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josé manuel coelho, um mártir da democracia

8 Fevereiro, 2017
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coelho

José Manuel Coelho, o bravo deputado madeirense que luta, em trajes menores, pela liberdade de expressão, terá sido condenado a um ano de prisão efectiva por supostos «insultos» ao ex-dirigente do PCTP/MRPP, o advogado Garcia Pereira, a quem chamou «agente da CIA».

Algo de muito errado se passa com esta sentença e esta condenação. Porquê? Porque, habituado a enxovalhos destes e muito piores, está o camarada Garcia, só que vindos da sua antiga seita, o MRPP, e do seu guru espiritual, até há pouco tempo temido e idolatrado, Arnaldo Matos. A título de exemplo, vejam-se alguns dos artigos recentemente publicados no Luta Popular, jornal online da patusca organização, e digam-me, depois, se um sujeito habituado a isto pode queixar-se de qualquer outro insulto que lhe façam:

E poderíamos continuar, porque, donde vieram estas há muito mais. Mas a questão é a seguinte: depois de levar com tudo isto nas ventas, é o Coelho quem vai preso?

mentir é feio

8 Fevereiro, 2017
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Eis como uma história que poderia ter tido um desfecho muito simples acabou por ficar muito complicada. Mário Centeno, ministro das finanças e economista de profissão, propôs a António Domingues a presidência da CGD e prometeu-lhe o que, seguramente por desconhecimento, não lhe poderia ter prometido. Quando confrontado com o seu equívoco, Mário Centeno poderia tê-lo assumido, pedido desculpas a Domingues pelo lapso, corrigido a proposta que Domingues aceitaria ou não e, desse modo, o assunto teria sido encerrado. Mas não: preferiu dar o dito por não dito, provavelmente convencido que Domingues cederia, que ele sairia incólume e a opinião pública ficaria sem conhecer o que, de facto, se passara. Enganou-se: Domingues, que deve ter mais por onde ganhar dinheiro, permaneceu na sua e não cedeu às contraditórias exigências do ministro. A partir daí, com aquela cara de quem está a esconder aos pais uma asneirola que acabou de fazer, Centeno começou a mentir desalmadamente ao país. Hoje, mais uma vez, foi encostado à parede e desmentido por António Domingues, e o país ficou a saber aquilo de que já desconfiava: que tem um ministro das finanças que é capaz de mentir para sustentar um erro que cometeu. Moral da história: mentir é feio.

Do romantismo ao masturbantismo

8 Fevereiro, 2017

Melhor do que afirmarmos sobre o que as pessoas pensam é perguntar às pessoas o que pensam. Às vezes, as pessoas até pensam, por muito que isso custe às elites balofas que gostariam de pensar por elas. Palavra então às pessoas:

ch-1

Quem são as pessoas?

ch-2

 

Onde está o artigo completo? Está aqui, não está nas pancas dos Adões e Silvas, os neo-Dantas que substituíram o romantismo pelo masturbantismo.

mistérios do lupanar

7 Fevereiro, 2017
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Resultado de imagem para caixa geral de depósitos prostíbuloQuem visitar hoje o Observador deparar-se-á, imediatamente, com uma enorme barra cimeira, onde se lê: «PROCURAM-SE EMPRESAS PARA CAPITALIZAR». E, logo abaixo, em letras azuladas mais pequenas – «NA CAIXA. COM CERTEZA». Pensava eu que se tratava de um desesperado pedido de socorro de Paulo Macedo, acabado de chegar à presidência do banco público e em estado de choque com o que certamente lá encontrou, quando constato que, afinal, é a Caixa que está a oferecer dinheiro às empresas, 1.600 milhões de euros, mais precisamente. O que é um facto notável: por um lado, a Caixa está falida e carece, com urgência, de 4.000 milhões para não seguir o mesmo caminho do BES. Mas, por outro, disponibiliza quase metade desse valor para auxiliar empresas certamente em melhor situação financeira do que ela, espera-se…

Já começou

7 Fevereiro, 2017

Mal se soube que Cavaco ia publicar as memórias respeitantes ao período em que foi PR começou o crescer da onda que na próxima semana se transformará na nova versão da cena do ódio. Cavaco com as suas maiorias absolutas foi o único que conseguiu questionar a tutela PS do regime e é isso que não lhe perdoam. É essa a sua força e a sua fragilidade.

Por mim, o SNS devia fazer tudo, até tratar doentes de vez em quando

7 Fevereiro, 2017

Ontem, passou na RTP mais um daqueles programas com nome de “Prós e Contras”, no caso particular dedicado, basicamente, à gravidez artificial de lésbicas. Tendo a acreditar que quem não está disposto ao ritual de procriação também não está muito preparado para a maternidade, até porque são coisas bastante parecidas: momentos de prazer seguidos de enjoos (basta ver os programas escolares) e dores nas articulações que se tornam recorrentes ao longo da vida. Porém, não julgo: uma pessoa deseja ser inseminada por um desconhecido, não temos nada a ver com isso, no caso geral de não estar disponível em vídeo em encenação por profissionais devidamente remunerados. Pessoalmente, acho que seria mais giro adoptar um refugiado – à falta de outros miúdos de pais desconhecidos que acabam afagados por um Bibi em simpáticos orfanatos -, mas compreendo que as pessoas prefiram filhos de desconhecidos a miúdos que podem melhor servir para publicidade quando devidamente desprovidos de vida numa praia europeia.

Vamos ver: o SNS faz o ciclo completo. Tanto engravida pessoas como lhes aborta o transtorno; tanto serve para dar à luz uma nova Thaïs Clotilde como para eutanasiar o pai severo que nunca aceitou bem a namorada tatuada da filha; tanto muda o sexo do Hércules Afonso como lhe providencia tratamento psiquiátrico pela impossibilidade de o reverter para o original. É um serviço muito inclusivo.

Porém, há coisas que não faz. Por exemplo, não faz outros actos não-médicos (como também não é acto médico a prática da eutanásia) como tatuagens e piercings. Só próteses sem componente estética. Uma discriminação ao bom gosto. Já era tempo de o SNS empregar tatuadores que assegurem total higiene em vez das pessoas andarem a marcar o corpo com lindas lemniscatas em vãos de escada. Também não providencia serviços como a amputação a pedido, em total liberdade do paciente, de membros perfeitamente funcionais. Quer dizer, fazem se se tratar de um agradável pénis, mas não fazem se se tratar de uma repugnante perna. Isto não se entende.

Karl (nome não é real, o real deve ser Aquiles), sempre desejou ver-se livre da maçada que é ter pernas. Na recusa do Obamacare em resolver este problema, como se duas pernas fossem assim tão diferentes de um pénis, teve que tratar ele próprio do assunto. Porquê, meu Deus? Porque há-de alguém ter que se sujeitar a esta tortura macabra de ter membros que não quer? Quem somos nós para o privarmos do direito de amputar as suas pernas?

Por um SNS verdadeiramente inclusivo, proponho que o próximo Prós e Contras seja sobre esta problemática, a da amputação voluntária medicamente assistida. Não é uma eutanásia completa, é só a partes do corpo, deve ser menos controversa que a eutanásia total. Proponho também que o programa passe um bocadinho mais cedo, para que a peixeirada decorrente não acorde as crianças, que no dia seguinte serão obrigadas a ir para a escola onde só se pode doutrinar sobre “educação sexual”, “educação cívica”, história e a inteligência de Marx e, infelizmente, coitadas, sabe-se lá a quantas agressões por verem crucifixos serão obrigadas pelo caminho.

A ler

6 Fevereiro, 2017

O segredo da Caixa: Quanto à joia da coroa estatal, a CGD, reina há largos meses um silêncio ensurdecedor, a ponto de não haver uma linha a seu respeito no último «Expresso». O trio governamental uniu-se sem falhas para impedir a continuação do inquérito parlamentar contra a decisão do próprio Tribunal da Relação.

A inexplicável Vendeia

6 Fevereiro, 2017

Chegaram os dias da “inexplicável Vendeia”, essas revoltas que os revolucionários nunca compreendem e sempre procuraram esquecer: como pode o povo revoltar-se contra as revoluções feitas em seu nome? Nas últimas décadas as lideranças da Europa e dos Estados Unidos produziram toneladas de legislação para, diziam, promover a igualdade, combater a discriminação, todas as formas de fobia e, obviamente, o machismo e o racismo. Assim que umas leis eram postas em prática logo outras mais perfeitas as vinham completar. A multiplicação das leis era acompanhada pela divisão dos crimes em grupos, subgrupos, alíneas… Mas todo este edifício de leis, comissões e programas foi feito a pensar num modelo em que o homem, branco, católico, conservador encarnava o papel do machista, do racista, do reaccionário… Quando o agressor é outro e sobretudo quando o agressor vem dos grupos que os libertadores do povo têm como seus protegidos (e potenciais futuros eleitores) então o que antes tinha de ser imediatamente denunciado passa a ser prontamente silenciado. E assim ignoram-se agora as agressões praticadas por refugiados/emigrantes muçulmanos na Suécia (Uppsala, Malmo, Nordstan) tal como se ignorou durante anos e anos o que estava a acontecer nos bairros periféricos de França, quer com a radicalização dos muçulmanos, quer com a violência dos bandos de jovens de que são exemplos os acontecimentos deste ano em Juvisy (não, não foi notícia por cá) ou as reviravoltas oficiais para que não sejam conhecidos os números das viaturas incendiadas nas datas festivas naquele país.

Bush, Clinton, Obama, Hillary e Trump

6 Fevereiro, 2017

Eu não gosto de muros como aquele que Clinton construiu na fronteira com o México e  que agora Trump promete concluir os kms que faltam. Nem do discurso de Clinton em 1995 e Obama em 2011 que Trump resolveu copiar para justificar a necessidade de expulsar e impedir a imigração ilegal. Nem  de restrições à migração de pessoas, nem da lista de países a banir, criada por Obama, e que agora Trump resolveu tirar da gaveta. Mas entendo a emergência das medidas:  proteger. Não é esse o dever do Estado? Desde quando a segurança é uma questão política de esquerda e ou direita? Porque razão são boas se praticadas por uns, odiosas se forem praticados por outros? Ler mais…

Ai é assim que se faz? Vamos recomeçar.

6 Fevereiro, 2017

Ai agora estamos todos preocupados com o Trump, com a Le Pen e com sabe-se lá com quem mais que vier a seguir? Muito curioso, uma vez que vimos o Tsipras com um herói que ia bater o pé “à Europa”. Isto para não falar na beatificação de Dilmas, Lulas, Sócrates, Hollandes, aqueles palhaços do Podemos espanhol… Ai agora estamos preocupados?

Todo – sublinho – todo o folclore anti-Trump tem por base uma única coisa: o gajo é associado à direita e encontrou a fórmula para aceder ao poder no século XXI pós-Obama. Queremos que saia para entrar o nosso próprio Trump, o “da esquerda”, agora que sabemos como se faz e que, afinal, não é com Corbyns e Sanders.

para pior

5 Fevereiro, 2017
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Restam-me cada vez menos dúvidas de que Marine Le Pen vai ganhar as próximas eleições francesas. O situacionismo, à esquerda e à direita, põe as fichas todas na segunda volta, e crê que a mulher ganhará à primeira e será esmagada na segunda. Não arriscaria nisso um cêntimo. O mau estado dos candidatos que se anunciam contra a líder da Frente Nacional, o desânimo que paira nas suas hostes e a falta de ideias claras sobre aquilo que mais preocupa os franceses – a insegurança, o islamismo e a crise económica – não valem muitos votos. Em contrapartida, Le Pen vende-lhes ideias claras e fáceis de entender: para acabar com o terrorismo, expulsão dos muçulmanos e restrições à emigração; para acabar com a crise, saída da União Europeia e do Euro. Infelizmente, ao longo das últimas décadas, os partidos democráticos recusaram-se a encarar, de frente, o problema da insegurança e da islamização de França. Agora, no desespero em que o terrorismo lançou o país, as ideias fáceis e a demagogia têm espaço para progredir e, até, para vencer. Até porque, desgraçadamente, nenhum dos candidatos dos partidos democráticos deu qualquer ideia de como resolver os problemas dos franceses e os últimos anos de governação não são, para eles, de boa memória. Acredito que, até ao fim do ano de 2017, a vida na Europa irá mudar profundamente. Para pior.

Duelo de ideias

5 Fevereiro, 2017

O novo programa de debate, “Duelo de Ideias”, criou grandes expectativas. Finalmente, um programa de debate onde diferentes pontos de vista seriam apresentados e debatidos perante total independência do moderador, que se limitaria a avaliar se as questões levantadas eram respondidas dentro das regras da educação e elevação necessárias ao debate.

No primeiro episódio, um debate entre Judas Massa, advogado freelancer e deputado independente pelo Partido Socialista, e Bernardo Sottomayor Sepúlveda, o IVº, jovem agricultor, presidente da associação de reformados da função pública e deputado eleito pelas listas do distrito de Cascais do CDS-PP.

– O governo está numa senda de irresponsabilidade, colocando em risco o financiamento futuro da república… – inicia Bernardo.
– Irresponsável és tu, ó totó.
– …não é preciso descer o nível…
– De pirocas descidas percebes tu, ó betinho!
– …eu vim para debater…
– Vieste foi para levar nos cornos, ó camelo!
– Acho isto inaceitável…
– Sotôr Sottomayor, o senhor foi convidado para debater, é importante que não se perca com divagações acessórias ao debate – relembra o moderador.
– Embrulha, chulo – recomeça Judas.
– Isto não é um debate! – desabafa Bernardo, sentindo a primeira gota de suor a manchar a camisa sugerida pelo seu alfaiate em Saville Row.
– Doutor Sottomayor, tem que debater! – insiste o moderador.
– Anda lá, ó coninhas. Debate, ó boi! – grita Judas, mantendo a animação que um bom debate induz aos seus intervenientes.
– Eu vou-me embora! – exaspera Bernardo.
– Vais o quê? Anda lá, luta como um homem, ó merdas! Estamos aqui para debater, ó fascista cara de cu.

Bernardo levanta-se para abandonar o estúdio, Judas atira-lhe com a cadeira, que o deixa prostrado e com a cabeça a sangrar.

– O que tem a dizer a este argumento do professor doutor Judas Massa, doutor Sottomayor? – continua o moderador, habituado a estas pequenas picardias entre pessoas que debatem apaixonadamente a actualidade.
– Anda lá, levanta-te, ó puta dos mercados – incentiva Judas, para que Bernardo encontre uma argumentação à altura da estrita verdade ideológica com que foi confrontado.

Bernardo começa a levantar-se, se bem que cambaleante e com medo genuíno de levar mais porrada, eis que se vê o pé de Judas, o que, ao acertar na face de Bernardo, lhe faz voar dois dentes por entre uma pulverização sanguínea bastante espectacular.

– Responde, azeiteiro de merda! Estamos a debater! Levanta-te!

Bernardo tenta sair do estúdio rastejando. O moderador levanta-se e aponta-lhe a arma:

– Doutor Sottomayor, estamos aqui para debater, com respeito e elevação, tratando o oponente como adversário, não como inimigo. O sotôr está subverter as regras do debate personalizando simples argumentos políticos como se de ataques pessoais se tratassem.
– Pois estás, ó boi! Levanta-te.

Bernardo grita, um misto de desespero, pânico e compreensão de que não sairia do estúdio com vida.

– Ele não quer debater, é uma besta, um fascista – afirma Judas, entristecido por um debate com oponente sem argumentos para respostas adequadas.
– Devo disparar sobre ele? – pergunta o moderador.
– Acho que é melhor ser eu. O moderador deve ser isento.
– Não creio que os telespectadores considerassem falta de isenção da minha parte se disparasse sobre um convidado tão patético e obviamente opressor.
– É um fascista! É um Trump! Nazi de trampa!

Judas pega na arma, dirige-se para o rastejante Bernardo e, sem esperar por mais respostas, dispara um argumento certeiro na nuca do oponente, que imediatamente assume uma postura de quem não tem condições intelectuais para rebater o argumento apresentado.

– E é tudo por hoje. Não perca para a semana mais um debate entre a esquerda e a direita portuguesa. Bom fim de semana – despede-se o moderador.

O programa é um sucesso, motivando cópia do modelo de debate pelas restantes estações de televisão.

Vídeos que dizem “América primeiro, católicos brancos em segundo”

4 Fevereiro, 2017

bb0f4_burqahighO slogan America first (América em primeiro lugar) do Presidente Trump originou uma série de vídeos de vários países1 produzidos por estações de televisão nacionais, apelando a que o seu respectivo país venha, então, em segundo lugar após a América. Com efeito mais ou menos cómico – e alguns conseguem ter piada em alguns pontos -, usam referências culturais e folclóricas de forma auto-depreciativa e crítica esquerdista ao que pretendem associar à acção governativa de Trump. É neste último ponto que o humor falha: para um progressista conseguir criticar Trump tem que recorrer à caricatura pura (o que não tem mal), já que, esmiuçando as propostas do Presidente, estas em nada diferem no conteúdo proposto pelos progressistas fora do espectro de guerrilhas sociais. Portanto, é uma sátira à forma, não ao conteúdo, daí serem populares entre pessoas que vêem programas do tipo Got Talent.

O que pude reparar em todos os vídeos é que não há um único que, para representar o seu país, recorra a imagens de mesquitas, de indivíduos barbudos de origem árabe ou de mulheres vestidas como apicultoras. Pelo contrário, vi referências a igrejas, ao carnaval, a nudistas, ao consumo de álcool, a mulheres descritas como “boas”, a diversão, desporto, entretenimento, homossexualidade… referências tipicamente europeias, oriundas da tradição iluminista que tarda em chegar ao mundo árabe. Portanto, estes videos que pretendem caricaturar Trump, limitam-se a caricaturar o multiculturalismo, ideia de que fogem como um leproso foge da Isabel Moreira, e, em última instância, à própria falta de valor cultural da população muçulmana para os diferentes países.

Quod erat demonstrandum.


1 Vídeos também aqui, no Observador, em português.

Sobrará algum português que não seja funcionário público?

3 Fevereiro, 2017

Levantamento da contratação no Estado identifica cerca de 90 mil vínculos temporários. Só em março o Governo saberá o real número de precários. Regularização extraordinária deve avançar até outubro.

BE e PCP estão satisfeitos com levantamento do número de precários, mas querem que inclua também os contratados por falso outsourcing.

marcelo, o incontinente

3 Fevereiro, 2017
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Não se consegue perceber se, nesta notícia sobre a manutenção do raiting da dívida portuguesa pela Fitch, Marcelo Rebelo de Sousa age como representante da agência, que não nos parece que seja, se como porta-voz do governo, o que julgamos que ainda não é, ou se como fazedor de factos políticos, que pensávamos que já não era. Como Presidente da República é que seguramente não foi.

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duas linhas em nota de pé de página

3 Fevereiro, 2017
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Este cidadão que é referido nesta notícia tem, como qualquer outro, o direito de ter as suas convicções e opiniões, e de mudá-las quando entender. Mas a liberdade de opinião e de expressão não nos iliba do ridículo. Quando temos um passado e o devemos a pessoas e às convicções que, em seu nome, representámos, fazer de conta que não temos uma história é triste para quem o faz. Ora, Freitas do Amaral foi-se sempre esquecendo sucessivamente do que fora e de com quem fora: de Marcelo Caetano, de quem tinha sido discípulo subserviente e que enjeitou como «adversário da democracia», até José Sócrates, a quem surpreendentemente serviu como ministro e de quem hoje diz o que o Maomé não diz do toucinho. Um dia, quando for feita a história deste homem, dir-se-á o quê? Provavelmente, que viveu sempre mal consigo mesmo, dentro da sua própria pele, e com aqueles que nele confiaram. Nada que mereça muito mais do que duas linhas de fim de página.

Institucionalizar flocos de neve

3 Fevereiro, 2017

While we have made clear our belief that the inflaming rhetoric and provocations of Mr. Yiannopoulos were in marked opposition to the basic values of the university, we respected his right to come to campus and speak once he was invited to do so by a legitimate student group. Public Affairs, UC Berkeley

Lindo! A universidade tem valores básicos que são postos em causa pela opinião de pessoas. A opinião de pessoas ofende os valores básicos da universidade. Na universidade há opiniões que constituem o valor básico da instituição. Sim, estou a repetir-me. Sim, é ridículo. Sim, florzinhas de cheiro, seus flocos de neve, nem o vosso Voltaire percebeis: julga o homem pelo que pergunta, não pelo que responde.

um governo bipolar

3 Fevereiro, 2017
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Temos um governo politicamente bipolar: às segundas, terças e quartas governa com o PC, o Bloco e os sindicatos, às quintas, sextas e sábados pretende governar com o PSD, o CDS e com as confederações patronais, e aos domingos faz de conta que não existe. O recente episódio da TSU e o que agora se adivinha com o Novo Banco são graves sintomas deste distúrbio psico-político. Neste último caso, como ficarão os papagaios do PS, entre eles o ilustre João Galamba, que andaram, nas últimas semanas, a repetir que o Novo Banco era para nacionalizar, e que verão, agora, que mandam menos nisto do que a burocracia de Bruxelas e os banqueiros do Santander? E o Bloco e o PC continuarão a engolir sapos, em nome dessa brincadeira que inventaram para justificar o seu apego ao poder, que é a «reposição de rendimentos», a tal que não chega a dar mais um euro por mês aos reformados? Como era previsível, à medida que viessem para cima da mesa os assuntos difíceis da legislatura, o espaço de manobra da geringonça começaria a diminuir. Como, por outro lado, aumentam as dissensões entre quem a sustenta, não é fácil imaginar que o que aí vem lhe possa ser muito abonatório. O travestismo político tem destas coisas: um dia é preciso decidir qual é a nossa verdadeira pele.

Safe Spaces

2 Fevereiro, 2017

Nos últimos anos, a direita andou a aceitar, com mais ou menos estupefacção, as criações dos guerreiros sociais da esquerda: safe spaces e “avanços civilizacionais” avulsos, como a remoção de palavras como nigger de clássicos da literatura. Uma asneira irreflectida. Estes movimentos devem ser incentivados e acarinhados, bastando, para tal, serem enquadrados de forma correcta para que sejam úteis para a generalidade de população.

Por exemplo, é uma asneira dizer que se vai proibir a entrada de indivíduos de determinados países. Isso é o processo, ninguém quer saber do processo. As pessoas querem saber é do princípio, e o princípio é a criação de safe spaces livres de cidadãos desses países. Com efeito, o presidente Trump com a sua Executive Order, deu um grande passo na criação de um grande safe space onde cidadãos desses países, com as suas ideias ofensivas, não entram para ofender as pessoas com o direito inalienável a não serem ofendidas.

Irrefutável. Agora é ir por aí fora, que a linguagem e os conceitos já estão criados. O meu mais sincero agradecimento a Lenin e Gramsci.

A Austrália país mais ou menos do tamanho do principado do Mónaco

2 Fevereiro, 2017

recusa-se sem maiores explicações (também ninguém lhes pergunta nada) a deixar entrar 1250 refugiados/emigrantes (já ninguém distingue uma coisa da outra) no seu território. Mantém os 1250 refugiados/emigrantes na Papua. E teria feito um acordo com os EUA para que os tais 1250 refugiados/emigrantes fossem para os EUA que na troca dos cromos mandaria hondurenhos e guatemaltecos (não se sabe onde estão nem sequer se querem ir para tais distências)
Ou o acordo Austrália-USA tem uns anexos secretos ou o acordo é mesmo muito estúpido

australia-map

Deixem-se de gritinhos e expliquem as coisas!!!!

2 Fevereiro, 2017

a) 1.250 pessoas tentaram imigrar ilegalmente para a Austrália e que estão, neste momento, em centros de detenção australianos nas ilhas de Manus (Papua Nova Guiné) e Nauru.

b) Barack Obama assinou um acordo para receber esses refugiados (a maioria proveniente do Irão), que a Austrália não quer que fiquem no país.

c) Em troca, a Austrália aceitou receber refugiados de El Salvador, Guatemala e Honduras

Alguém consegue informar:

a) A Austrália não que estes emigrantes/refugiados do Irão porquê?

b) Onde estão os refugiados de El Salvador, Guatemala e Honduras que Obama se propunha mandar para a Austrália? Quantos são?

c) Quais as vantagens para ambos os países, além da promoção dos voos intercontinentais, desta troca de refugiados/emigrantes?

Nem nos deixam ser assassinados em paz

2 Fevereiro, 2017

Uma pessoa que chegue hoje a Portugal vinda de um resquício de civilização ocidental, talvez uma ilha não cartografada no Mar do Norte, fica sem saber de onde vem esta ridícula discussão sobre a eutanásia.

Em primeiro lugar, porque a discussão não é sobre eutanásia, é sobre homicídio legalizado em condições que ninguém sabe sequer definir. Passo a explicar:

Suicídio é o que acontece quando disparamos a arma sobre nós; eutanásia é quando nos dão a arma para que possamos disparar sobre nós; homicídio legalizado é quando alguém tem o poder legal de disparar a arma por nós. Para se tratar de uma discussão sobre eutanásia, o ponto a discutir seria se quem fornece o dispositivo que permite o suicídio – que, para o efeito, pode ser uma mistura de fármacos letais – deve ser criminalizado. Para tal, a pessoa que solicita a eutanásia, tem que ser unicamente responsável pelo uso desse dispositivo, o seu operador e único interveniente no processo que origina o suicídio. Sublinho “suicídio”. Ora, os casos de morte medicamente assistida não podem ser considerados suicídio porque a droga letal é administrada por outra pessoa – o médico ou o enfermeiro. É ridículo chamar a isto suicídio, da mesma forma que é ridículo chamar suicídio ao acto de alguém atirar outro de uma ponte. Toda a discussão com a palavra eutanásia é uma fraude.

Em segundo lugar, porque nenhum proponente desta aberração consegue apresentar um único caso pendente que possa ser enquadrado pela lei como solicitação de eutanásia. Os proponentes são pessoas habituadas às ditas causas fracturantes, profissionais do engodo nacional que consiste em promover eventuais necessidades de uma micro-minoria, por vezes imaginária, a casos de urgência nacional. Colocam a maior parte dos portugueses a discutirem palermices como se a vida devesse ser suspensa até chegarmos à conclusão de que é impossível continuar a viver (literalmente) sem concluirmos o que fazer. Após a aprovação destas aberrações, viram costas, neste caso aos velhos acamados, e passam ao assunto seguinte na lista de “avanços civilizacionais” a tratar. Naturalmente, à medida que o tempo vai passando, os potenciais “beneficiários” (merece as aspas) destes “avanços civilizacionais” vão diminuindo: há mais gente disposta a abortar do que a casar com alguém do mesmo sexo; há mais gente disposta a casar com alguém do mesmo sexo do que a ser assassinada a pedido e de forma legal.

Em terceiro lugar, porque o efeito destas discussões é dividir os portugueses em dois grupos de forma sistematica. Ao contrário da divisão natural entre portugueses, a dos que consideram António Costa um imbecil e os que são imbecis eles próprios, esta divisão efectua-se entre o grupo dos crentes na benevolência da intervenção estatal na vida (e agora morte) das pessoas e o grupo dos ateus sobre tudo que profissionais dos “avanços civilizacionais” propõem. É deveras estranho encontrar alguém fora do espectro do socialismo que possa apoiar esta aberração, nem que não seja mais nada pelo motivo abordado neste ponto. Estaline, o maior prestador europeu de serviços de eutanásia.

Em quarto lugar, porque a sociedade é um conceito abstracto sem conexão com o mundo real. Não existe um ente que possa unificar as virtudes e defeitos de um grupo de pessoas cujo único ponto em comum é falarem a mesma língua e terem nascido no território associado à república, daí que não possa existir o conceito de “bem comum” e, muito menos, o conceito de “benefício social”. Essas merdas de Kumbaya morreram no final dos anos 60 e começa a ser altura de alguém avisar o coveiro.

Em quinto lugar, porque uma discussão séria sobre os limites admissíveis para a intervenção que coloque em causa o término da vida humana não pode ter origem num parlamento eleito à revelia deste assunto por mero golpe aritmético. Sejam meninos grandinhos, deixem de ser covardes, e apresentem ao eleitorado a proposta nestes termos: se votarem no grande governo unitário de esquerda (inclui partidos que equiparam seres humanos a vacas), estejam cientes que será legalizado o homicídio a quem o solicitar mediante a aprovação burocrática de painel de especialistas que são pressionados diariamente para vagar camas de hospital.

Em sexto lugar, e por último, porque da última vez que fizeram uma grande discussão pública, em concreto a perguntar se mulher que aborte deve ser criminalizada – e o termo “interrupção da gravidez” está focado na grávida, não no ser que é abortado, daí que seja um eufemismo bacoco para morte -, o resultado final foi que mulheres passaram directamente da prisão para a casa partida, recebendo o aborto subsidiado pelo contribuinte e os dias de baixa necessários para lidar com o trauma numa praia espanhola. Pensem nisso da próxima vez que se queixarem do caos nas urgências e da falta de camas nos serviços hospitalares.

Podem disparatar. Não respondo a esganiçadas.

Ser assassinado com dignidade e higiene

1 Fevereiro, 2017

Durante décadas, sempre que um português desejava morrer era confrontado com duas opções: suicidar-se ou esperar. No século XXI, após grandes avanços civilizacionais como a possibilidade de usar o aborto como contraceptivo gratuito e o divórcio entre casais homossexuais, tornou-se imperativo que uma pessoa possa ser assassinada em total liberdade e em condições de higiene e salubridade condizentes com as melhores práticas hoteleiras mediante uma simbólica taxa moderadora para combater as listas de espera. À partida, nada contra: é até uma admissão de que já não há mais nada para moldar neste mundo, vamos lá incutir o marxismo cultural para o Céu.

No entanto, como nenhum justiceiro social e restantes florzinhas de cheiro acredita no Céu, o homicídio sancionado pela lei seria destinado a outros, os que já em nada contribuem para a sustentabilidade da segurança social. Com efeito, só dão despesa e, em muitos casos, são maçadores, sem histórias giras de engates na discoteca Jamaica para contar. Na primeira fase, o homicídio legal será destinado a todos os incapacitados de se atirarem da ponte que, ainda assim, conseguem viajar de avião até à Suíça e de táxi até à clínica onde pagam para serem devidamente assassinados num cenário idílico. Posteriormente, alargar-se-á o homicídio legal, tudo direitinho e constitucional, a todos os que parece que em tempos poderão ter dito que mais vale morrer do que ficar na cama a dar trabalho aos filhos.

A dra. Isabel Moreira é uma das defensoras deste avanço social na área da legalização de homicídios. Eu, no lugar do seu paizinho, o dr. Adriano Moreira, suspeitaria um bocado. Pelo sim, pelo não, aumentava-lhe a mesada. Outras pessoas sem filhos também defendem a coisa, o que mostra que são espertas. Ninguém com filhos consideraria a coisa assim de ânimo leve, que isto nunca se sabe: a gente bem se esforça para os educar para aquelas cenas retrógradas do “não matarás”, mas, com tantos anos de heteropatriarcado em cima, nunca se sabe se fica alguma coisa. Pelo sim, pelo não, vou preparar já um testamento vital: para terminar a minha vida opto pelo método de esperar.

Sobre a “morte assistida” ou mais precisamente sobre ma fraude deliberada de linguagem.

31 Janeiro, 2017

José Ribeiro e Castro: Isto da “morte assistida” é uma hipocrisia e uma mentira pegada. Uma fraude deliberada de linguagem. Morte assistida é o que se passa todos os dias nos hospitais, com os doentes que são cuidados clinicamente até ao último momento. Morte assistida é o que se passa naquelas famílias que assistem e acompanham, com carinho, os seus familiares nos últimos dias e momentos de vida. O meu irmão morreu, há pouco, assistido, no hospital. A minha avó paterna morreu, assistida, em casa, quando eu era criança. É a primeira morte de que me lembro. O meu avô materno morreu, assistido, no hospital. O meu avô paterno morreu, assistido e acarinhado, em casa de meus pais. A minha mãe, a minha avó materna e o meu pai morreram todos subitamente, pelo que não foram assistidos. O médico e a família apenas puderam constatar os óbitos.
Não se pode despenalizar a morte assistida, porque a morte assistida não está penalizada. A assistência na morte é um dever de todos os próximos dos moribundos: médicos, familiares, outros profissionais de saúde, cuidadores em geral. Não só é legal, como é devida.
Este debate não é sobre morte assistida. Este debate é sobre eutanásia, isto é, sobre morte provocada.
Também eu, se não morrer de morte súbita, ou violenta, ou de acidente, terei certamente uma morte assistida: ou em estabelecimento de saúde ou social, ou em minha casa com a família. Não temos que nos preocupar com isso. Já é assim

Não querem perguntar nada aos outrora estrepitosos defensores dos Estaleiros de Viana?

31 Janeiro, 2017

2013 e 2014

CGTP acusa Governo de avançar para “negócio ruinoso” de “venda nos olhos” nos estaleiros de Viana

Multidão contra a morte dos Estaleiros de Viana

Bloco avança com queixa por subconcessão dos estaleiros não ter seguido Contratação Pública

Protesto em Lisboa contra subconcessão dos Estaleiros de Viana

Fecho do estaleiro em Viana pode aumentar até 12% desemprego do distrito

Ana Gomes apresenta queixa-crime devido à subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Mais de 2.500 pessoas participaram no sábado na iniciativa “A construção naval não pode morrer”, dinamizada pela Câmara local

JANEIRO DE 2017
Subconcessionária de estaleiros de Viana espera contratar 400 trabalhadores até final de 2018 O presidente da WestSea, subconcessionária dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), afirmou hoje ter uma carteira de encomendas de 80 milhões de euros, estimando, até final de 2018, empregar cerca de 400 trabalhadores.  

E quem não salta é panasca!

31 Janeiro, 2017

A agitação mediática em Portugal sobre o Presidente dos Estados Unidos está ao rubro. Não tínhamos tanta agitação desde o dia em que o Salazar ganhou o concurso de “Maior Português” da RTP. Continuem.

o poder é tramado. perdê-lo, mais ainda

30 Janeiro, 2017
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O mínimo que pode dizer-se destes primeiros dias de administração Trump é que o novo presidente tem sido absolutamente desastrado na forma como se tem relacionado com a opinião pública, parecendo ignorar que o tempo de a chocar, para ganhar eleições, já lá vai, e que agora é mesmo o presidente dos EUA. É evidente que Trump não conta com qualquer estado de graça e que a comunicação social não lhe é simpática. Mas ele devia sabê-lo e agir em conformidade ou, pelo menos, tendo isso em consideração e como um sério aviso. Posto isto, se a entrada de Trump no poder presidencial é inaudita, a saída de Barack Obama ainda o é mais, De facto, não há memória, repito, não há memória de tamanha falta de fair play do presidente substituído em relação ao substituto. No caso, Obama poderia achar miseráveis as políticas de Donald Trump. Mas um pouco de sensatez ou de menos vaidade e dependência do poder, obrigá-lo-iam a estar calado. Mas não: Obama optou a continuar a palrar (parece que é disso que vive) e a incentivar os americanos a irem para as ruas contra o seu sucessor. O homem não consegue respirar fora da Casa Branca.

o brasil que aí vem

30 Janeiro, 2017
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lg-b90ce311-3a4b-4deb-9ce5-25466a84f283Hoje foi preso Eike Batista. Lembro-me de o ver idolatrado por quase todo o Brasil, quando era um dos homens mais poderosos do seu país e do mundo. Eike já era rico antes de ser multimilionário, como ficou, pelo menos na aparência, durante os anos de Lula da Silva. Embora a sua história de ascensão e queda não esteja ainda bem explicada, parece provado que Eike beneficiou de vantagens políticas que as suas relações muito próximas do poder permitiram alcançar e que caiu quando esses poderosos o deixaram de ser. A sua entrada no mundo do pré-sal, que ditou a sua glória e ruína, terá sido conseguida com cumplicidades políticas e em troca de favores milionários. Mas muito há ainda para explicar. Caído em desgraça, há que dizer que Eike se portou com uma inusual dignidade em momentos que são certamente de extrema dureza para si e para os seus, o que é de louvar e admirar. Eike Batista não é, certamente, um criminoso de delito comum.

Há, por estes dias e pelo Brasil, quem esteja muito feliz com a «limpeza» que a «Lava-Jato» está a operar no país, operação que está a decapitar verdadeiramente a elite política e financeira que o dirigiu nos últimos anos. Afiança-se que o Brasil que sairá disto será muito melhor do que aquele que estava. Eu não estou muito certo que venha a ser assim.

O problema da «Lava-Jato» não é nem da operação, muito menos de mandar criminosos e corruptos para a cadeia. É que parece que quase ninguém escapará ao seu crivo rigoroso, o que diz mais do próprio país do que de quem vai preso. É que algo de profundamente errado aconteceu no Brasil dos últimos trinta anos para que aqueles que hoje o governam sejam praticamente todos corruptos. Se é verdade que os anos do lulismo elevaram à normalidade o velho coronelismo brasileiro, aquela sensação de que o país é património pessoal de quem o governa, também não duvido que o lulismo é um filho, e um filho bastardo, desse sistema, que não inaugurou e que duvido venha a terminar com a sua derrocada. Um sistema destes, ainda que muito agravado recentemente, tem certamente razões na História que não se apagam, nem mudam com facilidade, nem à força das grades das prisões. Se é que alguma vez mudará.

E sobre o dia seguinte há uma preocupação evidente: quem é que substituirá as centenas, ou milhares, de líderes e dirigentes políticos afectados pela «Lava-Jato»? Sendo certo que as elites dirigentes não se criam por geração espontânea e que não há um escol de virtuosos a aguardar que o poder os chame e lhes seja confiado, a nova classe dirigente federal e estadual terá de vir, forçosamente, de quem anda na política local. O que faz antever o pior.

Alguém Sabe Dizer em que Escolas de Contrato de Associação Está a Chover?

30 Janeiro, 2017

Ainda bem que Tiago Brandão acabou com os contratos de associação de escolas que figuravam no top 50 das melhores do país e que de acordo com estudo feito, ainda por cima ficam mais baratas 400€ por aluno. Vejam só! Assim, deixou de haver concorrência com quem mais chuva mete, quem tem mais buracos no chão ou tectos a cair, quem leva mais cobertores para não ter frio. Tinha algum jeito haver escolas com excelentes condições no privado a serem comparadas com as degradadas e muitas, inacabadas do público, que a Parque Escolar  simplesmente ignorou? É desonesto. Assim, eliminadas deixam de existir para  as estatísticas. E mais nada! Ler mais…

Excelente notícia para a Irene

30 Janeiro, 2017

A Irene sempre quis ser tratada por Mohamed. Agora, já pode. O seu irmão, Mariana, enfrentou uma discriminação brutal por ser um coninhas com nome Brutus. Foi na escola Alexandre Herculano, o que justifica plenamente ser o cu de Judas (previamente conhecido por Luísa) do sistema escolar. Em frente a uma Padaria Portuguesa, até tinha alunos com cabelo da cor do do Trump que não usavam chinelos de meter o dedo nas aulas, como recomendaria o Pablo Iglesias do Podemos (previamente conhecido por Angelina Jolie), para o progresso do Pé de Atleta, que não discriminamos coisas que combatem a obesidade. Os juros subiram outra vez, mas agora podemos chamar-lhes Rufina, que não perde nada em subir já que era baixinha.

Felizmente, o ministro Lucinda Ribeiro (previamente conhecido como Eduardo Cabrita) cá está para resolver os problemas sérios do país, possibilitando que qualquer Afonso tornado Gabriela opte pela eutanásia antes de assistir à inauguração do Aeroporto Mário Soares no Montijo (previamente conhecido como cu de Luísa).

Esqueceram-se de convidar a fada Maléfica para a festa? Pois é, o PCP nunca dorme.

30 Janeiro, 2017

As palavras tornaram-se na nossa prisão

30 Janeiro, 2017

Patrão. Ao usar a palavra patrão diga sempre “eu não estou aqui a defender os patrões”.

Eutanásia. Repare-se que a palavra eutanásia vai sendo substituída por “morte digna”. A dos outros será indigna? Já agora como esta a regulamentação das barrigas de aluguer?

Não usar expressões como futuras mães ou mulheres grávidas. Deve dizer-se pessoas grávidas para não ofender os transgender e os intersexo

Se todos são o Hitler, ninguém é o Hitler

30 Janeiro, 2017

waveJornais, televisões e restantes meios de comunicação, a sacra simbiose entre comunistas e capitalistas que trocam escrutínio por liberdade nos negócios, continuam a incansável guerra que divide a humanidade em três facções: os estúpidos, os que tratam todos como se o fossem e os espectadores. Desde que a facção dos espectadores venceu as eleições americanas, somos presenteados com hipérboles coloridas do apocalipse e respectiva subida da Besta dos confins da Terra. Em parte por falta de sexo, em parte pelo prazeres terrenos serem inaceitável resquício da condição humana, a comunidade que trata todos como estúpidos decidiu que é uma obrigação global o acolhimento de indivíduos que, tal como eles, desejam o Homem Novo. Fora dos seus condomínios, naturalmente. A diferença entre progressistas e bárbaros é que uns querem quotas para mulheres em cargos públicos, outros querem incluir mulheres na contagem de vacas que constam no curral. Tirando a forma de catalogação, é tudo a mesma coisa.

O apoio patológico de progressistas à islamização do ocidente é fácil de perceber: tudo que seja abolir herança cristã é bem-vindo, nem que tal implique mudarem o nome para Mimosa e deixarem a ocupação de justiceiros sociais em biquini e daiquiri numa mão e iPhone na outra para matéria prima de espectaculares explosões de vísceras.

Se todos são o Hitler, ninguém é o Hitler. Com, pelo menos, uma notícia por dia – quota mínima – a tentar explicar que Trump é o novo führer, corremos o risco de, um dia, e caso Trump decida criar fornos crematórios para jornalistas, aplaudirmos a iniciativa. Nunca um grupo, o dos que nos tratam a todos como estúpidos, se esforçou tanto para aniquilar o respeito pela dignidade humana no seu desejo de obliteração.

No mesmo dia em que o idiota do primeiro-ministro canadiano, em resposta a uma não notícia, se coloca em bicos de pés para abrir a porta a quem quer esteja impedido de entrar nos Estados Unidos, leva com um tiroteio numa mesquita no Quebec, que é por causa do cheiro das tintas. Leva, não, levou meia-dúzia de desgraçados inocentes da leviandade com que os governantes-hollywood, os vulgarmente designados homens de carisma, dizem bojardas. A haver gente para levar um tiro, é de lamentar que não sejam os que nos tratam como estúpidos, como o próprio Trudeau, já que, ao menos, só se estragava uma casa.

Jornalistas, estais a tornar Trump em herói. Não fazeis a mínima ideia do que estais a criar. Recordai: os espectadores começaram a tomar uma posição. Não vai ser bonito.

Do paternalismo na hora de fazer títulos

29 Janeiro, 2017

«Incêndio em prédio da Estefânia atinge casal sem-abrigo.» Um casal sem-abrigo ficou ferido num incêndio num prédio devoluto da rua de Dona Estefânia, em Lisboa… O incêndio no prédio onde o casal — uma mulher de 35 anos e um homem de 41 — pernoitava aconteceu durante a madrugada, cerca das 02:30, e terá sido provocado, acidentalmente, por um deles, adiantou a mesma fonte.

Este título seria assim caso o autor do fogo não fosse sem-abrigo?

 

Eutanásia, sim, mas aproveite-se a chicha

28 Janeiro, 2017

Vem aí a discussão sobre a eutanásia e Portugal, mais uma vez, fica aquém do progresso ao considerar que esta actividade consiste apenas na facilitação para a cessação da vida a quem o solicita. Há os casos holandeses, em que pessoas com Alzheimer, mesmo que não solicitem, poderão ver a sua vida eutanasiada por vontade dos parentes que, por um lado, não estão para tratar deles e, por outro, beneficiam de partilhas da herança antecipada. A crise atinge toda a gente. Há os casos belgas, de extermínio de adolescentes deprimidos (ou, por definição, “adolescentes”), que podem beneficiar da cessação de andarem a chorar pelos cantos com eyeliner preto, sujando assim cortinas tão difíceis de lavar. Porém, não há casos práticos de eutanásia com posterior reaproveitamento do cadáver, apesar da abundante literatura, como no Frankenstein, da Mary Shelley.

O problema da eutanásia em todos os países em que é praticada é o desperdício de recursos humanos perecíveis. Infelizmente, e Portugal quer ir pelo mesmo caminho, todas as legislações sobre o assunto são omissas no que concerne à utilização dos novos cadáveres para causas nobres como a psicologia robótica ou o canibalismo. Sim, a ciência é importante para muitas pessoas, incluindo os cientistas, mas não faz qualquer sentido, em pleno século XXI, que um cadáver fresquinho não possa ser devidamente comido em condições de máxima higiene por quem necessita saciar uma normal orientação gastronómica. O canibalismo não é uma escolha, já se nasce canibal: é uma orientação como outra qualquer, como o veganismo ou a coprofagia. Quem somos nós para decidir que um boi é passível de ser comido e a Dona Rosa deve ser desperdiçada através de enterro para usufruto único dos vermes do solo? Em que é a Dona Rosa menos que uma vaca? Ninguém quer obrigar quem não é canibal a comer carne humana, por isso não me venham com falsos moralismos da mais pura canibalofobia: quem quer, come; quem não quer, põe na beira do prato e não opina.

Escolas como a Alexandre Herculano têm problemas que transcendem muito meras infiltrações: no menu escolar nunca se viu um prato destinado a canibais. É assim que queremos alimentar as nossas crianças, com chicha de suíno? Aproveitemos a discussão pública sobre a eutanásia para sensibilizar a sociedade para o desperdício, lutando por um mundo melhor onde a carne humana pode ser consumida sem ser necessário o barbarismo – e a ilegalidade – de andar a comer indigentes sem qualquer protecção de controlo e higiene pela ASAE. Enquanto comem o Sr. Eurico, os estudantes podem ler sobre a dicotomia entre enfiar na racha ou enfiar no cu do livro do grande valter hugo mãe ou discutir o aborto que aprenderam anos antes, que a nostalgia e a contemplação também têm lugar no sistema de ensino.

A nova saída do aeroporto de Lisboa

28 Janeiro, 2017

Os argelinos, sim aqueles que estavam tão desesperados para ficar em Portugal que desataram a fugir na pista do aeroporto tendo “conseguido transpor a rede de proteção do aeroporto de Lisboa” foram julgados e absolvidos.

Em primeiro lugar a a entidade ofendida (ANA – Aeroportos de Portugal) não apresentou queixa. Em segundo concluiu o tribunal não poder “condenar estas pessoas só porque a sua fuga causou alarme social. Obviamente que o comportamento é censurável, mas isso não chega para os condenar dos crimes de que estão acusados”.

Não posso estar mais de acordo. Penso mesmo da próxima vez que aterrar na Portela seguir-lhes o exemplo. É que evito aquele tempo imenso do passeio dentro do aeroporto, mais a saída e ainda  poupo o dinheiro do parque á pessoa que me vai buscar. Assim combino que me apanham naquela bomba de gasolina da 2ª circular – tenho de ter cuidado para passar a rede no sítio certo – aproveita-se para abastecer e comer qualquer coisa. Não sou menos que os argelinos pois não?

A Hipocrisia do Salário Mínimo

27 Janeiro, 2017

É claro que todos queremos as melhores condições de vida possível mas a pergunta é: estamos a fazer o que é correcto para obter isso? O problema do salário mínimo é que é uma imposição e tudo o que é imposto só cria miséria. Se fosse esse o caminho, não teríamos a miséria de salários que temos.

O problema começa no facto do salário mínimo não ser mínimo para o patronato. Com efeito, aos 557€ somam-se imensos custos. Primeiro  23,75% para a TSU que o eleva para 690. Depois há que somar o custo de 3 meses de salário pagos pelo empregador de férias, subsídio férias e subsídio de natal. Acresce ao custo o facto destes valores corresponderem a apenas 11 meses efectivos de trabalho o que eleva já para 877€ o valor do SMN. Mas há mais: a este valor somam-se custos variáveis com seguro de acidentes trabalho, medicina de trabalho e formações contínuas. Ou seja, no final são mais de 900€ pagos de SMN por cada trabalhador! São cerca de 343€ (variáveis) de encargos fixos além do salário. Assim, é fácil de ver quem é o responsável por este diferencial tão grande e que  promove a precariedade: o Estado. Ler mais…

Ninguém terá lido esta notícia por cá?

27 Janeiro, 2017

Practican en Holanda la eutanasia a una octogenaria sin su autorización. La Comisión para la Eutanasia en Holanda alerta de que un médico ha practicado el suicidio asistido a una anciana que sufría una enfermedad mental, sin que la paciente haya solicitado morir en ese momento, y haya mostrado su rechazo mientras se le inyectaba la dosis letal. El doctor consideró que la mujer vivía en “sufrimiento innecesario” y que era momento de acabar con ello. La octogenaria, que padecía Alzhéimer, estaba “triste” y vagabundeaba por los pasillos del centro de mayores donde su marido la ingresó por no poder hacerse cargo de ella, dado su deteriorado estado de salud.
Para calmarla, se le dio una primera dosis de sedante en una taza de café y una segunda dosis en inyección. Cuando parecía que se estaba durmiendo, el doctor intentó inyectar la medicina letal, ella le empujó mostrando una actitud negativa a la eutanasia. No obstante, el doctor decidió continuar con el proceso y la mujer murió poco después.

Ao menos fica a brilhar

27 Janeiro, 2017

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A Academia de Ciências de Lisboa aprovou um documento com título “Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, de acordo com a Lusa. Ou, em Português dos portugueses, sugerem polir um poio.

Chuva e fermento

26 Janeiro, 2017

Bem sei que uma escola do Porto encerrou hoje por chover no seu interior, pondo em risco candeeiros Siza e lindas mármores italianas saídas da pedreira do Zé de Baltar, o que é irmão do presidente da junta de freguesia. Bem sei que a Andaimes Armando, empresa certificada em armar barraca, ficou de meter capoto naquilo, que pintando a coisa de um tom mais escuro enquanto se mantém o telhado como um coador já é suficiente para atenuar o impacto visual das inundações. Porém, não se pode falar disto hoje, porque há questões muito mais importantes a merecerem a opinião dos opinadores: as declarações de um empresário da panificação (ou Trump, também pode ser o Trump).

Perante a blasfémia proferida por este nosso irmão panificador, a de que flexibilizar o mercado de trabalho não seria má ideia – a bem dizer -, a sociedade reagiu com a indignação penitente por iniquidade gerada do pecado singular da ovelha tresmalhada. Os sacerdotes dirigiram-se ao púlpito – o do Daniel Oliveira já não é o do Bloco de Esquerda, é o do Expresso, que o Balsemão paga melhor, mesmo assim – e enunciaram as preces com a fé de que, orando, acalmariam a ira divina e resgatariam o desígnio deste povo escolhido para a Terra Prometida, que consiste em ser governado por palhaços de fato de treino.

Metam o gajo no forno! Queimem o porco capitalista!

O que levou um dos nossos irmãos a cometer a injúria dilacerante do divino direito de se aumentar o salário mínimo até que todos recebam como se tivessem sido contratados pelo Balsemão, ninguém sabe. Sabemos que o Daniel Oliveira dedicou umas palavras ao caso e que 3200 bestuntos carregaram no símbolo do like, o que está bem. Para a próxima, senhor padeiro, já sabe: dedique-se a falar do que não sabe, que isso é a chave da popularidade. Se o tentar por tempo suficiente, alcançará o maná que o elucidará para o caminho, verdade e vida que é a opinião única de um povo unido que jamais será vencido. Nem vendido.

Mandem mais dinheiro. A dívida é impagável.