
sexta-feira, 13

Azar.
13 de Maio de 2016
Contratar barrigas de mulheres SIM
Contratar colégios NÂO
só boas notícias
Quanto pior estiver a economia portuguesa, maior a probabilidade de escaparmos às sanções da União Europeia. Tudo corre conforme o previsto.
plano b, c e d, se for preciso
A estratégia orçamental do governo baseia-se na presunção de que as medidas económicas já tomadas aumentaram o rendimento das famílias mais pobres, o que promoverá o consumo interno e, consequentemente, o crescimento da economia. É um erro económico, já anteriormente demonstrado e para o qual foi alertado.
Por isso, é conveniente que vão reparando nestas notícias, que correspondem à situação real do país e não às teorias do Krugman, e corrijam o rumo, antes que a situação torne inevitável virem-nos novamente aos bolsos, de forma violenta, para cumprirem os critérios comunitários do défice das contas públicas. Como, aliás, está a fazer o governo da geringonça grega.
um conselheiro mal aconselhado
É um regalo terminar a manhã de um dia de antevéspera de fim-de-semana a ouvir, na TSF, os disparates do Sr. Conselheiro de Estado Francisco Louçã sobre o processo de impeachment que corre no Brasil. Fundamentalmente, a tese do Sr. Conselheiro é de que este processo constitucional e fiscalizado pelo Supremo se trata de um golpe de estado promovido pelos grandes interesses capitalistas e financeiros brasileiros, contra um governo popular, que tanto e tão bem fez ao povo.
Infelizmente, a tese do Sr. Conselheiro não bate com a realidade: é que esses «grandes interesses» estiveram, desde sempre, instalados nos governos de Lula e Dilma, a começar pelas grandes construtoras, como a Odebrecht e a Camargo Corrêa, cujos donos e gestores se encontram presos graças à investigação que conduziu ao impeachment. O Sr. Conselheiro de Estado, conhecido inimigo do grande capital, deveria, por isso, estar satisfeito, em vez de triste.
Depois, quando o Sr. Conselheiro se queixa, também, de que os urdidores do «golpe» têm sinistras ligações aos antigos apoiantes da ditadura militar e aos coronéis do sertão, há três nomes que lhe têm de ser arrojados às fuças, para ver se tem mais pudor no que diz: Paulo Maluf, José Sarney e Collor de Melo. O Sr. Conselheiro sabe quem são, não sabe? Ou melhor, sabe quem foram, porque, desde os primeiros tempos do governo Lula, que qualquer um destes três cavalheiros é seu aliado e faz parte da base de apoio governamental. O Sr. Conselheiro de Estado Francisco Louçã deveria, portanto, escolher melhor as suas companhias políticas.
Por fim, o mais grave: a esquizofrenia, tão característica da extrema-esquerda, de ler entre as linhas e descobrir as «forças ocultas»: onde o Sr. Conselheiro deveria ver os resultados de uma pressão popular de milhões de brasileiros, que vieram para as ruas do país exigir que os seus representantes, no fim de contas, os representassem, única coisa que fez os deputados mexerem-se, ele vê conspirações em gabinetes plutocráticos. O problema do Sr. Conselheiro é só um e apenas um: ele não acredita na democracia. Nem seria de esperar outra coisa de quem sempre esteve, e continua a estar, na extrema-esquerda.
Durante anos, fui levado a crer que qualquer pessoa que mencionasse Sócrates e Câncio na mesma frase estava a incorrer numa violação abjecta de privacidade, uma associação sem escrúpulos entre pessoas e as suas vidas privadas que em nada permitia inferir sobre a ética de elogiar o governante em artigos de opinião com a partilha em privado do leito. Nada mais natural: não esperaria que a mulher do Costa viesse para o jornal dizer que o PM é o idiota que todos sabemos ser, presa que está à afectividade e carinho humano com quem partilha a vida e que lhe providencia sustento e, consequentemente, tolhe o discernimento.
Eis que agora descubro que Câncio, voluntariamente, muda o discurso da vida privada, optando por revelar à Visão que aquilo que não era da nossa conta, a sua relação com o meteossexual mais famoso das cidades que se chamam Vila, afinal é da nossa conta, das pessoas que compram revistas. E logo na revista Visão, cujo nome apela ao sentido mais essencial ao vouyeurismo.
Que terá acontecido para que Câncio tenha mudado de ideias ao ponto de revelar que sim, que privou com o pénis do engenheiro e que o expôs, em toda a glória da triste bravura de uma governação de crise de meia-idade, aquela que consistiu em comprar-nos um Porsche sob a forma de um aeroporto em Beja como prolongamento de uma virilidade alimentada pelo desejo de parecer atraente ao eleitorado, em cartas de amor escritas num jornal?
Seja qual for o motivo, nada será igual. Ficará para sempre conhecida como uma primeira-dama não oficial cujos artigos de opinião mais não são do que aquelas causas toscas que se procuram arranjar para fingir que companheiros de governantes têm cérebro, mesmo que o tenham, que isto de ter cabeça própria é muito bonito mas é para ficar guardadinho no interior do lar.
Por outro lado, com estas revelações, fico triste por Câncio. Não havia nada a esconder e Sócrates nem sequer se dignou a levar a namorada como ornamento para as inaugurações, privilégio que concedeu apenas a Teixeira dos Santos, o candeeiro de pé presente aquando do anúncio da vinda da troika. Teria sido mais agradável ter tido a Fernanda lá, que, convenhamos, é bem mais bonita.
tudo a aumentar
Com o governo da geringonça é sempre tudo a aumentar:
- O imposto sobre os combustíveis (e o preço dos mesmos);
- O Imposto sobre os imóveis;
- O défice orçamental;
- Os juros da dívida;
- A taxa de desemprego;
- O défice da balança comercial.
É graças a tantos aumentos que certamente já aumentou também o rendimento disponível dos portugueses.
Entretanto o totalitarismo avança
PAN AVANÇA COM PROJECTO PARA QUE ANIMAIS DEIXEM DE SER CONSIDERADOS COMO COISAS: Outra insuficiência apontada à lei que criminaliza os maus tratos, quer por activistas quer por juristas que estudaram o assunto, relaciona-se com o facto de ela se restringir aos bichos considerados de companhia – deixando assim de fora um enorme universo de animais
Amanhã teremos o estigma das baratas que pisámos e dos ratos que envenenámos.
Ao certo o que se estuda nas aulas de palhaço?
INE divulga hoje taxa de desemprego no 1º trimestre com analistas a estimar nova subida
… Antes que isto se complique mais a Catarina Martins pode explicar qual é o plano para sairmos da treta?
Senhor jardineiro, o azeite falou
Isto das escolas estatais e privadas já mete nojo. Anda muito bem António Costa a destruir o ténue equilíbrio que nos permite existir como país e nós todos entretidos com a fumaça de uns números inventados sem grande criatividade para justificar as nossas dúvidas existenciais sobre se pertencemos ou não à grande elite opinativa do país. Tudo que seja discurso de maricas, lá estamos nós, como alcoviteiras, a casar gays, a trazer-lhes filhos via cegonha que terão uma instrução básica de trampa geradora de Ruis Tavaress e, finalmente, a preparar o seu suicídio assistido, decerto, por fartos de aturarem tanta gente que pensa o país.
Portugal é o país mais esquizofrénico que conheço, capaz de perder horas a fio a discutir como o país seria bom se não fosse, inexoravelmente, uma valente bosta. Como se fosse, sequer, verdade. Sim, o país consegue ser mesquinho, mas enquanto existirem Tiagos Barbosas Ribeiross e Joãos Galambas, a nossa preocupação devia ser o perigo de afogamento por azeite.
genial
princípio da confiança
Abra uma escola privada num local onde não exista nenhuma escola pública.
Arrisque o seu capital, tempo e trabalho onde o estado não quis arriscar.
Depois contrate professores e funcionários, de preferência com contrato efectivo de trabalho para combater a famigerada «precariedade laboral».
Para melhorar a qualidade da sua escola vá buscar dinheiro ao banco e avalize pessoalmente o empréstimo com os seus bens pessoais.
Assuma compromissos com fornecedores.
Com muito esforço, ao fim de alguns anos a sua escola é um sucesso: os alunos aprendem e obtêm bons resultados nos exames nacionais.
Um dia, um governo cheio de ministros iluminados, resolve olhar para o local onde você fez a sua escola e constata que não existe lá nenhuma escola em que possa mandar.
O ministro da tutela pega no dinheiro dos contribuintes e cria lá uma.
Depois corta o financiamento que lhe dava para receber os alunos que não podem pagar propinas e, sabendo que por isso você vai falir, congemina a pilhagem de todos os seus alunos para a nova escola feita por ele. A isto chama «justiça social».
Manda-o para a falência e condena ao desemprego os seus professores e funcionários.
Você terá de pagar-lhes pesadas indemnizações.
Se tentar manter a escola a funcionar e, para poder pagar aos trabalhadores, atrasar pagamentos ao estado, responderá criminalmente por isso, porque você cometeu o grave crime de entregar o esforço do seu trabalho aos seus empregados e não soas cofre públicos.
E deve ser isto também o «princípio da confiança» que os cidadãos devem ter no Estado de direito, que a Constituição consagra e que o Tribunal Constitucional tanto invocou para que não se reduzissem os salários dos juízes e demais funcionários públicos.
Descrispação

Esta guerra das escolas já a descrispação que o Prof Marcelo prometeu?
É melhor falar com a mana para acertarem as ideias
Mariana Mortágua “não poupou críticas a Luís Marques Mendes que, na véspera, tinha criticado a decisão do Governo de pôr termo aos contratos de associação com colégios privados. (…) “É a renda. O que Marques Mendes defende é a renda do colégio privado”
A “renda” que Marques Mendes defende no caso para os colégios privados é a mesma que a mana da senhora deputada que por sinal é a deputada Joana defende para a ADSE. Com a diferença que Marques Mendes não defende que apenas os filhos dos funcionários públicos possam frequentar os colégios com contratos de associação enquanto a mana deputada da senhora deputada mais a senhora deputada e o seu Governo defendem e impõem que apenas os funcionários públicos possam ter acesso aos serviços de saúde privados pagos com a renda da ADSE.

Aqui chegados é sempre a descer!
Avante camarada, avante. Até à contratação final
Mistérios da fé com fotografia de estadista a acompanhar
Novas contas à reforma: quem trabalhou mais ganhará mais

Só resta saber donde virá o dinheiro…As notícias sobre a Segurança Social tornaram-se em Portugal um prolongamento dos segredos de Fátima
Fechem lá as escolas privadas!
Ouçam, querem fechar as escolas privadas, deixem fechar. Vai ser chato para os socialistas e bloquistas, que terão que colocar os filhos na escola pública, mas se nós sobrevivemos, eles também sobreviverão.
Mas qual liberdade?
Às vezes fico impressionado como há tanta gente que parece desconhecer o país onde vive. Num zapping vejo uns pais na tv a reclamar que lhes querem «tirar a liberdade de escolha de escola», ou limitar «liberdade de educação» ou «liberdade de escolha de projecto educativo»
Mas qual liberdade pensam que existe na educação? Nenhuma. Acaso acham que temos uma Constituição liberal que permita tal coisa? Tenham juízo. Temos, como deviam saber de cor e salteado, uma Constituição socializante que impõe como tarefa do Estado criar as escolas necessárias para a população, toda. «Ah, tá mal». Está sim senhor. «Devia ser assim ou assado». Devia sim senhor. Mas para isso mudem a Constituição.
Já era tempo. Agora, não vivam é iludidos de que temos um sistema de liberdade, quando vivemos ainda os resquicios da herança salazarista e de todos os demais estatismos socializantes que viam (e vêem) na educação compulsiva e estatal a melhor forma de controle e conformação dos cidadãos. Não vale a pena é andar a reclamar para meia dúzia aquilo que os demais não tem. E que ainda para mais viola a Constituição. Então mudem-na faz favor.
Singulares
a cobertura das manifestações em Atenas. Os seus autores devem estar a concorrer ao Prémio Jornalista Desentendido do Ano.
o socialismo reinventa-se
A partir dos Estados Unidos da América, covil do capitalismo selvagem e do impiedoso desregramento financeiro, o socialismo reinventa-se. Felizmente, quando tudo parecia irremediavelmente perdido, sobre os escombros de Wall Street, ergue-se quem ainda defende as grandes causas e valores da humanidade, obrigando os ricos a devolver parte da sua riqueza àqueles a quem a espoliaram e aumentando o salário mínimo para os pobres e necessitados. Afinal, a esperança mora ainda nos EUA, e não necessariamente sob a forma de um passarinho. Catarina e Jerónimo devem estar embevecidos.
O que foi Sócrates fazer ao Marão?
Homoerotismo inaugural
Parece que o barómetro moral da Geringonça, a tal agremiação de maluquinhos que compõe a troika governativa, esteve na inauguração de um buraco, um dito túnel que, crendo o Chiado o cu do mundo, deve ficar algures entre o Inferno e o lugarejo que o deu à luz, isto crendo numa das sete versões existentes da biografia ficcional (todas escritas por um amigo) do suspeito por corrupção e obviamente culpado por magnetismo homoerótico. Foi no Marão, lugar onde já nem mandam os que lá estão.
As pessoas que sabem o sentimento d’A Direita já terão decidido que foi uma afronta digna de Alka Seltzer®, produto farmacêutico que referem amiúde, provavelmente pela popularidade entre os jovens de sexualidade alternativa que se afagam em fila indiana – juro que é uma expressão pré-geringonça – para serem os próximos a serem escolhidos para ajuntos da monstruosidade, isto com a certeza de que, sem intervenção do estado e do Espírito Santo, nunca se poderão reproduzir, para bem de todos nós.
Não crendo falar pel’A Direita, resta-me falar por mim: quanto mais a criatura aparecer, melhor. Eu era menino para o meter num programa da RTP, talvez a ser entrevistado sobre todas as coisas que já demonstrou desconhecer por moça com pernas particularmente demonstrativas do conteúdo do programa, alguém que tivesse estagiado nas viagens a Bruxelas patrocinadas pela doutora Estrela e bem distante do José Rodrigues dos Santos, que esse ainda não tatuou a testa com o símbolo da sobrevivência, como fizeram Raúl Vaz ou António José Teixeira, só para citar dois dos mil e trezentos.
Como diria o Sócrates – o outro – ao homónimo, “pá, sê sempre o que desejas parecer”.
Tenho visto discussões entre “escola laica” e escolas privadas associadas a religiões, mas das religiões sérias. Não percebo nada. Não há escolas laicas em Portugal, só escolas que seguem a mais estrita das ortodoxias, a praticante do Sagrado Coração do Ministério da Educação e seu Excelso Papa, Sua Eminência Doutor Professor Doutor Mário Nogueira. O esforço que um gajo tem que fazer em casa para explicar aos miúdos que aquilo do Santo Socialismo é tudo treta é, essa sim, uma tarefa que exige extrema devoção e fé depositada na esperança de um país livre de seitas.
E como diz o da matemática, isso sim, é liberal.
Há horas que não lembram ao Diabo
O Luís Aguiar-Conraria é um homem inteligente, diria até de uma completa anormalidade entre os indivíduos de esquerda que escrevem coisas em jornais. Há mais pessoas inteligentes na esquerda, claro; só não contam porque, pelas circunstâncias da vida, optaram por fazer o frete à cambada de incompetentes que nos governam, uma opção legítima, diga-se de passagem, mas que obscurece a capacidade intelectual destes num rame-rame de loucura e contradição constante. O Luís não, sublinho. Vai daí a minha surpresa com o artigo do Observador, aquele que não é passível de ser rebatido pelo mesmo motivo que não se rebate um texto do Arnaldo Matos. Fiquei a pensar nas hipóteses que o levariam a escrever aquilo e conclui que o mais provável é ser uma destas duas: 1) toda a gente que escreve em público tem dias maus, às vezes acontece; 2) é uma brincadeira do Luís para tentar demonstrar que a Direita (ele capitaliza) também se indigna, como a Esquerda, a que tanto manda tirar crucifixos de escolas (“não é por mim, que nem tenho filhos, é pelo bem dos outros”), como decide que os homossexuais querem assimilar a iconografia e simbologia religiosa/tribal do casamento (“não é para mim, que nem sou gay, é para um amigo anónimo que é”). Tendo sido este o caso, o da provocação, não sei se a indignação da Direita correspondeu às expectativas, porém, duvido muito que tenha correspondido.
Note-se, também, que os meus parêntesis são uma demonstração do individualismo liberal. Talvez eu mude de ideias quando vir homossexuais gratos por terem casado em vez de heterossexuais de meia-idade a agitar essa bandeira alheia. Como diz o da matemática, isso sim, é liberal.
o fundo da questão de fundo
Liberalismo vs. estatismo, mais ou menos estado, mais ou menos governo, socialismo ou capitalismo, propriedade privada ou pública, distribuição estatal de rendimentos vs. livre-mercado, planificação ou ordem espontânea, individualismo ou colectivismo, enfim, para quê tantas questões complexas quando o fundo da questão de fundo é muito mais prosaico e simples?
as biografias de cunhal
Por que tanta gente, à esquerda, tem um interesse quase mórbido no que possa ser a direita portuguesa?
Consideremos, desde logo, que não será por altruísmo desinteressado, nem pela vontade de ajudar. A velha dicotomia de Carl Schmitt, do «amigo-inimigo», que, segundo o velho professor alemão, representava a própria essência da política, mantém-se válida em Portugal, e não creio que tenha chegado o dia da véspera do seu fim.
Não sendo, então, por amor, como naquela velha anedota matrimonial, será certamente por interesse. E o interesse é claro. E é antigo.
É claro, na medida de que a esquerda, sobretudo a esquerda bem-pensante, sempre se arrogou de uma superioridade moral para determinar aquilo que a direita indígena deve ser. E, nesta táctca, porque de uma táctica se tratou e trata, a direita não é moderna, porque não aceita as causas fracturantes da esquerda, não é social nem generosa, porque não subscreve as políticas estatistas da esquerda, nem sequer é culta, porque não segue o que a esquerda lê e atreve-se mesmo a ter leituras originais que, para a esquerda, são desviantes. Em suma, a direita não presta e não serve, porque… não é de esquerda.
E é antigo porque, desde a fundação do regime que a direita político-partidária foi aquilo que a esquerda deixou e quis que fosse. Desde logo na constituição do CDS, que, para ser tolerado (e mal) teve de estar, segundo a mirabolante fórmula do Professor Freitas «rigorosamente ao centro». Ou seja, poderia estar em toda a parte, menos à direita. Depois, mais tarde, a direita foi diabolizada por causa da «cultura»: segundo os corifeus da intelectualidade esquerdista indígena, a direita portuguesa era profundamente ignorante e analfabeta, «a mais estúpida da Europa», quiçá do mundo. A intelligentsia, por essas épocas, estava à esquerda, sobretudo na que «produzia» com subsídios do estado, e os sucessivos ministros e secretários de estado da Cultura, mesmo os que pertenciam a governos de direita, reconheciam-no com generosos subsídios, não fossem desancados nos jornais do regime. Mais recentemente, quando alguma direita se afirmou timidamente «liberal», logo o liberalismo foi crismado de coisa do diabo, como impiedade de ricos contra pobres, uma espécie de hooliganismo político-intelectual, que o Dr. Pacheco Pereira tão bem descreve, para seu gozo pessoal e vingança de supostas ofensas partidárias.
Em face disto, no tempo presente, alguma direita liberal acanha-se e rejeita a rotulagem. Em vez da histórica díade da geografia política, refugia-se numa tríade que as pessoas comuns não compreendem. Nem aceitam, para clara felicidade da esquerda, que assim realiza a sua táctica e mantém a direita refém da sua vontade. Por conseguinte, a direita, sobretudo a liberal e libertária, se quer ganhar identidade e espessura, tem de cuidar mais de si e deixar o que a esquerda queria que ela fosse à própria esquerda. E não tem que ter medo de rótulos: em vez de se deixar afastar por o que eles possam ter sido, deverá apropriar-se deles e determinar-lhe o conteúdo. Quanto ao Dr. Pacheco Pereira, que continue a escrever biografias de Álvaro Cunhal.
Não há nada como a concorrência
Andaram de táxi nos últios dias? Eu andei e de uber tb. Posso dizer-vos que os táxis estão bem mais civilizados, limpos e uberizados se quisermos. Donde proponho que se deixe a concorrência actuar e para que os senhores Moreira da CMP e Medina da CML não fiquem tristes pode criar-se uma frota típica, tipo rancho com taxistas que digam palavrões, gritem.. e ficamos todos contentes.
A RTP tem que cumprir a sua função
Deveria José Rodrigues dos Santos, na RTP, ter mostrado um gráfico que explica o que já todos sabem, que o governo Sócrates foi uma desgraça para a dívida pública? Para os neo-urbanos-parolos, como aquele achado da psiquiatria que dá pelo nome de Tiago Barbosa Ribeiro ou para aquele jovem já no topo da carreira de carroceiro, João Galamba, não, não se deve dizer, que as pessoas ainda deixam de votar neles se perceberem a verdade. Como se as pessoas já não tivessem deixado de votar neles, tornando necessária a coligação com estalinistas e esganiçadas com capacidade para amplificarem a mensagem da estupidez humana do ligeiro virulento para níveis de elefantíase pandémica.
Porém, têm alguma razão. Se a RTP não for a máquina de extrema precisão e devidamente oleada de propaganda socialista, para que serve, então, a tal de RTP?
a doença infantil do pcp
Para tentar compensar o colaboracionismo táctico com o Partido Socialista, essa agremiação esquerdista que foi sempre «a doença infantil» do comunismo português, o partido do camarada Jerónimo tem utilizado a estrutura sindical do camarada Arménio, que ronca, de tempos a tempos, algumas ameaças sobre Costa, para o pôr em sentido e convencer a populaça que a revolução ainda mora na Soeiro Pereira Gomes. Numa época de profunda crise da «revolução», em que até já Mário Nogueira abandonou a luta de classes para assumir a pasta sombra da Educação, as roncadelas de Arménio deveriam ser suficientes para que, mudando alguma coisa, tudo ficasse na mesma. Mas não são: em breve, o PCP terá de tomar decisões sérias: ou se mantém comunista ou tombará com a doença que Lenine diagnosticou, e que Álvaro Cunhal sempre soube evitar. Os tempos que aí vêm não serão tempos de indecisão.
A geração mais bem preparada de sempre só come junk
O doutor Fernando Rosas tem problemas sérios de compreensão. Talvez a mãe o tenha deixado cair ao chão ainda muito pequenino. Mas há quem ainda coma disto, em Portugal, no século XXI; é o que há nas cantinas universitárias. Eu explico:

Entretanto, no Twitter
Agora há no Twitter contas oficiais dos ministérios com conteúdo deste teor:
Outro papão. O programa não podia acabar sem o Plano B… As pessoas estão fartas dessa conversa sem esperança #pec pic.twitter.com/n1FiZYIXD8
— Planeamento PT (@planeamento_pt) 2 de maio de 2016
//platform.twitter.com/widgets.js
Programa Nacional de Reformas quer por Portugal a olhar para cima #pnr2016 #PeC pic.twitter.com/zV0mE03OE7
— Planeamento PT (@planeamento_pt) 2 de maio de 2016
//platform.twitter.com/widgets.js
Resolvido diferendo com Bruxelas sobre ferrovia, após "inércia inexplicável” do anterior Governo https://t.co/TfESTryAIs
— Planeamento PT (@planeamento_pt) 2 de maio de 2016
e tem razões para isso
«Marcelo “tranquilo” com as contas do país»
E tem excelentes razões para estar, como se depreende desta notícia, também no site do mesmo pasquim.
Aguardam-se, agora, as judiciosas explicações do economista João Galamba, embora o Presidente da República já nos tenha sossegado a todos.
Offshores, a última conquista de Abril
Tema do meu artigo de hoje no Observador: as multinacionais, a deslocalizaçãom os intermediários, os grandes grupos económicos, a ausência de grandes grupos económicos. as empresas de vão de escada e a exploração do homem pelo homemas multinacionais, a deslocalizaçãom os intermediários, os grandes grupos económicos, a ausência de grandes grupos económicos. as empresas de vão de escada e a exploração do homem pelo homem são alguns dos inimigos úteis que temos combatido ao longo das ultimas décadas.Chegou agora a vez dos offshores. Qualquer outra coisa se seguirá porque, ironias de Abril, há quarenta e dois anos, em 1974, nem empresários nem políticos tinham dinheiro fora de Portugal. Em 2016, os portugueses confiam no regime que têm mas as suas elites não acreditam no país q.b. para lhe entregar o seu dinheiro
Mãe há só N
Mãe há só uma; excepto se for casada com outra mulher; aí, mãe há só duas; bem, excepto se a mulher da mãe morrer e esta voltar a casar com outra mulher que co-adopte; assim, mãe há só três; isto se não contarmos com as tias.
Pacheco bem
Do artigo do Pacheco Pereira, o que mais gostei foi desta passagem:
O orçamento devia ser recusado porque precisamos vitalmente de outra coisa, precisamos de mais liberalismo, de mais liberdade económica, de mais espírito empresarial. Sem mais “crise” (das que falava Schumpeter) e sem mais “boa” insegurança, não somos capazes de mudar. O estado tudo faz para nos poupar a essa insegurança, e, como toda a Europa, afundamo-nos, pouco a pouco, na manutenção, geracionalmente egoísta, de um modelo social insustentável a prazo e que nos condena a definhar. É verdade que duvido que hoje alguém consiga ganhar uma eleição propondo o fim do conforto providencial, mas isso remete para a perda de margem de manobra democrática, face ao crescendo demagógico.
Elias, o Pacheco Pereira de Soutelo
Elias, filho de Germano e Dona Elisa, é um homem franzino, mas trabalhador, esforçado e dedicado, apesar da tendência para a indulgência em grandiosidade pomposa a pretextos despropositados, como da vez que gravou com diferentes ângulos o ensaio do rancho folclórico recorrendo a 23 câmaras de vídeo de 8 mm não sincronizadas. Dona Elisa foi varina, depois ardina, isso antes de se reformar aos 49 por espondilose, o que lhe permitiu dedicar-se ao cultivo do talento que lhe alcançaria a distinção da mais afinada das cantadeiras a ornamentarem a estridência do Rancho Folclórico e Etnográfico da Vila de Soutelo Norte, “O Arado”.
Elias cresceu no rancho e, aos 8 anos, já era o primeiro cavaquinho da tocata, superando com entusiasmo e dedicação a falta de formação, gosto e conhecimento musical. Munido de um amplificador de guitarra eléctrica que parecia um histórico Marshall JTM45 mas com marca escrita com o alfabeto cirílico, foi o primeiro tocador de folclore português e além-mar a incorporar longos solos distorcidos de cavaquinho na vertente rancho-folclórico-sinfónico com pastiche de psicanalismo. Estávamos em pleno período hippie português, pelo menos em Soutelo, no Verão quente da campanha que permitiria a Cavaco Silva a primeira maioria absoluta.
Aos 22 anos, Elias fazia parte da direcção do rancho. Era terceiro vogal – o “i” – e tinha a responsabilidade de organizar coisas, desde a gestão do bar da sede até à logística para albergar o rancho visitante de Güzçimeni, Turquia, os esquisitos que nem tocaram na valente feijoada à transmontana com que Elias e “O Arado” os acolheu. Nove meses depois desse célebre festival com ranchos de todo o mundo (Portugal e Turquia), nascia o primeiro filho de Elias, um rapaz de tez particularmente escura que, dizia-se, “sai ao bisavô, que era cigano”.
Em 1997, em plena época da explosão da estética punk, pelo menos em Soutelo, Ramirez, o galego com bigode que o tornava no perfeito actor para o senhorio malvado num filme de Chaplin, foi eleito, por dois votos, o novo presidente do Rancho Folclórico e Etnográfico da Vila de Soutelo Norte, “O Arado”. Pela primeira vez desde a sua formação como associação cultural e recreativa, a direcção de “O Arado” não tinha qualquer membro da família Leite-Silva, a prole de Germano, Elisa, Elias e sua irmã Hirondina. Recordo-me de na noite de 24 de Outubro de 1997, uma sexta, ter ido com o meu amigo Ildefonso ao bar do rancho beber um Pisang Ambon com Sumol de ananás – o único sítio que conhecíamos onde o enjoativo néctar custava apenas 120$00 – e de ter assistido à mais eloquente cena de pancadaria da minha vida, envolvendo cadeiras, garrafas de Super Bock e dentes sortidos. Elias, um dos vários intervenientes da cena de pugilato e arremesso, entre múltiplos socos, pontapés e uma prancha de Tabopan, ficou com a cara em papos e polpa sanguínea, enquanto, mesmo assim, arrancou à dentada o polegar de Ramirez, que ficou irreconhecível até pela filha de 12 anos, a Jacinta, que brincava junto à televisão.
Elias jurou não mais voltar ao rancho. Nunca mais colocaria os pés em tal antro de ignomínia. Explicou que a briga foi motivada pela inveja de Ramirez, que queria ser dono do grupo e que achava que mandava alguma coisa só porque era o presidente eleito, sabe-se lá com que votos, mesmo sabendo que o rancho sempre foi da família Leite-Silva. Desde 1997, sempre que vejo o Elias, conta-me a mesma história, de como o Ramirez lhe roubou o rancho, que nunca mais tocou cavaquinho eléctrico, que a etnografia de Soutelo nunca mais será a mesma e que o único destino possível para o grupo folclórico é a sua extinção. Vi, noutro dia, que o rancho mudou-se para um edifício maior, bem mais bonito. Por coincidência também vi o rancho a actuar num programa da manhã da TV, não sei se na RTP ou na TVI. Lembrei-me do Elias, rapaz franzino e obcecado com o velho rancho em plena idade de quem casa os filhos, ao ler este artigo de Pacheco Pereira. Tenho a certeza que seriam os dois grandes amigos, se as circunstâncias da vida acabassem por os juntar.
