É mesmo dessa entrevista que querem falar?
As redes sociais, uma espécie de reino de Liliput dos nossos dia que os jornalistas e os própios participantes/habitantes tomam pela Assembleia das Nações Unidas, indignou-se com a entrevista feita por Rodrigo Guedes de Carvalho num programa de humor. Mas creio que estão redondamente enganados. Enganados na indignação e sobretudo enganados no alvo como o Vítor Cunha bem explica. Creio que deviam era estar a pensar nesta nova modalidade dos tempos de antena que tem como base a entrevista. Pergunta a pergunta os entrevistados são confrontados com o argumentário socialista que naturalmente é suposto reiterarem. Mas em boa verdade também esta nova forma de agit-prop já não deve causar grande confusão no telespectador dado o constante estado de activismo a favor das “causas certas” que impera em Carnaxide.
Humorismo em sério risco
Há pessoas que acham relevante a participação de Rodrigo Guedes de Carvalho num programa de humor, como se a associação do seu usual reconhecimento como jornalista a peças de humorismo possa diluir a linha entre notícias e entretenimento. Obviamente estas pessoas não têm estado atentas à existência de canais noticiosos que transmitem 24 horas nos 7 dias da semana; basta um dia, com os inúmeros debates e reportagens novelescas, para perceber que é ao contrário: o humorismo está a começar a correr o risco de parecer jornalismo a sério.
Todos somos iguais mas há uns que são mais iguais que outros
«Movimento que nasceu no Facebook organiza-se para boicotar prova de professores (…) André Pestana, um dos professores que lançaram o movimento Boicote&Cerco no Facebook, contra a prova de avaliação de conhecimentos para docentes, assegurou esta sexta-feira que “há centenas de pessoas mobilizadas para, no próximo dia 18, tentar garantir que a prova não é realizada, pelo menos por todos”. (…) Na quinta-feira, na véspera do fim do prazo para a divulgação das escolas onde os cerca 13.500 professores inscritos têm se se apresentar, houve reuniões em 14 cidades do país, para definir estratégias, disse André Pestana, que frisou que o ministro da Educação, Nuno Crato, “tem “razões para estar preocupado”.»
Moral da história e da História: 13 500 inscreveram-se para fazer a prova. Centenas pretendem boicotá-la. As centenas têm mais legitimidade. Porque sim.
Cult Mentality
Merkel está do outro lado, com aquele estupor do ministro das Finanças, o Schäuble, que agora foi corrido
Mais aqui.
leituras de fim de semana
Dilema educativo
E se um destes dias, numa sala de aula, um aluno se insurgir contra uma pergunta, se levantar e, incentivando os outros, fixar que, não sendo a pergunta anulada, existirá risco do professor não sair da sala pelo próprio pé?
Eles e não nós
Ontem à noite, antes de dormir, lia eu as últimas páginas de “F. – Portugal é uma figura de mulher” e pensava se um dia, como avô, teria a disciplina necessária para tentar transmitir algo aos meus netos quando estes tivessem 40 anos.
A presença ou ausência do homem branco
é a referência padrão para que um facto ocorrido em África seja visto como um crime inesquecível ou um crime que condenado ao esquecimento. Mais extraordinariamente ainda quando, como no Ruanda, tudo acontece entre pessoas cuja cor da pele as exclui do mundo dos brancos coloniais não se destacam nem as responsabilidades nos crimes nem a grandeza na hora da reconciliação. Se Mandela tivesse estado no Ruanda e não na África do Sul provavelmente nem o seu nome saberíamos.
PÚBLICO: «Investimento de 35 milhões de euros nas escolas de Beja não reduziu o insucesso escolar (….) No caso do secundário, a D. Manuel I estava em 2005 no lugar 206 do ranking nacional e encontra-se agora, depois de a Parque Escolar lá ter investido quatro milhões de euros, no posto 219, entre 612 estabelecimentos. Já na Diogo de Gouveia, observa-se uma descida particularmente acentuada. Em 2005, era a a 49.ª escola mais bem classificada do país e neste momento, três anos depois das obras, está no lugar 229. Nos últimos dois anos, os distritos de Beja, Évora e Portalegre perderam um total de 4000 alunos, em grande parte associado ao declínio demográfico.»
A fé no investimento público é tal que se instituiu que dinheiro=sucesso. Neste caso dá que pensar ao PÚBLICO que a construção de um polidesporivo e outros equipamentos não se tenham traduzido em melhores notas. Tendo desistido da revolução e da sociedade sem classes a esquerda sem Marx e a direita pragmática fizeram do investimento público o eixo das suas intervenções: tudo se resolve com investimento público. Tem sempre de se investir mais. As escolas de Beja devem estar a precisar de um novo ciclo de investimento. Proponho piscinas cobertas e pista de neve. Se lhes sobrar algum dinheiro podem mandar vir este livro.
Uma espécie de Triângulo das Bermudas?

Columbine (rosa) – 1999: 12 alunos, 1 professor assassinados; 24 feridos
Aurora (amarelo) – 2012: 12 mortos, 70 feridos
Centennial (verde) – 2013: 1 morto, 2 feridos (?)
economia numa única lição
Como podem os portugueses resolver a crise económica e o problema do desemprego?
É fácil: lendo, em massa, os artigos do Daniel Oliveira.
não consigo perceber a dra. ferreira leite
Manuela Ferreira Leite declarou que o programa de ajustamento destruiu a economia portuguesa, colocando-a ao nível de um pós-guerra. Isto significa, por evidente dedução, que a economia portuguesa anterior ao dito programa estava de boa saúde e era uma economia real sustentada na produção e num PIB forte e seguro, e não uma economia fictícia suportada por um endividamento insustentável. Seria talvez, então, melhor que a Dra. Manuela Ferreira Leite nos explicasse o que andou a fazer quando foi líder do PSD e o que andou a dizer sobre o governo de José Sócrates por essa mesma altura. A não ser que o que então tenha dito não lhe tenha saído da sua própria cabeça, o que não espantaria, tal a discrepância discursiva, não a consigo perceber.
Senhor bastonário, pense antes de falar
A ideia da criação de uma taxa para queixas efectuadas sobre médicos é mirabolante. O reeleito bastonário, ao fazer semelhante proposta, equipara a ordem a um sindicato, agindo como se o papel desta fosse o de mediação entre contratante e prestador. A minha sugestão é que pense bem antes de fazer propostas sob risco de alguém começar a questionar a utilidade das ordens profissionais.
A Stasi chega a França
As práticas, métodos e finalidades da polícia politica comunista Stasi, da velhinha DDR, não morreram com ela.
O lema de espiar/vigiar tudo e todos mantêm-se bem vivo. A ideia de que qualquer cidadão pode ser um inimigo do Estado e que a sua vigilância é uma necessidade de «segurança» é um triste facto nos dias de hoje. Bem mais comum do que se poderia esperar após tantas experiências de sistemas politicos sanguinários. Por vezes parece que não se aprende. Volta-se sempre ao mesmo.
Que as tiranias, sejam elas comunas (que ainda há) ou fundamentalistas religiosas, militares ou meramente unipessoais, utilizem nos dias de hoje tais métodos não é de estranhar.
Grave, obviamente, é que em sistemas ditos livres e democráticos se adopte tal doutrina e práticas. Soube-se recentemente que nos EUA a vigilancia indiscriminada em larga escala é um facto e que a actual presidência lhe dá todo o apoio e cobertura, perguindo mesmo os jornalistas e outros envolvidos que corajosamente as denunciam ou investigam.
Mas no dia de hoje é de destacar um outro patamar: a França do socialista Hollande avança para métodos similares. Descaradamente e sem qualquer pudor. Tudo isto vai-se pagar muito caro.
os homens “doutros tempos”
Depois de ontem ter malhado, firme e forte, no comércio e no poder económico em geral, Daniel Oliveira crucifica hoje, no seu posto habitual, a atividade bancária. Não a “banca” que concentra e “esconde” a riqueza “mal distribuída”, nem os “banqueiros”, de quem sabemos já que a esquerda desconfia a priori, mas a própria atividade bancária em si mesma, a que consiste em receber depósitos e cobrar taxas por esse serviço prestado ao cliente. No seu artigo de hoje, Daniel Oliveira confidencia-nos que não confia em bancos, nem lhes entrega o seu dinheiro para aplicações mais arrojadas, estando mesmo disposto a dispensar “o banco e os seus cartões”, considerando-se, por isso, “nestas matérias”, um homem “doutros tempos”.
As confissões de Daniel Oliveira, que ontem se assumia como “snob”, para hoje se definir como um reacionário, não me interessam por aí além, a não ser no que elas permitem compreender sobre a arqueologia mental de uma certa esquerda, aquela esquerda que execra o mundo de liberdade que a Revolução Industrial e o capitalismo burguês nos trouxeram. O mundo ocidental em que vivemos, em suma.
Nada disto é particularmente novo ou surpreendente. O pensamento marxista, onde se filia a esquerda de Daniel Oliveira, origina-se uma reacção visceral ao progresso trazido pela Revolução Industrial, que, como todas as revoluções, comportou consequências indesejáveis nos seus momentos iniciais, até atingir o seu momento thermodoriano.
Não deixando, contudo, de ser estranho que sejam os próprios “revolucionários” a não compreenderem a dinâmica dos processos que eles mesmos defendem, já se torna mais inteligível a aversão a que muitos deles votaram as conquistas civilizacionais da “revolução burguesa” que nos trouxe a modernidade. Na verdade, ao libertar, pela via da produção e do consumo massificado, milhões de seres humanos da escravidão pré-industrial, onde a esmagadora maioria das pessoas dependia de vínculos de subserviência pessoal para sobreviver, o capitalismo transferiu a soberania das elites para o consumidor, e fez de cada indivíduo um agente do mercado igual a todos os outros. Por sua vez, ao libertar o indivíduo pela igualdade de oportunidades que o mercado oferece, deixaram de ter préstimo, nas sociedades de livre mercado, as aristocracias feudais e as vanguardas do proletariado supostamente protectoras dos desfavorecidos.
Bem vistas as coisas, o ódio que alguma esquerda vota ao capitalismo é um profundo sintoma de reacionarismo passadista. Por detrás da aura de modernidade com que se tentam travestir, os seus protagonistas abominam o comércio, a economia livre, a banca, o mercado, o consumo e a sociedade onde vivem e vivem quase sempre muito bem. Não são muito diferentes de Salazar, também ele um homem “doutros tempos”, para quem os portugueses não deveriam nunca sair da mediania que a boa e humilde vida provinciana lhes garantia. Para o que fosse mais importante, lá estava ele, e a sua lei do condicionamento industrial, para cuidar.
Rui Rio ou a tendência nacional para o umbiguismo
O Dr. Rui Rio teve uma ascensão meteórica para o panteão dos potenciais Sebastiões através de uma quase acidental vitória autárquica; esta permitiu-lhe a amplificação do potencial de credibilidade através de exercícios de boa gestão, saneando contas e reduzindo substancialmente o regabofe despesista pelo qual as autarquias orgulhosamente se pautam. Mais: tal foi feito mantendo um clima de animosidade com o Futebol Clube do Porto, a maior instituição da cidade, conseguindo o apoio dos munícipes para a gestão camarária mesmo sem capitalizar a popularidade que celebrações de títulos desportivos na varanda da câmara permitem.
E depois começa o desbaratamento de capital.
o «snob» e o «merceeiro»
Logo após um equilibrado e sensato artigo, que há dois dias publicou sobre Nelson Mandela, o expoente máximo da nossa esquerda caviar, Daniel Oliveira, prontamente reparou o equívoco e cuidou de repor o equilíbrio natural das coisas, com um texto dedicado a Alexandre Soares dos Santos e a uma sua entrevista concedida ao Jornal de Negócios.
Depois de longamente se referir, desdenhosamente, ao empresário como “merceeiro”, vendedor de “iogurtes de pedaços, bacalhau demolhado da Noruega e champôs anticaspa”, “de Oreos e rolos Renova”, Oliveira conclui que ele não passa de um “analfabeto político” (ainda que possa ser um “génio do retalho”, escreve o brincalhão), e que, consequentemente, se deverá ficar pelos assuntos do seu interesse (o bacalhau demolhado e o papel higiénico) e deixar a política às sumidades e às grandes inteligências, como, provavelmente, ele mesmo, Daniel Oliveira.
Esta posição, que Daniel Oliveira, num assombro de superior humildade, assume como possivelmente «snob», mais não é do que um velho preconceito, que une uma certa esquerda com uma certa direita contra o comércio e a burguesia endinheirada mas supostamente iletrada, que já o jovem Marx abominava, tal e qual as velhas famílias aristocráticas do seu tempo, que se sentiam ultrapassadas pela classe que emergia graças ao esforço e ao trabalho, coisas que nem Marx nem os grandes titulares nobiliárquicos apreciavam por aí além. É esse mesmo nojo aristocrático e revolucionário contra o «vil metal», sem o qual o mundo era e seria perfeito, que motivou a uns e a outros. Ao tempo, porque uns o estavam a perder, perdendo também, por isso, poder e influência, enquanto os outros ainda os não tinham, nem ao dinheiro, nem àquilo que ele faculta. No fim de contas, trata-se da aversão profunda ao mérito, por parte de quem julga que a ascensão social ou a conservação de um status superior lhes pertence por direito próprio ou divino, a mesma coisa, para este efeito.
É por estas águas de presunção e aristocratismo patético, de quem julga que tudo lhe é devido, que navega Daniel Oliveira na crítica a Soares dos Santos. E, bem vistas as coisas, na sua ruptura com o Bloco de Esquerda, onde Francisco Louçã tomou o mesmo papel do empresário.
11/12/13 14:15:16,17
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Portugal não é a Irlanda
A saída da Irlanda do resgate sem programa cautelar pode ter sido uma boa decisão política, mas foi um erro financeiro, afirmou um dirigente do Fianna Fáil, o partido que pediu assistência financeira internacional e está agora na oposição.
“Do ponto de vista político, compreendo a decisão porque podem celebrar a partida da troika e, nas palavras deles, reconquistar a independência. Mas se olharmos agora a troika como nós olhamos, como amigos, e a linha de crédito como algo amistoso, nesse aspeto considero que cometeram um erro”, afirmou o senador Thomas Byrne à agência Lusa, a propósito do fim do programa de assistência financeira, a 15 de dezembro.
(…)
Nas eleições de 2011, o partido foi castigado pelos eleitores após 13 anos no poder e passou a ser a terceira força política no parlamento ao perder 54 lugares. Thomas Byrne aceitou que foram cometidos vários erros: os impostos foram reduzidos e a despesa aumentada para níveis insustentáveis, foi dada liberdade ao setor financeiro para se autorregular e não foi antecipado o estouro da bolha imobiliária.
A insustentável leviandade dos portugueses*
A insustentável leviandade dos portugueses
Artigo do Camilo Lourenço no JN: «Quantas vezes já ouvimos queixas sobre o dinheiro que o Estado” deu” aos bancos (cerca de seis mil milhões de euros)? A teoria é “Para os bancos há dinheiro, para a Saúde, para a Educação e para as pensões há cortes”. A argumentação mostra a leviandade com que analisamos estas matérias. Primeiro: o dinheiro não foi dado aos bancos; foi “emprestado”. E eles pagam juros muito elevados por esses “empréstimos” (capital contingente). Não admira que instituições como o BPI andem muito preocupadas em devolver rapidamente o dinheiro que receberam.
Segundo: a discussão esconde uma grande desonestidade intelectual. Se fôssemos sérios teríamos de nos indignar com as centenas de milhões de euros que o Estado desperdiça (sim desperdiça) noutros sectores da economia. Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo são um exemplo, a Saúde é outro, a Educação também e os Transportes (com uma dívida de 17 mil milhões de euros) idem; e a lista poderia seguir por aí fora…
Moral da história: este debate do “há dinheiro para bancos mas não há para outras coisas” é espoletado por gente que tem muito a perder se o Estado parar de desperdiçar dinheiro. Até porque enquanto o assunto vai sendo agitado nas redes sociais e na comunicação social (parte da qual dá cobertura a esta fraude) não se fala do verdadeiro problema: o verdadeiro desperdício de dinheiros do contribuinte. Milhares de milhões de euros que são atirados à água, a coberto de ideais muito nobres (emprego, pobreza, Estado Social – que ninguém põe em causa, nem a Direita) e que não resolvem problema nenhum. Mas que vão sendo atirados para a fogueira, para confundir a opinião pública.»
Coreografias de um funeral
Mantém-se um país sob uma ditadura há mais de meio século numa ilha onde desde as torradeiras às viagens tudo tem sido alvo da intervenção estatal. O ditador por decrepitude trespassa o poder a um irmão. E o irmão é convidado para discursar no funeral de Mandela. No mínimo espera-se que as delegações dos países democráticos ali presentes manifestem a sua indignação pelo que sucede na tal ilha nos termos veementes que agora dizem ter utilizado outrora junto das autoridades sul-africanas para condenar o apartheid. Raúl Castro é o símbolo das ditaduras toleradas quando não incensadas do passado.
O outro aspecto interessante dos escolhidos para discursar neste funeral é que nenhum deles é europeu ou representa sequer a UE : são eles Barack Obama (EUA), Dilma Rousseff (Brasil), Raúl Castro (Cuba), Hifikepunye Pohamba (Namíbia) e Pranab Mukherjee (Índia), enquanto o vice-presidente chinês Li Yuanchao também evocará algumas palavras de tributo a Mandela, segundo o guião do evento divulgado pelo governo sul-africano. A escolha reflecte claramente a nova ordem política do mundo. Essa ordem que impede o Dalai Lama de ir à África do Sul Essa ordem em que a UE é tratada sobraceiramete como irrelevante.
Foi assim que aqui chegámos e é assim que aqui voltaremos
A solução de Mário Soares para a crise: “Era tão fácil acabar com a crise que Portugal e sobretudo a zona euro atravessam, com cada vez mais dificuldades dos Estados membros. Era necessário somente que o Banco Central Europeu fosse capaz de fazer o que a América de Barack Obama faz: emitir dólares. Ora o Banco Central Europeu não fabrica euros, como devia. Porquê? Porque aparentemente a Alemanha não deixa. Parece querer mandar na Europa. O que só lhe vai trazer complicações, como começa a acontecer à própria Alemanha.”
Como se pode ser contra o apartheid no país que inventou os retornados?
Selectividade católica
No Prós e Contras de ontem, o professor Freitas do Amaral disse que “a culpa é da Alemanha”. Num programa que pretendia analisar o papel do papa numa sociedade habituada à abundância dos outros, é incrível como o ênfase é dado ao “livrai-nos do mal” por desvalorização ao “não nos deixeis cair em tentação”.
Tea Party português
Daniel Oliveira, na sua senda revolucionária do bem, escreve hoje sobre a legitimidade da luta armada pela causa democrática. Segundo o autor, “a legitimidade do uso das armas para impor a democracia e erradicar um regime ilegítimo não é matéria de discussão e é improvável que Portugal a pusesse em causa”. Esta cedência de Daniel Oliveira ao Tea Party e a sua defesa da Segunda Emenda, como forma de defesa da Constituição – que Daniel Oliveira também defende – é louvável:
A well regulated Militia, being necessary to the security of a free State, the right of the people to keep and bear Arms, shall not be infringed.
Portugueses: a união é necessária. Só com o vosso patriotismo poderemos assegurar o triunfo da bondade. O consenso já esteve mais longe.
Traumatismo ucraniano(*)

(*) Piada lida no Facebook.
Revisionismo
Na campanha em curso para colocar Cavaco ao lado dos defensores do apartheid muito melhor que a história das moções que Portugal votou e não votou (como é óbvio votaram-se as moções que pediam a liberdade para Mandela e condenavam o apartheid e não se votaram as que sancionavam a violência) é o telefonema que no final de Setembro de 1989 o então primeiro-ministro Cavaco Silva terá feito segundo alguma imprensa de então para De Klerk por causa de três políticos portugueses que viajavam num avião que caiu na Jamba e foram levados para um hospital militar em Pretória, na África do Sul, país que à época era objecto de um bloqueio diplomático por causa do apartheid. Ou agora vamos fazer de conta que João Soares, Rui Gomes da Silva e Nogueira de Brito foram levados para a prisão onde se encontrava Mandela e não para um hospital militar onde foram tratados?
Surpresa!
Número de páginas: 176; Preço: 9,90 euros; Público-alvo: 10 aos 14 anos
O Malomil leu e eis o que encontrou:
O que aprendemos este fim-de-semana
- Sanções económicas a países com problemas sociais, políticos e raciais é uma boa ideia;
- Invadir países ou fornecer armas a rebeldes é boa ideia desde que com isso se libertem presos políticos que se venham a revelar fofinhos;
- Cavaco Silva só faz asneiras;
- Soares, como presidente, nada fazia para contrariar as asneiras do primeiro-ministro, mas;
- agora já faz sentido que o presidente faça algo para contrariar o governo;
- Tudo o que corre bem é da responsabilidade “da esquerda”; tudo o que corre mal é da responsabilidade “da direita”.
Não se aguenta!
A exaltação com o melhor sol do mundo, a melhor dieta do mundo (ó senhores ainda há poucos anos o caldo de feijão era um sinal da pobreza e do atavismo salazaristas!), mais o fado a que para nossa desgraça se há-de juntar o “cante alentejano” como património imaterial! Mas que mal fizemos a Deus para termos esta vida de festival de cinema em que hoje se homenageia o que no passado se anatemizava?
Um dia vamos lembrar-nos disto
Enquanto a Europa vive em êxtase místico com o Papa Francisco na América latina cresce o fanatismo anti-católico. Via Corta-fitas ficou a conhecer-se esta performance com queima da efígie do Papa que parece uma festa tribal levava a cabo por uns seguidores do Robespierre
Este video passou praticamente ignorado – supõe-se o alarido se o alvo tivesse sido uma mesquita? Mas admitamos que o desatenção se deve ao facto de tudo isto acontecer na distante Argentina. Contudo a América Latina começa a exportar estes fanáticos para bem próximo de nós. Aqui ao lado, em Espanha, o Comando Insurreccional Mateo Morral que levou a cabo atentados em duas igrejas conta com a presença de cidadãos chilenos. A desatenção nestas matérias costuma sair cara.
Juntar os pontinhos

Um país em forma de coração tem muito amor para dar
A Imaculada Conceição é um dogma católico e celebra-se a 8 de Dezembro.
A Lealdade e Amor ao Comandante Supremo Hugo Chavez e à Pátria é um dogma venezuelano e celebra-se a 8 de Dezembro.
Cerca de 90% dos venezuelanos consideram-se católicos: é juntar os pontinhos.
Precisa-se: professor para sindicato de professores
A prova de acesso à função pública para professores é desnecessária e pode ser substituída por um dia como treinador de futebol.

Manual de Apoio ao Professor Desempregado – SPZN
(texto recomendado e muito actual, também aplicável a astronautas desempregados).
As causas próprias dos activistas de causas
A culpa não é dos média: os activistas das várias “opressões” é que têm acesso privilegiado aos meios de comunicação pelo motivo principal de serem, eles próprios, parte integrante do ecossistema das redacções.
Vazio
Na reacção mediática à morte de Mandela nota-se além da admiração por um grande líder muita da expiação da culpa do homem branco. Mas não só. Existe subjacente uma enorme inquietação em torno de África pois o que a figura de Mandela na sua excepcionalidade torna evidente é a falta de lideranças democráticas em África. As opções de Mandela são excepcionais num continente em que à excepção de Mandela e pouco mais atrás de cada libertador sugiu um déspota corrupto. Em que estados que iam ser um exemplo para humanidade (a Guiné Bissau, por exemplo) se tornaram em não estados, tiranias e cleptocracias. Em que alguns dos velhor líderes que este ocidente incensou como libertadores acabam mortos, com as suas famílias humilhadas sem que nenhum dos antigos admiradores os lamente e em que a nova geração de líderes não augura nada de muito promissor. A começar pela própria África do Sul. Simbólico deste mau momento que se vive em África: no mesmo dia em que Mandela morreu o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma operação militar francesa na República Centro-Africana.
Cambada de malandros

“Vamos continuar a combatê-los até eles irem para a rua, que isto é uma cambada de malandros e não estão para aqui a fazer nada.”
(via Delito de Opinião)
Nota: vou seguir o conselho de Nogueira começando por comentários em blogues.
Só faltava este
Era previsível. Por algum motivo tinha omitido este gráfico no post anterior. Só tenho a agradecer aos professores da escola pública que são contra o cheque-ensino o zelo para que as nossas escolas privadas não sejam estragadas com ideias tontas de igualdade de oportunidades. Tenho também a agradecer todos os posts de detractores do cheque-ensino o zelo demonstrado na superioridade da escola pública. Como se vê, as pessoas não podem ter liberdade de escolha que isso estraga tudo. Estes neoliberais são uns líricos.

Musicalmente falando o socialismo já viveu melhores dias
PISA congelada em gráficos (PT-SUE)
Podem continuar a escavar. Podem questionar escalas. Podem progressivar rodopiando. A discussão resume-se a 4 gráficos (têm todos a mesma escala). Vamos devagarinho: xenofobia em sueco diz-se främlingsfientlig. Ler mais…
