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Homoerotismo inaugural

8 Maio, 2016

parem-de-escavarParece que o barómetro moral da Geringonça, a tal agremiação de maluquinhos que compõe a troika governativa, esteve na inauguração de um buraco, um dito túnel que, crendo o Chiado o cu do mundo, deve ficar algures entre o Inferno e o lugarejo que o deu à luz, isto crendo numa das sete versões existentes da biografia ficcional (todas escritas por um amigo) do suspeito por corrupção e obviamente culpado por magnetismo homoerótico. Foi no Marão, lugar onde já nem mandam os que lá estão.

As pessoas que sabem o sentimento d’A Direita já terão decidido que foi uma afronta digna de Alka Seltzer®, produto farmacêutico que referem amiúde, provavelmente pela popularidade entre os jovens de sexualidade alternativa que se afagam em fila indiana – juro que é uma expressão pré-geringonça – para serem os próximos a serem escolhidos para ajuntos da monstruosidade, isto com a certeza de que, sem intervenção do estado e do Espírito Santo, nunca se poderão reproduzir, para bem de todos nós.

Não crendo falar pel’A Direita, resta-me falar por mim: quanto mais a criatura aparecer, melhor. Eu era menino para o meter num programa da RTP, talvez a ser entrevistado sobre todas as coisas que já demonstrou desconhecer por moça com pernas particularmente demonstrativas do conteúdo do programa, alguém que tivesse estagiado nas viagens a Bruxelas patrocinadas pela doutora Estrela e bem distante do José Rodrigues dos Santos, que esse ainda não tatuou a testa com o símbolo da sobrevivência, como fizeram Raúl Vaz ou António José Teixeira, só para citar dois dos mil e trezentos.

Como diria o Sócrates – o outro – ao homónimo, “pá, sê sempre o que desejas parecer”.

Acho que há uma escola laica, que um gajo disse que a viu

6 Maio, 2016

Tenho visto discussões entre “escola laica” e escolas privadas associadas a religiões, mas das religiões sérias. Não percebo nada. Não há escolas laicas em Portugal, só escolas que seguem a mais estrita das ortodoxias, a praticante do Sagrado Coração do Ministério da Educação e seu Excelso Papa, Sua Eminência Doutor Professor Doutor Mário Nogueira. O esforço que um gajo tem que fazer em casa para explicar aos miúdos que aquilo do Santo Socialismo é tudo treta é, essa sim, uma tarefa que exige extrema devoção e fé depositada na esperança de um país livre de seitas.

E como diz o da matemática, isso sim, é liberal.

olha, olha, e não é que o presidente marcelo foi a moçambique?

5 Maio, 2016
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visitamarcelo

Há horas que não lembram ao Diabo

5 Maio, 2016

O Luís Aguiar-Conraria é um homem inteligente, diria até de uma completa anormalidade entre os indivíduos de esquerda que escrevem coisas em jornais. Há mais pessoas inteligentes na esquerda, claro; só não contam porque, pelas circunstâncias da vida, optaram por fazer o frete à cambada de incompetentes que nos governam, uma opção legítima, diga-se de passagem, mas que obscurece a capacidade intelectual destes num rame-rame de loucura e contradição constante. O Luís não, sublinho. Vai daí a minha surpresa com o artigo do Observador, aquele que não é passível de ser rebatido pelo mesmo motivo que não se rebate um texto do Arnaldo Matos. Fiquei a pensar nas hipóteses que o levariam a escrever aquilo e conclui que o mais provável é ser uma destas duas: 1) toda a gente que escreve em público tem dias maus, às vezes acontece; 2) é uma brincadeira do Luís para tentar demonstrar que a Direita (ele capitaliza) também se indigna, como a Esquerda, a que tanto manda tirar crucifixos de escolas (“não é por mim, que nem tenho filhos, é pelo bem dos outros”), como decide que os homossexuais querem assimilar a iconografia e simbologia religiosa/tribal do casamento (“não é para mim, que nem sou gay, é para um amigo anónimo que é”). Tendo sido este o caso, o da provocação, não sei se a indignação da Direita correspondeu às expectativas, porém, duvido muito que tenha correspondido.

Note-se, também, que os meus parêntesis são uma demonstração do individualismo liberal. Talvez eu mude de ideias quando vir homossexuais gratos por terem casado em vez de heterossexuais de meia-idade a agitar essa bandeira alheia. Como diz o da matemática, isso sim, é liberal.

o fundo da questão de fundo

5 Maio, 2016
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Liberalismo vs. estatismo, mais ou menos estado, mais ou menos governo, socialismo ou capitalismo, propriedade privada ou pública, distribuição estatal de rendimentos vs. livre-mercado, planificação ou ordem espontânea, individualismo ou colectivismo, enfim, para quê tantas questões complexas quando o fundo da questão de fundo é muito mais prosaico e simples?

as biografias de cunhal

5 Maio, 2016
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Por que tanta gente, à esquerda, tem um interesse quase mórbido no que possa ser a direita portuguesa?

Consideremos, desde logo, que não será por altruísmo desinteressado, nem pela vontade de ajudar. A velha dicotomia de Carl Schmitt, do «amigo-inimigo», que, segundo o velho professor alemão, representava a própria essência da política, mantém-se válida em Portugal, e não creio que tenha chegado o dia da véspera do seu fim.

Não sendo, então, por amor, como naquela velha anedota matrimonial, será certamente por interesse. E o interesse é claro. E é antigo.

É claro, na medida de que a esquerda, sobretudo a esquerda bem-pensante, sempre se arrogou de uma superioridade moral para determinar aquilo que a direita indígena deve ser. E, nesta táctca, porque de uma táctica se tratou e trata, a direita não é moderna, porque não aceita as causas fracturantes da esquerda, não é social nem generosa, porque não subscreve as políticas estatistas da esquerda, nem sequer é culta, porque não segue o que a esquerda lê e atreve-se mesmo a ter leituras originais que, para a esquerda, são desviantes. Em suma, a direita não presta e não serve, porque… não é de esquerda.

E é antigo porque, desde a fundação do regime que a direita político-partidária foi aquilo que a esquerda deixou e quis que fosse. Desde logo na constituição do CDS, que, para ser tolerado (e mal) teve de estar, segundo a mirabolante fórmula do Professor Freitas «rigorosamente ao centro». Ou seja, poderia estar em toda a parte, menos à direita. Depois, mais tarde, a direita foi diabolizada por causa da «cultura»: segundo os corifeus da intelectualidade esquerdista indígena, a direita portuguesa era profundamente ignorante e analfabeta, «a mais estúpida da Europa», quiçá do mundo. A intelligentsia, por essas épocas, estava à esquerda, sobretudo na que «produzia» com subsídios do estado, e os sucessivos ministros e secretários de estado da Cultura, mesmo os que pertenciam a governos de direita, reconheciam-no com generosos subsídios, não fossem desancados nos jornais do regime. Mais recentemente, quando alguma direita se afirmou timidamente «liberal», logo o liberalismo foi crismado de coisa do diabo, como impiedade de ricos contra pobres, uma espécie de hooliganismo político-intelectual, que o Dr. Pacheco Pereira tão bem descreve, para seu gozo pessoal e vingança de supostas ofensas partidárias.

Em face disto, no tempo presente, alguma direita liberal acanha-se e rejeita a rotulagem. Em vez da histórica díade da geografia política, refugia-se numa tríade que as pessoas comuns não compreendem. Nem aceitam, para clara felicidade da esquerda, que assim realiza a sua táctica e mantém a direita refém da sua vontade. Por conseguinte, a direita, sobretudo a liberal e libertária, se quer ganhar identidade e espessura, tem de cuidar mais de si e deixar o que a esquerda queria que ela fosse à própria esquerda. E não tem que ter medo de rótulos: em vez de se deixar afastar por o que eles possam ter sido, deverá apropriar-se deles e determinar-lhe o conteúdo. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, que continue a escrever biografias de Álvaro Cunhal.

Não há nada como a concorrência

4 Maio, 2016

Andaram de táxi nos últios dias? Eu andei e de uber tb. Posso dizer-vos que os táxis estão bem mais civilizados, limpos e uberizados se quisermos. Donde proponho que se deixe a concorrência actuar e para que os senhores Moreira da CMP e Medina da CML não fiquem tristes pode criar-se uma frota típica, tipo rancho com taxistas que digam palavrões, gritem.. e ficamos todos contentes.

A RTP tem que cumprir a sua função

4 Maio, 2016

Deveria José Rodrigues dos Santos, na RTP, ter mostrado um gráfico que explica o que já todos sabem, que o governo Sócrates foi uma desgraça para a dívida pública? Para os neo-urbanos-parolos, como aquele achado da psiquiatria que dá pelo nome de Tiago Barbosa Ribeiro ou para aquele jovem já no topo da carreira de carroceiro, João Galamba, não, não se deve dizer, que as pessoas ainda deixam de votar neles se perceberem a verdade. Como se as pessoas já não tivessem deixado de votar neles, tornando necessária a coligação com estalinistas e esganiçadas com capacidade para amplificarem a mensagem da estupidez humana do ligeiro virulento para níveis de elefantíase pandémica. 

Porém, têm alguma razão. Se a RTP não for a máquina de extrema precisão e devidamente oleada de propaganda socialista, para que serve, então, a tal de RTP?

a doença infantil do pcp

3 Maio, 2016
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Para tentar compensar o colaboracionismo táctico com o Partido Socialista, essa agremiação esquerdista que foi sempre «a doença infantil» do comunismo português, o partido do camarada Jerónimo tem utilizado a estrutura sindical do camarada Arménio, que ronca, de tempos a tempos, algumas ameaças sobre Costa, para o pôr em sentido e convencer a populaça que a revolução ainda mora na Soeiro Pereira Gomes. Numa época de profunda crise da «revolução», em que até já Mário Nogueira abandonou a luta de classes para assumir a pasta sombra da Educação, as roncadelas de Arménio deveriam ser suficientes para que, mudando alguma coisa, tudo ficasse na mesma. Mas não são: em breve, o PCP terá de tomar decisões sérias: ou se mantém comunista ou tombará com a doença que Lenine diagnosticou, e que Álvaro Cunhal sempre soube evitar. Os tempos que aí vêm não serão tempos de indecisão.

A geração mais bem preparada de sempre só come junk

3 Maio, 2016

O doutor Fernando Rosas tem problemas sérios de compreensão. Talvez a mãe o tenha deixado cair ao chão ainda muito pequenino. Mas há quem ainda coma disto, em Portugal, no século XXI; é o que há nas cantinas universitárias. Eu explico:

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Entretanto, no Twitter

3 Maio, 2016

Agora há no Twitter contas oficiais dos ministérios com conteúdo deste teor:

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e tem razões para isso

2 Maio, 2016
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«Marcelo “tranquilo” com as contas do país»

E tem excelentes razões para estar, como se depreende desta notícia, também no site do mesmo pasquim.

Aguardam-se, agora, as judiciosas explicações do economista João Galamba, embora o Presidente da República já nos tenha sossegado a todos.

Offshores, a última conquista de Abril

2 Maio, 2016

Tema do meu artigo de hoje no Observador: as multinacionais, a deslocalizaçãom os intermediários, os grandes grupos económicos, a ausência de grandes grupos económicos. as empresas de vão de escada e a exploração do homem pelo homemas multinacionais, a deslocalizaçãom os intermediários, os grandes grupos económicos, a ausência de grandes grupos económicos. as empresas de vão de escada e a exploração do homem pelo homem são alguns dos inimigos úteis que temos combatido ao longo das ultimas décadas.Chegou agora a vez dos offshores. Qualquer outra coisa se seguirá porque, ironias de Abril, há quarenta e dois anos, em 1974, nem empresários nem políticos tinham dinheiro fora de Portugal. Em 2016, os portugueses confiam no regime que têm mas as suas elites não acreditam no país q.b. para lhe entregar o seu dinheiro

 

 

Mãe há só N

1 Maio, 2016

Mãe há só uma; excepto se for casada com outra mulher; aí, mãe há só duas; bem, excepto se a mulher da mãe morrer e esta voltar a casar com outra mulher que co-adopte; assim, mãe há só três; isto se não contarmos com as tias.

Pacheco bem

30 Abril, 2016

Do artigo do Pacheco Pereira, o que mais gostei foi desta passagem:

O orçamento devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial. Sem mais “crise” (das que falava Schumpeter) e sem mais “boa” insegurança, não somos capazes de mudar. O estado tudo faz para nos poupar a essa insegurança, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar. É verdade que duvido que hoje alguém consiga ganhar uma eleição propondo o fim do conforto providencial, mas isso remete para a perda de margem de manobra democrática, face ao crescendo demagógico. 

 

Elias, o Pacheco Pereira de Soutelo

30 Abril, 2016

Elias, filho de Germano e Dona Elisa, é um homem franzino, mas trabalhador, esforçado e dedicado, apesar da tendência para a indulgência em grandiosidade pomposa a pretextos despropositados, como da vez que gravou com diferentes ângulos o ensaio do rancho folclórico recorrendo a 23 câmaras de vídeo de 8 mm não sincronizadas. Dona Elisa foi varina, depois ardina, isso antes de se reformar aos 49 por espondilose, o que lhe permitiu dedicar-se ao cultivo do talento que lhe alcançaria a distinção da mais afinada das cantadeiras a ornamentarem a estridência do Rancho Folclórico e Etnográfico da Vila de Soutelo Norte, “O Arado”.

Elias cresceu no rancho e, aos 8 anos, já era o primeiro cavaquinho da tocata, superando com entusiasmo e dedicação a falta de formação, gosto e conhecimento musical. Munido de um amplificador de guitarra eléctrica que parecia um histórico Marshall JTM45 mas com marca escrita com o alfabeto cirílico, foi o primeiro tocador de folclore português e além-mar a incorporar longos solos distorcidos de cavaquinho na vertente rancho-folclórico-sinfónico com pastiche de psicanalismo. Estávamos em pleno período hippie português, pelo menos em Soutelo, no Verão quente da campanha que permitiria a Cavaco Silva a primeira maioria absoluta.

Aos 22 anos, Elias fazia parte da direcção do rancho. Era terceiro vogal – o “i” – e tinha a responsabilidade de organizar coisas, desde a gestão do bar da sede até à logística para albergar o rancho visitante de Güzçimeni, Turquia, os esquisitos que nem tocaram na valente feijoada à transmontana com que Elias e “O Arado” os acolheu. Nove meses depois desse célebre festival com ranchos de todo o mundo (Portugal e Turquia), nascia o primeiro filho de Elias, um rapaz de tez particularmente escura que, dizia-se, “sai ao bisavô, que era cigano”.

Em 1997, em plena época da explosão da estética punk, pelo menos em Soutelo, Ramirez, o galego com bigode que o tornava no perfeito actor para o senhorio malvado num filme de Chaplin, foi eleito, por dois votos, o novo presidente do Rancho Folclórico e Etnográfico da Vila de Soutelo Norte, “O Arado”. Pela primeira vez desde a sua formação como associação cultural e recreativa, a direcção de “O Arado” não tinha qualquer membro da família Leite-Silva, a prole de Germano, Elisa, Elias e sua irmã Hirondina. Recordo-me de na noite de 24 de Outubro de 1997, uma sexta, ter ido com o meu amigo Ildefonso ao bar do rancho beber um Pisang Ambon com Sumol de ananás – o único sítio que conhecíamos onde o enjoativo néctar custava apenas 120$00 – e de ter assistido à mais eloquente cena de pancadaria da minha vida, envolvendo cadeiras, garrafas de Super Bock e dentes sortidos. Elias, um dos vários intervenientes da cena de pugilato e arremesso, entre múltiplos socos, pontapés e uma prancha de Tabopan, ficou com a cara em papos e polpa sanguínea, enquanto, mesmo assim, arrancou à dentada o polegar de Ramirez, que ficou irreconhecível até pela filha de 12 anos, a Jacinta, que brincava junto à televisão.

Elias jurou não mais voltar ao rancho. Nunca mais colocaria os pés em tal antro de ignomínia. Explicou que a briga foi motivada pela inveja de Ramirez, que queria ser dono do grupo e que achava que mandava alguma coisa só porque era o presidente eleito, sabe-se lá com que votos, mesmo sabendo que o rancho sempre foi da família Leite-Silva. Desde 1997, sempre que vejo o Elias, conta-me a mesma história, de como o Ramirez lhe roubou o rancho, que nunca mais tocou cavaquinho eléctrico, que a etnografia de Soutelo nunca mais será a mesma e que o único destino possível para o grupo folclórico é a sua extinção. Vi, noutro dia, que o rancho mudou-se para um edifício maior, bem mais bonito. Por coincidência também vi o rancho a actuar num programa da manhã da TV, não sei se na RTP ou na TVI. Lembrei-me do Elias, rapaz franzino e obcecado com o velho rancho em plena idade de quem casa os filhos, ao ler este artigo de Pacheco Pereira. Tenho a certeza que seriam os dois grandes amigos, se as circunstâncias da vida acabassem por os juntar.

A propósito da homofobia no Colégio Militar

30 Abril, 2016

não só reparo como não se coloca a questão das manifestações de amor entre alunas ou entre alunas e alunos – por que não dormitórios para todos, todas e tutti quanti? – como não posso deixar de sugerir ao senhor ministro da Defesa que tão preocupado anda com este assunto que veja em que pára a investigação às agressões acontecidas na Festa do Avante a dois cidadãos que estavam afectivamente actvos. Não só o caso suscitou a produção de um comunicado único na história do movimento comunista internacional como é muito eloquente.

Assim se vê a força do Pêcê

29 Abril, 2016

 

 

Nota mental

29 Abril, 2016

RomanianGoalkeeperWhiff.pngQuando fores votar nas autárquicas, lembra-te dos presidentes de câmara em funções que, após uma manhã caótica de trânsito nas suas cidades, ainda se disponibilizam para receber os causadores.

os piratas da auto-estrada

29 Abril, 2016
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10b98ccbb4208aa2b4905478c7617823A Ascendi, conhecida agremiação de piratas que ataca nas auto-estradas de Portugal, enviou-me, há dias, uma carta com uma determinada importância para pagar, justificando o facto por «razões de ordem técnica» que lhes impossibilitaram «a cobrança nos prazos estabelecidos» desses valores de portagens. Os problemas que impediram a cobrança foram da empresa, como a própria de resto reconhece na carta, visto o equipamento da «via verde» estar, há muito, instalado no meu carro e a conta bancária onde cai o débito ter saldo mais do que suficiente para honrar esses compromissos.

Até aqui tudo mais ou menos normal, apesar da maçada de recair sobre mim a obrigação de pagamento em multibanco do valor em dívida e, já agora, de uma certa indelicadeza na fixação de um prazo relativamente curto (10 dias) para que eu satisfaça um débito ainda não liquidado por exclusiva culpa do credor. Contudo, analisado o valor em causa, constatei que boa parte dele (mais de 50% nalgumas portagens) é relativa, não às portagens, mas a «Custos Administrativos (CA)» que a empresa cobra ao abrigo de uma certa portaria de 2010. Cobra pela sua própria incompetência, sem qualquer responsabilidade do devedor. A importância em causa não é objectivamente elevada (€ 2,24), embora o seja relativamente ao valor total das portagens por pagar, mas, a multiplicar certamente por milhares de casos iguais que a empresa cobrará mensalmente, deve ser uma excelente fonte de receita.  Um magnífico exemplo de gestão empresarial, criado no governo do Eng.º José Sócrates.

Taxista versus suinicultor. Ou o factor CGTP

29 Abril, 2016

O taxista pode paralisar a cidade
O suinicultor é acantonada na Alta de Lisboa

A paralisação da cidade anunciada pelos taxistas é desde a véspera um facto consumado e um sucesso retumbante
A paralisação da cidade que podia decorrer da ida dos suinicultores ao Terreiro do Paço não pode ser permitida em nome da ordem e da democracia

O taxista deixou de ser o taxista reaccionário e passou a ser um camarada em luta contra a globalização
O suinicultor é um suinicultor e as pessoas não comem carne de porco. Azarinho.

Emails interceptados

29 Abril, 2016
From: Mário Centeno <dodo@bportugal.pt>
Subject: Plano secreto??????!!!!
Date: 26 April 2016 at 06:23
To: ChefeCosta1 <caril@pessoal.topsecret.gov.pt>


Chefe,

Não consigo compreender como vou cortar e dar ao mesmo tempo. Bem sei que de política nada percebo e que aceitei o cargo pelo prestígio e porque, convenhamos, o abraço com beijo repenicado das varinas é excitante, mas não posso andar a defender-me do plano secreto se nem o conheço nem me foi dado a saber que tal coisa iria existir. Para mim, economia é fácil: gastamos o que não temos para activar o multiplicador abracadabrante que nos enriquece, é só, nada de cortes. Assim, com cortes e austeridade secreta, isso juro que não entendo. Ajude-me a compreender.

Mário

 

From: Deus <caril@pessoal.topsecret.gov.pt>
Subject: Re: Plano secreto??????!!!!
Date: 26 April 2016 at 11:48
To: Tótó número 1 <dodo@bportugal.pt>


Mário,

Saberá que, em tempos, o ministério das finanças foi profissão de gente séria, informada, que informava, culta, que explicava. Hoje, a coberto da confusão entre liberdade de pensar e a imunidade de insultar, essa profissão respeitável é degradada por desqualificados, incapazes de seguirem uma ordem e arrasarem as dos outros, que têm de recorrer ao insulto reles e cobarde para preencher os espaços que lhes estão reservados. Quem se julga para se arrogar a legitimidade de julgar o carácter de quem mal conhece? Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este email para que não tenha a ilusão que lhe admito julgamentos de carácter, nem tenha dúvidas sobre o que penso a seu respeito.

António Costa

Fantástico, pá

28 Abril, 2016

Até 2012 as empresas podiam pagar em dinheiro vivo os valores respeitantes a facturas ou documentos equivalentes até ao limite de 9.700,00€.

Com a entrada em vigor da Lei do Orçamento do Estado Rectificativo para 2012, (Lei nº 20/2012 de 15 de Maio)  este limite foi alterado: as empresas eixaram de poder  efectuar pagamentos em dinheiro vivo de facturas ou documentos equivalentes com valor superior a 1.000,00€.

Assim, todas as compras efectuadas com um valor superior a 1.000,00€, têm de passar a ser pagas por cheque, débito direto ou transferência bancária, ou seja através de meios que possibilitem a identificação do respectivo destinatário.

Mas eis que Mariana Mortágua ousada, irreverente, a estrela do nosso parlamento vais mais longe: BE quer proibir compras em dinheiro vivo acima dos 10 mil euros

Donde se pode concluir que o BE quer aumentar o montante actualmente permitido para os pagamentos a dinheiro. É isso?

Exclusivo: documento de avaliação 1º trimestre, 2016

28 Abril, 2016

Nota-trimestral-ministro

Pergunta

28 Abril, 2016

O Ministro da Educação tem exame a cada 3 meses ou é prova de aferição?

Se estiver com negativa o Mário Nogueira dá-lhe explicações?

28 Abril, 2016

Educação. Sindicatos vão avaliar ministro a cada três meses

Uma escuta telefónica

28 Abril, 2016

– Estou? É da SIC?
– Bom dia, SIC, redacção noticiosa. Está a falar com Joaquim. Em que posso ajudar?
– O meu filho Zezinho vai emigrar.
– Está bem. Em que posso ajudar?
– Vai emigrar, percebe? Isto não se aguenta! É uma desgraça, uma ignomínia, o fim da democracia, a queda do regime, cães e gatos mutilados na auto-estrada a caminho do purgatório para nos condenarem a todos à podridão da decomposição do ethos e pathos que o colapso do Estado Social acarreta no rumo ao fogo do inferno…
– Emigrar já não é notícia…
– Não é notícia? O Zezinho andou 15 anos na escola para ser doutor, tem uma pós-graduação em entropia do ser na dialética ocupante do espaço corpo-língua em zulus com menos de 35 anos, não há emprego, não há investimento, nem há cluster do mar e da filofarmacêutica, a reposição das pensões foi 2€ e já nem temos que comer que seja biológico…
– Minha senhora, as coisas agora são diferentes, a austeridade acabou, o Bem venceu, de que se queixa?
– O quê? Os estivadores estão em greve, os taxistas em marcha lenta, as crianças morrem nos braços das mães, que as comem para saciar o básico instinto de sobrevivência, nem os sírios querem vir para este cu de Judas, este buraco onde a indignidade salarial impera em conivência dos políticos com o grande capital da banca e dos offshores opressores da Holanda e além-mar…
– Pois, isso agora não vende…
– …a ditadura dos mercados, a escravidão do euro e da dívida segundo os ditames do directório europeu e das políticas neoliberais que causam sismos e tsunamis, matando inocentes como vítimas de um sistema corrupto em que os ricos ficam mais ricos e os pobres morrem, como bem diz o Papa Franc…
– Pois, devia ter ligado no ano passado. Teríamos colocado 6 equipas no terreno, 2 helicópteros e 4 drones a acompanharem a emigração do seu filho em directo, com comentário do Adão e Silva e um especial com Boaventura Sousa Santos e uma doutoranda qualquer que seja filha de um ex-ministro de Sócrates. Agora já não cobrimos emigrações.
– Pronto, obrigado, fica para a próxima. Desculpe.
– Não faz mal. Posso ajudar em mais alguma coisa?
– Não, obrigado, era só. Boa tarde.
– Boa tarde.

Ouvindo o deputado João Oliveira do PCP

27 Abril, 2016

ocorre-me o seguinte: tendo em conta que o senhor deputado é uma espécie de deputado profissional – começou aos 26 anos no ramo parlamentar e nunca mais experimentou outra coisa  – que a não ser que ocorra algum cataclismo no PCP por aí se há-de manter nas próximas décadas, sempre falando em nome dos operários e camponeses, não podia ter uma aulas de retórica e cultura geral?

Mais folclore para a luta de classes dos toinos

27 Abril, 2016

O caso do curdo que deu umas sarrafadas num bando de delinquentes em Lisboa já está a servir de arma de arremesso entre os bailarinos folclóricos da política labrega nacional. Um é turco, os outros são portugueses e pretos ao mesmo tempo, maravilha das maravilhas, que dá para misturar refugiados com Hamas, árabes com moçambicanos e fezes com urina, que é o que a malta gosta.

Porém, o que o caso mostra é que, graças a umas sarrafadas, pode ver-se que o serviço de emigração nacional é uma porcaria, incapaz de conceder em tempo útil os direitos básicos de cidadania a um indivíduo que está activamente a trabalhar e a descontar para a pensão e investimento imobiliário da reabilitação urbana dos best friends de Costa. Mais reabilitação urbana que um negócio na área da restauração em Lisboa parece-me impossível, mas eles lá sabem, a bancarrota pertence-lhes.

Por outro lado, o que o caso também mostra é que, sendo os meliantes filhos de emigrantes, estão, portanto, plenamente integrados no desígnio nacional do Estado português: prepotência, despotismo, exigências e extorsão. Mais filhos do Estado não poderiam ser.

Não é distenção sr. Presidente. É agitprop

27 Abril, 2016

Disse o PE no seu discurso que os portugueses “vivem já uma distensão, impensável há escassos meses.”

O nosso presidente continua a ver o país como se fosse comentador: pelos alinhamentos dos noticiários televisivos. E na verdade sr. Presidente os esfomeados, os desesperados, os trintões que choravam por emigrar e deixar os braços das mães, os casamentos arruinados pela crise, os desesperados que iam pegar fogo aos subúrbios, as senhoras vestidas de cor-de-rosa e os sindicalistas de bandeiras negras que antes do anterior primeiro-ministro ou de qualquer membro do seu governo aparecer onde quer que fosse já lá estavam dando conta dos seus sofrimentos aos jornalistas… toda este gente se sumiu de um dia para o outro.

Por exemplo, onde andará Ana Avoila, agora que se sabe que os funcionários públicos não vão ser aumentados até 2018? Quero acreditar que ficou afónica durante os protestos contra a troika e o governo anterior! Ainda não me habituei a ver um noticiário sem deparar com Ana Avoila indignada, Ana Avoila a anunciar uma greve, Ana Avoila a garantir mais uma jornada de luta…

O mais desconcertado com tudo isto é esse pobre Sócrates que não percebe ou recusa perceber que devia ter levado o mesmo sumiço que essa multidão de vítimas da austeridade agora transformadas em multidão festiva.

Por isso, sr. Presidente aquilo a que assistimos não é distenção. É apenas a aplicação da  agitprop. Mas aqui para nós o sr. Presidente tb tem dúvidas não  tem? Pergunto-me isto porque algures no meio do seu discurso vem esta frase:  o Presidente da República, cujo mandato nacional é, por sua própria natureza, mais longo e mais sufragado do que os mandatos partidários. E não depende de eleições intercalares.

Triste sina, a do homossexual português

26 Abril, 2016

Algumas pessoas criticaram-me – não que me incomode – sobre a representação que faço de homossexuais – não que tenha mal ser homossexual -, acusando-me de ser homofóbico – não que me interesse o que pensam de mim – e burro – algo a que até estou habituado -, mas, portanto, como os outros eleitores de António Costa – e isso já me incomoda. Vou aproveitar a oportunidade para me explicar – não que interesse – a quem não vai – e bem, não faz cá falta – ler.

Tenho pena de homossexuais. É verdade, não adianta esconder. Não tenho pena por serem homossexuais, isso é lá com eles; tenho pena porque, voluntária ou involuntariamente, deixaram-se representar na sociedade portuguesa por imbecis, buracos, nazis em geral e esganiçadas, algumas delas do Bloco (ou Bloca) de Esquerda (e Esquerdo). Já não basta pertencerem a uma minoria, ainda têm que aguentar que o resto das pessoas os considerem estúpidos pela associação política. Aliás, todo o fascínio da nova- e simultaneamente velha-esquerda por questões de género é particularmente caricato, como se Caracas fosse o bastião da liberdade sexual entre pessoas do mesmo sexo; como se não tivessem um longo historial de perseguição e aniquilação de homossexuais nesses regimes do Homem Novo e dos amanhãs que cantam; como se os árabes fofinhos que se rebentam em nome do bem colectivo – fight the system! – numa estação de metro imperialista fossem dados ao respeito pelas opções sexuais de cada um; como se o concubinato com o regime conferisse alguma autoridade moral para uma gueixa definir padrões éticos alheios; e por aí fora.

armario

-“Medo que saibam que és gay?” – “Não, medo que pensem que sou do Bloco ou do PS”.

É algo extremamente perturbante que uma sociedade, em vez de caminhar para a tolerância inerente ao individualismo, opte por ir em cantigas de – pasme-se! – socialistas pro-regulação e padronização. Que triste sina: ser representado por quem nem de aritmética entende, naqueles mundinhos idílicos entre a infantilidade própria e a infantilização alheia. Deve ser mesmo aborrecido ser homossexual neste ambiente. Imagino a dificuldade que alguém teria em afirmar-me homossexual fora da redoma de queques lisboetas; mas, muito pior, seria ter que aceitar as consequências de pensarem que simpatiza com malucos sem qualquer pingo de responsabilidade.

Venha a torrente de insultos – não que incomodem.

Je suis 25 de Abril (não gostas, não comas)

26 Abril, 2016

Podia dizer que foi incomodativo ver Marcelo saltar por entre os lírios do campo, acompanhado do trapalhão do São Bernardo que nos governa, num idílico momento de genérico de série televisiva alpina que antecede a pungência de um drama lacrimal para toda a família; só não o digo por ter tentado manter a televisão o mais desligada possível, removendo fisicamente a ficha da tomada e desligando o disjuntor, para evitar o raro caso em que as crianças, para desgosto da Bloca de Esquerdo, percebem que os pinos da ficha são para enfiar nos buraquinhos da tomada, aceitando como natural essa básica conexão contra-progresso.


Esta manhã, pensando já ter acabado o folclore festivo que comemora o que a esquerda julga que acreditamos ter sido o 25 de Abril, caí no erro de ver capas de jornais. Encontrei imediatamente uma bela imagem de papoilas saltitantes, Pedro e Heidi, descendo alegremente a trote de hipopótamo a colina da degradação humana num movimento de exercício de motricidade humana para gordos ociosos. Percebi, imediatamente, ter tido receios infundados acerca da cerimónia do dia anterior. Deixem-os brincar em público, como naqueles reality shows da TVI, não tentem desligar a televisão: quanto maior for a exposição ao triste espectáculo, mais nos aperceberemos que isto vai correr mal, o que tranquiliza qualquer pessoa ao saber que está certa. O melhor que pode acontecer é estarmos enganados, mas não teremos tamanha sorte.

A Bloca já propõe extermínio

25 Abril, 2016

A proposta d@ Bloca de Esquerdo para que qualquer indivíduo com mais de 16 anos aceda a mudança de sexo sem avaliação psicológica ou psiquiátrica é fundamental para Portugal. Em primeiro lugar porque, retirando a possibilidade de doença da pessoa dita transsexual, permite que esta possa ser tratada como sendo só maluquinho por opção; em segundo lugar porque a castração/esterilização voluntária é uma forma bastante eficaz de assegurar a natural diminuição de malucos-não-oficiais por herança genética para a geração seguinte, isto no caso do Bloco ou Bloca estar errado ou errada sobre não ser uma patologia que deve ser avaliada por profissional.

É difícil falar destes assuntos sem rir. Não me refiro à transexualidade, que, vai-se a ver, até pode ser um assunto sério; refiro-me ao Bloco de Esquerda. É difícil falar do Bloco sem rir. Por outro lado, também é impossível falar do Bloco ou Bloca sem chorar, o que diz muito sobre o presente do país. Mas, Costa, amigo, já diziam os antigos: “diz-me com quem andas…”

Quando o Bloco tem pressa

25 Abril, 2016

Pedro Afonso escreve no Observador sobre A mudança de género e a antipsiquiatria. Conformadinhos que estamos em acomodar-nos a todas as causas, causinhas e outras coisinhas desde que apresentadas pelo Bloco – ficamos venerandos e obrigados porque fomos informados que Bloco sem pressa para legislar sobre a eutanásia. Porque se o BE estivesse com pressa era um não faltar de gente a querer morrer e a não poder. Assim, como o BE não tem pressa cá vamos todos vivendo sem esse avanço civilizacional.
Mas voltemos aos assuntos em que o BE tem pressa. E como se sabe quando o BE tem pressa nada nem ninguém ousa travar a pressa do Bloco. E é por isso que é fundamental ler este artigo de Pedro Afonso:
Foi noticiado recentemente que o Bloco de Esquerda defende uma alteração da legislação, tendo em vista possibilitar que qualquer cidadão, a partir dos 16 anos de idade, possa apresentar um pedido de mudança de sexo, dispensando para o efeito um relatório clínico. (…) Um doente com esquizofrenia, num contexto delirante, pode acreditar que é uma mulher ou vice-versa. Afinal quem é que faz o diagnóstico diferencial? Será o funcionário da conservatória do registo civil? E quem é que vai tratar e acompanhar psiquiatricamente estas pessoas?

Não, não é à Correio da Manhã

25 Abril, 2016

Concordo com esta observação de Nuno Garoupa excepto na referência ao Correio da Manhã. Se fosse o Correio da Manhã ou havia nomes ou não havia notícia. Os leitores do Correio da Manhã não dariam dinheiro por um jornal que fizesse várias vezes essa esperteza.

Tentativa de racionalizar o processo mental de um irracional socialista (passe a redundância)

25 Abril, 2016

Ouçam o Sócrates; ainda ides ouvir muito do Sócrates; quem vos dera que o Sócrates se mantivesse afastado, que tendes medo dele; a cabala da direita sobre o Sócrates haverá de levar à merecida ira deles sobre vós; não adianta negar, Sócrates é tão relevante que até faz parar tudo quando decide falar; Sócrates é o Nelson Mandela português mas mais bonito; Sócrates é a prova viva de não vivermos num estado de direito; estais a mencionar Sócrates só porque vos dá jeito, cabrões, para criticar o Costa?; está calado, Sócrates, porque não te calas?

Presidente-avô

24 Abril, 2016

Portugal deixou de ter um Presidente da República; agora tem um senhor, muito simpático, que anda de um lado para o outro a visitar tasqueiros e maquinistas de automotoras que transportam vinte passageiros, dezessete dos quais da sua comitiva. É um senhor que lamenta ter pouco tempo para os netos, para ler algo que não as fantochadas que o governo envia e para ir ao mar, um dos clusters estratégicos nacionais. É o primeiro Presidente que optou por ser avôzinho de todos os portugueses, em vez do tradicional paizinho. Como qualquer avô, vai encher-nos de guloseimas, deixar que façamos coisas que os pais não querem que façamos e permitir que pintemos a parede da sala com lápis de cera, escrevendo os rabiscos típicos de uma infância sem austeridade.

O problema é que, no fim do dia, a criança volta a casa dos pais.

O homem da vermelhinha

24 Abril, 2016

Tema do meu artigo de hoje no Observador: Portugal, em Abril de 2016, é um jogo da vermelhinha. Todos sabemos que estamos a assistir a um logro, um logro que vai terminar algures quando um dos jogadores gritar “Vem aí…” pode ser a UE, o BCE ou a inviabilização de uma medida convenientemente atirada para a frente. Por agora, ainda ninguém grita. Joga-se. (…) Mas o jogo vai acabar. Como? Exactamente como no jogo da vermelhinha: alguém – o dono do jogo e os cúmplices ou apenas um deles – vai gritar “Fujam! Vem aí a polícia!”. Ou seja a UE e os credores. Ao primeiro grito, o jogador e os seus cúmplices põem-se a milhas. Fazem contas ao ganho e depois voltam como se não se conhecessem de parte alguma: Quem? Eles, parceiros de Governo? Até nem se podem ver! O quando e o porquê são neste momento as incógnitas. Ou talvez não. Na página 12 do Plano Nacional de Reformas (ou 40 do Anexo) pode estar a solução.

O óbvio que já só vemos quando alguém vindo de fora nos atira com ele à cara

23 Abril, 2016

Com os espanhóis amarrados na teia dos nacionalismos foi preciso vir um escritor do México dizer o que em Espanha já ninguém ousa afirmar.

 

 

E fê-lo com uma gravata representando a bandeira de Espanha. Se fosse espanhol e não mexicano Fernando del Paso era hoje um proscrito

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O que sobra?

23 Abril, 2016

Paulo Ferreira: Há cerca de um ano, no dia 16 de abril, o governo PSD/CDS apresentou o seu Programa de Estabilidade e Crescimento para o período de 2015-2019, como mandam as regras europeias. Menos de uma semana depois, António Costa apresentou a contra-proposta socialista, a “Agenda para a Década”, que seria uma “alternativa de confiança” que marcaria uma viragem na política económica e orçamental.

O PS garantia que a austeridade ia acabar e isso estava materializado numa proposta de redução do défice orçamental a um ritmo muito mais lento do que previa o PSD/CDS. Com essas mudanças de políticas e o aumento do rendimento disponível dos portugueses, garantia o PS, o crescimento económico seria maior e mais robusto, num ciclo virtuoso que se auto-alimentaria.

Não só a austeridade não acabou, como se está a perceber e vai ser evidente nos próximos meses, como o crescimento vai ser bem menor. Se a isto descontarmos o clássico desvio otimista que os governos colocam sempre nas previsões temos o projeto económico e orçamental que foi levado a votos, que era suposto ser uma mudança de ciclo, reduzido a cinzas em apenas meio ano. O que sobra? As medidas avulsas, genericamente simpáticas para fatias importantes da população que recebem do Orçamento do Estado, porque nunca se sabe quando vamos para eleições.

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