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25 de Abril de 2017

24 Abril, 2017

Carnation isolated on white background

Chegou aquela altura do ano. Aos 43, ainda restam alguns anos até que a menopausa aniquile a vontade de se relacionar com ele com genuíno entusiasmo. Passou tão depressa. Para já, está no que considera ser o pico sexual, desprovida de pruridos, disposta a experimentar novas posições e, bolas, antes que mude de ideias, o tal ménage à trois que ele acabou por confessar que há muito desejava. São adultos, estão juntos há tanto tempo, não faz qualquer sentido sentirem ciúmes por algo que nem sequer envolve afectos, que não passa de luxúria inconsequente.

Ah, mas os miúdos… Sempre com problemas. Tiram a vontade a qualquer um. Não há contraceptivo mais eficaz que os dispositivos extra-uterinos que dormem no quarto ao lado. Deviam passar um fim-de-semana a sós, sem filhos. Um restaurante agradável, nada de fast food e happy meals, uma refeição sem brinde de plástico e uma garrafa de vinho para os dois. Este mês não dá: há o torneio de futebol e, no Domingo, as compras para a mãe dele, que foi operada à anca. Para o próximo também não, que é o da certificação lá na repartição e terá que trabalhar horas extraordinárias. Depois vê-se. Agora é que era bonito, que é Primavera. Talvez no Verão.

Não é que sejam infelizes, mas discutem muito. Falam muito e escutam pouco. Um dia que os filhos saiam de casa, continuarão juntos? É cedo para saber, ainda são pequenos. Mas, depois, será tarde para arranjar outro, não? Para se apaixonar outra vez? Além de que é uma canseira e as feições começam a enrugar, além do cabelo, o que exige tinta semanal para afastar as raízes brancas como cal. Não se pensa nisso. Espera-se que corra pelo melhor. É confortável acreditar que ficarão sempre juntos, nem que a paixão esmoreça.

Festeja-se o aniversário, que os miúdos ficam contentes, mesmo que não apeteça lá muito. O que saberia bem mesmo era passar o dia no sofá sem que ninguém chateasse.

uma vitória de pirro

23 Abril, 2017
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macron

É bem provável que Emmanuel Macron ganhe, à segunda volta, as presidenciais francesas. Apesar do voto em Mélenchon e em Fillon não ser automaticamente transferível para o ex-ministro socialista, até porque, sobretudo no primeiro dos dois candidatos votaram eleitores sociologicamente muito mais próximos de Le Pen, o elevado índice de rejeição à líder da FN deverá ser suficiente para que ela perca estas eleições. Esta será, porém, uma vitória de Pirro, que poderá não ter outro efeito que não seja o de adiar, por cinco anos, um desenlace fatal da vitória da extrema-direita. Os sinais disso são claros. Primeiro, já nestas eleições, 41,2% dos franceses votou contra a União Europeia e não se antevê que a União lhes venha a dar motivos para reverem a sua posição, num futuro próximo. Segundo, porque a islamização de França, onde reside a origem do terrorismo que tem assolado o país, não se resolve com «políticas» de imigração ou outras, porque o tempo para isso já lá vai. Hoje, a comunidade muçulmana francesa é gigantesca, não se acultura, cresce enormemente e continuará a querer ver o Islão implantado nas terras gaulesas. O fim do terrorismo nesse país é uma distante miragem. Por fim, porque Macron, sendo eleito, será um presidente sem partido, o mesmo é dizer, sem exército, que terá de negociar, a par e passo, qualquer medida estrutural que pretenda pôr em marcha. Ora, com um Partido Socialista à beira da destruição e com a Frente Nacional a ultrapassar a direita republicana clássica, não se imagina que o sistema partidário se submeta ao novo presidente, que tratará de desgastar o mais que puder. E como Marcon não é, seguramente, de Gaulle, será no quadro da V República que o próximo presidente será eleito. Daqui por cinco anos, com mais terrorismo, mais contestação europeia e mais conflitualidade política. Não vai dar bom resultado.

sauve-qui-peut!

22 Abril, 2017
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Sobre os ombros destes quatro irresponsáveis da fotografia repousa o futuro de todos nós. É preocupante! Da esquerda para a direita, o primeiro cidadão apresenta-se a sufrágio envolvido em escandaleiras de venalidade política, que atingem os seus familiares mais próximos. O segundo, com as mãos entrelaçadas, quem sabe em gratidão ao Senhor pelo resultado que as sondagens lhe vão prometendo para amanhã, foi, ainda há pouco tempo, ministro da economia de um dos piores governos da V República Francesa. E em que estado deixou ele a economia do seu país, Senhor! O terceiro, que certamente se terá esquecido de trocar o casaco de lareira, onde estaria a dormitar antes do debate, pelo do fato, tem dito, ao longo da campanha, inúmeras patetices bolivarianas, de recorte madurista. Se alguma vez chegasse ao poder, o melhor que poderíamos desejar era que não soubesse o que fazer com ele. Se, por acaso, levasse a sério o que tem dito, a França deixaria de ser uma país democrático e ainda mais perigoso do que já está. E, por fim, a menina da fotografia, a Joana D’Arc da nova extrema-direita francesa, a filha ainda não pródiga do velho fundador da FN, provavelmente a mais perigosa dos quatro, considerando que Mélenchon dificilmente chegará ao poder. A menina Le Pen pede aos franceses uma oportunidade para dirigir os seus destinos. E para quê? Para tirar a França da União Europeia, mandar às malvas o eixo Paris-Berlim, que tem aguentado a paz e a prosperidade europeia nos últimos 65 anos, rebentando, assim, com o nosso modo de vida, que pode ter muitos defeitos, mas que é certamente melhor do que o que o precedeu e provavelmente muito melhor do que o que lhe sucederia. Por ser essa a consequência principal do seu hipotético reinado, é que a menina Le Pen recebeu o imprevisto (?) presentinho do Daesh, de há dois dias, nas ensanguentadas ruas de Paris. As eleições presidenciais francesas são um autêntico pesadelo do qual a melhor saída será sempre a menos má, mas, ainda assim, certamente péssima. Amanhã começaremos a saber qual será ela.

Ninguém grita homofobia?

22 Abril, 2017

Ninguém grita homofobia?

Xavier Jugelé, 37, Officer Killed in Paris, Was Defender of Gay Rights

Então, Fernanda? Rui? Filiados no Livre? Catarina? Jovens bloquistas? Quadros? Gays pela Palestina? Movimento LGBTPISFEFHWOWSDDRSS–2? Ninguém?

Isabel?…

Podemos ficar fora da rede transeuropeia de terror?

22 Abril, 2017

Na semana em que o Senhor Presidente da República conseguiu o feito de chegar ao local da queda de um avião antes das televisões, diz-se que para oferecer aos portugueses a segurança participativa e emotiva em todos os eventos que caracterizam a vida quotidiana, uma espécie de “dar a mão e o conforto a todos que possam necessitar”, o Senhor Primeiro-Ministro, dotado da sua cândida pose de chavasco que causa pejo a quadrúmanos, veio dizer-nos que “nada pode ser feito” para que não haja novos atentados terroristas. Na realidade, prefiro acreditar que disse que “nada pode ser feito para que não hajam novos atentados”, tendo sido a deslocação da posição das aspas uma pequena cortesia dos jornalistas.

Oferecendo um delicioso corolário para pontuar o estropício, disse-nos que “por cada caso que aconteceu, dez não aconteceram”. Ora, não aconteceram porque, como “nada pode ser feito” para evitar actos de terror, os dez foram contabilizados a olho, com um achismo daqueles em que o número é escolhido para não parecer nem excessivo nem deficitário, ou, porque como até há algo que pode ser feito — e é feito — foram neutralizadas atempadamente — e graças a Shiva1 — as acções que levariam a um fatal acto terrorista?

É curioso que um homem com engenho para salvar a sua própria pele das facas da derrota eleitoral, nem que à custa de sacrifícios por contabilizar, tenha uma atitude tão conformada à inevitabilidade de “danos colaterais” em forma de morte de pessoas inocentes. A alternativa a este pensamento seria considerar que as declarações do Senhor Primeiro-Ministro são um convite à realização de um acto de espectaculosidade activista em território português, para não ficarmos fora da rede transeuropeia de terror, como já ficamos da do comboio de alta-velocidade. Bem, ao menos essa alternativa permitiria resolver a praga dos turistas e, quem sabe, ainda sacar uns fundos de solidariedade lá aos Hunos, mas o Senhor Primeiro-Ministro seria incapaz de sugerir tamanha barbaridade. Ou não seria?


1 Usaria “Deus”, mas tal conceito está démodé na urbanidade que se deslocará ao beija-mão do Papa.

O lado bom do comunismo é a face grafitada do muro

21 Abril, 2017

nazismo-bom-e-mau.png

Aguardamos ansiosamente o inquérito que diga que o comunismo teve coisas boas e más. Sugiro Portugal como local do inquérito, que é para podermos ler de seguida a opinião dos nossos interessantes colunistas assalariados e anti-capitalistas sem qualquer contradição graças ao materialismo dialético.

Pequeno sumário sobre a vida, o universo e tudo

21 Abril, 2017

Todo o sistema ideológico moderno consiste na busca espiritual de algo que nos transcende como humanos. Durante centenas de anos tivemos Deus para preencher esse papel, porém, em 1960, isso começou a mudar. Podemos falar de marxismo cultural — que é uma realidade, note-se —, mas, como tudo neste planeta, grandes mudanças só ocorrem através de grandes eventos disruptivos. Apenas a partir de 1960 estavam reunidas as condições para a revolução espontânea, aquela que verdadeiramente mobiliza as pessoas, não as revoluções das Catarinas Martins de esquerda ou de direita. A pílula contraceptiva permitiu iniciar o processo de transição da divindade metafísica para a revolução sexual. De forma progressiva, a influência clerical no ocidente foi decrescendo pela constatação da obsolescência de um único mandamento: “não cobiçaras a mulher do próximo”. A partir do momento em que a cobiça de mulher alheia acarreta uma probabilidade muito mais reduzida de gerar descendência bastarda e, consequentemente, de mais bocas para nutrir, o campo de acções humanas “democratizou-se”, para usar um termo querido aos progressistas. Note-se que o termo “mulher” é usado de forma tradicional, aparentando uma noção de posse do homem, o que não é reflexo da nova realidade. A emancipação da mulher passou a ocorrer no ponto em que lhe foi dada a possibilidade de usufruir da capacidade natural para o prazer sem a responsabilidade inerente ao risco de maternidade. A mulher passou a ser o sexo do poder, a chave para o bem-estar masculino, quem manda, quem decide com quem dorme. Nada assusta mais um muçulmano dos malucos que a ideia de poder sexual de uma mulher.

À medida que os anos foram passando e as gerações se foram renovando, a facção mais carente dos agora desprovidos de transcendência metafísica através de religião (estou a pensar em vós, Fernanda Câncio e Isabel Moreira) foi criando uma série de regras — mandamentos — do que teria que mudar para a plenitude do Homem Novo, o que já não consistia no conceito original que os comunistas ainda tentam usar e sim num que integrasse toda a plenitude sexual sem componente reprodutiva.

Finalmente, nos últimos 20 anos, o progressivismo constituiu-se plenamente em Igreja, assimilando os antigos ritos e sacramentos para uma versão em tudo idêntica mas desprovida de Deus. Tal foi possível através da repetição sistemática do conceito de “igualdade” jacobina: a existência de Deus é uma clara violação do conceito de igualdade, se Ele está acima de todas as coisas.

  • O baptismo transformou-se na numeração sistemática dos indivíduos na tribo através do número fiscal. Nenhum de nós teve NIF como recém-nascido, hoje é atribuído imediatamente no registo (topem a palavra usada, “registo”) da criatura.
  • Os safe spaces são os templos onde podemos encontrar a congregação, a missa onde afirmamos a nossa fé e onde temos a segurança de não sermos confrontados com outros credos ou, neste caso concreto, ideias que desafiem a ontologia da nossa crença no conhecimento by proxy. A preponderância do especialista, do comentador sancionado, de todo o Clero da pós-modernidade nos jornais (bastante inconsequentes) e na televisão (muito mais relevantes).
  • O Pecado Original transformou-se na Culpa do Homem Branco. Somos culpados pela colonização, pelos escravos, por atrocidades que possam ter sido cometidas no que hoje são territórios de outros estados, sem que, porém, tenhamos, nós próprios, colonizado, possuído ou transacionado escravos e cometido qualquer atrocidade.
  • Os rituais de iniciação na comunidade, a Comunhão e o Crisma são substituídos pela doutrinação social e sexual da escola, com temáticas como o aborto para miúdos do 5º ano, um marco em tudo semelhante aos rituais “antigos” que consistem em afirmar a fé e a crença em Jesus. O ministério da educação, como máquina burocrática, não passa de um mecanismo bacoco de veneração do Santo Pénis.
  • A necessidade de ser sancionado nos seus comportamentos pela comunidade — e, não podendo ser por Deus, pelo Estado — através do casamento homossexual, cuja importância esteve, precisamente, na utilização da palavra “casamento”.
  • A eutanásia como óbvia extrema-unção estatal.

Perguntam-me o que podemos fazer. Respondo que não é de hoje e compreendo que essa resposta cause desilusão. As coisas são o que são, independentemente de acharmos que são diferentes apenas nos últimos dois ou três anos. É que, bem vistas as coisas, a única coisa que aconteceu muito recentemente foi a substituição de directores de jornais por pessoas bastante estúpidas ao serviço do novo Clero, o clero que exige ser conhecido, ironicamente, como anti-clerical.

Desresponsabilizar? Nunca!

21 Abril, 2017

A viagem de finalistas a Espanha deixou muita gente chocada. E com razão. Não é todos os dias que somos manchete com uma expulsão de 1000 alunos de um hotel por destruição. É inevitável o repúdio por tamanha estupidez protagonizada por jovens de 17 anos. A “brigada do costume” não tardou a desresponsabilizar estas pobres criaturas culpando o álcool, a organização, o hotel, a “tenra idade” e sabe-se lá mais o quê só para desculpabilizar os “pequenotes”. Tadinhos. De facto são umas pobres vítimas desta sociedade que não os compreende quando tudo não passa de “excessos de diversão mal calculada”. Nada que já não tenha acontecido no passado, logo,  perfeitamente justificável. Será? Ler mais…

uma tragédia chamada brasil

21 Abril, 2017
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corruptos

Acabado de chegar de São Paulo, ponderei a possibilidade de nada escrever sobre o que lá encontrei nas últimas semanas. As revistas que colecionara para fundamentar um possível texto, deixei-as todas, à última da hora, no hotel. O que por lá fui vendo, ouvindo e lendo foi mais do que suficiente para provocar uma overdose de política brasileira, capaz de me enjoar por muitos anos. No essencial, a questão reside na confirmação do que já se temia há muito tempo: todos os políticos brasileiros são, de uma forma ou de outra, corruptos e venais, e roubam o dinheiro dos contribuintes para a consumação das suas ambições pessoais, políticas e partidárias. De Lula e do PT já não restavam dúvidas. Da maioria dos poderes federais, estaduais e municipais não se ignorava que estavam tomados de personagens ávidas de dinheiro fácil, capazes de tudo para o conseguirem. Dos partidos políticos, do PMDB ao PSDB e ao PT, passando por todos os outros mais pequenos, bem se sabia que eram – são – basicamente máquinas para a conquista e manutenção do poder e de todos os benefícios materiais que ele permite, permanecendo completamente trepanados de qualquer romantismo ideológico. Mas havia ainda a ilusão de que algumas destas personas aliavam a competência técnica a uma certa honorabilidade pessoal, distanciando-se das práticas comuns da ladroagem instalada. Henrique Cardoso, Alckmin, Serra, Aloísio Nunes, entre outros, pareciam pessoas de bem, verdadeiros oásis de honorabilidade num deserto político de corrupção. Na semana passada, a lista do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin pôs um ponto final nessas ilusões. À direita ficou-se a defender que não é tudo igual: que uma coisa era o dinheiro roubado para pagar campanhas eleitorais, a famosa «caixa dois», e outra bem diferente seria roubar para meter em bolso próprio. Como se o dinheiro não tivesse todo a mesma origem – o trabalho dos contribuintes brasileiros –, como se a conquista do poder não conferisse honrarias e privilégios materiais a quem lá está e, sobretudo, como se o seu desvio dos fins naturais de quem o produz não tivesse a mesma consequência de atraso do país.

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Qual Esquerda, Qual Direita!

20 Abril, 2017

Não entendo como ao longo dos séculos ainda não se abandonou a terminologia esquerda e direita,  com origem na Revolução Francesa. Pior do que isso foi atribuir uma carga negativa à direita de tal modo que ninguém se quer identificar com ela, quando deveria ser precisamente o oposto. É à esquerda que devemos as ligações aos piores ditadores de sempre, chacinas em massa, privação absoluta de liberdades, fome, miséria e injustiças. A História não mente. Agora mesmo a Venezuela é bom exemplo disso. Mas curiosamente, nas escolas, ainda hoje,  passam a ideia que ser de esquerda é ser pelos desfavorecidos das classes trabalhadoras. Ser de direita é ser pelos ricos e opressores. Nada mais falso. Ler mais…

O glifosato e as vacinas

20 Abril, 2017

Houve recentemente um pânico em relação a um pesticida chamado glifosato. Segundo os activistas que andam a tentar proibi-lo seria cancerígeno e só não estaria proibido por ser um produto da Monsanto, e clara a Monsanto mexeria os cordelinhos para que não o proibissem. As autoridades públicas seriam então responsaveis por milhares de casos de cancro para garantir o lucro à Monsanto. O assunto foi levado ao Parlamento pelo Bloco e outros partidos de esquerda.

O que é que há de errado aqui? Os países desenvolvidos têm mecanismos rigorosos de aprovação de químicos para uso comercial, existe um procedimento a seguir e autoridades técnicas para tomar as decisões. Estes activistas desconfiam destas autoridades públicas e querem substituir as suas decisões por um processo de decisão política. Parece boa ideia, se o glifosato for realmente perigoso e as autoridades públicas forem corruptas. Mas então porquê ficar pelo glifosato? Há milhares de produtos químicos em uso comercial. Há também na literatura científica estudos para todos os gostos e é fácil criar um pânico em relação a um dos milhares de químicos. Hoje é o glifosato, amanhã será outro.

Mas porquê ficar pelos químicos de uso comercial? Então e os medicamentos? E as vacinas? É igualmente fácil criar desconfiança em relação às vacinas. As pessoas que desconfiam dos pesticidas  desconfiam da principal autoridade sobre o tema, a EPA (que por acaso até revê periodicamente as suas decisões). Mas porque não desconfiar da principal autoridade sobre produtos farmaceuticos, a FDA? E porque não deixar a questão das vacinas ser resolvida por activistas? É certo que os activistas não precisam de ser objectivos nem de seguir procedimentos científicos. Mas isso tanto é válido para a vacina do sarampo como para o glifosato.

As pessoas que se indignam contra os anti-vacinas baseiam a sua convicção em quê? Não pode ser no conhecimento directo do assunto. Não há assim tantos especialistas em vacinação em Portugal. Só pode ser porque confiam no que dizem algumas das autoridades no assunto. Mas se é aceitável que se mine a autoridade das entidades públicas que aprovam os pesticidas porque é que não é igualmente aceitável que se mine  as autoridades de saúde que aprovam vacinas? É isso que os activistas anti-vacinas vão fazendo. E se nós podemos questionar o glifosato o que impede outros de questionar as vacinas? A autoridade pública não é compartimentável, não é possível atacar uma parte dela com activismo político sem  legitimar o activismo político de quem mina a outra parte.

Gente que nos governa

20 Abril, 2017

PCP solidário com regime venezuelano face a “ingerência”

“O PCP reafirma a solidariedade com a Revolução Bolivariana e o povo venezuelano” e mostra-se contra os ataques à “soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela”, lê-se em comunicado.

Maluquinhos anti-vacinas versus maluquinhos anti-pesticidas

20 Abril, 2017

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Obrigatório e, se necessário, compulsivo

20 Abril, 2017

DO-obrigatorio-e-compulsivo“Obrigatório e, se necessário, compulsivo” dava um belo poema. Pelos vistos, ser obrigatório pode ser insuficiente para garantir a obrigatoriedade, daí que seja necessário ser compulsivo para que, naturalmente não garantindo a compulsividade, assegure um mínimo de obrigatoriedade compulsiva aceitavelmente obrigatória via compulsão que torne a obrigatoriedade em… hum… obrigatória. É como lavar os dentes, para quem tem filhos do novo clero de pontífices da Santíssima Trindade – Estado, Estado e Estado: “Martim Sebastião Sottomayor de Burbon y Lacerda, lave já os dentes; é obrigatório, senão terá que ir compulsivamente para o Gulag do Mal, na SIC Noticias, do ainda seu tio por parte da prima Mizé, o tio Balsemão”.

Estes temas entusiasmam o Daniel Oliveira. Não os temas como a vacinação ou os outros pelos quais escreve manifestos: antes a oportunidade de algo ser obrigatório e, se necessário, compulsivo. Deixassem o homem livre das grilhetas do capitalismo (exterior ao politburo) e teríamos Daniel a escrever para o novo DN (então renomeado Parveda — em homenagem aos curdos — estilizado como Парведа e mantendo Paulo Baldaia como sub-tenente de operações especiais) que tudo deve ser obrigatório, compulsivo e devidamente realojado para a Sibéria.

Ainda há quem não perceba o fascínio dos neo-progressistas pela barbárie muçulmana que torna tudo obrigatório e, se necessário, compulsivo. Ainda há pouco tempo, o discurso neo-progressista consistia na grande necessidade de educar as pessoas: agora, que os brutos afinal não aprendem, é preciso é que seja obrigatório e, se necessário, compulsivo. Seja o que for.

Nota: alguns idiotas poderão ter achado que este é um post sobre vacinação obrigatória e por isso mesmo é que são idiotas.

Mas, pá, tu não sentes a culpa do teu heptavô ter vendido um escravo?

18 Abril, 2017

A propósito de pedir desculpa por um eventual antepassado qualquer ter colonizado um território africano, esperaria alguma coerência daqueles que doravante designarei por assalariados do politicamente correcto. Esperaria, por exemplo, que não andassem por aí a defender a construção de mesquitas para os que chegaram agora para colonizar a Nova África a que se chama Europa. Deixem cá o pretinho ficar quietinho com a sua tribo e a sua palhota com crucifixos. Porque, o j’accuse é muito mais credível sem três dedos a apontarem de volta.

Medo

18 Abril, 2017

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) está a preparar um ciclo de debates sobre a morte assistida, mas deputados do BE e do PS questionam a sua realização. — Portanto só o BE e o PS podem debater?

“Não nos deixaremos condicionar pelos debates de outras organizações”, disse esta terça-feira à Lusa o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, dado que os bloquistas têm em curso, há meses, um processo de debate, após a apresentação do seu anteprojeto de lei, em janeiro. — Mas alguém quer condicionar o BE? Ou será que o BE quer ter o monopólio do condicionamento?

 

O assunto foi discutido em conferência de líderes parlamentares e, além de Pedro Filipe Soares, Pedro Delgado Alves, deputado e representante do PS, questionou o que considerou ser o condicionamento da Assembleia da República. — Camarada Maduro, escuta/ Organizar debates é uma forma de luta. Ilegal, claro.

Para Delgado Alves e Pedro Filipe Soares, os termos em que o debate está a ser planeado “parece ultrapassar a fronteira das competências do CNECV, imiscuindo-se nas competências dos órgãos de soberania”, de acordo com a súmula da conferência de líderes da semana. – Mas os debates do CNECV imiscuem-se como? Os deputados não podem debater? Não podem votar? Não podem organizar iniciativas?

Além de poder, na perspetiva de Delgado Alves e Filipe Soares, “ser entendido como inibidor em relação à apresentação de iniciativas” dos grupos parlamentares, “o que nunca deveria suceder”, ainda segundo a súmula da reunião. — Inibidor? Desiniba-se. Diga ao que vem e o que quer pretende.

Independentemente do “respeito por todos os debates”, como disse à Lusa Pedro Filipe Soares, o conselho “é, essencialmente, um órgão consultivo, que deve emitir pareceres técnicos e elaborar estudos, não estando na sua missão auscultar a sociedade civil, ainda que lhe possa dar a conhecer a sua atividade”. Ficamos felizes por saber que o deputado Filipe Soares respeita todos os debates. Só não quer é que alguns deles se realizem. Mas respeita-os. Imagine como seria se não os respeitasse.

As Guerras Pudicas

18 Abril, 2017

tv

O recente episódio protagonizado por adolescentes portugueses no sul de Espanha deixou-me muito desiludido com a nossa juventude e carregado de pessimismo quanto ao futuro do país. Quando ouvi o pivot do telejornal a relatar que 1000 finalistas do ensino secundário, com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos, tinham sido expulsos de Torremolinos por terem destruído um hotel, imaginei um cenário parecido com as descrições que nos chegaram de Cartago no final da Terceira Guerra Púnica ou de Roma após o saque de Genserico, Rei dos Vândalos, no ano de 455. Um edifício reduzido a pó e ainda a fumegar era o mínimo que se podia esperar de uma destruição levada a cabo por uma concentração hormonal daquela amplitude, ainda para mais quando esta estava sob o efeito de um bar aberto. Eis quando vejo as imagens do hotel: uma televisão na banheira, dois candeeiros arrancados da parede, um buraco no tecto falso. A minha primeira indignação prendeu-se precisamente com a questão do tecto: clientes que pagam mais de 500 euros por meia dúzia de dias no sul de Espanha mereciam no mínimo um tecto verdadeiro. É um aspecto que deve ser revisto pelas indústrias da construção e do turismo dos nossos vizinhos. Mas o que realmente me revoltou foi a falta de produtividade dos excursionistas portugueses. É evidente que assim, a ter de empregar 2000 braços e 2000 pernas para provocar tão diminutos danos, não vamos a lado nenhum. Leónidas, com menos de um terço deste efectivo, defendeu durante vários dias as Termópilas das investidas persas. E tenho a certeza que quatro ou cinco arruaceiros do norte da Europa, ou até mesmo da Grécia ou de Itália, conseguiriam deixar, sem grande esforço, um rastro de devastação semelhante ao produzido pelos nossos finalistas. Até nisto se nota a preguiça, o amadorismo e a falta de atitude dos jovens nacionais. Quando 1000 mancebos ingleses se deslocam ao estrangeiro para acompanhar a respectiva selecção de futebol, já se sabe que a cidade que acolhe o jogo vai estar vários dias a ferro e fogo e várias semanas em operações de limpeza e restauro. Agora imaginem o gozo de que devemos ter sido alvo no Reino Unido, quando souberam que o hotel arrasado pelas lusas gentes já estava a funcionar em pleno um dia depois de terem sido expulsos os desordeiros.

Claro que não estou, com este texto, a insinuar que a gerência do hotel se arrependeu de ter acolhido uma viagem de finalistas do ensino secundário, aproveitando posteriormente os desacatos de meia dúzia para se ver livre de dez centenas de adolescentes ao rubro. Tendo absoluta confiança na gestão espanhola, acredito que aquele milhar de alunos participou por inteiro no acto destrutivo, nomeadamente através da desmontagem do aparelho televisivo em 1000 peças, do arremesso, em fila indiana, de cada uma das peças para a banheira, e da ulterior montagem de todo o conjunto já no interior da tina sanitária. Fico é muito irritado com esta falta de ambição; assim, não saímos da cepa torta.

 

Cancro. É cancro em todo o lado.

18 Abril, 2017

Um grande debate público sobre a escravatura, como pede Rui Tavares, seria extremamente útil. Permitiria que histéricas de ambos os sexos participassem na orgia intelectual que estimula estes lobotomizados para decidirem qual deles gosta mais de pretinhos. E quanto a pedir desculpa, eu não tenho qualquer responsabilidade pelo que o meu avô possa ter feito; já os avôs destes idiotas, coitados, andaram a reproduzir-se para isto, para gerar palermas que, aparentemente, se sentem culpados por viverem pendurados em academias e jornais onde despejam a vergonha pela cor da pele.

Serviço público seria oferecer a toda a esta gente o bilhete de ida lá para a savana. Seria o contrário de escravatura: seria a expiação da culpa que tanto os oprime. Mas não, sonhar com o regresso ao Parlamento Europeu é mais fixe.

Estranho é que ninguém grite imediatamente “xenofobia” sempre que um destes brota postas de pescada.

Tem razão: falta o socialista na questão

18 Abril, 2017

A propósito do que escrevi no Observador sobre “Os dirigentes do PSD que acham que este partido deve ser uma sucursal do PS. Não há futuro mais risonho que integrar este grupo. Qualquer líder do PSD que tenha sofrido nessa qualidade uma forte derrota ou que tenha conduzido o seu partido à irrelevância torna-se uma figura incontornável, um poço de saber e, claro, um comentador de referência. Se a par disso reconhecer a superioridade do líder do PS em funções face a quem lhe sucedeu na liderança do PSD (invariavelmente uma pessoa sem ideias, alma e consciência social) então está no Olimpo mediático. (…) Encontrar um opositor ao líder do PS em funções em qualquer jornal, revista, rádio, televisão, boletim ou papel volante tornou-se com Sócrates e António Costa uma tarefa biologicamente falando quase impossível.”

Uma alma que assina Penélope – mas por que Tróias andará Ulisses? –  assinalou que devo estar “meia louca” porque além da minha pessoa só no Observador “blogue/jornal digital Observador, que mais opositores ao Governo (e ao seu líder) alberga” escrevem “José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Alberto Gonçalves, Vasco Pulido Valente, Helena Garrido, o padre Portocarrero, a Maria João Avilez e outros de igual calibre e pensamento

A estes junta a assisada Penélope os nomes de  “Paulo Rangel, João Miguel Tavares, os Saraivas, o Barreto, o César das Neves, mais três quartos dos escrevinhadores do Expresso, quatro quintos dos do Correio da Manhã e por aí fora.”

Mas minha cara Penélope (não vamos ter de mudar o género à Penélope, pois não?) eu referia-me a dirigentes socialistas, ex-dirigentes, críticos dentro do partido. e não a comentadores. Na esperança que enquanta guarda pelo seu Ulisses em vez de tecer  consiga encontrar tais criaturas me despeço.

controlar está-lhes no adn

17 Abril, 2017

O PS quer fazer nova tentativa para colocar os serviços secretos portugueses a aceder a metadados de comunicações sem intervenção/autorização de um tribunal, como é ainda norma.
Ora, não se vê que utilidade terá tal medida, pois o secretário-geral do SIRP já reconheceu em tribunal estar-se a borrifar para tal assunto passando bem sem a lei. Para ele, e actualmente, a «atividade dos serviços de informações não dependem da autorização” de qualquer magistrado»(*). Não será certamente o organismo da admin-pública mais inútil da República e os 3 estarolas que a compôem que alguma vez irão fazer algo mais do que avisar «vamos aí fazer uma visitinha amanhã, se não for incómodo».
A serviços que funcionam em roda livre, á margem ou mesmo em violação da lei e sem qualquer controle, quer agora o PS (e PSD) atribuir ainda mais poderes de vigilância descontrolada. Lixar o cidadão parece ser a signa eterna desta gente.

Da circulação das espécies

17 Abril, 2017

Onde andam os amigos de Sócrates? E o jornalista ofegante?  Onde estão os esfomeados? As espécies, politicamente falando, em Portugal não evoluem, circulam. Às espécies circulantes juntam-se esse recente endemismo nacional — o presidente do povo — e curiosidade local ainda por classificar que são os dirigentes do PSD que acham que este partido deve ser uma sucursal do PS.

Leituras:

16 Abril, 2017

«Eu não dou para o peditório de São Dias Loureiro», por JMF

Da inutilidade legislativa

16 Abril, 2017

«Marcelo promulga lei que obriga Fisco a divulgar estatísticas [sobre transferências para offshores]»
Uma lei absolutamente inútil. É que os dados de trasnferências e suas estatísticas são dados da administração pública. E como tal, por principio públicos, publicáveis e publicitados. Salvo informação concreta de contribuintes identificaveis ou segredos de estado/militares, toda a informação produzida ou recebida pela admin. pública é por natureza…pública.
Só num país de cultura administrativa obscurantista, centralista e de opacidade é que um Director-Geral anda a perder tempo a perguntar a um secretario de Estado «posso publicar estes dados estatisticas?». Que o Secretario de Estado de turno queira proteger os seus ex-clientes é matéria para o Ministerio Público investigar. Que existam «erros informáticos» sleectivos (dados da ordem de dezenas de milhares de milhões de euros em nenhuma parte do mundo são «erros», é ocultação prepositada), também é assunto para investigação criminal. Agora, fazer-se lei para publicitar aquilo que por natureza é público, é mesmo não ter nada mais para fazer e aparecer bem na fotografia da avassaladora criativade burrocrática.

Alá que se faz tarde

15 Abril, 2017

É com pesar que vejo que uns católicos, em nada representativos do catolicismo, decidiram estragar a paz dos pacatos cidadãos muçulmanos oprimidos e refugiados através de uma provocadora procissão tradicional e histórica na cidade de Sevilha. Estavam os devotos da religião de paz muito bem na rua a gritar por Alá — como fazem as pessoas normais em outras regiões da Andaluzia (como em Torremolinos: “vai, atira o colchão alá piscina”) —, eis que aparecem estes vândalos do heteropatriarcado com as suas vestimentas, andores, velas e preces para deliberadamente perturbarem a paz pública.

E para que este texto tenha uma conclusão, é com agrado que verifico que a Fernanda Câncio já procedeu à remoção de todos os crucifixos deste país, substituindo-os por colchões.

Vai, atira o colchão alá piscina.

Mui temerosamente não vá o papa Francisco zangar-se ou vir de lá outra investigação ao dinheiro da caixa das esmolas…

15 Abril, 2017

a Rádio Renascença noticiou o acontecido em Sevilha.
Pelo título somos levados a acreditar que os católicos de Sevilha tiveram um desatino qualquer: Sevilha. Caos durante procissão da Semana Santa faz 30 feridos
Após séculos a organizarem procissões esqueceram-se do ritual das ditas e chegou o caos.
Clicando no video vê-se um dos momentos dos confrontos e percebe-se bem o que gritam: Alá. Segundo o texto que acompanha o video: Ouviram-se ruídos metálicos e gritos, provocando o pânico e a debandada desnorteada de milhares de pessoas que assistiam à cerimónia.
Não sei se na Renascença conhecem alguma debandada que não seja desnorteada mas havia ali que não tivesse nada de desnorteado: aqueles que são designados como desordeiros.
A desordem foi preparada: os desordeiros muniram-de de objectos adequados e escolheram gritar frases que sabiam ir causar o pânico: Gora ETA e Alá.

Enfim, Sevilha é do outro lado do mundo…

14 Abril, 2017

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e em Espanha fala-se uma língua que ninguém domina. Certamente por isso não se conseguem noticiar os incidentes nas procissões (madrugá) desta noite em Sevilha

Varios de los detenidos por las estampidas de la Madrugá de Sevilla gritaron “Alá es grande”

Ocho detenidos y 17 heridos, uno de ellos grave, por las estampidas en la ‘Madrugá’ de Sevilla

Ocho detenidos por desórdenes en la Madrugá de la Semana Santa de Sevilla

Continuando

14 Abril, 2017

Onde está a Venezuela? Parte II

Vamos jogar a um jogo: Onde está a Venezuela?

14 Abril, 2017

O Insurgente tem um jogo: procurar notícias na secção Mundo de de 4 jornais online. Note-se que A Venezuela está a atravessar uma crise grave. Nos últimos dias houve 5 mortos em manifestações e vários feridos. Moram tantos portugueses na Venezuela como na cidade de Lisboa.  Façam portanto o favor de tentar encontrar a Venezuela na da secção Mundo de 4 jornais online.

Portanto a ideia é acabar com o restauro dos prédios

13 Abril, 2017

A ideia agora é evitar despejos encapotados e dar maior protecção aos inquilinos. – escreve o Jornal de Negócios. Vamos então observar a ideia:

Primeiro passo, o senhorio resolve fazer obras Para avançar com as obras, os proprietários terão, assim, de entregar na câmara, juntamente com o requerimento de controlo prévio urbanístico, o orçamento total da operação urbanística que querem realizar, incluindo estimativa do seu custo total, bem como a caderneta predial, onde conta o valor patrimonial tributário (VPT) do prédio.

 

Segundo passo, os orçamentos vão inflaccionar pq têm de corresponder a 25% do valor fiscal do prédio. Para serem consideradas obras de remodelação ou restauro profundo susceptíveis de obrigar à saída dos inquilinos, as intervenções urbanísticas que pretendam alterar ou ampliar imóveis arrendados terão de ter um custo que, incluindo o IVA, seja equivalente a, pelo menos, 25% do valor fiscal do prédio.

 

Terceiro passo, toca a preparar a litigância com as doutoras das câmaras porque não basta ter gasto  25% do valor fiscal do prédio a fazer um restauro profundo  este têm de corresponder a um “nível bom ou superior no estado de conservação”, Além disso, das obras deverá resultar um “nível bom ou superior no estado de conservação”, de acordo com os níveis previstos na lei para o efeito.

 

Quarto passo, as obras decorrem ao ritmo das vistorias dos sovietes dos inquilinos e da autarquia Por outro lado, os inquilinos deverão ser devidamente informados e passam a ter acesso a consultas ao processo, por forma a poderem acompanhar a realização da obra ou, por outras palavras, verificarem que acontece mesmo e que corresponde à intenção inicialmente apresentada, ou seja, que é de facto uma obra de remodelação ou restauro profundo.

 

Quinto passo, não se preocupem porque ninguém faz obras Numa situação de remodelação ou restauro profundo, os inquilinos podem ser despejados, desde que cumpridos um conjunto de requisitos, nomeadamente o realojamento, durante um período não inferior a dois anos, ou o pagamento de uma indemnização no montante de dois anos de rendas

Calma, Bóbi. Busca, busca.

13 Abril, 2017

Todos estamos recordados de quando os representantes do Governo português entravam no Eurogrupo e se ajoelhavam para falar com os colegas”.

Custa-me imenso ver este comportamento destrutivo de António Costa. O homem está a pedir para que lhe partam as pernas para que, em cadeira de rodas, os portugueses tenham que se ajoelhar para falar com ele. Este comportamento patológico é muito perigoso e apelo à família para que lhe providencie apoio psiquiátrico antes que seja tarde demais. Já não bastavam aqueles caroços de azeitona retidos na sua boca desde 1994 para bater o record do Guinness e que lhe prejudicam a dicção, eis que agora deseja extrapolar a paralisia cerebral para o domínio da locomoção. Este homem está em perigo. Quem avisa, amigo é.

No pasa nada

13 Abril, 2017

Não sei se sabem mas a Venezuela está em ruptura. Falta tudo à excepção da violência. A narco-oligarquia no poder  prende a oposição. As manifestações de protesto acabam com presos, ferido e mortos. Como de costume as milícias governamentais fazem o trabalho mais sujo: ontem irromperam na igreja de Santa Teresa onde o cardeal de Caracas celebrava missa. Por cá a palavra de ordem é No pasa nada e até o tão loquaz Papa Francisco se mantém caladinho.

No Rectifications

12 Abril, 2017

costacozinha

 

Esta semana fui almoçar ao Centeno´s, um restaurante muito antigo mas que está sempre a mudar de nome e de gerência. Recordo-me de ir lá desde criança, com os meus pais e com os meus avós. Era o Salgueiro´s, nessa altura, e a minha mãe queixava-se sempre das constantes mexidas nos preços. “Fui aumentada 20% e mesmo assim não chega”, comentava ela com um encolher de ombros. O meu avô ainda era do tempo em que se chamava Salazar´s e era gerido com pulso firme; ele dizia-me que mesmo quando a comida não estava boa ninguém reclamava em voz alta, parece que a alternativa era um restaurante no Forte de Peniche em que a excelente vista para o mar não compensava o péssimo serviço.

Beleza´s, Catroga´s e Cadilhe´s são alguns dos nomes de que me lembro da minha adolescência. Este último acabou por passar o estabelecimento quando saiu uma opinião muito negativa no Independente. O crítico do jornal escreveu que faltava um condimento em todos os pratos. Acho que era a sisa, não tenho a certeza porque percebo pouco de culinária. Sempre ouvi dizer que o restaurante acumula prejuízos anualmente, e não sei como continua aberto! É verdade que há meia dúzia de anos esteve quase a entrar em insolvência, mas nunca chegou a fechar as portas. Desde aí já se chamou Gaspar´s e Albuquerque´s, os preços subiram bastante, as doses ficaram mais pequenas, e a clientela barafustou. No entanto, todos continuam a lá ir, dir-se-ia que parecem obrigados!

Agora aconteceu-me uma coisa muito estranha, que não me lembro de alguma vez ter acontecido! O papel afixado na entrada anunciava o menu do dia: creme de legumes, bife do lombo com batata frita e ovo, um copo de vinho, e tarte de maçã com bola de gelado para a sobremesa. Tudo por 6 euros. Quando dei por ela estavam a pôr-me à frente caldo verde, lombo de porco assado, um copo de água, e uma tangerina! Perante a minha reclamação o empregado justificou-se dizendo que o preço tinha baixado para 5,90 euros. “Oh amigo, a questão não é essa”, afirmei eu com cara de mau, “vocês deviam alterar a informação que está ali na porta, assim sinto-me enganado”. E é nessa altura que aparece o gerente, com o peito inchado de vaidade, a dizer que era um homem completamente diferente de todos os anteriores donos e que se orgulhava muito de nunca fazer ementas rectificativas. “E mais”, acrescentou, “andava meio mundo a dizer que eu não conseguia servir bife do lombo por 6 euros e agora vão ter engolir as palavras”. Não consegui resistir e disse-lhe que ele devia estar a gozar comigo e que talvez estivesse a precisar de descansar, mas, mal acabo de falar, chega o chefe de sala, um tal de Mourinho Félix, e fica a olhar para mim com ar nervoso. Depois respirou fundo, chamou os cozinheiros, os empregados de mesa e o pessoal da limpeza, olhou duas ou três vezes em redor, pousou a mão nas costas de uma cadeira, voltou a encher o peito de ar, apertou-me a mão e declarou: “quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse. E gostaríamos que pedisse publicamente desculpa. Bom… quer dizer… se não lhe apetecer, então não precisa de pedir. E também queremos que saia do restaurante. Quer dizer… não lhe vamos pedir para sair, mas… bom… não sei bem. Olhe, fazemos assim, você procede como quiser e depois vê-se, está bem? Muita saudinha e cumprimentos lá em casa. E desculpe qualquer coisinha”.

 

A típica entrevista de quem conta com mais uma taxa para tapar o prejuízo

11 Abril, 2017

“Agora é preciso fazer habitação pública a preços acessíveis a apostar na classe média”

O custo da habitação pública é obsceno. Façam as contas ao custo m2 das casas da EPUL

 

 

E acha que isso seria melhor para Portugal?

11 Abril, 2017

El País: El primer ministro de Portugal apoyaría al español Luis de Guindos para sustituir a Dijsselboem

A campanha contra Dijsselboem que está ser levada pelo governo português está ao nível da indigência mental. Para lá da má fé perante o que foi dito por Dijsselboem, do carnaval catarinesco dos pedidos de demissão,  das figurinhas tristes do secretário de Estado a encher o peito para jornalista ver temos agora o primeiro-ministro português neste despreparo: António Costa tornou-se no porta-voz da campanha de Guindos para o Eurogrupo.

Para lá do ridículo da questão onde é que António Costa vê qualquer vantagem para Portugal na troca de Dijsselboem por Guindos? Já reparou que com o Brexit Mariano Rajoy passou para o pelotão da frente reunindo com Merkel, Hollande e  Gentiloni?

 

Sinais

10 Abril, 2017

Os gritos “porcos judeus” ouviram-se em Paris esta semana. Uma mulher judia, Lucie Sarah Halimi, foi assassinada. Por um vizinho louco dizem as autoridades. Por um muçulmano radicalizado dizem os vizinhos.

Sintomaticamente o número de judeus que está a deixar a França (e também a Bélgica e a Suécia) aumenta. O desinteresse com que as redacções europeias começaram por olhar para as agressões aos judeus em França transferiu-se em seguida para a Suécia: os ataques aos judeus em Malmo foram um dos primeiros sinais de que no paraíso oficial da multiculturalidade algo estava correr muito mal. Depois veio a fase da negação. Agora temos uma fé: acredita-se que os factos não ocorrem se não os referirmos. Mas por mais que isso nos custe a admitir os judeus partem porque os fundamentalistas já estão aqui. E estão a mudar o nosso modo de vida.

Deve ser por falta de mediadores culturais e psicólogos para aulas de preenchimento do livro de reclamações

10 Abril, 2017

Dizem agora alguns dos protagonistas dos celebrados acontecimentos num hotel espanhol que os estragos causados surgiram num acto de “revolta” contra a gerência do hotel. Portanto os infantes quando se revoltam partem o que lhes aparece?

Os jovens da geração mais preparada de sempre, da consciência do corpo, da educação sexual e para a cidadania (com e sem sexo), do apoio psicológico, do trauma e da intolerância à lactose não sabem que existe um objecto chamado livro de reclamações?

Filipe II não tinha um fecho éclair e estes adolescentes a quem as manias da pedagogia e as alterações da família tornaram numa espécie de reizinhos partem móveis para protestar contra a falta de papel higiénico.

Não é assim que se destrói um hotel

9 Abril, 2017

Após 12 anos de ensino a valorizar “competências” que fazem “adquirir aprendizagens”, depois de inúmeras reformas mais ou menos anuais a ajustar milimetricamente os “programas” e “objectivos pedagógicos”, incluindo o foco atribuído a “educação cívica”, “ofertas complementares”, “apoio ao estudo” e “formação para a cidadania” através dos mais recentes cânones da geringonça monstruosa do planeamento central, nem sequer conseguimos ensinar aos nossos jovens os rudimentos da destruição sistemática e organizada de hotéis em estâncias balneares que permitam bacanais em segurança e assegurem, ao mesmo tempo, o hedonismo necessário ao alívio de tensão estudantil adquirida com anos a fio de estudo intenso na prevenção de uma Europa livre de álcool, tabaco, doces e gorduras saturadas.

Após tantos anos disto, os nossos jovens só conseguem imitar os governantes.

Hoje chegámos ao quadro de honra do El País

8 Abril, 2017

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E o aconselhamento psicológico já está no terreno?

8 Abril, 2017

Mil estudantes portugueses expulsos do hotel em viagem de finalistas a Espanha

afinal, julgam que o homem falava do quê?

7 Abril, 2017
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Só por ingenuidade ou ignorância se pode imaginar que a ordem internacional é anárquica, não no sentido de que, muitas vezes, possa ser confusa e imprevisível, mas que funciona harmoniosamente sem poderes tutelares. Pelo contrário, ela é o campo mais propício à monopolização do poder e da força, chamando-se esses monopólios «impérios». Como todos sabemos, a História está cheia deles, e quando um desaparece foi porque um outro o aniquilou. A ordem internacional é competitiva. Mas, decididamente, não é anárquica.

Foi isso que sucedeu em 1989, com a queda do Muro de Berlim, com o princípio do fim da União Soviética e da Guerra Fria: o mundo bipolar em que vivemos durante décadas terminou com o fim do império soviético e a emersão monopolista do do império americano,

A «pax americana» em que desde então vivemos terá vantagens e inconvenientes, mas tem certamente custos, goste-se ou não. Um deles é que quem desafia o império, mais tarde ou mais cedo, de uma forma ou de outra, tem que levar. E compreende-se, porque essa é a lógica de todo o poder monopolista. E, num mundo difícil e perigoso, não é possível ao «polícia do mundo» admitir faltas de respeito sucessivas, como o fez Sadam Hussein, por exemplo, que, não satisfeito com a coça que apanhou na primeira guerra do Golfo, mas tendo-o deixado no lugar, continuou a desafiar o império e, ainda por cima, o herdeiro do ceptro daquele que, por sua causa, abandonou prematuramente o lugar. Tinha que levar. E levou.

É neste contexto que Donald Trump deve ser lido e que qualquer outra interpretação sobre o seu governo será sempre ingénua ou maldosa. Trump está sentado no trono do mundo e não pode permitir que se ultrapassem certos limites. Sob pena de lhe perderem o respeito e, o império, a respeitabilidade. Ia acontecendo com Obama e com Putin, não acontecerá com ele. Afinal de contas, quando o homem lançou o slogan de campanha «Make America great again», acham que estava a pensar em quê?