por qué no hablas?
Enquanto toda a imprensa generalista e especializada dá, com algum alarme, a notícia da subida dos juros da dívida pública portuguesa acima dos 4%, o Diário de Notícias, esse extraordinário jornal que demite os colunistas mais lidos para, em sua substituição, contratar ex-ministras socráticas, não aflora, sequer ao de leve, o assunto. Na edição on-line das últimas horas podemos encontrar notícias e artigos sobre o magno problema, que toda a gente já percebeu como é que vai acabar, da imunidade diplomática dos filhos do embaixador iraquiano, sobre uma tentativa de homicídio de uma mulher em Grândola, outra sobre o modo feroz como a distrital de Lisboa do PSD se relaciona com o actual líder do partido, Passos Coelho e, o mais importante, uma entrevista ao primeiro-ministro indiano a elogiar as altas qualidades de António Costa. Quanto aos juros da dívida, no pasa nada. Adiante.

Um grande abraço de todos os portugueses
pum!
Afinal, parece que vem aí estoiro (ou o diabo?) a caminho: os juros da dívida pública a 10 anos ultrapassaram os 4%, limite máximo para o conforto, ou o desconforto, da DBRS, essa exótica agência de rating, cuja principal função é aguentar países pendurados por um fio de cabelo no precipício. Na iminência de uma nova ruptura de tesouraria do estado («falência», em linguagem menos técnica), que, certamente, o Senhor Primeiro Ministro nos explicará com um sorriso aberto nos lábios, lembrando as responsabilidades do anterior governo e de Passos Coelho por não terem nacionalizado todos os bancos portugueses, e assegurando que tudo irá correr bem, até porque não é nada a que não estejamos habituados, há que ser justo com o actual governo. Há que reconhecer que a culpa não é nossa! Nestes últimos meses, continuámos a fazer tudo o que era possível para tornarmos a nossa economia mais resistente e competitiva: reformamos o estado, a legislação laboral, baixámos os impostos, reduzimos a dívida pública proveniente da despesa corrente do estado e da sua administração, privatizámos as empresas que dão prejuízo ao erário público, vendemos as que dão lucro (?) para encaixarmos receita, não revertemos privatizações para não alarmarmos investidores, apostámos em captar o investimento estrangeiro com políticas amigas do sector privado, não criámos mais impostos para não assustarmos os investidores, pedimos mais trabalho aos portugueses em vez de mais tributos, não entrámos em loucuras despesistas para pagar favores aos sindicatos com dinheiro que não temos, etc.. Mais uma vez, se isto der para o torto, a culpa não será nossa. É do estrangeiro, que não dos deixa nunca em paz: do FMI, da Merkel e do Bilderberg, que conspiram contra nós, do Trump, que é um nojo, e, sobretudo, dos mercados, dos malditos mercados contra os quais, há uns poucos anos, um grupo de notabilidades apresentou uma queixa-crime no Ministério Público. Ignoro a evolução da queixa e se algum «mercado» já foi preso, como deveria ter sido, mas há uma coisa que sei: se isto estoirar, a culpa não é nossa! Nunca é, pelo menos nos últimos 200 anos. Isso mesmo ser-nos-à garantido pelo Senhor Presidente da República, pelo Senhor Primeiro-Ministro e por aquele rapaz com um ar atarantado que tão bem toma conta do tesouro público.
Não há nada para ver
Lendo os relatos dos bombardeamentos a Londres, percebemos, se quisermos, que as pessoas habituam-se a tudo. A vida lá vai seguindo, entre sirenes, não como dantes, mas como der. Não é necessário, porém, recorrer a situações tão avassaladoras para se compreender que as pessoas romantizam o passado – para o melhor e para o pior – e asneiam pelo futuro, que vêm tendencialmente como rumo a um destino final qualquer, apesar de milhares de anos de história que demonstram o contrário.
Juros a 4% não é grande notícia nem motivo de alarme. Haveria de acontecer, estava anunciado, nem sequer é o colapso que inevitavelmente levará ao 4º resgate (eu gosto de contar a totalidade do que o regime nos providencia). Até lá, altura em que pegam com irritação num ancinho em forma de cruz no boletim de voto, estamos habituados à geringonça e ao palermita do primeiro-ministro. Não há nada a fazer. É, inclusivamente, um desperdício perder tempo com o assunto. Importante é que, enquanto folgam as costas, ninguém se ofenda, nem os maricas, nem as justiceiras sociais que sofrem da tara sexual de empatia por procuração. Quando estas tolas estão bem, estamos todos bem.
E, quanto ao senhor presidente, peçam-lhe para ir tirando umas selfies com os gráficos das taxas de juro, que é para que não faltem documentos para o museu do regime.
Conclusão:
Nem sequer um banco «bom» o Banco de Portugal conseguiu criar.
Tendo a faca e o queijo na mão, o BP não conseguiu evitar que o Novo Banco seja ainda visto como um «banco mau». É obra!
Não se passa nada
É só uma questão de tempo até Portugal entrar na vanguarda do tratamento hormonal de crianças para retardar a puberdade até à realização da cirurgia de mudança de sexo que permitirá tirar uma selfie com o presidente da república no dia da comenda. Querem ir pensando nisso ou não é da vossa conta? Só é da vossa conta que alguém use palavras como “maricas” em humor, não é? Pois é.
Momento erudito da direita bronca
Não haverá kedeshah entre as filhas de Israel; nem nenhum filho de Israel será kedesh.
Deutronómio 23:17
Kedeshah (קדשה) não se refere à prostituta vulgar, a que vende ou oferece sexo a homens que o procuram. Refere-se, na antiga religião dos cananeus, à consagração feminina na prática de rituais sexuais em contexto de adoração sacra. Na presente tradição judaico-cristã da Europa não se reconhece a kedeshah, unificando conceptualmente toda e qualquer mulher que pratique sexo fora da consagração matrimonial como sendo zonah (זנה) – e que denominamos simplesmente por prostituta.
Ao longo da história, milhares de mulheres desempenharam papel semelhante ao de kedeshah perante homens sedentos do poder do reconhecimento público. No republicanismo laico militante, são mulheres que atraem homens simplórios, desejosos de atingirem o patamar do reconhecimento pela casta que consideram a nobreza da metrópole em busca de trabalho que permita alcançar um ou outro tachito na hierarquia clerical que é o Estado. Na impossibilidade de chegarem directamente aos poderosos, seguem com veneração e dedicação de culto quem destes mais se aproximou – as suas meretrizes.
Actualmente, com a gritaria constante – como diria o comunista Arnaldo Matos, “o putedo” – parece ser nas redes sociais onde, em primeira instância – antes de se poder sonhar com a cama – o cortejo é praticado com o zelo de funcionalismo público. Na realidade, as redes são apenas a face visível da estimulação pré-acasalamento que os candidatos crêem originar concessão de poder. Porém, feitas as contas e analisando os resultados, o que se observa é que a kedeshah não passa de simples zonah.
um aviso à navegação
A saída de Alberto Gonçalves do grupo de colunistas do Diário de Notícias, que teve lugar nesta “refundação” do jornal e tem passado praticamente despercebida, parece uma coisa vulgar, a não merecer grandes comentários. No fim de contas, comentadores políticos e jornalistas vão e vêm, e não será a primeira nem a última vez que o DN troca de colaboradores. É? Não é. Ou melhor, poderá não ser. Vejamos porquê.
AG era dos poucos colunistas regulares da imprensa portuguesa a criticar violentamente o governo. E era um dos mais lidos, senão mesmo o mais lido, do jornal que prescindiu da sua colaboração. Estes dois factos conjugados demonstram que houve, não uma intenção comercial, mas um propósito político na demissão de Gonçalves. Esta poderá ter tido uma de duas motivações possíveis: ou alguém no DN quis agradar ao governo ou alguém ligado ao governo pediu ao DN este agrado. A primeira hipótese é lamentável, mas não é excessivamente grave, porque apenas compromete um grupo de comunicação social; a segunda será lamentável e gravíssima, porque compromete o governo do país.
Evidentemente que, sem factos, permanecemos nas teorias da conspiração. Todavia, existem alguns sinais preocupantes que não podem ser desconsiderados. O primeiro é que não existe, na comunicação social portuguesa, ninguém que diga o que dizia AG sobre o governo, com a contundência e a assertividade com que o fazia. Evidentemente que – dir-se-á – existem mais jornais e revistas em Portugal, e nada aparentemente impedirá que AG escreva nalgum deles. Aliás, já o faz na Sábado, pelo que poderá fazê-lo noutro lugar. Contudo, há uma lição deste caso, que ficará como exemplo: uma coluna de opinião contrária ao governo e com anos de existência e sucesso, foi encerrada por decisão editorial dos responsáveis do jornal. Fica um aviso, e um aviso muito claro de que só a opinião mansa, a que não faz ondas nem causa mossa, é tolerada. A outra é mal vista e, assim que possível, silenciada.
Um aviso que não pode ser dissociado das crónicas dificuldades de António Costa em lidar com a comunicação social que lhe é crítica: com José Rodrigues dos Santos; com o email remetido a João Vieira Pereira; com as entrevistas azedas, nas televisões, sempre que é posto em causa, com o voltar de costas a jornalistas que o interpelam sobre assuntos que não lhe agradam. Depois recordem-se os episódios, ainda recentes, do envolvimento de Sócrates com a comunicação social – desde as tentativas de compra e silenciamento da TVI e de Moura Guedes, aos negócios ruinosos de Joaquim Oliveira, feitos à custa da Caixa e do BCP, passando pelas ingerências nas redacções, a criação paga de blogs amigos, etc. – e fica composto um cenário que se espera não volte a repetir-se. Infelizmente, não é isso que augura esta demissão de Alberto Gonçalves e é por isso que ela é importante.
Pela pureza da raça

Em conversa com um amigo que possui um cão de raça pura, descobri uma profissão altamente especializada com designação de masturbador canino. Aparentemente, para a pureza da raça, proprietários permitem a colecta e armazenamento criogénico do sémen de machos para efeitos de reprodução controlada de fêmeas cuja pureza racial tem que ser assegurada sob risco de se tornarem liberais ou algo assim. Algumas raças de cão são tão puras que nem se incomodam com rituais de acasalamento milenares baseados em divertida fricção. Eis que, nestes casos, entra o masturbador canino, pessoa cuja função é a de recolha do material genético através de meticulosa oscilação cientificamente comprovada do falo do cão. Técnicas auxiliares como aromoterapia, reiki canino e decoração da casota com fotografias de cadelas em fato de banho – ou burqa, para cães de religiões alternativas – são utilizadas pelos profissionais mais dedicados. Inicialmente, por nunca ter ouvido falar de tal coisa, fiquei um pouco surpreendido com esta actividade profissional, em particular sobre a ausência de inscritos para a desempenharem no IEFP, o que só mostra que é área intocada pelo flagelo do desemprego. Depois, ao olhar para o quiosque, vendo uma série de jornais que ninguém compra, percebi tratar-se de uma profissão que existe desde que a primeira redacção noticiosa foi criada. Pense bem: profissão que faz o que for necessário para assegurar a pureza da raça é uma das espécies de jornalista.
No Facebook, inadvertidamente, abri um link de um jornal do PS onde acabei por ler um artigo de senhora com fotografia de ar esbaforido – que não conclui ter origem em químicos ou em falta de discernimento. Reconheço-a: é aquela pessoa que tanto chinfrim armou por dizerem ser namorada do Sócrates e que só a pretensão de não restar vivalma no país sem o saber justificaria tamanha indignação. É, para além disto, a responsável do departamento de recursos humanos no âmbito de colunistas para o Diário de Notícias, o sucessor noticioso que é mais buraco que o próprio Acção Socialista (doutora Edite Estrela, não se ganham todas). Percebi, de imediato, que o artigo pretendia ser uma espécie de resposta a um artigo do André Azevedo Alves n’O Observador sobre o lobby gay e fui ler. Pelo que consegui perceber, é suposto não se fazer piadas com homossexuais, só com “pessoas normais” (palavras da autora). Diz-nos, numa escrita irónica que domina com uma argúcia de wonderbra, que “toda a gente sabe que o que tem graça é fazer pouco de quem está em situação de inferioridade ou de menos poder, dos indivíduos ou grupos com os quais a maioria não se identifica. Qual a graça de fazer pouco de homens hetero brancos de classe média, por exemplo?” E tem razão. Seria muito mais útil fazermos piadas com homens hetero brancos de classe média, com católicos brancos de classe baixa e – porque não? – com mulheres solteiras de meia-idade levadas de férias por homens de negócios e da política que acabam suspeitos de corrupção. Eu incentivo.
Assegurar a pureza da raça é um trabalho a tempo inteiro, quer nos canídeos, quer no humor. Através de especializações como a do masturbador canino ou do colunista regulador das piadas que devem ou não ser feitas, a coisa compõe-se. Uma coisa é certa: o Diário de Notícias está no bom caminho para liderar esta tão fundamental pureza de raça.
Foi-se a Cornucópia, ficam os originais
Tenho notado que há pouca gente a imolar-se pelo fim da Cornucópia, logo agora, no Inverno, que até sabe bem estar ao lado do braseiro. A indústria da indignação já não é o que era. No tempo em que a descida da TSU era péssima ideia, as pessoas agitavam-se em plena comunhão indignada, isto independentemente das origens de cada um. Era vê-los, desde os defensores do aborto livre aos melancólicos pela inoportunidade de o terem praticado antes dos quinze anos; os co-adoptadores e os co-adoptados; os homossexuais que não aguentavam que ninguém quisesse o seu sangue e os vampiros – aqui já estou a inventar, são todos vampiros; as senhoras que choravam no ombro do António José Seguro e as estrelas que editam ou as serranas loas a Hollande, o pio. Hoje ninguém se indigna, o que está bem.
Ser cornudo é humilhante. A expressão, oriunda do hábito do veado em ceder a parceira quando derrotado num confronto com outro macho, aplica-se bem aqui: tudo está bem quando acaba bem, sem choro. A Cornucópia – termo confundível com a noção de cópia do corno – nunca poderia fechar antes do metafórico confronto dos machos. Agora, que foi auto-declarado um vencedor, já pode fechar à vontadinha, que a gente cá fica no quentinho da caminha do vencedor, à espera que este se lembre do prémio.
Feliz 2017. Ides precisar.
Como encontrar namorada
Nada é tão maçador no Portugal contemporâneo que aqueles homens que, para agradar a meia dúzia de sopeiras desesperadas por atenção, propagam em jornais lérias que consideram, na inocência parda da virgindade, como de teor feminista. Teclando com a mão esquerda – sempre a esquerda, viva a esquerda! -, mantêm a direita debaixo da secretária, escondida, lá na sua vidinha que permite sentirem o contacto com o seu lado feminino, que é como quem diz.
Rui Tavares, porém, prevê já para novo ano de 2017 ver-se rodeado de homens. Não julgo. A vida privada de cada um é com cada qual, não tenho nada a ver com isso. Mas, por outro lado, se não tenho nada a ver com isso, porque o leio num jornal? A única explicação é o autor querer que eu tenha mesmo a ver com isso. Assim sendo, doutor Rui Tavares, fico lisonjeado com o convite, mas não é coisa que me desperte interesse. Bem sei que poderei estar a perder uma experiência única (bem, única não será, que o plural “homens” é usado no artigo), mas mais vale que seja directo do que andar a dar-lhe falsas expectativas.
No entanto, poderei ter percebido mal o problema. Pode dar-se o caso de o doutor Rui Tavares estar com dificuldades a conhecer mulheres. Assim sendo, uma ideia: reuniões da Tupperware. Em primeiro lugar, são bastante concorridas por mulheres; em segundo lugar, encontrará com toda a certeza um grupo bem mais numeroso do que nas assembleias do Livre, que é para não falar de eleitores.
Por último, explico que decidi ilustrar este post com uma fotografia de pessoa que publica o tipo de texto que o doutor Rui Tavares escreve. Como poderão verificar, a esta pessoa nunca falta alimento na presença de uma mulher a sério.
Adenda: Disseram-me, entretanto, que o doutor Rui Tavares está é a queixar-se da falta de mulheres na vida pública (que para ele é a política e a academia – tem que sair mais). Assim sendo, tenho uma solução: passe a liderança do partido unipessoal a uma mulher.
A Minha Mensagem de Natal ao Dr. Costa
Faço parte daquela maioria quase absoluta, e silenciosa, a quem lhe foi roubado a voz, depois de claramente se ter exprimido nas urnas. Por isso, permita-me este grito de revolta, depois de ouvir sua mensagem de Natal.
O nosso maior défice não é de conhecimento, não senhor, é de governação. Andamos à deriva desde que implantamos a República em 1910. E sabe porquê? Porque o poder transforma alguns adultos em crianças birrentas incapazes de colocar a Nação à frente de qualquer interesse pessoal. Por isso, temos também maior défice nas contas deste país, onde se gasta o que não se tem, onde não se produz para ter, e depois se mendiga nos mercados, penhorando gerações inteiras sem escrúpulos. Num país onde o cidadão comum, só por atrasar impostos, mesmo depois de pagos, é colocado na frente de um juiz e responde como um criminoso, por se entender que lesa o erário público, como pode o Governo lesar com dolo, de forma continuada, 10 milhões de pessoas e ficar impune? Ler mais…
Explicar o óbvio
Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os maricas são palermas transmissores de SIDA. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os pretos são burros. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os socialistas são umas bestas. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os chineses são amarelos papa-arroz. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o holocausto nunca existiu. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os escravos viviam melhor sob a força de chicote. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que árabes pinam cabras. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que uma mulher de burqa parece um apicultor de luto com comichão nas virilhas. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os judeus têm narizes que parecem ferros-de-soldar para farejarem dinheiro. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que os católicos são beatos assexuados com desejos pedófilos. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que a Isabel Moreira, mesmo para fufa, é feia como breu. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o Passos Coelho é um pelintra de Massamá subserviente à gorda da Merkel. Qualquer pessoa tem o direito a dizer que o monte de banha com caril do nosso primeiro-ministro é um imbecil.
E a única coisa que vós podeis fazer é pensar que quem o diz é parvo. Agora ide ganhar juízo.
más notícias para antónio costa
Mário Alberto Nobre Soares foi chefe do governo português por três vezes, nos 1º, 2º e 9º governos constitucionais. Não saiu bem de nenhum: nos dois primeiros foi corrido pelo Presidente da República e pela opinião pública. No terceiro e último, a opinião pública foi suficiente.
Nobre da Costa (3º), Mota Pinto (4º) e Lurdes Pintasilgo (5º), que foram modestas extensões governativas da breve tentação tapioquista, latino-americana do general-presidente Ramalho Eanes, demoraram nos seus governos, em conjunto e por grosso, pouco mais de dezasseis meses, cinco meses e duas semanas, em média, cada um. Todos foram corridos por alianças negativas dos principais partidos parlamentares (PS, PSD e CDS). Nenhum deixou memória ou saudade.
Francisco Sá Carneiro (6º) governou menos de um ano. A sua morte prematura e imprevista permitiu-lhe não ser expulso violentamente do poder. Mas as péssimas relações com Eanes, o compromisso de que se demitiria caso o seu candidato presidencial (Soares Carneiro) perdesse, como efectivamente perdeu, para o presidente-inimigo, permitem supor que, pelo menos no governo que chefiou, não ficaria muito tempo, nem sairia satisfeito.
Seguiu-se-lhe Francisco Pinto Balsemão (7º e 8º), que, apesar do poder que já na altura detinha na comunicação social, acabou estraçalhado no seu partido, às mãos de personagens florentinas como Marcelo, Júdice, Jardim e Santana, que colocaram Mota Pinto no seu lugar e abriram caminho para Cavaco.
E foi Cavaco Silva o senhor que se seguiu na gerontocracia dos primeiros-ministros do PSD. Chefe de três governos constitucionais (10º 11º e 12º), chegou a ameaçar um império laranja de mil anos. Caiu na Ponte sobre o Tejo e ainda hoje, apesar de por duas vezes eleito presidente da República, não deixa boa memória no indigenato.
Seguiu-se-lhe António Guterres (13º e 14º), hoje elevado a santo, mas que foi retirado, em estado de putrefacção avançada, de um pântano bafiento, para não mais voltar.
Durão Barroso (15º) fugiu o país, antes que as setas de veneno laranja e rosa o atingissem mortalmente. Mas é óbvio que acabaria mal, se por cá ficasse. Ciente disso, zarpou para Bruxelas, donde também daí não saiu em cânticos.
Santana Lopes (16º), incauto e precipitado, não teve a mesma sorte, e foi dilacerado por um presidente que o desconsiderava e por um partido que já não o suportava. O país também não.
José Sócrates (17º e 18º) foi corrido pelo eleitorado, por Cavaco e pelo Ministério Público. Entretanto, esteve uns meses à sombra e arrisca-se a regressar a Évora, sem ser propriamente para ir jantar ao Fialho.
Pedro Passos Coelho ganhou as eleições depois de quatro anos no poder, mas perdeu a maioria que o manteria no governo. Hoje, perdeu boa parte do país. Se fosse agora a eleições, provavelmente veria os partidos da actual maioria a reforçarem-na.
Intencionalmente, porque não foram governos constitucionais, não incluímos nesta lista os quatro chefes dos seis governos provisórios, isto é, os governos saídos da revolução do 25 de Abril, até à entrada em vigor da Constituição de 1976. Mas que fique registado que nenhum deles saiu bem do poder: Adelino da Palma Carlos foi corrido como fascista (que não era), Vasco Gonçalves como comunista (que era), Pinheiro de Azevedo foi sequestrado no Parlamento e Almeida e Costa esteve lá apenas um mês, porque as eleições legislativas não podiam ser antes.
Também ignorámos os quarenta e cinco governos que a 1ª República teve em quinze anos. Mas dá para imaginar que as coisas não terão corrido propriamente bem a ninguém.
E abdicamos de falar no século XIX, após o 24 de Agosto de 1820, por razões de sanidade mental e para tentarmos conservar algum respeito pelo país.
Isto tudo apenas para dizer, àqueles que consideram António Costa um génio político capaz de inaugurar uma nova era de estabilidade que fará dele um líder inquestionado e insubstituível até à morte (e mesmo depois disso), que são capazes de estar enganados.
Mensagem de Natal

Justiça social
Os alegados «lesados do BES» são cerca de 4 mil pessoas. Investiram 490 milhões de euros. 80% deles fez investimentos até 200 mil euros (*)
Por razões desconhecidas, o governo e o PR entendem que é de colocar milhões de contribuintes a garantir que tais 4 mil investidores tenham antecipadamente retorno do investimento desastroso que fizeram.
Um texto escolar sobre o aborto
A tia Joana soubera estar para breve. A gata pariria a nova ninhada durante a noite, de manhã tratar-se-ia do assunto. Oito crias, duas delas cinzentas com listas brancas, as restantes tipicamente tabby. Cuidadosamente, uma a uma, a tia Joana mete cada um dos gatinhos num saco preto dos do lixo. Saímos o portão e viramos para rua que leva à parte não canalizada do rio, aquele que tantas vezes foi vermelho, verde e vómito-terroso da estufa de pintura automóvel do tio Albano. Descemos pelo carreiro que forma um pequeno vale entre erva densa. O saco de lixo, agitando-se, como se o Chuck Norris estivesse no seu interior a morder uma ratazana, seria colocado na região de fronteira entre a terra suja e a água encardida. A tia Joana, com um movimento reminescente dos loucos anos a dançar o twist nos bombeiros, pontapeia o saco de gatos, que descreve uma parábola antes de iniciar movimento no eixo rumo à desembocadura da diluição de lixo em dois de hidrogénio para um de oxigénio. À medida que a embarcação de plástico informe segue o seu trajecto, vai afundando, devagar, devagarinho, em oposição ao movimento no seu interior, frenética, agitada em movimentos quânticos de impossível aferição. Um útero de polietileno que desaparece no rio, contemplo.
– Porque matamos os gatinhos, tia Joana?
– Não matamos, foi um aborto retroactivo.
Pego no iPhone e fotografo o saco que se afunda. Já tenho material para o trabalho de ciências, pensei. O polícia chegou por trás. Não notamos que se aproximasse.
– Aqui tem a multinha.
– Por matar os gatos?
– Pela poluição. O saco não é biodegradável.
Aprendi uma lição sobre o aborto que a professora não tinha mencionado: os gatos são biodegradáveis, os sacos não.
– Isto não se faz, tia Joana. Não se deve poluir o rio.
Deixem os doidos falar
Esta semana houve um daqueles micro-casos em que uma pessoa um bocado chalupa expressou estupefacção pelo uso da expressão “Santo Natal”. Estamos a ficar picuinhas. Numa sociedade evoluída, qualquer pessoa tem o direito a expressar as suas ansiedades, traumas e ideias adquiridas em conceitos recauchutados que se podem encontrar em revistas de moda. Se criticamos qualquer maluquinho por dizer o que pensa que pensa, acabamos a perseguir quem diz coisas que discordamos e mudamos o nome para Francisco Louçã. Tudo menos isso. Não, gente que respeita a liberdade deixa os outros dizerem o que quiserem. Por isso, não faz qualquer sentido criticar quem se queixa do uso da palavra “santo” ou “pretalhada” – não somos socialistas, isto ainda não é um buraco.
Um Santo Natal para ti e para todos, Charlie Brown.
O Pai Natal Costa e Suas Renas
A Portugal, não podia ter calhado melhor Pai Natal. Bochechudo, barrigudito, rosadito, com ar bonacheirão, que espalha empatia por onde passa, com sua conversa fácil que toca o coração dos portugueses, Costa é dos melhores pais natais que se poderia ter.
Ainda a época natalícia ia longe e já o nosso Costinha vestia a fatiota, distribuindo promessas do fim da austeridade. Era salários mínimos a crescer para os 600 euros, era pensões, reposições de cortes à função pública, o fim da sobretaxa… Trazia um saco cheio de aumento de rendimentos que não demorou a distribuir à fartazana. Dinheiro não era problema. A Maria Luis fez um excelente trabalho e deixou cofres generosamente cheios. Vá lá… Ler mais…
Favorecimento sem razão
Costa quer «ressarcir os cidadãos prejudicados pela venda de papel comercial» do Grupo BES.
Mas porque razão o governo se mete no assunto e coloca os contribuintes e financiar tal operação de salvamento do património de uns tantos?
Tais pessoas adquiriram produtos financeiros ou fizeram aplicações por sua conta e risco.
Se correu mal, azar.
Se foram enganados ou houve fraude, há tribunais para isso.
De todo, não se compreende porque os contribuintes sejam chamados a pagar ou no mínimo a garantir o pagamento caso «corra mal» em qualquer solução para os problemas patrimoniais de investidores financeiros.
Deve haver algum interesse directo no assunto para que se usem dinheiros públicos para salvar património privado.
acção humana
Quase todas as semanas temos tido sinais contraditórios sobre a evolução da nossa economia, de tal modo que os políticos, consoante as suas preferências e os seus interesses, utilizam esses dados de acordo com as suas diferentes e contrárias conveniências. Nuns dias temos o Banco de Portugal a rever em alta o crescimento, noutros o Conselho Económico e Social revê em baixa; depois o Índice de Confiança dos empresários e consumidores é mais optimista, para ser mais pessimista na semana seguinte; mais tarde, um relatório do FMI é-nos simpático, mas logo depois vem o INE e estraga-nos a festa; numas semanas a Comissão Europeia adverte-nos de que as coisas não vão bem, para, pouco depois, a mesma Comissão nos aprovar o orçamento sem fazer críticas de substância.
Isto quer dizer, essencialmente, uma coisa: que quase nenhuma desta gente percebe nada de economia. Para eles, a economia são estatísticas, números, mapas, modelos matemáticos, efeitos experimentais, demonstrações complexas, cálculos e previsões científicas. Ora, a economia é coisa muito diferente: são as pessoas e as suas acções, e estas não são planificáveis, nem inteiramente previsíveis, nem determináveis por modelos matemáticos desenhados nas mesas de técnicos e burocratas dos ministérios. A economia são as pessoas nas suas relações permanentes de troca e interacção. É o «mercado» e o «mercado» somos todos nós: quanto mais livre ele for, mais livres nós seremos.
Pois bem, as pessoas agem em razão das suas preferências subjectivas, dos seus interesses e necessidades, fazendo-o, por princípio, de acordo com as regras da sensatez e da prudência, de acordo com a informação que conseguem adquirir e a percepção normal que têm das coisas. Infelizmente, para conseguirem resultados políticos e eleitorais, os governos frequentemente falseiam essa informação para conseguirem apoio eleitoral, como sucede, infelizmente vezes de mais, quando incentivam o crédito e expandem artificialmente a massa monetária, sem que isso corresponda a um crescimento real da economia. Estão a dizer às pessoas que devem e podem gastar, mesmo que elas não necessitem de o fazer e sem que tenham disponibilidades geradas pelo acréscimo da produção ou da poupança.
Posto isto, o que se tem passado em Portugal, no últimos meses, é que a percepção geral das pessoas, sobretudo dos que mais directamente operam na actividade económica, como sucede com os empresários, é de que as coisas estão muito longe estar bem. São pessoas prudentes e sensatas, que sabem que as grandes reformas estão por fazer, que a dívida pública continua a crescer e que os sinais de crescimento são muito frágeis, estão bem aquém das necessidades do país e da sua gigantesca dívida, e, sobretudo, são facilmente reversíveis. As outras pessoas também não estão propriamente optimistas, mas têm sido instrumentalizadas pelo governo e pelos seus parceiros com um discurso político de confiança e de optimismo, no qual o primeiro-ministro é especialista e que tem beneficiado de políticas irresponsáveis do Banco Central Europeu, cuja factura já todos pagamos sem disso nos apercebermos. O socialismo acredita mesmo que o crescimento da economia se resume a estímulos sobre a procura, gerados num ambiente favorável ao consumo, e é isso que esta gente tem vindo a fazer.
Para além do desconhecimento de quem faz e interpreta os dados económicos, a divergência sobre as notícias da nossa realidade resulta também disto: umas reflectem a opinião dos agentes económicos directos, enquanto outras transmitem os efeitos da propaganda política e das suas medidas “salvíficas”. Em tempo veremos quem tinha razão.
Caro Presidente Marcelo…
…confesso que já não suporto mais ouvi-lo dizer que tudo está bem. Que temos estabilidade. Que o país está a crescer… Deste governo que nos mente descaradamente para se manter no poder, não esperava outra coisa. Mas de um Presidente da República que dizem ser de afectos pelo seu povo, decididamente não!
Portugal, a partir de 2016, aumentou a dívida em mais 14 mil milhões. São 51 milhões de euros POR DIA contra 19 milhões em 2015, que outros estavam a baixar. Como pode dizer que o país vai bem, de sorriso rasgado na cara, se com crescimento quase nulo, quase triplicamos a dívida, só com despesa directa do Estado? Como pode também encobrir o embuste do défice, feito à conta do registo dos gastos directamente na dívida, sem passar pelo orçamento? Porque teima, juntamente com eles, nos iludir? Ler mais…
Figuras do ano para a redacção do Observador
Mariana Mortágua foi eleita figura do ano na economia pela redacção do Observador. Aqui fica o resto das figuras do ano eleitas pela redacção:
- Humanismo: condutor do camião de Marselha
- Diplomacia: assassino do embaixador russo na Turquia
- Direitos humanos: Fidel Castro
- Política: Kim Jong-un
- Direitos LGBT: violador de Telheiras
- Literatura: Arnaldo Matos
- Química: Tozé de Chelas
- Física: José Castelo Branco
- Natação: Ahmed, o refugiado de Mangualde
- Beleza masculina: Ferro Rodrigues
- Beleza feminina: Ferro Rodrigues
- Beleza pan-género: Ferro Rodrigues
- Gastronomia: Roulote do Tino, farturas e cachorros no mesmo óleo
- Publicidade: chifres pintados no cartaz de um filme que vimos naquela tarde na baixa
- Medicina: dieta da doutora Isabel do Carmo
- Melhor Perfil Tinder: Isabel Moreira
- Melhor redacção de jornal: Observador
- Pior direcção de jornal: Observador
- Controlo demográfico: novo surto de ébola em África
- Festa mais bonita: atentado bombista no aeroporto de Istambul
- Pontaria: atirador de Orlando
- Líder europeu: Tsipras
- Activismo político: Podemos
- Futuro: António Costa
- Fotografia: Marcelo Rebelo de Sousa
Ainda bem
O governo não cedeu. À cunha, ao favorzinho, à excepção sugerida e solicitada pelo personagem que ocupa a cadeira de Presidente da República em favor da Cornucópia.
Mas ainda assim não desmereceu o seu tantas vezes enaltecido desejo de ser um PR «didático», mostrando a todos os portugueses em directo na tv como é que por cá tantas vezes se tenta resolver um «problemasinho» ali dos amigos.
Da alienação
Polícia acredita que ataque à mesquita de Zurique não está relacionado ao islamismo radical, nem extrema-direita
E assim o ataque à mesquita já não interessa. Mesmo admitindo que alguém farto de viver resolve por acaso que os fiéis que se encontram dentro da mesquita lhe devem ir fazer companhia na viagem para o além custa aceitar a forma como o assunto parece encerrado, uma vez declarado que nem a extrema-direita nem os fundamentalistas estiveram por trás do ataque.
Depois dos loucos que faziam ataques terroristas enquanto entoavam vivas a Alá temos agora os suicidas que gostam de disparar contra muçulmanos que rezam numa mesquita.
Ao que chegámos
Marcelo Forrest Gump Rebelo de Sousa
Portugal tem, finalmente, um herói. Um homem que informa rainhas sobre carruagens em big squares – Uh! Craveiro Lopes, of course, silly me! -, que esteve no espectáculo de estreia da Cornucópia e que torna pão com manteiga em vichyssoise já foi retratado em 1994 no filme de Robert Zemeckis, “Forrest Gump”. Portugal tem o seu próprio Forrest Gump, um homem que influenciou o movimento pélvico de Elvis Presley, John Lennon, o movimento hippie e a criação da smiley face, isto além de combater no Vietname e de testemunhar o desenrolar do escândalo de Watergate.
Marcelo, além da estreia da Cornucópia, tocou com Jimi Hendrix em 1967 no festival de Monterey, participou no filme Citizen Kane, sobreviveu ao naufrágio do Titanic, ajudou Tim Berners-Lee a escrever o primeiro browser para a web – WorldWideWeb, assistiu ao assassínio do arquiduque Francisco Fernando, serviu cafés na assinatura do Tratado de Versailles, foi a primeira pessoa a passar o muro de Berlim em destruição popular, fotografou a invasão da Normandia, namorou com a Janis Joplin e co-escreveu com Lennon e McCartney a canção “A Hard Day’s Night”.
A propósito da mania com as condições sócio-económicas dos alunos
A peronização do regime
Tintin e os pícaros
Ponto 1. Quais os critérios para que o PR resolva fazer de mediador para mais em praça pública?

Ponto 2. Ao ver-se ultrapassado pelo PR o ministro da Cultura meteu-se a caminho da Cornucópia. Os de Castelo-Branco ficaram plantados à espera. Não se passa nada. Tudo normal. O melhor é irem amanhã todos a Castelo-Branco.
Quando Luís Castro Mendes chegou, perto das 15:30, Marcelo Rebelo de Sousa já estava à conversa com Luís Miguel Cintra e Cristina Reis, os três rodeados de jornalistas, sentados no palco, e com outros atores à sua volta. “Senhor ministro, então já não foi a Castelo Branco”, saudou o Presidente da República. “Não, senhor, anulei a visita para vir aqui”, respondeu Luís Castro Mendes. “Então sente aí, que estávamos aqui a ouvir, e eles estavam a narrar”, retorquiu Marcelo Rebelo de Sousa.
Ponto 3. Não sei se o que é mais tocante se a conversa de Marcelo rodeado de jornalistas com o director da Cornucópa, se aquele “saudou o Presidente da República” que nossa querida Lusa autora do texto usa com particular reverência se a omissão ao embaraço que o despropósito presidencial criou ao ministro da tutela. dado que Marcelo declarou “Então sente aí, que estávamos aqui a ouvir, e eles estavam a narrar” podemos passar para a fase seguinte que passa pela criação de uma excepção para a Cornucópia. Presumo que todas as companhias vão querer a sua excepçãozinha. Podem continuar a ler o texto aqui. O mais espantoso é que se chama a isto: “Marcelo medeia conversa entre Luís Miguel Cintra e ministro para evitar fim da Cornucópia” Quando aquilo que temos é uma clara, espalhafatosa e desrazoada ingerência presidencial no campo governamental.
Ao certo “africanos” quer dizer o quê?
O PÚBLICO quer dizer o quê com o seguinte título: “Uma escola de maioria africana ficou entre as dez melhores a Português“? Mas os alunos nasceram em África? E na África onde nasceram falava-se francês ou inglês? Puseram os pés alguma vez em Àfrica? A não ser que a Damaia seja uma província ultramarina estes alunos são tão africanos quanto os de qualquer outra escola.
Nunca abrir a porta a uma senhora se o polícia não estiver a ver
É importante estabelecer prioridades para filas de supermercado. Grávidas e idosos em primeiro lugar, os restantes no fim, como o nosso querido governo pretende fazer. Poderão reparar que não incluí portadores de deficiência porque, a partir do 5º ano de escolaridade, qualquer petiz poderá considerar mulher grávida que não aborta como tendo significativa paralisia cerebral – até porque aos dez anos e até à idade necessária para se chegar a funcionário do ministério da educação, ninguém tem abstracção suficiente para perceber que existe apenas por falha moral e alguma preguiça da mãe.
Parece justo. Grávidas e idosos à frente, sem discriminar. E, já agora, homens com 20 kg a mais, que o esforço de transportar aquela massa num centro geométrico rebaixado equivale a trigémeos ou a Opel Corsa vítima de tuning.
A regra é simples. Duas grávidas batem um idoso, um idoso bate uma não grávida e uma idosa grávida bate tudo. Deixo agora um simples exercício que pode ser usado para treino por caixas do Pingo Doce:
Uma fila é composta por um barbudo, um lenhador, uma senhora de preto com rugas e já pouco atraente para o lenhador, uma moça mesmo muito boa – se julgássemos, que não julgamos – e cujas pernas chamam a atenção do barbudo, um GNR, uma mulher de mão dada a um pirralho que faz birra por não levar o capacete de bombeiro que não lhe serve, um idoso que cheira esquisito e uma mulher que parece um homem e está grávida, a Virgem Maria, o António Costa e uma pessoa de cadeira de rodas cujo sexo é indiscriminado por parecer basicamente uma múmia assexuada. Qual deve ser a ordem de atendimento? (Pista: o António Costa pode ser um aborto falhado).
Passos Coelho Ainda Não Governou
No governo de Sócrates, o país gozou de uma prosperidade “caviar socialista” onde não faltou festa em todo o sector público. O dinheiro que caía do céu aos trambolhões, “made in” UE, dava para tudo. Não houve, na história de Portugal, período de maior regabofe que este que nos hipotecou por décadas. Nele nasceram os piores negócios ruinosos de sempre na CGD, com SWAPS e PPP. Depois da festa, Sócrates cortou pensões e salários dos funcionários públicos para manter o barco à tona e subiu IVA. Mas o buraco no casco era tão grande que em Março de 2011, já só havia dinheiro para pagar mais um mês de salários e pensões. Estávamos falidos. Teixeira dos Santos chama a Troika e o memorando de entendimento foi assinado. A UE resgatou-nos. Ler mais…
Em Portugal a isto chama-se políticas patrióticas de esquerda
Esperemos que para a próxima não se pendure numa árvore
Pablo Iglesias o líder do Podemos espanhol transformou o parlamento na sua sala de achincalhamento da democracia. Agora resolveu falar aos jornalistas sentado no chão das Cortes. E os jornalistas sentaram-se também. Esperemos para a próxima Iglesias não se pendure numa aŕvore ou não dê a sua conferêncoa de imprensa numa casa de banho. Talvez então os jornalistas percebam o monstrinho que criaram.
Indignações selectivas
Como o negócio do pronto-a-vestir e das roupas por medida ainda não é um serviço público não me choca a recusa destes negociantes do ramo de vestir a mulher de Trump. Mas o que não iria para aí caso tivessem tido uma atitude semelhante com a mulher de Obama.
Onde está o lápis azul?
O PISA Pisou-os a Todos
Mas que grande chatice. Agora que os meninos vão ter educação sexual no pré- escolar, aprender sobre o aborto no 5° ano, podem passar com 7 negativas, já não têm exames no 4° ano, os professores são incentivados a não destruir a felicidade dos meninos nem a frustrá-los, para serem futuros profissionais felizes mais do que competentes, assegurando que estas políticas são as que fazem crescer o sucesso escolar, eis que surge os resultados do TIMNS e do PISA a estragar tudo. E não é que no período entre 2011 a 2015, liderado pelo terrorista da educação, Nuno Crato, Portugal dá um salto qualitativo que o coloca à frente, acima da média da OCDE?
Descobri que a mãe do António Costa nunca teve instinto maternal
A selecção nacional de futebol, a que venceu o título europeu, não tem mulheres. Segundo a doutrina vigente, há duas hipóteses para isto acontecer: dominância social do heteropatriarcado e as suas noções rígidas de género e/ou prevalência da misógina ordem pré-estabelecida por cânones de representação não igualitária das múltiplas identidades divergentes.
O instinto maternal não existe, diz uma criatura fêmea, que se identifica como fêmea, e que consegue ser mais feia do que um homem a fingir que é uma fêmea. Muito parecida com um colega que tive na preparatória, a que carinhosamente chamávamos “saco de batatas”, Orna Donath é socióloga (coitada) e, como se isso não bastasse, conseguiu encontrar mais vinte e três amarguradas na secura que corrobora a sua tese anti-canônes-do-heteropatriarcado-opressor.
O Observador, em 6175 caracteres, dá espaço a esta coisa e a sua tese como se de ciência se tratasse. Têm razão: é mesmo ciência, é a ciência dos afectos, a que faz com que sondagens saiam ao lado, a que justifica as redacções de jornais carregadas de marxistas bondosos portadores de lastos de culpa do homem branco, a que permite sentimentos de normalidade perante geringonças, a que não compreende a eleição de Trump, a que culpa o homem branco “não instruído”, a que recebe a guerra cultural com os braços abertos da deserção e a que, devagar, devagarinho, há-de criar a geração mais intelectualmente regressiva da história recente.
Ao contrário das pessoas que estão fartas disto, estou optimista. O excesso de estupidez é o maior catalisador para o laissez-faire futuro. E, convenhamos, é bonito ver a esquerda a assumir em definitivo o papel que sempre lhe esteve destinado, o do moralismo que decide o que as pessoas devem ou não pensar.
