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Eu lembro-me

18 Abril, 2021

Eu lembro-me de em 2007, algumas semanas após a publicação pela imprensa das notícias sobre as irregularidades da licenciatura de José Sócrates, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros e então ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva, denunciar o que classificava como “jornalismo de sarjeta”. Foi José Sócrates quem o obrigou?

Eu lembro-me de António Costa, enquanto ministro da Administração Interna do governo de Sócrates, defender a criação de um Conselho Superior de Investigação Criminal a ser presidido pelo primeiro-ministro,José Sócrates. O modo de funcionamento desse conselho colocaria numa posição subalterna o Procurador-Geral da República. O PS esqueceu-se deste episódio?

Há coisas que não se esquecem. E uma delas é a forma como o PS toma conta do Estado. José Sócrates é um produto dessa forma de exercício do poder.

3×30 – O rumo é o socialismo e nunca deixou de o ser

18 Abril, 2021

Passos Coelho deixou o legado de que, contra todos – em particular da imprensa -, é possível ser sério e primeiro-ministro em simultâneo. Não é coisa pouca num país governado desde 1995 pelo PS, salvo a excepção meritória supra mencionada e o intervalo para recreio da época do Euro 2004, com Durão Barroso. Infelizmente, a seriedade de nada valeu.

De nada valeu porque foram anos de coração nas mãos tentando cumprir um compromisso que, à luz da história recente da política monetária da UE, se revelaria ridículo. Efectivamente, se há dinheiro enviado do norte para compensar os tolos do sul que expropriaram trabalhadores dos rendimentos do seu labor durante meses à conta de uma falsa pandemia, não resta qualquer moral justificativa do argumento “cumprir tratados, honrar compromissos”.

Na altura, dizia o BE, que a dívida era impagável. Afinal era verdade. Ou, se não o era então, agora será.

3×30 – A redes sociopatas

17 Abril, 2021

A era covid, com mais de um ano, serviu para testar a teoria de que redes sociais aproximam pessoas. Presumindo que cada caso é um caso por cada rede ser única a um indivíduo, não posso relatar mais que a minha experiência.

As pessoas estão más, zangadas, mesquinhas e sobretudo sem sentido de humor. Recordo com carinho quando o meu pai, homem nortenho, descrevia a casa futura como quinta das tabuletas pouco tempo antes de morrer. Nas redes já não encontro isto. Não há riso preparatório para o choro. Há, sim, uma certeza em certezas de cada um que torna diálogos em exposições de virtude.

A atracção anterior desvaneceu. Salvo as situações de divulgação de coisas da minha vida, como actividades escolares, não encontro utilidade em máquinas de criação de inimigos artificiais. Não se trata de uma epifania: trata-se sobretudo de constatar que o preço na etiqueta é demasiado para o meu bolso.

O AVANTE da SONAE

17 Abril, 2021

Número de vezes que a palavra ditadura é usada nos TRÊS ARTIGOS que o PÚBLICO dedica a Cuba a propósito do congresso do Partido Cominista daquele país: uma. Para referir a “ditadura de Batista”.

3×30 – O “nós” agora implica o “vós”

17 Abril, 2021

As comunicações governamentais mencionam um “nós” sempre que servem para enaltecer os estapafúrdios resultados positivos do confinamento, como em “nós conseguimos”, “nós atingimos o patamar de segurança”. Como o “nós” não se refere a indivíduos que escrevem certas regras num papel, só pode referir-se a “nós”, os portugueses.

Assim sendo, como “nós” fizemos um grande esforço que é reconhecido pelo governo, está na hora de “nós” acertarmos as contas. E as contas são simples: quem perdeu rendimentos pelas proibições governamentais deve ser ressarcido na totalidade. Afinal, o que fizemos foi pelo “bem comum”, não foi?

O primeiro grupo que passou pelos pingos da chuva mantendo rendimentos foi o dos funcionários públicos e pensionistas. Como tal, é fazer contas e reduzir estes salários e pensões no valor necessário para pagar o “nosso” esforço. E chega, basta que seja pelo tempo suficiente.

3×30 – O caminho para a servidão à forma

16 Abril, 2021

Ainda a propósito do novo jornal, dei por mim a reflectir sobre a arte perdida da coluna, o espaço limitado em caracteres que obriga autores a refrearem tendências para divagações. A publicação em formato digital invalida a necessidade de contenção, sendo sempre possível acrescentar a palavra a mais, que, por desnecessária, obscurece ao invés de clarear o texto.

Assim, com todos a trocarem blogues por imprensa, vagando espaço para os corsários solitários sem rumo nem direcção, iniciarei um ciclo que se chamará “3×30”. São três parágrafos, novecentos caracteres, nem mais, nem menos.

Num país de geringonças amaldiçoado com a falta de estrutura em qualquer dos recantos estatais, creio que este será um exercício de grande valor espiritual para mim e de alívio para os que ainda subsistem na leitura dos que, outrora, foram – para o bem e para o mal – derradeiros espaços de liberdade digital.

Mais tinta, mais chocos

16 Abril, 2021

Mais um jornal. Como não é desportivo, é agraciado com a bonomia pachorrenta com que agradecemos mais qualquer coisinha para ler sobre a nossa vida miserável, esgotados que estão as etiquetas de composição do gel de banho. Tenho uma relação amor-ódio com os jornais. Ódio porque superam em muito a exposição de factos e ocorrências, arrogando a si a virtude de explicar ao leitor aquilo que deve pensar. Amor porque o peixe tem que ser transportado em alguma coisa.

Portugal não precisa de mais jornais. Imagino que accionistas precisem, mas Portugal não precisa. Portugal precisa escolher o que quer: ou estar quietinho e caladinho à espera da alpista em euros dos senhores do norte, fingindo muita indignação para enganar o tédio; ou partir a loiça toda e emancipar-se no mundo cão. Como a escolha está feita, é tudo um desperdício de papel e de bytes.

Por outro lado, talvez não fosse mal documentar o motivo pelo qual daqui a cem anos estaremos na mesma vida de há duzentos antes. Por essa razão, sim, venham lá mais jornais. Que alguém os guarde e pronto. Eu é que não vou ser. Isto não é para ser lembrado, isto é para ser esquecido e o quanto antes.

Da Revolução Cultural ao Activismo Tofu: a bela e nobre tradição de matar fascistas

16 Abril, 2021
Sim, são mesmo cartazes com os rostos de Estaline e Lenine num desfile em Madrid esta semana. para assinalar o 90 aniversário da proclamação da II República .

Jaime Nogueira Pinto: «Enquanto os comunistas – e os anarquistas e os socialistas – espanhóis estavam muito bem a matar fascistas em Espanha, o mais importante dos comunistas, o Grande Pai dos Povos, Josef Vissariónovitch, Estaline, atarefava-se na União Soviética a matar comunistas e judeus comunistas – que, para ele, e em sentido lato, também eram “fascistas”. Os bolcheviques já tinham matado os fascistas todos – fascistas avant-la-lettre, já que a Marcha sobre Roma só se efectivaria em Outubro de 1922, no fim da guerra civil russa –, mas, em todo o caso, os “maus”: russos brancos, padres, aristocratas, camponeses e a família do Czar, incluindo crianças, criados e cães. E depois, conservadores, liberais, mencheviques, democratas. O Grande Lenine instituiu os campos de concentração, e Felix Dzerdjinsky, o aristocrata polaco comunista, chefe da Tcheka, tratou de lá internar dezenas de milhares de dissidentes, de “fascistas”, portanto. E assim foram os comunistas, os antifascistas, instituindo a nobre e bela tradição de matar fascistas em nome de um futuro radioso, de um mundo melhor, de um mundo perfeito. Porque para que o mundo possa ser perfeito é preciso matar os “maus” e, como toda a gente sabe, os únicos maus que há no mundo são os fascistas.

Macbeth, um modelo de tirano violento e assassino, tem remorsos e sonhos terríveis. Os grandes líderes comunistas do século passado, Lenine, Estaline, Mao, Pol Pot, Ceausescu, Mengistu, não eram sequer atormentados pelos espectros das suas vítimas. E como o poderiam ser, se lutavam por um mundo melhor e por uma humanidade perfeita e as suas vítimas eram todas fascistas ou qualquer coisa de equivalente? Para eles, como para a família de Catarinas antifascistas do Dona Maria, matar era uma beleza.*

Os ricos que paguem a crise

15 Abril, 2021

No meu video de ontem falei da deriva bloquista de Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças, e do seu lirismo infantil acerca de impostos temporários.

Comento o que parece ser a absorção da doutrina de extrema esquerda por osmose familiar e anoto a vertigem por se transformar num profeta do lero-lero ou numa miss-mundo tecnocrata.

A minha crónica está disponível aqui:

Toxicidade

15 Abril, 2021

A gente habitua-se ao que tem. Tanto se habitua a comer lagosta, como a viver debaixo da ponte. As coisas são o que são. Agora, habituámo-nos à presença de Sócrates nos noticiários. Não interessa se é culpado, se é confiável ou se gostaria de o ter como amigo: o que interessa é que o que já era irrespirável agora tornou-se tóxico.

José Sócrates tornou-se a personagem de uma tragédia pessoal mais que anunciada

15 Abril, 2021

E acho que o homem que vimos ontem vai acabar mal. Muito mal. Não sei a quantos anos de prisão vai ser condenado, nem por que vai ser condenado, não é a isso que me refiro: José Sócrates tornou-se a personagem de uma tragédia pessoal mais que anunciada.

O buraco falou

14 Abril, 2021

Já sei que me vão dizer “ai tu ainda o ouves?!”, “não tens nada mais interessante para fazer?” e uma série de expressões semelhantes…

Mas sim, assisti à comunicação ao país de hoje do presidente da república a propósito da 15ª renovação do estado de “indigência”.

E daquilo que também acompanhei da entrevista de Sócrates na TVI, considero que este último teve um discurso intelectualmente mais honesto do que Marcelo. É para verem ao que chegamos!…

Marcelo comparou propositadamente a covid19 com a gripe espanhola de 1918. E fê-lo de uma forma vil e nojenta, com o propósito de enganar os portugueses, mantê-los assustados e dispostos a acatar ordens imbecis dos políticos.

Não há outra forma de dizer: Marcelo mentiu materialmente.

Em 1918 Portugal tinha 6 milhões de habitantes. Estima-se que tenha morrido de Pneumónica cerca de 2% da população. Acresce que mortalidade por gripe espanhola atingiu sobretudo as idades entre os 15 e os 40 anos. Os óbitos presumidos por pneumónica entre 1917 e 1919 são de mais de 135.000 (em 6 milhões de pessoas).

Com a Covid19, até hoje, óbitos acumulados com PCR positivo são menos de 17.000, para uma população de 10 milhões. Acresce, como se sabe, que a esmagadora maioria das mortes foi de pessoas com mais de 70 anos, e grande parte destes em idade que ultrapassava já a esperança média de vida à nascença em Portugal.

A sorte de Marcelo é que já não está entre nós a gente que viveu durante a gripe espanhola e os sobreviventes da Guerra Colonial – também mencionada em termos comparativos pelo ocupante do palácio de Belém – já são demasiado velhotes. Caso contrário, as infâmias regurgitadas pelo homem da vichyssoise não ficariam sem uma resposta de uns e de outros, na primeira oportunidade que encontrassem Marcelo a mudar de cuecas nas praias da linha de Cascais.

O porteiro que se ponha a milhas ou ainda acaba ele a ser o acusado

14 Abril, 2021

Porteiro do prédio de Sócrates em Paris devia ter sido interrogado, critica Ivo Rosa

Informa o PÚBLICO que “O juiz Ivo Rosa não acredita que o apartamento de luxo em Paris onde José Sócrates morou entre 2012 e 2013 fosse propriedade do primeiro-ministro. Reconhecendo que o antigo governante tomou algumas decisões relacionadas com as obras de remodelação do imóvel, o magistrado defende, no despacho de pronúncia da Operação Marquês, que Sócrates nunca passou de um mero inquilino do seu amigo Carlos Santos Silva, e que para demonstrar o contrário o Ministério Público devia ter trabalhado mais, em vez de se limitar a fazer interpretações fantasiosas das escutas feitas aos arguidos do processo.

Como se consegue avisar o porteiro para se por a andar? É que está bem de ver que vai sobrar para ele. Por exemplo, quando Jośe Sócrates declara ao telefone a Santos Silva a propósito das obras no dito apartamento: ‘”Pá, mete pressão lá sobre o gajo… Mas pressão forte… Ouve, estamos no fim de Novembro… Eh pá, ainda nem o chão, nem, nem as janelas, nem nada, não é? Quer dizer aquilo… e eu duvido já, começo já a duvidar, o gajo tá-nos a aldrabar que já nem, nem este ano não é? Porra pá, isso não pode ser pá, não pode ser pá, eu tou farto daquela merda lá pá, farto daquilo pá…” vê-se claramente que não está a falar como proprietário. Está com medo do porteiro. O porteiro é a chave da questão. Quem sabe até foi ele quem deu os 2,6 milhões de euros pela casa. E foi ele e não Sócrates quem escolheu os materiais. E era a ex mulher dele e os filhos dele que ficavam no apartamento.

Realmente o porteiro ou se põe a andar ou acaba incriminado.

Mais uma extraordinária medida que só vai ter efeito sobre os contínuos e motoristas

13 Abril, 2021

Juízes querem maior punição para titulares de funções públicas que ocultem riqueza. Proposta de juízes defende “punição mais eficaz do ato de ocultação intencional de riqueza adquirida” no exercício dos cargos públicos independentemente da fonte de aquisição

Leituras: Quando os deputados se curvam perante a China

13 Abril, 2021

Jorge Menezes, no Público: «Quando os deputados se curvam perante a China»:

Quando cerca de 40 jornalistas da televisão e rádio de Macau (TDM) foram informados, sob a forma de nove medidas específicas, que a censura tinha sido oficializada, reagiram corajosamente. A Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República curvou-se despudoradamente perante o Governo da China, desmentindo que houvesse censura, como se dezenas de jornalistas tivessem tido uma alucinação colectiva. Com um par de excepções, é difícil dizer qual dos deputados desceu mais fundo.

Reforma da justiça? Vão trabalhar!

13 Abril, 2021

Era mesmo o que vinha a calhar: uma reforma da justiça. A reforma da justiça é um chavão para entreter papalvos e ingénuos. A justiça tem é de funcionar. Não é possível que os processos demorem o que demoram. Não é possível que tenhamos uma justiça para ricos que têm dinheiro para a pagar ou para indigentes que não pagam. Agora vir defender reformas da justiça casuisticamente é mais do mesmo. Há décadas que nos anunciam reformas da justiça. E de anunciada reforma da justiça em reforma de justiça anunciada temos uma justiça que pode ser justa mas anulada pelos seus procedimentso e morosidade.

A cada reforma da justiça o acesso dos cidadãos comuns à justiça complica-se ainda mais. Tudo aquilo que é anunciado para melhorar o sistema e perseguir os criminosos traduz-se apenas em mais complicações para o cidadão comum. Dizer que se vai reformar ajustiça é apenas um estratagema de sobrevivência dos mesmos que tanto têm beneficiado com a sua inoperância.

Vão trabalhar.

A falácia e a imoralidade do o“Arrendamento Acessível” da CML

12 Abril, 2021

João Graça da IL fez as contas sobre o programa “Arrendamento Acessível” da CML. Por exemplo, no nº 106 da Avenida da República adquirido à Segurança Social a preço de saldo e com obras a preço de luxo, os inquilinos dos quatro apartamentos T4 terão que ter, segundo o regulamento da CML, no mínimo uma remuneração anual líquida de 40.000 Euros; e até uma remuneração máxima anual bruta de 60.000 Euros.

Ou seja quatro famílias com rendimentos claramente acima da média nacional vão usufruir de apartamentos numa das zonas mais nobres da cidade de Lisboa a preços inferiores aos do mercado, em consequência de um investimento público que daria para construir, nos muitos terrenos próprios da CML, cerca de 25 habitações económicas para famílias com dificuldades financeiras ou uma residência de estudantes com cerca de 100 camas.

Em resumo, o contribuinte sustenta os filhos de algo.

Não, não é uma questão de 8 e 80, nem de duas faces do TIC…

12 Abril, 2021

Perante a decisão do juiz Ivo Rosa está na moda adoptar a tese do 8 e do 80: o juiz Ivo Rosa condenará pela bitola 8 e o juiz Carlos Alexandra pela bitola 80. De modo algum é isso que está em causa: transformar o juiz Carlos Alexandre num intérprete tão duro da lei quanto Ivo Rosa será light pode dar jeito mas não é real. O juiz Ivo Rosa tem um percurso completamente anómalo, não serve de medida de comparação com ninguém.

Nunca na vida profissional do juiz Carlos Alexandre aconteceu algo de semelhante aos recursos perdidos por Ivo Rosa. Muito menos uma desautorização total como lhe aconteceu no caso do “Gangue do Multibanco”: Ivo Rosa liderou o coletivo de juízes das Varas Criminais de Lisboa encarregue de decidir o destino de 12 arguidos acusados de associação criminosa, roubo agravado, furto qualificado, posse de arma proibida e tráfico de droga, que foram detidos na sequência de mais de uma centena de assaltos de norte a sul do País, entre 2008 e 2009. Na ausência de uma prova direta, apenas Jonny Portela, o cabecilha, foi condenado a uma pena de prisão de dois anos e seis meses por tráfico de droga.

O procurador José Góis – representante do Ministério Público – recorreu da decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa, que anulou o julgamento e ordenou a repetição. A decisão dos desembargadores da 9ª secção do Tribunal da Relação é um texto pouco convencional em que figuram pontos de exclamação, ironias e comentários depreciativos como: “para que ninguém seja condenado e o País entre em pânico generalizado com este tipo de criminalidade violenta, bastam um gorro, um par de luvas e força bruta!” ou “Que incompreensível forma de julgar! Imagine-se, por isso, o estado de incredulidade e revolta das vítimas”. Em 2012, durante a repetição do julgamento, oito dos 12 arguidos foram condenados pela maioria dos crimes de que estavam acusados.

Milhões depois o ganho será de «14 minutos»

11 Abril, 2021

«25 de abril marcará a revolução da linha do Minho. É neste dia que vão começar a circular os comboios elétricos no serviço interregional e regional e que o Intercidades passará a chegar a Valença.»(*)

O comboio Intercidades chegará a Valença. Tudo elétrico. E dia 26 lá estão António Costa e Pedro Nunos Santos irão fazer grande festa e inauguração em bom estilo.

Mas ao certo, o que vão festejar? A viagem entre o Porto e Valença, 97 km, continuará a ser feita em quase duas horas. Agora está tudo eletrificado, carruagens renovadas, tudo pintadinho, nos trinques. Mas festejar o quê se gastaram milhões e aquilo continua a ser um atraso de vida?

«…a modernização não previu intervenções no traçado por forma a aumentar a velocidade dos comboios e também não contemplou ainda a instalação de sinalização electrónica. Isto significa que a exploração vai continuar a ser feita por cantonamento telefónico, em que o chefe de estação pede por telefone à estação seguinte a autorização para o comboio avançar, processando-se os cruzamentos de forma morosa porque totalmente dependentes de meios humanos.»(*)

Nota: Em 2 anos, será a segunda inauguração com os mesmos personagens.

Uma falsa sensação de democracia

11 Abril, 2021

O que sobrou para os portugueses nas entrelinhas da decisão de Ivo Rosa sobre o processo que tem José Sócrates como figura principal?

Um país convencido que o crime compensa. Sobretudo se for em grande: receber milhões sim, comer no carro é que não pode ser.

Um ex primeiro-ministro dado como mercadejador do cargo . Mercadejou sozinho?

Um José Sócrates convicto que vai voltar à política. Mas os socrátricos já mudaram de pele.

Um Ventura sempre à mão. Tal como no Casa Pia vamos acabar a não poder referir o caso sob risco de sermos acusado de ser aliados de forças nefandas

E, por fim mas não por último, ainda vamos a tempo de exigir para o IRS deste ano a Declaração Modelo Sócrates com anexo Ivo Rosa?

Cabras

11 Abril, 2021

Enquanto a oligarquia se dedica a instaurar paulatinamente o fascismo no país à conta de uma suposta narrativa sanitária e uma catrefa urbana se indigna com um sistema de justiça e ex-líderes que levaram eles próprios ao poder, Dario Gonçalves pensa como vai reconstruir a sua vida depois de ter perdido um quinto do seu rebanho bravio, de um momento para o outro, à conta de fenómeno natural pouco comum.

Não sei se me vão ajudar, mas eu vivo disto. Vou fazer 54 anos, criei os meus filhos com isto. É a minha profissão. Venho para os montes da freguesia de manhã cedo, pôr o rebanho a pastar, com a ajuda dos quatro cães de raça Castro Laboreiro e cão de guarda transmontano, e à noite recolho as cabras para um barracão“, explicou.

Era livre, acrescento eu.

Isto é muito muito muito cansativo

11 Abril, 2021

Para as pessoas que acham que o sistema está a funcionar mal, há duas acções planeadas que poderão servir para o entreter enquanto lhe afagam o ego com uma sensação de satisfação por contribuição barata em inconsequência formal.

Há uma petição para destituição do juiz Ivo Rosa, que é tão útil como a substituição do guarda-redes aos 85 minutos num jogo em que a equipa vence por 42 – 0. Sai Rosa, entra Cravo. Deve ser uma questão estética.

Há também manifestações a aguardarem o aval das autoridades (não interessa quais, basta dizer autoridades e já está) que deverão realizar-se no próximo Sábado, que esperamos ser o dia mais chuvoso da semana só para elevar o acto de subordinação regimental à ainda mais poética indiferença. Uma manifestação que só o é depois de obtidas as licenças é tudo menos uma manifestação: é a prova da subordinação ao regime, irónico o suficiente para permitir totós na rua a queixarem-se dele.

A culpa é do povo, já se sabe. Logo, é preciso mudá-lo.

Ninguém confia na democracia quando se trata da reunião de condomínio com 10 marmelos, mas acreditamos que com 5 ou 7 ou 10 milhões funciona muito melhor. É fascinante. Ou então indica que a maioria dos portugueses não vive em condomínios, o que também é prova de que o regime é maravilhoso.

Há quem diga que a justiça não funciona. Não sei em que mundo vivem: funciona e funciona muito bem, tal e qual como foi desenhada para funcionar.

Querem insubordinação? Tirem a máscara.

Que raio de injustiça!

10 Abril, 2021
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Não é que ontem julgo ter visto, numa rua deserta nas imediações do Campus de Justiça de Lisboa, um cidadão completamente sozinho e sem máscara! Sem máscara!!!

Não há neste pais quem se indigne com um escândalo destes e o investigue. E detenha, julgue e prenda (a ordem é arbitrária) o criminoso!?

Assim não vamos lá. Que raio de sina a nossa!

Buraco és tu

9 Abril, 2021

Podíamos ser iguais à Irlanda, podíamos ter um “Portugal Mais Liberal”, podíamos ter um país que não nos causasse vergonha. Podíamos, mas não seria Portugal. Portugal é isto e quanto mais cedo o percebermos mais rapidamente atingiremos a paz que a aceitação nos traz.

Vai ser assim

9 Abril, 2021

Vai em Paz e que o Senhor te acompanhe

9 Abril, 2021

Resumo do dia:

Consignação de IRS

9 Abril, 2021

NIF: 502023570 de Lar de Idosos das Irmãzinhas dos Pobres do Porto.

Fica a sugestão.

Alguém sabe o que pensa o Sócrates do recolhimento obrigatório? E do uso de maścara?

9 Abril, 2021

Pelo menos se fosse mastigar gomas para a rua era condenado de certeza.

Separação de poderes

9 Abril, 2021

Legislativo, Executivo e Judicial: eles legislam para executarem o que julgamos escolher.

Justiça social

9 Abril, 2021

Sócrates devia ser ilibado de todas as acusações e posteriormente inocentado com direito a choruda indemnização. Pelo menos, para o país ser coerente com a chamada bazuca financeira. Se a recompensa para governos que retiram direitos e liberdades às pessoas, destruindo a frágil economia, o seu sistema de saúde, turismo, indústria, serviços e a possibilidade de emprego nos próximos ano, é uma injecção de dinheiro que garanta mastodônticas obras indutoras de décadas de dívida pública para que “um amigo” possa assegurar rendimentos palacianos, não vejo motivo para o país fazer diferente ao indivíduo José Sócrates.

Sócrates pode ter perdido mas o socratismo venceu. E governa.

9 Abril, 2021

Rui Ramos: «O socratismo venceu, independentemente do que acontecer pessoalmente a Sócrates. É isso que explica a nossa história recente. A corrupção, a bancarrota e a divergência em relação à Europa não são azares. São efeitos de um sistema de poder que assenta no domínio do Estado sobre a sociedade, através de um bloco de clientelas eleitorais que é preciso alimentar à custa de endividamento, extorsão fiscal e cortes de investimento público.»

Desobediência

9 Abril, 2021

Na Coluna semanal da Oficina da Liberdade, com o seu habitual génio o Carlos Fernandes escreve sobre desobediência.

Algumas passagens:

O medo, da violência do Estado ou das narrativas da sua propaganda, deixa assim de ser uma razão válida na generalidade das circunstâncias, para ficar reduzido à medida da cobardia do povo. Muito antes, já Cícero havia notado que «a servidão é a submissão de um espírito enfraquecido e cobarde, carecendo de vontade própria.»

se forem relegados para os bastidores com vista a entregar o palco ao sofisma do bem comum ou a outros disparates colectivistas, os princípios levam consigo a legitimidade do poder político, deixando-o entregue à prepotência das massas ou ao arbítrio dos iluminados.

os limites do Estado e do poder político: as leis devem ser justas e não podem, em caso algum, corromper o espaço privado ou violar a lei divina.

o voluntarismo de alguns conduz a opressão de todos, e não há barreira de imunidade suficientemente forte, pelo menos sem o recurso à violência, que consiga circunscrever o surto. O respeito devido aos outros aconselha os mais submissos a praticar o isolamento social durante uma epidemia liberticida, até porque, se a obediência ao Estado não é um imperativo categórico, a obediência a um bando de demagogos e oportunistas é uma indecência.

A obediência ao Estado é uma contradição nos termos. A instituição está ao serviço dos cidadãos, é pago por eles, logo, é ela que lhes deve obediência. Destes factos resulta que o Estado deve estar exposto, como os educandos de outrora, à coação da férula. A desobediência civil é, quase por definição, pacífica, mas, uma vez chegados definitivamente a uma conjuntura que a solicita, uma dúvida se impõe: onde está a fronteira, na escala das afrontas à liberdade, que separa a reacção pacífica da violenta?

Ler o texto completo é um prazer e tempo de qualidade de que se desfruta por estar perante um dos mais relevantes artigos de opinião dos últimos tempos. Aqui.

E se Kierkegaard tivesse que fazer testes covid?

8 Abril, 2021

Camus intuía existirem três soluções para o absurdo: suicídio, salto de fé ou a aceitação do absurdo. Há uns tempos andamos ocupados em providenciar uma saída institucional para a primeira opção através da eutanásia. Ainda não está completamente aprovada, mas há-de estar, pelo que é como se já estivesse. Assim, podemos aceitar já esta resolução secular para a solução um do problema que consiste no estado providenciar significado para a nossa existência e, em simultâneo, significado para a sua alienação. Curiosamente, esta solução, a do suicídio por procuração, integra plenamente a necessidade do salto de fé da segunda opção, a de que outros podem decidir sobre as opções fundamentais de cada um como se uma resolução não implicasse responsabilidade e avaliação individual.

O salto de fé de Kierkegaard pode ser providenciado com o veneno que escolher: socialismo, liberalismo (ateu ou moderno), ou a sua síntese simbiótica em covidismo, etc. Para algumas pessoas basta a convicção de que são deusas por terem vagina; para outras basta a convicção de que os seus sentimentos são avatar da construção moral colectiva; para outros ainda, basta serem chamados de especialistas por uma televisão qualquer. Relutantemente, a par destas crenças pessoais intra-metafísicas, ainda subsistem religiões que permitem a algumas comunidades um salto de fé em algo que transcende a “autoridade ética” (cof, cof) dos governos. O Islão é uma delas e também providencia solução para a primeira hipótese, a da eutanásia involuntária de infiéis, pelo que, logicamente, poderia ser adoptada como religião oficial do estado poupando angústia existencial desnecessária aos cidadãos inconformados.

A terceira via é aceitar o absurdo. Aceitar o Facebook, o estado de emergência, a busca do R perdido, as obrigações sociais da ciência na vertente pós-moderna de hipóteses tornadas dogmas e dogmas tornados em premissas que invalidam qualquer formulação de uma preposição lógica a ser testada. É a opção ir para a praia e viver para lá do covid, rindo na face dos colectivistas. É opção para já, pelo que não vejo outra hipótese que não aproveitá-la enquanto se pode. Particularmente por se saber que é a opção a ser retirada o mais brevemente possível, deve ser vivida em pleno conhecimento de que a própria vida se tornará num pecado de hedonismo perante o deus-estado.

Quando Camus concluiu que o suicídio não era solução ainda não havia o covid nem a síntese socialismo-liberalismo. Pelo contrário, concluiu em época em que fervilhavam ideologias passíveis de saltos de fé. Agora, na pós-verdade, em plena pós-ideologia, talvez a conclusão fosse diferente.

NOTA ADICIONAL: Comentário antecipado do Paulo Valente: “e se fosses cagar?”; Comentário antecipado do Lopes: “tu queres é APARECER”. Assim fica já tratado.

O pateta do presidente do Conselho Europeu já foi destituído?

8 Abril, 2021

A besta quadrada do presidente do Conselho Europeu cai que nem um alarve na armadilha montada por Erdogan. Em vez de ter dado o lugar no cadeirão à presidente da UE ou ter ficado simplesmente ao lado dela no sofá senta-se que nem um papalvo.

Parolada pegada: a marca

7 Abril, 2021

Eurico, o brilhante secretário de estado da internacionalização, passa os dias deslumbrado com os salões da “diplomacia económica”, mas por muito sofisticadas que queira fazer parecer as suas decisões, a parolice não deixa de ser uma marca indelével dos socialistas.

Portas gostava de feiras e quermesses, mas logo que se pôde dedicar a ambientes mais urbanos, foi veloz a fantasiar com o seu inigualável contributo para os negócios internacionais da pátria.

De todo o modo, Eurico Brilhante Dias diz que agora, com ele, é que a promoção externa do país vai ser um retumbante sucesso. E repesca o estratégico projecto da “marca Portugal”.

Há mais de 20 anos que esta gente continua a não perceber que Portugal não tem marca e que, felizmente, as empresas com sucesso em mercados competitivos se diferenciam precisamente por não sofrerem da típica maneira “tuga” de gerir organizações.

É sobre isso que falo no meu video de hoje, aqui:

Vamos nisso: traga-me um R bem quentinho

7 Abril, 2021

— Que é que te apetece?
— Sei lá… talvez uns pastelinhos de camarão.
— Vamos nisso. Traga-me uns pastelinhos de camarão muito fresquinhos.
— Pastéis de camarão não temos.
— Então dê-me dois copinhos de vinho branco.

— Agora, que é que vai a seguir?
— Agora, ia uns croquetezinhos de vitela.
— Vamos nisso. Traga-me uns croquetes de vitela bem quentinhos.
— Croquetes de vitela não temos.
— Então… dê-me dois copinhos de vinho branco.

— Não queres mais nada?
— Não… Só se forem uns pastéis de Belém.
— Vamos nisso. Ó sr. Silva, agora queremos uns pastelinhos de Belém.
— Sim senhor — responde Silva, pousando no balcão dois copinhos de vinho branco.

Negacionismo

7 Abril, 2021

O primeiro-ministro disse que no PS as pessoas não conheciam os factos que têm vindo a público sobre Sócrates

Daqui.

Agora como há dez anos, a responsabilidade é sempre dos outros

6 Abril, 2021

A emissora católico-socialista

6 Abril, 2021

Avisa a nossa Renascença: Plantar árvores é “o último prato do dia do capitalismo verde”

A citação que a Renascença puxa para título é do “ativista da Climáximo”, João Camargo, catapultado mediaticamente graças ao seu parentesco com Francisco Louçã.

Que João Camargo que além de genro de Louçã, “ativista da Climáximo” é também dirigente da Rede Anticapitalista diga coisas quejandas não admira mas a Rádio Renascença é conveniente qie organize as ideias.

Modernizar Portugal

6 Abril, 2021

Passados dez anos desde o pedido de ajuda financeira externa por parte do governo socialista, o país está hoje bem diferente e no rumo certo: