Saltar para o conteúdo

Tá tudo doido

22 Junho, 2016

pr

PR na flash interview do jogo…

O accionista corno

22 Junho, 2016

Mário Centeno convocou uma conferência de imprensa para anunciar o valor necessário que os contribuintes gastariam para recapitalizar mais uma vez a Caixa Geral de Depósitos, esse banco tão bom que nem precisa de justificar os seus péssimos resultados (o accionista é o típico corno, é o último a saber).

Estava quase a dizer o número, eis que atira o microfone para o lago (ou algo assim).

Quase 3 anos depois, alguma novidade?

22 Junho, 2016

«Ministério Público investiga gestão da CGD no BPN»

um país de pides

22 Junho, 2016
by

Nem a PIDE, a verdadeira, chegava tão longe na intromissão na vida privada dos cidadãos. Esta nova PIDE, que recebe o entusiasmo das esquerdas, quer passar a saber tudo, mas absolutamente tudo, a seu respeito, incentiva a denúncia e a delação, não lhe permitirá qualquer reserva de privacidade. As esquerdas justificam-se com a patriótica necessidade de combater a «fuga ao fisco», mas o fisco certamente teria, ou melhor, tem outros meios para se fazer respeitar. Já hoje a autoridade tributária compõe os sonhos maus dos portugueses, que apenas aspiram a não terem de se incomodar com ela, muito longe, portanto, de a tentarem defraudar. Este animus intrusivo reflecte bem uma mentalidade política, revolucionária e jacobina, para a qual não existe reserva de privacidade e tudo deve estar ao dispor do estado, do tal «interesse público» de que as esquerdas extremadas costumam arvorar-se em intérpretes e representantes. Em nome desses «elevados» princípios – que eles enunciam, interpretam e dizem defender – desrespeitam-se os fundamentos mais elementares da liberdade individual. É nestas ocasiões de «exaltação patriótica» que convém recordar o velho princípio segundo o qual quem troca liberdade por segurança acabará por perder as duas. Em Portugal já sobra muito pouco de ambas.

A fome acabou. Agora temos de combater o desperdício alimentar

22 Junho, 2016

Jornal de Notícias: Escolas em todo o país estão a confrontar os pais com um documento que os avisa da possibilidade de ser feita uma queixa à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), se os filhos repetidamente encomendarem refeições que depois não consomem. O desperdício alimentar já tinha motivado uma recomendação da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste), que sugeriu aos estabelecimentos que solicitem o pagamento das refeições não consumidas.

É o caso, por exemplo, do Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis, no Porto. Fátima Soares, subdiretora da instituição, garante, porém, que “este é um procedimento preventivo”, que “a principal preocupação é que os pais saibam que os filhos encomendam as refeições e que depois faltam, o que gera desperdício”, e que “nunca foi feita queixa a uma comissão”. A situação, acrescentou, verifica-se, “sobretudo, com os alunos do escalão A, que têm as refeições gratuitas, e entre os mais velhos”.

A saber:

a) Se se disser que os meninos desrespeitam o que foi acordado com as suas famílias temos um problema. Se se designar a coisa como “desperdício alimentar” temos uma causa fofinha;

b) SE os alunos do escalão A não comem nas cantinas comem onde? Oficialmente as suas famílias não terão dinheiro para eles comerem noutro lado.

c) O que aconteceu aos alunos cheios de fome dos anos lectivos anteriores?

d) Onde estão as cantinas que até funcionavam durante as férias escolares por causa das crianças que não tinham que comer em casa? E que até serviam várias das refeições do dia?

e) Onde estão as crianças, a sfamílias, os directores e os activistas destas notícias?

CDU denuncia casos de fome em alunos de escolas do Porto

Directores dizem que é preciso evitar que as crianças desfaleçam nas escolas

Matar a fome na escola

Diga não à fome nas escolas

Dez mil chegam às escolas com fome

A tentarem criar parvos

21 Junho, 2016

Inquérito? Saber o que se passou? Sim, talvez. Mas não agora, nem pensar. Prejudica a recapitalização.

Os contribuintes tem de ser obrigados a meter sossegada e ordeiramente o que for preciso (4 mil milhões? ou 6? ou mais?). Depois e calhando, se há-de ver para que foi preciso o dinheiro.
É como se um primo meu tambem em dificuldadess me viesse pedir dinheiro, e eu naturalmente perguntasse «então o que aconteceu, o que se passa?, dizendo ele: pá agora não posso explicar, passa aí o cheque e calhando falamos depois...». Claro, a diferença, a grande diferença é que se calhar ao meu primo ainda poderia eu dizer «nem pensar», ou «não tenho». Já no caso da CGD, o contribuinte não tem essa possibilidade. Para o Bloco, PCP, PS e seus compagnons de route como os jornalistas económicos – sempre solidários com o sector financeiro falido, a Ferreira Leite, Bagão Félix, Lobo Xavier, e tutti quanti, é-lhes absurdo pensar que se deve saber o que se passou ANTES de passar o cheque. É paga e não bufes muito. Esses marmelos estão todos habituados a viver às nossas custas que lhes choca que sequer se questione: «desculpe, mas o meu dinheiro é para pagar o quê exactamente e a propósito de quê?».  Quem perguntar isso, é um perigo destabilizador do sistema financeiro e da pátria.

Claro que podem perguntar «e então o PSD e o CDS que nada fizeram durante 4 anos agora é que se preocupam?» Evidentemente tais partidos são risíveis, sob qualquer prisma. Isso não é novidade. E são dos que andaram igualmente a meter o nosso dinheiro em bancos falidos. Mas se por mero acaso e uma vez fazem o certo, valhas-nos isso, sendo o caricato problema deles, não de quem paga.

Chopin LOL! AHAH!

21 Junho, 2016
Mein-kampf-emoji

Assim compreende-se melhor.

Emoji, símbolos que permitem que a linguagem escrita seja entendida com humor. A dra. Gabriela Canavilhas, explicando que estava apenas a exercer o seu “direito ao humor” quando perguntou se a jornalista do Público “ainda não foi despedida”, abriu caminho a uma nova forma de crítica política. O “direito ao humor” é inalienável, assim como o direito de expressão. Assim sendo, cá vai o meu “direito ao humor”:

Canavilhas é burra. Ainda não foi despedida de deputada? 😂
Há aí gente que podia ser exterminada, para o bem de todos. 😙
Então, e o António Costa, esse asno? Já lhe caiu um piano em cima? 😜
Meu, li o João Galamba. Viva a cocaína. 😇

mais um bom negócio do eng.º sócrates

21 Junho, 2016
by

Depois do estoiro da PT e do BES, chegou a hora da Oi, aquela companhia brasileira que foi o veículo utilizado para garantir os interesses estratégicos nacionais nas novas tecnologias da comunicação, que acabou de dar entrada a um pedido de recuperação judicial, por causa de uma pequena dívida de «65,4 bilhões de reais». Foi também essa empresa, e o plano estratégico com ela gizado pelos governos de José Sócrates e Lula da Silva, que salvou a PT de ser vendida ao «merceeiro do Norte», cujos baixos instintos comerciais a queriam apenas para obter lucro vil, em vez de a dedicar à filantropia. Assim, graças à intervenção de José Sócrates e ao uso atilado da «golden share» que o governo português lá tinha, conseguiu-se que a PT passasse a dar prejuízo. A PT, o BES e a Oi. Todas as três! Um verdadeiro prodígio e mais um negócio extraordinário, do qual o Eng.º Sócrates só se poderá orgulhar. E quem disser o contrário estará de má-fé e ao serviço do Passos Coelho.

TV BIGBRASIL

Se protestassem contra o fundamentalismo islâmico eram demónios?

20 Junho, 2016

Estados Unidos da América “Anjos” protegem funeral das vítimas do massacre em Orlando. Várias pessoas vestiram-se de anjos com o objetivo de proteger o funeral das vítimas do massacre em Orlando de um grupo de protestantes homofóbicos

dê algum sossego à sua mãezinha

20 Junho, 2016
by

José Sócrates continua a presumir a estupidez inata do indígena. Depois de, nos seus anos dourados, ter nomeado Armando Vara para o Conselho de Administração da Caixa, com a evidente finalidade de manipular o banco para os seus interesses pessoais e políticos, o homem vem agora dizer que nunca interveio na «CGD para que fosse concedido qualquer crédito». Talvez não. Mas, se não, ele deve ser o primeiro interessado em que se esclareçam as muitas poucas vergonhas que se passaram na Caixa enquanto ele foi primeiro-ministro, entre elas esta do “financiamento” a fundo verdadeiramente perdido de Vale de Lobos. Porque, por ora, todas as aparências levam a crer ter-se tratado de um cambalacho para lhe forrar as algibeiras, e só uma auditoria profunda do que por lá se passou o poderá ilibar dessa suspeita. Por isso, em vez de andar a escrever artigos nos jornais a garantir que nada tem a ver com o assunto, José Sócrates deveria ser o primeiro a pedir uma auditoria externa às contas da Caixa  correspondente ao período em que teve responsabilidades políticas. Porque, como diz o velho cliché, sempre utilizado por políticos à rasca, «quem não se sente não é filho de boa gente». E a mãe de José Sócrates bem precisava de algum sossego…

8001

P.S.: Já agora que estamos a falar de José Sócrates, quando é que sai a acusação do Ministério Público? É que, quase dois anos depois de o prenderem preventivamente, para o que a lei exige a existência de fortes indícios da prática de crimes graves, ele continua a protestar, por aí, a sua inocência e da acusação não há notícias. De facto, só em Portugal é que se prende um sujeito que, meses antes, era primeiro-ministro e está-se, depois, dois anos sem dizer porquê. Seria necessário tanto tempo para lhe formular uma acusação? Se quando o prenderam os indícios já eram necessariamente (como a lei determina) muito fortes, ainda foram precisos mais dois anos para recolher a prova desses crimes? E como podem ser fortes os indícios da prática de crimes, sem a existência de provas muito consistentes que já os demonstrem na altura da prisão preventiva? Se me pedissem para inventar uma estratégia para o inocentar, francamente não era capaz de imaginar melhor.

Consenso pacifista

19 Junho, 2016

Após alguma reflexão, descobri a solução para que todos fiquem satisfeitos na luta contra o terrorismo (para pessoas normais), contra a homofobia (para pessoas capazes de apoiarem a geringonça do dr. Costa) e contra a islamofobia (para catolicofóbicos capazes de apoiarem a geringonça do dr. Costa). Como o Islão é uma religião de paz, como as armas matam e como há gays nas sociedades ocidentais, a solução consensual entre banir armas, banir muçulmanos e continuar gay/mulher/criança/católico/adepto-do-Benfica/pessoa-que-vai-à-praia é banir armas só a muçulmanos. O problema fica resolvido e ninguém é privado das suas liberdades, incluindo o muçulmano, que não precisa de armas para praticar o Islão, religião de paz.

Kitsch da Geringonça

18 Junho, 2016

t.png

Nota: já se pode usar crianças em manifestações outra vez.

 

 

 

 

 

 

 

Marcha de orgulho no 96% do miúdo a matemática no 2º ano

18 Junho, 2016

Não sei para que serve uma “marcha de orgulho gay”. Serve para mostrar que as pessoas que participam, sendo homossexuais, têm orgulho em o ser? É que isto tem alguns problemas, sendo o mais relevante a premissa de considerarem que se incomodam com haver quem ache que a homossexualidade não é normal. Como acham que não é normal, vamos mostrar-lhes que temos orgulho? Mas, se é normal, temos orgulho em demonstrar-lhes que somos diferentes? E, se é normal, porque importa o que outras pessoas possam pensar? Eu não acho normal que alguém ache o António Costa tem um cérebro e não é por isso que se esforçam para tentar demonstrar que o tem.

Marchas de orgulho gay são um reconhecimento da comunidade de homossexuais da sua diferença. Uma marcha de orgulho heterossexual seria, obviamente, ridícula. E seria ridícula porque toda a gente diria que estariam a marchar por algo que é perfeitamente normal.

Ainda estou para perceber o que faz com que um homossexual normal decida passar uma tarde a desfilar para dizer aos desconhecidos que é homossexual. O que vale é que é uma marcha de orgulho gay e não uma procissão, que essas só incomodam a via pública com marchas de orgulho católico.

Capitalizar empresas com crédito

18 Junho, 2016

A propósito da capitalização das empresas portuguesas:

  1. Quando se fala em capitalização de empresas, o capital é o dinheiro que alguém mete numa empresa tornando-se dono de parte das suas acções e sendo remunerado pelos lucros da empresa.
  2. Em Portugal os donos das empresas procuram controlá-las com o mínimo de capital possível, recorrendo tanto quanto possível ao crédito, porque o risco de alguém meter dinheiro próprio na sua empresa não compensa. O lucro é penalizado e em caso de falência o accionista perde tudo o que investiu.
  3. Desta forma as empresas portuguesas funcionam com níveis baixos de capital, o que as impede de crescer dado que o que podia ser lucro é dirigido para pagar juros aos credores.
  4. Os governo anunciou várias medidas para “capitalizar as empresas”. Nenhuma delas envolve incentivar o lucro. Nenhuma delas envolve qualquer incentivo que efectivamente alguém injecte dinheiro numa empresa sob a forma de capital, com os riscos e as vantagens inerentes. Todas são uma forma de subsidiar o crédito ou de, como eles dizem, “apoiar” o crédito.
  5. Relativamente a incentivos a alguém meter dinheiro num negócio, que têm forçosamente medidas amigas do lucro, o que é que o governo fez ou anunciou desde que tomou posse? Travou a reforma do IRC, reverteu processos de privatização/concessão, aumentou o salário mínimo e ameaça aumentá-lo para níveis incomportáveis, ameaça aumentar o IRS do alojamento local e anunciou várias “apostas” que geram crowding out do investimento privado (e.g. programa de investimento na reconstrução urbana, programas de start ups).
  6. Para alem de um empresariado tradicionalmente desconfiado do Estado, devido aos diversos abusos do passado, que começaram com as nacionalizações, temos um sistema de “capitalização” de empresas pagos com impostos cobrados às empresas.

Mariana: Contabilidade e Falta de Senso

17 Junho, 2016
by

A imagem que tenho da Mariana Mortágua é a de alguém que consegue dizer os maiores absurdos mantendo uma calma olímpica. A Mariana faz afirmações aparentemente fundamentadas. A forma como o diz faz com que se acredite e muita gente quer  mesmo acreditar nela. Mas a verdade é que das poucas vezes que tentei confirmar afirmações quantificadas feitas pela Mariana nada batia certo.

Vem isto a propósito de um artigo que a Mariana publicou há uns dias no JN chamado Caixa: Sensibilidade e Bom Senso, já aqui referido pelo Gabriel.

Um dos primeiros parágrafos reza assim:

“A necessidade de recapitalização da Caixa é normal. A crise desvalorizou os ativos e as exigências regulatórias de capital apertaram muito. O BPI (9% dos ativos do sistema), reforçou o seu capital em 1400 milhões. O BCP (15% dos ativos) reforçou em 4500 milhões. A Caixa (24% dos ativos) aumentou o capital em 850 milhões. O acionista único da CGD, o Estado, recebeu 2700 milhões em dividendos na década antes da crise. Agora deverá também recapitalizar o seu banco.”

Quando li isto, devo ter feito uma expressão de surpresa interrogativa, do género “mas onde é que eles vão desencantar estes números?” Só podem ser inventados. Virei a página e rapidamente esqueci. São tantas e tantas as invenções que nos surgem daqueles lados que era apenas mais um cão a morder um homem. Mas hoje vi um debate em que a Mariana Mortágua, com ar doutoral, plena de sapiência, cada vez mais arrogante, despejou todos estes números outra vez – leu o parágrafo – em debate com Adolfo Mesquita Nunes. Este, sempre bem educado, contestou apenas levemente o caso do BPI e recordou que o estado meteu mais na CGD em aumentos de capital do que o que recebeu de dividendos.

Ler mais…

Coerência

17 Junho, 2016

Por uma questão de coerência, espero ler os vossos textos sobre o atentado ginofóbico que vitimou a deputada inglesa. Estou à espera.

A saber

17 Junho, 2016

As comissões de inquérito são boas quando servem de palco às diatribes contra o capital, os negócios dos privados e a promiscuidade entre banqueiros do sector privado e políticos.

As comissões de inquérito são más, destrutivas e geradoras de desconfiança quando o que está em causa é o sector público.

Foi com esta conversinha que as contas portuguesas não foram auditadas e acabámos com os mesminhos que tinham feito o pedido de resgate em 2011 a gritar contra a austeridade. em 2012

 

Terrorismo não leva adjectivos

16 Junho, 2016

O João Miguel Tavares, no seu artigo no Público, “Homofóbico e terrorista”, defende a tese (partilhada por diferentes pessoas, sejam de esquerda ou direita) de que não se deve escamotear o “homofóbico” do atentado terrorista ocorrido no bar de homossexuais em Orlando, Flórida. Há uma insistência de muitas pessoas no “combate à homofobia”, como se fosse possível ou sequer desejado combater o que as pessoas pensam. A homofobia, como qualquer outra fobia, é um sentimento interior. Trata-se de uma convicção formada através de um conjunto de ideias, ideias estas que, independentemente de fazerem ou não sentido, solidificaram na mente de um ser humano. Ninguém se lembra de combater a aracnofobia ou de combater a agorafobia com a excepção do psicólogo da pessoa que, por persistir num medo que condiciona a sua vida, procura ajuda para enfrentar o dia-a-dia.

Convenhamos que, para a sociedade como um todo – uma noção que, enfim, já roça uma certa boa vontade para que a aceitemos – é indiferente se o Zé das Couves é aracnofóbico, xenófobo ou, para o caso em questão, homofóbico. Durante dezenas de anos, a população portuguesa em geral viu com uma certa desconfiança (estou a ser simpático) a comunidade cigana sem que acções de sensibilização aparecessem. A única coisa que interessa para a tal de sociedade é se o Zé cometeu ou vai cometer um crime. Ora, para prevenir o crime do Zé, campanhas de sensibilização anti-homofobia são indiferentes: o Zé é um sociopata se está disposto a cometer um crime em virtude do seu medo ou aversão. Como prevenir que o Zé chegue a cometer o crime? Se o Zé tem filiações a organizações que defendem o extermínio de pessoas – imaginemos uma hipotética Organização Para a Aniquilação da Homossexualidade por Via de Armas de Fogo (OAHVAF) – pode-se extinguir a organização, assumindo que, mesmo na ausência de crime, se viola o princípio da livre associação de pessoas. Por outro lado, se o Zé não pertence a qualquer organização desse tipo, o crime só pode ser prevenido através de um processo inquisitório. Há suspeita que o Zé não gosta de homossexuais, faz-se um julgamento e mete-se o Zé na fogueira, por bruxaria convicção de que poderá cometer um crime. Neste caso, assume-se o delito de opinião. O combate a ideias, boas ou más, se não estão instanciadas em acções, só gera resultados através de thought police.

“Combater a homofobia” é, quer se queira, quer não, incentivar o delito de opinião. Já diz o povo, e bem, que “quem vê caras não vê corações”. As acções de sensibilização são engraçadas, dispõem bem, mas não servem para mais do que nos fazer sentir bem por sentirmos que fizemos alguma coisa. Um sociopata que entra num bar e mata gente não se compadece com um arco-íris e beijinhos entre pessoas do mesmo sexo, como é óbvio. Essa é, inclusivamente, a crítica mais certeira ao feminismo moderno: alguém acha mesmo que é possível sensibilizar um selvagem com disposição para violar uma mulher para que não o faça através de cartazes ou segmentos televisivos?

Associar o “homofóbico” ao atentado terrorista não acrescenta qualquer coisa, como não acrescentaria associar o 11 de Setembro a “terrorismo antropofóbico” ou “terrorismo arranha-céu-fóbico”. Aliás, chamar-lhe “terrorismo homofóbico” não serve para mais que originar uma falsa sensação de segurança a todos os heterossexuais, a grande maioria da população. Não, não estão seguros de um ataque terrorista, como já se viu vezes sem conta. Nem sequer muçulmanos estão livres de terrorismo, o grupo religioso mais atingido pelos terroristas do Daesh. Engalfinhar na lógica de compartimentação do terrorismo é, como pretendia a malta do Baader Meinhof ao associar terrorismo ao anti-capitalismo, justificá-lo sob a égide de uma convicção. Terrorismo é terrorismo, injustificável, inaceitável, ponto final.

Apesar disto tudo ser óbvio, há um único travão: aceitar a sua obviedade implica aceitar a necessidade de desigualdade – tratar por desigual o que é diferente. E é precisamente isso que a esquerda gramsciana não quer.

Não será antes orgulho e preconceito?

15 Junho, 2016

Mariana Mortágua, Deputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Economista, assinou ontem um artigo no JN onde diz o seguinte:

 A necessidade de recapitalização da Caixa é normal. A crise desvalorizou os ativos e as exigências regulatórias de capital apertaram muito. O BPI (9% dos ativos do sistema), reforçou o seu capital em 1400 milhões. O BCP (15% dos ativos) reforçou em 4500 milhões. A Caixa (24% dos ativos) aumentou o capital em 850 milhões. O acionista único da CGD, o Estado, recebeu 2700 milhões em dividendos na década antes da crise. Agora deverá também recapitalizar o seu banco.

Sucede que tal coisa é mentira. Como MM sabe. Ou devia saber. A CGD nos últimos 10 anos recebeu injecção de capitais provenientes dos contribuintes no valor de  4.350 milhões de euros. Parece que não chegou e será necessário uns suplementares 4 mil milhões. Mariana Mortágua quer  impedir «que esta seja ocasião para semear a desconfiança contra o banco mais importante do país». Mas dá-me a ideia que o seu contributo apenas atiça ainda maior desconfiança pela ocultação e manipulação dos factos. Acresce que, se como diz, «A Caixa é um banco público, presta contas ao parlamento de uma forma que nenhum outro banco privado faz»(*) então, o que tem feito o parlamento e a deputada em concreto nessa avaliação para se ter chegado à actual situação de falência técnica ? É que fica-se com a ideia de que foram ou negligentes ou enganados. Num caso ou noutro, convinha investigar e prestarem contas.

afinal, a caixa está cheia de pastel e nós não sabíamos

15 Junho, 2016
by

Anda aí uma campanha de marketing da Caixa Geral de Depósitos a anunciar que o banco vai disponibilizar 5 mil milhões de euros para ajudar as empresas portuguesas nos seus negócios e na internacionalização. Pois bem, eu tenho uma sugestão a fazer: invistam 4 mil milhões de euros num conhecido banco público português que precisa desse exacto montante para não ir à falência. Não só salvam uma grande e promissora empresa, como tiram esse pesado ónus de cima das costas de “investidores” involuntários que o governo português se prepara para convocar. Ah, e ainda ficam com mil milhões de sobra para aumentarem os salários dos administradores, conforme as novas regras do ministério das finanças. Ficamos todos a ganhar.

Entretanto num país longínquo que não se vê e de que não se fala

15 Junho, 2016

“Um rapaz tentou passar comigo no pórtico de acesso à plataforma do comboio, em Mem Martins, e eu não deixei. E até lhe disse que se quisesse tinha de se meter com outra pessoa”, conta o homem, de 36 anos, ao CM. O pior veio depois, quando foi ameaçado. “Disse que quando passasse ia falar comigo e acabou por me agredir com violência”, explicou a vítima ao Correio da Manhã. A agressão aconteceu na sexta-feira à noite. Após espancar o homem, o jovem agressor contou com a ajuda de um amigo e juntos tentaram atirar a vítima para a linha, pendurando-a sobre os carris. “Pouco depois passou um comboio. Um homem que estava na plataforma foi falar com os dois rapazes e disse-lhes para me largarem, que era perigoso o que estavam a fazer.” O homem teve de ser assistido no Hospital Amadora- -Sintra e já apresentou queixa na PSP. Este é o terceiro caso violento na Linha de Sintra em apenas uma semana. O primeiro aconteceu na terça-feira à noite quando um revisor foi violentamente espancado por um gang juvenil. A vítima foi transportada para o Hospital Amadora- -Sintra. O caso levou mesmo a CP a pedir uma reunião de urgência com a PSP para haver um reforço policial, sobretudo nos meses de verão. O revisor vai ter de ficar em recuperação mais 15 dias. A agressão foi filmada pelo sistema de videovigilância.

Uma história de tolerância

14 Junho, 2016

Pousara o Alcorão sobre a mesa regressando à janela que mostra a podridão do mundo. À frente, um McDonalds; alguns metros atrás, carro da Uber que deixou o porco austríaco no alojamento Airbnb. Saiu pela porta repetindo “Allah é grande” vezes sem conta em cabeça ritmada pelo pulsar de cliques das máquinas digitais. Turistas fotografavam edifícios, edifícios que são nossos. As pernas rechonchudas em skinny jeans da activista de orelhas amplamente argoladas que o enojara ainda perturbavam a pureza dos sentimentos interrompidos pelo ziguezaguear do tuk-tuk abarrotado de infiéis. “Ides ver”.

Entrara na piscina municipal onde decorria a aula de zumba aquático e disparou a arma automática. “Allah é grande! Allah é grande!” A água tornou-se rosa, depois progrediu para vermelho e, por fim, transmutou-se para um castanho nauseabundo com cheiro a morte.

Terrível crime de ódio. É preciso combater a hidrofobia.

Terapia de bala

14 Junho, 2016

Um indivíduo, simpatizante de um grupo de jihadistas conhecido por assassinar pessoas em praça pública, entrara com intenção de matar pessoas num bar frequentado por homossexuais, disparou indiscriminadamente sobre quem está na sua vida e matou 50 pessoas. O grupo terrorista islâmico, ISIS ou Daesh – como lhe quiserem chamar, que eu chamo-lhe filhos da puta – advoga uma versão extremista do Islão que, através de violência extrema, pretende a aniquilação de todos os que considera infiéis ou apostatas para a criação e manutenção pela força de morteiro de um grande califado. Homossexuais, mulheres suspeitas de cometerem adultério, crianças do lado errado da rua, cristãos, judeus, ateus, desgraçados e pessoas em geral que não caiam no goto dos indivíduos são, taxativamente, executados em público, envergonhando o mais selvagem dos animais da Terra.

Este parolo chama-lhe “homofobia”. Portanto, o labrego-mor desta terrinha onde Judas perdeu as botas acha que um indivíduo mata 50 pessoas por medo (fobia) de pessoas do mesmo sexo. É, é isso: matou-as por medo, coitadinho, que estava assustadinho. Agora já não tem mais medinho, terrores nocturnos e suores frios, está curadinho. É um milagre, para gáudio de meio-milhar de aspirantes a labregos que metem o coraçãozinho no tweetzinho do sociopata que nos governa.

isto não está nada bem

13 Junho, 2016
by

Em declarações hoje prestadas, Barack Obama considerou não existirem provas de que o massacre de Orlando tenha sido «direcionado por um grupo no exterior».

Esta simples frase denota que, ao fim de oito anos de presidência dos EUA, Obama não entendeu nada – ou faz de conta que nada entende – do terrorismo islâmico. Na verdade, ainda que muitas destas acções terroristas sejam incentivadas (não propriamente «dirigidas») do exterior, elas resultam sempre da adesão interior e íntima de cada terrorista aos preceitos fundamentalistas islâmicos, e desnecessitam de mais do que isso para tornar quem os adopta num potencial terrorista. Desse modo, o moderno terrorista islâmico é uma espécie de empresário por conta própria (o tal «lobo solitário»), que se integra, sem necessidade de mais nada, num grande plano universal para combater os infiéis, uma franquia de um grande negócio que lhe dará a vida eterna. Não precisa de ordens, nem de uma organização que lhe diga o que ele sabe que tem de fazer. Cada crente é, ele mesmo, pela natureza das coisas, uma peça dessa causa e dessa organização universal, esteja onde estiver, esteja com quem estiver.

Barack Obama deixará a Casa Branca com um dos mais baixos status em política internacional de sempre. Com a elevada probabilidade de qualquer um dos seus dois possíveis sucessores vir a fazer ainda pior. Isto não está nada bem.

À consideração do PR e do PM para o próximo 10 de Junho

13 Junho, 2016

4-Irene Isidro_0161 - Cópia.JPG

O astro

13 Junho, 2016

Um ex-ministro da Justiça de Sócrates comenta a Operação Marquês com a taróloga Maya

Apelos à emigração (os maus e os bons)

13 Junho, 2016

Lembram-se Passos Coelho ter sido acusado de apelar à emigração dos professores e do que foi dito sobre isso? Recordo, como exemplo, esta reacção: Professores Contratados e Desempregados vão desafiar Passos Coelho a emigrar

Passos Coelho, Dezembro 2011

António Costa, Junho 2016

Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa. É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui.

aprender com a história

12 Junho, 2016
by

cortes_constit21.jpg

As Cortes Constituintes portuguesas de 1821, o nosso primeiro verdadeiro parlamento moderno, que foi eleito depois do triunfo da revolução liberal de 1820, que  fez e aprovou a nossa primeira Constituição política, a de 1822, começou os seus augustos trabalhos no dia 24 de Janeiro, sob a ilustre presidência de D. Vicente da Soledade e Castro, arcebispo da Bahia e deputado eleito pelo Minho, com a discussão de um importante tema: a censura da imprensa. Sobre ele, e apesar dos piedosos instintos liberais que animava a distinta assembleia, Soares Franco, um desses, sintetizou o sentimento geral por lá reinante: «Julgo que a questão não está suficientemente aclarada. Todos concordamos em que a liberdade de pensar, de falar e de escrever são direitos naturais de todo o Cidadão; concorda-se igualmente que se pode abusar deste direito; e que compete à Soberania evitar e suspender este abuso. (…) No Projecto de Lei que propomos o Autor ou Editor é obrigado a assinar o seu nome; o Impressor a pôr o lugar da Oficina e tempo de impressão; a Lei tem já de antemão marcado a qualificação dos delitos e as penas correspondentes. O livro em que se abusar da Liberdade de Imprensa tem já o seu corpo de delito pronto, e o seu autor é infalivelmente castigado; esta certeza desviará a todos os Escritores da tentação de abusarem do direito que se lhes concede e de quererem espalhar as doutrinas perniciosas».

o nó górdio do libertarianismo

12 Junho, 2016
by

Um dos problemas das filosofias libertárias é o de presumir que as pessoas querem a liberdade. Ora, a História e a realidade dos factos dizem-nos frequentemente o inverso: entre um mundo sem qualquer forma de coerção e outro em que alguma (por vezes, muita) coerção é compensada por certos serviços e bens, a esmagadora maioria das pessoas preferirá o segundo. A ânsia da liberdade anda quase sempre de braço dado com o desejo de segurança e com a percepção da falibilidade e da fragilidade existenciais. Nas sociedades plurais, isto é, naquelas em que todos os indivíduos possuem um status político e social, e pensam de forma diferente uns dos outros, como (felizmente) é próprio da espécie, haverá sempre quem queira trocar generosas parcelas de liberdade por segurança e bem-estar, ainda que as entidades (públicas ou privadas) que prestam esses serviços serviços o façam deficientemente ou oferecendo produtos de fraca qualidade.

A demonstração desta evidência tê-mo-la nos apelos crescentes ao intervencionismo do estado e do governo para resolverem, ou minorarem, os problemas e os efeitos das crises que eles mesmos em boa parte provocaram. Apesar disso e de todos dizerem mal dos políticos e dos governos, a maioria das pessoas continua a presumir que será melhor contar com eles, do que prescindir deles. Ou, de forma mais esclarecedora, no exemplo do actual referendo sobre o Brexit, onde os termos da questão se colocam em reforçar a liberdade da Inglaterra e dos ingleses, retirando-os da tutela dirigista e intervencionista das autoridades supranacionais de Bruxelas, ou mantê-los sob a sua protecção, evitando males – que se presumem maiores – com a saída da União Europeia. Apesar do que possam dizer as sondagens, aposto que, no lavar dos cestos, o Reino Unido permanecerá na União Europeia. O medo é um fortíssimo sentimento individual e social. Tão ou mais forte que o desejo da liberdade. Esse é o nó górdio do libertarianismo. A não ser que, como pretendia o outro, queiramos impor aos outros a nossa liberdade. Mas, nesse caso, já não será bem de liberdade que estaremos a falar…

Brexit e bolotas

12 Junho, 2016

Se eu fosse inglês era bem capaz de votar pela saída da UE. Por dois motivos, que passo a explicar. O primeiro e mais importante, por não ter qualquer interesse no ruído que palerminhas pequeninos com ar de broeiro fazem “contra a austeridade” e “as políticas neoliberais”. Já é difícil aturar os caprichos dos filhos adolescentes, para quê aturar miúdos de 60 anos, oriundos de países exóticos sem qualquer relevância estratégica para a Europa? Nenhum inglês perde tempo a tentar perceber o inescrutável Costa e o seu discurso da província onde há uma ou outra praia simpática. Mais depressa atirariam com duas ou três bolotas para que o aborrecimento desaparecesse da mesa, deixando os adultos a conversar. O segundo motivo é achar que, após a saída da UE, acaba o estigma da separação. Isso permite que os adultos se livrem dos pirralhos quando insistirem em chatear com a “voz grossa” de quem pedincha mais uns cobres para manter a balofa da academia e os incompetentes dos jornais animados na dança dos falidos. Isto nunca foi sobre o Estado Social ou a sustentabilidade da Segurança Social: isto sempre foi pela união que a contestação permite. É como um arraial onde todos partilham o chouriço e podem dançar um entesoado “apita o comboio” com a cunhada.

Se a saída da UE se concretizasse, convidaria ilustres académicos portugueses – José Reis à cabeça – para virem até cá, às terras de Sua Majestade, para, após um caril a sério, discursarem sobre as palermices que dizem lá na terrinha. Aposto que até dançavam, se lhes atirasse mais duas ou três bolotas.

Duas patas, quatro patas, montes de patas

12 Junho, 2016

Artur Pedro Silva Baptista. Laura Manuela Rodrigues Figueiredo. Samuel Jorge Cunha e Santos Lima. Jorge Ricardo Fagundes Fernandes…

Não, não é a lista de jornalistas que o Expresso ficou de publicar que recebem de políticos por compensação por serem patriotas de esquerda. São só nomes de pessoas que retirei duma lista de pessoas que não são jornalistas patriotas de esquerda. Infelizmente, sabemos imediatamente que são Pessoas Humanas e nenhuma é Pessoa Canina. Em Portugal, um cão não é merecedor de respeito para ser baptizado com dois nomes próprios e apelidos de família. Bóbi, Faísca, Sport, Fáni…. Um só nome. Onde está o respeito pela linhagem do cachorro? Não está, não há.

Como hoje é Domingo, proponho esta causa. Os cães passam a ter quatro nomes, pelo menos. No mínimo, dois nomes derivados dos progenitores. Bóbi Faísca Sócrates Infante, Fáni Cher Galambino Cãocio, Bob Bóbi Ildefonso Ferro y Gutierrez Júnior…

O mesmo para gatos. E, para vacas também, que animal de estimação é o que o homem, a mulher e o ser sem designação de género binário quiser. Orcas. Viúvas negras e leões marinhos. Orangotangos, minhocas e éguas. Larvas, cabras e até este indivíduo que designaremos por “coiso” (ou “coisa”, o que já binário).

É por não colocarem os verdadeiros problemas da humanidade humana e animal que as pessoas deixaram de ir à missa ouvir sermões. Até porque, convenhamos, durante esse intervalo de tempo perderíamos duas ou mais intervenções do nosso Presidente da República.

Adenda: Eu não disse? Não dá mesmo para ir à missa, perde-se o Presidente. 

Juntos na mesma geringonça

11 Junho, 2016

Embora tenham um programa conjunto, Marcelo e Costa vêm para Paris em aviões separados. O protocolo a isso obriga, fazendo com que o primeiro-ministro tenha de sair mais cedo das celebrações em Lisboa, de forma a estar em Paris para receber o Presidente. Costa vem em avião militar, enquanto Marcelo usará um Falcon, que fará a viagem mais rapidamente. (link)

Se calhar faz sentido que o PR e o PM sejam obrigados pelo protocolo a viajar separados. Em 1980 o PM e o ministro da defesa morreram no mesmo voo. Mas não foi o que aconteceu num voo interno em França. É um símbolo da relação Costa-Marcelo. Cada vez mais juntos na mesma geringonça, dá-se sempre um jeitinho às regras.

CkrwKUSWUAA56Xy.jpg

 

Centeno quer destruir Lisboa

11 Junho, 2016

Um indivíduo, com mais responsabilidades do que a sua fraca espinha dorsal permite, foi a Nova Iorque dizer que estrangeiros devem investir em Portugal. Não sei onde ficou alojado ou se os norte-americanos repararam no ar de turista do indivíduo, porém, sei que foi armar-se em pascácio contra-corrente, quase reaccionário. Como poderia um estrangeiro investir em Portugal? Não é suposto o tal imbecil estrangeiro carregadinho de notas vir por aí, olhar, falar com pessoas, encontrar oportunidades de negócios? É que nós não o queremos cá. Não, não queremos, é um facto. Estamos demasiado forcados em acabar com a turistificação (termo que li ao Daniel Oliveira, que o deve ter lido no memorando que todos os parvos que criam agendas neste país recebem pela manhã) para andarmos a receber estrangeiros que, enquanto procuram onde investir, são, para todos os efeitos, turistas malcheirosos que destroem Lisboa pela sua presença.

Abaixo aos turistas, Lisboa para os lisboetas. Investir só se for em casas de fados. Estrangeiros cá, só romenas jeitosinhas. Para cantarem o fado.

um retrocesso

10 Junho, 2016
by

A leitura conjugada da crónica de João César das Neves, hoje publicada no DN, com algumas, das mais antigas, que Vasco Pulido Valente compilou no seu mais recente livro (De mal a pior), não é um exercício saudável. Neves adverte, hoje, para o precipício para onde o país se encaminha, como, já em 2000, 2001, Valente avisava que, por causa das contas públicas, nos esperava o abismo. Em comum, o seguinte ponto: a indiferença às evidências que os portugueses, de então e de agora, exibem. Desta vez, com a agravante de um ainda recente estoiro, com o qual nada parecemos ter apreendido, o que desabona a nossa inteligência. Em Neves e em Valente há, também, uma perturbadora coincidência acerca da expiação colectiva das nossas responsabilidades. Elas nunca são nossas, mas dos outros: dos alemães, da crise internacional, do capitalismo financeiro, dos mercados vorazes. Antigamente, os portugueses matavam a culpa sem lhe atribuírem marido. Agora, ela já não mora cá. Emigrou. É num retrocesso muito significativo.

Instrumentalizar o corpo, que a alma já está

10 Junho, 2016

Mulher adulta, com mamas evidenciadas por decote punível por apedrejamento por amigos anti-capitalistas de alto valor revolucionário para a causa da burguesia maçada com prosperidade, desligando o corrector automático do MacBook presenteado pela instrumentalização do espaço corpo-corpo que indelevelmente a tornou conhecida, prepara-se para opinar sobre a vida alheia, a vida que preferia que fosse morte.

Bate numa e noutra tecla, olha para o ecrã e encontra “instrumentalização do corpo da mulher”, ironia das ironias, pensaria um antropomórfico MacBook. Assegurando que é o que quer dizer, carrega em ‘enter’, publicando para o mundo inteiro ver, coisa que fazemos por morbidez desde que descobrimos ter sido a mais barata das namoradas de Sócrates. Talvez tecle para um livro a publicar sobre o fenómeno de groupies do poder. Não, não é sobre hedonismo, é um tweet sobre o seu fascínio pela morte de bebés, lamentando que este ser não tenha sido devidamente abortado, para que não viesse ao mundo através da “instrumentalização do corpo da mulher”. Refere-se ao corpo da mulher que foi mantida “viva” após morte cerebral para que o filho no útero, o filho que desejou e que não abortou enquanto viva, pudesse nascer em segurança.

Há vários motivos para se manter vivo um ser humano em morte cerebral. Para transplante de órgãos, por exemplo. Neste caso concreto de morte cerebral, foi, inclusivamente, lamentável que não se usasse o cérebro da senhora mantida viva pelo seu filho para providenciar um cérebro mais capaz à opinadora, ser que nasceu, algures, sem que alguém opinasse que o melhor teria sido que a abortassem. Ainda bem que não o fizeram.

A socialite não odeia ninguém. Detesta xenófobos, homofóbicos, transfóbicos, conservadores, liberais e padres por puro amor ao próximo. Também não se reproduziu, pelo amor à humanidade, o que nós, os vivos, só podemos agradecer. Mas agora é tarde. A não ser que se “instrumentalize o corpo da mulher”, recorrendo a uma barriga de aluguer, um altruísmo só possível em vida para provir direitos de puericultura a tudo que não se consiga reproduzir através de sodomia.

Porém, a mais activa das organizadoras de festinhas com políticos resolveu um problema da lei das barrigas de aluguer. Se a portadora do bebé entrar em morte cerebral, o bebé deve ser abortado. Porque, de outra forma, seria “instrumentalizar o corpo da mulher”.

Por acaso, um acaso sem acaso algum

9 Junho, 2016

Tema do meu artigo no Observador: Alexandra Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da Educação, declarou que as suas filhas “por acaso não estudam” numa escola pública. Mas qual acaso? Mas qual acaso? Estarão as filhas da senhora secretária de Estado numa escola que sorteia vagas nos pacotes de cereais? Iam as filhas da senhora secretária de Estado pela Segunda Circular e aquele boneco que está plantado no telhado da Escola Alemã perguntou-lhes “Passaram aqui por acaso? Então saiam na primeira à direita porque ganharam o direito a frequentar esta escola!”

Solve et repete

9 Junho, 2016

Há alguns  anos, pedi ao Provedor de Justiça que requeresse ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade da Lei da Contribuição Audiovisual (CA), na parte em que permite a interrupção do fornecimento de electricidade se o consumidor pagar a factura de energia sem pagar parte correspondente à CA. Os anos passaram e estava já convencido que o assunto morrera nas catacumbas da Rua Pau de Bandeira. Afinal não estava e recebi finalmente resposta. Segundo a Provedoria, a CA é um imposto e não uma taxa e, como nos impostos, a regra é solve et repete (paga primeiro, reclama o reembolso depois), não vislumbra qualquer inconstitucionalidade.

O facto de a CA ser um imposto que constitui, de acordo com a lei, receita própria de uma sociedade anónima de Direito privado e de ser o único imposto cuja falta de pagamento determina o corte do fornecimento de energia é completamente irrelevante.

Conciliar habitação e turismo?

9 Junho, 2016

A propósito de conciliar a habitação e turismo:

1. Cidades têm uma forma aproximadamente circular em que o centro é a parte mais valorizada porque essa é a geometria inevitável se as pessoas quiserem ter um ponto de encontro comum à menor distância possível. Logo, centros caros são uma inevitabilidade.

2. Numa cidade com 10 km de raio em que o centro tem 1 km de raio, o centro tem 1% da área disponível. Supondo que a densidade populacional é uniforme e que todos prefeririam viver no centro, para o mesmo preço, a procura potencial pelo centro é sempre muito maior que a oferta. Logo, os preços no centro serão sempre muito elevados. É assim em qualquer cidade do mundo sem rendas controladas ou outros esquemas.

3. Lisboa teve rendas controladas durante 1 século com períodos significativos de inflação pelo meio. No início deste século estava em ruínas e desertificada. Os potenciais habitantes endividaram-se para comprar casas na periferia, onde elas existiam, pelo que deixou de haver portugueses com dinheiro suficiente para financiar uma eventual reconstrução da baixa. Portanto, paradoxalmente Lisboa ficou com um centro sem procura, não porque as pessoas não desejem uma cada na baixa mas porque reconstruir uma cidade em ruínas é extremamente caro e não existe em Portugal gente suficiente com dinheiro para concretizar esse desejo.

4. Portanto, o problema não é se é possível conciliar o turismo com a habitação. O turismo, os vistos gold e os reformados franceses são os únicos com dinheiro para financiar a reconstrução da baixa. Sem turismo e investimento estrangeiro a reconstrução em vez de se fazer em 20 anos levaria 50.

5. Os preços alegadamente altos não são um sintoma de falta de oferta. São um sintoma do desfasamento entre o poder de compra português e o do resto do mundo.  Se retirassem os turistas e outros estrangeiros os preços cairiam a pique e deixaria de haver incentivo a aumentar a oferta. A percepção de preços altos são também um sintoma da falência e do endividamento das famílias portuguesas, que estão num país que há 15 anos não cresce.

6. O turismo, e em particular o alojamento local, tem características que facilitam a reabilitação urbana que a habitação permanente não tem. O turismo dispensa garagens, elevadores e infraestruturas públicas de apoio como escolas. Torna os projectos mais simples permitindo uma transição suave, viável e financiável entre uma cidade em ruínas e uma cidade para habitação.

7. Na verdade, o que Lisboa precisa não é de mais oferta mas sim de mais procura que viabilize oferta. O investimento que a cidade precisa é da ordem dos 10 mil milhões de euros. Esse investimento só aparece se as rentabilidades forem elevadas e para isso é necessário mais procura.

PUB – Alugueres de curta duração

9 Junho, 2016

O jornal i noticia que o quarto de Fernando Pessoa está disponível para ser alugado no Airbnb por 85€ por noite. Aproveito esta oportunidade noticiosa, com direito a primeira página, para lembrar que o quarto do meu amigo Saul, em Baltar, também está disponível no Airbnb por apenas 23€ por noite. E já que estamos numa de publicitar alugueres, aproveito também para referir que o governo de Portugal está disponível para quem prometer rebentar isto tudo o mais depressa possível, entregando a gestão a estalinistas que não gostam de ser comparados a Estaline e a comunicação às filhotas de assaltantes com comichão no gatilho que esganiçam um bocadinho ao enaltecer a facilidade com que o portento intelectual do primeiro-ministro, o que fala com duas ameixas na boca e que, mesmo assim, quase se entende, lhes escancarou com esférica barriga a porta de entrada.

é preciso regular a estupidez no psd

9 Junho, 2016
by

Um sujeito que representa o PSD na Câmara de Lisboa, de seu nome António Prôa, proferiu as seguintes afirmações sobre a gestão socialista do turismo na capital: «esta gestão socialista tem sido absolutamente liberal, tem deixado correr tudo: O licenciamento de hotéis é a torto e a direito, o alojamento local não tem regulação, os tuk-tuks a mesma coisa». E rematou com as seguintes frases: «o mercado tem que ser regulado. Vale a pena pensar o que queremos e vale a pena fazê-lo antes que que se crie uma aversão dos lisboetas aos turistas».

Se isto tivesse saído da boca de um vereador do Bloco ou do PC, nada haveria a acrescentar. Tratando-se de um eleito pelo partido que se vendeu ao liberalismo desregrado e ao capitalismo selvagem, eu faria uma suave correcção nestas declarações. Assim: «a estupidez no PSD tem de ser regulada. Vale a pena pensar o que queremos para o partido e vale a pena fazê-lo antes que se crie uma aversão dos eleitores aos nossos dirigentes». Fica a sugestão.