Vítor, como vai o Trump ser pela “manutenção de Guantanamo”?
O Obama não fechou Guantanamo assim que tomou posse? Como iam dar o Nobel da Paz a um presidente que mantinha Guantanamo? Guantanamo fechou ou é como se tivesse fechado. O Presidente queria que Guantanamo fechasse, prontos. E simpaticamente o mundo fez-lhe a vontade: não mais se falou de Guantanamo.
Meu Deus, meu Deus, acabou a tranquilidade

Uma pessoa recebe isto de manhã e fica preocupada. Eu não tinha consciência que a presidência de Trump iria ser perigosa! Admito, habituei-me ao clima de paz, tranquilidade e harmonia que a presidência Obama originou, esquecendo que, um dia, o presidente norte-americano mudaria e tal mudança criaria situações de perigo inimagináveis. Que ingénuo que fui!
Situações de perigo inimaginável tão graves como a criação de 1,1 milhões de desempregados, o aumento de $14.000 da dívida per capita, o aumento em 43% da dívida federal, o aumento em 83% do preço dos combustíveis, a manutenção de Guantanamo e bombardeamentos em sete países com perto de cinco centenas de ataques com drones. Meu Deus, nem posso imaginar tal coisa.
Apertem o cinto. Acabou a paz!
Deixem-se de hipocrisias, está bem?
Nesta história do quem canta na tomada de posse de Trump ou de quem veste Melania – o PÚBLICO até pergunta se os criadores devem vestir Melania – existe uma hipocrisia tremenda: cada um é ou devia ser livre de trabalhar para quem quiser. Mas viciadinhos que estão na fama, os criadores não ousam de modo algum ir contra a corrente (o que eles chamam ir contra a corrente é precisamente dizer e fazer o que se espera que façam) pois tal pode levá-los a perder clientela.
Na prática o mesmo que os levou a cantar, dançar ou trabalhar para os Obama – na verdade um excelente negócio dada a popularidade do presidente – é o mesmo que que agora os leva a rejeitar qualquer convite de Trump: popularidade e dinheiro. Com um ganhavam com o outro perdem. É o negócio e não tem mal algum. Mas não lhe chamem outra coisa.
Por fim, livrámo-nos da acusação do racismo. Se alguma criatura tivesse recusado vestir Michelle Obama ou rejeitasse um convite para actuar na tomada de posse de Obama teria sido um escândalo de proporções inimagináveis e a criatura seria banida por racismo do mundo mediático. Agora o problema desapareceu. Ainda bem.
Eleições já! Com selfie e tudo
Atingimos o último patamar de funcionamento da Geringonça: habituamo-nos à sua existência.
Pouco importa o que diz Costa, o que diz Catarina Martins e, muito menos, o que diz Jerónimo de Sousa. Vieira da Silva abre a boca e só se ouvem murmúrios indecifráveis; o Centeno, sempre que aparece, lembra um anúncio do IEFP à contratação de indivíduos com síndroma de Coffin-Lowry; o resto do governo ninguém sabe quem é, daí que ninguém saiba exactamente o que fazem ou dizem.
Défice de 2,3%? Pode ser. TSU a subsidiar emprego? Pode ser. Reportagens da visita do estronço à família indiana? Pode ser. A culpa é da oposição? Pode ser. É do Salazar? Pode ser. É do heteropatriarcado, do heteropatronato, da heteropornografia? Pode ser. A culpa é das gorduras saturadas, do tabaco, das centrais nucleares espanholas, da Volkswagen e da menopausa socrática? Pode ser. É necessária heterolimpeza de jornais de vozes incómodas? Pode ser. Não queremos saber. Estamos habituados, é isto, é o que há.
Estou com Francisco Assis: é preciso eleições antecipadas. Pouco importa que sejam para reforçar Costa como inevitável Querido Líder: quando batermos na parede não podem existir desculpas, as velhas desculpas que culpam o Cavaco, o Trump (que nem sequer tomou posse), a oposição ou um barbudo de Bragança que se recusa a casar com uma cabra para co-adoptar um africano transportado para a Europa por ONG que – por mero acaso – ia de passagem no local onde a sua embarcação “naufragou”. Se é para bater a 200 km/h com Costa ao volante, é preciso sacar o mais rapidamente possível os moscardos do Bloco e do PCP do compartimento. Para a frente é que é o caminho.
se isto não é o povo, onde é que está o povo?
O PREC de direita continua em marcha e a atacar os valorosos vigilantes da Revolução. Desta vez, a vítima foi, de novo, o camarada Salgado, chefe da brigada operária de acção armada, na clandestinidade, Spiritus Sanctus, nome de código dado em honra à santa missão de que está incumbida. Salgado foi acusado pelo tribunal plenário burguês de assaltar bancos para financiar um golpe de estado subterrâneo, cujo objectivo era minar as estruturas da super-estrutura do estado fascista onde vivemos. Destruir a economia do estado, levando-o à perda total da soberania burguesa, para mais facilmente o conquistar, foi um objectivo alcançado em 2011, graças à actuação corajosa do camarada Salgado e de outros revolucionários. A acusação alega que o camarada Salgado executou a sua missão com tamanho fervor revolucionário, que levou mesmo um banco à falência com os desfalques que fazia para patrocinar a nobre causa. «Tudo mentiras e inventonas da reacção», defendeu-se o camarada, que transitou, em carro policial, para a sua casa, situada no bairro operário da Quinta da Marinha, onde residem muitos trabalhadores da indústria naval. Os camaradas Louçã, Jerónimo, Catarina e Mariana já convocaram uma vigília de solidariedade para hoje à noite, à porta da casa do revolucionário, onde será lido um poema de Oliveira e Costa. O camarada Salgado mandará providenciar a distribuição de whiskies, flutes de Moet e Chandon, tapas de caviar beluga e, claro, puros de Habana aos manifestantes presentes.

Factura nas empresas públicas?
Um Estado acima da lei no Delito de Opinião: Nestes dias de voragem fiscal da Autoridade Tributária (o nome já é todo um programa), qualquer estabelecimento comercial privado e legal que não tenha em funcionamento um sistema de emissão de facturas e que as emita a pedido do cliente teria o Fisco, a ASAE e sabe-se lá que mais Autoridades à perna para o habitual bullying tributário. Nestes tempos em que o Estado incentiva os contribuintes a solicitarem factura por tudo e mais alguma coisa (até podem ganhar prémios, veja-se bem), qualquer estabelecimento que se recuse à emissão da facturinha será decerto falado nas redes sociais pelos piores motivos. No entanto, e como não podia deixar de ser, o mau exemplo vem de cima: se o leitor ou a leitora for utente dos Transportes de Lisboa, que tanto quanto sei ainda é uma empresa pública, não poderá obter uma factura no acto do pagamento, seja este feito nas máquinas automáticas que encontramos nas estações do Metro ou nos balcões de atendimento do Metro ou da Carris: terá de preencher um formulário para solicitar a factura pelo correio, ou aceder a uma página Web, seguir um formulário de sete etapas e descarregar enfim a dita factura (mas só poderá fazê-lo 48 horas após o pagamento, e apenas durante os cinco dias que se seguirem). O motivo, conforme me explicou hoje um funcionário do Metro, é simples: em pleno 2017, ano em que todos transportamos no bolso aparelhos com maior capacidade de processamento do que a nave espacial que levou três astronautas à Lua em 1969, o software das máquinas automáticas e dos balcões de atendimento não está preparado para algo tão básico como… a emissão de facturas. Que o Estado continue a permitir às empresas públicas aquilo que não permite às privadas dificilmente irá surpreender alguém nos dias que correm. O que espanta é que se ache isto normal.
Heloísa, a vigilante que olha para o lado
Verdes vêem acordo violado, mas não vão fazer nada. O Governo aprovou mesmo a medida que os Verdes diziam violar a posição conjunta assinada em novembro de 2015, mas nem por isso o partido vai extremar posições. Heloísa promete apenas “vigilância”
Por favor, Heloisasinha não deixes de vigiar. Quererás tu Heloísa ir vigiar o depósito de resíduos nucleares em Almaraz? Assim tão acutilante na vigilância ficaríamos todos descansados, não era Heloisasinha?
Aqui não vão nem os comandos nem os jornalistas
Um bando armado de paus e sabres tomou conta de um bairro na noite de sábado para domingo. Os seus membros, vinte jovens rapazes, partem o que encontram. Destroem o que está nas ruas. ameaçam abrir de alto a baixo as pessoas que de dentro de casa assistem aterrorizadas àquela cena que virá a ser definida nas horas seguinte como de guerrilha urbana.
Tudo isto aconteceu em Juvisy nos arredores de Paris, este fim de semana. Notícias? Ora, ora não está na agenda.
Já se pode falar do treino dos comandos
A geringonça tem de geringonçar
Por favor não se zanguem! Eu não estou preparada para ouvir de novo a dona Rosário Gama que coitadinha deve ter entrado para o carmelo tal é o sumiço, mais o Mário Nogueira, a Ana Avoila que, quem sabe, foi finalmente trabalhar na função pública, o pobre do Arménio que deve estar com ciática pois há meses que o homem não faz desfiles nem marchas… e sobretudo não consigo imaginar o que será ter de ouvir outra vez a Heloísa Apolónia naquele desgraçado tom de voz a gritar “Ó senhor primeiro-ministro, ó senhor primeiro-ministro!!!!!!!!!!!!!” Por favor, deixem-se estar, assim como assim isto dos juros dificilmente vai a pior e a nossa vida é um sossego.
Oxfamintos de atenção
Um certo dia, o engenheiro José Sócrates e noventa e nove pessoas que recebem exactamente dez salários mínimos nacionais por mês entraram num bar. Rapidamente constaram que 1% dos presentes tinha fortuna superior a pelo menos metade dos mais pobres. Vai daí, escreveram um relatório que há-de ser propagado pelas redacções dos jornais como se tivesse algum significado.
A “Carripana” Gripou? Chamem as Esganiçadas!
Montaram uma “carripana” com motor velho, que só andava de empurrão, a que lhe chamaram Geringonça. Garantiram a Cavaco Silva que seria capaz de governar Portugal com responsabilidade e estabilidade. Diziam que ela – “a carripana” – estava bem de saúde e que se recomendava, mesmo a tossir como um velho quase a cuspir os bofes. Entretanto a vida sorriu porque claro, enquanto há dinheiro para esbanjar, é só “paixão”… O problema é quando o limite do cartão de crédito explode e… numa casa onde “não há pão”… e já não se pode só anunciar coisas boas… desentendem-se.
Enquanto esteve do alto do seu pedestal, firme e seguro, Costa dizia que não precisava do PSD para nada. E deu-lhe férias prolongadas: não quis fazer uma coligação social democrata; nunca o consultou; “chumbou” na praça pública as suas propostas antes de chegarem ao Parlamento; nem o levou a concertação social da TSU. Desprezou-o até ao limite, com espaço para muitas faltas de respeito pelo parceiro da oposição. Mandou-o caçar Pokémons… literalmente. Mas agora que as “esganiçadas” já não querem “conversa”, desolado, quer dar uma “facadinha no matrimónio” com o Pedro? Ler mais…
Potência Ininterrupta
O Estado português paga a diversas (muito poucas) empresas para manterem unidades produtoras de energia eléctrica (a gás e a carvão) paradas, mas disponíveis para entrarem em funcionamento no caso de as restantes fontes não serem capazes de assegurar picos de procura. Estas unidades recebem pela disponibilidade e, nos momentos em que são chamadas a efectivamente produzir energia, recebem também pela energia injectada na rede.
Faz sentido? Considerando a volatilidade de algumas fontes renováveis (em particular das eólicas), sim. [O facto de o preço pago às eólicas ser mais elevado do que o pago pela energia produzida a partir de fontes não renováveis é outro problema].
Porém, além de pagar pela simples disponibilidade de potência, o Estado paga ainda a algumas dezenas de unidades industriais mais de uma centena de milhões de euros por ano para que estas se obriguem a, em caso de um pico de procura de energia, desligar as suas máquinas, para que a rede não entre em colapso. Chamam a isto “interruptibilidade“.
A segurança do sistema eléctrico justificará a existência de mecanismos redundantes? Considerando que a “interruptibilidade” nunca foi usada e considerando ainda que os beneficiários a qualificam como “subsídio” (como compensação pelos preços absurdos da energia eléctrica em Portugal, mais do que pelo serviço que se obrigam a prestar), a resposta não oferece grandes dúvidas. Não seria mais lógico, em caso de efectiva necessidade de redução pontual da procura, ordenar-se aos grande consumidores que desligassem as máquinas, com o pagamento, se fosse caso disso, das correspondentes indemnizações?
Educação sexual, uma necessidade para a espécie adiada por milénios
Deve haver educação sexual nas escolas? É uma boa pergunta, principalmente porque ninguém sabe ao certo o que significa “educação sexual”.
É explicar os termos às crianças?
Olha, isso que aí tens é o que algumas pessoas chamam de rata.
Golden shower é quando tu finges que és a sanita, percebes, Alfredo?
É explicar as abelhinhas e os passarinhos (e passarinhas) apelando à igualdade?
É perfeitamente normal que sintas vontade de esfregar o teu sexo com qualquer pessoa, independentemente do seu sexo, sua identidade de género, identidade de género socialmente percepcionada e/ou estatuto jurídico.
Sabes quando o Bóbi se começa a esfregar na tua perna, Horácio?
É ensinar a mecânica sexual?
Sim, é normal que gostes muito de usar o chuveiro prolongadamente nessa zona, Florência.
A sucção de um aspirador pode ser excessiva e causar problemas ao teu pénis, Santiago.
Ou é ensinar a respeitar as pessoas e, afinal, não se deveria chamar educação sexual e sim ética? Claro que não, se assim fosse seria responsabilidade dos pais, não da escola. Ridículo.
Aguardo ansiosamente as integração de outras aulas de interacção humana com o meio e com outros humanos, particularmente na sua vertente mecânica. Educação para a defecação tranquila, educação para esgravatar orelha com unha do mindinho e educação para activista social.
Recapitulando
O Passos devia assinar a baixa da TSU para que o PS possa governar à esquerda?
A florescente indústria dos “ismos” e das fobias
Lembrando o óbvio
E depois da TSU virá o momento da coisa que não se pode chamar memorando e que o BE e o PCP não vão querer assinar
e que o dr. Marques Mendes, o dr Rio, a dra Manuela, o dr Marcelo… acharão que Passos tem de assinar para que Costa possa governar.
“monumental tiro no pé”
Começou a queda do PS. O dr Marques Mendes já anunciou que Passos deu “monumental tiro no pé”, Manuela Ferreira Leite declarou que Passos devia estar calado, Rui Rio está a caminho da liderança do PSD, Rangel diz que sim mas tamb+em não, Marcelo declara-se furioso com Passos. Ora como se sabe quando estas cabeças coincidem deste modo no “monumental tiro no pé” dado pelo Passos este ganha as eleições. Foi assim em 2011 e foi assim em 2015. Tudo indica que voltámos aos tempos do “monumental tiro no pé”
aguenta-te, passos
Aqueles que por aqui andam há mais tempo, ou têm memória histórica, lembrar-se-ão que Francisco Sá Carneiro, que hoje é um consenso nacional, foi, até ao dia em que ganhou eleições legislativas com a AD, objecto de todas as críticas no partido que fundou e que hoje é presidido por Pedro Passos Coelho. Em pouco mais de cinco anos, aqueles que teve de vida com o seu PPD-PSD, Sá Carneiro colidiu com Emídio Guerreiro, Sousa Franco, Magalhães Mota, Mota Pinto, com os “Inadiáveis” (Francisco Pinto Balsemão escapou por pouco…), com Ramalho Eanes, o Presidente da República que ele escolhera como candidato. O que se dizia dele é que era «conflituoso», «inconstante», «imprevisível», «teimoso» e, sobretudo, «bom na oposição, mas, provavelmente, péssimo na chefia do governo». Quando chegou ao governo e chocou, de frente, com um Presidente da República que não o deixava governar, logo, pelo PSD, se soltaram vozes que diziam que Sá Carneiro era «excessivo» e que Eanes é que tinha razão, que era necessário «colaborar» com a presidência e com o presidente! E no dia em que morreu, muita gente terá ficado aliviada: no fim de contas, o que seria do partido e do governo no dia seguinte à derrota presidencial? Sá Carneiro anunciara que deixaria o governo se Eanes ganhasse a presidência. Insistiu num candidato – Soares Carneiro – que alguns criticaram abertamente e muitos mais em surdina. Assim, malgrado a tragédia, as coisas retomaram a sua ordem normal. Não era disso que, afinal, todos precisávamos? Não é de normalidade que todos hoje precisamos? O que interessa se Sá Carneiro podia ter razão? De que interessa se Passos Coelho pode ter razão? Afinal, ontem como hoje, o governo não governa? As instituições não instituem? O Presidente não anda sorridente? Os chatos, os inconvenientes, os insatisfeitos servem para quê? Num país monotamente situacionista, de respeitinho venerando e rasteiro, de submissos ao poder, a qualquer poder, quem foge à norma, não serve, não presta, está a mais. Afinal de contas, todos temos de concordar com a nacionalização (temporaríssima) do Novo Banco. E quem não concordar não é bom português, não é bom patriota. Não é assim, Dr. Rio? Não é assim, Dr. Rangel?
“tentativa desesperada de imigração ilegal” com documentos válidos para circulação?
«Os dois argelinos que ontem fugiram de Aeroporto de Lisboa já foram sujeitos a interrogatório judicial, um deles irá ser expulso do país, mas o outro vai permanecer porque tem documentação válida para circular no espaço europeu.»
Primeiro os argelinos coitados estavam tão desesperados para ficar em Portugal que, coitados, desataram a fugir na pista do aeroporto. Depois, certamente tiveram uma epifania e acreditaram que se fossem para a estação do Oriente já estariam na sua Argélia natal, o que não deixa de ser verdade pois a estação parece concebida para funcionar algures no norte de África.
Detidos os argelinos na estação do Oriente – era castigo suficiente obrigá-los a utilizá-la durante uma semana – ficámos a saber que um dos candidatos à “tentativa desesperada de imigração ilegal”, no dizer do nosso Governo, afinal tem documentação válida para circular no espaço europeu. Não só causa espanto que um homem com tal documentação desate a fugir numa pista de aeroporto como ainda que apesar de o ter feito a documentação não deixe de ser válida. Algo não bate certo nesta história.
“Je Suis” Energúmeno(a)
Caro Miguel Sousa Tavares,
Faço parte do grupo dos energúmenos do facebook e por isso, permita-me estas palavras:
A Soares eu não devo nada. Porque o combate contra a ditadura foi conquista de gentes de norte a sul, materializado pelos militares de Abril, enquanto Soares fazia alianças com Álvaro Cunhal em Paris, visitava Rússia para angariar donativos, e recebia de Kadafi. O combate contra a ditadura comunista foi obra de Salgado Zenha, Grã Bretanha, EUA e militares portugueses. Soares foi apenas o burguês no exílio a quem a Internacional Socialista chamava de “Kerensky Português” e que seu amigo Zenha deixou que brilhasse com os louros. Ler mais…
Assim nem dá luta
Paulo Rangel diz que Passos não devia excluir a nacionalização do Novo Banco.
Esta mania de querer parecer diferente em tudo do líder do partido, maleita que afecta várias pessoas com acesso ao espaço mediático – provavelmente por isso mesmo – já deixou de roçar o ridículo para abraçar por completo o estapafúrdio. Críticas haveria a fazer a Passos Coelho, mas declarações destas só o fazem parecer um farol de sensatez. Um bocadinho menos de tacão, se faz favor.
As mistificações de Louçã
A ler José Milhazes sobre o prefácio escrito por Francisco Louçã para
“Estaline” de Simon Sebag Montefiore que está a ser publicado pelo Expresso
Escreve Louçã: “A tragédia do século XX é esta: uma revolução contra uma ditadura e uma guerra, que libertou milhões de servos e prometeu o fim da exploração, que se anunciou como a alvorada de uma humanidade cooperante, foi dominada por uma burocracia fechada, temerosa e por isso agressiva, cujo poder se ergueu sobre uma pirâmide de vítimas”
Como escreve Milhazes a revolução comunista não foi feita contra uma ditadura, mas sim contra uma democracia pluralista saída da revolução de Fevereiro de 1917, a servidão tinha sido abolida em 1861 e quanto a Lenine ser contra a guerra… bem o melhor é mesmo ler o texto de Milhazes.
Como está bem de ver queriam regressar a casa
Dois argelinos que tinham fugido do aeroporto de Lisboa foram apanhados na Gare do Oriente
Ps. Esperemos que a destravada arquitectura da estaçã não os tenha feito constipar ou ainda temos de os indemnizar
Felizmente vêm aí os robots
O governo alemão deu um passo decisivo (DECIDIU O JORNALISTA) para que a igualdade salarial entre homens e mulheres se torne uma realidade ao aprovar, esta quarta-feira, a proposta de lei que visa esse objetivo (COMO EXPLICAR QUE O FACTO DE O OBJECTIVO ESTAR INSCRITO NA LEI NÃO IMPLICA QUE A LEI CONTRIBUA PARA O OBJECTIVO?).
Com a nova lei, as empresas com 200 ou mais funcionários passam a ter de divulgar aos seus colaboradores os critérios que determinam os diferentes salários – e, se não conseguirem justificar salários desiguais entre homens e mulheres, podem ser processadas (LOGO MANDA O BOM SENSO TER APENAS 199 FUNCIONÁRIOS).
As empresas com 500 ou mais funcionários serão mesmo obrigadas a prestar informações regulares sobre os seus esforços para a igualdade de pagamentos. (PORTANTO QUANTO MAIS SE EMPREGA MAIS PENALIZADO SE É.)
Além do burocrata encarregue de produzir informações regulares sobre os esforços da empresa para a igualdade de pagamentos esta parvoeira interessa a quem? O legislador está a precisar urgentemente de um mergulho na vida real.
Soares
Nas eleições presidenciais de 1986 votei em Mário Soares na segunda volta contra Freitas do Amaral. Votei conscientemente. Andei com autocolantes do MASP (ia busca-los à sede de campanha, no Saldanha e distribuía pelos colegas no Técnico) e estive no comício do Rossio onde ouvi o Rock da Liberdade, cantado por Rui Veloso com letra do cineasta António Pedro Vasconcelos.
Em 1986 Soares era muito merecedor desse voto.
Na história do pós 25 de Abril, a favor de Mário Soares tínhamos o Verão Quente, quando o PCP tentou instalar uma ditadura em Portugal (olhe que sim, olhe que sim) e ele esteve no lado certo da barricada sendo mesmo uma das figuras principais dos que lutaram pela democracia. Contra ele, o papel ainda hoje não completamente esclarecido que desempenhou na descolonização e que lhe garantiu o ódio desmedido de meio milhão de retornados.
serve para quê?
Falimos em 2011, a culpa foi da crise internacional. Sobem os juros, a culpa é da Alemanha. Vão os bancos à falência, a culpa é do BCE. Entramos em crise económica, a culpa é da União Europeia que não negoceia a nossa dívida. Em conclusão: o governo português serve para quê?
Passado inesquecível
A adesão popular às exéquias fúnebres de Mário Soares foi extremamente baixa, em particular se comparada com a adesão demonstrada aquando da morte de Álvaro Cunhal. Ninguém com um mínimo de testa consegue refutar isso.

Significa isto que Cunhal era mais popular na data da sua morte do que Soares? Talvez. Ou, talvez signifique apenas que entre 2005 e 2017, algures, provavelmente no início desse período, o regime da mitologia abrilista tenha falecido e ninguém se lembrou de avisar os jornalistas. Isto não significa, necessariamente, que vem aí o Kaiser Wilhelm II – o ou seu equivalente nacional da Cova da Beira. Pode significar que o regime normalizou e já não necessita de uma individualidade para posters.
Pessoalmente, não creio – de todo – na última hipótese. Com um presidente entertainer e um governo que pondera a nacionalização de um banco, parece mais do que evidente que o conceito de uma democracia liberal moderna é demasiado avant-garde para a nação lisboeta e, consequentemente, para o resto do país, que vai sempre no banco de trás.
Claro, podemos sempre afirmar que a falta de adesão popular na homenagem a Soares foi incitada pelo primeiro-ministro, que disse, alto e a bom som, algo como ‘não parem o que estão a fazer por causa disso’, que foi exactamente o que ele fez. Já ninguém se poderá queixar que os políticos não dão o exemplo.
Nada disto é motivo para ficar triste. A cerimónia fúnebre de Soares, não tendo sido para a população em geral, foi extremamente importante para os jornais e televisões. Jornalistas e comentadores, sozinhos, encontraram-se num imaginário colectivo que só eles lembram, choraram por todos nós e deram alento uns aos outros, o que não deixa de ser bonito, para quem gosta de filmes de Bollywood.
foi assim

E não é que não foi muito diferente do que tinha sido imaginado pelo Vitor?
À procura doutro pai
não é bem assim, camarada
«A história não se apaga», disse, hoje, o camarada Jerónimo de Sousa sobre Mário Soares. Olhe que não é bem assim, camarada, olhe que não…

No Funeral… Em Videoconferência
Enquanto Portugal inteiro, da direita à esquerda, enaltece os feitos heroicos de Mário Soares, falecido este sábado, pela democracia, que faz António Costa? Continua tranquilamente na terra das vacas sagradas, sem previsões de estar presente no funeral do fundador do partido que ele representa. Na verdade, ele está certíssimo: os líderes que ele efectivamente representa, do BE e PCP, ainda não faleceram. Por isso isto não passa de um “fais divert” para o qual uma videoconferência fúnebre é mais do que suficiente. Por outro lado, é sabido que Costa é coerente no actos que pratica e se traiu José Seguro e governa com comunistas, como pode ele estar do lado de Mário Soares, que impediu uma ditadura comunista em 75 e era defensor acérrimo da liberdade? Ler mais…
Portugal é maricas
Era sabido, por muito que fosse coisa que não se mencionasse, que o regime tinha trejeitos efeminados. Sempre foi demasiado dado a conversas cuscas e comparações que só donas-de-casa sexualmente negligenciadas fazem, como “o meu rabo é mais firme que o da Alemanha” ou “depois de amamentar um ditador por tantos anos, as minhas mamas ainda são mais firmes que as das inglesas”. Algumas pessoas – grupo em que me incluo – suspeitavam que o país pudesse ser homossexual, o que não teria qualquer mal, e até justificava a relutância de refugiados muçulmanos em serem co-adoptados. Porém, não se trata de mera homossexualidade: o país é completamente maricas, tão larilas como D. Sebastião a dançar YMCA em frente a um poster gigante da Judy Garland.
Sem entrar em polémicas desnecessárias, morreu um político. É verdade que tinha 92 anos, que estava gagá há algum tempo – o que o levava a associar terramotos à austeridade que mata –, mas, ei, durante os loucos anos de Passos Coelho, quando toda a gente enaltecia a unha encravada como se de intratável cancro se tratasse, tudo aparentava a mais perfeita normalidade. Era o nãoseaguentismo. E até se percebia: depois de Sócrates seria impossível aceitar um governo sem lenhadores portadores de grosso machado que nos preenchesse o vazio emocional. Contudo, agora que Soares faleceu, toda a imprensa decidiu assumir que a vida é um cabaret, old chum. Portugal saiu do armário vestido de lantejoulas.
Que parte do nosso corpo descarnou subitamente?
O que nos falta se ele nos deu tudo o que era?
Se não há tragédia nem surpresa?
É o adeus.
O adeus dói.
Pá… Se isto fosse sobre um pai, uma pessoa calava-se, teria pudor em gozar com a dor de um filho que prova a amargura fulminante da nova condição de órfão. Se João Soares publicar algo, uma pessoa cala-se. Agora, não se tratando de um filho sobre a perda do pai, o que leva esta gente a escrever baboseiras sentimentalistas ao som de Richard Clayderman? Mariquice. É um país decorado com grande arco-íris, hippies nus dançando Age of Aquarius e espirros na imprensa por alergia ao excesso de maquilhagem. Já nem há alertas de pólen no ar, agora saímos de casa e regressamos carregados de pó-de-arroz.
Cambada de mariquinhas. Adianta muito dizer que se quer acabar com estereótipos – acabar com estereótipos é acabar com os portugueses. E se dúvidas haviam sobre a visita do doutor Costa à Índia, já se dissiparam: isto é só Bollywood e pipocas – sem manteiga, se faz favor, que comi um queque para aliviar o choro de ver o cão a ser vacinado.
Vai ser assim

dr. costa e mr. babush
Desrespeitoso, o comportamento de António Costa na morte daquele que foi o fundador do partido que ele hoje lidera e que se sentou, durante anos, na cadeira onde ele hoje se senta. É certo que uma visita de estado de um primeiro-ministro é uma visita de estado, mas as autoridades indianas certamente perceberiam que Costa, nestas circunstâncias, a suspendesse ou encurtasse.O pior, porém, nem é Costa não estar no funeral: é fazer-se aparecer por videoconferência. É que, nestas circunstâncias, o que interessa é a presença pessoal. Só com ela se faz sentir o apoio aos familiares e amigos das pessoas que partem. Não podendo estar, por razões intransponíveis, um discreto telefonema, se ele for possível, uma sóbria mensagem escrita a um familiar mais próximo, recomendam-se. Agora, enfiar uma tela no enterro para aparecer e, quem sabe, fazer um discurso sobre as altas qualidades do morto, é um exercício de soberba e de pura propaganda pessoal.Por outro lado, tanto quanto se sabe, o protocolo de estado estava a preparar o funeral de Soares de há várias semanas, sabendo-se, por isso, que estaria por dias a morte do fundador do PS. Nessas circunstâncias, a viagem à Índia não deveria ter sido adiada? Por último, a emenda a piorar o soneto: Santos Silva regressa a Portugal e António Costa continua a passeata pela terra dos seus antepassados. Vem o número dois no avião que também poderia trazer o número um. Que só não virá porque, obviamente, acha que não tem que vir.
não se fazem santos como antigamente
«Se houver recessão na Europa, não há Santo António que nos valha», terá dito, segundo o Expresso, Augusto Santos Silva. Ora, se bem me lembro, a estratégia infalível que o PS tinha apresentado para acabar com a austeridade e a via de submissão aos credores seguida pelo anterior governo, era a do crescimento económico através do aumento do consumo interno, provocado pela recuperação dos rendimentos capturados aos portugueses pela austeridade. Esse era o «milagre» que nos foi proposto pelo António que chefia o actual governo. Afinal, por estas declarações de Santos Silva, o milagre era empurrar com a barriga para a frente e pendurar o país no Banco Central Europeu. Se este se constipar, não há, pelos vistos, António que seja santo. É, talvez, por causa disso que toda a esquerda anda, em desespero, a ver se o PSD muda de líder. Não vá haver uma súbita conversão dos eleitores ao Senhor dos Passos…
Curta resposta a Pacheco Pereira

Diagrama do funcionamento das redes
Eu entendo as críticas de Pacheco Pereira, sinceramente. Porém, “as redes sociais, que, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação”, é uma afirmação engraçada, que pode ser reescrita assim: as tascas e os ranchos folclóricos deste país, assim como a cooperativa e a casa do povo, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação. A diferença é que, bem ou mal, nas redes escrevem, ao contrário do que acontece nos sítios mencionados, onde só falam – e se falam mal, nunca escreveriam bem.
Como não quero crer que, para Pacheco Pereira, um ajuntamento de três seja uma manifestação (ou pior, um factor de crescimento e consolidação do populismo), vou presumir que, muito simplesmente, se tratam de observações de um homem muito, mas mesmo muito, solitário.
Os juros da dívida podem esperar
É com enorme consternação que verifico que trinta horas de debate nas várias estações de televisão não conseguiram determinar a plenitude da “angústia das vítimas” que espancaram o miúdo. Qual miúdo? Aquele que passa de dez em dez minutos em qualquer canal de televisão, o que está no chão, a ser socado e pontapeado por pessoas a quem a sociedade deve carinho e compreensão. Seria de pensar que isto se resolvia em dez ou quinze minutos: culpava-se a austeridade do Passos Coelho e a casmurrice do Cavaco e passava-se, finalmente, aos juros da dívida superiores a 4%. Mas não, é um caso muito complicado que merece toda a nossa atenção, dedicação e atenta audição de peritos com o gabarito de um Adão e Silva ou um Adão e Silva. Os juros terão que esperar.
Estou certo que Francisco Louçã concederá a estas pobres vítimas, as que não conseguiram controlar a ira capitalista, a absolvição necessária pelas nefastas consequências da não nacionalização imediata do Novo Banco, do Santander e da casa da mãe dele. Tenho a certeza absoluta que o Daniel Oliveira escreverá um daqueles textos caríssimos no Expresso, ditado para o seu iPhone, daqueles que têm que ser cortados a meio para embrulhar uma dúzia de castanhas assadas, onde decretará a inabilidade do CDS para educar correctamente as crianças em escolas privadas sem a influência nefasta do capitalismo selvagem. Mariana Mortágua dirá, certamente, que o BES tinha mesmo uma funcionária muito gira que também curte St. Vincent lá no balcão do qual o papá tem o projecto de arquitectura e todas as especialidades de engenharia. Adão e Silva dirá o que sempre diz, obviamente, que é aquilo que nós sabemos que ele sabe dizer, coitado. Marques Lopes dirá que não anda a criar filhos para que a radicalização do PSD origine um desequilíbrio sócio-económico ao ponto de ter dúvidas da sua sexualidade, não que tenha mal algum. Por fim, Fernanda Câncio vai falar da vez em que o PSD impediu que o namorado lhe arranjasse um programa na RTP e ahahahahahahahahahaha, que sou uma desgraçada, os abutres só falam de mim, eu nunca falo de mim excepto daquela vez que o PSD impediu que me arranjassem um programa na RTP, e ninguém tem nada a ver com fufas e gays por isso vou já falar deles mais um bocadinho, tudo em minúsculas, excluindo o wonderbraTM, mudança de sexo para todos e um aborto para todas, ai de quem diga “maricas”.
Os juros da dívida podem esperar.
O Ano da Geringonça
O ano de 2016 será eternizado com a estreia nacional da primeira novela com a maior audiência até hoje, interpretada por um elenco nunca visto que juntou socialistas a comunistas na governação. Durante um ano conseguiu prender, diariamente, 10 milhões de pessoas que acompanharam com atenção, cada episódio.
O Ano da Geringonça (assim intitulada a trama), foi rica em encontros e desencontros, amores e afectos, comédia, tragédia, suspense, cusquices e até, divórcios. Elogiada pelo Financial Times e DBRS, e alguns cromos em Bruxelas, destacada e apoiada por toda a comunicação social, e alguns políticos de destaque duvidoso, mostrou ser o maior êxito até hoje nesta categoria. Vai fazer história. Ai vai… Vai… Ler mais…