Os bombardeamentos norte-americanos agora chamam-se “baixar a escalada de tensão”
Tropas norte-americanas bombardearam o leste da Síria. A SIC fez uma peça a explicar a razão de ser desse bombardeamento em que as declarações do actual presidente dos EUA foram usadas para legenda “Não podem agir com impunidade”. Biden diz que bombardeamento na Síria foi um aviso ao Irão. »
Mas o melhor vem no final do video. Depois de terem explicado que os norte-americanos bombardearam o leste da Síria para atacar uma milícia apoiada pelo Irão, repito pelo Irão, o faz de conta de conta que é jornalismo concluía “A diplomacia de Washington tenta actualmente baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo anterior presidente Donald Trump que rasgou o acordo nuclear, deu luz verde ao assassínio do comandante das forças especiais dos Guardiões da Revolução, esteve prestes a iniciar uma guerra ao regime islâmico“ Em resumo, segundo a SIC, os EUA de Biden atacam as milícias iranianas para baixar a escalada de tensão com o Irão agravada pelo Trump.
Abel Tavares: «três reputadas multinacionais (apenas para mencionar algumas), respetivamente a Nike, a Apple e a Coca Cola, têm feito lobby político no congresso dos EUA para enfraquecer uma lei, denominada “Uyghur Forced Labor Prevention Act”, que tem como objectivo proibir a importação de bens provenientes de trabalho forçado na China.
As mesmas multinacionais que não hesitam em fazer anúncios, campanhas de marketing e publicações nas redes sociais a “ostentar” toda a sua “nobre preocupação social” e activismo pelas vítimas de injustiças, como aconteceu de forma mais recente com o caso mediático de George Floyd; as mesmas que contribuem para a narrativa de que os EUA ainda são um país profundamente racista, são as mesmas que fazem lobby político em nome dos seus negócios com um país que consabidamente persegue minorias étnicas e religiosas. Outro exemplo claro do oportunismo mediático recente e da prostituição corporativa de princípios organizacionais foi a Disney. Tal como as empresas anteriormente mencionadas, aquando do caso trágico de George Floyd fez questão de mostrar a sua “virtuosa” preocupação e não hesitou em emitir imediatamente um comunicado oficial a declarar-se chocada com o acontecido e a afirmar-se como uma empresa focada em fomentar uma cultura empresarial concentrada nos problemas e sentimentos da comunidade, promotora de uma cultura de diversidade e inclusão por todo o lado. Talvez a China esteja fora dos limites geográficos do que os membros da Direção Executiva da Disney consideram “todo o lado”, uma vez que a Disney não só não hesitou em filmar o remake do filme da Mulan nos campos de concentração da minoria muçulmana Uighur, como nos créditos do filme não curou de se poupar nos agradecimentos às entidades chinesas em Xianjiang, encarregues da segurança destes mesmos campos.»
A ler
Fátima Bonifácio escreve um esclarecedor artigo sobre as fantasias do império como invenção salazarista: «O Império não foi nenhuma invenção salazarista e vê-lo tratado como tal dá vontade de rir.Sem o contexto de mobilização patriótica desenvolvido na década de oitenta do século XIX, as reacções ao ultimato inglês de Janeiro de 1890 seriam inimagináveis. A notícia de que Portugal vergara a cerviz varreu Lisboa como um relâmpago e foi explorada tanto por monárquicos como por republicanos. Na noite de 11 de Janeiro de 1890, as praças, as ruas e os cafés da Baixa encheram-se instantaneamente. No dia 12, a ira popular apedrejou as janelas da embaixada britânica em Lisboa: Angola e Moçambique eram nossas! Depois de muitas e muitas peripécias, gradualmente o fogo patriótico foi-se extinguindo. Mas, com o Ultimato de 1890, ficou estabelecido o monopólio republicano do patriotismo.»
E, assim por exemplo, o ideário comunista ou os adeptos da supremacia negra passam nos testes?
Com o título branqueador do costume “IGAI quer mudar recrutamento de polícias e rever formação para acabar com discriminação” somos informados que a extrema esquerda vai ter carta branca para controlar a formação dos polícias: “Nos testes psicotécnicos [feitos no recrutamento] temos essa proposta de criar um grupo de trabalho que integre psicólogos de forma a poder criar uma grelha de testes que seja apta a captar a existência, por exemplo, de um individuo que tenha um ideário nazi ou que seja adepto da supremacia branca. Vamos convocar psicólogos para a área do recrutamento”, precisou a juíza desembargadora, Anabela Cabral Ferreira”
Arquitecto da recuperação económica
António Saraiva escreveu uma carta aos empresários.
Diz querer dar um “abanão” ao modelo de crescimento do país mas quer que o ministro da Economia “seja o arquiteto da recuperação económica”.
É triste que seja o sector privado a pedir mais socialismo.
A história conto-a no meu video de hoje, aqui:
Mas estas queixas nunca dão em nada?
23 de Fevereiro de 2021: Uma sessão organizada pela Associação de Estudantes da Escola Secundária de Camões, via Zoom, foi interrompida por várias pessoas com ataques racistas e neonazis.
14 de Agosto de 2020: O ativista Jonathan da Costa Ferreira afirma ter voltado a receber ameaças à sua integridade física, denunciou a Frente Unitária Antifascista. Alegado autor está ligado à extrema-direita
12 de Agosto de 2020: Três deputadas ameaçadas por grupo neonazi através de email. PJ já está a investigar caso
10 Ago 2020: Pessoas de cara tapada e tochas manifestaram-se no SOS Racismo no fim de semana contra o “racismo anti-nacional”. Instituição apresentou queixa no Ministério Público por “parada à KKK”.
E ainda a 7 de Agosto de 2020 supercalifragilisticexpialidocious ataque com garrafas de cerveja ao “espaço Disgraça, antiautoritário como referem os seus activistas”
As personalidades subscritoras só devem tomar as vacinas produzidas por entidades “não mercantis”
Antes de começarem exigir a censura nas televisões generalistas nacionais, as personalidades subscritoras avisam que “as vacinas não se fazem à velocidade desejada e as farmacêuticas são poderosas entidades mercantis”. Ora aí podem as personalidades subscritoras começar já a fazer alguma coisa: só tomam vacinas criadas e produzidas por entidades não mercantis.
Bonitos são os libelos acusatórios contra o capitalismo, o Trump, a troika…
Pessoas conhecidas por levarem a vida acusando tudo e todos como Rita Rato que coitadinha ainda não sabe o que foi o gulag, Vasco Lourenço que sendo tenente-coronel continua a assinar como “capitão de Abril” e o marido da senhora ministra da Justiça mostram-se indignados com a informação das televisões generalistas nacionais. Para dar conta da sua indignação escreveram uma carta-aberta onde sublinham que, mesmo sabendo a importância da informação sobre a pandemia, não aceitam “o apontar incessante de culpados, os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo e da DGS, as pseudonotícias (que só contribuem para lançar o pânico) sobre o ‘caos’ nos hospitais, a catástrofe, a rutura sempre anunciada, com a hipotética ‘escolha entre quem vive e quem morre’”
Vá la façam de conta que o governo não é da vossa cor política e de certeza que já estavam a falar de genocídios. Recordo que uma das signatárias deste documento a dra. Rosário Gama é exactamente a mesmissima senhora que, entre 2012 a 2015, denunciava, a propósito do pagamento de 35 euros de contribuição extraordinária de solidariedade por parte dos pensionistas que recebiam pensões de 1350 euros, que o governo de então pretendia “exterminar” os idosos “pertencentes à classe média”. Não era pressionar era mesmo exterminar: a cada 1315 euros que recebiam em vez dos 1350 era um extermínio. Agora os idosos da classe média, da classe alta e da classe baixa morrem nos lares, outros não conseguem ser consultados, os diagnósticos atrasam-se… mas a dra. Rosário Gama e as outrora arrebatadas “doutoras Rosários” deste país querem calar quem discorda da versão oficial.
Não acharam tanta graça ao esqueleto que interrompeu o comício do Chega?
sobre a festança que por aí se prepara
O Plano de Recuperação e Resiliência: as responsabilidades do PSD e de Rui Rio, no Observador:
«Pelo que fica dito, é fácil concluir que o Plano de Recuperação e Resiliência consistirá, essencialmente, num gigantesco esquema de emissão de cheques e de pagamento de salários da função pública e dos seus avençados. Em dinheiro atirado em cima de dificuldades e prejuízos, para pagar prejuízos e dificuldades, e que rapidamente se esboroará nas necessidades diárias de tesouraria, deixando, a prazo, tudo ainda pior do que estava inicialmente, porque os recursos serão consumidos e, alguns deles, a título de empréstimos a pagar.».
Fact Checkers: a “Inquisição” moderna

Somos manipulados a toda a hora sem nos darmos conta. Se por um lado as novas tecnologias vieram revolucionar o nosso modo de vida, melhorando-o, por outro, trouxe um perigo omnipresente: a formatação da mente humana.
Comecemos pelos motores de busca. O mais conhecido de todos, o Google, é usado pela maioria das pessoas que procuram informação. Mas, o que antes era uma ferramenta eficiente, transformou-se, hoje, numa rede de dados para vigilância global e engenharia social. E como tudo se processa? Ler mais…
O fim da democracia liberal?
“A maior vítima do confinamento não serão os bares, restaurantes e lojas fechadas nem as companhias aéreas paralisadas. Não será a nossa cultura musical, teatral e desportiva outrora florescente. Não será nem mesmo o desastre da nossa economia. Essas são coisas terríveis de se observar. Mas a maior vítima de todas será a democracia liberal.
A democracia liberal é uma conquista notável, mas frágil. É uma tentativa de enfrentar o desafio de tornar os governos responsáveis perante o povo, enquanto protege a liberdade pessoal. Isso é difícil de fazer. As pessoas anseiam por segurança e esperam que o Estado a providencie. Para fazer isso, o Estado precisa de amplos poderes sobre seus cidadãos. É por isso que, nas democracias de todo o mundo, o poder do Estado tem aumentado continuamente. É também por isso que a democracia liberal é a excepção e não a regra. As democracias são facilmente subvertidas e frequentemente falham.
O que nos torna uma sociedade livre é que, embora o Estado tenha vastos poderes, existem limites convencionais sobre o que pode fazer com eles. Os limites são convencionais porque não dependem das nossas leis, mas das nossas atitudes. Existem “ilhas” de vida humana que são nossas, um espaço pessoal no qual o Estado não se deve intrometer sem alguma justificação absolutamente excepcional.
A democracia liberal desmorona quando as maiorias assustadas exigem coerção em massa sobre os seus concidadãos e exigem que os nossos espaços pessoais sejam invadidos. Essas exigências são invariavelmente baseadas no que as pessoas concebem como um bem público. Todos eles afirmam que o despotismo é do interesse público.
Não podemos entrar e sair do totalitarismo à vontade. Porque uma sociedade livre é uma questão de atitude, ela morre quando a atitude muda.”
Acima, excertos de um texto de Lord Sumption publicado no Telegraph há dias com tradução livre minha e que vale a pena ler na íntegra e no original.
É de facto uma questão muito importante
Não está fácil
Em Espanha metem na prisão um tipo por andar a gozar com a monarquia. Por cá, uns tantos querem «deportar» um português por não gostarem do que ele diz sobre outro português. E no parlamento, um partido quer que o juiz presidente do Constitucional, não enquanto juiz nem membro de um tribunal, mas como cidadão, se retrate publicamente sobre declarações suas.
entregues a imbecis
Fui, hoje de manhã, a uma FNAC.
As FNACs são dos raros estabelecimentos comerciais onde o vírus não entra ou, se entra, não se transmite. É isso que se pode depreender dos decretos do actual estado de emergência.
No interior do estabelecimento tudo estava acessível para ser manuseado e adquirido, inclusivamente os livros, que até a passada segunda-feira eram altamente transmissíveis do covid.
Tudo? Bom, tudo tudo também não: num canto recôndito da loja, uma pequena área estava isolada por um cordão. O que continha ela? Jogos, jogos de tabuleiro, conhecidos como «jogos de sociedade». O que viu o legislador de muito perigoso nesses materiais? Não é preciso pensar muito para atingir a sofisticada inteligência da medida: os jogos de sociedade jogam-se presencialmente com outras pessoas; quem os compra compra-os para jogar; logo, proibindo a sua venda, diminui-se radicalmente o perigo de contágio pelos jogos sociais.
Estamos entregues a imbecis.
O segregacionismo de Fernando Rosas
Fernando Rosas considera que “Marcelino da Mata traiu a causa de independência do seu próprio país”. Porque havia Marcelino da Mata de defender o PAIGC? Por ser negro? Que outra razão tem Fernando Rosas para dar para o que designa como traição de Marcelino da Mata a não ser a cor da pele deste militar das Forças Armadas Portuguesas? Os negros tinham de ficar na Guiné e dar vivas ao PAIGC?
O Estado e a histeria colectiva em Portugal
Ver condutores sem passageiros ou pessoas sozinhas a passear ao ar livre de máscara seria apenas anedótico ou uma simples palermice não fosse hoje revelar a histeria e narrativas apocalípticas em que meio mundo se deixou enredar.
Não é função do Estado proteger os cidadãos de todo e qualquer risco para a sua saúde. Aliás, risco de vida zero existe apenas para quem já está morto.
No meu video de hoje procuro explicar de que modo o Estado reforça a histeria colectiva e por que razão acabaremos por sair disto tudo muito mal e pior do que outros.
Ver aqui:
A polémica Caupers: o BE a fazer tiro ao alvo aos socialistas
Ontem estive na TVI a comentar o caso Caupers. A polémica em torno de João Caupers quer dizer duas coisas: o BE está a fazer tiro ao alvo aos socialistas (Caupers é tido como próximo do PS); as redacções estã por conta do BE: de repente toda a gente sente necessidade de dizer que aquilo que Caupers escreveu é uma tolice, vão enfaticamente linha por linha como a sublinhar o hediondo e todos sentem necessidade de se demarcar, hoje o JN avisa “Novo presidente do Constitucional, crítico do “lóbi gay”, defendeu no chumbo da gestação de substituição que conceção sem pai ou mãe é “absurda“. Pressurosamente os “por favor não me acusem de nada” vão cuidadosamente expurgar as referências ao direito a um pai e a uma mãe por parte das crianças… Não vai sair ninguém incólume deste patrulhamento ideológico.
A outra moralidade a tirar deste caso é que só existe polémica quando a esquerda a pormove. Caupers escreveu várias coisas que nomeadamente durante os anos da troika e NUNCA houve qualquer polémica. Não se esqueçam disto.
Dá-lhes!
A publicação n’O Observador do direito de resposta do António Abreu do Notícias Viriato marca um ponto fundamental na falta de moral a que tresandam os fact-checkers nacionais. Há verificação de factos e há criação de narrativas — um termo socrático (não o sentenciado à morte: o que ainda nem acusado foi). Os fact-checkers, arautos da pós-verdade, arrogam-se a autoridade de definirem a realidade consoante o que mais interessa ao poder político, o que por si só demonstra não só a perniciosa prevalência destes fact-checkers como define a própria causa única para a sua existência. Que o O Observador opte por participar nesta destruição do que é suposto ser o jornalismo é que é uma tristeza.
PUB
O relatório do dia
Todos os dias um relatório é destacado nas notícias. Esses relatórios fazem invariavelmente a defesa das teses esquerdistas.
Hoje temos o Relatório europeu alerta para risco de “radicalização” da extrema-direita em Portugal mais o estudo efectuado a pedido do deputado europeu José Gusmão “Rendas controladas e financiamento do Estado podem recuperar direito à habitação” (o uso do verbo recuperar no caso português remete para aquele glorioso tempo do século passado em que não se conseguia arrendar uma casa em Lisboa ?)
O mercado municipal mais caro do Mundo
Um dos maiores escândalos de esbanjamento do erário público está acontecer em Viana do Castelo sem que, ninguém com poder neste país, se mostre verdadeiramente indignado e tente travar esta pouca vergonha à vista de todos. Como já o denunciei aqui, no meu texto “O que esconde a demolição do Prédio Coutinho”, o processo de demolição do Prédio Coutinho para a construção de um novo mercado municipal – por sinal o terceiro nesta cidade minhota -, está repleto de ilegalidades e nunca o projecto teve por base a “protecção ambiental, a necessidade de um mercado central e muito menos a elevação da cidade de Viana a Património Mundial. É um caso de polícia que já deveria estar nas mãos do Ministério Público.
Já foram gastos mais de 34 milhões de euros só até 2017. Falta juntar a isto, mais uma catrefada de anos de salários obscenos da VianaPolis (só um administrador ganha mais de 5000€/mês), até à conclusão da obra que será bem demorada, despesas com advogados e tribunais (de 2017 até ao presente) e mais 9 milhões para a construção “futurista” em pleno centro histórico (sim, pasme-se!), sem contar com o valor que ainda não podemos apurar (mas que vai-se registar por já ser “tradição” neste país) com DERRAPAGENS orçamentais constantes, quer com a demolição do prédio (que está tão bem construído que vai ser um “bico de obra” deitar abaixo à picareta, como está previsto), quer com a construção do novo mercado de arquitectura “futurista” que, se for “tão bom” como o Centro Cultural ou a Biblioteca, não faltarão, depois de inaugurado, obras por via de infiltrações, entre outros. Tudo somado, arrisco sem problemas em dizer, que no final das contas, com todos os gastos somados durante anos consecutivos até à finalização da obra, serão perto de 90 milhões de euros.
Ler mais…Se bem percebo
As mesmas pessoas que condenam Marcelino da Mata por se ter sentido português acham um crime perguntar-se porque se sente bem com a nacionalidade portuguesa Mamadou Bá .
Isto já foi desmentido??
Vírus e histeria colectiva
Dispensam-se os qualificativos de “negacionismo” e “irresponsabilidade” assim como toda a bazófia e ladaínha ridícula dos membros da seita covidista. Apenas se recorda aqui, a seguir, um fenómeno de histeria colectiva que ocorreu em Maio de 2006 no nosso país exponenciado pela popularidade, à época, da série televisiva “Morangos com Açúcar”.
Em baixo um excerto do epísódio que esteve na origem do fecho de diversas escolas e no atendimento hospitalar a mais de trezentos estudantes:
E recortes de imprensa dessa data:

Nove meses de Inverno e três de Inferno
Neste período de planeamento e implementação da desgraça que se avizinha evitaria recomendar fosse o que fosse que implicasse gastar algum dinheiro, a começar por livros que são sistematicamente publicados e que se arrogam a capacidade de identificar problemas e de oferecer curas miraculosas que o são na mera condição esotérica de se saber nunca serem implementadas. Estes, que pertencem exactamente à categoria inversa dos livros de auto-ajuda — são a categoria de auto-flagelação —, normalmente são designados pelas irónicas categorias de política e economia e são escritos para habitantes das grandes cidades que, não sendo leitores da Caras, disfarçam o culto da personalidade através da dedicação ao proclamado intelecto do escritor. Como dizem os populares, “de boas intenções está o inferno cheio”.
No caso concreto, e porque se trata do oposto de promessas de um mundo melhor quando todos sabemos que nada caminha nesse sentido, recomendo efusivamente o livro “Nove meses de Inverno e três de inferno” do João Pedro Marnoto. Há poucos assim, a ilustrarem sem pontificarem; a documentarem sem julgarem. Acompanhado de um filme maravilhoso com o mesmo título, esta obra não nos apresenta promessas e sim um mundo que os fazedores de promessas teimam em insistir que já não existe. Contudo, existe e é mais real do que qualquer outro que nos tentam vender. Não existe apenas em Portugal, existe em Espanha e existe na Dinamarca e existe na Alemanha e existe na Irlanda. É diferente em cada um desses países, assim como é diferente a realidade do Douro e Trás-os-Montes retratada no filme da realidade do Algarve que também existe para lá da hotelaria. E porque é importante ver essa realidade? Pela imensa sabedoria da ruralidade, por uma visão idílica e urbana da bonomia iletrada das gentes simples? Pela superioridade comparativa de uma vida campestre, pastoral, transformadora do urbano num poeta naturalista que enaltece o que pode testemunhar com óculos cor-de-rosa num fim-de-semana em turismo rural? Não. É importante porque mostra o oposto: que há um mundo fora de Lisboa e Porto que não só não se compadece dos planos grandiosos que na urbe se tecem para a gestão territorial como o motivo pelo qual ignoram as larachas urbanas é por estas serem ruído de fundo, tão apaziguadores por indiferentes como o som do Preço Certo às refeições.
No filme podemos ver a vida a continuar enquanto um cão tosse, um galo cacareja, um apresentador de concursos graceja, um apresentador de notícias doutrina e um político arredonda discurso até o desprover de qualquer significado passível de interpretação além do som de sílabas desconexas, como qualquer outro som da terra. Se o leitor tem filhos em idade escolar, mostre-lhes o filme. São eles quem precisam entender o país, não este, não o de Lisboa, não o do Alentejo, mas todo o país, o que vê e o que não sabe o que é Netflix, porque são eles quem o poderão governar no futuro, isto se entretanto nós, os adultos, não o destruirmos. Os meus já viram e cá em casa só podemos agradecer ao João Pedro pelo privilégio.
O livro e o filme estão disponíveis em www.9inverno3inferno.com. Para conhecer mais trabalho do João Pedro Marnoto visite mediautopia.net.
Mamadou Ba tem razões
Para questionar a figura de Marcelino da Mata: muitas das operações que Marcelino da Mata levou a cabo tiveram lugar no Senegal. O PAIGC tinha bases no Senegal e fosse em operações de grande envergadura como a Ametista ou em operações de tropas especiais como era o grupo dirigido por Marcelino da Mata os militares portugueses entraram várias vezes em território do Senegal. Combateram aí, colocaram minas, dispararam. Vários senegaleses morreram. Ora Mamadou Ba é senegalês e portanto tem uma perspectiva, legítima, mas de natural do Senegal sobre Marcelino da Mata (e tb sobre a Guiné mas esse é outro assunto). Já sei que Mamadou tb tem nacionalidade portuguesa. Ainda bem para ele. Não pode é querer impor a sua perspectiva como pensamento único.
“Sou o Marcelino”

Escrevi para o Observador sobre Marcelino da Mata: «Em 1973, Marcelino da Mata constitui Os Vingadores, um grupo de tropas especiais constituído por 18 negros. Operam com grande autonomia. Fazem operações de grande risco: quatro ou cinco homens entram no Senegal e colocam minas em locais estratégicos, fazem apoio às tropas regulares e marcam presença em operações históricas como a “Ametista Real”. Esta operação com nome de joia teve lugar a 19 de Maio de 1973, o objectivo era a base do PAIGC em Kumbamory, no Senegal. Marcelino da Mata está com seis homens do seu grupo. Combatem, mas sobretudo conseguem fazer ir pelos ares um importante paiol. No fim, Marcelino e o seu grupo carregam às costas com um dos seus que ficou ferido e acabam quase a ser vítimas do fogo amigo – eles eram todos negros e não vestiam fardamento regular pelo que eram frequentemente confundidos com guerrilheiros do PAIGC.
“Sou o Marcelino”– terá gritado para dentro do quartel. Dois meses antes foi também com um “Sou o Marcelino” que se apresentou ao piloto Miguel Pessoa que se ejectara do seu avião atingido por um míssil e que ele e o seu grupo acabavam de resgatar no chamado corredor da morte. Nos palcos de guerra, Marcelino da Mata não precisava de indicar patente, companhia ou aquartelamento. Bastava-lhe dizer “Sou o Marcelino”.»
Nada é real ou assim parece
Ontem passei pela TVE. Passava uma peça sobre um proposta de especialistas (o que quer que isso seja hoje em dia) para que, numa fase pós-covid, continuasse a ser obrigatório o uso de máscara na rua assim como em espaços fechados. Os especialistas em questão argumentavam que, por graça dessa medida, poderiam ser reduzidas muitíssimas infecções por redução de contágio por diferentes vírus. Da intervenção de um especialista passaram para entrevistas de rua. Nestas, os participantes, que espero terem sido escolhidos a dedo, consideravam a barbaridade como uma medida positiva para “toda a sociedade”.
Ocorreu-me que qualquer maluco vai à televisão, pelo que a peça não seria particularmente assustadora, só uma curiosidade para chanfrados. Depois senti-me dominado pelo terror de que a peça seria séria, tal como a proposta e, tenebrosamente, que os entrevistados de rua seriam uma representação mais ou menos fidedigna da população madrilena. Nessa altura pensei que já houve um tempo em que nos preocupávamos com coisas pouco importantes, como assaltos ou assédios e fiquei com saudades de um mundo perigoso, um que nos permita correr os riscos que entendermos como essenciais para que a vida seja real.
Costa e Salazar: a mesma luta
Em benefício (ou prejuízo) dos frequentadores do Blasfémias, abaixo deixo versão video Youtube de um post anterior meu.
A propósito do uso de farda
Cá estamos
Estou obrigatoriamente confinado graças às aulas online. Vivo ao lado de uma escola primária e sinto a falta da gritaria às 10h30. Também sinto a falta dos gritos de “senhor, senhor, senhor… podia atirar a bola cá para dentro?” Antes era possível ouvi-los a qualquer hora da tarde. Agora, sem carros a passarem aqui na rua, o único som que interrompe o silêncio — impossível há um mês — é o de sirenes de ambulâncias e carros de polícia. Desconto ao silêncio o som das aulas: há textos, exercícios de aritmética, coisas sobre o corpo humano e assim, mas, sobretudo, há um “professora, posso ir ao quarto de banho?” que substitui o sinal do relógio a cada quarto de hora.
Cá vamos andando. Cá vamos andando. Lembro-me que as flores no cemitério já não são mudadas há três semanas. Nada a fazer: o cemitério está fechado.
Cá vamos andando. Amanhã há mais aulas online.
Afinal, há emergência no SNS ou não?
O Governo de António Costa só pode estar a brincar com a nossa inteligência. Já vamos a caminho de fazer um ano (sim, um ano!!!!) de narrativas do medo onde se descrevem quadros apocalípticos de um SNS caótico com mortes a amontoarem-se, dezenas de ambulâncias em filas de espera, ruptura de stock de oxigénio, enfermeiros a colapsarem, médicos a lançarem apelos desesperados, a DGS a fazer directos anunciando milhares de casos diários e, eis que, quando surgem quase 6000 profissionais de saúde, voluntários, para acudir, o Governo não os aceita por questões “burocráticas”. Mas “encomenda” um grupito de 26 médicos alemães, que acabam de chegar, e vão, estes, salvar isto tudo, certo?

Dizem que é o melhor SNS do mundo… aqueles que não são obrigados a recorrer a ele
Luís Cunha Miranda: «Como regressei ao SNS e em quatro meses não consegui ver um doente?O meu regresso ao SNS, e o de outros dois colegas, foi um contrato até 31 Dezembro de 2020 durante o qual não conseguimos ver um único doente ou fazer um só ato médico por bloqueio do próprio Hospital»
Negacionismo colectivo
A resposta da generalidade dos governos (não todos, mas a maior parte) à covid19 é a mais séria ameaça à liberdade individual das últimas décadas e a mais potente forma de destruir riqueza sem guerra convencional.
Muitos dos habituais e prolixos comentadores, analistas e opinadores que frequentam e influenciam através das redes socias e dos meios de comunicação social têm passado por entre os pingos de chuva sem nada de substancial dizerem a propósito de tudo isto. As instituições e organizações que normalmente promovem a discussão destes temas e divulgam informação e análises relevantes para que as pessoas possam tomar decisões de forma mais consciente, têm estado mudas. Não sei se estão também cegas e surdas…
Por isso, tenho diversas interrogações sobre este extraordinário negacionismo colectivo:
As pessoas não querem ser livres, querem ser aceites?
As pessoas não querem liberdade, querem conforto psicológico?
As pessoas não querem pensamento crítico, querem ter certezas?
As pessoas têm receio de divergir da norma, preferem caminhar juntas para o abismo?
As pessoas querem ser vistas como boas pelos outros e não julgadas por Deus ou pela sua consciência?
Um banco salazarento
O nosso governo é saudosista de Salazar.
A afirmação explica-se facilmente.
Nos anos vinte do século passado defendia-se as virtudes da intervenção estatal na sociedade, havia a convicção de que a banca comercial era incapaz de satisfazer as necessidades de crédito da economia e procurava-se reduzir a dependência das importações ao mesmo tempo que se fomentava a industrialização do país.
António de Oliveira Salazar reformou profundamente a Caixa Geral de Depósitos e no final dos anos 50 viria até a criar um Banco de Fomento com o objectivo de ser um instrumento de apoio ao desenvolvimento económico fornecendo crédito em condições favoráveis às empresas de certos sectores que encontravam dificuldade junto da banca comercial na obtenção de crédito, ou que não conseguiam fornecer as garantias exigidas para os empréstimos.
Ora isto é quase ipsis verbis o que António Costa definiu como missão do seu Banco de Fomento que criou recentemente. Conforme diz nos estatutos da instituição, trata-se de “um banco promocional de desenvolvimento”; para “estímulo e orientação do investimento empresarial”; “disponibilização de soluções de financiamento em condições de preço e prazo adequadas às empresas”; com vista a “colmatar falhas de mercado” e prestar “apoio à exportação”.
Temos é ainda a desvantagem de hoje o peso do Estado na economia ser sensivelmente o dobro do do tempo de Salazar, a poupança dos portugueses estar a descer (e não a subir como durante o Estado Novo) e a dívida pública ser em 2020 de valor estratosfericamente mais alto do que no passado.
A narrativa de António Costa, pode-se dizer que é por isso salazarenta, mas condimentada agora com os termos do lero-lero moderno: “sustentabilidade”; “neutralidade carbónica”; “economia circular”; “economia verde”; “transição digital”, “empreendedorismo”, “inteligência artificial”, “conectividade digital”, “neutralidade carbónica”, “transição energética”, etc…
Para além deste obtuso discurso, a missão do Banco de António Costa é alargada à tomada de participações no capital em empresas privadas; à prestação de serviços de consultoria às empresas e, claro, à gestão dos chamados Fundos Europeus.
Ou seja, o Banco de Fomento deste governo socialista financiará projectos que a banca privada avaliou como de risco demasiado elevado e o contribuinte será chamado a pagar em caso de perdas nessas aventuras. Distribuir-se-ão rios de dinheiro de subsídios europeus pelas grandes obras públicas, os ditos projectos “estratégicos” e os amigos do costume, tal como aconteceu nas duas décadas anteriores de que resultou um crescimento anémico ou inexistente da nossa economia.
Em 2018 existiam em Portugal um milhão e 295 mil empresas. Cerca de 875 mil empresas individuais e mais de 420 mil sociedades. Apenas 26.000 empresas têm algum perfil exportador, ou seja, 2% do total. E oito em cada dez trabalhadores está empregado em empresas que se dedicam apenas ao mercado nacional. Como em tempos de covid19 o governo tem como bandeira a suposta defesa do emprego, não se percebe a razão de o Banco de Fomento beneficiar potencialmente um número muito limitado de projectos, deixando todos os outros sem acesso à gamela.
À boa maneira socialista não se cria riqueza nem condições de maior competitividade económica. Apenas se brinca com os artifícios e distorções das políticas públicas.
O contribuinte pagará o preço destas ineficiências e da crescente desigualdade de oportunidades.
Abaixo, clickando na imagem, ligação para video de 04 de Janeiro de 1960 com reportagem do noticiário nacional sobre início da atividade do Banco de Fomento Nacional.

A ler:
«Portugal é Lisboa e o resto (infelizmente) é paisagem!», por Duarte Marques
Os detectores de nazis que proliferam por aí
que termos estão a usar para classificar as declarações do Sousa e Castro sobre os judeus? Capitão de Abril, não é? Ter sido “capitão de Abril” é como ter sido anti-salazarista: faça-se o que se fizer fica-se sempre capitão de Abril.
Jorno-socialismo
O José Manuel Fernandes fala hoje na rádio sobre o editorial do PÚBLICO a propósito do cidadão de Vila do Conde que estava sem máscara na marginal, sem ninguém à volta e acabou rodeado por seis polícias.
O editorial do PÚBLICO é mais um dos muitos artigos do chamado jorno-socialismo. Veja-se por exemplo o que está a acontecer com o acordo na TAP. Onde estão os problemas constitucionais? Onde estão os sindicatos e a justíssima luta? Onde está a indignação?…
Não se percebe o nosso tempo sem entender o jorno-socialismo.
PS. Estão a ver os sindicatos da TAP agora caladinhos e realistas? Esperem que o governo mude de orientação política e veremos a luta pela recuperação dos direitos. Todos aqueles que agora estão calados despertarão do seu torpor e virão para a rua e constitucionalistas vários explicarão que o governo de então está a ferir a legalidade.







