Vinheta
Ninguém acorda de repente para dar consigo em ditadura. Poderá ter acontecido, em casos raros, mas o normal é uma pessoa acordar num dia que é muito parecido com o anterior sem se aperceber que beneficiará de mais um direito retirado, de mais uma imposição sobre a sua conduta, de mais uma linha no código da moral colectiva. Este é um dia como ontem, tal como ontem foi um dia como anteontem. Na realidade, é o dia em que acordamos a saber que um ministro acha normal impedir um advogado de se deslocar ao local onde habita o cliente. Nada de mais: liga-se ao presidente da república e este diz para se abrir a cancela. Afinal. sempre valeram de alguma coisas as selfies todas tiradas na pré-histeria: é que nunca se sabe quando é preciso ligar ao presidente.
— Professor, quero ir comprar pão.
— Vá, vá! Diga que vai da minha parte.
— Quer que lhe leve um briochezinho?
— Não, obrigado, o seu vizinho já me trouxe umas arrufadas.
Não se pode dizer que os portugueses vivem em desordem. Ainda é possível andar na rua sem máscara sem ser importunado – benditos auscultadores. Não se vive numa ditadura: vai-se andando. E enquanto se for andando, já se sabe: “nunca pior”.
Um tipo sente-se um herege. Bem… é como é.
Em 2020 foram anunciados pela autarquia de Odemira 500 lugares para quarentena Covid em “equipamentos públicos com dimensão e condições para alojamento e banhos, como pavilhões desportivos e multiusos”?
Porque não foram agora utilizados esses 500 lugares? Nunca existiram?
A ler
Rodrigo Saraiva: «Sendo certo que são conhecidas várias situações em que empresários contribuíram para situações degradantes e em que se exigia mais fiscalização e actuação eficaz na proteção de trabalhadores, houve varios proprietários e empresários agrícolas que decidiram construir habitações nas suas propriedades para acomodar condignamente os trabalhadores. Alguns, poucos, conseguiram fazê-lo. Outros, muitos, não tiveram autorizações, visto ser proibida construção para habitação em terrenos rurais. E outros, também vários, têm os seus processos perdidos no emaranhado burocrático de precisarem de autorizações de diversas entidades.
Há dois anos o Conselho de Ministros, o mesmo que decretou a requisição civil, criou um Grupo de Trabalho (fosse criado este ano e seria uma task force) para analisar a situação em Odemira e Aljezur e apresentar soluções que permitissem desbloquear as situações. Um Grupo constituído por 12 entidades e com um prazo de 6 meses. O que aconteceu? Pois, boa pergunta.»
A requisição da salada de frutos vermelhos
Os bons vs os maus!
Recentemente fui alertado sobre uma “profunda investigação” levada a cabo pelo Público, em que este conclui que a “Câmara do Porto gastou 15 vezes menos do que Lisboa” (5,6 ME / 1,78% vs 77,7 ME / 6,7% do orçamento total em medidas de combate à covid-19).
Aos jornalistas que realizaram tão relevante investigação não passou pela cabeça avaliar a qualidade da despesa, se a mesma se justificou ou não, a quem foi contratada, etc. i.é. pormenores! Relevante para estes Sherlocks é o facto da autarquia do Porto – deduz-se que “a má!” – ter gastado muitíssimo menos que a – “boa” – autarquia de Lisboa.
Parece que confrontada para as diferenças entre as verbas alocadas para o combate da pandemia, em comparação com outros municípios, a autarquia do Porto referiu que “gastou o dinheiro necessário para colmatar as consequências da covid-19” – malandros, o que será que lhes deu para gerir bem a coisa pública!
Não faço juízos de valor pois não sei se foi dinheiro mal gasto ou bem investido, mas não deixa de ser significativa a forma como os media avaliam o poder público e a sua despesa/investimento… bom é quem gasta muito, independentemente de se saber em quê e como!
Por algum motivo estamos onde estamos, e não parece que venhamos a ficar melhor!
Dizem que é o futuro
Extracto do Despacho nº 1/2021 da República Portuguesa dos Bananas.
…
A crise demográfica que vivemos apresenta-se como um problema sério, quer para a sobrevivência da cultura de vítima que cultivamos desde pelo menos o Marquês de Pombal, quer para a sustentabilidade da segurança social num ambiente de pandemias sucessivas em que importa reforçar o sistema hospitalar com algumas cenas importantes, como ventiladores encaixotados.
…
3 — É decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e interesse público e nacional, a totalidade dos contribuintes dependentes do sexo feminino, género indiferente, com peso entre 45 e 65 kg.
4 — Todas (e todos) serão sujeitos a teste de verificação de virgindade, sendo aptas (e aptos) para o serviço de repovoação de contribuintes todas (e todos) aquelas (e aqueles) que não apresentarem mácula indicadora de violação do dever geral de confinamento.
5 — A requisição é válida enquanto a declaração de situação de calamidade demográfica for aplicável ao território nacional.
6 — Compete aos contribuintes que mantêm estas (e estes) virgens assegurar a sua alimentação durante o período de salvação nacional. Roupa não é necessária, que até está quentinho.
7 — A cada virgem será cobrada uma taxa pelo privilégio de contribuir para a causa nacional.
Explicações urgentes
A sociedade gestora do ZMAR não só viu requisitado o mesmo ZMAR como é obrigada a assegurar os serviços necessários ao funcionamento do empreendimento em condições de higiene e segurança. Para percebermos o que levou o Governo a lesgislar desta forma brutal é urgente saber porque recusou a sociedade gestora do ZMAR o acordo que lhe foi proposto pelo Governo.
Experimente-se ler o Despacho n.º 4391-B/2021 colocando no lugar de ZMAR uma propriedade nossa e percebe-se que temos mesmo de perceber pq falharam as negociações.
O «ZMar Eco Experience», sito na Herdade A-de-Mateus, em Longueira-Almograve, Odemira, é um estabelecimento que apresenta as condições aptas e adequadas para a realização de confinamento em isolamento por pessoa a quem o mesmo tenha sido determinado pelas autoridades de saúde.
A situação epidemiológica, particularmente grave no município de Odemira, bem como a falta de acordo com a sociedade comercial supra indicada, fundamenta que, por razões de interesse público e nacional, com caráter de urgência se reconheça a necessidade de requisitar temporariamente o «ZMar Eco Experience» e os respetivos serviços,
(…)
3 – É decretada a requisição temporária, por motivos de urgência e de interesse público e nacional, da totalidade dos imóveis e dos direitos a eles inerentes que compõem o empreendimento «ZMar Eco Experience», sito na Herdade A-de-Mateus, em Longueira-Almograve, Odemira.
4 – A declaração de requisição abrange a prestação de serviços necessários ao funcionamento do empreendimento em condições de higiene e segurança.
5 – A requisição é válida enquanto a declaração da situação de calamidade for aplicável ao concelho de Odemira.
6 – A operação do empreendimento objeto de requisição compete ao município de Odemira, com o apoio da autoridade de saúde e do responsável da segurança social territorialmente competentes.
7 – O pagamento de indemnização pelos eventuais prejuízos resultantes da requisição, calculada nos termos do Código das Expropriações, com as necessárias adaptações, é responsabilidade do Ministério das Finanças.
A casa da mãe Joana
A “requisição civil” do ZMar mostra o quão eficiente é o estado quando são necessários equipamentos sociais fundamentais. Mostrando que se aprendeu com o passado, e ao contrario de campos como os de Auschwitz, não há qualquer necessidade de gastar dinheiro com construção quando há equipamentos disponíveis para que o estado ponha e disponha deles. Além disso, já vêm com piscina incluída. Nós fornecemos a cal.
OK, alguns puristas dirão que não deve ser assim, que as casas têm dono, que nada disto se justifica numa doença que já matou tudo que havia a matar, menos de 0,2% dos “infectados”, mas essas pessoas não têm coração. Se tivessem saberiam como foi eficiente aprisionar velhos nos lares, para o bem de todos, evitando que se gastasse dinheiro quer a tratá-los, quer a alimenta-los, quer a fingir que ainda mereciam o estatuto de humanos quando nada contribuem e só dão despesa.
Não. A pandemia exige a criação de mais zoológicos e o decoro exige que se use o que há disponível, até porque precisamos urgentemente do aeroporto para colmatar a queda de 90% dos voos existentes em 2019. A enxada é da comprativa, e as vossas casas no ZMar são nossas. Nossas como em “nós todos”. De cada um segundo a sua capacidade; a cada um segundo a sua necessidade. Urge garantir que os porcos capitalistas não se apressem a retirar televisões e outros bens das casas que serão usadas pelos perigosos assintomáticos. Muito menos as jóias. É preciso ir buscar àqueles que andam a acumular. Só assim poderemos vencer esta pandemia que mata quase tanto como camiões que se desgovernam sozinhos em países europeus.
Assintomáticos de todo o mundo, uni-vos. Os resorts são nossos.

Este título do Observador ilustra bem como é tentador ir na onda da indignação do dia. Segundo o título Suzana Garcia espera que BE seja “exterminado”. Ora lendo o que está escrito nas linhas abaixo percebe-se que a senhora não disse só isso: “Questionada sobre o Chega” a candidata disse esperar “que todos so extremismos sejam exterminados”. Porquê então destacar em título: Suzana Garcia espera que BE seja “exterminado”? Custaria muito fazer o plural e escrever Suzana Garcia espera que BE e Chega sejam “exterminados”?
Pelos vistos não há problema em desejar que o Chega seja exterminado. Isso é desejado todos os dias pelo lado fofinho da pátria. Outra coisa bem diferente e maléfica é desejar o extermínio do BE. Assim dizer que a senhora deseja o extermínio do Chega era fazer dela uma pessoa do lado bom das notícias. Logo destaca-se que Suzana Garcia quer exterminar o BE. Parafraseando o diácono Remédios, não havia necessidade…
Vidas que não interessam. Gente invisível e sem direitos num mundo submerso na gritaria dos direitos
Há lares que continuam a não deixar sair os idosos para o exterior. «A proibição de saídas dos utentes é comum a vários lares de diferentes zonas do país, mesmo àqueles em que utentes e funcionários já têm o esquema vacinal completo, segundo o PÚBLICO apurou. E isto acontece porque, como admite João Ferreira Almeida, da ALI – Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos, muitos responsáveis pelas instituições “receiam deitar por terra todo o esforço que fizeram ao longo de mais de um ano para conter os contágios e que foi muito violento”.»
Vidas que não interessam. Mortes que não emocionam
Ditadura da maioria vs Liberdade
Há gente feliz e agradecida a Marcelo porque em Portugal ficamos contentes com a liberdade que não temos e achamos normal que algumas das liberdades que tínhamos se percam de vez.
Há quem se satisfaça com ditaduras da maioria, mas outros preferem a Liberdade.
No meu video de hoje lembro que importa reclamar por todas as liberdades suspensas e denunciar tentativas de novos abusos de poder no futuro.
Som e imagem aqui:
Açaimai-me
Pelo que tenho ouvido dos artistas que passam na TV, todos eles líderes ou comentadores partidários, não há partido nacional que não esteja preocupado em alertar o governo para formas mais ou menos aberrantes de obrigar qualquer português a meter a máscara mesmo quando sozinho no topo da montanha.
Sozinhos, no topo da montanha, parecem estar estes artistas. Claro que podemos fechar os olhos a isto, a aquilo, ao sim e ao não, a mais meia-dúzia de coisas, mas o risco é de andarmos por aí iludidos com o que achamos que deviam defender em vez de resignados com o que defendem.
Devolvam o meu voto, porque no lixo é que ele deveria estar.
O PS a fazer o seu trabalho: comprar votos
Camarada Rita Rato a fazer o seu trabalho político
Rita Rato no seu cargo de directora do Museu do Aljube confirm ao que se esperava dela: a programação do Museu parece saída duma sessão organizada pelo PCP no museu.
O Aljube enquanto prisão tem muito mais para contar.
Estado de holocausto
Acaba o “estado de emergência” para dar lugar ao “estado de calamidade”. Se não se tratasse da vida das pessoas, teria alguma piada: as medidas idiotas para a emergência geraram uma calamidade, o que é óbvio para qualquer um cujo salário não venha direitinho do orçamento de estado.
Vamos ver em que consiste o “estado de calamidade”. A continuar como no “estado de emergência” talvez se possa já anunciar o futuro “estado de holocausto”.
Aguentar manifestações, piquetes e apupos não é para todos
António Costa evita manifestantes em Valença e atira Pedro Nuno Santos para o protesto
O momento é absolutamente constrangedor. Costa comporta-se de forma vergonhosa.
È nerstes momentos que se percebe para que serve o EXPRESSO. Ao vermos o video percebe-se que o PM perante os manifestantes trata de sair dali rapidamente e atira Pedro Nuno Santos para a frente dos contestatários. Ora segundo o EXPRESSO não só “Pedro Nuno Santos discute com manifestantes em Valença”como «António Costa, à chegada a Valença, dirigiu-se à delegação de trabalhadores, recebeu o manifesto que distribuíam e remeteu os trabalhadores para uma reunião com o presidente da IP»
Ursula von der Leyen veio agora armar-se em vítima e dizer que o vexame por que passou na Turquia foi um caso de sexismo. Era simples, não era?
Mesmo dando de barato que a Turquia mente quando declara que a equipa da UE que preparou a reunião achou normal aquela disposição na sala há que ter em conta que o problema não é o sexismo de Ancara mas sim a forma brutal como a Turquia chantageia a UE por causa dos refugiados.
E a UE não tem à sua frente gente à altura. Vir falar de sexismo é cavalgar a onda do momento e iludir a pincipal questão: Ursula von der Leyen é uma nulidade.
Magnífico Marcelo
O responsável por quinze declarações de estado de emergência, num país que deixou de respeitar o Estado Direito, de fronteiras fechadas e cujas liberdades individuais estão altamente agrilhoadas diz as suas habituais platitudes no discurso da cerimónia evocativa do 25 de Abril na Assembleia da República e a generalidade do comentariado nacional entende que o homem deu uma lição extraordinária e foi magnífico.
O povo sente-se confortável preso e com açaimes e por isso aplaudiu de pé o chefe de Estado e foi para a rua festejar.
Comentário ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo percebeu que existe uma forte possibilidade de Pedro Nuno Santos suceder a António Costa
Marcha da Avenida
Ouviu falar de Stephanie? Ou não se pode falar de Stephanie porque quem a matou está no lado fofinho das notícias?
O fundamentalismo islâmico existe e mata. Em França os números dos mortos são estes. Os mortos acabam a impor que se fale desses atentados. Porque da violência do quotidiano, aquela que mina a convivência, que impôs regras próprias nos bairros, aquela que transformou a França num país doente dessa não se fala.
J
O regime prescreveu
Quarenta e sete anos depois, festejar isto é degradante. Compreendia-se durante uns dez ou quinze anos, mas agora é só gozar com o pagode. No próximo ano serão os míticos quarenta e oito, a medida entre Salazar nas finanças e os cravos. Temos doze meses até à derradeira humilhação.
O regime prescreveu.
Os cravos já foram. A ciclovia é o novo símbolo
Att: D. Manuel Clemente
Líderes religiosos no Reino Unido dirigem-se ao Primeiro-Ministro dizendo, entre outras coisas, o seguinte:
“uma área que suscita grande preocupação é a possível introdução na nossa sociedade dos chamados “passaportes de vacina”, também chamados de “certificados COVID”. Opomo-nos totalmente a esta proposta.”
“a introdução de passaportes de vacina constituiria uma forma antiética de coerção e violação do princípio do consentimento informado.”
“esta medida tem o potencial de acabar com a democracia liberal como a conhecemos e de criar um estado de vigilância”
“para a Igreja, excluir aqueles considerados pelo Estado como socialmente indesejáveis seria um anátema para nós e uma negação da Verdade do Evangelho”
O texto completo e na língua original está disponível aqui.
Se a hierarquia da Igrega Católica Portuguesa quiser ainda mostrar alguma dignidade e fidelidade a Deus e não ao Estado, não seria indiferente a esta tomada de posição dos seus irmãos britânicos, pelo que aqui fica o apelo à reflexão do Presidente da Conferência Episcopal.
Vamos falar sobre isto?
8 de Abril: Alemanha vai negociar bilateralmente eventual compra de vacina russa
11 de Abril: França classifica compra de vacina russa por Berlim como “golpe de comunicação”
Há governantes que não são moluscos nem neo-fascistas
Ordem e progresso
Está na altura de aceitarmos que a máscara veio para ficar, assim como inúmeras restrições às deslocações das pessoas. A vida começa a voltar a uma aparente normalidade, a de que estamos habituados ao que as coisas são em relação ao que as coisas já foram quando não tínhamos assuntos importantes para resolver.
Os assuntos importantes são a iminente catástrofe ambiental causada pelo consumismo desenfreado de bens de consumo incluíndo gadgets electrónicos de acesso às redes sociais, pelas viagens da classe média às praias de Espanha, Cuba e México, pelos invólucros plásticos dos kit de teste ao SARS-Cov–2 e pela reticência dos governos em taxarem fortemente os remediados sem capacidade monetária para montarem múltiplas fundações humanitárias e ecológicas não governamentais onde depositar as riquezas ricos.
Idealmente, com um passaporte covid, poderemos assegurar que os laboratórios mantêm os seus estímulos com testagem massiva recorrente e vacinas a roçarem a inutilidade renováveis anualmente, que as viagens são mantidas no mínimo estritamente necessário de forma a destruir o turismo, o espírito humano e a liberdade e que a prole de azeiteiros pantomineiros especialistas nos alertem por muitos e muitos anos dos perigos de miscigenação com muçulmanos, contacto humano e direito à privacidade pela obrigação de denúncia enumeração dos perigosos subversivos contactos que tivemos por razões humanas epidemológicas de controlo bem comum.
O problema do sr Preguiça não é ser socialista
É não ter competência!!!!! Não ter formação na área.
O que sabe o sr Preguiça sobre a Segurança Social de que vai ser director-geral?
Regionalização e venerandos caciques autárquicos
A covid19 deu visibilidade aos tiranetes locais e demonstrou que a regionalização serviria para trazer mais Estado e abusos de poder para junto das populações.
Além de que os autarcas já gerem a agenda na perspectiva de se alambazar no pote da bazuca europeia.
O meu video de ontem aqui:
A EMEL importa-se de deixar de gozar connosco?
A EMEL resolveu fazer um inquérito dque relaciona os hábitos de mobilidade com o género dos inquiridos está a gerar alguma polémica. O inquérito é em si mesmo um absurdo folclórico. Se a EMEL quer saber dos problemas de mobilidade pode por exemplo fazer inquéritos em que relaciona a idade com a opção por determinados transportes, o ter ou não de carregar pesos, fazer-se acompanhar por crianças ou idosos… A doideira do inquérito com referẽncias a Mulher, Homem e Outros, para Homem Cisgénero, Mulher Cisgénero, Homem Transgénero, Mulher Transgénero e Outros não tem outro fim senão alimentar a malta do Bloco e afins que vegetam na CML e que, obviamente, vão concluir que é necessário mais um inquérito. De caminho pode a EMEL esclarecer como consegue alguém saber das identidades sexuais dos ciclistas de modo a discriminá-los.
As duas faces do Bloco na CML
Víctor Reis a denunciar como o BE está a instituir a lei dos seus ocupas: Em novembro passado em Lisboa, uma casa da Câmara, vazia, foi ocupada ilegalmente Imediatamente, tivemos a associação Habita a clamar que “quem ocupa casa não é criminoso” e, no dia seguinte, o Bloco de Esquerda exigia que a queixa-crime fosse retirada. «A associação Habita é dirigida por uma ilustre figura do Bloco de Esquerda, Rita Silva, que era a número 2 de Ricardo Robles na candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa em 2017. Quando Robles se demitiu da Câmara, em julho de 2018, surpreendentemente, não foi ela quem lhe sucedeu. A senhora ficou fora da câmara, reservada para estas “manobras”. Percebemos, assim, as duas faces do Bloco de Esquerda. Uma, institucional, que é hoje assegurada pelo número 3 da lista, o vereador Manuel Grilo, que se tornou o amparo de Fernando Medina e lhe dá a maioria na câmara, e outra, anarco-populista-onde-vale-tudo, protagonizada por esta associação, por esta senhora e por umas quantas associações-satélite, que ora berram e se manifestam contra o que lhes convém, ora se calam e encolhem quando a coisa corre mal.»
E viva a Super Liga Europeia!!!
Quando veja tamanho unanimismo, principalmente da parte do establishment, contra ou a favor de algo, fico logo desconfiado. Seja por espírito de contradição ou por uma recusa sistemática em alinhar com a multidão ululante, a minha reação instintiva é solidarizar-me com o alvo de todos os ataques. E quando o argumentário dos ditos está prenhe de lugares comuns da novilíngua, com os pungentes apelos à solidariedade, ao futebol inclusivo, contra o suposto segregacionismo dos ricos e poderosos e outras balelas que até metem luta de classes e tresandam a hipocrisia, quaisquer dúvidas que tivesse esbatem-se por completo. E se vejo políticos metidos ao barulho (e eu até simpatizava com o Boris desgrenhado…), isso só reforça a minha eterna opção de defesa das minorias.
Mas afinal qual é o cerne da questão? Muito simplesmente, um negócio planetário que movimenta milhões e, portanto, com poder de arrasto de muitos e diversificados interesses. E quando falamos de futebol de alta competição, não estamos a falar de desporto, mas de um espectáculo que se transformou num negócio à escala global. Que ao longo do tempo soube gerar marcas com notoriedade mundial que os consumidores compram de bom grado.
Acontece que as entidades proprietárias das principais marcas, entendem serem capazes de, em conjunto, geri-las e rentabilizá-las melhor com um modelo alternativo de negócio. Nada de novo, a lógica de qualquer negócio passa por maximizar proveitos e lucros. Estão portanto dispostas a assumir o risco do investimento numa nova competição, incluindo o ostracismo a que as organizações incumbentes (UEFA, FIFA e Federações) ameaçam votá-las, a si e aos seus “artistas”. Mais uma vez, nada de novo no que concerne ao mundo dos negócios, trata-se apenas de uma pequena inovação quanto à venda do produto – o espectáculo do futebol de alta competição – e que, como qualquer inovação, pode tornar-se disruptiva e afectar os interesses instalados. Os quais reagem obviamente, com mais ou menos discrição, com mais ou menos violência, consoante os casos.
Se o projecto avançar, mesmo arriscando os seus promotores serem irradiados das competições nacionais, tiro-lhes o chapéu. Se terá sucesso ou não, o futuro o dirá, mas aplaudirei sempre aqueles que arriscam e inovam contando consigo próprios e sem qualquer apelo – que se saiba – à subsidiação pública. Ou seja, actuando no mercado e com o sucesso a depender em exclusivo da aprovação dos Clientes, no caso em apreço os espectadores de bancada e/ou de sofá. E qualquer concorrência à unicidade na organização das competições futebolísticas, assente na pirâmide de organizações para-públicas e minadas pela corrupção, será sempre uma pedrada no charco.
Por fim, a minha declaração de interesse: enquanto espectador – fundamentalmente de sofá – gostaria de assistir a jogos com um nível de competitividade semelhante aos da NBA. O futebol ainda não tem nenhuma competição que se lhe equipare, nem sequer a Champions.
Preguiça na Segurança Social
Tiago Preguiça, de 34 anos, exercia funções como assessor de António Costa. Entre junho de 2018 e outubro de 2019 exerceu funções de chefe de Gabinete do Ministro Vieira da Silva. Antes foi técnico do Gabinete do Secretário de Estado do Emprego e director e campanha autárquica de Idália Serrão, violinista, ex-Secretária de Estado de José Sócrates que depois viria a abandonar o cargo de deputada para ser nomeada para a Administração da Associação Mutualista Montepio e a quem a Autoridade de Supervisão retirou há dias os respectivos cargos por “a atual administradora não ter curriculum no domínio da gestão, estando a sua experiência centrada num percurso marcadamente político no Partido Socialista”
Preguiça foi ontem nomeado em regime de substituição para o cargo de Director-Geral da Segurança Social.
O novo director-geral da Segurança Social foi presidente da Juventude Socialista concelhia e distrital de Santarém e presidente da Comissão Nacional da Juventude Socialista. Nas últimas eleições legislativas, Tiago Preguiça foi escolhido pela concelhia socialista para ser candidato a deputado, mas a distrital do PS acabou por ignorar o sentido de voto da concelhia e substituiu Preguiça escolhendo outro candidato.

Já esqueceram Pedrogão?
Tenho dificuldade em acreditar que em Abril estejamos com uma crise no SIRESP: o general que o liderava demitiu-se; o Governo pré-anuncia um novo modelo para a rede de comunicações de emergência. O BE pede a nacionalização do SIRESP que por sinal já está nacionalizado. O CEO da Altice, empresa que assegura o funcionamento do SIRESP, alertou que o funcionamento do SIRESP pode estar em causa a partir de Julho, notando que, a pouco mais de dois meses do fim do contrato, ainda não houve qualquer contacto por parte do Governo. Entretanto o Governo anuncia que vai negociar mais seis meses de contrato do SIRESP com a Altice e a Altice Portugal diz que não aceitará renovação do contrato do SIRESP por seis meses… As tragédias são um cúmulo de incidentes.
Moura e os talibãs
Hoje foi o dia em que os talibãs sanitários da nossa oligarquia resolveram dar um pequeno rebuçado à generalidade das regiões do Continente permitindo a reabertura de actividades, embora continuando a manter regras fascistas de condicionamento.
Em Moura, com cerca de 15.000 habitantes, temos zero pessoas internadas com covid19 e dez pessoas com teste pcr+ ao Sars-cov-2. Mas este concelho está preso, de fronteira com Espanha fechada e em confinamento geral, excepcionando-se a venda de comida ao postigo e a actividade escolar. O resto está fechado.
O presidente da câmara local, socialista e de apelido Alegria, mostra-se apenas azedo com a fórmula de cálculo usada como critério de avaliação da situação de saúde pública, mas não se lhe ouviram críticas ao governo nem ao seu chefe de partido. Muito menos se testemunhou acções de desobediência em relação ao centralismo cego de Lisboa em defesa da comunidade local.
É o que temos.
Dizem que não há gripe este ano, pelo que só posso ter acordado com covid. Serve isto para dizer que perdi mais tempo que o costume a olhar para títulos de jornal, motivo pelo qual encontrei umas declarações de Marques Mendes. O comentador atribui a Sócrates alguma culpa pelo “crescimento da extrema-direita”. Como mais vale aceitar desde já que “extrema-direita” é a expressão usada para designar o Chega em vez de argumentar, vencido, sobre a inadequação do termo, siga a marinha e discuta-se a ideia.
Toda a gente e o seu gato tem uma teoria sobre o crescimento do Chega baseada em culpa. Cresce porque houve um mau qualquer que criou a necessidade de um partido de protesto; cresce porque a justiça é uma porcaria, logo decresceria se fizéssemos a 28ª reforma trimestral do sistema; cresce porque alguém falha em apresentar soluções para estes eleitores tresmalhados. Ninguém se lembra de que no catolicismo há perdão dos pecados e, como tal, estes não são causa para nada, pois a absolvição remove-os. Ninguém se lembra, então, que o Chega existe simplesmente porque deve existir, preenchendo uma vaga que sempre esteve lá presente. Ninguém se lembra que as coisas simplesmente acontecem, “that’s all they ever do”, como diz a canção.
A ideia de ilegalizar o Chega é de uma estupidez tão gritante que só poderia vir de gente que acha que varrendo algo para debaixo do tapete a coisa desaparece. Dizem que ontem houve uma manifestação com centenas de pessoas. A mim pareceram-me milhares, mas não as contei. Cada vez mais se torna evidente que o “medo da extrema-direita” tem duas origens: a da esquerda, que achava que teria para sempre a exclusividade da rua e a da direita, que achava que esta só servia para se juntar à esquerda nas causas mais estapafúrdias de sempre como o “direito a ser feliz”.
Eles estão aí. Não gosta, deixe na borda do prato.
3×30 – Tudo tranquilo na frente ocidental
Apesar da propaganda inflamada dos media da corte que isolam Ventura como o ditador sanguinário em potência, aquele que trará o fascismo, o nazismo e até talvez jihadismo para a pacata nação, será impossível que tal aconteça. Nenhum ditador sanguinário, daqueles desejados por populações que esgotaram os brioches para comer, pode atingir a corte se membro da própria corte.
Entre membros da corte há movimentações palacianas, várias facções e ainda mais traições. Porém, o homem providencial será sempre o tipo de fora. Assim foi com o Marquês de Pombal, assim foi com Salazar, assim foi com a generalidade dos forasteiros que, a bem ou mal, terminaram com o ciclo de umbiguismo perpétuo da frase: “Lisboa é o país, o resto é paisagem”.
Rui Rio tenta chegar à corte, mas nunca será aceite para algo mais que o papel de bobo, que desempenha com afinco. Portanto, tudo tranquilo na frente ocidental.










