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Vale tudo, até matar velhinhas

31 Outubro, 2016

Há dois motivos que levam à queda de um ministro; três, se contarmos com cascas de banana. O primeiro motivo é a constatação pelo chefe de governo que a sua permanência causará uma perda de votos significativa em eleição futura. O segundo motivo é se a sua permanência é um catalisador para má imprensa. Este último é uma variante do primeiro.

Como o PS não pode perder votos que não teve, o primeiro motivo não se aplica a Brandão Rodrigues. Por outro lado, como é fisicamente impossível o PS ter má imprensa, o segundo motivo também não se aplica a Brandão Rodrigues, tal como não se aplicaria a qualquer orangotango que, ao abrigo da igualdade, acabasse a ocupar um ministério socialista.

É irrelevante provar que Brandão Rodrigues sabia da fraude das licenciaturas, tal como é irrelevante qualquer narrativa que permita fingir existir a possibilidade de que não o soubesse. O que interessa é que não se demite, provando que, com a possível excepção de assassinar uma velhinha durante um comício transmitido em directo pelas televisões, não há nada que um socialista no governo não possa fazer.

Não sei se ria se chore

31 Outubro, 2016

Recomendações da Brock University Students’ Union para o Halloween

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Sacred and Ceremonial Dress which are not Costumes

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A casta

31 Outubro, 2016

A verdadeira riqueza está na capacidade de influenciar o Diário da República. E o verdadeiro poder sente-se quando se consegue ficar isento do que se impõe aos demais. Esta excepcionalidade estatal está já a entrar no patamar inevitavelmente grotesco da excepção dentro da excepção, como acontece com a legislação feita à medida do gestor da CGD, António Domingues. Fazer parte desse país-Estado ou conseguir ser tratado por ele de uma forma diferenciadamente privilegiada gera um sentimento de casta. E se essa diferenciação choca no momento da atribuição de poderes, então que termo usar para descrever a absoluta tolerância para com a ineficácia e a irresponsabilidade, desde que praticadas em nome do Estado? Fixe-se este número: 187 milhões de euros. Contas por alto e não contabilizando o ordenado que lhe pagamos como vereador, os arrebatamentos do vereador da Câmara Municipal de Lisboa (CML), José Sá Fernandes já nos custaram 187 milhões de euros.

How Many Countries is the U.S. Currently Bombing?

31 Outubro, 2016

Deixe lá, fica para a próxima

30 Outubro, 2016

Marcelo diz que em Cuba saltou referência ao multipartidarismo sem “nenhuma intenção”

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30 Outubro, 2016
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Segundo informa o Expresso de ontem, Rui Rio prepara, no PSD, um ataque mortal à liderança de Passos Coelho, estando, para isso, a tocar a rebate pelas suas tropas, que lhe respondem aos magotes. É mais uma das muitas vezes que Rui Rio anuncia, por interposto jornal, que será candidato a liderar o PSD. Só que esta, pela altura tardia em que surge, merece alguma reflexão. Vejamos. Rui Rio está com 59 anos de idade. Se conquistar, daqui por uns meses, o lugar de Passos Coelho, será líder do PSD aos 60 anos. Como o lugar de chefe do partido laranja não se justifica por si mesmo, Rui Rio certamente quererá ser primeiro-ministro. Ora, como por lá andará, nessa altura, António Costa, suportado numa resistente geringonça, calcula-se que o lugar não lhe seja posto imediatamente à disposição por ter feito sessenta viçosas primaveras, e que ele tenha de ultrapassar algumas pequenas formalidades, como ganhar eleições legislativas, lá para 2018, na melhor das hipóteses, 2019, na pior. Ou seja, Rui Rio, a eterna promessa da política portuguesa, chegaria a primeiro-ministro com a módica idade de… 62 anos. Sendo ele um reformista, única razão que o levará a ser líder do PSD e primeiro-ministro de Portugal, deverá tentar ficar no poder, pelo menos, duas legislaturas seguidas, para poder levar por diante as profundas transformações que reserva para o país. Sairia, assim, do governo aos 70 anos, mesmo a tempo de se lançar para a presidência da República e concluir dois mandatos com 80. É impossível? Claro que não: Churchill chegou ao poder com 65 anos e arrasou a Alemanha. De Rui Rio não se pode esperar menos.

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Vamos ver dezenas de casos destes

30 Outubro, 2016

Isabel Moreira: ‘Sócrates teve um comportamento que é eticamente condenável’

Sócrates está a ficar só. As salas estão a ficar vazias. Gente que só existe porque ele andou por ai a arrebanhar artistas que lhe compusessem os palcos descobrem-.lhe agora os lados obscuros.E nunca mas nunca serão dizer capazes de dizer que ele só fez o que fez porque teve quem lhe batesse palmas, quem o incensasse.

Vai ser deplorável o espectáculo dos que se vão dizer enganados por Sócrates. Entre Sócrates elee mesmo e essa corte a mudar-se para novo soberano prefiro Sócrates.

Tiago Brandão Rodrigues e a confiança no mundo de António Costa

30 Outubro, 2016

António Costa apressou-se a afirmar que mantém a confiança no ministro da educação. Directamente da Colômbia, que é para todo o mundo ouvir no caso de o querer – e que felizmente não quer -, sem qualquer pudor por demonstrar que gere um país de faz-de-conta com petizes que sonham com estetoscópios e três turnos de vinte e quatro horas semanais providenciados pelo Estado, lá balbuciou sobre a miséria do governo como de uma virtude se tratasse. É relevante que o primeiro-ministro mantenha a confiança no ministro da educação: alguém haveria de existir, além do sinistro Nogueira e da sua clientela, que manifestasse confiança no homem. E quem é o homem?

Tiago Brandão Rodrigues descreve-se como um executor de ordens superiores. “[…]Houve sempre uma comunicação muito oleada, muito fértil, com eles todos [Governo, PS e seu grupo parlamentar], para que as medidas não sejam única e exclusivamente do ministro da Educação, mas para que sejam medidas que o ministro põe em prática, com base nas decisões tomadas e que foram inscritas no Programa de Governo” (Visão, 4 de Setembro de 2016). “Rigoroso, exigente, convicto do que diz e do que pensa, focado”, é considerado por quem o conhece como possuidor de “um ego gigantesco” e uma “arrogância” criticável. (Observador, 19 de Maio de 2016). Com afirmações de pleno vácuo – “os sindicatos, naturalmente, fazem parte da solução e não do problema” (Visão, 4 de Setembro de 2016) – e outras de pleno terror – “[…] logo na primeira semana, fui a um comício do Guterres nas escadas monumentais, com a música do Vangelis. Cavaco estava a sair e senti que houve uma lufada de ar fresco” (i, 14 de Setembro de 2015), o alvo da confiança de Costa no estrangeiro é um indivíduo que acha bem que se emigre (no caso dele) – “Acabei por ir basicamente por opção. As coisas correram bem em Madrid. Gostava de estar lá. Estive também nos EUA, em Dallas. Sempre tive muitas inquietações relativamente a ir, a vivenciar outras culturas e sorver o que tinham para me dar, pelo que me fui deixando estar”. (i, 14 de Setembro de 2015) – mas que acha muito mal quando são os outros a emigrar – “É desesperante ver como muitos dos pilares da nossa sociedade, principalmente nos últimos dois, três anos, foram decepados e muitos deles estão moribundos. Alguns dos nichos de actividade da sociedade portuguesa estão moribundos, o que fez com que houvesse outra vez uma emigração massiva de quadros qualificados. E aqui entramos na questão da confiança. São pessoas com uma massa crítica enorme. Isto é muito fácil de entender. Se temos 100 pessoas de alturas diferentes e eliminarmos os mais altos, a média baixa. Na massa crítica e no conhecimento técnico e académico, acontece exactamente a mesma coisa. Se os mais qualificados zarparem, os que ficam são pessoas com qualidade, mas a nossa média de capacidade técnica claramente vai baixar. E isso está a acontecer. E quem zarpa vai com algum grau de desespero, falta de confiança total no país, com um grau de desilusão muito alicerçado e com uma auto-estima muito baixa que, curiosamente, na maior dos casos volta a receber um aumento quando chegam aos sítios de acolhimento”. (i, 14 de Setembro de 2015).

Se António Costa mantém a confiança num indivíduo que, de acordo com as próprias palavras, mantém no ministério os mais baixos, deixando cair os mais altos, isso diz mais sobre Costa do que sobre Brandão Rodrigues. O ministro “rigoroso” (Observador, 19 de Maio de 2016) que eliminou os exames em prol de “valorizar as competências transversais, o papel das artes, o papel do desporto” (comissão da educação, ciência e cultura, 13 de Janeiro de 2016) é uma sinédoque para isto tudo: mais um palerma sem noção da sua função de carrasco.

O talento secular

29 Outubro, 2016

8846059_origQualquer pessoa, daquelas que não andam nuas no Terreiro do Paço com um candelabro enfiado até ao pâncreas, olha para as notícias sobre figuras como o bi-inlicenciado Nuno Félix ou o mono-inlicenciado Rui Roque como um boi olha para um palácio. Em particular porque os inlicenciados estão no interior do palácio e o bois somos nós. Nada nos surpreende quando o governo é do PS, o que só indica que estamos condicionados a aceitar que dali só vêm notícias destas e que tratamos com a indiferença de um “podia ser pior”. E podia, se, por exemplo, se apanhasse o Passos Coelho a lavar as mãos sem sabão anti-bacteriano ou outra daquelas barbaridades que ele fazia. Ou, pior ainda, se fosse o filho do gasolineiro de província, o pindérico da marquise que concluiu mesmo a licenciatura.

O que tem o PS para atrair estas figuras? Explicações antropológicas são desnecessárias: tal como as moscas conhecem a nossa condição bovina, é pelas traseiras que estes seres encontram o alimento. A maior parte destes chegou ali pela mão amiga do inengenheiro, inmestrando e, como já se sabe, inautor de livros, o senhor Sócrates, pessoa que pagou o já recordista mundial do Guinness para blogue mais caro do mundo, o Câmara Corporativa. Dali para o governo ou para duas ou três licenciaturas e consumação matrimonial com unicórnios é um tirinho. Para o infinito e mais além. Nada nem ninguém pode parar o progresso.

Claro, sabia-se que, mais cedo ou mais tarde, teriam que começar a cair como tordos. Quando não dá para todos é sempre questão de determinar os elos mais fracos e empurrar as criaturas dispensáveis para a pira do regime. Seria interessante perceber quem fica por atirar, mas, sinceramente, ninguém quer saber disso. Enquanto houver abundância destes manetas cegos que fazem malabarismo com motosserras, e eles brotam como pus, a gente espera, como o boi que se limita a olhar para o palácio. Mais logo se verá quem fica de pé.

Sai mais uma entrevista para a TVI

28 Outubro, 2016

Nuno Félix – Viver junto ao mar

Demissão hoje, claro

28 Outubro, 2016

Se o governo não fosse patriótico de esquerda, bom, o que desejamos ardentemente ter como demonstramos através da atribuição do segundo lugar nas eleições legislativas, não seria necessário dizer isto. Como é o governo justo, equilibrado, lindo e, porque não dizer, que nos provoca uma sensação de cócegas genitais de puro prazer sexual, talvez seja necessário, porque, enfim.

O ministro da educação tem que se demitir hoje. Não é amanhã, não é no Domingo (que é dia de exames), não é na segunda-feira: é hoje. Aliás, como o governo é tudo que descrevi e muito mais, espero que este texto seja redundante por publicado já após a demissão do miúdo.

Se não se demitir, bem, então, miudagem, toca a copiar. Fiquem em casa e inventem lá o mestrado. Não um, dois. Bolas, três, que é a conta que Deus fez.

Passo agora a palavra ao professor Mário Nogueira. Faça o favor.

Manda quem pode, paga o contribuinte

28 Outubro, 2016

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Jornalista do DN não lê o DN

28 Outubro, 2016

dois«A decisão de ontem do Tribunal Constitucional (TC), que reverte a suspensão do pagamento das subvenções a ex-políticos com rendimentos superiores a 2000 euros, tem por base um mistério: quem foram os autores desse pedido de fiscalização?

Nem as fontes parlamentares ouvidas pelo DN nem o TC o esclarecem. O acórdão só refere que “um grupo de deputados” ao Parlamento requereu a apreciação do artigo 80º do Orçamento de Estado de 2015.(*

Ora bem, eu sugiro que para resolver tão grande «mistério» o jornalista do DN clik ali na imagem à esquerda do seu texto (não precisa de ir ao arquivo, não precisa de googlar),  e poderá esclarecer aquilo que ele acha que ninguém sabe. Mas que na verdade só mesmo ele e as «excelentes fontes» que consultou  ignoram.

Na sequência da entrevista a José Sócrates sobre o livro que assina

28 Outubro, 2016

sugiro à TVI que inaugure uma série de entevistas com

Pedro Dias: o gosto pelos percursos na Natureza

Ricardo Salgado: a importância da família

Duarte Lima: a lusofonia como espaço de oportunidades

 

Carta a enviar aos alunos da FDL

27 Outubro, 2016

Jovens,

Ao longo do vosso percurso académico aqui, na Faculdade de Direito de Lisboa, irão encontrar vários tipos de provas que terão que prestar. A nossa reputação como instituição deve ser mantida impecável, como foi até hoje.

Não temos absolutamente nada contra qualquer fraude académica desde que devidamente remunerada. Alguns dos nossos professores são, inclusivamente, conhecidos pelos valores exorbitantes que cobram para vos fazer trabalhos. Isto não põe em causa o prestígio da nossa instituição, pelo contrário, só a eleva para os píncaros da sociedade igualitária que almejamos alcançar.

Quando pagarem a um dos nossos estimados professores para que participe numa fraude académica, sejam discretos e optem por passar o recibo ao seu cônjuge ou ao assistente bonito e bem cheiroso ao seu lado.

Contando convosco para mais um ano lectivo cheio de sucessos e desprovido de escândalos que noutro país originariam suspensão sumária e posterior expulsão – ao provarem-se os factos -, me subscrevo, de coração aberto e face levantada.

Beijinhos,

Portugal, Outubro de 2016

27 Outubro, 2016

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“Engenheiro, engenheiro…”

26 Outubro, 2016

Um indivíduo respondendo pelo substantivo “engenheiro” foi entrevistado na TVI24 sob o pretexto de que lançará um livro. Não é o autor, não é o editor, é só um indivíduo que responde pelo título de “engenheiro” e que paga isto tudo só para aparecer na televisão em vez de ficar em casa a acariciar a sua masculinidade ao som da voz frágil que sussurra pelo “buraco”, como fazem as pessoas normais.

O livro é sobre a vergonha da justiça e a infâmia da perseguição política, a julgar pelo que lhe disseram para dizer, e que ele disse. Menciona-se um marquês e uma operação. Desejo imediatamente convalescença tranquila para o incógnito nobre, porque sou boa pessoa, sinto empatia imediata pelos outros. Mas este texto não é sobre mim, é sobre ele. Talvez seja sobre mim, mas não quero pensar que seja.

Como naqueles directos com a presença do emplastro, a entrevistadora foi repetindo o substantivo “engenheiro” como se de um adjectivo se tratasse. Talvez até seja. Na Grécia antiga, era prática commumente aceite, que remédio, a de ter aprendizes jovens que iam sendo instruídos para a realidade dura da vida. A rigidez da estrutura, hirta, como uma barra de aço. Por trás de um grande homem havia sempre um homem maior ou, na falta deste, um mais pequeno: um genuíno comboio de sabedoria inoculada pelo atrito de uma locomotiva que nunca perde o vapor até chegar ao destino, quando chegar, se chegar, por engenho e alguma consequência imprevista da condição humana.

“Engenheiro…”
“Engenheiro…”

Sou levado para a adega onde a personagem do Herman José conspira na presença de pessoas magnetizadas pelo erotismo do poder. Não tinha poder algum, mas era “o engenheiro”, isso basta, na presença estática de quatro ou mais cadeiras silenciosas.

Moderando sem visível êxito os trejeitos abichanados que lhe são naturais, a transmutação do organismo em extinção na personagem do animal selvagem ocorre por osmose com as câmaras de televisão. Nasceu para isto, o homem. Ao menos, ter-lhe-á sido dito por outro indivíduo a quem pagara para o dizer. Um amigo dos que o “engenheiro” conhece, os únicos que o querem conhecer. O amigo placebo.

Ainda havia quem achasse boa ideia comprar a TVI. Não é preciso, eles entrevistam qualquer coisa que queira parecer o que não é. Afinal, é a mesma casa da Quinta das Celebridades, onde pessoas que animam discotecas na terceira vila do concelho por quatrocentos euros por uma festa da espuma se pavoneiam como sendo celebridades. “Props people, tudo a saltar para o Engenheiro”. A espuma brota, o DJ mete brita, a explosão simbiótica acontece, corpo-a-corpo, espaço-a-espaço.

Fantástico

26 Outubro, 2016

O acordo entre o Governo e o Bloco de Esquerda para aumentar o combate à precariedade no trabalho só visa as empresas privadas e deixa de fora os trabalhadores da Administração Pública, uma vez que não é do âmbito da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) realizar inspeções à Administração Pública

 

Vende-se paz social. Aceitam-se contrapartidas

26 Outubro, 2016

Andamos há meses a falar de uma geringonça mas o que temos vivido é um instalanço. Costa é um comprador de paz e tanto BE como PCP têm muita paz social para vender. Em troca aceitam aparelho de Estado. O negócio da paz tem feito a fortuna de Costa, que parece governar sem críticas e funciona como conta-poupança para o BE e o PCP que por cada dia de paz deixam marcas nas leis e no aparelho de Estado.

Quatro cadeiras, zero mesas

26 Outubro, 2016

Abrantinos a enganar meninos

25 Outubro, 2016

Após todos estes anos a aceitarmos que existem vários tipos do mesmo calibre a escreverem sob o nome Miguel Abrantes, eis que a imprensa emprenha de ouvido a versão sacrificial do PS de que se trata de um único palerminha. Ninguém se lembra de perguntar porque foi este cordeiro atirado para a fogueira nem quem são os beneficiários do sacrifício. Mesmo o ingénuo que se dispôs a ganhar umas massas a escrever aquelas bojardas para o Sócrates – que, coitado, sem argumentistas não articularia uma única ideia, mesmo má -, rapaz oriundo da mesma casa de colchões que nos trouxe deputados e estrelas da noite gay de Lisboa, foi atirado para os escaparates agora por qual motivo?

Achar que as coisas começam a ficar claras quando se atira os nomes dos mais parolitos para a praça pública só serve para enganar meninos ou a imprensa, se é que são distinguíveis.

Tendo em conta que esta eloquente prosa é redigida por criaturas que se apresentam como representantes dos professores…

25 Outubro, 2016

A direita anda entre o assustado e o desorientado. Incapaz de fazer oposição credível, e cada vez mais radicalizada nas suas posições, dispara em todos os sentidos, incluindo os dos pés. 

ainda acham que vale a pena falar sobre o estado do ensino?

 

Andamos nós aqui a escrever de borla há não sei quanto tempo

24 Outubro, 2016

Depois de tanto entusiasmo com Sócrates, que tal como Costa tinha “carisma”, “discurso sobre o futuro”, “era politicamente indestrutível”…, os devotos do ex PM preferem agora trocar ideias sobre as esquerdas. Contudo e dado que muitos são jornalistas, escritores… podiam eleogiar o homem porque deve ter sido a única pessoa que nos últimos anos pagou decentemente por artigos, livros e um simples post.

Aluguer de simpatia, uma reflexão sobre carisma

23 Outubro, 2016

Ontem, graças ao Sol, os Abrantes voltaram a ser notícia. Durante a corte do imperador Sócrates, o simplório designado para assegurar o enriquecimento de indivíduos de má índole, tornou-se necessário assegurar bajulação que indicasse a existência de criaturas no país que o respeitassem, vai daí contratam-se personagens sedentas por servir que juntam o útil ao agradável, em estreita colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, uma pequena tasca que catapulta nulidades para a Presidência da República. Nada disto é novo, nem sequer os nomes – incluíndo o da notícia, um tal de António Peixoto -, um daqueles jovens que, se não se prestasse a estas figuras, acabaria as noites no Príncipe Real em busca de algo que o preenchesse.

Estas personagens, sob o anonimato que ofusca os cargos que foram desempenhando, passaram uma década a executar, com zelo, a função que nenhum ser pensante desempenharia sem o devido asco e mau-estar de o fazer por necessitar do dinheiro. Há limites à decência: na prostituição, ao menos, é só o corpo que se aluga, não a alma. Porém, graças à notícia de ontem, verificou-se que nem os Abrantes fariam de Abrantes de borla, o que só demonstra que a Sócrates restarão sempre os amigos que for conseguindo alugar.

o fundo santos silva

22 Outubro, 2016
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capa_jornal_sol_22_10_2016Nas sociedades de tipo capitalista é comum as pessoas associarem os seus capitais financeiros para investirem em objectivos comuns. São os famosos «fundos de investimento», que podem ser para investimento imobiliário ou em produtos da bolsa e outros de natureza financeira. A subscrição e o resgate das unidades de participação podem ser abertas ou fechadas, mais ou menos condicionadas, portanto, consoante as condições inicialmente estabelecidas. E podem ser mesmo fundos com um único aplicador, os fundos exclusivos, sendo que estes beneficiam de alguns privilégios fiscais.

Seguindo as notícias sobre a «Operação Marquês», ou «caso José Sócrates», como é mais popularmente conhecida, não parecem restar dúvidas de que, ao longo dos últimos anos, foi constituído um vultuoso fundo financeiro, cujo único aplicador era o Eng.ª Carlos Santos Silva, um fundo exclusivo, portanto, que tinha como finalidade única de investimento o senhor Eng.º José Sócrates. O fundo foi aplicado na vida pessoal do senhor Eng.º, permitindo-lhe pagar a pensão da sua ex-mulher, as suas férias e as férias das suas namoradas, os donativos a algumas amigas coloridas, a compra de carros e casas, a aquisição de imóveis em Paris para cedência habitacional durante o seu curso de mestrado, mas também para os seus objectivos políticos, como a edição da sua tese de mestrado, o pagamento ao professor que a «corrigiu», a aquisição numerosa de exemplares da mesma para impressionar o indígena, e até o pagamento de moços avençados para o defenderem politicamente na net, como o célebre «Miguel Abrantes», autor do blogue «Câmara Corporativa», que auferiu a tença mensal, por muitos e bons anos, de € 3.350,00.

Vistas as coisas assim, de que a relação entre Santos Silva e José Sócrates era a de um investimento do primeiro no segundo, a aguardar oportunidade para reaver o seu capital e pagar-se com os lucros politicamente obtidos, torna-se compreensível a linguagem apanhada nas escutas telefónicas, que é típica dos brokers de Wall Street («Manda-me mais fotocópias!!!!», «Traz-me um bocadinho daquela coisa de que gosto muito!», «Ó Perna, já aí tens os documentos?»), bem como o facto das aplicações financeiras de Carlos Santos Silva não terem ainda tido retorno: porque Sócrates não regressou, por enquanto, ao poder. Subsiste, a meu ver, apenas uma dúvida: donde raio é que veio o salário esdrúxulo do Peixoto Abrantes de € 3.550,00? Não se podia pagar ao rapaz um número mais redondo? 3.600,00? 3.500,00? Até 4.000,00, dada a relevância dos serviços prestados? De que bizarra tabela salarial saiu aquele valor? Um mistério a esclarecer.

Ouçam bem a DBRS, they shall say this only once

21 Outubro, 2016

Se uma única agência de rating diz que Portugal está estável e tem um prognóstico normal, quem somos nós para duvidar? OK, eu sei que íamos fazer auditorias cidadãs às agências de rating, aos seus interesses próprios e obscuros, à promiscuidade entre governação e finanças, mas, caramba, isso era quando esganiçávamos fora do governo. Agora somos governo, haja algum respeito.

o estado social… à sua custa

21 Outubro, 2016
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Graças ao governo da geringonça, a teoria política viu-se enriquecida por um novo conceito: o do Estado Social… à custa dos outros. Isto é: em vez do estado promover as condições necessárias ao crescimento económico das pessoas que nele vivem, leva-o à falência e, para se sustentar e desenvolver a sua benemérita actividade vai sacar mais dinheiro «onde ele está», citando a feliz frase da menina Mortágua. Dito doutro modo, vai aos bolsos de quem não andou a desbaratar dinheiro e conseguiu economizar algum, para pagar as ideias que saltitam e pululam nas cabecinhas dos ministros. Assim, para aumentar as pensões saca-se um novo imposto sobre os imóveis. Para sustentar o rendimento mínimo aumenta-se o IMI. Para segurar os despedimentos na função pública aumenta-se o imposto sobre os produtos petrolíferos. Para financiar as 35 horas do sector público cria-se uma taxa sobre os alimentos e as bebidas com açúcar. Para pagar os manuais escolares aumenta-se o imposto sobre o tabaco e as bebidas. E por aí em diante: o estado gasta o muito que lhe damos a pagar as dívidas que a sua exemplar gestão foi gerando, e, para o resto, vem-nos sacar ainda mais. Falta apenas esclarecer se será criado algum novo imposto para pagar os salários dos administradores da Caixa. Ou já estavam provisionados?

Está portanto a senhora deputada em luta com o seu empregador?

19 Outubro, 2016

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PCP quer reduzir recurso a trabalhadores temporários a seis meses

Será desta que a deputada Rita Rato consegue deixar de ser precária? E como vai isso de entregar ao patrão uma parte do vencimento?

Esperemos que a carreira profissional da deputada Rita Rato deixe de ser aquele calvário de exploração às mãos do capitalismo neo-liberal promotor do maior obscurantismo. É que a senhora deputada nem tempo para ler tem. Recorde-se que até 2009 a deputada ainda não tinha tido tempo para se informar sobre o gulag

Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas? 

– Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

– Mas foi bem documentado… 

– Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

– Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais? 

– Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa…

Agora se a geringonça quiser a senhora deputada passa a ter um contrato definitivo e ‘prontos’ fica finalmente com tempo para se informar.

Corre Catarina corre! Jerónimo olha a fome!…

17 Outubro, 2016

2016:Desmaios nos comboios levam a campanha contra o jejum
Estamos nos tempos do maravilhoso governo das esquerdas e que agora a fome que já nem permitia aos portugueses ir às manifestações se tornou num desequilíbrio alimentar. Aquilo a que em 2016 o PÚBLICO chama jejum em 2012 ou 2013 seria FOME. Nutricionistas, psicólogos e activistas dariam conta dessa epidemia que já enm eprmite aos comboios andar. A dra Elina Fraga que agora mal se ouve avançaria com ameaças de processos em instâncias internacionais. Dom Januário (que saudades, dom Januário!) ameaçaria com excomunhões. O dr Capucho que presumo ter emigrado para um resort sem ligação ao mundo tremeria de indignação com a traição à matriz social-democrata do PSD… Agora estão todos calados ou quiçá a consultar tabelas nutricionais parea mostrar como é importante a taxação dos refrigerantes em boa hora defendida pelo Governo para promover a alimentação saudável.

 

Pensões? That’s all folks

17 Outubro, 2016

Aquilo que está neste momento em cima da mesa é a instituição de um regime de apartheid, em que de um lado estão cobertos de direitos os actuais pensionistas e do outro, apenas com a obrigação de manterem as suas contribuições em dia, estão os futuros reformados: o mesmo PS que agora se propõe passar a ricos a maior parte dos usufrutuários das pensões mínimas pediu há dois anos a fiscalização ao Tribunal Constitucional dos cortes nas pensões de sobrevivência para os viúvos cuja pensão somada à de sobrevivência resultasse num valor superior a 2.000 euros

O Seixas da Costa é caixa d’óculos

16 Outubro, 2016

O Seixas da Costa é um caixa d’óculos. Não tem mal dizer: ele é mesmo caixa d’óculos. Não o digo por mal, é porque ele usa óculos e o resto da sua face é um bocado paralelepipédica. Não estou a ser ofensivo, é que é mesmo caixa d’óculos, de acordo com a definição geral de caixa d’óculos. Também tem o cabelo branco. Pode ter a pila pequena, mas isso não posso confirmar, não pretendo filiar-me no PS para subir na hierarquia da sucção a que estes tipos se submetem. Quem trota por gosto, não cansa, já diz o povo. Não estou a ser ofensivo: não é o mesmo que dizer que o Seixas da Costa é um conas ou um merdas, que isso só comediantes de esquerda poderiam dizer impunemente sobre alguém, para gáudio da saloiada da esquerda que, através da émese situacional, tomou conta do país. É só um embaixador que também se demonstrou abaixador e se renovou em especialista energético. É um tipo tacanho, assustadiço, daqueles que foge de tudo e todos que possam dizer algo minimamente inteligente. Portanto, ficará no rodapé como um dos grandes vultos da esquerda nacional do século XXI. Coitado.

O monstro que estamos a criar

15 Outubro, 2016

Os poderes crescentes e as reivindicações da Autoridade para as Condições do Trabalho merecem muito mais atenção. Por exemplo, o inspector-geral Pedro Pimenta Braz insiste na necessidade de rever a lei do processo de contra-ordenações, que continua a exigir que a notificação seja feita por carta.

Ao certo o inspector-geral  pretende o quê? Nem sequer ter de notificar os visados? Note-se que a obrigatoriedade do envio da carta não implica que esta tenha de ser recebida pelo visado. Pretende-se o quê com isto?

Foi isto que eu vi, com estes olhos que a terra há-de comer

15 Outubro, 2016
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Centeno apresenta o orçamento (imagem de arquivo)

Centeno apresentou aquilo, com algum custo, como se ainda palpando os números, os que após várias massagens ficaram tenrinhos o suficiente para apresentação. Números eugeniorosadinhos. “Esfrega mais alho”, diria um. “Rosmaninho e alecrim, é daí que vem a pungência”, acrescentaria um Robin ao discurso do Batman hierarquicamente superior. A claque reunida, providenciando motivação adicional para os fiéis, aqueles que transbordam de fervor mas carecem de aprofundamento nas idiossincrasias teológicas do culto socialista, desempenhou a função com o zelo davidiano dos discípulos de Koresh.

É indiferente se hoje o Deus a adorar é o Satanás de ontem. É preciso servir alguém, já dizia o bardo em 1979 e São Paulo antes do ano 60 da Graça de Nosso Senhor. Há bem menos tempo, ficou escrito que o crescimento seria 3,1%, mas isso não interessa nada, que agora, depois do intervalo, é suposto as equipas mudarem de campo. “A baliza é a outra, agora”, dirá o neo-convertido às virtudes das exportações. “Importamos demais! Aumenta a inflação!”, grita o saltimbanco. O gato siamês do diplomata eriça o pêlo e a Estrela ilumina o caminho para a Babilónia enquanto o albino bebe lixívia.

Algumas pessoas continuam a discutir com os fiéis, tentando, pela razão, a tarefa impossível de mover a montanha que é um homem enclausurado na devoção. Tentar isso sem uma cenoura está destinado a falhar. Estes franciscanos do milénio – o que nos traz uma eleição entre Hillary Clinton e Donald Trump – devem saber que serão sempre vistos como excêntricos escravizados por conceitos ultrapassados como a verdade. Eu não discuto com essa gente: acredito mesmo que qualquer um deve poder barricar-se na imensa caverna mofenta delimitada pelo seu crânio. Cada um deve poder ser livre de grab himself by the pussy, com o auxílio fundamental de todo o seu corpo ser pussy.

O que era ontem não é hoje, se o hoje não é ontem porque o ontem nunca seria hoje. É um bom orçamento, os impostos reduzem e virou-se a página da austeridade. Amém.

“Esfuma-se”? E senhor inspector-geral fica sem um único dado que lhe permita fazer o seu trabalho?

15 Outubro, 2016

Jornal de Negócios: A Autoridade para as Condições do Trabalho vai passar a ter acesso aos dados da administração fiscal e da Segurança Social. A medida, que consta da proposta de Orçamento do Estado, era há muito reclamada pelo Inspector-Geral como essencial para combater, por exemplo, o trabalho não declarado.
A proposta prevê a partilha de dados entre o fisco, a segurança social e a ACT. As categorias dos titulares e dos dados ainda ficarão sujeitas a autorização da Comissão Nacional da Protecção de Dados.
Em Setembro entrou em vigor a lei que alarga a responsabilidade de gerentes, administradores e directores no caso de infracções laborais praticadas em regime de subcontratação ou trabalho temporário.
Mas já nessa altura o inspector-geral reclamava o cruzamento de dados. E dava um exemplo: “É contratada determinada empresa para prestar determinada actividade, muitas vezes com um preço abaixo do mercado, mas depois de identificarmos essa empresa[que tem trabalhadores não declarados] ela simplesmente desaparece, esfuma-se, por puro milagre”, descreve. “E, muitas vezes, quem as contrata é conivente. Essa empresa amanhã vai aparecer com outro número de contribuinte para fazer a mesma coisa”.
Na altura, Pedro Pimenta Braz insiste na necessidade de modificar adicionalmente dois procedimentos, que considera essenciais para a eficácia da implementação da lei: por um lado, a revisão da lei do processo de contra-ordenações, que continua a exigir que a notificação seja feita por carta; por outro, o cruzamento de dados que o Governo promete agora concretizar.

Exactamente

15 Outubro, 2016

Centeno: “Este é um orçamento de esquerda”

Eles vêm em paz

14 Outubro, 2016

As balas serão mais caras. Não todas as balas, só as que contêm chumbo. O chumbo é tóxico. Há chumbo nas balas, daí que estas possam matar por toxicidade. Ainda há quem tenha chumbo nos dentes, aumentando o risco de morte por mordedura tóxica. Não confundir com o estanho, que também é um metal, esse mais usado em soldadura de componentes electrónicos que permitem ouvir no rádio do que o chumbo vai pagar mais imposto. O Costa não ia aumentar impostos, mas tem que ser, há que cobrar a quem chumba. Há muitos crimes relacionados com cobre. Meliantes do cobre assaltam estaleiros com instalações eléctricas em busca de cobre. Em muitos casos, acabam por levar com chumbo de populares, chumbo esse que será mais caro em 2017. O governo só quer evitar que meliantes de cobre deixem de ser expostos a reacções exacerbadas de populares que podem causar cancro e/ou trepanações por bala de interposta pessoa. A Costa só falta o zinco. Em forma de chapéu.

Centeno entrou de fato castanho. Somos o que aparentamos ser.

Assim se fazem as coisas

14 Outubro, 2016

O artigo sobre as declarações de João Bilhim, presidente da comissão que organiza os concursos para dirigentes no Estado (CRESAP), é profundamente revelador de uma das maiores mistificações da política portuguesa: as polémicas versus a paz.

Repare-se que nesta frase «João Bilhim, que deixou de ser presidente da polémica comissão que organiza os concursos para dirigentes no Estado esta semana, está a ser ouvido na comissão de Orçamento e Finanças

Sublinhe-se o polémica. De facto todas as semanas surgia um problema com a CRESAP. Logo a  CRESAP era polémica. Assim que a clientela da geringonça deitar a mão à CRESAP as polémicas desaparecerão e ninguém mais escreverá a “polémica comissão“. E é nesta mistificação que vivemos: havia austeridade e acabou a austeridade; havia foem e acabou a fome; havia tensão e agora não há; havia polémicas e agora não há.

As corporações montam os arraiais da polémica. Quando conseguem o que querem – mais aparelho de Estado ao seu serviço – calam-se. E V~em dizer-nos que foi conseguida  a paz. Este é o logro em que vivemos.

 

 

Implacavelmente proscritos

14 Outubro, 2016

Há um grupo que Costa não tolera. Que vai afastando um a um. Ninguém os entrevista. Ninguém se interroga sobre o que é feito deles. São os socialistas que estiveram com António José Seguro.

A fúria do deputado do PS Ascenso Simões perante o socialista João Bilhim quando este na comissão de Orçamento e Finanças declarou “Eu era militante do PS” “Não poderia de maneira nenhuma aceitar este cargo se o meu secretário-geral não me dissesse alguma coisa” é reveladora desse ambiente de caça às bruxas.

 

Lily, Rosemary and the Jack of Hearts

13 Outubro, 2016

Há pessoas cuja opinião respeito imenso, amigos no bom sentido da palavra, aquele que não tem que ver com quem paga as minhas extravagâncias, que discordam da atribuição do Nobel da literatura a Bob Dylan. Há pessoas cuja opinião desprezo, principalmente por a não terem, por serem uma recauchutagem de clichés ambulantes às custas da inércia de um povo que aceita como doutor qualquer labrego capaz de enunciar “esternocleidomastoideo”, e que consideram a atribuição do prémio como aceitável. Refiro-me a indivíduos como Pedro Adão e Silva, um poltergeist que, há anos, desaconselha qualquer pessoa do curso de Sociologia no caso em que a ideia lhe tenha ocorrido sem se apresentar devidamente dotado dos conjunto de apelidos Vieira da Silva. É provável que existam bons sociólogos, inclusivamente, até, bons estudantes de sociologia, daquelas que não ambicionam ser papagaios da bucólica panascagem intelectual oriunda da endogamia marxo-sopeira que caracteriza os nossos canais noticiosos e, principalmente, as colunas de opinião dos jornais. Conheço um ou dois, coitados, que já nem podem dizer que são licenciados naquilo sem que lhes perguntem opinião sobre o novo reforço do Benfica, sobre o rating do duck dive do surfista da Nazaré e sobre o disco de cortar os pulsos dos canadianos lo-fi da moda, isto depois de um comentário sobre austeridade e o rais-que-o-parta, que o gajo deve acampar em frente ao estúdio de televisão, carregando o iPhone numa baixada partilhada pelo cigano posh da tenda do lado.

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“Eu sou o violador de Telheiras”, disse o vizinho, enquanto lavou o tacho e as meias na poça de água aglomerada na falha do asfalto. “Eu sou o comentador de serviço, sempre pronto para opinar”, respondera, antes de contemplar a sua infinitude plena de sapiência não reconhecida universalmente.

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Eu gosto de Bob Dylan. Não vale nada, que eu goste de Bob Dylan. Quer dizer, vale para mim, que lhe reconheci o génio em determinadas alturas, que isto de reconhecer génios é ao contrário do que se faz hoje nas escolas, sobrecarregadas de sobredotados: é pessoal, intransmissível e intransitável por tendências mutantes da moda que procura algo novo só porque sim, para quebrar com o velho. Que pós-pós-modernos betos (diminutivo de analfabetos) também afirmem gostar é irrelevante. É que, ao contrário dos Adões e Silvas, o Bob Dylan nunca se esforçou para que gostassem dele. Vai-se a ver, é mesmo por isso. Em vez do Nobel, consensual seria dar a Dylan uma licenciatura em sociologia.

Eles mamam tudo, eles mamam tudo

13 Outubro, 2016

Não devemos ter medo das palavras. A palavra certa para caracterizar fisicamente a Alexandra Leitão é ‘gorda’. A senhora deve beber muitos sumos e refrigerantes enquanto leva os filhos ao colégio alemão no carro não-eléctrico que alimenta os lucros excessivos da Galp na Argélia (esta última parte ouvi a um membro do PCP). O Costa também é gordo. Inicialmente, parecia gordo de ar, mas, afinal, é mesmo de tecido adiposo. Estas pessoas são socialistas, daí que não tenham o seu reflexo em espelhos. E, como todos sabemos, o espelho é um instrumento essencial para aferirmos a vergonha. Não admira que estes espécimes não a tenham.