Cogumelo a cogumelo estamos a ser tramados
Como o estado de graça ou desgraça do PR passa por aquilo que a esquerda quer as declarações mais despropositada de Marcelo passam absolutamente incólumes. E contudo o actual PR trata o governo de Costa em termos institucionalmente ofensivos.
DN «Olha que maravilha, um duplo cogumelo”, disse o Presidente enquanto colhia o produto. Depois veio a distinção intencional. Para Marcelo “o cogumelo maior é o cogumelo presidencial e este é o governo porque é mais pequenino”. Também aqui quis pender o peso do semipresidencialismo para Belém, já que o Presidente é “o cogumelo maior” e o governo de Costa “o mais pequenino”. Com a faca e o cogumelo na mão, o Presidente continuou a comparação, falando em “solidariedade institucional”, já que – como a forma daqueles cogumelos – “o Presidente da República [está] sempre a aguentar o governo…” A surpresa veio no final da frase, com Marcelo a acrescentar que o Presidente aguenta o governo… “por uns tempos”.»
Populista sorridente a toque de bombo e beijinho Marcelo está a mudar o regime. Como escreve Perante um Governo que vê na sua continuidade o seu sucesso, Marcelo cedo percebeu que o seu mandato poderia ser diferente dos anteriores. (…) Neste mandato de Marcelo a maioria que sustenta o Governo não é absoluta, mas apenas parlamentar, tal como o de Soares em 1978. E quando este Governo cair, mesmo que sejam convocadas novas eleições, não é de esperar uma maioria absoluta de direita. Enquanto isso, Marcelo, que tem tido o cuidado de cultivar uma imagem de homem próximo do povo, um homem da rua, o que lhe granjeia uma popularidade ímpar, não terá dificuldades, perante um Parlamento dividido e um Estado com sérias dificuldades de financiamento, de impor a sua vontade. Se o fizer Marcelo porá termo ao equilíbrio por que Sá Carneiro lutou. Voltaremos a viver num sistema semi-presidencialista de pendor presidencial, ao invés de parlamentar. Ao consegui-lo, Marcelo será um De Gaulle à portuguesa, definindo o regime à sua imagem, mas com uma diferença relativamente ao francês: é que, ao contrário deste, Marcelo candidatou-se à presidência da República sem um programa que fosse. A sua estratégia foi o silêncio e a evitação de confrontos. E é neste ponto que o regime pode resvalar para o populismo sem conteúdo e, porque vazio, incontrolável e isento de críticas. Um regime oposto àquele por que Sá Carneiro, e também Soares, lutaram há 40 anos. »
O senhor que se segue
Depois deste encontro 
o PR vai encontrar-se com qual dos abaixo indicados



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O mito do terrorismo como resultado da pobreza
A imprensa tem destacado como surpreendente o facto de os terroristas do Bangladesh serem de famílias ricas e frequentarem bosas escolas. Não percebo a surpresa. O terrorismo precisa de dinheiro e conta habitualmente com os intelectuais e os filhos família para puxarem o gatilho. Era (ou é porque está vivo e tornou-se sociólogo) analfabeto Renato Curcio o mentor das Brigadas Vermelhas? E Giangiacomo Feltrinelli, conde, riquissimo que morreu vítima da bomba que preparava? E Ulrike e Andreas Baader Meinhof eram analfabetos ou filhos de analfabetos?
10 anos de Bloca
Lá estava ele, a discursar, que o povo escolheu nas urnas isto, que o povo decidiu aquilo. Ele, como em Catarina Martins ou outro qualquer dos que discursam sobre os méritos da democracia quando devidamente interpretada nas suas proporções tão acadabrantes como 10% dos resultados totais. Peito cheio. Ar inspirado pelo nariz e expirado com sons que entorpecem os sentidos do bando de lunáticos que os escutam. Democracia! Democracia!
Às vezes sai errado. Dá mal. Não funciona bem. As pessoas enganam-se. Ainda agora se enganaram, com o Brexit. Também se enganaram nas legislativas de 2015, dando uns míseros 10% a quem tem um projecto sério para o país através de gargalhadas na sala de aula. Enganaram-se na Áustria. Enganam-se em França. Noutro dia enganaram-se em Espanha. Na Grécia acertaram após muitos enganos e agora já perceberam que acertar ou errar vai dar tudo ao muro da realidade. Há sanções, não há sanções? Não faltam é Dalilas, sempre prontas para tentarem o brutamontes para o caminho certo, mesmo que errado. É indiferente: ninguém cala esta gente. E, enquanto falam e têm votos, nada se pode fazer excepto esperar que se calem. Hão-de calar. Mas só para virar o disco e recomeçar tudo outra vez.
Os mortos não falam. Felizmente.

Algum dos presentes na homenagem ao Torga terá pensado no que o escritor diria e pensaria dos presentes, sobretudo dos que ficaram para a fotografia, o actual PR e o antigo PM, José Sócrates? Na montanha de Torga figurinhas dessas não eram tratadas com piedade. E não porque Torga fosse um escritor genial – não era – mas simplesmente porque no seu mundo gente assim tinha nome e não era bonito.

Quem falaria? E quem pagaria o seminário?
Isabel Moreira, deputada socialista e membro da subcomissão da igualdade no Parlamento, foi vítima de assédio laboral quando era jurista num escritório de advogados.
Este tipo de notícias que começamos por tratar como anedotas mas que algum tempo depois ganham força de lei são uma marca de um tempo entregue a radicalismos. Políticos. Fiscais. Culturais.
A dra Isabel Moreira claro trata do seu ramo: uma obrigação destas garantia-lhe clientela obrigatória para os seus momementos de evangelização. Feitos os primeiros seminários a logo se descobriria que havia que fazer umas acções de sensibilização para os próprios empresários, depois que havia que investigar porque várioa trabalhadores se escapuliam dos seminários, depois que o seminário se tenha de desdobrar em várias formações específicas..Digamos que é uma espécie de PPP: o Estado cria os utilizadores do serviço, os privados põem o público e os contribuintes pagam.
duas figuras menores
Boris Johnson e Nigel Farage passaram os últimos anos a, literalmente, rosnar contra a União Europeia e a fazerem campanha pela saída do Reino Unido dessa organização. Agora que, provavelmente contra as suas expectativas e até, admito, vontades, o país a que pertencem se prepara para assumir as consequências das suas propostas políticas, ambos se puseram a mexer, declinando qualquer responsabilidade sobre o que se passará em seguida. Como, provavelmente, nenhum dos dois se submeterá tão cedo a eleições nacionais, nem sequer poderão ser castigados politicamente. Outras responsabilidades sobre o que possa acontecer deixaram, também, de lhes poder ser assacadas.
São estas coisas chatas que tem, por vezes, o tal sistema que, sendo péssimo, consegue ainda ser melhor que todos os outros. Como muito bem dizia um conterrâneo destas duas figuras menoríssimas, a quem nunca a História poderá acusar de cobardia.
estamos cá todos para ver

A lenda de António Costa descreve-o como um exímio negociador. O homem que conseguiu acordos impensáveis na Câmara Municipal de Lisboa, que replicou e levou ainda mais longe para o governo do país, conseguindo uma coligação parlamentar nunca vista com o PCP e com o Bloco de Esquerda. Ao fim de sete meses de governação, ultrapassando ventos e marés, António Costa tem conseguido, graças aos exímios talentos e qualidades excepcionais, mantido a «geringonça» a funcionar, respondendo sempre, com fina ironia, a quem vaticinava vida breve ao seu exótico governo, que a coisa cumpriria a legislatura.
Pois bem, parece que António Costa terá, nas próximas três semanas, uma oportunidade inaudita para agigantar mais ainda os seus dotes e talentos negociais: a Comissão Europeia exige-lhe medidas para compor as contas públicas do seu governo, ameaçando-o com sanções se o não fizer. No fim de contas, o que a Comissão se prepara é para, mais coisa menos coisa, lhe fazer aquilo que andou quatro anos a fazer ao governo de Passos Coelho, que, segundo Costa, cedeu sempre aos ditames de Bruxelas e de Angela Merkel, indo mesmo, quantas vezes, para além do que a própria troika pretendia. É, então, chegada a hora de António Costa mostrar como se lida de forma diferente com os credores e com as instituições da União Europeia. E com o governo de Angela Merkel.
Certamente que Costa irá defender em Bruxelas o que Passos não soube defender, e conseguirá manter as coisas como estão e ainda para melhor – sem qualquer Plano B -, revertendo o caminho da austeridade que nos impuseram. Estamos cá todos para ver.
Camarada Jerónimo e camarada palhacinha
a malta rasga os tratados e no dia seguinte pede dinheiro a quem para pagar as pensões, o SNS, a escola pública e já agora as 35 horas na gunção pública?
Um destes dois países tem governo. O outro não
Espanha: A economia espanhola vai crescer 2,3% este ano e 2,5% em 2016 A Comissão Europeia indica que a atividade económica em Espanha em 2015 e 2016 vai continuar “dinâmica”, com taxas de crescimento “bem acima da média europeia” (2,3% este ano e 2,5% no próximo)
Portugal: A Comissão Europeia piorou a sua estimativa de crescimento da economia portuguesa para 1,5% este ano e para 1,7% no próximo
Je suis ninguém
ao serviço de sua majestade

«Foi o senhor que disse que Portugal precisa de um novo resgate?…»
Sajad Gharibi, mais conhecido pelo Hulk iraniano, é um saudável e ambicioso moço de 24 anos, que tem um desígnio na vida: combater o estado islâmico. É uma causa nobre, mas, ainda assim, não tão nobre quanto a que poderia desempenhar no combate a outros temíveis vilões, como os «mercados financeiros», o «capitalismo selvagem», a «especulação bolsista», os «fugitivos ao fisco», as taxas de juro especulativas, os donos das offshores, o FMI, etc.. Enfim, um conjunto de patifes, que têm dado cabo dos rigorosos planos económicos do governo Costa/Centeno, que se podem, todos eles e ainda mais alguns, ilustrar na sinistra figura do Senhor Schauble, que anda a pressionar as contas públicas portuguesas para que a Alemanha tenha o privilégio de nos emprestar mais uns milhões de euros. Ora, se António Costa, em vez de andar preocupado com essas coisas, o contratasse para prestar missões especiais ao governo português junto ao governo alemão, até as pernas lhes tremiam… E nem sequer sequer era necessário reduzir o contrato a escrito: o Ghabi de certeza que é um homem de palavra…
FMI, Futebol e Fado
Todas as pessoas que me lêem sabem o que penso de António Costa. Apesar disso, que nem sequer é ofensivo ou desrespeitoso em relação ao que António Costa pensa de mim e dos outros portugueses, o homem consegue sempre surpreender pela facilidade com que mantém a aceleração constante de imbecilidade. Seria demagógico – apesar da demagogia não ter nada de mal – dizer que me custa ver o alegado primeiro-ministro a assistir a jogos de futebol num estádio francês enquanto a máquina governamental fabrica a todo o gás as contas da execução orçamental rumo ao colapso do país. Poderia, inclusivamente, referir o quão saloio é ter um primeiro-ministro a assistir a jogos de futebol que nem sequer são o jogo final da competição. Podia ainda referir como o mastodonte a roçar o analfabeto procura distrair a população com patriotismos vazios de mera circunstância. Porém, não vou fazer nada disso: o futebol é o único legado que o homem poderá deixar – “eu era primeiro-ministro quando fomos à final”. Porque, do resto, da obra, disso ninguém quererá falar.
Carlos Gouveia, este nome diz alguma coisa? Apareceu nas notícias? Alguém protestou junto da embaixada da Venezuela?
Atentado inexplicável
Não se fala do assunto. Ainda não sabemos muito sobre as vítimas, não as conseguimos caracterizar. Vai ser difícil uniformizar para determinar que as 41 vítimas do atentado no aeroporto de Istambul foram vítimas de uma fobia a combater. Em Orlando foi a homofobia. Não se falava de outra coisa excepto da forma como esta fobia deve ser combatida. Os bares gays discriminam, claro: soubemos imediatamente que nenhum não-gay estava dentro do edifício pela notícia da morte de 50 gays. Culpa dos não-gays, que não frequentam estabelecimentos destes. Este atentado na Turquia, originando menos vítimas, é um rodapé. Não foi homofobia. Terá sido aerofobia? Será um caso da mais rara aeroportofobia? Nunca saberemos. Também não é assunto. Podíamos encontrar algo em comum entre Orlando e Istambul, como uma religião, mas não vale a pena: o primeiro foi homofobia, este é inexplicável. E assim será, pernas rechonchudas em skinny jeans, buraco lisboeta, enquanto quisermos. Felizmente, queremos. Amém.
tenho um iglô no alasca

Se eu tiver um iglô no Alasca e arranjar um emprego em Lisboa, será que me pagam um subsídio de deslocação pelos 8.235,58 km de distância?
A Paz
Portugal, 2016
Brexit e comércio livre
Nos anos 80 a CEE representava 25% do PIB mundial. Isto implicava que a adesão de um país à CEE lhe permitia comércio livre com 25% do PIB mundial.
Em 2016 a União Europeia representa 15% do PIB mundial. Se o Reino Unido sair passa a 13%. 85% do PIB mundial está fora da UE.
Estes são os acordos de comércio que a UE tem com o resto do mundo:

Não há acordos com as maiores economias do mundo: EUA, China, India, Brasil e Japão. Não há acordos com ex-colónias inglesas chave como a Austrália e a Nova Zelândia.
Compare-se com os acordos que a Suíça conseguiu:

Nos anos 80 havia um dividendo comercial para quem aderisse à UE. Em 2016 parece haver um dividendo para quem conseguir sair da UE mantendo-se no mercado único através de um acordo com a UE (como é o caso dos países da EFTA).
que governo vai o psoe viabilizar?

«Olha o futuro brilhante que tens à tua frente, Pedro!»
Um governo de direita do PP ou um governo da extrema-esquerda do Podemos? No primeiro caso, o PSOE deixa de ser alternativa à direita, pelo menos durante os próximos quatro anos. Na segunda hipótese, entregará, de vez, o que resta do velho Partido Socialista espanhol a Iglésias, não ao Júlio, o que nem seria de todo mau, mas ao Pablo, aquele que o quer secar até à medula. Disto, a conclusão só pode ser a seguinte: Pedro Sanchéz teve, na última eleição de há seis meses, uma oportunidade de ouro para fazer parte de uma solução de governo, que engrandecesse o seu partido e a sua liderança. Estava em segundo lugar e os seus deputados formariam, pelo menos, duas maiorias possíveis. Desbaratou-a, cegamente, ao apostar na erosão do PP, convencido que manteria, pelo menos, a segunda posição e que lideraria uma maioria parlamentar, à la Costa, com um Podemos domesticado e o Ciudadanos. Pois não manteve e, agora, com o Podemos só para ser vice do Iglésias. E, mais uma vez, do Pablo e não do Júlio. Um exemplo que merece reflexão.
venha lá esse referendo, catarina!
Porque é certo e sabido que, o dia em que semelhante coisa for marcada em Portugal, será o dia seguinte ao do fim do governo da Geringonça: PS para um lado, PCP para o outro e o Bloco para o lado de «fazer uma nova Europa por cima das cinzas da actual». Como a política não vive de fantasias, Catarina, ficaria muito mal a António Costa e a Mário Centeno continuarem a aparecer por Bruxelas com semelhante cenário doméstico, no seu próprio governo. É que uma coisa são convergência tácticas para lixar o Passos e o Montenegro, coisa distinta é andar a reboque de chantagens alucinadas em relação à União Europeia. O último a meter-se em semelhantes cavalgadas chama-se David Cameron, ou melhor, chamava-se… Venha, então daí, esse referendo, cara Catarina. Ficávamos, talvez com a sua excepção, todos a ganhar. O que significaria que ganharíamos todos.
Sofrimento católico
Quantos escoceses estariam preocupados com a secessão da Madeira? Nenhum. Mas, nós, os portugueses, nós estamos preocupados com a desagregação do Reino Unido. Porquê? Porque estamos habituados à ideia da união britânica. Porque somos conservadores. Porque, por muito que nos esforcemos para tirar a sacristia aos socialistas, é o paroquialismo que os define.
Actualizando Catarina Martins um ano depois
A Grécia/ Inglaterra deu uma “grande lição à Europa mostrando que entre a democracia e a chantagem escolhe a democracia, provando que é possível vencer o medo”
“Para lá de toda a chantagem o povo grego/inglês respondeu à chamada e foi votar no referendo, numa votação expressiva e muito participada. Os gregos e as gregas/ingleses e inglesas querem ter poder de decisão sobre o seu futuro”, como os portugueses também “gostariam de ter“.
Quanto ao Governo português, Catarina Martins considerou que “envergonhou portugueses e portuguesas ao longo da última semana”, acrescentando que o executivo de Passos Coelho/António Costa “esteve sempre do lado do sistema financeiro e da Alemanha e portanto não esteve nunca a defender os interesses da população portuguesa”. “O Governo português teve uma ação lamentável e felizmente não é ouvido na Grécia/Inglaterra“, considerou.
Politicamente o que parece é
Como sabia e sabe quem está nesta fotografia

Dizem que cachaça é água
É curioso que, para quem acusa que “ganhou o medo” no Reino Unido, não se faça outra coisa que não tentar explicar a desgraça que aí vem com o Brexit. Atenção que não é para propagar medo, não senhor; é só porque nos preocupamos muito com o destino de financiadores líquidos da UE, esses desgraçados.
Ainda acham que o fado não fala da vida real?
Catarina explica
Explicação da Catarina Martins para o brexit:
Para Catarina Martins, de resto, “as políticas extremistas que têm dominado a União Europeia” estiveram também “em julgamento neste referendo [britânico]”. E foram chumbadas perante a hipocrisia dos líderes europeus. “A crise dos refugiados, os muros que se erguem, o vergonhoso acordo com a Turquia, a selva de Calais, estas políticas são União Europeia e moram aqui mesmo entre nós. Os dirigentes europeus que hoje parecem chocados com os britânicos querem iludir o mal que têm feito a toda a União Europeia.”
Nota: Um dos motivos para o voto “leave” foi a imigração. Os “leave” querem menos emigração e acreditam que saindo da UE conseguem controlar melhor quem entra no Reino Unido. Na interpretação da Catarina, os “leave” queriam uma política de portas abertas sem fronteira em Calais. Os “leave” queriam acolher refugiados e a UE meteu uma fronteira em Calais.
mais um vencedor

Resposta dos governantes portugueses ao brexit
A saída do Reino Unido da União Europeia levará a:
- aparecimento de movimentos separatistas semelhantes noutros países
- aumento da concorrência fiscal entre estados europeus (dentro e fora da UE)
- incorporação das ideias dos eurocepticos na política oficial dos países do Norte da Europa
- redução do orçamento da UE e das ajudas aos estados mais pobres
- menor tolerância dos estados ricos para com free riders que não cumprem regras
- menor mutualização de risco entre os países
- menor confiança dos investidores na dívida dos países periféricos
- menor investimento externo em países que não se adaptam ao novo cenário
Tudo isto joga contra a actual estratégia de Portugal que consiste em esticar a corda e ir vivendo da tolerância e das ajudas europeias negligenciando a competitividade da economia num cenário que será cada vez mais concorrencial.
Esta é a resposta dos governantes portugueses a estes problemas:

700 anos de uma União
O dilema europeu
O Artigo 50.º do TUE prevê os procedimentos para a saída de um Estado-Membro da União. Em princípio, deverá ser celebrado um Acordo que regule a saída, “tendo em conta o quadro das suas futuras relações com a União”. Tal acordo é celebrado pelo Conselho, deliberando por maioria qualificada.
O dilema da UE serão as condições desse acordo. Se cede ao Reino Unido, mantendo a sua participação naquilo que interessa (mercado único e livre circulação), libertando-o das obrigações, abre a porta para outras saídas a curto prazo e acrescentará mais um nível de complexidade às já muito complexas relações internacionais no espaço europeu (ver gráfico, (c) The International Spectator). Se, pelo contrário, decide fechar a porta, para mostrar que a saída tem consequências, o risco de fragmentação da União não será menor. Em várias áreas, o nível de integração é muito elevado e os custos de reverter essa integração são inimagináveis.

outros vencedores do dia
Sem UE, será a irrelevância
Começo por dizer que considero o projecto comunitário a mais generosa e nobre realização política dos nossos tempos, que foi um privilégio ter vivido nela e beneficiado dela, e que vejo o resultado do referendo inglês como uma tragédia de consequências incalculáveis. Apesar da retórica contra-corrente e dos exercícios múltiplos de história alternativa, a verdade é que, graças a ele, a Europa comunitária viveu, de 51 até aos dias de hoje, um extenso período de paz, desenvolvimento e prosperidade, de que todos beneficiámos, inclusivamente os seus críticos mais violentos. Isto, para mim, é o essencial.
Como qualquer realização humana, o processo comunitário é naturalmente sujeito a inúmeras críticas. Infelizmente, quando vejo que elas unem a extrema-esquerda e a extrema-direita, sou levado a desconfiar. É que é próprio da metodologia dos extremos realçar o negativo, para excitar as consciências e disso tirar dividendos rasteiros, obscurecendo e denegrindo o que é positivo. E, inequivocamente, apesar dos muitos aspectos negativos da integração europeia, as suas vantagens são-lhe infinitamente superiores, embora raramente sejam referidas quando é debatida sob o efeito das paixões.
Não pretendo fazer aqui a história desse processo, mas gostaria de realçar dois ou três aspectos que me parecem, nesta hora verdadeiramente dramática, não deverem ser esquecidos.
O primeiro, que a construção comunitária foi sempre um processo assumido de integração económica e política, e não um mero processo de cooperação internacional. O que foi criado em 51, e reforçado em 57, tinha por objectivo a partilha comum de soberania nacional em instituições supranacionais, e não apenas o derrube de fronteiras alfandegárias entre os estados-membros para a livre circulação de mercadorias. Um Mercado Comum, objectivo liberal que os tratados sempre enunciaram, não se fica pela livre circulação de mercadorias, mas de pessoas, capitais, bens e serviços. Isso não se conseguiria pela criação de um Zollverein geograficamente alargado (embora o Zollverein tenha proporcionado a unificação da Alemanha…), mas pela criação de condições para que as mercadorias sejam acompanhadas pelas pessoas e pelos capitais.
O segundo, que este processo deveria prosseguir pela integração gradualista e horizontal entre os estados-membros e os cidadãos através de «pequenos passos» (Jean Monnet), acreditando no chamado efeito de «spillover», segundo o qual os efeitos benéficos da partilha de espaços de soberania conduziriam a um estreitamento natural da integração, mas sem dirigismos ou imposições verticais de decisões políticas fundamentais e estruturantes. Infelizmente, não foi isso que aconteceu em Maastricht.
O terceiro e último é que a integração económica é sempre política, como é óbvio, e que isso também foi sempre assumido desde o início do processo. Naturalmente, a integração política não é sinónimo de unificação ou de perda integral de soberania, mas também não foi isso que aconteceu na Europa, apesar dos muitos erros cometidos ao longo dos anos.
É chegado, então, o momento de dizer que considero a integração comunitária europeia o único projecto verdadeiramente liberal que conheço na História (e, aqui, a «História» vai em maiúsculas…), e, perdoem-me a sobranceria, escuso-me a explicar porquê. As evidências são claríssimas e falam por si mesmas. Obviamente que este projecto teve inúmeras derivas burocratizantes e construtivistas, mas os liberais têm de começar a aprender que (felizmente) vivemos em sociedades plurais e que não pensamos todos da mesma maneira. Por consequência, é natural que a ordem comunitária tenha reflectido, também, aquilo de que não gostamos. Mas, honra lhe seja feita, o seu acervo fundamental – a liberdade de comércio, de circulação de pessoas, capitais e mercadorias, a defesa dos princípios liberais da propriedade e da iniciativa privada – permaneceu sempre intocado, e disso todos beneficiámos. Em Portugal, por exemplo, foi graças à União Europeia que a parte marxista da nossa Constituição Económica foi seriamente afectada. Um enorme ganho de que somos devedores.
O que correu mal, então, para se ter criado uma forte corrente europeia contrária à União? Infelizmente, e ao contrário daquilo que muitos hoje festejam, o que o Brexit e o êxito das Le Pens dessa Europa fora reflectem é o reforço dos motivos que levaram aos insucessos da União Europeia e não a sua diminuição. À esquerda e à direita, quando se critica «esta» Europa é porque ela não «resolveu» o problema do desemprego e das crises económicas de alguns dos seus estados-membros. Mas não é a ela que compete enfrentar esse problema, mas às pessoas dos estados-membros. O que se pede, então, não é mais liberdade económica, mas mais socialismo. E é esta demagogia que tem parcialmente triunfado nas nossas sociedades e que, em boa medida, deu ontem a vitória ao Brexit. Infelizmente, muitos liberais parecem contentes com isso.
Uma última palavra para dizer que, obviamente, a precipitação para a União Europeia de Maastricht, em 91, foi um erro, porque prematura, e que o Euro seria um erro sempre e em quaisquer circunstâncias. O receio francês (e inglês, diga-se…) da reunificação alemã causou uma aceleração contra-natura de um processo de integração que eventualmente lá teria chegado por outras vias e com melhores condições. Mas o peso da História é sempre determinante, e a memória, ao tempo ainda muito fresca, do que uma Alemanha unificada fizera num passado recente, levou a um salto artificial de construtivismo político, que hoje todos pagaremos. A União Europeia acelerou artificialmente a integração política de duas maneiras: com o aumento dos espaços da soberania integrada e com a generalização da co-decisão. Isto criou um poder de direito e de facto para o directório da União, ao qual faltou uma verdadeira Constituição política que lhe fixasse as regras fundamentais e os limites. Infelizmente, muitos liberais rejubilaram com o fracasso do Tratado Constitucional, esquecendo-se do verdadeiro sentido e alcance de uma Constituição. Mas, uma vez feita a asneira, a questão sobre o futuro da União Europeia tem sido mal colocada. Ela deveria ser esta: temos a certeza de que destruir Maastricht nos levará ao que existia antes dele, admitindo que fosse melhor do que aquilo que lhe sucedeu?
Dito doutro modo: há mundos melhores e piores para se viver. E tenho as maiores dúvidas de que aquele que se avizinha para a Europa dos próximos anos seja melhor do que o que conhecemos nas últimas décadas.
Brainexit Tuga
É com enternecimento que vejo pessoas das que apoiam um governo liderado por comunistas em Portugal a tentarem dar lições de democracia a ingleses. Com a bonomia com que se lida com um pirralho que não é nosso filho quando desata a interromper a conversa dos adultos, devemos permitir, com um sorriso nos lábios, que os grandes democratas portugueses dissertem sobre a desgraça que é para a coroa britânica deixar de respeitar o calibre das beterrabas vendidas nos supermercados.
Ainda não ouvi o que o dr. Costa e o prof. Marcelo terão a dizer sobre o caso, mas, como ontem foi noite de folia no São João e amanhã é o jogo da selecção com a Croácia, um daqueles países que também saiu voluntariamente de uma federação, lá terá que ficar para Segunda ou Terça-feira. Se não chover.
Os riscos de pernoitar fora por uma questão de segurança
Dois agentes da PSP ficaram feridos esta quinta-feira depois de terem sido atacados por um cão de raça perigosa. Os donos do cão, um casal jovem, tinham chamado a PSP na noite anterior. Foram aconselhados a pernoitar fora por uma questão de segurança uma vez que o cão demonstrava agressividade para com os donos. Os agentes regressaram à casa no centro histórico de Cascais esta quinta-feira e acabaram por ser atacados pelo animal. Dois agentes da PSP ficaram feridos esta quinta-feira depois de terem sido atacados por um cão de raça perigosa. Os donos do cão, um casal jovem, tinham chamado a PSP na noite anterior. Foram aconselhados a pernoitar fora por uma questão de segurança uma vez que o cão demonstrava agressividade para com os donos. Os agentes regressaram à casa no centro histórico de Cascais esta quinta-feira e acabaram por ser atacados pelo animal.
O problema de se optar por pernoitar fora por uma questão de segurança em vez de enfrentar o animal propriament dito seja ele um cão, um doido, um demagogo, uma figura sem caracter, um vigarista… é que quando se tenta voltar a casa o cão, o doido, a figura sem carcter, o vigarista já consideram e comportam como donos da casa. E sim isto tb tem a ver com o inquérito à CGD
O inevitável downsizing da UE
Quase sem excepção, sempre que um dos povos europeus tem a hipótese de se pronunciar directamente sobre algum assunto relacionado com a UE, a coisa chumba. Porque será?
Os eurofóricos e demais integracionistas que sonham com o Império, acham sempre que as pessoas não responderam à pergunta, mas que se deixaram tentar por «questões internas», «nacionalismo emergente», «populismo» e outros considerandos que tentam desvalorizar o que foi perguntado e respondido.
Mas pouco importa essa propaganda de 3ª categoria. Aconteça o que acontecer no Reino Unido, a UE terá obrigatoriamente de negociar no sentido de diminuir as suas áreas de intervenção. Seja como resultado de uma eventual longa negociação de saída do Reino Unido (o que levará outros Estados a querer o mesmo), ou se aqueles decidir ficar, os efeitos do referendo e da crescente hostilidade em vários países, levará ao mesmo resultado.
Afinal, se há coisa que todos desejam e aceitam e veêm as mais-valias (excepto comunistas, Frente Nacional e associados) é na existência de um Mercado Comum. Sobre isso quase todos estão de acordo. No que se diverge fortemente é em toda a cangalhada que lhe puseram em cima desde Maastrich. A dita crescente «integração» não é visivelmente bem-vinda nem desejada por quase ninguém excepto alguns euroforicos. E perde-se tempo e energias em disparates sobre disparates quando nem sequer ainda há um Mercado Único em muitas áreas. Aí sim, é que seria de trabalhar. Como aliás Cameron e outros dirigentes apelaram há poucos anos.
mais 5 anos de farra
Cinco mil milhões caídos do céu estrelado dos contribuintes, para tapar os buracos de uma gestão ruinosa da qual não haverá responsáveis, e um crédito de cinco anos para pôr o barco a andar sem mais rombos no casco. Quem não gostaria de ter um negócio assim? A festa continua. E a bandalheira que se passa na Caixa, também. Até porque, daqui por cinco anos, quando, afinal, se constatar que a coisa continua a meter água, este Centeno, que hoje é o ministro que toma estas decisões com o dinheiro que nos pertence, já não será ministro. E responsáveis continuarão sem existir.


