“Sou o Marcelino”

Escrevi para o Observador sobre Marcelino da Mata: «Em 1973, Marcelino da Mata constitui Os Vingadores, um grupo de tropas especiais constituído por 18 negros. Operam com grande autonomia. Fazem operações de grande risco: quatro ou cinco homens entram no Senegal e colocam minas em locais estratégicos, fazem apoio às tropas regulares e marcam presença em operações históricas como a “Ametista Real”. Esta operação com nome de joia teve lugar a 19 de Maio de 1973, o objectivo era a base do PAIGC em Kumbamory, no Senegal. Marcelino da Mata está com seis homens do seu grupo. Combatem, mas sobretudo conseguem fazer ir pelos ares um importante paiol. No fim, Marcelino e o seu grupo carregam às costas com um dos seus que ficou ferido e acabam quase a ser vítimas do fogo amigo – eles eram todos negros e não vestiam fardamento regular pelo que eram frequentemente confundidos com guerrilheiros do PAIGC.
“Sou o Marcelino”– terá gritado para dentro do quartel. Dois meses antes foi também com um “Sou o Marcelino” que se apresentou ao piloto Miguel Pessoa que se ejectara do seu avião atingido por um míssil e que ele e o seu grupo acabavam de resgatar no chamado corredor da morte. Nos palcos de guerra, Marcelino da Mata não precisava de indicar patente, companhia ou aquartelamento. Bastava-lhe dizer “Sou o Marcelino”.»
Nada é real ou assim parece
Ontem passei pela TVE. Passava uma peça sobre um proposta de especialistas (o que quer que isso seja hoje em dia) para que, numa fase pós-covid, continuasse a ser obrigatório o uso de máscara na rua assim como em espaços fechados. Os especialistas em questão argumentavam que, por graça dessa medida, poderiam ser reduzidas muitíssimas infecções por redução de contágio por diferentes vírus. Da intervenção de um especialista passaram para entrevistas de rua. Nestas, os participantes, que espero terem sido escolhidos a dedo, consideravam a barbaridade como uma medida positiva para “toda a sociedade”.
Ocorreu-me que qualquer maluco vai à televisão, pelo que a peça não seria particularmente assustadora, só uma curiosidade para chanfrados. Depois senti-me dominado pelo terror de que a peça seria séria, tal como a proposta e, tenebrosamente, que os entrevistados de rua seriam uma representação mais ou menos fidedigna da população madrilena. Nessa altura pensei que já houve um tempo em que nos preocupávamos com coisas pouco importantes, como assaltos ou assédios e fiquei com saudades de um mundo perigoso, um que nos permita correr os riscos que entendermos como essenciais para que a vida seja real.
Costa e Salazar: a mesma luta
Em benefício (ou prejuízo) dos frequentadores do Blasfémias, abaixo deixo versão video Youtube de um post anterior meu.
A propósito do uso de farda
Cá estamos
Estou obrigatoriamente confinado graças às aulas online. Vivo ao lado de uma escola primária e sinto a falta da gritaria às 10h30. Também sinto a falta dos gritos de “senhor, senhor, senhor… podia atirar a bola cá para dentro?” Antes era possível ouvi-los a qualquer hora da tarde. Agora, sem carros a passarem aqui na rua, o único som que interrompe o silêncio — impossível há um mês — é o de sirenes de ambulâncias e carros de polícia. Desconto ao silêncio o som das aulas: há textos, exercícios de aritmética, coisas sobre o corpo humano e assim, mas, sobretudo, há um “professora, posso ir ao quarto de banho?” que substitui o sinal do relógio a cada quarto de hora.
Cá vamos andando. Cá vamos andando. Lembro-me que as flores no cemitério já não são mudadas há três semanas. Nada a fazer: o cemitério está fechado.
Cá vamos andando. Amanhã há mais aulas online.
Afinal, há emergência no SNS ou não?
O Governo de António Costa só pode estar a brincar com a nossa inteligência. Já vamos a caminho de fazer um ano (sim, um ano!!!!) de narrativas do medo onde se descrevem quadros apocalípticos de um SNS caótico com mortes a amontoarem-se, dezenas de ambulâncias em filas de espera, ruptura de stock de oxigénio, enfermeiros a colapsarem, médicos a lançarem apelos desesperados, a DGS a fazer directos anunciando milhares de casos diários e, eis que, quando surgem quase 6000 profissionais de saúde, voluntários, para acudir, o Governo não os aceita por questões “burocráticas”. Mas “encomenda” um grupito de 26 médicos alemães, que acabam de chegar, e vão, estes, salvar isto tudo, certo?

Dizem que é o melhor SNS do mundo… aqueles que não são obrigados a recorrer a ele
Luís Cunha Miranda: «Como regressei ao SNS e em quatro meses não consegui ver um doente?O meu regresso ao SNS, e o de outros dois colegas, foi um contrato até 31 Dezembro de 2020 durante o qual não conseguimos ver um único doente ou fazer um só ato médico por bloqueio do próprio Hospital»
Negacionismo colectivo
A resposta da generalidade dos governos (não todos, mas a maior parte) à covid19 é a mais séria ameaça à liberdade individual das últimas décadas e a mais potente forma de destruir riqueza sem guerra convencional.
Muitos dos habituais e prolixos comentadores, analistas e opinadores que frequentam e influenciam através das redes socias e dos meios de comunicação social têm passado por entre os pingos de chuva sem nada de substancial dizerem a propósito de tudo isto. As instituições e organizações que normalmente promovem a discussão destes temas e divulgam informação e análises relevantes para que as pessoas possam tomar decisões de forma mais consciente, têm estado mudas. Não sei se estão também cegas e surdas…
Por isso, tenho diversas interrogações sobre este extraordinário negacionismo colectivo:
As pessoas não querem ser livres, querem ser aceites?
As pessoas não querem liberdade, querem conforto psicológico?
As pessoas não querem pensamento crítico, querem ter certezas?
As pessoas têm receio de divergir da norma, preferem caminhar juntas para o abismo?
As pessoas querem ser vistas como boas pelos outros e não julgadas por Deus ou pela sua consciência?
Um banco salazarento
O nosso governo é saudosista de Salazar.
A afirmação explica-se facilmente.
Nos anos vinte do século passado defendia-se as virtudes da intervenção estatal na sociedade, havia a convicção de que a banca comercial era incapaz de satisfazer as necessidades de crédito da economia e procurava-se reduzir a dependência das importações ao mesmo tempo que se fomentava a industrialização do país.
António de Oliveira Salazar reformou profundamente a Caixa Geral de Depósitos e no final dos anos 50 viria até a criar um Banco de Fomento com o objectivo de ser um instrumento de apoio ao desenvolvimento económico fornecendo crédito em condições favoráveis às empresas de certos sectores que encontravam dificuldade junto da banca comercial na obtenção de crédito, ou que não conseguiam fornecer as garantias exigidas para os empréstimos.
Ora isto é quase ipsis verbis o que António Costa definiu como missão do seu Banco de Fomento que criou recentemente. Conforme diz nos estatutos da instituição, trata-se de “um banco promocional de desenvolvimento”; para “estímulo e orientação do investimento empresarial”; “disponibilização de soluções de financiamento em condições de preço e prazo adequadas às empresas”; com vista a “colmatar falhas de mercado” e prestar “apoio à exportação”.
Temos é ainda a desvantagem de hoje o peso do Estado na economia ser sensivelmente o dobro do do tempo de Salazar, a poupança dos portugueses estar a descer (e não a subir como durante o Estado Novo) e a dívida pública ser em 2020 de valor estratosfericamente mais alto do que no passado.
A narrativa de António Costa, pode-se dizer que é por isso salazarenta, mas condimentada agora com os termos do lero-lero moderno: “sustentabilidade”; “neutralidade carbónica”; “economia circular”; “economia verde”; “transição digital”, “empreendedorismo”, “inteligência artificial”, “conectividade digital”, “neutralidade carbónica”, “transição energética”, etc…
Para além deste obtuso discurso, a missão do Banco de António Costa é alargada à tomada de participações no capital em empresas privadas; à prestação de serviços de consultoria às empresas e, claro, à gestão dos chamados Fundos Europeus.
Ou seja, o Banco de Fomento deste governo socialista financiará projectos que a banca privada avaliou como de risco demasiado elevado e o contribuinte será chamado a pagar em caso de perdas nessas aventuras. Distribuir-se-ão rios de dinheiro de subsídios europeus pelas grandes obras públicas, os ditos projectos “estratégicos” e os amigos do costume, tal como aconteceu nas duas décadas anteriores de que resultou um crescimento anémico ou inexistente da nossa economia.
Em 2018 existiam em Portugal um milhão e 295 mil empresas. Cerca de 875 mil empresas individuais e mais de 420 mil sociedades. Apenas 26.000 empresas têm algum perfil exportador, ou seja, 2% do total. E oito em cada dez trabalhadores está empregado em empresas que se dedicam apenas ao mercado nacional. Como em tempos de covid19 o governo tem como bandeira a suposta defesa do emprego, não se percebe a razão de o Banco de Fomento beneficiar potencialmente um número muito limitado de projectos, deixando todos os outros sem acesso à gamela.
À boa maneira socialista não se cria riqueza nem condições de maior competitividade económica. Apenas se brinca com os artifícios e distorções das políticas públicas.
O contribuinte pagará o preço destas ineficiências e da crescente desigualdade de oportunidades.
Abaixo, clickando na imagem, ligação para video de 04 de Janeiro de 1960 com reportagem do noticiário nacional sobre início da atividade do Banco de Fomento Nacional.

A ler:
«Portugal é Lisboa e o resto (infelizmente) é paisagem!», por Duarte Marques
Os detectores de nazis que proliferam por aí
que termos estão a usar para classificar as declarações do Sousa e Castro sobre os judeus? Capitão de Abril, não é? Ter sido “capitão de Abril” é como ter sido anti-salazarista: faça-se o que se fizer fica-se sempre capitão de Abril.
Jorno-socialismo
O José Manuel Fernandes fala hoje na rádio sobre o editorial do PÚBLICO a propósito do cidadão de Vila do Conde que estava sem máscara na marginal, sem ninguém à volta e acabou rodeado por seis polícias.
O editorial do PÚBLICO é mais um dos muitos artigos do chamado jorno-socialismo. Veja-se por exemplo o que está a acontecer com o acordo na TAP. Onde estão os problemas constitucionais? Onde estão os sindicatos e a justíssima luta? Onde está a indignação?…
Não se percebe o nosso tempo sem entender o jorno-socialismo.
PS. Estão a ver os sindicatos da TAP agora caladinhos e realistas? Esperem que o governo mude de orientação política e veremos a luta pela recuperação dos direitos. Todos aqueles que agora estão calados despertarão do seu torpor e virão para a rua e constitucionalistas vários explicarão que o governo de então está a ferir a legalidade.
teoria da ação política
Ou praxeologia política, aplicada à nossa direita. Hoje, no Observador:
A dra Ana Gomes não quer dar aqui um ajuda?
Algueḿ sabe em que resultaram as investigações à manifestação dos mascarados em frente à sede do BE em Agosto de 2020? E do email ameaçador recebido por Mariana Mortágua, Beatriz Gomes Dias (ambas do BE) e Joacine Katar Moreira também em Agosto de 2020?
A isto chama-se declínio. A partir de que momento se torna irreversível?
Há 60 anos Portugal mantinha uma guerra em África. Há 45 recebia 800 mil retornados. Hoje Portugal não consegue controlar os paióis ou montar um plano de vacinação. Sobrevive graças ao apoio da UE. O que Portugal está a viver neste momento não são tanto os efeitos da pandemia mas sim o confronto com algo que temos procurado iludir: somos um país em declínio. Intuímo-lo nos incêndios de 2017. Confirmámo-lo agora no estrepitoso falhanço da preparação desta vaga do vírus. Porque nos está acontecer isto? Porque aos problemas de sempre – as cunhas, os favores e a dependência – juntou-se uma administração tão medíocre quanto omnipotente e omnipresente. Um administração dos “filhos de algo” do regime: os maridos estão nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, as mulheres nas Misericórdias e num qualquer grupo de trabalho…
Nada disto é ilegal. É apenas Portugal.
Como empobrecer um país
Realmente já nos tinha parecido que na cabeça do PM nada tem a ver com o que quer qua seja
«O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que a demissão de Francisco Ramos de coordenador do plano de vacinação contra a covid-19 nada teve a ver com o trabalho no âmbito deste programa, cuja operação está a decorrer “com sucesso”.»
Alguém sabe explicar o que planeiam estas duas pessoas?
O país rejubila porque se foi buscar um militar especialista em planeamento para ver se ainda somos capazes de levar o plano de vacinação por diante. Aos distraídos recordo que Portugal tem um ministério do planeamento, ministro do planeamento, secretário de estado do planeamento, eles mesmos especialistas em planeamento. Já sei que o planeamento do ministério não é bem a mesma coisa que fazer um plano de vacinação mas por isso mesmo pergunto: Alguém sabe explicar o que planeiam estas duas pessoas?
Portugal, a nova velha RDA
Os portugueses estão proibidos de se deslocarem ao estrangeiro.
No meu vídeo de hoje explico por que razão esta limitação exorbita manifestamente o quadro do decreto presidencial de estado de emergência, sendo que a norma do governo está assim claramente ferida de inconstitucionalidade.
António Costa transforma Portugal numa nova velha RDA em que o carcereiro sadicamente proíbe a fuga e a salvação do prisioneiro para lhe aplicar no aljube nacional as mais grotescas sevícias.
E mais é dito no vídeo que está disponível aqui.
Acham que os médicos alemães se interessam por murais?
É o ministro Pedro Nuno Santos que os vai receber não é?
A Alemanha está honrada com a distinção que o nosso PM lhes deu
Ora francamente É ABSOLUTAMENTE outro como escreve o PÚBLICO “Costa aceita ajuda internacional. Alemães são os primeiros”
Os espanhóis que se ponham na fila à espera que Costa aceite o seu apoio a Portugal. Os alemães a esta hora estão a celebrar e a dizer: Vejam lá que o Costa aceitou a nossa ajuda. Há dias em que ler o PÚBLICO e consumir enlatados vai dar ao mesmo.
Vai tudo ficar bem
Urgente campanha nacional antiracista
O Parlamento e o Presidente da Assembleia da República, enquanto esperam que lhes seja atribuida uma vacina, continuam imunizados à realidade de um país a cair aceleradamente para o precipício económico e moral, criando e promovendo agendas e causas artificiais que instigam o tribalismo e têm como consequência o inverso dos seus propósitos.
Desta vez recomenda-se ao Governo levar a cabo, com urgência, uma campanha nacional antirracista. Serão envolvidos certamente os habituais activistas da ala mais radical do já extremista Bloco de Esquerda, confortáveis burgueses que se sentam à mesa de grupos de trabalho criados pelo Governo, defensores do fascismo do bem, gente pacífica certamente, e que apesar de nem a oligarquia lhes reconhecer utilidade pública por falta de transparência nas contas e falhas de reporte legal, e do seu dirigente constar da lista de devedores ao Fisco são sempre chamados para a linha da frente pela classe dirigente quando é necessário folclore.
Liberalismo como peúgas
Nos últimos anos, multiplicaram-se as iniciativas de diferentes grupos liberais portugueses. Uns são mais directamente ligados ao partido Iniciativa Liberal, outros mais para outras bandas, mas, na essência, as mesmas pessoas que andam nisto há muito tempo e que agora estão sujeitas à natural fragmentação decorrente de diferentes quintinhas onde as pessoas “conspiram” para o que se pode designar, sem grande ofensa, “um Portugal melhor”. Novos vieram, claro, com o entusiasmo que a juventude e a ausência de filhos para vestir originam. Outros já se foram.
Vou sendo convidado, não sabendo bem porquê, mas, ao longo do tempo, adquiri uma fadiga com tudo isto por um motivo: o liberalismo em Portugal é para ser visto como um exercício intelectual, uma coisa sem grande aplicação directa à realidade do país – um pequeno acidente histórico e geográfico -, e que não tem em linha de conta a especificidade latina. Isto é um país católico muito antes de ser um país socialista ou liberal. O que quer que seja a designação do regime é irrelevante, porque colada a cuspo como mera vestimenta sobre a psique católica do povo. O Partido Socialista sabe isto melhor que ninguém. A fadiga vem porque ao longo dos anos fui percebendo que, mais que exercitar os neurónios sem qualquer tipo de pretensão nestas reuniões, o que a maior parte das pessoas destes nichos quer é mesmo mudar o país, educar “as gentes”, disponibilizar-lhes as ferramentas para que tenham a epifania de que sempre estiveram erradas, agradecendo aos pastores que os levaram aos prados verdejantes. O erro foi meu, claro: uma pessoa vai atrás da patuscada e só depois percebe que é suposto desempenhar um papel na evangelização de inocentes.
Atribui-se a Einstein a frase espirituosa “atingi a idade em que, se alguém me diz para usar meias, eu não tenho que o fazer”. Assim, meus amigos, digo-vos, é graças à vossa influência então que não uso meias.
Não tenho nada a oferecer a ninguém além de umas palavras sobre várias coisas que aqui vou escrevendo. Nem o Dylan quis ser cantor de protesto, haveria eu de o fazer porquê? And when we meet again, introduced as friends, please don’t let on that you knew me when I was hungry and it was your world.
O regular funcionamento das instituições no cacico-socialismo
A corja
*A presidente da câmara de Portimão, a socialista Isilda Gomes, já recebeu as duas doses de vacina contra o SARS-CoV-2, apesar de os autarcas não estarem no primeiro grupo de prioritários.
* 126 funcionários da Segurança Social de Setúbal terão sido vacinados contra a Covid-19, integrando uma lista que deveria ser exclusiva para idosos e trabalhadores de lares. A própria diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Setúbal, a socialista Natividade Coelho, tomou a vacina. A lista foi redigida pela instituição e inclui outros diretores de unidades e diretores de núcleos da Segurança Social.
*José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, não pertence a nenhum dos grupos prioritários da primeira fase de vacinação, mas já recebeu a primeira dose da vacina da Pfizer. De acordo com o Expresso, o autarca do PS conseguiu a vacina primeiro, por ser o presidente da fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, que gere o lar com o mesmo nome — que registou um surto de Covid-19 no mês de agosto, do qual resultaram 18 mortes.
Sempre a causar a melhor das impressões

Para memória futura
Já não se pode confiar no povo
Sousa Tavares alerta para riscos dos emigrantes que “votam muito mais à direita”. Francisco Ramos a despropósito das vacinas ataca os “11% ou 12%” que votaram Ventura. Já não se pode confiar no povo. Gostaria também de recordar à direita portuguesa que tão entretida anda nos seus jogos florais entre o Adolfo, o Carlos, o Francisco, o Nuno… que as sondagens em França começam a apresentar como possível a vitória de Marine Le Pen na segunda volta das presidenciais que vão ter lugar em 2022. Sim, estão a perceber bem, Marine Le Pen aquela com quem a direita não negociava, não reunia, não falava… pode ganhar as próximas presidenciais francesas. Agora é ela que não precisa dos gaullistas, dos conservadores, dos centristas.
Percebem ou é preciso fazer um desenho?
Ouvido no elevador: “vai tudo correr bem”
Esta foi uma semana notável. Morreram milhares de pessoas, algumas das quais até com Covid; houve falta de oxigénio num hospital, não por falta de provimento e sim por excesso de doentes — cambada de incompetentes, estes doentes —, como nos explicaram; vacinas deterioraram-se — e, mesmo assim, algumas foram administradas —, o estado comprou — a julgar pelo preço — várias dezenas de milhão de ratos e teclados porque o JP lá do sítio não tem vendido impressoras suficientes; pessoas que importam já foram vacinadas assim como todos os idosos com mais de 80.000 anos; o senhor presidente foi adiantando que barbeiros só voltam a abrir lá para Julho, mantendo, contudo, a obrigação de rendas dos estabelecimentos, que isto não se faz para prejudicar alguém; ninguém pode sair do país enquanto decorre a construção do muro na fronteira com Espanha (o muro que eles vão pagar), mas — Aleluia! — já é possível pedir ao governo o papel que autoriza um funcionário do estado a dar-lhe cabo do toutiço (esta expressão é completamente literal). A polícia vai-se entretendo a perseguir surfistas, os teletrabalhadores a denunciarem gente na rua de trela sem cão e o ministro Tiago lá autorizou os colégios a terem aulas online enquanto as escolas públicas se mantêm a coçar os tomates fingindo que estão mesmo só a coçar os tomates.
Para aliviar de boas notícias, foi tornado público pela imprensa cor de rosa que @ partid@ Iniciativa Liberal tem novo namorado, desta vez o ex-secretário de estado do turismo, Adolfo Mesquita Nunes. O casamento será marcado para breve e contará com a celebração do bispo André Ventura e terá António Costa e Catarina Martins como padrinhos.
Os cheganos não são todos iguais?
Mas porque raio um votante do Chega, só porque reside no interior alentejano, em Bragança ou em Castelo Branco não pode ser um extremista de direita, um racista como qualquer outro chegano residente nas freguesias mais costeiras ou em Mem Martins? Então agora decretam, certamente sob análise sociológica supervisionada pelo Iscte, que esses meros 10% do eleitorado de Ventura, só porque residem no interior «ah e tal, foi voto de protesto». Protesto coisa nenhuma! «Estavam abandonados, os coitados». Isso é mesmo uma visão típica de elites que não saem da toca lisboeta. Em que é que um tipo de extrema-direita, um adepto das soluções salvíficas do Ventura como o confinamento forçado por raças e etnias, de amputação das mãos para os criminosos, de mandar os pretos e demais minorias «para a terra deles» e outras javardices saídas da bocarra do ventura se distinguem entre si por morarem no litoral ou no interior? Ai coitadinhos, são do interior portanto não lêem livros, não podem ser fascistas. Desde quando para se ser fascista é preciso ler livros? Não me parece que a intelectualidade tenha sido a marca forte dos anos dourados desse movimento, e não será certamente por essa via que terá algum ressurgimento. Um gajo de Borba será tão autêntico na sua vontade de andar com o bracinho esticado, como um qualquer outro chegano mais urbano. Querer reduzir os extremistas e racistas do interior a meros velhinhos que votaram no Ventura como forma de protesto por terem encerrado o balcão dos CTT lá na vila, parece-me, sei lá, um paternalismo bacoco, a roçar o racismo. Olha, se calhar é por isso mesmo.
De José Sócrates a Matos Fernandes
O meu vídeo de quarta-feira passada onde falo do estado contra as pessoas e do socialismo contra a liberdade já está disponível no youtube.
De Viana do Castelo surge a luta inspiradora de uns poucos resistentes pela sua dignidade e propriedade privada.
Vergonha de estar a viver isto
A ler
José Mendonça da Cruz: Temos que vacinar a nossa gente
Calma aí com as acusações, pá
Dou de barato que o presidente ache que o país pode parar até ao início da Primavera. Também daria de barato que o presidente parasse, ele próprio, até à Primavera, apesar de saber que isso não vai acontecer. Até consigo perceber a ideia de fechar o país ao estrangeiro, por mais que não seja para poupar estrangeiros ao circo. O que não se consegue compreender é que o presidente eleito “de todos nós” decida tratar toda e qualquer pessoa que não vive de um salário público como “negacionista”.
Bem vistas as coisas, negacionista é o senhor presidente, que não faz a mínima ideia do que é a vida dos súbditos. Que comam brioches, não é?






