Já podemos voltar à eutanásia?
É só uma pergunta.
Não querem fazer um jogo para estes casos?
Se usarmos para esta agressão a grelha actualmente em voga para a violência dita doméstica temos de perguntar também se a agressora já foi interrogada e sujeita a alguma medida cautelar. E claro indagar a que resultados chegaram, por exemplo, os 87 inquéritos de agressões contra professores que o Ministério Público de Lisboa abriu em 2017. Houve condenações? E se houve estas resumiram-se às penas suspensas e multas do costume ou foram aplicadas medidas de prisão? E os juízes o que escreveram nos acordãos? Citaram a Bíblia, Piaget ou Freinet? Há juízes reincidentes na absolvição dos agressores de professores? Como se chamam esses juízes?… Vamos usar esta táctica de pressão e fulanização dos juízes nos casos das agressões aos professores ou este tipo de argumentário só é válido quando está em causa o tema em agenda?
No momento em que o radar está ativo e indica a quantidade (sim, a quantidade!) de pessoas que circulam nas imediações com o mesmo propósito, as pessoas escolhem-se mutuamente e marcam-se através de uma palavra-chave. Depois basta irem ter ao ponto de encontro e dizerem essa mesma palavra. Se um diz e o outro responde, isso quer dizer que o código está certo e a pessoa também não está errada. Entre esse momento e aquele em que se envolvem fisicamente passam pouquíssimos minutos. Depois é com eles a decisão de passarem horas seguidas juntos ou despachar o ‘assunto’ rapidamente.
No fim do dia é habitual entre estes rapazes e raparigas circular uma pergunta única:
– Safaste-te hoje?
Sou anti-feminista, branca, heterossexual, anti-marxista, anti-drogas, pró-vida e do povo. Um perigo social.
Descobri que sou um “perigo social”. Uma ameaça a esta sociedade que se diz “progressista” mas que nada fez senão regredir à sua forma mais primitiva. Ser anti-feminista, branca, heterossexual, anti-marxista, anti-drogas, pró-vida e do povo, transforma-me num alvo a “abater”. Porquê? Ora, porque faço parte da maioria e hoje as maiorias são para aniquilar.
Não se pode ser anti-feminista mesmo sendo mulher. Não pode. Porque as mulheres têm de ser feministas custe o que custar, porque se não o forem são contra as mulheres (ah! ah! ah!). Acontece que não sou feminista precisamente porque defendo a liberdade e igualdade para todos os indivíduos e por isso não posso estar do lado de quem reivindica liberdade para as mulheres sonegando as liberdades aos homens, de quem hoje transformou uma luta por direitos numa espécie de “luta de classes” pela supremacia feminina. E não, não devo a minha liberdade às feministas. Devo-o às Mulheres corajosas que um dia resolveram lutar pelos seus direitos humanos como se luta pelos direitos das crianças, negros, cristãos e tantos outros e a quem alguém chamou de “feminismo” como se lutar por direitos fosse um exclusivo feminino. Devo-o a mim que com a minha determinação nunca baixei os braços na conquista dos meus ideais e por mérito cheguei onde quis.
Também sou branca o que é grave. Porque os brancos são a razão de todos os males no planeta. São os que discriminaram, os que escravizaram, os que dominaram. As minorias são puras, castas e “coitadinhos”. Nunca fizeram mal a alguém. Deve ser por isso, quando em maioria, como na África do Sul, andam a chacinar brancos; na Nigéria o Boko Haram persegue cristãos e escraviza meninas e por cá, quando são negros a arrancar um punhado de cabelos a uma rapariga branca numa luta violenta por razões fúteis, nenhum SOS Racismo se importa com isso. Ah! E a palavra “slave” vem de eslavo, da etnia eslava da Europa de Leste que foi escravizada por muçulmanos. Pois.
Ser heterossexual também é pecado porque é “anti natura”. Dizem eles. Se nascemos “sem género” o “normal” é nos amarmos todos uns aos outros sem tabus, mulher com mulher, homem com homem, crianças com adultos, irmãos com irmãs, pais com filhos. Amor tem de ser vivido sem restrições impostas pela sociedade (???). Em liberdade absoluta. Que o digam os defensores da Ideologia de Género que já se ensina nas escolas aos meninos da primária.
Ser anti-marxista, também não pode. Esta ideologia que matou milhões de inocentes para impor-se e mesmo assim não conseguiu vingar, infiltrou-se na sociedade com o revisionismo de Gramsci, promovendo a inversão dos valores sociais: os professores são agredidos pelos pais a soco e pontapés quando chamam a atenção a miúdos indisciplinados; os polícias são recebidos à pedrada e conotados de racistas quando são chamados a intervir em rixas de moradores; os professores são estimulados a passar alunos com 7 negativas e o superior a deixar entrar com média negativa para dar a hipótese de todos serem “dótores”; às crianças de 5 anos é-lhes ensinado que não há sexos e podem ser o que quiserem (homem, mulher, trans, e por aí fora); ao homem é-lhe dito que por ser homem é opressor e tem de lhe ser retirado direitos. E tantas outras parvoíces marxistas. Não defender isto é ser “fascista de extrema-direita”.
Ser anti-drogas? Ui! Essa então é fatal. Então onde já se viu proibir a liberdade individual de cada um se drogar à vontadinha, em espaços públicos e com apoio do Estado? Isso é “ditadura”, dizem eles. Promover uma sociedade limpa de estupefacientes que aliena as pessoas é coisa de “conservadores extremistas”.
Ser pró-vida é ainda pior mesmo numa sociedade que tem pílulas para tudo até para o dia seguinte e camisinhas, de borla. Os abortos são um “direito anticoncepcional” onde cada indivíduo tem o poder de decidir se mata ou não uma criança porque ela cresce no seu corpo. É propriedade sua. Dizem. Por isso considera-se normal que haja adolescentes já com 12 abortos no currículo e leis que permitem matar bebés à nascença. Tudo “normal” em nome do progressismo para depois se defender que é preciso bebés estrangeiros para aumentar a natalidade (Ah! Grande George Soros!).
E ser do povo? Oh que tragédia! Escrever nos mais conceituados jornais e blogues existentes e ter milhares de seguidores por conseguir através da minha escrita chegar a toda a gente, sem excepção, horroriza a classe intelectual que não me perdoa por tamanho “atrevimento” e que se acha dona e senhora destes espaços ridicularizando ou menosprezando todos aqueles que escrevem e pensam de forma mais popular. Uma blasfémia, portanto.
Sou mesmo um “perigo social”.
O juiz, o humor e o activismo a que se chama jornalismo
Não sei se o juiz Neto de Moura gosta de mulheres, de homens ou de pombos. Não sei se as considerações que faz se enquadram na sua obrigação legal ou se saem para um universo de considerações pessoais. Também não sei se as decisões tomadas pelo colectivo de que faz parte são as condizentes com a lei e com a restante jurisprudência. O que sei é que toda a gente parece saber o que eu não sei, e não gosto disso.
Não li acórdãos, não os vou ler e, caso caísse no erro de o fazer, sei que ficaria a perceber tanto como um eleitor do Bloco percebe de liberdade. Eu recebo as minhas notícias de jornais, informação noticiosa na rádio e na televisão e, em alguns casos, através de recomendações de amigos nas redes sociais. As notícias que recebi dizem que o juiz está errado; os comentários que li na imprensa dizem que é misógino e assassino. Presumo que os humoristas também não leiam acórdãos, pelo que devem receber as notícias da mesma maneira que eu, através dos jornais. Gostos à parte, não vejo problema com o humor nem possibilidade deste ser difamatório se baseado no que é lido nos jornais.
Assim, e se o visado sente que está a ser alvo de difamação, acho bem que processe judicialmente a fonte da difamação. Não serão os humoristas e muito menos os taxistas ou as pessoas que discutem no café antes de entrarem no emprego quem coloca em causa as decisões do juiz. Qualquer um destes só o faz baseado em notícias. Portanto, se há uma fonte de difamação, são jornalistas e colunistas. Processem-se estes, não as vítimas do que se pretende ser informação isenta (informação isenta significa isso, que se tenta divulgar factos, não as opiniões subjectivas de cada um sobre um assunto).
Ao processar humoristas, pessoas que recebem a informação dos jornais, o juiz comete um erro, parece-me, por entrar directamente na liberdade de expressão. Ao processar jornalistas e colunistas faz verdadeiro serviço público, ao focar o caso no dever de informação com rigor.
A crónica de Joana Bento Rodrigues e os feminazis
Ainda estou em estado de choque com as reacções a uma crónica de opinião de uma médica sobre as Mulheres. Gente que escreve em publicações e que se julga com superioridade moral e intelectual dispararam violentamente não poupando sequer insultos por ela ter dito o que pensava sobre o tema. Seria cómico se não fosse trágico, o facto de terem simplesmente distorcido o sentido às palavras tão cristalinas da autora. É que não encontrei nada no texto de que acusam Joana Bento Rodrigues: fascismo, inimiga das mulheres, machista de saias.
O problema do texto em causa é que contém verdades inegáveis e por isso provocam a ira dos feminazis (feministas nazistas/fascistas masculinos e femininos) que não suportam quem os contrarie nas suas “verdades alternativas” contrárias à natureza humana. Mas peca por generalizar uma vez que a natureza das mulheres, numa escala minoritária, foge a esta regra geral. Só isso.
Quando a autora diz que a mulher é “naturalmente feminina, gosta de se arranjar e sentir-se bonita, ter a casa cheirosa e bem arrumada e decorada, gosta de cuidar e receber, e chama a si muitas tarefas domésticas”, onde está a mentira nisto? Quem tem a coragem de contrariar que a maioria das mulheres gostam de ser femininas, e em casa são quem tomam os comandos daquele espaço (o lar) onde são elas que predominantemente decidem sobre tudo e onde o companheiro apenas complementa essa ajuda? Só eu é que tropeço aos pontapés em mulheres assim?
Quando a autora refere que a mulher “procura no matrimónio amparo e necessidade de segurança, que gosta de se sentir útil dentro da relação, de ser a retaguarda para a estabilidade familiar, para que marido possa ser bem sucedido porque esse sucesso também é seu e que não se incomoda se tem rendimentos inferiores (não se refere a salários diferentes para mesma função) ao marido pois orgulha-se que ele seja bem sucedido porque lhe transmite segurança” e status, isto é mentira? Quem tem coragem de contrariar quando é sabido que toda a mulher que opta por ter uma relação séria e duradoura procura que seja com alguém bem sucedido e estabilizado na vida? Só eu é que esbarro nelas?
Quando ela diz que as mulheres “que têm a carreira condicionada por terem optado por assumir o papel de esposa e mãe contam com o suporte e apoio do marido, para que nada falte e que o casal, enquanto um só e actuando em uníssono, pode optar pela inversão destes papéis, que em nada diminuiu qualquer dos elementos, desde que movidos por objectivos comuns e focados no Amor”, que a maternidade é um apelo biológico e que a vida é feita de opções, está a mentir? Não não está.
A natureza é perfeita e criou nos mamíferos instintos que de forma inconsciente levam-nos a ter comportamentos que privilegiam a família na protecção da espécie. Nós como animais que somos, embora racionais, não fugimos a isto: por instinto o homem é protector e defende sua família; a mulher cuida dela (podem arrancar cabelos com esta afirmação que nada altera a verdade).
Por isso e na sua maioria, as Mulheres, numa relação de amor com um homem (de forma inconsciente) chamam a si o papel de cuidadoras. Optam sem pestanejar para serem elas a gerir as necessidades do lar. E sem qualquer hesitação também, sacrificam ou adiam projectos pessoais para ter tempo de usufruir em plenitude sua maternidade. Isto é inegável.
Claro que este texto não é para qualquer um. Só as pessoas bem resolvidas com a vida o entendem sem o distorcer. A autora esqueceu-se que hoje há mulheres que já não sabem o que é ser mulher porque cresceram numa sociedade estúpida que insiste que não há sexos (somos todos neutros) e que não há diferenças entre homens e mulheres, negando as evidências biológicas que nos distinguem quer fisicamente quer psicologicamente. São mulheres que tão pouco sabem que estas uniões de entreajuda existem e nada sabem sobre o verdadeiro amor. Umas agem apenas por desconhecimento, outras por ressabiamento.
Os feminazis não suportam a diferença. Querem nivelar tudo sem respeito pelas opções de cada uma. Querem IMPOR uma igualdade à revelia da natureza feminina que sente outros apelos, desrespeitando as livres opções de cada uma. Há muitas mulheres que têm medo de o dizer pela ditadura feminazi que impõe que uma mulher que não ambiciona uma carreira é porque a está a ser oprimida. Quando na verdade elas se realizam optando pela família de forma voluntária.
Quando conheci meu marido, era eu a que estava profissionalmente bem posicionada e ganhava muito mais do que ele. Durante anos senti-me frustrada por vê-lo batalhar sem resultados de emprego precário em emprego precário. Por ter mais tempo, era ele o doméstico que cuidava da casa e filhos. Do outro lado, estava eu a ganhar para sustentar a família e sem horários de chegada a casa. Essa situação nunca me agradou. Até que um dia, depois de muitos anos de luta juntos, ele conseguiu finalmente vencer. Hoje tem um bom emprego com excelentes condições de trabalho, já foi promovido e ganha muito mas muito acima de mim. Ainda não me cansei de lhe dizer o quanto me sinto orgulhosa dele, o quanto o admiro. E ele, pelo seu lado, não se cansa de repetir: “no passado ajudaste-me, hoje sou eu que faço questão em te apoiar nos teus novos projectos”. Isto é união. Isto é amor. Isto é o que as feminazis não entendem.
O que as Mulheres precisam é de liberdade de escolha que as feminazis lhes negam. E se dúvidas houvesse sobre de que lado está a maioria das Mulheres, basta olhar para as mais de 25000 partilhas do texto. Aí está a resposta.
A falta de Fé da Igreja
Ontem à noite fui para a cama mais tarde do que é meu costume.
A quebra da rotina foi plenamente justificada e com gosto assisti a uma conversa pública no Porto, organizada por um grupo de leigos católicos, sobre a relação do Liberalismo com a Doutrina Social da Igreja.
A iniciativa e a abertura para discutir estes temas por quem promoveu e acolheu a sessão é desde logo notável e de louvar, além de terem sido simpáticos anfitriões e de hospitalidade irrepreensível.
Todavia, saí de lá irritado.
Neste encontro falou-se com qualidade e conhecimento de causa de muitíssimo mais do que aquilo que aqui vos darei nota a seguir e, portanto, devo desde já referir que não pretendo fazer uma súmula ou um relato completo do evento. Tão só partilharei convosco aquilo a que fui particularmente sensível e que para mim marcou toda esta reunião de gente genuinamente boa.
Lá se afirmou (e bem) que para a Igreja o que mais importa é acudir e resgatar da pobreza todas e cada uma das pessoas que a sofre na pele. Porém toda a narrativa em que foi, é e continuará a ser enquadrado este desiderato, é fortemente carregada – se não mesmo centrada – na condenação moral das desigualdades. Haverá com certeza dentro da Igreja diferentes formas de ver e interpretar a realidade e segundo julgo saber a hierarquia não terá definido uma posição concreta e dogmática a este propósito. Contudo, em geral, os estudiosos dos Evangelhos, os especialistas que se dedicam à análise das encíclicas papais, teólogos e académicos de diferentes áreas não divergem muito ao interpretar as referências bíblicas aos ricos como uma condenação das desigualdades em si mesmas. E no encontro em que participei um dos oradores convidados disse de forma clara e inequívoca que o catolicismo entende que as desigualdades geram pobreza.
Em Janeiro de 2014 já procurei desmontar estas falácias e expôr o meu entendimento de que a luta contra a desigualdade prejudica os pobres, tendo precisamente o efeito contrário aquilo que é pretendido.
Mais recentemente expliquei também por que razão acho que o estado-social é imoral.
Do que ouvi ontem, confirmei infelizmente a minha percepção de que a Igreja, através da sua Doutrina Social, pugna para que o Estado assuma um papel de redistribuidor de riqueza, atribui ao Estado deveres de educação das pessoas para a solidariedade e é complacente com o Estado ser agente de actividade caritativa.
Mas o que verdadeiramente me irritou foi ter percebido também que os crentes, em geral, e os “doutores da Igreja”, em particular, não acreditam que, de forma espontânea, na sociedade se possa gerar actos de caridade, originar laços de solidariedade, estabelecer cooperação voluntária e criar formas de apoio ao próximo com suficiente eficácia e na escala necessária.
Quando Adam Smith parece atribuir à sua “mão-invisível” um valor transcendental, contrista-me concluir do que acima expus que a Igreja sofre de falta de Fé em Deus e nos Homens.
Tal como o socialismo.

Em que país se terão inspirado?
Grande investigação Blasfémias
Depois do extraordinário trabalho d’O Observador para encontrar camponesas, fiandeiras e operárias têxteis convencidas por padres a experimentarem a movimentação da pomba sagrada, como retratado no canção Hallelujah de Leonard Cohen, chegou a vez do Blasfémias fazer serviço público, como o que faz o grupo da coca lisboeta (boa tarde, comentador Ermita!) de onde saem programas da TSF e ministros.
A partir de hoje, o Blasfémias pretende noticiar o escândalo escondido pelas mais altas patentes da mais vil rede de aproveitamento sexual de jovens inconscientes. Se sabe de algum caso, quer como violador, quer como vítima, de abusos sexuais em ranchos folclóricos, não hesite em contactar. Garantimos total privacidade para vítimas (não para predadores), substituindo o seu nome para Mariana e referindo apenas os detalhes sórdidos, assim como a sua localização geográfica, idade e insistência para que não publiquemos nada sobre si.
É hora de acabar com o silêncio. De entre os milhares de bailarinos de folclore, quantos não terão sofrido às mãos de um tocador de concertina? É mais que evidente que a inerente homossexualidade do traje de pescador tem algo a ver com isso, assim como o celibato obrigatório de quem só sabe tocar ferrinhos. Não tenha medo! Acabe com o silêncio! Vamos todos falar da sua vidinha triste, e garantimos que vamos sentir muita, muita pena.
Da abjecção
Não há falta de pessoal que explique isto. Só a falta de juízo.
Alguém sabe explicar como é que a Segurança Social paga pensões a beneficiários a que já custeou o funeral?
Igualdade de género em números
Fica aqui só o registo de que entre 2016 e 2018 a CIG recebeu subsídios públicos no montante de 7.089.504€ para as suas actividades de “formação de públicos estratégicos” e “acções de promoção da igualdade de género”, conforme página oficial da instituição na internet.
direito fundamental da vagina?
Algures pela nossa comunicação social opinativa, a saber, n’ O Observador de ontem, uma senhora que milita numa tendência conservadora do CDS, a Dra. Joana Bento Rodrigues, fez publicar uma prosa sobre um tema, por estes dias tabu, que é «A MULHER».
O texto reflecte uma visão romântica setecentista e oitocentista da coisa, fazendo da dita «MULHER», enquanto conceito francamente abstracto, uma ideia que poderia ter saído das páginas líricas da Nouvelle Heloise de Rousseau, dos arquétipos balzaquianos do La femme de Trente Ans (certamente por acaso, os dois romances com duas «Júlias» como heroínas), ou até do nosso mais honesto Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, e da sua Teresinha de Albuquerque. Não sendo um modelo que me inspire, até por considerar que não existe um «modelo» de mulher ou de homem, compreendi a posição da senhora, que não me ofendeu, nem incomodou, como não devem incomodar nem ofender as opiniões e convicções alheias, quando expressas com livre convicção. Parece-me até, mais do que o respeito por um «direito», uma questão de educação.
Daí o meu espanto (relativo, confesso) com a algazarra que o texto, ou melhor, as opiniões da referida senhora provocaram na opinião publicada e auto-proclamada «moderna e feminista», que se desmultiplicou, ao longo do dia de hoje, em artigos e artiguinhos a crucificar a autora de tão herética e nefasta prosa. Houvesse Inquisição e fogueiras acesas, a dita Dra. Joana não escaparia a aquecer os pés nos seus carvões incandescentes, neste fim de inverno já de si bastante quente. As nossas «feministas» curriculares não convivem bem com opiniões de que não gostam. Mas deviam ter presente que, mais do que qualquer «direito de género» presumido como fundamental, é o direito universal à liberdade de opinião e de expressão que sempre deve prevalecer. E, já agora, que o facto de se nascer com uma vagina ou com um pénis não pode conceder ou retirar direitos seja a quem for. Prosseguindo por estes tortuosos caminhos, os «direitos de género» transformar-se-ão, se é que não se transformaram já, em novas e intoleráveis homofobias. Cuja primeira consequência será, ao que parece, calar todos quantos se lhes oponham. E isso, sim, é que é o verdadeiro «fascismo» com que as suas defensoras persistentemente adjectivam as opiniões de que não gostam.
É uma espécie de férias
Dada a tendência actual para a corrida pela razão na cor certa para cortinas enquanto o governo, com a preciosa ajuda dos média e dos peões que querem ser promovidos a bispos, deita fogo a isto tudo (é literal: não é à economia, é a isto tudo), decidi fazer uma pausa. Eu nem gosto assim tanto de cenouras para correr atrás delas.

Ver gente adulta a discutir o papel da mulher perturba-me. Ter como opção apoiar gente que apoia quotas, seja para mulheres, seja para homens, seja para carecas é demais para velhos como eu.

Durante uns tempos, dedicar-me-ei, em exclusivo, a comentar coisas belas ou a que isso ambicionam, como filmes, discos e arte erótica.
Sugiro às pessoas que desejam manter a sanidade mental que façam o mesmo. Está a arder e está, não vai apagar, ao menos fica quentinho.
Um esclarecimento necessário
José Manuel Fernandes sentiu necessidade de fazer um esclarecimento que ele próprio diz desnecessário sobre a novela mais bullshit (para não dizer “merda”) do momento.
O resultado desta anestesia colectiva patética é o que a foto abaixo retrata:

Moral da polémica do momento
As mulheres só são livres para escrever, dizer e pensar aquilo que está estabelecido como certo. Fora isso é um escândalo. Era assim no passado e é assim no presente. A única coisa que muda é aquilo que se considera certo ou errado.
As gajas e o fugaz calor de Inverno
A indignação, ou mais propriamente, a coisa do momento, é a luta de senhoras do CDS para determinarem o papel determinado para “a mulher” (mas, na realidade, todas — sublinho o todas) na sociedade em geral, mais ou menos como eu, quando procuro a batata de volume adequado para acompanhar o mui masculino bife grelhado.
Quer um artigo inicial, da Joana Bento Rodrigues, publicado no Observador, quer os artigos de opinião que opiniam sobre a opinião original, culminando (hoje, porque amanhã há mais) no artigo-resposta da Mariana França Gouveia (também no Observador) à opinião original e aos artigos-opinão dos que opinaram sobre a opinião do artigo original, seriam, para a população masculina em geral, mais proveitosos se as palavras tacitamente sacadas a livros de auto-ajuda tivessem sido substituidos por uma luta na lama em biquini. Estou a falar a sério, pelo que, naturalmente, terei que tirar da noção de população masculina aqueles tipos que, sendo homens, procuram estar em contacto íntimo — mental e físico — com o seu lado feminino, como os que escrevem no Expresso, à espera que isso os faça sacar mais gajas (talvez faça: algumas gostam de ver homens a fazer figuras tristes).
Eu é que sou uma mulher a sério.
Bem sei que ambas as senhoras disseram ser bem casadas, com homens muito bons. Não sei onde os arranjaram, mas suspeito que simplesmente não os conhecem assim tão bem, o que me parece positivo, quer para ela, quer para ele. Todos os casamentos têm uma aura de magia, e quem sou eu para a estragar? Mesmo assim, não deixo de pensar que ambas estão a competir pela atenção do leitor da mesma forma que, em tempos passados ou presentes se na casa de jornalistas namoradas de governantes, se exibiam dotes de trato e ancas parideiras em bailes de debutantes.
Não, isso diminui as mulheres. Mulher que é mulher é como eu.
Enquanto uma acha que a maternidade é bué da fixe com electrodomésticos inovadores da General Electric, como uma batedeira mágica azul turquesa que permite fazer apple pie, outra acha que limpar a casa retira tempo ao seu cargo de CEO-CFO-C-qualquer-coisa-O de empreendedora-inovadora-em cluster-estratégico-Quesado em plena integração com a felicidade da maternidade Dodot descartável. Para mim, tanto me faz, desde que possa ver o jogo de futebol em paz.
Essa cerveja não vai sair do frigorífico sozinha.
Isto já sou eu a imaginar ambos os maridos, muito bons, a assistirem a episódios antigos do L Word enquantos elas escreviam os artigos. E, se todos podemos viver na fantasia de que falar “das mulheres” serve para alguma coisa, também eu posso ter as fantasias que quiser.
E então, em que ficamos?
Ficamos como está. Falar sobre o que deve ser a mulher é como falar do tempo. É conversa de circunstância, para se dizer no elevador de forma a ninguém estar calado. Que o medo do silêncio (e sim, vejo a auto-crítica aqui contida) não se amplifique para outras descrições do que devem ser as coisas, como a descrição do caminhar como sendo um pé para a frente seguido do outro um pouquinhio mais à frente ainda.
E então, essa cerveja vem ou não?
Como?
Porquê?
O artigo de Joana Bento Rodrigues, no Observador, continua a dar que falar. As primeiras críticas vieram das feministas com pilinha, figuras a que é dada (e não há coincidências) tempo televisivo até à náusea. Essas pessoas (note-se o meu cuidado em não mencionar o género para não ostracizar seres não binários) surgiram espumando raiva e exalando hálito a gin, num misto de bafo tóxico, embora moderno e progressista, conforme convém. Seguiram-se as feministas com pipi, na sua versão feminazi, que, em geral, não passam de um bando de ressentidas mal-amadas (para não aplicar uma palavra mais brejeira) pouca dadas a opções de vida que não passem de gin ou/e cocaína à discrição, uma espécie de salvo conduto para “orgias in” com porta giratória para a política cortesã de que, aliás, fazem ou querem fazer parte nem que seja à conta de uma lei de quotas. Por último, há críticas justas e equilibradas sobre um artigo globalmente bom, mas que põe o pé em ramo verde aqui e acolá, especialmente quando menciona sem explicar, e assim dando azo a interpretações díspares, o que significa “rectaguarda” ou “casar bem”. De resto, o artigo não é um ensaio, pelo que não se esperariam grandes detalhes. Dada a profusão de cortes truncados e posteriormente espalhados pelas redes sociais, visando a humilhação pública, não resisto a fazer o meu próprio corte a que se segue uma pergunta. Ora, escreve a Joana BR:
“…Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.
Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!”
A minha pergunta é: se as mulheres são iguais aos homens perante a lei (e muito bem), se têm acesso a educação em plano de igualdade (aplauso de pé), se são cerca de 50% do mercado de consumidores, então por que motivo criam muito menos empresas do que os homens, preferindo profissões mais seguras? Com tantas condições iguais de partida, seria de esperar que arriscassem mais, no fundo que fossem iguais aos homens, certo? Então por que razão não é assim? Não é por serem burrinhas (de facto, elas são, em média, melhores alunas que eles). Então porquê, meu Deus? Talvez a Joana tenha dado uma pista no corte por mim citado acima. Aliás, deu várias. O problema é descobri-las por debaixo dos vestígios de vómito, droga e ressentimento que os seus detratores plantaram por cima.
À atenção do sindicato dos jornalistas
O que aconteceu a um jornalista durante uma entrevista a Maduro: “El equipo de Univisión ya se encuentra en el hotel. Estuvimos detenidos por más de dos horas dentro del Palacio de Miraflores. Lo que ocurrió fue que teníamos una entrevista con el líder Nicolás Maduro y después de aproximadamente 17 minutos de entrevista, a él no le gustó las cosas que le estábamos preguntando sobre la falta de democracia en Venezuela, sobre la tortura, los presos políticos, sobre la crisis humanitaria que estaba viviendo. Y se levantó de la entrevista después de que le mostrara los videos de unos jóvenes comiendo de un camión de basura e inmediatamente después uno de sus ministros, Jorge Rodríguez, vino a decirnos que la entrevista no estaba autorizada y nos confiscaron todo el equipo. Se quedaron con las cámaras, se quedaron con todo nuestro equipo. Nos quitaron las tarjetas. La entrevista la tienen ellos. Nos quitaron todos los celulares. Te estoy hablando de otro celular que no es el mío. No tenemos nuestro equipo, no tenemos la entrevista y después de eso nos mantuvieron separados durante dos horas y media en el palacio de las Flores interrogándonos, en mi caso y el de la productora María Guzmán, nos metieron en un cuarto de seguridad, apagaron las luces, nos arrancaron los celulares, nos quitaron el backpack con muchas de nuestras cosas personales y acabamos de regresar al hotel”
Uma “família” sem vergonha
Não há mais nenhum caso como o nosso na Europa. Nenhum. Somos manifestamente uma “República familiar” onde quase todos os parentes do PS têm lugar no governo. Uma vergonha que nos coloca ao nível dos países mais corruptos e ditatoriais mas que não envergonha nadinha o PS que usa e abusa do nepotismo para se instalar e perpetuar-se no poder. Isto não é uma democracia. Isto é um “polvo”. Uma “família siciliana”. Um negócio.
Não lembra nem ao diabo ter no mesmo governo a família inteira Vieira da Silva: pai, mãe e filha. Como não lembra ter inúmeros cônjuges, filhos, noras, irmãos e amigos (estes nunca podem faltar). Preparados para a lista extensa? Aqui vai:
- João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, é filho do ex-ministro João Cravinho;
- António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS;
- Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, é marido de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar;
- Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, escolheu recentemente o advogado Eduardo Paz Ferreira para presidir à comissão que vai renegociar a concessão do terminal de Sines (em cima da mesa: 100 milhões de euros para expansão do terminal);
- O advogado Eduardo Paz Ferreira é marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem;
- Maria Manuel Leitão Marques, que agora deixou o governo, irá ocupar em Junho o cargo de deputada do PS no Parlamento Europeu;
- Esse cargo já antes foi ocupado pelo seu marido, Vital Moreira;
- A mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, Rosa Matos Zorrinho, deixou de ser secretária de Estado da Saúde, mas foi, entretanto, nomeada para presidir ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central;
- Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins, filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins, também deixou agora de ser secretário de Estado das Infraestruturas, após António Costa ter nomeado para ministro do Planeamento o seu amigo Nelson de Souza;
- Nelson de Souza vai juntar-se no governo ao grande amigo Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto;
- Há ainda outro grande amigo, Diogo Lacerda Machado, que nunca quis ir para o governo, mas foi ajudando bastante, até acabar administrador da TAP. (Fonte Crónica Miguel João Tavares).
Calma que ainda não acabou:
- Pedro Nuno Santos é casado com Ana Catarina Gamboa, também ela com um passado de dirigente da JS e mais recentemente assessora do amigo e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Duarte Cordeiro;
- A mulher de Duarte Cordeiro, Susana Ramos, foi directora do departamento social da autarquia da capital, mas em Março de 2017 foi escolhida para coordenar um organismo criado pelo governo nessa mesma data;
- O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, trabalhou com a mulher no próprio Ministério. Isabel Marrana foi chefe de Gabinete de uma das secretarias de estado, até ter pedido a demissão há 6 meses;
- No gabinete do primeiro-ministro, está Patrícia Melo e Castro como assessora, cunhada de Ana Catarina Mendes, a número dois de António Costa no partido, que por sua vez, é irmã do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes;
- No Ministério dos Negócios Estrangeiros encontramos Francisco, como Técnico Especialista desde 2015. E numa empresa da Defesa Nacional, vemos o irmão mais novo, João Maria, como assessor. (Fonte RTP Notícias)
Espere não se vá já embora. Agora vem a família de César:
- São cinco: além do líder parlamentar socialista, Carlos César, há outros quatro “césares” na administração pública e em cargos públicos;
- a mulher foi nomeada pelo Governo regional;
- o filho foi eleito pelo PS regional;
- a nora nomeada por uma secretária do governo regional;
- o irmão escolhido pelo ex-ministro da Cultura do actual Governo. (Fonte Sábado)
Está já cansado? Resista mais um bocado. Em Elvas, um concelho liderado pelo PS, a RTP denunciou recentemente o autarca Nuno Mocinha que abriu um mega-concurso público onde colocou 27 familiares seus. (Fonte RTP Notícias)
O que é que isto nos diz sobre nosso país? Exactamente aquilo que não queremos ouvir nem admitir: que somos culturalmente uma desgraça, sem princípios, sem valores, sem ética e que a “cunha” e “amiguismo” está no nosso ADN. Uns mais, outros menos. Mas é um facto. Se auditássemos o país todo tenho a certeza que ficaríamos anos de boca aberta sem a conseguir fechar de tantos “negócios familiares” que encontraríamos no poder público. Esta é a nossa triste realidade que faz de nós um país pobre e mal governado.
Perante tamanha evidência esperava-se que o Presidente da República puxasse as orelhas aos meninos mal comportados ao invés de afirmar vergonhosamente que este governo “tem laços familiares por mérito próprio”. Se já a situação em si nos deixa manchados junto da opinião internacional, o Presidente legitimou a nossa tradição de “chico-espertice” ao apoia-la. Que tristeza.
É preciso urgentemente pôr um ponto final nisto e tal como na França (e muito bem), proibir estas práticas. O Governo não é o Centro de Emprego para gente inútil que nunca trabalhou na vida e que mais não tem no currículo que cursos superiores, mestrados e doutoramentos (alguns feitos aos domingos) com experiência zero fora da vida política, que nunca se submeteu sequer a uma entrevista de trabalho ou concurso. Exige-se que quem exerça cargos públicos seja efectivamente competente e com um percurso profissional de pelo menos de 11 anos fora da bolha política. Porque é no terreno que se formam bons profissionais. E só bons profissionais formam bons governantes.
E da Venezuela falaram?
Alguém sabe quantas declarações de solidariedade com o povo venezuelano foram feitas na noite dos Oscares?
Futura Primeira-ministra
Assunção Cristas diz que está preparada para ser Primeira-ministra.

Neste caso não me interessam as questões político-partidárias que esta afirmação encerra. Vou por um instante dar de barato que assim possa acontecer.
Havendo com certeza diversas tendências dentro desta agremiação, para o exterior diria que o CDS é visto em geral como um partido conservador nos costumes e liberal nas questões económicas.
É curioso porém notar dois exemplos recentes que parecem evidenciar precisamente o contrário: a sua presidente cede à agenda progressista da esquerda votando a favor da chamada lei da paridade de género; e o partido abstém-se na neo-fascita regulamentação que concede ao fisco acesso automático a saldos de contas bancárias acima de 50 mil euros.
A falta de uma visão liberal da economia fica também patente no facto de na curta entrevista que deu ao jornal espanhol, Assunção Cristas exemplificar uma política prioritária para si de intervenção estatal no mercado, a de “impulsionar as exportações”.
Já a isso tinha eu aludido aqui, adjectivando tal coisa como socialismo do CDS. Sei que é tema recorrente meu e que não tenho tido qualquer eficácia visível na propagação da bondade dos meus argumentos, mas preferiria um futuro primeiro-ministro com o objectivo central de criar as condições para os indivíduos terem maior capacidade para importar.
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Regime de castas
O cartão de cidadão sem género
As coisas de plástico, como o governo
A perseguição a cotonetes, palhinhas, talheres e garrafas de plástico que esta seita esotérica de brochellas propaga, feita Igreja Universal do Reino de Deus da pantomina azeites para quem precisa de acreditar que não passa de irrelevante bolor no grande esquema das coisas, tem seguidores dedicados em Portugal, zás, toma lá que até andas de lado. O governo, sempre pronto a apontar ao olho do contribuinte a sua gigantesca piroca fiscal, já anunciou o orgasmo de banir garrafas de plástico antes de sabe-se lá quando (o tempo não funciona da mesma maneira para javardos), isto porque não são biodegradáveis e podem até poluir o próximo incêndio de Pedrógão ou da rata ministeriável da mãe de ministra filha de ministro. Vibradores só de madeira à antiga. Silicone só nas mamas.
Uma garrafa de água do Pingo Doce, a rede de supermercados que organiza conferências para bimbas exigirem que alguém baixe as cuecas em entrevistas para assegurar que o número de pixotas e de conitas dos funcionários é igual – que é para poderem todos pinar ao mesmo tempo na empresa – custa dez ou doze cêntimos. Estou ansioso para ver as embalagens sem plástico e o seu preço: sugiro garrafas de papel ou de madeira (as árvores são sobrevalorizadas, o pior em Pedrógão, além de uns eventuais eleitores, foram as garrafas de plástico que poluíam o incêndio). Se optarem pelo vidro, que é altamente biodegradável, podeis deixar a garrafa vazia na praia, de preferência na praia onde ministros vão gerar em ministeriável útero uma ministeriável cria. Ou atirar com elas à mona destes ministros, que de gente só têm mesmo a oportunidade perdida de terem sido abortados pelas heróicas mães.
Se é para banir o plástico, não podemos começar pelo governo?
Sem jeito para vendedor
Buy this album if you’ve gotta lotta money or don’t care much what you blow your wad on, but don’t pass up any of the really cosmic stuff like the Stooges for it or the shadow of Blind Lemon Jefferson will come and blow his nose on your brow every night.
—Lester Bangs in Rolling Stone, Março de 1973 (sobre o álbum The New Age dos Canned Heat).
Às vezes, dou comigo a pensar naquele momento em que a revista Rolling Stone prescindiu da colaboração do crítico gonzo Lester Bangs em 1973 pela crítica negativa do album The New Age, o nono da carreira dos Canned Heat. Na mesma edição, uma crítica positiva ao Hot August Nights de Neil Diamond rezava assim:
Attending the release of this sluice of ultimorgasmic sounds from Meister D. is some of the grooviest garnish this side of a Melanie presskit. Here on the very front cover is Neil in full flight, working it on out and what is he doing? Pretending to jerk off, that’s what. He’s pantomiming whanging his clanger, and from the look on his face I’d say he’s about to shoot off, and the only bogus part is that he’d like everybody out there to think it’s 13 inches long. It’s truly a pic to post in your den or rec room for years to come, no matter what some o’ them psychedelic schmucks with their Hawkwind nightshade garlands might think; you don’t even need a black light, and it’s great to spill beer on or throw your girlfriend up against in the party’s latter leagues
—Lester Bangs in Rolling Stone, Março de 1973 (sobre o álbum Hot August Nights de Neil Diamond).
Sobre o assunto, na última entrevista antes de morrer, à pergunta se a rejeição o fez mudar de opinião sobre a revista Rolling Stone, Bangs respondeu:
No. I knew it was a piece of shit. The reviews I did for them really stuck out like sore thumbs. And I never did get along with Jann, because he really likes the suck-up type of writing. He doesn’t like people that are stylists unless it’s somebody he wants to suck up to himself, like Norman Mailer or Truman Capote or someone like that. (…)
Às vezes dou comigo a pensar nisto. O que é um blog? Qual é o nosso papel? Somos políticos? Somos cronistas? Estamos aqui para vender o disco de alguém ou estamos aqui para dizermos, com o nosso próprio estilo, o que nos apetece sobre um assunto? Eu sou deste último tipo. Dizemos o que queremos, mesmo que seja mal de um disco que o nosso editor quer que venda, e, quando deixarmos de fazer sentido, levamos o nosso estilo gonzo para outro lado qualquer.
Gostei da escolha do Ricardo Arroja para cabeça de lista às eleições europeias pela Iniciativa Liberal. Só não tenciono votar em nenhum dos partidos para essas eleições.
Um país só de doutores
Queremos ser um país de crescimento, estar na vanguarda europeia mas somos pobres de espírito. Cultivamos uma sociedade de doutores onde ter um “canudo” é das coisas mais primordiais na vida. Dos pais às escolas, passando depois pelos empresários e terminando na sociedade em geral, ser bem sucedido é vestir fato “à pinguim” atrás de uma secretária com um cadeirão a condizer, de preferência num cargo de chefia qualquer seja do Estado ou privado, mesmo que não tenha qualquer competência para a função. Mesmo que para completar o curso universitário tenha andando anos a fio a arrastar-se pela universidade. Em Portugal é preciso parecer, mais do que ser, para que todos aplaudam seu “sucesso”.
É por isso que por cá tropeçamos em doutores. Não importa se esses “canudos” foram obtidos com médias negativas, se são de cursos inúteis ou para áreas saturadas de profissionais. Importa sim é que todos os jovens cheguem às universidades mesmo os que não têm qualquer aptidão para tal. Baixam-se as médias, baixa-se o nível de exigência curricular para que seja garantido o acesso a qualquer custo.
Porém, uma sociedade eficiente e altamente produtiva quer-se diversificada profissionalmente com elevado grau de formação em todas as áreas. As apostas não podem ser só num segmento. Não podem ser só para os cursos de nível superior. Mas num país com uma cultura pobre que acha que ser doutor é que é sucesso e onde se promove o maior número de doutores por m2, só podia dar o resultado que deu: doutores aos pontapés, ignorantes e no desemprego.
Estive um mês na Alemanha e percebi o fosso que nos separa daquela civilização. Constatei porque são uma economia forte e nós uns pelintras. É que culturalmente estamos a léguas de perceber que a escola tem de oferecer diversas alternativas e que dar igualdade de oportunidades não é forçar todos os jovens a seguir numa mesma direcção. A escola tem de formar todo o tipo de indivíduos consoante as suas aptidões e sobretudo motivações. Não é verdade que todos sonham com um curso superior. Não é verdade que todos querem ser CEO de multinacionais. Não é verdade de todo.
Na Alemanha e Canadá, duas realidades que conheço, aposta-se fortemente nas vias profissionalizantes que consideram tão importantes como a via universitária. Por isso mais de metade dos alemães, por exemplo, recebe formação para serrem electricistas, chefes de cozinha, carpinteiros, soldadores e tantas outras profissões que são muito bem remuneradas. Resultado? A Alemanha possui umas das menores taxas de desemprego e é um país de referência nas vias profissionalizantes possuindo um dos sistemas mais bem estruturados do mundo. Estes empregos são altamente respeitados e valorizados por toda a sociedade. Sabia?
Mas há mais: na Alemanha mais do que o grau académico, importa a experiência e “know-how”. Por isso, é vulgar ver gente sem curso superior a obter lugares técnicos nas empresas, altamente remunerados acima da média, bem como pessoas com mais de 50 anos a serem admitidas pela sua experiência. Aqui valoriza-se as pessoas e não os “canudos”. Ah! E os empresários? Esses vestem ténis e calça de ganga e deslocam-se para o trabalho em bicicletas ou transportes públicos e não usam “títulos”. Não se distinguem dos trabalhadores porque se consideram parte da equipa e não “patrões”. Percebem a diferença cultural?
E nós? Bem, a cada governo que passa destruímos cada vez mais o futuro profissional dos nossos jovens ao criar apenas uma única via – a universitária – removendo todos os obstáculos para lá chegar, goste-se ou não de estudar. Contrata-se depois só jovens até aos 39 anos (estes últimos já com alguma sorte) para depois nos queixarmos que há pouca gente para profissões intermédias. Na verdade somos aquela triste sociedade que desvaloriza por completo o canalizador, o electricista, a senhora da limpeza até ao momento em que precisa de um destes profissionais e não consegue.
Para alcançarmos uma economia pujante não basta políticas de incentivo ao investimento é preciso também mudar toda uma mentalidade centrada exclusivamente na produção de doutores que não investe na formação profissional, não valoriza a experiência das pessoas e por isso não descola de crescimentos económicos anémicos e desemprego elevado.
A bem da Nação (europeia)
De acordo com a sua Representação em Portugal, a Comissão Europeia defende o policiamento da internet para garantir a sua integridade.

A ideia não é nova. O artigo 20.º da Constituição Política da República Portuguesa de 1933 (mais tarde artigo 22.º, n.º 1) já previa algo muito semelhante, com os resultados que se conhecem.

E aquelas armas que se disparam sozinhas têm licença ou não?
NESTES CASOS AS ARMAS ESTAVAM LICENCIADAS?
A ministra da Cultura sabe mesmo o que diz?
A senhora ministra já ouviu falar de editores? Digamos que um editor é a pessoa que “seleciona o que o leitor potencialmente gostaria de ler.”
O que quer dizer a ministra com os leitores determinarem as notícias? E como faziam isso? Escreviam-nas eles? A ministra da Cultura sabe mesmo o que diz?
Mas custa a quem?
Título reportagem TVI: “Porquê pagar 600 euros a um privado para um exame que custa 8 euros no público”
Igualdade de género

Curiosa a recente notícia de que uma organização de activistas LGBT baniu Martina Navratilova dos seus orgãos consultivos pelo facto de a ex-tenista ter referido que a permissão de atletas transgénero em competições desportivas é “batota” e “injusto”, uma vez que têm vantagens físicas e biológicas sobre concorrentes.
Martina, ela própria lésbica, afirmou que jamais aceitaria jogar contra um transgénero.
A checa de nascença e naturalizada norte-america foi imediatamente apelidada de “transfóbica” e acusada de se basear num falso entendimento da ciência e de ajudar a perpectuar perigosos mitos que usam leis discriminatórias contra pessoas transgénero. Atribuiram ainda a Navratilova um discurso de ódio e de violência desproporcionada.
É nisto que estamos.
Um buraco como outro qualquer
O que me fez aborrecer com o liberalismo português foi a necessidade dos protagonistas optarem pela confortável visão de que o Homem encerra em si mesmo a génese da Justiça, crendo que, através de ferramentas como a democracia, é conferida ao mortal a autoridade sobre os princípios éticos da sociedade. Não é mais que um problema filosófico e, ao mesmo tempo, é o único problema filosófico que explica a dissonância entre um país cristão e a sua apetência pelo socialismo.
A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
Se a autoridade advém da equiparação a legitimidade para a exercer, então tanto faz que alguém creia no liberalismo como no socialismo, ambas as ideologias tornadas em fracas religiões. A liberdade só ascende a valor absoluto — e com ela a inviolabilidade da propriedade — se o Livre Arbítrio se conjugar com a propriedade do próprio Homem não lhe pertencer. No momento em que o Homem não é propriedade de nada ou ninguém, como pode o Homem possuir algo se não por atribuição do próprio Homem? Locke resolveu o problema atribuindo a propriedade do Homem a Deus; Rousseau optou por atribuir a propriedade do Homem à serpente do Éden num gesto que meramente substitui uma dentada numa maçã por hubris.
Se a propriedade são coisas, porque legislamos sobre pessoas?
Deviam os liberais portugueses ser crentes? Não necessariamente. Contudo, sem a dúvida que angustia crentes e sem a indiferença à dúvida que apazigua agnósticos, serão só vítimas da certeza jacobina plena de hubris por serem tão socialistas como os outros.
As pernas dos banqueiros mantêm-se em repouso
Bel’Miró apresenta: “A vida dá muitas voltas”
Vamos ao que interessa
Quanto tempo é necessário para que Marcelo desate a cantar
Eu parti o telemóvel
A tentar ligar para o céu
Pra saber se eu mato a saudade
Ou quem morre sou eu
(…)
à rasca
Já se percebeu que o governo de Costa está à rasca com as contas públicas e que o «milagre» português das cativações está a atingir patamares perigosos para anos eleitorais. Assim, nada como acenar com um relatório internacional, no caso da OCDE, que recomenda o aumento do IVA da restauração e do imposto sobre o gasóleo, que são «baixíssimos», como todos sabemos. Tudo isto em nome da «justiça social», claro, e das preocupações «ambientais», para as quais o preclaro ministro da tutela já nos tinha, há dias, alertado. Cortar custos estruturais do estado, que, aliás, têm vindo a aumentar perigosamente, e baixar impostos é que nem lhes passa pela cabeça. Isso são coisas de que a próxima troika poderá cuidar.
“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal
Por razões que não poderia prever quando iniciei esta série (boas e agradáveis razões, contudo), terei de a suspender por uns meses. O tempo não estica, mas prometo regressar.
