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Tarologuices

5 Junho, 2016

1.Um canal de televisão tem um programa com uma taróloga.

2. O canal para ter aquele programa não considera certamente a tarologia uma aldrabice: a vida das pessoas pode ser uma desgraça mas se as cartas dizem que vai melhorar ninguém acusa a taróloga e a estação de televisão de estarem a ganhar dinheiro com a crendice dos outros.

3. Ora se aquilo que os astros dizem é válido para umas coisas tb há de ser para outras, portanto os astros podem ter dito à taróloga para ela dizer à senhora aquelas inanidades sobre o marido. Parvoíce? Será tanta parvoíce quanto o contrário.

Síntese argumentativa

5 Junho, 2016

The power of stupid peopleAgora, a dias do início de algo verdadeiramente importante, o Euro 2016 da UEFA, é altura de sintetizar todos os argumentos contra a existência de escolas na rede pública com contrato de associação.

Argumento 1
Não ando eu a pagar um privada caríssima para haver gente a beneficiar do privilégio de a frequentar de borla.

Argumento 2
Estando eu a fazer um grande esforço para ter os meus filhos nas melhores escolas, as que sistematicamente lideram tabelas de rankings, não quero que a ralé dos bairros sociais ande ali a estragar o ambiente.

Argumento 3 (é o da Alexandra Leitão)
Acho que a escola estatal é maravilhosa. Os meus filhos estão num colégio porque quero mesmo que aprendam uma língua estrangeira a sério, não como aquela merda que ensinam na escola pública a fingir que é inglês, francês, alemão ou castelhano. Se não fosse isso, claro que teria os filhos da escola pública. Por isso não devem existir contratos de associação porque, sinceramente, padeço de um sério problema de non sequitur, por muito que façam artigos laudatórios que me tentem humanizar não disfarçando ser propaganda a roçar pornografia.

Argumento 4 (é o dos fãs da Alexandra Leitão)
Acho que a escola estatal é maravilhosa. Os meus filhos estão num colégio porque quero mesmo que [inserir qualquer coisa], não como aquela merda que ensinam na escola pública a fingir que é [inserir qualquer coisa]. Se não fosse isso, claro que teria os filhos na escola pública. Por isso não devem existir contratos de associação porque, sinceramente, eu amo tudo o que sair da mente do António Costa/Mário Nogueira/Catarina Martins/Bibi/Žižek/senhor-que-me-prometeu-o-tacho-em-troca-de-sodomia-esporádica.

Argumento 5
O ensino deve ser exclusividade do Estado. Assinado: profissional liberal ou empregado por conta de outrem.

Argumento 6
Acho bem. Assinado: pessoa senciente dotada de extrema capacidade para amar o próximo através da cobrança fiscal para horários de 35 horas.

causas e consequências

2 Junho, 2016
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jrs-furia-divina-jpgAnda por aí um frou-frou e um roçar de saias e saiotes por causa da magna questão dos eventuais parentescos próximos do(s) fascismo(s) e do socialismo marxista, que foi suscitada por José Rodrigues dos Santos, ao afirmar que ambos têm em Karl Marx uma paternidade comum. Semelhante heresia provocou a «fúria divina» de Francisco Louçã e António Araújo, que, em artigos onde manifestam uma repugnância e um desdém quase aristocráticos pelo autor de uma tão «pavorosa bibliografia» (indigno, por isso, de debater com eles, depreende-se), demonstram que as origens das duas coisas (sim, é de coisas que se trata…) são integralmente diferentes, distantes, de tal modo separadas que nunca se encontraram nos tortuosos caminhos da história e da filosofia.

Pois bem, independentemente de saber quem tem razão (tenho algumas ideias a respeito, mas a minha falta de habilitações em «socialismo científico» inibe-me de o debater com tamanhas autoridades na matéria), o meu espírito utilitarista leva-me à seguinte conclusão: mesmo com parentescos que podem ter sido distantes, os resultados históricos dos fascismos e dos socialismos marxistas e revolucionários foram os mesmos: a opressão, o desrespeito pelos mais elementares direitos fundamentais, os gulags e os campos de concentração, a falta absoluta da liberdade, etc.. Caso os Professores Louçã e Araújo precisem de exemplos para análise comparativa, estarei ao dispor. Mas creio que, um e outro, os conhecerão muito bem. Bem demais, até.

pisca pisca

2 Junho, 2016

Com o relógio a aproximar o dia de uma decisão da Comissão Europeia, os socialistas decidiram apresentar uma resolução no Parlamento a rejeitar eventuais penalizações de Bruxelas a Portugal por causa do défice excessivo de 2015. (no Público)

Como é óbvio, ninguém gosta de sanções. Não deixa, porém, de ser curioso que em vez de tentar encontrar soluções para evitar a violação das regras que dão lugar à sua possível aplicação, o caminho do PS seja o de procurar convencer os partidos à sua direita a acompanharem-no nas lamúrias.
Não deverá ser difícil, dadas as recentes e numerosas peregrinações a Berlim. Aposto que as pernas da Comissão até vão tremer quando o parlamento aprovar uma resolução de repúdio às sanções por unanimidade.

A nomenklatura bate o dente

1 Junho, 2016

A discussão sobre se o fascismo tem raízes marxistas é extremamente interessante. Não pelo conteúdo, claro; é interessante porque mostra o brutal esforço das modernas forças de esquerda para assegurar que o marxismo é uma coisa boa, pura, que não pode estar associada assim à tosco com coisas más como o fascismo.

Valeu mesmo a pena ver a nomenklatura a tremer, ainda por cima por causa de um artigo de opinião de um escritor de ficção.

No pasa nada

1 Junho, 2016

OCDE corta previsão do PIB para 2016 e 2017

as duas cartas

31 Maio, 2016
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envelopes-from-lina-and-staceyO que o governo nos tem ensinado sobre os contratos de associação com as escolas privadas sintetiza-se em breves palavras: servem enquanto derem jeito; depois, deitam-se ao lixo e que se lixem.

Este exemplo moral pode ser aplicado a outras situações semelhantes. Ora vejam:

  • O Tozé já não serve? Deita-se ao lixo;
  • O Lamas já não serve? Deita-se ao lixo;
  • O João já não serve? Deita-se ao lixo;
  • O Costa (por enquanto, o Carlos…) já não serve? Deita-se ao lixo;
  • A Teodora já não serve? Deitem-na ao lixo;
  • A Catarina e o Jerónimo ainda servem? Não os deitem já ao lixo.

E assim vai, até ao dia em que alguém nos lembra que há uma segunda carta por abrir e que chegou a nossa vez de escrevermos outras duas. Acontece sempre a quem está na política. É só uma questão de tempo.

Podemos falar de escolas para todos?

31 Maio, 2016
  1. Estas são algumas das melhores escolas da rede pública. Quais são os critérios para um aluno se matricular aí?

Escola Básica e Secundária Clara de Resende

Escola Secundária do Restelo

Escola EBS D. Filipa de Lencastre

Escola Básica Vasco da Gama

Escola Básica de Cadilhe

Escola Secundária de José Gomes Ferreira

2) Estas são algumas das piores escolas da rede pública. Quais são os critérios para um aluno se matricular aí?

Escola Básica da Cova da Moura, Amadora

Escola Básica da Apelação, Loures

Escola Secundária Fonseca Benevides

Escola Secundária de Valbom

3)  Quais as possibilidades de conseguir  a transferência de um aluno de uma escola do segundo grupo para o primeiro?

4) Os artistas, intelectuais, políticos, jornalistas… que dizem defender a escola pública, promotora da igualdade, têm os seus filhos na escola pública? Se sim do primeiro ou do segundo grupo? 

5) Para quando uma petição a defender o fim da blindagem das matrículas nas escolas mais exclusivas do país – as escolas públicas que estão no topo dos rankings?  Podem por exemplo propor coisas que certamente agradarão aos defensores da igualdade como:troque o lugar do seu filho na turma dos filhos dos professores por lugar na turma dos problemáticos; troque o lugar do seu neto na Secundária do Restelo pela Secundária da Damaia…

 

O Abrunhosa não se amarra? Os cómicos não ironizam? Não há forum na rádio?

31 Maio, 2016

Exoneração. Director-geral das Artes “revoltado e entristecido” pede explicações ao primeiro-ministro

Carlos Moura-Carvalho tinha sido nomeado por concurso público para uma comissão de cinco anos, mas foi exonerado do cargo após 10 meses. O despacho de cessação de funções, assinado pelo secretário de Estado da Cultura, tem efeitos a partir desta terça-feira. Em esclarecimentos à Renascença, Moura-Carvalho revela que pediu a intervenção do primeiro-ministro. Por considerar que está em causa a legitimidade das nomeações da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP), Carlos Moura-Carvalho pediu a intervenção de António Costa.

E acaba-se a rica vidinha de todos e de todas num instante

31 Maio, 2016

Sindicatos da função pública defendem entrada em vigor das 35 horas para todos os trabalhadores
Só para os trabalhadores da função pública? Disparate! Injustiça. Vamos todos mas todos mesmo trabalhar 35 horas por semana, ter 25 dias de férias e já agora regermo-nos pelo acordo do Portod e Lisboa: promoções automáticas e não se admite mais ninguém que os direitos são para aqueles que cá estão.
Depois falamos mas é melhor começarmos a produzir batatas, couves e a construir capoeiras.

Banco Alimentar, alvo a abater

30 Maio, 2016

Nada irrita mais o neo-progressista modernaço que iniciativas como as do Banco Alimentar Contra a Fome. Em primeiro lugar, porque, se há fome, isso demonstra de forma cabal as imperfeições do sistema redistributivo via coerção, toda a base ideológica das esquerdas hipócritas que refreiam o discurso revolucionário por mero marketing rasca; em segundo lugar, porque a fome é um atentado à igualdade, a mesma igualdade que, ao ser obtida, permitiria que ninguém passasse fome acima da média da fome: é que se ninguém come, não há ninguém que se fique a rir de barriguinha cheia; em terceiro lugar porque, tal como se vê agora pela Venezuela e antes por qualquer outro paraíso marxista, em socialismo a sério não há nada para redistribuir, ninguém inveja ninguém e podem ser todos miseráveis, incluindo os bandidos que andam agora aí a recolher alimentos para famintos, que é para aprenderem.

Lamentavelmente, não é possível conciliar os desejos destes toscos por ausência de Bancos Alimentares fazendo com que os burgessos geringôncicos sejam os únicos a comerem o que o Diabo amassou com o que desejam. Porque isto de cantar glórias do socialismo é muito lindo mas é para quem enche o bucho com os frutos do trabalho alheio.

um pobre ministro

29 Maio, 2016
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16399390_jEb1tUm ministro da educação costuma salientar-se pelo número de escolas que, no exercício do seu mandato, abriram.

Tiago Brandão Rodrigues será conhecido como o ministro da educação do regime democrático que mais escolas mandou fechar.

Como o seu programa é meramente ideológico, imposto, sim imposto, por uma visão de luta de classes entre «público» e «privado», pelo verdadeiro dono da educação deste governo, o comunista Mário Nogueira, que em tempos vimos justamente hostilizado pelo PS, convém que o imberbe «ministro» tenha presente a seguinte norma constitucional: «O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas» (artigo 43º, nº 2).

Ora, Brandão Rodrigues não impediu a abertura de novas escolas privadas. Mandou fechar escolas que já existiam, estavam em funcionamento, atendiam milhares de alunos e empregavam milhares de pessoas. Fê-lo exclusivamente por motivos ideológicos, em flagrante violação da Constituição. É isso que terá de ficar no seu currículo. Para memória futura.

Os padres, primeiro

29 Maio, 2016

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Pombal fechou as melhores escolas do país. Afonso Costa fechou-as de novo. Agora voltamos a escolher as piores. Os nossos déspotas esclarecidos caracterizam-se pela promoção iluminada da ignorância.É dos livros, pelo menos dos nossos livros desde o século XVIII: quando em Portugal o autoritarismo dos que se acreditam iluminados avança, os padres católicos e muito particularmente os seus colégios são um dos primeiros alvos se não mesmo o primeiro.

excesso de rigor

28 Maio, 2016
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É que não havia necessidade nenhuma de lhe terem feito um contrato. Podia ter ficado a recibos verdes. Não aprendeu nada nem com o pai, nem com o tio, pessoas de outros tempos, em que «palavra dada era palavra honrada.»

notável

28 Maio, 2016
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Esta entrevista de Francisco Assis, hoje publicada no DN, é notável pela lucidez e inteligência, qualidades raríssimas em Portugal nos políticos de esquerda ou de direita. O que Assis diz é, mesmo quando existem discordâncias de princípio, dificilmente contestável, o que o torna num dos mais lúcidos e notáveis políticos portugueses. Só é pena que pelo PS, onde cada vez há menos gente a pensar com autonomia e liberdade, não o aproveitem melhor. Mas, estou certo, que esse dia há-de chegar. E, quanto mais tarde, pior.

Aposta na economia do mar

28 Maio, 2016

Durante anos as elites portuguesas encheram a boca com o desígnio do Mar e da economia azul. Ontem o governo atribuiu o monopólio da estiva ao sindicato de estivadores do porto de Lisboa. Boa sorte para o porto de Lisboa, então. E vamos ver o que se vai agora passar nos outros portos.

heróis do mar*

28 Maio, 2016
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8235106_Bc8sIEnquanto os Nogueiras e os Arménios andam, por aí, a acicatar ódios e a destruir empresas e riqueza, tendo, para isso, cobertura noticiosa diária, sempre muito favorável, outros, discretamente, salvam empresas e empregos, criam riqueza e honram o nome de Portugal.

É, de facto, graças a homens da categoria de Soares dos Santos, e de poucos outros como ele, que os portugueses não vivem, por enquanto, numa republiqueta da América-Latina dos anos 70. Mas, como é evidente, estes homens são ignorados pelos poderes públicos e pela comunicação social, quando não muitas vezes atacados. Ninguém se lembra deles no 10 de Junho, nem lhes agradecem o que fazem pelo país. O que só os distingue e enobrece.

* Agradeço ao leitor antónio a indicação da notícia e do link.

São como bandos de pica-paus à solta

28 Maio, 2016

Legalização da prostituição é uma medida necessária, que já tarda, plenamente enquadrada no plano governamental de redistribuição de afectos. Repare-se que, tal como com barrigas de aluguer, a prostituição legal não poderá visar o lucro, sob risco de imoralidade. É imoral que alguém se disponha a carregar a vida de outrem por uma compensação monetária ou em géneros, o que originaria uma degradação psicossocial da Pessoa Humana e outros valores humanistas que constam no cânone neo-marxista. Não, lucro não, a gravidez by proxy deve ser levada até feliz termo por altruísmo, sendo a única gratificação possível o sorriso de felicidade da mãe a sério, aquela cujo nome constará no cartão de cidadania proposto pela Bloca. Da mesma forma, a prostituição legal, para evitar o risco de degradação psicossocial da Pessoa Humana, terá que ser desprovida de compensações monetárias, em géneros, em férias ou em lugares de nomeação política. Mesmo a angariação de clientes felizes contemplados deverá ser feita com transparência, recorrendo ao mais profundo respeito, respeito não indecoroso que evite que o proto-orgasmante incorra no crime de piropo.

Ainda há quem se queixe do progresso.

Portanto os estivadores alargaram o seu poder…

28 Maio, 2016

Governo define acordo com estivadores e termina a greve

a) a Porlis, empresa de trabalho portuário, “não poderá admitir mais trabalhadores, devendo a situação dos actuais ser resolvida desejavelmente no prazo máximo de dois anos” e “acordaram admitir 23 trabalhadores eventuais nos quadros da Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa no prazo máximo de seis meses”,

b) “Foi acordada uma tabela salarial com dez níveis, incluindo dois escalões adicionais com remunerações para os novos trabalhadores inferiores às actualmente praticadas”

c) Os estivadores e os operadores do porto de Lisboa acordaram também que as funções de ‘ship planning’ e de ‘yard planning’ “seriam exercidas prioritariamente por trabalhadores portuários com experiência e preparação para as exercer”.

Em resumo: o Porto de Lisboa vai custar quanto aos contribuintes?

 

A vaca voa e tem um plano de voo: voar um pouco mais graças a esta engenhoca

28 Maio, 2016

O ministro-adjunto promete que até às autárquicas de 2017 terá pronto o quadro legal que permitirá a eleição directa dos presidentes das áreas metropolitanas.

a falência do bordel

27 Maio, 2016
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676488711fcd2bb11ee7c2db186b7d7fSó para não ir ao charco, a Caixa Geral de Depósitos – o banco que todos os portugueses pagam, mas de que muito poucos beneficiam – precisa da minudência de 600 milhões de euros, até ao fim do ano. O governo Costa está absolutamente empenhado em levar por diante essa patriótica missão, com o dinheiro dos contribuintes, naturalmente, já que o dinheiro que o governo tem – e usa – é, caso não saiba, única e exclusivamente, o seu e o meu.

Para o que interessa, fica a estranheza de ver falido, tal e qual a maioria dos nossos bancos privados, um banco público, que foi sempre gerido por abnegados gestores públicos, os tais que se não se movem pelos mesquinhos interesses dos Salgados e dos Rendeiros, mas pelo bem de todos nós. Na verdade, por lá passou a elite financeira dos nossos partidos, pessoas como Rui Vilar (PS), João Salgueiro (PSD), António de Sousa (PSD), Manuel Jacinto Nunes (?), Faria de Oliveira (PSD), Vitor Martins (PSD), Carlos Santos Ferreira (PS), que presidiram ao seu Conselho de Administração, não esquecendo outros talentos que lá tiveram elevados cargos, como Armando Vara (PS) ou Celeste Cardona (CDS).

A diferença entre a falência da Caixa e dos outros bancos portugueses que tiveram problemas nos últimos anos é que, nestes últimos, houve responsáveis e responsabilizados: Ricardo Salgado, João Rendeiro, Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, só para referir os mais mediáticos. Podem até os processos não dar em nada, mas, para já, nenhuma destas ilustres personagens ficou como estava. E na Caixa, quem é que responde pela falência do bordel?

Falácias sobre liberdade de escolha no ensino

27 Maio, 2016

Circula no Twitter um texto do Paulo Baldaia cheio de falácias sobre a liberdade de escolha. Aproveito para comentar:

Pela escola pública

Não vale desistir, mesmo quando já todos os argumentos estão esgotados. Por isso, aqui ficam algumas constatações para reflexão.
1 – Não existe liberdade de escolha. Mesmo os pais que colocam os filhos em escolas privadas, com contratos de associação, não estão a escolher, estão a colocar os filhos onde o Estado lhes arranjou vaga.

Liberdade de escolha está sempre limitada aos recursos disponíveis. Na região do Porto qualquer pessoa consegue encontrar 10 hamburguerias diferentes, com propostas diferentes. Mas não 100. Não quer dizer que por não haver 100 não há liberdade de escolha por as pessoa estarem limitadas às 10 que existem. Já escolas da rede pública há umas 50. O problema é que, tirando uma com contrato de associação, todas as outras 49 têm o mesmo modelo de gestão rígido e oferta pouco diferenciada entre si. Se há recursos para 50 escolas parece-me evidente que há potencial para haver escolha suficiente para todos ficarem satisfeitos.
Porque é que não há? Porque o modelo de gestão pública das escolas é demasiado rígido e desencoraja a concorrência entre escolas. Basta mudar o modelo de gestão das 49 escolas estatais e fazer com que entrem em concorrência pelos alunos.

2 – Quando o financiamento a esses pais é feito, havendo escola pública nas proximidades, o que o Estado está a fazer é a financiar uma empresa privada, desvirtuando a concorrência com as restantes escolas privadas.

É estranho este argumento. O Estado financia escolas estatais havendo outras escolas estatais nas proximidades. E como é óbvio isso desvirtua a concorrência dado que as escolas privadas não recebem igual financiamento. Portanto, se há preocupação com a concorrência, tem que se atacar o principal factor que desvirtua a concorrência: o Estado financiar apenas escolas estatais (e umas poucas associadas) que não cobram propinas.
Parece-me no entanto que, a partir do momento em que existem escolas públicas gratuitas, as escolas privadas ficam remetidas para o nicho das elites ricas. As escolas com contrato de associação, que têm obrigação contratual de aceitar todos os alunos, não podem competir nesse nicho e têm o mesmo efeito na concorrência que uma escola estatal.

3 – A liberdade de escolha, garantida pelo cheque-ensino, resulta sempre num desinvestimento na escola pública.

Num sistema de cheque-ensino a chamada “escola pública” são todas as escolas do sistema, sejam elas de propriedade estatal ou de propriedade privada. O dito investimento é no aluno e não na escola, que se torna irrelevante. O aluno escolhe a escola, quem tem que investir na escola são os respectivos stakeholders e não o Estado. O Estado já faz a sua parte investindo no aluno. As escolas têm que se esforçar para captar alunos.
Dito isto, as escolas “Mário Nogueira” terão dificuldade em adaptar-se? Sim, mas isso não é a “escola pública” num sistema de cheque-ensino. E de qualquer das formas terão pressão para se adaptar e melhorar, tendo acesso ao mesmo mercado de cheque-ensino que todas as outras.
Claro que o cheque-ensino é letal para o modelo Mário Nogueira de escola pública. Escolas estatais passam a receber um cheque por aluno que gerem como entenderem. Como o modelo é concorrencial, há pouca margem para aturar sindicalistas. Há que contratar bons professores, despedir os maus, melhorar as instalações e especializar a escola para atrair alunos. Portanto, o cheque-ensino é acima de tudo uma forma de melhorar as actuais escolas estatais. E no caso português haveria vantagens de aplicar o cheque-ensino apenas dentro da actual rede pública. Nem sequer seria necessário trazer as privadas para o sistema.

Note-se que as actuais escolas estatais funcionam mal, mas não é por falta de dinheiro.

4 – Com menos alunos na escola pública, o custo por aluno tende a aumentar para manter a mesma qualidade, sendo muito provável que haja uma deterioração da escola pública.

Se estamos num sistema de cheque ensino, cada escola recebe o mesmo por aluno. E todas as escolas poderão despender exactamente o mesmo por aluno. Por isso não se percebe como a escola pública (na verdade escola “Mário Nogueira”) deterioraria num mercado de cheque-ensino em que há escolas privadas com sucesso recebendo o mesmo por aluno. Só se se acreditar que uma escola estatal é por natureza menos competitiva, o que não me parece. Modelo de gestão das escolas estatais pode ser mudado para as tornar competitivas.

5 – Num cenário de livre escolha, com um aumento da procura, as escolas privadas aumentam substancialmente os seus preços, fazendo com que apenas as famílias de maior rendimento possam pagar a diferença entre o cheque do Estado e a exigência da empresa privada. Os mais desfavorecidos ficam de fora.

Num regime de cheque-ensino as escolas privadas que adiram ao sistema não podem aumentar os preços. O preço é definido pelo cheque e este é igual para todas as escolas, públicas e privadas. É proibido a uma escola cobrar um excesso pelo serviço contratualizado relativo ao cheque-ensino, precisamente para assegurar a todos os alunos as mesmas oportunidades.

6 – A liberdade de escolha com o Estado a pagar é uma questão ideológica, defendida com mais convicção pelos que acreditam que o pagamento de impostos deve ser feito, apenas, de acordo com o retorno dos serviços que o Estado presta. Essas pessoas não acreditam nas virtudes de uma cobrança progressiva (pagam mais os que ganham mais), nem na distribuição da riqueza como forma de tornar mais justa a sociedade de que todos fazemos parte.

Existem vários modelos de escolha da escola que têm sido aplicado em vários países que podem ser considerados social-democratas. Em nenhum desses modelos é eliminada a redistribuição de rendimento. Quer o modelo de cheque-ensino quer o modelo de contratualização (que lá fora se chama modelo de Charter Schools) são modelos redistributivos. Os impostos, que em todos esses países são progressivos, vão para um bolo comum e distribuídos equitativamente por todos os alunos, pobres ou ricos. A ideia de que a liberdade de escolha e a progressividade são incompatíveis é falsa.

Note-se que em Portugal existe liberdade de escolha na ADSE e o ministro da saúde anunciou recentemente que a vai introduzir no SNS. Ninguém diz que essa liberdade torna o sistema menos progressivo.

Escolas alternativas ao colégio de Lamas

26 Maio, 2016

O Ministério da Educação fez um estudo em que sugere quais as escolas públicas que vão substituir as privadas com contrato de associação. No caso do Colégio de Santa Maria de Lamas são propostas as seguintes alternativas, que eu indico com o respectivo ranking:

Para o básico:

Escola Básica de Paços de Brandão (ranking 801 no 6 º ano e 336 no 9º ano). Por comparação o Colégio de Santa Maria de Lamas está na posição 216 no 6º ano e 206 no 9º ano.

Para o secundário:

Nenhuma das escolas possíveis tem capacidade excedentária. No entanto o estudo sugere escolas com nível médio de ocupação:

Escola Básica e Secundária de Santa Maria da Feira (Posição 302 no secundário).

Escola secundária de Esmoriz (Posição 315 no secundário) – esta fica noutro concelho e provavelmente noutra rede de transportes (estudos feitos pelo Google Maps têm estas limitações).

O Colégio de Santa Maria de Lamas está na posição 256 no ranking do secundário.

Tesão de mijo

25 Maio, 2016

Fevereiro: Reposição de feriados aprovada. Veja as três “pontes” que ganha em 2016

Maio: Governo admite juntar alguns feriados aos fins-de-semana

E aos 16 anos pode mudar-se de escola?

25 Maio, 2016

Qualquer pessoa com mais de 16 anos deve puder mudar de sexo e alterar a sua identidade no cartão de cidadão. Este é o teor de um projeto de lei que o Bloco de Esquerda entregou no Parlamento, onde se fixa que o Estado deve garantir os procedimentos médicos necessários para a mudança de género, nem que tenha que contratualizar com o privado.

isto sim é uma agenda fracturante: em Portugal escolher a escola é um tabu. Seja escolher uma privada à qual o estado entrega o dinheiro que gasta na pública com aquele aluno seja escolher a pública que se pretende. Mas os mesmos que resistem a qualquer liberdade de escolha no ensino vêm agora defender a liberdade da mudança de sexo aos 16 anos. Nem sei como chegámos aqui sem essa liberdade para todos, todas, alguns, algumas…

Mas não acaba aqui a largueza de vistas do BE. Para a mudança de género o BE defende que se pode contratualizar com o privado.

Eu junto a esta proposta do BE uma outra para os todos e as todas que querem mudar de escola: aos 16 anos a Maria, que frequenta uma escola pública na Amadora, vai à conservatória e passa a Mário. Como na escola da Maria agora Mário o preconceiro vigora o Mário (ex-Maria) consegue entrar na José Gomes Ferreira, em Benfica. Falta durante uns tempos, volta a mudar para Maria  – ou só se pode mudar uma vez? – e fica com o problema da escola resolvido.

Enfim se para mudar de escola for preciso mudar de sexo, muda-se.

O que não muda mesmo é a loucura da cabecinha dos radicais.

 

A propósito do cartaz que coloca Mário Nogueira disfarçado de Estaline

25 Maio, 2016

Ocorre-me a seguinte dúvida: o PCP renegou o Estaline?

Outras leituras

25 Maio, 2016

Entre os colégios financiados pelo Estado há um com 27 escolas públicas próximas

Outras leituras:

1. Há 27 escolas estatais com 26 outras escolas estatais próximas. Mas nenhuma está a mais nem há redundâncias entre elas.

2. Em 28 escolas na mesma proximidade, 27 têm o mesmo modelo de gestão e só uma tem um modelo de gestão diferenciado. Adivinhem qual vamos retirar da rede pública?

3. Em 28 escolas da rede pública, aquela que tem mais procura vai ser retirada da rede pública.

4. De entre 28 escolas vamos tirar uma da rede pública, e o critério não é a qualidade de ensino.

5. De 28 escolas em concorrência entre si, não vamos retirar a que tem perdido mais alunos mas a que tem ganho mais.

6. Temos 27 escolas estatais e nenhuma consegue superar a escola associada pelo que vamos terminar o contrato de associação.

7. O modelo de gestão escolar não é suficientemente monolítico pelo que decidimos reduzir a diversidade.

8. Podem escolher entre 27 tons de cinzento. Se quiserem amarelo paguem propina (alem dos impostos que já pagam).

Quem explica a Marcelo que ele foi eleito Presidente da República e não rei dos microfones?

25 Maio, 2016

Marcelo anda por aí  a distribuir comentários sobre tudo e nada. Faz declarações absolutamente desconchavadas para um PR como estas:  “Não acho que o Governo vá cair” por causa das autárquicas;Quer Pedro Passos Coelho quer António Costa são duros e resistentes”; “O Governo dura uma legislatura, mas em Portugal há uma tradição de as autárquicas terem uma leitura nacional. Já houve vários casos“…

Ou seja, por um lado Marcelo faz considerandos sobre os partidos, o Governo e os líderes absolutamente desaustinados para um Chefe de Estado. Por outro lado  produz afirmações inenarráveis sobre os poderes presidenciais e o papel do Presidente:

Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da Repúblicas vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas. – Mas o que entende por “instabilidade” o PR: dar menos beijinhos? Falar sobre o país? Zelar pelo estado do Estado? E que destrambelho é esse do cliclo até às autárquicas?

“Depois das autárquicas, veremos o que é que se passa. Mas o ideal para Portugal, neste momento, é que o governo dure e tenha sucesso”. Mas o que vai ver o PR depois das autárquicas? E agora temos calendário para ter “instabilidade” a partir de Belém? Mas este homem mede o que diz? Tem noção? Sabe ao certo a que se candidatou?

Para mim sim, para os outros não

25 Maio, 2016

Tiago Brandão Rodrigues recebeu bolsas, oriundas do orçamento de estado, pagas com os nossos impostos, para estudar em países como a Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Agora, que se manifesta contra este tipo de financiamento a alunos, não faltando universidades portuguesas onde podia ter estudado, deve devolver imediatamente os valores recebidos, sob risco de não passar de um hipócrita sem carácter.

stalín e as marionetas

24 Maio, 2016
by

mw-102

Mário Nogueira reagiu ao cartaz da JSD, considerando-o um «insulto pessoal». E onde está o insulto? No facto de ser comparado a José Estaline, o que pode até constituir «uma falta de respeito para quem foi vítima desse ditador», segundo diz. É isto, não é?

Muito francamente, não nos parece que seja. Até porque é altamente improvável que os descendentes e contemporâneos de Soljenítsin se possam sentir incomodados com a graçola grossa da rapaziada da JSD, mesmo porque a troca de «ditadores» lhes teria sido, certamente, favorável. Nogueira não se devia ter em tão má conta.

Já Tiago Brandão Rodrigues, que está no lado direito do cartaz retratado como uma marioneta articulada pelo líder da FRENPROF, é capaz de ter motivos para estar chateado. Contudo, a isto, Nogueira nada diz. Porquê?

Suspeito que é assim que vos convencem a “defender a escola pública”

24 Maio, 2016

– Estou?
– Boa tarde, senhor Vitor Cunha, é com grande prazer que falo consigo. Está tudo bem com o senhor?
– Quem fa…
– Óptimo, é o que se quer, não é? Pois é, pois é.
– ..la?
– Olhe, deixe-me aproveitar esta oportunidade para lhe apresentar…
– Não est…
– …o novo cartão Crédibom…
– …ou inter…
– …sem qualquer anuidade ou desp…
– …essado.
– …esa de manutenção, podendo ainda receber pontos por cada…
– Adeus e boa…
– …compra efectuada nu…
– …tarde.
– …ma extensa rede de parceria…
– (clic)

Sinais exteriores de riqueza

24 Maio, 2016

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Segundo o Público, os sinais exteriores de riqueza do Colégio de Santa Maria de Lamas terão sido um dos motivos que levaram o ministério da educação a reduzir o número de turmas do colégio. E que sinais exteriores de riqueza são esses? A administração retira dinheiro para comprar Ferraris? Chove nas instalações mas a administração tem gastos sumptuosos em noteis de 5 estrelas? Nada disso. Os sinais exteriores de riqueza são as instalações que a escola proporciona aos alunos. Instalações que foram construídas ao longo de 25 anos. Durante esses 25 anos a escola recebeu o mesmo que uma escola pública semelhante receberia. Só que, pelos vistos geriu melhor o que recebeu. Não só presta melhores serviços de educação como conseguiu construir instalações com salas multimédia, laboratórios, salas de informática, laboratório de fotografia, piscina olímpica e campos de squash. Durante esses mesmos 25 anos, uma escola pública da mesma dimensão conseguiu, recebendo o mesmo, manter 10 horários zero. Conhecem alguma escola pública com piscina? Nope. Mas os professores com horário zero tiveram estes anos todos muito tempo para ir à piscina. Não se pode ter tudo.

luta de classes redux

24 Maio, 2016
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15.12-mario-nogueiraOs contratos de associação do estado com as escolas privadas, versão António Costa-Brandão Rodrigues, é última versão da luta de classes à portuguesa. A coisa funciona assim: «privados = exploradores, ricos e classe dominante» e «público = explorados, pobres e classe dominada».

Estes quadros mentais, que são típicos de boa parte da sociedade portuguesa, identificam o mérito privado com o roubo («O que é a propriedade?»…) e o domínio público com o altruísmo desinteressado, e explicam muito do fracasso do nosso modelo social e económico.

Na verdade, num meio onde progredir e obter lucro com o que se faz é visto de soslaio, por que razão se devem as pessoas esforçar, quando, ainda por cima, o estado supostamente nos garante o básico e, acima do basco, nos castiga com infindáveis impostos «redistribuidores»? Só se for para ter problemas e ter problemas é coisa de que ninguém gosta.

Só que, sem lucro não há capital, sem capital não haverá investimento e sem investimento não haverá empresas, emprego, prosperidade e bem-estar. Uma sociedade que desconfia da propriedade privada e cria toda a espécie de obstáculos a que ela se desenvolva, está a criar incentivos para o seu empobrecimento. É o que nos tem acontecido desde há muito, provavelmente desde o Doutor Salazar e da sua célebre lei de condicionamento industrial.

Na estória dos colégios privados o problema criado não foi económico, nem constitucional, muito menos moral. Foi ideológico e de luta de classes.

Não foi económico, porque está por provar que o estado gaste mais dinheiro com estas turmas do que com as suas e com os custos sociais para fechar aquelas. Uma gestão racional e prudente de recursos públicos teria, necessariamente, tudo isso em conta.

Não foi constitucional, porque em lado algum da Constituição se proíbe o ensino privado ou que o estado estabeleça contratos com essas escolas.

Menos ainda foi moral, porque a obrigação constitucional do estado não é a de assegurar que todos tenham acesso à educação pública, mas acesso à educação. No caso, o que seria lógico era os dois sistemas de ensino cooperarem, como fizeram durante anos, para garantir essa finalidade constitucional, a custos comportáveis.

O problema foi, portanto, ideológico, nos temos acima referidos.

Infelizmente, enquanto Portugal não perceber que é graças à cooperação e não à luta de classes que as sociedades progridem, continuaremos a não ir longe.

Adubar, regar, esperar

24 Maio, 2016

suicide5-249x225Ontem, no Prós e Contras, fugindo ao tema do momento – a embrulhada em que Costa se meteu com cooperativas de ensino com contratos de associação, irando milhares de famílias para gáudio das Catarinas e Jerónimos distribuídos pelos Twitters das repartições públicas que mandam no governo – Fátima Campos Ferreira tentava que o povo tonto que se dedica a votar na resposta de “sim” e “não” que o programa lança, votasse correctamente, para que não se encontrasse petróleo em Portugal sob risco de adiar a próxima bancarrota.

Achei belo e, inclusivamente, poético. Quando, há muitos anos, tínhamos a denominada silly season, as tontices a céu aberto estavam, mais ou menos, limitadas aos meses de Verão. Agora, os meses de Verão são um inesperado alívio da permanente intoxicação do grupo de agarrados, que nem com os anos de metadona da Troika deixaram de enaltecer a alegria da vida em permanente estado de ébria cognição.

Muitas pessoas estão preocupadas, mas eu não vejo motivos para preocupação: não há nada como sabermos antecipadamente e com toda a certeza tudo o que o futuro nos reserva.

Qual o nível de degradação a que tem de chegar um país sob uma ditadura de esquerda para que ela seja condenada?

23 Maio, 2016

En el gran hospital de Caracas no hay ni rayos X

 

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Em Portugal aconteceu e está a acontecer exactamente o mesmo. Mas à esquerda

23 Maio, 2016

Paulo Pedroso congratula-se porque a extrema-direita perdeu as eleições na Áustria. Em seguida faz uma interessante análise sobre o que aconteceu na Áustria esse país que  “a barreira entre a direita tradicional e a extrema-direita se quebrou, levando a primeira a segunda para o governo.”

Acontece até que o texto de Paulo Pedroso sobre a Áustria é também uma análise bem realista do que está a acontecer em Portugal. E sim nós também tivemso em risco de ver um radical na PR. É só adaptar

Em 2000, a Áustria/2015, Portugal foi o primeiro país europeu em que a barreira entre a direita tradicional e a extrema-direita/esquerda tradicional e a extrema esquerda se quebrou, levando a primeira a segunda para o governo. Hoje, foi também o primeiro país da Europa Ocidental em que essa extrema-direita/extrema-esquerda disputou umas eleições para ganhar a um candidato igualmente saído de fora dos partidos tradicionais.
Os sociais-democratas e os democratas-cristãos austríacos/socialistas portugueses têm razões para reflectir e os dos outros países da Europa também. Onde não virem que o mundo está a mudar ou não conseguirem acompanhar essa mudança, arriscam-se à irrelevância, mesmo que estejam no Governo

Modelos de sistema de ensino

23 Maio, 2016

Modelo estatal centralizado: Todas as escolas são do Estado e todos os professores são funcionários públicos. Existe uma lista nacional de professores ordenada por graduação. Os professores mais graduados escolhem a escola onde querem dar aulas. Os directores são escolhidos pelos professores, mas de qualquer forma todas as decisões importantes são tomadas pela burocracia do ministério da educação. Tudo está especificado em leis, decretos e portarias, que mudam todos os anos. Acesso dos alunos a uma escola é por alocação geográfica, podendo haver alguma concorrência entre escolas, se as direções regionais autorizarem. Como a concorrência entre escolas é mínima o poder dos sindicatos é máximo.

Modelo estatal misto: Igual ao estatal centralizado mas em que a burocracia faz contratos com escolas privadas em algumas localidades. Estas escolas privadas com contrato de associação têm ampla autonomia de gestão dado que recebem o dinheiro que podem usar pelos seus próprios critérios para contratar professores. Em algumas localidades há concorrência entre escolas de gestão privada e escolas de gestão pública. E o vencedor é quase sempre o modelo de gestão privada.

Modelo estatal municipalizado: Igual ao modelo estatal centralizado, mas ao nível municipal. Permite concorrência entre municípios. Pessoas podem escolher o município onde querem que os filhos.

Modelo de contratualização: as escolas pertencem a empresas, fundações ou associações, públicas ou privadas. Os professores são contratados pela escola. O Estado contrata a escola e monitoriza a qualidade de ensino e o nível de procura de cada escola. O Estado não contrata professores nem é dono dos edifícios. Escolas têm que se sustentar a si próprias podendo falir e fechar. Modelo pode incluir só escolas públicas, só escolas privadas ou pode ser misto. Concorrência entre escolas é total.

Modelo Cheque Ensino: O Estado atribui um cheque a cada aluno. A família do aluno escolhe a escola que entender, pública ou privada. Para participar uma escola tem apenas que respeitar determinados critérios mínimos. Escolas têm que ser ultraflexíveis, com capacidade para escolher os professores e tomar decisões de investimento em instalações. Para se chegar a este modelo é necessário primeiro autonomizar as escolas públicas pelo que este modelo só é possível de desenvolver a partir de um modelo de contratualização.

São estes os modelos, por ordem crescente de liberdade e descentralização e ordem decrescente de poder sindical e burocrático. Portugal tem actualmente o 2º mais centralizado e o governo está a esforçar-se para que se evolua na direcção do 1º mais centralizado.

Um país onde se fala ao contrário

22 Maio, 2016

Falar ao contrário implica treino diário. Esta semana treinámos os seguintes conceitos: opositor à guerra a que se chamava colonial, escola privada, barrigas de aluguer nas tribos urbano-chic (avanço civilizacional)  e nas tribos antigas (crime) e a diferença entre contestação e golpes. Para a semana há mais.

não vai acabar bem

21 Maio, 2016
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ng6834074Não há ninguém que possa gabar-se, em Portugal, de ter entrado em conflito com a Igreja Católica e ter ganho a guerra. O melhor exemplo talvez seja o da 1ª República, que todos sabemos como acabou. Mário Soares, um socialista muito avisado e prudente, conta, em fonte de que me não lembro de momento, e que não me apetece procurar, que uma das maiores preocupações que teve, após o 25 de Abril, foi não repetir os erros da República em relação à Igreja. E não repetiu, de facto. Pelo contrário, defendeu-a sempre que foi necessário, como no caso Renascença, dava-se bem com a padralhada (ele mesmo é um cura laico) e, que me lembre, não chocou com ela uma única vez. De António Guterres, católico fundamentalista, é escusado dizer seja o que for. Sócrates, para além do pitoresco caso dos crucifixos, que ele entendia mais como uma das suas muitas «causas fracturantes», do que uma quezília laica com a Igreja, também nada há a apontar. Por isso é que é estranha esta descontrolada zaragata do jovem Tiago Rodrigues tão enfaticamente apoiada por António Costa. É que não se vê o propósito da coisa, para além de, eventualmente, fazer um agrado ao Bloco, ao PC e àquele sujeito da FENPROF, cujo nome se não me ocorre. Um conflito, ainda por cima, que mexe seriamente no bolso da Igreja, coisa com que a instituição costuma embirrar. Não vai acabar bem. Para o jovem Tiago e o governo a que pertence, obviamente.

Pedir ajuda a quem sabe

21 Maio, 2016

Diz-nos Porfírio Silva, Secretário Nacional do PS e… é só, no seu pimpolho blogue:

Porfirio-Brasil

Percebe-se. Isto de se ter um governo com um programa que não recebeu mandato popular é caso de preocupação em qualquer sítio do planeta.