Não estou cansado, estou de férias!
Tenho andado afastado do comentário e não é por eu estar em férias. Quer dizer: eu estou de férias. É, sim, por os leitores estarem em férias, situação que dura sensivelmente há quatro anos. Vai havendo umas interrupções nas férias dos leitores para uma indignação entre finos sobre se o primo em terceiro grau do Carlos César ainda pode ser considerado familia ou se é aconselhável não engravidar dele; lá vamos parando a festa quando se torna impreterível discutir se a miúda de dezassete anos violada por trinta e quatro sírios é na realidade uma racista intolerante a cavalgar a onda #MeToo de que 300.000€ só é prostituição quando o dinheiro acaba; entre descidas no escorrega do aquaparque vamos opinando sobre os baixíssimos números de bebés mortos por transferências motivadas por falta de pessoal médico no interior profundíssimo que é Faro; enquanto esperamos o bife com batatas fritas lá olhamos para o telefone e até mandamos uma enorme boca sobre a fumarada dos incêndios que nos perturba a refeição; mas, tirando essas pausas para café, lá vamos vivendo as nossas férias com a certeza de que, a completar quatro anos, ainda nos resta outro tanto para terminar a merecida paragem da azáfama que é ser português.
Os temas nacionais de grande importância, para quem tem andado distraído, são o Julho mais quente que há memória desde a erupção do Vesúvio, o quão Trump é feio e gordo, a forma como Bolsonaro nos vai desgraçar a plantar o eucaliptal de Leiria e o quão inadequado é o Boris Johnson em comparação com os grandes colossos continentais como Guterres, Centeno, Juncker e, porque não?, o nosso porto seguro, António Costa. Também discutimos quantas vezes um cérebro Mortágua caberia no crânio da Greta Thunberg, se a eleição de um, dois ou três deputados da IL permitiria a mudança do país para um paraíso sem “o preço certo em euros” com Fernando Mendes e, sobretudo, discutimos se o crescimento do feminismo das quotas é por carência de anti-depressivos ou por factores ambientais como a homossexualidade de armário dos maridos e ex-maridos. Enfim, temas interessantes, não como aquelas coisas aborrecidas como a sustentabilidade da segurança social ou a substituição do sistema de ensino por uma igreja apostólica de calhaus iletrados com mestrado.
É por isso que tenho andado afastado. É que, tal como vós, estou de férias.
EXPRESSO: «Foi em 2016, durante as festas de San Fermín, em Pamplona, que Alfonso Jesús Cabezuelo, Ángel Boza, Antonio Manuel Guerrero, José Angel Prenda e Jesús Escudero encaminharam a jovem à força para um local isolado e a violaram, enquanto faziam vídeos do ataque, que partilhariam mais tarde. Entre os cinco encontram-se um membro da Guardia Civil e um outro do Exército. No final de abril de 2018, um tribunal de Navarra condenou-os a nove anos de prisão por abuso sexual. Do coletivo de três juízes, dois decidiram aquela sentença (entre eles, uma mulher), enquanto um terceiro deliberou a favor da absolvição. A defesa e o Ministério Público recorreram num caso que gerou uma onda de indignação no país e acabaria por se arrastar num calvário judicial.»
EXPRESSO: «A polícia do País Basco decidiu colocar esta quinta-feira em liberdade quatro suspeitos da agressão sexual em grupo ocorrida na madrugada do passado dia 2 de agosto em Bilbau. Os indivíduos foram detidos no dia seguinte à violação de uma jovem de 18 anos no Parque de Etxebarria, na sexta-feira, na cidade basca, após a descrição pormenorizada dos suspeitos feita pela vítima.
Entretanto, a polícia basca procura também perceber se os indivíduos estrangeiros se encontravam ou não numa situação irregular no país, o que poderia motivar a sua expulsão. Mas essa hipótese acabou por não se confirmar.
A prioridade das autoridades bascas é a de prosseguir a investigação com vista a perceber se há mais suspeitos de envolvimento no crime. Dois dos seis alegados criminosos continuam detidos e deverão ser em breve ouvidos de novo em tribunal.
Foi na madrugada da passada sexta-feira que uma jovem espanhola, de 18 anos, foi surpreendida por um grupo de seis homens quando ia supostamente encontrar-se no Parque de Etxebarria com um indivíduo que tinha conhecido na internet.Ainda tentou fugir, mas os homens ameaçaram-na com uma arma branca falsa, tendo sido levada depois para um acampamento onde cometeram o crime. Após a violação em grupo, os seis agressores atiraram-lhe 17 euros e colocaram-se a monte.»
É isto
João Távora: «A questão que deixa livre o terreno para o crescimento do BE aqui referido por José Manuel Fernandes é que ela deixou de ser a economia – esse assalto fica adiado para futuras núpcias, se a coisa se proporcionar. O BE socialdemocratalizou-se (o modelo económico obrigatório em Portugal) e cavalga, entranhado com outros “progressistas” nas redacções dos media de massas (Observador incluído), a batalha cultural. Desse modo, sem pudor, estabelecem os parâmetros do que é um discurso politicamente aceitável – veja-se a forma “activista” como as televisões abordam o Brexit, os migrantes, ou, nos últimos dias relacionam os assassinatos em massa nos EUA com o discurso (!) de Trump. Sem contraditório nem lugar à complexidade, pura propaganda, um proselitismo tão descarado que enjoa.»
Nausea
Antes que comece o festival em torno da primeira mulher negra no parlamento convém lembrar esta mulher
No dia 24 de Abril de 1974 existiam quatro deputadas na Assembleia Nacional: Custódia Lopes, Maria de Lourdes Filomena Figueiredo de Albuquerque, Maria Ester Guerne Garcia de Lemos e Sinclética Soares Santos Torres. Esta última era negra.
A Sinclética Torres, deputada por Angola, entre 1965 e 1974, se deve muita da atenção à questão da droga naquele território tanto mais que esta deputada defendia que se devia distinguir a toxicomania, enquanto “problema do mundo civilizado” dos consumos tradicionais efectuados pelas populações nativas
O Ricardo Dias de Sousa, há muitos anos a viver em Madrid, escreve nas páginas da Oficina da Liberdade sobre os socialismos ibéricos e diz-nos coisas como estas:
É certo que Portugal e Espanha são ambos governadas por partidos socialistas, mas não é certo que esses partidos socialistas sejam iguais. O Partido Socialista português pode comparar-se em vileza, quanto muito, ao PSOE da Andaluzia, não coincidentemente a região mais pobre (e corrupta) de Espanha.
(…)
Mas a diferença é que, em geral, os familiares mais chegados aos socialistas espanhóis, pelo menos a nível nacional, normalmente ainda fazem carreira naquela iniciativa privada que está mais além do mero enriquecimento através do Diário da República.
(…)
Mesmo para um país socialista, governado por um plagiador vaidoso e inane, como é a Espanha actual, a política portuguesa tem requintes terceiro-mundistas que eles julgam estar bastante abaixo do que é possível num país civilizado.
O artigo completo está disponível aqui. Serão dois minutos de leitura de qualidade.

Uma pessoa sabe que vive num país socialista quando
Os outrora activistas fazem uma bandeira com uma alteração legislativa irrelevante Já não precisa esperar para voltar a casar e se calam com a regressão da qualidade de vida do povo Consultas a grávidas recusadas em Lisboa
Esta alteração vai ser extensível aos não imigrantes? Note-se que se tem de apresentar registo criminal para o exercício de empregos, funções ou actividades, públicas ou privadas, ainda que não remuneradas (em regime de voluntariado), que envolvem o contacto regular com menores; carta de caçador; ter um cão perigoso ou potencialmente perigoso; inscrições em ordens profissionais, participação em concursos públicos, pedido de insolvência, obtenção de licença ou exercício de segurança privada…
Assim estamos
O El Pais noticiou o ataque na Tate em que uma criança foi atirada de um décimo piso na secção de Cultura

A propósito da recente inquietação com a Amazónia brasileira
será interessante saber o que está aacontecer na reserva natural Tipnis, na Bolívia. Claro que a Bolívia não tem como presidente Bolsonaro mas sim Evo Morales. E isso faz toda a diferença na hora de fazer notícias.
E que tal alargar isso aos comunistas?
A possibilidade de alguns nazis ou apresentados enquanto tal se reunirem algures causa inquietação e repulsa. Já ter os comunistas como donos da rua, sentados no aparelho de Estado e fazendo parte da solução governativa é ums habilidade.
Esqueci-me que tinha de pagar o IUC em Junho. Tontas as Finanças mandaram-me uma liquidação oficiosa. Vou responder-lhes citando o sr ministro Santos Silva “Seria absurdo fazer interpretação literal” da lei
Aspas porquê?
PÚBLICO: Trump atribui ataques a “ódio” e problemas de “doença mental”
Não percebo o que fazem aqui as aspas, se fosse na Europa nem sequer se escreveria a palavra ódio – proferi-la seria em si mesmo discurso de ódio – e obviamente os autores dos atentados seriam doentes mentais. Só na passada semana tivemos dois doentes mentais atirando pessoas para a linha do comboio (Alemanha) e Madrid.
Aliás achar-se-ia normal que hoje a propósito dos tiroteios nos EUA se escrevesse: “29 pessoas foram assassinadas e as insinuaçõe sda extrema-esquerda obrigaram o Governo norte-americano a montar um gabinete de crise“? Pois foi exactamente assim que o Expresso titulou o atentado de Frankfurt: Uma criança foi assassinada e as insinuações da extrema-direita obrigaram o Governo alemão a montar um gabinete de crise
A novilíngua dos jornais portugueses
Depois do terrorismo e narcotráfico das FARC ser iludido sob o título “depois da luta, chegou o tempo de plantar a utopia” temos o incesto referido como “duas irmãs se aventuram para lá das convenções dos laços fraternos” ou “airosa coreografia de impulsos femininos, que troca as voltas ao moralismo rasteiro e acomodado.
As coisas não são chamadas pelo seu nome. Simplesmente são referidas na perspectiva da reacção que geram no lado definido pelos jornalistas como mau, ou seja os conservadores, as convenções, o moralismo rasteiro…
Título lava mais branco o terrorismo
PÚBLICO: As FARC e a Colômbia: depois da luta, chegou o tempo de plantar a utopia
Traduzindo: depois de matarem, torturarem e sequestrarem, os terroristas, militarmente derrotados, contam a imprens a fofinha para o seu projecto pol+itico na democracia burguesa
Ps. GOSTO PARTICULARMENTE DESTE PARÁGRAFO: “Há uma certa apreensão no ar entre os ex-guerrilheiros e as comunidades mais próximas. As histórias sobre o compromisso com a paz e a vontade em integrar a sociedade convivem com menções constantes a assassinatos, “falsos positivos”, conspirações e corrupção. Em Maio do ano passado, o conservador Iván Duque venceu as eleições presidenciais, depois de fazer uma campanha baseada na oposição ao acordo de paz com as FARC, designadas pelos EUA e pela UE como grupo terrorista, fazendo eco das críticas do seu mentor e ex-presidente, Álvaro Uribe, que considera o acordo um convite à impunidade dos dirigentes da antiga organização terrorista.” Repare-se que os terroristas, romanticamente designados como ex-guerrilheiros, e as comunidades querem a paz mas há uns maus que não querem a paz. São eles os conservadores, tão conservadores e tão maus que são contrários ao acordo de paz celebrado com as FARC que os maus, à semelhança dos EUA e da UE, designam como terrorista. Já agora o mentor do conservador. Uribe, foi o homem que protagonizou a derrota militar das FARC. Sim, porque as FARC foram derrotadas e agora derrotadinhas preparam-se para desgastar politicamente as insttituições que antigamente combatiam pelas armas. Pedir desculpa, nem pensar. Arrependerem-se muito menos. Eles agora são plantadores de utopia.
Costa esconde a marosca
Os sucessivos casos do “familygate” envolvendo o partido socialista e membros do governo de António Costa têm já longa tradição, nomeadamente desde os tempos em que Babush era presidente da Câmara Municipal de Lisboa. As histórias dos últimos dias continuarão a ter desenvolvimentos futuros, sendo que o pronunciamento do Conselho Consultivo da PGR é aguardado com expectativa.
No entanto, com o pedido de parecer feito à Procuradoria, António Costa já conseguiu pelo menos esconder politica e mediaticamente alguns aspectos ligados à situação do seu secretário de estado da Protecção Civil.
Ao centrar a questão na “interpretação” da legislação sobre incompatibilidades nas contratações públicas de empresas de familiares do governo fez esquecer a marosca da consulta prévia organizada para selecção da produção das “golas de Schrödinger” (inflamáveis e não-inflamáveis ao mesmo tempo) e dos kits de protecção contra incêndios.
Por exemplo, já não se vêem jornalistas a pedir esclarecimentos aos responsáveis políticos sobre o facto de as empresas consultadas não terem actividade ligada com o objecto do concurso da ANPC, serem intermediários e não fabricantes, os donos terem ligações a familiares do PS e até relações familiares entre si. Igualmente deixou de se procurar averiguar a razão de algumas sociedade parecerem ter sido constituídas pouco tempo antes de se candidatarem à adjudicação e, outras, informarem que ao contrário do que foi dito não terem sido sequer contactadas para o efeito.
Não se confronta Artur Neves com o facto de ter primeiramente negado conhecer as empresas concorrentes e, mais tarde, ficar-se a saber que as mesmas já haviam sido por si contratadas quando era presidente da Câmara de Arouca.
Pensava eu que importaria também perceber como, depois de ao longo de tantos anos a opinião pública formar (justa ou injustamente) uma suspeita colectiva e quase subconsciente de os madeireiros poderem ter interesses obscuros relacionados com os incêndios florestais, ao secretário de estado não é exigida uma explicação por não ter mencionado no seu registo de interesses a quota de 50% do seu filho numa empresa de serração de madeira, quando não se esqueceu na mesma data da participação de 20% do seu descendente numa sociedade ligada à construção civil.
Ainda por cima, quer com a legislação em vigor quer com a futura versão do diploma, os membros do governo têm obrigação de reportar nessa lista de interesses, de forma completa, participações sociais em empresas de familiares directos.
Esta circunstância não mina a confiança dos portugueses, em especial, das vítimas dos fogos e dos bombeiros que os combatem, no responsável pela tutela directa da Protecção Civil?
Como diria o seu anterior chefe e líder político, a quem aliás serviu fiel e acriticamente, tudo isto é abracadabrante!

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Menos mal, menos mal
Nada indica melhor a falência do regime que as intermináveis discussões sobre as características deste; se as golas não funcionam, o que conta é a intenção positiva de as distribuir; se o menino não entra na universidade, pode comprar a vaga; se o país arde é porque ao menos não congela; se a direita incomoda a virgindade noticiosa de percalços do governo, torna-se a direita em aliada da esquerda com “fact checking” de “fake news” contra o “populismo”; se o país cresce menos do que devia é porque os outros estão a crescer mais do que é suposto.
Tudo isto é verdadeiramente insuportável, mas sofrivelmente português: cá se vai andando, menos mal, menos mal. Podia ser bem melhor, mas, convenhamos, também podia ser pior. É essa possibilidade, a das coisas poderem sempre ser piores, que nos alenta nas noites frias das “alterações climáticas” e nas quentes do “aquecimento global”.
Podemos ir gamar aos estrangeiros todas as ideias que quisermos para evoluir o país: só não nos tirem o sentimento perpétuo de uma vida que podia sempre ser pior, pelo que menos mal, lá se vai andando. Há quem diga que é preciso mudar mentalidades: infelizmente, não são esses que emigram.
O silêncio explicado

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O comum dos mortais perante a legislação
A propósito das polémicas recentes, do desconhecimento de regulamentos existentes, da falta de proporcionalidade das sanções e da injustiça da legislação, pergunto-me se ao cidadão comum é concedida a faculdade de contemporizar perante as situações em que se veja envolvido, admitida a hipótese de questionar a sua aplicação e facultada a possibilidade de recurso em tempo útil e a custo comportável a pareceres jurídicos sobre os casos.
Quando a ética e a conduta moral são definidas pela legislação, o que o legislador nos impõe só pode dar mau resultado e virar-se contra as pessoas.
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“um exemplo de integração”
Un terrible crimen sirve de excusa a los ultras alemanes para avivar la xenofobia
Este título do El Pais é um símbolo do estado de negação a que a Europa chegou: houve um crime, não se sabe praticado por quem mas certo é que esse crime que não sabemos qual é nem quem o praticou está a avivar a xenofobia dos ultras alemães.
O crime foi tão só um homem ter atirado duas mulheres e uma criança à linha do comboio. A criança morreu. Dois parágrafos depois sabemos que o homem é natural da Eritreia, foi acolhido como refugiado na Suíça e segundo as autoridades era “um exemplo de integração”. No entrementes o “exemplo de integração” fechou a família em casa. ameaçou uma vizinha com uma faca e acabou a atirar mulheres e uma criança à linha do comboio.
Felizmente as autoridades já concluíram que o homem deve sofrer de um transtorno mental. Os últimos trẽs parágrafos do artigo são dedicados a detalhar como “el ataque ha servido a los ultras de excusa para exacerbar la xenofobia y extender la sombra de sospecha sobre todos los extranjeros.”
Degolação em curso?
A Helena pede o óbvio, mas Cabrita já vem sendo esturricado pelo folhetim das golas e dificilmente se manterá no cargo. Não pelo nível escabroso que todo este processo atingiu, que isso são minudências para um governo socialista, sempre apostado em mostrar ser possível cair ainda mais baixo; mas porque tudo deflagrou com uma machete do JN, um dos esteios da imprensa amestrada pelo PS e onde nada se publica sem passar pelo “lápis azul” de Costa.
Ou seja, as golas inflamáveis serão mero pretexto para uma degola inserida num processo de depuração interna que, depois, nos será naturalmente apresentado com a habitual fanfarra propagandística como um exemplo da ética republicana e socialista.
Mas o que fez Cabrita de tão grave que justifique a sua imolação? Quanto a mim, o homem cometeu a heresia suprema, quis intervir no “negócio do fogo”, um monopólio dominado por “instâncias superiores” e ainda por cima, fê-lo de uma forma assaz liberal, permitindo adjudicações numa base descentralizada. Hoje são os tipos de Arouca, amanhã serão os de Alvaiázere ou de Castanheira de Pêra e qualquer dia temos o negócio pulverizado por toda a plebe das Câmaras e Juntas de Freguesia. Nem a Constança faria tamanha asneira.
Com a sua próxima demissão, teremos mais um “assunto encerrado” (Costa dixit). O País envelhecido encolherá resignadamente os ombros e irá para férias. E o líder da oposição, em vez de pedir alto e em bom som a intervenção do Ministério Público, num tema em que para além da bolsa, está em causa a segurança dos cidadãos, a função mais core do Estado, limita-se a uma mui atenta, veneranda e respeitosa questão no Twitter. Costa naturalmente agradece a deferência.
Não há mas nem meio mas Eduardo Cabrita não reúne condições para ser ministro de coisa alguma e muito menos da Administração Interna. Eduardo Cabrita ou se demite ou é demitido.
Protecção Civil: honra e glória
Será pura coincidência, mas o secretário de estado da Protecção Civil é de Arouca e enquanto presidente da respectiva Câmara Municipal já tinha feito adjudicações directas a outra empresa dos mesmos sócios da BrainOne, constituida em Fev/2017, esta uma das sociedades consultadas no processo da produção das famosas golas da Foxtrot.

A BrainOne foi constituída em 2017-02-17 com sede em Arouca, tendo por objecto principal a consultoria e programação informática e por sócios Tiago Rodrigues, Nuno Mendes e Pedro Pereira. A Código Disponível foi constituída em 2015-04-02 tendo por objecto principal sistemas de deteção de incêndio e extinção automática, sistemas de controlo de acessos e assiduidade e tendo por sócios os mesmos Nuno Mendes e Pedro Pereira.
Entretanto, a AGIF-Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais gastou 52.000€ num estudo de opinião sobre a eficácia das campanhas de sensibilização da população denominadas “Aldeia Segura/Pessoa Segura” e “Floresta Segura”. (os dois contratos mencionados abaixo no portal Base penso que são o mesmo, embora com datas de registo diferente).

Entrementes, o filho do Secretário de Estado da Protecção Civil é sócio (50%) de uma empresa de serração de madeira, aplainamento, corte e secagem de madeira constituída em Maio de 2017:
POSTESCALIPTO, LDA
NIPC: 514408758
4540 – 048 Alvarenga – Arouca
Constituição: 2017-05-08
OBJECTO: Serração de madeira, aplainamento, corte e secagem de madeira;
CAPITAL : 5.000,00 Euros
QUOTA : 2.500,00 Euros
TITULAR: Nuno Valente Neves
Este membro do governo, aparentemente, terá omitido o registo deste interesse correlacionado na Assembleia da República, embora o tenha feito para outra sociedade em que o filho é sócio minoritário:

Esta é pois uma história de honra e glória.

Dicionário português-progressivo
Desacato: performance através da qual os portugueses demonstram o seu extraordinário amor pelos serviços públicos.
Fogo florestal:intenção de ofuscar o PS
A alimentação é o novo sexo: extraordinária evolução dos costumes que leva a que os adolescentes portugueses possam mudar de sexo sem relatório médico mas seham impedidos de ver os anúncios às bombocas.
Incidente e rixa: Um não sei quê que aconteceu em Queluz, que nasce não se sabe como na Amadora; Vem não se sabe como do Monte da caparica; e acontece não se sabe porquê.
Costa, o empresário
No ano passado o Observador publicou um artigo de fundo sobre o filho de António Costa, mas mesmo antes da sua publicação já se comentava que o futuro de Pedro Tadeu Costa estaria a ser cuidadosamente preparado.
Pois bem, mais cedo do que tarde estará a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, lugar a que chegará em substituição do actual presidente Pedro Cegonho, dada a mais do que previsível eleição deste último como depudato à AR nas próximas Legislativas.
Segundo relatos da imprensa, Pedro Costa vê-se a si próprio “mais como homem de negócios e menos de política”. No entanto, aos 24 anos, decidiu aceitar o convite do seu primo António Cardoso e integrou a lista socialista de candidatos a uma Junta de Lisboa e acabou por ser eleito como membro da Assembleia de Freguesia.
Pouco tempo depois o presidente dessa junta foi acusado de assédio sexual e duas vogais pediram a demissão. Com esta circunstância Pedro Tadeu assumiu o pelouro da Inovação e do Empreendedorismo. Note-se que apesar de ser apenas o 14º na lista, foi nomeado para o executivo pelo seu primo António Cardoso. Um grande salto que o filho do primeiro-ministro justifica por ter sido “escolhido por razões que não me compete a mim explicar”.
O rapaz que diz ser um empreendedor foi membro da Juventude Socialista com ficha de proponentes assinada por Duarte Cordeiro (hoje secretário de estado no governo de António Costa) e Francisco César (sim, filho de Carlos César). Em 2017, o jovem empresário acaba por se filiar mesmo no Partido Socialista mas diz que essa decisão “foi muito refletida” e que “levou muito tempo a ser tomada“.
Nesse ano este homem de negócios foi ainda ter com o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique e manifestou-lhe a disponibilidade para integrar as listas àquela autarquia nas eleições de 2017. O líder empresarial viria a ocupar o 3.º lugar da lista de candidatos, tendo sido eleito vogal na freguesia e lhe atribuído um pelouro.
Entre os cargos que assumiu nas duas Juntas, o filho de António Costa, certamente fazendo jus às suas intrínsecas qualidades de dirigente empresarial, contratou para seus assessores pessoais três amigos, pagando-lhes salários com o dinheiro dos contribuintes. Num desses casos justificou até a contratação do amigo por ser para “um cargo de confiança” que consistia em “andar na rua a ver o que está limpo e o que não está“.
Moral da história: Portugal tem excelentes empresários.

Se eu tivesse um jornal
Costa e as botas de sete léguas
Em 43 anos – desde o momento em que apresentava o programa de TV “Botas de Sete Léguas” até à data de hoje – António Costa conseguiu ficar a “falar” ainda pior Português e agravar a sua dicção.
Mas mantém o hábito de aparecer em público a dizer coisas assumindo que quem o ouve é infantil. Continua também a ser o pivô de um programa próprio de uma história de fadas.
O problema é que a simpática e popular crença de que calçando umas botas mágicas se consegue andar mais rápido e chegar mais longe não dura sempre. Ou chegamos a adultos e deixamos de acreditar em fábulas. Ou, caso prefiramos viver como num conto, a realidade da vida encarregar-se-à de se mostrar e impôr honesta e cruel.
Abaixo, um video curioso.
Boring Johnson

Tivemos esta semana, como se ainda fosse necessário, mais uma prova da imensa superioridade da democracia portuguesa em relação às suas congéneres internacionais. O Reino Unido viu-se sem primeiro-ministro e, numa manobra política rápida, previsível e tremendamente entediante, encontrou um substituto. Esse exercício, baseado num sistema excêntrico a que os nossos velhos aliados dão o nome de parlamentarismo, despertou, como é evidente, forte repulsa no nosso país. Habituados que estamos à excelência do nosso regime, e suportados por uma vasta e secular tradição democrática, era inevitável que não resistíssemos à tentação de dar umas lições a esses rústicos ilhéus.
A verdade é que o grau de civilização de um povo também se vê na complexidade da sua arquitectura institucional e, como é evidente – pelo menos para nós –, quanto mais complexo, melhor. É a diferença entre uma tasca que só serve sandes de leitão e copos de maduro tinto e um restaurante com um menu à la carte carregado de opções. No Reino Unido tiveram de comer, salvo seja, o bacorinho loiro e despenteado; já em Portugal, terra sofisticada, a coisa seria menos líquida. E estaria dependente, como é normal nos universos requintados, do ano e dos caprichos, perdão, do estado de espírito dos vários intervenientes. Se estivéssemos em 2015, ano em que se considerou que a Assembleia da República é soberana, Boris Johnson não teria qualquer problema; se fosse em 2004, durante o Verão, seria sujeito a um suspense de fazer inveja a Hitchcock e só depois poderia sentar o rabo no Palacete de São Bento; ainda em 2004, mas desta vez já com o cheiro a rabanadas no ar, teria de procurar outra ocupação e perceber que neste país, como esforçadamente nos transmitem variadíssimos comentadores, reina a “geometria variável”.
Pelo caminho, Boris Johnson perceberia também outra coisa: os parlamentaristas de 2004 são os antiparlamentaristas de 2015; os antiparlamentaristas de 2004 são os parlamentaristas de 2015; e um dos parlamentaristas de 2004 – chamemos-lhe, para harmonizar conteúdos, o “rainha de Inglaterra” – é simultaneamente um dos antiparlamentaristas de 2004, o que vem provar que o pénis masculino não é o único órgão que vê a sua grandeza diminuída pelo frio.
com que ideias, com que projecto e com quem?
Ao que tudo indica, a direita do regime sairá num estado comatoso do acto eleitoral do próximo dia 6 de Outubro. Pela primeira vez, desde o 25 de Abril de 1975, os partidos que hoje formam o seu conjunto – PSD, CDS, Aliança, Iniciativa Liberal e Chega, os cinco candidatos a eleições regidas pelas normas constitucionais vigentes – arriscam-se a ter um resultado inferior a 30% e, com isso, entregarem, não só, uma maioria parlamentar absoluta à esquerda, mas uma maioria qualificada de 2/3. O possibilitaria, pela primeira vez na nossa democracia, que uma única área política pudesse rever a Constituição sem necessidade da outra.
Consequentemente, e porque quatro anos passam depressa e a próxima legislatura pode até nem os esgotar, os partidos que pedem o nosso voto para o próximo dia 6 de Outubro deveriam dizer-nos o que querem fazer com ele para reconstituírem a área política que integram e apresentarem um projecto comum alternativo ao socialista. Sem isso, arriscamos a que o regime continue nas mãos da esquerda e da extrema-esquerda por muitos anos, mexicanizando-se, ou, pior ainda, a que alguns dos partidos da direita regressem ao poder sem saberem o que lá vão fazer. Como sucedeu com Durão Barroso, com os miseráveis resultados de que ainda hoje estamos a padecer.
Numa troca de tweets com o Carlos Guimarães Pinto, presidente da Iniciativa Liberal, ele adiantou-me que, em sua opinião, o caminho passaria por encontrar ideias que suportassem um projecto político, naturalmente de partidos e pessoas, por esta ordem sucessiva de importância. Posso concordar, mas não ignoro que as ideias e os projectos de nada valem sem pessoas que acreditem neles e sejam capazes de os realizar. Por mim, a ordem dos factores é, por isso, a inversa, já que sem as pessoas certas, nos lugares certos, nunca se chegará às ideias certas, nem a um projecto político acertado. Se assim não fosse, seria indiferente que à frente do PSD estivesse Rui Rio ou outro político qualquer, e creio que todos já percebemos que não é assim.
Deste modo, o que um humilde eleitor, como eu, pode, de momento, ambicionar é que os responsáveis partidários lhe digam o que farão com o seu voto depois do dia 6 de Outubro, caso ganhem as eleições (compreendo, estamos em campanha eleitoral…) ou as percam. Até agora, infelizmente, com excepção do Miguel Morgado, que não tem responsabilidades partidárias, não vi ninguém a fazê-lo. E convém ter presente que quatro anos passam muito depressa e não se arranjará uma solução para este problema de um dia para o outro.
O desacato do dia
Espantoso
O paradoxo da igualdade entre sexos
Neste primeiro episódio de um total de sete foram ouvidos especialistas de várias nacionalidades e áreas. A Noruega, um dos países do mundo em que a igualdade de género existe, tem por lá uns cientistas sociais que negaram veementemente o factor biológico nas escolhas entre meninas e meninos desde tenra idade e, mais tarde, nas profissões. Outros especialistas noruegueses ou de outros países, pelo contrário, concluíram o óbvio: que a biologia conta e a cultura também conta. Um deles até disse: a questão não é se conta ou não, mas sim por que razões é que conta e como isto evoluirá.
Mas o mais impressivo nisto tudo foi a recusa ideológica por parte dos cientistas sociais em se afastarem da sua hipótese inicial, isto é, que o factor biológico não conta. Foi até patética a forma como foi enunciado o método científico por um dos fulanos.
Evidentemente, isto não é inocente. A cultura igualitária (não falo de direitos, evidentemente) tem como objectivo satisfazer uma clientela política. Sucede que, paradoxalmente, quanto mais livres de escolher mais os homens preferem em média profissões de homem (no vídeo, engenheiros) e as mulheres profissões de mulher (no vídeo, enfermeiras). E note-se: houve quotas e políticas para tentar corrigir isto, mas, conforme referiu uma senhora do governo, o efeito foi de curto prazo; passados dois anos tudo voltou às escolhas normais. Um vídeo muito instrutivo para os deterministas sociais. Biologia conta, evidentemente.
A ler
Grande Cabrita!

Este Cabrita, depois dos 120 mortos de Pedrógão, ainda tem o descaramento de, hoje, mandar calar um presidente de câmara e acusá-lo de não estar interessado na segurança da população local.
Pois toma lá, oh Cabrita!
*
António Costa vai pedir ou não desculpa a Mação?
Costa refere que autarcas são “primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho” – Claro, aqui é fácil falar. Mas lá está calor, muito calor. Não há gente. São ruas e ruas de casas fechadas. Quando há alguém é velho.
E sim, muitos deles pagaram a limpeza dos terrenos que aqui em Lisboa, os comentadores, sentados nos estúdios de televisão, com os seus ares condicionados a funcionar, dizem com ar furioso que têm de ser limpos. Pois têm mas sabem quanto custa essa limpeza? Tẽm noção que aquilo aque chamam floresta – e enfatizam a palavra como quem está a ver um documentário em que as aŕvores estão todas no sítio certo – não passa muitas vezes de uma sucessão de mato e árvores sem valor comercial? Sabem por quanto se vende um pinheiro, caso este sobreviva à doença e aos fogos?
O que queria dizer António Costa com esta baboseira? Que cada autarquia vai dotar-se dos meios necessários para combater os incêndios? Então vamos ter um meio aéreo por concelho? Terá mesmo noção do que disse?
Após o incêndio de 2017, O município de Mação foi excluído do acesso ao Fundo da União Europeia que deveria financiar a 100% os prejuízos daquela catástrofe. Porquê? Alguém consegue explicar, porquê?
E agora em 2019 depois da vergonha que foi a actuação do poder central durante o combate ao incêndio em 2017, depois ainda do escândalo da exclusão do municipio de Mação do o acesso ao Fundo da União Europeia (em que o governo foi derrotado em tribunal), vem o primeiro-ministro sacudir culpar os autarcas? Ou será que o cerco tanbém já se aperta em torno dos autarcarcas não socialistas?
Resposta de Vasco Estrela, presidente da câmara de Mação, a António Costa
O que esconde a demolição do Prédio Coutinho?
A VianaPolis nasceu com Sócrates esse visionário das obras megalómanas que faliu Portugal. Só por aqui já se percebe a utilidade da “coisa”: criar bons tachos, bem remunerados (um dos administradores da VianaPolis ganha mais de 5000€/mês) para os boys do PS e tapar o gigante buraco financeiro deixado pela Parque Expo de mais de 100 milhões de contos indo buscar 9,4% de comissão em média às Polis como o comprovam vários documentos trocados entre PE e VianaPolis. Ah pois é…

E como nasceu então essa pérola das sociedades Polis? Pelo que se pode ler no relatório da auditoria feita em 2000 pelo TC às contas do Parque Expo, com vista ao saneamento das dívidas foi feito uma reestruturação da empresa celebrando com o Estado um Contrato-Programa no qual se determinava um conjunto de regras e princípios que visavam um revocacionamento estratégico da PE, a partir de 2000, com as missões, entre outras, de potenciar as competências desenvolvidas no projecto de intervenção urbana da Expo98 noutros projectos de recuperação e requalificação de zonas urbanas exteriores ao Parque das Nações; colocar à disposição de outros eventos relevantes as capacidades detidas pela PE. Ainda, no enquadramento da necessária reestruturação financeira, e à luz da sua nova missão empresarial, compensar o custo financeiro líquido da Exposição suportado pelo grupo; compensar os custos relacionados com os investimentos excepcionais em acções de “Requalificação Urbana” e “Bens Dominiais” assim como garantir as condições necessárias à sustentabilidade económica-financeira da PE”. Dúvidas?

A Parque Expo deveria ter tido custo zero sendo exclusivamente financiada pela venda dos terrenos e receitas do evento. Mas ao invés disso, depois de uma gestão com trabalhos a mais, prémios injustificados e sobrecustos, apresentou 113,6 milhões de contos de prejuízo. Em 2004 a PE pedia um aumento de capital entre 5 a 8 milhões em espécie – património imobiliário como terrenos urbanísticos, ao Estado – para sanar dívidas e eliminar passivo. Percebem agora a pressão sobre as Polis?

Não estava escrito em lado nenhum a inclusão do Prédio Coutinho na requalificação urbana. Apesar do actual Ministro do Ambiente afirmar que fazia parte do plano estratégico, foi desmentido pela própria Quartenaire de que fez parte. Então como surge este prédio na equação? Por proposta do ex-autarca Defensor Moura que o “ofereceu” à Polis por o considerar “inestético”.
Foi dado início à “criação” de um motivo “legal forte” para conseguir a expropriação demolindo primeiro o Mercado Municipal existente a 100 m do Prédio Coutinho, ainda novo, e bem no centro histórico, alegando à época (para não levantar suspeitas) que seria removido dali para a periferia da cidade porque às 3f e 6f, dias de mercado, o centro ficava intransitável. Mais tarde, a autarquia constrói um bloco habitacional, nesse mesmo local onde acabaria por realojar moradores do Coutinho. Entretanto, seguia a “declaração de utilidade pública” para demolição do prédio com base na necessidade de se construir ali o mercado e com carácter urgente! Nasce assim a primeira “manobra” da VianaPolis: criar uma necessidade para alegar depois a necessidade de utilidade pública.
Mas as “manobras” não se ficaram por aqui. Com o Estado a assumir a dívida 20 milhões através do OE em 2012, e com prejuízos sucessivos por não ter conseguido realizar as verbas necessárias com a venda de terrenos do parque da cidade, e a UE ter dito claramente que este tipo de obra (demolições por razões estéticas) não seriam financiadas, a autarquia consegue a proeza contabilística de apresentar 3 anos consecutivos de prejuízos, com resultados “zero”, evitando assim sua extinção o que segundo especialistas, é um “case study”. (Veja aqui)
E quais foram os gastos até 2017 com base nos documentos oficiais, referentes ao prédio Coutinho? Vejamos:
- Resultado negativo das expropriações e venda de terrenos do Parque da Cidade: 5 660 000,00€;
- demolição do mercado novo existente e construção de realojamentos: 9 175 126,27€;
- renda do aluguer do edifício do mercado: 440 869,16€;
- compra do edifício do mercado alugado: 1 105 725,15€;
- condomínio no prédio Coutinho: 132 000€;
- indemnizações aos moradores: 15 900 000€;
- o valor adjudicado para demolição custará (sem contar com os já recorrentes inflacionamentos das obras públicas depois de iniciadas) 1 168 536,41€;
- com advogados: 490 875,00€;
- remunerações com Mesa da Assembleia Geral, Conselho Administrativo, Fiscal Único: 129 323,80€;
- o SEGUNDO projecto do novo mercado (depois de pagar e anular o primeiro) adjudicado por ajuste directo: 73 700,00€.
Assim, foram subtraídos 34 216 155,79€ ao erário público só até 2017.
Não é difícil perceber o que está aqui em causa. Nunca foram as questões ambientais/visuais/estética que criaram esta necessidade polémica de demolição. Na verdade, foi sim o argumento para validar uma intenção de meia dúzia de indivíduos com interesses monetários nesta obra megalómana. Se as questões ambientais e arquitectónicas fossem tão prementes na cidade nunca esta autarquia teria autorizado a devastação da encosta do monte Santa Luzia com edifícios de grande volumetria e estética duvidosa completamente desenquadrada; nunca alteraria o plano de pormenor para que um Hotel previsto no Parque da Cidade inicialmente com 4 andares, crescesse para 8 (como fizeram em 1970); jamais autorizaria abortos arquitectónicos recentes tão altos como o Coutinho mas muito mais feios amontoados à entrada de Viana; nem teria aprovado um novo projecto futurista do mercado com arquitectura totalmente desenquadrada da zona histórica. Isto são factos.
Em Vancôver no Canadá um edifício numa das ruas comerciais mais caras, a Robson Street, estava desalinhado e avançava sobre o passeio 3m. O prédio com 2 andares não foi demolido por respeito às pessoas que lá habitam tendo sido dado uma licença de utilização para a vida física do edifício que, enquanto lá tiver moradores, não é demolido por questões estéticas (apenas se ali passasse uma estrada, por ex.). Mas isto é nos países culturalmente superiores que cuidam do seu património e não brincam como nós aos legos com as cidades nem com a vida das pessoas. Exemplo? O Hotel Estoril Sol que demoliram por “questões estéticas” para lá colocar outro de estética igualmente muito questionável.
Não tenho dúvidas que as administrações das entidades empresariais na esfera do Estado, no dia em que forem responsabilizadas financeiramente pelas suas decisões, já não brincarão mais com a vida dos cidadãos e pensarão 3 vezes antes de aprovar projectos. Até lá isto continuará a ser uma festança constante de constrói hoje para desconstruir amanhã e assim enriquecer alguns à conta do empobrecimento do contribuinte.
