Falta pouco para o ‘a estrada estava cortada’
Já sei que é preciso deixar que se trabalhe, que é preciso respeitar as vítimas e familiares dos mortos na tragédia, que é necessário apagar o incêndio antes de apontar dedos.
Contudo, eu quero saber como é possível num país, que (alegadamente) pertence ao primeiro mundo se morra no meio de uma estrada nacional rodeado de chamas. É que não vai faltar muito até alguém lavar as mãozinhas afirmando que a estrada estava cortada e as vítimas foram lá retirar as barreiras com as próprias mãos que o fogo há-de comer para participarem numa forma de eutanásia por imolação (e, caso levassem crianças no carro, respeitando a proibição de fumar, com cinto de segurança em todos os bancos e inspecção periódica obrigatória em dia). E eu quero saber o nome da besta capaz de afirmar que as barreiras de corte da estrada foram removidas pelas vítimas.
A César e Costa o Que é… da Nação!
Carlos César é um chico-esperto que vive e põe a família a viver à custa de toda uma Nação. Pouco se importa do escrutínio do povo em relação à sua conduta. Ele é César e manda no “seu império”. Quem não gosta põe na borda do prato e siga a festa. Porque ele não está na política para servir ninguém a não ser a ele próprio. Já sabemos que a vida política é curta e tem de ser rápido a fazer investimento no futuro. Por isso não há tempo a perder. Meter todos os familiares possíveis a depender do Estado é urgente antes que esta porcaria toda estoure! E se estourar como aconteceu com Sócrates, pela terceira vez, sempre nas mãos do PS, haverá sempre nabos na governação seguinte a compor o mal e não faltarão contribuintes obedientes e submissos a pagar com seu orçamento doméstico, a factura desta irresponsabilidade criminosa. Ler mais…
Carta aberta a José Gomes Ferreira
Meu caro,
Foi com enorme pesar que assisti à entrevista que fez ao nosso querido líder. Como jornalista e investigadora na área da comunicação social, fiquei boquiaberta com a falta de isenção e parcialidade por si demonstradas. Apeteceu-me sugerir-lhe que se inspirasse nos versos do poeta seu homónimo e se suicidasse por seis meses; ou, de preferência, por mais algum tempo.
Não sei se esta minha missiva adiantará alguma coisa; no entanto, quero poder dizer que tentei, como professora de jornalismo que também sou, ensiná-lo a conduzir uma entrevista equilibrada e imparcial a um chefe de Governo oriundo do PS, o único partido do mundo que, adaptando Almada Negreiros, consegue conciliar a presença de todas as qualidades com a ausência de todos os defeitos.
Deixo-lhe por isso aqui as perguntas que deveria ter feito na passada quarta-feira:
– Boa noite, Sr. Primeiro-Ministro. Após um ano e meio de intensa devolução de rendimentos começam a surgir relatos de pessoas, idosos principalmente, que aparecem mortas em casa, esmagadas pelo peso das notas e moedas que entretanto acumularam. Não acha que chegou o momento de abrandar o ritmo de enriquecimento dos portugueses?
– Dr. António Costa, agora que as previsões de crescimento de 2,4% para 2016 inscritas no Plano Macroeconómico de Mário Centeno foram largamente ultrapassadas pelo crescimento de 1,4% efectivamente alcançado, não tem medo que as grandes potências económicas queiram contratar o seu Ministro das Finanças?
– Ilustríssimo líder, depois de ter anunciado a aposta no consumo interno e no investimento público, verifica-se que foram afinal as exportações e o investimento privado a puxar pela economia. Quando é que se lembrou dessa ideia genial de enganar o crescimento com uma estratégia falsa para depois o apanhar desprevenido pelo outro lado?
– Luz da pátria, pastor do povo, será que o Sr. Dijsselbloem, agora que passaram três meses da ameaça de demissão que lhe dirigiu, já consegue adormecer sem ansiolíticos?
– Babush, o líder do PSD tem dito, com uma imensa lata, que o senhor anda a colher os frutos que ele plantou. Até quando é que os portugueses terão de aturar disparates da boca de um político que, tendo vencido as últimas eleições apenas por poucochinho, já tinha mais era que ter abandonado a vida pública?
– Primeiro-Ministro-Sol, não lhe parece que, dado o estrondoso sucesso da parceria PS/PCP/BE, seria boa ideia avançar para uma revisão constitucional que ilegalizasse, para bem do povo, os partidos feios, porcos e maus da direita portuguesa?
– Messias, a Presidente da CMVM afirmou que as cativações orçamentais estão a colocar em causa o funcionamento da instituição. Não estará na altura de organizar uma acção de formação para todos estes ignorantes que continuam a confundir os saudáveis instrumentos de rigor financeiro do seu executivo com os desumanos cortes austeritários do último governo?
– António, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. An-tó-ni-o: os portugueses merecem-no?
Certa de que não deixará de reflectir profundamente na fraca figura que fez diante de todos, dou por terminada esta epístola.
Atentamente
Estrela Serrano
É o ADN
Carlos César pretende fazer passar a contratação da sobrinha pela GEBALIS como uma boa escolha da administração pública. Realmente os familiares dos políticos têm de trabalhar e não podem ser excluídos da coisa pública. A mim, por exemplo, espanta-me que a senhora secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, declare que “por acaso” tem as filhas numa escola privada. Mas passemos adiante. Nada haveria a criticar na contratação da sobrinha de Carlos César caso ela tivesse outro curriculum que não fosse precisamente esse: ser sobrinha de Carlos César.
Aliás que alínea, que formação, que saber, que práticas, que experiência, que investigação levaram a que Maria Inês Rodrigues do Vale César licenciada em Sociologia tivesse sido contratada pela junta de freguesia de Alcântara para trabalhar na “aquisição de serviços de apoio ao licenciamento e espaço público”?
A não ser a óbvia questão das espirais do ADN que outra característica tinha a sobrinha do senhor César para trabalhar na “aquisição de serviços de apoio ao licenciamento e espaço público” na junta de freguesia de Alcântara?
Era uma vez uma barragem amarela…
Do tempo de Salazar
Doutor César, co-adopte-me
Esta semana foi notícia o emprego da sobrinha de Carlos César na câmara municipal do Primeiro-Ministro. Contrariamente ao que pensa a maioria das pessoas a quem ouvi mencionado o assunto, não só acho que a contratação não é condenável como a acho muito bem, um autêntico serviço público ao país. Inclusivamente, considero que as pessoas que condenam este funcionamento napolitano das instituições não estão a pensar bem no assunto: empregar um socialista numa câmara municipal permite afastar do mercado de emprego um candidato em risco de ser erroneamente contratado por um privado com consequências imprevisíveis para a sobrevivência da empresa. Permite também que a sobrinha de César adquira competências úteis no âmbito de conhecimentos gerais sobre as pessoas certas a conhecer para que nunca mais tenha que ser sujeita a processos de selecção. Sobretudo, permite o reconhecimento pela sociedade de que não há pessoa mais qualificada para uma autarquia que um familiar de um dirigente nacional do PS. Já achei bem quando o dr. Vieira da Silva levou a filhota para o governo: o dr. Costa bem precisa de um sociólogo que o acompanhe para tirar notas. A única coisa que lamento na contratação da sobrinha do dr. César é não ser muçulmana e preta, estragando assim a possibilidade de um brilharete quádruplo nas quotas com quatro minorias desprotegidas de uma vez só: mulher, negra, não-católica e sobrinha do dr. César.
Nota: não sei se o Carlos César é mesmo doutor, mas, como sou a favor da não discriminação, acho que toda a gente merece ser tratada por “doutor” a partir dos doze anos.
Candidatura a Vaga de Socialista
Venho por este meio candidatar-me a uma eventual vaga a socialista para a qual acredito ter o perfil ideal.
Desde criança que sigo essa ideologia com rigor. Nunca me preocupei em saber de onde vinha o dinheiro. Limitei-me, até aos meus 30 anos, a gastar como me dava na gana e a pedir sempre mais quando me faltava. Por razões que nunca questionei, nunca faltou água quente, nem luz, nem comida ou outras “cenas” que eu exigia aos meus pais apesar de nunca ter contribuído para elas. O dinheiro também nunca faltou no multibanco porque eu sempre lutei pelos meus direitos lembrando meus pais das suas obrigações.
Decidi viver sozinho para pôr fim a uma ditadura parental que me obrigava aos 30 anos a cumprir com deveres. Foi quando aprendi a pedir emprestado para as minhas “cenas” que depois me esquecia de pagar. Tive de negociar vários empréstimos em simultâneo para fazer face às minhas necessidades. Endividei-me brutalmente. Depois pedi insolvência. Consegui uns empregos pontuais mas como eram muito cansativos pois tinha de cumprir horários e tarefas por um salário, acabei com essa exploração capitalista e passei a viver de subsídios.
Não tenho qualquer experiência profissional por isso não sei fazer “ponta de um corno” o que penso ser uma mais valia pois assim não sofri qualquer contaminação neoliberal na ideologia que defendo: o socialismo. Além disso não tenho qualquer curso concluído apesar de ter frequentado vários.
Tenho excelente aptidão para mentir transformando qualquer narrativa numa verdade inquestionável. Sei vender pedras da calçada por preciosas sem problemas. Sou ainda excelente a gastar dinheiro sem preocupações não tendo até à data feito uma única poupança nestes 45 anos de vida. Esta é a minha especialidade. Além disso sei falir em pouco tempo qualquer finança que me coloque nas mãos. Eu mesmo sou um falido. Nunca me preocupei com o futuro pois ele sempre está longe e o que conta é de facto o dia de hoje pois amanhã podemos já estar a “fazer tijolo”. Não gosto de planeamento nem de visão a longo prazo. Isso é uma treta. Temos de nos preocupar connosco porque quem vem a seguir é que tem obrigação de o fazer. Até porque a responsabilidade não é de quem governa mas sim dos outros.
Sou defensor de justiça social por isso nunca admiti que meus amigos tivessem mais do que eu mesmo trabalhando para isso. Também nunca deixei que alguém pudesse ter seja lá o que for sem repartir pelo próximo. Porque se todos não podem ter por igual, ninguém pode ter coisa nenhuma. Defendo a expropriação do Estado para distribuir pelo todo em nome da justiça e igualdade.
Também sou muito crítico de tudo e mais alguma coisa pois entendo que tudo deve ser questionado e posto em causa sem ter para isso de construir algo. Isso é para quem não sabe fazer mais nada na vida.
Nos meus tempos livres faço piercings e tatuagens. Já pareço um tapete persa por isso, sou valiosíssimo, não sei se estão a ver, a qualidade da minha pessoa. Falta de humildade é coisa que me assiste e já agora, caso me aceitem, não se esqueçam que mereço medalhas pela minha fidelidade à ideologia que vos representa. Garanto que melhor socialista não encontrarão. Até já fui sondado para liderar os EUA mas não aceitei por achar que faço falta ao meu país.
Tenho alguns hobbies como fumar cigarro electrónico, polir as cadeiras da esplanada com o rabo sentado a tomar um drink mas raramente me apetece praticá-los porque me cansam muito. Prefiro praticar reiki no “vale dos lençóis” lá de casa dormindo horas a fio num momento Zen imperdível. Sou imbatível nisso.
Espero vir a ser contratado nas muitas vagas que vão ainda criar de Boys na função pública até ao final do vosso mandato que espero ser muito longo para poder abrir muitas vagas. O desemprego graças a vós com estas contratações que em ano e meio já ultrapassaram o milhar, baixou, e isso é bom.
Na expectativa do vosso futuro contacto.
Subscrevo-me.
Um Candidato Socialista
Ao cuidado do PCP
Cancioneiros populares e Câncio(neiros) sofisticados

Saber que um amigo resolveu falar mal de nós pelas costas é das coisas mais horríveis com que nos podemos confrontar. Pior, pior, só mesmo quando um amigo resolve falar mal de nós na nossa cara. Enveredar pelo caminho da frontalidade é uma ameaça civilizacional indesculpável, e um alargamento generalizado da sua prática remeter-nos-ia à Idade da Pedra em pouco tempo. É por isso que invejo a sorte das amizades de Fernanda Câncio, que inventou uma terceira via para transmitir os estados de espírito com elas relacionados: a crónica de opinião publicada em jornal de tiragem nacional. Num texto do Diário de Notícias, intitulado “Lisboa e os parolos”, a jornalista começa por falar daqueles que, há três ou quatro anos, quando os preços eram baixos, não mostravam o menor interesse em viver no seu bairro, a Baixa Pombalina. Uma vez que, ao contrário da cronista, essas pessoas recusavam casas antigas sem garagem e sem elevador, são sumariamente descritas como saloias, tacanhas, ignaras e não sofisticadas. Logo de seguida, para rematar o parágrafo, Fernanda Câncio convoca os seus amigos para a polémica e partilha connosco a pergunta que alguns deles lhe foram fazendo nos últimos 20 anos: a muito reveladora e chocante “que horror, como é que consegues viver ali?”
Em 1915 o psicólogo dinamarquês Edgar Rubin espantou o mundo com uma figura que ficaria conhecida como o “Vaso de Rubin”, uma ilusão de óptica em que algumas pessoas visualizam a silhueta de um vaso e outras o perfil de duas faces humanas. Com esta crónica a jornalista do DN aplica um truque semelhante aos leitores: onde a maioria apenas vê um conjunto de palavras separadas por espaços, os seus amigos da periferia conseguem identificar um barrete com o tamanho exacto das suas cabeças. E como é um barrete de saloio, fica a faltar apenas a faixa da cintura e o varapau para estarem preparados para o próximo Carnaval.
Felizmente, nem só de parolos é constituído o seu núcleo íntimo. A propósito da recente discussão sobre o arrendamento a turistas, Fernanda Câncio relatou o pânico que assaltou um casal amigo desde que colocaram à venda um dos apartamentos do prédio da Baixa em que vivem. Pelos vistos, a perspectiva de terem de aturar viajantes estrangeiros como vizinhos está a tirar-lhes o sono. Muito honestamente, compreendo o drama: se eu tivesse de estacionar todos os dias o carro a 1 km de casa e depois carregar com as minhas duas crianças e respectiva tralha pelas escadas até ao 2º ou 3º andar, também não aguentava cruzar-me com gente de ar feliz e descontraído a gozar férias.
Saindo em defesa dos moradores, a cronista realça os incómodos provocados pelos turistas e defende a possibilidade de veto por parte do condomínio; entrada no prédio de madrugada, deposição de lixo reciclável no contentor comum e barulho do arrastar de malas são alguns dos tormentos que os atingem e que muito me impressionaram! E é por isso que aconselho Viktor Orbán e Donald Trump a alterarem o discurso: associar os refugiados islâmicos ao perigo do terrorismo ou os migrantes mexicanos ao tráfico de droga e roubo de empregos é uma estratégia errada que só acarreta acusações de insensibilidade e xenofobia. Se o Primeiro-Ministro da Hungria e o Presidente dos Estados Unidos não querem essas pessoas nos seus países é só pôr a circular que os fiéis do Corão e do sombrero mostram pouco respeito pelo ambiente e pela recolha selectiva, tendo sido vistos a colocar jornais velhos no vidrão e pilhas usadas no papelão. Acredito que a solidariedade progressista fica garantida e, quem sabe, podem até vir a ser distinguidos pela Greenpeace.
Como é que podemos ter eleito o Tino de Rans quando tínhamos candidatos como Marcelo Rebelo de Sousa?
qual deles será o responśável pelo ataque de hoje em Paris? Ainda vamos chegar às moscas do vinagre que queriam ser moscas do mel e ao ornitorrinco revoltado por não voar.
Comissão sobre obras na Segunda Circular começou e acabou em vinte minutos A maioria socialista bloqueou a audição de técnicos e o PSD saiu da sala em protesto. Fernando Medina despachou a questão em poucas linhas
Na prática isto quer dizer o quê? Quanto custa?
Amanhã a FENPROF reúne com o Ministro da Educação. Em causa estão segundo aquela federação:
* descongelamento da carreira,
* regime especial de aposentação,
* horários de trabalho adequados,
* direito à vinculação
* gestão democrática
“Ronaldo” Não! É “Pinóquio do Ecofin”!
É muito fácil construir uma mentira. Sobretudo quando os visados são manipulados por uma comunicação social comprada pelo “establishment” para vender gato por lebre, que explora até à exaustão a iliteracia de um povo que não lê, não se instruiu, não quer saber porque prefere viver na ilusão. Então que fazem eles? Vendem resmas de ilusões para ocultar a verdade. Uma verdade bem cruel ali mesmo à espreita, prontinha para nos saltar no colo. Lembram-se de Ricardo Salgado, o melhor banqueiro, de Zeinal Bava e António Mexia como os melhores gestores de topo? Pois bem, acredite caro leitor que o quadro não está completo. O nosso “Ronaldo” das finanças em breve se juntará ao grupo destes Pinóquios. Ler mais…
Os supervisores
A heresia dos dias de hoje
Mais um “incidente” em Londres. Ainda não podemos atribuir tal “sucedido” à religião de paz, por muito preconceituosos que sejamos. O “incidente” pode ter “sucedido” por mera “fatalidade”, não há qualquer prova de que se trate de um atentado terrorista só porque causou terror às pessoas que foram “inesperadamente” atropeladas e/ou esfaqueadas. Pode ter sido um “acto cometido” por pessoa “com problemas mentais” ou até por desempregado desiludido com Trump por este retirar os EUA do tratado de Paris, aquele tratado que é tão bom que não há vivalma que desconheça os seus méritos e, inclusivamente, o seu conteúdo.
A polícia matou três pessoas que nem sequer foram julgadas e consideradas culpadas em quinta instância. É um abuso e uma severa violação dos direitos humanos. É neste “sucedido” que devemos focar a nossa atenção. Mais: nem sabemos se “o incidente”, que consistiu em atropelar e esfaquear pessoas, foi dirigido a londrinos de gema, pessoas nascidas e criadas na capital inglesa ou se foi um meritório “sucedido” de supressão de turistas, essa praga que destrói a habitação e corrompe as tradições e modo de vida das cidades históricas.
Sabemos é que é necessário uma Câncio em cada esquina. Da mesma forma que não haverá turista a entrar em prédio que lhe pertença para sessões de tórrido sexo com governantes locais, causando transtorno aos restantes moradores que também querem carinho, um elemento deste tipo por condomínio seria suficiente para assegurar quotas para refugiados homo-, trans- e pan-sexuais que, como sabemos, resolvem facilmente o problema demográfico da Europa através de partenogénese e asseguram que atropelamentos e esfaqueamentos, em virtude da religião de paz, só ocorrem em mulheres culpadas da suspeita de adultério, nunca a transeuntes inocentes.
Meus Senhores, Expliquem Isto!
Antes que os intolerantes às opiniões divergentes (assentes em factos) comecem a vomitar slogans de ódio, começo por dizer que fui uma apoiante acérrima dos refugiados. Quando se iniciou a tragédia, ao ver milhares de mortes no mediterrâneo com gente a fugir de uma guerra, estremeci. Escrevi muito sobre o assunto e achava que quem se opunha era radical e racista. Sim, eu pensei mesmo isso. Isto porque não compreendia de todo como podiam estar contra as ajudas a quem lutava pela sobrevivência. Até que, com o passar do tempo, sempre atenta a tudo, comecei a ver coisas estranhas às quais parecia não haver resposta. E é precisamente quando vou à procura dessas respostas, que a verdade começa a surgir… Ler mais…
um erro enorme

Passos Coelho começou, finalmente, a dizer o óbvio: que a razão da economia portuguesa estar a ir bem, neste momento, é devida ao facto do actual governo ter inflectido as políticas iniciais e ter começado a cuidar do défice das contas públicas. Mas há muito mais que ele tem que dizer aos portugueses, se quiser ter alguma esperança em voltar a ser primeiro-ministro.
Primeiro, que a recuperação da economia se deve ao seu governo, que estancou a falência do estado, em 2011, e iniciou um caminho de recuperação.
Segundo, que ninguém com o juízo todo na cabeça poderá acreditar que estes actuais resultados económicos se devem ao facto do actual governo ter aumentado uns cêntimos às reformas e reduzido alguns tributos para alguns escalões sociais, no ano passado. Ainda que essas medidas pudessem ter algum impacto positivo na economia, certamente que não seria dois ou três meses depois de terem sido tomadas. Por conseguinte, é devido a políticas vindas de trás e ao facto do governo actual não estar a estragar o essencial (o que, com o Bloco e o PC à ilharga, não é feito a desconsiderar…), que a economia portuguesa está a crescer.
Em terceiro lugar, que sem reformas profundas e se o governo assassinar os sectores económicos – como o do turismo – que têm dinamizado a economia, este bom ambiente não perdurará por muito tempo.
No fim de contas, Passos cometeu, quando passou para a oposição, um erro enorme: o de ter anunciado a vinda breve do «diabo». Com isso, ele desvalorizou o seu próprio trabalho e não se apercebeu que a herança que deixou era bem mais forte do que aquilo que pensava. Mas era.
Não há defesa grátis
Quem vai explicar aos contribuintes europeus a conta detalhada do esforço de defesa da Europa?
Há petróleo no Beato. Estamos tramados!

Não sei quanto tempo mais irá Jerónimo de Sousa aguentar as provocações de António Costa, mas desconfio que a corda poderá partir a qualquer momento. Não falo das cativações nos serviços públicos, do aumento dos impostos indiretos ou dos cortes no investimento estatal, pois a austeridade, com maior ou menor esforço, é sempre passível de ser transformada noutra coisa qualquer através da nobre arte da comunicação profissional (aquela actividade a que o Pinóquio por vezes se dedicava e que lhe fazia crescer o nariz). Falo sim do permanente ataque que o líder socialista dirige às expressões e ditados populares, retirando-lhes o sentido e a oportunidade de utilização. É bem conhecido o carinho que o secretário-geral do PCP nutre pelas máximas construídas ao longo dos séculos pelo povo, colocando-as praticamente ao mesmo nível das que foram transmitidas por Marx e Lenine. Na verdade, nada tenho contra esse afecto; julgo até que o movimento comunista internacional podia ter poupado a humanidade a muitas páginas de maçadora teoria se dele partilhasse. Quantos volumosos tratados foram escritos sobre o insubstituível papel do Partido Comunista como vanguarda do proletariado, quando tudo poderia ter sido facilmente resumido a um progressista “candeia que vai à frente alumia duas vezes” seguido de um pragmático “manda quem pode, obedece quem deve”?
Lamentavelmente para Jerónimo de Sousa, as hostilidades contra a cultura popular foram abertas logo depois das eleições legislativas. Ainda estavam os inocentes filósofos de café a proclamar que “o segundo é o primeiro dos últimos” e já António Costa engendrava um esquema para se sentar na cadeira de Primeiro-Ministro e estuporar o provérbio.
Agora, segundo leio, há um novo dito na calha da irrelevância. Sempre que, num negócio imobiliário, o vendedor exagerava no preço pedido, era certo que seria confrontado pelo comprador com um energético (relativo a energia, note-se) “mas há petróleo debaixo da superfície?!” Eram os tempos pré-Costa, os tempos do ouro negro, tão desejado por todos que se chegavam a travar sangrentas guerras pela sua posse. Na actualidade tudo é diferente, e a simples perspectiva de tal viscosidade poder estar presente no nosso território provoca calafrios no executivo. Por esse motivo, e de acordo com o jornal Sol, o Governo prepara-se para pagar indemnizações às empresas afectadas pela rescisão unilateral dos contratos de prospecção de petróleo assinados no tempo de Passos Coelho, entre as quais se encontra a sociedade de Sousa Cintra. Andava o empresário a alimentar a esperança de, sujando as mãos a trabalhar, enriquecer à custa dos hidrocarbonetos e afinal vai ter de se contentar em, não fazendo nada, enriquecer à custa dos contribuintes. Há pessoas com muito azar!
Quanto às rescisões propriamente ditas, penso que não há nada a apontar. O negócio dos combustíveis fósseis é uma mistura de inconsciência ambiental e ganância que só faz sentido em países do terceiro mundo tais como o Canadá ou a Noruega. E os nossos governantes não podem correr o risco de afugentar algum turista mais sensível à problemática ecológica por causa desta actividade extractiva geradora de fortes lucros; se há turistas a mais, como se vai ouvindo da boca dos mesmos governantes, estes devem ser afugentados recorrendo a estratégias geradoras de vastos prejuízos.
Até hoje existiam no mundo dois tipos de países: os que não tinham petróleo e gastavam dinheiro a comprá-lo e os que tinham petróleo e ganhavam dinheiro a vendê-lo. Com este incumprimento contratual, Portugal inventa um novo grupo só para si: o dos países que, por não o terem, gastam dinheiro em petróleo, ao mesmo tempo que, para não o terem, gastam dinheiro em indemnizações. Ainda dizem que há falta de inovação neste cantinho lusitano…
Podia lá ser doutra maneira?
marcelo, o medalhador

Depois de tentar medalhar o petiz da fotografia, com mais de dez Ordens Honoríficas do Estado Português, pelo notável feito de ser o aluno da escola dele que come mais cachorros quentes no refeitório, no intervalo das 10.00, e contribuir, assim, para o incremento da indústria salsicheira e da restauração, Marcelo Rebelo de Sousa explicou-lhe por que razão devem as agências de rating rever a posição da República Portuguesa, até Setembro. E «até Setembro» porquê? Porque «é justo»! «Até setembro parece justo», disse o Presidente de todos os comedores de cachorros quentes ao jovem campeão nacional da modalidade. Não até Outubro? Não, não e não: «até Setembro»! «Parece justo». E o ano, Senhor Presidente? O ano?! «Até setembro parece justo», caramba! Já chega, já basta, está tudo dito!
Apenas para que conste, o petiz proto-agraciado recusou todas as comendas. «Em casa, os meus pais disseram-me para nunca aceitar presentes de estranhos», disse.
Levante-se o réu!
João, a personagem de “As Bodas de Deus” (1989), a cumprir pena, pede a Joana, que o visita, para que lhe deixe um pentelho. Perante a insólita solicitação e a presença de um guarda, a hesitante jovem inquire sobre a forma como poderá ser obtido o desejado elemento para que o solicitado dote seja concedido. “Metes a mãozinha e encontrarás terreno cultivado”, responde o lacónico Barão, título que adoptou através de grande soma de dinheiro obtida por graça concedida por Enviado do Pai Divino.
António Costa, auto-proclamado Barão através de benefícios obtidos por vender o partido a estalinistas e trotskyistas, para nem mencionar a maior prole de inusitada corte, a dos doidos varridos, continua a pedir mais pentelhos à Europa, curioso material que garante uma obsolescência controlada no tempo para o tristonho país. “Mais Europa, mais euro”, diz o rústico traquina que, com a graça de Deus — ou, mais propriamente, com o descuido divino — lá vai apascentando a polineuropática imprensa com gloriosos sucessos de austeridade que outrora matou e agora é cobiçada. A Europa, o terreno cultivado onde Costa quer meter, uma e outra vez, a tímida mãozinha.
Passos Coelho foi muito importante para o país: permitiu que as mais exuberantes tágides deste coió de tratantes encontrassem hilárias anedotas sobre o cancro da sua mulher, da piroseira que é Massamá e do atol para suburbanos com baba no canto da boca que dá pelo nome de Manta Rota. Agora já não precisamos dele: um país regido pelo tédio tende a gerar chavelhos nos apáticos e escoriações nos outros. Com Junho à porta, a sonolência de Verão permitirá mais um ano de submissão dos portugueses ao seu destino, o de total irrelevância do país no esquema mundial que se vai confundindo nos corredores de Bruxelas, Washington e Moscovo. O que será, será, como o foram as cascas de noz em oceanos longínquos de outrora. Como o Infante, Costa nos conduzirá, através do coma, para o outro lado. Quem lá chegar, chegou.
Não que canse falar para paredes: o que cansa é o eco que entoa periodicamente, como que mostrando que não há nada para dizer. João de Deus está sentado no tribunal para ser julgado. “Levante-se o réu”, é-lhe ordenado. “Levanta-te tu, meu filho da puta”, responde.
O Milagre da Saída do Défice Excessivo
Em Abril de 2015, doze economistas entregavam ao candidato a primeiro-ministro, António Costa, um Plano Macroeconómico que previa um autêntico milagre nas contas do país, sustentado no estímulo ao consumo interno e aumento do investimento público. Fizeram parte dessa proposta nomes que se encontram neste momento a governar: Galamba, Centeno, Rocha Andrade, Vieira da Silva, Caldeira Cabral entre outros. Umas mentes luminosas que tinham a solução divina para nos colocar ao lado da Suiça num ápice (ah! ah! ah!). Mas o Plano era tão bom e tão credível que, ao contrário do Documento Estratégico Orçamental do então governo PSD/CDS, devidamente auditado pela UTAO e CE, neste do PS, não foram facultadas as folhas de cálculo que levavam a tais conclusões. Curiosamente também, o dito “plano macroecomico”, entretanto, desaparece da net. Pormenores… maiores. Ler mais…
Nem o Francisco….
este ps é perigoso
Anos após uma falência do estado que prejudicou gravemente milhares e milhares de portugueses, causada, em boa medida, por políticas despesistas do governo de José Socrates, o país começou, finalmente, a recuperar.
A principal causa dessa recuperação não é, contudo, devida a quaisquer políticas públicas, ao contrário do que se tenta convencer as pessoas, mas ao esforço empreendedor dos portugueses, sobretudo daqueles que investiram os seus parcos recursos no turismo, a principal indústria exportadora nacional dos últimos anos.
Dentro da actividade turística tem tido um papel de primeira importância o alojamento local, que envolve, actualmente, muitos milhares de pessoas.
Graças ao alojamento local muitos portugueses conseguiram obter um rendimento que lhes permitiu sobreviver à crise, sem estarem pendurados nos subsídios do estado.
Graças ao alojamento local reconstruíram-se milhares de imóveis das cidades portuguesas, que estavam há décadas em ruínas, graças a uma lei absurda de congelamento dos arrendamentos.
Graças ao alojamento local criou-se uma oferta de hospedagem turística de qualidade, a preços acessíveis, que permite que centenas de milhares de turistas de renda média e média-baixa possam visitar o nosso país.
Graças ao alojamento local desenvolveram-se milhares de pequenos negócios de restauração, de construção, de empresas turísticas. Esses negócios garantem emprego e rendimento a muitos milhares de pessoas.
O alojamento local vive sem qualquer apoio ou subsídio do estado. É um sucesso, porque as pessoas – os produtores e os consumidores – precisam dele e porque é bem feito. Se não fosse tão útil, necessário e bom, estaria às moscas.
O alojamento local, ao contrário do que se pretende fazer crer por aí, está regulado por lei, cumpre regras exigentes de autorização de funcionamento, com aprovação da Câmara e bombeiros, paga impostos que aumentaram de 15% para 35% só neste último ano e não dá problemas relevantes a ninguém.
Pois bem, em face disto o que pretende fazer o governo e a sua maioria parlamentar com esta importante actividade social e económica? Apoiá-la? Ao menos não a perturbar? Nada disso: quer acabar com ela, saciando, assim, os interesses dos grandes grupos de hotelaria, há muito tempo a pressionarem os decisores políticos para uma medida do género da que o grupo parlamentar do PS que agora aprovar. Na verdade, em vez de se sujeitarem à concorrência e serem obrigados, pelo mercado, a prestar melhores serviços, a preços mais baixos, as grandes cadeias hoteleiras preferem destruir os pequenos empresários que competem com eles. Basta, para isso, ter um governo amigo e deputados à disposição.
Por último, o «argumento» que preside a esta proposta de lei socialista: a perturbação do sossego dos proprietários de imóveis em prédios onde há alojamento local, que já produziu meia-dúzia de processos em tribunal. Mas, por acaso, querem comparar esses processos, em número e substância, com os que existem por causa das relações de vizinhança, de cães, ruído nocturno, etc.? Mas, por acaso, a República não dispõe já de leis que assegurem o direito ao repouso e não há a possibilidade de o garantir, quando alguém o põe em causa? É claro que sim. Mas também não importa, porque o que está aqui em causa não é nada disso. É mesmo e só acabar com o alojamento local.

E se Fosse seu Filho?
É muito fácil opinar sobre coisas que não nos atingem (por enquanto). Ter todos os nossos filhos calmamente a jantar connosco enquanto ouvimos o Jornal da Noite a relatar os horrores vividos numa noite de concerto da Ariana Grande em Manchester. Famílias destruídas em dor. Mães desesperadas sem saberem das filhas. Não custa nada. Principalmente se no dia seguinte não temos de atravessar as “No Go Zones” (porque não as há ainda) nem fazer um desvio para o trabalho porque certa zona está fechada por ameaça de bomba ou ataque iminente de terrorismo. Nem ter de olhar para todos os lados com medo. Não nos afecta nada porque por enquanto não há cá nada disso. Por enquanto… Ler mais…
Uma das ocupações em alta, das que tem vindo a ter mais saídas profissionais, é a de comentador de terrorismo islâmico (uma redundância). Trata-se de uma ocupação que consiste em explicar as motivações dos terroristas, coisa que se obtém através de anos de estudo em ciências sociais e teorias de género pós-feministas e humanitárias, competências adquiríveis, por exemplo, através do programa de doutoramento em estudos feministas no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Outro meio para a aquisição de competências na área da compreensão das motivações dos terroristas é ser um idiota chapado, coincidentemente, um dos requisitos não mencionados para a admissão ao programa de doutoramento mencionado.
Nas televisões e nos jornais, como cogumelos, brotam do húmus inúmeros especialistas em especialidades que juram a pés juntos — evitando assim expôr o heteropatriarcal sexo biológico, uma aberração da natureza — que o mundo ocidental é culpado, por infortúnio de inúmeros pecados, de fomentar a carnificina de multidões indiscriminadas, gente que o terrorista não conhece, logo, pessoas dotadas apenas de uma espécie de Pecado Original que os torna indiscutíveis culpados e candidatos admissíveis para uma gloriosa matança. Outros, mais sofisticados que os anteriores, tal como o caracol é uma evolução da lesma desprovida de carapaça, salientam, inclusivamente, dois factos que deixariam as mães hippies orgulhosas com tamanho brilhantismo: 1) havia mais terrorismo na Europa nos anos 70, mérito dos revolucionários marxistas, gente simpática que, talvez por fraqueza, evitava a carnificina de crianças; 2) os terroristas islâmicos são habitualmente nativos do país onde a matança ocorre, daí que nada disto tenha a ver com fronteiras e políticas de emigração, como que sendo o problema mais difícil de combater do que através de simples fecho de fronteiras seja motivo para regozijo. Que alegria: o terrorista tem passaporte inglês, é meu vizinho, não é um estrangeiro desconhecido!
Em qualquer dos casos, é sempre necessário salientar que o Islão não tem nada a ver com terrorismo, tal como uma prostituta não tem nada a ver com gonorreia: são coisas distintas e é possível ser um devoto muçulmano sem ser terrorista, tal como, como já verificamos, também é possível ser um idiota chapado e doutorado ao mesmo tempo. Importante é referir que todas as religiões são uma porcaria, umas mais que as outras, por motivos culturais. Cristãos e judeus são reles, muçulmanos são apenas pessoas num processo de evolução igualitário, vítimas de opressão heteropatriarcal e, como tal, passíveis de compreensão quando se rebentam matando crianças e adultos de castas reles. Importante é combater as fobias, as xeno-, as homo-, as multi-, nem que para isso seja necessário fechar os olhos ao próprio atentado (não é xenofobia?), às execuções de homossexuais (não é homofobia?) e ao triste destino dos depósitos de esperma a que chamam mulheres por estes libertadores da opressão mundial a que erradamente chamamos terroristas (não é misoginia?).
Como diz o nosso Querido Líder, “por cada atentado realizado, dez são evitados”. Isto é verdade, tal como é verdade que por cada palerma que “compreende os terroristas” há dez pessoas dispostas a pagar-lhe o bilhete de ida para Mosul.
A febre de Domingo à noite

Quem já viu o filme em que Mr. Bean se faz passar por um prestigiado crítico de arte conhece-a bem: Arranjo em Cinza e Preto nº1, ou a Mãe de Whistler, como é popularmente tratada, é uma importantíssima pintura de James Whistler, artista americano do séc. XIX. De igual modo, quem nunca tenha querido perder tempo com as palhaçadas de Bean mas tenha visitado o parisiense Museu d´Orsay, na margem do rio Sena, já contactou também com o famoso retrato da mãe do pintor, uma vez que é nessa instituição cultural que a obra se encontra exposta. No entanto, se é esse o seu caso, talvez seja melhor parar a leitura por aqui. Pessoas que utilizam sabiamente as escassas horas da existência, percorrendo galerias repletas de impressionistas em vez de se rirem primitivamente de episódios burlescos, terão certamente melhores coisas para fazer.
A importância do quadro de Whistler, considerado um símbolo da maternidade e dos valores familiares defendidos à época, levou a que fosse muito utilizado em anúncios publicitários e campanhas, inclusive num poster canadiano de recrutamento de soldados para as fileiras da I Guerra Mundial. Sob o lema “fight for her”, tentava-se que os jovens abandonassem o conforto do lar e se dedicassem a arriscar o pescoço nas trincheiras europeias. Descubro agora, através de uma notícia relativa aos Comandos portugueses, que, um século volvido, não só deixou de ser possível invocar as mães como um motivo válido para ir à luta, como são as próprias mães que impedem a vocação guerreira dos seus filhos. De acordo com as palavras do Chefe do Estado-Maior do Exército, são os fins-de-semana em casa, e não as exigências físicas e psicológicas do treino, que estão a provocar o grande número de desistências do curso deste ano, fazendo com que dos 57 militares iniciais restem neste momento apenas 17. Estamos por isso a falar de homens de barba rija, capazes de sobreviver uma semana no mato apenas com uma fita na cabeça e um corta-unhas, mas que não conseguem superar a prova da mamã aos Domingos à noite. Sendo eu membro integrante, desde tenra idade, da tropa de elite dos copinhos-de-leite, foi com enorme satisfação que li esta notícia; felizmente, a auto-estima dos seres humanos nunca foi muito boa a distinguir os méritos próprios dos fracassos alheios.
Foi só em 2013, ano em que morreu Jaime Neves, chefe do Regimento de Comandos durante o Verão Quente de 75, que soube da existência de um grito de guerra nessa força especial. Depois da aprovação pelos deputados do voto de pesar pela morte do major-general, os camaradas presentes nas galerias do Parlamento levantaram-se e soltaram um ruidoso “MAMA SUME!” que deixou o plenário sem reacção. A expressão, adoptada pela unidade a partir do grito de uma tribo africana, significa qualquer coisa como “aqui estamos, prontos para o sacrifício”. Acredito profundamente no poder motivacional deste lema, e desconfio até que seja depois de o ouvirem que muitos mancebos se sentem com vontade de ingressar no quartel da Carregueira. E não é por alguns o interpretarem erradamente como “MAMÃ, SUMO!” que vou mudar de opinião.
O Politicamente Correcto Mata
O que falta ainda acontecer na Europa para que de uma vez por todas os governantes entendam que é preciso urgentemente rever toda a política europeia? Já “importamos” ataques terroristas que se multiplicam no tempo. Já “autorizamos” os estupros colectivos e agressões a mulheres, as “no go zones” onde nem a polícia entra. Já “permitimos”a destruição de igrejas para substituir por mesquitas. Por cá até expropriamos friamente a privados para as construir com dinheiro estatal. Já “aprovamos” a lei da Sharia e respectivos tribunais paralelos. “Aceitamos” com naturalidade que se doutrine na Europa uma ideologia que apela a abolição dos valores culturais ocidentais. Achamos “imensa graça” às burkas. Não vemos problema em eleger Arábia Saudita para Comissão pelos direitos das mulheres na ONU, um país que não permite que elas conduzam, nadem ou exercitem em público, onde não podem entrar em bancos, universidades ou parque de diversões públicas. Mas está tudo LOUCO? Ler mais…
E o Tony Carreira? E Marco Paulo?
Só pode ter sido um valente lapso. Homenagear Salvador Sobral pela vitória da canção portuguesa no Festival da Eurovisão, no Parlamento, com uma estrondosa ovação em pé de todas as bancadas, com direito a almoço com Ferro Rodrigues (quase levado ao colo) e não terem feito o mesmo, em 2016, com Tony Carreira quando recebeu o Título de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras Francesas, é distracção, só pode. Este populucho governo alegre e optimista que não deixa passar uma oportunidade para se destacar nas vitórias dos outros, sejam elas quais forem, esquece uma distinção destas onde um artista nosso é homenageado por um país estrangeiro a par com Bob Dylan, David Bowie e Amália Rodrigues? Não, não, só pode ser engano… Ler mais…
O “Império dos Sentidos” por amadores
Não há vivalma nesta terrinha onde Judas perdeu as botas (as que a Dora encontrou a tempo da Eurovisão) que não comente a desgraça que foi o Correio da Manhã ter republicado um vídeo com actos sexuais praticados num autocarro dos transportes públicos (s.m. pl. qualidade de coisas que não são praticadas em privado ou que não são, elas próprias, propriedade de algo ou alguém). É curioso que tal aconteça por unanimidade (a que o Senhor Presidente chama consenso e as pessoas normais chamam lamúrias de Viúvas Socráticas) tomando em consideração as diferentes interpretações do conteúdo do dito vídeo, que variam de “violada em público” a “grande tarada, ela queria era mais”. A omnisciência tuga é uma maravilha da natureza que permite aferir tudo, desde “o que os portugueses querem” ao grau de excitação sexual de pessoas em vídeos que mostram zonas pélvicas cobertas de ganga.
Menos surpreendente que a crítica unânime à publicação do vídeo é o número de vezes que o vídeo foi visto pelos críticos. Desde o tempo em que o arcebispo de Braga, D. Eurico Nogueira, afirmou nunca ter visto algo tão nojento (passo a citar: “horríveis vómitos”) como o “Império dos Sentidos” em 1991, que sabemos que o nosso clero, da Madre Câncio ao Presbítero Daniel Oliveira, se enjoam com facilidade com tudo que assistem até ao último segundo. Em particular a partir da quinta ou sexta visualização.

