molhos
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O Presidente da República Portuguesa felicitou Jair Bolsonaro pela sua eleição. O Presidente da República Portuguesa é fascista.
Sem título ;-)
De repente pôs-se uma noite maravilhosa…
Conselho para sair vencedor das eleições
Deixem-se de assessorias de imagem. Mandem fora os consultores. Poupem trabalho e dinheiro.Para que um candidato seja eleito basta:
* ter todos os dias em todos os canais de televisão e rádio comentadores que se declaram 100% contra o candidato em causa
*ser objecto de um movimento tipo EleNão
*em todos os noticiários os potenciais eleitores desse candidatos devem ser apresentados como incultos e em seguida insultados
*Distribuam milhares de fotos deste género

The Times They Are A-Changin’
The Times They Are A-Changin’ (1963)
Bob Dylan
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You’ll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin’
Then you better start swimmin’
Or you’ll sink like a stone
For the times they are a-changin’.
Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won’t come again
And don’t speak too soon
For the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who
That it’s namin’.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin’.
Come senators, congressmen
Please heed the call
Don’t stand in the doorway
Don’t block up the hall
For he that gets hurt
Will be he who has stalled
There’s a battle outside
And it is ragin’.
It’ll soon shake your windows
And rattle your walls
For the times they are a-changin’.
Come mothers and fathers
Throughout the land
And don’t criticize
What you can’t understand
Your sons and your daughters
Are beyond your command
Your old road is
Rapidly agin’.
Please get out of the new one
If you can’t lend your hand
For the times they are a-changin’.
The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin’.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin’.
Compositor: Bob Dylan © Sony/ATV Music Publishing LLC, Audiam, Inc
Dilema rive gauche
Se os resultados das eleições em Portugal forem os que circulam os patrões tão de esquerda, tão sensíveis, tão indignados com o candidato Bolsonaro vão continuar a entregar a lida da casa, o tratamento das unhas e o ir buscar as crianças à escola nas mãos da fascista, racista, homofóbica enfi nazi que votou no dito Bolsonaro?
Se fosse Brasileiro…
Fiz há umas horas e por mera chalaça uma sondagem no Facebook em que perguntava às pessoas se, caso fossem Brasileiros, em quem votariam para Presidente da República Portuguesa. Duas únicas hipóteses de resposta foram consideradas: 1) Marcelo Rebelo de Sousa ou 2) Batatoon.
O inquérito já vai com mais de uma centena de votos e os resultados parciais indicam que mais de 95% das pessoas votou no palhaço. No Batatoon, bem entendido.
Olho agora para aquilo que no início era para mim uma brincadeira de auscultação de opinião como uma réstia de esperança de sanidade e crença nos Portugueses.
Agradeço que não me expliquem a irrelevância estatística do exercício.
Permitam-me uns momentos de ilusão.
*
O fascismo que aí vem e o fascismo que aí está (2)
O Rui A. assinala, e bem, o carácter fascista do regime venezuelano. Mas julgo conveniente realçar que neste caso não estamos apenas a usar o termo «fascista», como faz grande parte da esquerda mais radical, como mero adorno retórico, visando denegrir, desvalorizar, criticar um qualquer movimento ou situação politica que não seja do seu agrado (técnica politica aliás com raízes fascistas….). Para a esquerda radical e de visão mais totalitária, a eventual vitoria de Freitas do Amaral sobre Soares seria o fascismo, a Aliança Democrática era o retorno do fascismo, Cavaco teria tido práticas fascistas, Passos Coelho era o introito a um período fascista, Bush, Sarkozy, Tatcher, e agora Macron todos eles seriam uma frente avançada de cariz fascista. De tal forma usam esse termo que, como bem assinala o Rui A., esquecem ou melhor dizendo, propositadamente evitam falar sobre fenómenos, eles sim, marcadamente fascistas.
A Venezuela de hoje é, nas ultimas décadas, o projecto politico mais próximo das teorias fascistas dos anos 20 do século passado. O Fascismo foi um projecto e prática politica assente em algumas ideias base: movimento de massas dirigido por líder carismático; com significativo enraizamento nas classes operárias; marcadamente anti-burguesia; anti-liberal; contrário à democracia parlamentar e liberal; advogando o uso da violência como prática politica de controle e assumpção do poder; defensores do controle e expropriação das grandes empresas e dos grandes proprietários de terra; contrários à livre associação fosse ela sindical, civil ou politica; defensores do modelo corporativo onde as diversas formas de organização social fossem agrupadas consoante a sua classe económica e social sob a tutela do Estado; defensores de um visão totalitária do Estado, sendo este o representante único e exclusivo da nação e da sociedade; nacionalismo extremo baseado em mitologias do passado que se pretendiam recuperar e reviver; utilização de milícias e militarização das estruturas do Estado.
Ora, em grande parte é o que sucede na Venezuela. Chaves e Maduro criaram e alimentam o mito do bolivarismo como base ideológica que sustente as suas politicas, baseadas num conceito de socialismo colectivista e nacionalismo hiper-exacerbado.
Criaram e utilizam milícias populares sob a designação Milícia Nacional da Venezuela a qual integra mais de um milhão de membros e que tem sido instrumento de repressão e ameaça sobre forças opositoras; tomada do controle e propriedade de quase toda a força económica do país (petróleo; siderurgia, bancos; telecomunicações; energia eléctrica, cimenteiras; nacionalizou mais de 5,2 milhões de hectares de terrenos agrícolas;
O regime persegue, prende, tortura e mata opositores políticos; organizou umas «eleições» para uma Assembleia Constituinte onde os partidos não podiam apresentar candidatos, sendo os eleitos escolhidos de acordo com critérios corporativistas (municípios, sindicatos, conselhos comunais, grupos indígenas, agricultores, estudantes e pensionistas); o regime perdeu as eleições para a Assembleia Nacional, o orgão legislativo em 2016, mas o Presidente Maduro impediu o seu regular funcionamento e os poderes legislativos foram posteriormente trespassados para a Assembleia Constituinte onde não existe oposição, significando na prática o arresto do poder legislativo pelo poder executivo e por um único partido; deputados viram retirada a sua imunidade e foram presos, tiveram de se exilar ou são acusados e perseguidos por crimes políticos;
O regime militarizou toda a economia, sendo militares 11 dos 32 ministros, incluindo Fazenda, Agricultura e Alimentação. O ministro da Defesa chegou ao ponto de indicar «um general ou um almirante» responsável pela produção ou importação e distribuição de 18 produtos alimentares e também dos medicamentos. Pelo menos a casta militar não passa fome e é uma forma de fazer com que a corrupção se infiltre totalmente nas FA, vital para a manutenção de Maduro do poder. Qualquer regime totalitário vigora sem problemas quanto mais igualitários na pobreza, miséria e dependência forem os seus cidadãos. É esse o caminho que está a ser feito, propositadamente, na Venezuela. O descalabro financeiro, económico e social da Venezuela é fruto, não de algum acidente, não como consequência exterior, mas fruto de uma vontade politica do seu próprio governo. Quem ainda pode foge, e o regime agradece, pois reforça o seu poder.
Em suma, praticamente todas as características do Fascismo estão já presentes no Estado venezuelano. E a sua «constituinte» prepara-se para acelerar tal projecto. Ao contrário dos anos 20 e 30 do século XX, nenhum regime tem hoje interesse em assumir claramente o seu projecto totalitário. Ainda há partidos na Venezuela, mas os seus principais dirigentes estão presos, são perseguidos ou impedidos de agir; ainda há meios de comunicação, mas são ameaçados, os jornalistas espancados ou perseguidos; ainda há manifestações, mas a repressão das milícias e dos grupos para-militares e das forças do Governo é brutal e impiedosa. Na prática toda e qualquer oposição é intolerada, qualquer veleidade democrática impedida, qualquer brisa de liberdade ou de protesto reprimida.
Há vários regime totalitários no mundo, alguns ainda mais repressivos e sanguinários, mas apenas a Venezuela assume uma prática e fundamentação claramente fascista. Para desgraça daquele povo e no silêncio e cegueira voluntária de todos os que à esquerda clamam contra os «fascismos».
