A saber
As comissões de inquérito são boas quando servem de palco às diatribes contra o capital, os negócios dos privados e a promiscuidade entre banqueiros do sector privado e políticos.
As comissões de inquérito são más, destrutivas e geradoras de desconfiança quando o que está em causa é o sector público.
Foi com esta conversinha que as contas portuguesas não foram auditadas e acabámos com os mesminhos que tinham feito o pedido de resgate em 2011 a gritar contra a austeridade. em 2012
Terrorismo não leva adjectivos
O João Miguel Tavares, no seu artigo no Público, “Homofóbico e terrorista”, defende a tese (partilhada por diferentes pessoas, sejam de esquerda ou direita) de que não se deve escamotear o “homofóbico” do atentado terrorista ocorrido no bar de homossexuais em Orlando, Flórida. Há uma insistência de muitas pessoas no “combate à homofobia”, como se fosse possível ou sequer desejado combater o que as pessoas pensam. A homofobia, como qualquer outra fobia, é um sentimento interior. Trata-se de uma convicção formada através de um conjunto de ideias, ideias estas que, independentemente de fazerem ou não sentido, solidificaram na mente de um ser humano. Ninguém se lembra de combater a aracnofobia ou de combater a agorafobia com a excepção do psicólogo da pessoa que, por persistir num medo que condiciona a sua vida, procura ajuda para enfrentar o dia-a-dia.
Convenhamos que, para a sociedade como um todo – uma noção que, enfim, já roça uma certa boa vontade para que a aceitemos – é indiferente se o Zé das Couves é aracnofóbico, xenófobo ou, para o caso em questão, homofóbico. Durante dezenas de anos, a população portuguesa em geral viu com uma certa desconfiança (estou a ser simpático) a comunidade cigana sem que acções de sensibilização aparecessem. A única coisa que interessa para a tal de sociedade é se o Zé cometeu ou vai cometer um crime. Ora, para prevenir o crime do Zé, campanhas de sensibilização anti-homofobia são indiferentes: o Zé é um sociopata se está disposto a cometer um crime em virtude do seu medo ou aversão. Como prevenir que o Zé chegue a cometer o crime? Se o Zé tem filiações a organizações que defendem o extermínio de pessoas – imaginemos uma hipotética Organização Para a Aniquilação da Homossexualidade por Via de Armas de Fogo (OAHVAF) – pode-se extinguir a organização, assumindo que, mesmo na ausência de crime, se viola o princípio da livre associação de pessoas. Por outro lado, se o Zé não pertence a qualquer organização desse tipo, o crime só pode ser prevenido através de um processo inquisitório. Há suspeita que o Zé não gosta de homossexuais, faz-se um julgamento e mete-se o Zé na fogueira, por bruxaria convicção de que poderá cometer um crime. Neste caso, assume-se o delito de opinião. O combate a ideias, boas ou más, se não estão instanciadas em acções, só gera resultados através de thought police.
“Combater a homofobia” é, quer se queira, quer não, incentivar o delito de opinião. Já diz o povo, e bem, que “quem vê caras não vê corações”. As acções de sensibilização são engraçadas, dispõem bem, mas não servem para mais do que nos fazer sentir bem por sentirmos que fizemos alguma coisa. Um sociopata que entra num bar e mata gente não se compadece com um arco-íris e beijinhos entre pessoas do mesmo sexo, como é óbvio. Essa é, inclusivamente, a crítica mais certeira ao feminismo moderno: alguém acha mesmo que é possível sensibilizar um selvagem com disposição para violar uma mulher para que não o faça através de cartazes ou segmentos televisivos?
Associar o “homofóbico” ao atentado terrorista não acrescenta qualquer coisa, como não acrescentaria associar o 11 de Setembro a “terrorismo antropofóbico” ou “terrorismo arranha-céu-fóbico”. Aliás, chamar-lhe “terrorismo homofóbico” não serve para mais que originar uma falsa sensação de segurança a todos os heterossexuais, a grande maioria da população. Não, não estão seguros de um ataque terrorista, como já se viu vezes sem conta. Nem sequer muçulmanos estão livres de terrorismo, o grupo religioso mais atingido pelos terroristas do Daesh. Engalfinhar na lógica de compartimentação do terrorismo é, como pretendia a malta do Baader Meinhof ao associar terrorismo ao anti-capitalismo, justificá-lo sob a égide de uma convicção. Terrorismo é terrorismo, injustificável, inaceitável, ponto final.
Apesar disto tudo ser óbvio, há um único travão: aceitar a sua obviedade implica aceitar a necessidade de desigualdade – tratar por desigual o que é diferente. E é precisamente isso que a esquerda gramsciana não quer.
Não será antes orgulho e preconceito?
Mariana Mortágua, Deputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Economista, assinou ontem um artigo no JN onde diz o seguinte:
A necessidade de recapitalização da Caixa é normal. A crise desvalorizou os ativos e as exigências regulatórias de capital apertaram muito. O BPI (9% dos ativos do sistema), reforçou o seu capital em 1400 milhões. O BCP (15% dos ativos) reforçou em 4500 milhões. A Caixa (24% dos ativos) aumentou o capital em 850 milhões. O acionista único da CGD, o Estado, recebeu 2700 milhões em dividendos na década antes da crise. Agora deverá também recapitalizar o seu banco.
Sucede que tal coisa é mentira. Como MM sabe. Ou devia saber. A CGD nos últimos 10 anos recebeu injecção de capitais provenientes dos contribuintes no valor de 4.350 milhões de euros. Parece que não chegou e será necessário uns suplementares 4 mil milhões. Mariana Mortágua quer impedir «que esta seja ocasião para semear a desconfiança contra o banco mais importante do país». Mas dá-me a ideia que o seu contributo apenas atiça ainda maior desconfiança pela ocultação e manipulação dos factos. Acresce que, se como diz, «A Caixa é um banco público, presta contas ao parlamento de uma forma que nenhum outro banco privado faz»(*) então, o que tem feito o parlamento e a deputada em concreto nessa avaliação para se ter chegado à actual situação de falência técnica ? É que fica-se com a ideia de que foram ou negligentes ou enganados. Num caso ou noutro, convinha investigar e prestarem contas.
afinal, a caixa está cheia de pastel e nós não sabíamos
Anda aí uma campanha de marketing da Caixa Geral de Depósitos a anunciar que o banco vai disponibilizar 5 mil milhões de euros para ajudar as empresas portuguesas nos seus negócios e na internacionalização. Pois bem, eu tenho uma sugestão a fazer: invistam 4 mil milhões de euros num conhecido banco público português que precisa desse exacto montante para não ir à falência. Não só salvam uma grande e promissora empresa, como tiram esse pesado ónus de cima das costas de “investidores” involuntários que o governo português se prepara para convocar. Ah, e ainda ficam com mil milhões de sobra para aumentarem os salários dos administradores, conforme as novas regras do ministério das finanças. Ficamos todos a ganhar.
Uma história de tolerância
Pousara o Alcorão sobre a mesa regressando à janela que mostra a podridão do mundo. À frente, um McDonalds; alguns metros atrás, carro da Uber que deixou o porco austríaco no alojamento Airbnb. Saiu pela porta repetindo “Allah é grande” vezes sem conta em cabeça ritmada pelo pulsar de cliques das máquinas digitais. Turistas fotografavam edifícios, edifícios que são nossos. As pernas rechonchudas em skinny jeans da activista de orelhas amplamente argoladas que o enojara ainda perturbavam a pureza dos sentimentos interrompidos pelo ziguezaguear do tuk-tuk abarrotado de infiéis. “Ides ver”.
Entrara na piscina municipal onde decorria a aula de zumba aquático e disparou a arma automática. “Allah é grande! Allah é grande!” A água tornou-se rosa, depois progrediu para vermelho e, por fim, transmutou-se para um castanho nauseabundo com cheiro a morte.
Terrível crime de ódio. É preciso combater a hidrofobia.
Terapia de bala
Um indivíduo, simpatizante de um grupo de jihadistas conhecido por assassinar pessoas em praça pública, entrara com intenção de matar pessoas num bar frequentado por homossexuais, disparou indiscriminadamente sobre quem está na sua vida e matou 50 pessoas. O grupo terrorista islâmico, ISIS ou Daesh – como lhe quiserem chamar, que eu chamo-lhe filhos da puta – advoga uma versão extremista do Islão que, através de violência extrema, pretende a aniquilação de todos os que considera infiéis ou apostatas para a criação e manutenção pela força de morteiro de um grande califado. Homossexuais, mulheres suspeitas de cometerem adultério, crianças do lado errado da rua, cristãos, judeus, ateus, desgraçados e pessoas em geral que não caiam no goto dos indivíduos são, taxativamente, executados em público, envergonhando o mais selvagem dos animais da Terra.
Este parolo chama-lhe “homofobia”. Portanto, o labrego-mor desta terrinha onde Judas perdeu as botas acha que um indivíduo mata 50 pessoas por medo (fobia) de pessoas do mesmo sexo. É, é isso: matou-as por medo, coitadinho, que estava assustadinho. Agora já não tem mais medinho, terrores nocturnos e suores frios, está curadinho. É um milagre, para gáudio de meio-milhar de aspirantes a labregos que metem o coraçãozinho no tweetzinho do sociopata que nos governa.
isto não está nada bem
Em declarações hoje prestadas, Barack Obama considerou não existirem provas de que o massacre de Orlando tenha sido «direcionado por um grupo no exterior».
Esta simples frase denota que, ao fim de oito anos de presidência dos EUA, Obama não entendeu nada – ou faz de conta que nada entende – do terrorismo islâmico. Na verdade, ainda que muitas destas acções terroristas sejam incentivadas (não propriamente «dirigidas») do exterior, elas resultam sempre da adesão interior e íntima de cada terrorista aos preceitos fundamentalistas islâmicos, e desnecessitam de mais do que isso para tornar quem os adopta num potencial terrorista. Desse modo, o moderno terrorista islâmico é uma espécie de empresário por conta própria (o tal «lobo solitário»), que se integra, sem necessidade de mais nada, num grande plano universal para combater os infiéis, uma franquia de um grande negócio que lhe dará a vida eterna. Não precisa de ordens, nem de uma organização que lhe diga o que ele sabe que tem de fazer. Cada crente é, ele mesmo, pela natureza das coisas, uma peça dessa causa e dessa organização universal, esteja onde estiver, esteja com quem estiver.
Barack Obama deixará a Casa Branca com um dos mais baixos status em política internacional de sempre. Com a elevada probabilidade de qualquer um dos seus dois possíveis sucessores vir a fazer ainda pior. Isto não está nada bem.
À consideração do PR e do PM para o próximo 10 de Junho

O astro
Um ex-ministro da Justiça de Sócrates comenta a Operação Marquês com a taróloga Maya
Apelos à emigração (os maus e os bons)
Lembram-se Passos Coelho ter sido acusado de apelar à emigração dos professores e do que foi dito sobre isso? Recordo, como exemplo, esta reacção: Professores Contratados e Desempregados vão desafiar Passos Coelho a emigrar
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Passos Coelho, Dezembro 2011 |
António Costa, Junho 2016 |
| Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa. | É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui. |
aprender com a história
As Cortes Constituintes portuguesas de 1821, o nosso primeiro verdadeiro parlamento moderno, que foi eleito depois do triunfo da revolução liberal de 1820, que fez e aprovou a nossa primeira Constituição política, a de 1822, começou os seus augustos trabalhos no dia 24 de Janeiro, sob a ilustre presidência de D. Vicente da Soledade e Castro, arcebispo da Bahia e deputado eleito pelo Minho, com a discussão de um importante tema: a censura da imprensa. Sobre ele, e apesar dos piedosos instintos liberais que animava a distinta assembleia, Soares Franco, um desses, sintetizou o sentimento geral por lá reinante: «Julgo que a questão não está suficientemente aclarada. Todos concordamos em que a liberdade de pensar, de falar e de escrever são direitos naturais de todo o Cidadão; concorda-se igualmente que se pode abusar deste direito; e que compete à Soberania evitar e suspender este abuso. (…) No Projecto de Lei que propomos o Autor ou Editor é obrigado a assinar o seu nome; o Impressor a pôr o lugar da Oficina e tempo de impressão; a Lei tem já de antemão marcado a qualificação dos delitos e as penas correspondentes. O livro em que se abusar da Liberdade de Imprensa tem já o seu corpo de delito pronto, e o seu autor é infalivelmente castigado; esta certeza desviará a todos os Escritores da tentação de abusarem do direito que se lhes concede e de quererem espalhar as doutrinas perniciosas».
o nó górdio do libertarianismo
Um dos problemas das filosofias libertárias é o de presumir que as pessoas querem a liberdade. Ora, a História e a realidade dos factos dizem-nos frequentemente o inverso: entre um mundo sem qualquer forma de coerção e outro em que alguma (por vezes, muita) coerção é compensada por certos serviços e bens, a esmagadora maioria das pessoas preferirá o segundo. A ânsia da liberdade anda quase sempre de braço dado com o desejo de segurança e com a percepção da falibilidade e da fragilidade existenciais. Nas sociedades plurais, isto é, naquelas em que todos os indivíduos possuem um status político e social, e pensam de forma diferente uns dos outros, como (felizmente) é próprio da espécie, haverá sempre quem queira trocar generosas parcelas de liberdade por segurança e bem-estar, ainda que as entidades (públicas ou privadas) que prestam esses serviços serviços o façam deficientemente ou oferecendo produtos de fraca qualidade.
A demonstração desta evidência tê-mo-la nos apelos crescentes ao intervencionismo do estado e do governo para resolverem, ou minorarem, os problemas e os efeitos das crises que eles mesmos em boa parte provocaram. Apesar disso e de todos dizerem mal dos políticos e dos governos, a maioria das pessoas continua a presumir que será melhor contar com eles, do que prescindir deles. Ou, de forma mais esclarecedora, no exemplo do actual referendo sobre o Brexit, onde os termos da questão se colocam em reforçar a liberdade da Inglaterra e dos ingleses, retirando-os da tutela dirigista e intervencionista das autoridades supranacionais de Bruxelas, ou mantê-los sob a sua protecção, evitando males – que se presumem maiores – com a saída da União Europeia. Apesar do que possam dizer as sondagens, aposto que, no lavar dos cestos, o Reino Unido permanecerá na União Europeia. O medo é um fortíssimo sentimento individual e social. Tão ou mais forte que o desejo da liberdade. Esse é o nó górdio do libertarianismo. A não ser que, como pretendia o outro, queiramos impor aos outros a nossa liberdade. Mas, nesse caso, já não será bem de liberdade que estaremos a falar…
Brexit e bolotas
Se eu fosse inglês era bem capaz de votar pela saída da UE. Por dois motivos, que passo a explicar. O primeiro e mais importante, por não ter qualquer interesse no ruído que palerminhas pequeninos com ar de broeiro fazem “contra a austeridade” e “as políticas neoliberais”. Já é difícil aturar os caprichos dos filhos adolescentes, para quê aturar miúdos de 60 anos, oriundos de países exóticos sem qualquer relevância estratégica para a Europa? Nenhum inglês perde tempo a tentar perceber o inescrutável Costa e o seu discurso da província onde há uma ou outra praia simpática. Mais depressa atirariam com duas ou três bolotas para que o aborrecimento desaparecesse da mesa, deixando os adultos a conversar. O segundo motivo é achar que, após a saída da UE, acaba o estigma da separação. Isso permite que os adultos se livrem dos pirralhos quando insistirem em chatear com a “voz grossa” de quem pedincha mais uns cobres para manter a balofa da academia e os incompetentes dos jornais animados na dança dos falidos. Isto nunca foi sobre o Estado Social ou a sustentabilidade da Segurança Social: isto sempre foi pela união que a contestação permite. É como um arraial onde todos partilham o chouriço e podem dançar um entesoado “apita o comboio” com a cunhada.
Se a saída da UE se concretizasse, convidaria ilustres académicos portugueses – José Reis à cabeça – para virem até cá, às terras de Sua Majestade, para, após um caril a sério, discursarem sobre as palermices que dizem lá na terrinha. Aposto que até dançavam, se lhes atirasse mais duas ou três bolotas.
Duas patas, quatro patas, montes de patas
Artur Pedro Silva Baptista. Laura Manuela Rodrigues Figueiredo. Samuel Jorge Cunha e Santos Lima. Jorge Ricardo Fagundes Fernandes…
Não, não é a lista de jornalistas que o Expresso ficou de publicar que recebem de políticos por compensação por serem patriotas de esquerda. São só nomes de pessoas que retirei duma lista de pessoas que não são jornalistas patriotas de esquerda. Infelizmente, sabemos imediatamente que são Pessoas Humanas e nenhuma é Pessoa Canina. Em Portugal, um cão não é merecedor de respeito para ser baptizado com dois nomes próprios e apelidos de família. Bóbi, Faísca, Sport, Fáni…. Um só nome. Onde está o respeito pela linhagem do cachorro? Não está, não há.
Como hoje é Domingo, proponho esta causa. Os cães passam a ter quatro nomes, pelo menos. No mínimo, dois nomes derivados dos progenitores. Bóbi Faísca Sócrates Infante, Fáni Cher Galambino Cãocio, Bob Bóbi Ildefonso Ferro y Gutierrez Júnior…
O mesmo para gatos. E, para vacas também, que animal de estimação é o que o homem, a mulher e o ser sem designação de género binário quiser. Orcas. Viúvas negras e leões marinhos. Orangotangos, minhocas e éguas. Larvas, cabras e até este indivíduo que designaremos por “coiso” (ou “coisa”, o que já binário).
É por não colocarem os verdadeiros problemas da humanidade humana e animal que as pessoas deixaram de ir à missa ouvir sermões. Até porque, convenhamos, durante esse intervalo de tempo perderíamos duas ou mais intervenções do nosso Presidente da República.
Adenda: Eu não disse? Não dá mesmo para ir à missa, perde-se o Presidente.
Juntos na mesma geringonça
Embora tenham um programa conjunto, Marcelo e Costa vêm para Paris em aviões separados. O protocolo a isso obriga, fazendo com que o primeiro-ministro tenha de sair mais cedo das celebrações em Lisboa, de forma a estar em Paris para receber o Presidente. Costa vem em avião militar, enquanto Marcelo usará um Falcon, que fará a viagem mais rapidamente. (link)
Se calhar faz sentido que o PR e o PM sejam obrigados pelo protocolo a viajar separados. Em 1980 o PM e o ministro da defesa morreram no mesmo voo. Mas não foi o que aconteceu num voo interno em França. É um símbolo da relação Costa-Marcelo. Cada vez mais juntos na mesma geringonça, dá-se sempre um jeitinho às regras.

Centeno quer destruir Lisboa
Um indivíduo, com mais responsabilidades do que a sua fraca espinha dorsal permite, foi a Nova Iorque dizer que estrangeiros devem investir em Portugal. Não sei onde ficou alojado ou se os norte-americanos repararam no ar de turista do indivíduo, porém, sei que foi armar-se em pascácio contra-corrente, quase reaccionário. Como poderia um estrangeiro investir em Portugal? Não é suposto o tal imbecil estrangeiro carregadinho de notas vir por aí, olhar, falar com pessoas, encontrar oportunidades de negócios? É que nós não o queremos cá. Não, não queremos, é um facto. Estamos demasiado forcados em acabar com a turistificação (termo que li ao Daniel Oliveira, que o deve ter lido no memorando que todos os parvos que criam agendas neste país recebem pela manhã) para andarmos a receber estrangeiros que, enquanto procuram onde investir, são, para todos os efeitos, turistas malcheirosos que destroem Lisboa pela sua presença.
Abaixo aos turistas, Lisboa para os lisboetas. Investir só se for em casas de fados. Estrangeiros cá, só romenas jeitosinhas. Para cantarem o fado.
um retrocesso
A leitura conjugada da crónica de João César das Neves, hoje publicada no DN, com algumas, das mais antigas, que Vasco Pulido Valente compilou no seu mais recente livro (De mal a pior), não é um exercício saudável. Neves adverte, hoje, para o precipício para onde o país se encaminha, como, já em 2000, 2001, Valente avisava que, por causa das contas públicas, nos esperava o abismo. Em comum, o seguinte ponto: a indiferença às evidências que os portugueses, de então e de agora, exibem. Desta vez, com a agravante de um ainda recente estoiro, com o qual nada parecemos ter apreendido, o que desabona a nossa inteligência. Em Neves e em Valente há, também, uma perturbadora coincidência acerca da expiação colectiva das nossas responsabilidades. Elas nunca são nossas, mas dos outros: dos alemães, da crise internacional, do capitalismo financeiro, dos mercados vorazes. Antigamente, os portugueses matavam a culpa sem lhe atribuírem marido. Agora, ela já não mora cá. Emigrou. É num retrocesso muito significativo.
Instrumentalizar o corpo, que a alma já está
Mulher adulta, com mamas evidenciadas por decote punível por apedrejamento por amigos anti-capitalistas de alto valor revolucionário para a causa da burguesia maçada com prosperidade, desligando o corrector automático do MacBook presenteado pela instrumentalização do espaço corpo-corpo que indelevelmente a tornou conhecida, prepara-se para opinar sobre a vida alheia, a vida que preferia que fosse morte.
Bate numa e noutra tecla, olha para o ecrã e encontra “instrumentalização do corpo da mulher”, ironia das ironias, pensaria um antropomórfico MacBook. Assegurando que é o que quer dizer, carrega em ‘enter’, publicando para o mundo inteiro ver, coisa que fazemos por morbidez desde que descobrimos ter sido a mais barata das namoradas de Sócrates. Talvez tecle para um livro a publicar sobre o fenómeno de groupies do poder. Não, não é sobre hedonismo, é um tweet sobre o seu fascínio pela morte de bebés, lamentando que este ser não tenha sido devidamente abortado, para que não viesse ao mundo através da “instrumentalização do corpo da mulher”. Refere-se ao corpo da mulher que foi mantida “viva” após morte cerebral para que o filho no útero, o filho que desejou e que não abortou enquanto viva, pudesse nascer em segurança.
Há vários motivos para se manter vivo um ser humano em morte cerebral. Para transplante de órgãos, por exemplo. Neste caso concreto de morte cerebral, foi, inclusivamente, lamentável que não se usasse o cérebro da senhora mantida viva pelo seu filho para providenciar um cérebro mais capaz à opinadora, ser que nasceu, algures, sem que alguém opinasse que o melhor teria sido que a abortassem. Ainda bem que não o fizeram.
A socialite não odeia ninguém. Detesta xenófobos, homofóbicos, transfóbicos, conservadores, liberais e padres por puro amor ao próximo. Também não se reproduziu, pelo amor à humanidade, o que nós, os vivos, só podemos agradecer. Mas agora é tarde. A não ser que se “instrumentalize o corpo da mulher”, recorrendo a uma barriga de aluguer, um altruísmo só possível em vida para provir direitos de puericultura a tudo que não se consiga reproduzir através de sodomia.
Porém, a mais activa das organizadoras de festinhas com políticos resolveu um problema da lei das barrigas de aluguer. Se a portadora do bebé entrar em morte cerebral, o bebé deve ser abortado. Porque, de outra forma, seria “instrumentalizar o corpo da mulher”.
Por acaso, um acaso sem acaso algum
Solve et repete
Há alguns anos, pedi ao Provedor de Justiça que requeresse ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade da Lei da Contribuição Audiovisual (CA), na parte em que permite a interrupção do fornecimento de electricidade se o consumidor pagar a factura de energia sem pagar parte correspondente à CA. Os anos passaram e estava já convencido que o assunto morrera nas catacumbas da Rua Pau de Bandeira. Afinal não estava e recebi finalmente resposta. Segundo a Provedoria, a CA é um imposto e não uma taxa e, como nos impostos, a regra é solve et repete (paga primeiro, reclama o reembolso depois), não vislumbra qualquer inconstitucionalidade.
O facto de a CA ser um imposto que constitui, de acordo com a lei, receita própria de uma sociedade anónima de Direito privado e de ser o único imposto cuja falta de pagamento determina o corte do fornecimento de energia é completamente irrelevante.
Conciliar habitação e turismo?
A propósito de conciliar a habitação e turismo:
1. Cidades têm uma forma aproximadamente circular em que o centro é a parte mais valorizada porque essa é a geometria inevitável se as pessoas quiserem ter um ponto de encontro comum à menor distância possível. Logo, centros caros são uma inevitabilidade.
2. Numa cidade com 10 km de raio em que o centro tem 1 km de raio, o centro tem 1% da área disponível. Supondo que a densidade populacional é uniforme e que todos prefeririam viver no centro, para o mesmo preço, a procura potencial pelo centro é sempre muito maior que a oferta. Logo, os preços no centro serão sempre muito elevados. É assim em qualquer cidade do mundo sem rendas controladas ou outros esquemas.
3. Lisboa teve rendas controladas durante 1 século com períodos significativos de inflação pelo meio. No início deste século estava em ruínas e desertificada. Os potenciais habitantes endividaram-se para comprar casas na periferia, onde elas existiam, pelo que deixou de haver portugueses com dinheiro suficiente para financiar uma eventual reconstrução da baixa. Portanto, paradoxalmente Lisboa ficou com um centro sem procura, não porque as pessoas não desejem uma cada na baixa mas porque reconstruir uma cidade em ruínas é extremamente caro e não existe em Portugal gente suficiente com dinheiro para concretizar esse desejo.
4. Portanto, o problema não é se é possível conciliar o turismo com a habitação. O turismo, os vistos gold e os reformados franceses são os únicos com dinheiro para financiar a reconstrução da baixa. Sem turismo e investimento estrangeiro a reconstrução em vez de se fazer em 20 anos levaria 50.
5. Os preços alegadamente altos não são um sintoma de falta de oferta. São um sintoma do desfasamento entre o poder de compra português e o do resto do mundo. Se retirassem os turistas e outros estrangeiros os preços cairiam a pique e deixaria de haver incentivo a aumentar a oferta. A percepção de preços altos são também um sintoma da falência e do endividamento das famílias portuguesas, que estão num país que há 15 anos não cresce.
6. O turismo, e em particular o alojamento local, tem características que facilitam a reabilitação urbana que a habitação permanente não tem. O turismo dispensa garagens, elevadores e infraestruturas públicas de apoio como escolas. Torna os projectos mais simples permitindo uma transição suave, viável e financiável entre uma cidade em ruínas e uma cidade para habitação.
7. Na verdade, o que Lisboa precisa não é de mais oferta mas sim de mais procura que viabilize oferta. O investimento que a cidade precisa é da ordem dos 10 mil milhões de euros. Esse investimento só aparece se as rentabilidades forem elevadas e para isso é necessário mais procura.
PUB – Alugueres de curta duração
O jornal i noticia que o quarto de Fernando Pessoa está disponível para ser alugado no Airbnb por 85€ por noite. Aproveito esta oportunidade noticiosa, com direito a primeira página, para lembrar que o quarto do meu amigo Saul, em Baltar, também está disponível no Airbnb por apenas 23€ por noite. E já que estamos numa de publicitar alugueres, aproveito também para referir que o governo de Portugal está disponível para quem prometer rebentar isto tudo o mais depressa possível, entregando a gestão a estalinistas que não gostam de ser comparados a Estaline e a comunicação às filhotas de assaltantes com comichão no gatilho que esganiçam um bocadinho ao enaltecer a facilidade com que o portento intelectual do primeiro-ministro, o que fala com duas ameixas na boca e que, mesmo assim, quase se entende, lhes escancarou com esférica barriga a porta de entrada.
é preciso regular a estupidez no psd
Um sujeito que representa o PSD na Câmara de Lisboa, de seu nome António Prôa, proferiu as seguintes afirmações sobre a gestão socialista do turismo na capital: «esta gestão socialista tem sido absolutamente liberal, tem deixado correr tudo: O licenciamento de hotéis é a torto e a direito, o alojamento local não tem regulação, os tuk-tuks a mesma coisa». E rematou com as seguintes frases: «o mercado tem que ser regulado. Vale a pena pensar o que queremos e vale a pena fazê-lo antes que que se crie uma aversão dos lisboetas aos turistas».
Se isto tivesse saído da boca de um vereador do Bloco ou do PC, nada haveria a acrescentar. Tratando-se de um eleito pelo partido que se vendeu ao liberalismo desregrado e ao capitalismo selvagem, eu faria uma suave correcção nestas declarações. Assim: «a estupidez no PSD tem de ser regulada. Vale a pena pensar o que queremos para o partido e vale a pena fazê-lo antes que se crie uma aversão dos eleitores aos nossos dirigentes». Fica a sugestão.
Paulo Portas
Vai ganhar dinheiro coisa que até aqui nunca fez. Vai entreter-se muito. Mas deve fartar-se dentro em pouco. Aquela gente não tem graça e gosta de contratados discretos.
Acredita que pode voltar à política. Conhecendo-se-lhe o percurso diria que é possível mas um “irrevogável” mais uma Mota Engil são dois obstáculos de monta numa futura corrida a Belém.
Da Prússia, ao serviço de quem manda
Título do Jornal de Notícias: «Privados sugam 150 milhões em análises clínicas»
Curiosidades bancárias do “tempo novo”
Por oposição ao “antigo”:
- Na resolução do BES, fomos afogados no caudal de lágrimas mediático que se verteu pelo contribuinte, que iria pagar tudo com língua de palmo; a Maria Luís foi crucificada porque quase garantiu que não haveria custos para o contribuinte, mas Passos Coelho “desmentiu-a” pouco depois, que poderia haver, obviamente, pela quota parte da CGD no Fundo de Resolução; no aumento de capital de 4 bi que se anuncia da Caixa, ainda não ouvi falar do contribuinte. Será que a vão privatizar?…
- Os bancos falidos tiveram “honras” de Comissão Parlamentar de Inquérito; a pré-falência da Caixa, uma banqueta de esquina, não a justifica.
- Os bancos objecto de recapitalização foram obrigados a reduzir significativamente os salários das respectivas Administrações enquanto não amortizassem integralmente o financiamento público obtido; na CGD, também ainda em processo de recapitalização, a nomeação da nova Administração aguarda que se formalizem previamente aumentos salariais, já decididos pelo accionista Estado. Entretanto, vai-se diabolizando o salário do Mexia na privada e nunca recapitalizada EDP.
E o ajuste directo?
O Governo anunciou que o Estado e por consequência, os contribuintes forçados, vão apoiar uma série de medidas na criação de novos negócios para «impulsionar o empreendedorismo». Umas vezes com dinheiro, outras com criação de estruturas e ainda com incentivos de vária natureza.
Ora, estranho que em tais medidas o Estado não valorize nem destaque uma prática de anos, em que o Estado e as organizações públicas, tem dado explícito e caloroso apoio a negócios emergentes e a empreeendedores visionários: o ajuste directo.
Apenas alguns casos apoio ao empreendedorismo por meio de instrumento chamado ajuste directo:
E na CGD nem uma perguntinha?



O PCP e o Bloco de Esquerda rejeitam apoiar uma comissão de inquérito à gestão do banco público.
E se você fosse estrangeiro?
Investimento estrangeiro é mais importante do que nunca, diz Mário Centeno
Medidas tomadas pelo governo desde que tomou posse:
1. Reversão do negócio da TAP violando as expectativas do investidor estrangeiro.
2. Reversão dos concursos para os transportes urbanos. Os investidores estrangeiros foram para tribunal.
3. Congelamento da reforma do IRC, violando as expectativas dos investidores estrangeiros.
4. Patrocínio do acordo no porto de Lisboa que dá poder aos sindicatos dos estivadores e limita a operação de empresas privadas, violando as expectativas do investidor turco que comprou recentemente uma operadora portuária.
5. Aumento do salário mínimo e cedência de poder aos sindicatos.
6. Cenário macroeconômico irrealista e orçamento despesista num cenário em que a dívida pública está no limiar da sustentabilidade, colocando de pé atrás os estrangeiros que investem em dívida portuguesa.
7. Lei à medida para atribuir um banco privado a um dos seus acionistas.
8. Lei das 35 horas e outras que dão um sinal de reforço do sector público.
9. Aumento do número de feriados.
10. Terminar contratos com escolas a meio.
Medidas que o governo disse estar a estudar:
1. Renegociação da dívida
2. Revisão da lei das rendas
3. Regulação (leia-se penalização) do alojamento local
4. Limitações várias à actividade financeira
5. Imposto sucessório
6. Financiamwnto da Segurança Social com lucros das empresas
7. Nacionalização do Novo Banco
8. Injecção de 4MM na CGD
9. Regressos dos 25 dias de férias
10. Aumentar TSU nos contratos a prazo
11. Taxar o Google e outras multinacionais
12. Tornar o IMI progressivo
Medidas que os parceiros do governo defendem:
1. Sair do Euro
2. Sair da UE
3. Taxar os ricos
4. Não pagar a dívida
5. Nacionalizar toda a banca.
6. Acabar com os contratos com privados na Saúde (sector onde várias empresas estrangeiras investiram recentemente)
7. Fim dos vistos gold e de benefícios fiscais para reformados estrangeiros
há farra no bordel
4 mil milhões dos contribuintes a caminho e a culpa a morrer solteira, porque, como disse o deputado Galamba, aos microfones da TSF, do que a Caixa precisa é de «sossego» e uma comissão parlamentar de inquérito só viria perturbar. Mas não é de sossego que todos precisamos? Claro que sim! Aliás, se os têm deixado sossegados e com 4 mil milhões de prémio de gestão, Oliveira e Costa, João Rendeiro, Salgado e o pessoal do BANIF ainda estariam no activo. Porém, a Caixa é outra coisa: é «coisa pública», da qual muitos se servem e ninguém paga a conta. De facto, como diz o pessoal do Bloco, deixar os bancos nas mãos dos banqueiros é uma loucura. Então dos políticos…
Anjinhos são os contribuintes
«Falta de capital público fez cair em 16% o investimento dos business angels» (Público, 6/6/16)
Este é o tipo de títulos noticiosos, que até poderiam ser cómicos se ao mesmo tempo não demonstrassem uma tragédia nacional: a realidade do «empresariado» pedinte e funcionário. Veja-se o que na notícia diz um Paulo Andrez, proclamado «business angel«: «É pena que Portugal tenha ficado um ano sem qualquer instrumento de apoio aos business angels, pois desde finais de Outubro do ano passado que as linhas de co-financiamento estão fechadas e as novas só vão chegar às start-ups em Setembro ou Outubro na melhor das hipóteses».
Pois é, anda gente aqui a brincar a «eu-também-sou-business-angel» com os dinheiros dos contribuintes. Coitadinhos, não tiveram a mama do Estado para vestirem a farda de business angel durante um aninho. O que vai ser das start-ups? Assim o país não anda para a frente…Mas esta gente são empresários ou agentes comissionistas do IEFP e dos programas ocupacionais e demais tretas?
Nas associações do sector define-se business angels como «O business angel é um investidor particular que investe directamente (ou através das suas empresas) o seu próprio dinheiro predominantemente em empresas nascentes ou seed-capital, sem que exista uma relação familiar envolvida. Os business angels tomam as suas próprias decisões de investimento e são financeiramente independentes, ou seja, a possibilidade da perda total do investimento não significará uma mudança significativa no seu património. O BA investe numa lógica de longo prazo e está preparado para dar suporte estratégico aos promotores para que o investimento tenha êxito.”(*).
Portanto coloca-se a pergunta: a que propósito se usam dinheiros públicos em tal actividade? E a notícia não deveria ser a «falta» de dinheiro público, mas sim a sua escandalosa existência.
Phnom Penh, nosso amor
Estas pessoas reuniram-se para discutir o que consideram ser «os novos desafios de Lisboa, as “alteração das dinâmicas da cidade” e “sobretudo da grande subida do preço da habitação”, que se situou nos 33,5% desde 2013»
E quando estas pessoas se reunem e dizem que há um problema passa a haver um problema. Durante anos e anos o centro de Lisboa ficou deserto. Prédios inteiros sem uma alma. Mas não havia problema algum. Agora há um problema e eles têm a solução. Aqui fica o que propõem. É a receita do costume. Mas acreditem, eles não vão desistir enquanto não lhes derem uma unidade de missão, mais uma lei e duas reversões.
- Suspender a atribuição de licenças a hotéis e hostels até à elaboração de um estudo sobre os impactos do turismo em Lisboa, à semelhança de outras cidades e em permanente atualização, com o objetivo de definir os impactos do turismo e índices de capacidade de carga turística da cidade.
- Realização de uma nova lei restritiva do alojamento local, à semelhança de outras cidades (Ex: Barcelona, Paris, Berlin, Nova Iorque, Londres, São Francisco).
- Revogação da lei dos ‘reformados gold‘ ou limitação da atribuição de estatuto aos residentes que se fixem em áreas especificas a definir. Ex. zonas despovoadas ou cidades do interior.
- Discussão e revisão da Nova Lei das Rendas (de acordo com o previsto no Programa do Governo da Cidade de Lisboa para 20132017).
- Promover estudos sobre o perfil dos novos habitantes da cidade e respetivas expectativas e motivações.
- Sensibilizar as associações de moradores para nas respectivas assembleias de condóminos implicarem formas de compromisso colectivo e consenso democrático que faça depender a criação de apartamentos para acomodação/alojamento turístico, de consenso unânime por parte de todos os moradores do prédio.
- Reter na cidade, e sobretudo nas comunidades mais afetadas pela turistificação, uma parte significativa das mais-valias económicas, criando canais de redistribuição dos proveitos/receitas geradas pelo turismo nos bairros, orientando-as, de forma transparente, para benefício das comunidades respetivas.
que alucinações atormentam este homem?
Mário Centeno vai aos EUA tentar convencer investidores americanos a investirem o seu dinheiro em Portugal. Para tentar esse milagre, Centeno argumentará com a «estabilidade política e fiscal» portuguesa e com «reformas que tornem Portugal um país atrativo para o investimento». Uma conversa, à partida, simpática, mas completamente desligada da realidade dos factos, o que qualquer investidor minimamente cauteloso imediatamente perceberá.
Em primeiro lugar, para um capitalista norte-americano, um país que tenha um partido comunista e outro de extrema-esquerda a apoiarem um governo socialista é um péssimo começo de conversa. Mas mesmo que Centeno os consiga convencer de que os comunistas portugueses já não comem criancinhas ao pequeno-almoço e que não se aplica aqui o velho ditado «diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és», sobra o fundamental: de que reformas amigas do investimento fala Mário Centeno? Da redução da carga de trabalho semanal do sector público para as 35 horas, com ameaça de extensão para o privado? Da rescisão unilateral, por parte do governo, de contratos com empresas privadas de educação? Da mesma ameaça para os contratos celebrados com empresas privadas de saúde? Do aumento do IRC em 5%? Do anunciado aumento do IMI, isto é, do imposto sobre a propriedade imobiliária? Dos ataques aos «vistos gold»? Do permanente discurso governamental estatista contra a propriedade privada, que o Partido Comunista e o Bloco incentivam perante a complacência do PS oficial? Das ameaças de aumento dos impostos sobre as actividades turísticas? De que fala, afinal, este nosso pobre ministro das finanças? Em que país julga ele viver? E a que governo está convencido que pertence? Que alucinações, afinal, o atormentam?
Partido Socialista, ponto
“Centeno em Nova Iorque para atrair investimento e dizer que Bruxelas confia no país“
Felizmente que no Harvard Club ninguém deve conseguir traduzir as declarações que inflamaram o congresso do PS deste fim de semana.
Pessoas muito ininteligentes
Tenho encontrado ocorrências de uma palavra muito estúpida: femicídio. Admito que só encontro uso por pessoas que, em conformidade igualitária, também são muito estúpidas, o que agrava o problema. Desde quando permitimos que pessoas muito estúpidas definam o léxico? Palavras como “inverdade”, ao menos, não escondem a origem no Newspeak de Orwell:
After all, what justification is there for a word which is simply the opposite of some other word? A word contains its opposite in itself. Take “good”, for instance. If you have a word like “good”, what need is there for a word like “bad”? “Ungood” will do just as well – better, because it’s an exact opposite, which the other is not.
“Homicídio” é a palavra que designa o acto de uma pessoa matar outra. Se se inventa nova palavra, porque a velha não serve, deverá ser por uma de duas hipóteses:
- Quem mata a mulher não é uma pessoa;
- A mulher não é uma pessoa.
Se a palavra é usada por pessoas muito estúpidas para designar a morte de uma mulher pelas mãos de um homem, então, a conclusão lógica é que estas pessoas muito estúpidas não consideram a mulher uma pessoa ou não consideram o homem uma pessoa. Ou então, são mesmo muito estúpidas.
Liberdade para Quina, já
Venho pelo presente post manifestar a minha profunda indignação com a sanha persecutória que se abate sobre esta mulher a todos os títulos um exemplo. Note-se:
a) num país de reformas antecipadas Quina não deixa de trabalhar;
b) Quina instituiu para si mesma um rendimento básico incondicional directo. Ou seja ela escolhe quem lho pode assegurar. Mecanismo com inúmeras vantagens: o cravado só é cravado uma vez e vai direitinho do dador para ela Quina. Ora nos outros sistemas de rendimentos mínimos os cravados do cosume têm de dar sempre e quem recebe só recebe uma pequena parte porque muito fica no caminho para pagar equipas, assistentes sociais, ptofessos do ISCTE…
c) Quina é um exemplo de envelhecimento activo;
d) Prender Quina é apenas uma forma de se lhe assegurar um lar pago por todos nós.

