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Da abjecção

28 Fevereiro, 2019

O Presidente do Partido Socialista não se poupou a críticas numa entrevista à TSF. Tudo na altura em que o Vaticano tenta acabar com os abusos sexuais na Igreja Católica. Carlos César diz que “a igreja portuguesa se tem mantido em silêncio no que toca a abusos sexuais e pedofilia”, mas é hora de “meter a mão na consciência”. Aliás, o deputado diz mesmo que “em Portugal parece que não se passou nada”.

Não há falta de pessoal que explique isto. Só a falta de juízo.

28 Fevereiro, 2019

Alguém sabe explicar como é que a Segurança Social paga pensões a beneficiários a que já custeou o funeral?

Igualdade de género em números

27 Fevereiro, 2019

almocpFica aqui só o registo de que entre 2016 e 2018 a CIG recebeu subsídios públicos no montante de 7.089.504€ para as suas actividades de “formação de públicos estratégicos” e “acções de promoção da igualdade de género”, conforme página oficial da instituição na internet.

direito fundamental da vagina?

27 Fevereiro, 2019
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Algures pela nossa comunicação social opinativa, a saber, n’ O Observador de ontem, uma senhora que milita numa tendência conservadora do CDS, a Dra. Joana Bento Rodrigues, fez publicar uma prosa sobre um tema, por estes dias tabu, que é «A MULHER».

O texto reflecte uma visão romântica setecentista e oitocentista da coisa, fazendo da dita «MULHER», enquanto conceito francamente abstracto, uma ideia que poderia ter saído das páginas líricas da Nouvelle Heloise de Rousseau, dos arquétipos balzaquianos do La femme de Trente Ans (certamente por acaso, os dois romances com duas «Júlias» como heroínas), ou até do nosso mais honesto Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, e da sua Teresinha de Albuquerque. Não sendo um modelo que me inspire, até por considerar que não existe um «modelo» de mulher ou de homem, compreendi a posição da senhora, que não me ofendeu, nem incomodou, como não devem incomodar nem ofender as opiniões e convicções alheias, quando expressas com livre convicção. Parece-me até, mais do que o respeito por um «direito», uma questão de educação.

Daí o meu espanto (relativo, confesso) com a algazarra que o texto, ou melhor, as opiniões da referida senhora provocaram na opinião publicada e auto-proclamada «moderna e feminista», que se desmultiplicou, ao longo do dia de hoje, em artigos e artiguinhos a crucificar a autora de tão herética e nefasta prosa. Houvesse Inquisição e fogueiras acesas, a dita Dra. Joana não escaparia a aquecer os pés nos seus carvões incandescentes, neste fim de inverno já de si bastante quente. As nossas «feministas» curriculares não convivem bem com opiniões de que não gostam. Mas deviam ter presente que, mais do que qualquer «direito de género» presumido como fundamental, é o direito universal à liberdade de opinião e de expressão que sempre deve prevalecer. E, já agora, que o facto de se nascer com uma vagina ou com um pénis não pode conceder ou retirar direitos seja a quem for. Prosseguindo por estes tortuosos caminhos, os «direitos de género» transformar-se-ão, se é que não se transformaram já, em novas e intoleráveis homofobias. Cuja primeira consequência será, ao que parece, calar todos quantos se lhes oponham. E isso, sim, é que é o verdadeiro «fascismo» com que as suas defensoras persistentemente adjectivam as opiniões de que não gostam.

É uma espécie de férias

27 Fevereiro, 2019

Dada a tendência actual para a corrida pela razão na cor certa para cortinas enquanto o governo, com a preciosa ajuda dos média e dos peões que querem ser promovidos a bispos, deita fogo a isto tudo (é literal: não é à economia, é a isto tudo), decidi fazer uma pausa. Eu nem gosto assim tanto de cenouras para correr atrás delas.

Ver gente adulta a discutir o papel da mulher perturba-me. Ter como opção apoiar gente que apoia quotas, seja para mulheres, seja para homens, seja para carecas é demais para velhos como eu.

Durante uns tempos, dedicar-me-ei, em exclusivo, a comentar coisas belas ou a que isso ambicionam, como filmes, discos e arte erótica.

Sugiro às pessoas que desejam manter a sanidade mental que façam o mesmo. Está a arder e está, não vai apagar, ao menos fica quentinho.

Um esclarecimento necessário

27 Fevereiro, 2019

José Manuel Fernandes sentiu necessidade de fazer um esclarecimento que ele próprio diz desnecessário sobre a novela mais bullshit (para não dizer “merda”) do momento.

O resultado desta anestesia colectiva patética é o que a foto abaixo retrata:

Costa_Ri

 

Moral da polémica do momento

27 Fevereiro, 2019

As mulheres só são livres para escrever, dizer e pensar aquilo que está estabelecido como certo. Fora isso é um escândalo. Era assim no passado e é assim no presente. A única coisa que muda é aquilo que se considera certo ou errado.

As gajas e o fugaz calor de Inverno

27 Fevereiro, 2019

A indignação, ou mais propriamente, a coisa do momento, é a luta de senhoras do CDS para determinarem o papel determinado para “a mulher” (mas, na realidade, todas — sublinho o todas) na sociedade em geral, mais ou menos como eu, quando procuro a batata de volume adequado para acompanhar o mui masculino bife grelhado.

Quer um artigo inicial, da Joana Bento Rodrigues, publicado no Observador, quer os artigos de opinião que opiniam sobre a opinião original, culminando (hoje, porque amanhã há mais) no artigo-resposta da Mariana França Gouveia (também no Observador) à opinião original e aos artigos-opinão dos que opinaram sobre a opinião do artigo original, seriam, para a população masculina em geral, mais proveitosos se as palavras tacitamente sacadas a livros de auto-ajuda tivessem sido substituidos por uma luta na lama em biquini. Estou a falar a sério, pelo que, naturalmente, terei que tirar da noção de população masculina aqueles tipos que, sendo homens, procuram estar em contacto íntimo — mental e físico — com o seu lado feminino, como os que escrevem no Expresso, à espera que isso os faça sacar mais gajas (talvez faça: algumas gostam de ver homens a fazer figuras tristes).

Eu é que sou uma mulher a sério.

Bem sei que ambas as senhoras disseram ser bem casadas, com homens muito bons. Não sei onde os arranjaram, mas suspeito que simplesmente não os conhecem assim tão bem, o que me parece positivo, quer para ela, quer para ele. Todos os casamentos têm uma aura de magia, e quem sou eu para a estragar? Mesmo assim, não deixo de pensar que ambas estão a competir pela atenção do leitor da mesma forma que, em tempos passados ou presentes se na casa de jornalistas namoradas de governantes, se exibiam dotes de trato e ancas parideiras em bailes de debutantes.

Não, isso diminui as mulheres. Mulher que é mulher é como eu.

Enquanto uma acha que a maternidade é bué da fixe com electrodomésticos inovadores da General Electric, como uma batedeira mágica azul turquesa que permite fazer apple pie, outra acha que limpar a casa retira tempo ao seu cargo de CEO-CFO-C-qualquer-coisa-O de empreendedora-inovadora-em cluster-estratégico-Quesado em plena integração com a felicidade da maternidade Dodot descartável. Para mim, tanto me faz, desde que possa ver o jogo de futebol em paz.

Essa cerveja não vai sair do frigorífico sozinha.

Isto já sou eu a imaginar ambos os maridos, muito bons, a assistirem a episódios antigos do L Word enquantos elas escreviam os artigos. E, se todos podemos viver na fantasia de que falar “das mulheres” serve para alguma coisa, também eu posso ter as fantasias que quiser.

E então, em que ficamos?

Ficamos como está. Falar sobre o que deve ser a mulher é como falar do tempo. É conversa de circunstância, para se dizer no elevador de forma a ninguém estar calado. Que o medo do silêncio (e sim, vejo a auto-crítica aqui contida) não se amplifique para outras descrições do que devem ser as coisas, como a descrição do caminhar como sendo um pé para a frente seguido do outro um pouquinhio mais à frente ainda.

E então, essa cerveja vem ou não?

Como?

27 Fevereiro, 2019

Presos recebem contrabando por drones
Veículos voadores controlados à distância levaram encomendas ilegais para a prisão de Vale dos Judeus. Guardas garantem que não tem formação nem condições para impedir esta forma de contrabando
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Porquê?

26 Fevereiro, 2019

O artigo de Joana Bento Rodrigues, no Observador, continua a dar que falar. As primeiras críticas vieram das feministas com pilinha, figuras a que é dada (e não há coincidências) tempo televisivo até à náusea. Essas pessoas (note-se o meu cuidado em não mencionar o género para não ostracizar seres não binários) surgiram espumando raiva e exalando hálito a gin, num misto de bafo tóxico, embora moderno e progressista, conforme convém. Seguiram-se as feministas com pipi, na sua versão feminazi, que, em geral, não passam de um bando de ressentidas mal-amadas (para não aplicar uma palavra mais brejeira) pouca dadas a opções de vida que não passem de gin ou/e cocaína à discrição, uma espécie de salvo conduto para “orgias in” com porta giratória para a política cortesã de que, aliás, fazem ou querem fazer parte nem que seja à conta de uma lei de quotas. Por último, há críticas justas e equilibradas sobre um artigo globalmente bom, mas que põe o pé em ramo verde aqui e acolá, especialmente quando menciona sem explicar, e assim dando azo a interpretações díspares, o que significa “rectaguarda” ou “casar bem”. De resto, o artigo não é um ensaio, pelo que não se esperariam grandes detalhes. Dada a profusão de cortes truncados e posteriormente espalhados pelas redes sociais, visando a humilhação pública, não resisto a fazer o meu próprio corte a que se segue uma pergunta. Ora, escreve a Joana BR:

“…Pois, embora fazendo parte da natureza da mulher ser esposa e mãe, a “mulher moderna” revela também a necessidade de se completar com um papel social e de cidadania, que vê concretizado no trabalho e, se bem-sucedido, tanto melhor! Gosta de ver reconhecido o seu esforço e mérito profissionais, mas sabe também que poderá ter de fazer escolhas para cumprir com os restantes papéis.

Quantas mulheres estarão dispostas a abdicar da maternidade e de um casamento feliz, em nome de uma carreira de sucesso? Dificilmente poderão estar em pé de igualdade com o homem, que mais facilmente dedica horas extra ao trabalho, abdicando do tempo em Família, em nome da progressão laboral e, está claro, daquilo que é um apelo mais masculino, o do sucesso laboral. É isto discriminação? Não, são escolhas!”

A minha pergunta é: se as mulheres são iguais aos homens perante a lei (e muito bem), se têm acesso a educação em plano de igualdade (aplauso de pé), se são cerca de 50% do mercado de consumidores, então por que motivo criam muito menos empresas do que os homens, preferindo profissões mais seguras? Com tantas condições iguais de partida, seria de esperar que arriscassem mais, no fundo que fossem iguais aos homens, certo? Então por que razão não é assim? Não é por serem burrinhas (de facto, elas são, em média, melhores alunas que eles). Então porquê, meu Deus? Talvez a Joana tenha dado uma pista no corte por mim citado acima. Aliás, deu várias. O problema é descobri-las por debaixo dos vestígios de vómito, droga e ressentimento que os seus detratores plantaram por cima.

À atenção do sindicato dos jornalistas

26 Fevereiro, 2019

O que aconteceu a um jornalista durante uma entrevista a Maduro: “El equipo de Univisión ya se encuentra en el hotel. Estuvimos detenidos por más de dos horas dentro del Palacio de Miraflores. Lo que ocurrió fue que teníamos una entrevista con el líder Nicolás Maduro y después de aproximadamente 17 minutos de entrevista, a él no le gustó las cosas que le estábamos preguntando sobre la falta de democracia en Venezuela, sobre la tortura, los presos políticos, sobre la crisis humanitaria que estaba viviendo. Y se levantó de la entrevista después de que le mostrara los videos de unos jóvenes comiendo de un camión de basura e inmediatamente después uno de sus ministros, Jorge Rodríguez, vino a decirnos que la entrevista no estaba autorizada y nos confiscaron todo el equipo. Se quedaron con las cámaras, se quedaron con todo nuestro equipo. Nos quitaron las tarjetas. La entrevista la tienen ellos. Nos quitaron todos los celulares. Te estoy hablando de otro celular que no es el mío. No tenemos nuestro equipo, no tenemos la entrevista y después de eso nos mantuvieron separados durante dos horas y media en el palacio de las Flores interrogándonos, en mi caso y el de la productora María Guzmán, nos metieron en un cuarto de seguridad, apagaron las luces, nos arrancaron los celulares, nos quitaron el backpack con muchas de nuestras cosas personales y acabamos de regresar al hotel”

Uma “família” sem vergonha

25 Fevereiro, 2019

Não há mais nenhum caso como o nosso na Europa. Nenhum. Somos manifestamente uma “República familiar” onde quase todos os parentes do PS têm lugar no governo. Uma vergonha que nos coloca ao nível dos países mais corruptos e ditatoriais mas que não envergonha nadinha o PS que usa e abusa do nepotismo para se instalar e perpetuar-se no poder. Isto não é uma democracia. Isto é um “polvo”. Uma “família siciliana”. Um negócio.

Não lembra nem ao diabo ter no mesmo governo a família inteira Vieira da Silva:   pai,  mãe e  filha. Como não lembra ter inúmeros cônjuges, filhos, noras, irmãos e amigos (estes nunca podem faltar). Preparados para a lista extensa? Aqui vai:

  • João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, é filho do ex-ministro João Cravinho;
  • António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS;
  • Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, é marido de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar;
  • Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, escolheu recentemente o advogado Eduardo Paz Ferreira para presidir à comissão que vai renegociar a concessão do terminal de Sines (em cima da mesa: 100 milhões de euros para expansão do terminal);
  • O advogado Eduardo Paz Ferreira é marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem;
  • Maria Manuel Leitão Marques, que agora deixou o governo, irá ocupar em Junho o cargo de deputada do PS no Parlamento Europeu;
  • Esse cargo já antes foi ocupado pelo seu marido, Vital Moreira;
  • A mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, Rosa Matos Zorrinho, deixou de ser secretária de Estado da Saúde, mas foi, entretanto, nomeada para presidir ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central;
  • Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins, filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins, também deixou agora de ser secretário de Estado das Infraestruturas, após António Costa ter nomeado para ministro do Planeamento o seu amigo Nelson de Souza;
  • Nelson de Souza vai juntar-se no governo ao grande amigo Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto;
  • Há ainda outro grande amigo, Diogo Lacerda Machado, que nunca quis ir para o governo, mas foi ajudando bastante, até acabar administrador da TAP. (Fonte Crónica Miguel João Tavares).

Calma que ainda não acabou:

  •  Pedro Nuno Santos é casado com Ana Catarina Gamboa, também ela com um passado de dirigente da JS e mais recentemente assessora do amigo e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Duarte Cordeiro;
  •  A mulher de Duarte Cordeiro, Susana Ramos, foi directora do departamento social da autarquia da capital, mas em Março de 2017 foi escolhida para coordenar um organismo criado pelo governo nessa mesma data;
  • O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, trabalhou com a mulher no próprio Ministério. Isabel Marrana foi chefe de Gabinete de uma das secretarias de estado, até ter pedido a demissão há 6 meses;
  • No gabinete do primeiro-ministro, está Patrícia Melo e Castro como assessora, cunhada de Ana Catarina Mendes, a número dois de António Costa no partido, que por sua vez, é irmã do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes;
  • No Ministério dos Negócios Estrangeiros encontramos Francisco, como Técnico Especialista desde 2015. E numa empresa da Defesa Nacional, vemos o irmão mais novo, João Maria, como assessor. (Fonte RTP Notícias)

Espere não se vá já embora. Agora vem a família de César:

  • São cinco: além do líder parlamentar socialista, Carlos César, há outros quatro “césares” na administração pública e em cargos públicos;
  • a mulher foi nomeada pelo Governo regional;
  • o filho foi eleito pelo PS regional;
  • a nora nomeada por uma secretária do governo regional;
  • o irmão escolhido pelo ex-ministro da Cultura do actual Governo. (Fonte Sábado)

Está já cansado? Resista mais um bocado. Em Elvas, um concelho liderado pelo PS, a RTP denunciou recentemente o autarca Nuno Mocinha que abriu um mega-concurso público  onde colocou 27  familiares seus. (Fonte RTP Notícias)

O que é que isto nos diz sobre nosso país? Exactamente aquilo que não queremos ouvir nem admitir: que somos culturalmente uma desgraça, sem princípios, sem valores, sem ética e que a “cunha” e “amiguismo” está no nosso ADN. Uns mais, outros menos. Mas é um facto. Se auditássemos o país  todo tenho a certeza que ficaríamos anos de boca aberta sem a conseguir fechar de tantos “negócios familiares” que encontraríamos no poder público. Esta é a nossa triste realidade que faz de nós um país pobre e mal governado.

Perante tamanha evidência esperava-se que o Presidente da República puxasse as orelhas aos meninos mal comportados ao invés de afirmar vergonhosamente que este governo “tem laços familiares por mérito próprio”. Se já a situação em si nos deixa manchados junto da opinião internacional, o Presidente legitimou a nossa tradição de “chico-espertice”  ao apoia-la. Que tristeza.

É preciso urgentemente pôr um ponto final nisto e tal como na França (e muito bem), proibir estas práticas. O Governo não é o Centro de Emprego para gente inútil  que nunca trabalhou na vida e que mais não tem no currículo que cursos superiores, mestrados  e doutoramentos (alguns feitos aos domingos) com experiência zero fora da vida política, que nunca se submeteu sequer  a uma entrevista de trabalho ou concurso.  Exige-se que quem exerça cargos públicos seja efectivamente competente e com um percurso profissional de pelo menos de 11 anos fora da bolha política. Porque é no terreno que se formam bons profissionais. E só bons profissionais formam bons governantes.

 

 

E da Venezuela falaram?

25 Fevereiro, 2019

Alguém sabe quantas declarações de solidariedade com o povo venezuelano foram feitas na noite dos Oscares?

Futura Primeira-ministra

24 Fevereiro, 2019

Assunção Cristas diz que está preparada para ser Primeira-ministra.

Assunção-Cristas

Neste caso não me interessam as questões político-partidárias que esta afirmação encerra. Vou por um instante dar de barato que assim possa acontecer.

Havendo com certeza diversas tendências dentro desta agremiação, para o exterior diria que o CDS é visto em geral como um partido conservador nos costumes e liberal nas questões económicas.

É curioso porém notar dois exemplos recentes que parecem evidenciar precisamente o contrário: a sua presidente cede à agenda progressista da esquerda votando a favor da chamada lei da paridade de género; e o partido abstém-se na neo-fascita regulamentação que concede ao fisco acesso automático a saldos de contas bancárias acima de 50 mil euros.

A falta de uma visão liberal da economia fica também patente no facto de na curta entrevista que deu ao jornal espanhol, Assunção Cristas exemplificar uma política prioritária para si de intervenção estatal no mercado, a de “impulsionar as exportações”.

Já a isso tinha eu aludido aqui, adjectivando tal coisa como socialismo do CDS. Sei que é tema recorrente meu e que não tenho tido qualquer eficácia visível na propagação da bondade dos meus argumentos, mas preferiria um futuro primeiro-ministro com o objectivo central de  criar as condições para os indivíduos terem maior capacidade para importar.

*

 

Regime de castas

24 Fevereiro, 2019

Estado deverá escapar a multas por violação de dados pessoais. Excepção deverá ser válida por três anos.

O cartão de cidadão sem género

24 Fevereiro, 2019

A 21 de Fevereiro, de manhã, a secretária de Estado da Justiça Anabela Pedroso declara à TSF: “Nós retiramos na nova versão de cartão de cidadão o género, há países que vão manter o género, Portugal não vai manter. É facultativo.” Horas depois a mesma secretária de Estado da Justiça Anabela Pedroso declarava à mesma TSF: “É um lapso meu.

As coisas de plástico, como o governo

24 Fevereiro, 2019

A perseguição a cotonetes, palhinhas, talheres e garrafas de plástico que esta seita esotérica de brochellas propaga, feita Igreja Universal do Reino de Deus da pantomina azeites para quem precisa de acreditar que não passa de irrelevante bolor no grande esquema das coisas, tem seguidores dedicados em Portugal, zás, toma lá que até andas de lado. O governo, sempre pronto a apontar ao olho do contribuinte a sua gigantesca piroca fiscal, já anunciou o orgasmo de banir garrafas de plástico antes de sabe-se lá quando (o tempo não funciona da mesma maneira para javardos), isto porque não são biodegradáveis e podem até poluir o próximo incêndio de Pedrógão ou da rata ministeriável da mãe de ministra filha de ministro. Vibradores só de madeira à antiga. Silicone só nas mamas.

Uma garrafa de água do Pingo Doce, a rede de supermercados que organiza conferências para bimbas exigirem que alguém baixe as cuecas em entrevistas para assegurar que o número de pixotas e de conitas dos funcionários é igual – que é para poderem todos pinar ao mesmo tempo na empresa – custa dez ou doze cêntimos. Estou ansioso para ver as embalagens sem plástico e o seu preço: sugiro garrafas de papel ou de madeira (as árvores são sobrevalorizadas, o pior em Pedrógão, além de uns eventuais eleitores, foram as garrafas de plástico que poluíam o incêndio). Se optarem pelo vidro, que é altamente biodegradável, podeis deixar a garrafa vazia na praia, de preferência na praia onde ministros vão gerar em ministeriável útero uma ministeriável cria. Ou atirar com elas à mona destes ministros, que de gente só têm mesmo a oportunidade perdida de terem sido abortados pelas heróicas mães.

Se é para banir o plástico, não podemos começar pelo governo?

Sem jeito para vendedor

23 Fevereiro, 2019

Buy this album if you’ve gotta lotta money or don’t care much what you blow your wad on, but don’t pass up any of the really cosmic stuff like the Stooges for it or the shadow of Blind Lemon Jefferson will come and blow his nose on your brow every night.

Lester Bangs in Rolling Stone, Março de 1973 (sobre o álbum The New Age dos Canned Heat).

Às vezes, dou comigo a pensar naquele momento em que a revista Rolling Stone prescindiu da colaboração do crítico gonzo Lester Bangs em 1973 pela crítica negativa do album The New Age, o nono da carreira dos Canned Heat. Na mesma edição, uma crítica positiva ao Hot August Nights de Neil Diamond rezava assim:

Attending the release of this sluice of ultimorgasmic sounds from Meister D. is some of the grooviest garnish this side of a Melanie presskit. Here on the very front cover is Neil in full flight, working it on out and what is he doing? Pretending to jerk off, that’s what. He’s pantomiming whanging his clanger, and from the look on his face I’d say he’s about to shoot off, and the only bogus part is that he’d like everybody out there to think it’s 13 inches long. It’s truly a pic to post in your den or rec room for years to come, no matter what some o’ them psychedelic schmucks with their Hawkwind nightshade garlands might think; you don’t even need a black light, and it’s great to spill beer on or throw your girlfriend up against in the party’s latter leagues

Lester Bangs in Rolling Stone, Março de 1973 (sobre o álbum Hot August Nights de Neil Diamond).

Sobre o assunto, na última entrevista antes de morrer, à pergunta se a rejeição o fez mudar de opinião sobre a revista Rolling Stone, Bangs respondeu:

No. I knew it was a piece of shit. The reviews I did for them really stuck out like sore thumbs. And I never did get along with Jann, because he really likes the suck-up type of writing. He doesn’t like people that are stylists unless it’s somebody he wants to suck up to himself, like Norman Mailer or Truman Capote or someone like that. (…)

A Final Chat With Lester Bangs

Às vezes dou comigo a pensar nisto. O que é um blog? Qual é o nosso papel? Somos políticos? Somos cronistas? Estamos aqui para vender o disco de alguém ou estamos aqui para dizermos, com o nosso próprio estilo, o que nos apetece sobre um assunto? Eu sou deste último tipo. Dizemos o que queremos, mesmo que seja mal de um disco que o nosso editor quer que venda, e, quando deixarmos de fazer sentido, levamos o nosso estilo gonzo para outro lado qualquer.

Gostei da escolha do Ricardo Arroja para cabeça de lista às eleições europeias pela Iniciativa Liberal. Só não tenciono votar em nenhum dos partidos para essas eleições.

Um país só de doutores

22 Fevereiro, 2019

Queremos ser um país de crescimento,  estar na vanguarda europeia mas somos pobres de espírito. Cultivamos uma sociedade de doutores onde ter um “canudo” é das coisas  mais primordiais na vida. Dos pais às escolas, passando depois pelos empresários e terminando na sociedade em geral, ser bem sucedido é vestir fato “à pinguim”  atrás de uma secretária com um cadeirão a condizer, de preferência num cargo de chefia  qualquer seja do Estado ou privado,  mesmo que não tenha qualquer competência para a função. Mesmo que para completar o curso universitário tenha andando anos a fio a arrastar-se pela universidade. Em Portugal  é preciso parecer, mais  do que ser, para que todos aplaudam seu “sucesso”.

É por isso que por cá  tropeçamos em doutores. Não importa se esses “canudos” foram obtidos com médias negativas, se são de cursos inúteis ou para áreas saturadas de profissionais. Importa sim é que todos os jovens cheguem às universidades mesmo os que não têm qualquer aptidão para tal. Baixam-se as médias, baixa-se o nível de exigência curricular  para que seja garantido o acesso a qualquer custo.

Porém, uma sociedade eficiente e altamente produtiva quer-se diversificada profissionalmente com elevado grau de formação em todas as áreas. As apostas não podem ser só num segmento. Não podem ser só  para os cursos de nível superior. Mas num país com uma cultura pobre que acha que ser doutor é que é sucesso e onde se promove o maior número de doutores por m2, só podia dar o resultado que deu: doutores aos pontapés,  ignorantes e no desemprego.

Estive um mês na Alemanha e percebi o fosso que nos separa daquela civilização. Constatei porque são uma economia forte e nós uns pelintras. É que culturalmente estamos a léguas de perceber que a escola tem de oferecer diversas alternativas e que dar igualdade de oportunidades não é forçar todos os jovens a seguir numa mesma direcção. A escola tem de formar todo o tipo de indivíduos consoante as suas aptidões e sobretudo motivações. Não é verdade que todos sonham com um curso superior. Não é verdade que todos querem ser CEO de multinacionais. Não é verdade de todo.

Na Alemanha e Canadá, duas realidades que conheço, aposta-se fortemente nas vias profissionalizantes que consideram tão importantes como a via universitária. Por isso mais de metade dos alemães, por exemplo,  recebe formação para serrem electricistas, chefes de cozinha, carpinteiros, soldadores e tantas outras profissões que são muito bem remuneradas. Resultado? A Alemanha possui umas das menores taxas de desemprego e é um país de referência nas vias profissionalizantes possuindo um dos sistemas mais bem estruturados do mundo. Estes empregos são altamente respeitados e valorizados por toda a sociedade. Sabia?

Mas há mais: na Alemanha mais do que o grau académico, importa a experiência e “know-how”. Por isso, é vulgar ver gente sem curso superior a obter lugares técnicos nas empresas, altamente remunerados acima da média, bem como pessoas com mais de 50 anos a serem admitidas pela sua experiência. Aqui valoriza-se as pessoas e não os “canudos”.  Ah! E os empresários? Esses vestem  ténis e calça de ganga e deslocam-se para o trabalho  em bicicletas ou transportes públicos e não usam “títulos”. Não se distinguem dos trabalhadores porque se consideram parte da equipa e não “patrões”. Percebem a diferença cultural?

E nós? Bem, a cada governo que passa destruímos cada vez mais o futuro profissional dos nossos jovens ao criar apenas uma única via –  a universitária –  removendo todos os obstáculos para lá chegar, goste-se ou não de estudar. Contrata-se depois só jovens até aos 39 anos (estes últimos já com alguma sorte)  para depois nos queixarmos que há pouca gente para profissões intermédias. Na verdade somos aquela triste sociedade que desvaloriza por completo o canalizador, o electricista, a senhora da limpeza até ao momento em que  precisa de um destes profissionais e não consegue.

Para alcançarmos uma economia pujante não basta políticas de incentivo ao investimento é preciso também mudar toda uma mentalidade centrada exclusivamente  na produção  de doutores que não investe na formação profissional, não valoriza a experiência das pessoas e por isso não descola de crescimentos económicos anémicos e desemprego elevado.

A bem da Nação (europeia)

22 Fevereiro, 2019

De acordo com a sua Representação em Portugal, a Comissão Europeia defende o policiamento da internet para garantir a sua integridade.

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A ideia não é nova. O artigo 20.º da Constituição Política da República Portuguesa de 1933 (mais tarde artigo 22.º, n.º 1) já previa algo muito semelhante, com os resultados que se conhecem.
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E aquelas armas que se disparam sozinhas têm licença ou não?

22 Fevereiro, 2019

Zero novas licenças de armas para defesa pessoal em 2018 Não houve novas autorizações nem para revólveres nem pistolas. Entre as licenças já existentes, 190 foram renovadas, o menor número de sempre.

NESTES CASOS AS ARMAS ESTAVAM LICENCIADAS?

Duas famílias desentenderam-se e entraram em tiroteio ao final da noite de segunda-feira no bairro Alfredo Bensaúde, em Lisboa. Da troca de dezenas de tiros, demonstrada pelo vídeo a que a CMTV teve acesso, não resultaram feridos

Três feridos em troca de tiros na zona das Olaias em Lisboa

agressões físicas e verbais, assaltos, esfaqueamentos e tiroteios à noite, junto à estação da CP de Queluz-Belas, marcaram uma semana insegura

A ministra da Cultura sabe mesmo o que diz?

21 Fevereiro, 2019

«A ministra da Cultura citou estudos de agências noticiosas segundo os quais cerca de dois terços das pessoas acedem a notícias através de plataformas agregadoras de conteúdos e apenas 32% sabe a origem da informação que leu. Hoje em dia, a maioria das notícias, frisou, não é determinada pelo leitor, mas por um algoritmo que seleciona o que o leitor potencialmente gostaria de ler. Isto muda radicalmente a forma como a comunicação social se organiza e como consumimos conteúdos e temos acesso a notícias”»

A senhora ministra já ouviu falar de editores? Digamos que um editor é a pessoa que “seleciona o que o leitor potencialmente gostaria de ler.”  

O que quer dizer a ministra com os leitores determinarem as notícias? E como faziam isso? Escreviam-nas eles? A ministra da Cultura sabe mesmo o que diz?

Mas custa a quem?

21 Fevereiro, 2019

Título reportagem TVI: “Porquê pagar 600 euros a um privado para um exame que custa 8 euros no público”

Igualdade de género

21 Fevereiro, 2019

 

Navratilova

Curiosa a recente notícia de que uma organização de activistas LGBT baniu Martina Navratilova dos seus orgãos consultivos pelo facto de a ex-tenista ter referido que a permissão de atletas transgénero em competições desportivas é “batota” e “injusto”, uma vez que têm vantagens físicas e biológicas sobre concorrentes.

Martina, ela própria lésbica, afirmou que jamais aceitaria jogar contra um transgénero.

A checa de nascença e naturalizada norte-america foi imediatamente apelidada de “transfóbica” e acusada de se basear num falso entendimento da ciência e de ajudar a perpectuar perigosos mitos que usam leis discriminatórias contra pessoas transgénero. Atribuiram ainda a Navratilova um discurso de ódio e de violência desproporcionada.

É nisto que estamos.

 

Um buraco como outro qualquer

20 Fevereiro, 2019

O que me fez aborrecer com o liberalismo português foi a necessidade dos protagonistas optarem pela confortável visão de que o Homem encerra em si mesmo a génese da Justiça, crendo que, através de ferramentas como a democracia, é conferida ao mortal a autoridade sobre os princípios éticos da sociedade. Não é mais que um problema filosófico e, ao mesmo tempo, é o único problema filosófico que explica a dissonância entre um país cristão e a sua apetência pelo socialismo.

A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Se a autoridade advém da equiparação a legitimidade para a exercer, então tanto faz que alguém creia no liberalismo como no socialismo, ambas as ideologias tornadas em fracas religiões. A liberdade só ascende a valor absoluto — e com ela a inviolabilidade da propriedade — se o Livre Arbítrio se conjugar com a propriedade do próprio Homem não lhe pertencer. No momento em que o Homem não é propriedade de nada ou ninguém, como pode o Homem possuir algo se não por atribuição do próprio Homem? Locke resolveu o problema atribuindo a propriedade do Homem a Deus; Rousseau optou por atribuir a propriedade do Homem à serpente do Éden num gesto que meramente substitui uma dentada numa maçã por hubris.

Se a propriedade são coisas, porque legislamos sobre pessoas?

Deviam os liberais portugueses ser crentes? Não necessariamente. Contudo, sem a dúvida que angustia crentes e sem a indiferença à dúvida que apazigua agnósticos, serão só vítimas da certeza jacobina plena de hubris por serem tão socialistas como os outros.

As pernas dos banqueiros mantêm-se em repouso

20 Fevereiro, 2019

Pedidos de ajuda de famílias muito endividadas agravaram-se em 2018

Percentagem de rendimento disponível para pagar custos dos empréstimos subiu para 80% em 2018, quando deveria limitar-se a 35%. Primeiros dados de 2019 são “muito preocupantes”, envolvendo créditos recentes.

Bel’Miró apresenta: “A vida dá muitas voltas”

19 Fevereiro, 2019

Vamos ao que interessa

19 Fevereiro, 2019

Quanto tempo é necessário para que Marcelo desate a cantar

Eu parti o telemóvel
A tentar ligar para o céu
Pra saber se eu mato a saudade
Ou quem morre sou eu

(…)

à rasca

18 Fevereiro, 2019
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1085975Já se percebeu que o governo de Costa está à rasca com as contas públicas e que o «milagre» português das cativações está a atingir patamares perigosos para anos eleitorais. Assim, nada como acenar com um relatório internacional, no caso da OCDE, que recomenda o aumento do IVA da restauração e do imposto sobre o gasóleo, que são «baixíssimos», como todos sabemos. Tudo isto em nome da «justiça social», claro, e das preocupações «ambientais», para as quais o preclaro ministro da tutela já nos tinha, há dias, alertado. Cortar custos estruturais do estado, que, aliás, têm vindo a aumentar perigosamente, e baixar impostos é que nem lhes passa pela cabeça. Isso são coisas de que a próxima troika poderá cuidar.

“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal

18 Fevereiro, 2019

Por razões que não poderia prever quando iniciei esta série (boas e agradáveis razões, contudo), terei de a suspender por uns meses. O tempo não estica, mas prometo regressar.

 

Não, não pode ser fake

18 Fevereiro, 2019

O Polígrafo veio provar a falsidade de vá rias notícias sobre Guterres: António Guterres alvo de notícias falsas em série Creio contudo que o Polígrafo não analisou bem. A notícia que dizem falsa sobre a morte de Guterres não pode ser falsa. Ou então é apenas um bocadinho falsa: Guterres pode não ter morrido mas está pelo menos criogenizado à espera que a crise da Venezuela passe.

Uma sugestão para a página de agit-prop da Lusa

18 Fevereiro, 2019

Tendo em conta a fraca produtividade da página da Lusa dedicada às fake news venho sugerir que se dediquem ao caso Claas Relotius. Vem tudo contadinho no querido El País E já foi contado em Portugal pelo PÚBLICO. Não sei  é se esta fake news interessa à Lusa.  Mas esse já é outro assunto.

A mulher de César

17 Fevereiro, 2019

Ao longo da sua vida profissional Nelson de Souza tem alternado entre a posição de decisor sobre quais os montantes e a que entidades atribuir subsídios comunitários e a de dirigente das entidades beneficiárias desses fundos, conforme se poderá verificar pela consulta do curriculum abaixo transcrito.

É o equivalente a um ministro das obras públicas sair do Governo e ir trabalhar directamente para uma das maiores empresas de construção de empreitadas adjudicadas pelo Estado.

Curioso será assistir à forma como o futuro ministro se envolverá no processo da já prometida expansão da FIL para acolher a Websummit, situação que fará a síntese completa de todos os potenciais conflitos de interesses entre as entidades pelas quais passou: Governo-Fundos Comunitários-Câmara Municipal de Lisboa-Associação Industrial Portuguesa.

À mulher de César faltava qualquer coisa.

A Nélson também…

#MDU plano100-02

 

  • (Nov 2015 – Fev 2019) – Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão;
  • (Fev 2014- Nov 2015) – Diretor Municipal de Finanças na CML – Câmara Municipal de Lisboa;
  • (Nov 2013-Fev 2014) – Assessor do Vice Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
  • (Fev 2012- Nov 2013) – Diretor Geral na Associação Industrial Portuguesa;
  • (Julho 2007- Fev 2012) – Gestor do programa COMPETE/QREN
  • (2005-2007) – Gestor do PRIME – Programa de Incentivos à Modernização da Economia;
  • (2002-2005) – Membro da Comissão Executiva da Associação Industrial Portuguesa;
  • (2001-2002) – Presidente da Comissão Executiva do Movimento Têxtil e do Vestuário;
  • (2000-2001) – Secretário de Estado das Pequenas e Médias Empresas, do Comércio e dos Serviços do XIV Governo Constitucional;
  • (1996-2000) – Administrador do IAPMEI, com responsabilidades nos programas POE, PEDIP II e IMIT;
  • (1995-1996) – Chefe de Gabinete do Ministro da Economia do XIII Governo Constitucional;
  • (1977 – 1995) – Subdirector-geral na Direcção-Geral da Indústria, onde foi responsável dos primeiros programas de apoio à indústria – “Missões de
    Produtividade” do PEDIP I, PRISMA e RETEX

 

 

Enquanto andamos tão inteligentemente a discutir o liberalismo mais o conservadorismo e sei lá mais o quê…

17 Fevereiro, 2019

o governo do país torna-se um assunto de família e em família. Muito significativamente a relação de parentesco  da nova ministra é omitida. Vão dizer que não é relevante? Por sinal acho que sim, que é. Por outro lado recordo muito bem as críticas a outras remodelações: os nomes escolhidos mostravam que o líder já não conseguia renovar, eram sempre os mesmos, não se ia buscar gente de fora, os assessores passarem para o governo era sinal de decadência…

liberalismo, desconcentração e descentralização

17 Fevereiro, 2019
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Embora compreenda as intenções – certamente as melhores! – não me parece que um programa político que se centre em exigências da desconcentração e descentralização da soberania deva ser o cerne de um programa liberal. Quer a primeira quer a segunda são simples técnicas de repartição de competências e funções soberanas, obedecendo, a primeira, a pressupostos de eficácia do aparelho de estado, ao passo que a segunda acredita que o poder exercido na proximidade dos seus destinatários é mais compreensivo e humanizado (subsidiaridade). Todavia, no essencial, permanece o problema que deve apoquentar os liberais: o poder do estado, as funções que exerce e as competências que detém, não só se mantém incólume, como é até ampliado, por ser melhor administrado.

Um programa liberal não deve, por isso, assentar em tornar o estado mais eficaz, mas em reduzir os seus poderes e competências. Precisamente o inverso daquilo a que conduzem a desconcentração e a descentralização.

A coisa

17 Fevereiro, 2019

A coisa descreve-se com facilidade: 23 andares, cada um com 14 apartamentos. Este é um dos edifícios que a CML se propõe construir em Benfica ao abrigo do Programa Renda Acessível. Com o arrendamento transformado na terra da intervenção socialista programas não faltam: ele é o o recente Direito Real de Habitação Duradoura e o fantástico Programa Chave na Mão, Este último vale a pena ser detalhado:  destina-se aos proprietários de casas em Lisboa ou Porto que queiram ir viver para o interior. De caminho, entregam a sua casa ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) para que este proceda ao seu arrendamento a custos acessíveis. Alguém sabe quantos foram até agora os portugueses, dignos sucessores dos Gamas e dos Cabrais de antanho, no que ao espírito aventureiro respeita, que arriscaram tal empreendimento?

para que serve o liberalismo?

17 Fevereiro, 2019
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imagesO que é o liberalismo, uma teoria do estado e do governo ou uma teoria sobre o governo e o estado? Um programa de acção política para conquistar o poder e, uma vez lá, transformar a sociedade e o estado com «políticas liberais», ou um conjunto articulado de pressupostos e ideias que, sendo bem assimiladas pelas pessoas no tecido social, impedem que o estado e os governos façam delas o que lhes apetecer? Por mim, não hesito pela segunda hipótese: o liberalismo não é uma ideologia política que sirva para conquistar o poder soberano e criar um estado virtuoso e um governo de sábios imunes ao fascínio da política e do poder, mas uma filosofia que explica às pessoas que elas terão mais vantagem em fazerem-se à vida, em vez de ficarem à espera de um governo que, com mais ou menos «liberalismo», cuide da vida delas.

É por isso que nunca acreditei em partidos liberais, embora sempre me tenha parecido importante que existam liberais em todos, ou quase todos, os partidos e até mesmo que grupos de pessoas que se consideram liberais se estruturem partidariamente. As ideias podem influenciar, a montante e a jusante, quem esteja disposto a fazer um esforço de compreensão, e é obviamente melhor que muitos liberais possam chegar ao governo e influenciá-lo, ainda que dificilmente se mantenham liberais, por muito tempo, a determinar o sentido da vida dos outros. Por isso, há que não perder de vista que um partido será sempre um meio de conquista e de conservação do poder público, repito e sublinho, do poder público, para com ele tomar decisões soberanas, isto é, dotadas de ius imperii, enquanto que o liberalismo serve exactamente para que as pessoas ditas comuns se possam precaver desse tipo de poderes.

Dizendo isto, e distinguindo o que, na Iniciativa Liberal, há de genuíno e autêntico das naturais pequenas e grandes ambições que sempre existem por estes meios, reconheço como meritório o trabalho que o Carlos Guimarães Pinto por lá tem feito, não excluindo, até mesmo, o voto nessa simpática agremiação, convencido, como estou, de que o que a poderá salvar é que nunca chegará às proximidades da verdadeira soberania. Se se ficar à porta e for capaz de manter um discurso inteligente, poderá ser influente sem ser mal influenciada, cumprindo, desse modo, a sua missão. Se se levar demasiadamente a sério, como partido um partido detentor de um projecto salvífico de Portugal, estará o caldo entornado.

Já se reformavam as ideias permanentes de reforma

16 Fevereiro, 2019

Foi com supresa que li a notícia n’O Observador de que “a Iniciativa Liberal quer ex-Primeiro-Ministro da Estónia a pensar a reforma do estado português”. Em primeiro lugar, porque não falta gente a pensar a reforma do estado português: estou até em crer que, se há uma característica única que define “o português”, é essa maravilhosa capacidade de pensar o país, o estado e o regime entre uns copos de vinho e uma dentada na carne apensa a uma costelinha assada; em segundo, porque com tanta gente a pensar o estado português em Portugal sem qualquer faísca, não há-de ser um individuo nascido na ex-URSS que vai conseguir pensar porque passam os portugueses tanto tempo a pensar “na reforma do estado português”. Pista: é porque sim.

A expressão “reforma do estado português” tem um de dois significados: ou somos ingénuos ao ponto de acharmos que estamos mesmo a acreditar que podemos reformar o estado português — e aí significa “somos ingénuos”; ou, a mais comum, “vamos fingir que estamos aqui a fazer alguma coisa sabendo que não estamos”, porque, naturalmente, nem o regime é reformável, pelo que muito menos será o bicho monstruoso que é a administração pública. Quando procuramos um desígnio para o país, convém termos consciência que o país já tem um desígnio primordial: continuar a existir para manter a administração pública. A nação é essa mesmo: o que quer que tenha que existir para manter a máquina pública a funcionar. Esquerda, direita, centro, em cima ou em baixo é tudo a mesma coisa: maestros que conduzam a administração pública até à paragem seguinte.

A Iniciativa Liberal só tem uma mensagem possível sem se arriscar a nadar em águas profundas onde não tem pé: vocês, os portugueses, vós pagais impostos demasiado altos para manter um número crescente de pançudos. Tudo o que sejam ideias além desta é admitir que os pançudos seguintes podemos ser nós.

E esta violência é de quê?

14 Fevereiro, 2019

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Mulher estrangulada em roubo a pastelaria Assaltantes com pistola e martelo aplicaram golpe de ‘mata leão’ que deixou funcionária inanimada. Caso ocorreu em Santa Maria da Feira.

Simbolismo da opressão

14 Fevereiro, 2019