Camarada Presidente, quando acaba isso da independência?
O vitimismo
Entre os lugares comuns que por aí se reproduzem está a repressão da língua catalã no tempo do franquismo. Na verdade o catalão não era língua oficial mas era falado e escrito como lembrou a escritora catalã Mercedes Salisachs. Existiam aliás prémios para obras escritas em catalão. Vale a pena ler o que se escreve aqui sobre este assunto. Ou melhor ainda consultar a página oficial do Departamento de Cultura da Generalitat Institució de les Lletres Catalanes e pesquisar obras entre 1939 – ano em que se afiança foi proibido falar catalão – e 1975, ano em que Franco morreu e se terá podido voltar a falar catalão. Escreveu-se e publicou-se em catalão durante todo o século XX em Espanha.
Para já deixo aqui a lista dos prémios atribuídos a obras e autores catalães durante o tempo em que “era proibido falara catalão”
Premio de Honor de las Letras Catalanas
◦ 1969 Jordi Rubió i Balaguer (historiógrafo y bibliólogo).
◦ 1970 Joan Oliver (Pere Quart, escritor).
◦ 1971 Francesc de Borja Moll i Casasnovas (filólogo y editor).
◦ 1972 Salvador Espriu i Castelló (escritor).
◦ 1973 Josep Vicenç Foix (escritor).
◦ 1974 Manuel Sanchis i Guarner (filólogo e historiador).
◦ 1975 Joan Fuster i Ortells (escritor).
Premio Joaquim Ruyra de narrativa juvenil
◦ 1963 Josep Vallverdú, por L‘abisme de Pyramos.
◦ 1964 Carles Macià, por Un paracaigudista sobre la Vall Ferrera.
◦ 1965 Desierto.
◦ 1966 Robert Saladrigas, por Entre juliol i setembre.
◦ 1967 Emili Teixidor, por Les rates malaltes.
Premio Josep Pla
◦ 1968 Terenci Moix, por Onades sobre una roca deserta.
◦ 1969 Baltasar Porcel, por Difunts sota els ametllers en flor.
◦ 1970 Teresa Pàmies, por El testament de Praga.
◦ 1971 Gabriel Janer, por Els alicorns.
◦ 1972 Alexandre Cirici, por El temps barrat.
◦ 1973 Llorenç Villalonga, por Andrea Victrix.
◦ 1974 Marià Manent, por El vel de Maia.
◦ 1975 Enric Jardí, por Historia del cercle artistic de Sant Lluc.
Premio Prudenci Bertrana
◦ 1968 Manuel de Pedrolo, por Estat d’excepció.
◦ 1969 Avel•lí Artís-Gener, por Prohibida l’evasió.
◦ 1970 Vicenç Riera Llorca, por Amb permís de l’enterramorts.
◦ 1971 Terenci Moix, por Siro o la increada consciència de la raça.
◦ 1972 Oriol Pi de Cabanyes, por Oferiu flors als rebels que fracassaren.
◦ 1973 Biel Mesquida, por L’adolescent de sal.
◦ 1974 Desierto.
◦ 1975 Baltasar Porcel, por Cavalls cap a la fosca.
Como acabará o governo de António Costa?
Mas não, não é isso. Ou não é apenas isso. Independentemente do final do governo de António Costa passar por estes ou outros cenários, a realidade é muito mais complexa e leva-nos a uma pergunta que nunca tem uma resposta tranquilizadora: como é que a extrema-esquerda vai deixar o poder?
Como sairemos disto? Provavelmente com uma fuga em frente. Uma fuga que a precipitada saída de Passos veio tornar possível. Que fuga é essa? A regionalização.
Cheira a enxofre
Os últimos dias têm sido um fartote de artigos sobre o que o PSD precisa. Fosse eu um extraterrestre a observar isto de um sítio seguro — mais ou menos como a esquerda tresloucada vê o suicídio assistido dos espanhóis com azar de viverem na Catalunha — também acharia divertido ver qual dos jarretas (e alguns têm menos de 30 anos) proporia mais socialismo chamando-lhe “o futuro da Direita”.
Uns falam do Sá Carneiro, outros da doutrina social da Igreja, outros da esperança que Assunção Cristas representa para a tal de Direita (em particular a Direita avessa a ar condicionado) e, assim, nessa variedade poética da filosofia de autocarro, fico indeciso sobre qual me parece o menos maluquinho. Não é que Passos Coelho fosse a grande esperança da Direita: a grande virtude do homem era, no meio deste lamaçal, parecer um tipo normal, sem pretensão a napoleónicos anúncios de candidaturas e pífias “vitórias” eleitorais de 20% em autárquicas para a capital transformadas em “agora é que é”.
Consigo até compreender que haja gente a vaticinar que o PSD só volta ao poder sendo igual ao PS, mas, como a vasta maioria dos portugueses, sou pessoa para preferir originais às fotocópias (na acepção tradicional da palavra, não na acepção introduzida por José Sócrates, “o líder que a Direita gostaria de ter”, a julgar pela catrafilada de artigos pachecopereiristas e similares, mesmo que em sentido diametralmente oposto, que enchem os jornais).
Ao contrário de muitos dos meus amigos, estou bastante optimista: o meu estado natural é o de não votar em partidos, pelo que, reconheço, o ter feito uma cruz nas duas últimas legislativas é que constituiu desvio à norma. Só posso agradecer a todos os políticos e colunistas (com parcas excepções) o valente esforço para me devolver à normalidade da abstenção ou voto em branco (resisto estoicamente à tentação do nulo).
Pôncio Pilatos foi um grande democrata: nem precisou escrever artigos sobre o futuro da Direita para dar ao povo o Barrabás escolhido.
Posicionamento político do PSD – Sondagem
Um canal ao serviço dos radicais
Parece a televisão do Hamas mas não é. Isto é a programação infantil na Catalunha
E do outro lado eram neo-estalinistas?
Escreve o PÚBLICO: Estátua do padre António Vieira guardada por “neonazis”
Protesto contra a estátua do Padre António Vieira foi impedido por grupo de extrema-direita, diz activista.
O PÚBLICO não esteve no local. O PÚBLICO falou pelo telefone com Mamadou Ba uma das pessoas que tinha convocado a manifestação “Descolonizando Padre António Vieira” e que segundo declarou ao PÚBLICO: A manifestação, marcada para as 15 horas (…) Mas quando os integrantes do protesto chegaram ao local foram surpreendidos, adiantou Mamadou Ba. «A estátua estava já cercada com elementos dos hammerskins [um dos grupos mais violentos da extrema-direita]», disse o activista ao PÚBLICO, ao fim da tarde, por telefone.
O PÚBLICO adoptou como válida a identificação das pessoas que estavam ao pé da estátua como neonazis. Porquê neonazis? “numa fotografia colocada num comentário a um post de Mamadou Ba, no Facebook, identificam-se cerca de uma dezena de pessoas à frente da estátua com várias bandeiras de Portugal. Pelo menos um dos homens tinha uma t-shirt com o símbolo dos hammerskins. No chão, tinha sido colocada uma fita com a mensagem “Portugueses primeiro!” e o símbolo da cruz de malta entre as duas palavras.”
Mas admitamos que as criaturas são neonazis. Fascistas. O que se quiser. O que não se entende é a neutralidade ideológica com que é apresentado Mamadou Ba cuja relação com a História é a de um comissário estalinista.
O que leva a que Mamadou Ba seja apresentado como activista e as pessoas do outro grupo como neo-nazis? Eles não são activistas? Pelos vistos activam tanto quanto o senhor Mamadou Ba. É que isto de uns serem activistas e outros neo-nazis já começa a cansar.
Obrigada Pedro!
O sonho molhado de Costa, da velharada do PSD, da Catarina e Jerónimo aconteceu. Finalmente! Com o anúncio de Passos que deixava a liderança do partido, desaparecia a maior ameaça à festa socialista do “gastanço” com o dinheiro outros sem responsabilidade. Mas que grande taluda! Há tipos de facto que nascem com o rabo virado para a lua: o Costa nem precisou de vencer legislativas (lembram-se? foi derrotado com quase maioria absoluta pelo Passos em 2015) para se sentar na cadeira de Primeiro-ministro. Os outros dois nem precisaram de mais de 8% e 10% para mandar e legislar nesta terra de incautos. E agora, o maior PREDADOR de parasitas oportunistas demite-se! Querem mais sorte que isto?
Assisti atónita à decisão de Passos. Jamais esperaria que com resultados destas autárquicas ele se demitiria. No máximo esperaria pelas legislativas, pensava eu. Mas não. Apesar destas eleições terem derrotado TODOS os partidos, uns mais outros menos (sim, foram TODOS penalizados!), Passos assumia sozinho a responsabilidade de uma derrota (mesmo que poucochinha) que não passou de erro de casting nos candidatos de Lisboa e Porto. Não foi escrutínio aos líderes mas mesmo assim, decidiu avançar.
Na verdade as autárquicas revelaram algo inédito: o PCP ao perder quase todas as câmaras e BE não ter ganho uma sequer, o PS ao perder a maioria em Lisboa com resultados PIORES que no tempo de José Seguro, demonstrou claramente que o povo não apreciou de todo esta combinação de comunistas com PS. Nem o eleitorado comunista nem o eleitorado socialista. E isto, mesmo que o tentem disfarçar com fake news com ajuda da comunicação social comprada a falar numa grande vitória (ah! ah! ah!), o certo é que doeu para caraças descobrirem que todas aquelas políticas populistas para ganhar votos, e os sapos gordos engolidos durante quase dois anos, não lhes devolveu senão um resultado pindérico. PSD com 1 milhão e 800 mil votos e PS com 1 milhão e 980 mil, praticamente mantiveram os resultados de 2013. Logo, só o desaparecimento de Passos lhes devolveria alguma esperança para as legislativas, essas sim, implacáveis na avaliação dos líderes.
Ora, estando o “Parque jurássico do PSD” todo empenhado na derrota do seu próprio líder desde o primeiro dia da sua eleição, não foi difícil ao Costa, que já andava a namorar a velharada (recorde aqui) para fazer o próximo Bloco Central nas legislativas (sim! ele quer livrar-se do BE e PCP porque sabe que o prejudica em votos), conseguir apoio para sacudir o adversário temido (porque é o único que não lhe dá hipóteses às clientelas), com promessas no escurinho de tachos e tachinhos, coisa que ele tão bem sabe negociar. Porque Costa é um camaleão. É da cor que for preciso desde que garanta o poder, seu único interesse neste jogo político.
Entendo a posição de Passos e aceito-a apenas por saber que por detrás desta saída está uma razão muito mais forte e válida para querer fazer um interregno nesta palhaçada que os “esqueletos mumificados do seu partido” há anos protagonizam. Entendo (e de que maneira) que às vezes é preferível lançar aos leões aqueles que se julgam os DDT partidários em vez de resistir. Tácticas políticas que eu, por não as saber jogar, também não julgo. Porque se fosse comigo, jamais Costa teria sequer hipótese de me derrubar até às legislativas. Jamais lhe poria esse sorrizinho parvo nos lábios nem que fosse por um segundo. Aliás, saberia reinventar-me nos discursos e na atitude em vez de desistir e dar lugar a alguém capaz de negociar seja o que for com Costa. Porque nunca se viu um morto político tão vivo diariamente no discurso da esquerda à direita. Nunca se viu tanto desespero por ele não vergar. Nunca se sentiu tanto medo a um líder. Só isto era o suficiente para nunca mas nunca deixar o lugar até ao próximo escrutínio popular.
Perdemos um estadista. O único que enfrentou e derrubou o DDT Ricardo Salgado. O único que corajosamente agarrou o país completamente falido pelo Sócrates e o fez renascer das cinzas. Um estadista que não tendo AINDA governado de acordo com suas políticas mas apenas cumprido o Memorando de Entendimento que PS assinou comprometendo-se com elevados cortes, aumentos de impostos, reestruturação do sector público onde se incluía a venda de grandes empresas públicas (sim! estava no memorando, não foi ideia de Passos, veja aqui), fazia adivinhar uma reestruturação profunda do país. O maior temor das esquerdas (e dos socialistas disfarçados de PSD).
Por isso, embora desiludida por não ter colocado a vontade das pessoas (em que algumas sem nunca votarem no PSD, o fizeram só por ele por acreditarem na sua capacidade de liderança), à frente dos interesses do partido, digo “Obrigada Pedro” por tudo o que fizeste por esta Nação.
Mesmo que não voltes, este país, de gente como eu, ser-te-á eternamente grato!
O golpe de Puigdemont
Alfonso Guerra braço direito de Felipe Gonzalez deu uma entrevista ondo deixa claro que vários pontos. O primeiro e mais notório é que ao senhor Puigdemont não lhe sobraria um cabelinho na cabeça caso tivesse pela frente o velho PSOE. O que está a acontecer em Espanha só é possivel porque o PSOE se entregou nas mãos dos que gostavam de ser o Podemos. Assim a ETA foi vencida graças ao Pacto de Ermua que uniu socialistas e populares no combate aos terroristas e agora não conseguem uma estratégia comum para tratar da Catalunha.
O que está a acontecer na Catalunha como refere Guerra é um golpe de Estado. Não questiono o direito dos catalães a decidirem o seu destino – repito que para Portugal uma Catalunha independente não é uma boa notícia mas enquyanto portugueses temos de nos adaptar ao que ali for decidido – mas não é isso que está a acontecer: numa Catalunha em que os radicais ficaram senhores da agenda está a ter lugar um golpe de Estado. Se Puigdemont conseguir impor o que chama “direito a decidir” na Catalunha por largo tempo teremos simulacros de decisão.
Quem se mete com a geringonça leva
Ministra demite diretora do SEF
Constança Urbano de Sousa ministra que tem o saldo mais desastroso à frente da respectiva pasta demite agora a diretora do SEF.
Costa não tem estrutura para ser contestado e o PCP e o BE querem contrapartidas pelo preço poltico que estão a pagar. A direcção do SEF não se adaptou ao admirável mundo novo dando um parecer desfavorável às alteraçõe slegais na legislação sobre emigração e pagou por isso. Quem se mete com a geringonça leva.
Em que ficamos?
«O Bloco de Esquerda vai entregar esta semana no Parlamento uma proposta para passar a classificar como Alojamento Local apenas as casas que recebam exclusivamente turistas durante, no máximo, 90 dias por ano. “A distinção fundamental é essa: o alojamento local, no seu conceito original, era a partilha de casa. São casas de pessoas, que vivem nessas casas, mas que a partilham com quem a visita”, explicara Ricardo Robles ao ECO. Na prática, continuou, “o alojamento local passa a ser efetivamente isto: quem vive na casa e a partilha com outros. Depois, temos de criar uma outra categoria, podemos chamar-lhe o turismo habitacional, onde as casas são transformadas e utilizadas a 100% no turismo, e isso é a prestação de um serviço de turismo. Devemos separar estas águas”.
Se tivermos em conta que segundo o BE explicou ao CM Mariana Mortágua vive “em casa de uma amiga de infância”, num segundo andar de num prédio de três pisos em Campolide, Lisboa – e dado o número de vezes que Mariana Mortágua faz capa de revista ao lado da sua mota tem de estar em Lisboa mais de 90 dias por ano – a casa da amiga de infância onde vive sem pagar renda (esta coisa dos amigos que ora pagam férias ora cedem gratuitamente casas é uma idiossincrasia nacional, não é?) passa certamente a turismo habitacional.
Livro de estilo
Se bem percebo
quando alguém dispara, degola, ataca com ácido, atropela … aqueles que têm o azar de se cruzar com ele estamos perante um caso de psiquiatria caso o atacante por qualquer razão possa ter sido motivado por razões compreendidas pela esquerda. A reacção possível é chorarmos muito, acendermos velinhas e caso o ataque tenha sido perpetrado com armas a transferência da discussão para a necessidade de restringir o acesso às armas. ( Espantosamente na Europa os ataques estão a ter lugar com ácido e ninguém parece preocupar-se com isso)
Já se o atacante estiver no campo da direita estamos perante um nazi fascista. Temos manifestações de repúdio e os tidos como próximos das ideias do atacante são confrontados com as consequências das suas ideias. Os psiquiatras não são chamados ao assunto.
Assim se fabricam boas notícias
Hoje temos a boa notícia (todos os dias terão a sua boa notícia) : Proprietários que adiram a rendas acessíveis vão ter isenção fiscal. Arrendamento acessível em habitação permanente, casas para os mais carenciados, incluindo para responder a catástrofes. Reabilitação urbana fecha os três pilares da nova política de habitação que é aprovada esta quarta-feira
Ao PÚBLICO e ao Negócios foi dado acesso ao conteúdo do programa “Nova Geração de Políticas da Habitação”. Os outros jornais replicaram e repicam os sinos na pátria.
Como irá funcionar esse programa antecipadamente bendito não se sabe. Nem ninguém quis saber. As únicas certezas são as mais valias dos títulos fofuchos de hoje e o crescimento do emprego público para gerir a burocracia inerente a isto:
«A orientação do Governo para estabelecer o valor da renda acessível é que a redução seja de 20% do valor do mercado (…) O estabelecimento de rendas terá como padrão, além da redução em relação ao valor do mercado, o princípio de que cada inquilino deve pagar pela renda apenas 30% do seu rendimento. A gestão do programa será monitorizada pelo Estado, através das autarquias. Está prevista a criação de um índice de preços.»
É preciso novo pombo de barro para o Tiro ao Cavaco
E pronto, agora que sabemos que Passos Coelho não é candidato a novo termo como líder do PSD, temos que começar a pensar em assuntos importantes como determinar quem é o próximo Cavaco para o desporto nacional de Tiro ao Cavaco. Desde a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para a presidência disto, Passos Coelho tem aguentado solitariamente o papel de pombo de barro para o Tiro ao Cavaco, o entretenimento da esquerda e, muito peculiarmente, dos seus camaradas de partido (nota: decidi não colocar aspas em “camaradas” por estrito rigor cultural).
Agora, sem Cavaco e sem Passos, seja quem for o seu sucessor no PSD, resta à esquerda a esperança de uns minutos no saco-cama da Madame de Pompadour das Baleares e o triste desígnio de terem que andar aos tiros a quem calhar. Com alguma sorte e rigor histórico, será uns aos outros.
esquerda e direita
Artigo hoje publicado no Delito de Opinião, a amável convite do Pedro Correia: esquerda e direita.
Sai mais uma obrigação para as empresas
Lê-se no I
«Em Portugal, 16,5% da população ativa já foi alvo de assédio moral no trabalho pelo menos uma vez ao longo da vida e 12,6% já sofreu assédio sexual. Significa que pelo menos um em cada dez trabalhadores já esteve exposto a uma destas situações pelo menos alguma vez desde que entrou no mercado de trabalho. A partir deste domingo, a nova legislação promete tolerância reduzida. Prevê mesmo que o país passe a ter uma lista negra das empresas complacentes com este tipo de casos.»
PORTANTO SAUDEMOS A NOVA LEGISLAÇÃO QUE É CERTAMENTE POSITIVA E SAUDEMOS AINDA MAIS A CRIAÇÃO DE UMA LISTA NEGRA DE EMPRESAS. HÁ LÁ COISAS MAIS BONITA QUE UMA LISTA NEGRA DE EMPRESAS?
«As estatísticas fazem parte de um estudo de 2016, no qual foram inquiridas 1801 pessoas, um trabalho coordenado pela socióloga Anália Torres e publicado pela Comissão Para a Igualdade no Trabalho (CITE). São o retrato mais recente da realidade que a nova legislação pretende prevenir. A prática de assédio no trabalho passa a constituir uma contraordenação muito grave e são várias as implicações.»
AFINAL AS PERCENTAGENS DO DITO ASSÉDIO NÃO RESULTAM DE QUEIXAS APRESENTADAS MAS SIM DA EXTRAPOLAÇÃO DE UM ESTUDO. MAS ISSO NÃO INTERESSA. ESSES NÚMEROS GARANTE QUEM ESCREVE “São o retrato mais recente da realidade que a nova legislação pretende prevenir” ESTA GENTE APRENDE A ESCREVER NA COREIA DO NORTE, NÃO É? NO FIM DO ARTIGO FICAMOS A SABER QUE Entre 1 de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2016, a Comissão Para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) recebeu 12 queixas de assédio moral, 30 de assédio sexual e quatro de assédio moral e sexual.
Além disso, passa a ser obrigatório, para as empresas com sete ou mais trabalhadores, «terem um código de conduta, o qual deve proibir estes tipos de comportamento».
UMA EMPRESA COM SETE TRABALHADORES TEM COMO OBRIGAÇÃO IMPLEMENTAR UM CÓDIGO DE CONDUTA A PROIBIR O ASSÉDIO! EXCELENTE OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO PARA AQUELES GABINETES QUE FACTURAM À CONTA DO PROGRESSISMO LEGISLATIVO
Caso o empregador tenha conhecimento de alegadas situações de assédio no trabalho e não instaure um procedimento disciplinar, incorre numa contraordenação grave. A coima pode ir até 9690 euros. E as empresas que forem condenadas passarão a constar numa lista negra que ficará disponível no site da Autoridade Para as Condições no Trabalho (ACT).
SABER-SE QUEM DEVE À CGD NÃO PODE SER, JÁ SABER QUE NO CAFÉ DA ESQUINA UM EMPREGADO SE QUEIXA DE ASSÉDIO ISSO SIM É VITAL. JÁ AGORA 9690 EUROS DE MULTA PARA A EMPRESA POR NÃO TER INSTAURADO UM PROCESSO DISCIPLINAR AO TRABALHADOR QUE FAZ ASSÉDIO PARECE-ME POUCO. ASSIM A EMPRESA AINDA PODE TER A TENTAÇÃO DE CONTINUAR A TRABALHAR.
Finalmente, na nova lei facilita-se, também, «a produção de prova testemunhal, através da notificação das testemunhas e da proteção das mesmas, presumindo-se como abusivo o seu despedimento até um ano sobre o respetivo depoimento».
TÁ CERTO. UM TRABALHADOR QUEIXA-SE DE ASSÉDIO E NÃO PODE SER DESPEDIDO até um ano sobre o respetivo depoimento. O TRABALHADOR QUE É ACUSADO DE ASSÉDIO QUEIXA-SE DE DISCRIMINAÇÃO DE GÉNERO E TAMBÉM NÃO PODE SER DESPEDIDO. ENTRETANTO TEMOS AS GRÁVIDAS E O SINDICALISTA QUE TAMBÉM NÃO PODEM SER DESPEDIDOS. SEM ESQUECER A EMPREGADA QUE QUIS LEVAR O GATO PARA O TRABALHO E COMO NÃO A DEIXARAM ACABOU A ACUSAR A EMRPESA DE MAUTRATO ANIMAL.. COM ALGUMA SORTE NINGUÉM PODE SER DESPEDIDO E A EMPRESA ENTRETANTO DEDICA-SE AO RAMO DAS QUEIXAS
Rita Garcia Pereira assinala, porém, que a nova lei ainda peca por defeito. Isto porque não prevê a inversão do ónus da prova que «existe apenas para o assédio fundado em discriminação».
COMPREENDIDO.
a decisão
Algures, daqui por vinte anos:
RR: Minhas queridas amigas e meus queridos amigos, companheiros de luta, queria dizer-vos que convoquei esta reunião para vos anunciar uma decisão.
Vozes: Qual é, qual é?
RR: Queridas amigas e queridos amigos, tenho a dizer-vos que pondero candidatar-me a líder, dirigente máximo, chefe de todos os chefes da nossa animada congregação.
Voz: Ahhhhh! E que congregação é?
RR: Então, companheira Manuela, já não se lembra?
Companheira Manuela: Lembrar-me do quê?
RR: Do nome da animada congregação a que pondero candidatar-me.
Companheira Manuela: Ah, pois, isso! Diga, diga, meu jovem rapaz. Casou-se com a São e não me convidou? Quando foi? Malcriadão!
RR: Huuuuum, já não me lembro bem. Afinal pondero candidatar-me a quê, aonde e porquê?
Camarada Pacheco: Pois bem, apesar da dívida, perdão, dúvida shakespeariana do nosso possível candidato a candidato a futuro líder, eu, como historiador de muitas histórias, posso adiantar a todos que é aquela agremiação por onde anda um tratante de Massamá.
Patriarca Ângelo: A massa estava má? Não notei nada na sopa. Pareceu-me bem boa!
Jovem Duarte: Ó companheiro Ângelo, vc. já nem é capaz de distinguir uma sopa de um coelho assado.
Companheira Manuela: Deixe-se de mariolices, seu garoto! Onde já se viu brincar com o Patriarca Ângelo e com coelhos assados. Vem aí o PAN que vai ver como elas doem.
Mini Mendes: Eu se fosse a vocês não brincava: ninguém ultrapassa o Patriarca Ângelo a cozinhar coelhos.
Camarada Pacheco: Nem o inquilino de Belém? Aquele de quem você é secretário? Esse é cá uma máquina!
Mini Mendes: Secretário uma ova! Assessor. E com quatro esses. Respeitinho, ó comuna!
RR: Bom, podem fazer menos barulho? Já disse que tenho uma coisa muito importante a dizer-vos. E pare lá de dar pulinhos, ó Mini Mendes.
Camarada Manuela: Fale mais alto, fale mais alto, meu jovem que aqui não se ouve nada.
Camarada Pacheco: Se você não ouve nada aí na primeira fila, imagine eu aqui na terceira.
Patriarca Ângelo: Você está na Terceira? Tenho lá uma quinta.
RR: Não é na quinta que vou anunciar a grande notícia que tenho para vos dar, é mesmo hoje, segunda, e nesta humilde casa.
Companheira Manuela: Fale mais alto, fale mais alto, que não se ouve nada, já disse!
Camarada Pacheco: Estou farto de vos aturar, isto está doente, está doente.
Mini Mendes: Doente estará você, seu agitador revolucionário. Psicopata, com a mania de arquivar papéis!
Jovem Duarte: Bom, ó companheiro, desembuche lá ao que vem.
RR: Pois bem: estou a pensar!
Vozes: EM QUÊ, EM QUÊ?
RR: A candidatar-me a candidato.
Vozes: Ahhhhhh! E quando é que decide.
RR: Um dia destes.
Jovem Duarte: Veja se se despacha. Há mais gente na bicha. Parece que começa na Misericórdia. Tenha misericórdia, portanto.
RR: Prometo que, na semana que vem, tomarei uma decisão decisiva sobre a decisão a tomar.
Vozes: Ah! Assim está bom. Também já tardava!
Companheira Manuela: E a ciática? É que, nesta altura, já não nos ajuda!
Camarada Pacheco: Pois não! Essa ainda está do lado de lá. Traidora!

Sobre a “crise aberta no PSD”
Aqui, que ninguém nos ouve, tenho a dizer que isto de ver facadas no PSD é um daqueles entretenimentos que cultivo com a morbidez característica dos há-muito desiludidos. Há muito, muito tempo, que o PSD não é bem um partido, é mais uma amálgama de inevitáveis adversários aos detentores oficiais do regime e que, por inerência da constitucional função de assegurar uma aura de pluralismo a este país onde Judas deixou as botas retidas num condomínio que impediu alojamento local, lá vai chegando ao poder para distribuir algum bem-estar pelos mais lestos a perceberem o funcionamento da coisa. A República 25 de Abril, aquela em que nasci, caracteriza-se por ser um daqueles regimes africanos com particular apetência para o teatro. É um regime de tal forma dotado de talento representativo que consegue convencer meia-ONU e os cinzentos distraídos de Bruxelas que até é uma democracia. Somos mesmo muito bons nisso: convencemos as pessoas de que podem escolher alguma coisa, elas vão lá voluntariamente (cada vez menos, é certo), e toda a gente fica convencida que escolheu mesmo alguma coisa. “Para a próxima és tu”, deverá dizer-se algures em corredores cheios de aspirantes à arte de representar sem cara de pau.
O regime é do PS. O dinheiro é do PS. O PS dá. Toda a gente sabe disso. O PSD existe porque um regime precisa de oposição para aparentar alguma seriedade.
De vez em quando, uns patuscos do PSD lembram-se da ideia do Bloco Central. Para quem não sabe, o Bloco Central é aquele arranjo que, quando possível, permite que toda a gente faça pela vidinha ao mesmo tempo em vez de ter que andar à espera das sobras de quem andou a fazer pela vidinha antes. Seria de supor que o Bloco Central geraria a situação mais favorável para a população: as coisas mantinham-se estáticas, não era preciso mudar os programas do Ministério da Educação de quatro em quatro anos, quem já tinha escolhido o BMW só tinha que o ir trocando pelo modelo superior e toda a gente poderia começar a viver uma vida tranquila sem ter que optar por um ou outro clube de forma tão tribalista. Porém, as coisas não são assim porque os recursos são limitados. De forma a que se possa esmifrar o mais possível no mais curto espaço de tempo, torna-se necessário que sejam poucos a simultaneamente fazer o mesmo. Por outro lado, é preciso culpar alguém quando as coisas correm mal — daí que seja conveniente para todas as partes ir aceitando o jogo da alternância.
Para se constituir um Bloco Central é necessária a colaboração do CDS. Para que aconteça, o CDS tem que fingir ser um partido de extrema-direita, extremamente conservador, beato, um cliché contrastante com o do típico comunista ateu da Dialética. Isso permite que a comunicação social identifique o PSD como estando à esquerda do CDS, a condição necessária para o PS poder “dar-se” com esse partido da oposição por definição. É que isto das coligações, em Portugal, só funciona com adjacentes. Ora, actualmente, o CDS sabe que não vem nada ao caso essa coisa do Bloco Central, vai daí, toca a posicionar-se ao lado do PS, impedindo a possibilidade dos patuscos se sentarem na cadeira do lado. É relativamente fácil de conseguir: já foi tratando a Direita (e “Direita” significa “aquele que está para lá do PS num dado momento”) por “fascista”, agora é mais ou menos da mesma maneira, adaptando apenas o léxico à contemporaneidade (“liberal”, “radical”, “extremista”, “racista”, “xenófobo”, “pessoa que não frequenta buracos de Formentera”,…)
Vai daí, não há ninguém para substituir Passos Coelho no PSD. O PS precisa que o PSD mantenha a etiqueta de extrema-direita que lhe colou, com a ajuda (ou sentido de oportunidade) do CDS. Não há ninguém para ocupar esse lugar ingrato. É por isso que, caso o PS venha a perder a maioria absoluta que lhe está destinada nas próximas legislativas, ganhando apenas as eleições (Costa é bastante aselha no que concerne a ganhar eleições — é mau actor), não será necessária nova Geringonça: o CDS, depois desta legislatura como partido adjacente, estará disposto a providenciar o apoio parlamentar necessário.
Quem tem fama precisa do proveito.
Para substituir Passos seria necessário alguém que abraçasse a etiqueta (ridícula, por sinal) de extrema-direita. Mais ninguém no PSD está disposto a isso — só se for parvo. E, para Bloco Central, tal nunca seria necessário: a cadeira do partido adjacente está ocupada por Assunção Cristas. Não é Passos que é um estorvo para o PSD: o PSD é que se está a tornar num estorvo para Passos Coelho.
Já agora, ouvi David Dinis na TSF, hoje, a dizer que está aberta uma crise no PSD. É mentira. A crise no PSD abriu-se na noite do dia 5 de Junho de 2011.
sá carneiro
Como poderá a direita voltar a conquistar o poder? Sá Carneiro explicou-o, há quase quarenta anos: federando-a num bloco eleitoral único, que integre também independentes que representem forças expressivas do país, e definindo um projecto político de governação que seja claramente distinto do da esquerda. Em 1979, quando levou a direita, em maioria absoluta, para o governo, o projecto político da então Aliança Democrática foi linear: devolver a democracia e as instituições representativas aos cidadãos, expurgando-as da caserna do Conselho da Revolução, rever a Constituição no sentido de a aproximar das democracias europeias, reverter as nacionalizações e privatizar uma economia então muito estatizada. Hoje, apesar do país já não viver em 1979, esse caminho não poderá ser muito diferente, embora seja, por muitos motivos, mais difícil. Primeiro, Pedro Passos Coelho não é, por méritos que tenha, Francisco Sá Carneiro. Depois, Assunção Cristas não é Amaro da Costa. Em seguida, ir buscar os independentes necessários ao sucesso de um bloco não socialista, como Rui Moreira e outros, não se afigura tarefa fácil. Por fim, apresentar a um país com um tão elevado número de funcionários públicos, um programa reformista que lhes atingirá os privilégios consolidados pelo regime, é meio caminho para nunca chegar à maioria absoluta. Mas só quem conseguir fazer o pleno destas condições será líder do PSD, da direita e, num futuro de médio prazo, do país. E com menos do que isto nenhum governo da direita durará muito tempo.
Com Povo “Pobre”… País Miserável
Podíamos ser uma grande Nação como já o fomos no passado. Podíamos ter um país próspero com excelentes condições para os cidadãos. Mas continuamos a apoiar ladrões e mentirosos. Gostamos da roubalheira descarada, da irresponsabilidade manifesta, da falta de escrúpulos, deliramos com corruptos e amamos o facilitismo, a cunha, e o compadrio. Perdemos tudo o que era preciso para sermos um nobre povo: os nossos valores. Sempre que há eleições fica a certeza que o que queremos não é mudança é regaboffe. Queremos que nos deixem viver como “lordes” mesmo que à custa de muita dívida. Queremos gozar a vida enquanto há tempo mesmo que para isso penhoremos o futuro dos nossos filhos por décadas. Somos egoístas interesseiros acoplados a subsídios que queremos eternizar e negociatas que queremos multiplicar. Somos povo de “chicos espertos” interesseiros preocupados com umbigos sem qualquer sentido de nação. Somos pobres de espírito. Para nossa desgraça.
Como é possível haver um Isaltino a vencer maioritariamente depois de ter sido preso por prevaricar na Câmara? Como é possível pôr o maior arguido de Portugal, ex-ministro, que mesmo que não venha a ser condenado (duvido), faliu o país e ainda o endividou por décadas com negócios ruinosos, a comentar as eleições em horário nobre? Como é possível eleger Medina, esse senhor das negociatas e ajustes directos de milhões, contratos e obras ruinosas? Como é possível o partido da irresponsabilidade , que entregou o país falido, usurpou depois o poder, que deixou à sua sorte centenas de pessoas entre mortos, feridos, desalojados e falidos, nos maiores incêndios que há memória onde manifestamente já se sabe que foram por negligência grosseira do Estado, que perdeu o rasto ao arsenal de guerra desaparecido, que engrossou só em 2 anos tanto as gorduras do Estado que breve teremos todos de pagar o preço com mais aumento de impostos e mais austeridade severa e mais falência, ter tido tanta expressão nestas eleições?
A resposta é simples. Anos e anos de socialismo mudaram as pessoas. De um povo trabalhador, empenhado, empreendedor, focado, responsável e cumpridor passamos a viver à sombra do facilitismo encostados ao Estado. O primeiro grupo (empresas e particulares) foi diminuindo com o tempo fartos de serem o sustento da outra metade que vive despreocupada, reclamando de tudo à espera que tudo lhes caia do céu sem esforço. Esta degradação cultural tão expressiva abriu lugar à indiferença. Para quê votar se os resultados nas urnas podem ser revertidos? Para quê votar se a política que se vem praticando no país só serve clientelas em vez de servir os cidadãos? Para quê votar se não há candidatos fortes capazes de mudar verdadeiramente esta sociedade parasitária? Seriam esses, os abstencionistas, aqueles que fariam a diferença. Mas são esses que infelizmente mais facilmente desistem de lutar.
E não é para menos. São muitos anos de roubalheira profissional que começa num Estado que há décadas não é exemplo porque rouba descaradamente aos olhos de todos, comete ilegalidades, mantêm corruptos, irresponsáveis e mentirosos no poder e acaba nas empresas e particulares, que seguem o mesmo exemplo. Todos a fazerem-se à vida. Todos a safarem-se como podem. O Estado a engrossar as fileiras a cada passagem dos partidos para reforçar seu eleitorado. As empresas completamente encostadas a subsídios, a protocolos com Câmaras, a negociatas com juntas freguesia. Os particulares a deixarem de trabalhar para viverem de subsídios e doenças fraudulentas.
Por isso sempre que há eleições perdoamos “nossos amigos” pela ladroagem. Porque rouba mas faz. Porque são desonestos e irresponsáveis mas entregam-nos as obras a fazer sem concurso, porque nos ajudam a conseguir subsídios para tudo e mais alguma coisa com “cunhas”. Gente porreira, pá! que merece nosso precioso voto. Depois, quando nos caiem as falências em cima do lombo, ficamos chateados com o artista que vem corrigir essa porcaria retirando as benesses que tanto custaram a conseguir lambendo botas durante anos. Por isso há que repor essa gente no poleiro rapidamente antes que empresas e particulares dependentes, entrem em falência por não saberem gerir-se sem apoios. É a luta pela sobrevivência dos dependentes do Estado.
Assim, sem uma reeducação da sociedade que se tornou parasitária, seremos eternamente um povo pobre de espírito a viver num país eternamente miserável sem capacidade para exigir de quem governa.
Porque sem uma mudança cultural profunda para voltar a adquirir valores fundamentais, jamais sairemos deste lodo em que o país mergulhou.
Finalmente o resultado das legislativas de 2015
Síntese das eleições autárquicas
Para poupar o trabalho dos leitores, que escusam de perder tempo a ler análises dos resultados autárquicos de diferentes fontes, até porque o Daniel Oliveira precisa de três semanas para repetir o contrário da realidade em cada uma das suas crónicas pagas à milha para o Expresso, deixo-vos aqui as análises feitas pelos diferentes tipos de interessados.
O Comunista
Foi um resultado histórico da luta do PCP pela afirmação da democracia e dos direitos dos trabalhadores. Fomos penalizados pela dura decisão de contribuir para que os fascistas que ganharam as eleições não permanecessem no poder, cedendo aos burgueses sem cultura do PS as ruas livres de manifestações do proletariado como mal menor. Agora é tempo de partir os dentes das arreganha-a-taxa esganiçadas que são aquelas palhaças do sabidolas que é o Louçã, outro burguês da treta.
O Bloquista
Tá-se. A Mariana Mortágua é mesmo bué da fixe. Viva a Catalunha livre e o casamento de éguas com robalos. Tens aí lume? Agora é que vai ser fixe, que vamos para o governo mudar o país retrógrado do Cavaco, esse que não sabemos porque ganhou tantas eleições.
O Bloquista do PS
Democracia. Igualdade. Liberdade. Fraternidade. As cidades para quem lá vive. Dicionário de clichés. Causas. Pelo direito ao auto-casamento e à auto-reprodução.
O Passista que vê em Passos o Messias
Se fizermos bem as contas, reparamos que o PSD não perdeu nada de muito significativo em relação ao ano em que perdeu significativamente as eleições autárquicas, 2013. Não foi bom, mas não piorou muito, pelo que até nem foi mau. Eles ainda vão ver.
O Passista que sabe que só resta Passos
Anda lá, ó Rio. Mostra o que vales. É só garganta, ó Manuela Ferreira Leite em masculino saída de um livro de Eça de Queiroz.
O lisboeta
Sinto-me tão bem a viver aqui ao lado da aristocracia que ainda nem reparei que já despediram os mordomos.
O típico socialista, eleitor típico do PS, hoje, na sua repartição pública
Estou ansioso pelo aumento de salário, para poder passar o envelope ao recém-eleito presidente da câmara para construir a casa de arquitectura moderna, vulgo caixote de betão e micro-cimento. PS! PS! PS! PS!
Paulo Portas
Não tenho nada a ver com isto, eu não estou ligado à política activa. Lá porque entreguei o CDS à imagem que a esquerda nos permite vender para empurrar o Passos para o ideal fascista da imprensa parola que em tempos gozei não significa que esteja interessado em regressar à política como a figura unificadora da Direita antes de ser estritamente necessário.
José Sócrates
Isaltino Morais.
O eleitor de Rui Moreira
Há espaço para um partido ou movimento que parta o PSD em dois, algo que, se pensarmos bem, já aconteceu há muito sem que eles tenham percebido, ocupados que estão em tentar alternar no poder com os donos do regime. Parecem todos a Maria Antonietta no filme da Sofia Coppola.
Marcelo Rebelo de Sousa
O mar está frio.
António Costa
E agora? Não me dava jeito nenhum que o Passos saísse. Preciso de uma desculpa para existir neste partido que abri aos bloquistas. Será que ainda dá para culpar o Cavaco? César? César? O que penso eu?
Abstencionista
Finalmente acabaram as eleições. Agora só há o incómodo das obras todas ao mesmo tempo daqui a quatro anos.
Pessoa que vive na periferia da A25
O mundo está perdido. Qualquer dia até nos tiram as terras.
Pessoa que vive no Minho litoral
A casa está a cair. Quando eu morrer isto fica para aqui ao abandono.
Alentejano
São todos fascistas.
Algarvio
O que é lá isso de limitar turistas? É só em Lisboa, não é? Bem, bem…
Crianças em idade escolar
Vou ter teste de Formação Cívica.
boas notícias
Afinal, o PCP perde 9 ou 10 câmaras, das quais 7 para o PS. A geringonça pode, afinal, ter vida mais curta do que parecia no começo da noite. O Jerónimo está com má cara e as duas asas do quadro televisivo, com ar de enterro. O Comité Central não costuma gostar de ser comido e é isso que eles estão a dizer na televisão. Se o Bloco subir, então, a coisa ficará mesmo tremida. Contudo, as tristezas alheias não são necessariamente alegrias nossas. Convém fazer contas e não o esquecer.
travessia do deserto
Em política, para que alguém possa ganhar o poder alguém o terá de perder primeiro. Se os resultados destas eleições, até agora anunciados, se mantiverem, a grande preocupação para os dois partidos da direita – PSD e CDS incluído – é que a geringonça está para ficar. Pela razão simples de que o facto que a poderia fazer detonar – a queda eleitoral do PCP e do Bloco – não só não aconteceu, como parece ser exactamente o contrário que sucederá. Assim, se os três partidos da geringonça crescerem eleitoralmente, é porque ela é um bom negócio para todos. Donde, o problema de quem liderar o PSD – e Passos dificilmente se aguentará no lugar – será conquistar um poder que a esquerda não está a perder. Esse já não é trabalho para Passos Coelho, nem para Rui Rio, nem para Pedro Duarte, nem, muito francamente, para ninguém que por lá se vislumbra. Pelo que, seis anos na oposição e um próximo governo com ministros do PC e do Bloco são muito prováveis.
Triste
Num dia em que exercemos o voto, é muito triste ver um povo a quem é negado o direito de votar livremente.
Consequência
O Presidente da República tem sobre a questão da Catalunha a mesma posição do Governo (…) A questão catalã é do foro interno de Espanha, e o Governo português entende que seja considerada no quadro do respeito pela Constituição e pelas leis espanholas.
Portanto quer o Marcelo quer o actual Governo não reconhecem a independência do Kosovo face à Sérvia.
Os sem-sem
a amiga olga no palácio de belém
É cada vez mais aflitivo ver e ouvir Marcelo. A sua interpretação da função presidencial, conjugada com a percepção, que terá, sobre a inevitabilidade mais próxima da geringonça, fizeram do presidente da República em funções uma espécie de «Amiga Olga» da política nacional: em tudo e em todas as circunstâncias, um sorriso, uma palavra amiga, um olhar doce, um abraço ternurento, quando todos sabemos que o «Marcelo da Vichyssoise», o verdadeiro, o único, o legítimo Marcelo, é um serial killer político, capaz do que for preciso para sobreviver com o seu gigantesco ego. Até mesmo reduzir-se, ao absurdo, a este enjoativo papel de bom rapaz, de carácter delicodoce que não lhe cai nada bem. Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Estou a reflectir demais
Acordei hoje de manhã e reparei que estava a reflectir. Não sei se foi algo que comi, se fui polido durante a noite ou se, simplesmente, fui obrigado pela Constituição a reflectir na véspera das eleições; sei, sim, que isto é muito incómodo, principalmente para quem está comigo quando estou ao sol. Não sei porque é preciso estar a reflectir assim: já sei em quem vou votar, a campanha só me afecta negativamente e quanto mais tempo demorar até ir lá registar o voto menor a probabilidade de me dar ao trabalho. Mas, pronto, estou a reflectir e é como é. O meu filho penteou-se em mim, o gato eriçou o pêlo ao ver o seu reflexo e receio ir contra uma esquina e lascar-me em sete anos de azar. Enfim, é a minha cruz.
Por falar em cruz, não concordo nada que seja esse o símbolo pré-estabelecido para assinalar a nossa preferência. Desde que não saia para fora dos riscos, qualquer símbolo deveria ser aceitável. Porque tenho que fazer uma cruz em vez de um crescente com estrela ou um pénis, sinais que mostram uma devoção mais intensa pelas causas? Somos todos diferentes, todos iguais. Porque perpetuar um símbolo cristão no boletim de voto se acreditamos noutras coisas, como no seitan?
Enfim, isto de reflectir nem sempre é uma grande ideia. Boa tarde para todos os espelhados à força.
pedro passos coelho
Gosto de Pedro Passos Coelho e acho que o país lhe deve muitíssimo. Provavelmente, a maioria dos portugueses não chegará nunca a perceber o que lhe ficou a dever. Mas Pedro Passos Coelho cometeu alguns erros políticos que lhe estão a ser fatais.
Primeiro, não deixou nunca que o país se apercebesse da gravidade daquilo que o atingira em 2011. O facto de não ter viabilizado o famigerado PEC IV levou a que, ainda hoje, muito boa gente esteja convencida de que estava ali o remédio para evitar a troika e a austeridade que foi imposta. José Sócrates, inteligentemente, explorou o tema à exaustão. Se Passos tivesse deixado o país chegar ao ponto a que chegou a Grécia do primeiro Syrisa, hoje os portugueses estar-lhe-iam gratos pelo que teria feito a seguir. Infelizmente, boa parte deles considera-o um bandido.
Segundo, não se ter entendido com Paulo Portas antes das eleições que conduziram os dois ao poder. A consequência disso foi não ter havido um programa reformista logo para os primeiros dias de governo, quando se sabe que é nos primeiros meses de uma legislatura que as medidas mais difíceis têm de ser tomadas. Quando se dispôs a fazê-lo já era tarde. Victor Gaspar, de resto, demitiu-se por perceber que o essencial da legislatura, que deveria ter sido feito em tempo útil e não foi, já não era exequível.
Terceiro, Passos esteve-se sempre, ou quase, «a lixar para as eleições». Agora, não poderá queixar-se que os eleitores se estejam «a lixar» para ele.
Quarto, o modo como encarou a montagem da geringonça: ao ter anunciado o caos nos meses imediatos à tomada de posse dessa solução governamental, Passos fragilizou o seu trabalho de quatro anos, como se aquilo que tinha feito fosse tão vulnerável que não resistisse a alguns meses de disparates.
Quinto, Passos apostou no «depois de mim o dilúvio», quando, num pequeno país da União Europeia, é preciso que chova muito para que os diques transvazem. Depois de quatro anos em que foi o rosto da austeridade e das dificuldades impostas ao país, quando aparece alguém, do outro lado, a anunciar dias melhores, Passos continuou a ser a cara das más notícias. Os eleitores, naturalmente, não apreciam isso.
Sexto, porque o PSD é um partido nervoso, que não gosta de estar na oposição. Porque Rui Rio é, há muito, uma esperança para os barões do partido retomarem as posições que se atribuem por direito político natural. Porque o desgaste de Passos só terminará quando Passos sair e der lugar a quem o quer substituir.
Se Passos tivesse feito uma leitura correcta do que significou a construção da geringonça teria, como Portas, deixado o lugar que ocupa logo a seguir à queda do seu segundo governo. O PSD estaria, agora, com Rui Rio na liderança e seria ele a sujeitar-se aos resultados destas eleições. Passos poderia ter a expectativa de recuperar a liderança a tempo das legislativas, mas agora será Rio a fazê-lo. Esse foi o seu sétimo pecado. Mortal ou não, se verá.
Não os posso ver!!!
A sério. A imagem dos líderes políticos a utilizar os transportes públicos causa-me uma irritação sem limites. Estas criaturas levam os 365 dias do ano a andar de automóvel. Simultaneamente pregam umas inanidades sobre a utilização do mesmo que eles pretendem ver substituído pelas bicicletes (casos há de umas hipocrisias ambulantes que andam de biciclete na malinha do carro que tiram para jornalista ver). Quando chegam as campanhas autárquicas vão a correr para o metro, comboio… e fazem umas declarações características de quem nunca os utiliza. Até à próxima campanha continuarão sem os utilizar e a mandar pintar ciclovias.
Às Ritas, Câncios e Joanas deste País
Há por aí uma geraçãozita de mulheres que me envergonham. Caso para pensar mudar de género só para não haver colagem a esta gente que ridiculariza a classe. Como é possível em pleno século XXI querer segregar mulheres, ao estilo apartheid, em espaços separados, alegando protegê-las de assédio? Como é possível numa sociedade moderna e que se presume evoluída defender editoras femininas, festivais só para mulheres, proibir piropos, proibir pedidos de números de telefone ou qualquer outro sinal de aproximação ou interesse por uma mulher? Rita Ferro Rodrigues foi peremptória em dizer que era preciso impedir homens de ter ejaculações entre uma paragem e outra!!! Ah! sim?! E que tal proibir orgasmos femininos nos autocarros também? Não os há? Tem a certeza?
Sou do tempo em que uma mulher bonita passava na rua e recebia piropos. A quantidade de olhares e piropos que arrancava era sinal de beleza. Ter poucas reacções ou nenhumas à nossa passagem era motivo de tristeza (ficávamos fulas quando amigas nossas atraiam mais piropos). Não estou a exagerar. Avaliávamos a nossa capacidade de seduzir pelas reacções que conseguíamos no sexo oposto. É claro, que preferíamos os bonitos e bem cheirosos. Passar por um grupo de trolhas barrigudos e sujos não dava a mesma pica. Mas nunca isso foi incómodo. Pelo contrário. Alguns piropos, mesmo desses, até nos faziam rir sem querer. Lembro-me em miúda que nos “vingávamos” depois em grupo quando “atacava-mos” os pobres desgraçados que passavam por nós e a quem lançávamos piropos hilariantes que os faziam corar e ficarem atrapalhados. Outros tempos. Bons tempos. Lembro-me de mais tarde, já docente, ir jantar a uma pizzaria em Ponte de Lima e dois jovens que estavam a fazer pizzas não tirarem os olhos de mim. A situação foi engraçada comigo nervosa a não conseguir comer a massa que passava o tempo a cair do garfo e o garfo que acertava sempre nos dentes. Um suplício. É claro, como tudo na vida, há situações que não são agradáveis por serem obscenas e sem educação. Já fui por exemplo perseguida de carro por homens. Mas também apalpada num vestiário por uma mulher. Sempre houve quem abusasse. Nisto e noutras coisas. Mas isso já tem enquadramento legal. A polícia existe para essas coisas, penso eu.
Quando se quer igualdade de género mas em simultâneo se discrimina e segrega, algo vai mal nessa ideologia. Porque na verdade, o assédio abrange os DOIS sexos (bom… sobre os restantes 64 géneros inventados pelo marxismo cultural, não me pronuncio) de IGUAL forma. Não é verdade que SÓ as mulheres sofrem de assédio. Os homens são igualmente atacados e perseguidos mas… ninguém fala disso, ninguém os quer proteger, porquê? Não fará sentido também eles terem espaços próprios?
Voltando aos meus tempos de juventude, as mulheres NUNCA se insinuavam aos homens. Eram eles que faziam a corte com mais ou menos habilidade, sendo depois correspondidos ou não. Meninas de boas famílias nunca se manifestavam. Fazia parte da educação da época. Décadas mais tarde, as mulheres passaram a atacar as vítimas tão ou mais ferozmente que os homens. Mudança dos tempos. Era vê-las (como eu vi tantas) a fazerem esperas às presas, a não os deixarem respirar aparecendo em todo o lado, a fazerem chantagem e a inventarem um sem número de situações constrangedoras para conseguir seus intentos: levá-los para a cama. Sim. As mulheres também são, agora, terrivelmente assediadoras. Quem protege os homens disto? Por outro lado, criar autocarros ou carruagens com secção separada onde se juntam só mulheres, não nos protege de assédios. Numa época em que abundam lésbicas assumidas por aí quem me garante não ser apalpada ou ser roçada por nenhuma delas? Quantos orgasmos podem ocorrer à minha custa? Andamos a brincar?
O problema desta nova geração de senhoras é a falta de auto-estima. Inconscientemente estão a revelar recalcamentos por más experiências com o sexo masculino que as leva a radicalizar contra eles sem perceberem que eles também são vítimas, tanto quanto elas. Canalizam frustrações pessoais para estes ideais feministas que mais não revelam senão incapacidade de se imporem num meio que já não é sequer maioritariamente masculino. É verdade. No Mundo já são mais as mulheres que homens e profissionalmente já dominam grande parte dos sectores de actividade. Todos sabemos que elas são em número maior e que preferencialmente, para algumas actividades, só elas são aceites em detrimento dos homens. Porque a sociedade evoluiu. E elas já não precisam de quotas. Precisam apenas de competência e vontade. Pode ainda não haver muitas no topo das chefias de grandes empresas, nem nos governos, mas isso é por culpa delas que não se interessam por esses cargos. Porque está visto que tantos anos de proteccionismo ás mulheres criou condições únicas para que todas elas vinguem no que quiserem. Mas há ainda uma boa parte que prefere a família à carreira. E é isso que as condiciona.
Às Ritas, Câncios e Joanas deste país aconselho que se deixem de hipocrisias. Que entendam que não é com radicalismos que se resolve os problemas da sociedade moderna. E que vítimas somos todos nós. Não do machismo dos homens mas da estupidez do intelectual e politicamente correcto.
Defender a mulher não é torná-la vítima à força. Porque a reduz a um papel de coitadinha que ela não é. Porque mulher que é verdadeiramente mulher, é força da natureza que vence pelo seu mérito e competência. Não por facilitismo.
A lição da Catalunha
É assim que se acaba quando o centro se alia aos radicais. Entretanto não deixa de ser fascinante a comoção com a equidade fiscal reivindicada pela Catalunha. Aliás agora que anda por aí tanta gente comovida com a figura de um ministro europeu para as Finanças a questão da equidade fiscal catalã versus Espanha é um bom exemplo das discussões a que vamos assistir.
Reductio ad Merkelum

Estou extremamente feliz com os resultados das eleições para o Parlamento alemão. É verdade que a CDU de Merkel alcançou novamente o primeiro lugar, mas parece que perdeu uma grande quantidade de votos e de deputados para a AfD, um partido radical que muitos acusam de pertencer à extrema-direita. Devagar se vai ao longe e tenho esperança que nas próximas legislativas consigam acabar com a Angela de vez. E digo nas próximas porque na Alemanha ainda vigora essa antiquada e despropositada tradição de ser o vencedor a governar.
Gostava de sublinhar que nada me aproxima das ideias defendidas pela AfD e por outros movimentos do género, mas acho que é importante manter o pragmatismo na política e, na cabine de voto, optar sempre pelo mal menor. E parece-me que, neste caso, a transferência de votos ocorrida foi extraordinariamente benéfica.
A AfD surgiu durante a crise do euro e tinha como grande objectivo lutar contra os resgates económicos aos países do sul da Europa; entretanto, tornou-se num partido anti-imigração, anti-globalização e anti-multiculturalismo. Ora, mesmo não sendo eu anti nada dessas coisas, continuo a achar essas doutrinas menos perigosas do que as ideias da CDU da Chanceler. Note-se que, por falta de tempo e de dotes linguísticos, nunca consegui acompanhar a imprensa internacional no que à estadista alemã diz respeito; mas segui com atenção tudo o que foi dito e escrito em Portugal sobre o assunto entre 2011 e 2015. E isso chega-me. Ao longo de 4 anos ouvi alguns dos mais prestigiados políticos, comentadores, sindicalistas, intelectuais e jornalistas portugueses a dizerem que Angela Merkel era uma reencarnação de Adolf Hitler e que perseguia o sonho nazi de colocar toda a Europa debaixo da alçada germânica. E vi inúmeras caricaturas da governante com uma suástica no braço, um bigodinho em cima do lábio superior ou um braço direito esticado a fazer a saudação romana. Não querendo eu acreditar que alguns dos mais prestigiados políticos, comentadores, sindicalistas, intelectuais e jornalistas portugueses são meros demagogos de feira ou pobres maluquinhos da aldeia, levei a sério o que foram dizendo. E é por isso que estou extremamente feliz com os resultados das eleições para o Parlamento alemão. Apesar de não gostar da intenção de alguns membros da AfD de meter todos os estrangeiros num comboio e mandá-los de volta para a terra deles, tenho de admitir que é uma estratégia ferroviária bastante mais inofensiva do que a que foi levada a cabo pela Alemanha nazi em meados do século passado.
Quando um político se vicia na boa imprensa dá nisto
Uma história portuguesa
1) A Continental Mabor está há dez anos a falar com vários governos por causa da falta de acessibilidades ao polo industrial de Lousado, em Vila Nova de Famalicão: “durante estes anos tive muitas conversas ‘de surdos e de mudos’ com os diferentes governos”, desabafa Pedro Carreira.
2) Diz que administração da Continental AG estava disponível para vir a Portugal anunciar o investimento de 100 milhões de euros na expansão da fábrica de pneus ligeiros, mas que isso não aconteceu porque: “nunca recebi resposta às missivas que enviei ao Governo”. Teve que ser o próprio António Costa a intervir para que os vários ministérios começassem a responder às cartas da Continental, que não é propriamente uma empresa de ‘vão de escada’.
3) A empresa está a tentar fazer crescer o seu armazém, mas não consegue. Está há 15 ou 20 anos à espera porque os planos municipais previam que por cima do armazém passasse uma variante de uma estrada. O troço de estrada nunca foi construído e a autarquia há muito que já desistiu da obra. Querem saber o que é burocracia na pior aceção da palavra? Ouçam Pedro Carreira em discurso direto:
“Aquele troço de estrada foi abandonado, mas existe um conjunto de protocolos a nível de estradas que foram publicados, há 18 anos, em Diário da República, por uma entidade, que entretanto foi extinta, e repartido o poder por N entidades diferentes. Enquanto essas N entidades não se sentarem à volta de uma mesa, assinarem o documento protocolar e este for assinado pelos ministros da tutela, para que seja publicado em Diário da República, aquele troço não pode ser retirado.”
Quando finalmente falou com o Governo e achou que as burocracias poderiam ser ultrapassadas, eis que surge um novo pormenor: descobriram que o fim da estrada que nunca existiu “impacta com o plano de negócios das Estradas de Portugal, que vai ver a sua malha de quilometragem reduzida, e portanto vai apresentar menores lucros ou resultados financeiros”.
Enquanto a Continental Mabor espera e desespera e a expansão do armazém não avança, os responsáveis já pensam em deslocalizar parte da produção para França já que nesta altura, por falta de espaço, têm de ter os pneus armazenados no Porto de Leixões, o que não é barato.
4) Por falta de espaço, a Continental acabou por usar o parque de estacionamento da fábrica para construir a fábrica de pneus agrícolas que foi anunciada recentemente. Estão há anos a tentar comprar o terreno ao lado da fábrica que tem um armazém abandonado, mas descobriram que o terreno tem 60 proprietários. Desde então, tem sido uma maratona pelas conservatórias, registos e notários deste país, numa viagem burocrática que já levou os alemães a ameaçar travar a expansão do investimento em Portugal.
“Sondagem falsa”?
Já ouvi muitas críticas a sondagens (que, normalmente, são mais tiros pela culatra do que tiros certeiros quando vêm de candidatos), mas uma acusação de falsidade de sondagens é a primeira vez. Espero que se tire o caso a limpo.

Falta Muito Para Prender Berardo?
Imagine que contraiu um empréstimo para comprar casa ou carro. Imagine depois que por razões adversas deixou de poder cumprir escrupulosamente o pagamento das prestações. Que lhe acontece? Ora, a sequência será mais ou menos esta: é notificado dos atrasos. Começam a cobrar juros de mora. Pedem regularização rápida da dívida sob pena de execução judicial. Depois de vários avisos, informam que vão proceder à penhora por incumprimento. Se o débito persistir, executam e vai tudo a leilão. Quanto tempo demora isto? Ora, não mais de 1 aninho… Então como pode Joe Berardo ter mil milhões dos bancos a navegar na atmosfera sem ser processado, penhorado ou ir preso?
Tudo se explica facilmente quando estamos num país de corruptos onde empresários se prostituem com políticos com a maior cara de pau à vista de todos. Este é o nosso cancro que de tantas metástases já só com a morte do sistema conseguimos travar este declínio. De facto, é isto. A política em Portugal anda a matar a democracia desde 1974. Trouxe ao invés de liberdade, tirania dos governos que nos impuseram impostos pesadíssimos e austeridade severa para sustentar estes e outros gamanços criminosos.
Berardo e tantos outros não são mais do que o rosto visível desta desgraça em que nos mergulharam. A Fundação (duvidosa) que lidera deve mais de 990 milhões de euros e na CGD deve cerca de 500 milhões, na maior das descontracções como quem deve apenas um café na pastelaria da esquina. Aliás, sempre que vem seu nome à baila, as dívidas são sempre de vários milhões sem que isso chamusque sua imagem de empresário de sucesso(???). Mas anda tudo doidinho da cartola? Assim, qualquer nabo era um bem sucedido empresário , não?!
Ora é claro que para isto ser possível tem de haver gente por trás destes metralhas a protegê-los com unhas e dentes. Claro. Porque se eles caírem cai dezenas (quiçá centenas) de energúmenos iguais que vivem criminosamente à conta dos nossos impostos. Daí o milagre impensável da união das 3 esquerdas de Portugal em boicotar e consequentemente ARQUIVAR o inquérito à CGD que pretendia tão somente clarificar, sinalizar e condenar os responsáveis pelo buraco gigantesco que certos devedores mergulharam este banco público. Que por esse facto só teve de transferir do Estado 5 mil milhões para tapar prejuízos das imparidades. Mas andamos a gozar com a cara dos contribuintes? Quem era que berrava contra estas práticas e jurava ser contra os banqueiros? O BE e PCP. Que fizeram assim que formaram aliança com PS? Aprovaram a eliminação de provas contra quem roubou a CGD. Isto faz sentido? Faz. Porque há segredos que não querem que sejam revelados, logo, comungam das mesma práticas totalitárias de um regime que há muito deixou de ser democrático.
O arquivamento à CGD é a maior prova de que estamos perante gente que se serve do Estado em vez de o servir como é seu dever. Depois de ser conhecido que o caso seguiria para o Supremo, PS, BE e PCP, imediatamente encerraram a comissão de inquérito de forma compulsiva, antes ainda da decisão, sabendo que assim, não poderia este Tribunal se pronunciar por extinção da… comissão! Brilhante! Nicolás Maduro, esse prepotente ditador, ao pé desta gente é um menino.
Joe Berardo nem é processado nem vai preso porque tal como outros que por aí vagueiam está bem protegido. Fez um acordo para reestruturação da dívida com o BCP, CGD e Novo Banco em 2009 no qual reforçou garantias com a entrega de direitos sobre 75% da sua fundação que detinha a colecção de Arte Moderna exposta no CCB (opa… deixem-me rir…). Porém, quando o bancos quiseram executar por novo incumprimento (tadinhos destes “meninos banqueiros ingénuos”) esbarraram (jura???) com um acordo existente com o Estado para a exibição das obras no CCB, válido por 10 anos em que foi dado garantia ao Estado não existir nenhuma penhora sobre as ditas obras, impedindo assim a execução bancária. Só 40% deste crédito é da CGD. Bonito, não? Acreditam mesmo na “inocência” bancária desta gente? Naaa…
Berardo continua livre porque a democracia há muito que morreu por estas bandas. Simples.