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Indivíduos não individuais e o medo da Liberdade

25 Abril, 2019

Paulo Tunhas, hoje no Observador, a colocar as coisas como elas são:

(…) Coloquem o indivíduo em lugar da matéria e o Estado a fazer a vez do espírito e têm lá tudo. Tudo o que mexa fora do Estado, tudo o que possa ser visto como criação de indivíduos autónomos e agentes livres, é visto como o resultado de um princípio diabólico que é preciso matar na raiz. (…)

(…) É aos indivíduos não individuais, constituídos por uma amálgama de propriedades abstractas, que a política da nova esquerda – a do Bloco e a do governo – se dirige.

(…) manifesta-se, entre outras coisas, na obsessão de legislar em todos os domínios possíveis, de modo a que a lei e os comportamentos humanos coincidam ponto por ponto, ao milímetro. Esta ambição, que equivale a uma excisão da imaginação nos seres humanos, destrói a liberdade individual, que passa certamente pela possibilidade de agir criativanente, longe da obrigação de coincidência estrita com as regras de comportamento encapsuladas nos mínimos mandamentos do Estado.(…)

25 de Abril sempre (sempre mesmo, já cansa)

24 Abril, 2019

Um daqueles lugares-comuns que se repetem por aí, como cogumelos selvagens debaixo da banheira que colocamos no quintal “para ser arrumada” quando “tivermos tempo”, é o de que a palavra ‘saudade’ é uma singularidade portuguesa. Reza o mito que em nenhum outro lugarejo desta esfera condenada às carências transcendentais dos seus habitantes há outra igual, outro alomerado de sons que transmita tão pastoral sentimento de ausência pelo irrepetível. Felizmente, tal mito é fake news*, porque, fora verdadeiro, tratar-se-ia de uma admissão pueril da capacidade única da Lusitânia para se enredar em entediante nostalgia por algo que nunca conseguiu apreciar na devida altura.

O 25 de Abril encaixa perfeitamente no mito da saudade. Andamos há quarenta e cinco anos com “Abril”, “os capitães” e “o fáxismo” na boca, brotando cravos como poesia naïf com sílabas que, há muito, mais se assemelham a verrugas.

Lá vão eles, mais selfie para aqui, mais discurso para ali, mais troca de cuecas para a big carriage acolá. Com gravata, sem gravata, despenteados ou com um Prince Albert dissimulado nas calças de terylene, graças a Deus que a televisão não tem cheiro para nos poupar à naftalina. É assim que se manifesta a ‘saudade’: não é através de uma nostalgia por algo que recordamos com afeição, é pelo prazer da exibição pública perante pobres transeuntes do pranto que torna o sofrimento da condição humana em característica exclusivamente adquirida e, em última instância, que alimenta esse mesmo sofrimento para dissimular o tão ansiado culto pelo masoquismo em indesejada maleita.

Como tudo que já foi o último grito, também a ‘saudade’ enjoa. É que se foi para isto, para carpir saudades que se fez o 25 de Abril, então já chega, já percebemos, avancem lá com isso e derrotem lá de uma vez o tal de “fáxismo”. De resto, repito: felizmente que a televisão não tem cheiro.


NOTA DE RODAPÉ
* Gostaram desta submissão ao jargão imbecil do nosso tempo?

A descida de impostos é sempre uma boa notícia, mas…

24 Abril, 2019

“Governo aprova taxa reduzida do IVA na eletricidade e no gás natural”

Descida do IVA de 23% para 6% no gás e na electricidade? O Natal chegou em Abril?

A medida entra em vigor a partir de 1 de julho, dia e que se passará a aplicar «a taxa reduzida do IVA de 6% no Continente e de 4% e 5%, respetivamente, nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, a uma parte do preço (componente fixa) devido pelos fornecimentos de eletricidade e de gás natural para os consumidores que, em relação à eletricidade, tenham uma potência contratada que não ultrapasse 3,45 kVA e que, no gás natural, tenham consumos em baixa pressão que não ultrapassem os 10.000 m3 anuais».

A “componente fixa” corresponde a menos de 22 cêntimos por dia na electricidade e a um pouco menos de 16 cêntimos por dia no gás (1). A descida do IVA afectará, por isso, uma componente das facturas que não ultrapassa 11,40 euros por mês, o que significa uma poupança inferior a 2 euros por mês ou a 24 euros por ano. Não cobre, sequer, os 34,20/ano (acrescidos de IVA) da Contribuição Audiovisual.

Por outro lado, se a medida abrange praticamente todos os consumidores domésticos de gás (até 10.000 m3 por ano), só os consumidores que não têm mais do que dois electrodomésticos ligados em simultâneo (até 3,45kVA) verão mudanças nas suas facturas de electricidade.

O governo estima ainda que a medida signifique uma “redução da fatura energética das famílias em 2019 de pelo menos 6%”. Sabendo que a medida só vigorará no segundo semestre de 2019, isto significa que, de acordo com as contas do Governo, a factura energética das famílias é de € 200,00 por ano (€ 16,67 por mês).

(1) valores correspondentes aos escalões máximos abrangidos pela redução.

A falta de coragem explicada ao povo e às crianças

24 Abril, 2019

Expresso anunciou que Marcelo Rebelo de Sousa vetaria qualquer lei de bases da saúde que impusesse o fim das parcerias público-privadas (as chamadas PPP) na saúde.

Ou melhor dizendo, Marcelo anunciou ao Expresso que vetaria qualquer lei de bases da saúde que impusesse o fim das parcerias público-privadas (as chamadas PPP) na saúde. Pressuroso o Expresso fez a notícia que Marcelo esperava.

Agora na RTP Marcelo veio corrigir a notícia que ele mesmo dera ao Expresso.

A minha opinião não é ideológica, é pragmática: uma lei que feche totalmente essa hipótese é uma lei irrealista. Nem me parece que haja alguém que pense em fechar totalmente essa hipótese, quer em relação ao setor social quer em relação ao setor privado. Hão-de existir situações em que a gestão pública integral do SNS não é possível”, lembrou Marcelo.

a) A minha opinião não é ideológica, é pragmática: uma lei que feche totalmente essa hipótese é uma lei irrealista

Moral da História: a esquerda tem direito à ideologia. A direita não. Quando muito pode invocar a realidade.

b) Nem me parece que haja alguém que pense em fechar totalmente essa hipótese, quer em relação ao setor social quer em relação ao setor privado. 

Moral da História:  Marcelo e o seu “parecismo” a salvar a pele própria e a dar uma ajudinha aos promotores desta lei  pois por residual que seja  ninguém vai “fechar totalmente” o papel dos privados.  A questão é mesmo essa: os privados existem nos interstícios daquilo que o público não faz?

c) Hão-de existir situações em que a gestão pública integral do SNS não é possível”, lembrou Marcelo.

Moral da História: Marcelo não tem coragem para enfrentar o Governo. Aprova tudo e mais alguma coisa porque, como ele nos explicará com os olhos fixos num ponto do infinito,  a lei não fecha totalmente a participação dos privados (Contra o totalmente claro ele seria contra. Ó se seria!) e na verdade “Hão-de existir situações”  em que os privados estão lá.

Amanhã se for necessário Marcelo dará uma entrevista à Renascença explicando que não se podem salvaguardar situações que hão-de existir mas que não se sabe quais são. Por isso embora a lei pareça que fecha totalmente o papel dos privados na prática não o fecha

Marcelo é isto.

 

Os pais da menina Greta não têm mais nada para fazer? Por exemplo, proporcionar à filha uma vida normal.

23 Abril, 2019

Há pais que nos moem a paciência com as gracinhas dos filhos. Avós que explicam com exemplos detalhados o que os leva a considerar os seus netos os mais inteligentes do mundo. Tias que não se cansam de exaltar a beleza das criancinhas da família… Já todos nós passámos por isto e já todos nós fizemos esta figura. Agora o despropósitos dos pais da menina Greta é que não tem explicação: andam com a menina a dizer aquelas coisas de festa de fim de ano escola perante, uma plateias imbecilizadas que reagem aos dizeres da criança como se estivessem diante de uma pitonisa. No entretanto a menina vai insuflando uns ares de sibila.

A menina Greta é uma menina como qualquer outra. E devia ter uma vida como qualquer outra.

um debate esclarecedor

23 Abril, 2019
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O debate, ontem realizado, entre os quatro líderes dos principais partidos políticos de Espanha – Sánchez, Casado, Rivera e Iglésias – revelou o estado cataléptico da política desse país: discutiram-se, quase exclusivamente, os possíveis pactos de governo, cientes todos de que nenhum partido alcançará a maioria absoluta, ou ficará, sequer, próximo disso. De facto, Casado e Rivera arrostaram às ventas de Sánchez as suas ligações aos independentistas catalães e a necessidade que terá de indultar os eventuais condenados do julgamento de Madrid para se manter num futuro governo; Iglésias encostou Sánchez às cordas perguntando-lhe se «pactuaria» com Rivera, a quem, por sua vez, chamou de troca-tintas em matéria compromissos de governo; Casado insistiu no perigo de Sánchez e Rivera se entenderem a seguir às eleições, ao que este jurou, pelas cinco chagas de Cristo, que jamais o faria, embora Sanchez não o negasse quando confrontado com essa hipótese; este, em modo de contra-ataque, ia alertando para a mais do que provável ida para o governo do VOX e de Abascal – os grandes ausentes da noite – se esse partido for necessário para uma maioria parlamentar com os dois outros da direita. Quanto ao mais, um Sánchez patético, entre sorrisos irónicos, silêncios comprometedores e um discurso oscilante entre a «igualdade de género» e o perigo do «fascismo»; um Casado francamente imberbe e muito superficial; um Rivera ao ataque, para ver se cresce nos votos que as sondagens lhe negam, mas melífluo q.b. quanto a futuros pactos de governo e um Iglésias decepcionante, porque excessivamente institucionalista e moderado, sempre com a Constituição nas mãos, ao contrário do que se  espera dele. Hoje há outro debate e no domingo veremos como ficará a Espanha: se com um rumo certo, se dividida e confusa como este debate. A probabilidade de vencer a segunda hipótese, e de se repetirem eleições a um breve prazo, é mais do que elevada.

A ler: A primeira semana do ano de 2020

23 Abril, 2019

Rui Ramos: Tudo está mais fraco. Durante quatro anos, o PS andou a fazer de radical e o PCP e o BE de moderados. Na oposição, o PSD esteve dois anos à espera do diabo, e outros dois à espera de um anjo que fizesse ver a António Costa que o seu verdadeiro parceiro era Rui Rio. Por isso mesmo, PCP e BE continuarão a ter razões para a geringonça. Mas também por isso mesmo, e como já ameaçaram a semana passada, terão igualmente razões para aumentar a pressão sobre o Orçamento, de modo provar que só eles fazem diferença. E nesse ponto, é possível que tenham, como já tiveram, a companhia de uma direita determinada em trespassar ao PS a fama de austeridade.

O DN descobriu como fazer enriquecer os países: aumentam-se os funcionários públicos

23 Abril, 2019

Governo arrecada 128 milhões de euros com aumentos da função pública

Preso no seu tempo

22 Abril, 2019

De nenhum livro de história do século XXII constará a taxa de IVA do país em que foi editado. Também não constará se o gasóleo subiu, se o imposto sobre os combustíveis era incomportável ou se o saco plástico proibido ao belga impediu o Oceano Índico de se fossilizar em ilhas de plástico. O que constará é que o século XXI foi aquele em que, mais uma vez, e ignorando os avisos do século anterior, se tentou reduzir a humanidade a um conjunto de decretos determinantes do algoritmo desejado para o comportamento dos humanos.

O “politicamente correcto” não é uma mera cortesia levada longe demais: é um método de redução da linguagem à forma mais primitiva possivel de raciocinio, o triunfo do instinto. O esforço levado a cabo para destruir o império cristão, com a conivência dos bárbaros paganistas chanfradinhos por leis e decretos, subvertendo a semântica vazia de “fake news”, que se são fake não podem ser news, obtiveram significado para o vazio das expressões por simbiose com o vazio da ética. Os vazios são assim: nada; o nada é, por consequência, todo igual na sua própria ausência de matéria.

Não há terroristas islâmicos: há terroristas brancos, da extrema-direita das “fake news”, ou há pessoas com perturbações. De resto, o que há são carros e bombas que matam, não há assassinos. Decreta-se de forma a que quem o desejar possa ser assassinado num hospital. Mas, o que é o querer? O que é o desejo? Na uniformização das pessoas, na igualdade, não há lugar a desejos que ponham em causa essa igualdade. Inventam-se doenças para caracterizar quem não partilha de um desejo, as fobias, como se querer preservar instituições como o casamento seja igual a ter medo de homossexuais. O medo combate-se, igualando, nivelando todos pela bitola do algoritmo. Não há diversidade, há igualdade, bem mais total do que parece por ser aferida com a linguagem do momento.

Por isso, parta para a sua auto-expressão: tatue-se, deixe crescer a barba, seja lenhador; recite mantras de aquecimento global e de fobias variadas, seja ecuménico porque tudo é igual a tudo e, assim, tudo vale nada; eutanasie-se. Seja a norma. Seja tudo o que de si esperam. Contamos todos consigo.

Há quem pense – ainda há – que o liberalismo está na moda. Não está. Já veio e já se foi. Agora resta isto, a ilusão de liberdade na igualdade.

E agora quem é que tira o véu?

22 Abril, 2019

Espera-se que no mundo muçulmano as mulheres comecem  a tirar o véu em solidariedade com os católicos do Sri Lanka.

Linda homilia de Páscoa no Porto

21 Abril, 2019

O bispo do Porto reservou a sua homilia de hoje para dizer tontices acerca do trabalho por turnos e a abertura dos supermercados e centros comerciais aos Domingos.

É uma lengalenga com muitos anos, mas o facto de ser antiga e lembrada num dia como o de hoje em que se celebra a transcendência e alegria da ressureição de Cristo torna a coisa mais disparatada e contraproducente para a re-afirmação da Igreja e cultura católicas na sociedade.

Diz o bispo Linda:

“De tal forma que fé em Jesus Cristo, crença na ressurreição, guarda do Domingo como dia absolutamente diferente e celebração festiva aglutinaram-se numa mesma unidade, qual marca identitária da cultura ocidental humanista.

Esta marca está a perder-se. E a perder-se em detrimento da dignidade pessoal e dos direitos humanos. Pensemos no novo esclavagismo da laboração contínua, «legalmente» imposta pelos novos senhores do mundo que dominam a economia e, por esta, os governos. Pensemos como os critérios dos «turnos», em sectores onde, para além da ganância, nada os justifica, a par dos graves transtornos psicológicos do trabalhador e do fracionamento dos encontros familiares, está a gerar a «morte do Domingo», o fim dos ritmos semanais, a abolição dos verdadeiros momentos celebrativos e o fracionamento da família e das relações de amizade. O mesmo se diga da abertura dos supermercados e dos centros comerciais ao Domingo, expressão de um certo subdesenvolvimento humano e mesmo económico. Enfim, está-se a gerar uma civilização fria, sem alma, individualista, sem profundidade de relações e até mesmo sem outros contactos que não sejam os da «realidade virtual».”

É justo referir que o actual bispo do Porto não pediu nesta homilia a intervenção do estado nem da legislação para proibir ou limitar o horário de funcionamento do comércio ou “regular” a organização da produção. Mas, atendendo ao que no passado já muitos outros membros do clero defenderam e à referência que faz a “países mais ricos” supostamente não abrirem supermercados ao domingo, indica que o bispo veria com muito bons olhos que tal acontecesse.

Gostava de lembrar a Manuel Linda que se os estabelecimentos comerciais estão abertos ao Domingo, é porque há clientes que os frequentam e daí terem funcionários a assegurar a operação de retalho. O bispo quer impôr através da força da lei dos homens aquilo que considera serem as boas prácticas dos fiéis? E quem não é cristão ou nem sequer tem fé, ver-se-ia confrontado também a tal restrição?

Já agora, que palavra de conforto teria o bispo para aqueles trabalhadores que deixariam de ter oportunidade de ganhar mais algum dinheiro para o seu orçamento familiar trabalhando ao Domingo? E às famílias dos trabalhadores que fiquem sem emprego pelas empresas perderem encomendas deixando de laborar em contínuo, o bispo vai-lhes levar pão para a mesa? E que tipo de celebração familiar entende Manuel Linda ser aquela dos desempregados que deixem de poder finalmente encontrar um turno de trabalho remunerado?

Com franqueza custa-me criticar a hierarquia da Igreja em tempos de narrativas politicamente-correctas que querem apagar qualquer referência à fé dos homens e finalmente “matar” Deus. Ainda por cima no dia em que se celebra a Páscoa…

Mas ver dirigentes católicos entrar em discursos deste tipo, com adjectivações deste calibre, sobre temas que pouco têm que ver com a Fé, faz-me urticária.

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*

Não há ódio. Não há autor. Não há motivo. As explosões explodem e as pessoas morrem.

21 Abril, 2019

O Expresso publica um texto que identifica como sendo da LUSA sobre os atentados no Sri Lanka. Enquanto que no ataque às mesquitas na Nova Zelândia logo surgiram termos como terrorista, ódio, racista e as vítimas eram identificadas como muçulmanos e imigrantes, no caso do Sri Lanka as explosões explodem, as pessoas morrem e o presidente apela à calma. Os católicos são fiéis.

«Explosões em Dia de Páscoa fazem mais de 150 mortos no Sri Lanka (atualizado)
Pelo menos 137 pessoas, entre as quais um português, morreram após uma série de explosões que ocorreram em três igrejas e três hotéis no Sri Lanka, de acordo com novo balanço avançado por fonte policial. O Presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, apelou hoje à calma depois uma série de explosões sentidas em três hotéis de luxo e três igrejas, onde muitos fiéis celebravam o Domingo de Páscoa.»

Não tinha de ser assim

21 Abril, 2019

Em 1974, 48 anos depois do golpe do 28 de Maio de 1926 que levou à instituição do Estado Novo, o país estava politicamente bloqueado, com as suas elites tratando da sua vidinha enquanto esperavam que os militares resolvessem o assunto. O assunto em questão era a natureza ditatorial do regime e o Ultramar.

Em 2019, as elites continuam tratando da vidinha, o país está novamente bloqueado, só não se sabe quem vai agora tratar do assunto. O assunto agora chama-se Estado Social. Ao contrário do que aconteceu com o Ultramar, deste novo cenário de guerra não podemos partir. Não há caixotes nem pontes aéreas que nos levem para fora do inferno.

A mim não me apetece pagar o ordenado a uma ministra que se comporta deste modo

20 Abril, 2019

Ps. Estas figuras no parlamento devem ser combinadas à mesa do jantar pelos veneráveis cônjuges

Porto do Son

20 Abril, 2019

Tenho andado por aqui. Pacífico, tranquilo, local de diluição entre as gentes e a natureza no minúsculo espaço fronteira entre o Céu e a Terra. Vê-se um restaurante no topo de um pequeno morro. Lá sustenta-se uma família que, sem esforço ou pretensão, celebra a Criação com vista para o Atlântico num polvo à galega. Há rochedos e uma piscina natural entre eles, característica dos recortes entre mar e costa, que a chance atribuiu aos galegos e não aos portugueses, que não saberiam disfrutar deles. Um pouco a norte, em Baroña, há um castro abandonado pelos seus habitantes enquanto Cristo era crucificado, cem para a frente ou cem para trás. Deste lado, com vista do restaurante, há o local onde, em 1968, Ramón Sampedro mergulhou para a agonia da consciência da condição humana. Morreria 29 anos depois, do outro lado da península, numa localidade situada em pequena enseada da Ría de Arousa.

Não há mesmo melhor do que uma sacanice para poder funcionar fraternalmente.

— Jorge de Sena in “No país dos sacanas”

Agora, 21 anos após a morte de Sampedro, este cu da Galiza a que se chamou Portugal prepara-se para o extermínio de velhos inconvenientes no serviço nacional de saúde. Também lhe chamarão “suicídio assistido”, porque a canalha chama o que quer ao que gosta de fazer. Um funcionário do estado devidamente habilitado pelo estado tratará de administrar droga letal “a pedido” enquanto liberta camas ocupadas por parasitas que só sacam, nada contribuem para aliviar a segurança social, aquela dotada de crises que já foram resolvidas para sempre inumeras vezes pelo primeiro dos Vieira da Silva que chegou ao governo.

Enquanto a malta se entretem com os -ismos, a ver qual tem pila maior, só um motivo me fará dirigir às mesas de voto nas legislativas: fazer a cruzinha no partido que melhor garantir que a “eutanásia” não é aprovada. Nenhum livro de história me mencionará, mas mencionará o que eu, como pessoa deste tempo, permiti que fosse feito. É que, tal como Ramón Sampedro, eu pretendo sair de cena com a consciência aliviada de deixar o mundo ainda habitável para humanos.

Continuam a achar que não se tem de falar na idade da reforma?

19 Abril, 2019

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) vai bater-se pela redução da idade de reforma. O reconhecimento da atividade como sendo de “desgaste rápido, para efeitos de reforma” é outra das reivindicações. Segundo o presidente do sindicato, a ideia é conseguir que cada quatro anos de trabalho com produtos químicos, seja convertido num ano de abatimento na idade de reforma.

Estas são as principais reivindicações que integram a proposta de Acordo Coletivo que o sindicato vai apresentar à associação empresarial.

 

«anos de chumbo»?

19 Abril, 2019
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«Anos de chumbo», os de «2004 a 2013», sr. professor? Os seus, só se foram de chumbo dourado.

250x

no país dos 600 € de salário mínimo

19 Abril, 2019
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«Paz Ferreira trabalhou com o antigo executivo com contratos que lhe deram um total bruto de 528 mil euros. Na presente legislatura celebrou contratos com o governo num total de 587 mil euros». Ninguém melhor do que um socialista anti-capitalista para apreciar a volúpia, quase sexual, do dinheiro.

Não é o Kevin Spacey nem é o Woody Allen, não tem interesse para #MeToo

19 Abril, 2019
The Telegraph

Os camaradas não estão mesmo habituados a não controlar as notícias.

18 Abril, 2019

Título anedota do ano: Combustíveis: Sociólogos alertam para aproveitamento político e excessiva mediatização

Os sociólogos são dois e chamam-se Manuel Carvalho da Silva e Elísio Estanque. Daí para a frente é ler e perceber como a liberdade de imprensa está longe de ser um adquirido

A propósito do discurso do ódio que não costuma ser tão odiado assim

18 Abril, 2019

Hafsa Askar, dirigente estudantil em França que se tem destacado pelo seu radicalismo e ódio à cultura francesa, escreveu isto enquanto Notre Dame ardia.

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E agora que estamos quase livres não é propriamente a liberdade, pois não?

17 Abril, 2019

Em menos de 24 horas

17 Abril, 2019

Portugal deixou de ser um país a descarbonizar, lutando para se declarar livre do petróleo para ver cada um dos seus cidadãos em luta pelo seu depósito atestado e com o PR a fazer doutrina ao defender o alargamento da requisição civil de modo a garantir o fornecimento de combustível aos milhares de pessoas que planeavam “passar a Páscoa com as famílias”. E, pergunto eu, porquê apenas aos que planeavam passar a Páscoa com as famílias? E os que planeiam ir em grupo aos  santos populares? E os ‘tadinhos dos ateus mais os que se dão mal com as famílias ficam de fora? E as idas à praia nas férias ficarão de fora desse alargamento da requisição civil por assim dizer a tudo o que nos dê jeito e sobretudo não belisque a nossa popularidade?

Vá lá riquezas, deixem-se de poses e tratem de nos explicar como chegámos aqui quando nos diziam estarmos no melhor dos mundos !!!

17 Abril, 2019

 

Da pantominice

17 Abril, 2019

Então não andam todos de bicicleta? E onde estão os tais milhares que trocaram o carro pelos transportes públicos graças ao menor custo dos passes? Segundo as contas do Expresso era um dito e feito: “Passes sociais retiram 40 mil carros de Lisboa por dia.” Menos de 24 horas de uma greve mostraram como o patetismo tomou conta do discurso sobre os transportes. É tudo um faz de conta.

 

Transporte de matéria perigosa

17 Abril, 2019

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não terá sido lembrança

16 Abril, 2019
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Vi o Sócrates, na TVI, no programa «A crise das nossas vidas», a dizer que só chamou o FMI, em 2011, porque os banqueiros se recusaram ao «dever patriótico» de comprarem mais dívida do Estado. É espantoso como este homem não se lembrou de a vender ao Carlos Santos Silva! Bem conversadinho comprava-a toda…

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Era o que faltava! Não acharam que ia ser um voltar de página?

16 Abril, 2019

Governo pondera demitir-se por causa dos professores. Fonte do PS diz que a possibilidade tem estado a ser discutida. Gabinete de Costa desmente, mas admite “elevada preocupação”

Ricardo Chibanga: “Sempre senti medo.”

16 Abril, 2019

Ocidente

16 Abril, 2019

Proposta para a reconstrução de Notre Dame

16 Abril, 2019

Sem palavras

15 Abril, 2019

 

a melhor notícia do ano

15 Abril, 2019
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Eis uma notícia fantástica! Graças aos denodados esforços do governo das esquerdas+Mário Centeno (cuja actuação não devemos confundir com a pureza de intenções do Bloco, muito menos do PCP), o investimento no Alojamento Local caiu 60%, em relação a anos anteriores. Isto quer dizer que o investimento na recuperação do património imobiliário das nossas grandes cidades cairá em igual proporção, ou até maior, se a isto adicionarmos as sábias medidas de agravamento do IMI, que aí se anunciam. Ora, quem passear pelas baixas do Porto e Lisboa, já para não falar nas cidades de média e pequena dimensão, constatará que pouco mais que 20% do seu imobiliário se encontra recuperado, podendo, a partir de agora, os indígenas locais beneficiar de um património desintervencionado, sem obras modernas, verdadeiramente castiço e típico da alma lusitana. Por outro lado, a queda do investimento no AL arrastará empresas de construção, turismo, restaurantes e mais uma quantidade de sectores da nossa economia que vinham a gerar emprego e riqueza graças aos idiotas que nele investiram. É, pois, graças a medidas sábias e inteligentes, como estas, que se prepara o país para enfrentar a próxima crise económica que aí vem a caminho. Uma vez mais, a culpa será da economia mundial e europeia. Nós fizemos tudo o que era possível para a evitar.

Senhores políticos, trabalhem vocês até morrer!

15 Abril, 2019

Não custa nada ser político e sentadinho no seu gabinete com ar condicionado, mobiliário ergonómico,  todo aperaltado com muito conforto e mordomias, decidir mais umas medidas austeras  sobre os destinos dos desgraçados dos portugueses que os sustentam. Não há dinheiro para cobrir o aumento da despesa pública? Afoga-se o contribuinte de impostos. Há défices crónicos por  má gestão pública? Afoga-se o desgraçado ainda mais em impostos. Há défice na Segurança Social? Põe-se o contribuinte otário a trabalhar até morrer! Isto é socialismo!

É demais. Andamos há anos nisto. O pesadelo parece não só não ter fim como se adensa a cada ano que passa. A idade efectiva da reforma que era em  1980 de 62 anos,   em 2013 passou  a 65 anos; em 2014 e 2015 a 66 anos; em 2016 a 66 anos e 2 meses; em 2017 a 66 anos e 3 meses; em 2018 para 66 anos e 4 meses; agora em 2019, será a 66 anos e… 5 meses!! Isto já é real e só no mandato da Geringonça, já contamos com 4 desses aumentos. Eis o que nos espera se não retirarmos o socialismo dos destinos dos portugueses:Idade de reforma e fator de sustentabilidade veja as projeções – ECO(Fonte Jornal Eco)

O cidadão não tem culpa das irresponsabilidades governativas de todos os que passaram pelos governos. Não têm! Trabalhou, descontou e confiou no Estado. Quem cuida da gestão desse dinheiro é que tem muita responsabilidade pelo estado das contas da Segurança Social.

Porque não foi o contribuinte que investiu em fundos especulativos como denunciou o Observador: ” O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), onde se concentra o dinheiro que pagará, no futuro, as pensões, perdeu 18,6 milhões de euros devido à falência de um dos principais investidores, a Finpro, diz hoje o Correio da Manhã na sua edição impressa. A empresa era, de resto, uma das maiores devedoras da Caixa Geral de Depósitos, que com a falência da Finpro perde igualmente uma quantia considerável de 23,8 milhões de euros, já que detinha 17,2% da empresa. O FEFSS detinha 10% da Finpro, daí ter perdido menos do que o banco.”

Também não foi o contribuinte que determinou que houvesse políticos a receber reformas vitalícias ao fim de 8 anos de “serviço” que vão custar em só 2019, 7,17 milhões. Apesar desta medida ter sido revogada em 2005, não teve efeitos retroactivos o que permitiu uma corrida às pensões dos que já tinham 8 anos acumulados até 2005 (inclusive). Segundo o DN “(…) em 2009, com as reformas de 383 deputados foram gastos mais 3,5 milhões de euros (um total de 8,5 milhões de euros) do que com os 22 311 pensionistas que ocupavam o então escalão mais baixo de reforma (até 227, 39 euros).” Neste grupo  estão não só deputados, mas também presidentes de autarquias que a podem requerer. Contam-se 117 presidentes de câmara com este “direito”. Há ainda políticos a acumular estas subvenções vitalícias com outras pensões que recebem de organismos públicos e privados.  A lista é extensa e continua a crescer por efeito retroactivo. Em 2016 eram 330 nomes mas  agora não podemos saber quantos são porque  o Governo de António Costa continua por decisão unilateral a esconder a lista.

Nem tão pouco é culpa do contribuinte haver reformas milionárias para as quais não houve total cobertura com contribuições. Reformas obscenas suportadas também  pela Segurança Social.

Muito menos é culpa do contribuinte a Segurança Social ter pago 4 milhões de euros em pensões de sobrevivência e de direito próprio a beneficiários já falecidos há mais de 10 anos ou  dar subsídios a quem não precisa deles.

Portugal é dos países mais defraudados que existe nesta Europa e só não está pior porque anda ancorado à UE. Vive na ilusão de que é “rico” e “próspero” quando na verdade não aguenta sequer uma “constipação” financeira. Por isso temos ao contrário da insultuosa  propaganda socialista, as contas viradas do avesso que penalizam sempre os mesmos: o povo indefeso.

Não é a idade da reforma que tem de subir. É a gestão da Segurança Social que tem de ser reestruturada. De raiz. Acabar com um sistema que permite ser politizado, roubado, saqueado por outro transparente,  mais  justo e eficaz que assegure o seu propósito: devolver em fim de vida o dinheiro entregue pelos contribuintes e dar protecção social, sem criar dívida para as gerações seguintes. 

A Suécia, como informa a FMS,  “é um sistema de repartição como o nosso. É pago pelas contribuições dos trabalhadores e empregadores, mas a pensão é calculada como se estivesse num PPR virtual”, explica Amílcar Moreira. O sistema assenta em contas nocionais – não é possível saber hoje o nível de pensão que se terá no futuro – e integra três pilares: uma pensão-base, para a qual se contribui; uma pensão garantida que complementa a primeira quando esta é demasiado baixa; e uma pensão premium, privada, de carácter obrigatório.” Aqui, cada um receberá não mais nem menos do aquilo que pagou ao longo da sua vida. É uma pensão de velhice em função da esperança de vida da geração a que pertencem e é calculada com base numa taxa de contribuição fixa e nos salários auferidos, pela remuneração anual das contas individuais a uma Taxa Interna Retorno do sistema (nocional). As pensões são actualizadas automaticamente  e de forma igual para todos. Apesar da natureza individual são regimes de seguro social de protecção contra os riscos de velhice, morte e invalidez. O sistema pode ser complementado desde que  asseguradas por fontes de financiamento externas para não criar dívida às futuras gerações (Fonte artigo de Jorge Miguel Bravo no Público)

Este sistema  já é adoptado também pela  Polónia, Letónia, Noruega e Itália bem como muitos outros países e assegura  equidade intergeracional e sustentabilidade financeira.  Ora, por que razão Portugal, governado desde sempre pelo socialismo e social democracia, foge a sete pés de um sistema que permite justiça, equidade e fim do endividamento? Simples: porque não permite eleitoralismos e populismos à conta da Segurança Social.

 

 

 

 

Como é que a Lusa prova isto?

15 Abril, 2019

A Lusa criou um site designado combatefakenews.lusa.pt  O combate passa por publicarem uns textitinhos mais ou menos institucionais em que invariavelmente aparece o seguinte parágrafo:

«As ‘fake news’, comummente conhecidas por notícias falsas, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro

Após ter lido esta litania em vários textos da Lusa
‘Fake News’ são “mais um desafio” do que um perigo
Regulador da Comunicação propõe criar lista de sites e sugere sanções
“Os Verdes” defendem “comunicação social plural e contraditória”
Alemães defendem ação rápida das autoridades contra notícias falseadas

Venho solicitar que a Lusa dê exemplos dessa utilização de notícias propositadamente falseadas nessas campanhas eleitorais e por quais candidatos. Ou pretenderá a Lusa que as fake news só são um problema quando o resultado das urnas não confirma os vencedores que a Lusa considera correctos?

Continuando com a campanha eleitoral que não é noticiada

15 Abril, 2019

proetarras-san-sebastian-vox

Em Portugal as agressões e insultos oas militantes do PP, Ciudadanos e Vox nesta campanha eleitoral não têm sido notícia. A fotografia mostra um simpatizante do Vox, partido de extrema-direita segundo a nossa imprensa, a ser esclarecido sobre as desvantagens de ir a comício por aqueles que a nossa imprensa chama activistas e democratas

É só para dizer que está a acontecer uma campanha eleitoral em Espanha

14 Abril, 2019

 

Chamem-se como quiserem mas façam alguma coisa!

14 Abril, 2019

A direita é em Portugal um problema poético: um sujeito lírico que não sabe o que é; pede desculpa por aquilo que nunca foi e lastima o que não pode ser. A primeira coisa a ter em conta quando se fala da direita é que a direita além de falar de si mesma, do que é, do que deveria ser, do que já foi… não deve falar de mais nada. Ou seja deve abster-se acerca da realidade. Inibir-se na apresentação doutras propostas. Enfim, autolimitar-se enquanto alternativa de poder. Afinal para isso já cá está a esquerda, não é?

Gestão de expectativas

13 Abril, 2019

Tancos_recortes

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a moral e a ética não se legislam: praticam-se

13 Abril, 2019
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Trigo Pereira, um dirigente socialista que, por vezes, tem assombros de sensatez, sugeriu, no Público de hoje, que se fizesse uma lei onde se impedissem «os dirigentes» políticos «de intervir nos procedimentos de nomeação de cônjuges, pais, filhos, irmãos ou afilhados». Esta não é, claramente, uma ideia sensata.

Não o é, desde logo, porque nenhuma lei do mundo poderá definir utilmente, isto é, para os fins por ela supostamente pretendidos, o conceito de «intervenção» Trata-se de apor a sua assinatura no despacho de nomeação do parente? De fazer uns telefonemas aos colegas ministros para ver se lhe tiram a mulher de casa ou se arranjam alguma coisa para entreter o seu jovem infante desempregado? De pedir à sua amante, por sinal chefe de secção de um qualquer ministério, no doce remanso do vale dos lençóis, que lhe contrate a prima?

Moral da estória: o positivismo legislativo e o socialismo ideológico costumam andar sempre de braço dado. Acontece que ambos ignoram, quase sempre, que a ética e a moral não se legislam: praticam-se.