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“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal

18 Fevereiro, 2019

Por razões que não poderia prever quando iniciei esta série (boas e agradáveis razões, contudo), terei de a suspender por uns meses. O tempo não estica, mas prometo regressar.

 

Não, não pode ser fake

18 Fevereiro, 2019

O Polígrafo veio provar a falsidade de vá rias notícias sobre Guterres: António Guterres alvo de notícias falsas em série Creio contudo que o Polígrafo não analisou bem. A notícia que dizem falsa sobre a morte de Guterres não pode ser falsa. Ou então é apenas um bocadinho falsa: Guterres pode não ter morrido mas está pelo menos criogenizado à espera que a crise da Venezuela passe.

Uma sugestão para a página de agit-prop da Lusa

18 Fevereiro, 2019

Tendo em conta a fraca produtividade da página da Lusa dedicada às fake news venho sugerir que se dediquem ao caso Claas Relotius. Vem tudo contadinho no querido El País E já foi contado em Portugal pelo PÚBLICO. Não sei  é se esta fake news interessa à Lusa.  Mas esse já é outro assunto.

A mulher de César

17 Fevereiro, 2019

Ao longo da sua vida profissional Nelson de Souza tem alternado entre a posição de decisor sobre quais os montantes e a que entidades atribuir subsídios comunitários e a de dirigente das entidades beneficiárias desses fundos, conforme se poderá verificar pela consulta do curriculum abaixo transcrito.

É o equivalente a um ministro das obras públicas sair do Governo e ir trabalhar directamente para uma das maiores empresas de construção de empreitadas adjudicadas pelo Estado.

Curioso será assistir à forma como o futuro ministro se envolverá no processo da já prometida expansão da FIL para acolher a Websummit, situação que fará a síntese completa de todos os potenciais conflitos de interesses entre as entidades pelas quais passou: Governo-Fundos Comunitários-Câmara Municipal de Lisboa-Associação Industrial Portuguesa.

À mulher de César faltava qualquer coisa.

A Nélson também…

#MDU plano100-02

 

  • (Nov 2015 – Fev 2019) – Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão;
  • (Fev 2014- Nov 2015) – Diretor Municipal de Finanças na CML – Câmara Municipal de Lisboa;
  • (Nov 2013-Fev 2014) – Assessor do Vice Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
  • (Fev 2012- Nov 2013) – Diretor Geral na Associação Industrial Portuguesa;
  • (Julho 2007- Fev 2012) – Gestor do programa COMPETE/QREN
  • (2005-2007) – Gestor do PRIME – Programa de Incentivos à Modernização da Economia;
  • (2002-2005) – Membro da Comissão Executiva da Associação Industrial Portuguesa;
  • (2001-2002) – Presidente da Comissão Executiva do Movimento Têxtil e do Vestuário;
  • (2000-2001) – Secretário de Estado das Pequenas e Médias Empresas, do Comércio e dos Serviços do XIV Governo Constitucional;
  • (1996-2000) – Administrador do IAPMEI, com responsabilidades nos programas POE, PEDIP II e IMIT;
  • (1995-1996) – Chefe de Gabinete do Ministro da Economia do XIII Governo Constitucional;
  • (1977 – 1995) – Subdirector-geral na Direcção-Geral da Indústria, onde foi responsável dos primeiros programas de apoio à indústria – “Missões de
    Produtividade” do PEDIP I, PRISMA e RETEX

 

 

Enquanto andamos tão inteligentemente a discutir o liberalismo mais o conservadorismo e sei lá mais o quê…

17 Fevereiro, 2019

o governo do país torna-se um assunto de família e em família. Muito significativamente a relação de parentesco  da nova ministra é omitida. Vão dizer que não é relevante? Por sinal acho que sim, que é. Por outro lado recordo muito bem as críticas a outras remodelações: os nomes escolhidos mostravam que o líder já não conseguia renovar, eram sempre os mesmos, não se ia buscar gente de fora, os assessores passarem para o governo era sinal de decadência…

liberalismo, desconcentração e descentralização

17 Fevereiro, 2019
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Embora compreenda as intenções – certamente as melhores! – não me parece que um programa político que se centre em exigências da desconcentração e descentralização da soberania deva ser o cerne de um programa liberal. Quer a primeira quer a segunda são simples técnicas de repartição de competências e funções soberanas, obedecendo, a primeira, a pressupostos de eficácia do aparelho de estado, ao passo que a segunda acredita que o poder exercido na proximidade dos seus destinatários é mais compreensivo e humanizado (subsidiaridade). Todavia, no essencial, permanece o problema que deve apoquentar os liberais: o poder do estado, as funções que exerce e as competências que detém, não só se mantém incólume, como é até ampliado, por ser melhor administrado.

Um programa liberal não deve, por isso, assentar em tornar o estado mais eficaz, mas em reduzir os seus poderes e competências. Precisamente o inverso daquilo a que conduzem a desconcentração e a descentralização.

A coisa

17 Fevereiro, 2019

A coisa descreve-se com facilidade: 23 andares, cada um com 14 apartamentos. Este é um dos edifícios que a CML se propõe construir em Benfica ao abrigo do Programa Renda Acessível. Com o arrendamento transformado na terra da intervenção socialista programas não faltam: ele é o o recente Direito Real de Habitação Duradoura e o fantástico Programa Chave na Mão, Este último vale a pena ser detalhado:  destina-se aos proprietários de casas em Lisboa ou Porto que queiram ir viver para o interior. De caminho, entregam a sua casa ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) para que este proceda ao seu arrendamento a custos acessíveis. Alguém sabe quantos foram até agora os portugueses, dignos sucessores dos Gamas e dos Cabrais de antanho, no que ao espírito aventureiro respeita, que arriscaram tal empreendimento?

para que serve o liberalismo?

17 Fevereiro, 2019
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imagesO que é o liberalismo, uma teoria do estado e do governo ou uma teoria sobre o governo e o estado? Um programa de acção política para conquistar o poder e, uma vez lá, transformar a sociedade e o estado com «políticas liberais», ou um conjunto articulado de pressupostos e ideias que, sendo bem assimiladas pelas pessoas no tecido social, impedem que o estado e os governos façam delas o que lhes apetecer? Por mim, não hesito pela segunda hipótese: o liberalismo não é uma ideologia política que sirva para conquistar o poder soberano e criar um estado virtuoso e um governo de sábios imunes ao fascínio da política e do poder, mas uma filosofia que explica às pessoas que elas terão mais vantagem em fazerem-se à vida, em vez de ficarem à espera de um governo que, com mais ou menos «liberalismo», cuide da vida delas.

É por isso que nunca acreditei em partidos liberais, embora sempre me tenha parecido importante que existam liberais em todos, ou quase todos, os partidos e até mesmo que grupos de pessoas que se consideram liberais se estruturem partidariamente. As ideias podem influenciar, a montante e a jusante, quem esteja disposto a fazer um esforço de compreensão, e é obviamente melhor que muitos liberais possam chegar ao governo e influenciá-lo, ainda que dificilmente se mantenham liberais, por muito tempo, a determinar o sentido da vida dos outros. Por isso, há que não perder de vista que um partido será sempre um meio de conquista e de conservação do poder público, repito e sublinho, do poder público, para com ele tomar decisões soberanas, isto é, dotadas de ius imperii, enquanto que o liberalismo serve exactamente para que as pessoas ditas comuns se possam precaver desse tipo de poderes.

Dizendo isto, e distinguindo o que, na Iniciativa Liberal, há de genuíno e autêntico das naturais pequenas e grandes ambições que sempre existem por estes meios, reconheço como meritório o trabalho que o Carlos Guimarães Pinto por lá tem feito, não excluindo, até mesmo, o voto nessa simpática agremiação, convencido, como estou, de que o que a poderá salvar é que nunca chegará às proximidades da verdadeira soberania. Se se ficar à porta e for capaz de manter um discurso inteligente, poderá ser influente sem ser mal influenciada, cumprindo, desse modo, a sua missão. Se se levar demasiadamente a sério, como partido um partido detentor de um projecto salvífico de Portugal, estará o caldo entornado.

Já se reformavam as ideias permanentes de reforma

16 Fevereiro, 2019

Foi com supresa que li a notícia n’O Observador de que “a Iniciativa Liberal quer ex-Primeiro-Ministro da Estónia a pensar a reforma do estado português”. Em primeiro lugar, porque não falta gente a pensar a reforma do estado português: estou até em crer que, se há uma característica única que define “o português”, é essa maravilhosa capacidade de pensar o país, o estado e o regime entre uns copos de vinho e uma dentada na carne apensa a uma costelinha assada; em segundo, porque com tanta gente a pensar o estado português em Portugal sem qualquer faísca, não há-de ser um individuo nascido na ex-URSS que vai conseguir pensar porque passam os portugueses tanto tempo a pensar “na reforma do estado português”. Pista: é porque sim.

A expressão “reforma do estado português” tem um de dois significados: ou somos ingénuos ao ponto de acharmos que estamos mesmo a acreditar que podemos reformar o estado português — e aí significa “somos ingénuos”; ou, a mais comum, “vamos fingir que estamos aqui a fazer alguma coisa sabendo que não estamos”, porque, naturalmente, nem o regime é reformável, pelo que muito menos será o bicho monstruoso que é a administração pública. Quando procuramos um desígnio para o país, convém termos consciência que o país já tem um desígnio primordial: continuar a existir para manter a administração pública. A nação é essa mesmo: o que quer que tenha que existir para manter a máquina pública a funcionar. Esquerda, direita, centro, em cima ou em baixo é tudo a mesma coisa: maestros que conduzam a administração pública até à paragem seguinte.

A Iniciativa Liberal só tem uma mensagem possível sem se arriscar a nadar em águas profundas onde não tem pé: vocês, os portugueses, vós pagais impostos demasiado altos para manter um número crescente de pançudos. Tudo o que sejam ideias além desta é admitir que os pançudos seguintes podemos ser nós.

E esta violência é de quê?

14 Fevereiro, 2019

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Mulher estrangulada em roubo a pastelaria Assaltantes com pistola e martelo aplicaram golpe de ‘mata leão’ que deixou funcionária inanimada. Caso ocorreu em Santa Maria da Feira.

Simbolismo da opressão

14 Fevereiro, 2019

14 de Fevereiro, dia da sopeira

14 Fevereiro, 2019

Hoje é quinta-feira. Para muita gente, também é o “dia dos namorados”. Não me incomoda que seja dia dos namorados: se fosse uma daquelas patas chocas feministas poderia estar indignado, mas como isto não é sobre mim, não tendes nada a ver com o meu gosto ou repúdio por dias convencionados para celebrar seja o que for. Contudo, também é dia para pessoas, que na ausência do vil heteropatriarcado nasceriam sopeiras — o que, admito, seria de elementar justiça social — e assim nasceram urbanas com coração sangrento por ideias românticas da pastoral vida no bairro social, se indignarem com o crescimento da violência doméstica.

De verdade, existem pessoas que acham mesmo que a violência doméstica está a aumentar, que é mais difícil ser mulher em Portugal hoje do que uma negra sentar-se nos lugares para brancos nos autocarros do Alabama nos anos cinquenta. Vai daí, organizam simpósios, escrevem artigos, deambulam entre saladas de gin e procuram um lugar ao sol no nicho do protagonismo grotesco da reivindicação ao direito de serem reconhecidas como elementos incasaláveis da sociedade (um direito que lhes reconheço sem artifícios de culpa).

É verdade que há violência doméstica. Também é verdade que é bastante nojenta. Contudo, e dando de barato que é esmagadoramente mais prevalente a violência de homens sobre as mulheres, convém recordar que os homens, mesmo os abusadores, antes de serem maridos de mulheres, foram filhos de uma mãe (a não ser que o argumento do “machista” seja uma crítica encapotada à adopção gay). E, antes que me venham com o argumento de que também são filhos de um pai, eventualmente também abusador, lembro que se é para atribuir herditariedade a comportamentos violentos, não se poderá descartar que argumentos de feminismo azeiteiro também o sejam.

Eu não disse que sem o vil heteropatriarcado uma feminista seria só uma sopeira? Se é para combater a violência doméstica, combata-se o sopeirismo.

E para ser assim é melhor que vão lá fora tratar do lixo

14 Fevereiro, 2019

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Portugal precisa de pelo menos cinco gerações para os homens partilharem as tarefas domésticas em igualdade com as mulheres, que, na maioria, assumem, num estudo revelado esta terça-feira, estar sempre ou quase sempre “cansadas”. – escreve-se no Observador ilustrando o caso com esta foto de dois homens pendurando roupa de homem.
Felizmente que daqui a cinco gerações já não estou cá!

Qual seria o resultado destes estudos nos anos 60 ou 70?

13 Fevereiro, 2019

Mais de metade dos jovens já sofreram violência no namoro em Portugal
Mais de um terço dos 2683 universitários inquiridos num estudo sobre violência no namoro em contexto universitário assumiram ter exercido pelo menos uma vez violência sobre o outro.

Um dia na vida de Marcelo, o grande entretedor

13 Fevereiro, 2019

Na sexta-feira passa pelas escolas em greve e faz selfies com os pais que não têm onde deixar os filhos. Depois vai jogar ao “Apanhar a cápsula da bala” no Bairro Bensaúde. Em seguida dá um saltinho ao Hospital da Luz para distribuir afectos entre os beneficiários da ADSE. Pára para almoçar e avisa : “Quem pagar com cartão de crédito tem direito a beijinho”
Da parte da tarde senta-se numa paragem de autocarro e faz selfies com quem espera por autocarros que foram cortados para ir saber se a tal cirurgia foi ou não adiada… No fim do dia faz declarações sobre a importância para a democracia da continuação da Quadratura do Círculo.

O título correcto será “Beneficiários da ADSE e doutros sistemas de acesso restrito querem ser os únicos a usufruir via SNS da gestão privada dos serviços de saúde”

13 Fevereiro, 2019

Mais de cem personalidades apelam ao fim das PPP na Saúde
O apelo que deixam é claro: que não seja possível a gestão de hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por privados e propõem uma formulação para a lei que vier a ser aprovada, a de que “a gestão dos estabelecimentos públicos de prestação de cuidados de saúde seja exclusivamente pública”.

Epifanismos

12 Fevereiro, 2019

Depois de uma cruzada contra esses elementos que por aí andam com a mania que são liberais mas que na realidade já foram vistos numa missa e não querem converter toda a padralhada ao cientismo do eu instagrámico, eis que o pináculo do liberalismo vanguardista decide coligar-se com um monopartido baseado em mandar esses gajos de turbante todos daqui para fora.

Algumas hão-de cair ao chão. É pena.

E isto que tipo de violência será? Doméstica? De género? Supremacista?

12 Fevereiro, 2019

Duas famílias desentenderam-se e entraram em tiroteio ao final da noite de segunda-feira no bairro Alfredo Bensaúde, em Lisboa.
PORTANTO AMBAS AS FAMÍLIAS ARMAS? É UMA ESPÉCIE DE TRADIÇÃO?

Da troca de dezenas de tiros, demonstrada pelo vídeo a que a CMTV teve acesso, não resultaram feridos. A PSP foi alertada às 23h59 e mobilizou para o local um carro patrulha e duas Equipas de Intervenção Rápida. O bairro foi cercado mas ninguém foi detido uma vez que não houve flagrante. Os agentes localizaram no chão e recolheram para análise vários invólucros de munições.
PORTANTO A POLÍCIA FAZ UMA ESPÉCIE DE SERVIÇO DE LIMPEZA?

Segundo apurou o CM junto de fonte policial, os moradores que assistiram ao tiroteio não quiseram explicar as circunstâncias nem apontar os intervenientes, pelo que ninguém foi identificado.
DEVEM SER PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE FALAR DA VIDA ALHEIA

E portanto o seu querer é qb?

12 Fevereiro, 2019

Autarcas querem avançar com a regionalização

As geringonças só podem ser à esquerda?

12 Fevereiro, 2019

A juntar às fake news a esquerda portuguesa tem agora um novo factor de indignação: o facto de a direita espanhola ter comparecido unida numa manifestação contra o governo espanhol do socialista Sanchez. De caminho fazem do VOX um partido radical coisa que está longe de ser mas mesmo que fosse é preciso ter em conta que o senhor Sanchez só governa com o apoio da extrema-esquerda.
Por outro lado é extraordinário que esqueçam que por cá António Costa é incensado pq não recusou apoios à esquerda. Foi o derrubar do muro não foi? A sério que acreditavam que as geringonças só iam acontecer à esquerda?

do falso descentralismo como roubo centralista

11 Fevereiro, 2019

Através do tweetter, o Pedro Bragança @pfbraganca desenvolveu uma thread (série de tweets) sobre a chamada «descentralização», analisando dois casos emblemáticos: o Iapmei e a AICEP.

Série de 31 tweets muito esclarecedores.

Aqui se publica, com a devida autorização do autor a quem agradecemos.

Título do post da minha responsabilidade.

 


1. O menu teórico da descentralização consiste na transferência dos centros de decisão e do capital, de modo a distribuir os benefícios gerados pela presença do Estado no território e a mitigar os efeitos adversos da concentração em Lisboa.

2. É uma espécie de regionalização domesticada, já que consiste numa concessão de poderes e distribuição geográfica das organizações, mas não admite a criação de um nível administrativo intermédio, autónomo e legitimado pelo voto popular.

3. De um ponto de vista estritamente teórico, é difícil contestar um programa político tão aparentemente bem intencionado. Mas proponho avançarmos um pouco mais, de modo a conhecermos em proximidade o modelo de “descentralização” concebido por Lisboa.

4. Apresento o caso da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), duas organizações (EPE e IP) “descentralizadas”. Ler mais…

A ler

10 Fevereiro, 2019

Paulo Ferreira: «não deixa de ser hipócrita que os partidos que se permitem fazer acções de angariação de fundos sem identificação de cada um dos contributos – festivais, festas, eventos, almoços e jantares – e que mantêm em conveniente asfixia de meios a Entidade das Contas que tem como função verificar a proveniência dos financiamentos para campanhas eleitorais e para o seu funcionamento, estejam muito preocupados com uma angariação de fundos para uma greve.»

Let’s look at the trailer

10 Fevereiro, 2019

Em complemento ao meu post de ontem, analisei um pouco em mais detalhe os dados oficiais do ICA disponibilizados no seu próprio website.

Partilho assim com os leitores do Blasfémias o ranking dos realizadores que entre 1975 e 2019 atraíram mais espectadores às salas de cinema, entre o Top 100 filmes mais vistos. Acrescentei apenas à tabela alguns cineastas ditos “de referência” (como pex. Manoel de Oliveira ou João César Monteiro) para comparação e noção de escala:

Top_Realizadores

 

Relativamente aos subsídios atribuídos, apesar de a informação do ICA não estar tão facilmente acessível, dei-me ao trabalho de compilar (eventualmente não de forma exaustiva) os apoios concedidos a longas-metragens nos concursos dos últimos 5 anos. Não encontrei informação sobre verbas dadas antes de 2014.

Assim, entre 2014 e 2018, só para este tipo de obras o ICA gastou quase 17 milhões de euros, distribuídos da seguinte forma:

Apoios_ICA

 

O contribuinte já viu este filme. O título é “Socialismo!”

*

 

10 Fevereiro, 2019

Em 1919, um governo português obrigou os ferroviários grevistas a viajarem num vagão aberto à frente das locomotivas para evitar actos de sabotagem, Mas como, mesmo atropelando um pouco as datas, é difícil incluir o vagão-fantasma (ou os “fuzilamentos de Setúbal” levados a cabo pela GNR em 1911) na presente musealização das lutas operárias como sinónimo de anti-salazarismo dessas lutas e desses protagonistas pouco ou nada reza a História. Não fosse a esquerda dona e senhora da narrativa oficial sobre o presente e o passado – essa narrativa em que que a direita surge invariavelmente como inimiga dos trabalhadores – e não estariam reduzidas à condição de notas de rodapé os episódios mais severos de repressão dos trabalhadores em Portugal. File0476

(Foto do vagão fantasma)

 

 

Roubo no cinema

9 Fevereiro, 2019

Não vou discorrer neste momento sobre o tema dos apoios do estado ao sector da cultura, mas tão só contribuir com uma gota para o escrutínio público que é practicamente inexistente sobre o assunto.

Todos os anos o Instituto do Cinema e do Audiovisual apoia a produção de meia dúzia de longas-metragens nacionais. Procurei comparar o montante de dinheiro dos contribuintes gasto por filme apoiado com o respectivo número de espectadores.

Aparentemente todas as obras que obtiveram subsídios nos concursos de 2015 a 2018 ainda não estrearam, pelo que não existem dados de bilheteira.

Assim, tomei como exemplo o concurso de 2014 e os dois filmes que nesse ano tiveram cada um apoio do ICA de 600.000€.

Os números da imagem abaixo falam por si:

Cinema_Apoio

Ou seja, se em média um bilhete na sala de cinema custar 5€, o subsídio do estado é 34 a 47 vezes superior a esse montante por cada espectador.

Já agora, algum dos leitores do Blasfémias viu os filmes em questão?

Eu não. É como se tivesse ido ao cinema e fosse assaltado.

 

Nanny state

8 Fevereiro, 2019

21 de Agosto de 2009:  na praia Maria Luísa, um grupo de banhistas ignora o aviso “arribas instáveis” e instala-se junto às arribas.. Pelas 11h 30 a falésia desmorona-se. Morrem cinco pessoas. Três ficam feridas. Segundo os jornais terá sido a sombra a trair os banhistas que ignorando o aviso “arribas instáveis” procuram escapar do sol junto à falésia. Para lá do aviso junto à arriba era visível na praia  o monte de pedras caído na última derrocada.

Fevereiro de 2019: sabe-se que em Março vai ter lugar  o processo movido pelas famílias das vítimas contra o Estado a quem pedem uma indemnização civil de 911 mil euros . As famílias das vítimas consideram que existiu “omissão de deveres que competem ao Estado, através de diversos institutos, porque havia uma falésia que tinha de ser monitorizada para não constituir risco”. Apesar das placas colocadas a indicar risco, de acordo com os peticionários, “não foi avaliado o risco real do que poderia representar a queda da falésia”. Segundo estes, a queda do leixão deveu-se à sua instabilidade, provocada pelo desgaste na sua base, o que levou à falta de sustentação.

Confesso que não entendo: quando as famílias das vítimas alegam que “não foi avaliado o risco real do que poderia representar a queda da falésia” estão a falar de quem? Certamente que dos seus familiares adultos que tomaram a decisão de se abrigar do sol junto à falésia e que não só subestimaram a natureza instável da falésia como os avisos que lá se encontravam.

 

 

Desencontros

8 Fevereiro, 2019

Há muitos muitos anos, numa terra distante, vivia uma princesa de razoável beleza e impecável delicadeza de trato que ansiava por um futuro como empreendedora ao serviço de import/export gerador de crescimento. Na corte diziam-lhe para escolher um dos muitos príncipes que a cortejavam, mas a princesa Amélia não tinha feitio para namoriscos, preferindo concentrar-se nos estudos em engenharia das organizações, uma licenciatura mencionada pelo professor responsável, naquele tom jocoso e letrado típico de engenheiros, como enganaria das organizações.

Quando Hipólio, um conde ou barão bastardo e deveras efeminado, arrebatou o coração de Amélia, todo o reino celebrou o rompimento de hímen da princesinha, retuitando imagens dos lençóis que ilibaram, aos olhos da plebe, o noivo de anunciada incompetência. O alívio dos populares por Amélia não ser fufa acalorou corações embrutecidos com relatos ficcionados de contos de fada. Cedo, qualquer dúvida que teimosamente restara, foi dissipada com o aparecimento dos filhos. Os dias correram para semanas e estas tornaram-se em anos sem que a plebe notasse a crescente insatisfação sexual de Hipólito. Não havia baile de debutantes em que Hipólito não aparecesse, sorridente e tímido, para desempenhar a sua obrigação de pau-de-vassoura, sem que essa fosse a vida que desejara. No íntimo, as coisas não corriam bem. Hipólito queria ser feliz, queria adquirir uma identidade de género, ser algo mais que um estrelador de ovos e naná dos pirralhos enquanto Amélia tertuliava nas casas de chá. Hipólito queria ser Cátia Vanessa, vestir lantejoulas e uma cinta de liga rendada da Triumph.

Após a traição de Hipólito com um senhor moçambicano de origem árabe que vendia Henry Potters de contrafacção na feira, Amélia voltou aos estudos. Mãe de filhos, atingira a idade que permitiu — como permite a qualquer mulher quando a progesterona ameaça escassear — que se preocupasse com a aparência, com os vestidos cintados e com os acessórios condizentes com as pernas que entroncam para uma anca no pinaculo da desejabilidade masculina. Tornara-se, pela primeira vez, numa mulher verdadeiramente bonita.

Um dia, por infortúnio dos que acontecem nas calendas, ao desempenhar a sua habitual imitação noctura de uma Jane Eyre assanhada com a sua própria libido recalcada por marido apaneleirado, pisou bosta de cão, arruinando os Prada. Em casa, de joanetes no bidé e nádegas entaladas na berma da banheira, teve uma epifania: só cães cagam no meio do jardim, cadelas não, estas procuram o recato feminino da normatividade heteropatriarcal canina. Quanto mais pensava no assunto, mais se apercebia que os machos do planeta eram os causadores do infortúnio das fêmeas. Todos os machos, como Hipólito e o seu mais recente namorado, um engolidor de fogo de Vigo que se assumia ser mais versado em engolir espadas do que o que se espera de uma princesa da Rechousa.

A partir desse momento, tornou-se amarga. A sua anca perdeu fogosidade e alargou, fruto do tempo dispendido no sofá a marcar pontos de cada vez que um homem mata a mulher e sua filha. Tornou-se feminista e nunca mais ninguém a quis, o que fez com que passasse mais tempo a imaginar o que outros teriam dito do que a ouvir o que realmente disseram.

Enquanto Amélia continuou com o seu perpétuo enterro no negro sepulcro da solitária virtude, a população recorda os instagrams dos lençois de casamento, o momento em que, pela primeira e única vez, a princesa agora feminista destruiu, de verdade, o que restava de um homem.

O financiamento da oligarquia

8 Fevereiro, 2019

O presidente Marcelo, em mais uma das suas tiradas típicas de uma adolescência retardada, veio ajudar à narrativa recente contra o “crowdfunding”.

Não basta o Estado desvirtuar e subverter aquilo que é a verdadeira caridade, desresponsabilizando e esvaziando os indivíduos das suas opções morais de practicarem o bem e a solidariedade para com o próximo, transformando-a num instrumento ideológico e numa ferramenta de roubo, conhecida pelo nome de “estado social”.

É preciso também que todos os generosos donativos dos particulares sejam geridos, regulados e controlados pelo Estado.

A este propósito sugiro novamente nestas páginas que coloquem o volume do vosso computador ou telemóvel bem alto para ouvirem onze segundos de Daniel Bessa clickando no link abaixo:

“História” concisa, aproximada e descontraída de Portugal (5)

8 Fevereiro, 2019

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A romanização do território deixou marcas que resistiram ao tempo, da Ponte de Trajano, que mantém em pleno século XXI toda a sua utilidade para os habitantes de Chaves, ao Direito Romano, cuja influência ainda se faz notar na nossa legislação. Outras, como as ruínas de Conímbriga ou o Templo de Évora, servem nos nossos dias para deleite dos olhos, para lições de História ao ar livre e para sacar importantíssimos euros aos turistas estrangeiros.

Os romanos, ao contrário de outros povos que os antecederam, não se limitaram a fazer da Hispânia um mercado para os negócios. Durante mais de quinhentos anos marcaram a região com a sua cultura e conhecimentos técnicos, civilizando-a à sua imagem. Tal como foi explicado com humor pelos Monty Python, se excluirmos os aquedutos, o saneamento, as estradas, a ordem pública e mais uma série de coisas, os romanos não fizeram nada por nós.

No século IV começam as grandes movimentações dos povos instalados nas fronteiras do império. Os hunos pressionam os godos, que acabam por atravessar o Danúbio e, uns anos depois, entram na Itália pela primeira vez. Em 406, vândalos, suevos e alanos cruzam o Reno e metem a Gália de pantanas; não satisfeitos, passam os Pirenéus e repartem a Hispânia entre si, deixando, no entanto, algumas áreas para os hispano-romanos.

Entretanto, Alarico e os seus godos conseguem saquear a cidade de Roma, extinguindo, nas palavras de São Jerónimo, a “luz mais brilhante de todo o mundo”. Uns anos depois, a sua “secção” ocidental, conhecida pelo nome de visigodos, estabelece um acordo com o governo romano e fixa-se na Aquitânia, a região gaulesa que fazia fronteira com a Ibéria.

Quando os alanos e os vândalos começam a atacar os territórios peninsulares que restavam a Roma, esta, ao abrigo do acordo que com eles tinha firmado, pede ajuda aos visigodos. Depois de muitos anos de escaramuças entre os diferentes povos bárbaros, a situação estabiliza-se da seguinte forma: os vândalos, acompanhados dos poucos alanos que sobrevivem ao embate com os visigodos, atravessam o estreito de Gibraltar e vão armar confusão para África; os suevos, a partir da cidade de Braga, controlam o noroeste da Península; e os visigodos, passo a passo, estendem o seu poder sobre tudo o resto, da Ponta de Sagres ao coração da Gália.

 

E o Socorro Vermelho o que era camaradas senão crowdfunding?

8 Fevereiro, 2019

O Presidente da República apontou problemas legais ao “crowdfunding” da greve dos enfermeiros e apoiou a requisição civil.

O primeiro-ministro avançou que terá de haver uma clarificação sobre a forma de financiamento das greves, numa alusão ao recurso ao financiamento dos sindicatos através de crowdfunding porque “não pode haver qualquer dúvida que manche a dignidade do movimento sindical”.

…E assim de um momento para o outro o direito à greve deixou de ser sagrado. Ora camaradas e camarados e camarades  não andaram anos a incensar o Socorro Vermelho? Que desmemoriados estão!!! O “crowdfunding” da greve dos enfermeiros é o Socorro Vermelho de hoje.  svi_5

 

In nomine sanctorum stultus

7 Fevereiro, 2019

Juntar as duas religiões, a católica com o veganismo, poderá fazer sentido numa ética ecuménica de proxenetismo moral. Vegetarianos ou carnofóbicos, no geral, como qualquer outro doente que padeça de maleita semelhante — como gimnofobia (medo de nudez) ou ancrofobia (medo de correntes de ar) — procuram aceitação social da sua idiossincrassia, ou, em linguagem moderna, “identidade”. Num mundo moderno, em que até os outrora-orgulhosamente-marginais procuram sanção para o seu comportamento perante a imaginária autoridade que é o Estado, não é de estranhar que malucos se dirijam à instituição que, no último século, se demonstrou mais inclusiva de todo o tipo de personagens.

Ouvindo qualquer criatura televisiva e a sua acérrima defesa de um sistema Jim Crow, seja para carros a gasóleo, seja para sacos de plástico, seja para carne, seja para leite de vaca, seja para liberais, seja para pessoas que não se sentem violadas com retroactividade de 30 anos após um acto que na altura pareceu boa ideia, seja para gordos, seja para pretos, seja para brancos, seja para católicos, seja para tudo que não seja a ideologia passageira da azeiteirada do buraco socialista em que estamos enfiados, a fusão “Papa das selfies” (não é esse, é o do Vaticano) com new-ageismo deprimente faz todo o sentido.

Vai, Francisco, vai.

O sagrado direito à greve está em vias de dessasacralização

7 Fevereiro, 2019

PS quer saber “quem paga e como paga” greve dos enfermeiros

Corre Avoila, corre para as televisões denunciando a nova PIDE  exigindo as listas dos grevistas, grita Arménio grita contra a Inquisição dos tempos modernos, Vasco Lourenço ameaça com os chaimites que não foi para isto que se fez o 25 de Abril,  Tordo emigra e aquela senhora dos reformados indignados ainda deve vir  a tempo de dar conta da sua indignação.

Dos tempos que correm

7 Fevereiro, 2019

Vaŕios jornais têm republicado a notícia que o El Pais republicou do El Periódico de Cataluña. A coisa resume-se assim: Nastasia Urbano ex-modelo que protagonizou várias campanhas que ficaram na memória dorme agora na rua. Nastasia chegou a assinar contratos no valor de um milhão de dólares por 20 dias de trabalho, vive agora nas ruas de Barcelona.

Esta é a típica historia que depois se descobre não ser exactamente assim. Nastasia diz ter sido arruinada pelo seu ex-marido. E diz que não quer ser um peso na vida dos dois filhos. Entretanto amigos lançaram uma campanha de recolha de dinheiro para a ajudar.

Mas mesmo que toda esta história seja exactamente como Nastasia a conta teremos de admitir que esta decisão de ir dormir para  a rua e esperar pela solidariedade  dos outros para não ser  um peso na vida dos filhos não é um bom princípio para uma nova vida.

Não só não é impossível como tem de acontecer

6 Fevereiro, 2019

António Costa: “Maioria absoluta é virtualmente impossível”

As fake news existem quando os resultados eleitorais não coincidem com as escolhas políticas da Lusa?

6 Fevereiro, 2019

combatefakenews.lusa.pt : As notícias falseadas, comummente conhecidas por ‘fake news’, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o ‘Brexit’ no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

a orfandade da direita

6 Fevereiro, 2019
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Em qualquer país europeu, os blocos políticos com aspirações ao governo organizam-se em dois, um que representa a esquerda, outro que representa a direita, partindo ambos do centro, onde invariavelmente se encontram os votos que desempatam e ganham eleições. Em Portugal, nas eleições que teremos este ano, sobretudo nas legislativas de Outubro, o cenário é o seguinte:

  • O PSD enjeitou a direita, diz-se um partido de centro e centro-esquerda, afirmando que prefere reduzir-se à insignificância do que ser identificado com semelhante coisa;
  • O CDS ultrapassou uma linha intransponível, que foi aliar-se ao fisco contra os cidadãos, abrindo as contas bancárias das pessoas com depósitos superiores a 50 mil euros à devassa dos agentes da nova PIDE. É uma linha intransponível e, sobretudo, indiciadora de uma predisposição inaceitável;
  • A Iniciativa Liberal costuma considerar a direita como uma manifestação de conservadorismo que o liberalismo não aceita;
  • A Aliança é um projecto meramente pessoal de Pedro Santana Lopes, onde não se viu, ainda, o vestígio de uma ideia que o seja;
  • O Chega, bom, o Chega é aquela coisa liderada por um comentador televisivo de futebol, cujo ponto programático fundamental parece ser a castração química dos pedófilos. Estamos conversados.

Isto significa que, pela primeira vez em democracia, nas próximas eleições legislativas, a direita não terá em quem votar. Que o PS as ganhará e se manterá no poder com a geringonça, ainda que, desta vez, provavelmente não se aguente uma legislatura. E que os partidos que tradicionalmente representavam a direita (PSD e CDS) ou que a poderiam passar a representar (IL e Aliança) levarão um banho que os condenará à insignificância e obrigará a que a direita se refunde.

Para isso, só vejo um nome possível: Pedro Passos Coelho. Ponham os olhos em Espanha e no que tem feito o Aznar.

Portanto a crise de 1383 e o “Matam o Mestre nos paços da rainha! Acudi ao Mestre que o matam!”passam a ser analisados à luz das fake news?

6 Fevereiro, 2019

Ministério combate “fake news” com formação de professores. Escola do Porto é pioneira

A propósito da amnésia de Vasco Lourenço

5 Fevereiro, 2019

Vasco Lourenço responde hoje no PÚBLICO a João Miguel Tavares a propósito de um texto que JMT escreveu sobre Marcelino da Mata. Para lá do extraordinário esquecimento de Vasco Lourenço de si mesmo – Marcelino da Mata, segundo Vasco Lourenço, combateu na “guerra colonial” não esclarecendo em que guerra combateu ele mesmo, Vasco Lourenço, e já aqora que actos tem para recordar. – Mas voltemos a Marcelino da Mata e à tortura de que este foi vítima em 1975.
Como Vasco Lourenço não pode deixar de saber entre as pessoas que torturaram Marcelino da Mata encontravam-se civis e também militares. Aliás os militares estiveram presentes logo na captura das pessoas que nesses dias foram torturadas no RALIS e o RALIS como Vasco Lourenço ainda não deve ter esquecido era um quartel, logo os militantes civis do MRPP não entravam lá dentro transportando outros civis em viaturas militares só porque achavam que aquele local era melhor para interrogatórios do que a vivenda do Restelo onde tinham começado a torturá-los.
Aliás Marcelino da Mata tem repetido que enquanto foi torturado estiveram presentes o tenente-coronel Leal de Almeida, comandante no RALIS, e o capitão Quinhones.
E a não ser que a amnésia seja mesmo galopante Vasco Lourenço também não deve ter esquecido o que queriam saber os civis e militares que de 15 a 17 de Maio de 1975 torturaram Marcelino da Mata e outros sequestrados como o ex-fuzileiro José Jaime Coelho da Silva e sua mulher Natércia Coelho da Silva, o juiz Francisco José de Abreu Fonseca Veloso e o seu filho, o aspirante José António Veloso.
Aquilo que os torturadores pretendiam obter eram as provas da ligação de militares como Jaime Neves e Salgueiro Maia à chamada rede reaccionária. Obviamente também procuravam a confirmação da proximidade de Arnaldo de Matos com os reaccionários (A luta entre a linha negra chefiada por Saldanha Sanches e a linha vermelha liderada por Arnaldo Matos estava a ocorrer: dentro de meses Saldanha Sanches sairá do MRPP e escreve um livro demolidor intitulado O MRPP instrumento da contra-revolução.)
Em resumo, os esquecimentos de Vasco Lourenço são a forma mais rápida de não se confrontar com a degradação a que em 1975 tinham chegado as Forças Armadas.
Não deixa ainda de ser comovedor que Vasco Lourenço ao descrever o papel de Dinis de Almeida no retirar os presos do RALIS diga que estes os levou “para lugar seguro”. Certamente também esqueceu que o “lugar seguro” era a prisão de Caxias. Ironia, não é? Um ano depois do 25 de Abril a prisão de Caxias tornava-se o “lugar seguro” onde se colocavam algumas pessoas a salvo da violência revolucionária.
Os presos, à excepção de Natércia Coelho da Silva, que entretanto fora colocada em liberdade e deixada pelos militares do RALIS na gare de Santa Apolónia, acabariam por ser levados de facto para “o lugar seguro” de Caxias, sendo que no caso de José Jaime Coelho da Silva o seu estado de saúde degradara-se a tal ponto que ainda foi levado ao Hospital de Santa Maria, onde entra com um nome falso e com a indicação de que sofrera um acidente de viação. Como o médico que o observa o quisesse internar, os militares levam-no para o Hospital Militar Principal e daí para Caxias. Entra ali a 19 de Maio. Tal como acontece com os outros transferidos do RALIS é colocado em rigoroso regime de incomunicabilidade durante meses.


Obs. Estes e outros factos foram por mim tratados no artigo “Morte aos traidores!”

Venezuela – Portugal

4 Fevereiro, 2019

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Deve ser pela cor da minha pele

3 Fevereiro, 2019

Ser jornalista hoje, salvo algumas excepções, não é relatar factos com isenção e seriedade. É aldrabar, manipular, distorcer, contornar, fabricar “verdades” alternativas. Só não vê quem “usa palas”. Qualquer cidadão atento tropeça diariamente neste lixo jornalístico que promove agendas políticas ligadas ao sistema mas diz-se independente. Tropecei esta semana em vários textos execráveis de tão falaciosos que são. Sobre o quê? Racismo, pois está claro, o tema favorito dos partidos que promovem o vitimismo como meio de subsistência.

O primeiro tropeção foi com Fernanda Câncio essa pérola jornalística que se contorce mais que as minhocas sempre que quer fazer valer um ponto de vista mesmo que sem pontas por onde se pegue. No seu texto “45 Anos de negação” conta a história do “pobre e indefeso” Helder Amaral deputado do CDS que em entrevista lhe revelou ter sido alvo de “racismo” e das implicações que isso teve na sua vida. Sem colocar em causa o depoimento de Helder Amaral, esse mesmo testemunho, poderia ser de qualquer outro cidadão de outra cor qualquer, de outra religião qualquer, com deficiência física, com óculos graduados, pobre, com obesidade ou magreza. Qualquer um. Mas, claro está, o que importava à jornalista era fazer passar a mensagem de que em Portugal temos “muito racismo”. Porém, e para quem não sabe, esta mesma jornalista tinha entrevistado Camilo Lourenço sobre o mesmo tema. Mas este, ao contrário de Helder Amaral, não se vitimizou pela cor. Referiu apenas que os ataques que sofreu não foram por racismo mas por estupidez humana e que essa estupidez existe em todo o lugar. Deve ter sido por isso que Câncio não o quis mencionar neste seu texto. Pois claro, estragava a narrativa vitimista que se pretende e assim  não dá para crucificar os portugueses. Pois é, mas o facto é que:  Helder Amaral é deputado; António Costa é primeiro ministro; Van Dunem é ministra da Justiça;  Quaresma joga na primeira liga; PS tem uma deputada cigana; Patrícia Mamona é atleta medalhada no atletismo;  Anselmo Ralph vende milhões de discos; Mamadou Ba é assessor no Parlamento!!!! E tantos tantos outros!!! Se houvesse racismo em Portugal, jamais teriam chegado tão longe.  

O segundo tropeção foi no texto do Daniel Oliveira no Expresso, outro obcecado em mostrar racismo em Portugal à força toda. Diz ele no seu texto ” A Bosta do racismo” : (…)Mamadou Ba permitiu que este país, que o Estado Novo ensinou que era excepcionalmente tolerante, exibisse finalmente o seu racismo sem filtro. Ou seja, entende esta criatura que as reacções ao comentário de Mamadou onde incita ao ódio e rotula os policiais de “bosta da bófia” mostram “racismo” e são despropositadas porque coitadinho até nem quis insultar, “nós” é que empolamos as coisas. Esqueceu-se claro, de dizer que enquanto alguns reagiam às declarações deste assessor do Parlamento de forma efusiva (em resposta às palavras execráveis do Mamadou), do outro lado da barricada, jurava-se morte aos portugueses e dizia-se textualmente”  Tugas, vocês são uns merdas, não valem nada. Vocês são um lixo de pessoas. Estamos aqui para vos tirar tudo, o vosso trabalho, o vosso dinheiro, as vossas mulher” e multiplicavam-se comentários nas redes deste género contra os portugueses. Também se ignora que Mamadou em suas palestras fez exactamente o mesmo com nosso legado histórico e cultural e exigiu o fim da GNR e PSP. Daniel só mostra o que lhe convém porque também ele trabalha para o sistema.

Depois veio o terceiro tropeção. No texto de quem? Só podia ser do tio Anacleto Louçã que no Expresso (este jornal colecciona-os a todos!) entrou a correr salvar Mamadou  no texto “A política suja contra Mamadou” onde passa uma esfregona nos factos para tornar este senhor numa vítima. De quê? Ora de racismo, claro. Está na moda e traz votos às  extremas esquerdas marxistas mentirosas.

Porém, na África do Sul, os brancos não têm sequer acesso a cuidados hospitalares, nem podem possuir bens, são desprovidos de quaisquer direitos humanos. Isto sim, É RACISMO e praticado por NEGROS. Mas Câncio não vê interesse em falar sobre isto. Nem Daniel Oliveira, nem Louçã, nem o Expresso porque é racismo sobre brancos.

Fica assim claro que,  sobre este tema, só falam meias verdades. E meia verdade não é uma verdade. E o jornal Expresso promove este “jornalismo independente” de forma consciente. Ainda esta semana publicou um artigo intitulado   “Mulher negra alvo de violência no metro na Suécia” onde não teve qualquer problema em fazer destaque da cor e da violência. Mas esqueceu-se de destacar que se tratava de alguém que se recusava a pagar e a sair da carruagem obrigando ao uso da força. Mas já noutro artigo “Trinta suspeitos furtam artigos desportivos em centro comercial do Carregado” omitiu a cor e teve o cuidado de referir que no furto à loja não houve agressões nem ameaças aos funcionários. Portanto, fizeram passar a mensagem de uma actuação agressiva das autoridades sobre uma negra, no primeiro artigo e um assalto de 30 pessoas, sem cor,  “muito pacíficas”, no segundo. Este jornal deve pensar que comemos gelados com a testa.

Enquanto isso, eu que sou branca e portuguesa desde que nasci,  trabalhei ao volante de um empilhador numa fábrica de blocos,  nas limpezas,  no apoio domiciliar a idosos, passei a ferro para fora,   guardei crianças e que para ter o que tenho tive de fazer muito calo desde os 17 anos ( que ainda se vê nas minhas mãos), até hoje,  nunca tive a “sorte” de ter um lugar altamente destacável, altamente remunerável sem mexer muitos músculos, como essas “vítimas de racismo” – Mamadou Ba e Helder Amaral – em Portugal.  Deve ter sido pela cor da minha pele.