A legislação tudo resolve
Marcelo – o Presidente da República que goza da mesma dignidade de quem troca de cuecas em directo à frente das câmaras de TV; idêntica gravitas de quem se diz apaixonado pelo Papa; semelhante credibilidade de quem diz tudo apurar até às últimas consequências para deixar tudo completamente na mesma; e idêntica honestidade de quem considera os Portugueses os melhores do mundo em qualquer que seja a actividade – entende que a demissão do secretário de estado do ambiente “resolveu” o assunto das polémicas nomeações familiares socialistas.
Acrescenta o inane chefe de estado que a legislação deverá ser alterada para ir ao encontro das actuais exigências da “opinião pública”.
É impressionante a mentalidade estatista de usar a legislação para tentar enquadrar a moral e a ética, não vá a sociedade de forma espontânea, cultural e com base na integridade e valores individuais saber distinguir de forma autónoma e consciente aquilo que é bem ou mal.
A oligarquia pretende lobotomizar as grandes massas. O povo não se deve ocupar de questões morais pois o estado tudo sabe e de tudo se ocupa.

Confundindo o que se deseja com a realidade
Escreve o DN sobre o novo CC: o documento passará a incluir a bandeira da União Europeia e a fotografia vai mudar de sítio, do lado direito para o lado esquerda. O símbolo da República Portuguesa será rodeado pelas estrelas da União Europeia. Também está garantida maior proteção para os dados dos utentes. No caso de Portugal, continuará a não estar identificado o género de cada cidadão.»

O actual CC identifica sexo. Portanto a identificação a identificação de sexo vai continuar, certo? Recordo que esta novela do CC sem género/sexo dura há algum tempo : A 21 de Fevereiro, de manhã, a secretária de Estado da Justiça Anabela Pedroso declara à TSF: “Nós retiramos na nova versão de cartão de cidadão o género, há países que vão manter o género, Portugal não vai manter. É facultativo.” Horas depois a mesma secretária de Estado da Justiça Anabela Pedroso declarava à mesma TSF: “É um lapso meu.”
Agora o DN vem dizer que no actual CC não está “identificado o género de cada cidadão”. Logo no novo vai continuar a não estar identificado. Estão a gozar, não estão?
Da censura
: «caiu em cima da secretária uma recomendação surreal da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial a propósito de uma notícia – de resto difundida pela agência Lusa e reproduzida em numerosos órgãos de informação – onde se referia o início do julgamento em Lisboa, por terrorismo, de um cidadão marroquino. Que pretendia a dita comissão? Que não se referisse a nacionalidade. Certamente não lhe faria cócegas se o cidadão fosse francês, inglês ou sueco, agora marroquino deveria ter sido traduzido por “estrangeiro”.»
A vida como ela vai indo

Esta fotografia de Getnet Yetwale e Dinkalem Ayele, tirada durante a prova dos mundiais de crosse, causou enorme polémica porque de acordo com os dados da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), Getnet Yetwale e Dinkalem Ayele têm 18 anos. Acham milhares de pessoas que esta foto prova que são muito mais velhos. Ora se Getnet Yetwale e Dinkalem Ayele se declararem transgénero e se inscreverem no mundial de cross feminino não só ninguém estranhará nada como até acusarão de transfobia quem os achar com ar de serem uns senhores quase na meia idade.
As patranhas à volta do défice voltaram. Costa diz que é o “um resultado histórico e virtuoso”. Centeno afirma que “é uma conquista desta legislatura”, que “Portugal conseguiu virar a página da austeridade” e que “as profecias da direita falharam”. Ambos estão em êxtase e vangloriam-se deste valor – 0,5% do PIB. É impressão minha ou já vivemos este filme com a mesma histeria nos anúncios de Sócrates a poucos passos de uma bancarrota ?
Se visse seu vizinho que ganha o salário mínimo, cheio de dívidas, a comprar um Lamborghini, a fazer férias no Mónaco, a dizer que está cheio de dinheiro o que pensaria? Certamente diria que o tipo é um mentiroso, que jamais poderia ter aquele nível de vida se não se endividasse até ao pescoço e fizesse ainda calotes a toda a gente, certo? Então porque teima em acreditar que este magnífico défice feito às custas da falência técnica de todo um país com a suspensão dos pagamentos, cativações, retenção das pensões dos nossos emigrantes e aumento de impostos nunca vistos desde 1995, é verdadeiro?
O país está um caos. Os comboios estão a cair aos bocados; nos hospitais e escolas falta tudo; as estradas, pontes, viadutos, edifícios públicos estão a ruir; a (des)Protecção Civil mata em fogos florestais por via da colocação de “boys”sem qualificações e meios obsoletos; a polícia não tem gasóleo nem carros em condições sequer para fazer rondas; os transportes públicos são suprimidos por falta de manutenção; a emigração é elevada; o endividamento das famílias aumentou; a poupança caiu.
Se tudo o que foi varrido para “debaixo do tapete” fosse colocado nas contas do défice, teríamos um valor muito superior a 3-4% mas a UE permite cosméticas no apuramento do défice. Malabarismos contabilísticos que fazem com que possam levar umas despesas ao défice e outras já não. É o ilusionismo do costume que fez e faz de nós grandes aldrabões profissionais na Europa. Foi assim com esta marosca toda, que aderimos ao euro. Lembram-se?
Como pode uma dívida pública estar constantemente a subir e o défice ser historicamente baixo sem manipulação de números contabilísticos? Façamos um exercício simples: você em casa tem um desequilíbrio financeiro. Suas despesas são maiores que as receitas. Para equilibrar esse défice o que faz: 1. pede um aumento ao patrão? 2. tenta fazer mais entradas de receitas com horas extra ou um part-time aos fins semana? 3. corta nas suas despesas que não são de primeira necessidade? 4. deixa de fazer qualquer despesa não comprando quase nada e não paga contas seja de luz, água, renda e empréstimos?
Obviamente que não optou pela 4 hipótese, certo? Não optou porque sabe que isso não soluciona nada, pelo contrário, adia e agrava o seu défice, certo? Então porque aceita que Centeno o faça no país? A fórmula utilizada por este malabarista da treta é exactamente aquela que você rejeitaria a todo o custo para resolver seu défice doméstico. Pior: ele além de usar esse método, chama-o de “sucesso”. Não lhe parece estúpido?
Sócrates também anunciou “milagrosos” défices. Às portas de anunciar mais uma bancarrota, dizia: “o défice de 2,6% é o mais baixo da democracia portuguesa” e “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu”. Entretanto, em Maio de 2010 anunciava: “um esforço adicional a todos os portugueses” que se traduz em aumentos de um ponto percentual de todos os escalões do IVA até ao final de 2011. A taxa máxima passa para 21 por cento e a reduzida, que incide sobre bens de primeira necessidade (alimentos e medicamentos comparticipados) fica em seis por cento, enquanto o IVA sobre a restauração sobe para 13 por cento” (notícia Correio Manhã) e em Setembro de 2010: “José Sócrates anunciou esta noite o aumento do IVA para 23% e um corte de até 10% na despesa total de salários do sector público, entre outras medidas de austeridade aprovadas em Conselho de Ministros extraordinário (…) aumento de impostos, corte de salários e prestações sociais, congelamento de todo o investimento público até ao final do ano e redução do número de contratados na função pública (…) redução média da massa salarial dos funcionários públicos em 5% nos vencimentos entre 1.500 e 2.000 euros, a redução será de 3,5%. Nos escalões mais elevados, o corte chega aos 10% (…) ajudas de custo e horas extraordinárias também serão cortadas e termina a acumulação de pensões e vencimentos (…) as prestações sociais também serão sacrificadas, com a anulação do aumento extraordinário do abono de família e a redução em 20% do rendimento social de inserção” (notícia Jornal Sol).





Em resumo, Sócrates começou por anunciar défices espectaculares e acabou anunciando uma bancarrota pouco tempo depois. Desafio-o a encontrar as diferenças entre ele e Costa.
Entretanto, prepare-se para o embate. Pelo lógica da matemática, vem aí dias difíceis.
Mais eficaz que milhares de comentários sobre a floresta
É apoiar esta campanha da MONTIS de compra de terrenos na serra do Açor (Pampilhosa da Serra), Caramulo (Vouzela), Arada (S. Pedro do Sul.
Pois é ilegal mas não devia ser
Dispara venda de lojas como casas sem licença. “Estão a ser cometidas ilegalidades”
A Renascença dedica largo espaço ao que anuncia como problema: No mercado da habitação em Lisboa, dezenas de lojas, ateliês ou garagens estão a ser transformados em casas e postos à venda sem licença de habitação. Especialistas garantem que quem participa nestes negócios “está a pactuar com ilegalidades”.
Lisboa está cheia de lojas fechadas. Muitas vazias há anos sem que alguém as alugue. Desde que sejam cumpridos os requisitos técnicos (ventilação, salubridade, iluminação, esgotos e aprovação da alteração da fachada) porque não podem essas lojas ser transformadas em habitação? E porquê exigir a autorização do condomínio por unanimidade para fazer essa mudança? Aliás a doideira burocrática é tal que tb se exige o contrário. Por exemplo, um andar num predio de habitação que tenha funcionado como escritório para voltar a ser andar de habitação tem de ter a autorização unânime de todos os condóminos.
De caminho a propria CML ganharia centenas de casas em bairros sociais pois como nem oferecendo as lojas consegue que ali funcionem comércios ou sedes de associações, podia transformá-las em casas.
O plano “logo se vê”
A biologia humana não muda por decreto-lei
A Noruega é um dos países mais igualitários entre sexos. Ao fim de 15 anos um jornalista quis saber que resultados se obtiveram com políticas que deram mais liberdade e igualdade entre géneros naquele país. E as descobertas foram surpreendentes: verificou que as escolhas das pessoas são hoje mais tradicionais do que no passado concluindo que quanto mais livre é o país maior são as diferenças. Porquê? Porque onde há liberdade absoluta e não condicionada, as pessoas seguem apenas seus gostos e as mulheres e homens têm gostos diferentes.
Nesta reportagem norueguesa, que nenhum canal de televisão mostrou pois não interessa aos lobbys da ideologia de género, é desmontado um a um todos os “argumentos” da ideologia de género. Na primeira parte, o jornalista questionou todos os defensores da dita ideologia perguntando se havia ou não diferenças entre homens e mulheres. Todos respondem o mesmo: que não há diferenças nenhumas, que o género é uma construção social, que ninguém nasce homem ou mulher, que o género pode mudar ao longo da vida, que as escolhas são influência do meio social na forma como a criança é educada. Na segunda parte, o jornalista coloca as mesmas questões aos defensores das diferenças biológicas que determinam as escolhas, mas ao contrário dos anteriores, estes fundamentam com factos.
O Prof. Lippa responsável por um estudo que envolveu 53 nações de todo os cantos do mundo de diversas culturas, descobriu que os homens interessam-se por engenharias e trabalhos técnicos e as mulheres trabalhos com pessoas e que essas diferenças ocorrem quer em países como a Noruega quer como a Arábia, o que revela que existe algo biológico nas escolhas.
Para o comprovar, o médico pediatra Trond Diseth fez inúmeras experiências com crianças. Colocou brinquedos femininos, masculinos e neutros numa sala com um bebé de 9 meses do sexo masculino e feminino. Verificou que a menina interessou-se por brinquedos ditos de menina enquanto o menino por brinquedos ditos de meninos. Os neutros foram ignorados inicialmente por ambos. Dirão alguns cépticos que aos 9 meses as crianças já têm influências do meio refutando estes resultados. Acertei? Pois bem, para esses o Prof. Baron-Cohen responde: com apenas um dia de vida, as meninas fazem contacto visual com pessoas; os meninos seguem visualmente objectos mecânicos o que revela que à nascença os cérebros já se comportam de maneira diferente. E a culpa é da testosterona, uma hormona essencial na determinação dessas diferenças: quando os níveis de testosterona são elevados, o indivíduo tem menos empatia, linguagem mais atrasada na infância, mais dificuldade no reconhecimento das emoções, menos contacto visual com pessoas, mais interesse por objectos, mais interesse por sistemas e por entender como funcionam. Os meninos têm por norma 2 vezes mais testosterona que as meninas.
No final o jornalista confronta as duas partes. Quando pergunta “qual a base científica” , os defensores da ideologia género respondem que a base é teórica, que é o pensamento que vê diferenças. Que são hipóteses que se sobrepõem à ciência. Os segundos afirmam que as diferenças estão provadas na biologia embora não descartem que a cultura influencia a personalidade ( e não sexo) de cada um.
Compreende-se assim porque na Noruega, onde não há barreiras nem condicionalismos entre géneros, passados 15 anos os hospitais estão vazios de homens e as empresas de engenharia vazios de mulheres. Ou seja, de forma natural, as mulheres quando são absolutamente livres nas suas escolhas, procuram trabalhos de interacção com pessoas que não obrigam a esforços físicos e os homens preferem áreas das ciências exactas e tecnologias com ou sem esforços físicos.
Quando a igualdade é forçada por decreto-lei ou de certo modo imposta por razões económicas, tanto as mulheres como homens acabam por fazer trabalhos que não são da sua preferência. Logo não reflecte a realidade sobre igualdade de géneros.
A verdade é que por muita lavagem cerebral que façam logo no infantário, continuará a haver mulheres a preferir a casa e família à carreira, continuarão a ser maioritárias na saúde, educação e justiça mas deficitárias na construção civil, tecnologias, transportes de mercadorias, pescas, agricultura, indústrias pesadas, defesa e política a menos que imponham quotas.
Perguntaram-me porque havia poucas mulheres em liderança. Ora basta dar uma vista de olhos ao PORDATA e constata-se que são os homens que mais trabalham por conta própria como empregador. Portanto, a liderança não é privilegiada pelas mulheres que optam mais por criar seu próprio emprego em vez de liderar e assumir riscos (Fonte PORDATA):
Mulheres na Europa
Homens na Europa
Em conclusão, se houver uma educação neutra, não condicionada por nenhuma ideologia ou cultura, a criança segue o seu apelo biológico de acordo com os níveis de testosterona que recebeu em feto. Nenhum decreto-lei muda isto.
Infelizmente o que acontece de facto neste momento é que, à conta da doutrinação da ideologia de género há uma pressão na criança desde tenra idade para contrariar sua própria natureza estimulando os meninos a serem meninas, as meninas a serem meninos. Daí a razão pela qual a “igualdade” forçada onde essa ideologia está a ser imposta continuará a provocar desigualdades e indivíduos frustrados. Porque quanto mais lutarmos contra a natureza humana, mais ela se encarrega de repor tudo no lugar mais cedo ou mais tarde.
A natureza é perfeita. Se não concebeu a hipótese de dois homens ou duas mulheres engravidarem é porque os sexos não são iguais. São complementos. Não há voltas a dar. E os mentores desta ideologia parva sabem muito bem que para estarem por cá a debitar esta ideologia fraudulenta, foi preciso, para nascerem, um óvulo de uma mulher e um espermatozóide de um homem, que só estes dois sexos podem produzir. Como podem alegar que as diferenças não são biológicas mas sim construídas culturalmente?
Há limites para tanta desonestidade intelectual.
Reconstruir a Direita
Fábrica de imbecis
Oportuna iniciativa!

Quando entrará nos curricula a aprendizagem do jogo do berlinde e da corrida de sacos?
*
Observado o Observador
O Observador deu-se ao trabalho de ir observar se Cavaco Silva tinha faltado à verdade quando afirmou “fui verificar a composição dos meus três governos durante os dez anos em que fui primeiro-ministro e não detetei lá – espero não me ter enganado – nenhuma ligação familiar“. Claro que Cavaco estava enganado. Em dez anos – dez- descobriu o Observador quatro casos. Está-se a ver: os governos do Cavaco e do Costa é tudo a mesma coisa!?
Mas vamos aos quatro casos que na verdade são dois. Escreve o Observador: Leonor Beleza (…) delegou competências na sua mãe, Maria dos Prazeres Lançarote Couceiro da Costa Ora a mãe de Leonor Beleza era um quadro da administração pública. Não foi nomeada pela filha. Quando muito a filha é que poderia não ter sido ministra da Saúde. Agora a mãe não foi favorecida por ela.
Vamos ao segundo caso familiar detectado pelo Observador : no mesmo dia em que a governante [Leonor Beleza] deixa o ministério, a família Beleza continuará a estar representada na mesa do Conselho de Ministros pela mão do novo Ministros das Finanças [Miguel Beleza]. Nem sequer vou discutir o curriculum de ambos mas note-se que não foram ministros em simultâneo
Terceiro caso familiar detectado pelo Observador: Marques Mendes era Ministro-Adjunto quando a sua mulher foi nomeada pelo então Secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro, para adjunta do seu gabinete. Exacto. Parece o caso Costa mas em pequenino.
Quarto caso: A 31 de Outubro de 1991, Durão Barroso fica com Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação. O seu tio Diamantino Durão tomou posse no mesmo dia como Ministro da Educação. Pois foi assim mesmo e todos se recordarão que o país ficou chocado, o PS exigia um banho de ética e o PCP denunciava os podres do cavaquismo.
Refundar a Direita: PSD vs CDS
Bem sei que das poucas coisas que ainda valem a pena na política é a discussão de ideias e pouco importam os meandros partidários e o manejo de trincheiras a que os profissionais do ramo se dedicam.
De todo o modo, já que muitos dos que prezo e respeito intelectualmente têm sido prolixos na análise do estado e do futuro do PSD com a sua liderança, sujeito-me a expôr a tese de que a reconstrução e a refundação da Direita passarão mais pelo CDS do que pelo partido de Rui Rio.
Esta proposição não é resultado de uma reflexão fechada e definitiva da minha parte, mas apenas uma elaboração que deixo a escrutínio e comentário dos leitores para que com esse contributo a possa adensar ou, pelo contrário, infirmar.
Mas não errarei por muito na análise ao dizer que o pêndulo político está artificialmente puxado à esquerda, fruto do arregimentar pelo PCP da Função Pública e no controlo da acção reivindicativa sindical. E também do Bloco na vertente de instalação de uma cultura urbano-identitária neo-fascizante.
Por instinto de sobrevivência o PS foi atrás e com ele deslocou o PSD do centro para campos outrora assumidamente socialistas.
O PSD só caiu nesta manobra porque à sua direita viu o CDS tombar para o mesmo lado. O CDS em vez de se apresentar como um partido conservador nos costumes e liberal nas questões económicas transformou-se num partido estatista na economia (vidé a recente abstenção na questão do reporte automático de saldos bancários ao Fisco) e progressista na agenda cultural (como na lei da paridade do género).
Com este posicionamento do CDS o PSD pressupôs que o encosto ao PS não o faria perder o seu eleitorado de tendência mais à direita. Todavia o perímetro da Direita não se alargou, mas apenas se transladou. Para o limite errado.
Os conservadores são muito sensíveis à imagem dos seus líderes e ver Cristas a cozinhar no Programa da Cristina ou no Cabaré da Coxa a achar piada (como lembrou Vasco Pulido Valente) a ser considerada uma MILF é quase fatal para o seu descrédito. Esses conservadores terão também entendido como uma subordinação ao discurso e à agenda da esquerda o facto de aquele que era visto como um provável sucessor da actual líder ter abordado o tema da sua homossexualidade em entrevista ao Expresso e alimentado sequelas do assunto noutros fora. O que reforçou a convicção de que o CDS, assim, estaria orientado para ser liberal nos costumes.
A minha análise é singela: olhando para o panorama político, as recentes iniciativas partidárias, os últimos convénios de reflexão que se organizaram e o discurso dos líderes dos partidos da Oposição, quem terá mais a perder nas eleições que se avizinham é Assunção Cristas e não Rui Rio.
Se o resultado eleitoral do CDS não subir significativamente quando toda a conjuntura parece à primeira vista assim facilitar, o caso pode não ser fácil de digerir. E há uma probabilidade que diria não ser despicienda de o crescimento em votos não se verificar.
O CDS tem-se posicionado ao centro procurando captar voto de descontentes sociais-democratas, mas o Aliança está mais próximo de cumprir esse papel numa transição suave das intenções de voto. Com a saída de cena de Adolfo Mesquita Nunes, os liberais do PSD – nada satisfeitos com Rio – já não vêem no CDS um refúgio e por isso a escolha natural será a Iniciativa Liberal. A agremiação de Carlos Guimarães Pinto captará ainda o voto tradicionalmente abstencionista de Direita e por isso o CDS não terá muito novo eleitorado de que beneficiar.
Dada a significativa maior escala do PSD e o caldeirão de sensibilidades e tendências que ainda tem dentro do partido, é mais fácil ao CDS reposicionar-se como conservador ao estilo thatcheriano do que ao PSD descolar do PS por iniciativa própria.
“Refundar” a Direita – toda a área não socialista – talvez seja mais eficiente e eficaz com a mudança de eixo do CDS do que o do PSD. Se o CDS alterar a sua abordagem, o PSD vem por arrasto. O inverso é mais difícil.
Nessa altura os liberais sentir-se-ão mais confortáveis para se diluir pragmaticamente entre o voto no PSD e no CDS ou regressar à abstenção e à sua condição de cépticos em gente que procura orientar o rebanho através do exercício do poder e por via da legislação.
Fica o repto para os leitores me convencerem de que estou errado.

Quotas e cotas
Primeiro, abolimos a lei das quotas para casamentos. Depois, tratamos de idealizar a lei das quotas para cargos de decisão e administração. Andamos entretidos a discutir quotas para notícias mesmo verdadeiras, daquelas que até são factos a sério, como a propaganda governamental. Entretanto, vamos aplicando outra lei de quotas para familiares no governo.
Somos um país de cotas cheios de quota parte nisto tudo.
Não é preciso traduzir,pois não?
Da demagogia
Governo quer creches em quartéis para ter mais mulheres militares Ministério da Defesa tem plano ambicioso para atrair mais mulheres, e voluntários em geral, para as Forças Armadas, ajudando a conciliar trabalho e vida familiar.
Para que as creches funcionem de forma regular as Forças Armadas terão de atrair anualmente quantas mulheres? E nos anos em que as mulheres não assegurarem crianças qb para as creches funcionarem estas fecham?
Poligrafando o Polígrafo
Escreve o Polígrafo:« Há um “meme” da página “Direita Política” e também várias publicações em páginas ligadas a movimentos de extrema-direita que denunciam uma suposta declaração de Mamadou Ba, assessor parlamentar do Bloco de Esquerda, sobre “nazis ucranianos e ‘tugas'” na cidade de Lisboa em dia de jogo de futebol. E muitos leitores do Polígrafo questionam sobre a veracidade ou autenticidade de tal declaração.»
Lendo o Polígrafo ficamos a saber que:
a) Mamadou Ba é «assessor parlamentar do Bloco de Esquerda» não se referindo que este partido é de extrema-esquerda.
b) A “suposta declaração” de Mamadou motivou um meme da «página “Direita Política” e também várias publicações em páginas ligadas a movimentos de extrema-direita»
Em conclusão: ficamos com Mamadou Ba como «assessor parlamentar do Bloco de Esquerda» para os devidos efeitos expurgado do seu posicionamento na esquerda radical versus as «publicações em páginas ligadas a movimentos de extrema-direita»
Ora não só o BE é de extrema-esquerda como as declarações de Mamadou Ba motivaram críticas e publicações muito para lá das ditas «páginas ligadas a movimentos de extrema-direita».
Mas o mais extraordinário deste exercício de SOS Mamadou efectuado pelo Polígrafo são as conclusões sobre o teor das declarações. Concluiu o Polígrafo: «Não é um insulto gratuito, muito menos uma expressão de racismo. Trata-se de um aviso, no sentido de as pessoas se precaverem.»
Recorde-se que as declarações de Mamadou Ba foram estas: “Alerta à navegação: por causa do jogo Portugal-Ucrânia, a cidade de Lisboa está infecta de skinheads neo-nazis ucranianos e tugas, preparados para a violência. Não andem sozinhos, nem em sítios desprotegidos”.
Perante este desconchavo concluiu o Polígrafo: «Atente-se que a principal motivação da mensagem de Mamadou Ba é alertar as pessoas para terem cuidado, perante a presença na cidade de “skinheads neo-nazis ucranianos e tugas, preparados para a violência. Não andem sozinhos, nem em sítios desprotegidos”. Não é um insulto gratuito, muito menos uma expressão de racismo. Trata-se de um aviso, no sentido de as pessoas se precaverem».
O Polígrafo despoligrafou, não? Esta declaração não é um insulto gratuito? Que elementos e informações tem Mamadou Ba e já agora o Polígrafo para afirmar que os ucranianos que vieram a Lisboa para assitir ao jogo são “skinheads neo-nazis”? Eram todos skinheads neo-nazis ucranianos? Apenas alguns? E os “tugas” estão “preparados para a violência” só por serem tugas? Basta-lhes serem tugas ou são os tugas que vão aos jogos com os skinheads neo-nazis ucranianos? Já agora “as pessoas” que Mamadou queria precaver quem são? Se as pessoas se tinham de precaver dos “skinheads neo-nazis ucranianos e tugas” quem são as pessoas?
Concluir que a declaração “Trata-se de um aviso, no sentido de as pessoas se precaverem.” é muito querer limpar as declarações de Mamdou Ba. Mal por mal é melhor o Mamadou Ba sem explicador.
Uma nova classificação para o terrorismo/terroristas
Eis a minha proposta para uma nova classificação para o terrorismo/terroristas
1. O terrorista anti-islâmico que como o nome indica ataca mesquitas e muçulmanos.
2. O terrorista. Apresentado unicamente como terrorista opera geralmente em África e na Ásia. Tem os cristãos como alvos. Mas nunca é apresentado como anti-cristão ou anti o quer que seja.
3. O terrorista sem motivação. Trata-se de um endemismo europeu: alguém que age como terrorista, faz atentados, fere e mata. Mas uma vez detido as autoridades tẽm dificuldade em detectar-lhe motivações terroristas mesmo que o terrorista dito sem motivações confesse, grite e reivindique o seu ódio aos cristãos e ao Ocidente.
4. O terrorista invisível autor de atentados não referidos como aconteceu com o homem que em Itália um homem sequestrou um autocarro, com 51 crianças lá dentro. Amarrou-as e, em seguida, incendiou o autocarro. Anunciou-lhes que iam morrer porque ele queria protestar desse modo contra as mortes de migrantes no Mediterrâneo..
Só quem não quer ver, não vê.»
«Na véspera do jogo de futebol entre as selecções de Portugal e da Ucrânia, Mamadou Ba, conhecido dirigente da organização SOS Racismo, escreveu numa rede social: “Alerta à navegação: por causa do jogo Portugal-Ucrâniana (sic), a cidade de Lisboa está infecta de nazis ucranianos e tugas, preparados para a violência. Não andem sozinhos, nem em sítios desprotegidos” (…) Como é que um dirigente de uma organização anti-racista ousa rotular tão facilmente pessoas ou até povos? (…) Voltando às declarações de Mamadou Ba e dos seus camaradas do Bloco de Esquerda, elas têm um motivo claro: provocar a destabilização social a todo o custo, pois, como nos diz a História, os extremismos políticos gostam de pescar em águas turvas.
Além do mais, trata-se também de um dos meios para desviar a atenção do facto de como a actual extrema-esquerda apoia o Governo de António Costa. Só quem não quer ver, não vê.»
Um país sob a supervisão dos activistas.
Perguntar (ainda) não ofende?
O que não é o Mov5.7
Poderia explicar o que é o Mov5.7, mas tal seria bastante redundante após artigos como o do João Marques de Almeida, n’O Observador, o do Rui Albuquerque, aqui no Blasfémias, o do João Miguel Tavares no Público, o do João Gonçalves no JN e o artigo noticioso assinado por São José Almeida, também no Público, que informa sem o artifício de escarrapachar uma opinião preconceituosa, tal como devem ser as notícias. Contudo, tomando em consideração que pessoas mais capazes que eu já o fizeram pela forma afirmativa, dizendo o que é, e recordando que este é um país de duas linguagens, a da cultura esquerdista de que toda a gente à direita do PS é fascista e a das pessoas comuns que, perante a impossível escolha de um Salazar ou de um Cunhal, optariam sem grandes hesitações pelo santacombense enquanto asseguram vitórias eleitorais de socialistas, eleição de deputados mais preocupados com pombos do que com pessoas e bloquistas que se vão afastando das ganzas para o controlo de redacções, como que recordando os bons velhos tempos das manifs com bandeiras negras, vou explicar o que não é o Mov5.7.
A árdua tarefa de explicar o que não é uma coisa é, em Portugal, bastante simplificada pela abundância de especialistas em negações. Por exemplo, Pacheco Pereira, um homem que ajuda a definir o que é “ser intelectual” pelo seu esforçado exemplo do que um intelectual nunca diria, diz-nos que o Mov5.7 é uma das “ manobras da direita portuguesa” que “não são alheias às reconfigurações do espaço conservador europeu” e onde surgirão fracturas, suspeita (mas sem certezas, que isto das certezas só ocorrem quando estamos notoriamente errados), “com as questões dos refugiados e imigração”. Fracturas a propósito de, para aí, todos os 50 refugiados (número inventado, todos os dias há mais famílias de refugiados que abandonam o paraíso lusitano para uma Europa em “reconfiguração do estado conservador europeu”). Todo um monumental cisma ideológico com o fluxo de imigrantes, a saber, brasileiros, cuja imigração nunca causou qualquer incómodo a portugueses quando se tratava de empregados de limpeza e restauração, mas que vai causar uma grande ruptura agora, que se trata do que a esquerda chamaria de grande burguesia com poder de compra de imobiliário de gente que deixa o Brasil em busca de paz e tranquilidade perante uma agitação decorrente de anos das virtudes do socialismo. Pacheco Pereira envelheceu mal: não fosse uma Aula Magna ou esta generosa referência e a sua irrelevância resumir-se-ia à de “figura que em tempos foi conhecida não se sabe bem porquê e que agora vende Fá Fresh em anúncios televisivos”.
Mas, se quisermos mesmo saber o que não é o Mov5.7, podemos optar pela visão daquele senhor que passou da TSF para um blogue denominado DN e que agora escreve no JN na qualidade de oráculo, Paulo Baldaia, que conseguiu afirmar que isto é malta que passa o tempo no Twitter, “quase sempre a ofender, insultar, caluniar quem estiver contra o que defendem”. Presumo que dê pontos na bolha em que a corte se deleita a chupar as uvas que Nero atira, mas, além disso, é tão eloquente a debruçar-se sobre o que considera “fake news” (ainda estou para perceber como é que um jornalista denomina boatos por “notícias falsas”, um óbvio oxímoro) como um livro de anedotas sobre física quântica.
Se precisarmos mesmo descer fundo na compreensão do que não é o Mov5.7, podemos visitar o Twitter de Constança Cunha e Sá, pessoa que se limita a ver o mundo pelo prisma cilíndrico de “os liberais” contra o Bem (inclui aquelas pessoas do PSD, do CDS, da Aliança e sem partido que obviamante não são liberais, mas, como nos filmes do 007, o inimigo também tem que ser caricatural, do chinês ao soviético, sempre ao sabor do tempo). Não encontrando grande mérito em usar a amargura alheia para assinalar virtudes próprias, não resisto em fazer o apelo a que nos visite no próximo evento: toda a gente precisa de um amigo, pelo que estou certo que uns momentos de convívio com pessoas “liberais” poderão providenciar alívio do vício de embaraço público que o Twitter lhe alimenta.
Esclareci o que não é o Mov5.7? Se ainda restam dúvidas, termino então com uma simples declaração: o que o Mov5.7 não é é, em concreto, a materialização das deambulações oníricas que os jograis da corte decidem que pode ser.
Os jovens “mega” consumistas a lutar pelo clima
Os jovens que desde que a escola iniciou foram amplamente agraciados com inúmeras greves de professores, função pública (ainda esta semana tiveram mais duas) e ainda têm falta de docentes a algumas disciplinas, decidiram em nome do clima (cof! cof! cof!) juntar-se à menina Greta que lá na Suécia decidiu lutar pelas mudanças climáticas. Acontece que os meninos que exigem aos pais telemóveis novos topo de gama todos os anos, exigem também dos adultos mais acção contra as mudanças climáticas. A sério?
Os jovens que gazetaram para sair à rua com cartazes pelo clima, são os mesmos que deixam o lixo todo espalhado pelo quarto e pela casa para a mãe limpar; que não levam o lixo doméstico para o contentor por iniciativa própria; que não apagam as luzes; que tomam duches de 20 minutos e deixam a água a correr enquanto lavam os dentes; que não abdicam de uma quantidade infinita de todo o tipo de produtos poluentes para cabelos e corpo; que compram roupa nova de marca todos meses ao invés de poupar e reciclar; que não prescindem um minuto do telemóvel, do tablet, do portátil e fazem birra se lhos tirar; que se deslocam de carro, autocarro ou comboio mesmo quando é possível ir de bicicleta ou a pé; que viajam muito em low cost de… avião; que fumam e depois deitam beatas no chão; que enchem o Macdonalds onde cada refeição representa uma pilha de produção de resíduos; que mascam chicletes e atiram ao chão; que comem batatas fritas, doritos, barras de chocolates, cheetos e bolachas a toda a hora não se importando com as embalagens de plástico que largam em qualquer lugar público ou enterram na areia das praias; que deixam um rasto de lixo nos festivais, nos bares ou discotecas; que bebem coca cola ignorando que só num ano, esta produz 3 milhões de toneladas de plástico. Enfim.
Ora a verdadeira mudança pelo ambiente começa na educação em casa, no nosso comportamento no dia a dia. Exigir aos outros o que não se pratica é hipocrisia pura.
Greta, a líder, quer mais impostos pelo clima mas nunca pagou nenhum na vida e rodeada de plástico, no seu conforto de mundo consumista de que não abdica, diz-se preocupada. Não sabe o que é pagar a electricidade e gás mais cara da europa por causa do dito clima, o que é pagar os combustíveis mais caros da europa por causa do dito clima, e olhar depois para o que resta do salário sem saber como vai aguentar o resto do mês. Mas “quer pagar” mais impostos por um mundo “verde” quando isso deveria só por si tornar a vida de cada um mais barata e nunca o contrário.

Querem ajudar realmente o clima? Em vez de gazeta ESTUDEM, pesquisem, questionem. Deixem de ser formatados pelos grandes interesses para adquirirem uma mente aberta capaz de ver que o clima tem sido mutável desde o planeta existe e que já passamos por várias eras de arrefecimento e aquecimento ainda o homem não tinha feito a revolução industrial. Que a farsa começou por chamar-se “arrefecimento global”, depois “aquecimento global” e agora – depois das previsões não se confirmarem – “alterações climáticas” (uma expressão mais generalista) para sustentar uma teoria não científica cujo consenso “irrefutável de 97,1%”, usado para justificar todas as medidas políticas no ocidente para combater o aquecimento global, é na realidade de 0,3% (como se explica com dados concretos aqui) confirmando que “John Cook – do Instituto de Alterações Globais da Universidade de Queensland na Austrália – não procurou a veracidade cientifica no seu artigo mas uma forma de convencer a opinião pública para que aceitem “políticas de mitigação das alterações climáticas”.
Aprenderiam que os vulcões subaquáticos e em terra, activos, se comparados com a actividade humana, um único vulcão em erupção durante uma semana equivale a 10 anos de carros de todo o mundo a expelirem CO2. Que o pulmão que controla o CO2 e alimenta o planeta de oxigénio, são as algas no oceano e não as florestas.
Saberiam que nas estufas de plantação de ananás (aqui neste exemplo com cannabis), para provocarem a floração, queimam palha dentro das estufas para gerar CO2. Que o CO2 é essencial à vida das plantas que o consomem para fazer a fotossíntese e não é por acaso que com mais CO2 na atmosfera, o planeta hoje seja mais verde que no passado.
Concluiriam que as “energias verdes” são os actuais “interesses económicos” que os contribuintes pagam com pesados impostos. Que com as eólicas, a electricidade ficou muito muito mais cara. No entanto não se deixaram de construir barragens, o consumo do carvão até aumentou (está no Site Oficial do Ministério Ambiente) e a extracção de crude também não vai abrandar apesar dos veículos se tornarem eléctricos. Que haverá mais poluição porque a juntar à extracção de crude vai ter a extracção de lítio, uma nova necessidade para a indústria de baterias. Que a frota mercante vai ser aumentada em 50%: de 60 mil navios a operar a frota passará a 90 mil – quando cada porta contentores de grande porte consome tanto por ano como 50 milhões de automóveis e 20 consomem tanto como todos os veículos a circular no mundo . Que o “problema” das “alterações climáticas” é o negócio mais lucrativo de todos os tempos. As explorações actuais de minérios vão manter-se, e até aumentar, e vão começar outras em grande escala.
Mas tudo isto só se deve ao aumento desenfreado do NOSSO consumo.
Jovens, se querem realmente lutar pelo planeta REDUZAM drasticamente o consumo e vivam de forma minimalista só com o necessário reciclando todo o lixo que sobrar, exactamente como o era na minha infância há mais de cinquenta anos, onde fui criada sem nada, a dar valor a tudo, a poupar e a estimar o pouco que tinha.
Até lá, não sejam hipócritas.
o que é “refundar a direita”?

Por mim, é dar consistência axiológica e política ao espaço eleitoral que não seja necessariamente socialista. Não significa que esse espaço não seja, ou tenha sido, ou continue a ser circunstancialmente socialista, ou que não se tenha subsumido, durante décadas, a um pragmatismo de conquista e manutenção de poder(es) inteiramente desprovido de qualquer valoração ideológica, que resultou, como invariavelmente resultará sempre, em exercícios de governos estéreis e praticamente indistintos daqueles que se diziam combater. Pelo contrário, é exactamente por as coisas, no espaço dito não socialista, terem quase sempre sido assim, e evidenciarem uma elevada probabilidade de assim continuarem a ser, que se torna necessário contribuir para que possam vir a ser diferentes. O Miguel Morgado percebeu isso. E percebeu, também, que não basta juntar votos e deputados nos soi-disant partidos da direita para que um futuro governo que dela venha a sair possa mudar Portugal. É verdade que se torna necessário eleger, pelo menos, cento e quinze deputados mais um, mas é necessário muito mais do que isso: é preciso que esses deputados, e os futuros membros de um governo por eles apoiado, tenham bem claro o que farão com o poder que eventualmente lhes venha a ser confiado. Em 1979, Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa perceberam que era urgente colocar o país no espaço das democracias liberais europeias e ocidentais, e expurgar da Constituição o terceiro-mundismo socialista de leste que lá tinha sido deixado em tempos difíceis da revolução. Hoje, há que demonstrar aos portugueses que Portugal não pode continuar a ser um estado sem país e que este não se faz com um estado omnipresente e asfixiante. A ideia de criar um movimento que contribua para realização desse objectivo, ainda por cima inspirado nessa ideia luminosa que foi a criação da AD de 1979, não podia deixar de me entusiasmar. Foi por isso que aceitei, com gosto, o convite que o Miguel Morgado me dirigiu para integrar o grupo dos fundadores, apesar de estar bem ciente do limitado contributo que lhe poderei prestar.
Passes Sociais
O Manel Estadista e a Maria Populista tinham três filhos – o Huguinho Lisboa, o Zezinho Porto e o Luisinho Resto do País –, e todos os dias, quando regressava do trabalho, o Manel Estadista trazia dois presentes: um grande para o Huguinho Lisboa e um pequeno para o Zezinho Porto. Para o Luisinho Resto do País, nunca havia nada. Um dia, cansada da situação, a Maria Populista virou-se para o Manel Estadista e criticou-o pela sua atitude, ao que este, sem hesitar, lhe respondeu: “Oh Maria, não tens vergonha de estar a virar os nossos filhos uns contra os outros?!”
A angústia da página vazia na hora do penalty
A página em branco é angustiante, já se sabe. A necessidade de escrever alguma coisa, porque nos pagam para a escrever, só aumenta à medida que as horas passam e o vazio do nosso intelecto ameaça o grito do Ipiranga que nos denunciará, inequívoca e irremediavelmente, como a fraude que somos. É desta, é hoje que vão descobrir o logro, a ausência de imaginação e a evidente vocação limitada à simples arte de engraxar os sapatos do poder.
É assim que imagino o Paulo Baldaia, de todas as vezes que se senta em frente ao computador. E é assim que ele procura levar-me à certeza da razão.
As notícias mais patetinhas do mundo
São aquelas em que os jornalistas noticiam o que acontece no seu local de trabalho. A explicação para a saída de Pedro Santos Guerreiro da direcção do Expresso parece um episódio do Ruca.
Maputo, 17 de Maio de 1998
Há 21 anos estava eu a viver em Moçambique e nessa altura era provavelmente o trabalhador “expatriado” de Portugal mais jovem em Maputo.
Em 1998, portanto, escrevi um texto sobre a minha vivência e observação do quotidiano local. Em jeito de solidariedade para com todos os afectados pelos desastres naturais dos últimos dias, reproduzo abaixo aquilo que na altura me ia na alma.
Crónica de África
Mia Couto (escritor moçambicano) tem alguma razão quando diz que em Moçambique “Portugal não é visto”. Ele explica melhor dizendo que Portugal não é visto de maneira diferente dos outros países.
Assim é de facto no que respeita, por exemplo, às leis de investimento. À luz da legislação os investidores têm exactamente o mesmo quadro normativo independentemente da sua nacionalidade.
Este não sobressair é explicável também pelo facto de esta nação estar no lado oposto do mundo em que está Portugal. É no Sul da África que estão os seus interesses e no Índico que tem os seus olhos.
A visão da Europa e, em particular, de Portugal que se tem aqui ganha o distânciamento de um continente inteiro, mesmo na era da comunicação global e da Internet.
Mas talvez não seja esta a verdade inteira. Dizia-me um dos grandes fotógrafos da actualidade e o maior de todos os fotógrafos moçambicanos – Ricardo Rangel – que a relação de Moçambique com Portugal é de amor-ódio, o que contradiz um pouco as palavras de Mia Couto.
Moçambique é independente há mais de 20 anos mas ainda se sente o estigma de país colonizado. O complexo de vítima subsiste em alguns sectores da sociedade. Na apresentação de um livro a que assisti, a mãe de Malangatana (pintor) proferiu algumas palavras sobre o autor da obra e enfatizou de tal modo e com tal veemência a resistência ao colonizador que quase parecia estarmos ainda perante uma nação subjugada à opressão do império.
Ora, esta imagem criada em função do “outro”, de resistência, que alguns moçambicanos têm de si próprios, não é partilhada por aqueles que não encaram os portugueses de maneira particular.
“Como podemos nós estar ressentidos com os portugueses? Foram eles que construiram este belo país e foram eles que nos evangelizaram!” Palavras do Cardeal D. Alexandre José Maria dos Santos a que deve ser dado o desconto de serem proferidas por um homem de fé e que talvez sejam mais um desejo do que uma realidade de facto. Aliás, ele próprio me dizia que ficava muito desgostoso com o racismo dos portugueses e com a arrogância de alguns em quererem voltar a dominar este povo.
Moçambique continua um país extraordinariamente pobre e embora as reformas e melhorias em curso estejam a levar o país para o bom caminho, os benefícios da liberalização da economia e do investimento estrangeiro tardam em se fazer sentir no quotidiano da maioria dos moçambicanos.
A esmagadora maioria das pessoas luta pela sobrevivência. O “médio-prazo” é conceito que pouco diz a esta gente. O que interessa às famílias é o dia seguinte.
Assim, compreende-se que os moçambicanos acolham de braços abertos os investimentos estrangeiros no país se isso significar a abertura de uma nova fábrica e, por consequência, novos postos de trabalho forem criados. O salário é uma questão menor se a cantina da indústria lhes der as refeições diárias.
Já a liberalização da economia não é vista com tanto entusiasmo pois os seus benefícios não são imediatos e quase invariavelmente representam sacrifícios o curto prazo. E pedir sacrifícios a quem luta pela sobrevivência…
É natural que acolham mal e até sintam inveja se uma empresa portuguesa se instalar em Moçambique contratando trabalhadores portugueses. Esta reacção acontece não por serem empresários portugueses, mas por os critérios económicos que pesaram para tal opção não serem apreendidos pelos trabalhadores moçambicanos, nomeadamente a diferença de produtividade.
Mas também há os portugueses com o sonho do “regresso” a Moçambique em estilo neo- colonizador e os empresários que chegam cá com objectivos quase predatórios.
A arrogância desta gente é imediatamente percebida pelos moçambicanos e isso cria tensões. Para estes portugueses os vinte anos de Moçambique independente foram um pequeno interregno e agora pensam refazer as suas vidas a partir do seu exercício “natural” do poder. E é vê-los a falarem alto no Hotel Polana e a destratar os empregados de mesa…
O escritor dizia: “onde os portugueses marcaram o tecido social moçambicano foi exactamente na sua capacidade de se dissolverem, de perderem identidade”.
Quão diferente é esta atitude louvada pelos moçambicanos da “elite” lusa em Maputo. São empresários, administradores, altos quadros que vêm a Moçambique ganhar duas ou três vezes mais do que os seus salários em Portugal e que tentam criar na capital de Moçambique um oásis, um mundo “limpo” e de luxo.
Vivem em círculo fechado e ficam indispostos com quem não é do “seu” mundo. Nem todos os portugueses que cá vivem têm acesso aos cocktails e aos programas organizados por estes que “sabem” e “podem”, mas pelo menos os portugueses que ficam de fora já conhecem a fauna das “tias” e “tios”. Mas tentar reeditar a “sociedade” de Cascais ou da Foz num país em que o povo não tem a “côr certa” é especialmente bizarro e profundamente desrespeitador da condição humana.
Moçambique não é um país de língua portuguesa. Aliás os moçambicanos gostam pouco da sigla “PALOP” e preferem serem vistos apenas como “Moçambique”. O Português é falado por uma minoria e, em geral, como segundo idioma.
É curioso observar que em pleno Maputo e dentro da própria Embaixada de Portugal os funcionários negros falam entre si no dialeto da região e o Português é a língua de trabalho.
No entanto é o Português que ajuda a manter um traço comum a todos os moçambicanos e a histeria e nervosismo que se instalou em alguns sectores em Portugal aquando da integração de Moçambique na Commonwealth foi algo perfeitamente escusado e que feriu os próprios moçambicanos.
Nunca a opção pelo inglês esteve no horizonte de Moçambique. O Português que se fala neste país é dos moçambicanos, não é a língua “portuguesa”.
Aliás, esta é uma questão reveladora da ausência de uma visão estratégia para África dos nossos actuais responsáveis políticos. Não resisto a citar o Prof. João Gomes Cravinho quando escreveu no “Janus 98” que “é notória a desvalorização relativa das relações (de Portugal) com África que aconteceu com a mudança de governo em finais de 1995”.
É necessária uma política africana descomplexada que não se funde na glorificação da pátria e na defesa provinciana da língua portuguesa.
Com que imagem ficarão também os moçambicanos da recente visita da segunda figura do Estado português quando aproveitou uma deslocação oficial a Moçambique para “paralelamente” tratar dos seus interesses económicos pessoais no Vale do Zambeze? Na imprensa local, chamaram-lhe a “delegação fantasma de Almeida Santos”…
Haja respeito e transparência!
Portugal tem de aprender que Moçambique está a construir a sua identidade e a criar a sua própria imagem com o Português dos moçambicanos. Tem de aprender a ser visto pela sua ex-colónia como um país num Mundo que é visto numa perspectiva que não é a sua.
A história comum entre os dois países tem de ser entendida como um relacionamento dos dois povos sem sentimentos de culpa, sem feridas e sobretudo, sem nostalgias.
Maputo, 17 de Maio de 1998

Na foto, eu junto a um dos mais antigos embondeiros da África Sub-Sahariana.
Quanto tempo resiste uma ditadura comunista?
A sociedade civil precede os partidos e o estado.
Miguel Morgado a colocar bem a questão: “Os partidos políticos à esquerda têm – e não é só em Portugal – uma vocação totalizante. À direita, a tradição é muito outra, é muito mais representativa, é a ideia de que existe uma sociedade civil que precede o Estado, precede os partidos políticos e eles estão lá para representar a sociedade civil, não é os partidos a quererem transformar a sociedade civil, é a sociedade civil a transformar os partidos. ”
Mais, aqui.
A ler
Greves de hoje. Amanhã há mais
Greve de funcionários pode fechar escolas esta quinta e sexta-feira
A partir desta quinta-feira, inspectores da Polícia Judiciária fazem greves diárias de 19 minutos
Onde estão as feministas para repor a igualdade?
Ultimamente as feministas não me têm dado tréguas por eu ter dito que elas não defendem a igualdade entre géneros. Aconselharam-me inclusivamente a ir ao dicionário porque segundo elas, eu andava equivocada e quiçá sem saber, era uma feminista. Ora de facto a definição não deixa dúvidas: feminismo é “um Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem“, ou seja, luta-se por uma igualdade de direitos das mulheres em relação ao homem. E quando a mulher passa a ser maioritária, luta-se por manter essa igualdade entre géneros? A definição do dicionário é omissa mas os dados oficiais não deixam dúvidas: não.
Dizem esses dados que em 2017, na função pública estavam empregados: no norte 17 634 homens contra 19389 mulheres (oh diabo!); na área metropolitana de Lisboa 13 516 homens contra 17 251 mulheres (oh diabo!); no Algarve 3 624 contra 4 917 mulheres (oh diabo!). Apenas o Alentejo, regiões autónomas dos Açores e Madeira é que – por enquanto – mantêm as mulheres em minoria.

Se analisarmos de acordo com a distribuição de profissionais nas áreas da saúde, educação e justiça, temos APENAS menos mulheres no ensino superior (44%):
(Fonte Fundação Francisco Manuel dos Santos)
Um exemplo concreto foi-me dado por um leitor, também com dados oficiais. Em Leiria: a Câmara Municipal tem 56,5% de mulheres contra 43,5% de homens; na Comarca, 71,2% de mulheres e 28,8% de homens; na Segurança Social, 91,1% de mulheres contra 8,9% de mulheres; no Instituto Politécnico, 52,1% são mulheres, 47,9% são homens. É impressão minha ou em Leiria já faz falta impor quotas para homens?
Mas há mais: as estatísticas revelam que actualmente em termos populacionais as mulheres dominam: 4.891.983 homens e 5.433.469 mulheres o que significa que em pouco tempo, com a legislação actual que as protege, serão elas maioritárias em quase todos os sectores. Por outro lado também são elas que vivem mais tempo. As mulheres têm uma esperança média de vida à nascença de 83 anos, contra 78 dos homens. Portanto, para além de serem em maior número, morrem menos (isto promete). São elas também que representam 88% das famílias monoparentais. No ensino 49% dos alunos matriculados desde o pré-escolar até ao superior, são mulheres. Nas universidades, elas estão em maior número onde representam 54%. Dentro dos doutoramentos, 1.587 são de mulheres, contra 1.382 de homens. Onde é que faz falta afinal quotas ou outros estímulos para haver “igualdade”? A mim parece-me que se os homens não se puserem à cautela, não tarda nada, terão problemas sérios (ah! ah! ah!).
Em relação aos salários desiguais, mais uma meia verdade transformada em verdade sobre a dita desigualdade. Ninguém diz – porque essa parte não interessa à agenda feminista – que os estudos são sobre o rendimento e não, o salário. Ou seja, as diferenças não são sobre valores salariais pagos constantes nas tabelas do CCT por cada categoria profissional, mas sim valores auferidos. Significa isto que, de facto, as mulheres recebem menos no final do ano pelo mesmo trabalho realizado, não por ter um salário desigual, mas por trabalharem menos. Eu explico: a mulher é por natureza quem se sacrifica para levar os filhos ao pediatra, ficar em casa quando estão doentes, levar a mãe ou o pai a uma consulta, que falta para ir à escola falar com professores, participar numa actividade escolar ou qualquer outro assunto relacionado com a família e é também quem dá à luz os filhos. É isto que a Fundação Francisco Manuel dos Santos, responsável por muitos estudos, não mostra. Mais: estive no ramo empresarial durante décadas e posso garantir que não é possível, com a legislação actual, lançar na contabilidade salários diferentes para as mesmas funções sem que em pouco tempo, com uma queixa de apenas um funcionário, a empresa não seja invadida por um batalhão de fiscais do ACT a vasculhar todos os arquivos, a pente fino, durante semanas e em caso de se registarem irregularidades, ver aplicadas avultadas coimas! Só mesmo um empresário irresponsável e que goste de perder muito dinheiro se mete numa grande aventura dessas. No dia em que as mulheres não faltarem ao trabalho por assistência a familiares e não se importem de prescindir de tempo para a família, como eles homens, para fazer muitas horas extras, os salários auferidos serão iguais. Até lá, será isto.
Tenho a “certeza” que as feministas que me juravam que este movimento defendia a igualdade entre géneros, depois de tomar conhecimento destas injustiças, vão lutar para pôr fim a esta supremacia feminina em curso.
Aguardemos.
Ocupar um cargo político não é uma profissão
Vamos ter muito cuidado com as palavras
Organizações ibéricas da sardinha reunidas em encontro inédito em Peniche – este titulo de um texto da Lusa ecoa hoje nos jornais.
Entendamo-nos: não existem organizações ibéricas. Existem organizações portuguesas e organizações espanholas. Que as organizações espanholas duvidem se são espanholas, catalãs ou andaluzas é um problema que só a elas diz respeito.
Portugal é um estado e reúne com organizações doutro estado. Não nos vamos enfiar no caldeirão centrifugador da Ibéria em que a Espanha dilui as suas desavenças e nós perdemos autoridade e identidade
A propósito dos tiroteios que tiroteiam na Holanda
recordo o que escrevi sobre o atentado terrorista ocorrido na Nova Zelândia
Os terroristas são terroristas. Não desequilibrados.
Os terroristas têm nome, rosto e ideologia.
Os terroristas matam e querem matar.
Os terroristas accionam as armas, não são estas que se disparam.
Os terroristas contam com cumplicidades, apoios e solidariedades. Os terroristas-lobos solitários costumam estar razoavelmente acompanhados.
O terrorismo é um perigo.
Foi assim na Nova Zelândia. E é assim em Bruxelas, Paris, Suécia, Inglaterra, Espanha…
A Ideologia de Género não é ciência, é doutrinação
Querem-nos convencer a todo o custo que a Ideologia de Género se baseia apenas no ensino da tolerância, aceitação, conhecimento e igualdade entre géneros. E assim perante tão nobre intenção justificam a sua implementação imposta a todos os alunos na disciplina de cidadania. Ora, se é assim tão claro que se trata de uma ideologia ” científica” imprescindível à formação do indivíduo, por que razão a lei que tornou possível a ideologia de género nas escolas, foi aprovada em total segredo e sem debate público em 2018?
Pois bem, a resposta é simples para qualquer ser pensante que não segue as patranhas progressistas: não foi a debate porque simplesmente é uma grande mentira fabricada à medida das agendas feministas e LGBTIQ que recebem muito dinheiro público para a promoção da ideologia.
A primeira grande questão que se levanta é: por lque razão não aparece documentação sobre o tema na Biblioteca Nacional como alerta Mário Cunha Reis no seu artigo “Ideologia de Estado” no Observador? Numa pesquisa simples, há zero resultados quando se procura bibliografia sobre a ideologia de género. No entanto se a busca for “queer”, não falta bibliografia sobre o tema onde a ideologia de género está englobada. O que prova que não estamos perante uma teoria comprovada cientificamente mas sim uma teoria LGBTIQ.
Assim sendo, segue a segunda grande questão: não sendo uma teoria científica o que está ela a fazer no plano curricular dos alunos desde o pré escolar? Ora, a resposta aqui é também ela simples: isto não é ensino, é doutrinação. A prova está escrita pela própria CIG na página 5 dos Guiões onde explicitamente é dito: “(…) o conteúdo apresentado não exprime necessariamente a opinião da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.” Ou seja, a CIG desresponsabiliza-se do conteúdo destes guiões em caso de queixas.
Vamos lá esclarecer: uma coisa é ensinar o respeito, aceitação e tolerância por todos os seres humanos independentemente das suas diferenças, sejam elas a que nível for; ensinar que todos os seres humanos são iguais e não podem ser discriminados no acesso à saúde, educação, trabalho pelas suas orientações sexuais, religiosas ou ideológicas, raça, etnia ou cultura; outra é defender que igualdade é “ensinar” que não existem diferenças sexuais entre indivíduos porque todos nascemos neutros e que é a sociedade que constrói o nosso género; que a maternidade não é um exclusivo das mulheres; que todos os males desta sociedade está no homem heterossexual e família patriarcal; que o género não é imutável.
Foi exactamente isto que encontrei ao ler os guiões do Ministério da Educação (no pré-escolar, no 1º ciclo no 2º ciclo, no 3º ciclo e no secundário). Na página 265 do Guião para ensino secundário pode ler-se: ” (…) deste modo a diversidade sexual humana e a compreensão das expectativas das pessoas LGBTIQ relativamente aos direitos sexuais e reprodutivos poderá ser melhor compreendida e reflectida”. Na página 270 do mesmo guião, branqueia a ciência e diz: “(…) a ciência é uma construção socio-histórica, portanto determinada temporalmente e espacialmente. Por isso numa perspectiva de género não basta salientar a necessidade de reconhecimento da importância das teorias e modelos na construção do conhecimento científico mas também desconstruir os processos na sua produção”. Mas não se ficam por aqui: reclamam a reprodução assistida como um direito à igualdade; questionam a linguagem não inclusiva; questionam a história produzida; afirmam não haver complementariedade entre sexos; que as questões sociais afastaram meninas das actividades desportivas; que há uma cultura de heteronormalidade que classificam de homofóbica; impõem-se contra a existência de dois sexos bem definidos; afirmam que existe disparidades salariais; defendem o aborto como método contraceptivo; defendem quotas de forma dissimulada; defendem a desconstrução da sociedade; transformam em patologia todos os que não concordam com esta ideologia. Ou seja, só trata da agenda feminista e LGBTIQ. Porquê?Mais: estes Guiões são escritos por feministas, algumas lésbicas e homossexuais. Isto é doutrinação, sem qualquer dúvida.
Para reforçar ainda mais esta ideia, João Miguel Tavares escreveu no Público sobre uma actividade de uma escola na disciplina de Cidadania: “A Rede Ex-Aequo [uma associação lésbica] não se limita a combater “o bullying homofóbico e transfóbico”. É da facção (o vídeo de apresentação é muito esclarecedor quanto a isso) que nos convida a dizer “oradores e oradoras”, que garante que “juntas e juntos fazemos a diferença”, e que quer esclarecer os nossos filhos sobre o verdadeiro significado da palavra “heteronormatividade”. E isso, caras associações LGBTI, é 100% ideologia.”
De acordo com a maior defensora de género da actualidade, e cuja bibliografia serviu de base para os Guiões, a americana Judith Butller, “ninguém nasce homem, nem mulher, nem gay, nem lésbica, pois o género deve ser construído na escola, com quantos géneros quantos a criança deseje.” Mais claro do que isto é impossível.
A doutrinação da ideologia de género é ilegal porque viola a liberdade de consciência e crença do estudante; o princípio da neutralidade política e ideológica do Estado; o direito dos pais sobre a educação moral dos filhos. Porque a Declaração Universal dos Direitos Humanos no seu artigo 26º nº 4 diz claramente: ” Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos” e na Constituição da República Portuguesa no artigo 36º, nº 5 e artigo 43º, nº 2 está escrito: “Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos” e “O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas (…) políticas, ideológicas”.
Perante isto, onde está a dúvida quanto à inconstitucionalidade do decreto-lei que autorizou o ensino da ideologia de género nas nossas escolas?