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Maputo, 17 de Maio de 1998

21 Março, 2019

Há 21 anos estava eu a viver em Moçambique e nessa altura era provavelmente o trabalhador “expatriado” de Portugal mais jovem em Maputo.

Em 1998, portanto, escrevi um texto sobre a minha vivência e observação do quotidiano local. Em jeito de solidariedade para com todos os afectados pelos desastres naturais dos últimos dias, reproduzo abaixo aquilo que na altura me ia na alma.

 


Crónica de África

Mia Couto (escritor moçambicano) tem alguma razão quando diz que em Moçambique “Portugal não é visto”. Ele explica melhor dizendo que Portugal não é visto de maneira diferente dos outros países.

Assim é de facto no que respeita, por exemplo, às leis de investimento. À luz da legislação os investidores têm exactamente o mesmo quadro normativo independentemente da sua nacionalidade.

Este não sobressair é explicável também pelo facto de esta nação estar no lado oposto do mundo em que está Portugal. É no Sul da África que estão os seus interesses e no Índico que tem os seus olhos.

A visão da Europa e, em particular, de Portugal que se tem aqui ganha o distânciamento de um continente inteiro, mesmo na era da comunicação global e da Internet.

Mas talvez não seja esta a verdade inteira. Dizia-me um dos grandes fotógrafos da actualidade e o maior de todos os fotógrafos moçambicanos – Ricardo Rangel – que a relação de Moçambique com Portugal é de amor-ódio, o que contradiz um pouco as palavras de Mia Couto.

Moçambique é independente há mais de 20 anos mas ainda se sente o estigma de país colonizado. O complexo de vítima subsiste em alguns sectores da sociedade. Na apresentação de um livro a que assisti, a mãe de Malangatana (pintor) proferiu algumas palavras sobre o autor da obra e enfatizou de tal modo e com tal veemência a resistência ao colonizador que quase parecia estarmos ainda perante uma nação subjugada à opressão do império.

Ora, esta imagem criada em função do “outro”, de resistência, que alguns moçambicanos têm de si próprios, não é partilhada por aqueles que não encaram os portugueses de maneira particular.

“Como podemos nós estar ressentidos com os portugueses? Foram eles que construiram este belo país e foram eles que nos evangelizaram!” Palavras do Cardeal D. Alexandre José Maria dos Santos a que deve ser dado o desconto de serem proferidas por um homem de fé e que talvez sejam mais um desejo do que uma realidade de facto. Aliás, ele próprio me dizia que ficava muito desgostoso com o racismo dos portugueses e com a arrogância de alguns em quererem voltar a dominar este povo.

Moçambique continua um país extraordinariamente pobre e embora as reformas e melhorias em curso estejam a levar o país para o bom caminho, os benefícios da liberalização da economia e do investimento estrangeiro tardam em se fazer sentir no quotidiano da maioria dos moçambicanos.

A esmagadora maioria das pessoas luta pela sobrevivência. O “médio-prazo” é conceito que pouco diz a esta gente. O que interessa às famílias é o dia seguinte.

Assim, compreende-se que os moçambicanos acolham de braços abertos os investimentos estrangeiros no país se isso significar a abertura de uma nova fábrica e, por consequência, novos postos de trabalho forem criados. O salário é uma questão menor se a cantina da indústria lhes der as refeições diárias.

Já a liberalização da economia não é vista com tanto entusiasmo pois os seus benefícios não são imediatos e quase invariavelmente representam sacrifícios o curto prazo. E pedir sacrifícios a quem luta pela sobrevivência…

É natural que acolham mal e até sintam inveja se uma empresa portuguesa se instalar em Moçambique contratando trabalhadores portugueses. Esta reacção acontece não por serem empresários portugueses, mas por os critérios económicos que pesaram para tal opção não serem apreendidos pelos trabalhadores moçambicanos, nomeadamente a diferença de produtividade.

Mas também há os portugueses com o sonho do “regresso” a Moçambique em estilo neo- colonizador e os empresários que chegam cá com objectivos quase predatórios.

A arrogância desta gente é imediatamente percebida pelos moçambicanos e isso cria tensões. Para estes portugueses os vinte anos de Moçambique independente foram um pequeno interregno e agora pensam refazer as suas vidas a partir do seu exercício “natural” do poder. E é vê-los a falarem alto no Hotel Polana e a destratar os empregados de mesa…

O escritor dizia: “onde os portugueses marcaram o tecido social moçambicano foi exactamente na sua capacidade de se dissolverem, de perderem identidade”.

Quão diferente é esta atitude louvada pelos moçambicanos da “elite” lusa em Maputo. São empresários, administradores, altos quadros que vêm a Moçambique ganhar duas ou três vezes mais do que os seus salários em Portugal e que tentam criar na capital de Moçambique um oásis, um mundo “limpo” e de luxo.

Vivem em círculo fechado e ficam indispostos com quem não é do “seu” mundo. Nem todos os portugueses que cá vivem têm acesso aos cocktails e aos programas organizados por estes que “sabem” e “podem”, mas pelo menos os portugueses que ficam de fora já conhecem a fauna das “tias” e “tios”. Mas tentar reeditar a “sociedade” de Cascais ou da Foz num país em que o povo não tem a “côr certa” é especialmente bizarro e profundamente desrespeitador da condição humana.

Moçambique não é um país de língua portuguesa. Aliás os moçambicanos gostam pouco da sigla “PALOP” e preferem serem vistos apenas como “Moçambique”. O Português é falado por uma minoria e, em geral, como segundo idioma.

É curioso observar que em pleno Maputo e dentro da própria Embaixada de Portugal os funcionários negros falam entre si no dialeto da região e o Português é a língua de trabalho.

No entanto é o Português que ajuda a manter um traço comum a todos os moçambicanos e a histeria e nervosismo que se instalou em alguns sectores em Portugal aquando da integração de Moçambique na Commonwealth foi algo perfeitamente escusado e que feriu os próprios moçambicanos.

Nunca a opção pelo inglês esteve no horizonte de Moçambique. O Português que se fala neste país é dos moçambicanos, não é a língua “portuguesa”.

Aliás, esta é uma questão reveladora da ausência de uma visão estratégia para África dos nossos actuais responsáveis políticos. Não resisto a citar o Prof. João Gomes Cravinho quando escreveu no “Janus 98” que “é notória a desvalorização relativa das relações (de Portugal) com África que aconteceu com a mudança de governo em finais de 1995”.

É necessária uma política africana descomplexada que não se funde na glorificação da pátria e na defesa provinciana da língua portuguesa.

Com que imagem ficarão também os moçambicanos da recente visita da segunda figura do Estado português quando aproveitou uma deslocação oficial a Moçambique para “paralelamente” tratar dos seus interesses económicos pessoais no Vale do Zambeze? Na imprensa local, chamaram-lhe a “delegação fantasma de Almeida Santos”…

Haja respeito e transparência!

Portugal tem de aprender que Moçambique está a construir a sua identidade e a criar a sua própria imagem com o Português dos moçambicanos. Tem de aprender a ser visto pela sua ex-colónia como um país num Mundo que é visto numa perspectiva que não é a sua.

A história comum entre os dois países tem de ser entendida como um relacionamento dos dois povos sem sentimentos de culpa, sem feridas e sobretudo, sem nostalgias.

Maputo, 17 de Maio de 1998


 

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Na foto, eu junto a um dos mais antigos embondeiros da África Sub-Sahariana.

Quanto tempo resiste uma ditadura comunista?

21 Março, 2019

A sociedade civil precede os partidos e o estado.

21 Março, 2019

Miguel Morgado a colocar bem a questão: “Os partidos políticos à esquerda têm – e não é só em Portugal – uma vocação totalizante. À direita, a tradição é muito outra, é muito mais representativa, é a ideia de que existe uma sociedade civil que precede o Estado, precede os partidos políticos e eles estão lá para representar a sociedade civil, não é os partidos a quererem transformar a sociedade civil, é a sociedade civil a transformar os partidos.

Mais, aqui.

 

A ler

21 Março, 2019

Paulo Tunhas: Temos agora uma menina sueca, Greta Thumberg, inventora das “greves climáticas”, como grande sacerdotisa da causa, subitamente nobelizável e com direito a idas a Davos e tudo. A criança parece saída do Village of the Damned e é permissível duvidar da sanidade mental dos pais. Aquela confiança descomunal na sua própria santidade em tão tenra idade gela a espinha. Mas os novos fanáticos do apocalipse adoram-na.

Greves de hoje. Amanhã há mais

21 Março, 2019

Greve de funcionários pode fechar escolas esta quinta e sexta-feira

A partir desta quinta-feira, inspectores da Polícia Judiciária fazem greves diárias de 19 minutos

Onde estão as feministas para repor a igualdade?

20 Março, 2019

Ultimamente as feministas não me têm dado tréguas por eu ter dito que elas não defendem a igualdade entre géneros. Aconselharam-me inclusivamente a ir ao dicionário porque segundo elas, eu andava equivocada e quiçá sem saber, era uma feminista.  Ora de facto a definição não deixa dúvidas:  feminismo é  “um Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da  mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem“, ou seja, luta-se por uma igualdade de direitos das mulheres em relação ao homem. E quando a mulher passa a ser maioritária, luta-se por manter essa igualdade entre géneros? A definição do dicionário é omissa mas os dados oficiais não deixam dúvidas: não. 

Dizem esses dados que em 2017, na função pública estavam empregados:  no norte 17 634 homens contra 19389 mulheres (oh diabo!); na área metropolitana de Lisboa 13 516 homens contra 17 251 mulheres (oh diabo!); no Algarve 3 624 contra 4 917 mulheres (oh diabo!). Apenas o Alentejo, regiões autónomas dos Açores e Madeira é que – por enquanto – mantêm as mulheres em minoria.

PORDATA Trabalhadores da Administração Pública Local total e por sexo

Se analisarmos de acordo com a distribuição de  profissionais nas áreas da saúde, educação e justiça, temos APENAS menos mulheres no ensino superior (44%):

34779098_1853830384639703_68985773298286592_n(Fonte Fundação Francisco Manuel dos Santos)

Um exemplo concreto foi-me dado por um leitor, também com dados oficiais. Em Leiria: a Câmara Municipal tem 56,5% de mulheres contra 43,5% de homens; na Comarca, 71,2% de mulheres e 28,8% de homens; na Segurança Social, 91,1% de mulheres contra 8,9% de mulheres; no Instituto Politécnico, 52,1% são mulheres, 47,9% são homens. É impressão minha ou em Leiria já faz falta impor quotas para homens?

Mas há mais: as estatísticas revelam que actualmente em termos populacionais as mulheres dominam: 4.891.983 homens e 5.433.469 mulheres o que significa que em pouco tempo, com a legislação actual que as protege,  serão elas maioritárias em quase todos os sectores. Por outro lado também são elas que vivem mais tempo. As mulheres têm uma esperança média de vida à nascença de 83 anos, contra 78 dos homens. Portanto, para além de serem em maior número, morrem menos (isto promete). São elas também que representam 88% das famílias monoparentais. No ensino 49% dos alunos matriculados desde o pré-escolar até ao superior, são mulheres.  Nas universidades, elas estão em maior número onde representam 54%. Dentro dos doutoramentos, 1.587 são de mulheres, contra 1.382 de homens. Onde é que faz falta afinal quotas ou outros estímulos para haver “igualdade”? A mim parece-me que se os homens não se puserem à cautela, não tarda nada, terão problemas sérios (ah! ah! ah!).

Em relação aos salários desiguais, mais uma meia verdade transformada em verdade sobre a dita  desigualdade. Ninguém diz – porque essa parte não interessa à agenda feminista – que os estudos são sobre o rendimento e não, o salário. Ou seja, as diferenças não são sobre valores salariais pagos constantes nas tabelas do CCT por cada categoria profissional, mas sim valores auferidos. Significa isto que, de facto,  as mulheres recebem menos no final do ano pelo mesmo trabalho realizado, não por ter um salário desigual, mas por trabalharem menos. Eu explico: a mulher é por natureza quem se sacrifica para levar os filhos ao pediatra, ficar em casa quando estão doentes, levar a mãe ou o pai a uma consulta, que falta para ir à escola falar com professores, participar numa actividade escolar ou qualquer outro assunto relacionado com a família e é também quem dá à luz os filhos.   É  isto que a Fundação Francisco Manuel dos Santos, responsável por muitos estudos, não mostra. Mais: estive no ramo empresarial durante décadas  e posso garantir que não é possível, com a legislação actual, lançar na contabilidade salários diferentes para as mesmas funções sem que em pouco tempo, com uma queixa de apenas um funcionário, a empresa não seja invadida por um batalhão de  fiscais do ACT a vasculhar todos  os arquivos, a pente fino, durante semanas  e em caso de se registarem irregularidades,  ver aplicadas avultadas coimas! Só mesmo um empresário irresponsável e que goste de perder muito dinheiro  se mete numa grande aventura dessas.  No dia em que as mulheres não faltarem ao trabalho por assistência a familiares  e não se importem de prescindir de tempo para a família, como eles homens,  para fazer muitas horas extras, os salários auferidos serão iguais. Até lá, será  isto.

Tenho a “certeza” que as feministas que me juravam que este movimento defendia a igualdade entre géneros, depois de tomar conhecimento destas injustiças, vão lutar para pôr fim a esta supremacia feminina em curso.

Aguardemos.

 

 

 

Ocupar um cargo político não é uma profissão

20 Março, 2019

 

 

Vamos ter muito cuidado com as palavras

19 Março, 2019

Organizações ibéricas da sardinha reunidas em encontro inédito em Peniche – este titulo de um texto da Lusa ecoa hoje nos jornais.
Entendamo-nos: não existem organizações ibéricas. Existem organizações portuguesas e organizações espanholas. Que as organizações espanholas duvidem se são espanholas, catalãs ou andaluzas é um problema que só a elas diz respeito.
Portugal é um estado e reúne com organizações doutro estado. Não nos vamos enfiar no caldeirão centrifugador da Ibéria em que a Espanha dilui as suas desavenças e nós perdemos autoridade e identidade

A propósito dos tiroteios que tiroteiam na Holanda

18 Março, 2019

recordo o que escrevi sobre o atentado terrorista ocorrido na Nova Zelândia

Os terroristas são terroristas. Não desequilibrados.
Os terroristas têm nome, rosto e ideologia.
Os terroristas matam e querem matar.
Os terroristas accionam as armas, não são estas que se disparam.
Os terroristas contam com cumplicidades, apoios e solidariedades. Os terroristas-lobos solitários costumam estar razoavelmente acompanhados.
O terrorismo é um perigo.
Foi assim na Nova Zelândia. E é assim em Bruxelas, Paris, Suécia, Inglaterra, Espanha…

A Ideologia de Género não é ciência, é doutrinação

18 Março, 2019

Querem-nos convencer a todo o custo que a Ideologia de Género se baseia apenas no ensino da tolerância, aceitação, conhecimento  e igualdade entre géneros. E assim perante tão nobre intenção justificam a sua implementação imposta a todos os alunos na disciplina de cidadania. Ora, se é assim tão claro que se trata de uma ideologia ” científica” imprescindível à formação do indivíduo, por que razão a lei que tornou possível a ideologia de género nas escolas, foi aprovada em total segredo e sem debate público em 2018?

Pois bem, a resposta é simples para qualquer ser pensante que não segue as patranhas progressistas: não foi a debate porque simplesmente é uma grande mentira fabricada à medida das agendas feministas e LGBTIQ que recebem muito dinheiro público para a promoção da ideologia.

A primeira grande questão que se levanta é: por lque razão não aparece documentação sobre o tema na Biblioteca Nacional como alerta Mário Cunha Reis no seu artigo “Ideologia de Estado” no Observador? Numa pesquisa simples, há zero resultados quando se procura bibliografia  sobre a ideologia de género. No entanto se a busca for “queer”, não falta bibliografia sobre o tema onde a ideologia de género está englobada. O que prova que não estamos perante uma teoria comprovada cientificamente mas sim uma teoria LGBTIQ.

Assim sendo, segue a segunda grande questão: não sendo uma teoria científica o que está ela a fazer no plano curricular dos alunos desde o pré escolar? Ora, a resposta aqui é também ela simples: isto não é ensino, é doutrinação. A prova está escrita pela própria CIG na página 5 dos Guiões onde explicitamente é dito: “(…) o conteúdo apresentado não exprime necessariamente a opinião da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.” Ou seja,  a CIG desresponsabiliza-se  do conteúdo destes guiões em caso de queixas.

Vamos lá esclarecer: uma coisa é ensinar o respeito, aceitação e tolerância por todos os seres humanos independentemente das suas diferenças, sejam elas a que nível for; ensinar que todos os seres humanos são iguais e não podem ser discriminados no acesso à saúde, educação, trabalho pelas suas orientações sexuais, religiosas ou ideológicas, raça, etnia ou cultura; outra é defender que igualdade é  “ensinar”  que  não existem diferenças sexuais entre indivíduos porque todos nascemos neutros e que é a sociedade que constrói o nosso género; que a maternidade não é um exclusivo das mulheres; que todos os males desta sociedade está no homem heterossexual e família patriarcal; que o género não é imutável.

Foi exactamente isto que encontrei ao ler os guiões do Ministério da Educação (no pré-escolar, no 1º ciclo  no 2º ciclo, no 3º ciclo e no secundário). Na página 265 do Guião para ensino secundário pode ler-se: ” (…) deste modo a diversidade sexual humana e a compreensão das expectativas das pessoas LGBTIQ relativamente aos direitos sexuais e reprodutivos poderá ser melhor compreendida e reflectida”. Na página 270 do mesmo guião, branqueia  a ciência e diz:  “(…) a ciência é uma construção socio-histórica, portanto determinada temporalmente e espacialmente. Por isso numa perspectiva de género não basta salientar a necessidade de reconhecimento da importância das teorias e  modelos na construção do conhecimento científico mas também desconstruir os processos na sua produção”. Mas não se ficam por aqui: reclamam a reprodução assistida como um direito à igualdade; questionam a linguagem não inclusiva; questionam a história produzida; afirmam não haver complementariedade entre sexos; que as questões sociais afastaram meninas das actividades desportivas; que há uma cultura de heteronormalidade que classificam de homofóbica; impõem-se contra a existência de dois sexos bem definidos; afirmam que existe disparidades salariais; defendem o aborto como método contraceptivo; defendem quotas de forma dissimulada; defendem a desconstrução da sociedade; transformam em patologia todos os que não concordam com esta ideologia.  Ou seja, só trata da agenda feminista e LGBTIQ.  Porquê?Mais:   estes Guiões são escritos por feministas, algumas lésbicas e homossexuais.  Isto é doutrinação, sem qualquer dúvida.

Para reforçar ainda mais esta ideia, João Miguel Tavares escreveu no Público sobre uma actividade de uma escola na disciplina de Cidadania:  “A Rede Ex-Aequo [uma associação lésbica] não se limita a combater “o bullying homofóbico e transfóbico”. É da facção (o vídeo de apresentação é muito esclarecedor quanto a isso) que nos convida a dizer “oradores e oradoras”, que garante que “juntas e juntos fazemos a diferença”, e que quer esclarecer os nossos filhos sobre o verdadeiro significado da palavra “heteronormatividade”. E isso, caras associações LGBTI, é 100% ideologia.”

De acordo com  a maior defensora de género da actualidade, e cuja bibliografia serviu de base para os Guiões, a americana Judith Butller, “ninguém nasce homem, nem mulher, nem gay, nem lésbica,  pois o género deve ser construído na escola, com quantos géneros  quantos a criança deseje.” Mais claro do que isto é impossível.

A doutrinação da ideologia de género é ilegal porque viola a liberdade de consciência e crença do estudante; o princípio da neutralidade política e ideológica do Estado; o direito dos pais sobre a educação moral dos filhos.  Porque  a Declaração Universal dos Direitos Humanos no seu artigo 26º nº 4 diz claramente: ” Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos” e na Constituição da República Portuguesa no artigo 36º, nº 5 e artigo 43º, nº 2 está escrito:  “Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos” “O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas (…) políticas, ideológicas”.

Perante isto, onde está a dúvida quanto à inconstitucionalidade do decreto-lei que autorizou o ensino da ideologia de género nas nossas escolas?

 

 

 

 

 

Da falta de vergonha

18 Março, 2019

A Coreia do Norte não é uma democracia? “É uma opinião”, diz Jerónimo de Sousa
O secretário-geral do PCP recusou-se a classificar o regime de Kim-Jong-un: “Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia”, afirmou em entrevista ao Polígrafo

Jerónimo, democracia é o regime em que pessoas que vivem de dizer mal do regime são respeitadas pelo regime e, imagine, sustentadas por ele. É inacreditável, não é?

Como para o ano diz que que se vai reformar o camarada Jerónimo mais a bela reforma que este regime que abomina lhe paga (se entrega uma parte ao partido esse é uma opção que não nos diz respeito)  pode ir de férias para a Coreia do Norte. Não perca tempo. Ponha-se a caminho.

Os meninos à roda da propaganda

18 Março, 2019

Sempre que uma nova causa nos é apresentada lá está ele: o jornalismo activista. (Obviamente também está Catarina Martins enquadrando a “nova luta” “num dia histórico” mas isso não é propriamente um assunto que valha a pena ser comentado, é mais o nosso fado.)  Em 2012 eram os tempos dos meninos da lágrima porque não havia dinheiro para bolachas, chorados em textos como “O menino que Gaspar não conhece”, publicado pelo Expresso em Novembro de 2012. Lembrei-me do “menino que Gaspar não conhece” quando esta semana li por essa imprensa fora os textos que noticiavam a dita greve climática, nomeadamente no mesmo Expresso uma espécie de panfleto intitulado “Trazem flores nos olhos para mudar o planeta“. Comecei a ler aquelas linhas que redimem José Jorge Letria daquela prosa em verso que levou muita gente a desistir do PREC e constatei que os meninos que não podiam comer bolachas em 2012 cresceram e agora querem salvar o planeta mesmo que para tal tenham de fechar fábricas, as de bolachas incluídas.

Déjà vu

17 Março, 2019

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Educação sexual seria irem todos esfregarem-se na biblioteca

17 Março, 2019

De vez em quando, lá aparece a conversa da educação sexual nas escolas. Admito alguma apreensão quando vejo que um jornal como o Público precisa de declarações de um médico de 26 anos. Não é que a idade seja um posto, mas eu lembro-me de ter 26 anos e não confiaria em mim nessa altura para me aconselhar sobre fosse o que fosse. Já agora, na idade de enfartes e perda progressiva de visão, é o que é, mais dúvidas do que certezas.

Diz então o recém-formado médico, ainda sem especialidade, mas grande referência na matéria para o jornal Público que “temos uma tradição de punição e repressão da abordagem à sexualidade, que ainda tem grande peso, e que pode estar na base da opção de apresentar os tópicos que devem ser abordados de uma forma muito vaga”. Estou a presumir, com algum grau de certeza, que é alguém que saiu do armário há pouco tempo.

Como se pode, então, ser específico, fugir a essa forma vaga de abordar os temas? Um manual de instruções? “Inserir pénis erecto em vagina previamente humedecida por actividade de aquecimento, como 10 minutos de trampolim com o professor de educação física”?

Desde quando ficamos estúpidos? Verdadeiramente estúpidos, ao ponto de aceitarmos disciplinas como “cidadania” ou “educação sexual”? Porque é que a disciplina de desporto se chama “educação física”? Porque é que ética se chama “educação moral”? Porque é que arte e estética se chama “educação visual”? Porque é que artes e ofícios se chama “educação tecnológica”?

Quanto à parte sexual, eu quero é que a escola deixe os meus filhos em paz, que a Playboy deixe de ser palerminha e que os quartos tenham uma porta que feche por dentro. Não há educação sexual: há vida sexual. Não há-de ser a escola ou um indivíduo de 26 anos que nos há-de ensinar a viver.

O socialismo polui!

16 Março, 2019

A gazeta às aulas de ontem por parte de um conjunto de jovens lobotomizados mereceu aplauso de variadíssimos responsáveis partidários de todo o espectro político. A esta deplorável manifestação pública de imbecilidade juntou-se o não menos cretino louvor apaixonado e elogio orgulhoso da habitual oligarquia, composta por diversos académicos, jornalistas e outra gente com idêntica destrambelhada opinião publicada.

Uma das mais cavilosas ideias que tentaram fazer passar foi a de que o Capitalismo se opõe à defesa do Ambiente, provoca os mais elevados índices de poluição e é em larga medida responsável pelas alterações climáticas.

Ora, a questão está em que estas narrativas socialistas, neo-fascistas e progressistas não batem certo com a realidade dos factos observáveis.

A verdade é que quanto mais economicamente livres (capitalistas) forem os países, mais qualidade ambiental têm essas sociedades e maior exigência têm os consumidores dessas geografias quanto ao tratamento dados pelas empresas às questões de protecção do ambiente. A mesma correlação existe com os países onde o respeito pela propriedade privada é mais forte. É também claríssimo que os países mais ricos são os que mais respeitam o ambiente. E, evidentemente, os países mais ricos são aqueles onde há menos socialismo e mais liberdade económica.

Deixo-vos abaixo uma série de gráficos que ilustram o acima exposto na talvez vã esperança de que com isto algum daqueles jovens ideologicamente manietados e que faltaram ontem à escola possam ter alguma dúvida sobre as suas infantis certezas.

2018 EPI – Environmental Performance Index, Yale University:

EPI_index

EF-2019-table-global-rankings-with-components-1

Environment

 

 

 

Não se esqueçam

16 Março, 2019

Os terroristas são terroristas. Não desequilibrados.
Os terroristas têm nome, rosto e ideologia.
Os terroristas matam e querem matar.
Os terroristas accionam as armas, não são estas que se disparam.
Os terroristas contam com cumplicidades, apoios e solidariedades. Os terroristas-lobos solitários costumam estar razoavelmente acompanhados.
O terrorismo é um perigo.
Foi assim na Nova Zelãndia. E é assim em Bruxelas, Paris, Suécia, Inglaterra, Espanha…

Porque pode ser importante

15 Março, 2019

A polémica do momento parece ser a resistência a todos termos que nos indignar com uma escola que terá proposto que crianças visitassem uma exposição ou uma apresentação (é para verem a atenção que essas coisas merecem) de cariz LGBTQUIPTXPTO.

Dizem-me que eu devia estar indignado, mas, sinceramente, como hoje me dói imenso a cabeça, não me sinto motivado para me indignar. Até porque, indignado a sério estou desde que criaram a disciplina de “cidadania”, ou algo com nome semelhante. Apesar de ter crianças em idade escolar, admito rolar os olhos — reacção que já esperam e, suspeito, provocam — quando me mencionam algo discutido na aula. Posso ter excedido a minha obrigação de pai, mas penso que já lhes ensinei tudo que há a ensinar em “cidadania” (ou semelhante):

  • Não deites lixo para o chão;
  • Trata os outros como queres ser tratado;
  • As pessoas, às vezes, aparentam ser rudes, mas pensa que pode ser só cansaço;
  • Tem paciência com os mais lentos, novos ou velhos;
  • Arruma as tuas coisas;
  • Não fales mais alto que os outros e espera pela tua vez;
  • Come com a boca fechada;
  • As pessoas tratam-se pelo nome de família. O nome próprio é para amigos e esse é um privilégio que nos é concedido pela pessoa, não um direito;
  • Deixa a natureza como a encontraste, mas matar animais ou plantas para os comer é normal;
  • O ar livre faz bem: usa protector solar.
  • Há pessoas de todo o tipo; respeita todas, mesmo as que não gostas.

Há mais? Não sei, a gente vai indo e vai vendo. Só não me falem da “cidadania” (ou semelhante), que acabo a rolar os olhos. Bom fim-de-semana e falem com os vossos filhos. Deverá ser suficiente.

E as candidatas ao programa da TVI não têm direitos?

15 Março, 2019

Foi uma avalanche de protestos quando ironicamente a seguir ao dia Internacional da Mulher, duas televisões privadas resolveram estrear  programas onde as mulheres se candidatam a noivas de um agricultor, na SIC ou de um menino da mamã na TVI. Pergunto: alguém foi saber a opinião das candidatas  antes de exigir a suspensão dos reality show?

Sim, estes programas são uma valente porcaria como o são “Love on the top”, “Big brother”, a “Casa dos Segredos”, “O carro do amor”, “A Quinta das Celebridades” e tantas tantas outras porcarias de reality show que passaram nas televisões. Mas só estes estão a provocar uma onda de indignação. Porquê? Porque desvaloriza a mulher – os outros , onde elas aparecem expostas na sua intimidade, parece que não pelo desinteresse dos activistas. Acontece que ninguém vai lá parar coagido. Todas as participantes são voluntárias. Foram elas, as candidatas, que tornaram este programa possível porque sem as suas candidaturas  não haveria pretendentes para aqueles indivíduos. E sem pretendentes, zero programa. Fiz-me entender?

Além disto as televisões são empresas privadas. Elas decidem sobre o querem  produzir e qual o público alvo. Cabe ao telespectador decidir se quer ver ou não mudando de canal ou simplesmente desligando o televisor. Simples. Mas os shares desses dias dizem que houve muita audiência. Pois.

Chama-se a isto liberdade de escolha. Somos todos livres (ainda, penso eu) de decidir o que queremos e não queremos. E se as televisões disponibilizaram esse formato e  essas pessoas decidiram participar de livre e espontânea vontade, ninguém tem nada com isso.

O mesmo acontece com as mulheres que querem participar em publicidade e mostrar a sensualidade do seu corpo ao serviço do marketing publicitário; o mesmo acontece com as mulheres que querem desfilar roupas de grandes marcas semi-despidas ou de lingerie; o mesmo acontece com as mulheres que querem ser actrizes de porno ou strippers; o mesmo acontece com as mulheres na Holanda que querem estar em montras; o mesmo acontece com as mulheres que querem desfilar de biquini nas Misses ou de mini saia na Fórmula 1. Ninguém tem o direito em nome disto ou daquilo, de as impedir de fazer ou ser aquilo que bem entendem – desde que seja por vontade própria, obviamente. Não é  pela igualdade de direitos que as feministas se debatem? Então porque querem limitar os direitos de muitas das mulheres que não pensam como elas?

Argumentam que se trata de um retrocesso civilizacional, colocar a mãe a escolher a noiva pelo filho, a seleccionar as candidatas pelos dotes culinários ou atributos físicos. E de facto, é retrógrado, sem dúvida. Mas se o programa fosse “Quem quer casar com uma feminista” teríamos uma mulher a perguntar se o candidato sabia cozinhar  e  limpar a casa; se concordava com o aborto; se defendia a equidade menstrual; se era a favor do pluriamor; se era apoiante de quotas e a isso, iriam chamar de progressismo. É só uma questão de perspectiva. Nada mais. Porque eu, enquanto mulher, não me revejo em nenhuma das duas mas longe de mim restringir a liberdade de escolha de cada um viver como bem entende.

Ainda há pouco tempo passou um programa a que chamaram “Casados à primeira vista”, a coisa mais tonta que já vi em televisão na minha vida. Mas, quem sou eu para julgar as pessoas que quiseram submeter-se a esse desafio um tanto ou quanto absurdo? Vai estrear outro no domingo outro a que chamaram “Começar do Zero” onde os candidatos entram nus, sem nada dentro de casa,  desafiados a viverem sem bens de consumo. Mais um programa parvo. Mas, não andamos todos a encher a boca sobre a liberdade de cada um de decidir o que bem lhe dá na gana? Afinal, somos livres ou não?  Eu sou, por isso não vou ver.

Tanta crítica aos tempos das ditaduras por imporem padrões de comportamento e pensamento único e agora passado décadas, em plena democracia, quer-se restringir a liberdade das mulheres alegando que são “exploradas” que “submetem-se”  pelo dinheiro vitimizando-as,  quando na verdade e observando o programa, se vê exactamente o oposto: mulheres satisfeitas empenhadas em seduzir e agradar a um homem. Quem tem o direito de decidir o que é melhor ou não por elas?

Defender a igualdade é acima de tudo defender a liberdade de escolha. E é exactamente isto que as feministas querem sonegar. Esta histeria à volta destes programas  impondo a vontade de umas contra a vontade de outras,  comprova-o na perfeição. 

Greve climática estudantil

15 Março, 2019

Cerimónia de Financiamento do projeto Windfloat Atlantic

O ministro e o secretário de estado que “complementa o saber” do primeiro (nas palavras do esperado candidato do PS à Câmara do Porto), receberam em audiência um grupo de seis estudantes que promovem para hoje não uma manifestação, não uma conferência ou qualquer outro evento, mas sim gazeta às aulas em nome da luta contra as alterações climáticas.

O representante do Governo diz que a causa é justa e dá a entender que não apela também ele próprio à greve às aulas apenas por timidez.

O Público diz que estes seis jovens “representam milhares de estudantes”.

Não sei quem é mais ridículo: se os governantes se o os jornalistas do Público.

Ups, perdão, se calhar trata-se da mesma entidade…

 

 

Guetos proselitistas do Bloco

14 Março, 2019

Por pressão do Bloco de Esquerda, a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Arroios vão gastar dinheiro dos contribuintes e munícipes a criar guetos.

Assim se usa a máquina e o poder da administração pública para criar divisões e oposições artificiais entre indivíduos, esquecer as pessoas e criar trincheiras de grupos, desincentivar o diálogo e propagar estereótipos convenientes.

O tribalismo instala-se. O confronto de ideias e a liberdade esvai-se.

Bloco_Lx

 

 

Nem sabia quem era esta…

14 Março, 2019

Desconhecia esta parasita que vive do trabalho dos contribuintes para produzir coisas sem interesse nenhum… 

Por isso a minha pergunta é: à parte o que a senhora pensa politicamente, que fez ela de útil na vida? Atentem nos pormenores (disparates que a senhora diz):

  1. “Não me revejo como artista portuguesa, sou uma artista que por acaso nasceu aqui. O nosso público é um público internacional.” A minha pergunta então é: porque pagam os Portuguese a viagem e a estadia a alguém que não se sente Português?
  2. ““São exposições que jogam muito com o sentido de verticalidade e da suspensão de esculturas”, resumiu. Quanto ao palácio Giustinian Lolin, classificou-o como “espaço muito complicado, porque não se pode tocar nas paredes, no chão e no teto”, o que contende com o tipo de intervenção a que está habituada. “Há presenças de quatro pinturas enormes, são frescos, não fui eu que escolhi, para mim era importante não lidar com aquele artista, era importante ocultar a presença de um outro artista naquela sala.” Uma dificuldade que a artista disse também ver como desafio e mais-valia.” O problema existencial da senhora é que há quatro pinturas num palácio em Veneza que a atrapalham… a artista (quem diria…) vê nisto “uma dificuldade”, um “desafio”…

Dramas de quem vive do dinheiro dos outros…

E vendemos a quem?

14 Março, 2019

Donos ou gerem terrenos ou têm de os vender, defende Tiago Oliveira
Presidente da Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais defende uma “mudança da paisagem” e os proprietários têm de ser “parte da solução”. Se não quiserem, devem vender as suas propriedade
s.

A casa que também foi “presa”…

13 Março, 2019

Victor Reis: «Em 2012, uma moradora do Bairro do Lagarteiro, um bairro social do Porto, foi condenada por tráfico de droga a nove anos de prisão. Quando foi detida, a casa onde vivia naquele bairro social, ficou vazia.  (…) O caricato é que esta casa esteve “presa” e vazia tantos anos, quantos os que a sua anterior moradora esteve encarcerada em Santa Cruz do Bispo. Mas este, não é caso único. Infelizmente, na habitação social em Portugal, situações destas fazem parte de um quotidiano ditado pela cobardia política dos responsáveis que aplicam a lei conforme as conveniências. Ou porque se aproximam atos eleitorais. Ou em função de algumas manifestações. Ou até, em resultado da pressão de umas quantas notícias ditadas por umas cartas abertas de algumas individualidades.

 

No Porto existem centenas de famílias nas listas de espera para aceder a uma habitação social. Qual é a dificuldade em assumir que é inaceitável a existência de casas vazias durante tantos anos como sucedeu nesta situação?»

Nascidos a 5 de Julho

13 Março, 2019

Perante o anúncio do Movimento Nascidos a 5 de Julho (Mov 5.7), um cínico exclamará, de forma interrogativa meramente retórica pela certeza das suas convicções no extremo-centro — aquele que, como buraco negro, alberga todos os que se recusam a comprometer com qualquer posição que irrite o Pacheco Pereira — um lacónico “mais um?”

A Direita atravessa hoje uma crise política e cultural que é evidente para todos. O perigo que a espreita não é menor do que a oportunidade que abre – refundar-se e reconstruir-se para depois se federar. Este é o momento para iniciar essa tarefa.

Ontem, fui bombardeado — também é retórica: foram três ou quatro pessoas e das simpáticas — pela presença do meu nome na lista de signatários. A resposta que dei foi, na essência, a mesma que aqui deixo.

Estou cansado de “gente que é branca”. Estou cansado de “gente que é preta”. Estou cansado de “gente que é homossexual”. Estou cansado de “gente que é heterossexual”. Estou cansado de “gente que é mulher”. Estou cansado de “gente que é homem”. Estou cansado de “gente que”, gente que procura a diferença na irrelevância. Estou cansado de ver uns contra os outros no que não serve nada útil, só a inútil esquerda para fingir-se virtuosa na vil religião de estado. Estou cansado do estigma do pénis, do da vagina e do da esquerda. Portanto, “somos direita” para acabar com o “somos de esquerda”; “somos pessoas” para acabar com o “somos mulheres”, “somos pretos”, “somos gays”. Não há qualquer relevância na vida privada das pessoas: todas as vidas são diferentes, não uniformizáveis perante a moralzinha espúria da beata esquerda azeiteira. Chega de “gente que”, é altura de gente, só gente. Queremos tirar as palermices identitárias dos partidos, levando-os a focar na realidade social, económica e cultural do país, não nas linhas imaginárias que a esquerda inventa para afirmar “conquistas” teóricas em masturbações mediáticas de tropicalismo terceiro-mundista com zero valor para a vida dos humanos do país: a gente. Queremos trazer a direita para a direita, a direita da liberdade individual das pessoas e famílias perante a demolição da nação pelo monstro moralista do estado embriagado em oportunismo marxista de moralidade artificialmente criada por decreto de oligarquias de pendurados.

Já ganhamos: juntar pessoas que se afirmam de direita, sem complexos, sem contabilidades de pénis, de cor de pele, origem, religião ou actividade sexual são o pesadelo dos instalados. Que durmam mal com isso, que não lhes devemos nada.

Uiii… cuidado que Marcelo ameaça!

12 Março, 2019

O Marcelo que dois anos depois dos incêndios diz que ameaçou dissolver a Assembleia da República no ano seguinte aos acontecimentos é o mesmo que um ano antes de Pedrogão disse que ia estar atento às medidas contra os fogos e que em 2017 disse que tinha sido feito o máximo possível?

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Deslarguem!

11 Março, 2019

Chateia e satura a constante preocupação social.

Irrita e farta a contínua ladainha de defesa do bem comum.

É impossível de aturar os amigos da igualdade, do ambiente, das empresas, das mulheres e do que quer que seja a causa da moda.

Parece haver uma omnipresente paixão pela construção de uma sociedade melhor. Todos sentem ser sua missão salvar a humanidade.

Os bons sabem melhor do que os outros o que deve ser feito, pensado, dito e sentido. Os humanitaristas têm superior sapiência para identificar os objectivos que a sociedade deve prosseguir. Claro está que, se necessário fôr, ajusta-se a sociedade aos objectivos do filantropo. Ninguém tem dúvidas do que é melhor para todos.

O voto deveria servir para controlar a influência do estado na vida de cada indivíduo, mas serve propósito inverso. Legislação e fiscalidade funcionam como ferramentas coercivas para instalar a visão do mundo de quem se arroga incumbências salvíficas.

Pois, ide exibir virtude para o vosso quintal!

Ide planear as vossas próprias vidas!

Ide massajar o ego para o raio que vos parta!

Acaso passará pela cabeça desta gente que a sociedade não precisa de tutores?

Equacionarão que o conceito de felicidade de uma pessoa possa não ser o mesmo que o deles?

A marcha do Estado parece imparável, mas não é. Se fôr, mais ainda importa resistir à diminuição das liberdades individuais, nem que seja para perder a guerra de forma digna.

As pessoas devem ser livres de viver e gerir as suas vidas conforme entenderem, cooperando na divisão de trabalho, estabelecendo trocas sempre que assim desejarem e com quem entenderem e tendo a liberdade de escolha e autonomia para praticar a solidariedade e fazer o bem.  A ética e a escala de valores variam de pessoa para pessoa. Impôr um código de conduta moral aos outros é totalitário.

Apenas sem controlo central e de forma espontânea poderemos tender para uma melhor harmonia de interesses entre todos.

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A falta que Clint Eastwood nos faz para filmar isto

11 Março, 2019

Observador «Manuel Garcia esperou duas horas, sentado num banco à porta da sua casa. Em punho, uma caçadeira carregada com dois cartuchos. Escondido pelo muro da residência, controlou dali, das 19h00 às 21h00, o portão do quintal por onde entraria o genro, António Veríssimo, de 68 anos, quando regressasse do café. Lá dentro tinha deixado a mulher, acamada devido uma doença oncológica.

Assim que António Veríssimo atravessou o portão, Manuel Garcia “levantou-se” e “empunhou a caçadeira”. Não disse uma única palavra ao genro. “Apontou a arma ao seu peito e disparou dois tiros”, lê-se na acusação do Ministério Público. Um atingiu Manuel no punho direito. O outro foi fatal: acertou no lado direito do peito.
A filha de Manuel Garcia tinha morrido há quatro anos. Testemunhas dizem que sofria de violência doméstica e que acabou, por isso, por cometer o suicídio, mas também há quem garanta, como avançaram alguns jornais na altura, que a mulher tinha morrido na sequência de um ataque cardíaco.

Certo é que Manuel culpava o genro, António Veríssimo, por aquela morte e terá querido vingança. Na altura do crime, ele e a mulher, que estava acamada na sequência de uma doença oncológica, viviam naquela casa, na aldeia de Furadouro, com António Veríssimo — que se mudou para lá com o filho de 30 anos, após a morte da companheira. Ali sofreriam, também eles, de violência doméstica por parte do genro.
Manuel Garcia, 89 anos, foi condenado esta segunda-feira a quatro anos e nove meses de prisão efectiva.»

A ler

11 Março, 2019
João Gonçalves :«Marcelo nunca chegou a começar o mandato. Trocou-o por um populismo institucional em que ele e o primeiro-ministro competem, juntos, pelo troféu da popularidade estatística, da anomia colectiva e do pensamento único

Luís Rosa «Depois de Catarina e de Rio terem radicalizado o ataque à Justiça, António Costa apareceu como o mais moderado, mas sem deixar de classificar como “revoltante” o “tratamento judiciário” do “crime de violência doméstica”. E aqui temos de perguntar: e amanhã, se em vez de Neto de Moura, for outro juiz que vá contra os interesses do Poder Político? Como, por exemplo, que ordene a prisão de um ministro da Geringonça? Ou que decida em sentido contrário às verdades absolutas da agenda do Bloco de Esquerda? Ou que não ‘obedeça’ às vontades de Rui Rio? (…) O PS profundo está desejoso de acertar as contas com a Justiça. Não duvido que uma dura derrota infligida ao MP por Ivo Rosa levará inevitavelmente os socialistas a defenderem um ascendente do Poder Político sobre o Judicial e, consequentemente, uma limitação da independência dos tribunais e da autonomia do Ministério Público»

Esta violência doméstica não interessa? Aqui não há nada que permita o assalto à Justiça.

11 Março, 2019

Um homem com 83 anos foi agredido  pelo filho e depois obrigado pelo mesmo  filho a despir-se, até ficar completamente nu. Em seguida o filho obriga o pai a ir para a rua e força-o a entrar num caixote do lixo.  Ali ficou, abandonado, durante duas horas.

Portanto:

a) um homem  de 83 anos é agredido por um filho com quem vive e que sofrerá de problemas mentais. QUEM ASSUME A RESPONSABILIDADE PELO TRATAMENTO DO FILHO COM PROBLEMAS MENTAIS?

b) o homem já apresentou várias queixas contra este filho, por agressões. O QUE ACONTECEU A ESSAS QUEIXAS?

c) o homem tem mais dois filhos. ONDE ESTÃO  ESSES OUTROS FILHOS DO AGREDIDO E IRMÃOS DO AGRESSOR? O QUE DIZEM? NÃO TÊM RESPONSABILIDADES PELO PAI? NEM PELO IRMÃO?

As fake news do Costa

10 Março, 2019

É de andar aos tombos a rir quando se assiste a esta preocupação por parte do PS e seus “muchachos radicais”,  os  maiores fabricantes actuais de notícias falsas, de  levar ao Parlamento a regulação das fake news. Estava visto que isto iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Esta gente não gosta de concorrência (quer censura e controlo de liberdade). Ao estilo estalinista gosta de sentir tudo sob seu domínio e  as redes socais vieram estragar esses planos que já duram desde o aparecimento da imprensa.

Sob a falsa narrativa de que estão muito preocupados com a “intoxicação” da opinião pública, juntaram-se todos no Parlamento para discutir a problemática das fake news. Ora, isto é o mesmo que pôr raposas a guardar galinheiros. Não faz qualquer sentido.

A haver regulação nunca poderia vir desta gente. Porque esta gente usa o poder que tem para pressionar todos os meios de comunicação social na divulgação de mentiras que eles nem sequer se dão ao trabalho de disfarçar muito. Mentem hoje, desmentem amanhã, depois “cozinham” mais umas tantas em “lume brando” para depois as soltar como cortina de fogo para cegar ou iludir a opinião pública.

Foi assim quando  Costa promoveu a primeira grande mentira de que tinha ganho as eleições de 2015 quando na verdade  sofreu uma estrondosa derrota eleitoral com Passos Coelho a vencer por uma quase maioria absoluta (foi mesmo à tangente).

Foi assim com Pedrógão Grande onde Costa  jurava que todos os mortos já estavam contabilizados ao terceiro dia, truncando em 64 vítimas quando sabemos que entre directas e indirectas (estas últimas não foram contabilizadas),   nos hospitais morreram  posteriormente muitas mais; onde foi inaugurar casas novas reconstruídas com dinheiro dos seguros como se fossem por obra do Revita; onde insistiu que não houve responsabilidade do governo pelos  abusos e  erros nos apoios às vítimas onde se construiu casas sem terem ardido; onde afirma que não houve desvio de donativos quando sabemos que não só houve, como são milhares os donativos comprovados que simplesmente eclipsaram.

Foi assim quando Costa disse que não havia aumento da  despesa ao reduzirem  o horário da função pública para 35h no SNS e hoje temos um caos nos hospitais por falta de pessoal e dívidas hospitalares a disparar.

Foi assim quando Costa garantira em 2015 que não iria mais dinheiro para a banca e  logo a seguir à tomada de poder, vendeu  o Banif à pressa ao Santander (depois de um e-mail a denunciar telefonemas de Centeno e Vítor Constâncio pressionando para que fosse considerada oferta de Santander) pelo preço de uva mijona, 3 meses antes que fosse abrangido pela normativa de 2016 da UE que prevê que detentores de dívida sénior e depósitos acima de 100 mil euros sejam chamados a contribuir para compensar as perdas das instituições antes que qualquer dinheiro público seja usado;  injectou 5 mil milhões de impostos na a CGD e agora prepara-se para fazer o mesmo com Novo (velho) Banco.

É assim quando Costa repete incessantemente que repuseram os rendimentos aos portugueses mas o poder de compra não cessa de diminuir colocando Portugal no Top 6 dos países com pior poder de compra da zona euro e entre os países europeus com combustíveis mais caros que afecta substancialmente o preço dos bens essenciais

Foi assim quando Costa disse que não aumentaria impostos e na verdade além de aumentar brutalmente os existentes, criou mais uma série deles com a ajuda preciosa da frente de esquerdas radicais que amam sacar dinheiro a quem acumula porque se faz à vida e trabalha. Por isso em 2017 a carga fiscal já registava um aumento de 34% do PIB (o valor mais alto desde 1995) e em valores globais, desde 2015, só os impostos indirectos aumentaram 3 mil milhões de euros. 

Foi assim com as promessas de Costa aos enfermeiros e professores a quem tudo prometeu e nada cumpriu. 

É assim quando Costa repete até à exaustão que a austeridade acabou mas deixa o Ronaldo das Finanças congelar mais despesa em três anos do que PSD e CDS na legislatura toda provocando o colapso de todas as instituições do Estado.

É assim quando Costa repete vezes sem conta que os  cortes, aumentos de impostos e privatizações, foram marcas do Passos quando na verdade são apenas da responsabilidade o PS quando Sócrates era primeiro ministro ao assinar com a Troika todas as medidas que o executivo seguinte  teve de cumprir na sua legislatura.

É assim quando Costa diz que a economia melhorou e ela é tão anémica que coloca portugal no quinto país da Europa que menos cresce.

É assim quando Costa diz que se vive melhor mas o desemprego real aumentou, a pobreza aumentou, os pedidos de subsídios de RSI aumentaram. Que os portugueses estão a voltar quando a emigração também ela… aumentou.

É assim quando Costa  diz que fomos o país com melhor execução de fundos europeus quando a  taxa de execução dos Sistemas de Incentivos do Portugal 2020 no final de 2017 “era apenas 28,5%”

É assim quando Costa repete que temos o melhor défice quando este é o maior embuste da História de Portugal, totalmente martelado para fingir junto da Europa uma saúde fiscal inexistente tal como fizeram para aderirmos ao Euro.

Ter mentirosos compulsivos que hoje são ministros mas andaram nos blogues com o “Abrantes” a criar verdades alternativas, políticos das frentes de esquerda que passam o dia todo a inventar factos para limpar a cara suja do partido que aprova tudo de cruz, um Costa que é um génio a  mentir,  a quererem regular as fake news no Parlamento,  é  de chorar a rir.

 

 

 

O arraial da luta

10 Março, 2019

É a luta feminista. A luta contra o racismo… Há sempre uma luta. A luta é um arraial que políticos vorazes pelo poder montaram nas nossas vidas. O reverso desta encenação vai do fiasco ao crime

Fiasco. São as chamas lutas para televisão ver: hoje luta-se. Amanhã já ninguém se lembra.
Exemplo? Zero candidaturas. Nem uma, nem duas, nem três: zero! Foi este o número de adesões à imensamente apregoada linha de crédito para a limpeza de florestas.

Mistificação. O legislador sonha-se libertador mas no caso das mulheres em Portugal a sua vida mudou e muda apesar das leis. Por muito chocante que tal seja para os ouvidos sensíveis de quem imagina que tudo se deve ao intervencionismo estatal, em matéria de vida das mulheres as máquinas de lavar roupa e os frigoríficos foram mais importantes que os manifestos feministas.

A luta do “vai ali ver se chove. Esta luta varia de objecto ao longo do ano. Nesta época refere-se invariavelmente ao “mau tempo que impediu os tradicionais desfiles de Carnaval”. O único que há de tradicional neste caso é mesmo o “mau tempo” que não é mau tempo algum mas sim o tempo próprio da estação, a saber o Inverno.

Patético. As lutas que entram em luta com as outras lutas para apurar qual luta é a verdadeira luta. Desta vez a questão da verdadeira luta calhou à escoal deMatosinhos que queria celebarra  adiversidade cultural e acabou acusada de racismo.

Crime.As lutas que trazem água no bico ou mais precisamente o Marx do costume. O que agora se está a aprovar e a defender em matéria de agravamento de penas e de ausência de prova nos casos de violência doméstica a par das campanhas fulanizadas contra os juízes vai um dia ser-nos atirado à cara. Basta esperar que um ministro ou filho de líder político… de preferência de esquerda sejam investigados e condenados segundo os procedimentos que agora se defendem.

‘Tadinha da greve feminista

9 Março, 2019

As mulheres fizeram greve à greve feminista.

Tudo a postos para o julgamento de Sócrates

9 Março, 2019

António Costa. Tratamento judiciário à violência doméstica é “revoltante”

Beleza por Uma Causa mas sem causas…

8 Março, 2019

A organização MMRP Beleza por Uma Causa organizou o concurso de escolha das misses.

A miss portuguesa além de ser uma Beleza tomou à letra a questão da causa e declarou o seu apoio a Juan Guaidó (a miss ou ex-miss é luso-nenezuelana).

Vai daí a MMRP Beleza por Uma Causa retirou o título a Carla Rodrigues porque ao que parece as misses não podem ter causas. Afinal qual é a causa da MMRP Beleza por Uma Causa?

nunca esquecer o fundamental

8 Março, 2019
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um exemplo para portugal

8 Março, 2019
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373546João Vale e Azevedo é um exemplo para todos nós: falido, agrilhoado e foragido, nunca deixou de fazer a vida de lorde milionário a que todos aspiramos e a que, em última análise, temos direito. Diz-nos, esta notícia do Correio da Manhã, que o homem, vivendo de parcos rendimentos que extrai de uma horta doméstica (€ 441,00/mês), continua a usufruir de férias principescas, bons carros e boas casas, almoços e jantares pantagruélicos, vivendo, enfim, como um verdadeiro nababo lusitano. Ora, é mesmo disto que precisamos em Portugal, onde andamos, há muitos anos, deprimidos e a viver mal e de expedientes manhosos! Apliquemos, então, os seus sábios ensinamentos e o seu eloquente exemplo à nossa comezinha realidade: ao BES e a Ricardo Salgado; à Caixa Geral de Depósitos e à sucessão dos seus iluminados gestores; ao BPN e a Oliveira e Costa; a José Sócrates, a Santos Silva e a Armando Vara; ao Finibanco, ao BPP e ao João Rendeiro; ao Montepio e ao Correia; ao Ministério das Finanças e a Centeno. Todos falidos, todos iguais, todos a viver à grande e à francesa. Portugal pode ter descoberto, via Vale e Azevedo, o caminho da felicidade e o paraíso na terra. Sigamo-lo!

O dia das mulheres é para paneleiros

8 Março, 2019

O dia das mulheres é para paneleiros. Não é para mais ninguém: é para paneleiros.

Já em tempos expliquei, mas explico outra vez, para não restarem dúvidas, que um paneleiro é um tipo muito específico de pessoa, sem qualquer associação à sexualidade, ao sexo que possui ou ao seu comportamento em privado. Um paneleiro é aquele que quer que o mundo seja o unicórnio com que sonha. Há paneleiros brancos, pretos, homens, mulheres, bichas, homossexuais, heterossexuais e bissexuais. Há de tudo que usualmente se usa para diferenciar a igualdade, ou lá o que é. Por isso se chamam paneleiros, porque andam aí a perturbar a paz batendo em panelas para que olhemos para eles.

Conheço uma ou duas pessoas que vão à manifestação das mulheres, aquela que é só para paneleiros. São paneleiros. Quer dizer, são paneleiras e, às vezes, até paineleiras.

Eu não quero um dia da mulher. Também não quero o dia do homem. Não quero o dia do branco, o dia do preto, o dia do amarelo, o dia do pigmeu, o dia do empregado de mesa, o dia do taxista, o dia do cobrador. Assim sendo, é perfeitamente natural que não queira o dia de meia população mundial. Mas, há uma excepção: o dia do paneleiro.

O dia do paneleiro faz falta para que o primeiro-ministro possa ir mostrar a sua empatia pela causa do paneleiro. Pouco mais pode fazer o homem, coitado.

Por isso, como o dia está bonito, festejemos o dia do paneleiro. Só não prestemos grande atenção, que amanhã volta tudo ao habitual costume, sem paneleirices.

A violência das palavras

8 Março, 2019

Quando se ouve falar em violência doméstica associa-se logo às agressões físicas, àquelas que deixam marcas profundas no corpo visíveis a qualquer um. Mas há outra forma de violentar quase  tão “mortífera” como a primeira: a violência psicológica. Nesta o agressor não precisa de se munir de facas ou espingardas. Precisa apenas de abrir a boca e usar a força das palavras cruéis e vis que destroem  até à alma. E por não ser entendida, na maior partes da vezes, esta forma bárbara de relacionamento é confundida com mau feitio. É desculpada pela vítima que pensa apenas tratar-se de um carácter “forte” ou difícil como tão banalmente é apelidado. Mas não é. A violência psicológica é praticada por gente com patologias e tem de ser denunciada. Também.

O agressor psicológico é por natureza, um indivíduo que  não valoriza a mulher nem a respeita. Olha-a como ser inferior, seu subalterno que lhe deve toda a obediência sem pestanejar. Para reforçar este estatuto, humilha-a e despreza-a a cada minuto elevando o seu ego até à altura do chão onde assim o pode pisar sempre que quer, fazendo nascer na sua vítima o sentimento de pessoa sem valor.

Frequentemente culpabiliza-a por tudo o que lhe acontece: se perdeu o emprego, a culpa é dela; se está aborrecido, a culpa é dela; se os filhos andam mal na escola, a culpa é dela; se não é bem sucedido na vida, a culpa é sempre dela. Pelo meio, expressa-se com violência, de forma gratuita e vã enquanto ainda exige sorrisos e boa disposição todos os dias quando chega a casa… Vê-lhe apenas obrigações sem direitos e não perde uma oportunidade de apontar falhas ignorando por completo o elogio quando ela o merece. Não se interessa pelos seus sentimentos nem deixa que fale neles. Não entende a tristeza da vítima nem lhe admite lágrimas. Afinal de que se queixa ela se ele só  está a reagir assim por aquilo que supostamente ela não lhe dá?

Para o agressor, tudo nela  é irritante e motivo de discussão: ou porque conversa demais, ou porque conversa de menos; ou porque se exprime demais, ou porque se exprime de menos; ou tem iniciativas a mais, ou iniciativas a menos… Sempre assim. Irrita-se facilmente quando ela fala ou faz algo por muito inocente que seja. Corta a palavra ao meio, levanta-se da mesa abruptamente, atira objectos contra as paredes, bate  as portas com violência pontapeando tudo o que se atravessa na frente. Responde com atitudes violentas à irritabilidade que ela lhe provoca.

A agressividade é quase diária sem motivo aparente. E a vida passa a ser como um jogo de póquer: nunca sabemos qual a cartada seguinte que vai ser jogada… Não se importa que ela vá mal vestida ou mal cuidada para o trabalho mas ai dela se ousar um dia colocar um pouco de batom antes de sair. Logo lhe inventará amantes escondidos à espera dela ao sair do trabalho. E basta uns minutos de atraso para que lhe massacre violentamente a mente com comentários sinuosos de sexo fora de casa. Por isso frequentemente lhe exigirá bom sexo como prova de amor e de fidelidade.  E se nada corresponder ao esperado rebentará de raiva como se estivesse a ser traído. Pouco se importa se as razões da vítima são a falta de mimo, atenção e apreço e que com esse défice não se consiga entregar como gostaria.

Em contrapartida, ele terá muitos “affairs” fora do casamento que ele justificará como inevitáveis pela falta de atenção que ela lhe dá. Do ponto de vista do agressor, ele não é culpado de nada. E se a vítima não corresponde é porque não o ama. Na verdade, são abundantes as vezes que lhe repete essa tão desejada palavra. Quase com a mesma frequência com que a violenta, repete-lhe que é a mulher da vida dele e que não vive sem ela.  É o paradoxo em pessoa confundindo a sua vítima e prolongando assim uma relação que sem isso já teria morrido há muito tempo.

Pelo caminho fica uma mulher totalmente destruída, castrada de vida e sentimentos, manipulada e controlada até ao limite, aprisionada a uma relação mortífera sem o saber. Ama o homem que conheceu, acredita que ele continua ali, mas desculpa-o constantemente por acreditar ou querer acreditar que tudo não passa de uma má fase, de um feitio difícil originado por qualquer trauma de vida.

Fui vítima de violência psicológica e  apesar de já terem decorrido 30 anos desde que fugi do meu agressor, as marcas que me deixou continuam abertas. Jamais me vou esquecer do quanto ele me aprisionou impedindo-me de voar, de ser “eu”. Confinada a viver dentro de uma “caixa” cuja chave só ele tinha, tudo me era imposto: a forma de falar, de agir, de vestir, de viver… Não me esqueço das humilhações na frente de todos, em qualquer lugar, em qualquer momento. Dos choros constantes. Dos sorrisos ausentes. Da dureza de viver. Era manipulada para não ser nada, e “morri” em vida. Quando o deixei no meio de uma coragem sem igual, renasci. Ao ponto de me tornar irreconhecível aos olhos de quem me viu.

Pôr um basta numa relação destas não é fácil. Mas também não é impossível. Exige muita coragem, determinação e resiliência. Há que ter presente que o agressor não vai desistir facilmente e que não aceitará um “não quero mais” com leveza. Usará da maior violência para exercer o seu sentimento de posse de “coisa” que ele pensa ser sua.

Mas no fim, por muito machucada que saia, ficará feliz por ter sobrevivido e verá que a vida, mesmo sozinha, é bela. Aprenderá que o amor maior é o seu por si e que por nada deste mundo deverá permitir que o destruam.

Sejam demagogos à vontade mas não me peçam para assistir

8 Março, 2019

Quanto tempo demorou António Costa a reagir à morte destas mulheres? Quando é que o Bloco se manifestou indignado com o seu destino? Quantos é que alegando o segredo de justiça acharam que os seus nomes e os seus rostos nem sequer devia ser divulgados?

MULHERES MORTAS EM PEDROGÃO
Alzira Carvalho da Costa, 71 anos
Susana Maria Guerreiro Marques Pinhal, 41 anos
Sara Peralta Antunes, 33 anos
Sara Elisa Dinis Costa, 35 anos
Maria Odete Rosa Rodrigues, 62 anos
Maria Odete dos Santos Anacleto Bernardo
Maria Luísa Araújo Courela Antunes Rosa, 50 anos
Maria Leonor Arnauth Neves, 56 anos
Maria Helena Simões Henriques da Silva, 76 anos
Maria da Conceição Ribeiro Nunes Graça, 66 anos
Maria Cristina da Silva Gonçalves, 56 anos
Maria Cipriana Farinha Branco Almeida, 59 anos
Maria Augusta Henriques Ferreira, 87 anos
Maria Arminda Antunes de Bastos Godinho e Abreu
Margarida Marques Pinhal, 12 anos
Lucília da Conceição Simões, 70 anos
Lígia Isabel Libório Sousa, 35 anos
Joana Marques Pinhal, 15 anos
Felismina Rosa Nunes Ramalho
Fátima Maria Carvalho, 57 anos
Eliana Cristina Fernandes Francisco Damásio, 38 anos
Didia Maria dos Santos Lopes Augusto, 58 anos
Bianca Sousa Machado, 4 anos
Bianca Antunes Henriques Nunes, 4 anos
Aurora Conceição Abreu, 87 anos
Anabela Pereira Araújo, 38 anos
Anabela Maria da Silva Lopes Carvalho, 60 anos
Anabela Lourenço Quevedo Esteves, 47 anos
Ana Maria Correia Fernandes Boleo Tomé
Ana Mafalda Pereira da Silva Correia Lacerda
Ana Isabel Nunes Henriques, 30 anos

A propósito das fake news

6 Março, 2019

É ou não fake news dizer que o juiz Neto Moura defendeu o apedrejamento das mulheres adúlteras?