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Para quando o pedido de desculpas a Otelo por causa do escândalo causado pela sua frase sobre as armas em boas mãos?

12 Julho, 2017
Em  Setembro de 1975, mil espingardas G3 foram desviadas do Depósito Geral de Material de Guerra, em Beirolas pelo capitão Álvaro Fernandes.
No Rádio Clube Português, o capitão Fernandes que entretanto entrara na clandestinidade afirmou que tinha desviado as armas e que as tinha entregue à esquerda ou mais propriamente ao PRP.
Otelo Saraiva de Carvalho comandante do Comando Operacional do Continente (COPCON) confrontado com a entrevista do capitão Fernandes, respondeu:
«Sei pelo menos que as armas se encontram à esquerda e isso é uma satisfação muito grande. Se elas se encontrassem à direita, é que era perigoso. Como se encontram à esquerda, para mim estão em boas mãos.»
Em  2017 a questão pouco mudo: as mãos deixaram de ser boas e passaram a ser inofensivas

Eu até acho que com grande probabilidade António Costa apanhou sol a mais na moleirinha

12 Julho, 2017

António Costa sobre o roubo de armas e explsosivos em Tancos: “foi verificado, com grande probabilidade, que este acontecimento não teria qualquer impacto no risco da segurança interna e designadamente associação a qualquer tipo de atividade terrorista nacional ou internacional.“

Claúsula 17 e responsabilidade do SIRESP

10 Julho, 2017

Afirmam os jornais de hoje que o Governo contratou (certamente por ajuste directo e «urgente»), a sociedade de advogados Linklaters para emitir um parecer sobre «se é possível responsabilizar os privados que gerem a rede de comunicações de emergência pelas eventuais falhas nos dias da tragédia de Pedrogão o Grande».  Tal estará relacionado com a claúsula 17 do contrato do siresp que ilibaria de responsabilidade a rede de comunicações de emergência em casos de inoperacionalidade se verificadas condicionantes emergentes…..

Tal notícia causa várias surpresas.

A primeira é a expressão «eventuais falhas» pois todos os organismos oficiais que já se pronunciaram sobre os eventos apontam claramente para sua existência, não se compreendendo a permanência nesta altura do termo «eventuais».

A segunda causa de alguma perplexidade é o recurso a uma empresa de advogados, sabendo-se da existência de algumas dezenas de consultores jurídicos na estrutura do Governo, para além de um corpo especializado, como seja a PGR. Parece um gasto excendentário e quiçá de favor. Sucede ainda que a mesma firma de advogados, já em 2006 e ao tempo do Ministro da Administração Interna António Costa, elaborara um parecer sobre a validade do contrato SIRESP. Vai agora dizer o quê? Que se enganou? E pagam-lhes para analisar/validar o seu próprio trabalho?

Acresce a isso, o facto de a questão ser juridicamente facilmente resolvida por qualquer aluno de um curso de direito que frequente o 3º ano: o comunidado do SIRESP (publicado pelo Governo), alegando o normal e eficente funcionamento  constitui por si exclusão da possiblidade de posterior alegação da claúsula 17, pois não foram alegadas nem falhas de funcionamento nem qualquer das condições excepcionais previstas na dita cuja claúsula. Adianta-se ainda que tal disposição será em princípio nula, uma vez que os seus termos explicitamente contrariam o objectivo primordial do contrato.

Precisamos de Governantes, Não de Políticos

10 Julho, 2017

Esta miserável prestação governativa dura há décadas. Uns melhores, outros piores, outros desgraçadamente péssimos,  tornaram um país com contas equilibradas, sem dívidas, grandes reservas de ouro e com crescimento sustentado, num país pobre, muito pobre, endividado e pré-falido, depois de já ter conhecido 3 bancarrotas. TRÊS!! A política matou a democracia, matou a liberdade, destruiu a nação que agora vive de caridade externa que mete dó, penhorou um povo por tempo indeterminado que carregou e continua a carregar com impostos severos em troco de quase nada. Porque fazer política não é governar. Se fosse, com os recursos que temos, e quantidade infinita de políticos, estaríamos hoje acima da Suiça.

Há 43 anos que  somos desgovernados em nome de uma suposta conquista da liberdade. Os objectivos de quem ocupou e ocupa as cadeiras do Parlamento centraram-se sempre nos interesses do poder instalado a que se juntou com o tempo, outros grupos económicos. Todos andaram a governar-se não deixando que nada faltasse às suas vidinhas, empresas (através da CGD), familiares e amigos. Quem tentou governar, foi eliminado ou manietado pelo sistema. Nunca foi possível repor a ordem num país claramente tomado pelas oligarquias. O polvo foi criado e fizeram-no crescer para que jamais fosse possível reverter o poder instalado. Tornaram-nos prisioneiros do sistema que se alimenta de nós, povo, para crescer. Somos reféns.

Os políticos não governam. Fazem política. Discursam. Defendem ideologias. Fazem palestras. Fazem congressos. Atacam-se mutuamente. Posam para a fotografia. Mentem. Inventam. Iludem. Políticos falam mais do que fazem. Potenciam o crescimento descomunal o Estado para garantir o máximo de votos que os mantenha no poder. Fazem Focus Group à popularidade. Manipulam a comunicação social para limpar opiniões divergentes que os ponham em causa. Fazem uma propaganda cerrada de culto ao líder para lavar cerebralmente os incautos controlando-lhes o pensamento. Oprimem, ridicularizam e tentam silenciar vozes discordantes. Ameaçam quem se opõe. Tentam amedrontar para impedir manifestações. Reagem com violência a quem  lhes faz frente. Apostam na estupidificação em massa do ensino para ser mais fácil manipular pessoas. Não estão nos cargos de poder para servir as populações mas sim para se servirem delas. Por isso, quando há problemas, vão de férias, assobiam pró lado, desaparecem. Fazem tudo para incriminar outros mas nunca, nunca assumem nada. Porque de facto nada fazem nem fizeram. Apenas ocuparam os lugares para se orientarem.

Os governantes, são pessoas que assumem a governação como uma missão. Impõem objectivos claros que cumprem dentro dos prazos estipulados. Não dormem em serviço. Sabem o que têm de fazer para que tudo funcione na perfeição. Rodeiam-se dos melhores, não de amigos, dentro de todas as áreas cruciais. E exigem. Sabem que tostão é milhão e a poupança começa nas pequenas despesas. Não facilitam. Estão atentos. Auditam tudo porque sabem que é fundamental estar informado para ter o controle. Que nada funciona sem organização e chefia competente atenta. Impõem transparência e dão o exemplo.  PRESTAM CONTAS DO QUE FAZEM. Vão ao terreno as vezes que são necessárias para se inteirarem “in loco” das necessidades de cada instituição a seu cargo. NUNCA viram as costas a um problema. Nem deixam de assumir responsabilidades. NUNCA se ausentam no meio do caos. Sabem que o país depende deles e só pode ser próspero se tiver umas boas  finanças. E essas resultam de uma boa gestão e liderança.

Porque Governar não tem cor política, nem pode ter. Não gerimos de acordo com a ideologia marxista/socialista, social democrata ou liberal. Gerimos de acordo com regras de gestão que só têm um caminho para serem bem sucedidas. Nas empresas, nas nossas casas, a gestão segue o mesmo princípio que quando é bem aplicado, prospera. Quando é descurado, provoca a falência. Por isso vemos socialistas a governar de forma totalmente oposta à sua ideologia quando o país entra em falência. Não é por acaso. E temos restaurantes de ideologia marxista a falirem ao fim de pouco tempo.   Factos.

As políticas fazem-se depois à volta da gestão na ESCOLHA das prioridades a dar na aplicação dos dinheiros públicos. É aqui que entram as várias ideologias que hoje não vou abordar mas que influenciam sem dúvida depois os resultados da gestão do país. Se boas, vão criar mais riqueza. Se más, vão estragar todo o trabalho anterior.

Precisamos URGENTEMENTE de governantes porque de políticos estamos cheios e mal pagos. Jamais sairemos do lodo sem uma liderança governativa de excelência capaz de enfrentar os políticos para começar a governar. A sério.

Até lá Portugal jamais verá riqueza por muito que crie.

 

 

E até dizem que o Paulo Baldaia escreve

8 Julho, 2017

Tenho sentido uma imensa falta de palavras, o que tanto pode mostrar a minha incapacidade para formalizar o que percepciono neste manicómio como pode mostrar um resguardo de sanidade psiquiátrica perante um país que não faz qualquer sentido.

Assim sendo, deixo as palavras do Alberto, que têm a energia que eu já não tenho em dose suficiente para expressar a realidade.

É, em suma, uma gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, eles decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras, dão abraços. Perante a culpa, acusam eucaliptos e furriéis. Perante o caos, pedem avaliações de popularidade. Perante a obrigação, partem de férias para Ibiza, a subjugar espanhóis com a barriga e um par de cuecas.

A Mediocridade Paga-se Caro

7 Julho, 2017

Comecemos pelo princípio: ninguém votou nesta aliança governativa. Isto nem vale a pena argumentar. Fomos a votos. Escolhemos PS, PAF, PCP, BE, PAN, VERDES. Ganhou com maioria relativa a PAF. O que se sucedeu a seguir foi um culminar de peripécias para juntar três derrotados na governação. A coligação vencedora faz parte dessa aliança pós eleitoral? Não. Então podemos dizer claramente que quem está a governar não representa a vontade dos eleitores. É inquestionável. Assim, não é da responsabilidade dos eleitores esta mediocridade que nos governa mas sim, de quem os traiu nas urnas: António Costa.

Ninguém quis Costa como primeiro ministro. A derrota com que o brindaram era bem clara. Mas ele seguiu sua ambição à revelia e fez governo dando a mão aos extremistas. Já aqui era clara a sua prioridade: ELE. Por isso, porque se espantam por ele ir de férias enquanto o Estado colapsa nas áreas mais fundamentais se ele ainda só governou nos 2 anos em prol da sua gente de elite? Porque se espantam por ele ir a correr pedir um “Focus Group” à sua popularidade em vez de assumir os erros graves que afectavam a  Nação? Sejamos realistas. Esperar liderança num chico esperto, que já tinha traído José Seguro e  que só quer safar-se uns aninhos na política para ficar bem na vida, é pura fantasia.

Portugal foi alvo de uma tragédia em Pedrógão. NUNCA ANTES VISTA. Ainda não lhe chamamos calamidade porque o cronómetro PAROU nas 64 vítimas mortais. Verdade! Olha só que sorte! Bastava mais uma e era considerado calamidade pública mas… estranhamente as mais de 134 hospitalizadas algumas em estado muito grave, sobreviveram todas. Dizem. Mas as funerárias da região enterraram mais corpos do que os anunciados. Dizem. E os cerca de 20 desaparecidos? Onde param? A dúvida ainda existe mas será por pouco tempo. A sociedade civil já está em campo à procura da verdade (Movimento Cívico Não Nos Calamos!). Que fazem os governantes desta aliança magnífica que nos foi imposta? Ora, PS continua apesar de já desmentido por TODOS que se tratou de causas naturais (é preciso ter lata!); o BE grita pelas  responsabilidades mas não move  qualquer acção para EXIGI-LAS e ainda relativiza; o PCP ficou surdo, cego e mudo mas teve tempo, antes do coma, de atribuir culpas ao antigo executivo. Lindo! E Marcelo? Bem esse perdeu o pio.

Quase 20 dias depois vem o assalto a Tancos. O maior de que há memória em armamento de guerra. Que fazem os tipos que nos governam? Relativizam, claro está. Ora, toda a gente sabe que “estas cenas” acontecem também noutros países, certo? Logo, tudo perfeitamente normal na Tugolândia. Pois é. Mas a comunidade internacional tem outra opinião (grande azar) e de repente passamos ser chacota muito bem merecida. Ora como é possível minimizar um roubo de arsenal militar que sai descontraidamente dum paiol por um buraquito na rede? Só mesmo políticos medíocres.

Com estes 2 “eventos mediáticos” houve algum ministro responsável deposto? Não. A mediocridade é para manter. Se nas empresas uma chefia que lidera com prejuízo é substituída, aqui é mantida. Porquê? Ora, todos sabemos que as demissões não resolvem os problemas, certo? (ai! se resolve! acabam os prejuízos! recupera-se a confiança! quando se tem uma liderança séria!) Pelo menos quando é o PS que está no governo. Porque estando na oposição, é isto: “PS pediu a demissão de Paulo Portas (19/9/02). PS pede a demissão do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira (11/1/13). PS pede demissão de Relvas e diz que Passos deve seguir o mesmo caminho (4/4/13). PS pede demissão de ministra das Finanças por “razões éticas” (17/9/13). PS, isolado, pede demissão de Teixeira da Cruz (11/9/14). PS pede demissão de Crato (7/10/14). PS pede demissão de Paulo Núncio (25/3/15).“As demissões não resolvem os problemas. Temos de mudar o chip” (4/7/17). Se não resolvem, porque as pediram no passado? Entretanto noutros países a conduta é muito diferente. Claro.

Mas se acha que a mediocridade só destruiu a segurança nacional, engana-se. O ensino que estava no topo graças a Maria de Lurdes e Crato, foi totalmente revertido para facilitar as passagens de ano com 7 “negas” em prol da felicidade. Investir em futuros ignorantes é uma aposta ganha para que nunca falte eleitorado às geringonças. As finanças do país estão em colapso com uma dívida galopante que não pára de crescer e as agora descobertas cativações que revelam o que estou farta de denunciar: um défice fabricado. As Instituições do Estado em ruptura financeira ameaçando a vida das pessoas. E os fogos? Depois dos raios que não existiram eles continuam de vento em popa às centenas pelo país. Alguém se preocupa com as causas? Claro que não. Mão criminosa é coisa para  tribunal NÃO resolver.

A mediocridade de Costa e seus ajudantes está a custar-nos caro nas finanças, na segurança nacional, no ensino, na saúde, na economia, na confiança internacional. É a destruição do Estado em curso. De forma consciente e voluntária. Porque quem conhece todas as falhas, mas insiste nelas sem nunca as corrigir, tem intenção que tudo falhe para justificar atribuindo culpas ao “azar”.

Mas azar fabricado é criminoso e  paga-se caro.

 

Assim se faz uma notícia simpática

5 Julho, 2017

Acordámos com uma notícia fofinha: as crianças vão ter mais meia hora diária  de recreio. Isto é o título. Lendo as notícias percebe-se que as crianças vão passar a ter menos meia hora diária de tempo lectivo. Note-se que são menos duas horas e meia de tempo lectivo no fim da semana o que já é significativo. Face ao espalhafato noticioso quase somos levados a acreditar que aquela meia hora foi acrescentada ao horário.

Mas a verdadeira notícia, a tal que havia que embrulhar num papel de lustro  é que enquanto as crianças pasam a ter menos meia hora de aulas por dia op professores passam a dar mais meia hora de aulas por dia. A quem? A ninguém: o recreio dos alunos passou a ser contabilizado como tempo lectivo para os professores.

Enquanto Pedrogão ardia o camarada Nogueira legislava na 5 de Outubro. E há mais. Tentem perceber o que vai acontecer no calendário escolar dos jardins de infância públicos no próximo ano.

Comissão de inquérito à falência da Santa Casa

5 Julho, 2017

Lisboa, 18 de Abril de 2024,

Decorreu hoje à tarde no Parlamento mais uma sessão da Comissão de Inquérito à falência da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o depoimento da ex-ministra das Finanças Mariana Mortágua. A actual deputada do Partido Democrático repetiu aquilo que tem sido a narrativa dos democratas durante vários anos: perante a bancarrota de 2019 e a necessidade de aplicar um programa exigente de rigor financeiro, todos os outros problemas se tornaram secundários. É certo que os problemas da Santa Casa se agravaram entretanto, mas o país tinha outras prioridades, e de qualquer das formas os erros mais graves foram cometidos, como toda a gente sabe, em 2016 e 2017. De facto, o depoimento da ex-ministra não destoou dos restantes depoimentos ao longo das últimas duas semanas. Recordemos:

A 4 de Abril, o depoimento de Tomás Correia, ex-líder da Associação Mutualista Montepio,   foi de novo adiado devido a um internamento de urgência. Não foi possível por isso esclarecer os vários factos estranhos ocorridos nos período 2016-2017, em particular o aumento da exposição da Associação ao banco Montepio, quando todas as boas práticas impunham o contrário. Por esclarecer ficou também recompra pela Associação das unidades de participação por um preço muito superior ao da sua cotação e as remunerações acima do mercado oferecidas pelos produtos financeiros da Mutualista.

A 5 de Abril, Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal foi instado a explicar porque motivo não se opôs à entrada da Santa Casa no banco Montepio com base numa avaliação duvidosa. Carlos Costas desviou a conversa para os problemas da Associação Mutualista, que não tutelava. Lembrou que tanto a tutela da Santa Casa como a tutela do Montepio eram do Ministério do Trabalho e Segurança Social e que a intervenção da Santa Casa foi feita para salvar a Mutualista. Excusou-se a explicar a extraordinária permanência de Tomas Correia à frente da Mutualista no período 2016-2016 lembrando que não tutelava a Mutualista.

A 8 de Abril, a ex-ministra do trabalho e da Segurança Social, Mariana Vieira da Silva, justificou a integração dos fundos mutualistas da Associação do Montepio na Segurança Social em 2021 com a necessidade de proteger os 700 mil associados, muitos dos quais recebiam pequenos complementos à sua parca reforma. Negou qualquer impacto negativo na sustentabilidade da Segurança Social, e afirmou que esta está garantida  até ao final do século graças à reforma de 2022. Recordou que, por imposição da troika, restaram poucas soluções. Instada a explicar a que troika se referia, se à Troika de 2011 se à Troika de 2019, Mariana Vieira da Silva disse referir-se à de 2019, mas que de facto o problema é mais antigo, acusando o então ministro das Finanças Vítor Gaspar de não o ter resolvido quando ainda era possível. Referiu ainda que a passividade do Ministério durante os anos 2016-2017 não é da sua responsabilidade. Só se tornou ministra em 2019.

Pedro Santana Lopes prestou declarações dia 10 de Abril. Voltou a contar a história da sua demissão da Santa Casa em 2019. Quando percebeu que a avaliação do Banco Montepio o tinha levado a investir num banco que valia metade do que pensava, demitiu-se.  Defendeu-se dizendo que, em 2017, quando a comissão Lacerda Machado, como ficou conhecida, garantiu que o banco valia 2 mil milhões de euros, ninguém podia prever este desfecho. Recordou ainda a compra do Montepio foi apoiada pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, pelo Banco de Portugal e pelo governo da época. Lembrou o objectivo meritório de criar um banco para a economia social.

A 12 de Abril foi ouvido o presidente da Comissão de Avaliação de 2017 e ex-presidente do Banco Montepio. Lacerda Machado pouco adiantou, justificando-se com falhas de memória e sigilo profissional. Por esclarecer ficou a compra, em 2019, de 50% do capital do Banco Montepio pela Santa Casa com base na avaliação de 2017. Defendeu-se alegando que ninguém podia prever a crise internacional de 2019.

A 15 de Abril a ex-provedora da Santa Casa Constança Urbano de Sousa foi instada a explicar o que a levou a aumentar a exposição da Santa Casa ao Montepio. Explicou, tentando evitar o choro, que o sucesso do novo jogo MegaBilhões, em parceria com a congénere indiana, tinha criado excesso de liquidez na Santa Casa e que lhe pareceu um bom negócio, depois de ler a avaliação da comissão Lacerda. Na época, o Montepio era o banco mais sólido do sistema e ninguém podia prever a desvalorização da rupia.

A 16 de Abril não houve sessão, talvez por isso o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tenha aproveitado para ocupar o espaço mediático. O Presidente referiu a importância da economia social e exigiu o apuramento de responsabilidades na falência da Santa Casa, até às últimas consequências, doa a quem doer. Aproveitou para desmentir a notícia do Expresso de Abril de 2017 que sugeria que a entrada da Santa Casa no Montepio tinha o seu apoio. “Nunca teve, sempre fui muito céptico em relação à mistura de organizações de solidariedade e a finança”.

A 17 de Abril, o actual Primeiro Ministro resumiu o impacto de toda esta aventura: 3000 milhões de euros foram injectados nos fundos da Associação Mutualista em 2021, 2000 milhões foram injectados no banco Montepio em 2019 e 1000 milhões foram injectados na Santa Casa e em outras Misericórdias em 2023. Resumiu, no ritmo pausado que lhe é habitual, aquilo que todos hoje pensam: a aventura da Santa Casa no Montepio foi uma aventura irresponsável com desfecho previsível. Em 2017 todos os intervenientes tinham toda a informação necessária para evitar este erro colossal.

E não lhe ocorreu perguntar «olhos nos olhos ao político de nível muito elevado» como consegue um grupo sob vigilância assaltar um paiol? Nem se percebe o que fariam se não estivessem vigiados!

5 Julho, 2017

O advogado e comentador José Miguel Júdice afirmou esta terça-feira, na TVI, que o grupo que fez o assalto em Tancos já estava a ser vigiado pelas forças de segurança.

Júdice, que admite que esta informação possa não ser verdadeira, garantiu ainda assim que estas revelações foram feitas “olhos nos olhos” por um “político de nível muito elevado”. Esse “político muito importante” deu-lhe autorização para usar esta informação que lhe garantiu ser verdadeira.

Estamos a ficar um pouco repetitivos, não?

4 Julho, 2017

Marcelo: Tem-se de apurar tudo de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer e apuramento quer dizer apuramento de factos e das responsabilidades.

Marcelo: “É preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”

Marcelo: “É tempo de apurar tudo sem limites nem medos”

Poema para os dias que correm

4 Julho, 2017

tesoura

Eu, Centeno, o cativador

 

Saio da cama onde roncara

Cativo as unhas e os pêlos da cara

Tomo um bom banho, ponho a gravata

Logo pareço um tecnocrata

Cativo a baguete e fatias de queijo

Saio de casa lançando um beijo

Rua compacta, fila a parar

Cativo à esquerda pra me despachar

No Ministério os gastos rejeito

E sem cerimónias, cativo a direito

Já no almoço, perante os mordomos

Peço laranja, cativada em gomos

Quanto ao café, cativo-o com leite

Pois fica mais fraco e é um deleite

E respeito o médico, que me deu o mote

Cativo no açúcar, só meio pacote

De volta ao trabalho, défice a escalar

Não há problema, é só cativar

Saio mais cedo e sem desmazelo

Vou ao barbeiro, cativo o cabelo

Chego a casa, patilhas imberbes

Cativo a relva e mais duas sebes

Na hora da ceia cativo o pão

Mais meia pastilha para o coração

Dentes lavados, cozinha arrumada

Vou para a cama com a minha amada

Ensaio um avanço, demonstro paixão

Cativa-me as vazas, diz-me que não

 

Aníbal Éter

 

 

Uns ministros confrontam-se com catástrofes, outros criam-nas

4 Julho, 2017

Escolas estão a passar de ano alunos com cinco negativas, Escolas seguem orientações da tutela e há alunos a passar de ano tendo negativa a metade das disciplinas. Há diretores a fazer pressão sobre os professores para subirem as notas nos conselhos de turma, cenário que resulta de orientações dadas pelo ministério e do que está previsto na lei desenhada pelo gabinete de Tiago Brandão Rodrigues, indicando que o chumbo deve ser aplicado de forma “excecional”

 

E daí podemos concluir que os administradores da CGD ainda são mais incompetentes do que aquilo que suspeitávamos?

4 Julho, 2017

“Não ficou demonstrado que tenham existido pressões” políticas para a concessão de créditos pelo banco público, que depois se revelaram negócios ruinosos e se transformaram em prejuízos pesados na Caixa Geral de Depósitos. Ao fim de cerca de um ano de trabalhos, a Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos não teve “suficiente informação ou depoimentos” para chegar a conclusões mais aprofundadas sobre a origem dos créditos ruinosos concedidos pelo banco público.

Extracto do diário de um senil

3 Julho, 2017

No ano da Graça de Nosso Senhor de 1915, estava eu ali sentado a ver os amores-perfeitos enquanto saboreava o cigarro Odalisca na fria manhã de Janeiro, eis que me apareceram capitães ou comandantes (ou assim), empunhando espadas que depositaram com visível desagrado em cima das prímulas roxas que ladeiam a escadaria. Senti que algo de grande importância se passara, pelo que fui buscar a máquina fotográfica e ainda tirei uma selfie gira antes de vestir o wetsuit para a minha sessão diária de bodyboard, a actividade física praticada por todos os cavalheiros instruídos dessa época. Demos abraços e partilhamos muitos afectos. Recordo-me que o Victor Hugo de Azevedo Coutinho, que cheguei a ver anos antes na Big Square, numa carriage acompanhado de quem penso que seria o Craveiro Lopes, estava, nessa altura, de férias no Algarve. Não me recordo se chegou a regressar dessas férias.

Ninguém em Portugal é condenado por pedir a demissão de quem quer que seja

3 Julho, 2017

Escreve-se no Observador:

Ativista que pediu demissão de Passos Coelho vai mesmo pagar 1.440 euros de multa

A senhora não foi multada por ter pedido a demissão de Pedro Passos Coelho. A senhora foi julgada e condenada por “crime de perturbação de funcionamento de órgão constitucional”
A dita activista até foi elogiada pelo juiz do Tribunal de Instância Central que a disse uma cidadã empenhada e que devia ser elogiada por isso, já que “há falta dessas pessoas”. “Agora o que a sociedade não pode permitir é que essa atuação se faça dentro da Assembleia da República”

Ora aqui está a oportunidade para uma selfie rara

3 Julho, 2017

Roubo em Tancos. Oficiais vão depor espadas em Belém em protesto

Pedrógão e Tancos Puseram o País a Nu

3 Julho, 2017

A propaganda estava perfeita. Vivíamos num país idílico. Costa geria o país dando fartura às clientelas e corporações encenando melhorias económicas através de um défice fabricado. De sorriso rasgado e ar no peito aclamava todos os dias que Portugal nunca estivera em tão bom caminho na recuperação dos rendimentos, da economia, do crescimento. A seu lado, seu fiel amigo que, incontinente de afectos, não poupou elogios ao Governo. Eis o que Costa dizia há pouco tempo:” Devolvemos ao país a normalidade. O país respira um clima de tranquilidade, com as famílias e as empresas a já não viverem no sobressalto do que poderá acontecer no dia seguinte”.Além disso, “o país respira um clima de tranquilidade e de estabilidade” e já não vive a “incerteza dos planos ‘B’ do Estado” (Encerramento das jornadas parlamentares do PS, Guarda, 22/11/2016). Foi preciso a tragédia de Pedrogão Grande e Tancos para acabar de vez com esta FALSA narrativa. E pôr a nu o verdadeiro estado da Nação.

A verdade arrasou-nos. Em pleno século XXI um país da CE deixava à sua sorte 254 vítimas confirmadas, 500 habitações, 48 empresas. O cheiro a morte e abandono espalhou-se. Mesmo tentando ocultar os factos, ao primeiro minuto, pouco a pouco, graças aos ainda bons jornalistas existentes, a nudez deste país à deriva foi-se revelando. A caixa negra do SIRESP deu a primeira machadada: afinal MUITO ANTES de colapsar, este sistema de comunicações dava conta do desespero das populações que gritavam por ajuda. Mas não a tiveram senão ao fim de 5h. Foi aí que se soube da falta de meios operacionais dos bombeiros, falta de coordenação das chefias dos organismos ligados ao MAI, falta de meios aéreos e terrenos por avarias, falha de formação, falta de responsabilidade governativa que em vez de acautelar no inverno andou a substituir chefias por boys sem competências. 

E se isto já era muito e obrigava à responsabilização política do MAI, veio Tancos com o maior assalto de que há memória em  armamento militar. E porquê? Precisamente pelos mesmos motivos: irresponsabilidade e negligência. Soube-se, só então, que nenhuma câmara de vigilância estava operacional. Que as 25 torres de vigias estavam desertas. Que durante 20h não houve vivalma em rondas. Que o material saiu por um buraco na vedação que já tinha sido sinalizada. 

Perante DUAS falhas GRAVES seguidas, que fazem o Presidente da República, Chefe do Estado Português e o Primeiro-Ministro?  Desaparecem. Emudecem. Agora que tinham de pôr em prática toda a propaganda de afectos e proximidade com as pessoas que dizem tanto os preocupar, FOGEM. O silêncio e a inércia foi tão cruel que até à data nenhum se dignou visitar as enfermarias dos hospitais cheios de vítimas de Pedrógão, ausentaram-se dos funerais, tomaram posse dos donativos sem data para a sua distribuição. Por falar nisso onde estão as reportagens ao minuto destas vítimas que lutam pela vida? Soares adoeceu e tivemos de levar com coberturas constantes de cada espirro que deu… Mas que é isto?

Ficamos assim todos a saber que temos os mais afectuosos líderes de sempre e o melhor défice do mundo, mas em contrapartida NÃO TEMOS SEGURANÇA NACIONAL, a obrigação mais básica de um Estado de direito. Que a qualquer momento podemos ser alvos doutras tragédias que ninguém nesta governação tem competência para nos valer. Que o melhor défice nos penhorou as vidas.

Ficaram nus. Totalmente nus. Além de nus, falidos. O dinheiro é uma ficção. Distribuiu-se o pouco que não havia descurando onde era vital. Uma governação medíocre que já não engana. Enquanto escrevo sei que nos hospitais públicos o colapso é iminente. Mas alguém está preocupado com isso? A Comunicação Social investiga? Naaaaa… Isso será quando morrer muita gente.

Porque valemos ZERO. Existimos SÓ nas eleições. E depois, vista grossa e muito “faz de conta” para enganar incautos.

Triste sina.

 

 

 

 

“Situação inaceitável” disse o ministro da Defesa. Tancos? Não…

3 Julho, 2017

Entrevistado na RTP o Chefe de Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, declarou que não lhe “passa minimamente pela cabeça” apresentar a demissão por causa dos acontecimentos de Tancos. Não deixa de ser curiosa esta afirmação vinda de um Chefe de Estado-Maior do Exército que chegou ao cargo após o seu antecessor, general Carlos Jerónimo, ter sido forçado a demitir-se porque o subdirector do Colégio Militar fizera uma declaração que podia ser interpretada como discriminatória para os alunos homossexuais.

Em Abril de 2016 nem o ministro da Defesa nem o Presidente da República esperaram por melhores explicações ou que a poeira assentasse. Imediatamente o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, veio pedir explicações, considerando a “situação inaceitável” (nada de pedidos de informações sobre boas práticas). O BE imediatamente requereu a audição do general Carlos Jerónimo para lhe perguntar se tinha conhecimento da “discriminação em função da orientação sexual”, existente no Colégio Militar. E de imediato o Presidente da República aceitou o pedido de demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Carlos Jerónimo, que foi substituído pelo general Rovisco Duarte. Um ano e dois meses depois tudo isso parece ter acontecido noutro mundo.

uma em três

2 Julho, 2017
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Enquanto o Sr. Ministro Azeredo aguarda, com a frieza de um cabo de guerra prussiano, o relatório sobre o que verdadeiramente aconteceu em Tancos (terá sido uma trovoada seca, um raio flamejante numa árvore frondosa?), um pasquim espanhol dá-lhe uma preciosa ajuda, e publica a lista exaustiva do material que foi roubado. Lê-se e não se acredita. E, com o espanto, só nos vêm três perguntas à cabeça, que são, verdadeiramente, uma só: quanto tempo levará a roubar tanto, tão pesado e perigoso material?; qual o verdadeiro estado de bandalheira dos nossos armazéns militares?; e quando é que o Senhor Ministro assumirá a integralidade das suas «responsabilidades políticas» e apresenta a sua demissão? Pelas chancelarias europeias devem estar a morrer de amores por ele…

pagamos impostos para quê?

1 Julho, 2017
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Em pouco mais de quinze dias, o estado português falhou, esplendorosamente, aquela que é a sua principal função: defender os cidadãos que o sustentam através do pagamento de impostos. Primeiro, não precavendo eficazmente um incêndio devastador, para o qual não houve meios, estratégia, nem resposta rápida que evitasse as dezenas de mortes que ocorreram. Depois, não sendo sequer capaz de guardar, com o cuidado que se impõe, armamento militar de extrema perigosidade que está (supostamente) à sua guarda. Se tivermos a infelicidade desse armamento ser utilizado aqui, por quem o roubou, Portugal falhará novamente: não temos a mínima capacidade para prevenir e evitar um ataque terrorista. Se, apesar da desgraça, quem tiver roubado esse material o destine para actos em países mais capazes do que o nosso, talvez haja a sorte – esperemos – de conseguir evitar o pior. De todo o modo, as «autoridades» portuguesas serão sempre responsáveis pelo que acontecer com esse material de guerra. E por falar nelas, nas «autoridades» portuguesas, as duas nódoas que temos pelos ministérios das tutelas respectivas continuam a proferir inanidades e a aguardar relatórios para apurar responsabilidades. Estes cidadãos, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, presumem que a responsabilidade política é igual à responsabilidade individual, e que carece de um nexo de causalidade inequívoco, entre os factos ocorridos e as suas estimáveis pessoas, para que se tenham de demitir ou serem demitidos das suas funções. Não se lhes ocorre que basta serem absolutamente incompetentes e incapazes de cumprirem o que está à sua responsabilidade para que devam dar o lugar a outros.

O roubo de armas em Tancos – contributos para a história da psiquiatria

1 Julho, 2017

 

Segundo o PCP resultou do «estado de degradação a que as opções políticas de sucessivos Governos, e de forma mais violenta do anterior Governo PSD/CDS-PP, conduziram as Forças Armadas»

Segundo o ministro da Defesa, Azeredo Lopes: o furto de material de guerra dos Paióis de Tancos não foi “a maior quebra de segurança deste século em toda a UE”.

O Presidente da República não quer comentar para já o roubo de armas na base militar de Tancos.

Sebastião volta para casa. Depressa.

1 Julho, 2017

Grenades, Ammo Stolen in Daring Raid at Portugal Army Depot

 

Thieves stole hand grenades and other weapons from a Portuguese military base in the middle of the day

 

Des grenades et des munitions volées à l’armée portugaise

Un arsenal de l’armée portugaise est cambriolé

…

O meu contributo para a resolução do roubo das armas

1 Julho, 2017

Pelas seis da tarde de quarta-feira a vedação dos paióis de Tancos foi cortada e deu-se a “intrusão” militarmente falando. Os “intrusos” entraram na zona militar e andaram entre 400 e 600 metros até ao paiol. Aí acondicionaram 120 granadas ofensivas, 1.500 munições, 44 lança-granadas e quatro engenhos explosivos “prontos a detonar” e umas outras coisas que por ali estavam a jeito. Devidamente abastecidos os intrusos saíram, terão atravessado a “zona militar” e voltado à vedação onde se supõe que tinham um veículo motorizado, puxado a tracção animal (ai se o PAN sabe), bicicleta ou quiçá patins.
No meio de tudo isto uma questão se coloca: os intrusos levaram as armas do paiol até à vedação como? Aqui deixo as minhas sugestões:

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Terá sido num carrinho de bebé?

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120 granadas ofensivas cabem aqui, não?

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Devidamente arrumados 44 lança-granadas vão bem aconchegados nestes carros super-giros

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Este não é para transportar nada. é para fazer de conta que são trabalhadores das obras

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Isto é assim já que se faz um roubo rouba-se com estilo: leva-se o saco azul Balenciaga que custa uma fortuna mas é Balenciaga

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O da Ikea é igual e é bem mais barato mas também com o apuro das granadas foguete anticarro uma pessoa pode deixar-se de contas de merceeiro

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Por via das questões de género…

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E por fim na versão original ou em imitação aqui está algo que não pode ter faltado em Tancos

E pronto agora calou-se

1 Julho, 2017

Após meses a comentar todos os dias os mais díspares assuntos o PR calou-se. Embatucou. Não fala. Alguem teráde lhe explicar que é Comandante Supremo das Forças Armadas e portanto aguarda-se um comunicado sobre as armas roubadas em Tancos.

Nem sei que outra pergunta se possa fazer

30 Junho, 2017

O ministro da Defesa que até agora fizera do namoro entre os alunos do Colégio Militar a razão magna da sua intervenção pública anunciou que vai pedir ao Exército para “verificar se estão a ser cumpridas as boas práticas [de segurança]”.

Não parece ao senhor ministro que depois de terem desaparecido  quarenta e quatro lança-granadas, quatro engenhos explosivos “prontos a detonar”, 120 granadas ofensivas, 1500 munições de calibre 9mm e 20 granadas de gás lacrimogéneo falar de boas práticas de segurança é assim uma espécie de anedota?

Lembram-se?

30 Junho, 2017
Em  Setembro de 1975, mil espingardas G3 foram desviadas do Depósito Geral de Material de Guerra, em Beirolas pelo capitão Álvaro Fernandes. No Rádio Clube Português, o capitão que entretanto entrara na clandestinidade afirmou que tinha desviado as armas e que as tinha entregue à esquerda ou mais propriamente ao PRP.
 Otelo Saraiva de Carvalho comandante do Comando Operacional do Continente (COPCON) confrontado com a entrevista do capitão Fernandes, respondeu:
«Sei pelo menos que as armas se encontram à esquerda e isso é uma satisfação muito grande. Se elas se encontrassem à direita, é que era perigoso. Como se encontram à esquerda, para mim estão em boas mãos.»

Não Nos Calamos!

30 Junho, 2017

A primeira atitude tomada pela Governo e Presidente da República no dia em que se dava conta da tragédia de Pedrógão foi a desresponsabilização total e absoluta. Contra factos não há argumentos. O primeiro ministro atribuía a matança a causas naturais inesperadas. O PR serenava os ânimos dizendo que tudo tinha sido feito. Sem saberem ainda de nada já sabiam que não havia responsabilidades deste governo porque estávamos apenas perante uma catástrofe natural. Porém, o ruído perturbador dos cidadãos nas redes sociais com denúncias e depoimentos sobre os factos, obrigou a uma mudança de estratégia. Curioso ver  que tanta certeza houve nos primeiros minutos e agora volvidos 13 dias dizem ainda não saber dos culpados.

Começou por ser um raio. Num eucalipto, essas malvadas árvores que têm a ousadia de arder? Não. Num pinheiro. Depois, já não era o raio porque sem trovoadas não os há. Passou-se à GNR esses militares que tiveram a desfaçatez de desviar  as pessoas para a estrada da morte. Mas descobre-se que só o fizeram porque não tinham comunicações entre eles. Entra o SIRESP ao barulho. Esse sistema de comunicações futurista do melhor e mais caro que o planeta tem mas que não funciona em caso de calamidades. Porém, alto lá que a malta do SIRESP respondeu logo (aqui a rapidez é estonteante) alertando que esteve operacional SEM FALHAS. Portanto, todos os que testemunharam o contrário são, de acordo com estes, um bando de mentirosos. Ao SIRESP juntou-se claro o governo, acusando a Protecção Civil pelas falhas. Tem lógica: se as comunicações mesmo sem antenas funcionaram, só podia ser dos incompetentes das chefias da ANPC. Aquelas 30 que o governo substituiu 5 meses antes, por gente altamente qualificada em advocacia, enfermagem, ciências do desporto e desencarceramento. Que por sua vez estão sob a alçada do MAI. Tem lógica.

O Costa começou a exigir respostas a todos os organismos envolvidos mas esqueceu-se de dar as respostas (bem, na verdade não se esqueceu, os jornalistas é que não as fizeram) sobre uma matéria que ele mesmo conhecia muito bem dado que foi ele que fez a adjudicação deste SIRESP formalizado em contrato assessorado pelo seus grandes amigos Lacerda e Constança. Foi graças a Costa que o contrato não contempla antenas satélite, nem geradores, não se responsabiliza em caso de calamidades nem falhas de comunicações que não sejam superiores a 4 dias. Com falhas assim, não se quer que resulte. Quer-se que falhe para justificar a compra de mais meios, mais boys, mais contratos ruinosos para o erário publico. É tão claro e simples de entender.

O que esconde Portugal nos fogos? Muita coisa. Começa pelos maçons como Capoula Santos que têm a pasta da agricultura, 5 dias antes da tragédia abria concurso de eucaliptos,  já tem um mega projecto piloto em marcha (e agora vejam só a rapidez record) para toda aquela mancha gigantesca de incêndio com cheiro a morte. Por falar em maçonaria, já espreitaram a quantidade abismal de maçons do PS aquando das governações do partido? 

Espanha aqui mesmo ao lado, com mesmo clima, enfrentou um grande incêndio numa zona turística. A origem pouco interessa. Interessa sim dizer-se que ficaram 2000 pessoas desalojadas mas NENHUMA sofreu qualquer ferimento. Que em 3 dias estava circunscrito e foi extinto sem intervenção estrangeira. Mas o nosso governo está a brincar com a inteligência de quem?

Não somos parvos. Não somos um bando de ignorantes. Exigimos respeito. Não admitimos que nos mintam descaradamente para salvar a pele. Não toleramos negligência criminosa tratada com pinças. Gente sossegadamente a gerir os destinos da Nação sem assumir responsabilidades nem tomar as medidas correctas e urgentes para proteger as populações destas e outras desgraças como é seu dever.

Porque meus caros senhores, NÓS NÃO NOS CALAMOS. Podem perseguir o Sebastião Pereira que apenas teve a coragem de dizer o que tinha de ser dito e que CÁ em Portugal queriam silenciar. Porque, nós povo, SEREMOS TODOS SEBASTIÕES PREIRA e faremos de tudo para que jamais este assunto morra sem os respectivos culpados serem julgados. Sem TODAS AS VÍTIMAS ressarcidas dos danos. Deste e daquele que em 2016 deixou tanta gente sem nada e AINDA estão à espera. Lembram-se? Está AQUI o auxiliar de memória.

Nós não nos calamos mais! Nunca mais!

#naonoscalamos

 

A caminho doutro dia mais difícil na ministerial vida

30 Junho, 2017

Lança-granadas e explosivos roubados de Tancos.

Sturm und Drang

28 Junho, 2017

 

Uma semana depois da tragédia, quando já ninguém contava com tal, eis que vemos um líder político a pedir desculpa aos portugueses em Pedrógão Grande. Trata-se de Pedro Passos Coelho e a atitude tomada foi a correcta; faz parte das boas práticas da democracia que o vencedor das eleições assuma as devidas responsabilidades quando, posteriormente, as coisas correm mal. É o preço do sucesso, ou, como reza a frase que já foi utilizada por Churchill, Theodore Roosevelt e FDR, mas que todos associamos unicamente a Uncle Ben, tio do Homem-Aranha, “with great power comes great responsability”.

O presidente do PSD fez bem em retractar-se, uma vez que utilizou o tema do suicídio de uma forma totalmente desadequada e irresponsável. Não nos podemos esquecer do “efeito Werther”, o famoso suicídio por contágio, assim baptizado após uma série de jovens setecentistas apaixonados ter posto termo à vida depois de ler o terrível destino do personagem de Goethe. Trata-se pois de um assunto demasiado sensível para ser invocado sem os devidos cuidados e devemos reservá-lo, tal como fazemos com aquele charuto que nos trouxeram de Cuba, para as ocasiões certas. Associá-lo, por exemplo, a uma notícia intitulada “consequências da austeridade dos governos de direita” ou “consequências da austeridade dos governos do PS quando estes não são apoiados pelo PCP e BE”, é uma das boas abordagens ao fenómeno permitidas.

Embora concorde com o pedido de desculpas, julgo que Passos Coelho dispunha de outras saídas mais airosas do problema em que se meteu. Poderia começar por pedir publicamente esclarecimentos a vários órgãos internos do partido (“Caros membros da Comissão Política Nacional, como é possível que eu tenha dito isto?”; “Caros deputados do Grupo Parlamentar, o que é que me meteram na meia-de-leite?”; “Caros juristas do Conselho de Jurisdição Nacional, posso expulsar os deputados que tomaram o pequeno-almoço comigo?”) e, de seguida, exigir explicações (em público, naturalmente) a um qualquer vice-presidente do PSD. No final, para rematar, avançava para um pedido de averiguação cabal com vista ao apuramento de responsabilidades pelas infelizes declarações. Entretanto, quando o relatório estivesse concluído, já não existiriam portugueses vivos que se lembrassem do episódio.

Há quem diga que o líder da oposição, ao anunciar suicídios falsos, cometeu um verdadeiro: o seu próprio suicídio político. Julgo existir nesta análise alguma precipitação. É provável que Passos Coelho apenas tenha tido razão antes do tempo; da maneira que todas as entidades estão a empurrar as culpas para longe, não vai demorar muito até restar apenas a hipótese de suicídio colectivo para justificar as 64 mortes ocorridas. É só ir buscar o Werther à estante e puxar um bocadinho pela imaginação.

 

Vénia ao brilhantismo de Salvador Sobral

28 Junho, 2017

Salvador Sobral é o maior artista que Portugal gerou, ponto final. Andei dias cabisbaixo, sem saber como reagir ao simples facto de toda a gente parecer alegremente conformada com os homicídios por negligência de sessenta e quatro pessoas cometidos pelo governo e, eis que, num espectáculo cujo propósito é fazer gente sentir-se bem com a enorme generosidade sob flashes fotográficos (a que, outrora, denominávamos por “caridadezinha”), Salvador Sobral caracterizou toda a comunidade política e social deste país de forma lapidar.

Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido a ver o que acontece.

Podia ter sido António Costa. Podia ter sido Marcelo Rebelo de Sousa. Podia ter sido o senhor inspector que identificou a árvore vítima da trovoada seca. Podia ter sido a ministra da administração interna. Podia ter sido o secretário de estado que culpou os curiosos. Podia ter sido qualquer um dos milhares de anónimos que dizem que isto foi uma grande tragédia que não podia ser evitada. Podia ter sido pelos que perseguem o repórter sob pseudónimo do jornal espanhol e pelos que garantem que essas notícias foram plantadas. Podia ter sido pelos que não se indignam com a Maria de Belém dizer que mães comem filhos por fome de austeridade mas pedem a cabeça do Passos Coelho por dizer uma bacorada da qual imediatamente se retractou. Podia ter sido qualquer um de vós, os que aceitam qualquer coisa com etiqueta contrafeita “made in esquerda”. Foi Salvador Sobral.

Parabéns, Salvador Sobral. O grande artista é aquele que nem sabe que está a fazer arte.

E talvez uma medalha para o PS pela forma como o seu governo actuou em Pedrogão?

27 Junho, 2017

Distrital do PS pede demissão do provedor da Santa Casa de Pedrógão Grande

A demissão da ministra faria por exemplo esquecer declarações como estas

26 Junho, 2017

As sucessivas actualizações das notícias sobre Pedrogão levaram a que as declarações iniciais fosse rapidamente esquecidas mas elas foram feitas e culpavam as vítimas.

Jornais locais como o Centro Notícias ainda as conservam

“Curiosidade” e “inconsciência” explica algumas das mortes

O secretário de Estado Jorge Gomes explicou esta manhã que, entre os mortos, “uns tiveram o azar de serem apanhados pelo fogo, outros morreram por inalação de fumo quando observavam o fogo“. Foram encontrados 30 mortos dentro de viaturas, 17 pessoas fora de viaturas ou nas margens da estrada nacional 236 (que liga ao IC8) e, ainda, 10 pessoas em zonas rurais, explicou Jorge Gomes.

Esta descrição já tinha sido feita esta madrugada por Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que falou na “curiosidade” e nalguma “inconsciência” como um dos fatores a explicar as mortes. “O fogo progrediu a uma velocidade diabólica, nunca vista, inimaginável”, afirmou o responsável já esta manhã, ouvido pela RTP, elogiando a “grande capacidade das forças no terreno, que rapidamente chegaram ao local e se organizaram, sentiram-se no limite das suas capacidades. Tudo fizeram, numa luta desigual contra a natureza zangada”.

 

Caro Sr. Presidente, Lembra-se da Minha Carta?

26 Junho, 2017

Eu sei que a leu apesar da ausência total de resposta.  Embora a esperança de poder despertar em si algum sentimento que o fizesse reavaliar sua actuação, tive sempre consciência que o politicamente correcto poderia ter mais força. E teve. Infelizmente. Tudo continuou igual com elogios rasgados a uma governação cheia de falhas, perigosamente a roçar na irresponsabilidade. Lembra-se das minhas palavras sobre um défice que não passava de um embuste? Pois tem aqui, na tragédia de Pedrógão Grande a confirmação dos medos que lhe transmitia a aos quais lhe pedia ajuda.

Uma governação que maquilha números com suspensão de pagamentos a fornecedores, cortes a torto e a direito na despesa pública, suspensão total de investimento público crucial em vários segmentos,  nunca deveria ter do nosso Presidente da República qualquer apoio senão o da responsabilização. Porque quem apoia cortes e suspensão de pagamentos cegos, assina sentenças de morte num povo indefeso. Hoje foi Pedrógão Grande com o maior e mais mortífero incêndio de que há memória. Amanhã será num hospital, numa escola, numa estrada, numa ponte, num edifício, num sismo, numa inundação, num transporte público.

Depois, virão a público todos emocionados dizer que tudo foi feito. Que foi uma calamidade. Que foi imprevisível. Justificarão com tudo e com nada a inoperacionalidade de um Estado que serve apenas para tirar 70% do rendimento das famílias e que já tem em curso mais aumentos de impostos. Mas na hora de cumprir sua função, demite-se de todas as responsabilidades com o apoio incondicional do nosso Presidente. Como é possível em pleno século XXI, num país da Europa, ter gente no governo assim com seu aval?

Tinha declarado no ano passado que iria acompanhar durante o inverno tudo de perto para que nunca mais vivêssemos situação tão dramática como em 2016. Mas, esqueceu-se de nós. E à nossa sorte, ficamos sem ninguém para nos socorrer e proteger das malditas chamas. E mais de 200 pessoas sofreram as consequências. Não há agora nenhum afecto que reponha a vida como ela era para estas vítimas. Não há palavras nenhumas que façam regressar quem partiu de forma tão macabra. Não há abraço nenhum que apague da memória o que esta nossa gente viveu no meio do inferno. Não há solidariedade nenhuma que traga de novo o que se perdeu. E mesmo assim volvida uma semana não há um único responsável assumido por esta catástrofe! Acha isso normal?

Pois eu lhe digo, que por eles, pelos seus que sucumbiram, por nós, gritarei a minha revolta todos os dias. Transformarei a minha indignação em palavras de ordem. Levarei minha voz até onde for preciso, seja cá seja na UE para que ACABE de vez esta impunidade severa e vergonhosa de quem sucessivamente nos governa e não cumpre com seu dever para com a população. Quero ver REVERTIDOS todos os contratos ruinosos que servem clientelas em vez de prestar serviço às povoações.

Porque basta! Sr. Presidente, basta! Porque somos nós que estamos a morrer. Somos nós as vítimas. Mas também somos nós quem tem obrigação de por no lugar quem se demite das suas funções e não cumpre com seu dever de servir o cidadão que os elege.

E nós só descansaremos quando nossos direitos forem cumpridos. Integralmente.

Com os meus melhores cumprimentos.

Cristina Miranda

Demissão de Constança Urbano de Sousa?

26 Junho, 2017

De repente a demissão de Constança Urbano de Sousa tornou-se quase um imperativo. Francamente acho inútil e neste momento demagógico. Constança Urbano de Sousa teve alguma responsabilidade no que aconteceu? A demissão de Constança Urbano de Sousa vem ou não acrescentar confusão num momento em que as ionverstigações estão numa fase crucial? É ou não acrescentar risco na época de incêndios demitir a chefia do MAI?

Para já a demissão de Constança Urbano de Sousa satisfará as redacções que ficam com notícias; criará a ilusão de que o culpado foi encontrado e já se fez o que se tinha de fazer.

 

Tudo é nada. E o nada é medo

26 Junho, 2017

É do imprevisível que o Governo e o Presidente temem que venha aquele momento em que o falhanço do Estado se torna óbvio. Porque esse mesmo Estado que regulamenta e taxa tudo, que absorve quase metade da riqueza produzida no país, que determina o que comemos, como morremos, o que dizemos aos nossos filhos, como devemos gerir as empresas que criamos; esse Estado cheio de “meninas César” que saem das faculdades direitinhas para as autarquias, as empresas públicas e os institutos onde decidem taxas, licenciamentos, exigem sempre mais um documento, mais uma assinatura e mais um certificado, esse Estado falhou clamorosamente no que tem como sua primeira missão: defender os cidadãos.

Um presidente aterrado com o nada a que chegámos

24 Junho, 2017


Marcelo exige: “É tempo de apurar tudo sem limites nem medos”

Marcelo. É preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”

Marcelo Rebelo de Sousa quer que o parlamento aprove, antes das férias, um pacote legislativo global que abarque várias áreas, do ordenamento florestal às questões penais. “Sobre tudo, mas tudo é tudo“, declarou o Presidente da República ao Expresso.

Obrigado, meu amigo, mas é tempo de assumir a verdade

24 Junho, 2017

O Helder Ferreira é um amigo, mas não posso permitir, em consciência, que arrisque a vida confessando ser o Sebastião Pereira. Há alturas na vida de um homem em que é preciso coragem para cumprir os desígnios superiores e aceitar as consequências, por mais terríveis que sejam. Eu é que sou o Sebastião Pereira.

Não Foi Por Acaso!

23 Junho, 2017

Não há acasos quando as mesmas coisas se repetem sucessivamente durante décadas. Quando se investe majestosamente em equipamentos e meios e em vez melhoria nos resultados piora assustadoramente.  Só um estúpido acredita que isto tudo pode ser obra do acaso, do infortúnio. Desculpem-me, mas a verdade, pela nossa segurança, tem de ser denunciada: a inoperância é o objectivo.

Portugal pelas suas dimensões e características florestais, não precisa de Kamovs e de SIRESP. Estas necessidades inventadas pelos “amigos do Estado” abriram caminho à nossa sentença de morte: os Kamovs foram adquiridos para reaver dinheiro da ex-URSS. Equipamento russo, obsoleto e sem peças para fazer a manutenção. Estão avariados; o SIRESP não funciona em situação de catástrofe ou calamidade pública. Por isso FALHA SEMPRE que precisamos verdadeiramente dele. Mas em contrapartida, os contribuintes pagam como milionários estes negócios.

Os Kamovs custaram na aquisição 42,1 milhões. O Estado celebrou um contrato onde se prevê um número mínimo de voo exagerados e em média quase o dobro, elevando o custo da manutenção. Assim, foi suportado pelo erário público em 2008, 2312 horas de voo mas só foram efectuadas 1269 com um diferencial de 5,4 milhões a mais. Até 2013 o Estado pagou sempre horas a mais sendo que em 7 anos voaram 9562 horas mas foram pagas 14 531. Mais 22 milhões em horas não voadas! Mas há mais: António Costa então ministro da Adm. Interna, assinou seis dias antes de sair do cargo, um memorando elaborado pelo gabinete de Rocha Andrade, permitindo o ajuste directo para aquisição de aluguer de meios aéreos porque tendo firmado contrato com faseamento de entrega dos Kamovs, sabia antecipadamente que não estariam operacionais no verão de 2007. Mesmo assim não lançou concurso normal em 2006, preferindo que se  invocasse mais tarde urgência, para justificar o ajuste directo. E assim foi. Os juízes do TdC arrasaram a actuação de Rocha Andrade subsecretário de Estado da Administração Interna  que ainda alterou e aligeirou o contrato com a Heliportugal numa altura em que a empresa já se encontrava em incumprimento com o Estado. Maravilha!

O SIRESP volta a pôr no palco das negociações Rocha Andrade, Costa e Lacerda. Claro! (estes estão em todas). De cinco empresas consultadas, estranhamente apenas uma se interessa pelo negócio (cof! cof! cof!). Esse consórcio é constituído pela SLN 33%, PT 30%, Motorola 15%, Esegur do Grupo Espírito Santo 12%, DataComp 10%. O processo de adjudicação começa em 2002 onde SÓ uma proposta é entregue. A adjudicação acontece estranhamente aprovada pelo governo de Santana Lopes 3 dias depois da eleições legislativas que deram vitória ao PS. António Costa anula não integralmente o concurso e faz nova adjudicação ao mesmo consórcio. Fecha o negócio por 485 milhões, menos 52,5 que o previsto. Esta “pequena” diferença viria a dar outra reviravolta. Costa acabava de eliminar custos com geradores para justificar poupança. Estão a ver? Geradores? Aqueles equipamentos que asseguram a continuidade sem energia eléctrica? Diogo Lacerda era advogado desta PPP assim como foi júri do concurso dos Kamovs, estão a ver o filme? O Ministério Público perante suspeitas do concurso estar viciado desde o início, abre investigação e depois um inquérito que caiu em saco roto. Um hábito muito português. De acordo com o artigo de Joaquim Sarmento, desde que foi assinado, este contrato já foi objecto de 3 renegociações. Se fosse o Estado a pagar seriam apenas 280 milhões mas para que se justificasse a entrega a privados foi revisto de modo a apresentar mais custos para o Estado aproximando os valores. Neste contrato o Estado não tem benefícios mas paga um encargo anual de 40 milhões. Não tem cláusulas de fiscalização nem de acompanhamento de instalação e equipamento. Contudo tem uma cláusula em que o valor a pagar pelo Estado só reduz se o equipamento falhar durante vários dias. Bem como outra, também estúpida de Alocação de Risco – Acts of Gods que se destina à salvaguarda de desastres naturais. Um contra-senso absurdo porque é precisamente para essas calamidades que se destina o SIRESP. Assim, iliba os privados de qualquer responsabilidade para a finalidade a que se destina. Bonito não é?

Mas isto não fica por aqui. Num testemunho que recebi por videoconferência tomei conhecimento através de um ex-bombeiro especialista que no cenário das operações, tudo se organiza e coaduna no sentido de haver uma inoperância inicial em situação de incêndios. Este operacional explica detalhadamente que propositadamente não se tomam medidas imediatas ao alarme. Enviam-se alguns bombeiros para o terreno com jipes e camiões cisternas com ordens dos comandos centrais para passear no teatro das operações de um lado para o outro até haver ordens para avançar. Um show-off para os média. Por isso, alguns populares vêem os bombeiros passar dizendo que estão a caminho de outros fogos, sem parar para as assistir. Depois, vem a ordem e esticam as mangueiras atirando água para o fogo que segundo este especialista ex-paraquedista, não só não apaga o fogo como contribui para o seu alastramento. Diz ainda que, é contraproducente uma descarga de água com esta carga térmica porque ela alimenta o fogo provocando um arrefecimento bruto no oxigénio e propaga-o. Todos sabemos que o fogo se alimenta de oxigénio, certo? E que o dióxido de carbono, o mata, certo? Explica que o fogo tem de ser combatido por dentro e não por fora. Que o efeito químico da água é perigoso e põe a vida do bombeiro em risco. Que os meios aéreos com água em vez de calda retardante, também representa perigo para os aviões e alimenta as chamas que se tornam mais violentas. Que o vento forte é reacção química desse incêndio sendo que o combate eficaz se faz em terra com corta-fogos logo no início do incêndio. E levanta uma questão pertinente: já reparam que o teatro de operações dos grandes incêndios é sempre perto de grandes cursos de água?

Mas, alguém começou a dizer que os corta-fogos eram perigosos. Que a calda retardante, também. Que os meios aéreos eram vitais. A FA dispendiosa e  dispensável. A ajuda dos espanhóis desnecessária. A narrativa perfeita para justificar os contratos ruinosos e mortíferos que comandam agora a segurança  das pessoas. Segundo este profissional, os comandos operacionais são liderados por gente que não sabe combater um fogo, nem nunca estiveram no terreno. Não fazem a mínima ideia de como organizar um combate caótico desta natureza. São gente de gabinete, alguns expert em desvios de verbas.

Foram 200 vítimas desta vez. D-U-Z-E-N-T-A-S! Porque ao contrário das outras vezes, um erro não calculado encurralou gente numa estrada. Não fosse isso, seria só mais uma contabilização aos prejuízos materiais. Entrega de verbas por áreas ardidas que quanto maiores mais recebem. Quis o destino que esta brincadeira com a segurança das pessoas acabasse aqui.

E por elas, pelos seus que sucumbiram, por nós, chegou a hora de pôr um BASTA nisto!

Não deixe morrer este assunto até que se REVERTA todos estes negócios da China. 

Porque hoje foi num incêndio e se amanhã houver um sismo? Pense nisso.

 

Novas rotundas com os vossos donativos

22 Junho, 2017

António Costa é genial. Pegando nos donativos das pessoas chocadas com a tragédia, propõe juntar tudo numa linda pilha de dinheiro passível de ser distribuída pelos autarcas amigos. Pode ser de uma sujidade nunca vista, mas, ao menos, permitirá uma ou outra rotunda gira ainda a tempo das autárquicas.

Ainda há quem questione a honra das prostitutas.

Casa na Cidade

22 Junho, 2017

 

 

A rapper Capicua dedicou uma das suas crónicas na Visão – http://visao.sapo.pt/opiniao/2017-05-04-Um-achado – ao problema da habitação. Não ao “problema da habitação” de que nos falava Ruy Belo, o poeta interessado na nossa existência terrena e na forma como devemos habitar este mundo, mas à dificuldade real de arrendar a casa que queremos, no sítio que desejamos, ao preço que estamos dispostos a pagar. Mariana Mortágua, perturbada pelo texto de Capicua, escreveu um outro no Jornal de Notícias – http://www.jn.pt/opiniao/mariana-mortagua/interior/as-cidades-tambem-se-desertificam-8559049.html – acusando os turistas, os especuladores e a Lei das Rendas de Assunção Cristas de serem responsáveis por este flagelo humanitário: não existirem proprietários com casas boas, baratas e localizadas nos centros de Lisboa e Porto disponíveis para todos os interessados. E eu, solidário com a causa, contribuo com esta letra para ser adaptada pela Capicua à sua música “Casa no Campo”…

 

Casa na Cidade

 

Eu quero uma casa na cidade como Elis Regina

que músicas à parte era muito citadina

por mim até podem ser mais, as casas nunca são de mais

uma na Foz, nos Pinhais, outra em zonas mais centrais.

Casa na cidade no sítio que eu escolher

com contrato dos antigos, pronta pra me receber

casa com soalho, mesa grande pra comer

e um senhorio nabo pronto para se f….

Quero uma casa bonita pra que nunca me arrependa

em que tudo seja novo menos o valor da renda

longe dos arredores saloios, sem apoios

lugares esquecidos onde não passam comboios.

Sinto falta da cidade que existia antes da Cristas

repleta de ruínas e deserta de turistas

eram tempos divertidos lá na Praça da Batalha

em que só se aventurava quem andava de navalha.

Quero uma casa na cidade com contrato vitalício

e poder enxovalhar quem lhe chama benefício

é que as rendas congeladas eram um bonito vício

que alargava para a vida o período natalício.

 

Onde é que aprendeste o que é a propriedade?

Foi lá no ISCTE, onde fiz a faculdade.

Diz-me qual é o teu ideal de cidade…

Prédios a cair em prol da genuinidade.