O pós-polvo
Lembram-se quando o Trump não era presidente e a Mariana Mortágua era livre para interrogar banqueiros?!”
Libertem a Mariana Mortágua que tão bem sabia perguntar
Aquela Comissão de Inquérito à CGD que o Trump quer impedir
não vos parece que pode dar impeachment? A mim parece-me que sim. Para mais aquele aspecto de a todo o custo o Trump não querer que se saiba quem são os devedores da CGD é mais que suspeito. Por outro lado as manobras para travar as audições aos anteriores administradores da CGD – gesto que não há história que tenha acontecido na Europa ou com qualquer outra administração nore-americana – é de facto uma linha vermelha que o Trump passou.
Espero sinceramente que os artistas, escritores, jornalistas, activistas… denunciem aquilo que a administração Trump (chamar adminsitraão àquele grupo de interesse é uma ironia, obviamente) está a fazer contra a liberdade e as instituições. Nos EUA e à CGD.
Meter na misturadora, 1, 2, 3… fábula instantânea
Era uma vez uma mãe porca de três leitões sem recursos para os alimentar. Enviou-os para o mundo para que fizessem pela vida.
O primeiro, o das finanças, viu um homem com palha e pediu-lhe: “dá-me a tua palha para construir uma casa”. O homem deu e o pequeno leitão montou a sua tenda baseada em fomentar o consumo ou lá o que era que acabou por não fazer por motivos que agora não interessam. O lobo, criatura da “direita”, soprou e disse: “sai, leitãozinho, és o primeiro para o meu espeto”. Soprou, sem grande esforço, e imediatamente desfez o plano Centeno, nome da tenda do pequeno reco.
O segundo animal, ao ver um homem que transportava lenha, parou e pediu: “dá-me os teus galhos para que construa um abrigo”. O homem, grande impulsionador da expressão lenha para te queimares, entregou os pauzinhos ao porco. Este construiu uma geringonça de casa, que aquilo não tinha tecto, não tinha nada. O lobo, criatura da “direita”, soprou e disse: “sai, porquito, vou-te assar usando o ridículo abrigo como lenha”. Soprou, soprou, soprou e rapidamente desfez a geringonça.
O terceiro bicho, ao ver um trolha distraído com uma deliciosa vichyssoise, pegou em tijolos e cimento e construiu uma linda estação de televisão em Queluz de Baixo. O lobo, criatura da “direita”, soprou, soprou, soprou, mas nada. Gritava: “sai, porco, sai que te vou comer”, mas o suíno nada. Vai daí, o lobo, criatura da “direita”, mete o Figueiredo, amigo de longa data do primeiro mano a ser comido (e de outro que está-se cagando para segredos) a mandar na informação do canal. Isto permitiu ao porquito sair da casa onde a estação de televisão funciona para se instalar na fortaleza da capital.
Como se escrevia na outra história, todos os animais são iguais, uns mais que os outros. Qualquer interpretação diferente da aqui apresentada deve ser considerada como erro de interpretação mútuo.
É esse mesmo o problema
A exultação dos asnos
Diz-nos o Expresso que o governo vai mudar o currículo da escola. Começando com a afirmação “alterações profundas ao programa de Crato”, percebemos imediatamente de que se trata: ai foi um mauzão da “direita” quem deu primazia curricular à Língua Portuguesa e à Matemática? Então mude-se isso para a primazia do Adãoesilvismo.
A frase seguinte (“matemática e Português perderão horas para as ciências sociais”) é ainda mais engraçada: em primeiro lugar, pela omissão das aspas em “ciências” que antecedem o adjectivo “sociais” (ainda me hão-de explicar quais são as ciências que não podem levar com o adjectivo “sociais”); em segundo, porque, o que realmente falta aos alunos proto-asnos é mais marxismo cultural.
Depois, a coisa continua a crescer, com “educação cívica regressa”. Presumo que seja aqui que se ensinará o civismo do aborto, uma abordagem válida de meta-crítica a todo o sistema de ensino nacional. Por último, o resumo gratuito do Expresso refere que “consciência e domínio do corpo” está (estarão? — não sei se é uma ou duas entidades) “entre as dez novas competências pedidas ao aluno”. Pedidas? É para confirmar as suspeitas de muitos que a exigência está ausente do ensino?
Sem demora, deixo aos leitores espaço para especularem nos comentários sobre o significado de “consciência e domínio do corpo”. Estas são as minhas interpretações:

Domínio do corpo

Consciência do corpo
Mentira, Corrupção e Abuso de Poder Não tem Cor Política
Era uma vez um segredo que Centeno queria esconder. Não queria que se soubesse que acedeu negociar condições particulares com futuros administradores do banco público. Que essas condições visavam para além do termo dos tectos salariais, isenção de apresentação das declarações de rendimentos. Como não podia decidir sozinho, informou Costa. Como Costa precisava de contornar a questão da inconstitucionalidade, falou com Marcelo. Marcelo falou com Centeno e Centeno enviou SMS para Domingues. Tudo resolvido. Tudo acertado. Até ao momento em que tudo isto chega ao conhecimento público… Ler mais…
Erros de percepção mútuos
A transição progressiva do meio primordial de entretenimento, da televisão para as redes sociais, acarretou mudanças que, só agora, com a consolidação decorrente da massificação, começamos a observar com clareza. E que começamos então a perceber? Fake News.
Na era anterior, a do consumo unilateral de conteúdos, a premissa básica era a construção de ficções que pretendiam preencher as necessidades do consumidor. Tal como com o Evangelho — a linguagem que unifica o grupo de crentes —, um produto televisivo produz adendas à linguagem comum — isto quando não a altera — para os telespectadores (e, consequentemente, para a sua rede de relações humanas) através da solidificação da cultura pop, da sua terminologia e da sua moral inerente, no caso em que esta existe. A comunidade, englobando o lastro e não necessariamente obstante da sua tradição, foi sendo dotada de conceitos e léxicos comuns: desde a especulação sobre a morte e regresso de Bobby Ewing ao mundo dos vivos, ao colapso do romantismo associado ao programa espacial norte-americano após a explosão do vaivém Challenger, em 1986. “J.R.” tornou-se sinedoque de impiedoso magnata do petróleo1; “soup nazi” trouxe para o léxico comum a contração de nacional-socialismo em nova acepção designativa de excêntricos intransigentes2 . Da mesma forma, ao nível semântico, é perfeitamente legítimo especular que a americanização consistente em necessidade de explicação para factos não correlacionados decorre de programas como o The Oprah Winfrey Show3 — matou o filho porque foi violada pelo tio há mais de vinte e cinco anos; roubou o banco porque a mãe negou-lhe um gelado em 1982.
Independentemente do efeito que a televisão teve (e ainda tem) na comunidade, ver televisão — assistir — sempre foi um acto individual: não é de espantar que, ainda hoje, o maior número de horas em frente ao aparelho seja oriundo de pessoas envoltas numa mística (e, muitas vezes, na sua realidade) de solidão — reformados, pessoas em habitação arrendada há décadas, pais e avós com filhos e netos que dispensam a labuta diária da preparação para o dia escolar, donas de casa, desempregados, solteiros sem filhos e pessoas institucionalizadas ou em internamento. Não vemos televisão para estar com os outros, vemos, precisamente, para que possamos ver os outros sem sermos vistos4. Porém, tornou-se paradigmático que o solitário em frente à televisão assistisse à vida dos outros através da barreira adicional à realidade: não é a vida dos outros que passa num episódio televisivo, é uma iteração possível da vida de outro interpretada por um actor. Da vida ficcional — portanto, falsa — interpretada por um actor, chega-se às notícias fictícias — portanto, falsas — interpretadas pelo filtro crítico e intrinsecamente dotado de ideologia, preconceito e agenda do pivot e sua redacção.
Com o advento das redes sociais, o paradigma passou do sentido único, o de espectador de conteúdos alheios, para o de re-publicador com visão crítica — se bem que igualmente dotada de ideologia, preconceito e agenda — do conteúdo original. Esta multiplicação de interpretações condicionou não só a forma como as pessoas consomem notícias e entretenimento como a forma de apresentação desse conteúdo. Donald Trump percebeu o potencial ao seu dispor para usar o descontentamento contemporâneo pela difusão previamente digerida de factos, já interpretados ao bel-prazer da figura sinistra com poder para os transmitir televisivamente, como forma de alcançar a eleição presidencial. Num registo oposto, o da conquista de simpatia pela interpretação fofinha dos factos, indo de encontro à opinião mais favorável sem grande comprometimento com a verdade e o rigor, Marcelo Rebelo de Sousa usou exactamente a mesma ferramenta para alcançar a presidência em Portugal.
Que se tente abafar o caso Caixa Geral de Depósitos, fingindo que “já passou”, não é de surpreender. Que se ache, com o esmorecer pretendido, que António Costa sai sem mácula na percepção pública é me parece demasiado despropositado, em particular para quem “ganhou” as eleições recorrendo a um expediente com custos elevados, quer pela dependência governamental da sinistra extrema-esquerda, quer pela forma com que as notícias são interpretadas na era actual, pela desconstrução das suas intenções. É curioso que, após décadas de Derrida a reinventar géneros, identidades sexuais e multiplicações de aplicações para “é tudo uma construção social”, sejam, precisamente, os progressistas as vítimas do escrutínio decorrente do pós-estruturalismo aplicado à comunicação social.
1 Personagem da série Dallas (1978)
2 Termo cunhado na série Seinfeld (1989)
3 Talk show que esteve 25 anos no ar. The Oprah Winfrey Show (1986). O termo americanização surge, precisamente, porque a tradição europeia nas artes (e, consequentemente, no entretenimento) é a de dispensa de explicações. Como exemplo, o cinema de Michael Haneke ou a literatura de Franz Kafka.
4 Sobre o tema, recomendo a leitura do artigo “E unibus pluram: television and U.S. fiction” de David Foster Wallace, publicado em Junho de 1993 na revista The Review of Contemporary Fiction.
com um sorriso nos lábios
Com um sorriso nos lábios e cara de amigo para todas as ocasiões, Marcelo Rebelo de Sousa continua a presidencializar o regime que Aníbal Cavaco Silva tinha deixado parlamentarizar nos últimos dez anos. O caso de Mário Centeno e da Caixa é exemplar: não há nada, mas mesmo nada, na Constituição que autorize o controlo político do governo pelo presidente da República, menos ainda sobre actos dos ministros em exercício de funções. Essa é uma competência exclusiva da Assembleia da República. A verdade, porém, é que, apesar dos incómodos, Centeno foi a Belém explicar-se; Costa foi a Belém explicar-se; e Marcelo, como quem avisa que se não repita o caso outra vez, diz que, por ele, o assunto terminou, o que, a contrario sensu, quer dizer que a ele, ao presidente da República, compete pôr fim ou dar continuidade às questões de política governativa. Se é certo que, em Portugal, só a lei é fonte de direito, as praxes, usos e costumes constitucionais podem criar precedentes e tendências. E é nisso que Marcelo está apostado, aproveitando a enorme fragilidade da solução parlamentar que sustenta a geringonça. Quando chegar a hora, António Costa e o PS pagarão muito caro a aventura em que se meteram.
Mais um dia mais uma causa
Empresas cotadas na bolsa têm de nomear 121 administradoras
Esta causa já chega atrasada porque os actuais administradores já podem mudar de sexo a tempo da próxima assembleia geral – como somos tão avançados não se tem de mudar com cirurgia basta mudar no cartão de cidadão o que leva a que todos aqueles Josés Marias de não sei quê que são administradores passam a Marias Josés por uns tempos. Depois também temos de perceber que graças à legislação sobre multidiscriminação e discriminação por associação um transgender há-de ter primazia sobre uma mulher branca. Se a mulher for negra devem ficar empatados. Já se a mulher for cigana deve ganhar ao transgender caso ele não tenha feito operação porque isso de mudar de sexo só no papel causa as suas suspeitas. Caso mais complexo será o de uma mulher lésbica versus o tal administrador homem chemado José Maria que passou a Maria José e que para todosos efeitos continua casado com a sua Pureza de sempre.
Quem será mais lésbico nisto tudo? Enfim deve já nomear-se uma comissão para resolver créditos e imparidades nestas tabelas das quotas e das discriminações.
Por um serviço ambulatório de morte assistida
Mais um dia de polémica na CGD mais uma proposta fracturante do BE: O Bloco de Esquerda defende que a morte assistida possa ser praticada num qualquer estabelecimento de saúde ou em casa. Pedido do doente teria de ser avaliado por dois médicos, no mínimo. (E já agora pela porteira e pelo administrador do condomínio!)
Como amanhã os sms do Centeno ainda devem andar por aí proponho ao BE uma causa ainda mais fracturante: a criação de um serviço ambulatório de morte assistida. Sim, porque não há-de uma pessoa ser livre de morrer onde quiser? Em frente ao mar, por exemplo. Ou no cimo da serra da Estrela. Ou naquele café da Estrada Nacional 1… Não fiquem pela morte assistida em casa. Nós temos o direito a decidir sobre o local da nossa morte. Portugal deve estar na linha dos países mais avançados das causas civilizacionais e não vejo causa alguma mais avançada que as carrinhas de morte assistida
Um filme negro
Não me interessa o que diz ou não diz Mário Centeno. O homem é um técnico e foi atirado para a frente, está para ali numas prestações patéticas. Mas ele faz parte de um governo. Quem o convidou onde está? O que diz? É isso que é ter habilidade: atirar os centenos da vida para a frente e fazer-se desentendido?
Em fuga para o aeroporto!
Em Portugal, quando um governo socialista teme começar em apuros anuncia a construção de um novo aeroporto. Pelo sim pelo não preste-se a maior atenção às clausulas de rescisão
«jamais» o tanas, pá!

Há cerca de dez anos, no mês de Maio de 2007, o ministro das infraestruturas do governo socialista em funções, Mário Lino, garantia aos portugueses que o novo aeroporto da região de Lisboa «jamais», mas mesmo «jamais», seria construído na margem sul.
Menos de dez anos após, Pedro Marques, um outro ministro com as mesmas responsabilidades, por sinal de um governo também socialista, decidiu que, afinal, esse novo aeroporto será construído onde «jamais» o seria.
O que se tem de esclarecer aqui, antes mesmo da apreciação do mérito de qualquer uma destas duas soluções, é como é que é possível, num tão curto prazo de tempo, em matéria de tamanha importância, decidirem-se coisas absolutamente opostas? Que critérios seguiram as duas decisões políticas? Por que razão o ministro Mário Lino nos assegurou que o aeroporto «jamais» seria construído no preciso local onde, dez anos depois, o ministro Pedro Marques o quer colocar?
Como é evidente, pelo menos uma destas duas soluções está, ou estava, profundamente errada. Mas vai ser, ou teria sido, executada, se os decisores políticos conseguirem, ou tivessem conseguido, levar até ao fim as suas decisões. O que deixa aqui a seguinte questão: quais são os critérios de decisão dos decisores públicos? Decisões que têm impacto na vida de todos nós e que são pagas com o nosso dinheiro. Onde está, neste caso, o tão propalado «interesse público» e como pode ele ser defendido, num tão breve período temporal, com duas soluções antagónicas?
É por estas e muitas outras razões que os liberais preferem a decisão privada à decisão pública. A primeira orienta-se pelo interesse próprio, que é o de servir bem os clientes, sem os quais aquele não sobreviverá. E com recursos privados, que não saem dos bolsos dos contribuintes. No caso da «decisão pública», que interesses servem aqueles que a tomam?
Daqui fala o Presidente…
O BE coitadinho avança hoje com a eutanásia. Pode ser que assim os noticiários não falem do Centeno. Amanhã o melhor mesmo é o Pureza apresentar uma proposta para regulamentar o sexo com animais e assim sucessivamente.
O espantoso é que anda a esquerda a desgastar-se para que não sejam revelados os SMS trocados por Centeno e Domingues quando os mesmos SMS foram revelados a todos os jornais deste país por umas alegadas fontes. Creio até que “as fontes” estão a telefonar para as Berlengas para indagar ad existẽncia de uma folha volante naquelas ilhas e assim dar-lhes a sua versão dos factos.
A esquerda reage como se em Belém estivese Cavaco Silva mas não é o caso.
Descubra o nome da fonte
DN: O Presidente da República tomou conhecimento dos sms trocados entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) António Domingues, no fim de semana, soube o DN. – COMO SOUBE? UM PASSARINHO TELEFONOU?
O conteúdo das mensagens, segundo várias fontes, é bastante mais comprometedor do que a correspondência revelada na semana passada pelo jornal ECO e foi o detonador que levou Marcelo Rebelo de Sousa a exigir que Centeno se explicasse publicamente. PORTANTO TEMOS MAIS DO QUE UMA FONTE. ESTARÃO AS FONTES TODAS NO MESMO LOCAL? PASSAM O TELEFONE UMAS ÀS OUTRAS?
PÚBLICO: Marcelo ficou em sobresssalto quando, na útima quinta-feira, ouviu António Lobo Xavier dizer na SIC-Notícias que havia SMS e outras comunicações entre as Finanças e António Domingues, provando que houve não só um acordo, como uma negociação para isentar a anterior administração da Caixa de entregar no TC as respectivas declarações de rendimentos. Se, até aí, o Presidente estava tranquilo com a posição do ministro das Finanças, nesse momento resolveu falar com Lobo Xavier — que é conselheiro de Estado, mas também advogado e amigo de Domingues. QUEM DISSE AOS JORNALISTAS QUE MARCELO TELEFONOU A LOBO XAVIER?
DN: Quando, no fim de semana, o conselheiro de Estado António Lobo Xavier lhe deu a conhecer o conteúdo dos sms, Marcelo sentiu-se traído. “O que lhe tinha sido dito pelo ministro estava muito aquém do que revelam os sms”, disse uma das fontes ao DN.
Contratem o Abrantes pf
Dada a trapalhada instalada no reino com a CGD recomendo a contratação imediata, pelo Governo, do Miguel Abrantes, seja ele quem for. Em poucas horas o Abrantes resolvia a CGD mais o Centeno e o Domingues.
marcelo, o constrictor
Começou a estalar o verniz entre a Geringonça e a Presidência. Como não poderia deixar de ser, pelo PS há quem não goste da presidencialização do sistema de governo que a actuação trepidante de Marcelo está a produzir. Mas, como é óbvio também, Marcelo não fará a Costa e ao PS o favor de se zangar com eles: vai continuar a apertá-los com um sorriso na cara, cheio de amabilidades e elogios ao governo, enquanto os vai encostando à parede, até que fiquem inteiramente dependentes da sua augusta pessoa. No momento certo, que será o que mais convier às suas ambições, dará o golpe fatal. No seu desempenho presidencial, Marcelo faz lembrar aquelas gigantescas serpentes constrictoras da Amazónia que matam por asfixia. O veneno é coisa para amadores. Pelo PS não faltará quem já tenha saudades de Cavaco.
só cadáveres
Os socialistas que andam muito satisfeitos com o desempenho de Marcelo e se queixavam de Cavaco, ainda não entenderam que o actual presidente está, ao contrário do que fez o anterior, a presidencializar o regime a níveis só provavelmente comparáveis aos do tempo de Ramalho Eanes. De facto, o que MRS lhes tem vindo a dizer é o seguinte: o vosso governo só existe porque eu deixo e só subsistirá enquanto eu deixar. Como o tem feito no meio de sorrisos e de gestos amáveis, ainda por cima indo ao encontro do que os socialistas querem, a maior parte não se apercebeu de que é o presidente, e já não a Assembleia da República, o verdadeiro órgão legitimador do seu poder. Não se aperceberam, mas hão-de aperceber-se. Porque Marcelo tem um programa próprio, que não é o do PS; porque nada é eterno; e porque, quando for para cair, será numa altura em que já não dará para voltar a levantar. Ou seja,: Marcelo Rebelo de Sousa não fará inimigos: só cadáveres…
Erro de percepção mútuo
Diogo procurava mulher que lhe preenchesse a solidão de mais uma noite fora de casa. Na zona da cidade dedicada ao aluguer de amor, encontrou Nikita, uma linda mulher com ar de ter sido dispensada por excesso de beleza do KGB. Já no motel, ao som de Elton John, Diogo percebe que se trata de um homem, pelo menos a julgar pelo vistoso pénis. Diogo acabou com a solidão e outros vazios devidamente preenchidos. Foi um erro de percepção mútuo.
* * *
Reinou na Suécia entre 1751 e 1771. Adolf Fredrik, num dia de Janeiro, decidiu comer lagosta, caviar, chucrute e arenque com champagne e 14 porções de fastlagsbulle com pasta de amêndoa e empapados em creme de leite. Morreu enfartado. O cozinheiro ficou muito triste, mas foi um erro de percepção mútuo.
* * *
O programa Centeno, apresentado com pompa e circunstância, permitiria a Portugal acabar com a austeridade através de uma política que consistiria em fomentar o consumo. Este consumo geraria um crescimento natural que permitiria reduzir o défice, aumentar salários e retomar o investimento público para níveis pré-crise e que induziria (capacitaria?) ainda mais crescimento (foi um electricista quem inventou esta terminologia). Afinal, não foi implementado. Foi um erro de percepção mútuo.
* * *
Fernanda Câncio chegou a almoçar com Miguel Abrantes, que não era nada um pseudónimo para indivíduos que faziam pela vidinha a enaltecer as qualidades do seu namorado. Miguel Abrantes era mesmo uma pessoa real, jurava a activista chic e directora não-oficial de recursos humanos do Diário de Notícias. Afinal… bem, foi um erro de percepção mútuo.
* * *
O menino não chumbou no exame. É verdade que não fui explícito no teste, esquecendo-me de afirmar que todas as questões deveriam ser respondidas. Também é verdade que o menino não respondeu a nenhuma, mas estas coisas acontecem, foi um erro de percepção mútuo.
* * *
Nunca houve casos de pedofilia na Casa Pia. O que se passou é que o miúdo meteu-se naquela posição a brincar e o Carlos Cruz tropeçou no embaixador Ritto ao sair do duche. Como ninguém protestou na altura, pensaram que não tinha mal continuar. O Ferro Rodrigues até se esteve cagando para o segredo de justiça em telefonemas para o nosso Primeiro. Na altura parecia uma escandaleira, mas foi só um erro de percepção mútuo.
É tudo uma questão bom gosto
João Gonçalves: Sousa Tavares por vezes “cabotiniza”. “Os gestores não queriam ver as declarações de património publicadas no Correio da Manhã”, disse. E se fosse no Expresso?
CGD: o pior de todos os mundo
Axioma 1. Temos de ter um banco público. Privatizar a CGD é vender Portugal anuncia um cartaz pespegado junto à sede da dita
Axioma 2. O banco público para ser competitivo deve reger-se por regras do privado à excepção do momento em que tem problemas
Axioma 3. Quando o banco público que é gerido como se fosse privado tem problemas não se podem investigar esses problemas porque isso é querer dar cabo do banco público.
Em conclusão, vigaristas de todo o país uni-vos que o banco público por ser público não deve ser discutido nem investigado. Sim, porque aquilo que conduziu a CGD ao estado em que está foram a enormes reportagens e investigações sobre aquela instituição. Não foi de modo algum a politização da sua gestão.
É realmente uma extraordinária benesse para os vigaristas termos um banco público. O tal que temos de capitalizar porque é público e não podemos investigar porque é público.
Antes de se pedir a demissão de Centeno convém não esquecer este aviso
Não São Tricas Meus Senhores! São Maroscas Consentidas!
Em Bucareste, um mar de gente inundou as ruas em protesto contra os planos, vou repetir, planos, de um governo de esquerda que queria despenalizar delitos de corrupção e abuso de poder e ainda amnistiar condenados por corrupção. Não arredaram pé durante 7 dias e exigiam a demissão do governo. E em resposta a pretensa lei caiu. Ler mais…
Com a esperança de vida a indicar “para lá da metade”, é preciso acelerar
A eterna jovem Fernanda Câncio, que quer ter a certeza de, aos cinquenta e tal, poder fazer um aborto (um dia havemos de conversar, a escola falhou redondamente), escreveu um artigo intitulado “A grande derrota da Igreja Católica” (sem link, procurem no Google, que há crianças que carregam nas coisas sem quererem). Nele, aponta que a Igreja Católica foi votar em força nos referendos ao aborto e, como só 16% dos eleitores elegíveis se dignou a votar contra, tal resultado constitui uma derrota da Igreja Católica. OK, é um argumento que merece ser escrutinado por outro prisma gnóstico, vamos lá à proposta:
Tragam os refugiados para Portugal. Todos. Façam novo referendo ao aborto, mesmo sem intenção de mudar a lei. Concluam, pelo resultado, tratar-se da “grande derrota do Islão”. Batam palmas.
Quando temos causas, ao menos que sejam acompanhadas de coragem para as levar às últimas consequências.
Dão-se explicações de francês a jornalistas
O facto de o francês ser uma língua mais desconhecida em Portugal que o sânscrito leva a que caia um extraordinário manto de silêncio sobre o que está a acontecer em Seine-Saint-Denis. Para combater tal lacuna proponho que os raros conhecedores desse bizarro idioma que é o francês se voluntariem para dar explicações de francês. Por mim só não me peçam para perorar sobre os acentos naquela ortografia que tem muito que se lhe diga. Mas também Seine-Saint-Denis, Bobigny e Argenteuil não levam acento algum.
Eles estavam a preparar filhozes
EXPRESSO: Dois irmãos lusodescentes, de 23 e 27 anos, residentes numa aldeia do concelho de Almeida, Guarda, foram detidos pela Polícia Judiciária e estão a ser investigados devido a suspeitas de radicalismo islâmico, conta o “Jornal de Notícias” esta segunda-feira. Os lusodescendentes, nascidos em França, residiam há três meses em Portugal e foram encontradas armas de calibre na sua posse, nomeadamente duas pistolas de 9 milímetros, munições, um punhal e um aerossol, sendo que uma das armas estava envolvida num pano com manchas de sangue.
Fonte da Polícia Judiciária já garantiu ao Expresso que a hipótese destes dois irmãos estarem a planear um atentado terrorista está totalmente descartada.
O que eu gosto na notícia é este “totalmente descartada“. Estas certezas dão-nos uma segurança avassaladora
A vaga de frio e o bom tempo
Vão portanto fazer umas rifas para encher as salas de cinema Portugal?
O sofrimento pungente da multidiscriminação silenciosa
A multidiscriminação é um flagelo que assola a multi-humanidade com sistemáticas e continuadas micro-agressões que acumulam num unificado hiper-ferimento a indivíduos dotados de hipersensibilidade. Não parece um conceito difícil de compreender para pessoas de bem.
Durante milénios, agredimos: é um facto que não é passível de negação. Agora, após este imenso purgatório milenar para esvaziamento de torpe mesquinharia, conseguimos aprovar a criminalização da multidiscriminação. Pequeno parêntesis: esta coisa de aglutinar palavras segundo o método alemão cheira bastante a trauma de Édipo, como, aliás, todo o acordo ortográfico. Fim de parêntesis. A multidiscriminização ocorre quando uma pessoa discrimina por duas ou mais características discriminantes distintas, como anão e maricas, preto e homossexual ou mulher e costureira branca não-instruída. Note o leitor, porém, que não se pode denominar por multidiscriminação quando a caracterização é feita por características discriminantes mutuamente exclusivas tais como socialista e idiota, feminazi e sofredora de frigidez patológica ou namorada-despeitada e activista-de-causas.
Além da multidiscriminação, também há a problemática da “discriminação por associação” (é mesmo assim). Aqui, o executivo resolve a questão como deve ser: diz-nos o Público que tal situação de “discriminação por associação” acontece quando “um jovem se desloca com dois ciganos a um serviço público é mal atendido por estar com eles”. Isto são boas notícias para quem, por exemplo, frequenta a Casa Pia no sentido de acompanhar o pedófilo. Uma pessoa vai ali, fazer companhia ao nosso amigo violador – que as ruas até andam inseguras para se andar sozinho – nem sequer está a violar um miúdo e, sem mais, habilita-se a ser tratado mal só porque algumas pessoas poderão não concordar com a necessidade do amigo em sodomizar órfãos. É tempo de dizer “basta” a esta injustiça.
Melhor ainda é a recomendação do Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação na simplificação de queixas, como explica o Público: “o suposto agressor é que deve provar que não cometeu aquilo de que é acusado”. Muito bem, é assim mesmo! Eu estou há anos há espera que o meu vizinho prove que não matou o meu Bóbi depois de o sodomizar em repugnante actividade não consentida inter-espécies e, até agora, nada. Felizmente, a minha sorte mudará muito brevemente.
A ler
Golo decorrente da marcação de um Kant de Costa
Continua a discussão sobre se Centeno mentiu, se não mentiu, se o Presidente sabia, se não sabia, se as provas publicadas são provas, se não são… Uma confusão e desperdício de tempo. É claro que mentiu: toda a história é mais que óbvia, independentemente das narrativas da era da pós-verdade que reconfiguram mentiras em inverdades. A questão não é se mentiu – porque mentiu: a questão é porque é que ninguém se importa por ter mentido.
A explicação é simples: não estamos a ser governados, isso é um mero sub-produto de uma necessidade; a Geringonça não existe para providenciar governo – daí que não se critique o governo, que não é bem um governo –, existe para nos livrar desse terrível Mal que é ser governado pelo Passos Coelho. Tudo é permitido a este “governo”. Mentir sistematicamente, omitir deliberadamente e dizer que “abandono escolar aumentou porque desemprego juvenil diminuiu” sem a demolição do Carmo e da Trindade é feito em nome de um Bem maior: livrar-nos do Passos Coelho.
Não era o abracadabrante que adorava Kant? Imperativo categórico é isto, é o dever do dr. Costa em tudo fazer para cumprir o desejo universal da humanidade, o de se ver livre do Passos Coelho. E, como se sabe, pela universalidade, os fins justificam sempre os meios.
Se bem percebo
o dr Domingues deu-se aos delírios reivindicativos e fazia exigências meio lunáticas ao ministro das Finanças que fazia de conta que não lia tais despropósitos?
Logo, a coisa está por pouco e há que aproveitar enquanto é tempo
A evolução dos juros da dívida portuguesa na versão PR-carambola origami
A evolução dos juros da dívida portuguesa na versão PR-carambola bilhar
Tenhamos calma, parece que é – diz o PR – o efeito carambola
Realmente há quem se ofenda com qualquer coisinha!