uma em três
Enquanto o Sr. Ministro Azeredo aguarda, com a frieza de um cabo de guerra prussiano, o relatório sobre o que verdadeiramente aconteceu em Tancos (terá sido uma trovoada seca, um raio flamejante numa árvore frondosa?), um pasquim espanhol dá-lhe uma preciosa ajuda, e publica a lista exaustiva do material que foi roubado. Lê-se e não se acredita. E, com o espanto, só nos vêm três perguntas à cabeça, que são, verdadeiramente, uma só: quanto tempo levará a roubar tanto, tão pesado e perigoso material?; qual o verdadeiro estado de bandalheira dos nossos armazéns militares?; e quando é que o Senhor Ministro assumirá a integralidade das suas «responsabilidades políticas» e apresenta a sua demissão? Pelas chancelarias europeias devem estar a morrer de amores por ele…
pagamos impostos para quê?
Em pouco mais de quinze dias, o estado português falhou, esplendorosamente, aquela que é a sua principal função: defender os cidadãos que o sustentam através do pagamento de impostos. Primeiro, não precavendo eficazmente um incêndio devastador, para o qual não houve meios, estratégia, nem resposta rápida que evitasse as dezenas de mortes que ocorreram. Depois, não sendo sequer capaz de guardar, com o cuidado que se impõe, armamento militar de extrema perigosidade que está (supostamente) à sua guarda. Se tivermos a infelicidade desse armamento ser utilizado aqui, por quem o roubou, Portugal falhará novamente: não temos a mínima capacidade para prevenir e evitar um ataque terrorista. Se, apesar da desgraça, quem tiver roubado esse material o destine para actos em países mais capazes do que o nosso, talvez haja a sorte – esperemos – de conseguir evitar o pior. De todo o modo, as «autoridades» portuguesas serão sempre responsáveis pelo que acontecer com esse material de guerra. E por falar nelas, nas «autoridades» portuguesas, as duas nódoas que temos pelos ministérios das tutelas respectivas continuam a proferir inanidades e a aguardar relatórios para apurar responsabilidades. Estes cidadãos, pagos com o dinheiro dos nossos impostos, presumem que a responsabilidade política é igual à responsabilidade individual, e que carece de um nexo de causalidade inequívoco, entre os factos ocorridos e as suas estimáveis pessoas, para que se tenham de demitir ou serem demitidos das suas funções. Não se lhes ocorre que basta serem absolutamente incompetentes e incapazes de cumprirem o que está à sua responsabilidade para que devam dar o lugar a outros.
Segundo o PCP resultou do «estado de degradação a que as opções políticas de sucessivos Governos, e de forma mais violenta do anterior Governo PSD/CDS-PP, conduziram as Forças Armadas»
Segundo o ministro da Defesa, Azeredo Lopes: o furto de material de guerra dos Paióis de Tancos não foi “a maior quebra de segurança deste século em toda a UE”.
O Presidente da República não quer comentar para já o roubo de armas na base militar de Tancos.
Sebastião volta para casa. Depressa.
O meu contributo para a resolução do roubo das armas
Pelas seis da tarde de quarta-feira a vedação dos paióis de Tancos foi cortada e deu-se a “intrusão” militarmente falando. Os “intrusos” entraram na zona militar e andaram entre 400 e 600 metros até ao paiol. Aí acondicionaram 120 granadas ofensivas, 1.500 munições, 44 lança-granadas e quatro engenhos explosivos “prontos a detonar” e umas outras coisas que por ali estavam a jeito. Devidamente abastecidos os intrusos saíram, terão atravessado a “zona militar” e voltado à vedação onde se supõe que tinham um veículo motorizado, puxado a tracção animal (ai se o PAN sabe), bicicleta ou quiçá patins.
No meio de tudo isto uma questão se coloca: os intrusos levaram as armas do paiol até à vedação como? Aqui deixo as minhas sugestões:

Terá sido num carrinho de bebé?

120 granadas ofensivas cabem aqui, não?

Devidamente arrumados 44 lança-granadas vão bem aconchegados nestes carros super-giros

Este não é para transportar nada. é para fazer de conta que são trabalhadores das obras

Isto é assim já que se faz um roubo rouba-se com estilo: leva-se o saco azul Balenciaga que custa uma fortuna mas é Balenciaga

O da Ikea é igual e é bem mais barato mas também com o apuro das granadas foguete anticarro uma pessoa pode deixar-se de contas de merceeiro

Por via das questões de género…

E por fim na versão original ou em imitação aqui está algo que não pode ter faltado em Tancos
E pronto agora calou-se
Após meses a comentar todos os dias os mais díspares assuntos o PR calou-se. Embatucou. Não fala. Alguem teráde lhe explicar que é Comandante Supremo das Forças Armadas e portanto aguarda-se um comunicado sobre as armas roubadas em Tancos.
Nem sei que outra pergunta se possa fazer
O ministro da Defesa que até agora fizera do namoro entre os alunos do Colégio Militar a razão magna da sua intervenção pública anunciou que vai pedir ao Exército para “verificar se estão a ser cumpridas as boas práticas [de segurança]”.
Não parece ao senhor ministro que depois de terem desaparecido quarenta e quatro lança-granadas, quatro engenhos explosivos “prontos a detonar”, 120 granadas ofensivas, 1500 munições de calibre 9mm e 20 granadas de gás lacrimogéneo falar de boas práticas de segurança é assim uma espécie de anedota?
Lembram-se?
Não Nos Calamos!
A primeira atitude tomada pela Governo e Presidente da República no dia em que se dava conta da tragédia de Pedrógão foi a desresponsabilização total e absoluta. Contra factos não há argumentos. O primeiro ministro atribuía a matança a causas naturais inesperadas. O PR serenava os ânimos dizendo que tudo tinha sido feito. Sem saberem ainda de nada já sabiam que não havia responsabilidades deste governo porque estávamos apenas perante uma catástrofe natural. Porém, o ruído perturbador dos cidadãos nas redes sociais com denúncias e depoimentos sobre os factos, obrigou a uma mudança de estratégia. Curioso ver que tanta certeza houve nos primeiros minutos e agora volvidos 13 dias dizem ainda não saber dos culpados.
Começou por ser um raio. Num eucalipto, essas malvadas árvores que têm a ousadia de arder? Não. Num pinheiro. Depois, já não era o raio porque sem trovoadas não os há. Passou-se à GNR esses militares que tiveram a desfaçatez de desviar as pessoas para a estrada da morte. Mas descobre-se que só o fizeram porque não tinham comunicações entre eles. Entra o SIRESP ao barulho. Esse sistema de comunicações futurista do melhor e mais caro que o planeta tem mas que não funciona em caso de calamidades. Porém, alto lá que a malta do SIRESP respondeu logo (aqui a rapidez é estonteante) alertando que esteve operacional SEM FALHAS. Portanto, todos os que testemunharam o contrário são, de acordo com estes, um bando de mentirosos. Ao SIRESP juntou-se claro o governo, acusando a Protecção Civil pelas falhas. Tem lógica: se as comunicações mesmo sem antenas funcionaram, só podia ser dos incompetentes das chefias da ANPC. Aquelas 30 que o governo substituiu 5 meses antes, por gente altamente qualificada em advocacia, enfermagem, ciências do desporto e desencarceramento. Que por sua vez estão sob a alçada do MAI. Tem lógica.
O Costa começou a exigir respostas a todos os organismos envolvidos mas esqueceu-se de dar as respostas (bem, na verdade não se esqueceu, os jornalistas é que não as fizeram) sobre uma matéria que ele mesmo conhecia muito bem dado que foi ele que fez a adjudicação deste SIRESP formalizado em contrato assessorado pelo seus grandes amigos Lacerda e Constança. Foi graças a Costa que o contrato não contempla antenas satélite, nem geradores, não se responsabiliza em caso de calamidades nem falhas de comunicações que não sejam superiores a 4 dias. Com falhas assim, não se quer que resulte. Quer-se que falhe para justificar a compra de mais meios, mais boys, mais contratos ruinosos para o erário publico. É tão claro e simples de entender.
O que esconde Portugal nos fogos? Muita coisa. Começa pelos maçons como Capoula Santos que têm a pasta da agricultura, 5 dias antes da tragédia abria concurso de eucaliptos, já tem um mega projecto piloto em marcha (e agora vejam só a rapidez record) para toda aquela mancha gigantesca de incêndio com cheiro a morte. Por falar em maçonaria, já espreitaram a quantidade abismal de maçons do PS aquando das governações do partido?
Espanha aqui mesmo ao lado, com mesmo clima, enfrentou um grande incêndio numa zona turística. A origem pouco interessa. Interessa sim dizer-se que ficaram 2000 pessoas desalojadas mas NENHUMA sofreu qualquer ferimento. Que em 3 dias estava circunscrito e foi extinto sem intervenção estrangeira. Mas o nosso governo está a brincar com a inteligência de quem?
Não somos parvos. Não somos um bando de ignorantes. Exigimos respeito. Não admitimos que nos mintam descaradamente para salvar a pele. Não toleramos negligência criminosa tratada com pinças. Gente sossegadamente a gerir os destinos da Nação sem assumir responsabilidades nem tomar as medidas correctas e urgentes para proteger as populações destas e outras desgraças como é seu dever.
Porque meus caros senhores, NÓS NÃO NOS CALAMOS. Podem perseguir o Sebastião Pereira que apenas teve a coragem de dizer o que tinha de ser dito e que CÁ em Portugal queriam silenciar. Porque, nós povo, SEREMOS TODOS SEBASTIÕES PREIRA e faremos de tudo para que jamais este assunto morra sem os respectivos culpados serem julgados. Sem TODAS AS VÍTIMAS ressarcidas dos danos. Deste e daquele que em 2016 deixou tanta gente sem nada e AINDA estão à espera. Lembram-se? Está AQUI o auxiliar de memória.
Nós não nos calamos mais! Nunca mais!
#naonoscalamos
A caminho doutro dia mais difícil na ministerial vida
Lança-granadas e explosivos roubados de Tancos.
Sturm und Drang
Uma semana depois da tragédia, quando já ninguém contava com tal, eis que vemos um líder político a pedir desculpa aos portugueses em Pedrógão Grande. Trata-se de Pedro Passos Coelho e a atitude tomada foi a correcta; faz parte das boas práticas da democracia que o vencedor das eleições assuma as devidas responsabilidades quando, posteriormente, as coisas correm mal. É o preço do sucesso, ou, como reza a frase que já foi utilizada por Churchill, Theodore Roosevelt e FDR, mas que todos associamos unicamente a Uncle Ben, tio do Homem-Aranha, “with great power comes great responsability”.
O presidente do PSD fez bem em retractar-se, uma vez que utilizou o tema do suicídio de uma forma totalmente desadequada e irresponsável. Não nos podemos esquecer do “efeito Werther”, o famoso suicídio por contágio, assim baptizado após uma série de jovens setecentistas apaixonados ter posto termo à vida depois de ler o terrível destino do personagem de Goethe. Trata-se pois de um assunto demasiado sensível para ser invocado sem os devidos cuidados e devemos reservá-lo, tal como fazemos com aquele charuto que nos trouxeram de Cuba, para as ocasiões certas. Associá-lo, por exemplo, a uma notícia intitulada “consequências da austeridade dos governos de direita” ou “consequências da austeridade dos governos do PS quando estes não são apoiados pelo PCP e BE”, é uma das boas abordagens ao fenómeno permitidas.
Embora concorde com o pedido de desculpas, julgo que Passos Coelho dispunha de outras saídas mais airosas do problema em que se meteu. Poderia começar por pedir publicamente esclarecimentos a vários órgãos internos do partido (“Caros membros da Comissão Política Nacional, como é possível que eu tenha dito isto?”; “Caros deputados do Grupo Parlamentar, o que é que me meteram na meia-de-leite?”; “Caros juristas do Conselho de Jurisdição Nacional, posso expulsar os deputados que tomaram o pequeno-almoço comigo?”) e, de seguida, exigir explicações (em público, naturalmente) a um qualquer vice-presidente do PSD. No final, para rematar, avançava para um pedido de averiguação cabal com vista ao apuramento de responsabilidades pelas infelizes declarações. Entretanto, quando o relatório estivesse concluído, já não existiriam portugueses vivos que se lembrassem do episódio.
Há quem diga que o líder da oposição, ao anunciar suicídios falsos, cometeu um verdadeiro: o seu próprio suicídio político. Julgo existir nesta análise alguma precipitação. É provável que Passos Coelho apenas tenha tido razão antes do tempo; da maneira que todas as entidades estão a empurrar as culpas para longe, não vai demorar muito até restar apenas a hipótese de suicídio colectivo para justificar as 64 mortes ocorridas. É só ir buscar o Werther à estante e puxar um bocadinho pela imaginação.
Vénia ao brilhantismo de Salvador Sobral
Salvador Sobral é o maior artista que Portugal gerou, ponto final. Andei dias cabisbaixo, sem saber como reagir ao simples facto de toda a gente parecer alegremente conformada com os homicídios por negligência de sessenta e quatro pessoas cometidos pelo governo e, eis que, num espectáculo cujo propósito é fazer gente sentir-se bem com a enorme generosidade sob flashes fotográficos (a que, outrora, denominávamos por “caridadezinha”), Salvador Sobral caracterizou toda a comunidade política e social deste país de forma lapidar.
Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um peido a ver o que acontece.
Podia ter sido António Costa. Podia ter sido Marcelo Rebelo de Sousa. Podia ter sido o senhor inspector que identificou a árvore vítima da trovoada seca. Podia ter sido a ministra da administração interna. Podia ter sido o secretário de estado que culpou os curiosos. Podia ter sido qualquer um dos milhares de anónimos que dizem que isto foi uma grande tragédia que não podia ser evitada. Podia ter sido pelos que perseguem o repórter sob pseudónimo do jornal espanhol e pelos que garantem que essas notícias foram plantadas. Podia ter sido pelos que não se indignam com a Maria de Belém dizer que mães comem filhos por fome de austeridade mas pedem a cabeça do Passos Coelho por dizer uma bacorada da qual imediatamente se retractou. Podia ter sido qualquer um de vós, os que aceitam qualquer coisa com etiqueta contrafeita “made in esquerda”. Foi Salvador Sobral.
Parabéns, Salvador Sobral. O grande artista é aquele que nem sabe que está a fazer arte.
As sucessivas actualizações das notícias sobre Pedrogão levaram a que as declarações iniciais fosse rapidamente esquecidas mas elas foram feitas e culpavam as vítimas.
Jornais locais como o Centro Notícias ainda as conservam
“Curiosidade” e “inconsciência” explica algumas das mortes
O secretário de Estado Jorge Gomes explicou esta manhã que, entre os mortos, “uns tiveram o azar de serem apanhados pelo fogo, outros morreram por inalação de fumo quando observavam o fogo“. Foram encontrados 30 mortos dentro de viaturas, 17 pessoas fora de viaturas ou nas margens da estrada nacional 236 (que liga ao IC8) e, ainda, 10 pessoas em zonas rurais, explicou Jorge Gomes.
Esta descrição já tinha sido feita esta madrugada por Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que falou na “curiosidade” e nalguma “inconsciência” como um dos fatores a explicar as mortes. “O fogo progrediu a uma velocidade diabólica, nunca vista, inimaginável”, afirmou o responsável já esta manhã, ouvido pela RTP, elogiando a “grande capacidade das forças no terreno, que rapidamente chegaram ao local e se organizaram, sentiram-se no limite das suas capacidades. Tudo fizeram, numa luta desigual contra a natureza zangada”.
Caro Sr. Presidente, Lembra-se da Minha Carta?
Eu sei que a leu apesar da ausência total de resposta. Embora a esperança de poder despertar em si algum sentimento que o fizesse reavaliar sua actuação, tive sempre consciência que o politicamente correcto poderia ter mais força. E teve. Infelizmente. Tudo continuou igual com elogios rasgados a uma governação cheia de falhas, perigosamente a roçar na irresponsabilidade. Lembra-se das minhas palavras sobre um défice que não passava de um embuste? Pois tem aqui, na tragédia de Pedrógão Grande a confirmação dos medos que lhe transmitia a aos quais lhe pedia ajuda.
Uma governação que maquilha números com suspensão de pagamentos a fornecedores, cortes a torto e a direito na despesa pública, suspensão total de investimento público crucial em vários segmentos, nunca deveria ter do nosso Presidente da República qualquer apoio senão o da responsabilização. Porque quem apoia cortes e suspensão de pagamentos cegos, assina sentenças de morte num povo indefeso. Hoje foi Pedrógão Grande com o maior e mais mortífero incêndio de que há memória. Amanhã será num hospital, numa escola, numa estrada, numa ponte, num edifício, num sismo, numa inundação, num transporte público.
Depois, virão a público todos emocionados dizer que tudo foi feito. Que foi uma calamidade. Que foi imprevisível. Justificarão com tudo e com nada a inoperacionalidade de um Estado que serve apenas para tirar 70% do rendimento das famílias e que já tem em curso mais aumentos de impostos. Mas na hora de cumprir sua função, demite-se de todas as responsabilidades com o apoio incondicional do nosso Presidente. Como é possível em pleno século XXI, num país da Europa, ter gente no governo assim com seu aval?
Tinha declarado no ano passado que iria acompanhar durante o inverno tudo de perto para que nunca mais vivêssemos situação tão dramática como em 2016. Mas, esqueceu-se de nós. E à nossa sorte, ficamos sem ninguém para nos socorrer e proteger das malditas chamas. E mais de 200 pessoas sofreram as consequências. Não há agora nenhum afecto que reponha a vida como ela era para estas vítimas. Não há palavras nenhumas que façam regressar quem partiu de forma tão macabra. Não há abraço nenhum que apague da memória o que esta nossa gente viveu no meio do inferno. Não há solidariedade nenhuma que traga de novo o que se perdeu. E mesmo assim volvida uma semana não há um único responsável assumido por esta catástrofe! Acha isso normal?
Pois eu lhe digo, que por eles, pelos seus que sucumbiram, por nós, gritarei a minha revolta todos os dias. Transformarei a minha indignação em palavras de ordem. Levarei minha voz até onde for preciso, seja cá seja na UE para que ACABE de vez esta impunidade severa e vergonhosa de quem sucessivamente nos governa e não cumpre com seu dever para com a população. Quero ver REVERTIDOS todos os contratos ruinosos que servem clientelas em vez de prestar serviço às povoações.
Porque basta! Sr. Presidente, basta! Porque somos nós que estamos a morrer. Somos nós as vítimas. Mas também somos nós quem tem obrigação de por no lugar quem se demite das suas funções e não cumpre com seu dever de servir o cidadão que os elege.
E nós só descansaremos quando nossos direitos forem cumpridos. Integralmente.
Com os meus melhores cumprimentos.
Cristina Miranda
Demissão de Constança Urbano de Sousa?
De repente a demissão de Constança Urbano de Sousa tornou-se quase um imperativo. Francamente acho inútil e neste momento demagógico. Constança Urbano de Sousa teve alguma responsabilidade no que aconteceu? A demissão de Constança Urbano de Sousa vem ou não acrescentar confusão num momento em que as ionverstigações estão numa fase crucial? É ou não acrescentar risco na época de incêndios demitir a chefia do MAI?
Para já a demissão de Constança Urbano de Sousa satisfará as redacções que ficam com notícias; criará a ilusão de que o culpado foi encontrado e já se fez o que se tinha de fazer.
Tudo é nada. E o nada é medo
Um presidente aterrado com o nada a que chegámos
Marcelo exige: “É tempo de apurar tudo sem limites nem medos”
Marcelo. É preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar”
Marcelo Rebelo de Sousa quer que o parlamento aprove, antes das férias, um pacote legislativo global que abarque várias áreas, do ordenamento florestal às questões penais. “Sobre tudo, mas tudo é tudo“, declarou o Presidente da República ao Expresso.
Obrigado, meu amigo, mas é tempo de assumir a verdade
O Helder Ferreira é um amigo, mas não posso permitir, em consciência, que arrisque a vida confessando ser o Sebastião Pereira. Há alturas na vida de um homem em que é preciso coragem para cumprir os desígnios superiores e aceitar as consequências, por mais terríveis que sejam. Eu é que sou o Sebastião Pereira.
Não Foi Por Acaso!
Não há acasos quando as mesmas coisas se repetem sucessivamente durante décadas. Quando se investe majestosamente em equipamentos e meios e em vez melhoria nos resultados piora assustadoramente. Só um estúpido acredita que isto tudo pode ser obra do acaso, do infortúnio. Desculpem-me, mas a verdade, pela nossa segurança, tem de ser denunciada: a inoperância é o objectivo.
Portugal pelas suas dimensões e características florestais, não precisa de Kamovs e de SIRESP. Estas necessidades inventadas pelos “amigos do Estado” abriram caminho à nossa sentença de morte: os Kamovs foram adquiridos para reaver dinheiro da ex-URSS. Equipamento russo, obsoleto e sem peças para fazer a manutenção. Estão avariados; o SIRESP não funciona em situação de catástrofe ou calamidade pública. Por isso FALHA SEMPRE que precisamos verdadeiramente dele. Mas em contrapartida, os contribuintes pagam como milionários estes negócios.
Os Kamovs custaram na aquisição 42,1 milhões. O Estado celebrou um contrato onde se prevê um número mínimo de voo exagerados e em média quase o dobro, elevando o custo da manutenção. Assim, foi suportado pelo erário público em 2008, 2312 horas de voo mas só foram efectuadas 1269 com um diferencial de 5,4 milhões a mais. Até 2013 o Estado pagou sempre horas a mais sendo que em 7 anos voaram 9562 horas mas foram pagas 14 531. Mais 22 milhões em horas não voadas! Mas há mais: António Costa então ministro da Adm. Interna, assinou seis dias antes de sair do cargo, um memorando elaborado pelo gabinete de Rocha Andrade, permitindo o ajuste directo para aquisição de aluguer de meios aéreos porque tendo firmado contrato com faseamento de entrega dos Kamovs, sabia antecipadamente que não estariam operacionais no verão de 2007. Mesmo assim não lançou concurso normal em 2006, preferindo que se invocasse mais tarde urgência, para justificar o ajuste directo. E assim foi. Os juízes do TdC arrasaram a actuação de Rocha Andrade subsecretário de Estado da Administração Interna que ainda alterou e aligeirou o contrato com a Heliportugal numa altura em que a empresa já se encontrava em incumprimento com o Estado. Maravilha!
O SIRESP volta a pôr no palco das negociações Rocha Andrade, Costa e Lacerda. Claro! (estes estão em todas). De cinco empresas consultadas, estranhamente apenas uma se interessa pelo negócio (cof! cof! cof!). Esse consórcio é constituído pela SLN 33%, PT 30%, Motorola 15%, Esegur do Grupo Espírito Santo 12%, DataComp 10%. O processo de adjudicação começa em 2002 onde SÓ uma proposta é entregue. A adjudicação acontece estranhamente aprovada pelo governo de Santana Lopes 3 dias depois da eleições legislativas que deram vitória ao PS. António Costa anula não integralmente o concurso e faz nova adjudicação ao mesmo consórcio. Fecha o negócio por 485 milhões, menos 52,5 que o previsto. Esta “pequena” diferença viria a dar outra reviravolta. Costa acabava de eliminar custos com geradores para justificar poupança. Estão a ver? Geradores? Aqueles equipamentos que asseguram a continuidade sem energia eléctrica? Diogo Lacerda era advogado desta PPP assim como foi júri do concurso dos Kamovs, estão a ver o filme? O Ministério Público perante suspeitas do concurso estar viciado desde o início, abre investigação e depois um inquérito que caiu em saco roto. Um hábito muito português. De acordo com o artigo de Joaquim Sarmento, desde que foi assinado, este contrato já foi objecto de 3 renegociações. Se fosse o Estado a pagar seriam apenas 280 milhões mas para que se justificasse a entrega a privados foi revisto de modo a apresentar mais custos para o Estado aproximando os valores. Neste contrato o Estado não tem benefícios mas paga um encargo anual de 40 milhões. Não tem cláusulas de fiscalização nem de acompanhamento de instalação e equipamento. Contudo tem uma cláusula em que o valor a pagar pelo Estado só reduz se o equipamento falhar durante vários dias. Bem como outra, também estúpida de Alocação de Risco – Acts of Gods que se destina à salvaguarda de desastres naturais. Um contra-senso absurdo porque é precisamente para essas calamidades que se destina o SIRESP. Assim, iliba os privados de qualquer responsabilidade para a finalidade a que se destina. Bonito não é?
Mas isto não fica por aqui. Num testemunho que recebi por videoconferência tomei conhecimento através de um ex-bombeiro especialista que no cenário das operações, tudo se organiza e coaduna no sentido de haver uma inoperância inicial em situação de incêndios. Este operacional explica detalhadamente que propositadamente não se tomam medidas imediatas ao alarme. Enviam-se alguns bombeiros para o terreno com jipes e camiões cisternas com ordens dos comandos centrais para passear no teatro das operações de um lado para o outro até haver ordens para avançar. Um show-off para os média. Por isso, alguns populares vêem os bombeiros passar dizendo que estão a caminho de outros fogos, sem parar para as assistir. Depois, vem a ordem e esticam as mangueiras atirando água para o fogo que segundo este especialista ex-paraquedista, não só não apaga o fogo como contribui para o seu alastramento. Diz ainda que, é contraproducente uma descarga de água com esta carga térmica porque ela alimenta o fogo provocando um arrefecimento bruto no oxigénio e propaga-o. Todos sabemos que o fogo se alimenta de oxigénio, certo? E que o dióxido de carbono, o mata, certo? Explica que o fogo tem de ser combatido por dentro e não por fora. Que o efeito químico da água é perigoso e põe a vida do bombeiro em risco. Que os meios aéreos com água em vez de calda retardante, também representa perigo para os aviões e alimenta as chamas que se tornam mais violentas. Que o vento forte é reacção química desse incêndio sendo que o combate eficaz se faz em terra com corta-fogos logo no início do incêndio. E levanta uma questão pertinente: já reparam que o teatro de operações dos grandes incêndios é sempre perto de grandes cursos de água?
Mas, alguém começou a dizer que os corta-fogos eram perigosos. Que a calda retardante, também. Que os meios aéreos eram vitais. A FA dispendiosa e dispensável. A ajuda dos espanhóis desnecessária. A narrativa perfeita para justificar os contratos ruinosos e mortíferos que comandam agora a segurança das pessoas. Segundo este profissional, os comandos operacionais são liderados por gente que não sabe combater um fogo, nem nunca estiveram no terreno. Não fazem a mínima ideia de como organizar um combate caótico desta natureza. São gente de gabinete, alguns expert em desvios de verbas.
Foram 200 vítimas desta vez. D-U-Z-E-N-T-A-S! Porque ao contrário das outras vezes, um erro não calculado encurralou gente numa estrada. Não fosse isso, seria só mais uma contabilização aos prejuízos materiais. Entrega de verbas por áreas ardidas que quanto maiores mais recebem. Quis o destino que esta brincadeira com a segurança das pessoas acabasse aqui.
E por elas, pelos seus que sucumbiram, por nós, chegou a hora de pôr um BASTA nisto!
Não deixe morrer este assunto até que se REVERTA todos estes negócios da China.
Porque hoje foi num incêndio e se amanhã houver um sismo? Pense nisso.
Novas rotundas com os vossos donativos
António Costa é genial. Pegando nos donativos das pessoas chocadas com a tragédia, propõe juntar tudo numa linda pilha de dinheiro passível de ser distribuída pelos autarcas amigos. Pode ser de uma sujidade nunca vista, mas, ao menos, permitirá uma ou outra rotunda gira ainda a tempo das autárquicas.
Ainda há quem questione a honra das prostitutas.
Casa na Cidade
A rapper Capicua dedicou uma das suas crónicas na Visão – http://visao.sapo.pt/opiniao/2017-05-04-Um-achado – ao problema da habitação. Não ao “problema da habitação” de que nos falava Ruy Belo, o poeta interessado na nossa existência terrena e na forma como devemos habitar este mundo, mas à dificuldade real de arrendar a casa que queremos, no sítio que desejamos, ao preço que estamos dispostos a pagar. Mariana Mortágua, perturbada pelo texto de Capicua, escreveu um outro no Jornal de Notícias – http://www.jn.pt/opiniao/mariana-mortagua/interior/as-cidades-tambem-se-desertificam-8559049.html – acusando os turistas, os especuladores e a Lei das Rendas de Assunção Cristas de serem responsáveis por este flagelo humanitário: não existirem proprietários com casas boas, baratas e localizadas nos centros de Lisboa e Porto disponíveis para todos os interessados. E eu, solidário com a causa, contribuo com esta letra para ser adaptada pela Capicua à sua música “Casa no Campo”…
Casa na Cidade
Eu quero uma casa na cidade como Elis Regina
que músicas à parte era muito citadina
por mim até podem ser mais, as casas nunca são de mais
uma na Foz, nos Pinhais, outra em zonas mais centrais.
Casa na cidade no sítio que eu escolher
com contrato dos antigos, pronta pra me receber
casa com soalho, mesa grande pra comer
e um senhorio nabo pronto para se f….
Quero uma casa bonita pra que nunca me arrependa
em que tudo seja novo menos o valor da renda
longe dos arredores saloios, sem apoios
lugares esquecidos onde não passam comboios.
Sinto falta da cidade que existia antes da Cristas
repleta de ruínas e deserta de turistas
eram tempos divertidos lá na Praça da Batalha
em que só se aventurava quem andava de navalha.
Quero uma casa na cidade com contrato vitalício
e poder enxovalhar quem lhe chama benefício
é que as rendas congeladas eram um bonito vício
que alargava para a vida o período natalício.
Onde é que aprendeste o que é a propriedade?
Foi lá no ISCTE, onde fiz a faculdade.
Diz-me qual é o teu ideal de cidade…
Prédios a cair em prol da genuinidade.
A conta
Pedrógão Grande – Lista de perguntas
Espero que se faça um inquérito independente com membros externos ao governo, protecção civil, politica em geral e bombeiros que responda às questões seguintes:
1. Qual foi a sequência de acontecimentos no Sábado dia 17 desde o início do incêndio até ao momento em que o Secretário de Estado anunciou a existência dos primeiros mortos? Para se saber a que horas chegaram os primeiros pedidos de ajuda, a que horas foi fechado o IC8, a que horas o incêndio passou nas diferentes aldeias, a que horas passou na estrada da morte, a que horas as autoridades tomaram conhecimento da existência de mortes, a que horas os políticos ficaram a saber da existência de mortos.
2. Porque é que houve um aparente blackout informativo entre as 20h00 e as 23h45 quando são anunciados os primeiros mortos? Houve gestão política da divulgação impedindo a população de ter acesso a informação sobre o risco que corria? Porque é que é aparentemente mais fácil e rápido o Marcelo chegar a Pedrógão do que a notícia de mortos chegar a Lisboa?
3. Como se decidiu e com que informação se decidiu fechar a IC8 mas não nenhuma outra estrada? Para se saber se é normal as autoridades fecharem estradas sem uma noção clara das implicações desse fecho para o fluxo de trânsito.
4. Qual foi o papel da falha do SIRESP no desastre? Por que razão o SIRESP é como é e porque é que ninguém tentou mudar nada?
5. A protecção civil tem planos prévios para incêndios catastróficos? Se tem, testa-os em simulacros? Existem planos que permitem identificar rapidamente pontos e situações de risco? Como é que a protecção civil identifica precocemente um incêndio catastrófico e em como difere o procedimento?
6. A protecção civil tem meios para colectar, tratar e representar graficamente informação em sistemas de informação geográfica sobre o terreno de cada incêndio ou os comandantes têm que seguir o instinto e fiar-se no que vão ouvindo de outras pessoas?
7. Que tipos de dados são analisados e que tipo de planos são feitos antes de cada época de incêndio? Sabe-se à partida se há ou não meios para eventos catastróficos? São feitos cálculos e simulações? Quem se responsabiliza por esse planeamento e qual o grau de controlo que o governo faz sobre isso?
A caminho do disparate
Ó senhor secretário de Estado…
E pronto além de combaterem os incêndios os bombeiros têm ainda de tentar salvar os membros do Governo de si mesmos
Desculpem a pergunta…
onde é que pára a geringonça?
24 horas
Lembro-me, como se fosse hoje, da tragédia da ponte de Entre-os-Rios, e da rápida decisão do então ministro Jorge Coelho se demitir do importante cargo político que ocupava. Estava, por essa altura, há alguns dias no Rio de Janeiro, distante do que por cá se passava, e tudo aquilo me pareceu exagerado: no fim de contas, que responsabilidade poderia ter um ministro que tem, sob a sua responsabilidade, a tutela de milhares de equipamentos iguais ou semelhantes ao da ponte acidentada? Humanamente, nenhuma.
Politicamente, tinha-a toda, como Jorge Coelho, sem o dizer por palavras, explicou lapidarmente ao país. Jorge Coelho era, então, o homem mais poderoso do Partido Socialista, mais até do que o próprio António Guterres, e poderia ter ficado no poder, se o desejasse. Ninguém pediu a sua cabeça, nem o governo foi cabalmente acusado de responsabilidades no sucedido. O acidente ocorreu na noite do dia 4 de Março de 2001. No dia seguinte, menos de 24 horas depois, Jorge Coelho demitiu-se.
Por conseguinte, existe um enorme desvio do padrão desta «ética republicana», que Coelho tão bem demonstrou saber honrar, e o patético pedido de «esclarecimentos urgentes» que António Costa fez, nem ele sabe bem a quem, a propósito da tragédia que caiu em cima do país, nos últimos dias. Tragédia que todos os anos, com maior ou menor intensidade, se repete, é bom frisar. António Costa não percebeu ainda que não tem nada a perguntar a ninguém, senão a si mesmo e aos seus ministros. Que ponha os olhos no seu velho camarada de partido e perceba o que é a responsabilidade política. Depois, conclua o que entender.
este ano, não ajudou

Todos os anos, nos meses de Verão, Portugal arde de norte a sul, de leste a oeste. Todos os anos, depois da «época de incêndios», os políticos fazem declarações exaltadas contra quem governa ou quem governou, por não ter resolver ou não ter resolvido o problema. Todos os anos os governantes anunciam novas medida que resolverão, ou reduzirão muito, este horrível drama nacional, «já no próximo ano». Todos os anos se reclamam duras penas contra os donos de terrenos que não estejam devidamente limpos e preparados para a época incendiária. Todos os anos se pedem castigos mais severos para os responsáveis por estes crimes. Todos os anos choramos os mortos. E todos os anos exaltamos a heroicidade e a coragem dos nossos bombeiros.
Todos os anos é assim, desde que me conheço. Com excepção de alguns poucos em que o clima ajudou, todos os anos Portugal arde, de lés-a-lés, perante a impotência de todos, governantes e governados. Aí há uns dois meses, um responsável, de cujo pelouro não me lembro, teve, na TSF, um assombro de honestidade e disse o óbvio que ninguém aceita reconhecer: se chovesse um pouco mais antes do Verão, as coisas correriam melhor, porque as florestas ficariam mais húmidas e menos explosivas; caso contrário, que Deus nos ajude! Neste ano, desgraçadamente, não ajudou.
Estamos condenados a isto? Estamos, enquanto Portugal for um país pobre, pouco desenvolvido, sem riqueza privada que seja capaz de manter e preservar o que lhe pertence. Porque, apesar das proclamações de António Costa, boas para lhe serenar a consciência e não o fazer perder muitos votos em Outubro, a verdade é que, se alguém falha, ao longo de todos estes anos, é o estado português. Se bem me recordo, uma das funções do estado, de qualquer estado, a primeira razão que justifica o «contrato social» é a de prover a segurança dos seus. Para isso lhe pagamos impostos. Que, no caso português, não são baixos.
Pois bem, o problema não é um problema: são muitos e, afinal de contas, sempre o mesmo: Portugal não tem dinheiro e os portugueses não têm dinheiro. Não tem dinheiro, o estado, para mandar limpar os seus terrenos (antes de chatearem os privados verifiquem como estão as matas públicas…), para montar meios humanos e técnicos de prevenção e de fiscalização, para comprar e manter meios eficazes de combate ao flagelo dos incêndios. Não têm dinheiro, as pessoas comuns, para mandarem limpar os seus terrenos (antes de vociferarem, informem-se sobre o preço do m2 da limpeza de terrenos de mato), para os cultivarem com espécies menos perigosas para o ambiente e para os incêndios (os eucaliptos são um recurso de «tesos» e de quem não acredita no retorno de um investimento florestal a médio, longo prazo…), enfim, para manterem o que é seu. Não tendo, uns e outros dinheiro, o estado faz leis! As leis são a confissão da sua incompetência e impotência face a este problema. Os particulares procuram esquecer que são proprietários.
O problema de Portugal com os seus incêndios só se resolverá a médio, longo prazo. E se quem nos governa não apostar no empobrecimento das pessoas e se as deixar (já não digo incentivar) ganhar dinheiro e mantê-lo na sua propriedade. Tudo o mais é conversa para aliviar consciências e ganhar votos, cujo dramático resultado testemunhamos ano após ano.
Catarina, Heloísa, Mariana…
Podem abandonar a experiência do retiro no ermitério e vir aqui só por um minuto comentar esta calamidade nacional prontamente denunciada pela DECO: A Deco avaliou a Jerónimo Martins como a empresa nacional onde existem maiores disparidades salariais
Meros acidentes de viação
O número de mortos parou subitamente. É estranho.
Más línguas diriam que um governante do tipo bandalho ordenaria que a contabilidade dos que morreram atropelados passasse para a categoria “acidente de viação”. Mas o nosso querido governo dos afectos nunca encaixaria nessa categoria, pois não?
A vida como ela é
Proteção Civil admite que faltam meios para controlar o incêndio.
Chamas já chegaram ao concelho de Góis, vizinho de Pedrógão Grande, e obrigaram à evacuação de três aldeias.
Costa (primeiro-ministro) pede explicações. Não se percebe se ao seu Governo, se a si memso, se aos serviços que reportam ao Governo ou quiçá vai pedir explicações aos governos anteriores. A ele Costa não se podem pedir explicações porque ainda não é o tempo.
Na SIC, Miguel Sousa Tavares diz que a culpa política é de Cavaco Silva
Francisco Louçã assina no PÚBLICO um texto sobre o incêndio de Pedrogão em que consegue escrever e culpar Cristas duas vezes e, prodígio dos prodígios, nem uma vez refere Costa ou qualquer um dos seus ministros. Dada a dificuldade que o eterno indignado Louçã está a ter neste momento em acompanhar a actualidade sugiro que vá à pasta do seu computador dedicada à sua actuação no caso Prestige.
Aviso urgente às polícias do mundo
Desapareceram de Portugal, desligando os respectivos telemóveis, as seguintes pessoas:
Jerónimo de Sousa, há muito, muito tempo foi metalúrgico. Levou as últimas décadas a anunciar catástrofes na vida do povo. Agora que aconteceu uma, ele desapareceu. Teme-se que algum grupo o tenha sequestrado e embarcado para a Venezuela, onde poderá experimentar as maravilhas do socialismo.
Catarina Martins, outrora palhaça agora membro informal do Governo. Costuma falar nas tvs de manhã, à tarde e à noite. Agora foge dos microfones. Dizem algumas fontes que está a preparar um número de funambulismo para recentrar o país nos assuntos que importam.
Manas Mortágua, chegaram as duas e desapareceram as duas. Teme-se que no prolongamento de uma mania familiar andem a banhos, em zonas frescas e bem fornecidas de bancos.
Heloísa dos Verdes, se encontrarem uma mulher que de dois em dois minutos diz num tom irreproduzível “Ó senhor primeiro-ministro!!!!!!! é ela. Não lhe digam nada. Deve estar em transe. Chamem o 112.
Em castelhano percebe-se melhor?
Editorial do El Mundo:
Las autoridades lusas, completamente desbordadas, movilizaron más de 700 efectivos. Un dispositivo a todas luces insuficiente para controlar, perimetrar y, finalmente, extinguir un incendio de proporciones tan devastadores. No es de recibo que, en pleno siglo XXI, en un país de la Unión Europea un incendio forestal ocasione un número de víctimas mortales tan elevado. Máxime teniendo en cuenta los antecedentes de los últimos años. Lo que muestra este terrible episodio es que, a día de hoy, Portugal no está preparado para hacer frente al fuego. Ni ha llevado a cabo las labores preventivas idóneas, ni tampoco dispone de un dispositivo óptimo para controlar, perimetrar y extinguir los fuegos, lo que revela no sólo la ineficacia de sus equipos sino una preocupante ausencia de medios. La crisis y el rescate económico han mermado notablemente la capacidad de inversión del Ejecutivo luso. Pero ello no es óbice para desantender una amenaza tan grave y preocupante como la de los incendios, cuyas dramáticas consecuencias exceden el daño medioambiental.
Eucaliptofobia em força
Com a simpática tentativa levada a cabo pelo governo e seus gabinetes — a que normalmente chamamos “comunicação social” — para nos explicar que é perfeitamente normal encerrar uma estrada dando como alternativa um fogueiro onde as pessoas acabam por morrer, veio também um excesso de explicações (perfeitamente plausíveis) para a catástrofe, como a estreia de uma trovoada sem chuva em Portugal, a desvinculação dos Estados Unidos do tratado de Paris, o excesso de vacas que comemos, o de-vez-em-quando-tem-que-ser da senhora que recebeu o dom divino de Sócrates (refiro-me ao pénis) e, a minha preferida, os eucaliptos.
A eucaliptofobia é uma doença. Tem que ser combatida. Não compete ao Estado defender qualquer forma de discriminação na flora. Se uma árvore quer reproduzir-se ou abortar é da sua inteira responsabilidade, ninguém tem nada a ver com isso. Esta mania de tratar árvores pela sua espécie indica um país preconceituoso, ainda dominado pelo heteropatrarvorado ultramontano que nos afasta do progresso.
Exijo ao PAN uma tomada de posição. O eucalipto também é árvore e, consequentemente, também é gente.
Onde Há Fogo, Há Governos Incompetentes
A história da árvore descoberta em 24h no meio de centenas de hectares de mata no calor da noite, como “única arguida” neste processo hediondo de mortes no incêndio de Pedrógão Grande, não convence ninguém. Como sempre, sempre acontece, nas governações socialistas A CULPA É SEMPRE de alguém ou alguma coisa MENOS de quem governa. Volvidos ano e meio, APENAS de governação, esta aliança de esquerdas consegue o maior feito jamais visto em Portugal num tão curto espaço de tempo: o mérito de ter conseguido as duas maiores tragédias em área ardida e mortes em incêndios.
A verdade é só uma, doa a quem doer: os incêndios em Portugal são da responsabilidade EXCLUSIVA dos governos. Somos o único país no Mundo que “abre” todos os anos a “época de incêndios” amplamente noticiados nos média como se de uma coisa banal e perfeitamente natural se tratasse! Apesar de termos um país pequeno com florestas pouco densas, Protecção Civil, militares, bombeiros, Kamovs, legislação, estudos mais que suficientes sobre reordenamento de território e estarmos integrados na UE, ainda conseguimos o feito de em pleno século XXI termos povoações a morrer SOZINHAS no combate às chamas!! Valha-me Santa Eugénia!!!! Mas que raio de país de bananas é este? É claro que a responsabilidade não começa e acaba neste governo. Já somos fósforos queimados desde que Salazar foi à vida. Pois claro. Alguém se lembra porque não havia fogos nessa época? Claro que não convém lembrar… A República das Bananas esteve mais ocupada em fazer crescer as clientelas e lobbies a viver à conta do povo do que zelar por eles. Foram 43 anos a fazer crescer o Estado de forma criminosa para se servirem dele descaradamente e não para servir os cidadãos como é obrigação. E o resultado está aqui bem à vista. A cada ano que passa as proporções do problema adensam-se. E morre cada vez mais gente. Porque dizem eles que não há dinheiro… Mas houve 18 milhões para amigos plantarem eucaliptos!!
Mas, quando se está no poder, e não se faz nada para impedir de todo estas tragédias, somos AINDA MAIS responsáveis que todos os anteriores. Porquê? Simplesmente porque se ignorou o passado recente. Simples. E quanto a ignorar e tomar medidas desastrosas, esta Geringonça de irresponsáveis entrou com Pedrógão Grande para o Guiness. Porque a 9 Junho 2016 a Ministra da Administração Interna reverteu a decisão do anterior Governo recusando concentrar na Força Aérea os meios aéreos do Estado para combate a incêndios e emergência médica. Porque em 14 Agosto 2016 António Costa afirmou que as verbas para combate a incêndios seriam desviadas da Segurança Interna. Porque em 28 Agosto 2016 depois de ter sido conseguido 50 milhões da UE para a compra de aviões de combate aéreo, pelo anterior executivo, António Costa decidiu recusar esse dinheiro. Porque em Abril 2017 António Costa anunciou que os helicópteros Russos Kamov só voltariam a ser utilizados em 2018, devido aos elevados custos de manutenção. Porque a 18 Maio 2017 António Costa decreta que bombeiros passarão a ir de autocarro ou comboio para combater incêndios por razões de contenção de custos. Porque em 2017 para se obter o melhor défice do planeta fizeram-se cortes cegos e obscenos nos meios dos soldados da paz e suspendeu-se remunerações por falta de verbas.
E depois desculpabiliza-se a acção medíocre e irresponsável de todo um governo por via de uma trovoada seca. A sério? Então se assim foi, que respondam: como pode o raio que supostamente caiu numa árvore às 18h ter provocado um incêndio que começou às 15h com ausência total de trovoada segundo os populares? Como é possível não haver registo das horas e localizações das descargas eléctricas desse dia no IPMA? Porque razão não se viu um único bombeiro a pé ou de carro, um único meio aéreo? Onde estavam os 700 bombeiros que a Protecção Civil dizia ter disponibilizado e que ninguém viu? Porque razão as pessoas que tentaram fugir foram encaminhadas pela GNR a seguir para a “estrada da morte”? Porque razão às 5h com fogo por todo o lados da estrada, ela ainda não estava cortada? Porque razão só depois do fogo ter feito vítimas, foi notícia nos noticiários? Porque razão o Sr. Afectos não deu uma única palavra sobre responsabilidade do governo nesta acção? Com um fogo de 4 frentes activas porque demorou tanto o pedido de ajuda internacional?
Respondo eu, sem problemas: porque somos governados por bananas. Não há governo, há marionetas. Não há liderança, há ocupação de lugares de chefia para encher bolsos. Porque é nos momentos de crise que se vê a qualidade de quem governa na forma como acodem aos problemas e nas medidas implementadas para os resolver. E estes não resolvem nada, maquilham a realidade.
Podem guardar as romarias ao local da morte, lágrimas de crocodilo e discursos emotivos para os vossos gatos lá de casa. Quem viveu a tragédia, perdeu tudo inclusive familiares sabe bem que foi abandonado por um bando de políticos hipócritas que só aparece no fim das tragédias e antes das eleições.
Tarde demais. Porque onde há fogo há sempre governos incompetentes culpados pela inacção. Quem paga impostos elevados como nós em Portugal devia ter um serviço público de excelência. Se não o tem é porque o desviam para outros fins. Ponto.