Preso no seu tempo
De nenhum livro de história do século XXII constará a taxa de IVA do país em que foi editado. Também não constará se o gasóleo subiu, se o imposto sobre os combustíveis era incomportável ou se o saco plástico proibido ao belga impediu o Oceano Índico de se fossilizar em ilhas de plástico. O que constará é que o século XXI foi aquele em que, mais uma vez, e ignorando os avisos do século anterior, se tentou reduzir a humanidade a um conjunto de decretos determinantes do algoritmo desejado para o comportamento dos humanos.
O “politicamente correcto” não é uma mera cortesia levada longe demais: é um método de redução da linguagem à forma mais primitiva possivel de raciocinio, o triunfo do instinto. O esforço levado a cabo para destruir o império cristão, com a conivência dos bárbaros paganistas chanfradinhos por leis e decretos, subvertendo a semântica vazia de “fake news”, que se são fake não podem ser news, obtiveram significado para o vazio das expressões por simbiose com o vazio da ética. Os vazios são assim: nada; o nada é, por consequência, todo igual na sua própria ausência de matéria.
Não há terroristas islâmicos: há terroristas brancos, da extrema-direita das “fake news”, ou há pessoas com perturbações. De resto, o que há são carros e bombas que matam, não há assassinos. Decreta-se de forma a que quem o desejar possa ser assassinado num hospital. Mas, o que é o querer? O que é o desejo? Na uniformização das pessoas, na igualdade, não há lugar a desejos que ponham em causa essa igualdade. Inventam-se doenças para caracterizar quem não partilha de um desejo, as fobias, como se querer preservar instituições como o casamento seja igual a ter medo de homossexuais. O medo combate-se, igualando, nivelando todos pela bitola do algoritmo. Não há diversidade, há igualdade, bem mais total do que parece por ser aferida com a linguagem do momento.
Por isso, parta para a sua auto-expressão: tatue-se, deixe crescer a barba, seja lenhador; recite mantras de aquecimento global e de fobias variadas, seja ecuménico porque tudo é igual a tudo e, assim, tudo vale nada; eutanasie-se. Seja a norma. Seja tudo o que de si esperam. Contamos todos consigo.
Há quem pense – ainda há – que o liberalismo está na moda. Não está. Já veio e já se foi. Agora resta isto, a ilusão de liberdade na igualdade.
E agora quem é que tira o véu?
Espera-se que no mundo muçulmano as mulheres comecem a tirar o véu em solidariedade com os católicos do Sri Lanka.
Linda homilia de Páscoa no Porto
O bispo do Porto reservou a sua homilia de hoje para dizer tontices acerca do trabalho por turnos e a abertura dos supermercados e centros comerciais aos Domingos.
É uma lengalenga com muitos anos, mas o facto de ser antiga e lembrada num dia como o de hoje em que se celebra a transcendência e alegria da ressureição de Cristo torna a coisa mais disparatada e contraproducente para a re-afirmação da Igreja e cultura católicas na sociedade.
Diz o bispo Linda:
“De tal forma que fé em Jesus Cristo, crença na ressurreição, guarda do Domingo como dia absolutamente diferente e celebração festiva aglutinaram-se numa mesma unidade, qual marca identitária da cultura ocidental humanista.
Esta marca está a perder-se. E a perder-se em detrimento da dignidade pessoal e dos direitos humanos. Pensemos no novo esclavagismo da laboração contínua, «legalmente» imposta pelos novos senhores do mundo que dominam a economia e, por esta, os governos. Pensemos como os critérios dos «turnos», em sectores onde, para além da ganância, nada os justifica, a par dos graves transtornos psicológicos do trabalhador e do fracionamento dos encontros familiares, está a gerar a «morte do Domingo», o fim dos ritmos semanais, a abolição dos verdadeiros momentos celebrativos e o fracionamento da família e das relações de amizade. O mesmo se diga da abertura dos supermercados e dos centros comerciais ao Domingo, expressão de um certo subdesenvolvimento humano e mesmo económico. Enfim, está-se a gerar uma civilização fria, sem alma, individualista, sem profundidade de relações e até mesmo sem outros contactos que não sejam os da «realidade virtual».”
É justo referir que o actual bispo do Porto não pediu nesta homilia a intervenção do estado nem da legislação para proibir ou limitar o horário de funcionamento do comércio ou “regular” a organização da produção. Mas, atendendo ao que no passado já muitos outros membros do clero defenderam e à referência que faz a “países mais ricos” supostamente não abrirem supermercados ao domingo, indica que o bispo veria com muito bons olhos que tal acontecesse.
Gostava de lembrar a Manuel Linda que se os estabelecimentos comerciais estão abertos ao Domingo, é porque há clientes que os frequentam e daí terem funcionários a assegurar a operação de retalho. O bispo quer impôr através da força da lei dos homens aquilo que considera serem as boas prácticas dos fiéis? E quem não é cristão ou nem sequer tem fé, ver-se-ia confrontado também a tal restrição?
Já agora, que palavra de conforto teria o bispo para aqueles trabalhadores que deixariam de ter oportunidade de ganhar mais algum dinheiro para o seu orçamento familiar trabalhando ao Domingo? E às famílias dos trabalhadores que fiquem sem emprego pelas empresas perderem encomendas deixando de laborar em contínuo, o bispo vai-lhes levar pão para a mesa? E que tipo de celebração familiar entende Manuel Linda ser aquela dos desempregados que deixem de poder finalmente encontrar um turno de trabalho remunerado?
Com franqueza custa-me criticar a hierarquia da Igreja em tempos de narrativas politicamente-correctas que querem apagar qualquer referência à fé dos homens e finalmente “matar” Deus. Ainda por cima no dia em que se celebra a Páscoa…
Mas ver dirigentes católicos entrar em discursos deste tipo, com adjectivações deste calibre, sobre temas que pouco têm que ver com a Fé, faz-me urticária.

*
O Expresso publica um texto que identifica como sendo da LUSA sobre os atentados no Sri Lanka. Enquanto que no ataque às mesquitas na Nova Zelândia logo surgiram termos como terrorista, ódio, racista e as vítimas eram identificadas como muçulmanos e imigrantes, no caso do Sri Lanka as explosões explodem, as pessoas morrem e o presidente apela à calma. Os católicos são fiéis.
«Explosões em Dia de Páscoa fazem mais de 150 mortos no Sri Lanka (atualizado)
Pelo menos 137 pessoas, entre as quais um português, morreram após uma série de explosões que ocorreram em três igrejas e três hotéis no Sri Lanka, de acordo com novo balanço avançado por fonte policial. O Presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, apelou hoje à calma depois uma série de explosões sentidas em três hotéis de luxo e três igrejas, onde muitos fiéis celebravam o Domingo de Páscoa.»
Não tinha de ser assim
Ps. Estas figuras no parlamento devem ser combinadas à mesa do jantar pelos veneráveis cônjuges
Porto do Son

Tenho andado por aqui. Pacífico, tranquilo, local de diluição entre as gentes e a natureza no minúsculo espaço fronteira entre o Céu e a Terra. Vê-se um restaurante no topo de um pequeno morro. Lá sustenta-se uma família que, sem esforço ou pretensão, celebra a Criação com vista para o Atlântico num polvo à galega. Há rochedos e uma piscina natural entre eles, característica dos recortes entre mar e costa, que a chance atribuiu aos galegos e não aos portugueses, que não saberiam disfrutar deles. Um pouco a norte, em Baroña, há um castro abandonado pelos seus habitantes enquanto Cristo era crucificado, cem para a frente ou cem para trás. Deste lado, com vista do restaurante, há o local onde, em 1968, Ramón Sampedro mergulhou para a agonia da consciência da condição humana. Morreria 29 anos depois, do outro lado da península, numa localidade situada em pequena enseada da Ría de Arousa.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice para poder funcionar fraternalmente.
— Jorge de Sena in “No país dos sacanas”
Agora, 21 anos após a morte de Sampedro, este cu da Galiza a que se chamou Portugal prepara-se para o extermínio de velhos inconvenientes no serviço nacional de saúde. Também lhe chamarão “suicídio assistido”, porque a canalha chama o que quer ao que gosta de fazer. Um funcionário do estado devidamente habilitado pelo estado tratará de administrar droga letal “a pedido” enquanto liberta camas ocupadas por parasitas que só sacam, nada contribuem para aliviar a segurança social, aquela dotada de crises que já foram resolvidas para sempre inumeras vezes pelo primeiro dos Vieira da Silva que chegou ao governo.
Enquanto a malta se entretem com os -ismos, a ver qual tem pila maior, só um motivo me fará dirigir às mesas de voto nas legislativas: fazer a cruzinha no partido que melhor garantir que a “eutanásia” não é aprovada. Nenhum livro de história me mencionará, mas mencionará o que eu, como pessoa deste tempo, permiti que fosse feito. É que, tal como Ramón Sampedro, eu pretendo sair de cena com a consciência aliviada de deixar o mundo ainda habitável para humanos.
«anos de chumbo»?
«Anos de chumbo», os de «2004 a 2013», sr. professor? Os seus, só se foram de chumbo dourado.

no país dos 600 € de salário mínimo
«Paz Ferreira trabalhou com o antigo executivo com contratos que lhe deram um total bruto de 528 mil euros. Na presente legislatura celebrou contratos com o governo num total de 587 mil euros». Ninguém melhor do que um socialista anti-capitalista para apreciar a volúpia, quase sexual, do dinheiro.
Título anedota do ano: Combustíveis: Sociólogos alertam para aproveitamento político e excessiva mediatização
Os sociólogos são dois e chamam-se Manuel Carvalho da Silva e Elísio Estanque. Daí para a frente é ler e perceber como a liberdade de imprensa está longe de ser um adquirido
Hafsa Askar, dirigente estudantil em França que se tem destacado pelo seu radicalismo e ódio à cultura francesa, escreveu isto enquanto Notre Dame ardia.

Em menos de 24 horas
Portugal deixou de ser um país a descarbonizar, lutando para se declarar livre do petróleo para ver cada um dos seus cidadãos em luta pelo seu depósito atestado e com o PR a fazer doutrina ao defender o alargamento da requisição civil de modo a garantir o fornecimento de combustível aos milhares de pessoas que planeavam “passar a Páscoa com as famílias”. E, pergunto eu, porquê apenas aos que planeavam passar a Páscoa com as famílias? E os que planeiam ir em grupo aos santos populares? E os ‘tadinhos dos ateus mais os que se dão mal com as famílias ficam de fora? E as idas à praia nas férias ficarão de fora desse alargamento da requisição civil por assim dizer a tudo o que nos dê jeito e sobretudo não belisque a nossa popularidade?
Da pantominice
Então não andam todos de bicicleta? E onde estão os tais milhares que trocaram o carro pelos transportes públicos graças ao menor custo dos passes? Segundo as contas do Expresso era um dito e feito: “Passes sociais retiram 40 mil carros de Lisboa por dia.” Menos de 24 horas de uma greve mostraram como o patetismo tomou conta do discurso sobre os transportes. É tudo um faz de conta.
Transporte de matéria perigosa

*
não terá sido lembrança
Vi o Sócrates, na TVI, no programa «A crise das nossas vidas», a dizer que só chamou o FMI, em 2011, porque os banqueiros se recusaram ao «dever patriótico» de comprarem mais dívida do Estado. É espantoso como este homem não se lembrou de a vender ao Carlos Santos Silva! Bem conversadinho comprava-a toda…

Ricardo Chibanga: “Sempre senti medo.”
Ocidente
Proposta para a reconstrução de Notre Dame

Sem palavras
a melhor notícia do ano

Eis uma notícia fantástica! Graças aos denodados esforços do governo das esquerdas+Mário Centeno (cuja actuação não devemos confundir com a pureza de intenções do Bloco, muito menos do PCP), o investimento no Alojamento Local caiu 60%, em relação a anos anteriores. Isto quer dizer que o investimento na recuperação do património imobiliário das nossas grandes cidades cairá em igual proporção, ou até maior, se a isto adicionarmos as sábias medidas de agravamento do IMI, que aí se anunciam. Ora, quem passear pelas baixas do Porto e Lisboa, já para não falar nas cidades de média e pequena dimensão, constatará que pouco mais que 20% do seu imobiliário se encontra recuperado, podendo, a partir de agora, os indígenas locais beneficiar de um património desintervencionado, sem obras modernas, verdadeiramente castiço e típico da alma lusitana. Por outro lado, a queda do investimento no AL arrastará empresas de construção, turismo, restaurantes e mais uma quantidade de sectores da nossa economia que vinham a gerar emprego e riqueza graças aos idiotas que nele investiram. É, pois, graças a medidas sábias e inteligentes, como estas, que se prepara o país para enfrentar a próxima crise económica que aí vem a caminho. Uma vez mais, a culpa será da economia mundial e europeia. Nós fizemos tudo o que era possível para a evitar.
Senhores políticos, trabalhem vocês até morrer!
Não custa nada ser político e sentadinho no seu gabinete com ar condicionado, mobiliário ergonómico, todo aperaltado com muito conforto e mordomias, decidir mais umas medidas austeras sobre os destinos dos desgraçados dos portugueses que os sustentam. Não há dinheiro para cobrir o aumento da despesa pública? Afoga-se o contribuinte de impostos. Há défices crónicos por má gestão pública? Afoga-se o desgraçado ainda mais em impostos. Há défice na Segurança Social? Põe-se o contribuinte otário a trabalhar até morrer! Isto é socialismo!
É demais. Andamos há anos nisto. O pesadelo parece não só não ter fim como se adensa a cada ano que passa. A idade efectiva da reforma que era em 1980 de 62 anos, em 2013 passou a 65 anos; em 2014 e 2015 a 66 anos; em 2016 a 66 anos e 2 meses; em 2017 a 66 anos e 3 meses; em 2018 para 66 anos e 4 meses; agora em 2019, será a 66 anos e… 5 meses!! Isto já é real e só no mandato da Geringonça, já contamos com 4 desses aumentos. Eis o que nos espera se não retirarmos o socialismo dos destinos dos portugueses:
(Fonte Jornal Eco)
O cidadão não tem culpa das irresponsabilidades governativas de todos os que passaram pelos governos. Não têm! Trabalhou, descontou e confiou no Estado. Quem cuida da gestão desse dinheiro é que tem muita responsabilidade pelo estado das contas da Segurança Social.
Porque não foi o contribuinte que investiu em fundos especulativos como denunciou o Observador: ” O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), onde se concentra o dinheiro que pagará, no futuro, as pensões, perdeu 18,6 milhões de euros devido à falência de um dos principais investidores, a Finpro, diz hoje o Correio da Manhã na sua edição impressa. A empresa era, de resto, uma das maiores devedoras da Caixa Geral de Depósitos, que com a falência da Finpro perde igualmente uma quantia considerável de 23,8 milhões de euros, já que detinha 17,2% da empresa. O FEFSS detinha 10% da Finpro, daí ter perdido menos do que o banco.”
Também não foi o contribuinte que determinou que houvesse políticos a receber reformas vitalícias ao fim de 8 anos de “serviço” que vão custar em só 2019, 7,17 milhões. Apesar desta medida ter sido revogada em 2005, não teve efeitos retroactivos o que permitiu uma corrida às pensões dos que já tinham 8 anos acumulados até 2005 (inclusive). Segundo o DN “(…) em 2009, com as reformas de 383 deputados foram gastos mais 3,5 milhões de euros (um total de 8,5 milhões de euros) do que com os 22 311 pensionistas que ocupavam o então escalão mais baixo de reforma (até 227, 39 euros).” Neste grupo estão não só deputados, mas também presidentes de autarquias que a podem requerer. Contam-se 117 presidentes de câmara com este “direito”. Há ainda políticos a acumular estas subvenções vitalícias com outras pensões que recebem de organismos públicos e privados. A lista é extensa e continua a crescer por efeito retroactivo. Em 2016 eram 330 nomes mas agora não podemos saber quantos são porque o Governo de António Costa continua por decisão unilateral a esconder a lista.
Nem tão pouco é culpa do contribuinte haver reformas milionárias para as quais não houve total cobertura com contribuições. Reformas obscenas suportadas também pela Segurança Social.
Muito menos é culpa do contribuinte a Segurança Social ter pago 4 milhões de euros em pensões de sobrevivência e de direito próprio a beneficiários já falecidos há mais de 10 anos ou dar subsídios a quem não precisa deles.
Portugal é dos países mais defraudados que existe nesta Europa e só não está pior porque anda ancorado à UE. Vive na ilusão de que é “rico” e “próspero” quando na verdade não aguenta sequer uma “constipação” financeira. Por isso temos ao contrário da insultuosa propaganda socialista, as contas viradas do avesso que penalizam sempre os mesmos: o povo indefeso.
Não é a idade da reforma que tem de subir. É a gestão da Segurança Social que tem de ser reestruturada. De raiz. Acabar com um sistema que permite ser politizado, roubado, saqueado por outro transparente, mais justo e eficaz que assegure o seu propósito: devolver em fim de vida o dinheiro entregue pelos contribuintes e dar protecção social, sem criar dívida para as gerações seguintes.
A Suécia, como informa a FMS, “é um sistema de repartição como o nosso. É pago pelas contribuições dos trabalhadores e empregadores, mas a pensão é calculada como se estivesse num PPR virtual”, explica Amílcar Moreira. O sistema assenta em contas nocionais – não é possível saber hoje o nível de pensão que se terá no futuro – e integra três pilares: uma pensão-base, para a qual se contribui; uma pensão garantida que complementa a primeira quando esta é demasiado baixa; e uma pensão premium, privada, de carácter obrigatório.” Aqui, cada um receberá não mais nem menos do aquilo que pagou ao longo da sua vida. É uma pensão de velhice em função da esperança de vida da geração a que pertencem e é calculada com base numa taxa de contribuição fixa e nos salários auferidos, pela remuneração anual das contas individuais a uma Taxa Interna Retorno do sistema (nocional). As pensões são actualizadas automaticamente e de forma igual para todos. Apesar da natureza individual são regimes de seguro social de protecção contra os riscos de velhice, morte e invalidez. O sistema pode ser complementado desde que asseguradas por fontes de financiamento externas para não criar dívida às futuras gerações (Fonte artigo de Jorge Miguel Bravo no Público)
Este sistema já é adoptado também pela Polónia, Letónia, Noruega e Itália bem como muitos outros países e assegura equidade intergeracional e sustentabilidade financeira. Ora, por que razão Portugal, governado desde sempre pelo socialismo e social democracia, foge a sete pés de um sistema que permite justiça, equidade e fim do endividamento? Simples: porque não permite eleitoralismos e populismos à conta da Segurança Social.
Como é que a Lusa prova isto?
A Lusa criou um site designado combatefakenews.lusa.pt O combate passa por publicarem uns textitinhos mais ou menos institucionais em que invariavelmente aparece o seguinte parágrafo:
«As ‘fake news’, comummente conhecidas por notícias falsas, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.«
Após ter lido esta litania em vários textos da Lusa
‘Fake News’ são “mais um desafio” do que um perigo
Regulador da Comunicação propõe criar lista de sites e sugere sanções
“Os Verdes” defendem “comunicação social plural e contraditória”
Alemães defendem ação rápida das autoridades contra notícias falseadas
Venho solicitar que a Lusa dê exemplos dessa utilização de notícias propositadamente falseadas nessas campanhas eleitorais e por quais candidatos. Ou pretenderá a Lusa que as fake news só são um problema quando o resultado das urnas não confirma os vencedores que a Lusa considera correctos?
Continuando com a campanha eleitoral que não é noticiada

Em Portugal as agressões e insultos oas militantes do PP, Ciudadanos e Vox nesta campanha eleitoral não têm sido notícia. A fotografia mostra um simpatizante do Vox, partido de extrema-direita segundo a nossa imprensa, a ser esclarecido sobre as desvantagens de ir a comício por aqueles que a nossa imprensa chama activistas e democratas
Chamem-se como quiserem mas façam alguma coisa!
Gestão de expectativas

*
a moral e a ética não se legislam: praticam-se
Trigo Pereira, um dirigente socialista que, por vezes, tem assombros de sensatez, sugeriu, no Público de hoje, que se fizesse uma lei onde se impedissem «os dirigentes» políticos «de intervir nos procedimentos de nomeação de cônjuges, pais, filhos, irmãos ou afilhados». Esta não é, claramente, uma ideia sensata.
Não o é, desde logo, porque nenhuma lei do mundo poderá definir utilmente, isto é, para os fins por ela supostamente pretendidos, o conceito de «intervenção» Trata-se de apor a sua assinatura no despacho de nomeação do parente? De fazer uns telefonemas aos colegas ministros para ver se lhe tiram a mulher de casa ou se arranjam alguma coisa para entreter o seu jovem infante desempregado? De pedir à sua amante, por sinal chefe de secção de um qualquer ministério, no doce remanso do vale dos lençóis, que lhe contrate a prima?
Moral da estória: o positivismo legislativo e o socialismo ideológico costumam andar sempre de braço dado. Acontece que ambos ignoram, quase sempre, que a ética e a moral não se legislam: praticam-se.
Outra vez a conversa do novo aeroporto?
Como cidadã não há nada mais revoltante do que ver um país tecnicamente falido e que caminha a passos largos para mais uma grave crise financeira em propaganda por mais um aeroporto. Sim, mais um. Ou estão esquecidos que em 2011 inauguramos um, novinho em folha, por 33 milhões de euros, a 147 km do Algarve e com capacidade para receber os A380, o maior avião do mundo da Airbus e que está literalmente ao abandono?
Não existe qualquer respeito pelo contribuinte que já suporta a maior carga fiscal de que há memória. Como se pode falar em mais gastos megalómanos desta forma tão brejeira? Eu sei. Interesses. Só, só interesses. E muitos. Imobiliários e financeiros e… “comissões”.
Há anos que andam a dizer que o aeroporto de Lisboa “esgotou” as suas capacidades. Mas foi com Sócrates que essa lenga-lenga mais se fez ouvir. Lembram-se do aeroporto da OTA que era preciso fazer urgentemente bla, bla, bla? Pois é. Era tão, mas tão, mas tão urgente, que construíram primeiro o de Beja. Não acha isso no mínimo estranho? Então com um aeroporto já em “perigo de rebentar pelas costuras” dá-se prioridade a outro fora de Lisboa? E em… Beja!!!!
Bom, vamos a factos: a única entidade internacional que efectuou estudos de capacidade na Portela foi a Aeroports de Paris, parte interessada na eventual futura construção de um novo aeroporto; foram solicitados estudos preliminares aos Aeroportos de Manchester e de Gatwick mas os resultados NUNCA foram divulgados (obviamente porque o resultado não interessou ao “establisment”); o Aeroporto de Gatwick, em Londres, apenas com uma pista tal como o de Lisboa, movimentou em 2016, 43.136.795 passageiros enquanto Lisboa, no mesmo ano, 22.462.599 passageiros; em 2005 altura em que o governo decidiu pela Ota o total de passageiros anual era de apenas 11.236.476. Onde estava a saturação?

Mas há mais: em 2000 já se sabia que Portela tinha capacidade para suportar 35 milhões de passageiros como afirmava – o insuspeito socialista – João Soares ao Expresso: «todos os dados novos que apareceram, os tais relatórios que estavam na gaveta, vieram dar-me razão: a Portela tem todas as condições para chegar aos 30 ou 35 milhões de passageiros». Nesse mesmo ano, Jorge Coelho dizia no Porto que o aeroporto da Portela ficaria saturado mais cedo do que o previsto e que em 2006, só com transportes rodoviários alternativos se evitaria engarrafamentos na área do aeroporto (fonte TSF). Ora, em 2000, o total de passageiros era de 9.394.532 e 2006 acabou com um total de 12.314.917. Mais ainda: em 2010 o Jornal Nacional da TVI denunciava a falsa saturação do Portela onde claramente os slots, isto é, a disponibilidade para aterrar e descolar das aeronaves, demonstravam que não havia saturação nenhuma.
Esta ideia megalómana de construir de raiz um aeroporto internacional totalmente novo em Lisboa surgiu com o ex-ministro socialista (tinha de ser) das Obras Públicas, Jorge Coelho, que a juntar a isto queria ainda, em simultâneo, o comboio de alta velocidade e uma terceira ponte sobre o Tejo. Acontece que Portela já provou ser um dos aeroportos mais fiáveis e mais seguros do mundo e que a pista 17/35 é o ex-libris deste aeroporto por causa da frequência dos ventos cruzados atlânticos. Exemplo disso, em 2013, dos 182 aviões que deveriam ter aterrado, em dia de forte temporal, a 19 Janeiro, apenas 13 foram forçados a seguir para outro aeroporto. A sua eficiência, a sua excelente localização e a qualidade do projecto original fazem dele um dos melhores entre os melhores.
Obviamente que o aeroporto de Lisboa, hoje, mais do que nunca, precisa de uma remodelação de beneficiação como se verificou com o aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto para aumentar sua eficiência e qualidade. E uma vez que já temos um excelente aeroporto em Beja, inaugurado em 2011, que apenas precisa de melhores acessibilidades, manda as boas regras de gestão, rentabilizar esse investimento que, por falta de VONTADE política, está “morto”.

(foto Dinheiro Vivo/ Lusa)
“Nem mais um cêntimo para lobbistas” deveria ser o slogan actual contra este (des)governo recalcado do socratismo e não qualquer outro. As pessoas estão primeiro. E as pessoas não podem ser as eternas cobaias dos políticos irresponsáveis.
Demasiado grave para não falarmos disto…
trampolineiros da silva

Durante dezassete dos últimos vinte e quatro anos, o Partido Socialista dirigiu o governo português. Teve, nas suas mãos, a responsabilidade da Segurança Social, sendo que, por mais de dez anos, nos XVII, XIII e XXI governos constitucionais, foi ministro dessa pasta o valoroso José Vieira da Silva, a quem é devido, segundo se diz, a «sustentabilidade» desse sistema.
Ora, embora já desconfiássemos, este «estudo» da Fundação Francisco Manuel dos Santos informa-nos que o sistema está falido e em colapso, não aguentando, nas já muito exigentes actuais condições de concessões e benefícios, para além de 2038. Consequência: as pensões terão de ser reduzidas e só a partir dos 69 anos de idade estarão acessíveis aos que chegarem a essa idade. O «estudo» já está feito e divulgado, para amaciar o lombo onde entrará a faca que o transformará em lei. O valoroso ministro Da Silva não tem, com o é evidente, qualquer responsabilidade neste cartório.
Acontece que este sistema de Segurança Social não resulta de uma escolha livre dos seus cada vez mais precários e desabonados «beneficiários»: ele é uma imposição do regime, que obriga a que entreguemos parte substancial do nosso rendimento mensal ao estado, para que este tome conta de nós. Deixar isso ao cuidado dos «privados», que só se preocupam com o «vil metal» e o «lucro», seria uma tragédia. É preferível entregá-lo a uma gestão que só dá prejuízos.
O «contrato social» entre os cidadãos e quem os governa é, cada vez mais, um verdadeiro logro, pelo qual uma classe dominante (deixem-me utilizar Marx, por favor) se instala no aparelho de poder, com famílias, amigos e amantes, para viver à custa de uma cada vez mais vasta classe dominada (Marx outra vez, para ser agradável ao ministro Da Silva). As nossas «contribuições» para a Segurança Social não são mais do que um imposto encapotado.
A ler
Bento XVI sobre os abusos sexuais na Igreja
O legislador

Marxismo cultural e o bacanal
Um assunto que vejo ser discutido é o do marxismo cultural. Se existe, se não existe, se os seus resultados estão à vista ou se ainda estamos no início de um The Handmaid’s Tale que culminará na abolição da democracia liberal substituída por uma teocracia de ídolos pop, que tanto podem ser anunciados pelo Orbán húngaro como pelo Costa português.
Eu acho que sim, que há marxismo cultural, mas não o reconheço necessariamente por esse nome: o que há em abundância é a ausência de amor próprio, o que é consequência da ausência de cultura. Facilmente adoptando a estética da estupidez papagueada nas televisões, universidades e salas de aula, o pensamento crítico foi sendo substituído por uma moral artificial – como todas as morais – que apregoa o ecumenismo de hubris. É darwinista: quem ladra mais alto é mais ouvido.
Em suma, o socialismo, irreversível, a fazer o seu caminho. É passível de ser combatido? É. Mas, normalmente, a emenda é pior que o soneto. Claro, podemos sempre fazer alguma coisa, como, por exemplo, educar os nossos filhos para exigirem factos da escola, não achismos da parolada, mas isso não é revolucionário e, como tal, não é atraente. Eu costumo resolver com caminhadas e com banhos de sol – talvez possam fazer o mesmo.
