A propósito da homofobia no Colégio Militar
não só reparo como não se coloca a questão das manifestações de amor entre alunas ou entre alunas e alunos – por que não dormitórios para todos, todas e tutti quanti? – como não posso deixar de sugerir ao senhor ministro da Defesa que tão preocupado anda com este assunto que veja em que pára a investigação às agressões acontecidas na Festa do Avante a dois cidadãos que estavam afectivamente actvos. Não só o caso suscitou a produção de um comunicado único na história do movimento comunista internacional como é muito eloquente.
Assim se vê a força do Pêcê
- Há 2h Taxistas só abandonam protesto após serem recebidos pelo Governo
- Há 4h Fernando Medina também ao lado dos taxistas. Uber “é ilegal”
- Há 4h Rui Moreira “solidário” com taxistas
- Há 4h Taxistas reunidos com Fernando Medina
- Há 5h Rui Moreira não vai falar depois da reunião
- Há 6h Micro e PME ao lado dos taxistas
- Há 7h Ferro Rodrigues vai receber os taxistas no Parlamento
- Há 7h Marcha lenta chega ao aeroporto
- Há 7h 1.100 táxis no Porto. Avenida do Brasil entupida
- Há 7h O Observador dentro de um dos táxis da marcha lenta
- Há 7h Helena Roseta, da CML, vai receber taxistas no Parlamento
Nota mental
Quando fores votar nas autárquicas, lembra-te dos presidentes de câmara em funções que, após uma manhã caótica de trânsito nas suas cidades, ainda se disponibilizam para receber os causadores.
os piratas da auto-estrada
A Ascendi, conhecida agremiação de piratas que ataca nas auto-estradas de Portugal, enviou-me, há dias, uma carta com uma determinada importância para pagar, justificando o facto por «razões de ordem técnica» que lhes impossibilitaram «a cobrança nos prazos estabelecidos» desses valores de portagens. Os problemas que impediram a cobrança foram da empresa, como a própria de resto reconhece na carta, visto o equipamento da «via verde» estar, há muito, instalado no meu carro e a conta bancária onde cai o débito ter saldo mais do que suficiente para honrar esses compromissos.
Até aqui tudo mais ou menos normal, apesar da maçada de recair sobre mim a obrigação de pagamento em multibanco do valor em dívida e, já agora, de uma certa indelicadeza na fixação de um prazo relativamente curto (10 dias) para que eu satisfaça um débito ainda não liquidado por exclusiva culpa do credor. Contudo, analisado o valor em causa, constatei que boa parte dele (mais de 50% nalgumas portagens) é relativa, não às portagens, mas a «Custos Administrativos (CA)» que a empresa cobra ao abrigo de uma certa portaria de 2010. Cobra pela sua própria incompetência, sem qualquer responsabilidade do devedor. A importância em causa não é objectivamente elevada (€ 2,24), embora o seja relativamente ao valor total das portagens por pagar, mas, a multiplicar certamente por milhares de casos iguais que a empresa cobrará mensalmente, deve ser uma excelente fonte de receita. Um magnífico exemplo de gestão empresarial, criado no governo do Eng.º José Sócrates.
Taxista versus suinicultor. Ou o factor CGTP
O taxista pode paralisar a cidade
O suinicultor é acantonada na Alta de Lisboa
A paralisação da cidade anunciada pelos taxistas é desde a véspera um facto consumado e um sucesso retumbante
A paralisação da cidade que podia decorrer da ida dos suinicultores ao Terreiro do Paço não pode ser permitida em nome da ordem e da democracia
O taxista deixou de ser o taxista reaccionário e passou a ser um camarada em luta contra a globalização
O suinicultor é um suinicultor e as pessoas não comem carne de porco. Azarinho.
Emails interceptados
Subject: Plano secreto??????!!!!
Date: 26 April 2016 at 06:23
To: ChefeCosta1 <caril@pessoal.topsecret.gov.pt>
Chefe,
Não consigo compreender como vou cortar e dar ao mesmo tempo. Bem sei que de política nada percebo e que aceitei o cargo pelo prestígio e porque, convenhamos, o abraço com beijo repenicado das varinas é excitante, mas não posso andar a defender-me do plano secreto se nem o conheço nem me foi dado a saber que tal coisa iria existir. Para mim, economia é fácil: gastamos o que não temos para activar o multiplicador abracadabrante que nos enriquece, é só, nada de cortes. Assim, com cortes e austeridade secreta, isso juro que não entendo. Ajude-me a compreender.
Mário
Subject: Re: Plano secreto??????!!!!
Date: 26 April 2016 at 11:48
To: Tótó número 1 <dodo@bportugal.pt>
Mário,
Saberá que, em tempos, o ministério das finanças foi profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que explicava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de pensar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de seguirem uma ordem e arrasarem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher os espaços que lhes estão reservados. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem mal conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este email para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito.
António Costa
Fantástico, pá
Até 2012 as empresas podiam pagar em dinheiro vivo os valores respeitantes a facturas ou documentos equivalentes até ao limite de 9.700,00€.
Assim, todas as compras efectuadas com um valor superior a 1.000,00€, têm de passar a ser pagas por cheque, débito direto ou transferência bancária, ou seja através de meios que possibilitem a identificação do respectivo destinatário.
Mas eis que Mariana Mortágua ousada, irreverente, a estrela do nosso parlamento vais mais longe: BE quer proibir compras em dinheiro vivo acima dos 10 mil euros
Donde se pode concluir que o BE quer aumentar o montante actualmente permitido para os pagamentos a dinheiro. É isso?
Exclusivo: documento de avaliação 1º trimestre, 2016
Pergunta
O Ministro da Educação tem exame a cada 3 meses ou é prova de aferição?
Se estiver com negativa o Mário Nogueira dá-lhe explicações?
Uma escuta telefónica
– Estou? É da SIC?
– Bom dia, SIC, redacção noticiosa. Está a falar com Joaquim. Em que posso ajudar?
– O meu filho Zezinho vai emigrar.
– Está bem. Em que posso ajudar?
– Vai emigrar, percebe? Isto não se aguenta! É uma desgraça, uma ignomínia, o fim da democracia, a queda do regime, cães e gatos mutilados na auto-estrada a caminho do purgatório para nos condenarem a todos à podridão da decomposição do ethos e pathos que o colapso do Estado Social acarreta no rumo ao fogo do inferno…
– Emigrar já não é notícia…
– Não é notícia? O Zezinho andou 15 anos na escola para ser doutor, tem uma pós-graduação em entropia do ser na dialética ocupante do espaço corpo-língua em zulus com menos de 35 anos, não há emprego, não há investimento, nem há cluster do mar e da filofarmacêutica, a reposição das pensões foi 2€ e já nem temos que comer que seja biológico…
– Minha senhora, as coisas agora são diferentes, a austeridade acabou, o Bem venceu, de que se queixa?
– O quê? Os estivadores estão em greve, os taxistas em marcha lenta, as crianças morrem nos braços das mães, que as comem para saciar o básico instinto de sobrevivência, nem os sírios querem vir para este cu de Judas, este buraco onde a indignidade salarial impera em conivência dos políticos com o grande capital da banca e dos offshores opressores da Holanda e além-mar…
– Pois, isso agora não vende…
– …a ditadura dos mercados, a escravidão do euro e da dívida segundo os ditames do directório europeu e das políticas neoliberais que causam sismos e tsunamis, matando inocentes como vítimas de um sistema corrupto em que os ricos ficam mais ricos e os pobres morrem, como bem diz o Papa Franc…
– Pois, devia ter ligado no ano passado. Teríamos colocado 6 equipas no terreno, 2 helicópteros e 4 drones a acompanharem a emigração do seu filho em directo, com comentário do Adão e Silva e um especial com Boaventura Sousa Santos e uma doutoranda qualquer que seja filha de um ex-ministro de Sócrates. Agora já não cobrimos emigrações.
– Pronto, obrigado, fica para a próxima. Desculpe.
– Não faz mal. Posso ajudar em mais alguma coisa?
– Não, obrigado, era só. Boa tarde.
– Boa tarde.
Ouvindo o deputado João Oliveira do PCP
ocorre-me o seguinte: tendo em conta que o senhor deputado é uma espécie de deputado profissional – começou aos 26 anos no ramo parlamentar e nunca mais experimentou outra coisa – que a não ser que ocorra algum cataclismo no PCP por aí se há-de manter nas próximas décadas, sempre falando em nome dos operários e camponeses, não podia ter uma aulas de retórica e cultura geral?
Mais folclore para a luta de classes dos toinos
O caso do curdo que deu umas sarrafadas num bando de delinquentes em Lisboa já está a servir de arma de arremesso entre os bailarinos folclóricos da política labrega nacional. Um é turco, os outros são portugueses e pretos ao mesmo tempo, maravilha das maravilhas, que dá para misturar refugiados com Hamas, árabes com moçambicanos e fezes com urina, que é o que a malta gosta.
Porém, o que o caso mostra é que, graças a umas sarrafadas, pode ver-se que o serviço de emigração nacional é uma porcaria, incapaz de conceder em tempo útil os direitos básicos de cidadania a um indivíduo que está activamente a trabalhar e a descontar para a pensão e investimento imobiliário da reabilitação urbana dos best friends de Costa. Mais reabilitação urbana que um negócio na área da restauração em Lisboa parece-me impossível, mas eles lá sabem, a bancarrota pertence-lhes.
Por outro lado, o que o caso também mostra é que, sendo os meliantes filhos de emigrantes, estão, portanto, plenamente integrados no desígnio nacional do Estado português: prepotência, despotismo, exigências e extorsão. Mais filhos do Estado não poderiam ser.
Não é distenção sr. Presidente. É agitprop
Disse o PE no seu discurso que os portugueses “vivem já uma distensão, impensável há escassos meses.”
O nosso presidente continua a ver o país como se fosse comentador: pelos alinhamentos dos noticiários televisivos. E na verdade sr. Presidente os esfomeados, os desesperados, os trintões que choravam por emigrar e deixar os braços das mães, os casamentos arruinados pela crise, os desesperados que iam pegar fogo aos subúrbios, as senhoras vestidas de cor-de-rosa e os sindicalistas de bandeiras negras que antes do anterior primeiro-ministro ou de qualquer membro do seu governo aparecer onde quer que fosse já lá estavam dando conta dos seus sofrimentos aos jornalistas… toda este gente se sumiu de um dia para o outro.
Por exemplo, onde andará Ana Avoila, agora que se sabe que os funcionários públicos não vão ser aumentados até 2018? Quero acreditar que ficou afónica durante os protestos contra a troika e o governo anterior! Ainda não me habituei a ver um noticiário sem deparar com Ana Avoila indignada, Ana Avoila a anunciar uma greve, Ana Avoila a garantir mais uma jornada de luta…
O mais desconcertado com tudo isto é esse pobre Sócrates que não percebe ou recusa perceber que devia ter levado o mesmo sumiço que essa multidão de vítimas da austeridade agora transformadas em multidão festiva.
Por isso, sr. Presidente aquilo a que assistimos não é distenção. É apenas a aplicação da agitprop. Mas aqui para nós o sr. Presidente tb tem dúvidas não tem? Pergunto-me isto porque algures no meio do seu discurso vem esta frase: o Presidente da República, cujo mandato nacional é, por sua própria natureza, mais longo e mais sufragado do que os mandatos partidários. E não depende de eleições intercalares.
Triste sina, a do homossexual português
Algumas pessoas criticaram-me – não que me incomode – sobre a representação que faço de homossexuais – não que tenha mal ser homossexual -, acusando-me de ser homofóbico – não que me interesse o que pensam de mim – e burro – algo a que até estou habituado -, mas, portanto, como os outros eleitores de António Costa – e isso já me incomoda. Vou aproveitar a oportunidade para me explicar – não que interesse – a quem não vai – e bem, não faz cá falta – ler.
Tenho pena de homossexuais. É verdade, não adianta esconder. Não tenho pena por serem homossexuais, isso é lá com eles; tenho pena porque, voluntária ou involuntariamente, deixaram-se representar na sociedade portuguesa por imbecis, buracos, nazis em geral e esganiçadas, algumas delas do Bloco (ou Bloca) de Esquerda (e Esquerdo). Já não basta pertencerem a uma minoria, ainda têm que aguentar que o resto das pessoas os considerem estúpidos pela associação política. Aliás, todo o fascínio da nova- e simultaneamente velha-esquerda por questões de género é particularmente caricato, como se Caracas fosse o bastião da liberdade sexual entre pessoas do mesmo sexo; como se não tivessem um longo historial de perseguição e aniquilação de homossexuais nesses regimes do Homem Novo e dos amanhãs que cantam; como se os árabes fofinhos que se rebentam em nome do bem colectivo – fight the system! – numa estação de metro imperialista fossem dados ao respeito pelas opções sexuais de cada um; como se o concubinato com o regime conferisse alguma autoridade moral para uma gueixa definir padrões éticos alheios; e por aí fora.

-“Medo que saibam que és gay?” – “Não, medo que pensem que sou do Bloco ou do PS”.
É algo extremamente perturbante que uma sociedade, em vez de caminhar para a tolerância inerente ao individualismo, opte por ir em cantigas de – pasme-se! – socialistas pro-regulação e padronização. Que triste sina: ser representado por quem nem de aritmética entende, naqueles mundinhos idílicos entre a infantilidade própria e a infantilização alheia. Deve ser mesmo aborrecido ser homossexual neste ambiente. Imagino a dificuldade que alguém teria em afirmar-me homossexual fora da redoma de queques lisboetas; mas, muito pior, seria ter que aceitar as consequências de pensarem que simpatiza com malucos sem qualquer pingo de responsabilidade.
Venha a torrente de insultos – não que incomodem.
Je suis 25 de Abril (não gostas, não comas)
Podia dizer que foi incomodativo ver Marcelo saltar por entre os lírios do campo, acompanhado do trapalhão do São Bernardo que nos governa, num idílico momento de genérico de série televisiva alpina que antecede a pungência de um drama lacrimal para toda a família; só não o digo por ter tentado manter a televisão o mais desligada possível, removendo fisicamente a ficha da tomada e desligando o disjuntor, para evitar o raro caso em que as crianças, para desgosto da Bloca de Esquerdo, percebem que os pinos da ficha são para enfiar nos buraquinhos da tomada, aceitando como natural essa básica conexão contra-progresso.


Esta manhã, pensando já ter acabado o folclore festivo que comemora o que a esquerda julga que acreditamos ter sido o 25 de Abril, caí no erro de ver capas de jornais. Encontrei imediatamente uma bela imagem de papoilas saltitantes, Pedro e Heidi, descendo alegremente a trote de hipopótamo a colina da degradação humana num movimento de exercício de motricidade humana para gordos ociosos. Percebi, imediatamente, ter tido receios infundados acerca da cerimónia do dia anterior. Deixem-os brincar em público, como naqueles reality shows da TVI, não tentem desligar a televisão: quanto maior for a exposição ao triste espectáculo, mais nos aperceberemos que isto vai correr mal, o que tranquiliza qualquer pessoa ao saber que está certa. O melhor que pode acontecer é estarmos enganados, mas não teremos tamanha sorte.
A Bloca já propõe extermínio
A proposta d@ Bloca de Esquerdo para que qualquer indivíduo com mais de 16 anos aceda a mudança de sexo sem avaliação psicológica ou psiquiátrica é fundamental para Portugal. Em primeiro lugar porque, retirando a possibilidade de doença da pessoa dita transsexual, permite que esta possa ser tratada como sendo só maluquinho por opção; em segundo lugar porque a castração/esterilização voluntária é uma forma bastante eficaz de assegurar a natural diminuição de malucos-não-oficiais por herança genética para a geração seguinte, isto no caso do Bloco ou Bloca estar errado ou errada sobre não ser uma patologia que deve ser avaliada por profissional.
É difícil falar destes assuntos sem rir. Não me refiro à transexualidade, que, vai-se a ver, até pode ser um assunto sério; refiro-me ao Bloco de Esquerda. É difícil falar do Bloco sem rir. Por outro lado, também é impossível falar do Bloco ou Bloca sem chorar, o que diz muito sobre o presente do país. Mas, Costa, amigo, já diziam os antigos: “diz-me com quem andas…”
Quando o Bloco tem pressa
Pedro Afonso escreve no Observador sobre A mudança de género e a antipsiquiatria. Conformadinhos que estamos em acomodar-nos a todas as causas, causinhas e outras coisinhas desde que apresentadas pelo Bloco – ficamos venerandos e obrigados porque fomos informados que Bloco sem pressa para legislar sobre a eutanásia. Porque se o BE estivesse com pressa era um não faltar de gente a querer morrer e a não poder. Assim, como o BE não tem pressa cá vamos todos vivendo sem esse avanço civilizacional.
Mas voltemos aos assuntos em que o BE tem pressa. E como se sabe quando o BE tem pressa nada nem ninguém ousa travar a pressa do Bloco. E é por isso que é fundamental ler este artigo de Pedro Afonso:
Foi noticiado recentemente que o Bloco de Esquerda defende uma alteração da legislação, tendo em vista possibilitar que qualquer cidadão, a partir dos 16 anos de idade, possa apresentar um pedido de mudança de sexo, dispensando para o efeito um relatório clínico. (…) Um doente com esquizofrenia, num contexto delirante, pode acreditar que é uma mulher ou vice-versa. Afinal quem é que faz o diagnóstico diferencial? Será o funcionário da conservatória do registo civil? E quem é que vai tratar e acompanhar psiquiatricamente estas pessoas?
Não, não é à Correio da Manhã
Concordo com esta observação de Nuno Garoupa excepto na referência ao Correio da Manhã. Se fosse o Correio da Manhã ou havia nomes ou não havia notícia. Os leitores do Correio da Manhã não dariam dinheiro por um jornal que fizesse várias vezes essa esperteza.
Tentativa de racionalizar o processo mental de um irracional socialista (passe a redundância)
Ouçam o Sócrates; ainda ides ouvir muito do Sócrates; quem vos dera que o Sócrates se mantivesse afastado, que tendes medo dele; a cabala da direita sobre o Sócrates haverá de levar à merecida ira deles sobre vós; não adianta negar, Sócrates é tão relevante que até faz parar tudo quando decide falar; Sócrates é o Nelson Mandela português mas mais bonito; Sócrates é a prova viva de não vivermos num estado de direito; estais a mencionar Sócrates só porque vos dá jeito, cabrões, para criticar o Costa?; está calado, Sócrates, porque não te calas?
Presidente-avô
Portugal deixou de ter um Presidente da República; agora tem um senhor, muito simpático, que anda de um lado para o outro a visitar tasqueiros e maquinistas de automotoras que transportam vinte passageiros, dezessete dos quais da sua comitiva. É um senhor que lamenta ter pouco tempo para os netos, para ler algo que não as fantochadas que o governo envia e para ir ao mar, um dos clusters estratégicos nacionais. É o primeiro Presidente que optou por ser avôzinho de todos os portugueses, em vez do tradicional paizinho. Como qualquer avô, vai encher-nos de guloseimas, deixar que façamos coisas que os pais não querem que façamos e permitir que pintemos a parede da sala com lápis de cera, escrevendo os rabiscos típicos de uma infância sem austeridade.
O problema é que, no fim do dia, a criança volta a casa dos pais.
O homem da vermelhinha
Com os espanhóis amarrados na teia dos nacionalismos foi preciso vir um escritor do México dizer o que em Espanha já ninguém ousa afirmar.
E fê-lo com uma gravata representando a bandeira de Espanha. Se fosse espanhol e não mexicano Fernando del Paso era hoje um proscrito

O que sobra?


A revolta dos parasitas
Miguel Angel Belloso chama a atenção no DN para o que está a acontecer em França: em França, metade do país é subsidiada pela outra, que arca com a totalidade da despesa. Esta, a que se levanta todas as manhãs para perseguir um sonho, é a que deveria estar a preparar as armas, mas é ao contrário: são os desocupados, os acomodados, os imprestáveis, os párias, os que não estão dispostos a perder os seus privilégios, os que todas as noites vão ocupar as praças da República no meio de um acolhimento caloroso por parte da imprensa progressista mundial, que não quer perder este magno acontecimento no qual encontrou um sentido renovado para a sua absurda existência.
Riquezas, vamos ao que interesssa
A única reforma que consta do Plano Nacional de Reformas é esta. Sim, a regionalização de secretaria. O Presidente da República leu isto ou não leu?
Definição de um novo modelo territorial, assente em 5 regiões de planeamento e de
desenvolvimento territorial
As eleições para os órgãos executivos das CCDR ocorrerão previsivelmente em 2018, após as eleições para as autarquias locais, arealizar em 2017.
a matraca

não haverá qualquer coisa errada nisto?
O problema de à falta de melhor se escolher Miss Simpatia
“Claro que o Conselho de Finanças Públicas é uma instituição importante, mas, com o devido respeito, o que nos interessa é saber se a Comissão Europeia aceita ou não os números” – o PR sobre as observações do Conselho de Finanças Públicas a respeito das previsões económicas do Governo
Como são as coisas
Em Março de 2009, nos tempos em que Sócrates organizava almoços em São Bento com activistas, feministas e outros artistas que diante dos jornalistas juravam pelo avanço das políticas do então arrebatador líder, foi revelado por pessoas horríveis, um facto obviamente falso a que só pessoas nefandas podiam dar crédito:
À época esta revelação não teve qualquer eco. E não acho que tal tenha acontecido apenas pela pelo respeitinho que Sócrates impunha mas também porque era difícil avaliar da seriedade daquelas informações. Curiosamente sete anos depois criou-se um frenesi nacional com os Panama Papers. E os mesmos jornais, rádios e televisões que ignoraram olimpicamente as revelações do off shore do tio de Sócrates andam agora arrebatados com as contas do Messi no Panamá mais de um tal Idalécio e pretendem que se crie uma nova ordem mundial por causa disto. A isto chama-se fazer dos outros parvos.
Devias ter ido a Évora mais cedo, pá!

«tomara que caia»
A estratégia de Pedro Passos Coelho, em relação ao governo Costa, parece um «tomara que caia», esse insidioso apetrecho brasileiro de moda feminina, que cobre o peito das senhoras razoavelmente avantajadas, dando a sensação de estar milagrosamente seguro e em vias de cair a qualquer momento. Em vias de cair, mas não cai, sendo esse o encanto do dito apetrecho e, por ora, o do governo de António Costa. Ora, se é certo que Pedro Passos Coelho, por ter sido o primeiro-ministro do governo que geriu a falência do país, está numa posição extraordinariamente difícil para poder explicar por que não fez mais do que o que pode (e deixaram) fazer, a verdade também é que não conquistará um único voto sem demonstrar às pessoas que poderá fazer melhor do que está a ser feito pelo actual governo. E essa é a sua dificuldade: se pode, agora, fazer melhor que Costa, por que não o fez antes? Bom, por um lado, Pedro Passos Coelho teria que explicar que Costa não está a fazer tão bem como muitos pensam; por outro, que não poderia ter feito diferente do que fez, dado o país ter falido e pedido a intervenção externa dos seus credores; e, por fim, teria que explicar porque e como faria agora melhor do que o seu rival socialista. A verdade, porém, é que Pedro Passos Coelho parece ter desistido deste caminho e deixado aos seus colaboradores as explicações sobre o expediente político do dia a dia. Por ele, parece ter decidido ficar à espera que o governo caia e que o futuro próximo lhe dê razão sobre o que fez no passado e poderá fazer no futuro. Só que nem o «tomara que caia» cai sem a ajuda de uma mão (ou duas) afoita, nem as pessoas estão à espera que outros, que não Passos Coelho, lhes expliquem o que fez, o que está a ser feito e o que poderia fazer-se. Portugal é um país de lideranças políticas. E é dos líderes que as pessoas esperam ouvir explicações.
Dia de corridas
O vapor de diesel ascende no ar quente que emana o cheiro a pneus novos em contacto com o asfalto ardente. Súbitas acelerações desembraiadas enchem o espaço com relâmpagos sonoros que tanto podem ser suspiros pela consternação de Deus como gargalhadas do Diabo. Os dois vermelhos do semáforo de partida antecipam o momento que separa os homens do rapazes. Na segunda linha da grelha está António Costa, capacete rosa, suando a fibra de Nomex da máscara protectora de fogo com excessiva salinidade em adiantamento estratégico ao amarelo do semáforo, que tarda e permeia quase ao mesmo tempo. São segundos que se expandem em horas por corações acelerados de adrenalina e a inebriante incerteza de terminar a corrida com vida. Costa conhece a pista, ouviu as histórias e reconhece as semelhanças na inversão interior com o canto de Villeneuve que, mesmo matando Ratzenberger, acabaria na relativa obscuridade face a Tamburello, que imortalizaria Senna no panteão um dia depois.
Amarelo. Pupilas dilatadas, também nos bastidores, onde o técnico chefe de oficina snifa a última linha de coca antes da acção, preparando-se para as mudanças de pneus que permitam manter a aderência do carro perante uma pressão crescente pela termodinâmica do atrito com a realidade da pista. Costa inspira, retém a respiração e aguenta estoicamente a gota de suor que lhe queima o olho.
Verde. Prego a fundo, o fim da austeridade dinâmica, a vitória sobre a inércia que altera o estado de espera para a ultrapassagem que permite a dianteira, a que, bem gerida, garante uma probabilidade exponencial de vitória. O barulho é ensurdecedor e os espectadores saltam, percebendo que tal ruído só seria possível juntando os suspiros de Deus com as gargalhadas de Satanás. Costa assume a dianteira nos primeiros 1500 m graças ao entalanço que os carros da equipa vermelha originaram na margem de manobra do pole position Passos Coelho.
Primeira curva, sem problemas. Costa entra na perfeição, reduzindo para uns precisos 187 km/h no ápex, onde acelera novamente para uns aparentemente excessivos 273 km/h na curta recta antes da monumental barreira de recife que é a DBRS. Redução drástica, súbita. O motor parece estar a falhar. Entra na curva a 60 km/h, ultrapassado por todos. Não aguenta o carro e estampa-se, a 43 km/h contra a barreira de saída. O acidente mais comicamente estúpido de todos os tempos, em directo, perante uma audiência de milhões de aficionados do corredor mais astuto a enobrecer a arte da competição com máquinas de suicídio.
Costa sai do carro, que não se incendeia – aliás, nem um arranhão parece ter -, rega-se com gasolina e acende o fósforo que o colocará, até etnicamente, na mais nobre saída possível. O fato não pega fogo, o calor da pista evapora rapidamente a gasolina, insuficiente para a incinerar. Ou, talvez seja diesel mesmo, que não arde assim com duas tretas. A corrida perdeu o interesse perante tão fustigante desgraça. É que nem o buraco está por perto, para lá se enfiar.
A catequese
este tipo de programas tem um objectivo: mostrar como a sociedade está cheia de preconceitos e atavismos. Há racismo por todo o lado, discriminações várias e sei lá mais o quê com os do costume a fzerem sempre de maus.E os não menos costumeiros no papel de vítimas. Curiosamente muitos destes programas podiam ser feitos sem sequer ter de ir à rua: quantos apresentadores negros existem na SIC? E agora que se anuncia um programa sobre obesidade a pergunta repete-se: quantos não magros homens e mulheres não magríssimas aparecem nos ecrans da SIC?
Estranho, não é?
Hoje “O Parlamento pode vir a legalizar a gestação de substituição em Portugal.” Mas à excepção da Rádio Renascença o assunto passa incógnito.Essa conformada desatenção é o melhor sinal do fatalismo resignado com que se reage perante as mais destravadas propostas dos radicais.
PS e BE resolveram aprovar a questão de forma discreta e as redacções reagem em conformidade. Pode lá haver um assunto fracturante a ser discutido se Catarina Martins não aparecer a anunciá-lo e Mariana Mortágua a explicá-lo? Ora, ora deixemo-nos de tolices: em Portugal discute-se aquilo que o BE quer e o PS manda. O pais acha isto natural.
Foi assim com o Costa, lembram-se?

Estas duas notícias constam do Jornal de Negócios de hoje e são um bom exemplo da boa imprensa que rodeia o actual presidente da CML e que já rodeou o anterior.
Não se questiona, não se pergunta, anuncia-se. E só se anunciam coisas boas: “A Câmara de Lisboa vai ficar com um edifício “com várias dezenas de milhares de metros quadrados” que pertencia ao Exército por sete milhões de euros, para lá fixar empresas e artistas. “Será um dos projectos mais emblemáticos” da cidade, garante Medina.“
A CML é proprietária de inúmeros edifícios devolutos e mal aproveitados. Precisava mesmo de comprar mais este? E que empresas e artistas – os artostas têm d evir sempre na equação porque assim ningume contesta nada – são esses que a CML via “fixar” no Beato? Com que contrapartidas? E essas empresas quere, ser fixadas no Beato? Quanto vão pagar de renda? … Não interessa. Ninguém pergunta nada. É só escrever dinamização e emblemático, juntar artistas e pronto. Ainda mais enigmática é a notícia sobre o estacionamento junto ao Saldanha: Medina garante mais lugares de estacionamento junto ao Saldanha Lendo o texto percebe-se que
a) estava previsto eliminar 300 lugares nesta obra
b) a CML desistiu de eliminar 149
c) não se pode concluir que vão desaparecer 151 lugares. Essa contabilidade apenas poderá ser feita “quando começarem as obras da segunda fase, só no próximo mandato”. Está a ver-se um privado a fazer obras e a dizer que depois avisa como vai ficar
d) Medina anunciou que conseguiram criar sete lugares de estacionamento junto ao Saldanha – note-se que a única coisa adquirida é que já se perderam 149 – e os jornais escrevem: Medina garante mais lugares de estacionamento junto ao SaldanhMedina garante mais lugares de estacionamento junto ao Saldanha
Conclusão: Medina vai ser o líder da próxima geringonça.
Jornalismo de referência
A capa do PÚBLICO de hoje e os títulos do EXPRESSO sobre a presença de ex ministros e portugueses isto e aquilo nos Panama Papers sem depoiis apresentar algo mais que aquilo que já era noticiado há anos fazem do CORREIO DA MANHÃ um exemplo de contenção e rigor.
A interpretação adequada da capa do Público de hoje
Raia papers
Digamos que é uma espécie de off shore para os combustíveis
Governo vai reduzir o preço dos combustíveis na fronteira
Entretanto esta quinta-feira
Vai voltar ao Grupo de trabalho no Parlamento o alargamento das técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) a todas as mulheres, independentemente de serem casadas, solteiras ou viúvas, e as barrigas de aluguer.

