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14 de Fevereiro, dia da sopeira

14 Fevereiro, 2019

Hoje é quinta-feira. Para muita gente, também é o “dia dos namorados”. Não me incomoda que seja dia dos namorados: se fosse uma daquelas patas chocas feministas poderia estar indignado, mas como isto não é sobre mim, não tendes nada a ver com o meu gosto ou repúdio por dias convencionados para celebrar seja o que for. Contudo, também é dia para pessoas, que na ausência do vil heteropatriarcado nasceriam sopeiras — o que, admito, seria de elementar justiça social — e assim nasceram urbanas com coração sangrento por ideias românticas da pastoral vida no bairro social, se indignarem com o crescimento da violência doméstica.

De verdade, existem pessoas que acham mesmo que a violência doméstica está a aumentar, que é mais difícil ser mulher em Portugal hoje do que uma negra sentar-se nos lugares para brancos nos autocarros do Alabama nos anos cinquenta. Vai daí, organizam simpósios, escrevem artigos, deambulam entre saladas de gin e procuram um lugar ao sol no nicho do protagonismo grotesco da reivindicação ao direito de serem reconhecidas como elementos incasaláveis da sociedade (um direito que lhes reconheço sem artifícios de culpa).

É verdade que há violência doméstica. Também é verdade que é bastante nojenta. Contudo, e dando de barato que é esmagadoramente mais prevalente a violência de homens sobre as mulheres, convém recordar que os homens, mesmo os abusadores, antes de serem maridos de mulheres, foram filhos de uma mãe (a não ser que o argumento do “machista” seja uma crítica encapotada à adopção gay). E, antes que me venham com o argumento de que também são filhos de um pai, eventualmente também abusador, lembro que se é para atribuir herditariedade a comportamentos violentos, não se poderá descartar que argumentos de feminismo azeiteiro também o sejam.

Eu não disse que sem o vil heteropatriarcado uma feminista seria só uma sopeira? Se é para combater a violência doméstica, combata-se o sopeirismo.

E para ser assim é melhor que vão lá fora tratar do lixo

14 Fevereiro, 2019

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Portugal precisa de pelo menos cinco gerações para os homens partilharem as tarefas domésticas em igualdade com as mulheres, que, na maioria, assumem, num estudo revelado esta terça-feira, estar sempre ou quase sempre “cansadas”. – escreve-se no Observador ilustrando o caso com esta foto de dois homens pendurando roupa de homem.
Felizmente que daqui a cinco gerações já não estou cá!

Qual seria o resultado destes estudos nos anos 60 ou 70?

13 Fevereiro, 2019

Mais de metade dos jovens já sofreram violência no namoro em Portugal
Mais de um terço dos 2683 universitários inquiridos num estudo sobre violência no namoro em contexto universitário assumiram ter exercido pelo menos uma vez violência sobre o outro.

Um dia na vida de Marcelo, o grande entretedor

13 Fevereiro, 2019

Na sexta-feira passa pelas escolas em greve e faz selfies com os pais que não têm onde deixar os filhos. Depois vai jogar ao “Apanhar a cápsula da bala” no Bairro Bensaúde. Em seguida dá um saltinho ao Hospital da Luz para distribuir afectos entre os beneficiários da ADSE. Pára para almoçar e avisa : “Quem pagar com cartão de crédito tem direito a beijinho”
Da parte da tarde senta-se numa paragem de autocarro e faz selfies com quem espera por autocarros que foram cortados para ir saber se a tal cirurgia foi ou não adiada… No fim do dia faz declarações sobre a importância para a democracia da continuação da Quadratura do Círculo.

O título correcto será “Beneficiários da ADSE e doutros sistemas de acesso restrito querem ser os únicos a usufruir via SNS da gestão privada dos serviços de saúde”

13 Fevereiro, 2019

Mais de cem personalidades apelam ao fim das PPP na Saúde
O apelo que deixam é claro: que não seja possível a gestão de hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por privados e propõem uma formulação para a lei que vier a ser aprovada, a de que “a gestão dos estabelecimentos públicos de prestação de cuidados de saúde seja exclusivamente pública”.

Epifanismos

12 Fevereiro, 2019

Depois de uma cruzada contra esses elementos que por aí andam com a mania que são liberais mas que na realidade já foram vistos numa missa e não querem converter toda a padralhada ao cientismo do eu instagrámico, eis que o pináculo do liberalismo vanguardista decide coligar-se com um monopartido baseado em mandar esses gajos de turbante todos daqui para fora.

Algumas hão-de cair ao chão. É pena.

E isto que tipo de violência será? Doméstica? De género? Supremacista?

12 Fevereiro, 2019

Duas famílias desentenderam-se e entraram em tiroteio ao final da noite de segunda-feira no bairro Alfredo Bensaúde, em Lisboa.
PORTANTO AMBAS AS FAMÍLIAS ARMAS? É UMA ESPÉCIE DE TRADIÇÃO?

Da troca de dezenas de tiros, demonstrada pelo vídeo a que a CMTV teve acesso, não resultaram feridos. A PSP foi alertada às 23h59 e mobilizou para o local um carro patrulha e duas Equipas de Intervenção Rápida. O bairro foi cercado mas ninguém foi detido uma vez que não houve flagrante. Os agentes localizaram no chão e recolheram para análise vários invólucros de munições.
PORTANTO A POLÍCIA FAZ UMA ESPÉCIE DE SERVIÇO DE LIMPEZA?

Segundo apurou o CM junto de fonte policial, os moradores que assistiram ao tiroteio não quiseram explicar as circunstâncias nem apontar os intervenientes, pelo que ninguém foi identificado.
DEVEM SER PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE FALAR DA VIDA ALHEIA

E portanto o seu querer é qb?

12 Fevereiro, 2019

Autarcas querem avançar com a regionalização

As geringonças só podem ser à esquerda?

12 Fevereiro, 2019

A juntar às fake news a esquerda portuguesa tem agora um novo factor de indignação: o facto de a direita espanhola ter comparecido unida numa manifestação contra o governo espanhol do socialista Sanchez. De caminho fazem do VOX um partido radical coisa que está longe de ser mas mesmo que fosse é preciso ter em conta que o senhor Sanchez só governa com o apoio da extrema-esquerda.
Por outro lado é extraordinário que esqueçam que por cá António Costa é incensado pq não recusou apoios à esquerda. Foi o derrubar do muro não foi? A sério que acreditavam que as geringonças só iam acontecer à esquerda?

do falso descentralismo como roubo centralista

11 Fevereiro, 2019

Através do tweetter, o Pedro Bragança @pfbraganca desenvolveu uma thread (série de tweets) sobre a chamada «descentralização», analisando dois casos emblemáticos: o Iapmei e a AICEP.

Série de 31 tweets muito esclarecedores.

Aqui se publica, com a devida autorização do autor a quem agradecemos.

Título do post da minha responsabilidade.

 


1. O menu teórico da descentralização consiste na transferência dos centros de decisão e do capital, de modo a distribuir os benefícios gerados pela presença do Estado no território e a mitigar os efeitos adversos da concentração em Lisboa.

2. É uma espécie de regionalização domesticada, já que consiste numa concessão de poderes e distribuição geográfica das organizações, mas não admite a criação de um nível administrativo intermédio, autónomo e legitimado pelo voto popular.

3. De um ponto de vista estritamente teórico, é difícil contestar um programa político tão aparentemente bem intencionado. Mas proponho avançarmos um pouco mais, de modo a conhecermos em proximidade o modelo de “descentralização” concebido por Lisboa.

4. Apresento o caso da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), duas organizações (EPE e IP) “descentralizadas”. Ler mais…

A ler

10 Fevereiro, 2019

Paulo Ferreira: «não deixa de ser hipócrita que os partidos que se permitem fazer acções de angariação de fundos sem identificação de cada um dos contributos – festivais, festas, eventos, almoços e jantares – e que mantêm em conveniente asfixia de meios a Entidade das Contas que tem como função verificar a proveniência dos financiamentos para campanhas eleitorais e para o seu funcionamento, estejam muito preocupados com uma angariação de fundos para uma greve.»

Let’s look at the trailer

10 Fevereiro, 2019

Em complemento ao meu post de ontem, analisei um pouco em mais detalhe os dados oficiais do ICA disponibilizados no seu próprio website.

Partilho assim com os leitores do Blasfémias o ranking dos realizadores que entre 1975 e 2019 atraíram mais espectadores às salas de cinema, entre o Top 100 filmes mais vistos. Acrescentei apenas à tabela alguns cineastas ditos “de referência” (como pex. Manoel de Oliveira ou João César Monteiro) para comparação e noção de escala:

Top_Realizadores

 

Relativamente aos subsídios atribuídos, apesar de a informação do ICA não estar tão facilmente acessível, dei-me ao trabalho de compilar (eventualmente não de forma exaustiva) os apoios concedidos a longas-metragens nos concursos dos últimos 5 anos. Não encontrei informação sobre verbas dadas antes de 2014.

Assim, entre 2014 e 2018, só para este tipo de obras o ICA gastou quase 17 milhões de euros, distribuídos da seguinte forma:

Apoios_ICA

 

O contribuinte já viu este filme. O título é “Socialismo!”

*

 

10 Fevereiro, 2019

Em 1919, um governo português obrigou os ferroviários grevistas a viajarem num vagão aberto à frente das locomotivas para evitar actos de sabotagem, Mas como, mesmo atropelando um pouco as datas, é difícil incluir o vagão-fantasma (ou os “fuzilamentos de Setúbal” levados a cabo pela GNR em 1911) na presente musealização das lutas operárias como sinónimo de anti-salazarismo dessas lutas e desses protagonistas pouco ou nada reza a História. Não fosse a esquerda dona e senhora da narrativa oficial sobre o presente e o passado – essa narrativa em que que a direita surge invariavelmente como inimiga dos trabalhadores – e não estariam reduzidas à condição de notas de rodapé os episódios mais severos de repressão dos trabalhadores em Portugal. File0476

(Foto do vagão fantasma)

 

 

Roubo no cinema

9 Fevereiro, 2019

Não vou discorrer neste momento sobre o tema dos apoios do estado ao sector da cultura, mas tão só contribuir com uma gota para o escrutínio público que é practicamente inexistente sobre o assunto.

Todos os anos o Instituto do Cinema e do Audiovisual apoia a produção de meia dúzia de longas-metragens nacionais. Procurei comparar o montante de dinheiro dos contribuintes gasto por filme apoiado com o respectivo número de espectadores.

Aparentemente todas as obras que obtiveram subsídios nos concursos de 2015 a 2018 ainda não estrearam, pelo que não existem dados de bilheteira.

Assim, tomei como exemplo o concurso de 2014 e os dois filmes que nesse ano tiveram cada um apoio do ICA de 600.000€.

Os números da imagem abaixo falam por si:

Cinema_Apoio

Ou seja, se em média um bilhete na sala de cinema custar 5€, o subsídio do estado é 34 a 47 vezes superior a esse montante por cada espectador.

Já agora, algum dos leitores do Blasfémias viu os filmes em questão?

Eu não. É como se tivesse ido ao cinema e fosse assaltado.

 

Nanny state

8 Fevereiro, 2019

21 de Agosto de 2009:  na praia Maria Luísa, um grupo de banhistas ignora o aviso “arribas instáveis” e instala-se junto às arribas.. Pelas 11h 30 a falésia desmorona-se. Morrem cinco pessoas. Três ficam feridas. Segundo os jornais terá sido a sombra a trair os banhistas que ignorando o aviso “arribas instáveis” procuram escapar do sol junto à falésia. Para lá do aviso junto à arriba era visível na praia  o monte de pedras caído na última derrocada.

Fevereiro de 2019: sabe-se que em Março vai ter lugar  o processo movido pelas famílias das vítimas contra o Estado a quem pedem uma indemnização civil de 911 mil euros . As famílias das vítimas consideram que existiu “omissão de deveres que competem ao Estado, através de diversos institutos, porque havia uma falésia que tinha de ser monitorizada para não constituir risco”. Apesar das placas colocadas a indicar risco, de acordo com os peticionários, “não foi avaliado o risco real do que poderia representar a queda da falésia”. Segundo estes, a queda do leixão deveu-se à sua instabilidade, provocada pelo desgaste na sua base, o que levou à falta de sustentação.

Confesso que não entendo: quando as famílias das vítimas alegam que “não foi avaliado o risco real do que poderia representar a queda da falésia” estão a falar de quem? Certamente que dos seus familiares adultos que tomaram a decisão de se abrigar do sol junto à falésia e que não só subestimaram a natureza instável da falésia como os avisos que lá se encontravam.

 

 

Desencontros

8 Fevereiro, 2019

Há muitos muitos anos, numa terra distante, vivia uma princesa de razoável beleza e impecável delicadeza de trato que ansiava por um futuro como empreendedora ao serviço de import/export gerador de crescimento. Na corte diziam-lhe para escolher um dos muitos príncipes que a cortejavam, mas a princesa Amélia não tinha feitio para namoriscos, preferindo concentrar-se nos estudos em engenharia das organizações, uma licenciatura mencionada pelo professor responsável, naquele tom jocoso e letrado típico de engenheiros, como enganaria das organizações.

Quando Hipólio, um conde ou barão bastardo e deveras efeminado, arrebatou o coração de Amélia, todo o reino celebrou o rompimento de hímen da princesinha, retuitando imagens dos lençóis que ilibaram, aos olhos da plebe, o noivo de anunciada incompetência. O alívio dos populares por Amélia não ser fufa acalorou corações embrutecidos com relatos ficcionados de contos de fada. Cedo, qualquer dúvida que teimosamente restara, foi dissipada com o aparecimento dos filhos. Os dias correram para semanas e estas tornaram-se em anos sem que a plebe notasse a crescente insatisfação sexual de Hipólito. Não havia baile de debutantes em que Hipólito não aparecesse, sorridente e tímido, para desempenhar a sua obrigação de pau-de-vassoura, sem que essa fosse a vida que desejara. No íntimo, as coisas não corriam bem. Hipólito queria ser feliz, queria adquirir uma identidade de género, ser algo mais que um estrelador de ovos e naná dos pirralhos enquanto Amélia tertuliava nas casas de chá. Hipólito queria ser Cátia Vanessa, vestir lantejoulas e uma cinta de liga rendada da Triumph.

Após a traição de Hipólito com um senhor moçambicano de origem árabe que vendia Henry Potters de contrafacção na feira, Amélia voltou aos estudos. Mãe de filhos, atingira a idade que permitiu — como permite a qualquer mulher quando a progesterona ameaça escassear — que se preocupasse com a aparência, com os vestidos cintados e com os acessórios condizentes com as pernas que entroncam para uma anca no pinaculo da desejabilidade masculina. Tornara-se, pela primeira vez, numa mulher verdadeiramente bonita.

Um dia, por infortúnio dos que acontecem nas calendas, ao desempenhar a sua habitual imitação noctura de uma Jane Eyre assanhada com a sua própria libido recalcada por marido apaneleirado, pisou bosta de cão, arruinando os Prada. Em casa, de joanetes no bidé e nádegas entaladas na berma da banheira, teve uma epifania: só cães cagam no meio do jardim, cadelas não, estas procuram o recato feminino da normatividade heteropatriarcal canina. Quanto mais pensava no assunto, mais se apercebia que os machos do planeta eram os causadores do infortúnio das fêmeas. Todos os machos, como Hipólito e o seu mais recente namorado, um engolidor de fogo de Vigo que se assumia ser mais versado em engolir espadas do que o que se espera de uma princesa da Rechousa.

A partir desse momento, tornou-se amarga. A sua anca perdeu fogosidade e alargou, fruto do tempo dispendido no sofá a marcar pontos de cada vez que um homem mata a mulher e sua filha. Tornou-se feminista e nunca mais ninguém a quis, o que fez com que passasse mais tempo a imaginar o que outros teriam dito do que a ouvir o que realmente disseram.

Enquanto Amélia continuou com o seu perpétuo enterro no negro sepulcro da solitária virtude, a população recorda os instagrams dos lençois de casamento, o momento em que, pela primeira e única vez, a princesa agora feminista destruiu, de verdade, o que restava de um homem.

O financiamento da oligarquia

8 Fevereiro, 2019

O presidente Marcelo, em mais uma das suas tiradas típicas de uma adolescência retardada, veio ajudar à narrativa recente contra o “crowdfunding”.

Não basta o Estado desvirtuar e subverter aquilo que é a verdadeira caridade, desresponsabilizando e esvaziando os indivíduos das suas opções morais de practicarem o bem e a solidariedade para com o próximo, transformando-a num instrumento ideológico e numa ferramenta de roubo, conhecida pelo nome de “estado social”.

É preciso também que todos os generosos donativos dos particulares sejam geridos, regulados e controlados pelo Estado.

A este propósito sugiro novamente nestas páginas que coloquem o volume do vosso computador ou telemóvel bem alto para ouvirem onze segundos de Daniel Bessa clickando no link abaixo:

“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (5)

8 Fevereiro, 2019

Sack_of_Rome_by_the_Visigoths_on_24_August_410_by_JN_Sylvestre_1890

 

A romanização do território deixou marcas que resistiram ao tempo, da Ponte de Trajano, que mantém em pleno século XXI toda a sua utilidade para os habitantes de Chaves, ao Direito Romano, cuja influência ainda se faz notar na nossa legislação. Outras, como as ruínas de Conímbriga ou o Templo de Évora, servem nos nossos dias para deleite dos olhos, para lições de História ao ar livre e para sacar importantíssimos euros aos turistas estrangeiros.

Os romanos, ao contrário de outros povos que os antecederam, não se limitaram a fazer da Hispânia um mercado para os negócios. Durante mais de quinhentos anos marcaram a região com a sua cultura e conhecimentos técnicos, civilizando-a à sua imagem. Tal como foi explicado com humor pelos Monty Python, se excluirmos os aquedutos, o saneamento, as estradas, a ordem pública e mais uma série de coisas, os romanos não fizeram nada por nós.

No século IV começam as grandes movimentações dos povos instalados nas fronteiras do império. Os hunos pressionam os godos, que acabam por atravessar o Danúbio e, uns anos depois, entram na Itália pela primeira vez. Em 406, vândalos, suevos e alanos cruzam o Reno e metem a Gália de pantanas; não satisfeitos, passam os Pirenéus e repartem a Hispânia entre si, deixando, no entanto, algumas áreas para os hispano-romanos.

Entretanto, Alarico e os seus godos conseguem saquear a cidade de Roma, extinguindo, nas palavras de São Jerónimo, a “luz mais brilhante de todo o mundo”. Uns anos depois, a sua “secção” ocidental, conhecida pelo nome de visigodos, estabelece um acordo com o governo romano e fixa-se na Aquitânia, a região gaulesa que fazia fronteira com a Ibéria.

Quando os alanos e os vândalos começam a atacar os territórios peninsulares que restavam a Roma, esta, ao abrigo do acordo que com eles tinha firmado, pede ajuda aos visigodos. Depois de muitos anos de escaramuças entre os diferentes povos bárbaros, a situação estabiliza-se da seguinte forma: os vândalos, acompanhados dos poucos alanos que sobrevivem ao embate com os visigodos, atravessam o estreito de Gibraltar e vão armar confusão para África; os suevos, a partir da cidade de Braga, controlam o noroeste da Península; e os visigodos, passo a passo, estendem o seu poder sobre tudo o resto, da Ponta de Sagres ao coração da Gália.

 

E o Socorro Vermelho o que era camaradas senão crowdfunding?

8 Fevereiro, 2019

O Presidente da República apontou problemas legais ao “crowdfunding” da greve dos enfermeiros e apoiou a requisição civil.

O primeiro-ministro avançou que terá de haver uma clarificação sobre a forma de financiamento das greves, numa alusão ao recurso ao financiamento dos sindicatos através de crowdfunding porque “não pode haver qualquer dúvida que manche a dignidade do movimento sindical”.

…E assim de um momento para o outro o direito à greve deixou de ser sagrado. Ora camaradas e camarados e camarades  não andaram anos a incensar o Socorro Vermelho? Que desmemoriados estão!!! O “crowdfunding” da greve dos enfermeiros é o Socorro Vermelho de hoje.  svi_5

 

In nomine sanctorum stultus

7 Fevereiro, 2019

Juntar as duas religiões, a católica com o veganismo, poderá fazer sentido numa ética ecuménica de proxenetismo moral. Vegetarianos ou carnofóbicos, no geral, como qualquer outro doente que padeça de maleita semelhante — como gimnofobia (medo de nudez) ou ancrofobia (medo de correntes de ar) — procuram aceitação social da sua idiossincrassia, ou, em linguagem moderna, “identidade”. Num mundo moderno, em que até os outrora-orgulhosamente-marginais procuram sanção para o seu comportamento perante a imaginária autoridade que é o Estado, não é de estranhar que malucos se dirijam à instituição que, no último século, se demonstrou mais inclusiva de todo o tipo de personagens.

Ouvindo qualquer criatura televisiva e a sua acérrima defesa de um sistema Jim Crow, seja para carros a gasóleo, seja para sacos de plástico, seja para carne, seja para leite de vaca, seja para liberais, seja para pessoas que não se sentem violadas com retroactividade de 30 anos após um acto que na altura pareceu boa ideia, seja para gordos, seja para pretos, seja para brancos, seja para católicos, seja para tudo que não seja a ideologia passageira da azeiteirada do buraco socialista em que estamos enfiados, a fusão “Papa das selfies” (não é esse, é o do Vaticano) com new-ageismo deprimente faz todo o sentido.

Vai, Francisco, vai.

O sagrado direito à greve está em vias de dessasacralização

7 Fevereiro, 2019

PS quer saber “quem paga e como paga” greve dos enfermeiros

Corre Avoila, corre para as televisões denunciando a nova PIDE  exigindo as listas dos grevistas, grita Arménio grita contra a Inquisição dos tempos modernos, Vasco Lourenço ameaça com os chaimites que não foi para isto que se fez o 25 de Abril,  Tordo emigra e aquela senhora dos reformados indignados ainda deve vir  a tempo de dar conta da sua indignação.

Dos tempos que correm

7 Fevereiro, 2019

Vaŕios jornais têm republicado a notícia que o El Pais republicou do El Periódico de Cataluña. A coisa resume-se assim: Nastasia Urbano ex-modelo que protagonizou várias campanhas que ficaram na memória dorme agora na rua. Nastasia chegou a assinar contratos no valor de um milhão de dólares por 20 dias de trabalho, vive agora nas ruas de Barcelona.

Esta é a típica historia que depois se descobre não ser exactamente assim. Nastasia diz ter sido arruinada pelo seu ex-marido. E diz que não quer ser um peso na vida dos dois filhos. Entretanto amigos lançaram uma campanha de recolha de dinheiro para a ajudar.

Mas mesmo que toda esta história seja exactamente como Nastasia a conta teremos de admitir que esta decisão de ir dormir para  a rua e esperar pela solidariedade  dos outros para não ser  um peso na vida dos filhos não é um bom princípio para uma nova vida.

Não só não é impossível como tem de acontecer

6 Fevereiro, 2019

António Costa: “Maioria absoluta é virtualmente impossível”

As fake news existem quando os resultados eleitorais não coincidem com as escolhas políticas da Lusa?

6 Fevereiro, 2019

combatefakenews.lusa.pt : As notícias falseadas, comummente conhecidas por ‘fake news’, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

a orfandade da direita

6 Fevereiro, 2019
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Em qualquer país europeu, os blocos políticos com aspirações ao governo organizam-se em dois, um que representa a esquerda, outro que representa a direita, partindo ambos do centro, onde invariavelmente se encontram os votos que desempatam e ganham eleições. Em Portugal, nas eleições que teremos este ano, sobretudo nas legislativas de Outubro, o cenário é o seguinte:

  • O PSD enjeitou a direita, diz-se um partido de centro e centro-esquerda, afirmando que prefere reduzir-se à insignificância do que ser identificado com semelhante coisa;
  • O CDS ultrapassou uma linha intransponível, que foi aliar-se ao fisco contra os cidadãos, abrindo as contas bancárias das pessoas com depósitos superiores a 50 mil euros à devassa dos agentes da nova PIDE. É uma linha intransponível e, sobretudo, indiciadora de uma predisposição inaceitável;
  • A Iniciativa Liberal costuma considerar a direita como uma manifestação de conservadorismo que o liberalismo não aceita;
  • A Aliança é um projecto meramente pessoal de Pedro Santana Lopes, onde não se viu, ainda, o vestígio de uma ideia que o seja;
  • O Chega, bom, o Chega é aquela coisa liderada por um comentador televisivo de futebol, cujo ponto programático fundamental parece ser a castração química dos pedófilos. Estamos conversados.

Isto significa que, pela primeira vez em democracia, nas próximas eleições legislativas, a direita não terá em quem votar. Que o PS as ganhará e se manterá no poder com a geringonça, ainda que, desta vez, provavelmente não se aguente uma legislatura. E que os partidos que tradicionalmente representavam a direita (PSD e CDS) ou que a poderiam passar a representar (IL e Aliança) levarão um banho que os condenará à insignificância e obrigará a que a direita se refunde.

Para isso, só vejo um nome possível: Pedro Passos Coelho. Ponham os olhos em Espanha e no que tem feito o Aznar.

Portanto a crise de 1383 e o “Matam o Mestre nos paços da rainha! Acudi ao Mestre que o matam!”passam a ser analisados à luz das fake news?

6 Fevereiro, 2019

Ministério combate “fake news” com formação de professores. Escola do Porto é pioneira

A propósito da amnésia de Vasco Lourenço

5 Fevereiro, 2019

Vasco Lourenço responde hoje no PÚBLICO a João Miguel Tavares a propósito de um texto que JMT escreveu sobre Marcelino da Mata. Para lá do extraordinário esquecimento de Vasco Lourenço de si mesmo – Marcelino da Mata, segundo Vasco Lourenço, combateu na “guerra colonial” não esclarecendo em que guerra combateu ele mesmo, Vasco Lourenço, e já aqora que actos tem para recordar. – Mas voltemos a Marcelino da Mata e à tortura de que este foi vítima em 1975.
Como Vasco Lourenço não pode deixar de saber entre as pessoas que torturaram Marcelino da Mata encontravam-se civis e também militares. Aliás os militares estiveram presentes logo na captura das pessoas que nesses dias foram torturadas no RALIS e o RALIS como Vasco Lourenço ainda não deve ter esquecido era um quartel, logo os militantes civis do MRPP não entravam lá dentro transportando outros civis em viaturas militares só porque achavam que aquele local era melhor para interrogatórios do que a vivenda do Restelo onde tinham começado a torturá-los.
Aliás Marcelino da Mata tem repetido que enquanto foi torturado estiveram presentes o tenente-coronel Leal de Almeida, comandante no RALIS, e o capitão Quinhones.
E a não ser que a amnésia seja mesmo galopante Vasco Lourenço também não deve ter esquecido o que queriam saber os civis e militares que de 15 a 17 de Maio de 1975 torturaram Marcelino da Mata e outros sequestrados como o ex-fuzileiro José Jaime Coelho da Silva e sua mulher Natércia Coelho da Silva, o juiz Francisco José de Abreu Fonseca Veloso e o seu filho, o aspirante José António Veloso.
Aquilo que os torturadores pretendiam obter eram as provas da ligação de militares como Jaime Neves e Salgueiro Maia à chamada rede reaccionária. Obviamente também procuravam a confirmação da proximidade de Arnaldo de Matos com os reaccionários (A luta entre a linha negra chefiada por Saldanha Sanches e a linha vermelha liderada por Arnaldo Matos estava a ocorrer: dentro de meses Saldanha Sanches sairá do MRPP e escreve um livro demolidor intitulado O MRPP instrumento da contra-revolução.)
Em resumo, os esquecimentos de Vasco Lourenço são a forma mais rápida de não se confrontar com a degradação a que em 1975 tinham chegado as Forças Armadas.
Não deixa ainda de ser comovedor que Vasco Lourenço ao descrever o papel de Dinis de Almeida no retirar os presos do RALIS diga que estes os levou “para lugar seguro”. Certamente também esqueceu que o “lugar seguro” era a prisão de Caxias. Ironia, não é? Um ano depois do 25 de Abril a prisão de Caxias tornava-se o “lugar seguro” onde se colocavam algumas pessoas a salvo da violência revolucionária.
Os presos, à excepção de Natércia Coelho da Silva, que entretanto fora colocada em liberdade e deixada pelos militares do RALIS na gare de Santa Apolónia, acabariam por ser levados de facto para “o lugar seguro” de Caxias, sendo que no caso de José Jaime Coelho da Silva o seu estado de saúde degradara-se a tal ponto que ainda foi levado ao Hospital de Santa Maria, onde entra com um nome falso e com a indicação de que sofrera um acidente de viação. Como o médico que o observa o quisesse internar, os militares levam-no para o Hospital Militar Principal e daí para Caxias. Entra ali a 19 de Maio. Tal como acontece com os outros transferidos do RALIS é colocado em rigoroso regime de incomunicabilidade durante meses.


Obs. Estes e outros factos foram por mim tratados no artigo “Morte aos traidores!”

Venezuela – Portugal

4 Fevereiro, 2019

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Deve ser pela cor da minha pele

3 Fevereiro, 2019

Ser jornalista hoje, salvo algumas excepções, não é relatar factos com isenção e seriedade. É aldrabar, manipular, distorcer, contornar, fabricar “verdades” alternativas. Só não vê quem “usa palas”. Qualquer cidadão atento tropeça diariamente neste lixo jornalístico que promove agendas políticas ligadas ao sistema mas diz-se independente. Tropecei esta semana em vários textos execráveis de tão falaciosos que são. Sobre o quê? Racismo, pois está claro, o tema favorito dos partidos que promovem o vitimismo como meio de subsistência.

O primeiro tropeção foi com Fernanda Câncio essa pérola jornalística que se contorce mais que as minhocas sempre que quer fazer valer um ponto de vista mesmo que sem pontas por onde se pegue. No seu texto “45 Anos de negação” conta a história do “pobre e indefeso” Helder Amaral deputado do CDS que em entrevista lhe revelou ter sido alvo de “racismo” e das implicações que isso teve na sua vida. Sem colocar em causa o depoimento de Helder Amaral, esse mesmo testemunho, poderia ser de qualquer outro cidadão de outra cor qualquer, de outra religião qualquer, com deficiência física, com óculos graduados, pobre, com obesidade ou magreza. Qualquer um. Mas, claro está, o que importava à jornalista era fazer passar a mensagem de que em Portugal temos “muito racismo”. Porém, e para quem não sabe, esta mesma jornalista tinha entrevistado Camilo Lourenço sobre o mesmo tema. Mas este, ao contrário de Helder Amaral, não se vitimizou pela cor. Referiu apenas que os ataques que sofreu não foram por racismo mas por estupidez humana e que essa estupidez existe em todo o lugar. Deve ter sido por isso que Câncio não o quis mencionar neste seu texto. Pois claro, estragava a narrativa vitimista que se pretende e assim  não dá para crucificar os portugueses. Pois é, mas o facto é que:  Helder Amaral é deputado; António Costa é primeiro ministro; Van Dunem é ministra da Justiça;  Quaresma joga na primeira liga; PS tem uma deputada cigana; Patrícia Mamona é atleta medalhada no atletismo;  Anselmo Ralph vende milhões de discos; Mamadou Ba é assessor no Parlamento!!!! E tantos tantos outros!!! Se houvesse racismo em Portugal, jamais teriam chegado tão longe.  

O segundo tropeção foi no texto do Daniel Oliveira no Expresso, outro obcecado em mostrar racismo em Portugal à força toda. Diz ele no seu texto ” A Bosta do racismo” : (…)Mamadou Ba permitiu que este país, que o Estado Novo ensinou que era excepcionalmente tolerante, exibisse finalmente o seu racismo sem filtro. Ou seja, entende esta criatura que as reacções ao comentário de Mamadou onde incita ao ódio e rotula os policiais de “bosta da bófia” mostram “racismo” e são despropositadas porque coitadinho até nem quis insultar, “nós” é que empolamos as coisas. Esqueceu-se claro, de dizer que enquanto alguns reagiam às declarações deste assessor do Parlamento de forma efusiva (em resposta às palavras execráveis do Mamadou), do outro lado da barricada, jurava-se morte aos portugueses e dizia-se textualmente”  Tugas, vocês são uns merdas, não valem nada. Vocês são um lixo de pessoas. Estamos aqui para vos tirar tudo, o vosso trabalho, o vosso dinheiro, as vossas mulher” e multiplicavam-se comentários nas redes deste género contra os portugueses. Também se ignora que Mamadou em suas palestras fez exactamente o mesmo com nosso legado histórico e cultural e exigiu o fim da GNR e PSP. Daniel só mostra o que lhe convém porque também ele trabalha para o sistema.

Depois veio o terceiro tropeção. No texto de quem? Só podia ser do tio Anacleto Louçã que no Expresso (este jornal colecciona-os a todos!) entrou a correr salvar Mamadou  no texto “A política suja contra Mamadou” onde passa uma esfregona nos factos para tornar este senhor numa vítima. De quê? Ora de racismo, claro. Está na moda e traz votos às  extremas esquerdas marxistas mentirosas.

Porém, na África do Sul, os brancos não têm sequer acesso a cuidados hospitalares, nem podem possuir bens, são desprovidos de quaisquer direitos humanos. Isto sim, É RACISMO e praticado por NEGROS. Mas Câncio não vê interesse em falar sobre isto. Nem Daniel Oliveira, nem Louçã, nem o Expresso porque é racismo sobre brancos.

Fica assim claro que,  sobre este tema, só falam meias verdades. E meia verdade não é uma verdade. E o jornal Expresso promove este “jornalismo independente” de forma consciente. Ainda esta semana publicou um artigo intitulado   “Mulher negra alvo de violência no metro na Suécia” onde não teve qualquer problema em fazer destaque da cor e da violência. Mas esqueceu-se de destacar que se tratava de alguém que se recusava a pagar e a sair da carruagem obrigando ao uso da força. Mas já noutro artigo “Trinta suspeitos furtam artigos desportivos em centro comercial do Carregado” omitiu a cor e teve o cuidado de referir que no furto à loja não houve agressões nem ameaças aos funcionários. Portanto, fizeram passar a mensagem de uma actuação agressiva das autoridades sobre uma negra, no primeiro artigo e um assalto de 30 pessoas, sem cor,  “muito pacíficas”, no segundo. Este jornal deve pensar que comemos gelados com a testa.

Enquanto isso, eu que sou branca e portuguesa desde que nasci,  trabalhei ao volante de um empilhador numa fábrica de blocos,  nas limpezas,  no apoio domiciliar a idosos, passei a ferro para fora,   guardei crianças e que para ter o que tenho tive de fazer muito calo desde os 17 anos ( que ainda se vê nas minhas mãos), até hoje,  nunca tive a “sorte” de ter um lugar altamente destacável, altamente remunerável sem mexer muitos músculos, como essas “vítimas de racismo” – Mamadou Ba e Helder Amaral – em Portugal.  Deve ter sido pela cor da minha pele.

 

 

Regionalização: boa para os políticos, péssima para Portugal

3 Fevereiro, 2019

Em 2019, políticos e beneficiados do regime querem aprovar na secretaria o que o povo chumbou em referendo: a regionalização. Porquê? Porque não querem governar. Querem salvar a face e a sua vidinha. A presente classe política comprometeu-se com aquilo que sabe não ser possível garantir, teme uma nova crise e acredita que a regionalização pode ser em 2019 aquilo que a entrada na Europa foi nos anos 80: o desígnio que libertou a classe política portuguesa de se confrontar com o seu óbvio falhanço enquanto governante.
Temos pena, mas desta vez não vai haver desígnio. Os políticos portugueses se querem tratar da sua vida façam-se a ela. Mas para salvarem a sua face não nos criem problemas que não temos
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Uma pergunta: e se considerarmos a ministra como uma interrupção da gravidez mal sucedida?

31 Janeiro, 2019
É só uma pergunta. Somos intelectuais, podemos questionar, não podemos?

“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (4)

31 Janeiro, 2019

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Durante o longo reinado de Augusto, figura maior da implantação e alargamento do Império Romano, a Península Ibérica é dividida em três províncias: a Bética, que reunia uma grande parte da actual Andaluzia e uma parcela da actual província de Badajoz; a Lusitânia, que compreendia todo o actual território português a sul do rio Douro e uma boa parte da actual zona de fronteira ocidental de Espanha; e a Tarraconense, a gigante província limitada pelos Pirenéus, pelo Mediterrâneo e pelo Oceano Atlântico, que era aquela onde se encontrava o actual território português a norte do Douro. Todas as cidades que lhes serviram de capital falam, nos nossos dias, espanhol (Tarragona, que liderava a Tarraconense, gosta mais de falar catalão, mas isso é um outro assunto, tão complicado que acho melhor não me meter). Só com a reforma administrativa do Imperador Diocleciano, que dividiu, três séculos depois, a Tarraconense em três províncias – Tarraconense, Cartaginense e Galécia –, é que Bracara Augusta (Braga) assumiu esse estatuto. Com essa nova configuração, todo o futuro Portugal a norte do Douro passa a pertencer à Galécia, e Braga é a capital de todo o noroeste peninsular.

Temos assim que a Lusitânia, terra que tantos tentaram fazer coincidir com Portugal, tinha a sua capital, Mérida, no actual território espanhol. Além disso, e ainda mais sintomático, a pátria de Viriato nunca encerrou em si as áreas localizadas a norte do Douro, onde se encontram alguns dos lugares mais importantes no processo de fundação da nacionalidade. Guimarães, por exemplo, fez parte da província Tarraconense, primeiro, e da Galécia, depois; o Porto, de onde “houve nome Portugal”, também nunca pertenceu à Lusitânia; e Braga, cuja importância eclesiástica se revelou fundamental nas manobras independentistas, muito menos.

 

Festa com ácidos

29 Janeiro, 2019

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Por mero acaso, fui parar a uma página na internet sobre o evento promovido em Outubro passado pela Câmara Municipal do Porto chamado “Politics of Survival”. Percebi que tal iniciativa se insere no PLÁKA que é algo que “reúne projetos que consubstanciam a política municipal de apoio à prática artística contemporânea no Porto, dando forma às iniciativas“.

Confesso que só dediquei mais de 15 segundos a isto porque verifiquei que o “Politics of Survival” foi produzido pela Visões Úteis que, como sabemos, tem Catarina Martins como Presidente da Mesa da Assembleia Geral, foi fundada pelo marido da líder do Bloco de Esquerda, o respectivo director artístico e director financeiro é sócio de Catarina Martins na Cassiopeia cuja sócia maioritária é a coordenadora distrital do BE no Porto.

Ora bem, mas afinal o que é (ou foi) o “Politics of Survival”? Eles explicam:

“Politics of Survival tem o intuito de ativar e transmitir conhecimento, procurando nessa transmissão formas de emular os trajetos e fluxos das próprias ruas, baldios, praças e vistas. A cidade performa-se, o conhecimento também. A cidade alberga, o planeta também. Pensar a dimensão política da transmissão do conhecimento não podia deixar de implicar pensar o modo como nos posicionamos no mundo hoje. Enquanto seres humanos, procuramos sobreviver em múltiplos sentidos, conscientes de uma humanidade que se dissipa pelos cantos do mundo, transformando-os; conscientes de um clima cuja imprevisibilidade nos inquieta; de um conhecimento cuja própria sobrevivência queremos analisar. Enquanto produtores de arte e de pensamento, interrogar-nos-emos sobre os modos como as nossas práticas artísticas, individuais ou coletivas, ou como as pesquisas que fazemos e os textos que escrevemos podem transformar algo tão vasto como um planeta inteiro. Para se interrogarem connosco, chamámos filósofos, artistas, realizadores, arquitetos, geógrafos, urbanistas, ativistas, flanêurs e flaneuses. Recusamos o formato de aula ou palestra, interessa-nos antes a ideia do contacto direto, sem rede, sem teatralidade hierarquizante. Por isso o projeto abrange registos oficinais, conversas em círculo, derivas e videoscreenings, em busca de fios condutores que apontem soluções sem desenhar fechamentos.”

Ao contrário de mim, os leitores do Blasfémias terão certamente percebido do que se trata.

Envergonhado com a minha parolice, consultei um amigo entendido nestas coisas das artes que me disse que provavelmente se tratava de uma festa com ácidos.

Eu só sei que a Câmara Municipal do Porto entregou 20.000€ à Visões Úteis em ajuste directo de 12-09-2018 (fonte: base.gov) a coprodução e realização deste projeto.

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A errada privatização do que é público

29 Janeiro, 2019

Em Maio de 2018 a empresa Ernst&Young terminou uma Auditoria à CGD, empresa pública,  relativa ao período 2000/2015 entregando o respectivo Relatório, ao que sabe, à CGD, ao Governo e ao Banco de Portugal.

Tal auditoria foi paga com dinheiros públicos, tendo custado acima de 700 mil euros. O seu objectivo seria averiguar de eventuais irregularidades de funcionamento em concessão de crédito, isto é de dinheiros públicos que se transformaram em dívidas públicas. Estava igualmente em causa perceber-se porque havia sido alegada a necessidade injectar 5 mil milhões de dinheiro público. 

O Banco de Portugal, o Ministério das Finanças, a Caixa Geral de Depósitos, as Comissões de Inquérito, são todas instituições públicas, funcionando com dinheiro dos contribuintes, todos os documentos por si produzidos são por natureza públicos, salvo segredo de estado, o que não é o caso.

E apesar disso, de tudo ser público, de toda a informação relativa ao gasto de dinheiro públicos ser por natureza pública para o devido escrutínio e prestação de contas, a única coisa que se desconhece e que se tornou privada é o Relatório de Auditoria produzido pela E&Y.

Como é óbvio a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial vai avançar com uma queixa contra Mamadou Ba por racismo pois os mexicanos autores de novelas também são gente

29 Janeiro, 2019

Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo: “Não vou alimentar mais esta novela mexicana.”

De igual modo aguarda-se o vivo protesto por parte da embaixada do México e sob o lema “Não ao muro no mundo das novelas” “Não à discriminação da novela mexicana”  espera-se pelas manifestações destas associações* que habitualmente acompanham o SOS Racismo nas suas denúncias. Note-se que em causa está a discriminação de Mamadou Ba face às novelas e dentro destas às novelas mexicanas. Uma dupla discriminação portanto. Gritemos todos “A novela também é Literatura e a novela mexicana Literatura é. ”

A saber: Afrolis – Associação Cultural;  GTO Lx – Grupo de Teatro do Oprimido; MUXIMA; FEMAFRO – Ass. de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes; DJASS – Ass. de Afrodescendentes; Observatório do Controlo e Repressão; Casa do Brasil; CAIPE – Coletivo de Ação Imigrante e Periférica; Consciência Negra; Socialismo Revolucionário; SOS Racismo; Plataforma Gueto; Nêga Filmes; Ass. Cultural Moinho da Juventude; Associação Muticultural do Carregado; Khapaz – Associação Cultural de Jovens Afodescententes; Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (SOLIM); Associação Passa Sabi; Associação dos Filhos e Amigos de Farim (AFAFC); APEB – Ass. de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros de Coimbra; Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau de Coimbra; Letras Nómadas – Ass. de Investigação e Dinamização das Comunidades Ciganas; Em Luta; Teatro Griot; INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal; Associação Nasce e Renasce; Associação Krizo; A Gazua; Coletivo Chá das Pretas; Festival Feminista do Porto; A Coletiva; Núcleo Antifascista de Braga; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Braga); STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center; AIM – Alternative Internacional Movement; Banda Exkurraçados; Hevgeniks; Kalina – Associação dos Imigrantes de Leste; Comunidade Bangladesh do Porto; União Romani Portuguesa; AMEC – Associação de Mediadores Ciganos; CIAP – Centro Incentivar a Partilha; Associação Mais Brasil; Coordenadora Antifascista Portugal; Associação Saber Compreender; GAP – Grupo Acção Palestina; GERA – Grupo Erva Rebelde Anarquista; Existimos e Resistimos; Rede Ex aequo; Porto Inclusive; Disgraça; Nu Sta Djunto; Outros Ângulos; Assembleia Feminista de Coimbra; UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta (Coimbra); Txiribit; Projeto Aparte; Instituto das Comunidades Educativas (ICE); Ass. Desenvolvimento do Minho Rural (ADMIR); Coletivo Tuía de Artifícios; Associação Cultural e Recreativa Estrela da Lusofonia; Sindicato dos Estudantes; Associação Actividade Motora Adaptada; ILGA – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo.

Antes de ser banido das escolas, aprendíamos que o Parvo não ia para o Inferno

29 Janeiro, 2019

Há uma tasca, pequena até para o enquadramento semântico da palavra “tasca”, que costumo frequentar. Possuo inúmeros motivos para a actividade, mas, para efeitos de síntese, posso resumir a apetência pelo mencionado estabelecimento como uma cuidada e aturada investigação da imbecilidade humana, a começar, obviamente, pela minha própria. Há coisa de um dia, outro dos regulares, que designarei por Albertino para proteger a privacidade do Zé João, estava com uma conversa daquelas conversas que só se conseguem ter em pequenas tascas:

– A sério, juro, pá! Carros a gazóil num bão baler nada! Bai ser tudo a pilhas, pá!

Perante a risota da plateia, entre mais uma pinga e um arroto, vou constatando que a democracia é um perigo: e se o Albertino, por obra e graça de meros chupanços de ego – ou do que quer que o Poder goste – acabasse num cargo governamental?

Um funcionário público, um voto (no PS)

29 Janeiro, 2019

Só a Função Pública escapou aos cortes de Centeno em 2018. Balanço da execução orçamental do último ano revela cortes em todas as despesas orçamentadas para 2018, com exceção dos gastos com pessoal, que aumentaram.

Como?

28 Janeiro, 2019

DN: «Três alemães e uma austríaca conseguiram entrar ao princípio da noite deste domingo no perímetro da base naval de Lisboa, no Alfeite, confirmou ao DN o porta-voz da Marinha. O comandante Pereira da Fonseca explicou que os estrangeiros conseguiram entrar naquela área militar vindos do Seixal e foram detetados junto à Ponta dos Corvos. Tanto o oficial como as fontes do DN desconheciam a identidade dos quatro intrusos e quais as razões para terem entrado no perímetro da base»

CDSocialista

28 Janeiro, 2019

A propósito do tecido empresarial privado exportador e enquadrado em tema relacionado com os possíveis efeitos negativos do Brexit para Portugal, Assunção Cristas lamentou hoje em Guimarães que “o Governo não tenha nenhuma política dirigida para garantir e estimular o crescimento económico“.

Para um não-socialista o crescimento económico passa por o Estado sair do caminho e, precisamente, não ter “políticas de estímulo”.

Além do mais, um não-socialista não quer o Estado a beneficiar sectores específicos da sociedade em detrimento de todos os outros.

A este título convém lembrar que existem 800 mil empresas individuais e 400 mil sociedades em Portugal, mas apenas 25.000 são exportadoras. Equivale a dizer que só 2,1% de todas as empresas portuguesas (ou 6,2% das sociedades) têm relações comerciais com o exterior. Destas últimas, apenas uma minoria tem trocas com o Reino Unido.

Sabe-se também que 8 em cada 10 funcionários ao serviço das sociedades trabalham em empresas que operam apenas no mercado nacional.

Que razões apresenta o CDS para que o dinheiro dos contribuintes seja canalizado para apoiar uma ínfima parte das empresas portuguesas?

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Bloqueada no Facebook por mensagem de ódio que não é minha!

28 Janeiro, 2019

Acabo de ser bloqueada pelo Facebook sob a alegação de que proferi mensagem de ódio e que essa viola os princípios desta comunidade. Ora isto faria sentido se de facto o tal discurso de ódio tivesse sido proferido por mim. Mas não foi. A publicação que deu origem a este bloqueio é um vídeo (veja aqui) de um personagem que vomitava ódio contra os portugueses e disse textualmente isto: ” Tugas, vocês são uns merdas. Tugas vocês são uns merdas, não valem nada. Vocês são um lixo de pessoas. Estamos aqui para vos tirar tudo, o vosso trabalho, o vosso dinheiro, as vossas mulheres.”  Exactamente isto que acabam de ler. Este vídeo foi integrado num artigo  de um jornal online e eu… limitei-me a partilha-lo sem acrescentar mais nada. Resultado? A PIDE do Facebook, ao invés de meter o infractor autor deste vídeos na “solitária”, mete quem o denunciou. Faz sentido? Sim. Porque a censura voltou e com mais força que no Estado Novo.

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Enquanto eu sou bloqueada por denunciar e mostrar discursos de ódio produzidos contra a comunidade portuguesa, os meninos racistas e instigadores ao ódio do BE, Mamadou Ba e Joana Mortágua, andam aí livres e soltos, sem qualquer censura,  pela rede social,  a fomentar ideais radicais que fizeram tumultos e destruição por 5 dias consecutivos e sem fim à vista. Mais: os ataques são contra as autoridades de segurança e até bombeiros o que é gravíssimo. Mas tudo tranquilo neste país de bananas.

Mamadou Ba foi explícito quando chamou de “bosta da bófia” na rede social; Joana Mortágua foi explícita quando instigou contra as autoridades policiais sem inquérito prévio para apuramento dos factos. Ambos foram contra os princípios da comunidade facebookiana mas não têm acesso bloqueado à rede nem ao Parlamento. Digam lá se isto já não é uma anarquia, esse sonho molhado do BE?

A palavra de ordem é inverter valores. Na sociedade inteira. O que é correcto passou a ser condenado. O que é errado passou a ser louvado. Quem prevarica já não é quem instiga ao ódio, é quem o denuncia. E porquê? Porque querem provocar uma anarquia para que no meio do caos social surja um salvador que irá impor uma nova ordem social. Quem? Eles próprios, claro. É o plano já em marcha por décadas, iniciado por Gramsci e retomado pelas extremas esquerdas representadas aqui em Portugal pelo BE. São estes e só estes, que deixaram a luta revolucionária do proletariado e agora seguem a luta pelo marxismo cultural, essa peste que se infiltrou na sociedade através da escolas, jornais, revistas, as televisões, as rádios, para criar a sociedade ideal de “carneiros amestrados” incapazes de pensar por si e completamente dopados pela ideologia do pensamento único.

Mas não nos vão calar. Não vão conseguir essa sociedade podre sem valores nem ordem. Não vão! Cada vez que tentarem silenciar, ressurgiremos como uma fênix  com mais força, mais vontade, mais determinação para acabar com esta podridão que vegeta já por demasiado tempo no Parlamento. É hora de limpeza. E vamos limpar Portugal deste lixo!

Aguardem.  #NaoNosCalamos