Um Bom Líder Não Procura Consensos Com Costa
É um erro gigante procurar consensos com gente que não tem feito outra coisa senão demonstrar todos os dias falhas de carácter. Pessoas que mentem, escondem, manipulam e ainda fingem estar do lado do cidadão. Pessoas que nitidamente demonstram que vêm só para satisfazer seu ego (e o dos familiares e amigos). Mas apesar de todas as evidências, há quem pense que pode haver consensos junto de pessoas que traíram adversários. Que pisam tudo o que aparece pela frente sem escrúpulos. Não se trata de ideologias, mas de carácter. Desculpem, mas isso não faz sentido. A menos que… Bem, adiante.
Qualquer indivíduo correcto e determinado a corrigir o que vai mal em Portugal nunca pode aceitar misturar-se com este tipo de pessoas. Gente com ética, no mínimo, sente náuseas do que andam a fazer a esta Nação não aceitando outro caminho senão fazer uma forte oposição para erradicar esta classe política do compadrio e embuste como quem extermina ratazanas. Mas onde está essa oposição? Tirando o CDS, para já, ninguém. O que é preocupante.
De repente temos a união política maior de sempre em sintonia com esta (des)governação . Ou seja, pouco importa que os três metralhas em quase 3 anos tenham feito crescer a dívida pública, que as instituições do Estado estejam em falência técnica, que os números do défice sejam martelados, que haja um falso excedente de contas derivado à suspensão total de pagamentos a fornecedores, que o crescimento da economia seja apenas fruto do surf em cima da onda positiva da UE sem qualquer mérito do Estado português, os números do desemprego serem um embuste fabricado. Não. Não interessa mesmo nada. O importante parece ser o consenso. Neste caso, consenso com quem nos encaminha para a ruína, de novo. Mas o que é isto?
Gente séria na oposição estaria a gritar alto seu nojo por um governo assente em esquerdas que pouco se está lixando para os contribuintes. Governo esse que ama tanto seu povo que aumentou barbaramente todos os impostos possíveis e inimagináveis e ainda criou outros chamando-lhe “fim de AUSTERIDADE” gozando com a cara dos cidadãos!! Que algema a economia quando taxa e condiciona ainda mais o Alojamento Local, o arrendamento, a poupança, o imobiliário, os combustíveis, as portagens, as empresas!! Que falhou criminosamente na sua obrigação de proteger as populações e as deixou a morrer sozinhas carbonizadas. Que depois falha no seu dever de indemnizar deixando-as outra vez sozinhas (as que sobreviveram) a aguardar por um dinheiro que nunca mais chega, enquanto agonizam. Que agora põe a população inteira sob ultimato para limpezas de terrenos fragilizando-as ainda mais. Que desvia fundos da UE destinados ao interior, levando-os para os “amigos do litoral”. Mas que no entanto, souberam auto-aumentar-se, auto-empregar-se, auto-reformar-se de forma milionária, auto-financiar-se partidariamente às custas das dolorosas medidas impostas ao povo. Como pode haver consensos com este nojo de gente que põe os portugueses a passar sacrifícios já DEPOIS da recuperação económica pós-troika, para eles viveram desafogadamente fingindo governar?
Pois eu tenho uma teoria: quando se procura consensos com gente “desta categoria” quer-se uma fatia de bolo em vez de corajosamente ir à luta pela higienização do Parlamento. É o medo de liderar sozinho um caminho que se sabe ser difícil mas correcto. É a falta de coragem de pegar o touro pelos cornos e por isso preferir “poucochinho garantido” à hipótese de perder. É a cobardia a falar mais alto.
Porque um bom líder daria um valente murro na mesa. Não teria medo de pronunciar um estrondoso “chega pra lá que aqui vou eu” carregado de convicção nas alternativas a uma governação que promove bancarrotas e ilude só para ter votos.
Assim, jamais vão acordar os abstencionistas e ainda vão ganhar muitos mais. Enquanto isso, a estratégia de Costa soma e segue com ele a esfregar as mãos por ter enganado mais um sem coluna dorsal a juntar aos outros dois idiotas úteis que ele mantém bem “amordaçados”.
Adenda: actores, apresentadores de televisão e humoristas também vão deixar de publicitar produtos de beleza e farmacêuticos além dos inevitáveis bancos e empresas de telecomunicações?
Eles vão fazer de conta que nunca viram o drag kid
Phantom Thread
Hoje é noite de Oscars. Isto é digno de post porque, pela primeira vez, há um filme a competição sobre Portugal.
Phantom Thread (2017) de Paul Thomas Anderson apresenta uma história de amor abusiva entre um povo (representado por Daniel Day-Lewis), povo artista/génio que só funciona de forma frenética e mediante rituais sociais fixos, e um inevitável governo socialista (representado por Vicky Krieps), que o envenena para ciclicamente o tornar suportável antes do processo frenético reiniciar.
Gostei muito e tenho a certeza que o António Costa também gostaria se conseguisse seguir as legendas.
A ler
A Porta da Loja colocou este texto de leitura mais que recomendada. A máquina fiscal transformou-se num poder absoluto

O primeiro já passo foi dado
Em Lisboa não se morre
Sempre que se coloca a possibilidade de se construírem capelas funerárias temos polémica e invariavelmente nessa polémica surge o argumento do trauma das crianças. Agora é em Telheiras. Já foi em Alvalade… Enfim em Lisboa não se morre. Ou pelo menos não se morre em alguns locais porque naqueles em que já existem capelas mortuárias estas e os seus mortos convivem sem problema algum com escolas, cafés, paragens de autocarros, lojas de roupa, padarias, jardins de infância cheios de vivos. Num caso até que conheço bem de um lado do edifício estãs as crianças e do outro as ditas capelas. E até agora nunca houve trauma algum.
Mas enfim para as criancinhas não se traumatizarem o melhor será doravante e para o futuro ninguém morrer assim de forma desregulada quando calha. As pessoas depois da intervenção da morte assistida – ou derradeira liberdade como lhe chama uma daquelas manas cujo pai segundo elas fazia atentados a brincar e nessa por assim dizer brincadeira proporcionou ele e os seus amigos morte assistida por bala a um pobre que teve o azar de se cruzar entre o referido paizinho + amigos e respectivos intentos. Mas deixando de lado esta ditosa família voltemos às vantagens de uma nova política para a morte: depois de devidamente assistidos somos de imediato reduzidos a cinzas e pronta e higienicamente empacotados e minimizados. Depois nesse discreto preparo lá se fará a passagem do embrulho para a família que coitadinha a par das criancinhas é poupada ao trauma da morte.
O que tu queres, sei eu!
A Nova Reforma Agrária Está em Marcha
Quando um Governo, seja ele qual for, depois de anos consecutivos a fechar os olhos a uma legislação que é de 2006, dá um ultimato às populações para no espaço de um mês, cumprir com a limpeza dos terrenos ou ter avultadas multas para pagar, não está a zelar pela prevenção aos incêndios, está a pôr em marcha uma reforma agrária ao estilo do PREC.
Porque sabemos todos que a maioria dos privados com terras são gente idosa que vive sozinha, com parcos recursos que foram herdando e investindo em terras para dali criar seu próprio sustento. Que por outro lado, metade do país ardeu tendo deixado proprietários sem nada da noite para o dia e como se já não bastasse, ainda nem sequer foram indemnizados pelo Estado que faliu negligentemente no seu dever de protecção. São gente sem meios imediatos que se não forem ajudados, serão obrigados a abandonar suas terras. Tal e qual como no Verão Quente mas desta vez, sem violência.
Se assim não fosse, ao invés dum ultimato, fariam antes um pedido às Juntas Freguesia para fazer um levantamento das intervenções a fazer. Incumbiriam essas mesmas autoridades locais a proceder às limpezas para cumprir o prazo e depois, com mais tempo, identificar os proprietários em dificuldades, apoiá-los financeiramente e aos restantes, apresentar a conta dos serviços à cobrança. Assim, o Estado que se diz social, estaria a fazer prevenção séria e não saque oportunista às terras alheias. Um Estado que apoia gente que não trabalha, porque não pode apoiar quem detém floresta e paga IMI?
Já se previa que isto ia acontecer quando os partidos que compõem este Governo se juntaram para discutir a posse compulsiva dos terrenos “abandonados” após os incêndios de Junho 2017 justificando com a necessidade de avançar com a reforma florestal. Ironia das ironias, mal sabiam que meses mais tarde seria o próprio Estado a estar na berlinda ao deixar arder o Pinhal de Leiria, provando ele próprio ser irresponsável e incumpridor da lei. Em que ficamos? Podemos nós privados à luz do que pretendem aplicar ao povo, apropriar os terrenos do Estado que são a maioria no país e todos eles ao abandono? Claro que não! Aqui em “Portugalzuela” a lei quando é feita não se aplica ao Estado que nunca a cumpre e muito menos é responsabilizado por isso. Somos uma “Venezuela da Europa” governada por comunistas, estão a ver? Eles podem tudo, nós nada.
E claro, como não podia deixar de ser, a medida já começou a ter os efeitos pretendidos: muitos proprietários estão a oferecer as terras às Juntas de Freguesia. Querem melhor PREC que este, sem armas e sem sangue? É ou não é este Costa marxista melhor do que a encomenda?
O plano que se iniciou com a mudança de todas as chefias da ANPC para boys incompetentes, depois se prolongou com a falta de socorro comprovada do Estado em Pedrógão Grande no Relatório do Professor Universitário, Xavier Viegas e se repetiu em Outubro para consumir no total cerca de metade do país, juntou-se agora o ultimato das limpezas. Enfim, o plano perfeito para o Estado tomar conta da floresta e oferecê-la aos lobbys do costume, aos amigalhaços de sempre. O tempo dirá brevemente o que esconde estas políticas.
Sem surpresa num país que está no TOP do mais corrupto da UE e único a ser governado com comunistas.
E entretanto
28 de Fevereiro: Nouvelle agression antisémite d’un adolescent dans le Val-d’Oise
29 de Janeiro: Agression d’un enfant juif : à Sarcelles, le malaise croissant de la «petite Jérusalem
12 de Janeiro: agression au couteau d’une jeune fille juive
…
uma dúvida
Ao fim de muitos anos a seguir, ouvir e tentar entender esta senhora, ainda não consegui perceber como é que alguém que conjuga o singular com o plural e o plural com o singular consegue manter-se viva, por tanto tempo, no espaço público.
Nova tentativa de assalto

Parece que se prepara uma nova tentativa de assalto.
Eu já aqui tinha comentado a ladroagem piolhosa dos partidos. Mas como aprendemos todos das séries e livros policiais, o criminoso volta sempre ao local do crime.
Os nossos políticos sabem bem que imposto é roubo. Por isso estão tão empenhados em conseguir isenções ficais para as suas agremiações.
*
Animais e bestas
Como qualquer um que não é funcionário público ou não ganha o suficiente para aceder a hospitais privados sabe, o Sistema Nacional de Saúde está um caos. A dívida a fornecedores continua a aumentar, causando os respectivos problemas de fornecimento. Em Faro, os médicos têm sofrido pressões para dar altas precoces devido à sobrelotação. Em Vila Nova de Gaia, doentes passam dias em macas nas urgências à espera de lugar. Adultos com diabetes continuam sem acesso a bombas de insulina de última geração. Segundo o tribunal de contas, a situação do Sistema Nacional de Saúde é extraordinariamente débil. Perante esta situação, os representantes dos eleitores de Lisbolalaland decidiram recomendar a construção de um novo hospital público… para cães e gatos. No fundo, faz sentido que num sistema de saúde em que se trata pessoas como animais, se comece a tratar animais como pessoas. Segundo a deputada do PAN (que conseguiu convencer todos os malucos que se sentam na Assembleia Municipal, incluindo os do PSD e CDS que já têm experiência suficiente para ter juízo), “os animais têm vindo a assumir uma importância crescente no seio familiar”. É verdade. Os animais são baratos, crescem e ficam autónomos mais depressa do que os filhos. Faz todo o sentido não só apadrinhar esta mudança demográfica, como subsidiá-la. Só faltou sugerir que, à falta de dinheiro, se feche a ala pediátrica do Santa Maria para dar espaço ao hospital público veterinário. O próximo passo é transformar as escolas primárias fechadas em centros de dias para animais e dar abatimentos fiscais por cada animal doméstico. Se as pessoas crescentemente substituem filhos por cães e gatos, é normal, na cabecinha desta gente, que o estado vá atrás e subsidie este comportamento. Pelo menos, estas prioridades dão votos.
A realidade versus a grande burocracia
José Pedro Anacoreta: De acordo com o artigo do Jornal de Negócios, o Governo refere que apenas estão abrangidos pelo Banco de Horas Individual cerca de 0,9% dos trabalhadores, correspondendo a pouco mais de 23 mil pessoas em todo o país (dados de 2016). Uma análise superficial levar-nos-ia a concluir que o Banco de Horas por acordo individual tem pouca expressão. Acontece que, qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento da realidade, percebe que este indicador tem de estar errado. Ninguém sabe qual o número real, mas será seguramente várias vezes superior àquele que é indicado pelo Governo.
Qual é a origem do erro?
Estes dados resultam da informação fornecida nos mapas de quadros de pessoal, que consistem em informação prestada pelas empresas de forma administrativa através do preenchimento de extensos formulários. No caso específico dos instrumentos de flexibilidade, estamos a falar de uma questão com 12 opções de resposta distintas. No entanto, esta questão não permite respostas múltiplas. Se um trabalhador estiver abrangido por dois ou mais regimes de flexibilidade, o que é o mais comum, a empresa só pode optar por uma resposta. Normalmente, as empresas optam pela primeira opção aplicável. Como o banco de horas está em sétimo lugar, normalmente as empresas só preenchem este campo quando nenhum dos anteriores é aplicável. Prova disso é o facto de a primeira opção merecer mais de metade das respostas. E assim se constrói um indicador que não indica coisa alguma!
29.02.2004
É provável que haja hoje leitores do Blasfémias que não tinham ainda nascido quando foi escrito o primeiro post. Tal como há governantes e deputados que ainda não tinham direito de voto, géneros que ainda não tinham sido inventados, campeonatos europeus e festivais da canção que ainda não tinham sido ganhos ou processos judiciais que ainda não tinham sido iniciados.
O Facebook fora fundado no mesmo mês e ainda não era conhecido por cá. O Twitter ainda não existia.
Os motivos para a criação do blogue, porém, nunca deixaram de ser actuais: a defesa apaixonada da liberdade continua a ser uma blasfémia.
Lembram-se quando a Rodésia/Zimbabwe era uma potência agrícola?
Manifesto Anti-Passos Coelho

Um espectro ronda a academia portuguesa – é o espectro de Passos Coelho. Desde que os jornais anunciaram que o ex-líder do PSD se vai dedicar a dar umas aulas na área económica em universidades, logo surgiram indignados, da torre de marfim onde costumam passar os dias, os académicos mais puristas.
Concordo com as críticas e com a indignação. Como é que um indivíduo que nos últimos anos não fez nada de relevante a não ser liderar o governo durante um dos períodos mais difíceis da história recente e retirar o país da situação de bancarrota em que se encontrava pode ter a pretensão de transmitir conhecimentos a alguém? É para isto que os nossos jovens estudantes pagam propinas? Para ouvirem falar de economia alguém que foi apenas responsável máximo pela administração de 50% do PIB da pátria?
O ensino superior não deve ser tratado desta maneira. Está repleto de professores de Gestão de Empresas que nunca trabalharam em nenhuma, professores de Direito Fiscal que não sabem entregar o seu próprio IRS e professores de Liderança a quem nem os caniches que têm em casa obedecem, mas isso não faz mal nenhum desde que sejam Doutores – por extenso, com maiúscula, e de Borla e Capelo coloridos. O que vale o “saber de experiência feito” de que nos falou Luís de Camões quando comparado com a imponência de um belo chapéu de estilo otomano, símbolo incontestável do perfeito domínio das normas de citação e das notas de rodapé? No tempo do Senhor Professor Doutor António de Oliveira Salazar, em que havia rigor e respeitinho nas universidades, esta pouca-vergonha certamente não aconteceria.
Os académicos mais puristas devem rejeitar dissimular as suas perspectivas e propósitos, e declarar abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pelo derrube violento deste estado de coisas. Pode a classe dos sans-doctorat tremer ante uma revolução académica! Nela os Ph.D. não têm nada a perder a não ser as próprias grilhetas, e têm um mundo a ganhar. Académicos puristas de todas as universidades, uni-vos!
E assim estamos
O cenário
Fundamental ler este artigo de Hoje, por boas razões — vivemos todos melhor porque não vivemos quase todos da terra, como na altura —, em boa parte as elites têm uma percepção de um mundo rural que é essencialmente a de um cenário que existe naturalmente, sem gestão quotidiana e dura.
Mesmo quando se esforçam por conhecer as fileiras económicas que gerem o mundo rural, grande parte das nossas elites tem uma grande dificuldade em compreender que a gestão de fazemos do território é, essencialmente, uma luta constante contra a evolução dos sistemas naturais.
Um bom exemplo é o artigo de Manuel Carvalho, no PÚBLICO de 23 de Fevereiro, “Foi você que pediu a limpeza das matas?”, em que se defende a paranóia que tomou conta do actual Governo em matéria de “limpeza” de matas.
O argumento central do artigo é: “Os que andaram nos meses do estio do ano passado a lamentar a incúria dos proprietários ou a negligência das autarquias não podem por isso agora dar o dito pelo não dito e culpar a lei por ser imperfeita, danosa ou megalómana. Na vida das nações há prioridades e uma das maiores prioridades de Portugal é fazer tudo para que o Verão de 2017 fique confinado à memória de um pesadelo que não pode acontecer nunca mais.”
Talvez valha a pena dar uns passos atrás para tentar explicar por que razão a lei é evidentemente danosa e, mais que isso, uma demonstração de que é mesmo com o fogo que este Governo está a brincar.
O padrão de fogo que temos hoje resulta, essencialmente, da acumulação de combustíveis — matos, folhada, ervas, cascas, troncos — em consequência do abandono rural e das transformações dos processos produtivos, com especial destaque para a substituição dos estrumes por adubos.
Este processo de acumulação de combustíveis é um processo natural, acontece no terreno de qualquer pessoa, e responsabilizá-la por isso seria o mesmo que responsabilizar os agricultores por ter chovido pouco este ano e, portanto, os terrenos estarem a contribuir pouco para alimentar as barragens.
O que as actuais elites têm mais dificuldade em perceber é que, ao contrário da base da regulamentação das actividades humanas — construção, condução automóvel, alteração de linhas de água, despejo de efluentes, etc. —, não faz o menor sentido responsabilizar ninguém porque o seu terreno evolui naturalmente.
Pode argumentar-se que existe a obrigação dos proprietários gerirem bem as suas propriedades, o que, naturalmente, obrigaria a que se definisse o que é gerir bem uma propriedade que não tem potencial produtivo suficiente para pagar essa gestão.
Com base no argumento de que gerir bem é não pôr em risco o vizinho — desresponsabilizando o vizinho em relação à sua própria segurança —, Portugal fez uma opção clara depois dos grandes fogos de 2003 e 2005: responsabilizar os proprietários pela “limpeza” das suas propriedades, independentemente de essa limpeza ser insustentável, muitas vezes inútil e, com frequência, indesejável.
Esta opção, fortemente influenciada pelo então ministro da Administração Interna, António Costa, transformou um problema de economia — qual a forma mais eficiente de gerir sensatamente o fogo com os recursos existentes — num problema de polícia — tens obrigações legais de gerir combustíveis, mesmo que isso não tenha qualquer viabilidade económica, para proteger terceiros.
O Estado atribuiu uma responsabilidade privada à defesa do bem comum, criando na gestão florestal o inferno do capitalismo: privatizou os prejuízos em nome da socialização dos benefícios.
No processo, o Estado desresponsabilizou-se de fazer uma declaração de utilidade pública das faixas de gestão de combustíveis, para evitar ter de pagar as perdas de rendimento associadas, e o Estado desresponsabilizou-se de afectar as verbas do mundo rural ao pagamento de serviços de ecossistemas, para as manter disponíveis para a alimentação de clientelas.
É assim que o Estado, evitando cuidadosamente referir que as faixas de combustíveis previstas na lei resultam na retirada do processo produtivo de uma área que se poderá estimar em um milhão de hectares (10% do território nacional), consegue convencer a sociedade de que o problema da gestão sensata do fogo, nas condições sociais e económicas que temos, se resolve se, ao mesmo tempo que se inviabiliza a exploração económica desse milhão de hectares, se obrigar os proprietários prejudicados a gerir essas propriedades de forma absolutamente ruinosa.
Só elites sem a menor noção do que é a gestão do mundo rural podem defender que é irrelevante discutir se a lei é danosa porque a prioridade está em “fazer tudo para que o Verão de 2017 fique confinado à memória de um pesadelo que não pode acontecer nunca mais”.
Não, caro Manuel Carvalho, o que interessa não é “fazer tudo”, é mesmo fazer só o que está certo, é sustentável e se baseia num contrato social justo, é mesmo só isso, nada mais. E nada disso tem vindo a ser feito pelo Estado, bem pelo contrário.»
A ler
A Eutanásia Dá Muito Jeito
A eutanásia é um pau de dois bicos. Se por um lado acode àqueles que foram condenados a sofrer o resto da vida acamados num hospital ou em casa, por outro abre as portas às mais perversas pessoas que “em nome do bem estar e dignidade”, vão aliviando as contas públicas. Deixemo-nos de hipocrisias. Todos sabemos que o Estado não é pessoa de bem. Deveria ser. Mas não o é. Aproveita-se de todas as circunstâncias possíveis e inimagináveis para usar, enganar e tramar os mais fracos. Ou seja, o povo português. Alguém duvida?
Comecemos. Quem é que paga a factura das irresponsabilidades políticas? Os políticos?Não! O povo. Quem é que vai preso se cometer alguma ilegalidade? Os colarinhos brancos corruptos ou os políticos? Não! O povo. Quem apesar de descontar a vida inteira durante décadas vê a idade de reforma a crescer e depois recebe reformas miseráveis? O Estado e suas clientelas? Não! O povo. Quem tem lista de espera para consultas, cirurgias, internamentos? O Estado e clientelas outra vez? Não! O povo. Quem tem filhos no ensino público com falta de auxiliares, comida nojenta e frio? Não, não é as elites deste país são os do costume: O povo.
Mas se somos todos contribuintes, porque o Estado, indo contra o seu dever Constitucional, discrimina a população dividindo-a em dois tipos de cidadãos: os de 1ª e os de 2ª? Eu respondo: porque o Estado não é pessoa de bem. Não se preocupa minimamente com o bem estar dos seus cidadãos. Só mesmo de alguns. Como nas ditaduras, estão a ver? Aqueles que lhes garantirão o pote do poder o mais tempo possível. Os outros? Esses são para explorar e enganar até ao tutano.
Assim, não é por acaso que somos visto como o país mais corrupto do que a média europeia (veja aqui). Sem qualquer escrúpulo, os salteadores do poder rodam entre si – num circuito fechado que fingem ser democrático – o poder, que distribuem conforme as suas conveniências. Como estamos agora a presenciar, todos os partidos têm rabos de palha por terem comido na mesma gamela. São inúmeros os casos. E depois, claro, quando é preciso agir contra esta escumalha, poucos têm coragem de lhes fazer frente. Não há oposição. E quando surge alguém disposto a mudar isso, “é corrido”. Porque acham que TODOS estiveram unidos para que PPC se retirasse? Porque TODOS querem a substituição da Procuradora Geral da República actual? Simples: ninguém quer gente em cargos de poder que faz limpeza aos corruptos.
Somos uma espécie de Venezuela que só não caiu de vez na desgraça da fome e miséria porque está ainda atrelada à UE. Mas mesmo assim vai fazendo grandes estragos na sociedade portuguesa deixando a população vulnerável completamente atirada ao abandono. Daí termos entrado no top dos países que mais mal trata os seus idosos. E querem mesmo assim que acreditemos que a legalização da eutanásia não tem segundas intenções? Querem melhor solução para os idosos amontoados em macas nas urgências? Badamerda!
Analisando os países que já introduziram a eutanásia verificamos que as pessoas morrem sem serem a pedido delas, como aqui é relatado neste artigo: “O problema maior é que toda a eutanásia pressupõe que a pessoa pede para ser morta, mas isso não acontece na Holanda e na Bélgica: uma grande parte dos eutanasiados nunca pediram, são mortos por decisão de familiares, de médicos e de enfermeiros”, denuncia Walter Osswald.” Ou seja, se é assim na prática com países melhor governados que nós, com um Estado pressupostamente mais responsável, como podemos nós confiar no nosso que é CORRUPTO até dizer chega?
Se em Portugal até crianças de gente pobre são LEGALMENTE entregues à IURD (o escândalo do século) como o denunciou e bem Alexandra Borges, jornalista da TVI, como podemos nós garantir que nossos idosos mais pobres e abandonados pelos filhos não sejam “despachados” para poupar o erário público que tanto precisa de dinheiro para continuar a sustentar os corruptos?
Sem uma limpeza dos vermes que ocupam o Parlamento. Sem uma mudança cultural drástica e profunda que nos transforme nos “Japoneses da Europa” cuja cultura é ímpar no respeito pelas pessoas, a eutanásia não pode em circunstância alguma ser autorizada.
Os milagrosos impostos europeus que os europeus não pagam
Do paradoxo
Capax Dei
Levo o miúdo para a actividade desportiva de Domingo de manhã. No chão, ao lado de um caixote de lixo que transborda, jaz um envelope. Coração vermelho pintado a lápis de cor sobre caligrafia azul com a irregularidade incontrolável do segundo ano de escolaridade. “Querido pai”, lê-se, no borrão desfocado. Lá ficou, entre embalagens de leite e de pensos higiénicos, encharcado pelo mijo de cão, e lá continuará até que a diluição das cores completem um indistinto borrão alaranjado. Logo não será mais que uma memória de que Deus passou por ali sem ser visto.
Três passos para Rio unir o PPD-PSD
Rui Rio ganhou com 54% dos votos contra um candidato com algumas fragilidades e um problema de percepção pública. Não exagerarei se disser que a esmagadora maioria dos 46% que votaram em Santana Lopes estavam na realidade a votar contra Rui Rio. Ou seja, Rui Rio lidera um partido em que 46% dos militantes não gostam dele e das pessoas que o apoiam. Se tivesse havido um candidato abertamente apoiado por Passos Coelho, ou se este se tivesse envolvido na campanha, é mais que certo que Rui Rio teria perdido. Nem vou falar da tareia que teria levado se tivesse sido o próprio Passos Coelho a candidatar-se. Ou seja, o PSD é ainda, e até Rui Rio ganhar eleições, um partido Passista. O episódio da eleição do líder parlamentar é demonstrativo disso. É muito fácil para o comentador mais desatento simplesmente assumir que aqueles são os deputados escolhidos por Passos e que só por isso Rio teve aquela derrota estrondosa. Mas esta ideia ignora a realidade das escolhas de listas para deputados dentro do PSD. A escolha das listas decorre de um processo de luta interna em que todos os sindicatos de votos acabam representados: as distritais, a Juventude Social Democrata, os Trabalhadores Social-Democratas, as Mulheres Social-Democratas, os Autarcas Social-Democratas, os Pescadores Recreativos Social-Democratas, etc Ou seja, estão ali representadas as bases com uma minoria de escolhas pessoais dos líderes. Não sendo muito difícil identificar os deputados que não votaram em Negrão, será fácil de ver que apenas uma minoria desses foram escolhas pessoais de Passos.
Rio tem então duas opções: ser o capitão de um barco em que metade dos marinheiros não rema e esperar que o Iate Geringonço encontre um iceberg antes de 2019, ou oferecer um projecto de continuidade com as pequenas diferenças que necessariamente resultam de um novo líder trazendo o PSD passista a bordo. Esta última opção pode ser feita em 3 passos:
1º passo: Permitir uma saída airosa a Elina Fraga, uma pessoa que, ao contrário de Salvador Malheiro, não parece trazer benefícios que valham os problemas que causa.
2º passo: Escolher um líder parlamentar alinhado com a sua estratégia, mas também próximo da ala Passista. Leitão Amaro, personagem de relevo na era passista e vice-presente da lista de Negrão, parece ser ajustado ao papel.
3º passo: fazer uma declaração pública a elogiar o governo de Passos, concluindo com um inequívoco “Eu faria igual”. Isto deve ser fácil na medida em que já o disse em campanha durante reuniões com a ala Passista. Assumindo que não estava a aldrabar, bastará fazê-lo agora em público.
Como é que Rui Rio saberá que esta estratégia funcionou? Se Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira o criticarem violentamente, Rio saberá com certeza que tem 99,9% do partido do seu lado.
Suspeito que é isto, ou os 10 anos que Rui Rio andou à esperar para liderar o partido irão culminar num mandato de 2 anos e uma saída desonrosa.
Ser socialista é dizer isto e todos encolherem os ombros
A Lei do Menor Esforço
É um facto incontestável: as empresas têm dificuldade em recrutar pessoal para trabalhar. Uns dizem que é por culpa dos cidadãos que não querem trabalhar. Outros culpam os salários baixos. Outros o Estado. Ainda há quem atribua toda a responsabilidade nos patrões. Mas a verdade é que não há só um culpado. São todas estas razões juntas que criam este problema.
Começa pela forma como se educam os filhos. No tempo dos nossos pais, cedinho se aprendia a ser responsável e a valorizar o trabalho como meio para atingir os objectivos de vida. Sabíamos que para ser alguém na vida teríamos de lutar. Ninguém o faria por nós. Havia transmissão desses valores que entretanto se perderam. Na “evolução educacional” inventou-se a mesada, uma espécie de salário para o filho cumprir com as obrigações de filho, suprimindo as frustrações de ter de trabalhar fora para ter seu primeiro par de ténis Nike. Ora, se por um lado o conceito pode ensinar a gerir dinheiro para seus próprios gastos, por outro põe o filho a receber sem esforço algo que ele deveria fazer por livre e espontânea vontade, sem qualquer remuneração. Porque por essa ordem de ideias, os pais também deveriam ser pagos pelos filhos para cozinhar, lavar roupa, e dar habitação. Parece-lhe ridículo? Então porque pagamos a nossos filhos para executarem suas obrigações de filho? E começa aqui o primeiro grande problema: receberem dos pais para terem o que querem em vez de lutar no mercado de trabalho. Vão dizer que é a mesma coisa. Não é. Porque enquanto num part-time vão aprender a dureza do mercado de trabalho cumprindo horários num ambiente profissional exigente e sem margem para erros ou desculpas, em casa, vão recebendo a mesada, tenham ou não feito tudo o que lhes competia na perfeição. A maior parte dos pais, acaba mesmo por abandonar a árdua tarefa de exigir só para não ter conflitos.
Depois, ainda em casa dos pais, vão ser estimulados a serem doutores. Porque doutores é que é bom. Mesmo que tenham sido alunos medianos. Mesmo sem qualquer aptidão para estudar no superior. Seguir curso profissional é desprestigiante. Ser doutor é o objectivo. Então, em resultado, temos jovens adultos a passear livros nas universidades, num curso mais fácil de sair com canudo mas que depois só garante o desemprego. Irão procurar trabalho APENAS na sua área profissional mesmo que demore anos. Enquanto isso, há sempre a casa do papá para viver enquanto se espera… E se a espera for longa? Procura-se outra coisa apenas para se manter activo e produtivo, ganhar experiência, enquanto não surge o emprego ideal? Procura-se empreender ou criar seu próprio emprego? Não. Reclama-se à sombra da bananeira.
Enquanto criamos filhos para serem incapazes e eternos dependentes, o Estado passou também ele a ser “um paizinho” de nós todos. Em vez de estimular as pessoas a serem activas faz exactamente o contrário. Se não consegue um emprego não faz mal que o “papá Estado” dá subsídio sem pedir nada em troca. Com esta política estimulou-se a lei do menor esforço porque não converte os subsídios em trabalho comunitário enquanto o cidadão não é colocado. E assim, as pessoas passaram a ter rendimentos em casa, sem mover um dedo e sem qualquer obrigação de retorno para a comunidade.
Outro problema são os salários médios que em Portugal são baixíssimos. De tal forma que acaba por compensar mais ficar em casa a receber subsídio do que trabalhar pelo mesmo preço. Mas se temos salários médios miseráveis é porque fomos desgovernados durante décadas. Com 3 bancarrotas no currículo em 43 anos, passamos 4 décadas e recuperar o país de crises económicas que assustadoramente no colocaram no top dos países com impostos mais altos. Como pode um país que faz do massacre fiscal às empresas sua política de eleição, ter salários melhores?
Por fim, os patrões. Não são todos iguais. Há de tudo. Mas grande parte cultiva ainda a ideia de que pagar poucochinho é poupar. E não percebe que com esta política desmotiva seus trabalhadores que perdem rendimento. Que mais vale um trabalhador bem pago do que dois com salários baixíssimos. Não percebem porque culturalmente não evoluíram e as escolas empresariais em Portugal não ensinam isto. E por isso, mesmo que possam, apostarão mais na “poupança” do que no investimento pessoal.
Assim, sem mudar a educação que damos aos nossos filhos, sem mudar a atitude do Estado e mentalidade dos patrões, haverá cada vez mais falta de pessoas para trabalhar. Porque ao estimular a lei do menor esforço estamos a contribuir para uma sociedade de parasitas.
Douche Vichy
O que eu gostaria, mas sou só eu e alguns milhares, era de uma oposição que servisse de travão à absoluta submissão da sociedade civil ao regime tentacular do Partido Socialista. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo sobre a vergonhosa ordem do fisco para que fossem cortar mato antes de se tornar normal que a CGD mande lavar dentes e a RTP mande comer tofu em refeitórios hospitalares. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que redução de vagas universitárias com o único fito de obrigar famílias a despesas de alojamento em cidades do interior por meia-dúzia de anos para embelezar estatísticas é literalmente porco. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que quotas agrícolas e autorizações prévias que impedem cada um de plantar o que bem quiser é pressuposto do mais ortodoxo fascismo. Gostaria de uma oposição que denunciasse, aos gritos e com vernáculo, que um país disposto a pagar cirurgias ao dobro do custo que teriam se contratadas a privados e que se dispõe a discutir rendimentos básicos incondicionais sem perceber o patético estado da corte é triste. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que um primeiro-ministro que graceja com vítimas de incêndios merece o mais puro desprezo humano. Gostaria de uma oposição que gritasse com vernáculo que um presidente que existe apenas para se justificar a sua existência em reeleições é uma lamentável demonstração da podridão do regime. Gostaria de uma oposição que impedisse, na medida do possível, a azeiteirada em forma de Opel Corsa rebaixado e com aileron que é a suposta modernidade social do homicídio hospitalar sancionado. Gostaria de uma oposição que, ao contrário do que eu fiz neste parágrafo, pegasse em assuntos que não foram notícia só durante esta semana.
Mas parece que vou ter diálogo e cooperação estratégica. Quem também teve muito diálogo e cooperação estratégica foi aquele senhor, o Philippe Pétain.
Negrão: eu fico! Volta Elina, estás perdoada!

Negrão vai tomar posse como líder da bancada do PSD mesmo sem que todos os membros da sua lista tenham votado a favor. Juntará para isso os votos brancos aos votos a favor, por serem “votos que dão o benefício da dúvida” (sic).
Acrescenta Fernando: “há duas pessoas que estão nas listas e não votaram a favor, no plano ético, é condenável essa atitude” (sic).
Volta Elina, estás perdoada!
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Limpeza à maneira
Andam aí muitas pessoas indignadas com um e-mail da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) porque, ai, caramba, eles não têm nada que me mandar limpar mato só porque vivo num apartamento da Rua Castilho ou porque não possuo qualquer terra (o eufemismo “possuir terra” atinge dimensões cómicas por altura do IMI). Enfim, gente que reclama por tudo e por nada, como se não fosse competência da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) mandar cortar mato ou lavar as mãos depois de usar o quarto-de-banho.
Pessoalmente, vejo com bons olhos a autorização implícita da Autoridade Tributária (com maiúscula, como Deus) para cortar os sobreiros do terreno vizinho (não chora, Câmara Municipal, com maiúscula, como Deus). E tu, azinheira… espera aí só um bocadinho…
vá é jogar no euromilhões
Não me lembro, na história da democracia portuguesa, de um político com tanta sorte como António Costa. Nem mesmo Ramalho Eanes, que foi parar a Presidente da República quase sem perceber como, ou Durão Barroso, que conseguiu ver-se livre do PSD para ir chefiar a Comissão Europeia, um dos tachos políticos mais cobiçados do mundo. Costa, contudo, excede-os a todos. Vejamos. Depois de uma humilhante derrota nas legislativas, contou com a disponibilidade, nunca antes imaginável, do PCP lhe viabilizar o governo e fazer dele, de um derrotado, um vitorioso primeiro-ministro (o Bloco, por troca de umas migalhas, estava disposto a tudo). Depois, beneficiou das reformas e dos cortes do governo anterior, começando a obter bons resultados económicos sem ter de se maçar muito, fazendo de conta que tinha terminado a austeridade. Em seguida, beneficiou da eleição de um Presidente da República que tudo fará para alcançar a reeleição, estando, por isso, integralmente disposto a não levantar ondas e a deixá-lo governar como quiser. E, por último, quando se aproxima o fim da legislatura e a altura adequada para que o PCP saltasse da carroça da geringonça, eis que lhe surge um líder da «oposição» cujo recado ao país é que está disposto a viabilizar um governo minoritário do PS em futuras eleições. Ou seja, no limite, mesmo sem maioria absoluta, o PS pode dispensar os apoios do PC e do Bloco. Ó homem, vá mas é jogar no euromilhões, antes que a sorte se acabe.
das teorias da conspiração
Durante anos, a direita teve quase sempre o bom senso, contrastando com a posição habitual do PS, de não imputar segundas e terceiras intenções à justiça, olhando para as investigações, inquéritos e processos judiciais com a normalidade que devem ter num Estado de direito democrático: há notícia de um eventual crime, o MP abre inquérito e investiga, os interessados apresentam as suas razões e, se o caso chegar a tribunal, presume-se que a justiça seja capaz de o concluir com o atributo que lhe dá nome.
Ainda há dias assistimos a isso mesmo com Miguel Macedo, que teve que se demitir do governo para não o comprometer com as suspeitas que sobre si recaiam, que estavam em investigação e que agora parecem demonstrar-se completamente infundadas. Em contrapartida, também recentemente assistimos ao caso dos bilhetes de futebol de Centeno, que deu azo a um necessário inquérito do MP, rapidamente encerrado por falta de matéria. A esquerda incomodou-se. À direita não costumam haver «cabalas», «conspirações», nem peregrinações a Évora.
Por isso são de estranhar estas declarações da novel vice-presidente do PSD, que, face a um inquérito do MP sobre denúncias, já com algum tempo, a respeito da sua gestão na Ordem dos Advogados, venha dizer que a querem «tramar» e que «não me demito se for constituída arguida». Numa direcção liderada por alguém que sempre prezou a transparência na vida pública e que faz dela, agora, uma bandeira do partido, é, no mínimo, estranha esta tendência exibida para as teorias da conspiração.
Não me deixam responder!!

O Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura utilizaram as bases de dados da Autoridade Tributária para me enviar um email sobre assunto que não me diz respeito. Não tenho mato à volta de casa, nem sequer sou proprietário de imóveis.
Ia responder à missiva, conforme aliás pedido expressamente pelo remetente, alertando para o facto de ter recebido a carta indevidamente e dizendo que me reservaria ao direito de interpôr uma acção judicial de responsabilidade civil contra o estado por manifesta violação das normas sobre protecção de dados pessoais.
Conforme se verifica pela imagem junta, não me deixam responder!
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In vino veritas, in champanhe patranhitas

Contava-me a minha avó que sentir as orelhas repentinamente quentes e vermelhas era um sinal evidente de que alguém estava a falar de nós. Caso fosse a orelha direita, estariam a dizer bem; se fosse a esquerda, estariam a dizer mal. Durante estes dias, em que muito se discutiu a figura de Rui Rio, dei por mim a pensar que, caso a minha avó estivesse certa, o novo presidente do PSD teria passado as últimas duas décadas com as orelhas a piscar intermitentemente, como se fosse uma árvore de Natal ou um carro dos bombeiros a caminho de um incêndio.
Durante os seus mandatos à frente da Câmara Municipal do Porto, tive de o defender algumas vezes em conversas onde o via alvo de ferozes acusações de falta de sensibilidade social, autoritarismo, ódio à cultura, economicismo e submissão aos interesses de especuladores. Algum tempo depois, tive de me defender algumas vezes em conversas onde me via alvo de ferozes acusações por ser apoiante de um homem, Passos Coelho, que, para esses mesmos interlocutores, estava a trair o verdadeiro e nobre espírito social-democrata do partido de, entre outros, Rui Rio! Inevitavelmente, desde o dia em que foram divulgados os resultados das directas, voltou a ser a orelha esquerda do político portuense a grande vítima dos seus bipolares analistas, o que significa que não deve faltar muito para me ver de novo envolvido em zaragatas verbais.
A verdade é que Rui Rio só me dá trabalho. Ainda esta semana, por causa dele, passei horas infinitas a pesquisar textos e vídeos antigos. Tudo teve início numa notícia do DN, na qual o realizador João Salaviza lhe apontava o dedo, referindo uma imagem em que o podemos ver a brindar com champanhe durante a demolição do bairro do Aleixo. Sobre essa celebração borbulhante, o deputado José Soeiro, uns dias depois, chamava canalha ao ex-autarca (sim, já estamos nesse ponto), dizendo que nunca conseguira esquecer a dita imagem. A partir daí, bombeado por um mar de gente, começando na líder do Bloco de Esquerda e terminando na senhora que lhes limpa a sede, o “champanhe do Rio” espalhou-se pela internet, inundando tudo à sua passagem como se estivéssemos numa festa do grande Gatsby. A famosa imagem, essa, é que não há forma de aparecer. Todos os jornais, rádios e televisões do país estiveram presentes durante a demolição, mas eu continuo sem saber se o brinde foi feito com champanhe francês ou com espumante nacional. Como é que querem que eu tenha uma opinião sobre o trauma profundo de José Soeiro quando nem sequer sei se o tchim-tchim foi feito com taças ou com flûtes? Uma pessoa chega até a pensar, depois de tanta investigação infrutífera, que o “champanhe do Rio” não passa de uma historieta fabricada, mas depois lembra-se que esse nunca foi o método do Bloco e volta a mergulhar no Google.
Ó senhora pq não se refugiou em Cuba ou ficou pela Venezuela? Sempre poupava no penteado

Anna Gabriel uma espécie de pasionaria do independentismo catalão, que arvorava o o look característico da agremiação por terras de Espanha, ponderou refugiar-se na Venezuela. Vá lá saber-se porquê preferiu a mui conservadora, capitalista e nada revolucionária Suiça. Para começar a acomodação naquele país mudou de look. Por cá a notícia da fuga de Anna Gabriel tem sido parcamente dada e obviamente sem referir esta espantosa mudança de loook
«a menina dança?»
-A menina dança?
– Só se o senhor não puser as mãos onde não deve.
-Ai, isso é que já não posso prometer: um homem não é de ferro.
-Então, está bem.
boa tarde!

Não, filho, não terás o computador
Querido filho,
Venho, desta forma, responder à questão que levantaste durante o agradável jantar em família de ontem. Apreciei devidamente a proposta e, de acordo com que determinei com a mãe, pretendo comunicar-te de forma clara os motivos da nossa decisão. Como poderás antecipar, esta conclusão nada tem a ver com falta de reconhecimento do mérito da tua pretensão, a de ganhares dinheiro para comprares o computador desejado, porém, é minha obrigação paternal comunicar-te, nos termos legais apropriados à tua idade, que a requisição foi indeferida: não poderás ter o computador. Eis os motivos pelos quais não podes montar a barraquinha de limonada e bolo caseiro:
Ocupação da via pública – Uma barraquinha de limonada e bolo caseiro necessita de licença camarária para ocupação da via pública, mesmo que essa ocupação ocorra sem qualquer disrupção do seu habitual usufruto.
Falta de licença de venda de produtos alimentares – Bolo caseiro e limonada, independentemente das condições de máxima higiene com que são confeccionados, são produtos alimentares que necessitam da aprovação da entidade reguladora. A consequência pela falta de tal licença implicaria pesada multa pela ASAE e encerramento da barraquinha.
Impossibilidade de trabalho aos 11 anos – Apesar do teu avô ter trabalhado numa pedreira quando acabou a 4ª classe, isso aconteceu no tempo em que o Estado exigia às pessoas que trabalhassem para terem algum dinheiro. Hoje em dia, tal não é necessário, daí que seja proibido. És obrigado a frequentar o ensino obrigatório até teres 18 anos ou até matares alguém, evento esse que permite acederes ao rendimento mínimo e deixares a escola (não me perguntes porquê, são as regras). Eu sei que era só nas férias de Verão, mas essas terão que ser ocupadas a ver a RTP ou as Tardes da Rita.
Falta de aval arquitectónico e falta de licença de obras – Montar uma barraquinha exige perícia que só um funcionário autárquico está em condições de verificar. E se fica uma lasca na madeira?
Falta de seguro contra acidentes – Se fica uma lasca na madeira e alguém se pica, serás obrigado a indemnizar toda a gente (primeiro o Estado, depois a autarquia, por fim a vítima).
Trabalho sem descontos para a segurança social – A sociedade também quer um computador. Reformados também precisam do Mozilla Firefox para o YouPorn. Executares uma tarefa e não gastares mais de 1/5 do total na protecção para a reforma, aquela que nunca receberás, é altamente injusto para o contrato geracional (ou gestacional, não sei bem).
Impossibilidade de cobrar IVA – Vais vender limonada e bolo caseiro sem factura, perpetuando esses mamões que andam aí a não entregar o devido ao Estado? Que tipo de cidadão és tu? Que andas a aprender em Formação Cívica?
Não declarar rendimentos – Vais ganhar dinheirinho à grande e à francesa para entregar todo à Worten, uma subsidiária de grupos com holdings na Holanda? É para entregar todo o dinheirinho ao estrangeiro? E achas que tudo o que recebes é teu, mesmo que te facultemos os ingredientes para o bolo e os limões para a limonada, que não deves IRS? É com pessoas como tu, grandes devedores ao fisco, que este país não saí do sítio.
Insegurança social – Vais fazer os teus pais parecerem maus pais, como se te levassem à Supernanny ou assim? Que tipo de pais deixam os filhos à exposição pública que é vender limonada? Queres que a protecção de menores te leve? Que leve a tua irmã? (Não respondas a está última).
Assim, é com mais do que razão que lamentamos informar que não terás um computador.
Cordialmente,
Papá
