Os Quatro “Efes” de Costa
Depois da ressaca dos 3 FFF,s (Fátima, Futebol e Fado) a que a nação inteira se rendeu, seguem-se as do Costa, quatro (a última é bónus), que nos trazem de regresso à dura realidade: Farsas, Fingimentos, Falcatruas e Fritos (esta última, na minha terra cá no norte diz-se de outra forma, também com “F” mas aqui não convém usar). Desde Outubro de 2015 que os “efes” do Costa estão em marcha. Não tarda nada vamos ter uma apoteótica comemoração nacional onde também serão convidados especiais aquele trio famoso, Os Troika, para nos dar música da boa ao som da qual vamos dançar para caneco! Ah! Se vamos!! Vai ser uma festança onde vamos recordar ternamente os “bons velhos tempos” do pós Sócrates num festival comemorativo do tetra em assistência financeira! Não é fantástico?!
Portanto o culpado é o Correio da Manhã
O crime é alegado. Os criminosos alegados são. A vítima alegada é. Está bem de ver que nada disto alegadamente existiu. Logo a culpa é do Correio da Manhã como bem explicam a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Podia lá ser doutro modo?!
Uma crónica usando o template do Fernando Alves
Um homem aparentando os setentas ou, quem sabe, os oitentas, carregando no ombro um periquito azul, sentara-se no banco de jardim onde Richelieu, em tempos, soltara um sonoro flato, e aí permaneceu por tempo suficiente para despertar a atenção do jovem Marchand, então inexperiente na que se tornaria numa longa carreira com abundante sucesso como jogral. Que teria este homem, tão misterioso, envergando encardido paletó servindo de pousio à exótica ave para que o distraído e ocioso bardo reparasse nele? Seria a baba que abundava pelos cantos da boca, como represas de digestão de uma vida de sabedoria? Seria a rebelde indiferença com que misturava meia azul num tornozelo com a meia branca do outro? Ou seria, porventura, o vigor com que esgalhava hirto pessegueiro em tão avançada idade, antes de comprimidos azuis, que tardariam a aparecer no mercado para salvar tantos anciões da precoce obsolescência na arte do amor, sem que denunciasse pudor e decoro perante púdicos transeuntes? Nunca saberemos. Mathis veio a escrever, uns anos mais tarde, que “é na agitação quotidiana que a tez se enruga de candura”. Na sua crónica de ontem, no Diário de Lomé, Hervé Gnassingbé escreve que Il y a des choses qui échappent et il y a des choses qui sont, como que recordando o homem que, em tempos, se sentou na espuma dos dias em banco partilhado por Richelieu a demolir preconceitos do seu e do nosso tempo.
Teresofobia

Após algumas semanas de especulação jornalística acabou por se confirmar a recusa do Governo em nomear Teresa Ter-Minassian para o Conselho de Finanças Públicas. Quando ouvi António Costa, na Assembleia da República, a explicar aos deputados que a reputadíssima economista italiana não tinha o perfil necessário para a função, mergulhei imediatamente na internet para analisar o caso. Não sob o ponto de vista curricular, que não levanta dúvidas a ninguém, mas para tentar perceber, através de imagens, que monstruosa alteração física teria sofrido o elegante perfil que nos safou da bancarrota em 1983. Infelizmente, não fiquei esclarecido. É verdade que passaram 34 anos e que a frase de Yourcenar – o tempo, esse grande escultor –, não foi dita a pensar no corpo dos mortais; mas também não me parece que a actual silhueta da chefe de missão do FMI durante o segundo resgate do país prejudicasse assim tanto a estética das nossas instituições.
Só agora, quando soube que o nome da social-democrata Teresa Morais foi igualmente vetado pelo PS para um cargo público (e pelo mesmo motivo de “perfil desadequado”, segundo as palavras de Carlos César), é que entendi o desacordo. Claro que o curriculum da deputada do PSD não é nada de especial (licenciada, mestre e doutoranda na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi apenas professora universitária, advogada, assessora jurídica da presidência do conselho de ministros, investigadora, secretária de estado, adjunta do provedor de justiça e ministra, tal como a generalidade dos cidadãos portugueses), mas com um bocadinho da boa vontade de outros tempos seria suficiente. Afinal de contas, nem todos têm amigos que financiem o aprofundamento dos estudos em Paris, ou a inteligência necessária para, tal como Carlos César, chegar longe apenas com os graus académicos concedidos pela Universidade da Vida.
O problema – inultrapassável, percebo agora –, é o nome: o Partido Socialista terá um assunto mal resolvido com alguma Teresa e todas as outras estão a pagar pela embirração! E no caso da economista italiana a situação é agravada pelo apelido, que parece estar propositadamente a provocar o Largo do Rato, como se fosse um falso gago irritante e zombeteiro.
Em 1992, talvez sob a influência de um desgosto de amor, Quim Barreiros lançou um dos álbuns de maior sucesso da sua carreira, O Sorveteiro. No tema mais conhecido desse trabalho discográfico, o influente artista popular utilizou os seus dotes linguísticos para exorcizar os fantasmas que lhe atormentavam o coração, colocando todo um povo a cantar “Chupa, Teresa!” a plenos pulmões. Vinte e cinco anos depois, o PS encontrou uma outra maneira de fazer a mesma coisa, embora de um modo mais prejudicial para o país e ligeiramente mais brejeiro.
Se “nós” ganhamos o Eurofestival, o Sócrates também ganhou, que ele está no meio de nós
A histeria nacional em torno da vitória de um cantor no festival da canção da Eurovisão é bastante representativa da psique nacional. O cantor, de seu nome Salvador Sobral, venceu um concurso. Através da mesma lógica, não é difícil argumentar que a sua irmã, que escreveu a canção, também o venceu. O que é difícil é perceber o que é que eu venci e o que é o que o leitor venceu. Ao nacionalizar-se a vitória de um indivíduo, todos perdem, incluíndo os que agora ganharam.
O primeiro-ministro já puxou para si a vitória, como puxa tudo, tipo buraco negro que suga o que quer que se aproxime. Isto deveria ser pista suficiente para percebermos que não ganhamos absolutamente nada, que quem venceu a competição foi um indivíduo (ou dois, ou três…). Porém, é suposto estarmos ainda na fase de vencedores, mesmo não sabendo cantar nem escrever uma canção (ou, sequer, uma lista de compras).
Salvador, coitado, é aclamado como herói nacional, o passo essencial para a metamorfose em Anti-Cristo que, invariavelmente, acontece a todos os heróis nacionais. Não merecia isto: até parece bom rapaz, afinado, com baixa probabilidade de vir a viver em Paris numa casa “de um amigo” mal terminasse o necessário dinamitar do país. Outros coitados que chegaram, no passado, ao triste epíteto de herói nacional, como a Amália e o Eusébio, acabaram caracterizados como “bêbedas”, “quanto muito bissexual”, “analfabeto” e “afilhado do Salazar”. Prepara-te, Salvador.
Agora, lá até ao dia 20 deste mês, ainda estamos na fase “há portugueses estúpidos que nem merecem o Salvador”. Daí para a frente, é um só um tirinho até que os mesmos que agora endeusam um homem, o passem a tratar como o seu palhaço pessoal, incapaz de cumprir a função a que o destinaram, a de manter o heroísmo nacional vivo.
Não somos nós, os portugueses, que não merecem o Salvador. O rapaz é que, coitado, não merecia mesmo nada ter que levar com os portugueses.
Quero Lá Saber! Ganhamos Porra!
Sou do tempo em que o Festival da Eurovisão era imperdível. Uma noite de nervos, com a família em peso à frente da TV a torcer por Portugal. A ouvir depois os apresentadores a dizer: “Portugal two points”, “Portugal five points”, para desalento de todos nós que não entendíamos como canções tão boas e interpretadas por vozes maravilhosas, não passavam do chão da tabela. Quando descolavam, o coração disparava e pensávamos” é desta!!” mas… depois, como que congeladas, as pontuações já não subiam mais e ficávamos a 7 lugares da vitória. Foi assim, com José Cid, Sara Tavares, Anabela, Dulce Pontes e tantos outros. Anos a fio… Lúcia Moniz foi quem chegou mais perto com um sexto lugar. Até ao dia 12 de Maio de… 2017. Ler mais…
O Que Eles Querem é Aparecer
E lá estavam eles, Ferro, Costa e Marcelo, depois de fecharem a tasca à nação mais cedo, a receberem o Papa Francisco com honras de Estado numa visita que não era de Estado. O Costa até alertou o cronista que só poderia ficar a tomar conta dos seus filhos ( que amoroso!) pela manhã porque depois seguia para Fátima. Não podia falhar o encontro (ele que nunca vai à missa). Um gesto aliás muito bonito de propaganda mas que mais uma vez soou a marketing puro (que rica novidade!). Então e os outros cidadãos à rasca sem terem onde pôr os filhos? Só servem para pagar impostos? Quem pensa nesses? (ninguém, claro!). Mas pronto, e lá foi ele… até porque não sendo um “Papa selfie” como nosso querido Presidente, estar ao lado deste símbolo da fé cristã é bonito e quem sabe arrasta mais uns votos extra (duvido muito!).
Marcelo que deveria ter sido o único a comparecer porque a ele lhe cabe esse papel, com o entusiasmo de um verdadeiro crente e homem de fé, não conseguiu moderar o abanar do braço de sua Santidade que quase esgaça sob o ar algo incómodo de Francisco que muito provavelmente se perguntava em silêncio, “já paravas, não?”, de tanta emoção sentida. Sentimentos genuínos de um homem verdadeiramente crente e católico praticante. Estava, esse sim, no lugar certo.
Os outros dois, ateus, agnósticos, laicos, hereges e maçons assumidos, a governarem em coligação com comunistas (alguém se lembra dos ataques à Igreja no PREC?), que defendem por um lado um Estado laico mas expropriam friamente a privados para financiar com dinheiros públicos (algo inédito e nunca visto em relação a outras religiões) a construção de uma mesquita em Lisboa, e portanto ligados a tudo quanto é luta contra esta prática religiosa, mostraram sem o querer e numa dimensão astronómica, o quanto o ser humano pode ser hipócrita para manipular e construir uma imagem à custa, neste caso, da religião. Sabendo eles da importância do Papa na vida dos católicos, em lugar sagrado como Fátima, estenderam a máquina eleitoral transformando um evento espiritual num circo mediático só para aparecer. Um nojo.
Nasci numa família profundamente cristã que todos os domingos se vestia a preceito para ir à missa sem falhar uma. Estudei em escolas católicas no Canadá e cá num colégio de padres. Fui várias vezes a Fátima e em todas, sem saber porquê, a emoção tomou sempre conta de mim. Contudo à medida que fui crescendo não consegui segurar esta minha natureza crítica de quem não se conforma com o vê. Apesar de ser uma mulher de fé e profundamente espiritual, passei a questionar sem obter respostas que me levassem a consolidar a minha crença. Se hoje não sou praticante é por culpa dos homens da Igreja que teimam em encher o mundo mais de palavras que de acções. E tal como na política, não aceito a inércia de quem tem todo o poder mas não o usa como deveria em prol dos outros. Contudo, continuo fiel aos ensinamentos católicos que aplico no meu dia a dia escrupulosamente abominando toda a hipocrisia existente nos que se dizem praticantes e são simplesmente umas bestas.
Por isso, se não suporto num cristão este comportamento dúbio, revolto-me ainda mais quando vejo os políticos de velinha na mão e nas missas do Santo Padre! Porque Fátima, meus senhores, não é o lugar dos que passam o tempo a atacar os católicos, que gozam com suas crenças, que não respeitam a sua devoção. Fátima é um lugar de fé, de culto onde não há espaço para quem não sente e vive em Deus. Estar nos dois lados é estar em nenhum.
E sinceramente, se tivessem só um poucochinho de vergonha faziam de tudo para não aparecer.
Serviço público da ética republicana laica

A Corte e os Bobos
Nos últimos dias, não houve cabrão todo laico e dos que considera um perigo a existência de crucifixos na escola — como que reconhecendo que esta é frequentada por vampiros — que se livrasse da hipocrisia de enaltecer o Papa, a relevância de Fátima para os portugueses e o papel da fé na vida quotidiana de pessoas que precisam de alento e que, infelizmente, ainda não é totalmente providenciado pela figura do Senhor Primeiro-Ministro.
Graças a Deus, a Corte continua cheia de bobos.
Dom Januário voltou!!!!
Depois de anos a anunciar apocalipses sociais, subúrbios em chamas, multidões inanimadas pela fome, andava dom Januário Torgal Ferreira mediaticamente sumido até que Nossa Senhora de Fátima o tirou de tal recato (ainda duvidam de milagres?). Isto para dizer “Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”
Valha-lhe Deus, senhor dom Januário, e Nossa Senhora que, segundo diz, sempre o acompanha o que não é certamente o menor dos trabalhos da Mãe de Cristo! A imagem é de madeira, de madeira dom Januário!!!
É uma fé que nós cá temos!
“Foi bonita a festa, P.A.S.”

O jornal Observador, numa secção intitulada “Dicas Auto”, andou à procura do automóvel perfeito para um jovem de 18 anos. Sem querer dizer mal das propostas apresentadas, julgo que essa viatura idealizada ainda não existe; e só estará disponível quando as marcas conseguirem aplicar os conceitos de Pedro Adão e Silva ao desenvolvimento dos seus produtos. Confuso? Eu tento esclarecer: Pedro Adão e Silva é o que usa óculos, tem cabelo e não tem barba; o outro, que diz exactamente as mesmas coisas num tom de voz mais agudo, chama-se Pedro Marques Lopes.
Mas voltemos aos carros e ao Pedro que usa pente e gilete. Numa das suas crónicas do Expresso, comentando o exercício orçamental de 2016, concluiu que, contrariamente ao que nos dizia Passos Coelho, sempre havia uma alternativa às políticas de austeridade. Esta incursão de Adão e Silva nos terrenos da ficção científica, mais especificamente na problemática das viagens no tempo e respectivos paradoxos, permite estabelecer alguns paralelismos com o famoso filme de Robert Zemeckis, Regresso ao Futuro. Nesse grande sucesso dos anos 80, a personagem interpretada por Michael J. Fox utiliza papel de carta e uma caneta de 1955 para impedir o terrível homicídio do seu amigo “Doc” Brown que iria ter lugar em 1985; no seu texto, Pedro Adão e Silva tenta utilizar a situação económico-financeira portuguesa de 2016 para impedir a terrível austeridade que se abateu sobre o país em 2012. Se em 2016 foi a “pós-verdade” a feliz contemplada com a distinção de palavra do ano, é justo que em 2017, graças a este tipo de análises, se atribua o galardão à “pré-alternativa”.
Esta incursão do cronista nos territórios da anterioridade não é de agora e é já bem conhecida dos seus leitores. Em 2009, ao subscrever um famoso manifesto pelo aumento da despesa pública e investimento, tornou-se num dos pilares vivos da pré-bancarrota; e em 2014, ao assinar o manifesto pela reestruturação da dívida contraída para financiar a despesa pública e o investimento que antes defendera, mostrou pertencer ao estágio de desenvolvimento moral característico da pré-escola.
É por isso que o automóvel perfeito para qualquer jovem, o tal veículo que ainda não foi inventado, será o pré-carro, aquele que poupará o recém-encartado de 18 anos da vergonha que passou aos 14, quando, todo suado e a cheirar mal, apareceu de bicicleta em casa da sua amada.
Venezuela? Onde fica isso?
Não se passa nada. Ninguém vê nada. Ninguém ouve nada. Tudo cego, surdo e mudo como manda o politicamente correcto. Que o diga nosso querido presidente dos afectos ao referir que o “bom senso impede que se fale da Venezuela.” Que engraçado… O bom senso também não pediria o mesmo em relação ao líder da Síria, da Turquia, da Coreia do Norte, da Rússia ou até dos EUA? Porque não metem aqui o nariz onde temos 550 mil portugueses? Ah! Já sei… Porque este era o regime de referência do PS de Sócrates, BE e PCP na luta contra o imperialismo tendo sido apontado por estes como um exemplo de sucesso (o único) do socialismo… Pois… Como eu os entendo… Meter a viola no saco e fingir que nada se passa para fugir por entre os pingos da chuva… Claramente. Reconhecer o fracasso (mais um) do socialismo dói para caraças. Ler mais…
Parece que também foi uma vitória das Catarinas
Parece que, para já, a França continua no euro. Imagino que seja um alívio para as pessoas que, em Portugal, dizem que querem sair da moeda única, pelo menos a julgar pelo ar de festa. Portugal sempre foi abençoado com terreno fértil, o que tende a gerar um número muito grande de espantalhos plantados em quintinhas, que, bem vistas as coisas, é o que estes grupinhos a que se chama de partidos são.
O artigo de hoje do Vasco Pulido Valente é, sem demérito de tantos outros, de uma precisão cirúrgica. Ver a esquerda mais boca-de-sino entusiasmada com a vitória de Macron, apesar das propostas que estes debitam recicladas das frentes nacionalistas de outros países com atraso de uma década, não é paradoxal, é fruto da propensão nacional para comer todo e qualquer estrume que permita florescer mesquinhos arautos da inveja.
Para o dr. Costa, esta vitória tresanda a alívio. Ainda bem: enquanto choverem moedinhas, o homem lá se vai mantendo sob benção da Europa que vai ladrando até que o cão a morda sem mais avisos. Que as negociações do Brexit caminhem a olhos vistos para o triunfo da vingança pueril só mostra o quão a psique nacional está em sintonia com a dos eurocratas. Não fossem os problemas da próstata inerentes da idade avançada destes e poderíamos fingir que nada se passa durante muito mais tempo.
6 de Maio de 1994

(Achei que era bonito celebrar a data e, para isso, nada melhor que dois dedos levantados em honra a este daft twat.)
Está a arder? Deita mais gasolina que isso apaga.
Nas publicações online é costume dar títulos a artigos com afirmações optimistas tais como “o que podemos aprender com” seguido de algo que, alegadamente, terá um certo interesse pedagógico. Por exemplo, “o que podemos aprender com a eleição daquele camafeu que governa a Grécia”. Recentemente, vi uma dessas publicações e fiquei a matutar na resposta, como se fosse apresentada em forma de pergunta: “o que podemos aprender com a situação da Venezuela?”
Cheguei à conclusão que sei a resposta à pergunta imaginária: nada. Não podemos aprender absolutamente nada com a situação catastrófica da Venezuela. Há dois motivos para isso: o primeiro é que já todas as pessoas com um quarto de cérebro funcional sabem que é assim que evolui o socialismo, da fantochada dos líderes em fato-de-treino para a descoberta por desgraçados anónimos de receitas culinárias à base de terra, musgo e ratazanas; a segundo motivo é que os idiotas que insistem em louvar este tipo de sistema político estão mais preparados para entregar a mãe a um gangue de violadores do médio oriente (não são bárbaros, são exóticos) do que para constatarem as consequências do que defendem, apesar das inúmeras ocorrências ao longo da história.
É, ainda não foi desta que o socialismo funcionou. Vamos lá tentar outra vez.
O Sr. Bofetadas e Companhia Lda.
Não sou eu que o digo. Está devidamente provado e documentado que é na ala esquerda que existe a maior intolerância a opositores. Qualquer pessoa que diverge daquelas criaturas é imediatamente rotulado de iletrado, fascista e outros tantos mimos. Isto, os mais moderados… Porque os outros partem para a acção ameaçando quem se atreve a fazer contraditório. Foi João Soares a prometer umas bofetadas, agora é Ascenso Simões que lhe toma o gosto e segue pela mesma cartilha a um cronista. Ah!! Valentes!! Outros preferem sugerir a demissão como Gabriela Canavilhas de um jornalista que não lhe caiu no goto ou Miguel Tiago a Teodora Cardoso por não ir na cantiga das contas do governo. Já Galamba pratica bullying com suas vítimas que vai desde gozar com a foto de perfil do Facebook até ao rebaixamento intelectual. O BE nem está com meias medidas: bloqueia no Facebook e está feito. E o Costa? Bem esse, não tem papas na língua. Quem se mete com ele leva carradas de insultos grosseiros que é para aprender a estar caladinho!! O modus openrandi desta gente é sobejamente conhecido e reproduz aquilo que a historia universal já provou: a esquerda é intolerante à democracia e liberdade de opinião a menos que… concordemos e aceitemos tudo o que dizem. Era o que mais faltava… Ler mais…
tudo são consequências
Rui Moreira é pessoalmente «independente»? Talvez seja, mas o executivo camarário a que presidiu nos últimos quatro anos não o foi, nem o poderia ter sido numa cidade da importância do Porto. De facto, o que Moreira efectivamente liderou foi um executivo onde o Partido Socialista predominou nas pessoas e nas políticas, com uma aliança minoritária táctica com o CDS, e uma hostilidade constante para com o PSD local e nacional, traduzida em actos diversos de que ter lá ido buscar o vereador Ricardo Valente não foi o de menor importância. Quanto ao mais, uma relação quase idílica, nas sintonias e nas afinidades pessoais, com António Costa, que o autarca nunca se incomodou que fosse intensamente divulgada na comunicação social, selada institucionalmente com a nomeação do seu secretário como um mais do que improvável ministro da defesa. Em troca de quê? Não se sabe, mas o facto permite todas as especulações sobre o futuro, como as que fez Manuel dos Santos. Por conseguinte, Moreira poderá queixar-se do que quiser, mas dificilmente da identificação da sua câmara, da sua pessoa e da sua candidatura com o Partido Socialista. Foi necessário para viabilizar o executivo camarário? Provavelmente. Mas não tem agora que se lamentar se o PS quiser tirar dividendos políticos da sua próxima eleição. Até porque, como popularmente se costuma dizer, quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele. Ou que não estranhe se as criancinhas lhe fugirem quando por elas passar. É que, na vida, tudo se paga.
Leituras:
«A imbecilidade das provas para crianças de sete anos», por Santana Castilho, no Público
O Galambismo
Há uma nova corrente ideológica “made in” Portugal. Depois do comunismo, liberalismo, socialismo e outros tantos “ismos”, eis que neste nobre país de descobridores, inventou-se o Galambismo. O conceito é simples: defender qualquer coisa hoje (mesmo que indefensável) para contradizer amanhã se for necessário, consoante os ventos e as marés, usando todos os argumentos à mão por muito ridículos que sejam, fazendo-os parecer válidos e inteligentes, nem que seja à custa do insulto ou rebaixamento intelectual do opositor. Esta nova ideologia política, inspirada noutra já extinta, o Socratismo, despontou para servir a Geringonça na sua propaganda política. Serve essencialmente para propagar ideias feitas, por vezes sem nexo, para delas fazer umas “grandes verdades” depois de repetidas até à exaustão. Confusos? Eu explico. Ler mais…
Breaking News: incendiários reformados dizem que, sem fumo, se respira melhor em Portugal

Um dos maiores motivos de orgulho dos apoiantes do governo das esquerdas é a acalmia generalizada da sociedade portuguesa desde a tomada de posse de António Costa. E essa satisfação é curiosa na medida em que a principal ocupação de muitas dessas pessoas num passado próximo era precisamente a de agitar de modo generalizado a sociedade portuguesa! Estamos por isso a falar de guerrilheiros que apreciam e elogiam a paz, mesmo quando essa paz é a simples consequência de terem dado por terminadas as suas próprias actividades de guerrilha. Apesar de parecer estranho, e até, à primeira vista, revelador de alguma desfaçatez, devemos ter uma certa condescendência na análise. Estes cidadãos, afinal de contas, sacrificaram-se pessoalmente de cada vez que, com os seus berros, fomentaram a berraria dos outros. São como aqueles pais, que depois de assentarem duas valentes palmadas no rabo do miúdo, lhe dizem com voz angustiada “doeu-me mais a mim do que a ti”.
Não sei os motivos que despertaram nos ex-agitadores esta súbita paixão pelo sossego, mas, tal como qualquer comentador ou articulista que se preze, não vai ser a ignorância que me vai impedir de discorrer largamente pelo tema. Uma das hipóteses é estarmos na presença de uma conversão: a caminho de Damasco, os combatentes da esquerda progressista viram uma luz, caíram dos cavalos, e ouviram uma voz divina que lhes pediu para baixarem o volume. É verdade que não consta que o perseguidor de cristãos Saulo, depois de se transformar no cristão Paulo, tenha começado a gabar-se da “descrispação” que trouxe ao Médio Oriente. No entanto, esta é uma explicação possível e sugere-se, à cautela, o registo da palavra pocialista.
Também se pode dar o caso de todo este silêncio ser uma mera consequência da falta de razões para protestar. Ainda na semana passada foi divulgado pela imprensa que vários concelhos do país vão deixar de ter ambulâncias do INEM durante a noite, um claro sinal de que o investimento público no Estado Social tem sido de tal amplitude que o Governo já consegue garantir que nenhum dos habitantes daquelas áreas geográficas irá ficar doente entre a meia-noite e as 8 da manhã. Mais umas semanas de reforços orçamentais e a medida poderá ser alargada a todo país; mais uns meses e as ambulâncias deixarão igualmente de ser necessárias durante o dia. E nessa altura, sem as incomodativas sirenes, a tranquilidade da pátria será ainda mais profunda.
Bofetões podem colocar em risco a paz social
Admito que pertenci ao grupo maioritário de portugueses que não votou em António Costa. Eu sei que fomos muitos, bem mais dos que os que votaram, porém, isso não nos qualifica para questionarmos os desígnios do Senhor Primeiro-Ministro nem para perturbarmos a sua acção governativa com questões. Mal era quando um PM nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Felizmente, temos um PM que não perde tempo a ouvir as dúvidas dos outros, quanto mais a ter, ocasionalmente e por obra do acaso, as suas próprias dúvidas. Más línguas poderão dizer que tal acontece pelo melhor, que o homem não saberia responder e muito menos comunicar qualquer ideia que, acidentalmente, lhe tocasse tangencialmente o cérebro dourado, mas eu não penso assim.
António Costa é um génio: um ser superior, dotado de inteligência fulminante de concêntricos relâmpagos com sapiência e brilhantismo que ofusca uma supernova. Um ano e meio de Geringonça foi suficiente para alcançar a paz social da patusca alegria pastoral do país. Um cão que morde de vez em quando, um ou outro incêndio, uma pessoa que ainda come bolas de Berlim e fuma cigarros (coitada), um ou outro adepto de clube acidentalmente assassinado, gente comida por ondas numa praia e zero idosos que morrem em ambulâncias, que, aliás, foram retiradas precisamente para que não ocorra tamanha catástrofe. De resto, paz total, apenas perturbada quando um bruto qualquer da grande finança internacional diz coisas feias de nós, os portugueses patuscos, e que, por mera fatiga radiante de Verão, passa pelo filtro implacável do jornalismo-Baldaia (para nem gerar o riso a meio da frase, opto por nem mencionar o jornalismo-chupa-chupa-que-o-amigo-paga daquela maluca que co-adoptou todo o aspirante — e sobretudo inspirante — a vénia no Bairro Alto, a Madame-hiena que trouxe o Ballet Rose para o século XXI).
Conseguir tamanha façanha, a de transformar um país “asfixiado pela austeridade”, com gente a morrer em cada esquina, mães que comiam filhos e velhos que morriam sem eutanasiador oficial com seringa amiga, num país onde, queira a Europa — e quer, que eles querem é a felicidade de nós todos —, não há absolutamente nada que mereça a discussão, o protesto, a greve, a indignação, o istonãoseaguentismo, a dor poética de um texto onírico-azeites de um Porfírio e o romantismo pós-impressionista dos neocomunistas que digitam iPads, só pode ser obra de um grande, grande Homem. E/ou Mulher, para não ofender panegírico pan-género (vulgo pan-ascas).

Costa, meu amigo, só me resta uma dúvida que nem precisa, tal como as outras, de ser esclarecida: o doutor precisa mesmo de ter esses jornais todos? Não pode fundir isso tudo no Diário da Corte? Reserva espaço para as colunas dos cortesãos e pode manter uma redacção com um ou dois dos seus informados. Sempre se evitavam algumas bofetadas que ameaçam tolher a paz social tão duramente conquistada ao ultraneoliberalismo que mata.
Agora viraram-se para as finanças com a assinalável diferença que nas centrais nucleares não os deixam entrar apesar de se sentirem mestres na matéria e em matéria financeira, via cargo político, põem e dispõem.
Paris, 1 de Maio de 2017
Conversa da treta
Um Governo de Esquerdas a Governar à Direita
Se me dissessem em Outubro de 2015, quando Costa deu uma reviravolta aos resultados das eleições e juntou-se aos derrotados para fazer governo, que esta “coligação”, passado quase dois anos, iria governar literalmente à direita, deixando cair todos os seus estandartes eleitorais, esmagando ideologias apregoadas por décadas, diria claramente que era impossível. Dou a mão à palmatória! Está a ser inédita e brilhante esta actuação governativa que ao contrário de muitos, a mim agrada-me imenso. Porquê? Ora, porque assim fazem menos asneirada… Óbvio! Ler mais…
A salazarologia
Existe em Portugal um ramo do saber muito especial, a salazarologia. Esta consiste em começar qualquer frase por “O ditador ” (o equivalente à esquerda é libertador e líder carismático) e a partir desse momento fundador dizer ou escrever as mais esparvoadas afirmações.
Expresso: “Salazar, em 1967, era chefe do Governo quando, pela primeira vez, um Papa visitou o país. O ditador decretou um dia de feriado nacional a 13 de maio e permitiu uma amnistia geral. Mas recusou encontrar-se com Paulo VI, depois de o Papa ter recebido, em Roma, representantes dos movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas de África.”
Não só Salazar e Paulo VI se encontraram como a audiência de Paulo VI aos líderes do movimentos independentistas (de libertadores não tinham rigorosamente nada, antes pelo contrário) só aconteceu três anos depois de Paulo VI vir a Fátima, já era chefe de Governo Marcelo Caetano. Em 1967 era a Índia que estava no centro do lítigio entre Portugal e o Vaticano.
- Salazar com Paulo VI
- Diário de Lisboa, 5 de Julho de 1970, notícia sobre a audiência de Paulo VI
- Diário de Lisboa, 5 de Julho de 1970, notícia sobre a audiência de Paulo VI
Baleia Azul (não essa, a outra)
Divididos entre atribuir culpa aos donos dos cães e ao estado por permitir que animais “perigosos” sejam mantidos por irresponsáveis, lá passamos a semana do Dia da Liberdade a discutir mais uma meritória (por inconsequente) causa. Jornalistas passaram a semana a telefonar para hospitais, à procura de casos para documentar, levando o funcionário do estabelecimento a procurar no menu das urgências diárias por casos suficientes para indignar os portugueses. “Tenho um pé amputado por diabetes, ataque de cão não tenho”, terá dito um dos funcionários. “Temos algum artigo sobre os malefícios do açúcar?”, perguntara o jornalista ao editor, tapando o microfone do telefone antes de despachar o prestável funcionário hospitalar com “esta semana não há regulação do açúcar, só ataques de cães”.
Antes que pudéssemos concluir se o estado deve criar formação obrigatória para os que têm cães ou proibir pessoas de terem os tais ditos perigosos, isto depois de se catalogarem devidamente as raças — e aqui não é xenofobia, são cães, não são activistas do Estado Islâmico —, mudamos de assunto indignante — mas mantendo o tema Fauna — para algo mais excitante que mordeduras que dá pelo nome de Baleia Azul. Ao contrário do que o nome parece indicar, não se trata da designação usada para quando o António Costa se apresenta como aristocrata soberano inchado do orgulho de poder ignorar as perguntas no Parlamento sem que ninguém se indigne, trata-se, sim, de um suposto jogo para adolescentes com o objectivo de os levar ao suicídio. Bem sei que, dito desta forma, parece que continuo a falar do António Costa, mas é importante que o leitor reconheça esse natural equívoco antes de avançar na necessária discussão sobre o assunto.
As pessoas estão muito preocupadas com a Baleia Azul e com razão. Os adolescentes são muito dados a actos parvos, mesmo antes de terem idade para votar, como forma de preparação para a vida que levarão como adultos parvos. Para que fiquemos tranquilos — nós, os adultos —, seria necessário que o estado reconhecesse este fenómeno e o regulasse. Por exemplo, podia-se integrar na escola pública a aprendizagem estruturante que consiste em saber lidar com as pressões dos pares para fazer coisas idiotas. Seria até bastante irónico, fomentaria o ensino do sarcasmo e, mesmo que não impedisse adolescentes de se suicidarem através de incentivos nas redes sociais, seria uma oportunidade preciosa para educar os jovens para a cidadania que lhes permita uma longa vida e oportunidade para abortar, mudar de sexo e requerer eutanásia, uma forma muito mais adequada de terminar a vida do que com jogos com nome mais adequado a estabelecimento de lavagem de carros.
Não comenta mas comenta. Quanto menos comentar melhor, quanto mais comentar melhor ainda…
MARCELO SOBRE A RECUSA POR PARTE DO GOVERNO EM NOMEAR OS NOMES INDICADOS PELO governador do Banco de Portugal e PELO presidente do Tribunal de Contas, PARA O Conselho de Finanças Públicas
“quanto menos o Presidente da República comentar isso, melhor”.
CONCLUSÃO: ASSUNTO ARRUMADO EM 63 CARACTERES
MARCELO SOBRE AS NOMEAÇÕES FUTURAS PARA O Conselho de Finanças Públicas
AVISO; Marcelo não vale a pena, Costa vai mesmo ser candidato a PR
Uma dívida de gratidão
é o que sinto perante o facto do Parlamento Europeu nos ter privado do contacto com Marinho Pinto. Ter todos os dias este homem tonitruante nas televisões era de agonia. Espero agora que o PE nos leve Catarina Martins mais aqueles seus vocalizes.
Memória intermitente
Um dos exercícios mais fascinantes em Portugal é ouvir Jośe Miguel Júdice. Em 2009 quando se discutia o Freeport o dr Júdice teorizava sobre “as mentiras escritas nos jornais.” Mentiras essas aliás que teriam levado até a que ele, Júdice, se demitisse do cargo “fascinante” para que fora convidado por Sócrates. Uma história a recordar
Júdice, mestre do insulogio

Existe desde há muitos meses um grande consenso no país: todos os portugueses concordam que António Costa é um verdadeiro político. A única divisão que se evidenciava até agora era entre aqueles que referiam este facto como forma de lhe dirigir um sincero e sentido elogio e aqueles que o sublinhavam como forma de lhe dirigir um sincero e sentido insulto. Na última semana, com a entrevista concedida ao diário i por José Miguel Júdice, passou a existir uma terceira categoria de cidadãos: os que consideram António Costa um verdadeiro político, mas o exprimem de uma maneira tal, que louvor e ofensa se misturam num género ainda não estudado pelos linguistas.
Nessa conversa jornalística, o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados começa por atribuir ao Primeiro-Ministro o título de político mais dotado da sua geração; algumas linhas depois, quando o leitor ainda está a digerir a apologia, aproveita para realçar que é impossível fazer política sem se estar permanentemente a mentir. E é precisamente por isso que o advogado considera o secretário-geral do PS um génio, um autêntico Fernando Pessoa da aldrabice / que chega a achar que é verdade / a mentira que sabe que disse.
Recorrendo ao Google, descobri que já há uns tempos, numa outra entrevista, Júdice tinha destacado a frieza e a falta de emoções de António Costa, assegurando que a sua maior qualidade era ser “um verdadeiro oportunista”. Desde o dia em que um amigo meu, fervoroso adepto do FCP, confessou apreciar as minhas qualidades futebolísticas e estilo de jogo ao ponto de sonhar todas as noites com a minha contratação pelo Benfica ou pelo Sporting, que não tinha o prazer de contactar com tão venenosos elogios.
Mas Júdice não se fica por António Costa e lança também a sua análise sobre o Chefe de Estado: o seu amigo Marcelo é igualmente o político mais dotado da sua geração (ficamos sem saber quantos anos dura cada geração de políticos, mas, aparentemente, são poucos), embora sofra de verborreia e de entusiasmo excessivo, e seja manipulador, maquiavélico, ácido, sibilino, capaz de jogar com as pessoas, maledicente e traiçoeiro! É impossível não ficar assustado só de pensar nos elogios que o advogado utilizaria para caracterizar o político menos dotado da geração do Presidente da República.
Nestas entrevistas, são também reservadas algumas palavras a Passos Coelho: é descrito como um homem menos adequado ao momento que Portugal atravessa, e com uma menor habilidade para lidar com as subtilezas, complicações e especificidades da vida política nacional. Ambrose Bierce disse uma vez que um elogio é um empréstimo que rende juros. Intenções de José Miguel Júdice à parte, se fosse a Passos Coelho, começava a poupar para os pagar.
Tolerância de ponto: sim, venha daí
Faz todo o sentido que no dia 12 de Maio, sexta-feira, haja tolerância de ponto. José Sócrates, que chefiava o bando governamental em 2010, também considerou que a visita papal de Bento XVI, a 12 de Maio, merecia um dia de reflexão na função pública para que diligentes funcionários pudessem dedicar tempo ao plano espiritual de remoção sistemática de crucifixos de organismos públicos promovida pela então namorada do doutor-engenheiro, isto antes de se converter à causa da co-adopção de refugiados sírios que sejam transsexuais pretos e de se lembrar que o bisavô teve um escravo (obviamente, a bisavó). Foi bonita, a festa: o Sumo Pontífice foi recebido pelo autarca lisboeta, doutor António Costa, que lhe ofereceu, entusiasticamente, a chave da cidade. De seguida, foi altura de receber a águia de prata, oferecida pelo Benfica, um símbolo do ecumenismo que une a segunda e a terceira religião de Portugal. A religião principal, o socialismo, tolerante para com tudo que o faça avançar, beneficia agora de ao laicismo militante calhar bastante agradável um fim-de-semana prolongado.
o 25 de abril foram três revoluções

A primeira, que hoje comemora 43 anos, derrubou um regime velho e caduco, que não se soubera modernizar e, pior que tudo, que não foi capaz de resolver politicamente uma guerra com treze anos e sem solução militar à vista. A guerra colonial foi, muito mais do que a questão democrática, o motivo principal que fez com que as Forças Armadas executassem um golpe de estado que, quase imediatamente, se transformou em revolução. Com excepção da tentativa do golpe de Botelho Moniz, em 61, Salazar conseguira sempre assegurar a lealdade das chefias militares, o que Marcello Caetano não foi capaz. A perda de Spínola e Costa Gomes, que surgem, na noite de 24 para 25 de Abril, como os chefes do movimento militar, foi fatal para o regime. A revolução só foi pacífica porque o regime deposto estava anquilosado e não teve reacção. Envelhecido por quarenta anos de salazarismo e por uma sucessão que se mostrou incapaz de cumprir a renovação que prometera e o país aguardava, já nem aqueles que o dirigiam acreditavam nele. O regime foi derrubado, mas não caiu: desfaleceu.
A segunda revolução só surpreendeu os incautos. Teve duas datas: o 28 de Setembro de 1974 e o 11 de Março do ano seguinte. Verdadeiramente, principiara logo uma semana depois do dia em que Marcello Caetano foi preso no Largo do Caldas, quando, no Dia do Trabalhador, o Dr. Cunhal explicou ao Dr. Soares e ao país que o entendeu, aquilo que ele queria dizer com «as mais amplas liberdades». Quem não ignorar a história, sabe que em qualquer revolução democrática, após o romantismo das primeiras intenções, conhece inevitavelmente um momento de radicalização para fazer triunfar a «verdadeira» revolução e partir os dentes aos «reaccionários». É esse o momento em que a escumalha tenta assaltar violentamente o poder e onde, se não houver reacção forte, se fazem os banhos de sangue. Sempre em nome das mais belas intenções e dos mais honestos propósitos. A Revolução Francesa, logo após 89, explica bem como é que essas coisas se fazem. E como infelizmente terminam. Para todos.
A reacção forte aos planos dos Dr. Cunhal veio de dentro e de fora do país, e corporizou-se no 25 de Novembro de 1975, verdadeiramente, o terceiro 25 de Abril, e aquele que instituiu a democracia e o Estado de direito em Portugal. De fora – pasme-se! – da própria União Soviética, que já tinha conseguido o que queria – as independências africanas – e não estava disposta a ceder aos ímpetos leninistas do seu agente em Lisboa, e provocar, com isso, um casus belli de consequências imprevisíveis com os EUA. O rectângulo peninsular não valia esse risco, e quem duvidar das verdadeiras intenções do Dr. Cunhal (que a pequena história tem feito passar por um poço de moderação e sensatez nestas alturas) que leia o livro do José Milhazes intitulado Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril… A segunda reacção veio de dentro, do país profundo, e devemo-la a Mário Soares, Jaime Neves, Ramalho Eanes, Sá Carneiro, Emídio Guerreiro, Salgado Zenha, os homens que travaram o Partido Comunista e a radicalização revolucionária. Só com eles – e graças a eles – os propósitos iniciais da revolução foram cumpridos.
Abril Segundo Otelo
E já lá vão 43 anos a pensarmos que o Abril dos cravos fora feito em nome do povo. Todos os anos o país pára com celebrações, enaltecendo memórias de militares que invadiram as ruas em nome da liberdade. Até que veio o dia, em que numa entrevista à Lusa em 2011, Otelo, o pai dessas operações, nos revela calmamente que bastam 800 homens para derrubar um governo mas que um “novo Abril” só acontecerá quando lhes forem ao bolso. Está aqui para quem quiser ver. Em menos de um minuto caía por terra o mito de que os capitães de Abril planearam resgatar o povo da ditadura. Nem um pouco. Estavam na realidade a lutar pelos seus direitos. Alguém corrigiu isto? Nada. Silêncio absoluto. Ler mais…
Marcelo, um símbolo de Abril
Le Pen 40%?
O mais significativo nas presidenciais francesas, foi o resultado alcançado em conjunto pelos dois candidatos com programas e bases de apoio sociais-fascistas: Le Pen e Mélanchon. Juntos tiveram mais de 40% de votos. E no voto jovem (18-24 anos) mais de 50%.
Le Pen, na segunda volta, poderá sem dificuldade captar uns 4 ou 5% de votos do eleitorado de Fillon, uns 10% do eleitorado de Mélanchon e uns posinhos na abstenção atingindo marca certamente não longe dos 40%.
25 de Abril sempre
Criminalizar o enriquecimento ilícito é muito curioso. Parte do pressuposto interessante de que o enriquecimento ilícito é actualmente lícito e, portanto, que é necessário tornar crime o acto de enriquecer ilicitamente no futuro. Basicamente, sem artifícios de linguagem, é tornar o lícito enriquecimento ilícito em ilícito. É, também, bastante curioso que este seja um tema para as celebrações do 25 de Abril se nos lembrarmos que, a 26 de Abril de 1974, tudo o que fosse herdade ou quinta era para ser ocupada por constituir propriedade ilícita do “grande capital” e dos “fachos”.
Não deixa de ser bastante engraçado, para não dizer trágico, que seja uma pessoa do PSD a propor a conclusão, 43 anos depois, do programa revolucionário.
Por outro lado, o Senhor Presidente discursa contra o populismo. O circo é mesmo o maior espectáculo do mundo.
A Política é Um Jogo
A política não passa de um jogo. Por vezes sujo. Muito sujo. É um imenso tabuleiro onde os jogadores manipulam as peças a seu bel prazer com um único objectivo: ganhar. Não importa o que se diz. Não importa o que se promete. Não importa se é mentira. Não importa as consequências. O que importa mesmo é ganhar seja a que preço for. Dizer hoje uma coisa e desmentir amanhã é socialmente aceite porque instituiu-se que faz parte do “fazer política”. Tudo muito normal. José Miguel Júdice assim o afirma, sem pudor algum. Ler mais…



